Vias Romanas em Portugal
Viação Romana
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Glossário
O Sistema Viário Romano
O levantamento da rede viária utilizada em período romano tem atraído diversos estudiosos ao longo dos séculos, no entanto subsistem ainda muitas dúvidas e incertezas quanto aos verdadeiros trajectos. Deste modo, os itinerários aqui publicados são constantemente actualizados à medida que novos achados vêm à superfície ou trabalhos de investigação são publicados. A evolução do site, correcções e novas propostas são registadas na página
«Evolução do Site».
Citando José d'Encarnação: «No âmbito da História, como no das demais ciências, progride-se de acordo com uma teoria filosófica sobejamente conhecida: procede-se durante muito tempo à pormenorizada análise dos dados, que pouco a pouco se vão complementando até formarem um todo, que é a síntese. Síntese que, por seu turno, pela vitalidade que em si encerra, é promotora de novas análises, já com uma visão mais alargada, na consciencialização de aspectos até aí ignorados ou menosprezados, porque nunca haviam sido postos em conjunto. Novas análises, portanto, a desembocarem, necessariamente, em nova síntese. E assim se avança» (Encarnação, 2011: 196).
Dificuldades
De entre os problemas encontrados para o seu estudo salientam-se os seguintes:
- A vastidão e dispersão geográfica da rede viária, cobrindo a quase totalidade do território português.
- A incerteza quanto à origem destas calçadas devido às sucessivas reparações ao longo dos últimos 2.000 anos.
- O abandono e destruição a que estão votados estes vestígios arqueológicos.
Vestígios da via
Ao longo da descrição do trajecto são indicados os vestígios e indícios da antiga via como sejam miliários e troços lajeados, mas também se indicam outros vestígios como
villae,
vici, necrópoles, castros romanizados, explorações mineiras e agrícolas, etc, já que frequentemente estes vestígios estão associados à passagem de vias nas suas proximidades:
- Villae - mais que uma simples casa de habitação, a villa funcionava antes uma verdadeira unidade agro-industrial que necessitava de vias de escoamento para os seus produtos a fim de serem comercializados. Por outro lado muitos dos vestígios classificados como casais ou villae junto da via são na realidade estruturas de suporte viárias como mutationes ou tabernae.
- Vici - correspondem a pequenos aglomerados populacionais de tipologia diversificada que variam entre um pequeno conjunto de habitações a aldeias de grandes dimensões. Estão muitas vezes relacionadas com portos ou explorações mineiras mantendo uma relação directa com a viação.
- Necrópoles - eram frequentemente localizadas à saída das cidades, ao longo da via, como é caso da necrópole de Lethes em Ossonoba (Faro), ou seja longe dos vivos de modo a assegurar a salubridade pública, mas mantendo uma relação directa com a via e com quem por aí circulava. Em meio rural essa relação com a rede viária não é tão preponderante, deixando de ser um indicador fiável para a localização das mesmas.
- Minas - eram apoiadas por uma rede complexa de vias secundárias que permitiam o escoamento do minério até às vias principais ou para o porto fluvial mais próximo, onde seria embarcado e transportado rio abaixo até ao litoral, onde finalmente era exportado para todo o império.
As Estradas Romanas
O Sistema Viário
Nada melhor que seguir a explicação
Siculus Flaccus, cônsul romano, na sua obra
«De condicionibus agrorum»:
«As vias não têm um estatuto único. Existem as
Viae Publicae que são construídas com fundos públicos, recebendo o nome do seu promotor.
O
Curator Viarum é responsável pela supervisão da via cuja construção é adjudicada a empreiteiros. Para a manutenção de algumas delas é fixada uma determinada soma aos proprietários em função da via em causa. Em contrapartida as
Viae Vicinales, partindo das
Viae Publicae, servem os campos ou ligam a outras
Viae Publicae. São construídas noutras modalidades, pelos responsáveis regionais que, em geral, exigem aos proprietários os trabalhos de manutenção». (in
«De condicionibus agrorum» Cap. XIX).
O Cursus Publicus
A rede de estradas dividia-se assim em
Viae Publicae (também ditas Militares ou Consulares), as
Viae Vicinales, estradas secundárias que interligavam as grandes vias e as
Viae Agrari ou
Privatae, ou seja caminhos agrícolas ou privados. Claro que esta classificação é atribuída apenas do ponto de vista administrativo pois a realidade está longe de corresponder a este modelo dito "clássico" da 'via romana'. Na rede principal operava o
cursus publicus, o sistema de distribuição postal que permitia comunicar com todos os locais estratégicos do Império. Para atestar a relevância desta estrutura para a época, basta referir que por exemplo em Portugal o «serviço público» de correios só viria a ser novamente implantado por decisão régia apenas em 1520, através da criação do Ofício do Correio-mor que então ficou incumbido dessa tarefa.
O
cursus publicus romano é assim um sistema totalmente hierarquizado e planeado para cobrir todo um território, apoiado numa rede de estações de apoio designadas por
mutationes e
mansiones, dispostas ao longo do trajecto e prestando apoio aos viandantes. As
mutationes destinavam-se à muda de montadas e saciar a fome dos viajantes; estavam habitualmente separadas por 10-12 milhas (entre 15 e 18 km), o que corresponde a uma etapa de meio-dia de caminho. Poderia também existir uma terceira tipologia de estação viária designada por
stationes situadas em locais de acesso estratégico, muitas vezes fortificadas e com vestígios de pequenas guarnições militares que controlava o trânsito nesse ponto de passagem. Aparecem por exemplo no acesso a zonas mineiras (e.g. Lomba do Canho, Outeiro dos Castelinhos, etc).
Por fim, no outro extremo teríamos
mansiones distribuídas em intervalos de uma jornada de caminho, permitindo que os viajantes ilustres pudessem pernoitar em aposentos condignos ao fim de cada etapa do caminho. Estas estão muitas vezes situadas nos grandes aglomerados populacionais e correspondem a um edifício específico dispondo de termas e outras comodidades; todavia, esta concepção está longe de corresponder à realidade no terreno, pois este tipo de edifícios parecem ser mais a excepção numa realidade arqueológica que tem demonstrado uma clara associação das estações referidas aos antigos povoados da Idade do Ferro que se mantiveram funcionais pelo período romano adentro. Em muitos casos, o processo de romanização leva à formação de um pequeno aglomerado populacional nas proximidades do povoado fortificado, beneficiando do seu posicionamento estratégico junto da via e por isso habitualmente designado por «
vicus viarum». Estes também surgem em torno de um nó viário ou de uma importante travessia. Talvez isso explique a enorme variabilidade das distâncias intermédias entre estações. De facto, tanto encontramos valores de 8 ou 10 milhas (e.g. de
Aeminium a
Conimbriga), como valores na ordem das 40 milhas, embora nunca ultrapasse as 60 milhas; no entanto, em geral, os valores caiem num intervalo entre as 12 e as 36 milhas.
Ler artigo de
A. Tranoy - «La route, image et instrument du pouvoir impérial dans le nord-ouest ibérique».
Após o fim do Império
Com o fim do período romano, o trânsito dissemina-se por uma infinidade de caminhos secundários sem grandes artérias que o canalizem e concentrem. Os grandes trajectos que ligavam as principais cidades da Península Ibérica caem em
desuso, ficando toda a rede de estradas segmentada em rotas mais curtas.
É também aqui que começam as sucessivas alterações, processo que dura até hoje.
Perdida que estava a noção de conjunto, a rede foi evoluindo de uma forma natural, sem planeamento, criando novas rotas e abrindo caminhos aqui e além reutilizando troços das antigas vias imperiais, à medida que surgiam novos focos populacionais e uma nova ordem administrativa começava a tomar forma durante o período Alto-Medieval. Com as invasões muçulmanas no século VIII muitas destas estradas são perpetuados na memória como «Estradas Mouriscas», mas hoje é praticamente consensual que a maioria destas estradas, ditas «dos Mouros», corriam na verdade pelo leito da antiga via romana pelo que as referências muito frequentes em documentos alti-medievais à «
strata mourisca» e «
via mourisca», numa época em que a memória da presença romana já estava muito esbatida no imaginário popular, são na verdade os antigos percursos romanos.
Da Idade Média à Idade Moderna
Este emaranhado de caminhos perdurou pela
Idade Média com sucessivos restauros ainda bem visíveis por todo o território nacional, com renovação da calçada, construção de pontes e abertura de novas estradas, formando uma rede viária que ainda hoje facilmente identificável na paisagem.
O serviço público de correios só volta a funcionar em pleno em 1797 com a criação por alvará régio da regulamentação «das postas, correios e diligências de terra e mar» (até então um ofício concedida a particulares) e no ano seguinte aparece o primeiro
serviço de mala-posta, ou seja o transporte do correio por carro, instituído após a publicação das «Instruções para o estabelecimento das diligências entre Lisboa e Coimbra», redigidas pelo Desembargador Jozé Diogo Mascarenhas Neto, à data Superintendente Geral das Estradas, cargo que exercia desde 1791. Mascarenhas Neto tinha já editado no Porto em 1790 um interessante livro intitulado
«Methodo para construir as estradas em Portugal» que lança as bases do futuro sistema viário nacional a partir dos conceitos romanos.
A rede de «Estradas Reais»
Só no século XIX se volta a falar de uma rede viária globalmente estruturada com estações de muda, estalagens e outras estruturas viárias que visavam melhorar as terríveis condições de circulação em que encontravam as estradas nacionais. No entanto, a chamada "Estrada Real" segue em geral os velhos trajectos pré-romanos, introduzindo por vezes pequenas variantes para resolver partes do percurso onde já não haveria viabilidade devido à sua degradação ao longo de séculos de utilização. Assim, não se pode falar em construção de uma nova rede de "Estradas Reais", mas sim remodelação dos velhos trajectos "romanos". Alguns troços apresentam uma calçada que é típica desse período, constituída por pequenos seixo de rio que criavam um pavimento bem resistente, mas algo inconfortável à passagem de carros como tantas vezes referido na literatura dessa época. Este pavimento constituido por seixos de rio ainda é visível por exemplo na via Porto-Coimbra, nomeadamente na «Calçada da Ferrada» em Souto Redondo, com uma centena de metros, e que desemboca no Largo de Airas onde o pavimento passa a ser constituido por grandes lajes graníticas, provavelmente de origem medieval.
Mais adiante, na área de Oliveira de Azeméis, há novamente alterações ao percurso "romano", nomeadamente deixando de passar em Lações (passando o traçado para Santiago de Riba-Úl) e em Úl. Neste caso temos o miliário para confirmar a passagem da via junto do Castro de Úl, no entanto a partir de data incerta, o percurso passou a fazer-se por Troviscal, Silvares e Travanca, tal como a EN1. Sen do assi, os troços da "Estrada Real" são em geral pequenas variantes ao trajecto "romano", dado que logo após Travanca a via reúne com o antigo percurso que vinha por Úl. Noutros casos fizeram-se obras mais importantes como é a nova "Estrada de D. Maria" no caminho de Coimbra a Leiria. Esta obra pretendia encurtar um pouco o caminho que vinha de Coimbra, através da construção de uma nova ponte e Pombal, criando uma variante ao percurso "romano" que vinha por Soure, onde aliás apareceu um miliário (
Charters d'Azevedo, 2015).
A rede viária chega ao século XIX em péssimo estado, atendendo ao conteúdo do
proposta de lei de 1854 para as «Comunicações do Reyno» que anuncia um conjunto de obras, reabilitando em alguns casos os velhos traçados romanos já muito degradados e noutros propondo a construção de novas variantes.
Século XX
Só nos anos 30 do século passado com o notável esforço da JAE é que foi possível converter esta rede num sistema viário uniforme, com padrões modernos de circulação adaptados ao tráfego automóvel, mas que curiosamente recupera algumas práticas romanas comoa utilização de marcos quilométricos ao longo do seu percurso, retomando o conceito do miliário romano. Ainda hoje se podem ver muitos destes marcos nas estradas portuguesas, mas infelizmente na sua grande maioria foi entretanto destruídos e pelo que voltamos a perder a indicação da distância percorrida.
Mas a totalidade dos conceitos introduzidos pela rede viária romana só vieram a ser integralmente aplicados com a construção da rede de auto-estradas, iniciada nos anos 60, mas que só viria a ser completada nos anos 90 com a entrada de Portugal na CEE. Enfim, demoramos quase 2000 anos a recuperar o método de construir de estradas, como aliás quase toda a engenharia romana. Séculos de barbárie não conseguiram destruir este legado e hoje que aprendemos o que ele significa estamos a ponto de o destruir por incúria e ignorância.
Técnicas Construtivas
A evidência arqueológica mostra que existia uma grande diversidade de soluções construtivas em função das características do local da construção e dos materiais disponíveis em seu redor se bem que a maioria segue os mesmos princípios construtivos.
Ora esta variedade observada no terreno contraria a 'tradicional' estrutura da via defendida até muito recentemente pelos historiadores da antiguidade clássica e que era baseada numa descrição de Vitrúvio relativa à construção de pavimentos em mosaico que não eram obviamente destinados a suportar o tráfego rodoviário, embora seja admissível que fossem utilizados os mesmos princípios construtivos em ambas as situações. Assim o esquema 'tradicional' do corte da via que é apresentado abaixo é apenas uma versão idealizada e monumental da via com um total de 4 camadas cobertas por um lajeado em pedra, modelo que poucas vezes é observada no terreno.
1.
fossa e
sulci - leito terraplanado e sulcos laterais para escoamento de água.
2.
statumen - camada inicial como fundação com grandes pedras irregulares sem argamassa para assegurar a estabilidade do pavimento e facilitar o escoamento de águas.
3.
rudus ou
ruderatio - camada intermédia constituída por uma argamassa de cal e cascalho grosso.
4.
nucleus - camada superior constituída por uma argamassa mais fina de cal, gravilha, areia grossa ou fragmentos de tijolo disposta em camadas regulares e bem calçadas.
5.
summa crusta,
dorsum - camada final aplanada de lajes poligonais, eventualmente coberta por uma argamassa feita de cal e areia para formar um piso liso e suave para rodados.
Esta configuração é habitual dentro das cidades ou na sua periferia, mas nos restantes troços optavam em regra por uma solução mais simples que consistia na abertura de uma valas onde eram depositados várias camadas de substrato formado por uma mistura de cascalho e areia, onde assentava a superfície de rodagem constituída por uma mistura bem compactada de materiais mais finos (gravilha, areia, cal, cacos cerâmicos, etc), eventualmente acrescentando seixos do rio para maior resistência, proporcionando um piso confortável para o trânsito de veículos rodados; esta estrutura, designada por
agger, formava um talude sobrelevado na paisagem envolvente o que também facilitava o escoamento de águas pluviais. Aliás, foi esta simplicidade de métodos que permitiu a criação de uma tão extensa rede viária (cerca de 87.000 km de extensão!), obra de todo impossível acaso utilizassem o modelo de lajeado utilizado nas cidades (
vide artigo de Michele Matteazzi intitulado
"Construir estradas em época romana").
Nem todo o caminho de lajes de pedra é romano
Esta falsa ideia de que todas as vias romanas eram calçadas com lajes de pedra surgiu da observação das ruas urbanas onde era frequente a utilização de lajes como camada final para melhorar a salubridade pública, facilitando a sua limpeza. Daqui se concluiu erradamente que toda a via romana teria que ser coberta com lajes de pedra, o que seria impróprio para a circulação de veículos com rodados a grande velocidade; sempre que o terreno permitia, a opção mais comum nas estradas inter-cidades era a adopção de uma camada final compactada e lisa mais adequada aos veículos rodados. A tradição histórica de que todas as vias romanas eram calçadas com lajes de pedra é hoje vista como uma excepção no contexto do sistema viário romano, sendo apenas utilizada em locais onde a grande pluviosidade e grandes pendentes obrigam a esse reforço da estrada; (
ver artigos de Isaac Moreno Galo).
Nos itinerários os termos Via & Calçada significam:
- «VIA» - todo o caminho na rota da antiga via romana, seja em terra batida, calçada em pedra ou por estrada moderna.
- «CALÇADA» - todo o caminho com possível origem romana ainda com vestígios de pavimento antigo.
A discussão continua...
Deste modo, o facto de um caminho antigo ser calcetado nada garante quanto à sua origem romana,
na realidade a maior parte das calçadas que vemos hoje foram construídas na Idade Média.
Certamente que muitas delas estão assentes na antiga via romana, mas a calçada que hoje vemos é muitas vezes o resultado de múltiplas reparações ao longo dos séculos. A verdade é que hoje sabemos que via romana era construída procurando a solução mais eficiente em termos económicos e funcionais,
adaptando a engenharia de construção às condições no terreno e do clima envolvente, recorrendo por regra aos materiais existentes nas proximidades da via. A utilização de um revestimento em pedra calçada estaria reservada para as zonas declivosas e com forte precipitação
de modo a preservar a sua integridade estrutural durante os invernos chuvosos e facilitar a passagem de carros com rodados. Estes factos podem ser observados nas diferentes soluções construtivas adoptadas no Norte e no Sul de Portugal: se no Alentejo, as vias são em geral em terra batida sobre uma estrutura de
rudus relativamente simples,
no Norte do país, prevalecem os grandes troços calçados por vezes com importantes estruturas de suporte para melhor resistirem às intempéries e permitir um traçado em altitude sobre encostas abruptas. Esta discussão sobre a caracterização das vias continua...
Os Marcos Miliários

Os miliários encontrados ao longo do trajecto são a principal evidência da passagem da via. Ao contrário de pontes e calçadas, não há dúvida quanto à sua origem romana, mas muitos estão deslocados da sua posição original, outros muito danificados, potenciando erros e aumentando as dúvidas sobre a verdadeira rota de passagem da via romana. As suas inscrições são uma fonte crucial para entender o sistema viário romano ao indicar o ponto de partida e as respectivas milhas percorridas ou, por vezes referindo os trabalhos de reparação efectuados na via, como é caso do miliário deslocado para o Solar de Bertiandos em Ponte de Lima (na imagem) na frase «
vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt».

Sendo um reflexo do momento histórico durante o qual foram esculpidos, também neles é notória a deterioração de toda a organização do império à medida que este caminhava para o seu fim.
Quando comparamos os magníficos marcos miliários do tempo de Augusto e Adriano
que integravam as grandes
viae militares com os marcos toscamente esculpidos do fim do império torna-se evidente a progressiva deterioração das técnicas utilizadas à medida que o império se aproximava do seu término.
As sucessivas alterações políticas e administrativas, com a fundação de novas
civitates
e logo novos pontos de partida para a contagem das milhas, os
caput viae, levam a que hoje se possa encontrar numa mesma via miliários com indicação a dois
caput viae diferentes como é o caso da
Iter XVII onde tanto há miliários indicando a distância a Braga como outros que indicam a distância a Chaves. Outro sinal das mudanças operadas na administração do território podem ser encontradas em alguns miliários tardios cujo ponto inicial de contagem das milhas não era uma cidade ou povoado, mas um limite territorial, mostrando que a manutenção da rede viária estava agora a ser gerida por governos provinciais, mais preocupados com o seu
territorium do que a sua integração no vasto império. Mais sobre miliários neste artigo de Vasco Mantas: «
Os miliários como fontes históricas e arqueológicas».
As Pontes Romanas
Ao longo dos milhares de quilómetros de vias espalhadas pelo país,
existiam um grande número de pontes romanas. Infelizmente a maioria já está destruída, umas pela acção do tempo e das intempéries, outras, a maioria, destruídas propositadamente pelo homem, quer por ignorância, quer pelas sucessivas guerras e invasões que assolaram o nosso território. Assim, muitas das ditas «pontes romanas» espalhadas por todo o país são na realidade construções efectuadas já em período Medieval ou mesmo em épocas bem mais recentes.
O número de pontes romanas varia muito em função dos critérios adoptados para a sua classificação e é um assunto muito pouco consensual entre os investigadores. A largura e horizontalidade do tabuleiro, a simetria dos arcos, as pedras almofadadas e as
marcas de fórfex
são algumas das características apontadas para certificar a sua origem romana, mas é sabido que nem todas as obras romanas seguiam estritamente este padrão pelo que se torna muito difícil atestar da sua cronologia. Assim a classificação das pontes tenta distinguir entre pontes com nítidos indícios romanos, quer pelas técnicas construtivas usadas - designadas por
«Pontes Romanas» - quer pela presença de materiais romanos reutilizados nas posteriores reconstruções na Idade Média e mesmo na Idade Moderna - designada por
«Ponte Romana-Medieval» - das restantes pontes antigas que apesar da ausência de vestígios romanos na sua construção, estão no entanto no alinhamento de comprovadas rotas romanas pelo que é possível admitir a existência de uma ponte anterior - designadas por
«Ponte Romana?-Medieval.
- PONTE ROMANA, construção ou reconstrução mantendo o desenho original;
- PONTE ROMANA-MEDIEVAL, reconstrução medieval sobre fundações romanas;
- PONTE ROMANA?-MEDIEVAL, ponte medieval, sem vestígios romanos, mas no alinhamento da rota romana.
Há uma infinidade de outras pontes ditas "romanas" espalhadas por todo o país, por vezes assente numa vaga tradição popular, outras vezes baptizadas por autores mais ou menos imaginativos mas para as quais não há qualquer evidência de romanidade. No geral a designação é adoptada sem critério a toda e qualquer ponte construída em pedra que tenha um ar antigo e algo tosco. Estas supostas "pontes romanas" que aparecem em guias turísticos, em sinalética viária e até mesmo em monografias "oficiais" têm criado uma falsa percepção da engenharia romana. Não que essas pontes não mereçam a devida atenção pois são afinal o reflexo da nova ordem social da Idade Média, mas apenas porque elas desviam atenção das importantes pontes romanas que ainda restam em Portugal.
As grandes pontes romanas em Portugal
Apesar do abandono e quase por milagre em Portugal sobrevivem quatro pontes romanas
de grande dimensão que mantêm a traça original, apesar de terem sofrido reparações posteriores:
Todas estas pontes estão em perfeitas condições rodoviárias e com duas vias de circulação, ainda hoje suportam o tráfego moderno. (tragicamente não se pode dizer o mesmo de algumas pontes bem mais recentes).
Como ainda hoje estão integradas na rede nacional de estradas, o viajante menos avisado poderá já ter passado por elas
sem se aperceber da sua antiguidade. É o caso da pouco conhecida
Ponte da Pedra em Torre de Dona Chama (concelho de Mirandela), inserida na EN206 entre Valpaços e Bragança lançada sobre o rio Tuela, uma notável construção que permanece praticamente ignorada por quem viaja por esta estrada por ainda não existir qualquer sinalética avisando que se trata de uma importantíssima «Ponte Romana» (vide
41.665464, -7.146000). No caso da Ponte de Vila Formosa entre Ponte de Sor e Alter que serviu durante muitos anos a EN369 até à sua recente "aposentação" com a construção da nova ponte em betão mesmo ao lado, solução muito questionável como cenário de fundo de uma ponte romana que fica agora "esmagada" pela plasticidade e leveza que permite hoje os modernos viadutos em betão (mas não na durabilidade) (
vide 39.216206, -7.784759 e
Carriço, 2002).
Todas estas pontes sofreram alterações quase sempre pouco felizes, alterando guardas, pisos (muitas foram ou ainda são estradas nacionais!) e mesmo cimentando a base dos arcos como no caso da
recente intervenção na Ponte de Segura, concelho de Idanha-a-Nova (
39.817396, -6.981821).
Todas elas apresentam também fortes evidências da sua origem romana como a horizontalidade, a simetria, a modularidade construtiva e as marcas de fórfex.
Vídeo sobre a Ponte Romana de Chaves.
Técnicas Construtivas
Muitas das obras eram levadas a cabo pelos legionários que integravam necessariamente engenheiros capazes de aplicar as diversas técnicas construtivas então conhecidas, planeando e construindo as mais diversas obras em regiões estranhas e inóspitas, separadas por centenas de milhas, com uma enorme variedade de materiais e num curto espaço de tempo, disseminando assim estas técnicas pelos quatros cantos do vasto império. Com a solidificação da
pax romana as autoridades civis resultantes da nova organização administrativa do território substituem a ordem militar na promoção das grandes obras públicas que passam do domínio da estratégia militar (por exemplo nas travessias dos grandes rios como o Guadiana com a sua ponte romana associada à fundação
ex-nihilo da colónia de
Iulia Augusta Emerita, actual Mérida) para uma esfera cada vez mais económica em torno da exploração dos recursos existentes nestes novos territórios.
Devido à sua durabilidade, as pontes romanas construídas em pedra são as únicas que permaneceram de pé até aos nossos dias, mas é um facto histórico que muitas das pontes romanas foram construídas em madeira (
Pons Roboreus), assentes
em pilares (
Pons Sublicius). Todavia, os vestígios dessas pontes são extremamente raros pelo que se torna difícil desvendar as técnicas utilizadas na sua construção. Sabemos que a madeira seria usada nas travessias mais acidentadas e quando se pretendia uma construção em tempo recorde. Por exemplo, em
A Guerra das Gálias, Júlio César refere a construção de uma ponte em madeira sobre o rio Reno em 10 dias (!).
Em Portugal não se conhecem pontes em madeira, embora se possa suspeitar da sua existência em algumas travessias onde não temos vestígios de qualquer ponte em pedra apesar de aí passar seguramente a via romana, mas também é possível que a norma nestes casos fosse a travessia em barcas, sistema que perdurou até ao século XIX.
As Marcas de Fórfex
Uma das características mais relevantes para atestar a origem romana destas pontes é a existência de
Marcas de Fórfex nos respectivos silhares. Estas são pequenas cavidades em lados opostos onde encaixavam as pontas do
fórfex ou tenaz da grua mecânica para levantamento e posicionamento dos silhares utilizados na construção da ponte. A força-motriz que movia estas máquinas era obtida a partir do rio adjacente construindo para isso um moinho de água, permitindo uma grande rapidez de construção com um número relativamente limitado de homens. Face a estas evidências, a velha crença no uso massivo de mão-de-obra escrava não tem cabimento e, pelo contrário, o que se verifica é a utilização de maquinaria pesada quer na construção de grandes obras quer, por exemplo, no apoio às explorações mineiras. O facto de parecer inconcebível a um homem medieval (e mesmo actual) tais obras de engenharia levou à crença generalizada que os "romanos" recorriam a quantidades maciças de mão-de-obra escrava, tese que tem vindo a ser desmontada face às evidências arqueológicas.
Uma cartilha de construção
As pontes romanas que chegaram até nós evidenciam uma técnica construtiva muito precisa seguindo uma cartilha de construção bem estabelecida. Partindo de um único módulo base, um arco de volta perfeita assente em dois pilares, era possível construir pontes nos mais variados terrenos, com duas vias, perfeitamente planas e pavimentadas para tráfego rodado.
Pegando nesse módulo é possível alterar a dimensão do arco e do pilar de modo a ajustar-se ao local, mas mantendo as proporções entre ambos e assim garantindo a sua robustez sem comprometer a sua horizontalidade.
- variando o número de arcos obtém-se a extensão necessária.
- variando a altura dos pilares obtém-se a altura do tabuleiro pretendida.
Da surpreendente
Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, próximo da fronteira Luso-Espanhola de Castelo Branco,
à incrível
Pont du Gard,
ponte-aqueduto sobre o rio Gard em Nimes, passando pela
Ponte di Nona, na
Via Prenestina em Roma.
Puente de Alcântara (ES)
Ponti di Nona (IT)
Pont du Gard (FR)
Ponte de Alcântara

Esta técnica pode ser observada na Ponte de Alcântara que é sem dúvida o monumento mais importante da rede viária que sobreviveu até aos nossos dias. A ponte é facilmente acessível a partir de Portugal porque está localizada junto à fronteira Luso-Espanhola de Segura, a cerca de 20 km de Castelo Branco.
Vídeo sobre a Ponte Romana de Alcântara
Outras Pontes em Portugal
Para além destas obras grandiosas, existe um conjunto de pequenas pontes romanas espalhadas pelo país que também merecem ser destacadas.
A maioria está ao abandono, apesar de não haver dúvidas quanto à sua origem romana.
Nestas pequenas pontes também é possível observar a excelente técnica de construção romana pelo que são monumentos que deveriam receber a atenção dos responsáveis pela protecção do património:
Que futuro para a tecnologia romana
A tecnologia romana continua a nos surpreender pelas soluções adoptadas quer tecnológicas quer no uso criterioso dos recursos, guardando ainda muitos segredos que importa desvendar.
Além da sua reconhecida
eficácia como sejam a extrema durabilidade e a usabilidade (até para os padrões actuais), o que mais surpreende é a enorme
eficiência na sua construção e operação, atendendo aos reduzidos meios existentes nessa época. Através da aplicação de conceitos ditos "modernos", como a modularidade e a proporcionalidade, e com recurso a máquinas e materiais avançados, a engenharia romana é ainda um notável exemplo de como é possível criar um modelo de desenvolvimento sustentável sem o recurso a combustíveis fósseis.
Para quem, como nós, já nasceu na "era do petróleo", é difícil imaginar um mundo sem o recurso a esta energia barata, mas no entanto é este o desafio que enfrentamos actualmente. Daí a importância de aprofundar o seu estudo. Os problemas de sustentabilidade do mundo moderno não se resolvem certamente somente "atirando" meios e tecnologia para cima dos problemas que na maior parte da vezes acaba por criar outros problemas bem maiores, mas através de uma análise crítica do nosso actual modelo e a promoção de uma mudança de conceitos que evite a completa depleção dos nossos recursos. O acesso a uma fonte de energia tão barata como o petróleo tem promovido um modelo insustentável com grandes impactos ambientais e um grande desperdício de energia. Claro que não podemos voltar ao modelo energético romano, mas podemos sim extrair as lições que possam ser úteis para promover essa mudança. Dos famosos aquedutos que utilizam a gravidade para transportar a água até às cidades, aproveitando a quantidade de movimento gerada para mover fontes e outras amenidades, passando pela utilização da força das águas do rio para obter força-motriz através de moinhos, há muitos exemplos de como estas tecnologias ainda fazem sentido pelo menos do ponto de vista conceptual. Notar por exemplo como as barragens hídricas e moinhos de vento são ainda hoje alternativas viáveis para a produção de energia.
O Estudo da Viação Romana
A rede viária romana sempre atraiu os autores eruditos, mas é apenas no Renascimento que o assunto começa a ser tratado com interesse científico. Este despertar para a engenharia romana esteve na base do posterior desenvolvimento das redes viárias por toda a Europa a partir do século XVII. A necessidade de estabelecer novamente os princípios básicos de construção de uma rede viária levou a que alguns eruditos Europeus tivessem a ideia de utilizar os ensinamentos romanos na definição da futura rede viária Europeia. É assim que surgem algumas obras de fôlego que «atacam» o problema de uma forma global, nomeadamente com a publicação em França em 1622 da «História dos grandes caminhos do Império Romano" pelo erudito Francês Nicolas Bergier que viria a influenciar todos os estudos posteriores.
Este esforço mundial tem-se concretizado em várias iniciativas promovidas por fortes instituições universitárias como é o caso do
Corpus Inscriptionum Latinarum (ou CIL) iniciado por Theodor Mommsen em 1857 e que dá início na Alemanha a um trabalho sistemático de recolha de todas as inscrições latinas conhecidas; este
corpus continua a crescer e hoje conta já com 17 volumes em 70 partes e abrange cerca de 180.000 inscrições, mas que está longe de estar terminado com a adição todos anos de novas inscrições. Na senda do CIL surgiram outras iniciativas similares um pouco por toda a Europa como é o caso do
«L'Année Epigraphique» iniciado por René Cagnat em 1888. É neste espírito que surge no início do século XX (1928) o projecto internacional
Tabula Imperii Romani ainda activo que tenta agrupar todos os vestígios romanos conhecidos em cartas geográficas, mas que se tem revelado um tarefa muito lenta devido à dispersão actual dos dados disponíveis por uma multiplicidade de publicações e suportes.
Os documentos
O Itinerário de Antonino (
Itinerarium Provinciarum Antonini Augusti) é sem dúvida o documento mais importante para o estudo das vias romanas. Trata-se de uma compilação dos principais itinerários romanos redigida provavelmente nos finais do século III d.C. embora a partir de fontes anteriores pelo que descreve muito provavelmente a rede viária tal como existia no final da República, atendendo à ausência de
Norba Caesarina que surge ainda com o nome do respectivo acampamento militar romano como
Castra Caecilia. O roteiro indica a distância total ente o ponto de partida e chegada, assim como as distâncias das respectivas estações intermédias, constituindo assim um precioso documento para a identificação das estações nele mencionadas. Conhecemos o seu conteúdo devido às sucessivas cópias manuscritas efectuadas a partir do século VII salvaguardadas em várias bibliotecas europeias; estes apresentam bastantes discrepâncias entre si, gerando dúvidas sobre a fiabilidade dos mesmos.
Em 1538 é publicado a primeira compilação dos itinerários a partir das fontes manuscritas, mas só em 1735 surge a primeira edição comentada por Peter Wesseling intitulada
«Vetera Romanorum Itineraria, sive Antonini Augusti Itinerarium, Itinerarium Hierosolymitanum, et Hieroclis Grammatici Synecdemus». Posteriormente, os editores Gustav Parthey e Moritz Pinder publicam uma nova versão em 1848 intitulada
«Itinerarium Antonini Augusti et Hierosolymitanum». Em 1929 Otto Cuntz publica em Stuttgart uma versão actualizada com a designação «Itineraria Romana. vol. I: Itineraria Antonini Augusti et Burdigalense».
Não existe correspondência directa entre «vias romanas» e «Itinerários de Antonino» pois este documento foi pensado como um guia de viagem para grandes distâncias, utilizando as diversas vias existentes para interligar importantes povoados, como por exemplo nos três itinerários Lisboa-Mérida ou nos quatro itinerários Braga-Astorga. O Itinerário apresenta a sequência de
mansiones localizadas na periferia da via para dar apoio aos viandantes pelo que estavam localizadas não só em cidades como em povoados fortificados pré-romanos como por exemplo a estação de
Pinetum no Itinerário Braga - Chaves - Astorga que corresponde ao Castro de Valtelhas, dominando o cruzamento do rio Tuela. Outras estações fazem referência a um acidente geográfico como é o caso de
Ad Atrum flumen, literalmente «junto do Rio Atro» na via
Ebora a
Emerita ou à ponte que o cruzava como por exemplo
Ponte Neviae no itinerário de Braga - Tui - Astorga, sugerindo que a
mansio não estaria associada a um aglomerado populacional, mas isolada na paisagem. Outras ainda indicavam o limite territorial de uma
civitas ou província como é o caso de
Fines no Itinerário XXI. Portanto as estações estão longe de terem a mesma tipologia pois tanto representam grandes aglomerados urbanos como pequenos
vici viários por vezes associados a acidentes geográficos cruzados pela via.
O imenso trabalho já realizado permite hoje dizer que globalmente os itinerários têm uma grande precisão mesmo para os padrões actuais,
agora que se começa a entender muitos dos equívocos induzidos pelas várias cópias medievais. De facto, nos troços mais estudados ou melhor preservados, como é o caso da Via Braga - Tui ou da Via Nova ou «Geira» que atravessa a Serra do Gerês, tem-se observado uma grande consistência entre o que é medido no terreno e as distâncias indicada no I.A. (mesmo em grandes percursos), pelo que temos de levar em consideração as distâncias indicadas mesmo quando elas nos parecem erradas face aos dados que dispomos, sendo por isso um documento absolutamente fulcral para a identificação das estações mencionadas.
A
História Natural
(
Naturalis Historiae) de
Caio Plínio o Velho (
Caius Plinius Secundus), obra fundamental em 37 livros organizados em 10 volumes, onde se descrevem as principais características geográficas das províncias do império romano, enumerando povos, cidades e rios. Não há referências à rede viária mas a indicação das fronteiras e respectivas distâncias, permite-nos deduzir a localização de algumas estações viárias e a sua localização geográfica.
Ler em Latim no site de Lacus Curtius e uma
tradução para Inglês do site Perseus.
Em relação ao território nacional podemos ler no
Livro III, capítulo 4 que Bracara era composta por 24
civitates das quais nomeia algumas: «
Simili modo Bracarum XXIIII civitates CCLXXXV capitum, ex quibus praeter ipsos Bracaros, Bibali, Coelerni, Callaeci, Equaesi, Limici, Querquerni citra fastidium nominentur». (NH, III, 28)
No
Capítulo 35 do Livro IV faz uma descrição da Lusitânia, começando por enumerar os seus povos e
oppida:
A Durio Lusitania incipit. Turduli veteres, Paesuri, flumen Vacca, oppidum Talabrica, oppidum et flumen Aeminium, oppida Conimbrica, Collippo, Eburobrittium (NH, IV, 113).
(«No Douro começa a Lusitânia. Túrdulos Velhos, Paesures, rio Vouga, ópido Talábriga, ópido e rio Aeminium, ópidos Conímbriga, Collippo e Eburobrittium»).
Continua depois mais a sul:
Ab Ana ad Sacrum Lusitani. Oppida memorabilia a Tago: in ora Olisipo, equarum e favonio vento conceptu nobile, Salacia cognominata Vrbs Imperatoria, Merobrica, promunturium Sacrum et alterum Cuneus, oppida Ossonoba, Balsa, Myrtilis. (NH, IV, 116).
(«Do rio Anas ao Promontório Sagrado estão os Lusitani. As cidades na costa merecedoras de menção, a partir do Tejo, são as de Olisipo, famosa pelas suas éguas que concebem a partir do vento Favónio, Salacia cognominada de Cidade Imperial, Merobrica e depois o Promontório Sagrado, também conhecido por Cuneus, as cidades de Ossonoba, Balsa e Myrtili.»)
A descrição província continua: «
Universa provincia dividitur in conventus tres, Emeritensem, Pacensem, Scalabitanum, tota populorum XLV, in quibus coloniae sunt quinque, municipium civium Romanorum, Latii antiqui III, stipendiaria XXXVI. coloniae Augusta Emerita, Anae fluvio adposita, Metellinensis, Pacensis, Norbensis Caesarina cognomine; contributa sunt in eam Castra Servilia, Castra Caecilia. quinta est Scalabis quae Praesidium Iulium vocatur. municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum. oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia, quae diximus» (NH, IV, 117).
(«Toda a província divide-se em três circunscrições, Emeritense, Pacense e Escalabitano, totalizando 45 povoações, entre as quais 5 são colónias, um é município com cidadania Romana, 3 detêm os antigos direitos Latinos e 26 são tributárias. As colónias são Augusta Emérita, situada junto do rio Guadiana, Medellín, Beja e Cáceres, cognominada de Cesariana. A quinta colónia é Santarém, também chamada de Presídio Júlio. Lisboa, cognominada de Felicidade Júlia, é município de cidadãos romanos. As cidades com os antigos direitos Latinos são Évora, também chamada de Liberalidade Júlia, Mértola e Alcácer, já antes mencionadas»).
Segue-se uma extensa, mas não exaustiva lista dos povos estipendiários da Lusitânia, isto é, aqueles que pagavam tributo à administração romana: «
Stipendiariorum quos nominare non pigeat» ("entre os tributários que importa referir temos os..."),
Augustobrigenses, Aeminienses, Aranditani, Arabricenses, Balsenses, Caesarobrigenses, Caperenses, Caurienses, Colarni, Cibilitani, Concordienses, Elbocori, Interannienses, Lancienses, Mirobrigenses qui Celtici cognominantur, Medubrigenses qui Plumbari, Ocelenses Lancienses, Turduli qui Bardili et Tapori» (NH, IV, 118), cujas localizações continuam ainda em grande parte por decifrar (Guerra, 1995, 1998, 2007, 2007a, 2016, 2017). Ver
listagem de povos no período romano.
A Geografia de Estrabão
(
Strabo) é uma obra em 17 Livros escrita no ano 17 d.C. com uma descrição do mundo conhecido (ver reconstituição do seu
mapa-múndi). No terceiro livro Estrabão faz uma breve descrição da Península Ibérica com informações preciosas sobre a sua geografia e os povos que a habitam; existe uma tradução desta parte por Gabriel Pereira publicada em 1878 com o título
«Descrição da Península Ibérica Livro 3º da Geografia de Strabão». Ao descrever a costa sul da Iberia assinala o rio Guadiana e o Cabo de São Vicente: «depois (do Anas) temos o Cabo Sagrado, que está a menos de dois mil estádios de distância de Gades. Alguns, contudo, dizem que a distância do Cabo Sagrado até à foz do Anas é de sessenta milhas, e daí até à foz do Baetis, cem, e depois, até Gades, setenta» (Geo. III, 2, 7). Refere ainda que «entre os Celtas, o lugar mais conhecido é Conistorgis. Sobre os estuários é Asta, onde os Gaditanos costumam actualmente realizar as suas assembleias, situada a não mais de 100 estádios do porto marítimo da ilha» (Geo, III, 2, 2). A ilha referida no texto corresponde a
Gadira, actual Cádiz enquanto
Asta deverá corresponder a Vendas de Hasta (Huelva); deste modo
Conistorgis deverá situar-se numa posição mais interior, mas a sua localização é incerta.
Noutra passagem, refere também algumas das cidades dos
Turdetani na seguinte sequência : "Entre essas cidades temos Asta, Nabrissa, Onoba, Ossonoba, Maenoba" (Geo. III, 2, 5).
Onoba é hoje Huelva e
Ossonoba corresponde a Faro, consequentemente pela sequência dada haveria de colocar
Maenoba mais para oeste, possivelmente em Portimão (Alvor?) ou Lagos (Monte Molião?), mas o topónimo não está confirmado em nenhum desses sítios.
A
Geografia de Cláudio Ptolomeu
(
Claudius Ptolemaeus) escrito no século II d.C., contendo as coordenadas geográficas das cidades e rios do mundo conhecido da época, incluindo a
Lusitânia e a província
Tarraconense. A localização das povoações mencionadas continua condicionada pelas dúvidas que rodeiam as coordenadas indicadas por Ptolomeu, com várias incongruências difíceis de deslindar. É óbvio que muitos dos povoados romanos dos quais desconhecemos a designação latina estarão na lista de Ptolomeu, mas até hoje não se conseguiu sequer propostas minimamente sólidas para muitas delas. - Ver abaixo
lista de povoações romanas -
Ver aqui uma reconstituição de um
mapa-múndi
e de um
mapa da Hispânia
baseado nas suas coordenadas - Ler aqui uma edição em
latim de 1540 e aqui uma edição em
grego de 1843.
A
Corografia de Pompónio Mela (
Pomponius Mela) foi escrita no ano 43 a.C. com o título
Uma Descrição do Mundo (
De Situ Orbis) sendo também conhecida por
De Chorographia (ver aqui um
mapa-múndi inspirado na sua obra). Mela era originário da vizinha Bética, tendo portanto contacto com a realidade Lusitana que descreve de forma breve no capítulo
Hispaniae Ora Exterior, assim como a parte norte do actual território nacional no seguinte excerto:
[5] «
Qua prominet bis in semet recepto mari in tria promunturia dispergitur: Anae proximum, quia lata sede procurrens paulatim se ac sua latera fastigat, Cuneus ager dicitur, sequens Sacrum vocant, Magnum quod ulterius est, in Cuneo sunt Myrtili, Balsa, Ossonoba, in Sacro, Lattobrigal et Portus Hannibalis, in Magno Ebora.
[6]
Sinus intersunt: et est in proximo Salacia, in altero Ulisippo et Tagi ostium, amnis gemmas aurumque generantis. Ab his promunturiis in illam partem quae recessit, ingens flexus aperitur, in eoque sunt Turduli veteres Turdulorum que oppida, amnes autem in medium fere ultimi promunturii latus effluens Munda, et radices eiusdem adluens Durius. Frons illa aliquamdiu rectam ripam habet, dein modico flexu accepto mox paululum eminet, tum reducta iterum iterumque recto margine iacens ad promunturium quod Celticum vocamus extenditur.
[7]
Totam Celtici colunt, sed a Durio ad flexum Grovi, fluuntque per eos Avo, Celadus, Nebis, Minius et cui oblivionis cognomen est Limia (...).»
A Cosmografia do Anónimo de Ravena
(
Ravennatis Anonymi Cosmographia) é uma obra em cinco volumes escrita provavelmente no século VII d.C. por um desconhecido monge
do Mosteiro de Ravena a partir de fontes do século V, reflectindo já a nova ordem política do período visigótico.
O documento enumera os principais povoados existentes em cada região do império, deturpando muitos dos topónimos conhecidos de outras fontes clássicas e sem indicar as distâncias entre si; todavia é possível fazer um paralelismo entre a sequência com que são listadas com a sequência de estações viárias apresentadas no Itinerário de Antonino pelo que se torna um documento muito importante para o estudo das vias romanas. Ver aqui uma reconstrução do seu
mapa-múndi e aqui este
artigo de Luís Fraga.
Em termos de território nacional interessa-nos particularmente o
Livro IV, em particular a passagem do capítulo IV.43, onde enuncia uma lista de
civitates partindo dos portos da Bética, passando pela Lusitânia e terminando em
Bracara Augusta, numa sequência muito similar aos itinerários XXI, XII e XVI do Itinerário de Antonino: «
Item super fretum Septem sunt civitates, id est Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia, Mirtilin, Besurin, Balsa, Statio Sacra, Ossonoba, Arani, Salatia, Ebora, Malabiste, Celiana, Cetobricca, Abona, Olisipona, Terebrica, Langobrica, Ceno Opido, Calo, Augusta Bracaria»; ainda no mesmo capítulo, ao enumerar algumas
civitates próximas do oceano, menciona
Limea, Tude, Bonisana, Turaqua, sequência em tudo idêntica à apresentada no Itinerário XIX de Antonino na forma
Limia, Tudae, Burbida e Turoqua (
Rav. IV.43).
No capítulo seguinte, IV.44, lista os lugares da «
civitas Augusta Merita» escrevendo: «
Item in spatiosa terra ipsius patriae Spaniae est civitas quae dicitur Augusta Merita, cuius proxima est civitas quae dicitur Evandria; iterum Bipone, Aturnea» (
Rav. IV.44), ou seja a mesma sequência do
Itinerário XII na forma
Emerita,
Evandriana,
Dipone e
Ad Atrum Flumen; mais adiante acrescenta ainda as seguintes
civitates, «
Item iuxta praedictam civitatem Augustam Meritam est civitas quae dicitur Plagearia, Massusaria, Abelterion, Aretio Praetorion, Perbrigam» (
Rav. IV.44), mais uma vez em concordância com o I.A. pois existe total correspondência com as estações
Plagiaria, Matusaro, Abelterio, Aritio Praetorio e
Ierabriga, indicadas no Itinerário XIV Lisboa - Mérida.
No capítulo IV.45, lista as
civitates sob domínio de
Hispalis (actual Sevilha), «
Iterum iuxta praenominatam civitatem Hispalis est civitas quae dicitur Tema, Tusci, Hilpula, Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria» (
Rav. IV.45), com a sequência até
Onoba em concordância com o
Itinerário XXIII que ligava
Hispalis à foz do rio Guadiana enquanto a sequência
Aruci,
Fines e
Seria, remete claramente para as estações
Arucci,
Fines e
Serpa mencionadas no
Itinerário XXI, todas na margem esquerda do Guadiana.
Finalmente, mais adiante do mesmo capítulo, ao enumerar as várias
civitates próximas território de
Bracara Augusta na passagem «
Item in ipsa Spania iuxta civitatem quam praediximus Augustam Braccariam dicitur civitas Salaniana, Aquis Ocerensis, Aquis Cercenis, Gemina,...», há também concordância com a sequência
Salaniana,
Aquis Originis,
Aquis Querquennis e
Geminis apresentada no
Itinerário XVIII ou Via Nova (
Rav. IV.45).
O
Papiro de Peutinger é uma cópia de um mapa romano com 7 m de comprimento efectuada em 1265 por um monge alsaciano e descoberto por
Konrad Peutinger em Viena, no ano 1508 e conservada na
antiga Biblioteca Imperial de Viena de Áustria. A partir daí tomou o seu nome e passou a ser chamada de
Tabula Peutingeriana. Segundo Konrad Miller que fez a primeira edição moderna em 1887, o mapa teria sido baseado num mapa-múndi de Castorius (séc. IV d.C.) com base na referência a esse pouco conhecido autor no
Ravennatis, mas esta argumentação carece de confirmação. Infelizmente o mapa não dispõe de dados sobre
o território português pois falta a primeira folha onde estaria representada a Península Ibérica e a parte mais ocidental das Ilhas Britânicas; estando mais exposta ao uso, esta parte do papiro acabou por chegar ao século XVI já irremediavelmente danificada.
(
ver aqui a hipotética reconstituição de Konrad Miller).
O
Papiro de Artemidoro é um rolo de 2,5 m descoberto em 1994 em Antaiopolis no Alto Egipto e que apresenta um
mapa da Península Ibérica, mas infelizmente não existe qualquer legenda que revele o nome dos rios, promontórios, estradas e cidades aí representados. Tornou-se assim a mais antiga carta geográfica conhecida da antiguidade e claro também a mais antiga representação da Península Ibérica, precedendo em cerca de mil anos o mapa peninsular mais antigo que se conhecia (datado do séc. IX), mostrando que já na antiguidade as obras geográficas podiam conter mapas.
Mais útil é a transcrição em grego do prólogo do
Livro II da monumental obra em 11 volumes do geógrafo grego
Artemidoro de Éfeso, intitulada
Geographoumena que era conhecia apenas por citação de outros autores posteriores como Estrabão. Neste texto é apresentada uma descrição geográfica da Hispânia, percorrendo os principais pontos do périplo marítimo pelo que as distâncias são apresentadas em
stadia. O papiro em si foi datado em torno do séc. I a.C., mas o texto poderá ter sido escrito posteriormente. Sendo a mais antiga referência ao actual território português, o seu valor é inestimável mas de difícil interpretação, em particular quando assinala os principais rios e respectivas distâncias na costa portuguesa no seguinte extracto (tradução de J. Ribeiro Ferreira), onde se refere o Guadiana, o Cabo Sagrado (Cabo de S. Vicente ou Sagres), a cidade de
Ipa ou
Ipsa (Vila Velha de Alvor) e
Cilibe (?) no Algarve, a foz do Sado em Alcácer do Sal, onde menciona uma torre (seria um farol?) e a ilha de
Achale que poderá corresponder a Tróia, mas também as bocas dos rios Tejo, Douro, Lima e Minho, embora este último surja erradamente entre o Douro e o Lima (Ferreira, 1985).
«Deste rio (Bétis, actual Guadalquivir) até Ónoba [280]; e dali até Má[inoba] [78]; e entre esta cidade e a de Ipsa. Entre ela e o estuário do A[…], seguindo em linha recta na direcção da cidade de Cílibe, são [36] estádios. E, deixando a foz do Ana, sucede a ponta do Cabo Sagrado e até esse extremo lugar são 992 estádios. E rodeando o promontório até à torre dos Salacinos são 1200 estádios; e daí até à boca do rio Tejo 320; e desse ponto até ao rio Douro 1300; e depois desse rio encontramos, a 180 estádios, o rio Oblévion. Este também é chamado Letes ou Limaia. E entre ele e o rio Bénis são [120]» (in
«A costa portuguesa em Artemidoro» de Jorge de Alarcão, 2010).
Vide também as leituras críticas de Luís Fraga da Silva em
«O papiro de Artemidoro de Éfeso» e de António Marques de Faria em
«Artemidoro entre os Salakeinoi?».
A Orla Marítima (Ora maritima) é um poema traduzido por
Rúfio Avieno (
Rufius Festus Avienius) no século IV d.C. a partir de um texto grego talvez do início do século VI a.C. do qual restam apenas 713 versos. Avieno terá feito correcções com base em autores posteriores, mas no essencial o texto revela o conhecimento que existia sobre a navegação por volta do ano 600 a.C., numa região que era para os gregos ainda uma longínqua e mítica finisterra. O poema foi concebido aparentemente como um diário de navegação de uma viagem ao território dos Tartessos situado na Península Ibérica, revelando cidades, povos, portos e acidentes geográficos ao longo da costa.
Vide "A Ora Maritima de Avieno e a descrição da costa atlântica entre o Cabo da Roca e a Foz do Sado. A propósito da localização de Poetanion" de José Cardim Ribeiro.
O
Itinerário de Gades (
Itinerarium Gaditanum),
gravado no séc. I d.C. em quatro copos de prata cilíndricos, descreve o percurso do itinerário entre Roma e o porto
Gaditano (actual Cádiz), indicando as estações de paragem e respectivas distâncias intermédias. São também designados por
Copos Apolinares devido ao facto de terem sido descobertos em 1852 no lago das termas
Aquae Apollinares em Vicarello (perto de Roma). Estes copos seriam utlizados pelos viandantes para irem bebendo água ao longo da viagem (tal como posteriormente a chamada «cabaça» para os peregrinos de Santiago), servindo de forma engenhosa também para ir indicando o caminho. Apesar de não atravessar o actual território Português, os «Copos Apolinares» constituem um precioso testemunho da utilização dos itinerários na vida prática como guia de viagem.
O Tratado de Arquitectura (
De architectura) de
Marcus Vitruvius Pollio, obra escrita em dez volumes no primeiro século da nossa era, é sem dúvida o livro mais importante sobre tecnologia romana que chegou até nós. Infelizmente o autor não se refere especificamente à construção de vias, embora num
capítulo sobre pavimentos aborde alguns dos princípios construtivos comuns à construção de estradas.
(
ver aqui a versão original em Latim,
uma tradução para Inglês
ou esta
tradução para Castelhano). Curiosamente, uma obra tão importante para o mundo contemporâneo esteve sem edição em Português até 2007, ano em que Justino Maciel publicou a sua excelente tradução. Para um maior aprofundamento do tema arquitectura e da engenharia romana ver
o trabalho de
Isaac Moreno Gallo.
[VI]A ASTV[RICA]
AD BRACARA
AGENTIOLVM
PETAVO[NIV]M
VI[NIATIA]
COM[PLEV]TICA
ROB[ORE]TVM
AD AQVAS
AQVIS ORIGINIS
SALA[N]IA
BRACARA
|
I.B.
V
VIII
[...]
XII
XII
XV
VII
X
XII
|
I.A.
XIII
XV
XXVIII
XXV
XXVIII
XXXVI
?
XVIII
XXI
|
O chamado Itinerário de Barro de Astorga é um conjunto de quatro placas de argila também conhecidas por
Tabulas de Astorga, em exposição no Museu Arqueológico das Astúrias em Oviedo, cada uma contendo um itinerário da Hispânia romana. As placas terão sido produzidas por ordem de um magistrado local, um duúnviro, visto que todas elas terminam com as letras
C. LEp. M. II. VIR com a possível leitura de C(aius) Lep(idus) M(arci) Duúnviro (
García y Bellido, 1975). Existiam dúvidas sobre a sua autenticidade, todavia
estudos mais recentes com datação por termoluminescência permitiram balizar a sua cronologia entre o primeiro terço do século III e inícios do século IV, mostrando que as placas foram lavradas no período romano (
Ochoa et al., 2012).
Das quatro placas, apenas uma se refere ao território nacional descrevendo a
Via Asturica ad Bracara (
foto) com um itinerário muito similar ao apresentando no Itinerário XVII até à estação de
Ad Aqvas (Chaves), mas a partir daqui o «Itinerário de Barro» desvia aparentemente para noroeste rumo à estação viária de
Aqvis Originis localizada em Baños del Rio Caldo (Lobios) no percurso da chamada
Via Nova que integrava o Itinerário XVIII. A partir daqui o itinerário ruma a sul percorrendo a
Via Nova até Braga, atendendo a que a estação seguinte é
SALA[...]A que García Bellido leu como
SALA[N]IA, ou seja, a
mansio Salaniana referida no Itinerário XVIII em plena Serra do Gerês. Apesar das dificuldades em definir uma rota para o tramo entre Chaves e
Aqvis Originis, o itinerário apresenta como se vê alguma coerência com os Itinerários de Antonino, no entanto as distâncias entre estações estão muito aquém dos valores reais, o que muito tem dificultado a sua interpretação. Uma possível explicação para este facto é admitir a utilização de uma unidade diferente da milha romana no «Itinerário de Barro», mas desconhecemos qual seria. Comparando os valores indicados entre o «Itinerário de Barro» e o «Itinerário de Antonino» podemos observar que em média teríamos aproximadamente um factor de conversão de 2, o que daria uma milha com aproximadamente 3000 m, valor difícil de explicar no contexto romano. Sabemos que a partir dos finais do século II, a légua romana foi utilizada na Gália e na Germânia com o valor métrico equivalente a 2222 m (Mantas, 2012c), mas não temos qualquer prova da sua utilização na Hispânia para além do facto que este valor é bastante inferior à unidade de 3000 m supostamente utilizada no «Itinerário de Barro» pelo que a dúvida mantém-se.
A Crónica de Idácio (
Hydatii Episcopi Chronicon) é uma obra escrita pelo então Bispo de Chaves,
Idácio (
Hydatius) que descreve vários factos ocorridos entre o ano de 379 e 468 d.C., na senda da obra de
São Jerónimo de Stridon (
Eusebius Sophronius Hieronymus). Na primeira parte da obra, entre 379 e 427, Idácio ter-se-á baseado nas fontes bibliográfica existente na época, mas a partir de 427, data em que foi nomeado bispo de Chaves, passa a descrever factos seus contemporâneos, sendo por isso uma obra fundamental para compreender a desagregação do Império Romano no Noroeste Peninsular ocorrida durante todo o século quinto com as invasões Suévicas. A obra contém várias referências toponímicas e geográficas de primordial importância como por exemplo quando se refere a
ad locum qui portumcale appellatur («no lugar a que chamam Portucale») ou seja «Porto de Cale» o que levantou uma discussão que ainda hoje se mantém sobre a verdadeira localização da antiga
Cale referida no Itinerário de Antonino e qual terá sido o seu papel na fundação do reino de Portugal (ver
Alarcão, 2005a;
Silva, 2010;
Ver aqui uma tradução para Castelhano.
O Paroquial Suevo (
Parochiale Sueuorum), também designado por
Divisão de Teodemiro (
Divisio Theodemiri) pois resultou do Concílio de Lugo realizado no ano 569 após convocação por ordem do Rei Suevo Teodemiro para reestruturar a divisão das dioceses do Reino Suevo da Galécia; este importante manuscrito da segunda metade do século VI (entre os anos de 572 e 585), estabelece a nova organização administrativa e eclesiástica na monarquia Suévica, apresentando uma relação de 134 paróquias divididas entre
eclessiae e
pagi, agrupadas em treze dioceses, constituindo assim, uma das referências historiográficas mais importantes para a localização de povos e povoações na Galécia pós-romana; esta nova ordem administrativa assenta em grande parte na anterior ordem administrativa romana pelo que reflecte ainda muita dessa anterior organização, sendo por isso também um importante documento para a identificação dos antigos topónimos romanos como foi o caso da imponente cidade de
Tongobriga em Marco de Canaveses, de
Magnetum em Meinedo (Lousada) que viria a ser sede de bispado,
Caliabria perto de Almendra da qual pouca resta apesar de ter sido mais tarde uma das dioceses Visigóticas. Também há enigmáticas referências a
Cale aqui designada como o
castrum antiquum, situado na margem sul do Douro (Castelo de Gaia) e o
castrum novum na margem norte (Sé do Porto), adensando ainda mais a discussão sobre a verdadeira localização de antiga
Cale romana.
Apesar desses importantes contributos, na verdade, a maioria das paróquias nele mencionadas estão ainda por localizar ou rodeadas de grandes incertezas pelo que continua a ser uma fonte preciosa para a futura identificação dos antigos topónimos romanos.
O
Portugaliae Monumenta Historica (
PMH) é uma compilação de documentos históricos organizada por Alexandre Herculano, na senda do «Monumenta Germaniae Historicae», publicada em quatro tomos pela Academia Real das Ciências de Lisboa entre 1856 e 1888. O PMH inclui uma colecção de 952 documentos do século IX ao século XII recolhidos nos cartórios conventuais do país e agrupados sobre o título de
Diplomata et Chartae (
DC), sendo o último documento do ano 1100; os documentos de 1101 a 1123 estão publicados em «Documentos Medievais Portugueses, Documentos Particulares», vols. III e IV, editado em 1940, encontrando-se os demais, no geral, inéditos.
Entre estes antigos cartulários destacam-se o
«Livro Preto da Sé de Coimbra» (
LP com 663 documentos), o «Livro Preto do Mosteiro de Grijó», o «Baio Ferrado» do mesmo mosteiro (314 documentos), os «Livros de Doações», o «Censual do Cabido da Sé do Porto» e o importante cartulário de Braga,
«Liber Fidei», cujos documentos estão apenas em parte publicados no PMH (vide
original aqui). Em 1908, o
Abade de Tagilde publica o
«Vimaranis Monumenta Historica» com uma compilação de 353 documentos sobre o período medieval Vimaranense entre os anos de 870 e 1380. Já depois da morte de Alexandre Herculano, foram publicados novos documentos no PMH, nomeadamente as
Inquirições de D. Afonso II de 1220 e de D. Afonso III de 1258, concluída apenas em 1977.
Estes textos sobre actos notariais e as inquirições régias fornecem variadíssimas informações com relevância para o estudo da viação romana pois frequentemente estas antigas estradas delimitavam as propriedades em causa havendo por isso diversas referências à antigas vias como «
via antiqua», «
karraria antiqua», «
strada mourisca», «
via publica», «
strata maiore» e outras designações similares. Apesar das diferentes designações, não há dúvida que estas estradas já eram utilizadas no período romano (e seguramente em épocas mais recuadas, atendendo à sua relação directa com o povoamento castrejo pré-romano), sendo por isso uma fonte muito relevante para o apuramento destes trajectos. (vide
Biblioteca Nacional PMH, 1867-1873); nesta linha ver artigos fundacionais de Gabriel Pereira,
«
Situação Conjectural de Talabriga de 1907 e
«Ainda o Documento XIII dos «Diplomata et Chartae»» de Carlos Ferreira de Almeida de 1970 e ainda
CAB Almeida, 1999). A tabela seguinte apresenta uma lista não exaustiva dessas referências, com ligações aos textos nos documentos originais e com indicação do itinerário ao qual pertenceriam.
Tabela de Referências Viárias nos Documentos Medievais |
DIPLOMATA ET CHARTAE (DC) |
Doc. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
12 | 897 | Lavra | «karia antiqua usque i mare» |
Porto - Caminha |
13 | 906 | Sta. Eulália do Covo | «karraria antiqua», «estrata de uereda» |
Famalicão - Barcelos |
17 | 911 | Dume | «via quam dicunt de vereda» |
Braga - Gerês |
24 | 921 | Tresval | «in istrada qui discurit uia de uereda» |
Porto - Rates |
25 | 922 | Moledo | «portu de aliovirio» |
Chaves - Lamego |
29 | 924 | Paço, Oleiros | «carraria antiqua» |
? |
39 | 933 | Coimbra | «carraria maiore que discurrit ad ciuitate conimbrie» |
Braga - Lisboa |
67 | 955 | Vila do Conde | «per carraria maurisca» |
Porto - Caminha |
71 | 957 | S. João da Ponte | «ripa riuulo aue prope ponte petrina» |
Braga - Mérida |
81 | 960 | Vila Verde | «ponte petrina» |
Braga - Monção |
82 | 961 | Vizela | «per carraria» |
Braga - Mérida |
95 | 968 | Vilela | «carrale que discurrit ad ciuitas conimbrie» | Porto - Coimbra |
100 | 969 | Midões | «barcho de midones» | Viseu - Bobadela |
101 | 970 | Moledo | «carrale antiqua» | Chaves - Lamego |
104 | 972 | Mealhada | «via antiqua» | Mealhada - Bobadela |
106 | 973 | Vimieira | «karraria de illa vimeneira» | Braga - Lisboa |
114 | 974 | Treixedo | «via antiqua» | Coimbra - Bobadela |
151 | 986 | Guilhabreu | «carreira antiqua» | Braga - Lisboa |
174 | 995 | Serzedo | «strata veredaria» | Porto - Marnel |
179 | 998 | Penacova | «carrale que uadit ad illo barco» | Coimbra - Bobadela |
248 | 1021 | Leça do Balio | «ponte petrenea de Leza» | Braga - Lisboa |
287 | 1034 | Santo Tirso | «carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» | Porto - Guimarães |
328 | 1043 | Serzedo | «karraria» | Porto - Marnel |
359 | 1047 | Gemunde | «caral que uai at ille porto» | Porto - Barcelos |
366 | 1048 | Monte Córdova | «carera antiqua» | Porto - Guimarães |
378 | 1050 | Pedaçães | «estrata maiore» | Braga - Lisboa |
416 | 1059 | Guilhade | «strata pro ad oriente», «strata de sancta cristina» | Tongobriga - Douro |
417 | 1059 | Alpendurada | «strata contra oriente» | Tongobriga - Douro |
420 | 1059 | Guimarães | «strata maior», «ponte petrina» | Braga - Guimarães |
443 | 1064 | Cossourado | «carraria antiqua» | Barcelos - Ponte de Lima |
459 | 1067 | Fornelos | «carraria antiqua», «caria antiqua» | Porto Antigo - Viseu |
549 | 1077 | Rio Vouga | «strata maiore» | Braga - Lisboa |
563 | 1078 | Paradela | «strata maiore» | Braga - Lisboa |
570 | 1079 | Paço, Silvares | «carreira antiqua» |
Braga - Tongobriga |
591 | 1080 | Antanhol | «strata...ad colimbria» | Braga - Lisboa |
615 | 1083 | Cinfães | «kararea que vadi pro ad riu de Bestonza» | Cinfães - Sampaio |
614 | 1085 | Romariz | «via maurisca» |
Arouca - Freita |
639 | 1085 | Arouca | «vadit per via antiqua», «carraria antiqua», «carreira antiqua» |
Fornos - Arouca |
646 | 1085 | Arouca | «carral», «via» |
Escariz - Arouca |
675 | 1087 | Bilanes(?) | «strata prope littus maris» |
Porto - Vouga |
676 | 1087 | Taveiro | «via publica» |
Braga - Lisboa |
684 | 1087 | Moldes | «carrale» |
Escariz - Arouca |
688 | 1087 | Sande | «carraria antiqua» |
Tongobriga |
700 | 1088 | Coimbra | «publica uia que ducit ad sanctaren» | Braga - Lisboa |
703 | 1088 | S. João da Madeira | «strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni» |
Braga - Lisboa |
807 | 1094 | Coselhas | «via qui discurrit ad sanctum romanum» | Braga - Lisboa |
817 | 1095 | Pampilhosa | «strada de uiminaria» | Braga - Lisboa |
833 | 1096 | Negrelos | «cararia antiqua» |
Porto - Guimarães |
842 | 1096 | Aldriz | «in terra ciuitatis sancte marie super stratam» |
Braga - Lisboa |
864 | 1097 | Santo Tirso | «ponte antiqua de flumine Avie, carreira que dividet aquam inter Lezam et Sanguinietum» |
Porto - Guimarães |
867 | 1097 | Mozelos | «strata ad portum asinarium riuulo maior» | Porto - Feira |
870 | 1098 | Portela | «super strada comodo subtus illa strada» | Braga - Lisboa |
888 | 1098 | Caldas de Aregos | «karraria antiqua usque plicat inter ambas pausadas» | Braga - Viseu |
915 | 1099 | Gondivai | «kareira» | Porto - Barcelos |
LEGES ET CONSUETUDINES (LC) |
Pág. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
506 | 1199 | Belmonte | «viam veteram que ducit ad Montem Sanctum» | Belmonte - Mérida |
517 | 1201 | Arega | «viam publicam» | ? |
531 | 1201 | Pedrógão | «in aquilone per uiam que ducitur ad sanctaren» | ? |
610 | 1228 | Sortelha | «semederium veterem ad serram de opa» | Capinha - Sabugal |
VIMARANES MONUMENTA HISTORICA (VMH) |
Doc. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
63 | 1100 | Portela de Leitões | «uia antiqua», «carrariam maiorem» | Braga - Guimarães? |
LIVRO PRETO DA SÉ DE COIMBRA (LPSC) |
Doc. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
60 | 1169 | Midões | «dirutum pontem lapideum» | Viseu - Bobadela |
64 | 1137 | Sta. Comba Dão | «carral qui venit de tondella», «strata», «viam» | Coimbra - Viseu |
LIVRO PRETO DO MOSTEIRO DE GRIJÓ (LPMG) |
Fl. | - | Local | Referência | Itinerário |
36 | - | Branca | «quantum laborauerint sub estrada» | Porto - Coimbra |
LIVRO DE DOAÇÕES DO MOSTEIRO DE SALZEDAS (LDMS) |
Fol. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
61 | 1152 | Queimada | «et per illa strada mourisca et dividit per Cemada» | Régua - Moimenta |
LIVRO DOS TESTAMENTOS DO MOSTEIRO DE PAÇO DE SOUSA (LTMPC) |
Doc. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
153 | 1135 | Ossela | «carral antiqua» | ? |
MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE AROUCA (MSMA) |
Fl. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
39 | 1152 | Pousada | «porto de Ponte et deinde per carreira» | Fornos - Arouca |
80 | 1257 | Moção | «ad stradam et deinde vadit ad Portelam de Cerquedelo et de Monzom» | Fornos - Arouca |
81 | 1257 | Albergaria da Serra | «petra de Antha vadit strada» | Porto - Viseu |
DOCUMENTOS MEDIEVAIS PORTUGUESES (DMP) - Documentos Régios (DR) |
Doc. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
13 | 1108 | Espiunca | «itinera antiqua» | Douro - Arouca |
49 | 1117 | Albergaria-a-Velha | «super strada» | Porto - Coimbra |
277 | 1161 | Monte Raso | «viam antiquam usque in monten rasum» | Régua - Moimenta |
277 | 1161 | Gaia | «carreriam quae venit de Gaya» | Porto - Coimbra |
391 | 1112 | Moreira da Maia | «karraria antiqua» | Porto - Barcelos |
392 | 1112 | Moreira da Maia | «karrarea antiqua» | Porto - Barcelos |
DOCUMENTOS DE D. SANCHO I (DDS) |
Pág. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
73 | 1194 | Amêndoa | «uiam mouriscam directe ad Vzezar» | Conímbriga - Amêndoa |
117 | 1199 | Envendos | «Viam de Egitania» | Tomar - Idanha |
117 | 1199 | Várzeas | «racefe mauriscum» | Pedrogão - Amêndoa |
117 | 1199 | Oleiros | «viam Couilliana ad focem de Cambas» | Tomar - Covilhã |
185 | 1209 | Maçãs | «stratam Colimbrianam»; «stratam veteram» | Coimbra - Tomar |
DOCUMENTOS LATINOS (DL) Arquivo da Universidade COimbra |
Fl. | Ano | Local | Referência | Itinerário |
64 | 1288 | Mealhada | «estrada velha coimbram» | Porto - Coimbra |
INQUIRIÇÕES DE D. AFONSO III de 1258 (INQ) |
Pág. | Fl. | Local | Referência | Itinerário |
347 | III | Rebordões | «via publica» (x2), «camino velio» | Braga - Tui |
486 | IV | Gião | «via veteris», «viam veterem» | Porto - Barcelos |
492 | IV | Alvarelhos | «viam veterem», «cararium veterum», «stratam veterem» | Braga - Porto |
619 | VI | Ruivães | «per carrariam antiquam» (x2) | ? |
690 | V | Polvoreira | «viam veteram de Ladroeira» | Braga - Freixo |
723 | VI | Azurém | «via vetera per valle usque Moutam de Cerzariis» | ? |
760 | VI | Seia | «in ipso loco subtus via» | ? |
767 | VI | Seia | «inter ambas stradas que vadunt de Sancta Marina pro ad Senam» | Celorico - Bobadela? |
773 | VI | S. Romão | «viam publicam colimbriensem»; «viam veterem de Sena»; «viam que vadit pro ad Covillianam» | Celorico - Bobadela |
776 | VI | Lajeosa | «viam veterem ad susu» | Celorico - Bobadela |
777 | VI | Lagos da Beira | «carreirum veterem» | Celorico - Bobadela? |
782 | VI | Coja | «strada Colimbrie» | Coimbra - Bobadela |
785 | VI | Aljão | «viam algiam» | Mangualde - Gouveia |
813 | VI | Nelas | «via que vadit de Senorim pro ad Vilar Seco» | Viseu - Bobadela |
813 | VI | Nelas | «stratam» | Mangualde - Coimbra |
842 | VI | Magarelas | «viam que vadit pro ad Magarelas» | ? |
854 | VI | Vila Chã de Sá | «carril de Retura» | Coimbra - Viseu |
862 | VI | Campo | «carril velo de Transpicoto» | Lamego - Viseu |
874 | VI | Cavernães | «sub via» | Viseu - Moimenta |
907 | VI | Vouzela | «strada de camino pro ad pontem de rivolo de Vauzela» | Marnel - Viseu |
911 | VI | Vilharigues | «stratam ad pontem que vocatur de Homicidia»; «strada ad fundum quomodo vadit ad Rivum de Cambar» | Marnel - Viseu |
958 | VII | Cinfães | «carril veterem que venit de Sancto Fiiz per super Sanctam Mariam de Caaes» | Freixo - Viseu |
983 | VII | Tendais | «sub via», «super strata» e «estrada» | Freixo - Viseu |
984 | VII | Gralheira | «carreirum antiqum» | Freixo - Viseu |
L' Histoire des Grands Chemins de L'Empire Romain, publicado em França por Nicolas Bergier em 1622 é uma das primeiras obras que estuda a rede viária romana numa perspectiva global. Publicada por ordem do rei francês Luís XIII, esta é uma obra fundamental do estudo da rede viária romana com os seus dois volumes e mais de 2000 páginas. Esta obra viria a ter uma grande influência nos estudos posteriores e na própria engenharia de estradas em França nomeadamente através da publicação em 1693 pelo engenheiro francês Hubert Gautier do «Tratado sobre a Construção de Estradas» que utiliza os princípios romanos na elaboração de estradas anteriormente identificados por Bergier e que influenciou decisivamente o desenvolvimento da rede viária Europeia nos séculos seguintes. Bergier é responsável pela famigerada teoria da estrutura construtiva das viae em quatro camadas, teoria que não se viria a confirmar na maioria das vias estudadas.
O Corpo de Inscrições Latinas (Corpus Inscriptionum Latinarum ou CIL)
é uma compilação de inscrições latinas iniciada pelo historiador alemão
Theodor Mommsen em 1857. Este pediu ao seu discípulo, o epigrafista alemão
Emil Hübner, para viajar para a Hispânia com o intuito de fazer o levantamento das epígrafes da região. Como resultado dessa viagem que decorreu de Março de 1860 a Outubro de 1861, é publicado em 1869 o Volume II do CIL designado por
Inscriptiones Hispaniae Latinae ou CIL II. Nesta obra constam os miliários conhecidos na época, alguns dos quais entretanto desaparecidos, pelo que constitui um documento essencial para o levantamento da rede viária romana.
Em 1871, Hübner publica o Noticias archeologicas de Portugal, onde aborda em detalhe algumas dessas inscrições. Entretanto a descoberta de novas epígrafes levou Hübner a encetar mais três viagens pela Hispânia na década de 80 das quais resultariam a publicação em 1892 de um Supplementum com uma compilação dessas inscrições entretanto recolhidas.
A Carta do Império Romano (Tabula Imperii Romani ou TIR) é um projecto internacional iniciado em
1928 pelo Inglês Osbert Crawford, um pioneiro no uso e interpretação da fotografia aérea para a arqueologia, com o objectivo de criar um mapa arqueológico de todo o Império Romano em 56 folhas na escala 1:1 000 000 contendo povoações, estradas, acampamentos militares, templos, teatros, aquedutos, minas e outros vestígios arqueológicos. O plano inicial previa a publicação de 48 folhas, estendido depois para 56 de modo a cobrir a totalidade do império. As folhas são acompanhadas por um índice que fornece dados históricos e bibliográficos sobre cada localidade apresentada nos mapas. O projecto que é gerido sob os auspícios da UAI (União Académica Internacional) tem sofrido diversos atrasos e só em 2002 foi concluída o mapa da Península Ibérica com a publicação da folha J-20 (Valencia). No que diz respeita a Portugal, o território nacional é coberto pelas folhas K-29 (Porto) e J-29 (Lisboa); a primeira versão da folha K-29 (Porto: Conimbriga - Bracara - Lucus - Asturica) surge logo nos primeiros volumes preliminares publicados em 1931, mas só é concluída em 1991, seguida pouco depois, em 1995, pela folha J-29 (Lisboa: Emerita - Scalabis - Pax Iulia - Gades). O projecto continua e neste momento está em preparação a publicação final da folha K-33 (Roma) que cobre partes da Itália e Croácia.
Sobre o estudo da viação romana em Portugal
O estudo da viação romana em Portugal tem tido uma enorme evolução com a publicação nas últimas décadas de vários importantes estudos sobre o tema, quer com base na historiografia quer em resultado de novas escavações arqueológicas. Todavia, todo este conhecimento manteve-se disperso por múltiplas e variadas fontes, como simples artigos na imprensa regional, raras monografias apenas disponíveis em bibliotecas, relatórios de escavações guardados algures ou artigos de revistas científicas de acesso restrito. Esta miríade de fontes dificultava muito a compilação dos itinerários romanos à escala nacional. Para além disso, a maioria tinha um carácter estritamente regional, carecendo portanto de uma visão de conjunto, tão importante para entender os grandes itinerários romanos que cruzavam o nosso território. Este processo está na origem da classificação de muitas pontes e caminhos antigos como 'romanos' sem qualquer base científica, um pouco ao sabor dos critérios pessoais dos seus autores. Com o advento da internet muitas dessas publicações passaram a estar disponíveis 'online', o que facilitou o seu estudo crítico. No entanto, apesar dos muitos avanços, nomeadamente na maneira sistemática com se trata a informação, o estudo da viação romana continua ainda a ser um caminho de 'areias movediças' em que trabalhamos mais com hipótese do que com certezas. Neste contexto há que manter um olhar crítico sobre os velhos pressupostos sobre a viação romana, nomeadamente uma certa visão romântica das vias romanas, mas que não tem qualquer suporte da evidência arqueológica. A histografia da investigação sobre a viação romana é sumariamente descrita a seguir:
Claude Bronseval
Entre 1531 e 1533 o Frei Claude Bronseval, secretário do abade do mosteiro Bernard de Clairvaux em França, Edme de Salieu, acompanhou-o numa viagem a Espanha e Portugal para observar
in loco a situação dos mosteiros cistercienses, registando os itinerários adoptados e as vicissitudes encontradas ao longo do seu percurso. No regresso compilou meticulosamente as suas notas de viagem num pergaminho sobre o título «
Incipit Peregrinatio Hispanica». O documento permaneceu inédito até à sua descoberta em 1944 por Émile Jalibois, sendo posteriormente entregue ao historiador cisterciense Dom Maur Cocheril para estudo até que foi finalmente publicado em 1970. O relato de Bronseval deixa-nos uma impressiva descrição da rede viária no século XVI, em grande parte ainda assente na velha estrutura romana, fazendo referência por exemplo aos miliários da
via romana Mérida-Lisboa (Bronseval, 1970: 501-502) e a vários pontos do seu percurso como a Ponte Romana de Vila Formosa (Bronseval, 1970: 667), a encruzilhada das Mestas, o caminho por Perna Seca para Santarém e do ramal que seguia para Tomar cruzando o rio Tejo em Tancos.
Juan de Villuga
Em 1546 Pedro Juan de Villuga publica o
«Reportorio de todos los camiños de España», nas suas palavras - "hasta agora nunca vistos en que allará que cualquier viajero que quiera andar muy provechoso para todos los caminantes", uma extensa compilação de roteiros terrestres na Península. Para cada itinerário são indicadas as estações intermédias e as respectivas distâncias em léguas (1 légua é equivalente aproximadamente a 4 milhas romanas ou 6 km). Os caminhos indicados utilizam em geral vias do período romano; no entanto, observam-se notáveis diferenças decorrentes da adaptação à situação geopolítica vigente no século XVI. Para o território actualmente Português temos os seguintes 9 itinerários: 15 - de Barcelona a Lisboa; 59 - de Sevilha a Lisboa; 60 - Lisboa a Évora; 61 - de Évora a Burgos; 62 - de Évora ao Porto; 63 - de Setúbal a Lisboa; 64 - de Lisboa a Salamanca; 65 - de Évora a Toledo; 66 - de Lisboa a Valencia.
O
mapa desenhado para ilustrar a primeira edição pode ser consultado
aqui.
João de Barros
Por volta do ano 1536, João de Barros termina o seu manuscrito intitulado «
Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes», obra fundamental sobre a região a norte do rio Douro, contendo várias referências à rede viária. Em 1546 escreve o "Libro das antiguidades e cousas notáueis de Antre Douro e Minho, e de outras muitas de España e Portugual" fornecendo também alguns dados sobre rede viária, em particular transcrevendo as epígrafes de vários miliários.
Francisco d'Holanda
Em 1571, o humanista português
Francisco de Holanda
publica a sua primordial obra sobre o urbanismo de Lisboa «
Da Fabrica que falece ha Cidade de Lysboa», onde refere alguns vestígios da rede viária romana, como sejam as «calçadas de scilice» nas Mestas de Montargil («Venda das Mestas»), as «Pontes Romanas» de Sacavém e «acima de Abrantes», não havendo vestígios de nenhuma delas.
André de Resende
Mas é só com
André de Resende, o pioneiro da arqueologia em Portugal que se começa a sistematizar o estudo da época romana, principalmente após a publicação póstuma em 1593 da sua obra
De Antiquitatibus Lusitaniae («Antiguidades da Lusitânia»), onde dedica um capítulo às vias romanas intitulado «
De Viis Militaribus» com notáveis referências aos muitos vestígios que ainda subsistiam na época, nomeadamente com o registo dos «letreiros em pedra» que iam aparecendo um pouco por todo o Alentejo. As dúvidas sobre a autenticidade de algumas das epígrafes registadas por Resende foram bem evidenciadas no século XIX pelo epigrafista alemão Emil Hübner durante a elaboração do CIL, dando como falsas muitas dessas inscrições. No entanto, esta posição excessivamente crítica ao relato de Resende tem vindo a ser revista (Encarnação, 1998: 720-722; 1991: 193-221) e actualmente muitas delas foram "reabilitadas"; aliás, para Vasco Mantas não há razões objectivas para duvidar da informação fornecida por Resende no que concerne à rede viária pois é o próprio autor renascentista a expressar a suas dúvidas (muitas das quais ainda se mantêm) e não se vislumbra qual a motivação política que poderia estar por trás de tal falsificação (Mantas, 2019b: 213-214). No Livro III, Resende refere 22 miliários dos quais 12 com epígrafe legível.
De Frei Bernardo de Brito a Nunes de Leão
Em 1597 Frei Bernardo de Brito (1569-1617), monge do Mosteiro de Alcobaça, publica o «
Geographia antiga de Lusytania» seguida de uma história de Portugal dividida em 8 partes intitulada «
Monarchia Lusytana», da qual apenas redigiu as duas primeiras partes, tendo publicado a primeira em 1597 e a segunda em 1609. Brito segue a tradição de Resende de um relato algo fantasista da história, no entanto as suas várias referências a vestígios viários do período romano são importantes para a identificação dos traçados. No ano seguinte, Duarte Nunes de Leão publica a sua «
Descripção do Reino de Portugal», onde refere também diversos vestígios romanos dispersos por todo o reino.
De Gaspar Estaço a Francisco Craesbeeck
No século XVII sucedem-se as publicações sobre «antigualhas romanas». Em 1625, Gaspar Estaço (156_?-1626), Cónego da Colegiada de Guimarães publica «
Várias Antiguidades de Portugal», seguindo-se Luís Marinho de Azevedo em 1652 com «
Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa». Em 1706 o Padre
António Carvalho da Costa publica a sua importante obra «
Corografia Portuguesa» e Francisco Craesbeeck, na época Corregedor da Comarca de Guimarães, publica em 1726 as «
Memórias ressuscitadas da província de Entre Douro» aludindo a várias epígrafes romanas.
O «Roteiro Terrestre de Portugal» do Padre João Baptista de Castro
Em 1748, o Padre João Baptista de Castro publica o «
Mappa de Portugal Antigo e Moderno», uma vasta obra em 3 volumes, incluindo em anexo o «
Roteiro Terrestre de Portugal» com uma detalhada compilação das principais rotas terrestres em território nacional, indicando as estações viárias e respectivas distâncias intermédias que fornecem muito informação sobre os antigos itinerários que seguiam em geral as antigas rotas romanas. Na introdução ao roteiro, o autor faz uma breve descrição sobre as «Vias Militares» em território nacional com base nos Itinerários de Antonino e ensaia uma tentativa de localização das respectivas estações viárias à luz do conhecimento existente na época. O «Roteiro» foi sendo corrigido e completado em edições posteriores, sendo hoje uma obra fundamental para a determinação da rede viária romana.
Do Padre Mattos Ferreira a Contador de Argote
Em 1728 o
Padre José de Mattos Ferreira, pároco de Amares, publica os miliários por si encontrados na «
Via Romana do Gerês (Geira)» num levantamento feito em 1721 que voltaria a ser publicado em 1734 por
D. Jerónimo Contador de Argote no «
Memórias para a História Ecclesiástica do Arcebispado de Braga», autor de outra obra fundamental sobre
Bracara Augusta intitulada «
De antiquitatibus conventus Bracaraugustani».
Do Frei Manuel do Cenáculo a Rosa de Viterbo
Em 1770, Manuel de Vilas-Boas Anes de Carvalho (1724 – 1814), mais conhecido por Manuel do Cenáculo, na sequência da sua nomeação como Bispo de Beja, promove a recolha e salvaguarda de diversas peças arqueológicas que iam sendo descobertas por todo o Alentejo, dando origem ao primeiro museu Português. Também promoveu as primeiras escavações arqueológicas em Portugal em sítios históricos como Mértola, Santiago do Cacém e Castro da Cola. Em 1793 publica «
Monumenta Linguae Iberae» com o resultado dos seus estudos. Com a sua nomeação para Arcebispo de Évora, a colecção é levada para esta cidade onde ainda hoje pode ser admirada no actual Museu de Évora. Pouco depois o Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo publica em 1798 o «
Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram» com várias referências a achados romanos.
De Estácio da Veiga a Martins Capella e Martins Sarmento
Com a explosão do interesse pela arqueologia na segunda metade do século XIX, os historiadores portugueses, inspirados pelo trabalho de
Emil Hübner para o CIL, começam a publicar sobre o assunto. Em 1877,
Estácio da Veiga publica as «
Memórias das Antiguidades de Mértola», seguido da «
Carta Arqueológica do Algarve» em 1878 que viria a culminar na publicação em 4 volumes do «
Antiguidades Monumentaes do Algarve» entre 1886 e 1891.
Em 1895, o
Padre Martins Capella publica uma obra essencial sobre a epigrafia viária do noroeste Português intitulada «
Miliários do Conventus Bracara Augustanus em Portugal», referindo muitas colunas que foram entretanto destruídas ou estão desaparecidas, não restando mais do que este relato de Capella. No mesmo ano, José Henriques Pinheiro, publica o seu «
Estudo da estrada militar romana de Braga a Astorga» que constitui o primeiro grande estudo sobre o Itinerário XVII Braga-Chaves-Astorga.
Entretanto
Francisco Martins Sarmento publica diversos artigos sobre os marcos miliários a norte do rio Douro. A
Sociedade Martins de Sarmento sediada em Guimarães disponibiliza estes artigos assim como a correspondência trocada com
Albano Belino, investigador autodidacta que descobriu várias epígrafes no aro de Braga (
vide Secção Albano Belino).
De Leite de Vasconcelos a Manuel Heleno
Mas o grande responsável pelo estabelecimento da arqueologia como ciência autónomo em Portugal foi sem dúvida José Leite de Vasconcelos ao promover a fundação em 1894 do Museu Etnológico de Belém (posteriormente renomeado como «Museu Nacional de Arqueologia» tendo a sua sede no Mosteiro dos Jerónimos); em 1895 lança a revista «
O Archeologo Português» que viria a centrar a investigação e recolha de artefactos em território nacional. Este trabalho teve continuidade através do seu sucessor na direcção do museu, Manuel Heleno, embora muito criticado pelos seus pares pela orientação nacionalista com que conduziu a arqueologia Portuguesa durante o 'Estado Novo'.
De Costa Veiga a Mário Saa
Em meados do século XX assiste-se a uma explosão dos estudos sobre a viação romana, com a publicaçao de vários estudos sobre o trajecto da via romana, tal como «A Via Romana de Lisboa-Alter-Mérida» publicado em 1943 por Augusto Costa Veiga, «
De Talabriga a Lancobriga pela Via Militar Romana» publicado em 1943 pelo Padre Miguel de Oliveira, as «
Vias Romanas das Regiões de Chaves e Bragança» publicado em 1956 por Lereno Barradas. Entretanto
Mário Saa inicia a publicação entre 1951 e 1967 de «
As grandes vias da Lusitânia: o itinerário de Antonino Pio», obra em 6 volumes onde relata as suas prospecções ao longo de vinte anos na busca dos percursos romanos e que constitui ainda hoje uma obra essencial para a restituição dos traçados, em particular porque muitas coisa já desapareceu e foi apagados pelo tempo. O espólio por si recolhido está exposto na
Fundação Arquivo Paes Teles no Ervedal, concelho de Avis, nomeadamente a
ara dedicada aos lares viales do Monte das Esquilas (Monforte) e dois miliários, o miliário a Constantino Magno ou I proveniente do Casal da Pocariça (Lagoa Grande, Bemposta, Abrantes) e o miliário a Tácito proveniente da Capela da Ns. dos Prazeres em Ponte de Sor (IRCP 666a). Esta meritória fundação preserva ainda a sua biblioteca e prevê expor em breve todo o espólio arqueológico ali depositado depois da sua recente inventariação.
(
Encarnação, 1995; Mantas, 2010)
De Carlos Ferreira de Almeida aos nossos dias
A partir dos anos sessenta do século XX, a investigação intensifica-se com a publicação de importantes estudos sobre a viação romana. Em 1968 Carlos Ferreira de Almeida publica a sua dissertação intitulada «
Vias Medievais entre Douro e Minho».
Em 1979, Brochado de Almeida publica «
A Rede Viária do Conventus Bracara Augustanus» e logo em 1981 Alain Tranoy publica «
La Galice Romaine», a primeira obra de fôlego sobre o Noroeste peninsular (onde se faz uma revisão dos miliários então conhecidos). Seguem-se um grande trabalho sobre epigrafia com publicação da monumental obra de José d'Encarnação sobre as «
Inscrições Romanas do Conventus Pacensis» (posteriormente revista na reedição de 2013). A primeira grande obra sobre o mundo romano em Portugal surge apenas em 1988 pela mão de Jorge de Alarcão, o indispensável «
Roman Portugal», do qual resultou posteriormente um livro de divulgação intitulado «
O Domínio Romano em Portugal» que inclui um capítulo com os principais itinerários. Em 1990
Pierre Sillières publica um extenso estudo sobre a viação romana na sua tese de doutoramento intitulada «
Les Voies de Communication de l'Hispanie Méridionale». Poucos anos depois, em 1996, Vasco Mantas apresenta a sua dissertação de doutoramento intitulada «
A Rede Viária da Faixa Atlântica entre Lisboa e Braga», trazendo nova luz sobre a intrincada rede de comunicações no período romano nessa faixa litoral do território nacional. Nos últimos anos esta área da arqueologia tem ganho grande destaque na literatura científica e alguns autores em particular têm publicado interessantes estudos sobre o sistema viário romano como Manuel Maia, João Pedro Bernardes, Luís Fraga da Silva e Sandra Rodrigues para a região do Algarve, Francisco Bilou, André Carneiro e Maria José Almeida para o norte Alentejano, Seabra Lopes na região do Vouga, João Inês Vaz na região de Viseu, Lino Tavares Dias no território da
civitas Tongobrigensis, Sande Lemos na região de Trás-os-Montes, Rodriguez Colmenero no território da
civitas Flavienses, entre muitos outros.
Ver bibliografia sobre vias romanas no final desta página.
Bases de Dados Online
Existem algumas iniciativas 'online' com a inventariação de sítios arqueológicos e dados epigráficos:
- Endovélico - Sistema de Gestão e Informação Arqueológica - gerido pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), é a mais completa base de dados de sítios arqueológicos no território Português, sendo actualizada regularmente. Em 2019 a página 'online' sofreu uma grande remodelação, permitindo agora o acesso livre às respectivas coordenadas.
- SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico - gerido também pela DGPC com base na informação recolhida pela extinta Direcção Geral dos Monumentos Nacionais, actual Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (!) com informação muito completa sobre património arquitectónico, urbanístico e paisagístico, incluindo os sítios romanos classificados como monumentos nacionais.
- EDCS - Epigraphik-Datenbank Clauss / Slaby - iniciada por Manfred Clauss na Katholische Universität Eichstätt-Ingolstadt em 1980, com uma actualizada e vasta compilação de epígrafes de todas as províncias romanas incluindo a Hispânia Citerior e a Lusitânia.
- EDH - Epigraphische Datenbank Heidelberg - criada pela Universidade de Heidelberg em 1986, constitui uma vasta compilação de epígrafes com mais de 78 000 inscrições iniciada pela Universidade de Heidelberg.
- HEpOL - Hispania Epigraphica online database - iniciativa da Universidade Complutense de Madrid e coordenado pelo Prof. Joaquín Gómez-Pantorra, disponibiliza 'online' as epígrafes romanas da Península Ibérica.
Blogs
Existem algumas iniciativas interessantes na web entre as quais destacam-se os seguintes:
Revistas
Os trabalhos disponíveis sobre a romanização do território nacional encontram-se dispersos por uma multitude de publicações muitas delas de carácter regional e com periocidade muito variável ou mesmo efémera. Indicam-se de seguida algumas das revistas mais relevantes:
«Revista Portuguesa de Arqueologia» - revista de arqueologia editada pela Direcção-Geral do Património Cultural (1998 - ).
in «Conimbriga», - revista de arqueologia editada pela Universidade de Coimbra (1959 - ).
«Ficheiro Epigráfico» - suplemento da Revista «Conimbriga» dedicada ao estudo de inscrições romanas (1982 - ).
«Portugália» - revista de arqueologia editada pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1980 - ).
«Cadernos de Arqueologia» - revista de arqueologia editada pela Universidade do Minho (1981 - ).
«Máthesis» - revista do Departamento de Letras da Universidade Católica Portuguesa de Viseu (2000 - 2013).
«Revista de Guimarães» - revista de história editada pela Sociedade Martins Sarmento (1884 - 2004).
«O Arqueólogo Português» - revista do Museu Nacional de Arqueologia (1895 - 2014).
«Al-Madan» - revista de arqueologia e história editada pela C.M. de Almada (1982 - ).
«Oppidum» - revista de história e arqueologia editada pela C.M. de Lousada (2006 - ).
«Ibn Maruán» - revista cultural editada pela C.M. de Marvão (1991 - 2000).
«Vialibus» - revista editada pela Fundação Arq. Paes Teles no Ervedal (2009 - 2010).
«Almansor»
- revista de cultura editada pela C.M. de Montemor-o-Novo (1983 - ).
Os Itinerários de Antonino em Portugal
As várias edições do Itinerário de Antonino baseiam-se em cópias manuscritas efectuadas entre o século VIII e XII que apresentam algumas discrepâncias entre si. Deste modo existem diversas versões do itinerário que apresentam diferentes grafias para estações viárias, assim como diferentes valores para as distâncias intermédias. Apesar destas dificuldades, os últimos estudos têm demonstrado que o itinerário está bem mais próximo da evidência arqueológica no terreno do que inicialmente se pensava, desde que correctamente interpretados, nomeadamente corrigindo a ausência de uma ou outra estação intermédia em alguns casos ou seleccionando a partir dos manuscritos medievais a distância que mais se adequa às medições no terreno. As alterações propostas à edição de Wesseling são explicadas abaixo sobre a forma de
notas. No I.A. constam 372 itinerários distribuídos por todo o império dos quais 11 referem-se ao actual território nacional.
- m.p.
milia passuum, mil passos, milha romana, cerca de 1500 m (1480,5 m).
- stadia, estádio, unidade usada em navegação; aproximadamente 184,7 m (0,1154 milhas ou cerca de 1/8 da milha).
Iter XII 12
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Lisboa a Mérida |
Item ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CLXI |
AQUABONA
CATOBRICA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA
|
m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXVI
m.p. XII
m.p. XLIIII
m.p. VIIII
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
|
Iter XIII 13
gif |
Lisboa a Faro |
A SALACIA OSSONOBA |
m.p. XVI |
Este singular itinerário surge na sequência do itinerário XII de Lisboa a Mérida, levando a supor que se trata de uma derivação dessa rota a partir de Salacia (Alcácer do Sal) rumo a Ossonoba (Faro). No entanto as 16 milhas indicadas são insuficientes para cobrir a distância entre estas cidades, podendo indicar apenas o ramal de ligação ao Torrão.
|
Iter XIV 14
gif |
Lisboa a Mérida |
Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CLIIII |
ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA
|
m.p. XXXVIII
m.p. XXVIII
m.p. XXIIII
m.p. VIII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXX
|
Iter XV 15
gif |
Lisboa a Mérida |
Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM |
m.p. CCXX |
IERABRIGA
SCALLABIN
TABUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA
|
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXX
m.p. XIIII
m.p. XX
m.p. XXX
|
Iter XVI 16
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Lisboa a Braga1 |
Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM |
m.p. CCXLIIII |
IERABRIGA
SCALLABIN
SELLIUM
CONEMBRIGA
EMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA
|
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
|
Iter XVII 17
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Braga a Astorga2 |
Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXXXVII |
SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
ROBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
|
m.p. XX
m.p. XXVI
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XXV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XIIII
|
Iter XVIII 18
gif |
Braga a Astorga |
Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXV |
SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUENNIS
GEMINIS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BERGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA
|
m.p. XXI
m.p. XVIII
m.p. XIIII
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XVIIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXX
|
Iter XIX 19
gif |
Braga a Astorga |
Item a BRACARA ASTURICAM |
m.p. CCXCVIIII |
LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUGO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA
|
m.p. XVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. XVI
m.p. XXIIII
m.p. XII
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XX
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. XX
m.p. XXX
|
Iter XX 20
gif |
Braga a Astorga |
Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque |
AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGUNDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUGO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA
|
stadia CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m.p. XXII
m.p. XXX
m.p. XVIII
m.p. XVII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. L
|
Iter XXI 21
gif |
Foz do Guadiana a Beja
3 |
Item de BAESURIS a PACE IULIA |
m.p. CCLXVII |
BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
Sarapia?
SALACIA
EBORA
Anas flumem?
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
|
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. LX
m.p. XXX
m.p. XXXV
m.p. XLIIII
m.p. XL
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXV
m.p. XXX
|
Iter XXII 22
gif |
Foz do Guadiana a Beja
'pelo caminho mais curto' |
Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA |
m.p. LXXVI |
MYRTILIS
PACE IULIA
|
m.p. XL
m.p. XXXVI
|
Iter XXIII 23
gif |
Foz do Guadiana a Mérida4
|
Item ab ostio fluminis ANAE EMERITAM usque |
m.p. CCCXIIII |
PRAESIDIO
AD RUBRAS
ONOBA
ILIPA
TUCCI
ITALICA
MONTE MARIORUM
CURIGA
CONTRIBUTA
PERCEIANA
EMERITA
|
m.p. XXIIII
m.p. XXVIII
m.p. XXVIII
m.p. XX
m.p. XXII
m.p. XVIII
m.p. XLVI
m.p. XLVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XX
m.p. XXIIII
|
Iter XXIIII 24
gif |
Mérida a Saragoça
|
Item ab EMERITA CAESARAUGUSTAM |
m.p. DCXXXII |
AD SORORES
CASTRIS CAECILI
TURMULOS
RUSTICIANA
CAPARA
CAECILIO VICO
AS LIPPOS
SENTICE
SALMATICE
SABARIAM
OCELO DURI
ALBOCELA
AMALLOBRIGA
SEPTIMANCA
NIVARIA
CAUCA
SEGOVIA
MIACUM
TITULCIAM
COMPLUTUM
ARRIACA
CAESADA
SEGONTIA
ARCOBRIGA
AQUAE BILBITANORUM
BILBILI
NERTOBRIGA
SEGONTIA
CAESARAUGUSTA
|
m.p. XXVI
m.p. XX
m.p. XX
m.p. XXII
m.p. XXII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XII
m.p. XXIIII
m.p. XXI
m.p. XXI
m.p. XXII
m.p. XXII
m.p. XIIII
m.p. XII
m.p. XXII
m.p. XXVIIII
m.p. XXVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XXX
m.p. XXII
m.p. XXIIII
m.p. XXIII
m.p. XXVII
m.p. XVI
m.p. XXIIII
m.p. XXI
m.p. XIIII
m.p. XVI
|
NOTAS
1 -
Itinerário XVI - As distâncias indicadas neste itinerário apresentam muitas incongruências, indiciando a existência de vários erros na transcrição do documento original. Desde logo a distância de
Talabriga a
Cale (ou seja, entre os rios Douro e Vouga) nunca poderia ser de apenas 31 milhas como indicado (18 + 13), dado que a distância em linha recta entre estes pontos ultrapassa as 35 milhas. Nesta etapa, o único miliário conhecido ainda com indicação miliária apareceu junto do Castro de Úl e indica 12 milhas, o que deverá corresponder à distância deste local a
Langobriga, assinalando precisamente os limites desta
civitas. A ser assim, então esta estação estaria localizada na Albergaria de Souto Redondo (Santa Maria da Feira), ponto tradicional de paragem da «Estrada Real» Porto - Coimbra, dado que este local está precisamente a 12 milhas de Úl e a 16 milhas de
Cale. Por outro lado, a distância do Castro de Úl ao rio Vouga é de cerca de 14 milhas pelo que a distância total de
Cale a
Talabriga totaliza as 42 milhas, valor típico de uma jornada entre
mansiones romanas. No entanto, nem todas as etapas apresentam valores incorrectos, pois a distância de 35 milhas entre
Bracara e
Cale (Braga - Porto) está correcta e parece comprovada pelos diversos miliários ao longo do seu percurso do centro de Braga até à Ribeira do Douro, assim como a distância entre
Aeminium e
Conimbriga (Coimbra - Condeixa-a-Velha), correspondendo sem dúvida às 10 milhas indicadas.
Avançando mais para sul surgem novas incongruências. Por exemplo, na etapa de
Conimbriga (Condeixa-a-Velha) a
Seilium (Tomar) são indicadas apenas 34 milhas, distância inverosímil por ser inferior à distância em linha recta entre estas duas cidades. Neste caso, dado que a distância real ronda as 42/43 milhas, poderá ter havido troca entre o numeral «XXXXII» e «XXXIIII» tendo o escriba confundindo o último «X» com o numeral «II» (Mantas, 1996: 554). As etapas seguintes não estão isentas de problemas, pois as 32 milhas indicadas de
Seilium a
Scallabis são inferiores à distância pelo percurso escolhido entre Tomar a Santarém que ronda as 40 milhas. A partir de Santarém, o trajecto até Lisboa é bem mais preciso com uma estação intermédia designado por
Ierabriga que corresponde com toda a probabilidade ao Povoado do Monte dos Castelinhos, a 32 milhas de Santarém e a 30 milhas de Lisboa, portanto de acordo com o indicado no I.A. (ver também os estudos de Vasco Mantas e de
Seabra Lopes e este interessante artigo escrito em 1968 por
Carlos Ferreira de Almeida). Mais detalhes na descrição do
Itinerário XVI
2 -
Itinerário XVII: Neste itinerário há divergência entre os vários manuscritos medievais na indicação miliária nas etapas finais antes de chegar a
ASTURICA, nomeadamente na distância entre as estações de
COMPLEUTICA e
VENIATIA e na etapa final de
ARGENTIOLUM a
ASTURICA; apesar da distância total ser coincidente, há 10 milhas que ora são atribuídas ao primeiro caso ora ao segundo. De facto, por exemplo o manuscrito de Paris datado do século X (
Parisinus Regius 7230 A) surge a combinação XV milhas para a primeira e XXIIII milhas para a segunda; no entanto no manuscrito de Viena datado do século VIII (Vindobonensis, 181), portanto bem mais antigo, as distâncias intermédias indicas são XXV para a primeira e XIIII milhas para a segunda (Wessling, 1735: 423). Esta última versão parece ser a correcta pois é a única que permite acertar as distâncias intermédias com a estação de
PETAVONIUM, situada com toda a probabilidade no acampamento romano da
ala II Flavia, a oeste de Rosinos de Vidriales. Sendo assim, valores correctos seriam 25 milhas de
COMPLEUTICA a
VENIATIA e 14 milhas de
ARGENTIOLUM a
ASTURICA, valores que se adequam à realidade arqueológica e geográfica;
vide Itinerário XVII
3 -
Itinerário XXI - A introdução de uma estação intermédia no troço da via entre
Ossonoba e
Salacia do Itinerário XXI decorre da necessidade de acertar as milhas indicadas no itinerário com a distância realmente medida entre Faro e Alcácer do Sal. Ora esta
mansio seria provavelmente
Sarapia que é referida em alguns dos manuscritos medievais do I.A.; a ser assim a
mansio estaria localizada em Alvalade, nó viário onde há bastantes vestígios romanos e que se situa a 35 milhas de Alcácer e a 30 milhas do Castro da Cola, onde localizamos
Arannis, distância típicas entre estações. Mais detalhes na descrição do trajecto do
Itinerário XXI.
4 -
Itinerário XXIII -
O troço inicial continua a levantar muitas dúvidas tanto nas estações como nas distâncias indicadas. O primeiro troço ligava a Foz do Guadiana a Huelva (
Onuba). Seguramente a via não seguia pelo litoral como se tem afirmado, antes rumando inicialmente para nordeste até Villanueva de los Castillejos. A partir daqui seguiria por via terrestre até confluir na via que ligava Beja a Huelva, a antiga povoação portuária de
Onuba. Daqui seguia para nordeste rumo a
Italica (Santiponce) com as distâncias indicadas a confirmarem a localização de
Ilipa ou
Illipla em Niebla e
Tucci num pequeno sítio romano chamado «Tejada la Nueva». Entre
Italica e
Curiga existe claramente um erro nas distâncias intermédias; as 95 milhas indicadas são excessivas face à distância real que ronda as 55 milhas. Por outro lado não é coerente um espaçamento tão grande entre estações num único itinerário, com a
Monte Mariorum a situar-se a 46 de
Italica e ao mesmo tempo a 49 milhas de
Curiga. Desta forma é provável que se trate de um erro introduzido pelos copistas medievais. Hipoteticamente o
Monte Mariorum poderá corresponder à portela na actual divisória entre as províncias de Sevilha e Badajoz. A ser assim, as distâncias correctas seriam:
Italica a
Monte Mariorum - 31 m.p. e desta a
Curiga - 24 m.p.; quando as escrevemos em numeração romana, o erro torna-se plausível, trocando respectivamente XLVI por XXXI num caso, e XLVIIII por XXIIII, noutro. O troço final de
Curiga a
Emerita por sua vez está totalmente ajustado às medições no terreno e ao registo arqueológico, com duas estações de permeio,
Ugultunia Contributa Iulia («Los Cercos», Medina de Las Torres) e
Perceiana (próximo de Villafranca de los Barrios).
Os Lares Viais (lares viales)
Para além dos marcos miliários, as inscrições designadas por
lares viales estão directamente relacionadas com a passagem da via e são assim decisivos para a identificação dos itinerários romanos. Estas inscrições apresentam-se habitualmente como aras votivas dedicadas às divindades protectoras das vias, estradas ou caminhos. Apesar de serem de carácter genérico, quando encontradas
in situ indiciam a passagem da via nesse local ou nas proximidades.
Aras aos Lares Viais encontrados em território nacional |
Onde apareceu |
Onde está |
Comentário |
Paço Episcopal, Braga |
Museu D. Diogo de Sousa, Braga n.º 1992.0570 |
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / MATER/NVS / RUFI (filius) / L(ibens) A(nimo) P(osuit)
Tradução: Aos Lares Viários, Maternus, filho de Rufus, de livre vontade colocou.
Esta ara foi encontrada nos jardins do Paço Episcopal de Braga, juntamente com outra entretanto desaparecida, contendo a seguinte inscrição:
()LARIB(us) VIALI/bus FL(avius) SA/BINUS V(otum) / S(olvit) L(ibens) M(erito) (CIL II 2417)
Tradução: Aos Lares Viários, Flávio Sabino, cumpriu o seu voto de boa vontade. (Colmenero et alii, 2004) |
Largo de S. Francisco, Braga |
Museu D. Diogo de Sousa, Braga n.º 1996.0812 |
Leitura: LARIBVS VIALIBV[S] SACR[VM] [C(aius) IV]LIVS [S]ATV[R(ninus)] A(nimo) L(ibens) V(otum) S(olvit)
Tradução: Consagrado aos Lares Viários, Gaio Júlio Saturnino cumpriu o voto de livre vontade.
Descoberta durante as obras do parque subterrâneo no Largo de S. Francisco, ao cimo da Av. Central, antiga porta da cidade romana por onde passava o Iter XVIII ou Via Nova que deveria seguir a rua de Chãos e rua de S. Vicente. (Armandino Cunha et alii, 2005).
|
Monte das Esquilas Monforte |
Casa-Museu da Fundação Paes Teles Ervedal, Avis |
Leitura: LARIBVS / VIALIBVS / L(ibens) P(osuit) // LARIBVS / TOPILLIVS
Tradução: Aos Lares Viários, de livre vontade colocou.
Inscrição votiva aos Lares Viales e na outra face, aos Lares Topillii, recolhida por Mário Saa. Esta inscrição levou muitos autores a situarem a estação de Matusaro no Monte das Esquilas, dado que este local está a cerca de 24 milhas de Abelterium (Alter do Chão), a distância indicada para esta etapa no Itinerário XIV de Antonino que ligava Lisboa a Mérida (Encarnação, 1995; Mantas, 2010). No entanto, a via romana que passava por aqui parece ser antes uma ligação entre Alter do Chão e Elvas, no fundo interligando dois dos principais itinerários para Mérida, o Iter XIV mais a norte por Abelterium (Alter do Chão) e o Iter XII que seguia mais a sul por Évora, Estremoz e Elvas. A ser assim, faz todo o sentido ter uma estação viária sensivelmente a meio caminho e o Monte das Esquilas era certamente um local ideal para essa paragem como parece indicar o texto gravado nesta ara. |
Conímbriga
|
Museu Monográfico de Conímbriga nº 67381 |
Leitura: LARIBV[S] / [V]IALIB(us) /
Tradução: Aos Lares Viários...
Inscrição votiva aos Lares Viales achada na área urbana de Conímbriga muito perto da saída da via para Aeminium e Collippo, próximo do edifício onde se supõe ter existido uma estalagem e que bem poderia ser a própria mansio da cidade (Mantas, 2010). |
Igreja Paroquial de Castelo do Neiva |
Museu Pio XII em Braga |
Inscrição: VAL / RUF / LA·R·V / P
Leitura: Val(erius) / Ruf(us) / La·r(ibus) v(ialibus) / p(osuit)
Tradução: Valerius Rufus aos Lares Viários, colocou. (AE, 1985, 555)
Esta ara votiva apareceu em 1931 durante as obras de ampliação da igreja paroquial e foi estudada pelo do Pa. Luciano dos Santos que leu LA(ribus) ) RV(ralibus), ou seja uma dedicatória aos deuses rurais (Santos, 1945). No entanto Brochado de Almeida viria a rever esta leitura para Lares Viales (Almeida CAB, 1986, 78-79). Acaso esteja correcta esta interpretação da inscrição, a via romana que lhe estava associada seria certamente o velho caminho proveniente do Porto rumo a Viana, seguindo muito próximo do litoral que cruzava o rio Cávado na Barca do Lago e o rio Neiva na base do Castro de Moldes em Castelo do Neiva, sinal que este trajecto já era usado em época bem anteriores, continuando como um eixo importante nas eras Romana e Medieval.
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Aldeia de Agrochão |
Museu Etnográfico e Rural de Agrochão |
Inscrição: D VIALIBU / M GAIVS A/TIUS · P · R · / V · L · R
Leitura: D(is) Vialibu(s) / M(arcus) Gaius A/tius · p(ro) · r(editu) / v(otum) · l(ibens) · r(etulit) (HEp 17, 2008, 220)
Tradução: Aos Deuses Viários, Marco Gaio Átio pelo regresso seguro de livre vontade redigiu este voto (?)
Inscrição votiva aos Lares Viales que apareceu na aldeia de Agrochão (Vinhais), clara referência à passagem de uma via romana neste local que integraria o Itinerário XVII Braga - Chaves - Astorga. Actualmente a ara encontra-se depositada no Museu Etnográfico e Rural de Agrochão, antiga casa do pároco da aldeia, suportando uma pia baptismal.
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Os Términos Augustais (termini augustalis)
As inscrições denominadas como
Terminus Augustalis delimitavam os territórios dos diversos povos no domínio romano. Teriam sido colocados em resultado da reforma administrativa iniciada por Augusto. Apenas se conhecem 6 dessas peculiares inscrições em território nacional, três delas são do tempo de Augusto, uma está na igreja paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis, encastrada na parede exterior nas traseiras da igreja, outra permanece numa das paredes da Capela da Portela do Guardão (Serra do Caramulo), e duas delimitam o território de
Igaeditana (Idanha-a-Velha), uma proveniente da aldeia de Salvador (Penamacor) e outra de Peroviseu (Fundão). As restantes são do tempo do Imperador Cláudio e apareceram nas proximidades do rio Douro, um encontra-se encastrada na parede exterior da Capela Visigótica de S. Pedro de Balsemão, junto a Lamego, e a outra segue enterrada
in situ no sítio das Lameiras, a cerca de uma milha a norte do importante «Castro de Goujoim» em Armamar, ambos do tempo do Imperador Cláudio. Apesar de a sua existência não estar directamente relacionada com a rede viária, ao serem marcas da antiga divisão do
territorium em
civitates, elas são determinantes para a identificação dos povoados centrais desses territórios e consequentemente também da rede viária.
Términos Augustais conhecidos |
Localização
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Inscrição
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Leitura e Comentário
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Guardão, Tondela (Capela de São Barto-lomeu)
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IMP CAESAR DIV / XIII TRIB POTEST / AVGVST INTER / IESES Q ARTICLEI / CAVSA COGNIT
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Imp(erator) Caesar Div[i f(ilius) Augustus co(n)s(ule)] / XIII trib(unicia) potest[ate --- terminos] / August(ales) inter [---]/ie(n)ses Q(uinto) Artic(u)le[io Regulo leg(ato) ---] / causa cognit[a ---]
Este terminus delimitava muito provavelmente o territorium de Vissaium (Viseu) com duas das civitates adjacentes: Talabriga a poente e a civitas de Bobadela a sul.
A inscrição tem difícil leitura e não é claro quais os povos que delimitava, mas segundo João Inês Vaz, as letras INTER...IESES poderão ser lidas como Interannienses, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) e cuja capital segundo autor estaria em Viseu.
Assim a leitura seria:
«Pelo Imperador César Augusto, filho do divino, detentor do poder tribunício pela décima terceira. Términos Augustales Interannienses Quinto Articuleio, por causa conhecida».
|
Igreja Paroquial de Úl em Oliveira de Azeméis (encas-trado na parede das traseiras)
|
[ ]ARE AVGVSTO TRIBVNI / [ ] XXVII COS XIII PATER / [ ]RMINVS AVGVSTALIS /
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[Imp(eratore)] / [Caes]are Augusto tribuni(cia) / [pot(estate)] XXVII co(n)s(ule) XIII pater(!) / [te]rminus Augustalis
Não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é bem provável que marcasse a fronteira entre as civitates de TALABRIGA e LANGOBRIGA, sede dos TURDULI VETERES, povo que habitava o que hoje é grosso modo os concelhos de Vila Nova de Gaia e Santa Maria da Feira.
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Capela de S. Pedro de Balsemão, Lamego
(encas-trado na parede da frontaria)
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CLAVDIO CAESARE A[..] / GERM. PONT. MAX. TRIB[VN.] / POTEST. II IMp. II CO[S.] / III TERM. AVG.
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Cláudio Caesare A(ugusto) / Germ(anico) pont(ifici) max(imus) trib[un](icia) potest(ate) II Imp(erator) II co(n)[s](ul) III Term(inus) Aug(ustalis)
Infelizmente não refere os povos cujos territórios demarcava, mas é possível que se trate da divisão entre os COILARNI e os PAESURI ainda que com reservas (CIL II 6199; Vaz, 1982b).
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Castro de Goujoim Lameiras, Goujoim, Armamar
(próximo do castro)
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INTE[ ] / COILA[ ] / [ ] / [ ]RI AVG GE[ ] / [ ]ONT MAX TR[ ] / [ ]V POTESTATE V / I P P COS III TER / MI AVG / ITER / RABA[ ]
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[Ti(berio) Claudio Cae/sa]ri Aug(usto) Ge[r(manico) / p]ont(ifici) max(imo) ttr[i/b]u(nicia) potestate II imp(eratore)/ II p(atri) p(atriae) co(n)s(uli) III ter/mi(nus) Aug(ustalis) // Inte[r] / Coila[r(nos?)] // [I]nter / Arabr(igenses)
Variante (Vaz, 1979) : Inte[r] / Coila[r(nos?)] // [--- Cláudio Cae]/[sa]ri Aug(usto) Ge[r(manico)] / [p]ont(ifici) max(imo) tr[i]/[b]u(nicia) potestate V/I p(atri) p(atriae) co(n)s(uli) III ter/mi(nus) Aug(ustalis) // I(n)ter / Raba[---]
Inscrição do tempo de Cláudio que marcaria a divisão territorial entre os COILARNI, talvez com capital em Lamego, e eventualmente os ARABRIGENSES que ocupariam a região de Moimenta da Beira ou Paredes da Beira. A inscrição encontra-se in situ no lugar das Lameiras/Quinta das Lameiras a 1 milha para NE de Goujoim e a 1 milha para norte do Castro de Goujoim. (Vaz, 1979).
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Peroviseu, Fundão
(apareceu em 1971 a servir de peitoril de uma janela da casa paroquial de Peroviseu e hoje está no Museu Municipal do Fundão)
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IMP CAESAR AVG PONTIFEX / MAX TRIB POTEST XXIIIX COS XIII / PATER PATRIAE TERMINVS AVGVSTALIS / INTER LANCIENSES ET IGAEDITANOS.
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Imp(erator) Caesar Aug(ustus) pontifex / max(imus) trib(unicia) potest(ate) XXIIX co(n)s(ul) XIII / pater patriae terminus Augustalis / inter Lancienses et Igaeditanos
A inscrição foi encontrada em 1971 por José Alves Monteiro a servir de peitoril de janela de uma casa da aldeia de Peroviseu e hoje está em exposição no Museu Arqueológico José Monteiro no Fundão.
Este término assinalava a divisão territorial entre os LANCIENSES e os IGAEDITANI, com sede em Idanha-a-Velha; à margem do campo epigráfico original foi acrescentada a frase «ESTE LETIREIRO ESTAVA FEITO NO ANO», o que levou Inês Vaz a sugerir a hipótese de se tratar de uma cópia efectuada no século XVIII do monumento original (Vaz, 1997); no entanto Amílcar Guerra sustenta uma cronologia antiga para o monumento apesar de os caracteres originais terem sido avivados e mesmo alterados em alguns casos pelo lapicida do século XVIII (Guerra, 2007a:178-181). O texto é quase idêntico ao término que foi encontrado na aldeia de Salvador descrito abaixo. Em Idanha-a-Velha apareceram várias inscrições funerárias de emigrantes Lancienses (HAE, 1083) e Lancienses Oppidani (HAE, 1081; HAE, 1088; AE, 1990, 508).
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Salvador, Pena-macor
(perdida; a foto é do término de Peroviseu)
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IMP CAES AVG PONT / MAX TRIB POT XXVIII / COS XIII PAT PATR / TERM AVG INTER / LANC OPP ET / IGAEDIT.
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Imp(erator) Caes(ar) Aug(ustus) pont(ifex) / max(imus) trib(unicia) pot(estate) XXVIII / co(n)s(ul) XIII pat(er) patr(iae) / term(inus) Aug(ustalis) inter / Lanc(ienses) Opp(idanos) et / Igaedit(anos)
A inscrição apareceu na aldeia de Salvador e foi registada no CIL II com o nº 460, mas entretanto foi perdida; o texto é quase idêntico ao do término encontrado em Peroviseu (ver acima), especificando no entanto que se trata dos LANCIENSES OPPIDANI ao adicionar a abreviatura «OPP».
Lancienses Oppidani, Transcudani et Ocelenses
A omissão da abreviatura «OPP» no término de Peroviseu, levou alguns autores a sugerirem que este marco indicaria a fronteira com outra tribo Lanciense por oposição aos Oppidani do término de Salvador; de facto, não há dúvidas quanto à existência de duas tribos Lancienses, conforme se pode ler na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, ao incluir os Lancienses Oppidani e os Transcudani na lista de povos que contribuíram para a sua construção. Poderia mesmo existir um terceiro grupo designado por Ocelenses conforme indica Plínio (NH, IV, 118), embora seja mais plausível considerar que Ocelenses e Oppidani seriam diferentes designações do mesmo populus (Guerra, 2007a). As actuais propostas colocam o território dos Lancienses Oppidani nos concelhos de Covilhã, Penamacor e Sabugueiro. Por sua vez os Lancienses Transcudani ocupariam a região do planalto da Guarda com capital no sítio de Póvoa do Mileu, mas a questão continua em aberto (Osório, 2006: 82-84; Carvalho, 2006; Guerra, 2007a:178-181).
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Oriola, Portel
(perdida)
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D · D · N · N ·
AETERN · IMPP
C · AVRE · VALER
IO · IOVIO DIOCLE
TIANO ET
M · AVR · VALERI
O ERCVLEO
MAXIMIANO
PIIS FEL SEMPER AVGG
TERMIN... INTER
PACENS · ET EBORENS
CVRANTE P · DATIANO
V · P · PRAESIDE HH
N · M · Q · EORVM
DEVOTISSIMO
HEINC PACENSES
HEINC EBORENSES
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A epígrafe foi inicialmente transcrita no séc. XVI por André de Resende que a terá visto «in colle sinistrorsum, iuxta semidirutum oppidum Aureolam», ou seja «numa colina à esquerda, junto do arruinado ópido de Aureola» (Resende, 1593: 158) que deverá corresponder ao vicus (?) identificado nas proximidades da Igreja de Ns. da Assunção de Bonalbergue/Benalverge, 1 milha a sul de Oriola (Feio, 2010); Hübner viria a inclui-la no CIL II com o n.º 17 apesar de a considerar forjada (e por isso esquecida), no entanto, alguns autores têm defendido a sua autenticidade (IRCP278; Canto, 1997).
Trata-se de um marco fronteiriço, delimitando os territórios Eborense e Pacense colocada pelo governador provincial e dedicada aos imperadores Diocleciano e Maximiano pelo que andará em torno do ano 300 d.C. A linha divisória entre as duas civitates tocava em dois vici, Foxem e Auriola (?), respectivamente N. Sra. de Aires e Oriola.
Interpretação: Dd(ominis) nn(ostris) aetern(is) · Imp(eratoris) C(aio) Aure(lio) Valer(io) Iovi Diocletiano et M(arco) Aur(elio) Valerio [H]erculeo Maximiano Piis(simos) Fel(icissimos) semper Aug(ustis). Termin(us) inter Pacens(es) et Eborens(es) curante P(ublio)? Datiano v(ir) p(erfectissimus) praeside HH(ispanis) N(umini) M(aiestati)Q(ue) eor(um). Heinc Pacenses. (e na outra face) Heinc Eborenses.
Leitura: Aos nossos senhores eternos imperadores Gaio Aurélio Valério Jóvio Diocleciano e Marco Aurélio Valério Hercúleo Maximiano, piíssimos e felicíssimos sempre Augustos. Término entre Pacenses e Eborenses por ordem de Públio (?) Daciano, magistrado perfeitíssimo, governador das Hispânias e devotíssimo dos seus númenes e majestades. Aqui os Pacenses / Aqui os Eborenses.
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Outros Marcos Territoriais
Para além dos
Terminus Augustalis, existem uma série de inscrições que são interpretadas como marcos territoriais,
demarcando as fronteiras entre povos.
Outros Marcos Territoriais |
Local
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Inscrição
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Comentário
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Outeiro de Jusão, Samaiões, Chaves
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COROQ // PRAEN
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Marcos divisórios entre a comunidade dos COROQ e dos PRAEN. Ao longo do ribeiro de Outeiro Jusão apareceram 4 destes marcos com a palavra «Praen» numa face e «Coroq» na outra pelo que deveriam assinalar a divisão territorial entre essas comunidades que habitariam Castro de Lagarelhos ou «Castelo de S. Tiago»; o primeiro marco (na foto superior) servia de poldra no ribeiro e foi identificado por Argote no século XVIII, estando hoje no Museu da Região Flaviense com o código ARC614; o segundo exemplar (na foto inferior) foi descoberto em 1912 por José Leite de Vasconcellos embutido num muro em Campo da Roda, mas seria proveniente do campo da Trancada e está hoje no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa; os restantes dois marcos estão também no Museu da Região Flaviense em Chaves.
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Lugar do Regueiral, Sanfins, Valpaços
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TERMIN TREB OBILI
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Inscrição rupestre de divisão territorial; Rodríguez Colmenero leu Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) / Obili(um) e interpretou-a como a divisão entre os povos Trebili e Obili (Colmenero, 1997, nº 618); outra leitura possível seria Terminus Trebae Obiliorum ou seja, «Término do território dos Obili» (ver aqui uma discussão da inscrição).
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Cavalo dos Mouros, Noval, Soutelo, Chaves
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TERM / C · L
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Inscrição rupestre perto da aldeia de Noval num sítio conhecido por Cavalo dos Mouros e interpretada por Rodríguez Colmenero como um terminus entre dois povos com a seguinte leitura: Term(inus) (inter) C(---) (et) L(---) (Colmenero, 1987, 637, n.º 469); Alarcão sugere que se trata de um marco de divisão territorial entre dois castella, talvez entre o Castro de Muro/Cunhas (freguesia de Seara Velha) a NO e o Castro de Muro/Crasto (freguesia de Redondelo) a SO (Alarcão, 2004b: 206-207).
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Lugar da Pipa, Soutelo, Chaves
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Viali ROICA
[H/IY]CIRI[O]YE
pr(a)et.[o]rio
[ ] PAGANICA
HOR DIE[ ]
PRECARIO
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Inscrição rupestre num sítio conhecido por Lugar da Pipa, junto da via romana proveniente de Chaves por Seara Velha e Soutelo, uma das possíveis rotas da Iter XVII. Rodríguez Colmenero sugere numa primeira interpretação do texto como terminus com a leitura [Via] / paganica / hor(is) die[i] / precario / [itur], (Colmenero, 1997, n.º 313) e numa segunda versão como uma inscrição viária dedicada a um curator viarum pelo pretório Roicae Cirioye (Colmenero, 1997: 340-341, n.º 451). Por sua vez Jorge de Alarcão sugere tratar-se de uma dedicatória «aos Lares Viais pelos vicani Circoiebre(nses) ou Circoieb(enses) que poderia habitar o vicus do Outeiro da Torre em Calvão (Alarcão, 2004b). Ambas as leituras são muito duvidosas e não é possível ainda tirar conclusões, mas sem dúvida que se trata de uma inscrição de carácter viário, junto da via romana (seja ela a principal ou uma sua variante) que seguia para Aquae Flaviae.
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Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira
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Nimidi / Fiduenearum / hic (finis)
Cosu Ne(medeco) ae(dem) / F(- - -) s(acravit)
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Inscrição rupestre conhecida por «Penedo das Ninfas» é uma situada num local conhecido por Bouça de Fervenças/Chãs do Reitor, extra-muros à Citânia de Sanfins, provavelmente relacionado com um local de culto deste povoado dado apresentar a inscrição COSVNE AE / [...] S na face nascente, certamente a divindade indígena Cosus Neneoecus que também aparece nas aras de Burgães e de Ervosa, e na face poente a inscrição NIMIDI FIDVENEARVM HIC, hipoteticamente «aqui Nimidi, citânia do povo Fidueneae» (Silva A.C.F., 1980; Búa, 1999); o espólio deste povoado, incluindo as duas aras anepígrafas, está hoje no Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins que reúne outros achados da região como a ara a Júpiter achada na vizinha casa paroquial e a ara dedicada a Turiaco achada na Igreja de Lamoso.
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Pindelo, Cinfães
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Clemens [- - -] / concilium [- - -] / C R D S [- - -] / foros · Paesur · SEA / contumaces [- - -] / hic · Sear · I
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Inscrição rupestre num rochedo do sítio conhecido por Volta, lugar de Pindelo (Nespereira, Cinfães); a interpretação do texto suscita ainda muitas dúvidas, mas as possíveis referências aos povos PAESURI e SEARAS neste local levanta a hipótese de que aqui seria a divisão territorial entre estes dois povos, ficando os Paesuri a norte, com possível sede em Cárquere ou no Castro de Sampaio e os Searas a sul, confrontando com o territorium dos Interannienses com capital em Viseu (Vissaium); notar que o povo Searas aparece em duas outras inscrições rupestres, a inscrição do Cabeço Letreiro em Tondela e a inscrição de Carvalhal de Vermilhas em Vouzela (descrição abaixo) e os Paesuri são mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara; ver estudo epigráfico de José d'Encarnação e Luís Pinho em Ficheiro Epigráfico 299.
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Britelo, Penela da Beira
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Visancoru(m) / Camali / Concili(um?) |
Inscrição rupestre no sítio do Marcadouro/Mercadoura junto da aldeia de Britelo (Penela da Beira, Penedono) que marcaria uma decisão de um «concilium» (assembleia) eventualmente sobre a divisão de propriedades. Notar que a palavra «concilium» aparece também na inscrição de Pindelo em Cinfães. Junto da inscrição passava a via romana que ligava Paredes da Beira a Marialva, relacionada com a exploração mineira em St. António (Granja) e de Ourozinho (Antas, Penedono).
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Conde, Freixo de Numão
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ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]
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Inscrição rupestre num penedo no sítio do Conde junto da travessia da ribeira da Teja na Ponte Romana?-Medieval da Zaralhôa que deveria assinalar o ponto de travessia da ribeira na estrada entre Freixo de Numão e Numão; ver estudo epigráfico em «Epigrafia rupestre de Numão». (Coixão e Encarnação, 2001).
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Areal, Freixo de Numão
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ASANIANC VIA FECERVNT
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Inscrição rupestre num penedo no sítio de Areal localizado junto do antigo caminho de acesso ao castelo e da confluência das ribeiras de Tourões e Duas Casas com a seguinte leitura: As(s)aniancences Via(m) Fecerunt, ou seja «Os Assanienses construíram a estrada» está certamente associada ao troço de calçada que passa junto do penedo. Ver estudo epigráfico em «Epigrafia rupestre de Numão». (Coixão e Encarnação, 2001).
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Cabeço Letreiro, Serra de Silvares, Tondela
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1. IRVCOVTIORI / AQVAE DIVERTIO [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / ARVONI
2. H F / SEAR / AQ D // EA
3. TRI
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Inscrição rupestre distribuída por vários rochedos que segundo J. Inês Vaz seria um triffinium, assinalando os limites territoriais de três povos: os
IRUCOUTIORI a ocidente, os ARVONI a sul e os SEAREAS a nordeste; a expressão Aquae Divertio sugere um acordo entre estes povos sobre a divisão de águas no local das nascentes (Vaz, 1995).
1. Irucoutiori / aquae divertio [- - -] // [- - -]HA[- - -] // [- - -]A[- - -] / Arvoni;
2. H(ic) f(inis) / Sear(eas) / aq(uae) d(ivertio) // EA;
3. Tri(finium);
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Carvalhal de Vermilhas, Vouzela
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1. PAISICAICO POS / HAC INS
2. HIC.LOC/ VS.DERE/ VAECAS/ VOCATVR
3. SEAREAS HIC
4. C/ MO/ SE
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Inscrições gravadas em vários rochedos graníticos ao longo de uma possível via romana que segue o caminho carreteiro interligando as aldeias de Fornelo do Monte a Carvalhal de Vermilhas, relacionada com a actividade mineira. (Girão, 1921; Vaz 1995: 290-292)
1. Inscrição no sítio da Torre em Corgas Roçadas.
Leitura de Inês Vaz: Paisicaico pos(uit) / hac fi]nis
Leitura HIEP: Cl(audius) [- - -] / cupavit / Paisicaico f(inis) / h[ac fi]nis / - - -
Leitura de Colmenero: (filius) [agrum? oc]/cupavit · / Paisicaico pos(uit) / hac ins(trumentum, -criptionem)
Leitura de José d’Encarnação: PAISICAICOI / HAC FINIS
2. Inscrição no Cabeço da Estrada, provável marco de delimitação de uma concessão mineira designada por DEREVAECAS. (Vaz, 1995)
3. Inscrição a 150 m para NO do sítio da Estrada. Terminus do povo SEAREAS
4. Inscrição da Regadinha/Abelheira entre Alcofra e Carvalhal de Vermilhas. Terminus?
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Alhais, Vila Nova de Paiva
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I'INIS
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Leitura: FINIS. Inscrição rupestre gravada num penedo isolado no cimo de um cabeço, conhecido por Cavalinho, a norte da povoação de Alhais de Cima, concelho de Vila Nova de Paiva (Vieira, 2004:135). O termo «FINIS» sugere que se trata de um marco de divisão territorial, mas desconhecemos a quais civitates se referia. |
Igreja de Argomil, Pomares, Pinhel
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IMP / CEASAR / DIVI F / AVGVSTV / COS XI / IMP VIII
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Estela recolhida no interior da Igreja de Argomil, datada entre 23 2 20 a.C. foi interpretado como marco territorial militar por Jorge de Alarcão, lendo «Ao imperador César Augusto, filho do Divino, Cônsul pela décima primeira vez e Imperador pela oitava vez». Não se conhecem outros vestígios romanos junto da igreja pelo que a estela poderá ter sido transferida de outro sítio romano ainda desconhecido; no entanto, a presença militar na região do Côa é inquestionável, com vários indícios de acampamentos militares romanos (Castelo dos Mouros, Castelo Mendo e Castelo dos Prados), assim como algumas epígrafes de cariz militar (Argomil, Manigoto e Alfaiates) e a presença de veteranos em Numão e Longroiva. (Alarcão, 2006; Perestrelo, 2006).
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Alfaiates, Sabugal
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CX[...] / IM[P] / CAESA[R] / DIVI F / AVGVSTVS / C[O]S XII[I] / IMP / X[VI vel VII]
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Inscrição dedicada a Augusto com um texto similar ao da Estela de Argomil descrita acima foi também interpretada por Jorge de Alarcão como um marco militar territorial, lendo «Ao imperador César Augusto, filho do Divino, Cônsul pela décima terceira vez e Imperador pela décima sexta vez»; os vestígios romanos em torno de Alfaiates permitem equacionar a hipótese de ter existido aqui um acampamento militar romano; actualmente pertence ao acervo do MNA (Alarcão, 2006:134; Osório, 2006:147; 2014). No entanto, outros autores como Vasco Mantas interpretam esta inscrição como um miliário da fase inicial da romanização, entre 23 e 20 a.C. (Curado, 2013; Mantas, 2014b, 2019), tal como o miliário encontrado no Castro de Irueña do mesmo período assinalando CXX milhas a Mérida (Salinas & Palao, 2012: 273-274). Este miliário parece assinalar o cruzamento de dois importantes itinerários romanos, a via W-E que vinha por Sabugal rumo ao Castro de Irueña e a via S-N com origem em Mérida que vinha por Coria e Perales del Puerto, passando depois junto do castro de Sabugal Velho e Alfaiates rumo talvez à Civitas Cobelcorum em Almofala.
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Igreja de Lamas de Orelhão, Mirandela
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HEINC LETERAM |
Leitura: «Aqui Letera». Inscrição descoberta na capela-mor da igreja de Lamas de Orelhão assinalando muito possivelmente o povoado fortificado situado no outeiro do actual cemitério; a ser assim este local poderia designar-se em época romana por «Castellum Leteram». Poderá estar relacionado com o pagus de Laetera mencionado no Paroquial Suévico na parte oriental da diocese de Braga.
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Andori-nheiras, Vilar de Perdizes
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RIPAU Ɔ / PUAC T / R PUAC
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Leitura da parte lateral: «Ripau Ɔ / Puac(um)»
Leitura da parte superior: «T(erminus) / R(ipaum) (et) Puac(um)». Inscrição rupestre num rochedo granítico no lugar das Andorinheiras em Vilar de Perdizes (Montalegre) assinalando provavelmente a divisão territorial entre as etnias dos Ripaus e os Puacos (Colmenero, 1987, nº 470).
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A Inscrição da Ponte de Alcântara
MUNICIPIA
PROVINCIAE
LVSITANIAE. STIPE
CONLATA. QVAE. OPVS
PONTIS PERFECERVNT
IGAEDITANI
LANCIENSES OPPIDANI
TALORES
INTERAMNIENSES
COLARNI
LANCIENSES TRANSCVDANI
ARANI
MEIDVBRIGENSES
ARABRIGENSES
BANIENSES
PASEURES
(
CIL II 760)
Trata-se de uma inscrição que estava na Ponte Romana de Alcântara indicando os diversos povos que contribuíram para a sua construção (
CIL II 760). A placa original ainda subsiste integrada no arco central, mas é ilegível (Mantas, 2019:167-168). A placa actual que foi colocada no arco central da ponte é uma cópia efectuada no século XIX, aquando da restauração da ponte promovida pela Rainha Isabel II de Borbón em 1859, a partir de transcrições do texto original efectuadas nos séculos XV e XVI. Nessa época a epígrafe já estaria muito desgastada, justificando assim os erros de transcrição observados, nomeadamente trocando os
Aravi por
Arani e
Tapores por
Talores. Também é possível que se deva ler
Coilarni em vez de
Colarni dado que este povo foi identificado junto o rio Douro, troca que poderá ter origem na referência a
Colarnum em Ptolomeu (Geo. II, 5) e aos
Colarni por Plínio (NH, IV, 118) que estaria junto ao Guadiana. Com a excepção dos
Igaeditani e dos
Aravi, indubitavelmente localizados respectivamente em Idanha-a-Velha e Marialva, a localização dos restantes povos mencionados na inscrição continua a gerar muita discussão sem que haja até ao momento uma conclusão definitiva.
As Colunas da Ponte de Trajano em Chaves
Sobre a Ponte Romana de Trajano em Chaves existem duas colunas com inscrições romanas por vezes confundidas com miliários; trata-se na verdade de inscrições honoríficas relacionadas com a construção da ponte feitas no século XIX a partir dos originais romanos; enquanto na chamada «Coluna de Trajano», podemos ver que a construção da ponte terminou no ano 79 d.C., na outra, designada por «Padrão dos Povos», podemos ler o nome das 10
civitates que constituíam o
municipium de
Aquae Flaviae e que contribuíram para a sua construção. (Fonte, 2006).
A «Coluna de Trajano» é uma inscrição honorífica ao Imperador Trajano feita pelos Aquiflavienses para assinalar a construção ponte romana no ano 79 d.C.
IMP(eratori) CAES(ari) NERVA
TRAIANO AVG(usto) GERM(anico)
DACICO PONT(ifici) MAX(imo)
TRIB(unicia) POT(estate) CO(n)S(ule)
V P(atri) P(ATRIAE)
AQVIFLAVIENSES
PONTE LAPIDEVM
DE SUO F(aciendum) C(uraverunt)
(CIL II 2478).
O «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10
civitates que compunham o
municipium de
Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano; o nome de «Padrão dos Povos» advém da inscrição enumerar o nome desses
populi por ordem alfabética, sendo por isso um documento de enorme importância para o conhecimento dos diversos povos que habitavam a região. O original que andou algum tempo perdido, foi felizmente recuperado do leito do rio Tâmega em 1980 e hoje está em exposição no átrio do
Museu da Região Flaviense em Chaves. Alguns autores relacionam este monumento de 79 d.C. com a atribuição por
Vespasiano do
ius Latii a toda a Hispânia a partir de 73-74 d.C., o que permitiu passar de uma administração do território baseado em
oppida indígenas, ou seja nos povoados castrejos pré-romanos que são chamados pelos romanos de
Castella, para uma organização baseada em
Civitates sob a tutela de uma capital regional como é o caso de Chaves que adquire a categoria de
municipium Latinum, passando a dispor de grande autonomia política para gerir o seu
territorium. (Fonte, 2006).
IMP(eratori) CAES(ari) VESP(asiano) AVG(usto)
PONT(ifici)
MAX(imo) TRIB(unicia) POT(estate)
X IMP(eratori) XX P(atri) P(atriae) CO(n)S(uli) IX
IMP(eratori) VESP(asiano) CAES(ari) AVG(usti)
F(ilio) PONT(ifici) TRIB(unicia)
POT(estate) VIII IMP(eratori) XIIII CO(n)S(uli) VI[I]
(...)/ C(aio) CALPETANO RANTIO QUIRINALI
VAL(erio) FESTO LEG(ato) AVG(usti) PR(o) PR(aetore)
D(ecimo) CORNELIO MAECIANO LEG(ato) AVG (usti)
L(ucio) ARRVNTIO MAX(imo) PROC(uratori) AVG(usti)
LEG(io) VII GEM(ina) FEL(ix)
CIVITATES X
AQVIFLAVIENSES AVOBRIGENS (es)
BIBALI COELERNI EQVAESI
INTERAMICI LIMICI NAEBISOCI
QUERQVERNI TAMAGANI
(CIL II 2477)
"As dez cividades dos Aquiflavienses, Aobrigenses, Bibali, Coelerni,
Equaesi, Interamici, Limici, Aebisoci, Quarquerni e Tamagani (mandaram
fazer este monumento) ao Imperador Caesar Vespasianus Augustus, Pontífice
Máximo, com o poder tribunício pela décima vez, aclamado imperador
pela vigésima vez, Pai da Pátria e Cônsul pela nona vez, ao Imperador
(Titus) Vespasianus Caesar, filho de Augustus, Pontífice, com o pela oitava vez, aclamado imperador pela décima vez e Cônsul
pela sétima vez (e ao Caesar Domitianus, filho de Augustus, Cônsul pela
sexta vez...?), a Gaius Calpetanus Rantius Quirinalis Valerius Festus
legado propretor de Augustus, Decimus Cornelius Maecianus legado de
Augustus e Lucius Arruntius Maximus procurador de Augustus, e à
Legio VII Gemina Felix" (Tradução de Armando Ferreira da Silva in
«Novos dados sobre a organização social castreja»)
Cidades e Povoações Romanas (oppida et vici)
Lista alfabética de povoações romanas em território nacional com uma tentativa de localização e de definição dos seus limites territoriais. A localização é baseada tanto em testemunhos epigráficos, como por exemplo na famosa
inscrição da Ponte de Alcântara, no chamado
«Padrão dos Povos» da Ponte de Trajano em Chaves e muitas outras inscrições que contêm referências explícitas aos nomes das
civitates como por exemplo os significativos casos das aras que revelaram a existência da
civitas Cobelcorum e da
civitas Aravorum com sede em Almofala e Marialva respectivamente, mas também do cruzamento da evidência arqueológica com referências conhecidas nas fontes clássicas, em particular na
História Natural de Plínio-o-Velho, na
Geografia de Ptolomeu,
no
Anónimo de Ravena, ou Ravennatis e claro no
Itinerário de Antonino. No entanto a sua cartografia continua a suscitar muitas interrogações e existe grandes discrepâncias nas propostas apresentadas. (Tranoy, 1981; Silva, 1986; Alarcão, 1988, 1988a, 1992, 1995, 1998a, 1999; Lemos, 1995a; Guerra, 1995; Vaz, 1997; Colmenero
et al., 2004, Fonte, 2006; Carvalho, 2008).
- ABELTERIO, vicus e mansio do Itinerário XIV que corresponde a Alter do Chão comprovado pelo grafito gravado num imbrex descoberto em 2009, onde se lê «VIIRNA / CVLVS / FECIT / IMBRICIIS / AB[II]LTIRIO / AD CASTOREM» (Encarnação, 2010). Abelterion no Ravennatis (Rav. IV.44).
- AD AQUAS, mansio do Itinerário XVII localizada em Chaves posteriormente elevada a municipium na época Flaviana, passando a chamar-se Aqua Flaviae.
- AD ATRUM FLUMEM, mansio literalmente «junto do rio Atrus» mencionada no Itinerário XII; as 9 milhas indicadas seriam contadas a partir de Mérida perfazendo um total de 38 milhas, situando a mansio junto da actual fronteira luso-espanhola pelo que o rio Atrus deverá corresponder ao Rio Xévora/Gévora. Alguns autores colocam esta estação junto da sua travessia em Badajoz ou junto da actual povoação de Gévora, 6 km mais a norte, dado a aqui apareceu um miliário de Carino (Gorges e Martín, 1999, 2000; Almeida et alii, 2011). No entanto esta proposta não é consensual; por um lado Vasco Mantas sugere que esta estação corresponderia à villa da Herdade da Morgada, inserindo-a portanto na possível variante sul da via que vai de Évora a Elvas por Vila Viçosa (Mantas, 2014a: 154-155); por sua vez José Cardim Ribeiro coloca a hipótese do rio Atrum corresponder ao rio Lucefécit junto a Terena, baseando-se ambos na distância nas 9 milhas indicadas e em deduções linguísticas (Ribeiro, 2005: 744-746). Perante a diversidade de propostas existentes, a associação do rio Atrum ao rio Xévora carece de provas irrefutáveis, mas é a que melhor se ajusta aos itinerários.
- AD SEPTEM ARAS, mansio comum aos Itinerário XIV e Itinerário XV entre Lisboa e Mérida, situada nas proximidades da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados em Campo Maior.
- AD SORORES, mansio da via romana entre Emerita e Salmantica localizada em Dehesa de
Santiago de Bencáliz (Casas de Don António, Badajoz) (Hervás, 1975: 268).
- AEMINIUM, oppidum sede de civitas e mansio do Itinerário XVI, localizada em Coimbra com base numa Inscrição honorífica dedicada pelos habitantes da civitas Aeminiensis ao imperador Constâncio Cloro que apareceu em 1888 na Couraça dos Apóstolos (CIL II 5239); Plínio menciona o «oppidum et flumen Aeminium» (NH, IV, 118).
- ALIOBRIGA, possível designação em época romana do Castro de Cidadelhe (Mesão Frio), atendendo a que este local corresponde à paróquia sueva (séc. VI) e ceca visigótica (séc. VII) de Aliobrio; também um documento medieval do ano 922 menciona o «portu de aliovirio» (PMH DC 25) que deverá corresponder ao lugar da Caldas de Modelo na margem direita do Douro. (Silva, 1986; Fernandes, 1997:74-75; Lima, 2008: 87-88)
- AMMAIA, cidade romana monumental localizada em São Salvador da Aramenha, junto da Serra de São Mamede (Marvão, Portalegre). O estatuto municipal da cidade é atestado por uma ara colocada pelos habitantes do municipium Ammaiensis e dedicada ao Imperador Lúcio Vero, e pela inscrição do duúnviro Publio Cornelio dedicada a Cláudio, actualmente ambas em exposição no museu adjacente às ruínas. Uma segunda inscrição a Cláudio colocada pela civitas Ammaiensis foi levada para Lisboa e hoje está no MNA. Poderá corresponder a Ammaea de Ptolomeu (II, 5, 8); Plínio menciona os Ammaeensibus iugis (XXXVII, 24). No Monte do Seiçal apareceu um fragmento de um berrão que hoje está no Museu do Marvão (Álvarez-Sanchís, 1999: 356, 163). Por aqui passava uma via romana rumo a Mérida (ver itinerário).
- ANEGIA/ DANEGIA, provável civitas cujo território ocupava a parte sul do actual concelho de Penafiel, integrando os castros do Monte Mozinho e Abujefa a norte e a Cividade de Eja a sul, junto do rio Douro que seria o seu limite sul; na Idade Média este território era designado por civitas Anegia, mas o aparecimento de uma ara votiva na antiga igreja paroquial de Lagares (Penafiel), dedicada às divindades protectoras do território, Laribus [D?]anaecis, indicia a sua existência já em período romano (Lima, 1999).
- AQUABONA, mansio do Itinerário XII de Antonino situada nas proximidades da Capela da Ns. dos Remédios em Coina, a 12 milhas de Lisboa; Abona no Ravennatis (Rav. IV.43).
- AQUAE FLAVIAE, urbs, hoje Chaves; sede da civitas Aquiflaviensis posteriormente elevada a municipium durante a época dos Flávios. Aqua Flavia em Ptolomeu (II, 6); a primeira referência ao município dos Aquiflavienses surge numa inscrição encontrada em Chaves que menciona também o município de Concordia;
na Capela Românica da Granjinha em Cando a servir de suporte de um altar apareceu uma ara votiva a Tutela colocada pelo municipii Aquiflaviensium; epígrafes de emigrantes Aquiflavienses em Tarragona, Herramélluri (Rioga) e Córdoba.
- AQUIS CELENIS, mansio do Itinerário XIX, localizada provavelmente em Caldas dos Reis (Pontevedra, Galiza). No entanto no Itinerário XX per loca maritima, este topónimo surge associado a um porto marítimo que estaria localizado na foz do rio Minho, possivelmente onde hoje se encontra o Forte da Ínsua, junto a Caminha pelo que o povoado poderia corresponder ao Castro de Santa Tecla. Poderiam existir dois povoados diferentes com nomes similares dado que no Ravennatis surge tanto Aqui Celenis (Rav. IV.45) como Quecelenis (Rav. IV.43). A dúvida permanece.
- AQUIS QUERQUENNIS, sede dos Querquerni referidos por Plínio (NH, III, 28) e mansio do Itinerário XVIII localizada em
Baños de Bande, Galiza. Aquis Cercenis no Ravennatis (Rav. IV, 45).
- AQUIS ORIGINIS, mansio do Itinerário XVIII localizada no lugar de «Os Cobelos» perto de Baños del Río Caldo, Galiza. Aquis Oreginis em outros códices do I.A.; Aquis Ocerensis no Ravennatis (Rav. IV.45).
- ARABRIGA, povoado localizado por Ptolomeu algures a norte de Olisipo (II, 5); poderá ser uma diferente grafia para Ierabriga, localizada no Povoado do Monte dos Castelinhos perto de Alenquer.
- ARADUCTA, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 5) na Lusitânia ainda sem localização segura; Vasco Mantas sugeriu a sua localização em Alfeizerão (Mantas, 1986). As suas coordenadas porém, apontam para uma localização mais para o interior, entre os rios Zêzere e Ocreza, podendo corresponder a algum dos povoados fortificados da Idade do Ferro como o Castro do Picoto (Estreito, Oleiros).
- ARADUCCA, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 6) no território dos Callaeci Bracari com sede em Bracara Augusta, ainda sem localização segura. A tradicional associação à cidade Guimarães deve ser descartada dada a ausência de vestígios romanos na cidade. Foi Fr. Bernardo de Brito quem lançou esta tese sem fundamento em linha com o seu tom fantasista. Araducca deverá ser associada a um dos castros em território Bracarense, mas não sabemos qual (act. 2019).
- ARACELUM, possível designação de uma povoação romana com base numa inscrição achada em Vale de Azares (Celorico da Beira) dedicada a uma divindade indígena Ama Aracelene (Carvalho, 2009); poderá haver relação com Castellum Araocelum, presumivelmente situado no Monte da Senhora do Castelo em Mangualde.
- ARANDIS, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura; habitualmente interpretada como uma diferente grafia de Arannis mencionada no Itinerário XXI de Antonino; no entanto é mais provável que sejam duas povoações distintas pois as coordenadas indicadas por Ptolomeu colocam-na bem mais a norte, apontando para uma área a norte de Moura, podendo hipoteticamente corresponder a um dos povoados fortificados romanizados da região, como o Castro dos Ratinhos ou o Castelo das Juntas.
- ARANNIS, oppidum e mansio do Itinerário XXI cuja localização tem oscilado entre Sta. Bárbara de Padrões (Castro Verde) e Garvão (Ourique), mas que deverá corresponder ao importante povoado do «Castro da Cola» em Ourique (2018); Arani no Ravennatis (Rav. IV.43).
- ARAVORUM, oppidum sede da civitas Aravorum localizada na aldeia de Marialva (Mêda) com base numa inscrição honorífica dedicada a Adriano que hoje está no Museu da Guarda.
- ARBUA, possível povoado com base numa ara votiva dedicada aos Lares Couticivi (?) por um Arbuense, aparecida em S. João da Fresta, na base do Castro romanizado da Sra. do Bom Sucesso (Mangualde).
- ARCOBRIGA, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 6, 59), ainda sem localização segura. Ptolomeu refere ainda uma outra Arcobriga entre os Celtiberos da provincia Tarraconense, também mencionada no Itinerário 24 de Antonino na via entre Emerita Augusta (Mérida) e Caesar Augusta (Zaragoza). Existem diversas epígrafes mencionando Arcobrigenses: Monreal de Ariza (Zaragoza), Trévago (Soria), Guadalajara, Coria (Cáceres), Perales del Puerto, Vilar de Nantes (Chaves) e na Fonte do Ídolo em Braga, indiciando a existência de vários aglomerados com este nome. A coordenada aponta para um ponto a oeste de Évora, podendo ser identificado com o povoado fortificado do Alto do Castelinho da Serra (?).
- ARGENTIOLUM, mansio do Iter XVII a 14 milhas de Astorga (ver nota 2), também mencionada em Ptolomeu (II, 6) como Argenteola e no Itinerário de Barro; estaria provavelmente localizada entre Herreros de Jamuz e Villamontán de la Valduerna segundo as distâncias indicada no I.A., possivelmente no sítio romano do «Campo del Medio». Outros autores propõem a povoação vizinha de Miñambres (Martino, 2005).
- ARITIUM, povoação romana mencionada por Ptolomeu (II, 5) provavelmente situada nas margens do Tejo em Casal da Várzea, próximo de Alvega (Abrantes) com base numa inscrição numa placa de bronze aqui encontrada contendo um juramento dos Aricienses onde se lê: Aritiense oppido veteri (CIL II 172); noutra inscrição daqui é mencionado um aedilis IIvir flamen provinciae Lusitaniae.
- ARITIUM PRAETORIUM, mansio do Itinerário XIV a 28 milhas de Abelterium (Alter do Chão), provavelmente situada a oeste de Ponte de Sor na Herdade de Água Branca de Cima. Aretio Pretorion no Ravennatis (Rav. IV.44).
- ARUCCI, mansio referida no Itinerário XXI ainda sem localização segura; também referida em Ptolomeu (II, 5) e no Ravennatis (Rav. IV.45).
- ATUCAU(sium?), possível designação latina do vicus viário que existia em Gatão (Amarante), com base numa ara dedicada a Júpiter e colocada pelos Vicani Atucausensis (CIL II 6287), encontrada na Quinta dos Pascoais, hoje no MSMS, nº 44.
- AUGUSTOBRIGA, povoado localizado por Ptolomeu entre os Vetões da Lusitânia (II, 5), também referido no Itinerário 25 de Antonino que ligava Mérida a Zaragoza; poderá corresponder a «Talavera la Vieja», assentamento romano junto do rio Tejo, actualmente submerso pela barragem de Valcanas.
- AURANCA, hipotético nome do vicus do Cristelo da Branca no período romano que surge num documento do ano 922 (PMH DC 25), como «Abranca» (Alarcão, 2004a).
- BAEDORUS. vicus sem localização segura que aparece numa inscrição votiva (CIL II 365) achada em Conímbriga; estaria provavelmente dentro do território da civitas, mas onde?
- BAESURIS, povoado situado na foz do rio Guadiana, caput viarum dos Itinerário XXI e Itinerário XXII, tradicionalmente associado a Castro Marim, onde apareceram moedas com as legendas «BAESURI» e «BAE». No entanto a sua localização neste local não é segura, podendo localizar-se na área das Ilhas del Moral e Cristina. Besurin no Ravennatis (Rav. IV.43).
- BALSA, urbs sede de civitas e mansio do Itinerário XXI; imponente cidade romana mencionada por Mela (III, 5), Ptolomeu (II, 5) e Plínio (NH, IV, 116), posteriormente elevada a municipium na época Flaviana, localizada na área da Quinta de Torre de Aires (Luz de Tavira), local onde apareceram diversas epígrafes de Balsenses; outra referência apareceu no Monte do Torrejão em Baleizão (Beja), na inscrição com o epitáfio da filha de Blossius Saturninus, habitante de Balsa, membro da tribo Arniense e natural da Colónia Iulia Neapolis, cidade situada na actual Tunísia junto de Nebel Kedin (CIL II 105; IRCP 294), reflectindo a intensa actividade comercial da cidade.
- BANIUM/BANIENSIUM, prováveis designações do oppidum sede da civitas Baniensis, localizado algures na área do Vale da Vilariça em Torre de Moncorvo (vide também Baniensis).
- BEVIPO, possível nome pré-romano da cidade de Imperatoria Salacia, hoje Alcácer do Sal, conhecido através de uma legenda monetária (Faria, 2002).
- BRACARA AUGUSTA, urbs sede do Conventus Bracarencis, na actual cidade de Braga. Caput viarum dos Itinerários XVI, XVII, XVIII, XIX e XX. Augusta Bracaria no Ravennatis (Rav. IV.43) e Bracaraugusta em Ptolomeu (II, 6); a capital dos Bracari que tutelavam uma jurisdição com 24 civitates/populi com uma população total de 275.000 habitantes (excluindo escravos), segundo o relato de Plínio-o-Velho no seu Naturalis Historiae, «Simili modo Bracarum XXIIII civitates CCLXXXV capitum» (Livro IV - Cap. 3).
- BRAETOLAEUM, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura.
- BUDUA, mansio do Itinerário XIV, localizada junto da travessia do rio Xévora e da actual fronteira com Espanha; talvez no sítio romano dos Casarões da Misericórdia, onde existiam importantes vestígios de estruturas romanas hoje totalmente destruídos ou junto da Ermida de Ns. de Bótoa (Corrales, 1987: 80); possivelmente a Burdua de Ptolomeu (II, 5) e a Burdoga do Ravennatis (Rav. 317.7).
- CABRARIUM/ CABRIANUM, designações possíveis do vicus referido numa ara dedicada a Júpiter pelos vicani Cabr(...) que apareceu em 1982 durante as obras realizadas no adro da Igreja Matriz de Pombal (Carrazeda de Ansiães); há dois sítios romanos na freguesia potencialmente associáveis a este vicus, o lugar da Costa em Mós, onde há vestígios significativos e o lugar de Curral dos Moiros em Paradela, onde os vestígios se estendem por 6 ha. (Garcia, 1991: 402-403; Alarcão, 2004b: 205; Guerra, 2007: 125-129).
- CAECILIANA, mansio do Itinerário XII localizada a 8 milhas de Setúbal que deverá corresponder ao nó viário junto do Monte da Lentisqueira (Cajados, Palmela) apesar da aparente ausência de vestígios romanos. O topónimo «Rua dos Galeanos» junto deste cruzamento poderá derivar do nome da estação e nas proximidades subsistem os topónimos «Vendas» e «Cabeço da Vigia» denunciando a função de estação viária na chamada «Estrada dos Espanhóis» (EM533 e CM1040) que ligava Marateca a Palmela e Setúbal. Celiana no Ravennatis (Rav. IV.43).
- CAECILIA GEMELLINA, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura.
- CAELOBRIGA/ CELIOBRIGA, povoado mencionado por Ptolomeu em território dos Caelerinori (II, 6), sem localização segura; vide também Seliobriga.
- CAENO OPPIDUM, povoado mencionado no Ravennatis (Rav. IV.43); segundo Vasco Mantas o nome deste oppidum aparecia originalmente de forma deturpada como cenoopi docalo, posteriormente dividido em dois topónimos diferentes, o que situa este povoado entre Langobrica (Castro de Fiães) e Calo (Rio Douro), o que corresponde ao actual concelho de Vila Nova de Gaia, com possível localização no Castelo de Gaia, na margem esquerda do Douro, ou mais a sul, no importante castro romanizado do Monte da Sra. da Saúde nos Carvalhos.
- CAEPIANA, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura. Amílcar Guerra propôs o Povoado de Chibanes na crista da Serra do Louro (cadeia montanhosa da Arrábida. (Guerra, 2004).
- CAESERA, possível mansio referida em dois miliários; um apareceu em San Vitero e indica 6 milhas a Caesera enquanto o outro apareceu em Babe (Bragança). Poderá corresponder a Rabanales de Aliste.
- CAETOBRIGA, mansio do Itinerário XII situada na actual cidade de Setúbal a 24 milhas de Lisboa (Costa, 1960). Catobrica em algumas cópias do I.A.; Cetobricca no Ravennatis (Rav. IV.43), Caetobriga em Mela (Cor. III, 5) e Caetobrix em Ptolemeu (II, 5).
- CALADUNO, oppidum e mansio do Itinerário XVII, talvez em Arcos ou na Serra do Pindo, a caminho de Chaves; Caladunum em Ptolomeu (II, 6); inscrição funerária de uma Caladunus em Braga.
- CALANTICA, provável nome do vicus localizado em Santana do Campo (Arraiolos) com base em duas inscrições já desaparecidas dedicadas à divindade indígena Carneus Calanticensis que apareceram na Igreja Paroquial, edifício construído sobre um imponente Templo Romano cujos vestígios são ainda bem visíveis em todo o edifício. Também na necrópole da Herdade do Cortiçal em Igrejinha apareceu um prato de barro com a inscrição Calantani (Vasconcelos, 1913) e em Santa Justa apareceu uma ara votiva dedicada a «C.» também interpretada como a Deo Calanticenci, ambas actualmente na colecção do Seminário Maior de Évora.
- CALE, oppidum e mansio do Itinerário XVI junto da travessia do rio Douro, localizada no Porto, no povoado do morro da Pena Ventosa, hoje ocupado pela Sé; Calo no Ravennatis (Rav. IV.43); sobre a discussão da localização de Cale na margem esquerda ou direita ver Alarcão, 2005a e Silva, 2010.
- CAMALOCUM, possível nome latino do vicus que existia no Monte do Chocanol (Crato) com base numa ara a Júpiter colocada pelos Vicani Camalo/c[...], hoje perdida.
- CAPARA, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia entre os Vetões (II, 6), os Caperenses referidos por Plínio muito provavelmente localizado em «Ventas de Capara», actualmente um vasto campo de ruínas a norte de Oliva de Plasencia (Hervás 1975: 228). Aras votivas às Nymphis • Caparensium em Baños de Montemayor (Cáceres). A via Emerita a Salmantica cruzava o povoado, também referido como estação viária da Via 24 do Itinerário de Antonino (Hervás, 1971).
- CAPASA, povoado localizado por Ptolomeu entre os Lusitanos (II, 5) ainda sem localização segura; talvez «Castejón de las Merchanas» (Don Benito, Badajoz)?
- Castellum ACRIPIA, com base em duas inscrições funerárias encontradas em Braga, admitindo a leitura do «C» invertido dessas inscrições como abreviatura de «castello»: o epitáfio de Aravius e o epitáfio de Apilus.
- Castellum ARAOCELUM, com base numa inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado por um castellanis Araocelensibus que deverá corresponder ao povoado do Monte da Senhora do Castelo em Mangualde; na sua base existem ainda visíveis ruínas da mansio deste nó viário na Quinta da Raposeira.
- Castellum ARGUCE, com base numa estela funerária de um emigrante Límico encontrada no Outeiro Alto, junto de Abitureira (Vale de Touro, Sabugal); seria portanto um dos castella deste povo associado ao Alto Lima na actual Galiza.
- Castellum BERECUM, com base numa inscrição votiva achada em Famalicão da Serra interpretável como castellani Berecensis (FE 98; Alarcão, 2001b); seria este o nome do povoado de Barrelas?
- Castellum BERENSI, com base numa inscrição funerária de um tal Reburrus, Límico do «castello Berensi» (CIL II 5353) que apareceu em Calañas (Huelva, Espanha) certamente um emigrante a trabalhar na exploração mineira de Sotiel Coronada junto do rio Odiel. Aqui apareceu uma raríssima bomba de água romana feita em bronze.
- Castellum DURBEDE, com base numa estela funerária de um emigrante Bracarus encontrada em Garvão; uma inscrição à divindade Durbedicus apareceu na torre da Igreja de Ronfe (Guimarães), CIL II 5563 no MSMS com o n. 27, proveniente talvez das proximidades, possivelmente do Castro de S. Miguel (Alarcão, 2004b).
- Castellum FIDUENEARUM, com base numa inscrição encontrada em Vila Boa (Guilhabreu, Vila do Conde), o epitáfio de Lanasus que era oriundo desse castro, muito provavelmente a Citânia de Sanfins (Paços de Ferreira) pois nas proximidades existe uma inscrição rupestre chamada de "Penedo das Ninfas" que também menciona o povo Fidueneae (Silva A.C.F., 1980).
- Castellum LETIOBRI, com base na estela funerária de Albura Caturonis que apareceu em Braga.
- Castellum LIVAIRUM, com base na estela funerária de Camalus, um emigrante Límico, encontrada na Portela de Cambela em Vila da Ponte (Montalegre), junto da via romana Braga a Chaves do Itinerário VII (CIL II 2496).
- Castellum NACOSOS, com base numa ara votiva dedicada aos Lares Couticivi(?) por um Arbuensis, talvez localizado no Castro da Sra. do Bom Sucesso em Chãs de Tavares pois esta inscrição foi encontrada na base deste castro, na Quinta do Casal em Casais, (FE 55; Vaz, 1997).
- Castellum NARELIA, registado numa inscrição encontrada em Felgar (Torre de Moncorvo) de um emigrante Seures (Encarnação, 2006a).
- Castellum SERANTE, registado numa inscrição encontrada em Felgueiras (Torre de Moncorvo) de um emigrante Seures Transminiensis ou seja "para além do rio Minho".
- Castellum SERMACELES, com base numa inscrição encontrada em Tinhela (Valpaços) onde se lê o origo Sermacelensis, actualmente desparecida.
- Castellum ULIAINCA (?), provável leitura do povoado mencionado numa inscrição com o epitáfio de Lanasus, encontrada em Vila Boa (Guilhabreu, Vila do Conde), no aro do Castro de Alvarelhos (Trofa) pelo que esta poderia ser a sua designação em época romana.
- Castellum TVREOBRIGA/ IVREOBRIGA/ IULIOBRIGA (?), possíveis designações do povoado mencionado numa inscrição dedicada ao veterano Emiliano Flacus (CIL II 2480) signífero da Legião II Augusta encontrada em Nogueira da Montanha (Chaves); está desaparecida.
- Castra Caecilia», mansio da via romana entre Emerita e Salmantica localizada em «Cáceres el Viejo», 2,5 km a nordeste de Cáceres (Hervás, 1975: 229).
- CATRALEUCUS, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura. Surge também nas formas Katra leukos/ Kataleukos/ Katra- pheucus / Cattaleucos. Tradicionalmente associada ao povoado fortificado actualmente ocupado pelo Convento da Nossa Senhora da Esperança junto a Alcáçovas.
- CAURIUM, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), actual Coria, apesar do erro na coordenada que chegou até nós. Plínio refere os Caurienses como uma das civitates estipendiárias da Lusitânia (NH, IV, 118). No perímetro de Coria apareceram várias epígrafes de Caurienses confirmando esta localização.
- Centum Cellas, importante assentamento romano do qual resta ainda a imponente Torre Romana de «Centum Cellas» em Catraia da Torre (Belmonte) que tem sido interpretado como villa (Alarcão, 1998), vicus (Frade, 2002) e mesmo possível oppidum sede da civitas dos Lancienses Oppidani (Guerra, 2007a); a passagem neste local do Itinerário Braga-Mérida sugere a existência de uma mansio de apoio à via (Carvalho, 2010). Esta designação do sítio vem pelo menos desde 1194 (PMH, Leges: 487-488).
- CHRETINA, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia, algures a norte de Olisipo (II, 5), ainda sem localização segura; para Vasco Mantas, esta estaria em Torres Vedras (Mantas, 1996: 693-695) enquanto Cardim Ribeiro propôs a sua localização no vicus de Faião (Terrugem, Sintra) (Ribeiro, 1982-1983: 160-161).
- CILPES, oppidum, provável sede dos Cibilitani referidos por Plínio (NH, IV, 118) e possivelmente a Kilibe no Papiro de Artemidoro; é conhecida também através de cunhagens monetárias com a legenda Cilpis/Cilip/Cilbe(s) que apareceram no triângulo formado por Silves, Lagos e Portimão (Alarcão, 2010); a localização do povoado proto-histórico continua em discussão, oscilando entre a actual cidade de Silves, onde apenas se detectaram vestígios romanos diminutos e descontextualizados, e o Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha situado a cerca de 1 milha a sul da cidade, na margem direita do rio Arade, junto da sua confluência na ribeira de Odelouca, sítio com vasta cronologia de ocupação desde a Idade do Bronze ao período Islâmico com claros indícios e um estabelecimento fenício-púnico (Gomes, 1993).
- CLUNIA, cidade capital dos Aravacos localizada no Alto de Castro, entre as actuais localidades de Coruña del Conde e Peñalba de Castro (Burgos). É notável a quantidade de emigrantes Clunienses no actual território nacional onde se assinalam o nacional assinalam-se pelo menos 24 epígrafes de emigrantes Clunienses em estreita relação com a exploração mineira durante a época romana. Registam-se 7 epígrafes em Idanha-a-Velha, 7 em Três Minas (Vila Pouca de Aguiar), 3 em Ammaia (Marvão), ou 4 se incluirmos o epitáfio de Gaius Domitius encontrada próximo, na Herdade de Santa Marinha (Castelo de Vide), o epitáfio de Júnio no vicus da Torre dos Namorados (Fundão), epitáfio de Allonio em Cardigos (Mação), epitáfio de Caius Sempronius Aebarus em Feiteira (Belver), epitáfio de Aemilia Lougo em Braga, epitáfio de Postumus em Meimoa (Penamacor) e o epitáfio de Rufus em Lisboa.
- COBELCORUM, sede dos Cobelci localizado em torno do templo romano conhecido por «Torre das Águias» em Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo), dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pela civitas Cobelcorum (CIL II 429); registam-se também várias epígrafes de Cobelci: Modestus em Almendra (ora encastrada na frontaria da capela de Santo Cristo em Barca Dalva; CIL II 433; FE 46), filho de Flacci em Marialva (AE 1985, 526; RAP 639), Martialis de Mérida. Na Capela de Santo André foram encontrados dois berrões, o que permite associar esta povoação aos Vettones.
- COLARNUM, povoado mencionado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura; sede do povo Colarni mencionado por Plínio (NH, IV, 118) e na inscrição da Ponte de Alcântara que também surge na grafia Coilarni; a única epígrafe que menciona um Colarnus é uma estela funerária que apareceu reutilizada no pavimento da Capela de Ns. de Fátima em Granja dos Oleiros, Moimenta da Beira (FE 672). No entanto, com base no terminus de Goujoim que assinalaria a divisão territorial entre os Coilarni e os Arabrigensis, estes últimos poderiam ocupar o actual concelho de Moimenta da Beira enquanto os Coilarni estariam a poente pelo que a sua capital poderia ser Lamego ou Cárquere.
- COLLIPPO, oppidum túrdulo, posteriormente elevado a sede da civitas Collipponensis por Augusto e a municipium por Vespasiano, localizado 5 milhas a sul de Leiria, no sítio de S. Sebastião do Freixo (Golpilheira), mencionado por Plínio (IV, 35); vários inscrições de Collipponenses confirmam o estatuto de sede da civitas como o epitáfio de Naevi na Batalha (CIL II 340), epitáfio de Sulpicia em Salir de Matos (CIL II 353), epitáfio de Maximus em A-do-Barbas (Maceira) e seu estatuto municipal como a inscrição funerária de Laberia Gala, fláminica de Évora, por decreto de decuriões de Collippo (CIL II 339), o epitáfio de Corinthus, escravo de Helvi Philippi e proveniente do Municipium Collipponensi achada em Roma (CIL VI 16100) e inscrição honorífica ao imperador Antonino Pio colocada pelo senado municipal e indicando o nome dos magistrados, hoje encastrada numa parede da Capela da Ns. da Pena, dentro do Castelo de Leiria; (Bernardes, 2007 e 2010).
- COMPLEUTICA, mansio do Itinerário XVII hipoteticamente localizada em Figueruela de Arriba ou mais adiante em San Pedro de las Herrerías; Complutica em Ptolomeu (II, 6).
- CONCORDIA, oppidum mencionado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5); provável sede dos Concordienses mencionados por Plínio (NH, IV, 118), ainda sem localização segura, mas possivelmente poderia corresponder a Alter do Chão. A existência de diversos oppida com o cognome «Concordia» tem dificultado a sua identificação. A tradição historiográfica localiza esta «Concordia» Lusitana nas proximidades de Tomar, em particular no lugar de Delongo junto da ribeira da Beselga, tese relatada no século XVII por Jorge Cardoso no seu «Agiológio Lusitano» onde estabelecia uma relação entre este local e o culto dos «Santos Mártires de Concórdia», sacrificados naquela cidade pelo ano 86 (Cardoso, 1652: 458). No entanto, a fonte utilizada por Cardoso é a suposta crónica do historiador romano Flávio Dextro que se veio a revelar uma farsa criada por Román de la Higuera no século XVI; uma moeda com a legenda Concordi Aruci descoberta nas proximidades (Cardoso, 1666: 761) ajudou a perpetuar esta tese, mas é mais provável que a moeda em causa tenha 'viajado' de outro lugar, eventualmente da própria civitas Aruccitana, como sugere a própria legenda. Jorge de Alarcão relacionou «Concordia» com Alter do Chão propondo que a sua antiga designação seria «Concordia Julia Abelterium» (Alarcão, 1988); as coordenadas ptolomaicas parecem confirmar esta hipótese ao colocar Concórdia num alinhamento de povoados Lusitanos onde se inclui Scalabis, Tacubis, Concordia, Burdua e Augusta Emerita, sequência em tudo idêntica à do Itinerário XIV de Antonino com Scallabis, Tabucci, Abelterium, Budua e Emerita, similitude que viabiliza a sua localização em Alter do Chão (act. 2019).
- CONIMBRIGA, oppidum e mansio do Itinerário XVI, actual Condeixa-a-Velha (Coimbra), ex-líbris das cidades romanas em Portugal; referida por Plínio como oppida Conimbrica (IV, 118) e em vários documentos epigráficos, a árula ao Genio Conimbrica, a árula a Flavia Conimbrica et Laribus Eius e em epitáfios de emigrantes Conimbrigenses em Idanha-a-Velha (epitáfio de Flaccilla) e em Mérida (ara dedicara a Mitra).
- CONISTORGIS, a principal cidade Celta segundo Estrabão (Geo, III, 2, 2), provável capital dos Conii, povo pré-romano de origem celta que habitava o Sudoeste Peninsular, nomeadamente as regiões do Algarve e do Alentejo; a sua localização continua por determinar. Sabemos que a cidade foi atacada durante as «Guerras Lusitanas» no ano de 154 a.C., mas depois desaparece do registo histórico. Seria a antiga designação de Beja?
- CONTRASTA, designação da povoação de Valença até ao século XII, possivelmente com origem no seu nome romano.
- DIPO, estação viária mencionada no Itinerário XII na forma Dipone. Como está na sequência de Évora e indica 12 milhas para esta etapa, tem sido associada a Évora Monte, onde aliás apareceu um miliário (Alarcão, 1999a, 2001c). No entanto, outros autores consideram que existe uma quebra na sequência das estações a partir de Évora pelo que a distância a Dipo estaria referenciada a Mérida e não a Évora, a 26 milhas, colocando a mansio já em território espanhol, eventualmente em Talavera la Real ou em Guadajira, onde se acharam numismas com a legenda «DIPO»; Bipone no Ravennatis (Rav. IV.44).
- DIVORUM, Campi Divourum ou «Campo dos Deuses» seria a antiga designação do vicus de Ns. da Graça do Divor (Évora), antigo manancial da cidade de Ebora com base numa referência de João Nunes Freire em 1626 sobre um «letreiro» translado para a «esquina da parede, onde está a cadeia» de Évora onde surgia essa designação (vide Freire, 1626).
- EBORA Liberalitas Iulia, oppidum na actual cidade de Évora; mansio comum ao Itinerário XII e ao Itinerário XXI; Ebora seria inicialmente um oppidum indígena, tendo recebido o «antigo direito latino» segundo Plínio, estatuto que conferia a cidadania romana aos seus habitantes, passando a designar-se por Liberalitas Iulia epítetos entretanto confirmados numa canalização de chumbo descoberta na cidade com as letras LIB IVL (Encarnação,
1986-1987: 7). Plínio refere-se ao povoado como «oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia» (NH, IV, 117). Deverá corresponder à «Ebura» mencionada por Ptolomeu (II, 5), apesar do desacerto das coordenadas indicadas. O estatuto municipal é atestado pela inscrição dedicada a Flavinus pelos municipii Eborensis e o pedestal de estátua de Laberiae Gallae, flâmine municipal; diversas epígrafes de Eborenses; inscrição de Iulia Quintilla em Cuba, inscrição Iulius em Reguengos de Monsaraz.
- EBUROBRITTIUM, cidade romana junto a Óbidos; as ruínas da antiga cidade situam-se próximo da Quinta das Janelas (Gaeiras) sobranceira à lagoa de Óbidos; o seu estatuto municipal é atestado pela
inscrição dedicada a Caracala encontrada em São Tomás das Lamas e pelo epitáfio de Maximino, duúnviro Eborobritiensium, encontrada na Sra. de Aboboriz em Amoreira. O território confrontava com as civitates de Collippo a norte, Scallabis a este e Olisipo a sul (Moreira, 2002).
- EBUROBRIGA, nome de um possível povoado referido numa ara votiva dedicada a Arantiae et Arantio Eburobricis achada em Castelejo, Fundão.
- ELANEOBRIGA, povoado mencionado numa inscrição funerária com o epitáfio de Severus Tiophilus que apareceu na necrópole da via Bracara - Aqua Flaviae à saída de Braga; contudo a sua localização permanece incerta.
- ELBOCORIS, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 5), muito provavelmente a sede do povo Elbocori mencionado por Plínio (NH, IV, 118), situada algures a oriente de Tomar (Castro de Amêndoa?).
- EMERITA AUGUSTA, colónia capital da Lusitânia, sede do Conventus Emeritensis, actual Mérida. Principal caput viarum da província centralizando a rede viária; Colonia Augusta Emerita em Plínio (NH, IV, 117); Augusta Emerita em Ptolomeu (II, 5); cognominada de clarissima por Mela (Cor. II, 88). As inscrições que referem a colónia ou o origo Emeritense são muito abundantes.
- EQUOTULE, possível designação da vila do Sabugal na época romana com base numa ara consagrada a Arentia Equotulaicense que está hoje encastrada numa das paredes da Igreja de S. João.
- ETOBRIGA/ AETOBRIGA, possíveis designações de um povoado com base numa ara votiva dedicada a Bandua Etobrico ou Aetobrico, hoje no Museu de Alenquer.
- EVANDRIANA, mansio do Itinerário XII a 9 milhas de Mérida ainda sem localização segura. Também mencionada por Ptolomeu (II, 5) como Evandria e do mesmo modo no Ravennatis (Rav. IV.44).
- FINES, mansio do Itinerário XXI ainda sem localização segura. Corte de Messangil e o povoado de Vila Verde de Ficalho são tradicionalmente associadas a esta estação, mas propomos a sua localização nas proximidades da travessia do rio Chança junto ao sítio de S. Marcos com base no Itinerário de Antonino; sobre a localização de Fines ver descrição a via romana de Évora a Serpa.
- FOXEM, provável designação do vicus localizado em Ns. de Aires, Viana do Alentejo, dado que na Idade Média Viana era designada por "Villa de Vianna de Foxen" (Feio, 2010).
- FRAXINUM, mansio do Itinerário XV ainda sem localização segura; hipoteticamente no Monte da Pedra (Crato) ou em Alpalhão (Portalegre).
- FORUM LIMICORUM, oppidum situado talvez em Xinzo de Limia (Ourense); era segundo Ptolomeu (II, 6) a capital da civitas Limicorum que ocuparia a região do Alto Lima ocupada pelo povo Límico.
- GERAEA, povoado localizado por Ptolomeu a oriente de Évora (II, 5), ainda sem localização segura; o Pe. Joaquim Espanca em «Memórias de Vila Viçosa» localizou-a em Juromenha apenas por similitude fonética (Espanca, 1993).
- IERABRIGA/ JERABRIGAM, oppidum e mansio do Itinerário XVI, cuja localização foi fixada em Alenquer, mas que poderá antes corresponder ao Povoado do Monte dos Castelinhos (Pimenta & Mendes, 2012: 54-59).
- IGAEDITANA/IGAEDIS, cidade romana sede da civitas Igaeditanorum, localizada na modesta aldeia de Idanha-a-Velha, um museu a céu aberto rivalizando com Conimbriga, Ammaia e Tongobriga (vide Sá, 2007; Carvalho, 2009 e 2010). O estatuto municipal da cidade foi confirmado pela inscrição de Caius Iulius Vegetus, flamine provinciae Lusitaniae, que reapareceu em 1999 na Quinta do Deão (CIL II 160; IRCP 617). A origem desta designação poderá estar relacionada com a inscrição votiva encontrada na Capela da Senhora do Almortão dedicada à divindade Igaedo (RAP 152; Encarnação, 1987:23)
- ILEX[---], primeiras letras do vicus referido numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---] que apareceu
Quinta de Vila Maior, em Cabanas de Baixo, junto da ribeira dos Cavalos, no Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo) (FE 67, 300).
- IPSA, povoação mencionada na Geografia de Artemidoro de Éfeso que poderá corresponder ao vicus portuário de Vila Velha do Alvor com base numas moedas com a legenda IPSES aqui encontradas. Estácio da Veiga descobriu uma glande de chumbo.
- LACCOBRIGA, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 5, 5) possivelmente localizada na região do Alto Alentejo. Em algumas cópias da «Geographia» surge também como Langobriga. Plutarco menciona um episódio das guerras Sertorianas envolvendo os «Lacobritas» (Sert., 13), mas não sabemos se se trata do mesmo lugar; Plínio refere ainda uma outra Lacobriga mas situada no conventus Cluniensis (III, 6), situada em Carrión de los Condes (Palência), portanto já em território dos Vettones, também mencionada por Ptolomeu (II 6, 49) e ainda pelo Itinerário de Antonino (395.1; 449.3; 454.1).
- LACINIMURGI/LACONIMURGI, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 5) que poderá corresponder a Lacimurga Constantia Iulia referida por Plínio (NH, III, 14) localizada no chamado «Cerro del Cogolludo», assentamento pré-romano na margem direita do Guadiana com base na descoberta nas proximidades (Finca La Mezquita) de uma inscrição dedicada ao Genius Lacimurgae (CIL II 5068=5550) e do terminus Augustalis de Mojón Gordo, 13 km a norte de Valdecaballeros, indicando a divisão territorial entre os Lacinimurgenses e os Ucubitanos. O termo Lacimurcensis surge também num fragmento de uma inscrição cadastral em bronze com um desenho da centuriação atravessada pelo rio Guadiana. Há também notícia de emigrantes Lag(imurgensis) em Encinasola, epitáfio de Marcus Baebius, e em Jerez de los Caballeros noutro epitáfio.
- LAELIA, povoado mencionado por Ptolomeu (II, 5) tradicionalmente situado na Ermita de Santa Eulália (Almonaster la Real).
- LAMECO, designação no período Suévico da actual cidade de Lamego.
- LACALTA, hipotética designação do povoado romano que existia em Moura com base em 4 estampilhas de dolia do período alto-medieval, 2 encontrados junto do castelo e outros 2 provenientes da Herdade de S. Cristóvão, cerca de 1 km a sul da vila, com a seguinte inscrição: «Eclesiae Sanctae Mariae Lacaltensi Agripi» (Canto, 1997). Um selo idêntico foi encontrado noutro dolium a cerca de 10 km, na villa do Monte da Salsa (Brinches), também do mesmo produtor, presumivelmente sediado em Moura, cuja Igreja Matriz é precisamente de invocação a Santa Maria; no período islâmico o nome evoluiu para Laqant (Macias e Valente, 2014).
- LANCIA OPPIDANA, mencionada por Ptolomeu entre os Vettones (II, 5); também referida na inscrição da Ponte de Alcântara; a sua localização permanece incerta, podendo corresponder ao castro de «Sortelha Velha» em Penamacor (Saa, 1964: 228-273); um Lancienses foi registado numa inscrição de Idanha-a-Velha de Annia Vegeta. Uma inscrição proveniente da Casa de Barrantes em Alcântara (Cáceres), mas dada como falsa, referia supostamente um tal Lucius Cocei proveniente de Lancia Oppidana (CIL II *73).
- LANCIA TRANSCUDANA, oppidum sede da civitas do povo Lanciense Transcudani referido na inscrição da Ponte de Alcântara, muito provavelmente situado em torno da capela de Póvoa do Mileu, na Guarda, onde apareceu uma estátua loricata, atribuída a Trajano, sinal de centro político e administrativo.
- LANGOBRIGA, oppidum e mansio do Itinerário XVI, talvez localizada no Castro do Monte Redondo em Fiães (Corrêa, 1925; Almeida e Santos, 1971; Mantas, 1996: 640-645 e 2012b: 197-198); o territorium da civitas era delimitado a sul pelo rio Úl com base no terminus aí encontrado. Langobrica no Ravennatis (Rav. IV.43).
- LATTOBRIGAL, povoado mencionado por Mela (Cor. III, 1, 7) junto do Promontorium Sacro (Cabo de S. Vicente) que poderá corresponder ao Monte Molião em Lagos, actualmente em escavação, onde há abundantes vestígios de um importante povoado da Idade do Ferro romanizado (Arruda, 2008).
- LAVARE, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura.
- LAVRENTIUM, povoação referida no Paroquial Suevo que deverá corresponder a Lavra (Matosinhos), nome possivelmente com origem no proprietário da villa Romana de Fontão de Antela.
- LICINIANA, povoado localizado por Ptolomeu (II, 5) na Lusitânia, ainda sem localização segura.
- LIMIA, povoado e mansio do Itinerário XIX a 19 milhas de Braga localizada nas proximidades de Ponte de Lima, importante travessia do rio Lima na Ponte Romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita onde são visíveis os enormes silhares almofadados alguns ainda com as marcas de fórfex que caracterizam as grandes pontes da época romana; Limea no Ravennatis (Rav. IV.43).
- LONGOBRIGA, vicus localizado em Longroiva (Mêda) com base numa inscrição num altar dedicado a BANDI LONGOBRCV por um tal Quintus Iulius da Legião Equestre VII Gémina, hoje na Capela da Ns. do Torrão (FE 44).
- LORICA, provável nome romano da actual aldeia de Loriga, Seia (Serra da Estrela) embora com base apenas na toponímia.
- MAENOBA, povoação referida por Estrabão (Geo, I, 2, 5) a ocidente de Ossonoba que poderá corresponder à foz do rio Arade, actual Alvor ou a Lagos (Monte Molião). No Papiro de Artemidoro surge também uma referência a uma Ma[inoba] situada a 24 estádios de Ipsa que poderá corresponder a este mesmo lugar (Alarcão, 2010, 117; Bernardes, 2017).
- MADEQUISENSES, povo que ocupava o Castro de Alvarelhos (Trofa) com base numa inscrição encontrada na sua base, em Sobre Sá junto da Quinta do Paiço, com o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisensis, que poderá estar na origem da actual cidade da Maia (Madea > Madia > Maia) (Silva A.C.F., 1980); seria uma dos populi dos calleaci; encontra-se no Museu da Maia.
- MALATECA, mansio do Itinerário XII, provavelmente localizada na actual povoação de Marateca, junto da travessia da ribeira homónima, a 16 milhas de Caetobriga (Setúbal); o povoado romano poderia corresponder ao chamado Castelo dos Mouros, junto do cemitério, onde há vestígios de estruturas romanas, possivelmente da própria mansio; surge na forma «Malabiste» no Ravennatis (Rav. IV.43). A etimologia do nome 'mala-teca' sugere uma origem Céltica com o significado de 'casa num outeiro' o que está de acordo com as características do sítio (Cf. Curchin, 2007: 146).
- MATUSARO, mansio do Itinerário XIV ainda sem localização segura, eventualmente a sul de Arronches no ponto onde a via cruzava o rio Caia num local designado por «Porto do Caia» ou «Porto das Escarninhas». Massusaria no Ravennatis (Rav IV.44). A etimologia do nome 'saro' poderá ser um hidrónimo (Cf. Curchin, 2007: 146) pelo que esta poderia ser a antiga designação do rio Caia.
- MEIDOBRIGA/ MEIDUBRIGA, capital dos Meidubrigenses referidos na inscrição da Ponte de Alcântara e quem Plínio chama de «Medubrigenses qui Plumbari», os «exploradores de chumbo» (NH, IV, 118); tem sido localizada no Castro de Ranhados (Cortez, 1953), no morro do Castelo de Numão ou no Castro do Castelo Velho em Freixo de Numão, mas não há provas definitivas (Alarcão, 2005b); temos duas inscrições noutras paragens que referem Meidubrigenses, o epitáfio de Boutia em Lamego (CIL II 5250) e o epitáfio de Hispanus na Quinta de S. Pedro em Capinha, dados que confirmam a sua existência, mas não a sua localização exacta. Por seu turno, no «De bello Alexandrino», fala-se do ataque de Q. Cássio Longino a Medobriga (Hirtius, 48, 2) que poderá ser uma referência a este mesmo povoado (Alarcão, 2005b: 11; Mantas, 2012c: 12).
- MENDICULEIA, povoado localizado por Ptolomeu entre os Lusitani (II, 5), ainda sem localização segura; será o Castro de Vaiamonte?
- MERIBRIGA, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura.
- MEROBRICA, povoado mencionado por Plínio entre o Tejo e o Cabo de São Vicente (NH, IV, 116) que deverá corresponder à cidade de Mirobriga em «Chãos Salgados», Santiago do Cacém.
- MIRIETANORUM, povoado romano apenas referido numa inscrição funerária da flamínica perpétua da Civitas Mirietanorum, encontrada na Igreja de Sant'Águeda (antiga ermida de São Neutel) e posteriormente colocada embutida por debaixo da varanda da Igreja da Misericórdia em Vila Nova da Baronia; a sede da civitas poderia localizar-se no povoado romano de S. Romão em Alvito (Feio, 2010).
- MIROBRIGA, nome de três povoações referidas por Ptolomeu, o que dificulta sobremaneira a sua identificação. A primeira na Bética Turdetana (II, 3), junto da fronteira com a Lusitânia, a segunda entre os Oretanos (II, 6), mais para leste, e a terceira entre as cidades celtas da Lusitânia (II, 5). A primeira poderá corresponder a Capilla (Badajoz), onde aparecem duas epígrafes honoríficas mencionando o municipium Flavium Mirobrigense, junto com outras três inscrições de Mirobrigenses. Capilla era também uma estação do Itinerário 29 de Antonino entre Emerita (Mérida) e Caesar Augusta (Zaragoza).
A segunda Mirobriga estaria mais para leste em território Oretano, mais ainda não tem uma proposta de localização segura.
A terceira era um povoado celta situado na Lusitânia e apesar das coordenadas de Ptolomeu a colocarem próximo de Setúbal, poderá corresponder à cidade romana existente nas proximidades de Santiago do Cacém (Chão de Salgados), atendendo a que aqui foi descoberta uma inscrição do edil e duúnviro Marcellus indiciando o estatuto municipal da cidade, onde se lê a abreviatura "m. F. M." que poderá ser desdobrada em Municipium Flavium Mirobrigense (CIL II 25); outra apareceu a cerca de 4 km de Chão de Salgados, na Herdade dos Francisquinhos, referindo C(aius) Porcius Severus como Mirobrigen(sis) Celt(icus) (IRCP 152; Quaresma, 2010). Por último temos ainda outra Mirobriga mencionada em cinco términos augustais encontrados em Yecla de Yeltes, Ledesma, Ciudad Rodrigo (x2) e Salamanca, o que aponta para a localização de uma civitas com este nome a oeste de Salamanca, portanto em pleno território dos Vettones; tem sido sem razão associada a Ciudad Rodrigo, mas na verdade ainda não tem localização segura.
- MONTOBRIGA, mansio do Itinerário XV ainda sem localização segura, mas que poderia estar nas proximidades de Arronches (Portalegre). Em alguns códices surge na forma Mundobrica (B - Parisinus Regius 4807).
- MORON, povoado referido por Estrabão «que se ergue junto do rio Tejo num monte próximo do rio, a 500 estádios de distância do mar» (Geo, III, 3, 1) com um papel fulcral na campanha de Décimo Júnio Bruto em 138 a.C. (Girão & Oleiro, 1953). A distância indicada por Estrabão corresponde a cerca de 92 km, pelo que este povoado poderá corresponder ao sítio arqueológico de Chões de Alpompé, situado num terraço fluvial do rio Tejo, junto da confluência com o rio Alviela, onde há vestígios de acampamento romano sobre anteriores ocupações. O topónimo «Alpompé» poderá ser uma referência ao general Pompeio Magno ou ao seu filho Sexto Pompeio. Também é possível que Moron se localize em Santarém pois apresenta uma localização similar a Alpompé e muitos vestígios de ocupação romana. Seria Moron a antiga designação de Scallabis? Neste contexto notar que no século XV a Quinta da Nossa Senhora da Saúde situada em Assacaia, na planície a norte da alcáçova de Santarém, chamava-se Santa Catarina de Mouram ou de Mourol, possível reminiscência da antiga «Moron» (Beirante 1980:167).
- MYRTILIS, oppidum, sede de municipium e mansio do Itinerário XXII situado na actual vila de Mértola; o estatuto municipal está comprovado através da inscrição honorífica a Caracala pelos Municipii Myrtilensis; figura como Murtili em moedas cunhadas localmente; antigo porto fluvial desde tempos pré-romanos estrategicamente localizada no ponto onde o rio Guadiana deixava de ser navegável (no Pulo do Lobo); esta rota comercial permitia escoar as exportações do interior Alentejano navegando até à sua foz e daí para os portos mediterrânicos;
Mirtilin no Ravennatis (Rav. IV.43); Myrtilis em Plínio (NH, IV, 116 e 117) e em Mela (Cor. III, 5); referida em Ptolomeu (Geo. II, 4) como
Iulia Myrtilis situada em território Turdetano.
- NORBA CAESARINA, oppidum mencionado por Ptolomeu (II, 5), localizada na actual cidade de Cáceres. O nome poderá ter origem em Caius Norbanus Flaccus elevado a cônsul no ano 38 a.C. (Tovar. 1976: 236).
- NERTOBRIGA, oppidum mencionado por Ptolomeu (II, 6, 57) e Plínio (NH III, 13) que acrescente o cognome de Concordia Iulia; provavelmente situado um pouco a sul de Fregenal de la Sierra (Badajoz), onde o nome a cidade surge na epigrafia (Canto, 1997). Poderá ser esta a 'cidade de Concordia' que foi arrasado pelos romanos no ano 145 d.C. e os seus habitantes cristãos massacrados, dando origem à «Lenda dos Santos Mártires de Concórdia», mas não ha certezas.
- OSCELA, nome provável do povoado que existia no Castro de Ossela (Oliveira de Azeméis) com base numa inscrição mencionada por Frei Bernardo de Brito em «Monarchia Lusytania» aparecida no «vale de Ossela» onde leu a abreviatura oscel. (Brito, 1597, ML, II, 5, 1). «Osella» num documento medieval do ano 1135 (Monteiro e Sousa, 1972).
- OCELUM, povoado localizado por Ptolomeu (II, 5) no território dos Vettones; alguns associam este povoado a Ocelo Duri mencionado no Itinerário 24 de Antonino a norte de Salamanca. Por outro lado, nas ruínas do vicus da Quinta de S. Domingos, situado no sopé do Santuário Luso-Romano de Cabeço das Fráguas, apareceu uma ara onde parece ler-se com algumas reservas vicani Ocelonenses; ou seja aqui poderia estar o vicus Ocelona, sucedâneo do povoado indígena de Ocelum (Fernandes et al., 2006; Santos e Schattner, 2010). Estaria a «Ocelum» de Ptolomeu situado no importante povoado indígena do Cabeço das Fráguas? Devemos incluir esta área em território Vetão, como indica Ptolomeu? (act. 2019).
- OCULIS, nome referido no Paroquial Suevo que corresponde ao vicus romano localizado em Caldas de Vizela. Oculis Calidarum em documentos de 1014 e 1025. O nome romano poderia ser Aquae Calidae (Alarcão, 2004b); a sua fundação teria sido no século I atendendo a uma inscrição num lintel que passou pela Quinta do Aldão em Azurém (Guimarães) e hoje está no MSMS com o nº 54; é dedicada a Tito Flávio Archelaus Claudianus, possível administrador (legado augustal) da Lusitânia: Dedicavit T(itus) Flavius Archelaus Claudianus / leg(atus) Aug(usti) (CIL II 2408).
- OLISIPO Felicitas Julia, oppidum, actual Lisboa; sede do municipium Olisiponense, segundo Plínio «municipium civium Romanorum Olisipo, Felicitas Iulia cognominatum» (NH, IV, 117); mansio e caput viarum dos Itinerários de Antonino, para norte rumo a Bracara Augusta, para leste rumo a Augusta Emerita e para sul rumo a Ebora, Pax Iulia e Ossonoba; ara honorífica a Vespasiano descoberta nos alicerces de São Vicente de Fora e colocada pelos habitantes de Felicitas Iulia Olisipo; Ulisippo em Mela (Cor. III, 6), Oliosipon em Ptolomeu (II, 5) e Olisipo Estrabão (Geo, I, 3, 1).
- ONUBA, cidade portuária, hoje Huelva; Ptolomeu refere o seu estuário «Onoba Æstuaria» (II, 5); também mencionada por Estrabão como Onoba (Geo, I, 2, 5) e Plínio (NH, III, 7), Itinerário de Antonino (Iter 23) e Anónimo de Ravena (Rav.IV.43); a grafia correcta seria ONUBA, conforme se lê em alguns numismas, no entanto permanece omissa na epigrafia.
- OSSONOBA, oppidum, actual cidade de Faro, mansio do Itinerário XXI de Antonino; sede da civitas Ossonobensis também mencionada em Mela (Cor. III, 5), Estrabão (Geo, III, 2, 5), Ptolomeu (II, 5) e Plínio (NH, IV, 116); várias inscrições revelam o seu estatuto municipal, duas inscrições colocadas pela res publica ossonobensis, uma dedicada ao imperador Aureliano (IRCP4), e outra dedicada ao imperador Valeriano, (CIL II 1), a inscrição no pedestal da estátua de Felicior, (CIL II 5141), flâmine e duúnviro da civitas Ossonobensis, a inscrição de Marco Cornelio, flamine provinciae Lusitaniae e patrono da civitas Ossonobensis (IRCP7); em S. Brás de Alportel apareceu o epitáfio de Marinae, uma Ossonobense (CIL II 5142).
- Oxthracae, segundo Apiano, era a maior 'cidade' da Lusitânia (Iberica, 58), mas a sua localização continua indeterminada.
- PAX IULIA, oppidum capital do Conventus Pacensis, actual cidade de Beja; caput viarum no Itinerário XXI e Itinerário XXII; referida por Plínio (NH, IV, 117) como colonia Pacensis e Ptolomeu (II, 5) como Pax Iulia, integrando-a na lista dos lugares dos Turditani tal como Myrtilis. Estrabão chama-lhe Pax Augusta e indica que foi fundada conjuntamente por Turdetanos e Romanos em território dos Celtici (Geo, III, 2, 15); poderá ser apenas um erro de Estrabão, mas também é possível que o seu nome completo fosse Pax Iulia Augusta. Os vestígios da antiga cidade romana sepultados durante séculos pelo actual centro urbano começam finalmente a emergir com as recentes escavações, incluindo um grande templo romano. Conhecem-se pelo menos 9 inscrições de pacenses, uma delas num pedestal de Marcius Pierus, augustal da Colónia Pacensis e do Município Eborensis.
- PERBRIGAM, oppidum citado no Ravennatis; será apenas uma diferente grafia de Ierabrigam, mansio do Itinerário de Antonino.
- PETAVONIUM, mansio do Itinerário XVII também mencionada por Ptolomeu (II, 6) localizada a 29 milhas de Astorga (ver nota 2), correspondendo ao acampamento militar romano da Legio X Gemina e Ala II Flavia Hispanorum localizado a oeste de Rosinos de Vidriales (Zamora); o povoado indígena deverá corresponder ao vizinho «Cerro del Castro» (Martino, 2005).
- PINETUM, oppidum e mansio do Itinerário XVII situada no Castro do Cabeço da Mochicara, junto da aldeia de Vale de Telhas (Mirandela), povoado situado a 20 milhas de Chaves onde apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelo cidadão romano Publius Aelius Flaccinus, sinal de algum estatuto administrativo sobre este território, possivelmente como sede de civitas; Pinetus em Ptolomeu (II, 6).
- PLAGIARIA, mansio comum ao Itinerário XIV e XV localizada no sítio romano de Pesquero em La Novelda del Guadiana, a 30 milhas de Mérida (Corrales 1987: 104). Plagearia no Ravennatis.
- PRAESIDIO, mansio do Itinerário XVII a 46 milhas de Braga; a sua localização permanece insegura, mas a distância a Braga sugere que esta estação viária estaria adiante de Pisões (Montalegre), possivelmente correspondendo aos vestígios de uma possível mansio no sítio de Leiras de Padrões, entre Perafita e Penedones, na bordadura da barragem, local por onde passava o Itinerário XVII.
- ROBORETUM, mansio do Itinerário XVII situada talvez no vicus da Torre Velha em Castro de Avelãs (Bragança).
- RUSTICANA, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), que deverá corresponder à mansio de Rusticiana mencionado no I.A. na rota de Emerita a Caesaraugusta, 42 milhas a norte de Cáceres, provavelmente localizada próximo da Fuente del Sapo entre Galisteo e Riolobos no Cerro de las Brujas (Roldán Hervás, 1971:86-87).
- SALACIA Imperatoria, oppidum sede de civitas, mansio do Itinerário XII que corresponde a Alcácer do Sal; mencionada por Plínio como Salacia Vrbs Imperatoria (NH, IV, 116), mas também em Mela (Cor. III, 6), Estrabão (Geo. I, 3, 1) e Ptolomeu (II, 5), enquanto no Ravennatis (Rav. IV.43) aparece na variante Salatia; o estatuto municipal é atestado por várias epígrafes honoríficas a magistrados, os duúnviros Iunio Philoni (IRCP 186) e Porcio Himero (CIL II 34), e do flâmine provincial Cornelio Boccho (CIL II 2479). Na Capela de S. João dos Azinhais em Torrão apareceu uma inscrição a Júpiter por Flavia Rufina, natural de Mérida, flâmine da província Lusitânia assim como perpétua da Colónia Emeritense e do Município Salaciense, hoje no Museu de Évora (CIL II 32); moedas cunhadas no séc. I a.C. ostentam a legenda IMP SAL, comprovando o seu nome romano ("Alcácer do Sal ao Tempo dos Romanos"; Faria, 2002).
- SALACIA, mansio do Itinerário XVII a XX milhas de Braga; talvez em Vieira do Minho.
- SALANIANA, mansio do Itinerário XVIII localizada a XXI milhas de Braga, hoje Travassos, Vilar (Terras de Bouro); também mencionada no Ravennatis (Rav. IV.45).
- SALLAECUS, oppidum mencionado em Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura. Em algumas cópias surge também nas formas Salaecus, Salecus e Isalaecus. Hipoteticamente localizado no povoado de «Outeiro dos Castelinhos», próximo da aldeia do Rosário no Alandroal. A etimologia de «sal» remete para um 'curso de água' (Curchin, 2007: 150), eventual referência à ribeira de Lucefécit que margina o povoado.
- SALMANTICA/ SALMANTICE, importante cidade romana, actual Salamanca, referida por Plutarco e Ptolomeu (II, 5) como uma das cidades dos Vetões.
- SARAPIA/ SERAPIA / RARAPIA, diferentes grafias de uma povoação na estrada de Évora a Faro, provavelmente situada na actual povoação de Alvalade (as anteriores propostas de Ferreira, Peroguarda ou Figueira dos Cavaleiros foram descartadas).
- SCALLABIS, oppidum sede do Conventus Scallabitanus e mansio do Itinerário XVI situada na actual cidade de Santarém. Também mencionada por Plínio com o cognome de Presídio Júlio («quae praesidium Iulium vocatur»; NH, IV, 117) e por Ptolomeu como Skalabis Colonia (II, 5) e em alguns traduções como Scalabiscus (por ex. no «Geographia Cl. Ptolemaei Alexandrini Olim a Bilibaldo Pirckheimherio traslata» de 1562). Aparece ainda no Chronicon de Idácio de Chaves (ca. 395 –d. 468) como Scalabim. A epigrafia corrobora o seu estatuto administrativo, em particular uma inscrição honorífica no pedestal da estátua de Aponius Capito, duúnviro e praefecto fabrum flamini coloniae Augustae, proveniente do demolido Convento de S. Domingos (RAP 546), e uma inscrição honorífica encontrada em Alcácer do Sal, colocada pelos habitantes da Colonia Scallabitana e dedicada a Cornelius Bocchus (CIL II 35), tribuno militar e flâmine provincial. Há também inscrições funerárias de veteranos da VII Legião Gémina Félix naturais de Scallabis em Tarragona (AE 1987, 736) e Lambaesis (Numídia, Argélia), indicando que pertenciam à tribo Sérgia, assim como um soldado da VI coorte pretoriana em Roma (CIL VI 2614) (vide Encarnação, 2017).
- SEGOABONCA/ SANGOABONIA, possíveis designações do vicus localizado em torno da Capela de S. Brás na Quinta do Campo (Coriscada, Mêda), com base numa
ara consagrada a Júpiter pelos Vicani S[?]/goaboaic(enses); hoje está no Museu da Guarda.
- SEILIUM, oppidum, mansio do Itinerário XVI situada na actual cidade de Tomar, junto da importante travessia do Rio Nabão. Foi elevado a municipium na era Flaviana, com base numa inscrição votiva ao GENIO MUNICIPII que foi reutilizada na construção da torre de menagem do castelo templário; R(es) p(ublica) S(eiliensis) noutras 2 inscrições encontradas na Igreja de Sta. Maria dos Olivais;
Forum nas traseiras dos Bombeiros;
inscrição a Nerva (CIL II 4961); há dúvidas na grafia do nome da cidade pois aparece como Sellium no Itinerário de Antonino e em Ptolomeu (II, 5), mas as referências a cidadãos Seilienses noutras paragens sugerem que a grafia seria mesmo Seilium, em particular no epitáfio de Gaio Valerius do Lorvão (Coimbra) hoje no MNA, e o epitáfio de Caius Rufinus (CIL II 2562) da Iglesia Paroquial de Queiruga em Porto do Son (Galiza).
- SELIOBRIGA, provável designação do povoado da Idade de Ferro existente no planalto de «Chãs da Ventosa» em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins, Cantanhede) que é referido num documento do ano 907 como «Sancto Martino de Seliobria» (PMH DC 15; Alarcão, 2004c). Poderá também corresponder à Celiobriga referida por Ptolomeu (II, 6).
- SENTICE
, estação viária situada a sul de Salamanca mencionada no Itinerário 24 de Antonino que poderá corresponder aos vestígios descobertos na «Finca de Dueña de Abajo» ou «de Dueña Chica» em Pedrosillo de los Aires; a sua designação poderá ter origem no termo Celta 'sento' que significa "o caminho" (Curchin, 1997: 274), nome assaz adequado a uma estação viária.
- SERIA Fama Iulia, civitas mencionada em Ptolomeu na Bética (II, 5) e por Plínio que adiciona o cognome de Fama Iulia («Seriae adicitur Fama Iulia», III,3); mencionada também no Ravennatis na sequência «Arucci, Fines, Seria». Ainda sem localização segura, mas tradicionalmente associada a Jerez de os Caballeros onde apareceu o epitáfio do seriense Modestus.
- SERPA, mansio do Itinerário XXI de Antonino localizada na actual cidade de Serpa; trata-se de um povoado da Idade do Ferro ao qual sucedeu um aglomerado secundário tipo vicus integrado no território Pacense que no entanto terá emitido moeda dado que se conhece um numisma com a legenda «SIRPENS», o que sugere a grafia original poderia ser Sirpa. André de Resende transcreveu no século XVI uma inscrição com o epitáfio da Serpensis Fabia Prisca (Resende, 1790; CIL II 971).
- STATIO SACRA, povoação romana mencionada no Ravennatis (Rav. IV.43) ainda sem localização segura. O nome statio sugere uma estação viária com posto policial, eventualmente localizada na Quinta do Marim em Olhão (Graen, 2007) ou junto da villa de Milreu em Estoi (Mantas, 2014).
- TALABARA, possível nome de um vicus a partir da leitura duvidosa de Hübner de uma inscrição rupestre funerária descoberta em Capinha (V(ico) (Tal)bara), actualmente no Museu Tavares Proença Júnior em Castelo Branco; Alarcão propôs a sua localização em Alpedrinha, onde comprovadamente existia um vicus (Alarcão,1988b) e mais recentemente surgiu a hipótese do vicus da Quinta de Ervedal em Castelo Novo (notícia); outra possibilidade seria uma das várias Talaveras que existem em território espanhol (Carvalho e Encarnação, 1994); a dúvida permanece.
- TALABRIGA, oppidum e mansio do Itinerário XVI situado muito provavelmente junto da travessia do rio Vouga num povoado hoje designado por Cabeço do Vouga (Monte Marnel, Lamas do Vouga), referida na documentação medieval como civitas marnele (in DC 819). A designação «Talabriga» significa «outeiro plano», nome que se adequa às características deste assentamento, formando uma plataforma quase plana no cimo do Monte Marnel. O seu território seria delimitado pelos terminus augustales de Úl e Guardão, fazendo fronteira respectivamente com as civitates dos Turduli Veteres com eventual sede em Langobriga (Castro de Fiães) e possivelmente com os Interannienses com eventual sede em Vissaium (Viseu). No Ravennatis é mencionada uma Terebrica (Rav. IV.43) numa sequência similar ao Itinerário. Ptolomeu refere uma Talabriga na Lusitânia (II, 5), mas as coordenadas dadas apontam para uma localização próxima da Ponte de Alcântara; seria outro povoado homónimo ou apenas um erro na coordenada? Haveria outras 'Talábrigas'? Apiano de Alexandria faz referência à conquista de Talábriga no século II a.C. pelo general Decimus Iunius Brutus, sugerindo uma localização próxima do rio Minho, portanto já fora dos limites da Lusitânia (Gomes, 2017: 74). A epigrafia parece confirmar esta localização, dado que dado que na Igreja Paroquial de Estorãos (Ponte de Lima) apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico colocada por uma Talabrigense (hoje no MNA), assim como no epitáfio de Anceitus, filho de Vaccei, «límico do castelo Talabriga» que apareceu em «El Repilado» (Jabugo, Huelva), não muito longe das Minas de Rio Rinto, local onde apareceu uma terceira referência a um Talabrigense, no caso no epitáfio do emigrante Fuscus Fucini. A dispersão geográfica destas referências não permite tirar conclusões sobre a localização de Talabriga; poderão ser emigrantes ou mesmo originários de uma outra «Talabriga» bem mais a norte no território dos Limici do rio Lima, sem qualquer relação com a Talabriga junto ao Vouga.
- TAMEOBRIGA, possível designação em época romana do vicus da Várzea do Douro com base numa inscrição votiva a Tameobrigus ( CIL II 2377, hoje no MSMS, nº 14), divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?) que foi encontrada em Castelo de Baixo, lugar situado na margem sul, já em território de Castelo de Paiva.
- TONGOBRIGA, cidade localizada na aldeia de Freixo em Marco de Canaveses a partir de uma ara ao Genius Toncobricensium (Dias, 1997); referida como «Tongobria» no Paroquial Suevo do século VI; ver sítio oficial da
Estação Arqueológica do Freixo.
- TABUCCI / TUBUCCI, mansio do Itinerário XV situada a 32 milhas de Santarém tradicionalmente associada a Abrantes; no entanto a sua localização mais provável seria junto do nó viário conhecido por Venda das Mestas (Casal de Tamazim, Bemposta, Abrantes). Admite-se que seja a mesma mencionada por Ptolomeu (II, 5) como Tacubis ou Tabucci (consoante os manuscritos). Omissa na epigrafia com a excepção de uma inscrição considerada falsa publicada por Fr. Bernardo de Brito em «Monarchia Lusytana» (Brito, 1690:550)
- TUDAE, oppidum e mansio do Itinerário XIX, actual cidade de Tui, na fronteira luso-espanhola; Tuda em Ptolomeu (II, 6) indicando que integrava o território dos Gruiori. Tude no Ravennatis (Rav. IV.43).
- TURMOGUM, oppidum localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5) que deverá corresponder à mansio de Turmulos ou Turmulus mencionado no I.A. na rota de Emerita a Caesaraugusta, 20 milhas a norte de Cáceres, junto da travessia do rio Tejo (Roldán Hervás, 1975: 274).
- TURRES ALBAE, povoado mencionado por Ptolomeu entre os Celtici da Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura. No original em grego lê-se Pyrgoi leukoi, levando Jorge de Alarcão a sugerir a sua localização em Tróia (Alarcão, 2012).
- TUROBRIGA / TURUBRIGA / TURIBRIGA, Torobriga é mencionada por Plínio entre as cidades da Baeturia Celtica hipoteticamente localizada junto da actual Ermida de San Mamés (Llanos de la Belleza), situada 3 km a norte de Aroche; várias inscrições testemunham a existência desta civitas nas formas Turubriga e Turibriga, algumas delas em território nacional, nomeadamente: o epitáfio de um Turobrigense em Corte de Messangil (Serpa), a inscrição da Quinta do Marim em Quelfes (Olhão) onde se lê «Turubri...» e a ara votiva à Deae Sanctae colocada pelo Turubrigense Lucius Axonius encontrada talvez em Quintos (Beja), uma das muitas epígrafes dedicadas à Deae Sanctae Ataecina Turibrigensi (actualmente contam-se cerca de 36 em toda a Hispânia), indiciando a existência de um santuário dedicado a esta divindade celta.
- TURRIS ARANIS, possível designação do vicus da Vila do Torrão proposta por Jorge Feio com base numa inscrição tardo-romano que apareceu na Igreja de São João Baptista dos Azinhais, antiga villa ou templo romano, situado a sul da vila; a inscrição que reaproveita uma antiga ara romana assinala a consagração deste local de culto aos Santos Mártires Justo e Pastor no século VII ou VIII; no frontão desta ara pode ler-se um monograma que foi interpretado como B(asi)L(ica) ARANA, o que levanta a hipótese de o povoado que existia no Torrão se chamar Aranis, sendo a palavra Torrão derivada do seu nome completo como Turris Aranis (Feio, 2010); neste local apareceu também uma ara ou pedestal com uma dedicatória a Júpiter colocada pela Emeritense Flavia Rufina, flaminica da província Lusitana, perpetua da colónia Emeritensis e do município Salaciensis (CIL II 32; IRCP 183); vide também Arandis
- TUNTOBRIGA, oppidum situado por Ptolomeu (II, 6) entre os rios Douro e Minho, integrando o território dos Callaeci Bracari que deverá corresponder a Tongobriga.
- VAGORNIA, provável designação do vicus referido numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicensis, achada no sítio da Cortinha do Fundo em Fiães (Valpaços), hoje no Museu da Região Flaviense em Chaves; variantes Lavagornia/Lovagornia/Tovagornia.
- VALABRIGA, provável designação do vicus de Perrelos, na base do Castro de S. Miguel-o-Anjo (Delães, Vila Nova de Famalicão), dado o achamento de uma inscrição dedicada à divindade Brigus por voto de um Valabrigensis nesse local (CIL II 5561), hoje no MSMS com o nº 24; o topónimo surge ainda numa inscrição funerária encontrada na villa da Quinta do Avelar em Adaúfe (Braga), o epitáfio de Bloena, também no MSMS com o nº 92.
- VELLADIS, povoado localizado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura.
- VENIA/ VIVENIA, prováveis designações do vicus dos vicani Veniensis referidos numa ara consagrada ao imperador Trajano achada em Meimoa (Penamacor); o vicus deverá corresponder aos importantes vestígios do Sítio da Canadinha na confluência do ribeiro da Queijeira com a ribeira de Meimoa, logo após a travessia desta na Ponte Romana?-Filipina e junto da via romana para Igaeditana pelo que aqui poderia existir uma mutatio. (Curado, 1979; Carvalho, 2002).
- VENIATIA, mansio do Itinerário XVII situada a 67 milhas de Astorga, provavelmente localizada nas proximidades de Villanueva de Valrojo.
- VENOBRIGA, provável designação latina de um povoado pré-romano a partir de uma referência em 1141 ao topónimo Venobria na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo André de Ancede»; António Lima sugere a sua associação ao microtopónimo Viombra próximo da Quinta de Esmoriz em Ancede, onde há vestígios romanos (Lima, 2014).
- VERURIUM, oppidum mencionada em Ptolomeu na Lusitânia (II, 5), ainda sem localização segura. Seria o Castro de S. Martinho, próximo de Castelo Branco?
- VISSAIUM, provável designação do oppidum situado na actual cidade de Viseu com base numa ara votiva achada em 2009 na necrópole da Porta de Cavaleiros, onde se menciona a divindade local VISSAIEIGUS (Fernandes et alii, 2009).
- VIPASCA, vicus associado ao importante couto mineiro de Aljustrel registado na epigrafia como 'coloni metalli Vipascensis' no pedestal da estátua de Berillo, 'procurador diligentíssimo' (IRCP 121), e como 'vico metalli Vipascensis' na famosa placa de bronze achada em 1876 onde é descrito o regime legal que vigorava na exploração mineira na época romana (ver foto).
- VOLOBRIGA, povoado localizado por Ptolomeu (II, 6) no território dos Nemetati, povo que habitava provavelmente o Val de Nebro na actual Galiza.
Povos na Época Romana (populi)
Os principais povos que habitavam o território nacional ou na sua fronteira são mencionados tantos nas fontes clássicas como em diversas inscrições. O termo «povo» tem aqui um carácter lato que comporta várias tipologias e poderá representar tanto uma pequena população de carácter tribal e confinada a um pequeno território, quer o nome de
populi ou
civitates que dominam toda uma região partilhando afinidades étnicas ou territoriais, pelo menos ao olhar do invasor; esta organização administrativa do território em época romana está na origem dos actuais municípios. Segue-se a lista alfabética desses povos com breves apontamentos sobre a sua localização.
- ADDOUIENSIS, povo apenas mencionado numa inscrição encontrada em Mogadouro (Bragança); (HEp 3, 1993, 466 = AE 1987, 587).
- AEMINIENSES, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) com capital em Aeminium, actual Coimbra.
- ARABRIGENSES, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara que ocupariam possivelmente o triângulo formado por Moimenta da Beira, Sernancelhe e Sendim; este povo é mencionado no epitáfio de Crispa (CIL II 967) encontrada na área num local chamado «El Gallego», 7 km a sul de Rosal de la Frontera, possivelmente uma emigrante deslocada da sua terra de origem.
- ARANDITANI, povo mencionado por Plínio na Lusitânia (NH, IV, 118); ver Arandis.
- ARAVI, povo que habitava a região do actual concelho da Mêda, com capital em Marialva; na inscrição da Ponte de Alcântara aparecem como Arani, talvez devido a um erro na transcrição do monumento original feita no século XIX.
- ARAOCELENSES, povo referido numa inscrição honorífica encontrada em S. Cosmado perto de Mangualde referindo o Castellum Araocelensis que poderá ser o nome romano do povoado do Monte da Sra. do Castelo em Mangualde.
- ARBUENSES, povo apenas mencionado numa inscrição aos Lares Couticivi encontrada em São João da Fresta (Mangualde).
- ASSANIACENSES, povo mencionado numa inscrição achada em Numão que assinala a construção de uma via (Assaniacenses viam fecerunt).
- AOBRIGENSES/ AULOBRIGENSIS/ AVIOBRIGENSIS, diferentes propostas para o nome de um povo mencionado no «Padrão dos Povos» como uma das civitates dependentes de Aquae Flaviae; Tranoy leu Avobrigensis (Tranoy, 1981:63) mas Vasco Mantas e Alarcão preferem a variante Aulobrigensis; no entanto, existe uma inscrição nas traseiras da Igreja de Fermedo (Arouca), com o epitáfio do Aviobrigense Laetus Caturonis; ver foto.
- BANIENSES, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara possivelmente ocupando o Vale da Vilariça em Torre de Moncorvo, com base numa ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIV» por Lucius Basus encontrada nas ruínas da capela de S. Mamede/Mesquita perto de Adeganha. Existe também uma possível referência a este povo numa inscrição rupestre em Penela da Beira onde se lê TVROS / BANIE(n)SV(m) (Carvalho, 1989: 78). A localização do oppidum mantém-se incerta, com as propostas a oscilarem entre o Povoado do Baldoeiro em Adeganha, o sítio do Chão da Capela em Junqueira, a Vila Morta em Sta. Cruz da Vilariça (Lemos, 1993) e o núcleo de povoamento formado pela Quinta da Terrincha e Olival das Fragas, na base do povoado da Senhora do Castelo (Garibo Bodí e Pereira, 2014: 545-550); na outra margem, na Quinta de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE 75; Lemos, 1993); nesta área apareceram ainda17 estátuas zoomórficas, em particular no sítio do «Olival dos Berrões», atestando a sua afiliação aos Vettones.
- BIBALI, povo mencionado por Plínio (NH, III, 28) que coloca o seu território no Conventus Bracarensis, mas que posteriormente ficaria sob o domínio de Aquae Flaviae pois é também mencionado no «Padrão dos Povos»; segundo Ptolomeu (II, 6) a sua sede seria designada por Forum Bibalorum, possivelmente localizada no Castro de San Cibran de Las Casas em San Amaro (Galiza); (Fonte, 2006).
- BRACARI, povo com capital em Bracara Augusta, hoje Braga.
- CALLAECI, povo mencionado por Plínio (NH, III, 28) ocupando muito provavelmente o território delimitado pelo rio Douro a sul, o rio Ave a norte, o Atlântico a poente e o rio Sousa ou o rio Tâmega a nascente; na Capela de Santa Comba (Sobreira, Paredes), numa área de exploração mineira, apareceu uma ara dedicada à sua divindade tutelar Calaicia; a capital poderia estar em Cale ou num dos castros mais centrais desse território como o Castro do Muro em Vandoma. Regista-se o nome Caellaecus numa inscrição proveniente de Torrejón del Rey (Guadalajara).
- CALUBRIGENSES/ ABIANIENSES, povo mencionado na inscrição da estátua de guerreiro encontrada em Santa Comba (Refojos de Basto, Cabeceiras de Basto), provavelmente proveniente do povoado fortificado homónimo; o nome do povoado tanto poderia ser Calubriga como Abianium ou Abiania (Redentor, 2008).
- CELTICI, povo mencionado por Ptolomeu na Lusitânia (II, 5).
- COBELCI, povo com capital em Torre das Águias, Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo); os Cobelci aparecem em várias inscrições como o
ex-voto de Flacci em Marialva,
epitáfio de Modestus em Barca Dalva e
epitáfio de Martialis em Mérida.
- COELERNI, povo mencionado no «Padrão dos Povos» e em Plínio (NH, III, 28); possivelmente associado a Castromao (Celanova, Galiza); há notícia de um numisma com a inscrição ÆL. MUNICIP. COEL. (Argote, 1734)
- COLARNI, povo mencionado inscrição da Ponte de Alcântara e por Plínio (NH, IV, 118).
- CRONISENSIS, povo mencionado numa inscrição votiva encontrada no lugar de Zebras (Orca, Fundão) dedicada à divindade Arentio Cronisensi.
- ELBOCORI, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) cujo território segundo J. Alarcão poderia corresponder a civitas da Bobadela (Oliveira do Hospital); (Alarcão, 2006).
- EQUAESI, povo mencionado por Plínio (NH, III, 28) e no «Padrão dos Povos»; a localização da sua capital e território continua incerta.
- FIDUENAE, possível nome dos habitantes da Citânia de Sanfins com base numa inscrição votiva num penedo nas proximidades do castro conhecido por «Penedo das Ninfas» (CIL 5607).
- GROVI, povo referido por Mela (Cor. III, 7) ocupando um território a norte do Douro próximo do Atlântico. Plínio integra-os na sequência «conventus bracarum, Heleni, Grovii, Castelum Tyde» (NH, IV, 112) sugerindo portanto uma localização a norte do Braga e próximo de Tui e do rio Minho, integrando portanto o conventus Bracaraugustanus. Em Vila Mou (Viana do Castelo), apareceu uma ara votiva dedicada a Júpiter colocada por Rufus Grovius enquanto outra apareceu reutilizada na muralha de Coria, datada do século I
d.C., contendo o epitáfio de Bassus um Grov[i]us que para ali terá emigrado (TRANOY, 1981: 373).
- IGAEDITANI, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara com sede em Idanha-a-Velha. No entanto, o povoado indígena poderá corresponder ao castro da Idade do Ferro chamado «Cabeço dos Mouros», localizado a cerca de 4 km da aldeia num meandro do rio Ponsul, junto da actual albufeira da barragem Marechal Carmona; a sua designação original poderia ser Igaedis com base numa inscrição votiva encontrada na Capela da Senhora do Almortão dedicada à divindade Igaedo (RAP 152).
- INTERANIENSES, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) sem localização segura; aparecem emigrantes Interanienses em Idanha-a-Velha (epitáfios de Vegeto e Amoena) e muitos outros estabelecidos em Mérida.
Uma tégula com a inscrição [...]ERRUS / [...]NIENSIS, achada na villa da Quinta do Prado e hoje no Museu da Guarda, poderá também referir este povo (ou por ex. Baniensis).
- LABARENSES, povo mencionado numa inscrição proveniente da Senhora da Moita em Galega, Mação (FE 638), possivelmente os habitantes de um vicus designado por Labara. Hipoteticamente relacionada com Lavare de Ptolomeu (II, 5).
- LANCIENSES OPPIDANI, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara, ocupando talvez a região a leste de Penamacor com base nos «termini augustalis que apareceram em Salvador e Pêro Viseu, marcado a fronteira inter Lancienses et Igaeditani, estes últimos com sede em Idanha-a-Velha (Carvalho, 2005); sendo vizinhas, não surpreende o aparecimento na aldeia de três inscrições funerárias Lancienses Oppidani em Igaeditana - o epitáfio de Lucrio, epitáfio de Albinus e o epitáfio de Aunia; há registo de outros emigrantes Oppidani em Cáceres (Taltico em Nuñomoral; Dutia em Villamiel) e Mérida. Ricardo Belo leu na última linha do miliário de Tácito de Lameiras a abreviatura «II L. O.» que poderia ser interpretada como «2 milhas a L(ancia) O(ppidana), distância compatível com um caput via localizado em «Centum Cellas» que fica aproximadamente a essa distância (Belo, 1960:41-44); Amílcar Guerra defende esta possibilidade (Guerra, 2007a: 161-206), mas o local não apresenta vestígios pré-romanos nem as típicas características de povoado indígena. Nesse sentido, a proposta de localização de Lancia Oppidana em Sortelha Velha por Mário Saa é mais credível (Saa, 1964) e mais de acordo com o que seria expectável de um povoado Vetão.
- LANCIENSES TRANSCUDANI, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara mas que ainda não tem localização segura (ver Alarcão, 2001b), mas é muito provável que ocupassem o planalto da actual cidade da Guarda, com sede em Póvoa do Mileu, antigo povoado romano junto da Capela da Sra. do Mileu e do Castro romanizado de Castelos Velhos (Carvalho, 2005); existem ainda referências a este povo bem longe do seu território como a lápide sepulcral de um Lanciense Transquadani em Vila Fria (Felgueiras) e ara votiva do transcudano Arri Reburri em Mérida (CIL II 5621).
- LAPPIOPPENSES, povo mencionado na estela funerária de Cloutus, achada em S. Cosme do Vale (Vila Nova de Famalicão), mas ainda sem proposta de localização; em Tarouquela (Cinfães), na margem do rio Douro e cortada de um penedo, existe uma inscrição à divindade MIROBIEVS colocada pelos [---]apiobicensis, possível referência a este povo.
- LEUNI, povo mencionado por Plínio (Plínio IV, 112) localizados talvez no baixo Minho, num território que chegava ao mar.
- LIMICI, povo mencionado no «Padrão dos Povos», por Plínio (NH, III, 28) e por Ptolomeu (II, 6) que refere a sua capital, Forum Limicorum, situada talvez em Xinzo de Limia (Ourense); o seu território abrangia a região pantanosa do Alto Lima na Galiza.
- LUANCI, povo mencionado por Ptolomeu (II, 6) que indica Merua como a sua capital ainda sem localização.
- LUBAENI, povo mencionado por Ptolomeu (II, 6) que indica Cambaetum como a sua capital; o seu território estaria entre os rios Cávado e Lima (Alarcão, 2001a).
- MEIDUBRIGENSES, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) e na inscrição da Ponte de Alcântara com possível capital em Freixo de Numão; em alternativa no Castro de Ranhados (Mêda). Há emigrantes Meidubrigenses em Capinha (epitáfio de Hispanus) e em Lamego (epitáfio de Boutia).
- MIROBRIGENSES, povo mencionado em diversas inscrições, uma em Santiago do Cacém, especificando o cognome Celticus, uma em
Garrovillas de Alconétar (Cáceres), outra em Casas de Don Pedro (Badajoz), duas em Garlitos (Badajoz), três em Capilla (Badajoz), e ainda em cinco términos augustais, um Ledesma (Salamanca), outro em Yecla de Yeltes (Salamanca), outro em Salamanca e os restantes em Ciudad Rodrigo. Com base nestes dados podemos equacionar a existência de dois povoados homónimos, referidos por Ptolomeu, um em território Turdetano de população Túrdula localizado na Bética, talvez em Capilla, designado talvez por Mirobriga Flaviae, e outro localizado na Lusitânia Céltica, a oeste de Salamanca, designado talvez por Mirobriga Celticum, também referida por Plínio como «Mirobrigenses qui Celtici cognominantur» (NH, IV, 118). As restantes localizações de Mirobrigenses deverá corresponder a emigrantes.
- NEMETATI, povo mencionado por Ptolomeu (II, 6) com capital em Volabriga.
- OCELENSES LANCIENSES, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118), ocupando talvez a região entre os actuais concelhos da Covilhã e Sabugal, com base em duas inscrições votivas com referências explícitas a este povo, uma encontrada no vicus da Quinta de S. Domingos em Pousafoles do Bispo, onde se leria «Vicani · / Ocel[o]n[e]/nses», hoje no Museu do Sabugal (Osório, 2002), e outra dedicada às divindades indígenas Arantia Ocelaeca e Arantio Ocelaeco, epíteto que remete para este povo, encontrada em Ferro (Covilhã); Alarcão sugeriu que a sua capital poderia ser no sítio romano de Terlamonte (Covilhã) com base numa inscrição achada em Teixoso mencionando um duumvir primus, indício de poder municipal (Alarcão, 1988), mas para Pedro Carvalho, os vestígios de Terlamonte não se coadunam com uma capital de civitas, apontando mais para uma villa agrícola (Carvalho, P., 2007); por outro lado Amílcar Guerra sustenta a equivalência entre Lancienses Ocelenses, referidos por Plínio, e os Lancienses Oppidani referidos na inscrição da Ponte de Alcântara (Guerra, 2007a), propondo «Centum Cellas» para sua capital que poderia designar-se de Ocelum em época romana; dadas a incertezas ainda existentes, a localização destes povos continua sendo um problema em aberto.
- PAESURI, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 113) com possível capital em Cárquere (Resende) ou no Castro de Sampaio (São Cristóvão de Nogueira, Cinfães); aparece também na inscrição da Ponte de Alcântara e na inscrição rupestre de Pindelo (Cinfães); foram detectados emigrantes Paesuri noutras partes da península, Caturo em Idanha-a-Velha e Marco Flavio em Rasillo de Cameros (La Rioja, Espanha).
- QUERQUERNI, povo mencionado por Plínio (NH, III, 28) e no «Padrão dos Povos» na grafia Quarquerni com possível capital em Aquis Querquernis, actual Baños de Bande (Ourense, Espanha).
- SANBRUCOLENSES, apenas mencionados numa inscrição encontrada em Chaves de um Sambrucolenses (CIL II 2482); talvez derive de Sambrocelensis.
- SEURBI, povo mencionado por Plínio (IV, 112) localizados a sul do rio Minho e a leste dos Leuni.
- SEILIENSES, habitantes da civitas Seiliensis com sede em Tomar; referências a emigrantes Seilienses no Mosteiro do Lorvão (Coimbra), o epitáfio de Iulianus, e na Galiza, em Porto do So, o epitáfio de Caius Rufinus.
- SERMACELENSES, apenas mencionados numa inscrição encontrada em Tinhela (Valpaços).
- TALORES, povo mencionado na inscrição da Ponte de Alcântara que deverá ser corresponder aos Tapori de Plínio.
- TAMAGANI, povo mencionado no «Padrão dos Povos» possivelmente localizados no Castro de Monterrei em Verín. O nome poderá derivar do rio Tâmega (Tamaga/Tamaca) que cruzava o seu território. Uma inscrição votiva refere um Tamacanus.
- TAPORI, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 118) ainda sem localização segura; Alarcão sugere um território com sede nos arredores de Castelo Branco, mais precisamente no aro formado pelo povoado do Monte de S. Martinho e as capelas de Ns. de Mércoles e de Santa Ana; outros autores relacionam este povo com a região de Oliveira do Hospital com capital em Bobadela (Guerra, 1998, Carvalho, 2006); existem várias inscrições funerárias referindo os Tapori, embora muito dispersas, nomeadamente os epitáfios de
Leuri em Idanha-a-Velha,
Amoenae em Conímbriga,
Maelo em Viseu,
Frontoni Lauri em Póvoa do Mileu (Guarda),
Iulius Proculus em Reguengos de Monsaraz,
[- - -]ano em Marvão,
Lubaecus em Torre dos Namorados e Tangini em Mata Rainha (Fundão).
- TUBENENSES, povo mencionado na inscrição da estátua de guerreiro encontrada em São Paio de Meixedo (Viana do Castelo), possivelmente originária da Citânia de Santa Luzia; o nome do povoado poderia ser Tubena ou Tubenum (Redentor, 2008).
- TURDITANI, povo mencionado por Ptolomeu (II, 5) que inclui Beja e Mértola entre as suas principais povoações; no entanto poderá ser apenas um erro de transcrição por confusão com os Tuedetani.
- TURDETANI, povo mencionado por Ptolomeu (II, 5) ocupando o sudoeste da Pensínsula Ibérica, correspondendo hoje aos territórios da Andaluzia e do sul de Portugal, incluindo entre as suas povoações os portos de Balsa, Ossonoba, Mirobriga, Caetobrix e Salacia.
- TURDULI, povo mencionado por Mela (Cor. III, 8) e Ptolomeu (II, 5) ocupando parte da Andaluzia, entre o rio Guadiana e rio Guadalquivir. Várias inscrições funerárias de Túrdulos: epitáfio de Cloutine em Mérida (CIL II 523), epitáfio de Vegetus 12 km a sudoeste de Mérida (AE 1998, 709) e epitáfio de Manilius em Hornachos (Badajoz) (AE 1997, 790).
- TURDULI VETERES, povo mencionado por Plínio (NH, IV, 113) e Mela (Cor. III, 6) situados a sul do rio Douro, ocupando talvez os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e Santa Maria da Feira e com possível capital em Langobriga (Castro de Fiães) ou no Castro da Sra. da Saúde (Carvalhos, Vila Nova de Gaia), onde apareceram duas raras tesserae hospitales datadas dos primeiros anos do século I mencionando especificamente os Turdili Veteres (AE 1983, 476 e 477). Há também registo de um emigrante «Túrdulo Velho» Quadratus encontrada em Coria (AE 1975, 513).
- TURODI, povo indígena mencionado por Ptolomeu (II, 6) com possível capital na futura Aquae Flaviae (Chaves).
- VETTONES, povo mencionado por Plínio junto ao rio Tejo (NH, IV, 116) e por Ptolomeu (II, 5) que indica os seus principais povoados; ocupariam a região fronteiriça entre os rios Douro e Tejo.
- ZOELAE, o povo dos Zoelas
é referido por Estrabão (Geo. I, 3.6) e Plínio (NH, XIX, 10) que habitava um vasto território entre Zamora e o Nordeste de Portugal, mas em especial na célebre Tábua dos Zoelas ou Tábua de Astorga (CIL II, 2633; ver foto) hoje no Staatliche Museen em Berlin. Trata-se de uma placa de bronze com um pacto de hospitalidade entre dois grupos tribais do povo dos Zoelas, os Desoncos e os Tridiavos. Desde modo é provável que a sua capital estivesse no actual território Espanhol. Alguns autores propuseram o sítio da «Torre Velha» em Castro de Avelãs (Bragança), com base na inscrição colocada pela Ordo Zoelarum (CIL II 2606) à sua divindade tutelar designada por Aernus (Redentor, 2002: 297). Esta divindade surge em mais duas inscrições, uma descoberta no mesmo local colocada por Placidius Placidiano (CIL II 2607) e noutra descoberta não muito longe na Capela do Sr. de Malta (Macedo de Cavaleiros) colocada por Lucretius Valens (ILER 710; Vasconcelos, 1913), indiciando que toda a região de Bragança seria habitada por este povo (Barranhão e Tereso, 2006).
Ilhas, Portos e Promontórios (insulae, portus et promontoria)
- Insula ACHALE, a ilha de Achale é referida na «Ora Marítima» de Avieno, correspondendo possivelmente a Tróia (Ribeiro, 1996).
- Insula LONDOBRIS, mencionada por Ptolomeu (II, 5) como uma ilha adjacente à Lusitânia que poderá corresponder às Ilhas das Berlengas ou a Peniche que era também uma ilha na época romana separada da costa em 1200 m (Guerra, 2005: 119-129).
- Insula POETANION, ilha referida por Avieno na «Ora Marítima», sem localização segura. Segundo Cardim Ribeiro corresponderia à Ilha do Bugio na boca do Tejo, também designada por Alpeidão, topónimo de origem moçárabe que poderá ter derivado da sua antiga designação Poetanion (Ribeiro, 1996).
- Portus GADITANUS, referido por Mela (Cor. III, 4) actual porto de Cádiz.
- Portus HANNIBALIS, porto marítimo referido por Mela (Cor. III, 6-8), perto do Sacrum promontorium (Cabo de São Vicente); será a foz do rio Arade em Portimão?
- Portus SALACIA, porto marítimo de Alcácer do Sal mencionado no Papiro de Artemidoro que também refere uma torre (seria uma farol?).
- PATULUS Portus, porto referido na «Ora Maritima» de Avieno; segundo Cardim Ribeiro estaria situado na foz do rio Sado (Ribeiro, 1996); o nome pode ser interpretado como "porto aberto" (Curchin, 2007: 149), uma designação assaz adequada porque de facto o rio Sado forma um vasto estuário ao desaguar no oceano, criando portanto um 'entrada aberta' para os portos nas suas margens.
- Ostium Fluminis ANAE, ou Foz do rio Guadiana, referida por Ptolomeu (II, 5) e no Itinerário XXIII de Antonino.
- CYNETICUM Iugum, referido na «Ora Maritima» de Avieno, possivelmente o Cabo de S. Vicente (Alarcão, 2001).
- CEMPSICUM Iugum, referido na «Ora Maritima» de Avieno, possivelmente o Cabo Espichel; na 'editio princeps' surge como Cepresicum (Ribeiro, 1996).
- Prominens OPHIUSSAE, referido na «Ora Maritima» de Avieno, possivelmente o Cabo da Roca; na região de Ophiussa Avieno menciona os povos Cempsi, Sefes e Dragani (Ribeiro, 1996).
- Promontorium AVARUS/ AUARON, referido por Ptolomeu (II, 6) entre os rios Neiva e Ave, no território dos Callaici Bracares que poderá corresponder ao Cabo de Santo André, Póvoa do Varzim.
- Promontorium BARBARIUM, referido por Estrabão (Geo. I, 3, 1) e Ptolomeu (II, 5), possivelmente o Cabo Espichel.
- Promontorium CUNEUS, referido por Mela (Cor. III, 5) e Plínio (NH, IV, 116) aparentemente referindo-se à forma em 'cunha' da costa sudoeste da Ibéria, formada pela parte ocidental do Algarve e do litoral Alentejano.
- Promontorium MAGNUN, referido por Plínio junto a Lisboa (NH, IV, 113) e também por Mela (Cor. III, 5) que deverá corresponder ao Cabo da Roca (Guerra, 2005).
- Promontorium MONS LUNAE, «Monte da Lua», referido por Ptolomeu (II, 5) provavelmente o Cabo da Roca.
- Promontorium SACRUM, referido Plínio (NH, IV, 116) e Ptolomeu (II, 5), corresponde ao Cabo de S. Vicente; Estrabão parece referir-se a este promontório como Hieron akrotérion (Geo. I, 1, 4; Alarcão, 2005).
Rios (flumina)
Minho: MINIUS (1, 6, 7)/ MINUA (11)/ BAENIS (9)
Lima: LIMIA (1)/ LIMIUS (7)/ LETHES (10)/HADE? (11)
Neiva: NEBIS (1, 6)
Cávado: CELADUS (1)
Ave: AVO (1)/ AVUS (6)
Tâmega: TAMEO (12)/ TAMACA (13)
Douro: Durio (2, 4)/ DURIUS (2, 7, 10)/ DORIUS (5)
Vouga: VACUA (7)/ VACCA (4)/VACUS(5)
Mondego: MUNDA (2, 4, 7)/ MONDA (5)/ AEMINIUM (4)
Nabão: NABUM (11)
Tejo: TAGUS (2, 4, 5, 8, 10, 11)
Sado ou Mira?: CALIPODIS/ CALIPUS (5)
Guadiana: ANA (3, 4, 5)
1. Mela, De Chorographia (III, 7): «
Avo, Celadus, Nebis, Minius et cui oblivionis cognomen est Limia».
2. Mela, De Chorographia (III, 6): «
Tagi ostium»; «
Munda»; «
Durius».
3. Mela, De Chorographia (III, 3): «
fluvium Anam».
4. Plínio, Naturalis Historiae (IV, 35): «
Durio»; «
Vacca»; «
Aeminium»; «
Munda»; «Tagus»; «
Anae».
5. Ptolomeu, Geographia (II, 5): «
Anas»; «
Dorius»; «
Calipodis»; «
Tagus»; «
Monda»; «
Vacus»
6. Ptolomeu, Geographia (II, 6): «
Avus»; «
Nebis»; «
Limius»; «
Minius»
7. Estrabão, Geographia (III, 3, 4): «
Vacua»; «
Minius»; «
Munda».
8. Estrabão, Geographia (III, 3, 1): «
Tagus».
9. Artemidoro, Geographoumena (II): «
Baenis».
10. Avieno, Ora maritima (Hisp.71): «
Tagus»; «
Lethes»; «
Oblivion» «
Durius».
11. Anónimo de Ravena, Cosmographia (IV, 45): «
Tagus», «
Nabum», «
Hade», «
Minua».
12.
Inscrição votiva à divindade
Tameobrigus (CIL II 2377) que apareceu nas proximidades da foz do rio Tâmega.
13. Os
Tamagani referidos no
«Padrão dos Povos» poderão estar relacionados com o rio Tâmega (
Tamaca).
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Publicação no «Ficheiro Epigráfico» 210 de alguns comentários sobre os números FE 731 a 733 (possíveis miliários no concelho de Moimenta a Beira) - ver https://viasromanas.pt/index.html#regua_moimenta
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Glossário
Glossário de termos usados na descrição dos itinerários.
Latim:
- Agri - campos agrícolas na dependência da villa romana.
- Agger - estrutura sobrelevada formando um talude de terra por onde corria a via.
- Balneum - banhos ou balneários privados integrados na villa romana.
- Calx (pl. Calcis) - óxido de cálcio, vulgo cal; utilizada como aglomerante no fabrico de betão, como elemento de união de silhares e para impermeabilização de superfícies.
- Caput Via - ponto de partida ou chegada para a contagem das milhas; nó viário.
- Cardus Maximus - no urbanismo romano é a via transversal no sentido norte/sul.
- Castellum (pl. Castella) - povoado fortificado da Idade do Ferro; também usado para designar as torres para reservatório e distribuição de água como seja o caso de Alcabideque em Conímbriga.
- Cetaria - tanque para a preparação do garum.
- CIL Corpus Inscriptionum Latinarum - compilação de inscrições latinas; o epigrafista alemão Emil Hübner publica em 1869 o CIL II com as inscrições da Hispânia.
- Civitas (pl. Civitates) - circunscrições com poderes tributários e administrativos, com a capital centrada numa povoação proto-urbana muitas vezes fortificada, designada por oppidum, habitualmente associadas a um povo, tribo ou comunidade. A área territorial das civitates é muito variável em função das características geográficas do local, mas oscila habitulamente entre as 15 e as 20 milhas de raio.
- Cloaca - rede de esgotos utilizando colectores de dimensões relevantes.
- Conventus - divisão administrativa; em Portugal existiram três sedes administrativas deste tipo: Braga, Santarém e Beja.
- Curator Viarum - título do responsável pela construção e manutenção das viae publicae.
- Cursus Publicus - rede viária incluindo o correio oficial, pontes, vias e sistemas de apoio.
- Decumanus Maximus - no urbanismo romano é a via transversal no sentido este-oeste.
- Diverticulum - desvio ou ramo que partia da via principal.
- Domus - casa particular ocupada por um único proprietário e sua família.
- Flumen - rio, ribeiro, corrente de água.
- Forum - praça central no cruzamento da Cardus Maximus com a Decumanus Maximus, centro da vida pública romana.
- Fundus - área na dependência de uma villa romana.
- Garum - pasta de peixe com ervas aromáticas, azeite e sal, exportado para Roma.
- Imbrex (pl. Imbrices) - telha cerâmica em meia cana colocada sob as tegulae para escoamento da água.
- In Situ - no sítio, no local original.
- Lares Viales - divindades protectores das estradas; habitualmente estas inscrições estão junto das vias.
- Lares Compitales - divindades protectores das encruzilhadas da mesma forma que os cruzeiros medievais.
- Magistri Pagi - homens notáveis de uma região que sob as ordens do Curator Viarum geriam a manutenção das vias.
- Mansio (pl. mansiones) - estação oficial de apoio à via com albergue e muda de montadas, em cada 20 a 30 milhas (30-45 km).
- Milia - milha romana, mil passos; o valor da milha romana ronda os 1500 m.
- Milia Passuum - mil passos ou milha romana.
- Municipium - cidade com estatuto municipal.
- Mutatio (pl. mutationes) - muda de montadas de apoio à via em cada 10 a 12 milhas (15-18 km).
- Oppidum (pl. Oppida) - povoado com um núcleo urbano fortificado, habitualmente capital de uma civitas.
- Oppidum Latii - povoado ao qual foi atribuído o «antigo direito latino», estatuto que conferia a cidadania romana aos seus habitantes; Plínio refere 3 cidades na Lusitânia com este estatuto: Évora, Mértola e Alcácer do Sal (oppida veteris Latii Ebora, quod item Liberalitas Iulia, et Myrtilis ac Salacia) (NH, IV, 117).
- Oppidum Stipendiarium - estatuto atribuído a um povoado com importância regional, ficando sujeito ao pagamento de um tributo, chamado de vectigal ou stipendium.
- Opus Caementicium - o betão romano, um cimento produzido com areia, cal e cinzas pozolânicas.
- Opus Incertum - técnica construtiva com recurso a pequenas pedras de formato irregular.
- Opus Quadratum - técnica construtiva com recurso a blocos de pedra (silhares) de forma paralelepipédica para construir muros ou paredes.
- Opus Signinum - argamassa feita de cal hidráulica, areia e tijolo miúdo, para construção de pavimentos e impermeabilização de tanques e paredes.
- Pars Fructuaria/frumentaria - parte da villa romana onde se situa os anexos produtivos (lagar, celeiro, estábulos, forja, etc).
- Pars Rustica - parte da villa romana onde se situam as residências dos criados.
- Pars Urbana - parte da villa romana onde se situa a residência do proprietário.
- Podium - base onde assentam os edifícios monumentais romanos.
- Pons Sublicius - ponte assente em pilares de madeira.
- Pons Roboreus - ponte construída em madeira.
- Saltus - área de pastagem na dependência da villa romana.
- Silva - área de bosques ou florestas.
- Stadia - distância de um estádio = 184.7 m; unidade utilizada em trajectos marítimos ou fluviais.
- Statione - posto de controlo viário nos pontos estratégicos da via como sejam pontes e fronteiras territoriais.
- Tabernae - lojas; albergue na estrada onde se podia comer e pernoitar.
- Tegulae - telha cerâmica plana com rebordos para encaixe. Os achados mais comuns.
- Terminus Augustalis (pl. Termini) - inscrição de demarcação de limites territoriais.
- Terra Sigillata - cerâmica fina de mesa, indicador de trocas comerciais preponderantemente de importação.
- Trifinium - inscrição que demarca os limites de três territórios.
- Tugurium - pequeno grupo de casas e casebres de habitação.
- Urbs - grande centro urbano, o mesmo que cidade.
- Viae Publicae - via pública, principal, militar, da responsabilidade do estado.
- Viae Vicinales - vias secundárias que derivam das publicae para acesso a povoados.
- Viae Privatae ou Agrari - vias privadas ou de servidão à exploração agrária.
- Vicus (pl. Vici) - aglomerado populacional, aldeia.
- Villa (pl. Villae) - expressão genérica para casa senhorial.
Português:
- Anepígrafo - que não tem inscrição.
- Ara - pedra em forma de altar para receber inscrição votiva ou funerária.
- Cetária - Tanque de forma rectangular destinado à salga e fabrico de molhos e outros preparados de peixe como o Garum
- Légua - a antiga légua terrestre corresponde a 6600 m; 1/4 de légua (1650) equivale a cerca de uma milha romana.
- Necrópole - cemitério, literalmente cidade da morte.
Abreviaturas
- AE - Auto-estrada.
- EN - Estrada Nacional.
- EM - Estrada Municipal.
- CM - Caminho Municipal.
- CF - Caminho-de-Ferro.
- CM - Câmara Municipal.
- JF - Junta de Freguesia.
Mapas
- Em cada itinerário existe um mapa das vias na região no topo esquerdo em formato JPEG; estes mapas foram elaborados em 2006 com o software Agis Map, mas hoje estão desactualizados e são apenas para facilitar a leitura dos itinerários.
- A georreferenciação da rede viária romana está disponível para visualização no Google Maps com a localização dos principais vestígios associados à rede viária como mansiones miliários, pontes, assim como a construção progressiva dos prováveis traçados romanos.
Intro |
Estradas |
Miliários |
Pontes |
Documentos |
I.A. |
Lares |
Términos |
Povoados |
Bibliografia |
Glossário

Ponte Romana de Vila Formosa (Alter do Chão)