| Vias Romanas em Portugal | ||
| Itinerários Romanos | Translate |
Sobre este siteEste site foi lançado em 2004 na tentativa de fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Foi inicialmente pensado para uso pessoal mas partilhado com todos sem outro fim que não a preservação e divulgação deste património. Entretanto o site foi evoluindo para um repositório de todo o trabalho e esforço dos muitos autores que se têm dedicado a esta tema. Esta página inicial contém todos os itinerários de forma descritiva de forma a ser facilmente consultada, sendo depois apoiado em outras páginas complementares com informações sobre a "Viação Romana", o histórico de «Evolução» do site e um projecto de «Georreferenciação» dos achados viários; e progressiva cartografia dos traçados viários. Para além da evidência arqueológica, existem cópias medievais do dito « Itinerário de Antonino» que constitui um documento essencial sobre a viação nesse período. Trata-se de uma preciosa compilação dos principais itinerários romanos indicando as estações viárias e as respectivas distâncias intermédias expressas em milhas. São apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como muitos outras vias que compunham a extensa rede viária utlizada durante o período romano. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que avança o estudo da viação romana em Portugal. Não devem por isso ser lidos como percursos definitivos, mas antes um documento em constante evolução dinâmico que sofre constantes evoluções e correcções.Ver também: |
| ITER XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII |
Bracara a Cale
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO) CCXLIIII milhas
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM IERABRIGA SCALLABIN SEILIUM CONEMBRIGA EMINIO TALABRIGA LANGOBRIGA CALEM BRACARA m.p. CCXLIIII m.p. XXX m.p. XXXII m.p. XXXII m.p. XXXIIII m.p. X m.p. XL m.p. XXVIII m.p. XIII m.p. XXXV Braga (BRACARA AUGUSTA) No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com o Itinerário Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu. No vizinho Museu Pio XII estão depositados mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), Vila Nova de Famalicão; neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo, FE 196, e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião. Braga (o começo da via era assinalado por um miliário de Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é ainda visível na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, junto da biblioteca, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a saída da cidade para Cale seguiria na direcção sul passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, aproximadamente pelas actuais ruas de Santiago, S. Sebastião e Direita até ao Largo de Maximinos, antiga saída da cidade, onde iniciava a marcação miliária) Ferreiros (m.p. I; segue pela rua do Cruzeiro, vencendo a primeira milha junto do marco divisório da Gandra, cruzando pouco depois a linha férrea; do outro lado surgem umas alminhas assinalando a continuação pelo «Caminho de Baixo» por Quintela e Casal Novo rumo à travessia do rio Este no lugar da Ponte Nova, onde há ponte antiga, talvez medieval) Lomar (m.p. II; Argote refere um miliário de Crispo na Igreja Velha de Lomar, actualmente desaparecido, CIL II 4764, assim como duas aras funerárias; no entanto o miliário poderia estar na Capela de Lomar em Ponte Nova por onde passaria a via, seguindo depois pela rua da Costa até Custoias, onde toma o caminho de terra pelo monte até reunir com a rua da Bemposta, seguindo pela travessa das Pedreiras) São Miguel (m.p. III nas alminhas; a via seguiria para Figueiredo por «Estrada», mas hoje está cortada pela A11, havendo alminhas na outra banda) Figueiredo (m.p. IV; tesouro monetário em Pipe; vestígios na Casa da Vila; a nascente situa-se a Mamoa de Lamas; segue talvez pela rua do Salgado, Capela de Santo António, onde vencia milha 4) São Vicente do Penso (m.p. V; continua talvez por Carcavelos, Alminhas de Pombal, Alminhas de Cruz, Alminhas do Sr. Padrão, eventual alusão a um miliário, seguindo pelo chamado «Caminho de Santiago» até ao nó viário da Portela, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, de onde provém a ara de Antiscreus, actualmente no MSMS, nº 15) Portela (m.p. VI; miliário de Constantino II, actualmente no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; foi encontrado no sítio das «Carreiras», topónimo hoje difícil de precisar) Telhado (m.p. VIII; possivelmente está sob a EN319, seguindo a margem direita do rio Pelhe) São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário de Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de S. Cosmado», entretanto desaparecido, Argote, II, 598; CIL II 4867) São Martinho do Vale (m.p. X; continua por Pousada, cruza o rio Pelhe, Devesa, cruza a EN319 segue pelo caminho das Alminhas de Tojão) Cruz de Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 junto da Alminhas do Senhor da Boa Fortuna e segue recto pelo caminho em terra) S. João da Pedra Leital (m.p. XII; passaria na base da capela, mas hoje está cortada pela A3, continuando do outro lado por «Devesa Alta») Santiago de Antas (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por esta por Vela e Capões)
Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário de Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido numa «capela arruinada» (CIL II 4740); Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois e a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas; actualmente está desaparecido) Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat da Igreja Velha; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário ilegível suportando uma varanda de uma casa, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa? da Qta. de Boamense) Santa Catarina (m.p. XVI; miliário de Caracala suporte uma varanda na Qta. de Sta. Catarina, proveniente do sítio do Marco; Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado, este marco poderia indicar a milha 16; continua por Fial, Pé de Prata, Fonte dos Castanheiros e Garrida, seguindo pela rua dos Almocreves para Montezelo) Lousado (m.p. XVII; miliário de Magnêncio descoberto na Igreja Paroquial em Montezelo, actualmente no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.285) Travessia do rio Ave (na sua forma actual a Ponte da Lagoncinha é uma construção medieval sem qualquer vestígio romano; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro a illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas (Barroca, 2004). De facto, a ponte parece servir Santo Tirso e não a Trofa pois para atingir esta última teria de percorrer a margem esquerda do rio Ave; assim, é possível que a travessia no período romano se fizesse mais a jusante na «Barca da Esprela», junto da confluência do rio Pelhe no Ave, num trajecto mais directo rumo à Ponte de Sedões) S. Martinho de Bougado (depois de cruzar o rio Ave seguia talvez junto da estação C.F. onde existia um marco na berma da estrada com base quadrangular, possível miliário que entretanto sumiu; continuaria pela Igreja da Ns. das Dores até entroncar na EN14) Vale do Eirigo (m.p. XX; continua pela EN14 até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho a cerca de 500m da via) Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha» em consequência da construção da estrada real Porto-Braga:
Peça Má (m.p. XXI; miliário de Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário de Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha) Quintã (m.p. XXII; topónimo «Venda Velha» sugere uma estação viária neste local) Nó viário de Alvarelhos Na base do Castro de Alvarelhos («civitas Albarelios» num documento do ano 907) deveria existir uma estação viária de apoio à via na sua passagem pelo vale da ribeira da Aldeia, a 12 milhas de Cale. Em Sobre Sá, junto ao castro, apareceu uma inscrição com o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisensis, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Próximo do castro, em Vila Boa, surgiram vestígios de uma villa romana nos terrenos da Casa de Milreus, nomeadamente mosaicos e 3 aras na necrópole, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado presumivelmente na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980). Daqui partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago. Uma outra via partia do castro rumo ao Castêlo da Maia, onde entronca na via principal para Cale.
São Cristóvão do Muro (m.p. XXIII; miliário de Maximiano encontrado numa propriedade do Dr. Lima Barreto, Quinta de São Cristóvão, CIL II 4743 ao km 12.7 da EN14, indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído; no jardim da Quinta do Paiço encontra-se um miliário de Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa; foi certamente deslocado da via romana que seria neste troço coincidente com a EN14 e indicaria possivelmente a milha XXIII pelo que seria do mesmo local que o anterior) Carriça (m.p. XXIII na divisória entre os concelhos de Trofa e Maia; antiga estalagem; continua pela EN14 por Ribela) S. Pedro de Avioso (m.p. XXIV; miliário de Caro do Ferronho; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava no lugar da Espinhosa, 19 m a poente de EN14, passando depois para as Alminhas dos Passos/St. António na EN14s, onde esteve até ser transferido para o Museu da Maia onde está em exposição juntamente com a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja) Castêlo da Maia (m.p. XXV; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de S. Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Castro de Avioso/Monte de St. Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisensis, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca) Barca (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga numa casa do lugar de Rapozeira; estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca que serve de divisão entre freguesias no lugar da Pinta (Ribeiro, 2016); daqui seguiria pela rua da Pinta rumo ao centro da Maia, mas hoje toda a área está muito alterada e a via destruída) Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, próximo da CM; segue a rua Augusto Simões e rua do Catassol) Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX; a via serve de divisória entre as freguesias de Leça do Balio e Gueifães, atingindo a milha 29 no cruzamento com a rua António Aleixo, continuando pela rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda) Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha) São Mamede de Infesta (m.p. XXXI no Largo da Ermida; continua pela rua da Conceição, cruza a estação C.F. e segue até à Capela de St. António Telheiro; topónimos Carriçal e Largo do Marco indiciam a passagem da via que venceria a milha 32 na actual linha divisória entre os concelhos do Porto e Matosinhos)
Cedofeita (m.p. XXXIV; continua pela rua Antero de Quental até ao Largo da Igreja da Lapa, passando junto da Capela do Sr. do Socorro onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago, seguindo depois pela Praça da República, antigo «Campo de St. Ovídio», rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de St. Ovídio», atingindo a milha 34 no cruzamento da rua das Oliveiras com a Travessa de Cedofeita, na linha divisória entre as freguesias de Cedofeita e Vitória, continuando pela rua Sá de Noronha, Largo do Moinho de Vento, «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», onde vencia a milha 35) Porto (CALE) oppidum; a milha 35 corresponde ao Jardim da Cordoaria pelo que a estação viária poderia estar neste local; daqui descia ao Cais da Ribeira talvez pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, cruzava o rio da Vila na «Ponte da Pedra», junto do antigo Largo de S. Roque (entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio), entrando no morro da Sé pela rua do Souto e Porta de Sant'Anna, cujo arco foi demolido em 1821. A possível sede dos Callaici corresponde ao Morro da Pena Ventosa, onde está a Sé, existindo ainda vestígios do antigo castro na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro na rua D. Hugo, assim como nos alicerces da própria Sé, onde apareceram algumas epígrafes: inscrição aos Lares Marinhos («Laribus Marinis»), ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e a ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos, alberga a chamada «Colecção Epigráfica do Seminário Maior», hoje Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular da muralha romana, estruturas habitacionais e a monumental villa da Casa do Infante com os seus notáveis mosaicos (Ramos, 1994); a recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores (Silva, 2010), demonstrou que o povoamento romano estendia-se por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS Magaudiis(?) talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à «Via Nova» e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses do Itinerário Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km, o que que corresponde ao acidente geográfico do Cachão da Valeira, limite de navegabilidade do rio até ao século XVIII quando foi finalmente dinamitado, permitindo a nevegação além desse ponto. |
Cale a Talabriga
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no «Ravennatis» (Rav. IV.43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus, militar da Legião X Gémina originário de Olisipo e membro da tribo Aemilia, hoje em exposição no Solar dos Condes de Resende; ILER 6317; Guimarães 1995, 2000) Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha ascendia pela antiga «Calçada de Vila Nova», também conhecida por «Rua Direita», nas actuais rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes ou, em alternativa pela rua General Torres) Mafamude (m.p. I no Largo dos Aviadores; continua pela rua Marquês Sá da Bandeira marginando o Castro de Mafamude, continua pelo Jardim Soares dos Reis e rua da Rasa, junto do «Clube Vilanovense» toma a rua António Rodrigues da Rocha, ascendendo suavemente à Rotunda de St. Ovídio) Santo Ovídio (m.p. II; no cruzamento com a rua do Padrão existia a Capela do Sr. do Padrão, já desparecida, certamente em alusão ao miliário desta milha; continua pela rua Soares dos Reis, rua Fonte dos Arrependidos, rua da Palmeira, reaparecendo do outro lado da A1 como rua do Alto das Torres) Rechousa (m.p. III; continua pela rua da Rechousa) Canelas de Cima (m.p. IV na subida da Sra. do Monte, onde ainda resta um raro vestígio de algumas lajes da calçada de romana, paralela à actual rua Sra. do Monte, mas a via foi destruída pela construção da EN1 e em parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono; continua pela estrada actual onde existe o topónimo Vendas de Cima, mas depois foi cortada pela construção do nó da auto-estrada, onde vencia a milha V) Carvalhos (m.p. VI; a via reaparece na Av. Dr. Moreira de Sousa, seguindo pela rua do Padrão até ao Largo França Borges, onde estaria o miliário da milha VI, continuando pela rua Gonçalves de Castro) Monte Murado (Ceno Oppido?) (m.p. VII; eventual mutatio em Seada, na base do Castro romanizado do Monte Murado, possivelmente o povoado Ceno Oppido referida na Cosmografia do Anónimo de Ravena; duas necrópoles; duas raras tesserae hospitales foram encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo em Idanha e hoje estão no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização; continua paralela à EN1) Barrancas (m.p. VIII nas Alminhas; continua por Feiteira) Vendas de Grijó (m.p. X na Ribeira da Venda) Picôto (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada; vide via para Santa Maria da Feira) Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842) Lourosa (m.p. XIII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas) Ferrada, Fiães (m.p. XIV; a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até Ferrada, topónimo viário onde venceria a milha 13; pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50m depois na rua do Arieiro; mais uma atentado ao curso da via perfeitamente evitável) LANGOBRIGA, mansio a 13 milhas de Cale e 28 milhas de Talabriga; o povoado estaria 1000m a nascente no Castro do Monte de Sta. Maria no Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter, hoje em exposição no Museu Convento dos Lóios, na Feira, e o epitáfio de Boutius; no entanto a mansio poderia estar situada no lugar da Ferrada, possivelmente de onde partia o diverticulum de acesso ao castro. Souto Redondo (m.p. XV; continua pela rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da antiga «Estrada Real» com a calçada original em seixos rolados, seguindo até ao Largo de Airas, onde resta um pequeno troço de calçada com cerca de 50m formada por grandes lajes de pedra, continuando pela «Estrada Real» até desembocar na EN1) Albergaria de Souto Redondo (m.p. XVI junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco e da Malaposta de S. Jorge, seguindo sob a EN1 pela rua da Malaposta) Escapães (m.p. XVIII; clara referência à via romana como «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Vimieira de Coimbra», povoação situada a sul de Mealhada; continua pela EN1, marginando a Capelinha da Meia Légua, onde toma a rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, na milha 17, continuando depois pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Vicente Reis) Arrifana (m.p. XIX junto da Igreja Matriz; possível mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via E-O que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecida" no Museu Soares dos Reis; continua pela rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição) S. João da Madeira (m.p. XX junto da Igreja Paroquial; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 703; em 1995 apareceu um tesouro com 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez junto da Capela de St. António, continuando pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães) Faria (m.p. XXII; segue a rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana até ao rio Úl) Ponte Medieval da Pica (m.p. XXIII; continua por Cavadas do Couto, cruzando a EN1 e seguindo pelo caminho defronte que foi cortado pela A1 300m depois; do outro lado da A1, a via reaparece para ir cruzar a ribeira do Cercal na base de um possível povoado referido por «Castelo», passando junto de um sítio referido por «Torre Antiga», possivelmente uma atalaia para controle da via associado à milha 22; Act. 2017) Lações (m.p. XXV; continua por Lomba, EN227-1, Lações de Cima, marginando o castro no Monte da Sra. de La-Salette, totalmente destruído pela construção do actual parque) Oliveira de Azeméis (m.p. XXVI no centro da cidade; passa junto da Igreja Matriz e do miliário de Úl, continua pela Av. Ferreira de Castro e rua do Serro, Lousas e Avelão) Úl (m.p. XXVIII a Cale; estação viária tipo mutatio na confluência do rio Úl no rio Antuã, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, o miliário de Tibério que indica 12 milhas, o único marco que resta no troço entre Porto e a Mealhada, correspondendo à distância deste local à mansio de Langobriga, situada no sítio da Ferrada em Fiães, seguramente assinalando também o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda um mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga, esta situada junto do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis; na outra margem do rio Úl, junto da Igreja da Ns. das Febres, apareceu um miliário em Adães, também deslocado e hoje depositado na Casa Paroquial de Úl (Almeida, 1956; Mantas, 1996:342). Travessia do rio Antuã na Ponte da Anjeirinha? (continua pela rua do Avelão, ) Travanca (m.p. XXIX junto do povoado do Monte da Pena; a via continua pela antiga «Estrada Real», passando por Besteiros e Caniços) Bemposta (m.p. XXX na capela junto dos antigos Paços do Concelho) Pinheiro da Bemposta (milha XXXI no cruzeiro; continua pela rua de S. Lázaro, cruza a linha férrea, reúne com a EN1 e segue por Curval de Baixo, antiga malaposta da estrada real) Branca (m.p. XXXII; provável mutatio no lugar de Coche, situada na divisória entre as freguesias de Branca e Bemposta a 10 milhas do rio Vouga; referido como «Abranca» num documento do ano 922, PMH DC 25, e noutro de 1088, PMH DC 708, como «Castro de Abranka» que deverá corresponder ao Castro de S. Julião; nas inquirições de D. Afonso II surge uma referência à via como «estrada», Oliveira, 1943) Albergaria-a-Nova (m.p. XXXIV junto da capela na EN1) Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVIII; desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada», passando na Capela de St. António onde vencia a milha 37, até voltar a reunir com a EN1) Serém de Cima (m.p. LXI; há referências a um miliário nesta antiga malaposta; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Baptista, 1942; Seabra Lopes, 2000a) Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (m.p. XLI; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova) TALABRIGA, mansio, estação viária junto da travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga/Marnel; o oppidum situa-se no cabeço adjacente, onde ainda são visíveis importantes vestígios, em processo de escavação mas já aberto ao público; a sua localização estratégica face à via romana, controlando a travessia do rio Vouga, justifica plenamente a existência de uma mansio neste local, mas alguma incongruência entre a distância medida no terreno e o valor indicado no I.A., tem impedido a fixação em definitivo desta mansio neste local; de facto enquanto o I.A. indica 31 milhas a Cale, no terreno andaria pelas 39 milhas, faltando 8 milhas que continuam sem explicação definitiva (erro no percurso? erro itinerário de Antonino?); sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907, Oliveira, 1943 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
|
Talabriga a Aeminium
![]() ![]() ![]() ![]() Milários de Conímbriga
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Cabeço do Vouga (TALABRIGA) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
Lamas do Vouga (segue a ruas da «Estrada Real», Cidade de Vaccua e Senhora do Rosário) Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel (sobe a encosta pela antiga calçada serpenteando a EN1 até ao Alto do Giestal em Capelinho, actual divisória entre freguesias onde vencia a m.p. XXXIII; há referência medieval à strata maiore, PMH DC 578) Mourisca do Vouga (continua pelas ruas 25 de Abril e Liberdade, atingindo a m.p. XXXII junto da Viela do Marco e a m.p. XXXI no cruzamento com a EM578 e divisória de freguesias) Águeda (m.p. XXIX junto da travessia do rio Águeda; continua pela antiga «Estrada Real» por Sardão, Chão da Moita, m.p. XXVIII nas Alminhas, e Brejo; cruza a zona industrial de Barrô e a ribeira do Porto da Moita seguindo pelo caminho actualmente cortado pela IC2; continua pela «Estrada Velha» até à Capela da Sra. da Alumieira, m.p. XXV, seguindo depois por Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval) Aguada de Baixo (ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; continua pela rua Cura Rachão, passando na Capela da Sra. da Memória em Aguadela, assinalando a m.p. XXIV, e continua pela rua Alto da Póvoa/EM603) S. João da Azenha (m.p. XXV junto da Capela de S. João; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»; continua pela EM1656, passando junto das capelas da Ns. da Ajuda e dos Aflitos onde vencia a m.p. XXII) Avelãs de Caminho (reúne com a EN1 e logo depois vence a m.p. XXI no cruzamento com a rua Portela, na divisória entre freguesias; referência num documento de 1288 à «estrada velha coimbrã») Malaposta (m.p. XX; cruza o rio da Serra e segue a EN1 pela base do Castro de Anadia por Vendas da Pedreira e Aguim, onde vencia a m.p. XVII; continuava sob a EN1 por Alpalhão e Sernadelo)
Vimieira (m.p. XII; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário de Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco, actualmente em exposição no átrio da C.M. da Mealhada, foi descoberto durante a construção da linha do norte em meados do século XIX próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha a sul da Mealhada; Mantas, 1996).
Da Vimieira a Coimbra: Lendiosa Quinta da Malposta, Canedo (m.p. XI) Carqueijo (m.p. X) Santa Luzia (m.p. VIII; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha) Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (m.p VII; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pelo Alto da Pata, cruza Sargento-Mor até às Alminhas de S. Romão, onde toma a «Estrada do Lameirão» ou CM1138 que cruza Adões junto do Alto da Ns. das Neves) Trouxemil (m.p. VI; desce a encosta por um caminho hoje quase imperceptível pois foi cortado pela AE, seguindo paralelo à rua do Barreiro e rua do Calço até ao Sr. da Rua) Cioga do Monte (m.p. V) Fornos (m.p. IV; miliário de Calígula indica a 4 milhas a Coimbra, hoje no MNMC; continua pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde cruza o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra) Adémia (m.p. III; cruza a ribeira das Eiras na Ponte do Rachado?) Pedrulha (a via continuava por Venda da Fontoura, marginava a Capela da Ns. de Loreto, na m.p. II, e a estação Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via durante as obras para construção da passagem subterrânea, entretanto suspensa, cruzava Assamassa e a ribeira de Coselhas na ponte de Água de Maias, m.p. I, junto do Monte da Forca/Conchada, e continuava junto da desaparecida Gafaria/Hospital de São Lázaro pelas actuais Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium; referência à via como «carraria maiore» num documento do ano 933 na zona da Pedrulha, PMH DC 39 e como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 junto da ribeira de Coselhas, PMH DC 807) Coimbra (AEMINIUM) (a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150 (Figueiredo, 1888); o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário de Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas, este miliário poderia estar originalmente um pouco norte de Adémia; o museu assenta sobre um magnífico criptopórtico romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e é hoje a construção romana melhor conservada em Portugal, finalmente aberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas (ver mapa), a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce junto do local de travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
Travessia do rio Mondego (MONDA) (a antiga ponte medieval construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, assentava possivelmente sobre os pilares de uma anterior romana; partindo do «Portugal dos Pequenitos», a via sobe a encosta pela Calçada de Santa Isabel ou pela rua da Volta das Calçadas (?), seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na «Estrada Antiga de Lisboa»; referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700) Cruz dos Morouços (m.p. II; cruza a EN1 junto das Alminhas e segue a antiga rota da EN1 e Estrada Real por Ladeira da Paula) Antanhol (m.p. IV; acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», importante sítio arqueológico tipo fortificação porém nunca estudado e hoje praticamente destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra; a via passaria na sua base pelo lugar do Adro Velho; referência à «via publica» num documento do ano 1087 em PMH DC 676) Venda do Cego (m.p. V; villa entre Picoto e Malga; cruza o IC1 e segue por Arneiro e Vendas de Pousadas) Alcabideque (m.p. VIII; Castellum Romano de Alcabideque, impressionante estrutura romana de captação de água que assegurava o abastecimento de água da cidade de Conimbriga através de um aqueduto romano com pouco de mais de 3 km quase todo enterrado no solo excepto na chegada à cidade onde foram utlizados arcos para manter o nivelamento; Alcabideque servia de nó viário ligando a Conimbriga pela estrada por Ordens) CONIMBRIGA (oppidum e mansio a X milhas de Coimbra; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis; no território da civitas apareceram 7 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes cinco foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; existem dois cipos enterrados junto da porta norte da cidade que poderão ser também miliários anepígrafos ou fragmentos de colunas ali colocadas; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; o porto fluvial da cidade poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso; outra possibilidade seria o porto fluvial de Soure, mas a distância de 9 milhas à cidade parece demasiado para qu servisse a cidade) |
Conimbriga a Scallabis
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() 7 ![]() ![]() |
Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir as distância entre estas duas mansiones que distam cerca de 37 milhas em linha recta e cerca de 43 milhas pelo itinerário proposto. A via partia de Conimbriga rumo Seilium (actual Tomar), seguindo inicialmente por Tamazinhos, Ateanha, Várzea de Aljazede e Venda das Figueiras (Mantas, 1996); saía da cidade pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do Museu Monográfico; mas para quem vinha de Coimbra poderia evitar a cidade continuando a partir de Alcabideque pelo caminho que passa na base do cerro da Pêga pelo lado nascente, hoje linha divisória entre concelhos, marginando a villa de Lameiras em Póvoa das Pegas e continuando pelo caminho rural do Outeiro pontuado pelos vestígios romanos em Algar de Janeia, Janeia Velha e Enxurreira e Lameiras, fazendo supor um função viária destes edifícios junto da via que confluía pouco depois na via proveniente do oppidum de Conímbriga, um pouco a oeste da aldeia do Zambujal, actual EN347-1. Cruzava a ribeira de Carálio Seco e seguia pela margem direita por Porta d'Angere, onde há referências a um possível miliário "com letras" possivelmente da milha 6; a via passava cerca de 1 km a nascente da monumental villa Romana de Rabaçal pela Cruz do Morto) Tamazinhos, Penela (m.p. VIII; continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira perto da qual foi encontrado o miliário de Décio indicando 8 milhas a Conímbriga, hoje em exposição Museu do Rabaçal, assinalando a passagem da via pela base do Cabeço de Juromelo, cruza a ribeira de Alcalamouque, seguindo depois o estradão de terra por Portela de Casas Novas, Cabeço da Revolta e pelo sopé do povoado do Cabeço de Ateanha, marginando o casal de Vale de Abrunheira) Aljazede (m.p. XI; continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560) Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos) Venda das Figueiras (m.p. XV; provável mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110) Tojeira, Avelar (m.p. XVII; reúne com a EN110 e segue por Pontão e Venda Nova) Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra e Vale da Aveleira)
Rego da Murta (m.p. XXVIII; nó viário e provável mutatio; a Igreja de S. Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via romana que seguia entre dois povoados pré-históricos, o Castro de São Saturnino="http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=2592223">Castro de Avecasta a poente)
Casal da Farroeira (m.p. XXX; continua por Casais e Fonte do Tojal) Vila Verde (m.p. XXXII; casal rústico junto da via; continua por Daporta e Casal Sobreira) Fonte da Laje (m.p. XXXIII) Portela de Vila Verde (m.p. XXXIV; topónimo Calçadas) Ponte de Ceras (m.p. XXXV; fotografia dos anos 20 mostra um miliário junto da ponte; Guimarães, 1927) Ceras (castrum caesaris no Monte do Alqueidão; continua por Calçadinha e rua da Ferradura) Freixo, Alviobeira (m.p. XXXVI; continua por Feiteira) Pintado (m.p. XXXVIII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde havia vestígios de calçada) Vale da Trave (m.p. XXXIX) Venda Nova (m.p. XL) Calçadas (m.p. XLI; Calçada de Tripeiro, 100 m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas) Tomar (SEILIUM) (m.p. XLIII a Conímbriga) oppidum associado à travessia do rio Nabão, posteriormente elevado a municipium Seiliensis; vestígios do forum nas traseiras do quartel dos bombeiros; 2 miliários achados na margem esquerda, no Cerrado de S. João do Couto, estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário de Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário de Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I, mas hoje ilegível; outros dois miliários anepígrafos foram recentemente descobertos durante obras na Av. Norton de Matos; a epigrafia revela a existência de emigrantes Seilienses, nomeadamente no epitáfio de Iulianus do Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza (Silva, 1988; Mantas, 1989; Ponte, 1995; Fernandes, 1996; Romão, 2012). Travessia do rio Nabão (Nabum) (na chamada «Ponte Velha» que poderá ter origem romana atendendo à importância desta travessia, hipótese ainda não confirmada; na outra margem há notícia do aparecimento de um miliário na rua do Everard e logo enterrado; a via seguia pela actual rua Serpa Pinto que em documentos medievos é referida como «Corredoura», subindo depois possivelmente pelo caminho que margina o Convento de Cristo) Madalena (segue rumo à travessia da ribeira da Beselga na Ponte de Ramil) Paialvo (calçada de Casal Salgueiro, troço da via romana perpendicular à linha férrea hoje soterrado pela linha, restando o topónimo rua da «Via Romana»; ver notícia) Iter. XVI - de Tomar a Santarém por Torres Novas Esta rota por Torres Novas aparece num documento de 1213 como «Estrada de Turribus», mas não há garantias que este seja o traçado romano pois existe um traçado mais próximo do Tejo pela Golegã que corresponde à «Antiga Estrada Real». Esta rota parte de Paialvo e segue talvez pela linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas por Soudos (Casal de Soudos) e pela chamada «Ponte Romana» sobre a ribeira de Pé de Cão onde vencia a milha 8 (vestígios em Paraíso/Paraísas), Vargos (junto do Casal de S. Brás), Valhelhas (calçada junto do cemitério), Gateiras (topónimo Porto da Laje), onde começa um troço preservado em calçada com cerca de 1500m que passa a sul da Qta. da Torre de St. António (actual Qta. do Marquês), cruza a ribeira de Arripiado (ponte romana?) e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na sua confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (m.p. XV; vide Carta Arqueológica e a magnífica Villa Cardillio cujo espólio está no Museu Municipal Carlos Reis), seguindo depois um hipotético trajecto por Brogueira, Alcorochel (por Casal da Capela, Várzeas, Casal da Varjas, Casal da Roca, Casal do Mau Dente, Qta. dos Formigais, Valverde, Pedregal, Espinhal e Sobral) e S. Vicente do Paúl onde cruza o rio Alviela (talvez nas proximidades dos extensos vestígios de Torrão, Gamacho e Outeiro do Bairrinho, continuando junto do topónimo Corredoura), Torre do Bispo (continua por Alcaidaria), Póvoa de Santarém, cruza a ribeira de Cabanas junto da Qta. de Vale de Lobos, continuando talvez próximo do sítio romano das Besteira rumo a Santarém. Iter. XVI - de Tomar a Santarém pela Golegã Este traçado alternativo corresponde à rota da «Antiga Estrada Real» descrita no «Roteiro Terrestre» (as estações estão entre parênteses); seguia inicialmente por Paialvo, Lamarosa, Barroca e Entroncamento, continuando depois pela margem direita do rio Tejo por Golegã, Azinhaga e Pombalinho até Santarém. Existem diversas villae ao longo da margem do rio que poderiam ser servidas por esta estrada, como a villa de S. Miguel/Qta. dos Álamos na Golegã, a villa de Portas de Água a norte de Azinhaga, o possível povoado e villa de Pombalinho, e a villa de Cirne, situada junto do topónimo viário «Vale da Carreira», referência clara a esta estrada da qual restava um extenso troço calcetado na zona de Barreiras da Bica/Boavista. Este poderia ser o percurso utilizado durante o período romano, cruzando a antiga ilha de Alvisquer antes de chegar à Ribeira de Santarém, cruzando a «Ponte de Alviella» na base de Chões de Alpompé, e «Ponte de Almondega», actual rio Almonda, junto da Quinta da Broa, até atingir a base do morro de Santarém, actual Ribeira de Santarém, na «Entrada do Campo de Santarém». A existência de vários troços em zona inundável esteve na origem da construção no século XVIII de uma variante mais afastada do Tejo passando em Torres Novas.
Santarém (SCALLABIS) (oppidum e mansio; sede do Conventus Scalabitanus; na Alcáçova de Santarém, actual Jardim das Portas do Sol, apareceu um miliário de Probo, actualmente na Igreja de Santo Agostinho da Graça; a área foi recentemente escavada e os achados estão em exposição no novo Centro de Interpretação «Urbi Scallabis»; no pátio da Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Santarém; a via romana chegava pelo lado norte, ascendia pela Calçada de S. Domingos junto da necrópole e entrava na cidade pela antiga Porta de Leiria junto da Igreja de Nossa Senhora da Piedade; percorria depois a actual rua Capelo e Ivens até ao cruzamento com a rua 1º de Dezembro, num local conhecido por «Canto da Cruz», possivelmente o ponto de cruzamento do decumanus com o cardus da antiga urbe; uma derivação daria acesso ao porto fluvial em Alfange, onde apareceu uma estátua do deus Harpócrates) |
Scallabis a Olisipo
Alenquer
![]() ![]() Loures
![]() Lisboa
![]() ![]() ![]() |
Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
Santarém (segue pela rua Dr. Teixeira Guedes e EN3 até Vale de Santarém, continuando pelo trajecto da «Estrada Real» por Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca ou «Ponte Secca» conforme é mencionada no «Roteiro Terrestre», a uma légua de Santarém; a via continuava segundo Vasco Mantas pelo troço em calçada da Qta. do Malpique; Mantas, 2002) Cartaxo (rota para Olisipo inflectia mais para o interior de forma a evitar o grande Paúl da Ota)
Aveiras de Cima (continua por Casais da Milhariça) Ota (Povoado da Ota numa colina a poente; cruza o rio Ota e continua pela rota da EN1, desviando depois pelo Alto da Forca por onde descia ao rio) Alenquer (provável mansio no lugar de Paredes, referência ao paredão romano que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, certamente um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Qta. do Bravo, Qta. das Sete Pedras e Qta. de Sta. Teresa; na necrópole da Qta. do Bravo apareceu um miliário de Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa; na Qta. de Santa Teresa apareceu um outro miliário possivelmente indicando 35 milhas a Lisboa (Mantas, 2017); na villa da Qta. da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012a); no Pinhal do Alvarinho apareceu um tesouro monetário; após a travessia do rio Alenquer, a via continuava pelo caminho da Pacheca, marginando a necrópole do Casal de St. António, a Qta. das Varandas e a Qta. Velha) Carregado (passa em Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco) Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; povoado fortificado do Monte dos Castelinhos provável localização de Ierabriga; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra) Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007) Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra) Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; por volta de 1630 Coelho Gasco menciona um miliário de Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; no entanto, as 23 milhas indicadas excedem em muito a distância entre Alverca e Lisboa que é aproximadamente de 18 milhas, sendo por isso provável um erro na leitura de Gasco, tal como propôs Vasco Mantas, trocando o numeral «XVIII» por «XXIII» o que é bastante plausível; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, local onde teria existido uma mutatio, bifurcando nas duas variantes descritas a seguir; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)
Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga) A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios de uma calçada cruzando a «Baixa Pombalina» até à zona ribeirinha; há também vestígios de uma ponte sob a antiga rua do Arco da Bandeira, actual rua dos Sapateiros, cruzando o braço do rio que chegava à Praça da Figueira; porto fluvial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «Al-quantara», ou «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas hoje pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registados na época vários vestígios monumentais que indiciam a grande importância da sede do municipium Olisiponense em época romana, como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de S. Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de S. Nicolau apontam para uma necrópole.
|
| Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Via XVII por Ciada
![]() ![]() Via XVII por Pindo
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Alio Itenera ab
Aquae Flaviae ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
Item a BRACARA
ASTURICAM SALACIA PRAESIDIO CALADUNO AD AQUAS PINETUM ROBORETUM COMPLEUTICA VENIATIA PETAVONIUM ARGENTIOLUM ASTURICA m.p. CCXXXVII m.p. XX m.p. XXVI m.p. XVI m.p. XVIII m.p. XX m.p. XXXVI m.p. XXVIIII m.p. XXV m.p. XXVIII m.p. XV m.p. XIIII Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário de Caro, CIL II 4760, hoje no MDDS com o nº 1992.0674; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário de Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante e Constantino Magno; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua ao longo da margem direita do Rio Este pela rua do Raio, Igreja da Senhora-a-Branca, onde recentemente apareceu uma necrópole e restos da via, Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua de S. Vítor-o-Velho actualmente cortada pela antigas instalações da Fábrica Confiança; continua pela rua do Pulo e rua Nova de Sta. Cruz, antiga EN103, saindo depois pela rua da «Estrada Velha»; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário de Tibério indicando a milha I, hoje no MDDS com o nº. 1992.0642, e o miliário de Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et al., 2004) Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário de Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296) Este de S. Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra dos Carvalhos, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas; num documento do ano 1056 este troço é designado por «carral antiqua», LF 60; continua pela rua de Carvalho) Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa junto dos topónimos viários «Calçada» e «Laje Grande», contornando pela vertente norte o outeiro onde se encontra o castro romanizado do Castelo de Lanhoso; cruza a ribeira do Pontido onde um troço lajeado, e sobe ao «Carvalho Centenário») Calvos (cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica, junto do cemitério e por Torrão) Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho de Botica de Baixo a Pardieiros; continua aproximadamente paralela à EN103 por actual caminho de terra que segue pela rua dos Lameiros e zona industrial, desviando logo depois para Pepim) Tabuaças (cruza o lugar de Pepim e segue o caminho pelo vale até ao lugar de Sanguinhedo, de onde passa para Vieira do Minho depois de transpor a elevação designada por «Outeiro Alto») SALACIA, m.p. XX, mansio a 20 milhas de Braga, localiza-se no Castro de Vieira, povoado romanizado nas proximidades de Vieira do Minho que se encontra precisamente a 20 milhas de Braga, no ponto onde cruza a ribeira de Cantelães; no entanto, o edifício da mansio poderia situar-se junto da vila, onde vencia a milha XIX, atendendo aos vestígios de um edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães. Vieira do Minho (na base do castro desvia da EM526 e segue por Vila Seca, Tabuadelo e Pinheiro, seguindo a sul de «Parada Velha», sugestivo topónimo viário assinalando a passagem da via, iniciando pouco depois a subida à Serra da Cabreira pela sua vertente ocidental, seguindo talvez a calçada que leva à «Fonte do Confurco», seguindo depois pela «Portela da Serradela», onde ainda subsiste um troço com 500 m com vestígios de calçada, descendo depois à ribeira das Chedas que cruzaria na Ponte Poldro; daqui continuava por Espindo, onde tomava o troço lajeado designado como «Caminho do Zebral» que passa nos topónimos Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão, seguindo paralela ou coincidente com a estrada actual) Zebral (m.p. XXXI; miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV; cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros)
Ponte Romana?-Medieval do Arco (m.p. XXXV; cruza a ribeira da Borralha, o «rio Canhua» no tempo de Argote e hoje submerso pela albufeira da barragem da Venda Nova; Argote, Martins Capela e Emil Hübner descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte, CIL 4773, que deverá ser o mesmo que apareceu durante a construção da barragem; esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e actualmente está num jardim junto da EN103 à entrada da aldeia da Venda Nova) Padrões (m.p. XXXVI; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário de Adriano com o nº. 940 e o miliário de Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água) Venda Nova (m.p. XXXVII; 43 milhas a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário de Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário de Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é um miliário cortado a meio indicando também 42 milhas a Chaves, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água) Codeçoso do Arco (m.p. XXXVIII; continua junto do Castro de Codeçoso, onde ainda resta um troço da via com 100m lajeados descendo a encosta leste rumo a «Porto de Carros», local hoje submerso pela albufeira, onde cruzava o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas; segundo Martins Capela existia um miliário de Cláudio na descida ao rio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; do rio Rabagão subia a Currais, restando ainda um troço lajeado com 300m que passa no sítio de «Lama do Carvalho», num terreno a que chamam «Borrajeiro», onde Argote refere a existência de um miliário de Tibério, CIL II 4777, hoje desaparecido, indicando a m.p. XXXIX) Currais (m.p. XL; no Largo do Cruzeiro, encostado a uma casa, está um miliário anepígrafo, mas que será proveniente da travessia do rio Rabagão de onde foi deslocado em 1900 para o centro da povoação; Argote refere outros miliários na aldeia provenientes do sítio dos «Padrões», actualmente desaparecidos, podendo um deles corresponder ao fragmento de miliário actualmente encastrado na parede de um forno da aldeia de São Fins; a milha 40 seria vencida no centro da aldeia seguindo depois um troço ainda conservado da via que segundo Argote seguia por «Subila», «Brêa» e «Pedreira», topónimos hoje difíceis de identificar, mas que deverá corresponder às actuais ruas da Portela e de Fontelas) Ladrugães (m.p. XLII a sul da aldeia, no sítio da «Gêa», continua por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum) Friães (cruza a ribeira de Cambela e sobe à povoação de Friães inflectindo para leste para Pisões rumo à Cruz de Leiranque) PRAESIDIO, mansio localizada a 46 milhas de Braga ainda sem localização segura; a contagem miliária aponta para uma localização em Pisões, aldeia situada a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves conforme é indicado no I.A., no entanto não são conhecidos vestígios romanos atribuíveis a este povoado; em alternativa esta estação viária estaria mais adiante junto do povoado romano da Leira dos Padrões, seguramente uma referência aos miliários ali existentes e que em conjunto com a ara anepígrafa e tesouro monetário encontrados nas proximidades denunciam a passagem da via romana neste local, provavelmente a «Villa Mel» referida por Argote. Pisões (m.p. XLVI; a partir daqui a via ficou submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas antes seguia pela Cruz de Leiranque, onde estava o miliário da «Cantina de Leiranco» onde vencia a m.p. XLVII e que foi deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; passaria depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita) Penedones (m.p. L; a via reaparece a sul da aldeia e acompanha a margem da actual albufeira pelo sítio da «Leiras dos Padrões», onde há abundantes vestígios de uma estação viária, outra possível localização de Praesidio, continuando pela Capela de Santo Aleixo e respectiva necrópole romana, associada à m.p. LI, junto do Parque de Campismo) Travassos da Chã (m.p. LII; miliário anepígrafo convertido em cruzeiro e deslocado da via para o sítio do Padrão, junto do antigo traçado da EN103, provavelmente após a construção da Ponte da Pedra Seixa sobre o rio Rabagão, actualmente submersa pela albufeira) Nó viário de Travassos da Chã: a via bifurcava no largo da aldeia nas duas variantes para Chaves, uma continuava pelo cemitério e pelo caminho do pontão para S. Vicente da Chã para Caladuno, situado no povoado mineiro da Ciada, seguindo depois por Vilar de Perdizes, Soutelinho da Raia, Castelões e Calvão até Chaves enquanto a outra inflectia para leste, seguindo o caminho que passa junto da Capela de S. João para cruzar o rio Rabagão na base do Castro de S. Vicente, continuando depois por Gralhós, Arcos e Alto do Pindo rumo a Chaves, percurso mais curto que o anterior, mas mais acidentado, sendo este caminho pontuado por vários miliários. Itinerário XVII por Ciada S. Vicente da Chã (m.p. LIV; do pontão segue o caminho de terra que cruza a EN103 junto da Capela de S. Gonçalo, na base do vicus viário do Alto da Carvalha, local de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales; FE 368; continua pela estrada para Montalegre até ao recente «Monumento do Jubileu», onde toma o caminho carreteiro à direita que passa junto do povoado romano da Veiga de Carigo, possível estação viária tipo mutatio, situada entre Medeiros e Peirezes na m.p. LVI, onde apareceu uma ara; cruza a EM308 e continua pelo CM1003 por Ternovale) Codeçoso da Chã (Argote refere que a via passava nos topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», hoje desconhecidos) Meixedo (m.p. LIX; cruza a povoação e ribeira homónima e segue talvez pela Encosta do Biomal/Campelos) CALADUNO, mansio a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves situada a cerca de 1000m para sudeste da aldeia de Gralhas, junto do vicus mineiro da Ciada, onde existiam abundantes vestígios romanos, hoje destruídos pela construção do campo de futebol. Solveira (cruza a povoação e no cemitério segue o caminho à direita; povoado mineiro da Telheira/Antas) Vilar de Perdizes (vicus da Veiga com importantes vestígios como o Altar de Penascrita/«Pedra Escrita», uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina que integraria santuário rupestre dedicado a Larouco, divindade associada à serra homónima; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também a Larouco e uma outra dedicada a Júpiter, hoje armazenadas na CM de Montalegre; outra inscrição num penedo em Rameseiros; a via cruza a ribeira da Assureira e continua pelo caminho que faz de fronteira com Espanha, passando junto do vicus do Carvalhal, possível mutatio) Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul, passando a poente do possível vicus de Pardieiros) Castelões (segue pela «Calçada do Facho», percorrendo o sopé do Povoado de Facho de Castelões, tendo aparecido um fragmento de um possível miliário anepígrafo na berma da via talvez indicando a m.p. IX a Chaves) Calvão (m.p. LXXIII; miliário deslocado para a entrada da aldeia situada a 7 milhas de Chaves; continua talvez pela Ponte Guilherme, passando a poente do vicus no Outeiro da Torre, cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro) Soutelo (m.p. LXVI; 4 milhas a Chaves) Vale de Anta (m.p. LXXVIII; miliário anepígrafo desaparecido que estaria originalmente no actual topónimo «Alto do Marco», local situado a 2 milhas de Chaves; placa honorífica a Treboniano Galo na Igreja; Barragem Romana Abobeleira a norte, e minas romanas de Campo Queimado e de Outeiro Machado, onde há um penedo gravado com diversos símbolos talvez relacionados com a actividade mineira) Casas dos Montes (m.p. LXXIX; segue junto da Capela de S. Bartolomeu, defronte da qual está um miliário anepígrafo na esquina de uma casa, talvez ainda in situ, indicando nesse caso 1 milha a Chaves) Chaves (entrava pela calçada descoberta em 2014 nas fundações de um edifício perpendicular à rua 1º de Dezembro) Variante do Itinerário XVII pelo Alto do Pindo Travessia do rio Rabagão (m.p. LIII; local hoje submerso, na base do Castro de S. Vicente; continua junto do Novo Bairro do Barroso e pela Estrada do Cemitério) Gralhós (m.p. LVI, calçada atravessa a Ponte da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila) Cortiço (m.p. LVIII; miliário anepígrafo sustendo uma varanda de uma casa da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma casa; outro fragmento de miliário já convertido em bebedouro está no jardim da casa do Sr. Domingos estrada que liga a aldeia à EN103; a via cruza a aldeia e segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça onde vencia a m.p. LIX, continuando junto do Alto da Pedra Moura e do topónimo «Breia», actual pela rua da Estrada/CM1001, passando assim a norte da aldeia de Vilarinho de Arcos) Arcos (cruza a aldeia pela rua de Cima até ao Largo da Sra. da Saúde, tomando depois o caminho em frente em terra; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário de a Cláudio indicando L[...] milhas, hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; a aldeia situa-se entre a milha 60 e 61 pelo que poderia indicar originalmente um desses valores; no entanto, um outro miliário de Tibério também descoberto na aldeia e reutilizado como pilar da varanda da casa do Sr. Manuel Moreno, actualmente no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, indica 59 milhas a Braga, distância que era cumprida não aqui, mas um pouco antes junto da Ponte do Cortiço (!); teria sido deslocado desse lugar? um outro fuste de um possível miliário encontra-se junto da fonte romana, mas poderá ser antes um fragmento de coluna) Pindo, Cervos (2 miliários provenientes do «Alto do Pindo», local onde a via inicia a descida da Serra do Leiranco rumo a Chaves; um fragmento de miliário de Cláudio, actualmente no pátio do Castelo de Montalegre e o miliário anepígrafo que esteve alguns anos no jardim da antiga escola de Cervos e que actualmente se encontra na JF de Arcos)
Variantes do Alto do Pinto a Chaves A partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, existem aparentemente dois percursos para Chaves. A «variante norte» segue um trajecto mais curto por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, apresentando ainda vários troços de calçada e uma inscrição viária no lugar da Pipa próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). Por outro lado a «variante sul», servia as importantes explorações auríferas do Vale do rio Terva como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, marginando o Castro de Malhó e o vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da Serra até Pastoria, onde apareceu um miliário a Trajano indicando 5 milhas de Chaves, descendo depois a Vale de Anta, onde reúne com o Itinerário XVII por Ciada.
Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio ad Aqvas no I.A.) Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário de Constantino, desaparecido (CIL II 4784), o miliário de Licínio que apareceu à margem do rio Tâmega, entretanto relocalizado em 2006, e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria na Igreja de S. João de Deus e indicava a milha II (CIL II 4779) e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho (CIL II 4780) de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reaproveitado para base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário de Décio indicando a milha VI e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no jardim junto ao Castelo de Chaves está cravado no solo o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; o Museu da Região Flaviense guarda 13 miliários, nomeadamente, os três miliários achados na Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).
Outras vias a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE) A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário de onde partiam várias vias secundárias quer rumo ao rio Douro quer rumo à Galiza, ainda que neste caso o seu destino final ainda não seja muito claro. Além destes importantes eixos N-S, há evidências de outros eixos viários que serviam um povoamento romano distribuído por pequenos vici com vocação agrícola ou mineira (Teixeira, 1996; Colmenero et al., 2004; Lemos e Martins, 2010).
Direcção noroeste Direcção sul rumo ao rio Douro |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]()
|
ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
AQUAE FLAVIAE
PINETUM ROBORETUM COMPLEUTICA VENIATIA PETAVONIUM ARGENTIOLUM ASTURICA m.p. XX m.p. XXXVI m.p. XXVIIII m.p. XV m.p. XXVIII m.p. XV m.p. XXIIII Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços Chaves (depois de atravessar o Tâmega a via seguia inicialmente a EN103, desviando pela rua da Sra. da Boa Morte até ao Cruzeiro, m.p. I, onde estaria o miliário de Constâncio I que apareceu no lugar de Eiras; logo após o canal segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida Alto de S. Lourenço pela rua da «Calçada Romana», troço da via ainda bem preservada que passa na Capela da Sra. dos Aflitos, onde vencia a milha II) S. Lourenço (ascende a encosta pela Calçada de S. Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, mas hoje desaparecido; indicava certamente a milha III; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal) Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500m da povoação e segue por Arco e Lama) S. Julião de Montenegro (m.p. V; na igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário de Macrino ou Carino e o miliário de Décio indicando a milha VI a Chaves, o miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário de Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta, no cruzeiro vencia a milha VI, inflecte para nascente cruza a EN213 e segue por Sra. do Barracão, Pardieiros, Ladeira Grande e a nascente do outeiro da Capela de Sta. Luzia no Alto da Penha Sá) Sá, Ervões (m.p. X; nas obras de demolição da Capela de Sta. Luzia apareceram 2 miliários, o miliário de Macrino que está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e o outro foi reutilizado nas fundações da mesma; a via cruza a aldeia até confluir novamente na EN213) Vilarandelo (m.p XI; miliário de Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está actualmente no jardim junto ao mercado, junto com o miliário de Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo com a particularidade de indicar o acampamento militar e mansio de Petavonium como ponto inicial para a contagem das milhas, já não se lendo no entanto o respectivo numeral; um outro fragmento de um miliário foi para o MRF; a via continua junto da Capela do Sr. do Milagres, m.p. XII por Cerdeira, Pousadouro, Carriçal e Lama do Vale) Lagoas (m.p. XV; continua a nordeste de Valpaços pela rua Calçada e «Caminho de Possacos») Possacos (m.p. XVII com 4 miliários, o miliário de Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, o miliário de Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, hoje no acervo do MNA, e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário de Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário de Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois de cruzar a aldeia, e desce à ponte por calçada com 2 km) Ponte Romana do Arquinho sobre o rio Calvo (m.p. XVIII; vídeo; miliário de Maximino e Máximo, CIL II 4788, hoje cravado no adro da Capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e daqui descia ao lugar da Barca, onde cruzava rio Rabaçal) Travessia do rio Rabaçal (m.p. XIX; a Ponte de Vale de Telhas é uma construção medieval que reutiliza silhares com marcas de fórfex de uma ponte anterior romana, provavelmente localizada mais a jusante no lugar da Barca, onde apareceu um vasto conjunto de miliários que foram agrupados na Ponte Medieval e posteriormente deslocados para outros locais: o miliário de Galério foi para o Museu de Vila Real, o miliário de Maximino Daia está na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, o miliário de Constantino II e Constante I está junto da fonte da aldeia de Vale de Telhas, o miliário de Numeriano hoje desaparecido e o miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo que está na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco; na aldeia existe ainda um miliário de Maximino e Máximo no adro da Capela de Ns. de Fátima, mas este seria proveniente da Ponte Romana do Arquinho em Possacos) PINETUM .... m.p. XX, oppidum e mansio a 20 milhas de Ad Aquas localizada no Castro do Cabeço da Mochicara junto da actual aldeia de Vale de Telhas, povoado situado a 20 milhas de Chaves onde apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelo cidadão romano Publius Aelius Flaccinus, sinal de algum estatuto administrativo sobre este território, possivelmente como sede de civitas; a via romana margina o castro e segue pelo caminho hoje abandonado pelo sítio do «Alto da Estrada», m.p. XXI) Bouça (m.p. XXII; no «Cruzamento da Bouça» existia um miliário indicando 22 milhas que está hoje junto do Café «Estrela do Norte» em Ferradosa) Fradizela (cruza a aldeia e segue a rua Direita até ao cemitério onde vencia a milha XXIV; neste local estaria o miliário anepígrafo hoje partido em 3 fragmentos, um dos quais está na berma da EN206 à saída da povoação da Ferradosa; daqui toma o caminho à esquerda da capelinha até reunir com a EN206, continuando próximo dos topónimos viários Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço das Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem, m.p. XVI, para cruzar a ribeira do Arquinho na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho, onde volta a reunir com a EN206 e desce à Ponte da Pedra) Ponte Romana da Pedra sobre o rio Tuela (m.p. XVII; magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte constitui um dos melhores exemplares da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo e no entanto continua um pouco desprezada; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada por muitos autores como moderna até aos anos setenta!; silhares almofadados com marcas de fórfex não deixam dúvidas que se trata de uma construção romana, provavelmente nunca reconstruída) Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do Castro romanizado de São Brás até reunir com a EN206) Vila Nova da Rainha (m.p. XXX, 1km antes da povoação, começa um troço da via com 900m que segue paralelo à EN206 até ao centro da aldeia, onde existe um miliário anepígrafo a suportar uma varanda) Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (m.p. XXXI; troço da via com 1500m ladeia a capela com um fragmento de um miliário junto ao Alto da Pinha, no entrada de uma casa com acesso à EN206, já convertido em peso de lagar, assinalando talvez 31 milhas a Chaves) Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceram dois miliários, o miliário de Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
Agrochão (milha XXV; ara votiva aos lares viales; seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco, possível alusão a um miliário que poderá corresponder ao miliário partido em 2 fragmentos que se encontra na berma da estrada no sítio da Amoreira; a via continua a norte da povoação pelo Alto dos Malhões, outra possível referência a miliários)
Edrosa (m.p. XLIV; cruza a povoação e segue pela EN206) Zoio (m.p. XLVI na «Portela de Zoio»; segue paralela à EN206 até à Capela de Sta. Luzia, m.p. XLVIII, onde toma o caminho da Fraga do Viborão, reúne com a EN206, m.p. XLIX e segue até Cruzes, continua pelo caminho florestal ao Alto da Ferradosa e desce a Formil pelo «Caminho da Vila» ao Castro ou «Feira dos Mouros») Formil (m.p. LIV no centro; continua pela EM518 passando no adro da Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário de Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217; Lopo, 1900a) Gostei (m.p. LIV antes da aldeia, no desvio da EM518 pelo caminho directo ao sítio da mansio em Torre Velha) ROBORETUM .... m.p. XXXVI, mansio a 36 milhas de Pinetum e a 56 milhas de Aquae Flaviae localizada no povoado romano da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram miliários e outros importantes vestígios. Castro de Avelãs (m.p. LVI; mansio Roboretum no sítio da Torre Velha onde apareceram 2 miliários no exterior das ruínas da Capela de S. Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário de Caracala, CIL 6216 e o miliário de Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, mas poderia indicar a distância a Braga que era cerca de 136 milhas; estão ambos hoje no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pelo Ordo Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está hoje no MSMS com o nº 16, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na Capela do Senhor de Malta em Olmos, freguesia de Macedo de Cavaleiros, hoje no MAB, fazendo supor que este local integrava o território dos Zoelae; a via cruza a ribeira do Castro) Bragança (m.p. LIX na Praça da Sé; possível vicus entre a rua Abílio Beça e a Praça de Camões; ver os 8 miliários desta via no Museu Abade de Baçal; três estelas funerárias em Quatro Caminhos e no Couto; a via cruza a cidade talvez pela Praça da Sé, rua Abílio Beça, rua de S. Francisco, passando junto da Capela de S. Sebastião onde apareceram 3 inscrições funerárias, rua do Alcaide e rua das Amendoeiras, marginando a Fonte e Capela de S. Lázaro) Ponte Romana?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (m.p. LXI; segue paralela à EN218 e pela Qta. das Carvas) Gimonde (m.p. LXIII; castro romanizado do Arrabalde, de onde provêem três estelas funerárias e um pedestal de estátua com a inscrição BONO / R P NATO, FE 249) Ponte Romana?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor Cruz do Marrão, Gimonde (m.p. LXIV; miliário de Caro no «Caminho Velho para Babe» , está hoje no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão, Fonte de Megilde e Canada de Jucadelo/«Juncedelo», rumo à Capela de S. Sebastião; Lopo, 1900) Babe (m.p. LXVII; mutatio no lugar do Sagrado, 4 km a sul da aldeia sobranceiro à ribeira da Ferradosa, provável vicus viário associado na Idade Média à extinta Igreja de S. Pedro Velho, onde apareceram 2 miliários reutilizados como sarcófagos, o miliário de Caracala onde se lê X[---] milhas que está no MAB com o nº 1572 e um miliário de Adriano também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas contadas talvez a Caesera, mansio provavelmente localizada em Rabanales de Aliste; neste local apareceu também uma ara a Júpiter e a estela funerária de Calpurnius Reburrinus, cavaleiro da II Ala Flávia que tinha a sua base no acampamento romano de Petavonium situado a oeste de Rosinos de Vidriales; na Capela de S. Sebastião, existe um miliário anepígrafo; a via deverá corresponder ao caminho que passa 300m a sul da capela) Palácios (m.p. LXVIII, cruza a povoação) São Julião de Palácios (m.p. LXIX na Igreja Paroquial; continua pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada com vestígios do corte artificial da rocha e muros de sustentação da via) Porto Calçado (m.p. LXXIII; cruza o rio Maçãs em Vale de Perdizes, fronteira luso-espanhola, rumando daqui para nordeste pelo «Camino de San Julián») Moldones (m.p. LXXVIII; continua por Figueruela de Abajo e Mahide?) COMPLEUTICA .... m.p. XXVIIII, possivelmente localizada em Figueruela de Arriba dado que esta localidade está a cerca de 29 milhas de Castro de Avelãs, presumivelmente a localização da mansio Roboretum. A via seguia talvez por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos e Villanueva de Valrojo.
VENIATIA .... m.p. XV mansio a 15 milhas de Compleutica que poderá ficar nas proximidades de Villanueva de Valrojo. A via continua pelo «Carril de los Cervatos» por Olleros de Tera e Calzadilla de Tera, onde cruza o rio Tera e segue por Calzada de Tera, San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog, Santibánez de Vidriales (miliário a Décio?) e Rosinos de Vidriales. PETAVONIUM... m.p. XXVIII, mansio que corresponde ao acampamento militar romano da Legio X Gemina e Ala II Flavia Hispanorum localizado a oeste de Rosinos de Vidriales; o povoado indígena poderá corresponder ao vizinho «Cerro del Castro»; a via continua por Fuente Encalada (3 miliários, um a Maximino e Máximo, outro a Caracala e um terceiro a Décio (?) já desaparecido), continua por um extenso troço da via conhecida por «La Chana», passando junto do miliário a Valeriano e Galieno no lugar de Fuente del Robledo (hoje no Museo de Castrocalbón), onde há um aparente acampamento romano, continuando por Calzada de Valdería e Herreros de Jamuz. ARGENTIOLUM...m.p. XV: situada provavelmente adiante de Tabuyuelo de Jamuz, talvez no sítio romano do «Campo del Medio» em Villamontán de la Valduerna; a via é conhecida neste troço por «Calzada del Obispo» seguindo por Valle, Castrotierra, Ponte Balimbre sobre o rio Turienzo, Valderrey, Celada, e entra em Astorga pelos lugares de La Canal e Arboleda e pelo «Camino de Cuevas». ASTURICA...m.p. XIIII (caput viarum, actual Astorga) Variantes do Itinerário XVII Variante por Alturas de Barroso e Boticas Durante muito foi discutida a possibilidade do Itinerário XVII seguir por Alturas de Barroso e Boticas até Chaves. No entanto, a ausência de miliários retiram sustentação a esta hipótese. O trajecto já existia no período romano dado que esta via serve vários castros importantes como o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro romanizado de Outeiro Lesenho (hipotética capital da civitas dos Equaesi, tendo aparecido nas proximidades quatro estátuas de guerreiros). Esta velha estrada passaria ainda em Atilhó e Carvalhelhos, junto do Castro romanizado do «Castelo de Mouros», cruzando o rio Beça na Ponte de Pedrinha (a sul do povoado mineiro romano de Candedo, associado às minas de Ferrarias na outra margem), e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca até Boticas; daqui rumava a Sapiãos (povoado junto do cemitério) e Sapelos, onde reencontra o Itinerário XVII que vinha por Montalegre . Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança Uma outra hipótese anteriormente lançada (e.g. em Colmenero et al., 2004: 693) seguia mais a norte por Faiões, Lebução rumo à travessia do rio Rabaçal na Ponte de Picões. Daqui seguia por Vinhais, onde apareceram miliários, rumo ao Castro e Avelãs, junto a Bragança. No entanto, os dados disponíveis não permitem estabelecer tal rota, em particular na parte inicial do percurso de Chaves à Ponte de Picões, onde a configuração da rede viária é muito diferente, privilegiando as rotas N-S e não E-O. Desta forma, a utilização desta rota pelo Itinerário XVII é inviável. A segunda etapa da Ponte de Picões e daí a Bragança que é um percurso indubitavelmente pré-romano, deveria integrar antes uma rota NE-SO com origem no Castro de Avelãs e que seguia por Soeira e Vinhais rumo ao Castro de Valtelhas (Pinetum), ou, cruzando o rio Rabaçal na Ponte de Picões, seguir por Fiães (vicus Vagornica), Sá, Castro de Cidadonha (miliário em Monsalvarga), Vassal (novo miliário), passando assim a oeste de Valpaços rumo à importante zona mineira de Jales. Os respectivos itinerários são apresentados a seguir (act. 2020). Chaves - Monforte - Fiães: existe uma antiga via que interligava os diversos castros e vici do planalto a nordeste de Chaves; a via partia do Vale do Tâmega de Vila Verde da Raia e seguia a rota da actual EM502 por St. António Monforte (vicus; antigo Curral de Vacas; fuste de coluna ou um possível miliário, reutilizado numa casa da aldeia e noutra uma estela funerária; ara a Larouco na igreja), continuando pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual, passando a poente do sítio romano de Amedo em Paradela de Monforte (tesouro) até atingir Mairos (vicus? no Calvário; estela funerária), continuando pela EN502 entre Travancas e S. Cornélio, junto do sítio romano dos Pardieiros até Cimo de Vila da Castanheira (passa próximo do habitat do Seixal e junto do Capela de S. João na base do Castro de S. Sebastião, onde terá aparecido uma ara a Júpiter), continua pelo Alto de Pedome, margina o habitat de Caço/Megingueira e passa junto da Capela da Sra. dos Aflitos em Lebução, seguindo na direcção de Fiães (vicus Vagornica), nó viário onde entronca na via transversal que seguia para Três Minas descrita a seguir (Teixeira, 1996; Lemos e Martins, 2010).
|
|
Via transversal ao Itinerário XVII entre Castro de Avelãs e Três Minas Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SO que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um hipotético itinerário proveniente de Castro de Avelãs rumo à Região Mineira de Três Minas o que permite integrar esses miliários nesta hipotética via, ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte a partir de Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo rumo a Castro de Avelãs (Colmenero et al., 2004). A parte inicial do trajecto segue as indicações do percurso proposto pelo Padre Francisco Alves (o conhecido 'Abade de Baçal') no início do século XX, seguindo anotações anteriores do Major Celestino Beça; os topónimos por este mencionados e actualmente desconhecidos são assinalados por aspas (Alves, 1915). Castro de Avelãs (seguia inicialmente o Itinerário XVII até Formil, desviando aí para noroeste) Formil (desvia pelo caminho que cruza a ribeira de Prado Redondo e segue por «Vale do Roupeiro», «Vale de Centiares», «Paulo de Fontes», Chousa, junto da «Fonte do Velho») Castrelos (passa no cemitério onde há necrópole romana e continua pelo Carriço do Ervedal» em direcção à travessia do rio Baceiro na Antiga Ponte de Castrelos cujas ruínas ficam a jusante da ponte actual, na base do castro do Cabeço de São João/Castelos Velhos, onde apareceu a estela funerária de Sempronius Tuditanus, continuando na outra margem pelo caminho da «Estalagem do Diabo») Soeira (a via cruza a aldeia junto da Igreja Velha, onde existe uma inscrição, continuando até ao sítio romano de «Vilar», estação viária tipo mutatio onde em 1900 Celestino Beça achou um miliário reaproveitado como sarcófago, hoje no MAB com o nº 1566; da inscrição original restam umas poucas letras TRIB POT e o numeral XXI; daqui desce ao rio por 1 km, contornando o Castro da Ponte parra cruzar o rio Tuela na «Ponte Velha» de Soeira, continuando por calçada até à EM1017, confluindo pouco depois na EN103 que segue aproximadamente para cruzar a ribeira de Padornelo junto da Ponte de D. Marinha) Vila Verde (cruza a aldeia, passando a norte da Torre de Modorro, provável atalaia romana tipo statione para controlo da via romana na zona de travessia do rio Tuela, continua pela EN103 e logo depois desvia à direita pela EM505 e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha) Vinhais (Argote refere um miliário entretanto desaparecido; onde apenas leu CONLAPSOS RESTITVERVNT / …Q. DECIO LEG.AVG.PR.PR. / CV… VIA AVG / M.P.CP, ou seja referindo reparações efectuadas na via talvez pelo Imperador Maximino, indicando a milha C[---?], talvez a Braga; provável vicus no Bairro do Eiró, onde terá aparecido a ara a Júpiter pelo que aqui deveria existir uma mutatio; a via romana margina o povoado, seguindo depois entre os altos da Portela e do Pinheiro, cruza a ribeira das Trutas no Pontão, continua pelo caminho de Lamas da Susana até Soutelo, passando a norte do povoado do Monte da Circa e do vicus da Lagoa, continua por Sobreiró de Cima, sobe pelo Alto do Meiral até Cruz das Cortes na EN103 e continua pela portela do Monte da Forca e do Alto da Madorrinha) Curopos (passa em «Souto Escuro», onde terá existido um miliário (?), seguindo por Estalagem de Cima e Estalagem de Baixo, na rota da EN103) Valpaço (por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome) Ponte Romana?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal (encontrava-se em ruínas e actualmente está submersa; da ponte ascendia a encosta Bouças, Muradelha, passando junto povoado fortificado do Cabeço da Ns. da Ribeira, onde apareceu uma ara votiva, possivelmente a estela funerária de Flavia Duerta, que hoje está no MRF dada como proveniente da aldeia de Vilartão) Bouçoães (dois possíveis miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia, antiga casa paroquial, actualmente na JF; continua pelo Alto das Pedrinhas e Alto da Relva) Tortomil (vicus de Fetais, em Vale de Fetos; duas aras votivas, uma das quais com uma inscrição a Júpiter pelos Castellani Af(...) que seria a designação do sítio; continua pelo Alto da Fraga do Marco) Fiães (vicus Vagornica no sítio de Muradelha com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicensis achada no sítio da Cortinha do Fundo junto da aldeia, hoje no MRF; dentro do povoado apareceu um possível miliário; estela funerária na Fonte da Ns. do Socorro) Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Calvo Tinhela (calçada; estela funerária na rua da Veiga) Lama de Ouriço (miliário de Magnêncio, hoje desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha) Sá (onde cruza a Via XVII) Valongo (miliário anepígrafo reutilizado numa casa da aldeia, entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo) Ervões Lamas Monsalvarga (fragmento de miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada segue paralela e a nascente da EM543) Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; a via margina o castro romanizado de Cigadonha e segue a nascente da aldeia talvez pelo Caminho da Qta. da Fonte; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili: «Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) Obili(um)»; Colmenero, 1987) Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lari Cusicelensis (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida) Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de S. João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom) Padrela (nó viário na Serra da Padrela que dá acesso à região mineira de Três Minas, ver Itinerários Chaves - Três Minas - Rio Douro) |
| VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXV |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)
Item alio itinere a
BRACARA ASTURICAM SALANIANA AQUIS ORIGINIS AQUIS QUERQUENNIS GEMINAS SALIENTIBUS PRAESIDIO NEMETOBRIGA FORO GEMESTARIO BERGIDO INTERERACONIO FLAVIO ASTURICA m.p. CCXV m.p. XXI m.p. XVIII m.p. XIIII m.p. XVI m.p. XVIII m.p. XVIII m.p. XIII m.p. XVIIII m.p. XVIII m.p. XIII m.p. XX m.p. XXX Braga (BRACARA) (um miliário de Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da «Via Nova», e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; está hoje no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da «Via Nova», no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lari Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado) Travessia do Rio Cávado (Celadus): Como a Ponte do Porto é uma construção medieval sem indícios de uma anterior romana, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o ponto de travessia do rio Cávado. Apesar de estarem todos deslocados do seu local original existem vários miliários nas proximidades: junto da Ponte do Porto temos o miliário da Capela de S. Miguel-o-Anjo e mais a jusante, os miliários de Barreiros e o miliário do Cruzeiro de Pilar. Estudos mais recentes apontam para que a travessia se fizesse a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja «pela via que chamam de vereda proveniente de Braga» (PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento do miliário de Constante em Areal de Baixo, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto que indicaria assim a milha II. (vide Colmenero et al., 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
Carrazedo (m.p. VII no lugar de Feira Velha/ Castro; o vicus fica próximo no Lugar da Igreja; uma ara votiva aos Lares Buricis apareceu junto da via no «Campo da Porta» ali próximo; em 1642 existiam 12 miliários no adro da Igreja de Carrazedo dos quais 8 terão sido levados para o Campo de Santana em Braga enquanto os restantes 4 permaneceram na igreja, sendo depois dispersos; vide Sousa, 1971-1972) Pilar, Fiscal (m.p. VIII assinalada pelo miliário de Caro, CIL II 4786, cravado no solo a servir de cruzeiro e marco divisório numa rotunda da aldeia; continua pela EN308) Besteiros (m.p. IX no lugar de St. António; continua pela rua homónima e Lugar da Cal até à Igreja Paroquial de Caires) Caires (m.p. X; mutatio a 10 milhas de Braga situada no vicus designado por «Cividade de Biscaia» situado no sítio do «Campo da Bouça», na base do Castro de Gróvios/Castro de Caires onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo de granito representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do sistema de correio, ou seja do cursus publicus; dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolição da Capela da Qta. de S. Vicente e hoje depositada na Qta. de Rios de Cima) Pela VIA NOVA até à Portela de Santa Cruz Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via contorna o Monte de S. Pedro Fins pela vertente sul por Paço Velho, Castro, Tornadouro, S. Vicente, Roupeiro e Cimo da Geira, onde venceria a milha XI, continuando pelo lugar de Vila Cova em Paredes Secas, iniciando-se aqui um grande troço ainda intacto da via romana que ascende por suaves patamares à divisória entre freguesias, onde vencia a milha XII, pouco antes de atingir o vicus e provável mutatio de Mojeje, local onde cruza a ribeira das Oliveirinhas e cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está na casa paroquial de Vilela.
Santa Cruz, Souto (m.p. XIV; de Mojeje a via percorre a meia-encosta a vertente nascente do Monte de Santa Cruz passando junto de um miliário anepígrafo que está deitado junto da via até entroncar na EM535-2, seguindo à direita pelo largo da aldeia para onde foi deslocado um fragmento de outro miliário; junto da Portela de Santa Cruz que serve de divisória entre os concelhos de Amares e Terras de Bouro, deixando o vale do rio Cávado para entrar no vale do rio Homem, atingindo pouco depois a milha 14 num local designado por Bouça do Padreiro, onde ainda subsistem 7 miliários, quatro deles indicando a m.p. XIV, um dos quais está enterrado in situ; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral segue à direita para Chão de Cima e Reboredo) Lampaças, Balança (m.p. XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário de Maximiano indicando 15 milhas, miliário de Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na C.M. de Terras do Bouro) Teixugos, Chorense (m.p. XVI; miliário de Décio; três outros miliários deste local estão desaparecidos; a via continua pelo monte até à Capela de S. Sebastião da Geira, onde entronca na EM535, segue esta estrada por 150m e desvia à esquerda por estradão de terra) Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (m.p. XVII; 5 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio, Caro e Valentiano) Chã de Vilar, Chorense (m.p. XVIII em Minério; miliário de Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário de Constâncio I ou II que está hoje na C.M. de Terras de Bouro; vestígios de um povoado romano; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo) Lajedos, Saim (m.p. XIX; 4 miliários, um dos quais dedicado aos imperadores Tito e Domiciano, indicando 19 milha a Braga, lê-se VIA NOVA FACTA; miliário de Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova servindo de suporte a uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na C.M. de Terras de Bouro) Podrigueiras, Saim (m.p. XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando ambos 20 milhas a Braga; miliário anepígrafo integrado na base de um muro a 30 m da via; logo depois cruza o ribeiro da Pala da Porca) SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário de Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário de Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul. Travasso, Vilar (m.p. XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo) Ervosa, Santa Comba, Chamoim (m.p. XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente 22 milhas a Braga, CIL II 4806; um terceiro miliário daqui foi levado para a Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa, onde serve de cruzeiro) Esporões, Chamoim (m.p. XXIII; 4 miliários; miliário de Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano e outro a Constâncio II entretanto desaparecidos) Padrós (m.p. XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário de Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307) Sá, Covide (m.p. XXV; miliário de Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307) Covide (miliário de Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário de Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda leva Castro da Calcedónia; a via cruza a Veiga da Santa Eufémia pelo lugar do Monte) Jeirinha, Covide (m.p. XXVI no lugar das Várzeas; miliário de Constâncio Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via acompanha o ribeiro por alguns metros, subindo depois à EN307) Costa do Cruzeiro (m.p. XXVII; miliário de Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário de Tito e Domiciano desaparecido; há ainda referência a um outro miliário de Vespasiano hoje desaparecido, CIL II 4814, indicando também 27 milhas a Braga; pouco depois surge o miliário a Décio indicando também 27 milhas que hoje serve de base do Cruzeiro de S. João do Campo e logo depois surge um outro miliário ilegível na berma direita da estrada; no entanto estes miliários estão deslocados e o acerto da marcação miliária sugere que a via desviava no cruzeiro e seguia antes pela Ponte dos Eixões e depois quase recto até à Igreja da aldeia do Campo) S. João do Campo/ Campo do Gerês (m.p. XXVIII no sítio da «Leira dos Padrões», nas traseiras da igreja; no entanto a mutatio poderia estar no sítio do «O Sagrado» ou «Adro Velho» situado na Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; na aldeia existem vários miliários, o miliário de Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação, outro fragmento de miliário indica 28 milhas a Braga e está encastrado na parede de uma casa da aldeia, tal como um outro miliário anepígrafo; a norte da aldeia na «Leira do Cotelo» no lugar do Porto do Carro, há outro fragmento de miliário; Argote refere um miliário de Magnêncio hoje desaparecido e em 1728 Matos Ferreira refere 2 miliários que estavam na Leira dos Padrões e que foram posteriormente destruídos; a via continua pela estrada actual que se dirige para a extinta aldeia de Vilarinho das Furnas (onde há vários miliários reutilizados), mas antes de descer à barragem desvia à direita por estradão de terra que se dirige para a Bouça do Gavião, perdendo-se pouco depois nas águas da albufeira que submergiu a via; o caminho actual foi construído a cota superior, mas reúne com a via 2500m depois) Bouça do Gavião/ Padrões da Cal (m.p. XXIX; os 13 miliários que aqui existiam foram transladados para Sarilhão, junto do estradão actual, após a construção da barragem) Bouça da Mó (m.p. XXX; mutatio escava na margem esquerda do ribeiro da Mó; aqui apareceram 2 miliários e recentemente um outro miliário a Maximino e Máximo) Bico da Geira (m.p. XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários) Volta do Covo (m.p. XXXII; 22 miliários, entre eles aos imperadores, Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, Caracala, um a Constantino II, Constâncio II e Constante I, etc.) Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco) Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco) Albergaria (m.p. XXXIII; 20 miliários, entre eles, a Constantino) Ponte Romana de Albergaria/ Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (silhares almofadados entre as ruínas da antiga ponte; a via segue o caminho entre o rio Homem e a estrada actual) Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios) Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro) Portela do Homem (m.p. XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Querquerni; ver a discussão do traçado neste ponto) Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (m.p. XXXVI; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário) Continuando em direcção a Astorga: Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até Aquis Originis, mansio referida no I.A. e situada em Baños del Rio Caldo (Lobios). Na sua rota até Astorga, a «Via Nova» passava nas seguintes estações viárias com mansiones. Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39) Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo) Baños de Bande (AQUIS QUERQUENNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal) Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; 3 miliários em Vilariño das Poldras na milha LXVII e um miliário em Zadagos assinalando a milha LXXI) Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS; milha LXXXVII, 87) Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO; junto à Igreja; milha CV) Ponte Navea (milha CXIV?; reconstrução medieval de uma ponte romana sobre o rio Navea; 2 miliários anepígrafos e um miliário de Tito; entra no território Asturicense) Pobra de Tivres (NEMETOBRIGA em Mendoia; milha CXVIII) Ponte Romana de Bibei (milha CXXI; magnífica construção romana, uma das pontes melhor conservadas na Península; existem dois miliários junto da ponte, um miliário de Tito, indicando 94 milhas a Astorga, e o outro um miliário de Trajano; outra inscrição dedicada a Trajano jaz no fundo do rio e indicava que a ponte foi construída pelos Aquiflavienses tal como a Ponte de Chaves) Ponte Romana da Cigarrosa sobre o rio Sil (conserva os alicerces romanos) Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137) Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155) Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168) Ponferrada (exploração mineira «Las Médulas», património mundial) Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188) Astorga (ASTURICA AUGUSTA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja cerca de 344 km desde Braga) |
| VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Variante
por Antas ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Fornelos
Valença ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)
Item a BRACARA
ASTURICAM LIMIA TUDAE BURBIDA TUROQUA AQUIS CELENIS TRIA ASSEGONIA BREVIS MARCIE LUGO AUGUSTI TIMALINO PONTE NEVIAE UTTARIS BERGIDO INTERAMNIO FLUVIO ASTURICA m.p. CCXCVIIII m.p. XVIIII m.p. XXIIII m.p. XVI m.p. XVI m.p. XXIIII m.p. XII m.p. XIII m.p. XXII m.p. XX m.p. XIII m.p. XXII m.p. XII m.p. XX m.p. XVI m.p. XX m.p. XXX Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário de Augusto indicando 43 milhas a TVDE, actual Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, hoje no MDDS com o nº 1992.0684; a via poderia seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; no entanto o trajecto da via XIX é incerto pois apesar dos muitos miliários quase todos foram deslocados ou reutilizados nas quintas da periferia da via como o miliário de Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, hoje no MDS com o nº 68992; a saída da cidade fazia-se talvez pela Calçada de Cones, seguindo depois aproximadamente a EN201 até à Ponte do Prado; em alternativa poderia continuar rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas passando em Felgueiras, onde existe um possível miliário reutilizado como marco divisório; ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008) Real (m.p. I; vários miliários relacionados com a milha I; o miliário de Constâncio (II?) indicando m.p. I apareceu em 1990 na antiga casa dos Paços da Câmara na rua Frei Caetano Brandão e está hoje dentro da cafetaria que ali existe; o miliário de Maximino e Máximo também da milha I, CIL II 4756, apareceu no Monte dos Cones a servir talvez de marco divisório, hoje no MDDS com o nº 1992.0677; também seria desta milha o miliário da Qta. do Tourido descoberto em 1979 e hoje desaparecido) Frossos (m.p. II no sítio da Ramoia; na Qta. do Outeiro apareceu um miliário de Nerva talvez da milha II transformado em pedra de lagar que hoje está na Sé de Braga; Albano Belino descobriu um miliário de Tibério indicando a milha II na Qta. de Germil, hoje no MSMS com o nº 82; no Largo do Souto em Panóias existe um outro miliário servindo de base a um cruzeiro, seguramente deslocado dado que indica a m.p. IV que seria vencida junto da Ponte do Prado; tem duas inscrições, uma inicial a Tibério e outra posterior dedicada a Valentiniano e Valente; o peso de lagar da Qta. da Mainha, pode ser um miliário reutilizado) S. Paio de Merelim (m.p. III; miliário de Adriano descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e hoje no Museu Pio XII, poderia assinalar esta milha; topónimo Calçada junto da EN201) Ponte Romana?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (m.p. IV; Argote refere o aparecimento de um miliário de Augusto da milha IV, CIL II 4868, aquando da reconstrução da ponte, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte (Regalo,1987); a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia fazer-se por barca no mesmo local ou mais a montante, próximo do sítio romano de Macarome) Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova)
A rota da via romana entre os rio Cávado e o rio Neiva permanece insegura, sendo habitualmente apontado um trajecto por Lage, S. Miguel de Carreiras e Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, correspondendo ao actual «Caminho de Santiago». Apesar da evidente antiguidade deste caminho não é segura a sua existência em época romana, apresentando fortes pendentes na subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta para a travessia do rio Neiva na Ponte de Goães que na sua forma actual é uma construção medieval sem sinais de romanidade. Por outro lado, os miliários conhecidos apareceram todos a poente desta rota (embora deslocados dos locais originais), sendo por isso mais provável que a via militar seguisse um outro percurso menos acidentado e mais de acordo com os princípios construtivos romanos, fazendo a travessia do Neiva um pouco a jusante da Ponte de Goães. A descoberta de miliários em Atiães no âmbito do projecto «Vias Atlânticas» veio reforçar este trajecto. Por outro lado, o trajecto por Goães poderá ser segundo Sande Lemos já tardo-romano, relacionando-o com o período Suévico. O traçado é indicado a seguir: Continuação da VIA XIX Da Ponte do Prado a Ponte de Lima Vila de Prado (da ponte segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue por 1800m pelo caminho que passa nas traseiras da Igreja Velha de Prado e que liga a Outeiro; miliário de Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77) Oleiros (m.p. VI; miliário de Valentiniano I indicando a milha VI que apareceu na «Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz» já transformado em cruzeiro, hoje no Museu Pio XII; a milha seria vencida no Cruzeiro/Alminhas, seguindo depois pela rua da Capela de S. Sebastião) Atiães (m.p. VII; continua próximo do lugar da Cumieira, por Alminhas e Qta. do Carrão, percurso confirmado pela descoberta de um fragmento de miliário anepígrafo da Bouça do Castro, talvez indicando a milha VII; seguia depois pela Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário talvez da milha VIII; também no adro da Capela de Sta. Marta, existem dois cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso; minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal; continua junto da Capela de Chãos, m.p. IX e cruza a EN201 no lugar de S. José, continuando por Regadas na m.p. X; o desaparecido miliário de Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga) Marrancos (m.p XI; fragmento de miliário junto da JF; villa?; mina romana da Cova dos Mouros; fragmento de miliário de Tibério que apareceu na Igreja Velha de Fontes em Arcozelo, hoje no Museu Pio XII) Travessia do Rio Neiva (Naebis) (m.p. XII; talvez entre os lugares do Monte da Ribeira e Lagoeira) Anais (m.p. XIII; no lugar da Boavista, apareceu um miliário ilegível reutilizado como suporte do alpendre de uma casa; retomando o percurso no lugar da Lagoeira, na divisória entre os concelhos de Braga e Ponte de Lima, continua por Venda, Talho, Souto, Caramasse, Varziela, Malhos, m.p. XIII no lugar do Cruzeiro, Albergaria, Casas Novas, Pé da Cruz e Torrão) Queijada (m.p. XIV no Largo do Soutinho em Empregada; continua por Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Costa/Cangostas até ao rio Trovela, junto do povoado na Qta. do Crasto e da necrópole na Qta. do Outeiro)
Travessia do rio Trovela (m.p. XV; na «Ponte Nova» já referida em 1258; CAB Almeida, 1990; seguia depois paralela à EN201 por caminho hoje extinto) Fornelos (milha XVI; miliário de Maximino e Máximo que apareceu no antigo passal reutilizado como peso de lagar, hoje no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; continua por Belmonte) Picarouba (m.p. XVII; continua talvez por Carrão, Chão da Mena, contorna a Qta. de Sandilhão, cruza a ribeira homónima e segue por Lage) Posa (m.p. XVIII; miliário de Dalmácio que apareceu reutilizado num muro; miliário de Maximino e Máximo indicando a milha 18 que apareceu no «Campo de St. Amaro», actualmente no jardim do Solar de Bertiandos convertido em Pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; a via continua por Qta. de Sta. Quitéria em Postigo, inflecte por Ribeiro, cruza a EN14 na m.p. XIX , entrando em Ponte de Lima pela rua do Merim, rua Norton de Matos e pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001) Ponte de Lima (m.p. XX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma ara a Júpiter da oficina de ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha) LIMIA, estação viária tipo mansio situada a 19 milhas de Braga na actual vila de Ponte de Lima; no entanto, dado que a milha XX era vencida junto da Ponte Romana, é possível que a mansio estivesse um pouco antes, talvez nas proximidades de S. Lourenço, onde vencia a milha XIX. Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval de uma anterior romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita com visíveis marcas de fórfex e utilização de silhares almofadados a denunciar a parte romana) Antepaço (m.p. XX; no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário já ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha 20 e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte romana paralelo ao rio Labruja pela Qta. de Sabadão, m.p. XXI, limite da Qta. de Pomarchão, Cancelhinhas e Igreja)
Arcozelo (m.p. XXII junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário; continua para a Ponte do Arco) Ponte Romana do Arco da Geia, Boavista (ponte sobre o rio Labruja reutilizando silhares almofadados da ponte anterior romana; continua pela margem esquerda por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho e Moinho do Folão) Cepões (m.p. XXIII; miliário no adro da Capela de S. Pedro, convertido em pia, relacionada com a milha 23 que era vencida um pouco antes da capela no sítio do Padrão, sugestivo topónimo em alusão ao marco miliário que ali existia na base do povoado do Castro do Bárrio) Ponte Romana?-Medieval do Arco (nova travessia do rio Labruja; daqui segue a EM522 por Fonte da Estrada até à Capela da Sra. das Neves em Codeçal associada à m.p. XXV, onde toma o chamado «Caminho da Texugueira», passando nos lugares de Revolta, Antas, Portelinha, Valinhos e Casa da Balada, marginando o povoado romanizado do Castro de Baixo) Labruja (m.p. XXVI em Espinheiros, dado que aqui apareceu um miliário de Constantino Magno indicando 26 milhas a Braga, suportando o alpendre de uma casa rural e hoje na chamada «Colecção da JAE», bem como o fragmento de miliário de Magnêncio (?) que apareceu no lugar da Freita; miliário da Capela de S. Sebastião, hoje no grupo da Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário próximo da Capela de São João Baptista da Grova, transformado em suporte de pia baptismal e depois transferido para a Igreja Paroquial; a via passava a poente da Igreja por Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiros)
Romarigães (m.p. XXIX; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães há 2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário de Valentiniano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 28 ou 29, embora hoje apenas se leia XX[...], AE 1980, 571)
Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Costa e Fonte de Frenes) Barreiros, S. Martinho de Coura (m.p. XXIX; miliário de Constante I no largo por trás da Capela Ns. da Conceição onde se lê MILIARIVM XXVIIII, ou seja indica que este era o 29º miliário da via; continua por Calados) Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (m.p. XXX; miliário de Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara; cruza o rio Coura na Ponte dos Caniços, situada na base do castro do Alto da Madorra) S. Bartolomeu das Antas (m.p. XXXI) Espinheiral (m.p. XXXII; segue a EM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro) Ramalhal (fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral da Capela de S. Brás; possível mutatio, Almeida, 1996) Ranhadoura (m.p. XXXIII; miliário de Constâncio II com a milha ilegível que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo) Raso, São Julião (m.p. XXXIV; no Monte da Gândara apareceu in situ um miliário de Maximino Daia indicando a milha XXXIIII, hoje também na «Colecção da JAE»; em 1979, no Largo da Feira em S. Julião, apareceu um miliário anepígrafo que passou pelo adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima e hoje está desaparecido; 200m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada) Reguengo (m.p. XXXV junto da Capela de S. Gabriel de Fontoura, onde reúne com a variante por Rubiães) Variante por Rubiães:
Agualonga (habitat em Mourela; cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara e Covelo) Pereiros (m.p. XXX; continua pela EN até à Capela de S. Roque) Rubiães (m.p. XXXI; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde apareceu, além de uma ara funerária e pedra almofadada, um miliário de Caracala, talvez da milha XXXI, convertido em sepultura; daqui desce ao rio Coura talvez pelo lugar da Escola) Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados; na entrada da quinta está o miliário de Augusto e no seu interior um miliário de Valentiniano I servindo de esteio de uma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX, mas desconhece-se a sua localização original) Ponte Romana?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte) Cossourado (da ponte segue talvez pela EM1074, passando na vertente nascente do Castro do Alto da Cividade/Forte da Cidade até à Igreja e cemitério, m.p. XXIV, percorrendo depois o Monte das Contenças, m.p. XXXVI, por Carcavelha até Portela junto da Capela de S. Gabriel) Fontoura (m.p. XXXVII; 2 miliários; miliário de Nerva indicando a milha XXXVI apareceu no Monte das Contenças e hoje está em S. Bartolomeu das Antas; possível mutatio a 7 milhas de Tui) Itinerário XIX de Fontoura a Valença Fontoura (da Capela de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, ribeira de Boriz, Rio Torto e pelo caminho de terra batida com 100m até Monte Chão, restando da antiga via, segundo Colmenero, uma lomba no terreno com 500 m, hoje em propriedade privada; seguia depois pela Capela de S. Bento e Bouça da Gândara até Paços) Cerdal (segue o caminho de terra batida até à ponte) Ponte Romana?-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (m.p. XXXIX; calçada antes da ponte; continua por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira num pontão com possível origem romana, até atingir Tuído, onde cruza a EN13, e segue por Albergaria e Senra) Valença (m.p. XLII; 2 miliários provenientes do lugar das Lojas na chamada «estrada do cais» que desce ao Cais de Arinhos; o primeiro é um miliário de Cláudio da milha 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo é um possível miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Núcleo Museológico Municipal) Travessia do rio Minho (Minius) no Cais de Arinhos (por barca?) TUDA, estação viária tipo mansio situada a 43 milhas de Braga na actual cidade de Tui (2 miliários em Sta. Eufémia); no seu percurso de cerca de 400 km até Astorga, a via seguia pelo Vale do rio Louro, por Madalena, Ponte de Orbenlle, Porriño, Guizan, Louredo, Santiaguiño de Antas (miliário), Chan das Pipas, Saxamonde (5 miliários) e Redondela, continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA AUGUSTA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja cerca de 478,4 km). |
| VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque |
![]() ![]() ![]() ![]()
|
ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
Item per loca maritima
a BRACARA ASTURICAM usque AQUIS CELENIS VICO SPACORUM AD DUOS PONTES GLANDIMIRO TRIGUNDO BRIGANTIUM CARANICO LUGO AUGUSTI TIMALINO PONTE NEVIAE UTTARI BERGIDO ASTURICA stadia CLXV stadia CXCV stadia CL stadia CLXXX m.p. XXII m.p. XXX m.p. XVIII m.p. XVII m.p. XXII m.p. XII m.p. XX m.p. XVI m.p. L De Braga a Areias de Vilar Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia pela rua de S. Sebastião, aproximadamente a decumanus, marginando o anfiteatro e a necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Direita, rua Padre Cruz e rua da Naia) Ferreiros (continua pela chamada «Calçada da Naia», troço da via que ainda conserva o lajeado por 337m, contornando o Monte de S. Gregório, onde apareceu tégula associada a um possível casal romano; o caminho passa numa capela em ruínas a cerca de 1 milha de Braga) Gondizalves (continua entre caminhos florestais até à rua Monte da Amarela, perdendo-se o seu rasto daqui à rua da Venda) Sequeira (continua pela antiga estrada Braga-Barcelos pelo sopé sul do Castro romanizado do Monte das Caldas, CM1322, seguindo pela rua da Venda e rua da Pousada, topónimos viários, rua das Caldas, rua Cabrita, Calçada da Cabrita, onde há marcas de rodados da chamada «Estrada Velha», continuando pela Viela da Seara até ao ribeiro; daqui a Porto Martim a via desapareceu, mas é possível que seguisse entre campos agrícolas do lugar de Corgas e depois pela rua de Mondinhos, rua Padre Moreira, cortada pela A3, e Av. Sr. dos Passos, cortada pela A11) Porto Martim (m.p. IV, junto da linha divisória entre Braga e Barcelos; topónimo indicia um porto fluvial) Martim (villa ou mutatio na área da igreja; a via passa a norte da actual EN103 Braga- Barcelos pela rua da Estrada Real, passando em Martim de Além, rio Labriosque, junto da Capela de St. António na m.p. V, e no lugar da Venda) Encourados (m.p. VI; continua pela rua da Estrada Real, CM1079, marginando a villa ou mutatio? na Casa do Adro no lugar do Assento, a 6 milhas de Braga) Areias de Vilar (vestígios romanos nas proximidades do rio Cávado indiciam a existência de um porto fluvial, em particular o povoado romano em Aveleiras, de onde terá vindo a ara da Igreja de S. João Baptista, necrópole na Capela de Sta. Maria Madalena e tégula na Capela S. Sebastião; a travessia do Cávado poderia fazer-se entre «Bouça da Barra» e Manhente) Alternativas a partir do Porto de Areias de Vilar:
De Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas tal como «pousada» e «breia». Partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja S. Pedro de Alvito; ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial em S. Martinho de Alvito), continuando por Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima. da Barca do Lago ao Vale do Lima pela Ponte de Fragoso Itinerário que deriva da karraria antiqua/via veteris após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção nordeste rumo ao rio Lima; esta rota seguia por Terroso em Palmeira de Faro (junto do castro romanizado do Senhor dos Desamparados e da villa da Linhariça), contornava o planalto de Vila Chã (junto do povoado de Barbeitos), seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada; referência à «carraria» na Carta do Couto de Fragoso em 1127), continuando depois por Barroselas e Portela de Susã (vestígios junto da Igreja), Sta. Maria de Geraz do Lima (villa a 80m da igreja paroquial que reutiliza silhares romanos tal como na Igreja de Sta. Leocádia, onde apareceu uma ara anepígrafa e um capitel toscano) e Moreira de Geraz do Lima, atravessando o rio Lima no sítio da Passagem. Na outra margem a via teria continuação para norte, passando na vertente nascente da Cividade de Lanheses (castro romanizado relacionado com as minas de estanho de Cova Alta/Olas e Alto das Mouras, e a mina de ouro de Bouça do Moisés), continuando por Rouparias (necrópole) para S. Lourenço da Montaria, passando próximo do Castro de Castelão. (Almeida CAF 1968: 36; Almeida CAB 2003: 336).
De Famalicão a Barcelos Estrada entre Famalicão e Barcelos referida num documentos medieval do ano 906 como «karraria antiqua» e «estrata de vereda» ao indicar os limites da «villa» de Sta. Eulália (PMH DC 13), actualmente a freguesia de Sta. Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à fonte de águas medicinais que ali existe que foi estação termal na época romana e medieval (Almeida, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» que deverão corresponder a vias romanas, nomeadamente a que seguia directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos e logo a localização da via; atendendo ao terreno é possível que a via principal para Barcelos seguisse junto dos cabeços da montanha entre o Monte da Saia e o Monte de Maio, por onde descia ao Cávado; partindo de Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus ou Corougiai Vesucus , hoje no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço e na Qta. da Honra de Fralães apareceu uma lápide de um legionário, hoje no MSMS com o nº 43), continua por Carvalhos (EN306-1 até S. Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de S. Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Qta. do Perdigão, traseiras da Qta. do Paranho, Capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Qta. da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Sta. Eugénia do Rio Covo. De Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha Este importante eixo medieval mas que terá uma cronologia muito anterior dado os imensos vestígios do período romano ao longo do seu percurso que interligava o vale do Cávado ao vale do Lima pelo Vale da Facha num traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva no local da Ponte Medieval das Tábuas (ponte já mencionada num documento do ano 1135) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, confluindo pouco depois na Via Romana Bracara Augusta a Tudae do Itinerário XIX. Barcelos (seguia talvez para Abade de Neiva por Breia e junto da villa da Qta. do Castelo, a II milhas de Barcelos, na base do castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre) St. Leocádia de Tamel (passa na Igreja, milha III?) Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas) Tamel/S. Pedro de Fins (milha V?; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (PMH DC 443) Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (mamoa e povoado na Bouça da Mó; milha VIII?) Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Qta. das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da Capela de S. Martinho e Mó) Poiares (milha X?; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro) Vitorino de Piães (milha XII?; passa junto dos povoados de S. Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade) Portela, Facha (milha XIII?; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria) Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
Facha (a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na Capela de S. Sebastião e junto da villa do Prazil, talvez a milha XV pois fica a 1 milha de Maria Velha, com vestígios de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro, milha XVI?) Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia) Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com o Itinerário XIX proveniente de Braga) |
| Via BRACARA AUGUSTA a AUGUSTA EMERITA |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
O Itinerário de Antonino não menciona uma rota entre estes dois importantes centros urbanos como são Bracara e Emerita. Na verdade, não existe uma via estruturada como tal; o itinerário proposto várias vias independentes através de um território bastante acidentado. O itinerário partia de Mérida e seguia até Cáceres pela «Via de la Plata», rumando daqui para noroeste rumo à Ponte Romana de Alcântara, onde cruzava o rio tejo, entrando pouco depois em território Português através da Ponte Romana de Segura (Idanha-a-Nova), ambas mantendo grande parte da estrutura original, continuando até ao assentamento de Torre de Centum Cellae (Belmonte). Neste local a via bifurcava, seguindo um ramo para norte por Guarda, Mêda e Freixo de Numão rumo à travessia do rio Douro enquanto outro seguia para poente transpondo a Serra da Estrela. No cimo da serra voltava a bifurcar, seguindo um ramo por Folgosinho até Viseu e daqui a Talabriga, ligando assim Mérida ao litoral enquanto outra via dirigia-se para noroeste seguindo por Linhares, Aguiar da Beira e Moimenta da Beira rumo também ao vale do Douro na zona da Régua. Assim não temos um percurso directo Mérida Braga, mas uma via que se desdobra em vários ramais. Um deles seguiria até Bracara Augusta, mas não é claro qual destes percursos era o mais utilizado para percorrer este itinerário. O itinerário por Viseu, Cárquere, Tongobriga e Braga é uma possibilidade, com 3 miliários a assinalar o trajecto da via entre o rio Douro e o rio Tâmega - «Carreirinha», Soalhães, Freixo e Tuías. No entanto também poderia seguir a via pela Régua, subindo depois por Santa Marta de Penaguião até à Serra do Marão, e depois por Gatão (Amarante) e Ponte Romana de Campelos (Guimarães) até Braga. Nesta parte final do percurso existe apenas um miliário que apareceu junto da Igreja de S. Martinho de Sande já perto de Braga. Também é possível que antes da construção da Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, o trajecto principal se fizesse através da via Mérida - Salamanca, inflectindo para noroeste para Coria após cruzar o rio Tejo na Ponte Romana de Alconetár, rumo à Serra da Gata que cruzava para Alfaiates rumo ao rio Douro (Mantas, 2019). O Itinerário de Braga a Mérida poderia assim ter constituido pelas seguintes etapas dependendo dum percurso passando por Tongobriga e Viseu ou um percurso por Moimenta da Beira:
Braga (BRACARA) - Guimarães/ Rio Ave - Freixo (TONGOBRIGA) A parte inicial do percurso continua duvidoso pois não é claro se a via cruzava a Serra da Falperra ou se contornava a mesma pela vertente sul passando por Esporões:
S. Lourenço de Sande (m.p. V; do sítio da «Estrada Velha» seguia por rua Cimo de Vila/Lapa marginando as sepulturas medievais dos «Quatro Irmãos») S. Martinho de Sande (m.p. VI; em 1855 apareceu um miliário de Trajano na casa paroquial, CIL II 6214, hoje no MSMS com o nº 78, provavelmente indicando 6 milhas a Braga; a via segue pela rua Quatro Irmãos e rua Vinhas, cruza a EN101 junto do cemitério de Burgão e continua pela rua do Cruzeiro da «Casa da Mogada», onde existe um habitat romano)
Vila Nova de Sande (m.p. VIII na igreja; rua do Falcão, rua de Santarém, na Igreja Paroquial toma o caminho de Lajes, passa a asfalto na travessa das Cruzes, continua por Souto e desce ao rio pela rua 10 de Junho) Ponte Romana de Campelos sobre o rio Ave, S. João da Ponte (m.p. IX; imponente ponte romana com 4 arcos com muita da sua construção original ainda intacta; estalagem medieval também mencionada no «Roteiro Terrestre» com possível origem numa mutatio)
As 3 rotas romanas rumo ao rio Douro A possível existência de três travessias do rio Vizela em época romana (na Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, na Ponte «Romana» das Caldas de Vizela e na Ponte Romana do Arco de Vila Fria) indiciam que a via dividia-se pouco depois da travessia do Ave na Ponte de Campelos, seguindo pela primeira rumo a Cale (Porto), pela segunda seguia próximo de Magnetum (Meinedo) e pela terceira seguia para a Tongobriga (Freixo); esta última rota poderia corresponder ao itinerário principal para Mérida dado passar nesta importante cidade romana e pela existência de uns poucos miliários pontuando o seu trajecto rumo ao rio Douro.
Os silhares almofadados com marcas de fórfex da Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela em São Martinho do Campo, atestam a existência de uma ponte anterior na via romana para Cale e que funcionava assim como diverticulum do eixo Braga-Mérida que seguia sudoeste da cidade de Guimarães; «ponte lapidea» num documento de 983 (VMH 17); «ponte de auizella» num documento de 1059 (PMH DC 420); ver itinerário no sentido inverso na Via Cale a Vimaranis.
Rumo a Meinedo (Magnetum) pelas Caldas de Vizela (Oculis Caldarum) Este itinerário seguia na direcção do vicus Oculis Caldarum situado junto das actuais Caldas de Vizela, onde cruzava o rio homónimo; daqui segue pelo concelho de Lousada rumo ao vicus de Magnetum em Meinedo, importante povoação romana e antiga sede de um bispado suévico, continuando depois até Santa Marta em Penafiel onde encontrava a via proveniente de Cale a Tongobriga, podendo continuar para sul rumo à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios, marginando o notável Castro Romano do Monte Mozinho. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa no seu artigo «Eixo Viário Romano Oculis - Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada» (Sousa, 2012). Este itinerário poderia derivar do Itinerário Braga - Mérida talvez na Igreja da St. Amaro em Mascotelos ou mais adiante na zona da Sra. dos Remédios em Urgezes, e seguia junto do povoado do Monte de Lijó na Polvoreira, continuando por Bouça da Quinta para Infias (topónimo Qta. da Carreira), seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, hoje no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que indicia a passagem da via na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela. Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal; duas inscrições a Bormanicus, denunciam o culto a esta divindade termal, uma apareceu no sítio da Lameira, actual Praça da República, hoje no MSMS com o nº 76, e outra provém do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e a desaparecida inscrição da Qta. do Sobrado dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis Lupianis, divindade aquática de Lupiana, achada no passal da Igreja de Tagilde, hoje no MSMS com o nº 34) Ponte Romana?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; construção medieval não havendo indícios de uma ponte anterior romana; na outra margem segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106) Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 por Portelas, Baixinho e Carreira Chã; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Qta. de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta última dedicada à divindade Castaecis pelo lapidário Reburrinus) Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo) Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira, passando na Capela de Sta. Águeda e S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira e rua da Loja para a travessia do rio Mezio junto da Qta. de Eira Vedra, provável villa onde apareceu uma estela funerária, hoje no MNSR ; continua por Covas e Servecia) Cristelos (contorna o Castro de S. Domingos pela vertente oeste; na vertente sudeste existem vestígios de uma casa romana à margem da EM1132; segue talvez as ruas Castro, Almas e Ns. da Conceição) Lousada (talvez pelas ruas de St. André e 1º e Maio em Arcas) Boim (forno em Irmeiro; segue talvez o CM1155) Travessia do rio Sousa (há dois possíveis pontos de travessia, na Ponte de Sousa ou na Ponte Medieval de Espindo; calçada próximo com 100m?; continua por Bustelo, onde há vários topónimos viários como Tresvia, Padrão e Carreira Branca, este já referido em documentos medievais como «Portus Carrarius»; a via passaria próximo do lugar de Monteiras onde há necrópole, e ascendia ao cruzamento de Santa Marta/ Croca talvez pelo caminho do Mosteiro de Bustelo) Meinedo (Magnetum; provável ramal de ligação ao vicus romano atravessando a que se estendia por Casais, Igreja Paroquial, Campo de Futebol e Qta. dos Padrões, junto do apeadeiro) Itinerário de Meinedo (Magnetum?) a Eja (Anegia?) Penafiel (segue junto do sítio romano da Igreja de Santa Luzia) Póvoa de Marecos (povoado romano junto da Capela da Ns. do Desterro, local onde apareceu uma ara dedicada a Nabia, hoje no Museu de Penafiel, e um tesouro; a necrópole fica no lugar da Pedreira) Rans (atravessa o rio Cavalum em Ponte Nova e um seu afluente na pequena Ponte de Lardosa ou Ponte Velha, hoje abandonada) Galegos (segue pela base do castro romanizado de Abujefa; necrópoles em Bairro e no passal da casa paroquial; tesouro em Boavista e Qta. do Bairro) Oldrões (provável nó viário do vale da ribeira de Camba, na base do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no excelente Museu de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; desvia talvez da EN106 pela rua do Perrelo, travessa das Sete Pedras, rua de Real de Cima e rua Fonte da Arcanja até ao cruzamento na EN106, onde segue a EM590-1 para Quintãs. Termas de S. Vicente Pinheiro (termas romanas designada por villa banius no ano 1047, PMH DC 357; continua pela EM590-1, passando entre as ruínas da zona termal e o castro romanizado do Outeiro Divino) S. Paio da Portela (continua por Curveira e entronca na EN319, saindo pouco depois pela EM580-1 por Outeiro, Ponte das Ardias, Abôl, S. Sebastião, Alminhas e S. Miguel até à base da Cividade) Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade/ de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas) |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Guimarães - Ponte do Arco - Freixo (TONGOBRIGA) Continuação do itinerário principal para Mérida cruzando o rio Vizela na Ponte Romana do Arco de Vila Fria e seguindo por Felgueiras e Alto da Lixa rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços (vide Almeida, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320). Guimarães (depois de cruzar o rio Ave na Ponte Romana de Campelos, a via romana proveniente de Bracara seguia a sudoeste desta cidade de fundação medieval rumo à Ponte do Arco de Vila Fria, passando talvez em Santiago de Candoso (inscrição rupestre num penedo no lugar de Chãos onde se lia AVICIRF/I/DH e habitat em Bogalhós), Veigas, Belavista, Igreja de Santiago, contorna o Alto do Pombeiro até Santo Amaro (nó viário na milha XIII); continua pela EN576 por Vista Alegre, servindo de divisória entre as freguesias de Mascotelos/Urgeses e Polvoreira, tomando depois a rua de Covas que cruza a EN105 e a linha férrea e segue pela rua Portelinha dos Remédios (m.p. XIV; topónimos viários Portela e Breia; possível referência à via nas Inquirições de Afonso III em 1258 como a «viam veteram de Ladroeira»; VMH p. 284); cruza o rio de Moinhos junto da Qta. do Meirinho e continua por Arca de Baixo, Manhufes e Brense, passando a sul da Igreja de Pinheiro (topónimo viário Qta. da Carreira) pela rua das Regatinhas, rua Pés de Oliveira, rua José Peixoto, travessa do Cabo da Vila até S. Tomé de Abação (nas proximidades do lugar da Devesa Escura/Lapinha há vestígios arquitectónicos e uma sepultura, indiciando uma possível villa, reforçada pelo achado no «Campo do Cruito» da urna cinerária de Sulpicius eventual proprietário da mesma, hoje no MSMS com o nº66); continua pela Portela da Fornalha (sepultura em Alegria), e segue depois o caminho que parte da antiga Escola Primária e percorre a meia-encosta até desembocar na rua da Presa Nova junto do acesso à Qta. do Novelo, desviando pouco depois à direita no nr. 399 pelo caminho de terra, cruza a rua de Sizalde e segue a rua das Alminhas por Tomada até Venda da Serra (estalagem medieval; estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre»), prosseguindo por Venda da Botica, Souto da Bouça, Barraqueiro, rua da Pedreira e rua das Pernícias até ao Cimo de Eiriz, descendo depois à Ponte de Vila Fria por um caminho florestal, actualmente interrompido pela A7 e que serve de linha divisória entre as freguesias de Calvos e Serzedo, até desembocar na rua 24 de Julho que cruza e segue pela rua Ponte do Arco) Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria sobre o rio Vizela (m.p. XX; reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a jusante da ponte, no lugar de Sá, apareceu um cipo funerário, hoje no MSMS como o nº ; depois da ponte surge um troço bem conservado da a calçada subindo pela vertente poente do Castro do Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani erigida por um Brácaro, hoje no MSMS com o nº 47)
Sta. Eulália de Margaride, Felgueiras (m.p. XXII em Água Empregada/Campas; a via sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco e Forca) Nó viário da Forca em Varziela: estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» como «Deveza da Escorva», possivelmente com origem numa mutatio romana; daqui partia uma variante deste itinerário para Tongobriga que passava por Caíde de Rei e Recezinhos; este trajecto cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, ponte destruída nos anos 80 e substituída pelo actual pontão em betão, indubitávelmente uma construção romana dado existirem fotografias das obras mostrando o intradorso do pilar direito ainda com o aparelho almofadado original (Sousa, 2003).
Continuação do Itinerário para Tongobriga: Varziela (do lugar da Forca seguia pelo actual CM1175 por Barreiras, Venda, Várzea e Camarinho para cruzar o rio Sousa no Pontão do Ameal, continaundo depois em calçada por 350 m entre o Castro de S. Simão e Devesa Alta por Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita por Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, junto da Capela de Espiúca e Santo até confluir na EN101 junto do campo de futebol) Vila Cova da Lixa (a via contorna o Povoado do Ladário no Alto da Lixa, nó viário junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, eventual mutatio; aqui a via bifurcava, um ramo seguia para a travessia da Serra do Marão cujo percurso está descrito no Itinerário Braga - Régua enquanto o outro ramo seguia para sul rumo a Tongobriga) Freixo de Cima (seguia talvez próximo do Alto do Monte da Sorte por Bouça e Várzea) Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta) Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada) Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Tavares Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do castro) Vila Caiz (continua por Carvalhal, Furnas, Sordo e Outeiro) Travessia do rio Odres em Soutelo (continua pelo Paço de Soutelo e Fontelas) Constance (segue por Venda Nova, Barrias e rua Direita até ao «Terreiro dos Santos», junto da Capela de S. Sebastião) Sobretâmega (a via com o topónimo «Rua», continua a descida ao rio passando junto da Igreja de Sta. Maria, mas a partir daqui ficou submersa pela albufeira da Barragem do Torrão) Ponte Romana sobre o rio Tâmega (com 5 arcos, seria uma das maiores pontes romanas em território nacional que terá sido reconstruída no séc. XII reaproveitando partes dos arcos e parte do 1º pegão da margem esquerda da anterior romana construída com silharia almofadada, elementos que ainda eram visíveis durante as obras de demolição e reconstrução realizadas em 1941; em 1988, a ponte ficou submersa sob as águas da barragem do Torrão e em 1991 foi dinamitada pela EDP (!); há notícia de uma "coluna cilíndrica" junto da ponte com a inscrição DIB. IOVVE; localiza-se a cerca de 3 milhas de Tongobriga; Dias, 1995:265) S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro?; depois de cruzar a ponte passava junto do Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem entretanto deslocado para cota superior e sobe a rua de S. Nicolau, onde ainda existe a antiga Albergaria de Canaveses, possível sucedânea de uma mutatio; ara a Cibele no Museu Municipal) Tuías (miliário de Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, Portela de Tuías, indicando a última milha antes de Tongobriga, hoje na recepção do Museu Municipal; daqui a via poderia seguir junto da Igreja Matriz de S. Salvador de Tuías, onde estava a ara aos Lari Cerenaeci, CIL II 2384, hoje no acervo do MNA) Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (importante cidade romana e capital de civitas designada por Tongobriga com base numa ara ao Genius Toncobricensium, CIL II 5564, achada no local e hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja onde se lia INVICTO/AVG.P.M / TRI.P.P.P.; este marco foi posteriormente mutilado e partes dele reapareceram em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde hoje se encontra; deveria indicar 3 milhas ao Tâmega; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando possíveis vici em Meinedo, Várzea do Douro e Quinta de Guimarães (Sta. Marinha do Zêzere), e já no actual concelho de Amarante, os vici de Gatão e Lomba) |
| Viae ab TONGOBRIGA |
Tongobriga
ad mons Maraonis |
Outras vias na civitas de TONGOBRIGA A importância Tongobriga como nó viário é atestada pelos diversos indícios da rede de antigas estradas que cruzavam a região; além da suposta via principal para o rio Douro rumo a Viseu e a Mérida, existiam várias outras ligações secundárias de importância regional que ligavam a outros pontos relevantes do povoamento romano, nomeadamente para nordeste para Amarante (Lomba) rumo à travessia da Serra do Marão (mons Maraonis?) e para sudoeste rumo à travessia do rio Douro junto do vicus de Várzea do Douro (Dias 1987, 1996, 1997 e 1998). Tongobriga ao Marão pela margem direita do rio Tâmega É possível que existisse uma via rumo a Amarante partindo da ponte romana em Sobretâmega e seguindo pela margem direita do rio Tâmega, percurso medieval que já estaria em uso na época romana visto que passava junto do vicus termal e viário das Caldas de Canaveses (necrópole; termas romanas Aquae Tamacana?) e da villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius que hoje está na Qta. da Pena, além de um tesouro monetário; atravessava o rio Odres talvez na zona da actual Ponte Românica do Bairro e seguia por Forcado, St. Isidoro (casal/necrópole no lugar do Castro em Alvim), Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vilarinho, Retorta, Carreira, Louredo, Fregim e Gatão, onde entronca no Itinerário Braga - Régua. Itinerário de Tongobriga à Serra do Marão pelo margem direita do rio Ovelha: Parece existir uma via romana (com origem em Várzea do Douro) que cruzava Tongobriga na direcção SO-NE rumo à Serra do Marão. Esta via acompanha a margem direita do rio Ovelha pelo caminho de festo que passa em São Salvador do Monte e na Lomba (Amarante), onde poderia existir uma estação viária, havendo aí vestígios de um pequeno aglomerado populacional, actualmente classificado como vicus, onde existiria uma mutatio; daqui seguia para a travessia da Serra do Marão passando a leste de Vila Chã do Marão, onde se unia com outra via proveniente de Braga, seguindo depois por«Estalagem Velha», São Bento, Covelo do Monte e Lameira para Campeã. Próximo de Vila Chã do Marão confluía no Itinerário de Braga à Regua. Partindo da Igreja da Freixo em Tongobriga, descia talvez por Povoação Pequena para cruzar o rio de Galinhas. Tabuado (continua por Quelha, Chão da Igreja e junto da Igreja Românica até Vendas, onde se regista o topónimo «Estalagem», descendo ao rio Ovelha por Canhões, CM1251) Travessia do rio Ovelha na Ponte da Várzea (casal romano em «Torre» e villa em Telheira; continua pela EM570 por Légua e Picoto) S. Salvador do Monte (continua junto da necrópole de Louredo das Almas e do habitat da Qta. do Couraceiro, seguindo entre o Alto do Santinho e o Alto de S. Salvador do Monte, onde há 6 sepulturas escavadas na rocha) Lomba (lugar da Estrada, junto do vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mutatio; descia depois a Padronelo junto da necrópole do Prazo e pela «Quebrada» até Devesa) Padronelo (da Devesa continua por Cruz e Vendas de Moure, continuando pelos altos de Marancinho, da Capela Velha e da Mó) Vila Chã do Marão (recebia a via via proveniente de Braga um pouco antes do marco geodésico do Alto dos Picotos e seguia a leste este da povoação pelo caminho de festo que passa na «Estalagem Velha», São Bento) A partir daqui o percurso da via está descrito no Itinerário de Braga à Regua.
Tongobriga a Várzea do Douro, Foz do Tâmega: Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, derivando da via principal junto do miliário de Tuías ou do centro da cidade confluindo ambas no lugar do Bairral (Vila Boa do Bispo).
Favões (segue por Golas e Vila, passando a cerca de 500m da necrópole da Tapada das Eirozes e a 1000m da necrópole da Fraga, continuando por Requim de Cima e de Baixo; será daqui a estela funerária embutida numa casa de Ariz?; FE 676) Alpendurada (segue junto do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário, mons kastro aratros em documentos medievais, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos; num documento medieval sobre o termo de Guilhade há uma provável referência à via como strata pro ad oriente, PMH DC 416) Várzea do Douro (vicus e possível mansio junto do porto fluvial romano hoje submersos pela barragem de Crestuma; sancto martino num documento do ano 964; os vestígios encontram-se dispersos por uma vasta área compreendida entre o rio Douro e a EN222, e desde os limites da Quinta da Várzea ao extremo leste do Alto das Penegotas, povoado fortificado romanizado que dominava esta travessia; principais núcleos na Quinta do Passal, Igreja Velha, residência paroquial, Quinta da Rua de Várzea, proximidades do cruzeiro e proximidades da Capela da Senhora da Guia); numerosas epígrafes atestam a importância deste vicus: epitáfio de Elávia; ara a Júpiter, hoje desaparecida; inscrição a Cláudio reutilizada num muro do Convento de Alpendurada e hoje nos respectivos claustros; ara a Manes na Qta. da Rua da Várzea; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999) Travessia do rio Douro entre Várzea do Douro/Bitetos e Outeiro do Castelo/Escamarão
Escamarão a Arouca e Viseu: após a travessia do Douro no Cais de Bitetos/Outeiro do Castelo, a via seguia a meia encosta pelo Vale do rio Paiva pela «carraria antiqua», velho caminho mencionado na documentação medieval (PMH DC 459); a «carraria» partia do rio Douro e ascendia à Igreja Românica de Escamarão, onde existiam vestígios de calçada, cruza a actual EN222, sobe a Boavista e continua paralela à EN222 mas a cota mais alta pela rua da Lameira até Couto («karreira antiqua» num documento de 1120), daqui subia a Fonte Coberta, passando não muito longe da sepultura romana de Cancelhô seguindo por Covelo («incruciliadas» em 1107), Torre e Fornelos (referências à «carraria antiqua» e «caria antiqua» num documento de 1067 inventariando a uilla fornellus; PMH DC 459); a partir daqui poderia tomar as seguintes hipotéticas direcções:
|
Tongobriga
ad Durius ![]() ![]() Durius a Vissaium
![]() ![]() ![]() ![]() |
Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM) Dois miliários encontrados numa antiga via que ligava Tongobriga ao rio Douro, um em Soalhães e outro em Mesquinhata, evidenciam a importância da ligação da cidade ao grande rio. Esta via poderia dividir-se em vários ramais de acesso às tradicionais travessias do Douro, nomeadamente em Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, o grande nó viário da Beira Alta; a travessia em Porto Antigo é trajecto mais curto até Viseu, mas o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei apresenta-se como uma alternativa plausível, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu; sabemos através de Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga) enquanto os Paesuri ocupariam a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere, Castro de Sampaio e Castro de Coroas, todos com vestígios de alguma monumentalidade (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998; Pinho et al., 1999; Lima, 2000; Resende, 2013). Freixo (TONGOBRIGA) Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa; depois segue talvez por richão da Forca, Ladário e Outeiro; logo depois começa um troço preservado da via que circunda o «Castro Soalhão» pelo sopé da vertente poente) Castro de Soalhães (milha VIII; o chamado «Castro de Soalhão» é um povoado da Idade do Ferro romanizado que na Idade Média era designado por Suylanes; em lugar indeterminado desta freguesia apareceu um miliário de Constantino II indicando a milha VIII, actualmente depositado no Museu Soares dos Reis, no Porto; as 8 milhas indicadas, cerca de 12 km, tanto se coadunam com a distância do castro ao rio Tâmega como ao rio Douro pelo que o local de início da contagem continua em dúvida; seria portanto a estação a principal estação viária no trajecto entre estes grandes rios; a via iniciava a descida para Mesquinhata por terrenos ainda hoje conhecidos por «Vale Trajano/Vale Trajanas», onde existia necrópole, topónimo que sugere uma referência ao Imperador homónimo) Mesquinhata (passa junto do Alto dos Encambalados e segue por Casal, onde vencia a milha 7 ao douro; continua por Geguintes e Passadouro, takvez pela rua do Cruzeiro) Carreirinha, Grilo (miliário de Galieno encontrado in situ, está hoje no Museu Municipal de Baião; cruza a ribeira no Passadouro e continua pela Capela da NS. do Loureiro) Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil na base do Castro romanizado do Cruito) Daqui derivam 3 ligações ao Douro: A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu; apesar da importância económica em época romana do rio Douro como grande via fluvial, comprovado pelos inúmeros locais de passagem e importantes vestígios nas suas margens, a identificação da rede viária tem-se revelado muito difícil dado o acidentado do terreno e a forte marca medieval do seu povoamento; no entanto, é indubitável que estas rotas já seriam usadas em épocas recuadas, mesmo pré-romanas, dado que evitam de forma decisiva a travessia dos grandes rios que afluem ao Douro, preferindo por isso cruzar o rio Douro na sentido N-S e depois subir a meia encosta ao alto da serra para a partir daí obter suaves pendentes ao longo de grande parte do percurso, desenvolvendo assim diagonais que acompanham as lombadas e linhas de festo que separam os rios que descem da Serra do Montemuro (referido como mons Geronzo no ano 925 e mais tarde como mons Muro; PMH DC30); os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos marginando o rio; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como ainda se observa na actual estrada EN222 (ver mapa).
Para Porto Manso/Porto Antigo e Castro Daire, rumo a Viseu Ancêde (derivando logo após a Ponte do Gôve, seguia por Eiriz, Penela, Ancêde; a leste, na outra margem do rio Ovil, há vestígios romanos, na Casa de Viombra e Qta. de Esmoriz, e mais a leste a necrópole do Bairral, associada a uma villa ou aldeia em torno da Igreja de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária na casa paroquial, ambas no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto) Porto Manso, Ribadouro (a via continua junto da Capela de S. Domingos rumo ao Castro de Porto Manso e daqui desce ao Douro pela vertente poente por uma via lajeada que acompanha a margem esquerda do rio Ovil) Travessia do rio Douro entre Porto Manso e Porto Antigo (2 km a montante, na Qta. de Mosteirô, sobranceira ao rio, existem vestígios de um provável vicus e mutatio, onde apareceu outra ara a Júpiter colocada por Nispro, entretanto desaparecida) Porto Antigo, Cinfães (daqui a via, designada na Idade Média por carraria antiqua seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada; Pinho et al., 1999)
Para Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu Gôve (seguia por Portela do Gôve, Favais, Lamas, e Casa Nova, na base «Castelo do Gôve», continua por Casal, Arco de Lordelo, descendo por Aguincheiras e Venda das Caldas à margem direita do rio Douro) Travessia do rio Douro no Sr. da Boa Passagem Caldas de Aregos (daqui segue para S. Romão de Aregos, passando por Pousada, referida na documentação medieval como «karraria antiqua», PMH DC 888) Cárquere (castellum, civitas?) (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppido dos Paesuri; actualmente conta-se com mais de 70 epígrafes provenientes daqui; uma ara a Júpiter indicaria o nome do povoado antigo, mas só resta a parte inicial, Castelani; seria assim um Castellum) Para Porto de Rei, Castro da Mogueira e Lamego Santa Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue +- a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita, Senra e Eiras, na vertente sul do Castro de Mantel) S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro) Sta. Marinha do Zêzere (ara funerária a Manes proveniente do possível vicus da Qta. de Guimarães em Míguas; seria aqui a paróquia suévica de Melga?; estátua de touro encontrada no lugar do Castro e levada para MSMS; possível ligação nordeste para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval) Travessia do rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro) Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da Capela de S. João que assenta no antigo castro; teria existido aqui um santuário?) Travessia do rio Douro em Porto de Rei S. Martinho de Mouros (do rio sobe a Nogueiras, passa na base do castro romanizado da Mogueira, perto qual existem pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo relacionadas com um possível santuário, subindo depois ao Alto Vila Verde, onde há calçada, continuando por Pardelhas e Seara, segue o CM1067 que passa junto do castro romanizado de Penajoia, onde há vestígios de calçada) Avões (continua pela EM1067 por Alto da Venda e Sra. do Pilar) Lamego (Lamecum?) |
| Viae Lamecum a Vissaium |
Lamego Tarouca
![]() ![]() ![]() Lamego Castro Daire
|
Lamego (Lamecum? / Caelobriga?) Povoado romano no morro do Castelo de Almacave, possível oppidum dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da Capela visigótica de Balsemão, existe um raro e importante terminus augustalis de delimitação de território, mas não indica as civitates em causa. Daqui partiriam dois itinerários rumo a Viseu, um passando por castro Daire e outra seguindo por Tarouca e Bustelo, reunindo na travessia do rio Vouga em Almargem (Vieira, 2004; Castro, 2013). Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM) A via cruzava o rio Balsemão e seguia a margem esquerda do rio Varosa por Tarouca, Ponte do Touro e Fráguas rumo Viseu. Partia provavelmente da zona da Sé de Lamego e descia ao rio Balsemão pela rua da Ponte da Calçada, cruza o rio e segue junto de S. Lázaro e Sra. da Guia, passando na Portela, seguindo depois entre Britiande e Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa); a documentação medieval refere uma ponte de madeira sobre o rio Balsemão (in Viterbo 1799, vol 2, p. 227). Bairral, Britiande (ara a Júpiter na Capela de São Gonçalo, suportando a pia baptismal, talvez proveniente do castro romanizado do Castelo de Britiande; a via passava talvez na Quelha da Azenha) Ferreirim (continua por Vila Meã e a poente do Castro de Sta. Bárbara em Dálvares, até Castanheiro do Ouro, onde cruza a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha) Tarouca (povoado no Monte Ladairo/Ladário; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales e na Qta. do Arco da Paradela; da Ponte Pedrinha segue à direita pelo caminho que ascende por Esporões, junto do cemitério) Cravaz (cruza a povoação e segue pela calçada paralela e a cota inferior da EN530, passando próximo da Capela da Ns. dos Aflitos) Teixelo (a via entra na povoação junto da Capela da Senhora da Ajuda, onde ainda subsiste um troço lajeado, cruza a EM1176 e continua pela rua de St. António; no sítio do Padrão existe um cipo anepígrafo com cruciformes, provavelmente um marco do couto do mosteiro de Tarouca e eventual reaproveitamento de um miliário; Alarcão, 1988a e 1998; Teixeira, 1998; Castro, 2013a) Bustelo (a via passa a poente da povoação junto do cemitério e continua sempre em calçada pela margem esquerda do rio Varosa) Ponte do Touro sobre o rio Varosa, Almofala (sem indícios romanos; reconstruída em 1839; daqui a via seguia pela calçada com 2 km que passa na elevação do Corgo do Altar até entroncar no CM 1169 próximo de Cascano, seguindo até à torre eólica onde segue à direita pelo estradão de terra) Fraga Gorda, Touro (cruza a povoação; vicus? no sítio das Duas Igrejas)
Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM) A via para Viseu seguia para a travessia do rio Paiva em Castro Daire, onde confluía com as vias proveniente das travessias do rio Douro em Porto Antigo (por Cinfães) e Caldas de Aregos (por Cárquere), seguindo depois para a travessia do rio Vouga na Ponte de Almargem, ascendo depois pela magnífica Estrada Romana de Almargem rumo a Viseu. (Vaz, 1976, 1989; Teixeira, 1998; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004; Lourenço, 2007). Lamego (parte da base do castelo de Almacave pela rua Fafel e segue pela vertente nascente do monte da Carreira de Tiro, próximo do sítio romano da Fonte d'El-Rei, conflui no CM1081 junto do cemitério, descendo depois à Ponte de Lamelas para cruzar o rio Balsemão, continua pelo caminho de terra até confluir no CM1082 pouco antes da povoação de Quintela de Penude) Póvoa (margina o sítio romano da Póvoa, de onde será proveniente a inscrição funerária que apareceu no Cimal; a via sai do CM1082, cruza a povoação e segue entre o Alto de Montedufe e o Alto da Cruz da Camba, passando a poente do sítio romano do Paço em Meijinhos, onde apareceu a inscrição funerária de Cesea e a ara votiva dedicada ao Soli Sacrum, o «sol sagrado») Bigorne (percorre depois o caminho do alto da Serra de Lazarim, hoje paralelo à A24, marginado o sítio romano de Parafita, cruza Ribabelide, segue o caminho pelo Alto da Fraga do Seixo que vai cruzar a A24 pouco antes da Igreja de Bigorne, conflui na EN2 ao km 121 e poucos metros depois desvia à direita pela calçada da Portelada onde cruza a ribeira do Mezio, continuando depois em calçada) Mezio (entra pela Capela da Sra. das Antas e segue por Rua e Cimo de Aldeia, talvez pela rua da Mocidade e rua de St. António, continuando para Castro Daire pelo caminho que percorre o dorso planáltico entre Colo do Pito e Moura Morta) Castro Daire (margina a Capela da Ns. da Ouvida, continua por Vila Pouca e Outeiro e desce ao rio Paiva pela rua 1º de Maio, rua Direita e rua 1º de Dezembro, contornando assim o importante castro romanizado dominava esta travessia) Travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga com possível origem romana, demolida em 1877, tendo aparecido aqui uma árula com inscrição) Ribolhos (da ponte ascende pela EN2 até próximo da Capela de S. Domingos, onde toma a chamada «Estrada Romana», subindo a meia-encosta paralela à EN2 por Estalagem, Quintãs, Cerca e Colmeia até reunir com a EN2, saindo depois pela rua da Ponte de Courinha, cruza a EN2 em Ribolinhos e segue pela Av. Central que atravessa as Termas do Carvalhal)
Arcas, Mões (sai da EN2 pela rua da Ponte das Arcas, onde cruza o rio de Mel; continua talvez pela EN2 e rua dos Carvalhos) Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, subindo por caminho carreteiro) Calde (cruza a povoação e desce a Póvoa de Calde) Travessia do rio Vouga em Almargem (300m a jusante da ponte actual?) Bigas (do rio Vouga ascende pela Calçada Romana de Almargem, continuando pela rua da Estrada Velha) Campo (referências a uma calçada em Campo indicia a passagem da via que continua pelo sopé do Castro de Sta. Luzia por Moure da Madalena; a calçada do Salgueiral e o "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira, junto à prisão parecem fora desta rota) Abraveses (segue pela rua da Estrada Velha, Qta. de Cimalha e Qta. da Corga, hoje urbanizadas, com vestígios de calçada junto da escola C+S) Viseu (VISSAIUM) (continua pela «Estrada Velha de Abraveses» até à chamada «Cava de Viriato», onde cruza a Av. da Bélgica e segue pela rua Capitão Salomão, rua Cava de Viriato, cruza o rio Pavia, rua Ponte de Pau, entrava no burgo pela Calçada de Viriato e pela antiga porta da cidade, onde existia necrópole, até ao Largo da Sé, antigo forum)
|
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Viseu (VISSAIUM) - Barrelas (Berecum?) - Belmonte («Centum Cellae») A via romana que partindo de Viseu seguia na direcção da Serra da Estrela, designada por Via IV por Inês Vaz, está bem documentada pelos muitos miliários ao longo do seu percurso (pelo menos 10), seguindo por Mangualde e Abrunhosa-a-Velha e eventualmente pela robusta Calçada dos Galhardos acima de Folgosinho, atravessando a Serra da Estrela para Famalicão da Serra, onde há miliários e outros importantes vestígios romanos relacionados com o Castro de Barrelas, provável estação viária tipo mutatio; permitia ligar Mérida ao litoral Atlântico, cruzando a Serra da Estrela para Viseu e daqui à foz do rio Vouga, configurando uma eixo viário entre Augusta Emerita e o oppidum de Talabriga. (vide Vaz, 1976; Ruivo, Gomes e Tavares, 1985; 1996; Nóbrega, 2003). Viseu (VISSAIUM) (oppidum com forum no morro da Sé; a via partia do centro da cidade pela rua do Gonçalinho, antiga Decumanus e rua Simões Dias, passava a antiga porta da cidade e já extra-muros margina a necrópole da Capela de S. Miguel de Fetal, na m.p. zero, seguindo depois por Via Sacra, Sr. da Boa Passagem, Sta. Eugénia, Lavamãos, Olho Branco, Viso, Póvoa de Sobrinhos, Carreira de Tiro, Alto da Fragosela, Fragosela de Baixo e a sul de Prime, num percurso hoje difícil de discernir com a expansão da cidade e a construção da IP5/A25) Travessia do rio Dão (m.p. V; junto da confluência da ribeira de Sátão) Fagilde (m.p. VII; miliário anepígrafo apareceu integrado na parede de uma casa da aldeia e passou para o sítio da «Lameira do Monte»; indicaria 7 milhas a Viseu) Roda (m.p. VIII; miliário anepígrafo servia de coluna numa varanda de uma casa em ruínas e hoje está numa casa particular de Mesquitela; Gomes, 1992; indicaria 8 milhas a Viseu; continua pela rua da Ponte e depois do pontão sobre a ribeira de Frades segue à esquerda pela calçada do Largo do Olheirão até reunir com a estrada actual junto do marco da estrada real, seguindo depois recto à Igreja de S. Julião) Mangualde (m.p. X; nó viário, possivelmente junto do actual templo de S. Julião, Igreja Matriz de Mangualde) Qta. da Raposeira, Mangualde (mansio situada na base do povoado do Monte da Senhora do Castelo que poderia designar-se por Castellum Araocelensis em época romana conforme se lê na inscrição honorífica de S. Cosmado) Itinerário de Mangualde a Folgosinho cruzando o Mondego em Poço Moirão: Mangualde (da mansio na Raposeira segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro e Prazo; subsiste na zona o topónimo medieval «Albergaria») Almeidinha (segue pela rua das Almas junto da Capela da Sra. do Campo até ao Cruzeiro, a cerca de 200m da villa da Moita da Oliveira, e atravessa a Serra da Baralha talvez por Tapada) Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (possível miliário junto à Capela de S. Sebastião; a antiga via romana deveria cruzar a ribeira de Cassurrães pelo «Caminho Velho», actual rua da Calçada, sobe à Capela da Sra. de Cervães, cruza a EM1455 e continua pelo caminho de terra na base da escadaria, assinalado por umas alminhas que reutiliza um miliário, seguindo depois junto do casal? de Sta. Marinha, eventual tabernae, cruzando depois a serra talvez por um caminho desactivado pela vertente da sul da serra que passa no topónimo «Loureiros») Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era um miliário de Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à CEADV, o miliário onde parece ler-se XX milhas e o miliário de Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605) Travessia do rio Mondego em Poço Moirão (Barca Velha, onde há vestígios de uma ponte antiga; subsistem dúvidas sobre o local exacto de travessia; talvez bifurcasse nas seguintes vias)
Mangualde (segue pela rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela rua da Ponte que passa junto da villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha) Mesquitela (segue pela rua da Ponte, rua da Calçada Romana, rua Direita e rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira) Mourilhe (magnífico troço de calçada com 50m junto da Capela de Ns. da Conceição ou de S. João) Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte passa junto dos vestígios do povoado da Rechã) Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez (em alternativa descia por Póvoa de Cervães para cruzar o rio junto da Qta. do Moinho) Cativelos (a Ponte do Aljão e Ponte das Cantinas com calçada, poderão ter origem romana; calçada em Celas Alminhas-Dobreira; no entanto a via deveria passar na Capela da Sra. dos Verdes, marginando a villa do Monte Aljão, a «viam algiam» nas Inquirições de 1258) Vila Nova de Tázem (santuário rupestre na Qta. do Pé do Coelho; alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via mas é hipotético) Nespereira? (onde conflui na variante por Poço Moirão descrita acima?) Itinerário de Folgosinho a Barrelas: a partir de Folgosinho, a via seguia pela chamada Calçada dos Galhardos que começa na saída sul da aldeia junto do campo de futebol e segue por troço lajeado com cerca de 1 milha até à Portela, onde inflecte para nordeste pelo estradão que passa no marco geodésico dos Galhardos, continua pelo Alto de S. Domingos, Covas do Estanho, Porto de Melo, próximo do Alto dos Carvalhos Juntos, importante nó viário onde confluía também a via proveniente de Linhares; daqui a via poderia cruzar o Mondego em dois pontos, na Quinta da Taberna rumo a Famalicão da Serra (Belo, 1964, 1966; Alarcão, 1993), ou seguir por Videmonte, descendo aí a encosta (Ruivo e Carvalho, 1996), mas este último percurso é mais acidentado e parece dirigir-se para a Guarda. Assim é mais provável que via seguisse pelo caminho de festo pelo Alto da malhadinha e junto dos topónimos Carrascal e Veleda até travessia do rio Mondego junto da Qta. da Taberna («Albergaria»), rumando daqui pela Lomba de Saimão e Vale das Ferrarias até à Quinta de Manuel Thomaz onde cruza a ribeira de Quêcere e daqui ao Castro de Barrelas em Famalicão da Serra. Barrelas (Berecum?) Povoado fortificado de Barrelas onde apareceram duas inscrições romanas, uma delas dedicada à divindade local Aelua pelos Castellani Berecensis, o que levou a propor o nome de Berecum para este povoado, onde existiria uma estrutura viária tipo mutatio ou mesmo mansio, hipótese reforçada pelo achado de 4 miliários encontrados nas redondezas: miliário de Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário de Tácito da Qta. do Cadouço/Cadoiço (hoje no Museu do Carmo em Lisboa), o miliário de Tácito de Barrelas indicando a milha IV, distância deste local ao rio Mondego/Quinta da Taberna, o miliário de Constantino Magno achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem ou Celordem, ambos hoje no Museu da Guarda. Famalicão da Serra (a via romana descia de Barrelas à aldeia , existindo um miliário de Cómodo na Capela de St. Antão (FE 189, Mantas, 2019:274; possível ligação a Valhelhas pelo «Caminho do Convento» que passa junto do Convento Bom Jesus/ Mato Grosso que assenta sobre um edifício anterior romano) Gonçalo (a via segue por Castelão, onde terá aparecido o miliário a Probo que está hoje numa casa particular em Belmonte, junto da Capela de Santiago; continua pela Quinta da Ns. da Misericórdia e junto da villa do Prazo/Qta. da Granja) Lameiras (miliário anepígrafo e miliário de Tácito, AE 1965, 107, ambos no Castelo de Belmonte; neste último miliário Aurélio Belo interpretou a abreviatura final «II LO» como «2 m.p. a L(ancia) O(ppidana)», o que colocaria a sede desta civitas em Centum Cellae que está situada sensivelmente a essa distância; Belo, 1960:41-44) Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão Catraia da Torre («Centum Cellae») A interpretação das ruínas em torno da Torre Romana de «Centum Cellae» tem dividido os investigadores, mas as escavações mais recentes apontam para um núcleo de povoamento mais importante que uma simples villa (Alarcão, 1998), podendo corresponder a um vicus viário (Frade, 1994) ou até a possível capital dos Lancienses Oppidani (Belo, 1960, 1964, 1966; Guerra, 2007a); é muito provável a existência de uma mansio de apoio à via para Mérida (Carvalho, 2010) dado que esta passa a cerca de 30 m da face norte da torre. A ausência de materiais pré-romanos, a localização estratégica junto da via principal para Mérida, as evidências da existência de um pequeno vicus que se desenvolve em torno da torre são argumentos consentâneos com a existência de uma mansio oficial. |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Belmonte («Centum Cellae») - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA) Este troço está bem definido pelos 5 miliários existentes ao longo do seu percurso para Idanha-a-Velha, mas só em dois deles é possível ler as milhas indicadas, no caso a milha XXII do miliário da Torre dos Namorados, tendo como caput via a mansio de Centum Cellae, reforçando assim a importância deste povoado romano no contexto da Cova da Beira, e o miliário de Águas que indica a milha VIII a Igaedis. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani, dos Lancienses Oppidani e dos Igaeditani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão, mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda com sede no castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador (Penamacor), não existindo no entanto consenso sobre a localização do respectivo oppidum que oscila entre Centum Cellae, Vale da Póvoa e Sabugal, mas que na nossa opinião corresponde ao povoado da Idade do Ferro de Sortelha Velha, como inicialmente sugerido por Mário Saa (Saa, 1964, p. 228, 273). No vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo (Sabugal) apareceu uma inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES», remetendo para os Ocelenses mencionados por Plínio, havendo dúvidas se seria uma outra tribo Lanciense ou uma designação alternativa a Oppidani (FE 310.2; Belo, 1960 e 1964; Alarcão, 2001b; P. Carvalho, 2006; Guerra, 2007a). Catraia da Torre («Centum Cellae») Ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram dois miliários, um miliário de Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos depositados no Castelo de Belmonte) Belmonte (m.p. II; próximo da Igreja de Santiago existe um miliário inédito de Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular proveniente do sítio do Castelão na freguesia de Gonçalo; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, passando próximo do sítios romanos do Muro/Qta. do Bouzieiro e da Fonte do Soldado, continuando depois paralela à Serra da Esperança; +- EN345)
Caria (m.p. VII; possível mutatio; calçada com 40m em Fonte do Ruivo, na direcção E-W, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho, onde atravessa a ribeira de Caria) Peraboa (m.p. X; villa? na Qta. do Cameira; atravessa a Serra de St. António, passando próximo do castro romanizado da Tapada das Argolas ou «Vila Velha», descendo depois pelo Sítio da Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, hoje no MNA)
Capinha (m.p. XV; vicus e provável mutatio situada no cruzamento com a via para Salamanca, ocupando a área em torno da arruinada Capela da Tapada de S. Pedro que reutiliza muito material romano; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio do Meidubrigense Hispanus na Qta. de S. Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico no caminho para Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia, assim como as duas inscrições retiradas da ponte, o epitáfio da Lanciense Oppidana Amoena e o epitáfio de Cabrula, todas recolhidas no MAMJM; a tradicional designação de Talabara de uma leitura duvidosa de uma inscrição rupestre onde alguns autores leram V(ico) (Tal)bara, hoje também no MAMJM; da Fonte de Cima na aldeia, a via descia à ponte pela calçada da Capela de S. Marcos e pela calçada do Sítio das Lajens, entretanto já destruídas, cruza a ribeira e Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e continua por Vale de Paredes e Freixa) Quintas da Torre/Torre dos Namorados (m.p. XXII; vicus e provável mutatio atendendo ao miliário de Maximiano indicando XXII milhas e às várias epígrafes aqui encontradas e recolhidas no MAMJM como a lápide de Lubaecus, a inscrição a Júpiter, a ara votiva a Bande Luguano, a ara da Qta. da Feijoeira, ara da Qta. de Antão Alves e ara de uma cluniense que apareceu na Qta. da Azinheira mas recolhida na Qta. de Matos Barrinhos) Pedrogão de S. Pedro (m.p. XXVII; no sítio da Líria apareceu um cipo com dois cruciformes gravados, provável miliário, hoje no Museu de Penamacor; a via continua pelo caminho das «Calçadeirinhas», cruzando a ribeira das Taliscas a cerca de 500m montante da Ponte dita «Romana» sobre a ribeira das Taliscas, em risco de ruína que será já do período medieval) Bemposta (m.p. XXIX; possível vicus a 8 milhas de Igaedis; o miliário da 4ª Tetrarquia de Maximiano, Maximino Daia, Constantino e Licínio, que apareceu numa casa em ruínas próximo de Águas e que hoje está numa casa particular da Aldeia de Santa Margarida (Henriques, 2015), deveria ser daqui pois indica 8 milhas a Igaedis; conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e a terceira é dedicada a Quangeius; villae em Nave de Baixo, Qta. da Meijoana e Represa) Medelim (m.p. XXXII; 5 milhas a Igaedis; na Capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira apenas se lê Reve ... pelo que seria dedicada à mesma divindade; estão todas no MTPJ; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; a via seguia talvez paralela à EN332, próximo dos sítios romanos da Tapada da Senhora e Chãos da Malhada, do acampamento militar romano de Oliveira das Almas e da villa ou vicus de Vale de Cavalo, desviando da EN332 pouco depois para ir cruzar a ribeira de Moinhos no Pontão de Beiradas (?), seguindo depois pelo cemitério até Idanha; a calçada referida no foral de Idanha-a-Velha como «Calçadam Veterem»; Almeida 1956 315) Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (sede da civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte das mais de duas centenas de epígrafes conhecidas na região; existem pelo menos 5 miliários conhecidos no território Igaeditanense entre eles o miliário de Alcafozes atribuído com reservas a Augusto e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto onde apenas se lê «milha I»; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro em Alcafozes e o último em Segura; ver também Rede viária de Igaedis; o povoado indígena deverá corresponder ao chamado «Castelo dos Mouros» localizado a cerca de 4 km da aldeia num meandro do rio Ponsul, junto da actual albufeira da barragem Marechal Carmona) De Idanha-a-Velha a Mérida Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstrução medieval da antiga ponte romana que estaria em ruína um pouco a montante) Alcafozes (m.p. IV; 3 miliários; miliário onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; povoado no Cabeço dos Mouros; segue talvez pelo estradão do «Barreiro Vermelho» até Horta da Granja, onde cruza a ribeira de Aravil, continua por Cale do Vigário, Silveirinha, Cabeço Vermelho, continuando pelo Vale de Cancelas, «Fonte dos Ferreiros» e ao longo da Ribeira da Calçada) Segura (m.p. XVI; a via entrava na povoação junto do Calvário situado no outeiro oposto à vila, monumento que integra uma ara romana e que poderia ser um antigo santuário; na berma da estrada existem vários fustes de possíveis miliários; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada e junto do «Chafariz da Calçada» rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na Capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo) Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (m.p. XVII; imponente ponte romana na fronteira Luso-Espanhola da EN355; arco central e tabuleiro reconstruídos) Piedras Albas (m.p. XXI; segue sob a EX-207 por 4km e depois por caminho carreteiro) Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (m.p. XXVI a Igaedis; ex-líbris das pontes romanas na Hispânia) Alcántara (continuava talvez por Brozas e Malpartida de Cáceres, seguindo em parte o antigo caminho conhecido por «Cordel de Ganados»; ver traçado) NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na via N-S conhecida por "Via da Prata" que ligava Mérida a Astorga, passando na mansio intermédia de Ad Sorores) AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum) |
| VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLXI |
Lisboa Alcácer
![]() ![]() Alcácer Évora
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Évora
Mérida ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)
Item ab OLISIPONE
EMERITAM AQUABONA CATOBRICA CAECILIANA MALATECA SALACIA EBORA AD ATRUM FLUMEM DIPONE EVANDRIANA EMERITA m.p. CLXI m.p. XII m.p. XII m.p. VIII m.p. XXVI m.p. XII m.p. XLIIII m.p. VIIII m.p. XII m.p. XVII m.p. VIIII
Itinerário Corrigido
Inicialmente o Itinerário XII de Antonino seguia a via romana entre Olisipo (Lisboa) e Salacia (Alcácer do Sal) passando por três mansiones de permeio Aquabona, Caetobriga, Caeciliana e Malateca, cuja localização tem suscitado algumas dúvidas, isto porque há dificuldade de compatibilizar os vestígios romanos com as distâncias indicadas no I.A. Se a localização das duas primeiras estações não oferece qualquer dúvida, com Aquabona correspondendo à foz do rio Coina, a 12 milhas de Lisboa, e Caetobriga correspondendo à actual cidade de Setúbal, a 12 milhas de Coina, por outro lado as estações seguintes apresentam várias incoerências. De facto, o itinerário indica 46 milhas de Caetobriga a Salacia quando a distância real é de cerca de 35 milhas, diferença demasiado grande para ser justificada por uma rota alternativa, o que demonstra a existência de erros nas distâncias ou estações indicadas, provavelmente introduzidas nas cópias medievais que conhecemos. Para resolver esta questão propomos uma alteração da sequência das estações entre Setúbal e Alcácer do Sal, invertendo a sequência Caeciliana - Malateca; assim depois de Caetobriga, a estação seguinte seria Malateca, localizada junto da travessia da ribeira de Marateca, a 16 milhas de Setúbal enquanto o I.A. indica 26 milhas para este troço. A estação seguinte, Caeciliana, estaria portanto a 8 milhas de Marateca e a 12 de Alcácer do Sal segundo o I.A. o que coloca esta mansio junto da travessia da ribeira de S. Martinho na povoação de Palma, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre». Na realidade Palma está a 9 milhas de Marateca, o que poderá indicar um erro na transcrição do Itinerário.
A etapa seguinte diz respeito à via romana de Salacia a Ebora. Inicialmente seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos até à aldeia de Santa Susana, continuando depois próximo da linha divisória entre os concelhos de Montemor-o-Novo e Alcáçovas até Évora. Daqui continuava para Mérida, passando por três estações intermédias, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas mais adiante. (vide Ferreira, 1993; Bilou, 2000; Almeida, 2000 e 2000a; Faria, 2002; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2008).
total m.p. CC Aquabona XII Caetobriga XII Malateca XIV Caeciliana VIII Salacia XII Ebora XL Ad Atrum LXIIII Dipone XII Evandriana XVII Emerita VIIII Lisboa (OLISIPO) (o percurso inicial deste itinerário corresponde à travessia do rio Tejo; o local poderia ser assinalado pelo miliário de Probo que apareceu na Casa dos Bicos; o trajecto fluvial ligaria ao Porto de Cacilhas, atendendo aos vestígios de cetárias descobertas no Largo Alfredo Dinis e à proximidade com o importante povoado da Idade do Ferro na Quinta do Almaraz, seguindo depois aproximadamente a rota da EN10 até Coina, percurso pontuado por diversos vestígios romanos como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também era possível cruzar o rio Tejo directamente a Aquabona, atracando no Porto da Romagem em Coina, através do braço do Tejo que penetra terra dentro até à foz do rio Coina; outros portos fluviais foram identificados próximo da Moita e de Alcochete, «Porto dos Cacos», mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse o itinerário principal para Mérida) Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII localizada nas proximidades da Capela da Ns. dos Remédios, antiga Ermida de S. Sebastião, e da Fonte da Talha, possivelmente a «Aqua Bona» inferida do topónimo; daqui a via seguia rumo a Caetobriga, localizada a 12 milhas, o que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal; também poderia existir uma via mais curta, per compendium, ligando directamente Coina a Marateca, evitando a passagem por Setúbal e consequente travessia da Serra da Arrábida.
Setúbal (CAETOBRIGA) (portum e mansio a 24 milhas de Olisipo com o povoado romano localizado no actual centro da cidade estendendo-se pela Av. Luísa Todi, ao longo da rua Direita do Tróino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Lg. da Misericórdia e Rua Antão Girão; a via romana seguia talvez pela Av. Bento Gonçalves, rua Camilo Castelo Branco, rua 4 Caminhos, Monte Belo, Azinhaga de Cruz de Peixe, Poço de Mouro, Padeiras e Algeruz , actual EM542-1, até entroncar na chamada «Estrada dos Espanhóis» próximo do Monte da Lentisqueira; Mário Saa ainda viu a calçada original antes de esta desaparecer sobre a estrada actual (CM1040) designando-a como «Estrada Funda, dada a profundeza milenária do seu sulco», indiciando a sua antiguidade; a via continuava para Marateca por Agualva e Águas de Moura) Marateca (MALATECA) (mansio a 40 milhas de Lisboa provavelmente localizada junto da travessia da ribeira da Marateca; a estação viária poderá corresponder ao chamado «Castelo dos Mouros», localizado na outra margem junto ao cemitério, onde há vestígios de estruturas romanas, eventualmente a própria mansio; a via seguiria depois aproximadamente a rota da EN5 rumo a Palma) CAECILIANA (estação viária tipo mansio situada a 9 milhas de Malateca e a 12 de Salacia correspondendo à actual aldeia de Palma, junto do ponto de travessia da ribeira de S. Martinho com o sugestivo topónimo de «Ponte da Pedra»; continua próximo do Monte do Albergue, Igreja do Monte de Vale de Reis e Igreja de S. Lourenço, ambas com vestígios romanos; este sítio surge como «Albergues» no «Roteiro Terrestre», sugerindo a existência de uma mutatio neste local, a 8 milhas de Palma e a 4 de Alcácer do Sal; continua depois para sudoeste pelo caminho que passa no Monte das Águas Pousadas até ao Bairro do Venâncio) Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum, sede de civitas, mansio e importante porto a 58 milhas de Lisboa; o povoado ocupava a área do castelo onde viria a instalar-se o convento de Ns. de Aracaeli; a via entrava na cidade pela Av. dos Clérigos e rua da Fábrica, passando junto do Convento de St. António, marginando a necrópole de S. Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; inscrição honorífica ao magistrado Cornelius Bocchus, CIL II 2479; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
Itinerário de Alcácer do Sal a Évora Depois de Alcácer, a via seguia seguramente pela margem direita da ribeira de Sítimos até Santa Susana, onde cruzava a ribeira de Remourinho. A partir daqui as propostas de traçado até Évora divergem. Francisco Bilou propôs um traçado pela parte sul do concelho de Montemor-o-Novo com base nos fustes de possíveis miliários por ele identificados no Monte da Prata, Monte da Venda, Monte dos Andrades, Valverde/Herdade da Mitra e Esparragosa (Bilou, 2000, 2000a, 2005), caminho que Mário Saa designou por «Estrada dos Almocreves» (Saa, 1963: 83). Apesar da sua possível utilização já em período romano não é seguro que a via romana de Alcácer do Sal a Évora seguisse este caminho dado que a distância medida entre as duas cidades por este traçado ronda as 40 milhas, valor bem inferior às 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino para este troço. Por outro lado, este caminho apresenta uma aparente descontinuidade entre o Monte dos Andrades e a Herdade da Mitra. pelo menos alguns destes fustes poderão ser antes colunas reaproveitadas e não miliários (Almeida, 2017). Sendo assim, optamos por reconstituir o traçado mais a sul que tinha já sido proposto no século XVI por André de Resende seguindo pelas extremas das herdades situadas no limite norte do termo de Alcáçovas rumo ao sítio romano de Ns. de Tourega, sobre o qual temos umas preciosas notas coligidas no século XVIII pelo Frei Francisco de Oliveira e publicado em 1767 no «Roteiro Terrestre de Portugal» do Padre Baptista de Castro. Neste relato são indicados os pontos de passagem da via com algum detalhe, mas as grandes transformações da paisagem em resultado da actividade agrícola na vasta planície entre o Rio Mourinho e Tourega, praticamente sem obstáculos naturais, e a quase total ausência de vestígios romanos (com a excepção do destruído sítio da Herdade de Água d'Elvira dos Padres), não permitem no entanto reconstituir um traçado seguro. Seguidamente transcreve-se o texto do «Roteiro», indicando entre parênteses a sua provável correspondência com os topónimos actuais (Castro, 1767, Páscoa, 2002).
Alcácer do Sal (SALACIA) (partindo a base do morro do castelo continua pela Calçada da Fonte Nova, rua das Douradas, rua Rui Coelho, rua 5 de Outubro e rua Miguel Bombarda, marginando a necrópole do Bairro do Crespo, continua pela rua Cabo da Vila e rua da Foz, passando junto da villa? do Olival de Ns. d'Aires, m.p. I, rumando depois para nordeste por uma rota próxima da actual EN235 ao longo da margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos, passando próximo da Ermida de S. Brás, m.p. III, onde existiam dois fustes de colunas e um capitel de uma possível villa, e continua pelas herdades da Arcebispa e de Galropos) Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (m.p. VII; miliário anepígrafo na divisória entre freguesias; possível local de travessia da ribeira de Sítimos dado que na margem oposta há vestígios de villa em Pedrões; a via continua pelas herdades das Lezírias e Lapa de Baixo/«Alagapa de Baixo») Santa Susana (m.p. X; villa ou vicus da Portagem, provável mutatio; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário de Caracala achado na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Rio Mourinho, possivelmente junto do local onde a via cruzava a ribeira e vencia a milha XI, local actualmente submerso pela albufeira da barragem do Pego do Altar [CIL II 434; Resende, 1593: 149-150, Breval, 1726]; continua na outra margem pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscaínha e Monte da Caeirinha) Monte da Defesa, Alcáçovas (o Fr. Oliveira refere aqui uma «coluna») Água d' Elvira Grande (continua talvez pela divisória entre o Herdade de Água d'Elvira dos Padres, a sul e a Herdade do Pigeiro Grande, a norte, continua próximo de Casões do Monte Figueira, passa junto ao poço do Monte do Reguengo, passa no Monte da Paiôa e Monte de Alcalá) Travessia da ribeira de S. Brissos (m.p. XIII; no «Porto de Alcalá»?) Monte dos Tabuleiros de Baixo (m.p. XII; André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário de Maximiano, CIL II 433, indicando 12 milhas, o que corresponde à distância deste local a Évora; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas hoje estão ambos desaparecidos; a via continua pelo Monte dos Tabuleiros, Monte do Zambujeiro, onde apareceu o epitáfio de Mailoni, e Qta. de S. Jorge, a X milhas de Évora) N. Sra. da Tourega (m.p. IX; fuste de coluna ou miliário junto da Igreja da Ns. da Assunção, no acesso à magnífica villa das Martas; Resende registrou uma inscrição funerária colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIIIviro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153) Herdade do Barrocal (m.p. VII; miliário anepígrafo tombado junto da via, uma milha para nascente do monte, talvez indicando 6 milhas a Évora; daqui seguia para a travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca, onde há vestígios de calçada na margem esquerda) Cabida (m.p. V; junto do cruzamento que dá acesso à Qta. do Pomarinho existe a base de um miliário provavelmente do tempo de Décio dado que em 1997 o respectivo fuste epigrafado apareceu mais adiante, junto do caminho que deriva da EN380 para o Monte das Flores, estando actualmente no Convento dos Remédios em Évora; FE 469) Esparragosa (m.p. II; possível fuste de miliário anepígrafo 50m a poente do marco geodésico/moinho; continua talvez pela Av. São Sebastião e rua Serpa Pinto até ao Templo de Diana, acrópole de Ebora). Évora (EBORA) (mansio a XL milhas de Salacia; a via entrava na cidade pela Porta do Raimundo e discorria pela decumanus, a antiga «rua da Sellaria/Selaria», actual rua 5 de Outubro, até ao forum junto do chamado Templo de Diana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro do edifício da câmara municipal) A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações ainda levantam muitas dúvidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (cerca de 75 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (14,4 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que existam estações intermédias omissas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes (Almeida et al., 2011) que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ter como caput via Mérida, a capital provincial, pelo teríamos de ler o itinerário no sentido inverso, ou seja as distâncias são indicadas a Mérida e não a Évora. A ser assim, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et al., 2011). Assim, a partir de Évora a via seguia um corredor natural por Évora Monte e Estremoz que contorna a Serra da Ossa pela sua vertente norte e continuando depois a norte da actual EN4 pelo Monte de Alcobaça e Atalaia dos Sapateiros até Elvas. Daqui seguia para o cruzamento do rio Guadiana junto a Badajoz continuando depois para Mérida. Ao contrário dos outros itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita do Guadiana, este itinerário seguia muito provavelmente pela margem esquerda, atendendo que passava numa estação viária, Evandriana, apenas referida neste Itinerário XII. (vide Bilou, 2000, 2000a, 2005; Calado, 1993; Mataloto, 2001; Almeida, 2000; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2011). Évora a Estremoz Évora (sai da cidade pela Porta de Machede seguindo o caminho rural por Qta. das Nogueiras e Qta. da Piedade; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira poderá estar relacionada com esta via) Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela à linha férrea próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia; no caminho de acesso ao Montinho da Piedade existem 4 possíveis miliários ou colunas reaproveitados como suporte duma laje) Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo à linha férrea pelo Monte de Vale Figueirinha) Monte da Sousa da Sé (m.p. VI; um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo à linha férrea até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo) Monte do Freixo (m.p. VII; daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km) Castelo Ventoso (m.p. X; inscrição funerária no Monte da Machoqueira; continua pelo Monte do Almo) Monte da Venda, Azaruja (m.p. XII; provável mutatio dado que aqui existem 2 miliários anepígrafos partidos em 3 fragmentos e vários vestígios espalhados por uma vasta área entre os quais apareceu uma placa funerária de Tullius Modestus, IRCP 407, actualmente no Museu de Évora; ara votiva a Salus na Igreja de S. Bento do Mato; continua por Monte da Torre?) Évora Monte (m.p. XIX; a pia baptismal da Igreja de Sta. Maria, antiga da Ns. da Conceição, reaproveita um miliário de Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 674; no entanto o miliário poderia estar originalmente no sopé do monte junto da via, eventualmente nas proximidades do sítio romano da Ermida de S. Marcos, onde poderia existir uma mansio pois está a 19 milhas de Évora; a ser assim, a via passaria na base da vertente ocidental do morro, seguindo talvez por Atafona e Roque até ao apeadeiro, continuando depois paralela à linha férrea, contornando o Outeiro Ruivo rumo à travessia da ribeira de Têra junto no Pego do Sino, antigo local de travessia onde há memória de ter existido uma ponte; daqui seguia talvez por Herdadinha, Monte das Freiras, Aldeias, Castelo, Folgado, Azenha da Estrada, Estalagem, Ermida de S. Lázaro e Ferrarias) Estremoz (m.p. XXX; oppidum romano? castro?; provável vicus marmorarius em torno da Capela da Sra. dos Mártires, a sul da cidade, associado a uma estrutura para contenção de água conhecida por «Tanque dos Mouros», ao km 145 da EN4; aqui poderia existir uma mutatio ou mansio dado que em 1784 apareceu num local próximo conhecido por «Horta do Agacha», um miliário talvez a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 675; também aqui apareceu um raro monumento votivo a Cibeles, a Mater Deum, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que poderia estar junto da via, IRCP 440; Carneiro, 2011) Estremoz a Elvas Estremoz (a via segue talvez pela actual Estrada Municipal por Mamporcão, S. Domingos de Ana Loura, passando nos topónimos viários 'Estalagem', 'Carris', 'Estalagem da Raposa' e 'Venda do Ferrador', até atingir a povoação de Orada onde cruza a ribeira de Alcaraviça, seguindo depois pelo caminho do cemitério que seguia junto do arruinado Monte da Presa, mas todo este troço foi destruído pela actividade agrícola, reaparecendo mais adiante como divisória entre os concelhos de Elvas e Monforte, a sul da Serra de Aires, continuando por 5 km por um troço ainda bem preservado até ao Monte de Alcobaça) Herdade de Alcobaça (m.p. XLIII; dois miliários; o miliário de Caracala está hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, IRCP 679, e o outro é um miliário de Diocleciano e Maximiano indicando 65 milhas a Mérida, IRCP 670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense; a via cruza a casas do monte e segue por mais 5 km até Alcarapinha) Monte de Alcarapinha (m.p. XLVI; necrópole e fragmento de um miliário ilegível junto da esquina do monte reutilizado como marco divisório) Atalaia dos Sapateiros (m.p. XLVIII; na base do povoado deveria existir uma estação tipo mutatio ou mansio de apoio à via; no seu trajecto para Elvas a via margina as villae do Monte de S. Romão/Serra Branca, Carrão e Trinta Alferes, seguindo junto do Monte das Casas Velhas, Monte do Menino d'Ouro e Calçadinha, significativo topónimo viário que assinala a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
Elvas (m.p. LIV; a via seguia pelo Chafariz de El-Rei e Horta da Cabeça para depois contornar a elevação de Elvas pelo vertente norte, continuando por Horta do Moreno, junto da necrópole de Papulos, e Herdade de Torre da Fonte Branca, onde apareceram duas aras dedicadas a Proserpina, indiciando a existência de um santuário neste local; a partir daqui o percurso é incerto pois depende do local onde se fazia as travessias dos rio Caia e Guadiana; admitindo a travessia deste último junto de Badajoz, a sul da confluência do rio Xévora, a via poderia seguir próximo da estrada actual rumo à travessia do rio Caia a sul do Monte das Caldeiras onde apareceu uma inscrição funerária de Festivus, e a norte da villa de Alfarófia , num local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte que é noticiada em 1926 já em ruína (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011). AD ATRUM FLUMEM (mansio a 38 milhas de Mérida) Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», distava 38 milhas de Mérida, o que coloca esta mansio junto da confluência do rio Xévora/Gévora no Guadiana, junto a Badajoz; outra possibilidade seria cruzar o rio 6 km mais a norte, junto da actual povoação de Gévora, dado a aqui apareceu um miliário de Carino provavelmente da milha 37 (Almeida et al., 2011). A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com as vias XIV e XV, os outros dois itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita; por outro lado temos um miliário de Magnêncio indicando 16 milhas junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz), sítio que estaria na margem esquerda do rio em época romana, mas que hoje está na margem direita devido a importantes alterações do curso do Guadiana. Consequentemente deverá procurar-se as mansiones de Evandriana, a 9 milhas de Mérida e de Dipo, a 26 milhas, na margem esquerda do Guadiana, respectivamente nas imediações de Torremayor e Talavera la Real. (Gorges e Martín, 1999) Travessia do rio Guadiana (Anas) Badajoz (segue talvez pelo designado «Camiño Viejo» por Atalaya, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida) DIPO (talvez Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguiria depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón ou em Turunuela) EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na villa romana de La Floriana em Torremayor) AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa) |
| VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI |
|
ITINERÁRIO XIII - Alcácer do Sal (SALACIA - Faro (OSSONOBA)
A SALACIA
OSSONOBA m.p. XVI |
| VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)
Alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM ARITIO PRAETORIO ABELTERIO MATUSARO AD SEPTEM ARAS BUDUA PLAGIARIA EMERITA m.p. CLIIII m.p. XXXVIII m.p. XXVIII m.p. XXIIII m.p. VIII m.p. XII m.p. VIII m.p. XXX Lisboa (OLISIPO) Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas) Santarém (SCALLABIS a 32 milhas) Itinerário de Santarém a Aritium Praetorio Santarém (cruzava o rio Tejo partindo da Ribeira de Santarém) Almeirim (a via romana margina o acampamento militar do Alto dos Cacos, situado na margem esquerda do Paúl do Vale de Peixes; na área há notícia de miliário da Fábrica de Tomate, os 2 miliários de Goucharia e o miliário da Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos) Alpiarça (m.p. II; a via ascende a encosta pelo caminho de festo pelos altos do Sartel, Ameixial, Sete Sobreiros, Canavial, Perna Seca, Santa Maria, Anafe, Caniceira e Aranhas, na divisão entre os concelhos de Chamusca e Abrantes, marginando depois as nascentes da ribeira de Ulme/ rio Alpiarça, as «Fontes de Alpiarça», até cruzar com a via romana proveniente da Golegã na «Encruzilhada das Mestas») Venda das Mestas (m.p. XXXI; também designada por «Cevo de Muge» e «Sete Azinheiras»; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas"; Resende refere 4 miliários; no «Roteiro Terrestre» é designada como «Estallagem da Vendinha ou das Mestas») Alto da Abegoaria (m.p. XXXII) Lagoa da Extrema do Copeiro/Barreiro (m.p. XXXIII; sítio romano, possível casal; a via continua até ao geodésico de Vale do Zebro onde entronca na EN2, ao km 425, com a milha 35 a ser vencida próximo do km 426) ARITIO PRAETORIO m.p. XXXVIII A estação viária de Aritio Praetorio deveria situar-se na área da Herdade de Água Branca de Cima dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas a Santarém e 28 milhas a Abelterio; todo o vale da herdade apresenta vestígios romanos que deverão estar associados à função viária, mas nunca foram escavados; no marco geodésico de Água Branca Mário Saa ainda viu vestígios de rodados na via, inflectindo aqui para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos que poderia ser um posto de controlo ou statione, mencionando ainda um tesouro de moedas anteriores ao Império encontradas num poço (Saa, 1956); duas moedas de bronze com banho de prata (Lizandro et al., 1987); a via continuava sob a EN2 próximo do Monte Padrão (Alto do Padrãozinho), possível referência a um marco da estrada e entrava na cidade de Ponte de Sor pela estrada de Foros de Domingão. Ponte de Sor (m.p. XLIV; no século XVI Bronseval refere uma pontem lapideum possivelmente romana da qual restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE 162) Itinerário de Ponte de Sor a Abelterium (Alter do Chão) O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu percurso que inclui a passagem na monumental ponte de Vila Formosa (vide Pereira, 1912 e 1937; Saa, 1956; Alarcão, 2006a; Carneiro, 2008 e 2010); logo após Ponte de Sor temos um miliário de Probo talvez da milha 46, IRCP 668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos no «Monte dos Casamentos», na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu; daqui seguia pelo «Vale da Rainha» e Monte de Cabeceiros, com um miliário anepígrafo talvez da milha 48, seguia depois junto do miliário de «Coutadas» onde apenas de lê CONSTA... e do miliário da «Torre das Vargens» onde apenas de lê as letras AV[…]CO, até à Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário de Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; continua pelo Monte do Freixial, onde apareceu uma coluna honorífica e possível miliário onde apenas se lê BONO R P rumo ao sítio romano da Fonte da Cruz, provável mutatio onde em 1976 apareceu a parte inferior de um miliário (RP 6/95) e mais quatro fragmentos; um desses fragmentos corresponde à parte superior e lê-se apenas as letras IMP CAE, FE 667; um miliário anepígrafo apareceu junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, 500 m a montante da Fonte da Cruz; Frei Bernardo de Brito, transcrevendo André de Resende, faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» supostamente do tempo do imperador Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», ou seja marcaria 96 milhas a Mérida, a real distância desta mutatio a Mérida; referência a outros possíveis miliários em «Vale do Contador» (?) e «Camoa» (?); a partir da Fonte da Cruz a via atravessava a herdade do Vale da Estrada, passava a norte do Alto de S. Marcos, junto de um sítio romano onde apareceu um miliário com inscrição talvez da milha 54, seguindo depois paralela à EN119 por Lameira, novo miliário, e pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário anepígrafo in situ talvez da milha 56. Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (a ponte romana melhor conservada do sul de Portugal com 6 arcos de volta perfeita e a única que ainda mantém o lajeado original da faixa de rodagem; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada/Selada, partido e talvez deslocado da milha 63 no Monte do Ensopado, outro no «sítio da Celada», o miliário em Vale Perlim/ Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via continuava na outra margem junto do sítio romano de Santa Luzia, possível mutatio, percorrendo depois terrenos da Herdade do Monte Redondo e marginando os sítios romanos da Casa de Alvalade, onde apareceu um fragmento de miliário, FE 662, e do Monte da Porra, seguindo depois pelo Alto do Vale da Pia, cruza o IC3 em Arribada das Colmeias na Herdade da Torrejana, onde há vestígios de um troço lajeado, pelo caminho público que delimita a Coudelaria Real até Alter do Chão; Carneiro, 2011) ABELTERIO m.p. LXVI A mansio de Abelterium referida no Itinerário corresponde sem dúvida a Alter do Chão com base nas distâncias indicadas pelo Itinerário, nos vestígios da imponente villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol, possivelmente a própria mansio, o miliário de Constâncio Cloro (FE 374) que está hoje numa casa particular e acima de tudo na menção explícita ao nome do povoado num grafito gravado num imbrex descoberto em 2009 (Encarnação, 2010). A localização do povoado indígena no entanto poderia ser em Alter Pedroso, presumível castro fortificado da Idade do Ferro onde apareceu uma estela funerária com o epitáfio de Sica, actualmente no Museu de Elvas. Itinerário de Alter do Chão a Assumar pela «Estrada do Alicerce» A via romana continuava para Arronches pela chamada «Estrada do Alicerce», deturpação do termo árabe «al-rasif», velho caminho que assenta sobre a via romana e ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e a sul de Arronches rumo a Degolados, perto da qual deverá ser situada a mansio da Ad Septem Aras, ainda hoje delimitando os concelhos de Alter do Chão, Crato, Monforte e Portalegre; em 1937, Félix Alves Pereira descreve o percurso pelos topónimos Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Monte da Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937); Mário Saa por sua vez indica um percurso por Chancelaria, Ribeiro do Freixo, Ronha, Bedanais, Caldeireiros e Monte Grande até Assumar (Saa, 1958). Recentes estudos de André Carneiro permitiram uma melhor definição do percurso e abre possibilidades para a sua valorização (Carneiro, 2004, 2011). Partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste sempre recto, passando a norte do Monte dos Tapadões, entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, até à Horta do Pote onde inflecte para nordeste pelo Monte do Carrão e Cascalheira, topónimos viários, passa na base do Alto de S. Martinho, cruza a ribeira da Navalha (possível miliário) e segue rumo ao Monte da Chancelaria, daqui desce à ribeira do Freixo cruzando a linha férrea no sopé da elevação da Cabeça Alta, continua a sul do Monte da Silveira e do Monte da Chaminé, cruza o IP2 e continua pelo caminho que margina o sítio romano do Monte dos Escudeiros situado a sul do Monte do Alcaide, onde entronca na EM1099, seguindo por esta pelo Monte das Canas, onde há marcas de rodados, até à Fonte da Vila. Assumar (m.p. LXXXIII; contorna a povoação pelo norte e continua pela «Estrada do Alicerce» que corresponde ao estradão em terra que segue paralela à linha férrea e que serve de linha divisória entre os concelhos de Monforte e Arronches, atingindo a milha 84 no cruzamento com o caminho de acesso ao Monte Joana Dias). Arronches (continua entre a Qta. do Carrefe, provável deturpação do topónimo viário «Arrecefe», e o Monte da Torre, marginando um sítio romano designado por «Estalagem», possivelmente associado a uma mutatio na milha 86, onde apareceu uma ara, seguindo depois pela encruzilhada de Belmonte/ Monte d'El-Rei, passando junto do Povoado pré-romano de Safra/ Safara junto do marco geodésico, continuando pelo Monte da Tapada do Diogo, cruza a EN246 e segue rumo ao Porto das Escarninhas onde cruzava o rio Caia numa ponte da qual restam alguns silhares no leito do rio). MATUSARO m.p. XC Neste local a sul de Arronches, também conhecido por «Porto do Caia» ou «Porto das Escarninhas», a via romana cruzava o rio Caia na «Ponte Velha», existindo pouco antes vestígios de uma estação romana num local onde recentemente apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos viandantes, FE 606, sugerindo uma possível localização da mansio neste local, mas os parcos vestígios e ausência de termas não permitem ainda uma localização definitiva (Carneiro, 2011, 2014). Um pouco afastado da via (a cerca de 3 km para sul), apareceu um miliário na Ermida da Ns. do Carmo, actualmente em ruína, que poderá ter sido deslocado; no entanto, também poderia assinalar uma via para sul rumo a Sta. Eulália (?). Itinerário de Matusaro a Ad Septem Aras A via romana continua próximo do Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco, Monte Folinhos e Monte de Revelhos, onde no caminho de acesso existe o fuste de um possível miliário como marco de propriedade; cruza a ribeira de Revelhos junto da arruinada Igreja de S. Bartolomeu, provável villa ou estação viária onde apareceu uma ara votiva a Libera, IRCP 567; a via continua para leste marginando a norte o Monte da Calaça e Monte da Corredoura e a sul o Monte da Granja do Peral, onde existe um fuste de coluna ou de um possível miliário, continua pela base do Alto de Perdigão a norte do Monte dos Judeus, seguindo rumo ao Alto dos Morenos onde cruza a EN371, local situado na divisória concelhia, continuando pelo estradão até ao Posto Fiscal de Azeiteiros (Carneiro, 2011, 2014). AD SEPTEM ARAS m.p. XCVIIII Designada literalmente como «junto das sete aras», esta estação viária a 32 milhas de Alter do Chão estaria localizada próximo da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados, vencendo a milha 32 próximo da divisão concelhia; daqui partia um diverticulum para a mina romana do Monte Alto, indiciando a existência de um nó viário; a localização da mansio continua todavia incerta, com as opiniões a dividirem-se entre na própria aldeia de Degolados ou no vasto campo de ruínas romanas em torno da actual regolfo da barragem do Caia. De facto, André Carneiro identificou um impressionante troço da via ainda preservada que parece derivar da via principal com orientação NW/SE com possível origem na Igreja de S. Bartolomeu, local de travessia da ribeira de Revelhos, seguindo depois pelo antigo caminho pelo Monte das Furadas e da Horta Nova, hoje destruído, rumo à travessia da ribeira da Agulha no sopé do Monte do Reguengo, junto da arruinada Igreja de Ns. da Lameira, a partir da qual ainda restam os vestígios da velha calçada seguindo na direcção do Monte das Freiras, perdendo-se pouco depois o seu rasto dado estar hoje submerso pelo regolfo do rio Caia; este trajecto poderia cruzar o Caia junto do Monte da Alentisca ou mais a nascente, junto da ermida de Santa Catarina onde há notícia de uma ponte em pedra e onde apareceu uma ara dedicada a Belona (FE 207); na outra margem o caminho parece seguir em direcção à ribeira da Água de Banhos (Carneiro, 2011) talvez de encontro à via de Évora a Mérida integrada no Itinerário XII. Itinerário de Ad Septem Aras a Budua Avançando pouco mais de 2 milhas chegamos ao Posto Fiscal de Azeiteiros, onde existe um possível miliário. Neste local a via bifurcava em duas variantes. Ambas as variantes são pontuadas por vestígios romanos percorrendo sensivelmente a mesma distância a Budua, cerca de 12 milhas conforme indicado no I.A. (Carneiro, 2011), o que torna difícil definir qual seria o traçado indicado no Itinerário. A sua existência justifica-se pela existência de dois pontos de travessia do rio Gévora, um seguindo por Campo Maior e outro rumo à imponente Ponte Romana da Ns. da Enxara que apesar de arruinada, ainda apresenta impressionantes alicerces sem dúvida romanos, pressupondo uma ponte com bastante envergadura para vencer o antigo leito do rio, actualmente desviado. Tem sido associada às ruínas romanas junto da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, topónimo que remete claramente para a mansio ; no entanto há indícios de que a estação viária estivesse junto da travessia do rio Gévora.
Itinerário XIV de Degolados a Campo Maior Derivando da anterior no Monte do Marco Alto, provável referência a um miliário, a via inflectia para sudeste pela Malhada dos Covões e marginando a importante villa do Monte das Argamassas, com uma possível função viária dado que está a 6 milhas de Degolados. Campo Maior (m.p. CIII; vicus e mutatio junto da Ermida de S. Pedro dos Pastores, onde aparecerem muitos vestígios romanos entre os quais dois miliários, um miliário de Domiciano (?), regravado, onde se lê «EMERITE», hoje no Museu Municipal, FE 114, e um miliário de Severo Alexandre, actualmente desaparecido onde se leria 53 milhas a Mérida; FE 115; no entanto, atendendo a que distância entre Campo Maior e Mérida não ultrapassa as 43 milhas, é muito provável que a transcrição que chegou até nós esteja errada omitindo o numeral «X» inicial que daria «XLIII» milhas e não as «LIII» milhas referidas. Admitindo este acerto, a marcação miliária ajusta-se ao terreno, com a mutatio de S. Pedro a 5 milhas de Ad Septem Aras em Ns. Da Graça dos Degolados e a 7 milhas de Butua localizada junto da travessia do rio Xévora, ou seja perfazendo as 12 m.p. indicadas no Itinerário de Antonino). Itinerário XIV de Campo Maior a Budua: Do vicus viário de Campo Maior a via dirigia-se para nascente rumo ao Monte Castro, seguindo talvez pelo Alto da Defesa de S. Pedro, Monte da Cabeça Gorda, Cancelinha e Monte do Bicho, ou em alternativa pela Ribeira dos Cães, passando assim próximo da villa do Monte do Muro e da respectiva barragem ainda bem conservada (Carneiro, 2011). BUDUA (m.p. CX) A localização da mansio continua incerta. Tem sido associada à Ermida de Nuestra Señora de Bótoa atendendo aos vestígios de edifícios junto do santuário e ao facto de distar 38 milhas de Mérida. No entanto, partindo do referencial Abelterium, esta mansio poderia localizar-se antes da travessia do rio Caia, junto do Monte Castro, onde há ruínas classificadas como villa, mas que poderá ser os restos desta estação viária. De facto, na bifurcação junto do casa do monte apareceram duas aras anepígrafas eventualmente relacionadas com um santuário associado a este nó viário. Junto deste local existia também vestígios de estruturas fortificadas, entretanto destruídas por trabalhos agrícolas no sítio romano dos Casarões da Misericórdia (Carneiro, 2011). Acresce o facto deste local estar a 12 milhas de Degolados, de acordo portanto com o indicado no Itinerário. Do Monte Castro, a via continua para a travessia do rio Xévora e logo depois vai cruzar o rio Zapatón junto da quinta «Rincón de Gila», subindo daqui à Ermida de Nuestra Señora de Bótoa. Daqui dirigia-se para a mansio de Plagiaria, segundo itinerário situada a 8 milhas. PLAGIARIA (m.p. CXVIII; a localização exacta desta estação é desconhecida; segundo o Itinerário estaria a 30 milhas de Mérida, mas é difícil traçar um percurso por uma paisagem profundamente alterada. Pela distância a Mérida poderia localizar-se próximo de La Novelda del Guadiana, junto da travessia do rio Guerrero. Em Novelda existe a «Calle Calzada» eventualmente em referência à via que seguiria depois por Valdelacalzada, Puebla de la Calzada, Torremayor, La Garrovilla e Esparragalejo (villa ou mutatio?), cruzando depois o rio Aljucén, entraria em Mérida pela Ponte Romana das Albarregas; Gorges & Martin, 2000) AUGUSTA EMERITA (Mérida, caput via) |
Estremoz
![]() Vila Viçosa
![]() Évora
![]() |
Ramais derivando do Itinerário XIV de Lisboa a Mérida O Itinerário XIV é cruzado por diversas ramais que com uma orientação preferencial NO-SE, procurando as linhas de festo entre ribeiras de modo a evitar o seu cruzamento. Esta rede ainda mal conhecida teria pelo menos quatro grandes eixos, sendo que três deles dirigiam-se ao rio Guadiana (2019):
Eixo 1: Itinerário de Ponte de Sor ao Guadiana por Estremoz Inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila (vários materiais romanos reutilizados na construção da Capela de Ns. de Entre-Águas, em particular o epitáfio de Lobesa encastrado na parede, CIL II 165/ IRCP 459, e um possível miliário a servir de coluna que poderia indicar uma estação tipo mutatio; Ribeiro, 2006; ara aos Bande Saisabro no Monte do Castelo; FE 206), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), junto do Poço das Grandezas, Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (junto do povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP 437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da Capela da Defesa de Barros; em Maranhão, no sítio do Castelo, junto da villa de Bembelide, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, hoje no Museu de Avis, FE 206), continua por Vale da Telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano, continuando depois pela base do Povoado de S. Bartolomeu (com a importante villa da Torre do Álamo/Torre de Camões 2 km a poente) , continua pela villa de Sta. Vitória do Ameixial (possível mutatio a 6 milhas de Estremoz), seguindo depois a sul da EN245 pelo caminho que margina os montes das Freiras, da Estrada, da Folgada, do Carraço/Venda da Porca e o Monte da Cerca até tocar a linha férrea, contorna o outeiro de Estremoz pelo lado norte.
Eixo 2 Ponte de Sor - Arraiolos - Évora Este itinerário continua muito inseguro, podendo ter origem no nó viário de Fonte da Cruz, 7 milhas este de Ponte de Sor, dirigindo-se para sul rumo a Santana do Campo, Arraiolos, Sempre Noiva e finalmente Évora (Bilou, 2000a; Carta Arqueológica de Abrantes); no entanto o traçado continua duvidoso até Santana do Campo, podendo eventualmente seguir por Cabeção (villa no cemitério) para cruzar a ribeira da Raia em Reguengo, continuando a oeste de Pavia por Portela, Sta. Madre de Deus, Monte da Tramagueirinha e Monte dos Olheiros, onde cruza a ribeira de Divor (junto da Torre das Águias), seguindo depois a «Estrada da Cumeada» pelo Alto da Cruz, Monte da Almoinha, Monte dos Fretos e Alto do Seixo. Santana do Campo, Arraiolos (Calantica?) (vicus e provável mutatio? a 17 milhas de Évora; a igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano provavelmente dedicado à divindade indígena Carneo Calanticensi conforme aparecia nas duas inscrições aqui descobertas, actualmente desaparecidas, CIL II 125 e CIL II 126; IRCP 410 e 411; Pereira, 1948) Arraiolos (há vestígios de calçada com 200m localizada a cerca de 700m a norte da Horta do Freixo; segue por Fonte das Perdizes/ Alto da Albarda e a nascente do Monte do Montinho, existindo vestígios da trincheira da via a cerca de 300m a SE do monte) Sempre Noiva (continua recto para sudeste junto da villa romana e do recinto-torre de Vale de Sobrados, vigiando a via que atravessa a ribeira de Penedos, restando um troço de calçada com 20m, cruza a ribeira de Vale de Sobrados, onde há mais um troço com 50m em calçada, 200m a norte do Monte do Penedo, sobe à Camoeira e desce à ribeira de Divor que cruza junto do Monte da Azenha, seguindo depois pelo Monte do Divor da Estrada) Monte da Oliveirinha (fragmento de miliário anepígrafo no arruinado Monte da Parreira, indicando talvez 5 ou 6 milhas a Évora; neste ponto a via cruza a estrada que vem de Igrejinha e seguia pelo Monte da Oliveirinha até confluir na estrada que vem de Divor para Évora, EM527) Bairro do Louredo (passa junto do Alto do Penedo do Ouro e pela Qta. do Bacelo, entra na cidade pela medieval Porta de Avis e continua pelas ruas de Avis e da Corredoura) Évora (EBORA) (entra na cidade velha pela antiga porta romana, a Porta de Dona Isabel que integrava a antiga cerca romana, subsistindo o arco romano e um pedaço da calçada correspondente ao cardus maximus). Eixo 3 - Itinerário de Alter do Chão a Juromenha por Vaiamonte e Terrugem Partindo de Alter do Chão a via seguia para sudeste passando na base do importante povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há sinais de um acampamento militar romano. Até Maio de 2019, apresentamos aqui uma proposta de percurso praticamente unânime que fazia passar a via por Monforte e Monte das Esquilas com base na ara aos deuses viários descoberta por Mário Saa neste último local, tendo alguns autores considerado ser este o traçado do Itinerário XIV para Mérida o que levou à localização da mansio de Matusaro nesta estação viária do Monte das Esquilas (vide Carneiro, 2004, 2008 e 2011). No entanto, após uma análise mais cuidada do terreno, ponderamos a hipótese de a via não cruzar a ribeira grande junto da vila de Monforte (com uma ponte medieval, mas sem indícios romanos), mas sim mais a jusante, na base do fortim romano dos Beiçudos, seguindo não para as Esquilas, mas em direcção do miliário do Monte da Torre do Curvo, entroncando noutra via que seguia para a travessia do rio Guadiana em Juromenha. De facto a orientação que a via trás de Alter do Chão, passando na base do povoado indígena do Cabeço de Vaiamonte e a poente da villa da Torre de Palma segue em direcção aos Beiçudos e não a Monforte. A ser assim, cai por terra a proposta de situar a mansio de Matusaro no Monte das Esquilas com base no argumento da distância a Alter do Chão ser cerca de 24 milhas como é indicado no Itinerário para a etapa entre Abelterium e Matusaro (vide Encarnação, 1995; Mantas, 2010), proposta que na verdade nunca foi muito convincente porque obrigava a várias inflexões pouco lógicas do trajecto e tornava o percurso muito mais longo, tornando-o incompatível com as distâncias indicadas no Itinerário (act. 2019). Alter do Chão (seguia talvez sob a actual «Estrada de Pedroso» até ao povoado indígena de Alter Pedroso, continua pela rua da Carreira até ao marco geodésico do Penedo Gordo, onde inflecte para sul pela «Estrada de S. Domingos», com vários troços ainda em calçada que segue entre a villa da Qta. do Pião e a villa de S. Pedro, passando de seguida pela Horta da Fonte de Vide e junto do marco geodésico do Monte das Ferrarias) Cabeço de Vide (m.p. VII; ao chegar à vila pela azinhaga de S. Domingos, a via entronca na rua de Santo Mártir, cortando depois à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao balneário romano das Termas da Sulfúrea onde cruza a ribeira de Vide; na Igreja de Santa Maria, apareceu uma inscrição às Ninfas que terá vindo das termas e hoje desaparecida, CIL II 168; daqui a via cruza a linha férreas e segue o caminho designado por Mário Saa como a «Estrada dos Castelhanos», passando junto dos vestígios de uma possível mutatio em Monte dos Merouços e muito próximo da importante villa da Horta da Torre, cruzando a ribeira do Carrascal na base do povoado indígena do Castelo do Mau Vizinho) Vaiamonte (continua pelo Monte da Laranjeira e a sul do Monte da Caniceira com vários vestígios marginando o percurso, Monte dos Caliços, Monte do Gacho e a villa do Monte da Matança, continua por Monte Branco e Arribanas para cruzar a ribeira Grande na base do Fortim romano dos Beiçudos; a via passa a poente do importante Povoado Fortificado do Cabeço de Vaiamonte, com origem na Idade do Bronze e com fortes indícios de um assentamento militar romano, e da monumental villa da Torre de Palma, hoje visitável) São Saturnino (dos Beiçudos subia pela calçada das Pintas, com marcas de rodados ainda visíveis ao monte homónimo, continuando pelo Monte do Zambujeiro, Monte da Carreteira, Herdade da Velha e Quinta do Leão; a via passa cerca de 2 km a poente da arruinada Igreja de São Pedro de Almuro que reutiliza muitos materiais romanos) Veiros (necrópole na Igreja da Ns. dos Remédios, onde apareceu uma cupa funerária, FE 530; continua a nascente do «Castelo Velho de Veiros», povoado fortificado da Idade do Ferro, seguindo pelos montes da Guardaria, das Alagoas, das Farisoas, da Giralda, das Santinhas, do Casco) Santo Aleixo (cruza a ribeira do Almuro e segue pelo Monte de Magesse) Monte da Torre do Curvo (mutatio; miliário de Maximino I e ao seu filho Máximo; CIL II 441 = IRCP 664; hoje está no acervo do extinto Museu de Elvas; daqui continua pelo Monte da Aldinha, cruza a Tira-Calças e segue pelo e Monte dos Pereiros) Monte de Alcobaça (cruza o Itinerário XII e segue pelo Alto do Alcaide, Monte da Atouguia e Monte do Montinho) Terrugem (povoado no outeiro de St. António; vicus no Monte da Nora, cerca de 2 km para nascente) São Romão de Ciladas Juromenha (travessia do rio Guadiana a jusante do forte, seguindo depois para Olivença num percurso que totaliza as 40 milhas desde Alter do Chão)
Eixo 4 - Itinerário de Arronches a Olivença por Juromenha Esta via perpendicular à orientação das vias para Mérida tinha origem na estação viário do Monte da Torre, possível mutatio do Itinerário XIV (3 km a SW de Arronches), seguindo para sudoeste rumo a Juromenha e Olivença, passando nas mutationes do Monte das Esquilas (m.p. VIII), Monte da Torre do Curvo (m.p. XIV) e Terrugem (m.p. XX). Partindo então do Monte da Torre, a via segue pela Qta. do Carrefe (topónimo viário), Monte dos Barrocais, Monte da Amendoeira, Monte de Mariares de Cima, cruza a ribeira de Algalé e continua a leste dos montes dos Reboleiros e da Boudaria poe uma grande recta que termina no Monte das Esquilas (num outeiro próximo Mário Saa descobriu uma ara consagrada aos Lares Viales possivelmente parte de um santuário junto da via); daqui continua pelo Monte da Fonte Branca (tégula), Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro até ao Monte da Torre do Frade, onde cruza a ribeira da Colónia até chegar ao Monte da Torre do Curvo, onde entronca no Eixo 3 seguindo depois um percurso comum até ao Guadiana. Torre do Curvo seria assim um ponto de confluência de vias que em conjunto com o miliário e o facto deste local distar 6 milhas tanto do Monte das Esquilas como de Terrugem apontam para a existência de uma estação viária tipo mutatio neste local.
|
| VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX |
Ulme
![]() |
ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Monte da Pedra (Fraxinum?) - Mérida (EMERITA)
Item alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM IERABRIGA SCALLABIN TUBUCCI FRAXINUM MONTOBRIGA AD SEPTEM ARAS PLAGIARIA EMERITA m.p. CCXX m.p. XXX m.p. XXXII m.p. XXXII m.p. XXXII m.p. XXX m.p. XIIII m.p. XX m.p. XXX Itinerário de Scallabis a Tubucci m.p. XXXII Como referido, o percurso inicial seria partilhado com o Itinerário XIV percorrendo a margem esquerda do rio Tejo até Alpiarça, seguindo depois o caminho pela linha de festo que passa no Alto da Perna Seca até ao nó viário das Mestas; a Tubucci, a primeira mansio referida no Itinerário, estava junto da milha XXII ou cerca de 48 km, o que coloca esta estação junto do Monte da Valeira Alta. TUBUCCI m.p. XXXII Esta estação viária poderia situar-se junto do nó viário próximo de Tamazim habitualmente designado por «Encruzilhada das Mestas». Para quem vinha de Mérida neste local a via subdividia-se em vários ramais de acesso a locais de travessia do rio Tejo. Um descia pelo alto da Perna Seca, bifurcando em 3 acessos ao rio, Alpiarça rumo a Santarém, Pombalinho e Ulme (onde há um miliário e apareceu um tesouro Republicano); outro descia à villa de Alcolobre pelo Campo de Santa Margarida; outro continuava a direcção E-O até ao Monte Galego, onde voltava a dividir-se em dois ramais um descendo à Golegã (rumo a Collippo?) e outro descia a Tancos rumo a Tomar. Tubucci tinha assim uma posição estratégica em toda a rede viária do vale do Tejo justificando a existência de uma mansio nesta área; trata-se de uma vasto planalto conhecida por «Mestas» ou «Encruzilhada das Mestas» referido por vários autores desde o século XVI como André de Resende, Francisco d'Holanda e Claude Bronseval, sendo pois local de passagem obrigatória para quem vinha de Mérida rumo ao Atlântico. Os itinerários XIV e XV rumo a Mérida teriam um traçado comum até este local, divergindo a partir daqui até se reunirem junto da estação de Ad Septem Aras. O traçado mais a sul corresponde ao Itinerário XIV seguindo por Ponte de Sor, Alter do Chão e Assumar, e seria a via principal para Mérida como comprovam os diversos miliários e a ponte de Vila Formosa; por sua vez o Itinerário XV seguia mais a norte, mas o seu traçado ainda suscita muitas dúvidas; no nossa opinião o traçado mantinha a direcção que trazia de Scallabis e por Bemposta e pelo caminho de festo que passa junto da «Cruz das cabeças» até Monte da Pedra, onde estaria a mansio de Fraxinum. Itinerário de Tubucci a Fraxinum m.p. XXXII Daqui a via seguia para até Bemposta para aí cruzar o rio Torto (topónimo Vale da Venda), seguindo depois pelo caminho de festo que passa a sul de São Facundo nos topónimos Fonte do Santo e Alto de Colos, continua a norte doutro topónimo viário, Vale da Mua, por Alto dos Poços e Cruz das Cabeças (m.p. XLIII), delimitando a partir daqui os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor pelos altos de Vale d'Água e da Pernelha, onde inflecte para nascente, seguindo depois por São Bartolomeu e Margem até Polvorosas onde cruza a ribeira da Salgueira; daqui ruma a Vale da Feiteira por via ainda preservada. Vale Feiteira (m.p. LX; segundo Mário Saa, a via continuava pelo «Caminho da Estalagem» para cruzar a ribeira de Sor no Porto do Manejo, sítio romano localizado na linha divisória entre os concelhos de Gavião e Crato; daqui seguia para Monte da Pedra) FRAXINUM m.p. LXIV Esta estação viária poderia situar-se no Monte da Pedra, a 64 milhas de Santarém; a existência de uma mansio neste local estará relacionada com a travessia da ribeira de Sor em Porto do Manejo, onde Mário Saa assinala uma «estalagem» e «vestígios de via e de uma ponte» que terão sido destruídos no século XX; Saa achou também um «fragmento de coluna, com alguns caracteres imperceptíveis», provável miliário no Alto do Aguilhão (Saa, 1967:81:62; Carneiro, 2008, 2011); este miliário poderia assinalar a via proveniente da travessia do rio Tejo em Belver (por Gavião, Atalaia e Comenda, cruzava a ribeira de Sor junto do Monte das Lameiras, subindo depois ao Alto do Aguilhão, onde apareceu o referido miliário; daqui poderia ligar a Fraxinum, mas pela direcção que trazia também é possível que seguisse directa ao Vale do Peso pelo Alto da Safra do Rebolo, seguindo o caminho de festo entre a ribeira de Vale de Magre e a ribeira do Monte da Pedra, cruzando depois esta para Vale do Peso (act. 2020).
Itinerário de Fraxinum a Montobriga por Vale do Peso m.p. XXX Monte da Pedra (m.p. LXIV; Fraxinum; da ribeira de Sor a via passava no sítio romano do Sôrinho e no Alto do Monte da Pedra, seguindo depois rumo a Vale do Peso pelo chamado «Caminho do Chamiço») Vale do Peso (m.p. LXXI; a via passa a sul da Ermida de Sta. Eulália, possível mutatio; daqui segue um caminho pontuado por sítios romanos que passa no Monte de Setil e a sul do Monte Cem Dias, Monte das Braguinas, onde apareceram diversos vestígios, um capitel, colunas, silhares e estela funerária, IRCP 635, continua pelo Monte do Couto dos Algarves onde cruza a ribeira da Espadaneira, margina o sítio romano de Mosteiros e segue por Couto dos Guerreiros até Veladas) Fortios (m.p. LXXX; possível mutatio situada a meia distância entre Fraxinum e Montobriga, ou seja a 15 milhas de ambas, localizada no sítio romano do Monte das Veladas; 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP 633, e na arruinada igreja de S. Domingos, o epitáfio de Urso, FE 132) Portalegre (continua a poente da cidade por Lagar Velho, Frangoneiro, Coutada das Freiras, Alto do Casqueiro e Qta. da Misericórdia, onde cruza a ribeira da Lixosa e o IP2, junto da Praça de Touros; continua rumo ao Alto do Carvalhal pela Herdade dos Fajardos, Monte Abrunheira do Conde e Monte da Abrunheira) Urra (m.p. LXXXIX; continua por Fadagosa e Azinhal rumo à travessia do rio Caia, presumível localização de estação Montobriga) Itinerário alternativo de Fraxinum a Montobriga por Crato: também é possível que o Itinerário XV seguisse uma outra via romana que derivando no Monte da Pedra seguia pelo Crato rumo a Assumar pela «Estrada do Alicerce», conforme sugeriu Mário Saa e posteriormente André Carneiro, obrigando a situar Montobriga em Assumar; independentemente de ser este o verdadeiro traçado do Itinerário XV, não há dúvida que este percurso já existia em época romana; derivando no Monte da Pedra, esta via rumava a sudeste pelo «Caminho do Chamiço» que cruza a linha férrea e passa no geodésico homónimo, inflectindo depois para sudeste pelo Alto da Pedra do Rato, onde cruza a EM1022 que liga Vale do Peso a Aldeia da Mata; cruza a ribeira do Rôdo e a ribeira dos Canais, seguindo por Flor da Rosa até ao Crato; daqui descia à Ponte Romana-Medieval sobre a ribeira do Chocanol (reutiliza materiais romanos de uma ponte anterior), situada na base do Monte do Chocanol, presumível localização do vicus Camaloc(...) com base numa ara a Júpiter encontrada no caminho de acesso ao povoado colocada pelos Vicani Camalo[cani?, censis?]), continuando para a travessia da ribeira da seda por uma ponte reconstruída no século XVII eventualmente sobre fundações romanas, cruza a linha férrea e segue próximo da importante villa da Ganja e da respectiva necrópole 350m adiante, continuando para sudeste pela chamada «Estrada dos Louceiros» que segue paralela à linha férrea por Qta. de Marrocos, Alto da Abodaneira, margina o Monte do Aguilhão até ao Alto de Chancelaria, importante nó viário onde entronca na «Calçada do Alicerce» e na via de Lisboa a Mérida. MONTOBRIGA m.p. XCIV A estação viária poderia situar-se pouco depois da travessia do rio Caia junto do sítio romano da Herdade da Falagueirinha dado que este local está a cerca de 30 milhas de Monte da Pedra e a cerca de 14 milhas de Degolados, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; a via continua a nordeste de Arronches por Venda e Nave do Grou, cruza a ribeira de Arronches a sul de Mosteiros e continua pelo Monte da Capela (villa), Monte do Rebolo, Monte de Martim Tavares (villa), Monte da Figueira de Cima, Monte do Baloco e Sequeirinha, reunindo depois com a via principal para Mérida adiante do Monte da Calaça, local situado a 4 milhas de Degolados (2017). AD SEPTEM ARAS m.p. CVIII Estação viária comum aos Itinerários XIV e XV presumivelmente localizada nas proximidades da aldeia de Ns. da Graça dos Degolados conforme é justificado na descrição do Itinerário XIV; a partir daqui o I.A. indica uma distância de 20 milhas até Plagiaria o que está de acordo com o Itinerário XIV que indica 12 milhas a Budua e mais 8 milhas até Plagiaria perfazendo portanto também 20 milhas indicadas no Itinerário XV; desta forma tudo indica que a partir daqui os dois itinerários fizessem o mesmo trajecto até Mérida; o resto do percurso está então descrito no âmbito do Itinerário XIV que vinha por Alter do Chão. PLAGIARIA (Novelda del Guadiana; mansio a 30 milhas de Emerita) AUGUSTA EMERITA (Mérida; caput via) |
| ITER XXI - Item de BAESURIS PACE IULIA m.p. CCLXVII |
|
ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Item de BAESURIS
PACE IULIA BALSA OSSONOBA ARANNIS SALACIA EBORA SERPA FINES ARUCCI PACE IULIA m.p. CCLXVII m.p. XXIIII m.p. XVI m.p. LX m.p. XXXV m.p. XLIIII m.p. XIII m.p. XX m.p. XXV m.p. XXX O Itinerário foi dividido nos seguintes troços:
Obviamente que a rede viária romana da região era muito mais complexa, não se limitando aos troços indicados neste itinerário, existindo muitas outras vias interligando directamente estes centros pelo caminho mais curto e não referidas no I.A. , para as quais também são apresentadas propostas de percurso, como por exemplo as via de Évora a Beja, a via de Alcácer do Sal a Beja e as vias para Mirobriga (Santiago do Cacém) e Myrtilis (Mértola). |
![]() |
ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL
BAESURIS
BALSA OSSONOBA m.p. XXIIII m.p. XVI Foz do Guadiana (BAESURIS) (estação tradicionalmente associado a Castro Marim que seria uma ilha ou península com acesso terrestre pelo lado noroeste; o porto ou embarcadouro estaria na sua base, no sítio do Enterreiro, onde se acharam diversos vestígios associados à actividade portuária; Pereira et al., 2015; no entanto também é possível que Baesuris estivesse na outra margem, eventualmente na área da actual Ilha da Canela) De BAESURIS a BALSA m.p. XXIV Partindo de Castro de Marim, a via poderia seguir a rota da EN125-6 por Horta de D. Maria, Ponte Esteveira, Sobral de Cima, desviando um pouco antes de S. Bartolomeu, ao Km 2, pelo caminho de terra que se dirige para a ponte ferroviária sobre o rio Seco em Vale de Boto (marginando os sítios romanos de Fornalha e Sobral de Baixo, onde apareceu uma inscrição funerária de Euprepes), continuando depois paralela à linha férrea por Alcaria, Portela, onde atravessa a ribeira do Álamo, cruza a linha férrea e segue a EM1250 para Cruz do Morto, Bornacha, EN125, Buraco, EM1242 e Torrão (villa com produção de ânforas na Praia da Manta Rota), continua por Cacela Velha (povoado romano, talvez um vicus abrangendo o forte, a igreja e ainda parte da Quinta do Muro), continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Qta. de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a EN125 e a linha férrea, seguindo paralela à EN125 até se fundir com esta em Conceição (vestígios de uma provável mutatio junto da EN125 no sítio da Calçadinha, significativo topónimo viário), desviando depois pelo caminho que leva à Ponte Medieval de Almargem, continuando pelo caminho carreteiro por Mato Santo Espírito, Morgado, volta a cruzar EN125 e segue pela rua Casa de Pau e junto da Ermida de S. Brás, descendo depois pelo até Jardim da Alagoa até ao local da travessia do rio Séqua/Gilão a vau, defronte da Estação Rodoviária (130m a montante da ponte actual, erradamente apelidada de "Romana" sem qualquer fundamento; Fraga da Silva, 2005) entretanto de seguida em Tavira (povoado romano no Cerro do Cavaco, dominando esta travessia); na outra margem subia por Bela Fria ao Alto do Cano, continuando depois pelo «Caminho do Concelho», estradão de terra que passa junto das Quintas de St. António de S. Pedro rumo a Pedras d'El Rei, havendo referência a um troço calcetado já próximo do aldeamento turístico (onde existia uma villa cujo espólio está hoje no Museu de Moncarapacho) (Rodrigues, 2004; Fraga da Silva, 2005). Torre de Aires (BALSA)(a área urbana da cidade romana situa-se a sul de Luz de Tavira, abrangendo a Qta. das Antas e a Qta. de Torre de Aires; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto até ao centro urbano) De BALSA a OSSONOBA m.p. XVI A via continuava a norte da colina do Pinheiro rumo ao santuário da Fonte Santa em Livramento, onde conflui com a EN125, seguindo sob esta por Arroteia e Alfandanga/Murteira rumo a Bias do Norte (duas inscrições tumulares provenientes da Fuzeta, estão hoje no Museu de Moncarapacho), continua por Bias do Sul, onde apareceu o único miliário conhecido do Algarve, indicando a X milhas a Faro (IRCP 660) e que serviria também como marco territorial, assinalando a fronteira entre as duas civitates (foi descoberto no sítio da Canada do Sul, junto da foz da ribeira de Bias e hoje está no Museu de Olhão); a via continuava algures por Quatrim e Marim, marginando pelo norte villa da Qta. do Marim (onde apareceram 17 inscrições funerárias e vestígios de um complexo industrial para produção de garum), uma das possíveis localizações da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena (Graen, 2007); continua a norte de Olhão e villa de Torrejão Velho (existiam cetárias no actual Porto de Pesca), desviando da EN125 pelo Alto de Piares, Casinha da Gala, João de Ourém, cruza a ribeira de Bela-Mandil em Contenda e segue pelo Alto de Joinal, Vale de El-Rei e Areal Gordo, onde atravessava o rio Seco, a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta, continua pela Ermida de S. Cristóvão (assinalando o local onde a via bifurcava rumo a Estoi e S. Brás, com vestígios de uma villa em Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha, e uma necrópole em Rio Seco), entrando em Faro pela Estrada de S. Luís (Rodrigues, 2004; Fraga da Silva, 2005; Bernardes, 2011). Faro (OSSONOBA) (cidade romana ocupando a área de Vila-Adentro; a entrava no actual o centro urbano pela Ermida de S. Luís, continuando depois pela zona do Mercado Municipal rumo à Capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole da antiga cidade que ocupava a área entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, seguindo depois pela rua do Bocage para entrar na antiga cidade pela Porta do Repouso até atingir o forum no Largo da Sé; Bernardes, 2011) |
![]() |
ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - Castro da Cola (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA) m.p. CXXV
OSSONOBA
ARANNIS SALACIA m.p. LX m.p. XXXV Faro (OSSONOBA) (partindo do forum no Largo da Sé, saía do núcleo urbano pela Porta da Vila, atravessava a necrópole de Lethes e seguia pela antiga rua da Carreira, hoje rua Conselheiro Bivar e rua Infante Dom Henrique, ou pelas paralelas, rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto, passando junto da necrópole do Largo S. Sebastião e da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, continuando talvez paralela à EN125 por Patacão e Vale da Venda) São João da Venda (m.p. V; centro de produção de ânforas, possível mutatio?; cruza o IC4 e continua pela rua João do Alto até confluir na EN125, passando depois junto da Igreja de S. Lourenço, relacionada talvez com a m.p. VII) Almansil (m.p. VIII; nó viário; mutatio?; o topónimo árabe «manzil» pode derivar de mansio que aqui poderia existir; ver ramal de acesso a Vilamoura e continuação pela via litoral rumo a Portimão; depois de cruzar a EN125 e a linha férrea, continua pelo Caminho de Boniches em Vale de Éguas, corta à esquerda pelo vale do Cerro do Môcho até Poço da Amoreira, continua por Quartos, possível topónimo viário, Estrada do Poço de Pau, continuando a poente do Cerro de Sta. Catarina e depois pelo caminho do Torrejão Velho pela margem esquerda da ribeira do Cadoiço que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Álamos (recentemente reabilitada, próximo do sítio romano da Fazenda do Cotovio; depois da ponte, continua pela rua São João de Brito até à cidade velha) Loulé (m.p. XIII; estranhamente sem vestígios romanos para além de uma ara votiva a Diana de proveniência duvidosa que apareceu na torre da Igreja Matriz de S. Clemente, CIL II 5136, e hoje no MNA) Querença (m.p. XVIII; nó viário; a via continua a poente da povoação pela Azinhaga da Portela até à Nora de Pombal, onde toma o caminho de terra que cruza a rua da Eira junto do Monte dos Avós, continua pelo «Caminho do Borno», cruza a ribeira da Chapa e segue pela Portela de Vale de Alcaide para cruzar as Ribeiras da Salgada e do Sêco, continuando próximo do povoado de Palmeiros por Fonte Morena, Fonte do Ouro, CM 1102, junto do cemitério) Salir (mutatio? a XXIV milhas de Ossonoba; necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS no Museu de Loulé) De Salir a Castro da Cola (ARANNIS) pela Serra de Mú m.p. XXXVI A partir de Salir a via iniciava a difícil transposição da Serra de Mú, ascendendo ao Serro do Malhão por Alcaria do João e Pé do Coelho, continua pelo Alto da Cumeada e Moita Redonda de Cima, nascentes da ribeira de Vascanito, Alto do Guincho, Alto dos Três Moimentos, conflui na CM1148 pelo Alto de Mú e no Alto de Feiteira segue à esquerda pelo Monte Novo da Estrada, Portela da Cruz junto a Brunheira, Portela das Moreias, Alto do Carvalhete, Monte Novo das Eirinhas, Vale do Ninho, Alturas do Semino, Alto dos Carriços, Corte das Cruzes, Monte das Cruzes, Alto da Boavista, Portela do Brejinho, Corte da Azinheira, Monte da Estrada, cruza a A2 e segue por Casa Nova do Estaço, Moinho da Alcaria Alta, Monte das Figueiras, Monte do Pego, passando a poente da villa do Monte da Hortinha da Abóbada situada junto do rio Mira, cruza o IC1 em Lajes e continua por Portela do Lobo, Monte Novo da Estrada, Portela da Carreira e Alto do Azinhal. Castro da Cola (ARANNIS) (m.p. LX; mansio e civitas no povoado adjacente à travessia do rio Mira e sede do extinto concelho de Marachique; esta fortificação com origem na Idade do Ferro apresenta fortes sinais de romanização justificando a existência de uma statione neste ponto estratégico da rede viária entre o Algarve e o Alentejo. André de Resende transcreve uma inscrição proveniente daqui mencionando um tribuno da Legião X Gémina; inscrição depois de cruzar o rio, segue por Queimado do Telhado, Serro do Seixo, Monte da Bicada, Monte do Castelejo, Monte das Sismarias, Fonte da Corcha, cruza a EM1130 no Monte do Saraiva, e continua por Monte da Estrada, Monte Novo da Estrada, Monte da Corcha, onde apareceu a estela funerária de Boutia, seguindo daqui rumo a Garvão pelo caminho entre as ribeiras da Morgada e dos Cachorros que margina os fundi das villae de Zuzarte e da Herdade dos Franciscos, onde apareceu um busto em mármore e uma invulgar estela funerária de um emigrante Bracarus, oriundo do Castellum Durbede, hoje depositada no Museu do Garvão. Garvão (mutatio a XI milhas de Arannis, junto do povoado da Idade do Ferro romanizado no Cerro do Castelo, sobranceiro à local de travessia da ribeira de Garvão que seria junto da Capela de S. Sebastião, seguindo depois pelo Monte Novo da Piedade, Alto de Reipires, Monte da Crimeia Velha, onde apareceu o epitáfio de Licinius Fuscus, Montes de Corte Preta e Corte Branca, a nascente da aldeia de Santa Luzia, cruza a EN263 e segue pelo Monte de Vale de Alconde e Quintas, onde cruza a linha divisória entre os concelhos de Ourique e Odemira, continuando por um caminho actualmente destruído entre o Monte do Carvalhal e o Monte do Brejo (topónimo viário), seguindo depois por Alto dos Peneireiros cruza o CM1079 e entra no CM1079-1 pelo Alto das Fornalhas, servindo este troço novamente de divisão concelhia, passando pelo Alto do Carvalhal, Alto da Corredoura e Alto do Pombal até Alvalade; ao longo deste trajecto sucedem-se os vestígios de povoamento romano, em particular villae nas proximidades do rio Sado: uma estela funerária junto da estação CF de Montenegro, o epitáfio de Letondo no lugar de Courela, a villa de Torre Vã, o vicus? da Horta de S. Romão e a importante villa da Herdade da Defesa) Alvalade (mutatio a XXX milhas de Arannis; o topónimo Alvalade deriva do árabe «Alvaladi», «o caminho»; este importante nó viário teria um vicus ocupando aa área do cemitério e está associado à travessia do rio Sado em «Porto Beja»/«Porto Ferreira», nomeadamente da via E-O de Santiago do Cacém a Beja e Mértola e a via SO-NE que derivava deste Itinerário XXI rumo a Évora por Torrão e Alcáçovas; notícia de duas «pedras cilíndricas com letras», possíveis miliários, uma na «Várzea de Alvalade» e outra na Herdade da Defesa; Feio, 2009) De Alvalade a Alcácer do Sal (SALACIA) pelas Minas do Lousal m.p. XXXV A partir de Alvalade o Itinerário XXI seguia directo a Salacia percorrendo um total de XXXV milhas. A rota romana poderá coincidir com a antiga «Estrada Real» que passava junto da importante exploração mineira do Lousal, caminho, caminho descrito no «Roteiro Terrestre») passando pelas albergarias de «Bairros», «Nisa» e «Val de Guizio» rumo a Alcácer do Sal. Partindo da Igreja da Misericórdia em Alvalade (onde foi colocado o enorme peso de lagar proveniente da villa do Monte da Defesa), a via seguia pela actual rua de Lisboa rumo à Ponte Medieval sobre da Ribeira de Campilhas (antiga ponte reconstruída no século XVI com possível origem romana), continuando depois paralela à linha férrea pelo Monte da Ameira, Monte Branco (necrópole) e Monte da Mal Assentada até à aldeia de Ermidas-Sado que contorna pelo lado poente rumo a Faleiros, cruza a ribeira de Corona e continua pelo interior das Minas do Lousal para cruzar a ribeira de Lousal junto do chamado «Castelo Velho de Lousal» (provável fortificação romana controlando esta passagem da ribeira junto da ponte da actual da linha férrea; aqui seria a estalagem de «Bairros»), continuando depois pelo Monte da Rocha, Alto do Cabeço do Seixo, Alto da Encruzilhada (cruza a EN259) rumo à travessia da ribeira de Grândola junto do Monte de Anisa (antiga albergaria de «Nisa»; vestígios romanos de uma possível mutatio), continua pelo Alto do Brejo Redondo, Alto da Fresta, Lagoa Salgada, servindo aqui de divisória concelhia, Vale Ceisseiro e Vale de Guiso, cruza a ribeira do Arcão, seguindo por Arapouca (forno) rumo a Alcácer. A distância entre Alvalade e Alcácer por este caminho é de cerca de 35 milhas conforme indicado no Itinerário XXI. Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum, sede de civitas, mansio e portus) |
|
ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) m.p. XLIV
SALACIA
EBORA m.p. XLIIII |
![]() ![]() ![]() ![]() |
ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) m.p. LV
EBORA
Pedrogão? SERPA> m.p. XL m.p. XIII Évora (saída da cidade pela calçada pela Horta do Bispo, Bairro de Ns. do Carmo e Monte da Barbarrala Nova, mas o caminho foi possivelmente destruído pela construção da zona industrial e da ETAR) Ponte Antiga do Xarrama (m.p. III; possível origem romana para esta ponte de feição medieval com 22 m, 3 arcos; calçada debaixo do actual caminho que segue a poente do Monte da Chaminé pelos altos da Vigia e da Barroqueira) Zambujal do Conde (m.p. VII; passa a nascente do monte) Sitima (m.p. VIII; provável miliário e mais 3 fragmentos junto do monte; inflecte para leste, cruza a ribeira de Souséis e continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; aqui existem mais 4 fragmentos de miliários anepígrafos junto do marco geodésico do Marco referentes à milha X) S. Marcos da Abóbada (m.p. XI; a via cruza o monte e segue a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando junto da importante villa romana da Abóbada situada a 12 milhas de Évora; seria uma mutatio?; a via cruzaria depois a Herdade da Torre do Lobo, cerca de 3km a nascente da sua torre medieval, junto da qual foram identificados dois possíveis miliários e mais 2 possíveis fragmentos junto ao casario; continua pelo Alto do Seixo, entre Monte dos Frades e Monte da Carrapateira) Torre de Coelheiro (a via continua a sudoeste da actual povoação, pelo Outeiro do Salto/Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos, na milha XV, onde há vestígios de tégula e um topónimo viário «Poço da Estalagem» que remete para uma possível mutatio; continua por Feijoas de Cima e Herdade do Garducho, onde cruza a ribeira da Passada, outro topónimo viário; continua junto do marco geodésico do Alto da Eira dos Pomares)
Portel (seguia talvez próximo topónimos Atalaia e Alto do Outeirão, onde há um povoado da Idade do Ferro romanizado designado por «Outeirão da Murada», continuando por Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque até Portel na milha XXVI) Vera Cruz (m.p. XXXII; vicus?; a igreja assenta num mosteiro visigótico; a via passaria talvez a poente da povoação) Marmelar (m.p. XXXVII; necrópole; villa? vicus?; continua talvez próximo da necrópole da Herdade da Casa Branca, onde apareceu a inscrição sepulcral de Misinius Phanstianus; CIL II 9 = IRCP 432) Pedrogão (m.p. XLI; possível mutatio associada à villa da Horta do Cano; cupa funerária no Monte das Fontes) Travessia do rio Guadiana (m.p. XLII; no chamado «Porto da Orada», onde há vestígios de um pequeno edifício romano num local conhecido por Galeados; ascende pelo Monte dos Galeados e da Mina das Azenhas até confluir na estrada actual, EN265, junto do Monte da Várzea) Brinches (m.p. XLVIII; continua junto da villa do Monte da Salsa, sítio hoje destruído, onde apareceram 3 epígrafes, a cupa funerária com o epitáfio de Valeria Amma, a estela funerária de Valerianus e uma estátua de Esculápio; de seguida cruza a ribeira de Enxoé em Casa Branca e continua pelo Monte da Torre do Lóbio, Monte Capicua, Monte do Manuel Azevedo, Monte da Cerejoa e Horta do Folgão, entrando em Serpa pela rua Serpa Pinto) Serpa (SERPA) (m.p. LV; mansio; oppidum?; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, actual Zana, Tunísia) |
|
ITINERARIO XXI - Serpa (SERPA) - FINES - ARUCCI - Beja (PAX IULIA)
SERPA
FINES ARUCCI PACE IULIA m.p. XX m.p. XXV m.p. XXX A problemática localização de FINES e ARUCCI SERPA, FINES e ARUCCI no Ravennatis A Cosmografia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte sequência civitates na descrição da «Spania»: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia, Mirtilin,...» (Rav.IV.43). As três primeiras deverão corresponder aos principais portos romanos ao longo da costa Bética, nomeadamente Baesippo (Barbate?), Mercabulum (Ruinas de Patria, Conil de la Frontera?) e Gades (actual Cádiz); Asta deverá corresponder ao povoado romano na actual povoação de Mesas de Asta, a cerca de 40 km para norte de Cádiz; a partir daqui são mencionadas as civitates já em território nacional, com a sequência Serpa (Serpa), Pax Iulia (Beja), Myrtilis (Mértola), etc, sem no entanto mencionar Fines ou Arucci. No entanto estes são mencionados mais adiante ao descrever as civitates da Betúria Céltica, indicando a sequência «Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria» (Rav. IV.45) que já apresenta alguma similitude com o percurso descrito no Itinerário XXI. Assim, admitindo Onoba /Onuba em Huelva, Urion/Urium no povoado da «Corta del Lago» (junto do importante complexo mineiro romano das Minas de Riotinto), então Fines e Arucci teriam que estar de permeio entre estas civitates. Esta sequência de civitates levou muitos autores a sugerirem a existência de uma via entre o porto romano de Onuba (Huelva) e Pax Iulia (Beja) com estações intermédias em Urium, Fines e Arucci (por ex. Sillières, 1990). No entanto esta enumeração de civitates no «Ravennatis» não segue uma lógica viária como se pode inferir do texto ao apresentar uma volta desnecessária por Urium quando existe um itinerário mais directo (actualizado em 2018). ARUCCI na Epigrafia
Inscrição a Agripina
Esta famosa
inscrição dedicada a Agripina colocada pelos habitantes da civitas Aruccitana que apareceu no século XVI no Convento das Freiras Dominicanas em Moura (actualmente no Museu de Moura) constitui o único monumento sobrevivente que menciona explicitamente esta civitas e é por isso um documento central no debate sobre a localização de Arucci e está na origem da sua associação à actual povoação de Moura que assenta sobre um importante povoado da Idade do Ferro fortemente romanizado, além de uma localização estratégica face ao rio Guadiana, certamente um vicus durante a época romana (Resende, 1593:172; Lima, 1988:69-70). No entanto, segundo um testemunho de Ambrosio de Morales na «Cronica General de España» de 1574, refere que a pedra apareceu «entre la vila de Mora y la sierra de Aroche tierra de Sevilla» (Morales, 1574: 266). No ano depois escreve no seu «Antiguedades de España» que «esta piedra se hallo en la sierra de Aroche, la qual confina con Portugal, y llevose a Mora, lugar pequeño que esta allí junto» (Morales, 1575: 101; Germain, 2016:324-329); portanto a inscrição terá aparecido algures entre Moura e a Sierra de Aroche (Encarnação, 1989:157, 1998: 37-38, 2007, 358-361). Posto que segundo o relato do século XVI se deveria procurar a perdida Arucci nessa Serra de Aroche ou nas suas cercanias o que levou à sua associação à moderna Aroche (Canto, 1997:136; Bermejo, 2016), hipótese que como se verá adiante não se veio a verificar.[IV]LIAE AGRIPPINA[E] [...] CAE[SA]RIS • AVG • GERMAN[I] [CI] • MATRI • AVG • N CIVITAS ARVCCITANA Inscrição a Paulina
M(arco) Atterio Paulina M( arci) f(ilio) qui tumultuario Bethicae bello asurgen(te) multa pro rep(ublica) Aruccit(ana) 5 bel(lo) retinen(da) fortiss(ime) gess(erat). Aruccitani Vet(eres) et Iun(iores) opt(imo) civi
Inscrição a Hércules
Outras inscrições da Civitas AruccitanaHerculi deo invicto et reip. Aru- ccitanae patrono stat. aeream secund. Thebani templi tro- ph. Aruccitani d. d. Além da inscrição a Agripina, Ambrosio de Morales refere mais duas epígrafes que mencionam Arucci apesar de estarem no grupo de «falsas» no levantamento da epigrafia bética de Alicia Canto (Canto, 1997:145). A primeira é honorífica e foi colocada pela republica Aruccitana a Marco Atterio Paulina em agradecimento pela sua acção durante uma guerra (CIL II 100; Canto, 1997:145, nº 4) e a segunda é uma dedicatória ao invencível Deus Hércules, patrono da republica Aruccitana, certamente servindo de pedestal de uma estátua representando esse deus (CIL II 99; Morales, 1575: 101; Canto, 1997:369). Apesar das dúvidas sobre a veracidade dos textos, a utilização do termo Aruccitana em mais duas inscrições parece inequívoca, ademais provenientes da mesma área ou porventura do mesmo local da inscrição a Agripina. Além disso, à data do seu achamento, esta área teria de estar sob jurisdição de Moura, posto que todas foram todas transferidas para ali. Sendo assim, o conjunto das três inscrições apontam para uma localização de Arucci na área sudeste do actual concelho de Moura, onde confronta com a encosta oeste da Serra de Aroche. ARUCCI em Moura? Moura tem sido tradicionalmente associada a esta mansio do Itinerário com base numa proposta do historiador Português André de Resende no século XVI que interpretou erradamente a letra «N.» da inscrição da civitas Aruccitana a Agripina como «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova civitas Aruccitana ou Arucci Nova, correspondendo a Moura e à Arucci do Itinerário, e por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem denominada Arucci Vetus situada em Aroche (Resende, 1593: 171-172). Hübner no entanto rejeitou esta leitura e ao inclui-la no CIL II corrige para AVG(gusta) N(ostrae) (CIL II 963) deitando por terra esta teoria que apesar de tudo ainda subsiste em alguma literatura sobre o tema (por ex. Lima, 1988). Perante isto, a hipótese de Arucci se situar em Moura não é sustentável (vide Encarnação, 1998: 37-38; Canto, 1997; Bermejo, 2016). ARUCCI em Aroche? A similitude fonética com a vila de Aroche (Espanha) levou alguns autores espanhóis a proporem a localização de Arucci nesta povoação, entretanto descartada dado que não existem vestígios de ocupação romana no local; tentou-se então associar Arucci a um dos assentamento pré-romanos existentes ao longo do rio Chança, tendo Pierre Sillières proposto o importante sítio romano em torno da Ermida de San Mamés (Llanos de la Belleza), 3 km a norte, onde esses vestígios são evidentes (Sillières, 1990). No entanto, este povoado tem sido antes associado à cidade de Turibriga referida por Plínio e sede da civitas Turibrigense registada em várias epígrafes. Deste modo a associação Turibriga/Arucci tão veiculada pelos autores do outro lado da fronteira não tem fundamento (2018). FINES em Messangil Para além da referência a Fines no Itinerário de Antonino e do «Ravennatis», não se conhecem outra referência a este povoado, estando omisso na epigrafia. Fragoso Lima situou esta estação junto à Fonte de São Miguel em Messangil onde apareceram várias epígrafes e restos de edifícios, dispersos por uma área de 5000 m2. Pierre Silières considera que se trata de uma mutatio da Via Beja-Aroche, posicionando Fines Vila Verde de Ficalho que está de facto a 20 milhas de Serpa (Sillières, 1990), enquanto Conceição Lopes propôs que esta servia antes uma via N-S de Moura a Vila Verde de Ficalho (Lopes, 2000: 74-75). De facto tudo aponta para existência de uma estação viária neste local associada à «Fonte de São Miguel Finis» , topónimo que remete para a associação de Fines a este local. A primeira referência ao sítio surge no século XVI por André de Resende como um «semidirutum oppidum, ad pagum quem uocant Vallemuargi», ou seja «uma povoação semidestruída junto à aldeia a que chamam Vale de Vargo» tendo registado uma das quatro inscrições de ali viu junto de um pequeno santuário, posteriormente ocupado pela «Ermida de São Miguel» (Resende, 1593: 173). FINES em Paymogo Em 1634 Rodrigo Caro publica no seu «Antigüedades y Principado de la ilustrísima ciudad de Sevilla» o achamento de uma inscrição funerária "no lexos de la villa de Paymogo, yendo yo camiñado por el móte" (Caro, 1634:203), sugerindo Fines poderia estar nas proximidades. Em 1862, Eduardo Saavedra retoma a proposta de Caro no terceiro apêndice do seu famoso discurso diante da «Real Academia de la Historia» na sua qualidade de «Engeniero de Camiños», dizendo que "Debió estar en un punto cerca de Paimogo, donde se han hallado antigüedades y es una entrada muy concurrida de Portugal." (Saavedra, 1862:93). De facto a vila de Paymogo está situada numa antiga estrada para Portugal, sendo aliás a única estrada assinalada entre a Andaluzia e Portugal no mapa dos «Reynos de España e Portugal» elaborado por Jean Baptiste Nolin em 1766 (ver aqui). A estrada cruzava Rio Chança/Chanza junto da «Casa de Bertolo», rio que servia e serve de fronteira entre Portugal e Espanha e muito provavelmente também separava as províncias da Lusitânia e da Bética no período romano. A sua localização fronteira, junto importante ponto de passagem do Rio Chança/Chanza e a existência de explorações mineiras romanas nas proximidades (em Vuelta Falsa, Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla do lado espanhol e Serro de Ouro e São Domingos do lado português) são argumentos que tornam esta proposta plausível. Esta proposta sai ainda mais reforçada quando verificamos que a distância desta passagem do rio Chança a Serpa é de cerca de 20 milhas, ou seja de acordo com o indicado no Itinerário enquanto de Serpa a Paymogo são 25 milhas, o que invalida a sua localização na moderna povoação onde aliás não foram encontrados vestígios romanos. Por outro lado, como se verá nos próximos capítulos, é também muito relevante o facto de esta localização acertar com as 25 milhas indicadas no Itinerário para o troço seguinte entre Fines e Arucci. Deste modo, conjugando todos estes dados, consideramos que a localização de Fines junto desta travessia do Rio Chança em S. Marcos é uma forte possibilidade, apesar de ainda não se conhecerem vestígios associáveis a uma povoação romana nas imediações desta travessia |
|
ITINERARIO XXI - Serpa (SERPA) - S. Marcos (Fines?) - Paymogo - Huelva (ONUBA) A partir de Serpa a via continuava na mesma direcção até Fines situado a 20 milhas na fronteira com Bética que deverá corresponder ao rio Chança. Deste modo é possível esta etapa do Itinerário corresponda à via que parte de Serpa rumo ao nó viário de S. Marcos, onde presumivelmente estaria a mansio designada por Fines. Depois de cruzar o rio a via continuava por Paymogo talvez rumo ao porto romano Onuba que deverá corresponder a Huelva. Esta etapa do Itinerário estaria assim integrada no grande Itinerário de Pax Iulia a Onuba Serpa (SERPA) (seguia talvez a EN265 pelo Monte do Peixoto até Santa Iria (villa em Romeirinha; ara votiva a Deae Medicae), logo a seguir cruza a ribeira de Limas e segue pela Herdade da Corga da Fonte, Monte Carapetal, Monte do Topo, Alto da Perdigoa e Monte da Mó onde reencontra a EN265, seguindo pelo Alto do Vale de Milhados até ao Alto das Fontainhas (nó viário a norte da aldeia de Vales Mortos, onde poderia existir uma mutatio dado que este local se encontra a 12 milhas de Serpa; continua pela CM1096 na direcção SE até ao sítio de S. Marcos, junto do antigo posto da Guarda Fiscal, descendo depois ao rio Chança pela Fonte dos Contrabandistas para cruzar o rio junto à Casa do Bertolo e actual fronteira luso-espanhola, próximo da qual estaria Fines. A partir daqui dirigia-se a Paymogo (m.p. XXV; povoado mineiro em Paymogo el Viejo, onde Fragoso Lima encontrou uma inscrição; estaria associada à explorações mineiras de Paymoguillo el Viejo, Grupo Malagón, La Romanera e La Sierrecilla) e depois de cruzar o rio Malagón seguia talvez por Puebla de Gusmán (minas), Alosno, S. Bartolomé de la Torre, rumo à travessia do rio Odiel em Gibraleón e daqui ao porto romano de Huelva (ONUBA). |
| Viae a PAX IULIA |
![]() ![]() ![]() |
Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão - Beja (PAX IULIA) m.p. L A via de ligação entre Alcácer e Beja passava na povoação do Torrão onde cruzava o rio Xarrama. Conhecem-se 3 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Porto da Lama junto da travessia da ribeira de Sítimos, o miliário do Monte do Olival referido por Resende e o miliário de Valentiniano I e Valente que apareceu junto da villa da Fonte dos Cântaros em São Brissos, a 5 milhas de Beja. Este itinerário partilha inicialmente o traçado da via de Alcácer do Sal a Évora até ao Monte da Arcebispa, cruzando aqui a ribeira de Sítimos) Porto da Lama, Santa Catarina de Sítimos (villa romana do Monte da Lama, provável mutatio dado que na área do desactivado campo de aviação apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano já cindido longitudinalmente e que está hoje deitado por terra na área das ruínas do depósito de água em Alcácer do Sal, IRCP 671; Faria, 1986; a montante da ribeira há também vestígios de uma villa em Sta. Catarina de Sítimos; a partir daqui o percurso é hipotético, podendo seguir próximo do marco geodésico de Vale da Água, continuando por Bugiada, Monte da Boavista, Malhadas, Carvalhoso, Fonte Videiros, Monte do Vale de Arquinha e Ermida de S. Fraústo) Torrão (vicus e provável mutatio situada num importante nó viário que articulava as vias provenientes de Salacia e Ebora com a vias rumo ao sul quer a Beja quer a Faro; há vestígios do vicus na área do Centro Escolar e em Fonte Santa, necrópoles no Penedo Minhoto e da Capela da Ns. do Torrão, conduta com 100 m, etc; a via entrava na povoação pela chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300m que conduz à antiga travessia do rio Xarrama, onde poderia existir uma ponte romana e seguia talvez pelo Monte de Vale Paraíso de Baixo, Monte da Fonte Longa, Monte das Soberanas de Baixo, Monte da Ervedosa, Monte das Faias para cruzar a ribeira de Odivelas junto do Monte do Olival) Odivelas (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival entretanto desaparecido, atestando a passagem da via a nascente de Odivelas por Monte Outeiro, Penique e Casa Branca, passando a nordeste do fortim romano de Casa Branca que deveria controlar a sua passagem, hoje limite do concelho, continuando depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, cruza a ribeira de Alfundão e segue por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão, passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco) Alfundão (a via segue pela rua da Estalagem, atravessava a povoação e cruza o Barranco da Aldeia numa ponte antiga com provável origem romana, prosseguindo pelo caminho da Coimeira/Alto de Beja, passando a norte do provável vicus de Vilares/Vilar/Vila Verde/Alto do Pilar, junto do depósito de água, onde poderia existir uma mutatio; continua até cruzar o Barranco do Corvo e a EN387, nas proximidades da villa no Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE 295) Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste da povoação próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos) Beringel (a via passava a norte da povoação, cruzando o rio Galejo na Ponte de Lisboa, hoje submersa pela barragem do Pisão, construção com provável origem romana onde foram reutilizados 2 cipos romanos, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa/Misericórdia, onde apareceu também uma ara a Júpiter) São Brissos (continua em calçada ao longo da margem esquerda da ribeira de Álamo, cruza o barranco na Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, perto da qual apareceu um miliário de Valentiniano I e Valente, hoje no Museu de Beja (nr. B-148), associado aos vestígios da villa da Fonte dos Cântaros, continuando pelo Monte da Diabrória, Monte de Arcediago e Lobeira da Horta, entrando na cidade de Beja pela Porta de Évora) Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; ara com o epitáfio de Nice , CIL II 59 = CIL II 5186, poder ler-se a palavra VIATO[r; seria o curator viarium da região?; ver Museu Regional de Beja)
|
|
Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. XXXVI Via romana partindo de Pax Iulia para nascente seguindo por Serpa até Arucci, presumivelmente situada no vicus de Gargalão, 3 km a norte de Sobral da Adiça. (vide também Saa, 1967; Sillières, 1990; M. C. Lopes, 1997, 2000). Beja (PAX IULIA) (sai da cidade pela Porta de Mértola e Falcões pela rua Bento Jesus Caraça, marginando a villa da Qta. da Abóbada, continua pelo CM1045 pelo Bairro de S. João, Tanque dos Cavalos, Horta de Todos e Alcoforado, seguindo depois pelo CM1046) Padrão (alusão a miliário?; topónimos viários «Monte da Estrada» e «Monte da Ponte»; continua pelo Monte do Zambujeiro e ao longo da margem do Barranco da Azinheira/ de Quintos, passando próximo do Monte Alto) Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae, hoje no Museu de Évora; cruza a ribeira da Cardeira em Pisões e segue próximo da villa do Monte do Corte Piorno) Travessia do rio Guadiana no Vau da Guinapa (sobe as ladeiras do Guadiana e acompanha o Barranco da Amendoeira por Horta do Farrobo, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo) Serpa (SERPA) (mansio; oppidum?; a via continuava aproximadamente pelo percurso da EN517 e marginando várias villae e casais, como Monte de Santa Justa, Cidade das Rosas, Horta da Alcaria, Maria da Guarda, Monte da Laje, Capela de St. Estevão e Monte Alto, Meirinho, Figueiras, atravessa a Herdade da Abóboda onde apareceu uma ara votiva a Júpiter e logo depois cruza a ribeira de Enxoé) Corte de Messangil, Vale de Vargo (provável mutatio no sítio da Fonte de São Miguel Finis, onde apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turibriga; continua pelos «planaltos do Pocinho do Mota e Fernão Teles», como Mário Saa já tinha proposto) Monte Novo de Belmeque (onde cruza a linha divisória concelhos de Serpa e Moura, confluindo aqui também a via proveniente da travessia do rio Guadiana em Pedrogão; continua pelo Monte da Lavada, atravessa a Serra da Preguiça através da «Portela do Álamo» e segue pelo Monte do Álamo até ao povoado de Gargalão, a noroeste da vila de Sobral da Adiça) ARUCCI (mansio no sítio romano de Gargalão?; actual Parque de Merendas do Gargalão, situado junto da ribeira de S. Pedro; na outra margem está a Ermida de S. Pedro da Adiça, lembrando a primitiva povoação de Sobral da Adiça; inscrição CIL II 93 na Horta da Carrasca). Ligação de S. Pedro da Adiça a Mérida por Badajoz: Provável continuação da via para norte seguindo entre as ribeiras de S. Pedro e a ribeira de Toutalga, passando no Monte Metum e no «Cabeço Redondo», povoado da Idade do Ferro hoje destruído, rumo à travessia da ribeira de Toutalga junto da Ermida da Coroada, tendo Fragoso de Lima identificado nas imediações um miliário em mármore com letras, «na extrema da Coroada com o Motum», ou seja entre na divisão entre a Herdade da Coroada e Monte de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas», mas este último topónimo é desconhecido. Da Coroada a via dirige-se por Santo Amador rumo à travessia do rio Ardila, continuando depois talvez a sudeste de Granja, cruza a ribeira de Guadalim e segue pelo Alto da Meada para cruzar a ribeira de Alcarrache (do topónimo viário «Carrache») rumo a Villanueva del Fresno; aqui toma o «Camiño Viejo de Alconchel», percorrendo 12 milhas até Alconchel (3 estelas funerárias) e mais 12 até Olivenza, passando próximo da Finca da Villavieja (epitáfio de Calvus e Proculus) e Finca de Escarramón (epitáfio de Aquilia Severa). A partir de Olivenza a via cruzava a Ponte de Ramapallas e seguia a leste de S. Francisco de Olivenza próximo da Igreja Visigótica de Valdecebadar (ara a Silvano), cruza a ribeira de Olivenza e segue próximo da villa La Cocosa até El Manantío, continuando depois rumo a Badajoz onde entronca na via para Mérida proveniente de Lisboa. |
![]() ![]() |
Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão - Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. LXIV Este itinerário teria um traçado comum à via para Beja, mas após a travessia do rio Xarrama no Torrão desviava desta para nascente, seguindo na direcção O-E rumo a Alvito e ao respectivo vicus em S. Romão (civitas Mirietanorum?); cruza pouco depois a ribeira de Odivelas na Ponte Romana de Vila Ruiva e segue rumo a Pedrogão onde cruza o rio Guadiana, continuando sempre para nascente por Pias rumo à mansio de Arucci localizada muito provavelmente nas imediações de Sobral de Adiça. Na parte inicial a via tinha um traçado comum à via para Beja até ao Torrão, rumando daqui para sudeste rumo ao Alvito. De Torrão a Vila Ruiva por Alvito m.p. XVII A via poderia seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para o Alvito, passando por Vila Nova da Baronia, onde há vestígios romanos em Sobral das Barras e na Herdade da Mina (Feio, 2010). Em alternativa a via seguiria directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, Capela de S. Bartolomeu e Velórios. A partir do Alvito, a via continuava até à ponte romana sobre a ribeira de Odivelas. Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (mutatio?) De Vila Ruiva a Pedrogão por Vidigueira m.p. XXI Da ponte romana ascendia à povoação de Vila Ruiva, inflectindo aqui para nascente, desviando assim da via para Beja, retomando a orientação O-E com que trazia do Torrão; seguia por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu), Vila de Frades (junto da imponente villa de S. Cucufate), Vidigueira (miliário anepígrafo no cruzamento das ruas Hortinha e Caldeireiros), continuando pela rota da EN258 próximo da Horta da Marineta, Monte do Poço Seco, Monte do Zangarilho, Monte do Malheiro, Monte da Ordem, Monte do Peso até atingir Pedrogão, onde confluía também a via Évora-Serpa. Travessia do rio Guadiana em Pedrogão (a vau, no Porto da Orada, tendo na outra margem o pequeno sítio romano dos Galeados certamente relacionado com esta passagem; logo depois a via bifurcava para Serpa e Sobral da Adiça) De Pedrogão/Guadiana a Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. XXV A via continuava junto do Monte dos Galeados, desviando pouco depois pelo caminho que passa a sul das Minas da Orada e a norte e a villa? do Monte do Zambujeiro, seguindo por Alto de Covas, Monte da Magoita, Monte da Parreirinha, Monte do Rosal e junto da villa de Sesmarias, continuando entre o Barranco de Pias e o Barranco de Bota Cerva até entrar em Pias, junto do «Poço de Pias», Pias (lápide funerária de Apolausis na Ermida de Santa Luzia), continua pela Caseta do Baldio e Monte Courelas até Corte do Alho (miliário de Adriano indicando VIII milhas que é a distância daqui a Sobral da Adiça; blocos de mármore reaproveitados no monte talvez provenientes da villa romana; mutatio?; daqui segue recto pela EM1049 até ao Monte de Belmeque (m.p. VII; árula a Mercúrio hoje no MNA e «umas pedras com letras», possíveis miliários, no sítio romano do «Poço das Sapateiras», possível mutatio; Lima, 1988:81), onde inflecte para sudeste pela EM1050 por Monte Novo de Belmeque (m.p. V), cruzando pouco depois a linha divisória entre os concelhos de Serpa e Moura (nó viário onde conflui também a via proveniente de Serpa). Daqui continua pelo Monte da Lavada rumo à «Portela do Álamo», descendo depois pelo Monte do Álamo até ao sítio romano do Gargalão, actualmente um «Parque de Merendas», situado 3 km a norte da povoação do Sobral da Adiça (vide descrição no Itinerário XXI). Itinerário de Arucci a Sevilha (HISPALIS) - XC m.p. Esta via continuava também para território Espanhol rumo a Sevilha, mantendo a directriz que trazia no nó viário de Belmeque, seguindo em direcção à travessia deo Chança/ Chanza em Rosal de La Fronteira, continuando depois por Aroche, Cortegana («Camino de los Molinos»), Almonaster la Real (continua por Calabazares e La Corte e depois sensivelmente paralela à N-435), Santa Eulalia (Vama?) (a ermida reutiliza um edifício romano com o podium e partes das paredes ainda visíveis; segue para a travessia do rio Odiel na Puente Vieja junto do Embalse de Odiel- Perejil, da qual restam alguns vestígios, seguindo depois próximo do topónimo viário Ventas de Arriba), Campofrío, La Granada de Río-Tinto, Peroamigo, Arroyo de la Plata, El Cañuelo e El Garrobo até entroncar via Mérida - Sevilha próximo de Las Pajanosas, a cerca de 16 milhas de Sevilha. Esta via passa a norte da importante exploração mineira de Rio-Tinto e presumível localização de Urium, assentamento referido por Ptolemeu. |
![]() ![]() |
Rede viária em torno de Moura Os vestígios encontrados em Moura indiciam a existência de um aglomerado urbano secundário com relevância regional, articulando uma rede viária com ligações a norte a Évora e Monsaraz e para sul, a Beja, Serpa e Mértola; o seu antigo nome poderia ser LACALTA com base em 4 selos de dolia do período alto-medieval, 2 encontrados junto do castelo e outros 2 provenientes da Herdade de S. Cristóvão, cerca de 1 km a sul da vila, contendo a seguinte inscrição: «Eclesiae Sanctae Mariae Lacaltensis Agripi» (Canto, 1997). Um selo idêntico foi encontrado noutro dolium a cerca de 10 km, no Monte da Salsa (Brinches), também do mesmo produtor presumivelmente sediado em Moura (Wolfram, 2011). O Museu Municipal de Moura (actualmente encerrado!) guarda o importante espólio romano recolhido por Fragoso Lima em meados do século XX, incluindo o miliário de Corte do Alho e a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. As duas necrópoles romanas do povoado, Bairro das Sete Casas e S. Sebastião, poderão indicar as saídas das respectivas vias. Os itinerários propostos tentam uma leitura actualizada da obra de Fragoso Lima, com apontamentos de M. C. Lopes (Fragoso de Lima, 1951, 1981, 1988; M. C. Lopes, 2000). Trata-se de uma rede secundária que interligava o vicus aos grandes eixo viários Beja - Serpa - Mérida e Évora - Serpa - Huelva. O miliário descoberto a delimitar o Monte da Chilra poderia assinalar uma via de Moura a Serpa passando por Pias, importante nó viário onde cruzava com a via W-E proveniente da travessia do rio Guadiana em Pedrogão. Outra rumava a Mérida seguindo pela Herdade dos Machados e pelos nós viários de Belmeque e Messangil. Uma outra parece desenvolver-se para sudeste passando em Montes Juntos e Monte da Coroada, rumo aos diversos povoados da Idade do Ferro romanizados situados nos limites do concelho, como o Castelo Velho de Safara, Castelo do Murtigão e Castelo do Safarejinho/Castelo das Guerras, este último com vestígios de sigillata itálica do século I. Finalmente, para norte, deveriam existir ligações para Évora cruzando o Guadiana (act. 2019). De Moura a Évora por Alqueva Seguia para norte pela chamada «Ponte Romana» sobre o rio Brenhas, seguindo depois a «calçada de Forca» que margina os sítios romanos da Qta. de S. Lourenço, Qta. da Pardouqueira e Qta. da Esperança, rumo à travessia do rio Ardila no «Porto de Mourão»; a partir daqui o percurso é incerto, podendo seguir até ao «Porto de Évora» no Guadiana, passando próximo do Castro dos Ratinhos (Lima, 1951:190-191), continuando talvez por Alqueva e Portel até Évora (?). De Moura a Évora por Marmelar Em alternativa a via seguia pela calçada de Mata Sete (junto da Horta dos Botas), seguindo depois pelo Monte do Ameixial e «Estrada da Barca», rumo à travessia do rio Guadiana junto do Moinho da Barca/Cais do Fragal, imediatamente a jusante da foz do rio Ardila. Daqui poderia rumar a norte rumo Évora passando no vicus de Marmelar. De Moura a Beja Segundo Fragoso Lima a via saía de Moura pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas e pela chamada calçada da Ladeirinha Branca rumo a Pisões, onde há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com possível origem romana (Lima, 1951); daqui atravessava os olivais de Bogas de Ouro e Farelos, continuando por Pisanto e Brinches rumo à travessia do rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão (povoado da Idade do Ferro), Baleizão (grande povoado fortificado da Idade do Ferro no Cerro Furado; no Monte do Torrejão apareceu uma curiosa inscrição funerária da filha de Blossius Saturninus, habitante de Balsa, membro da tribo Arniense e natural da Colónia Iulia Neapolis, cidade situada na actual Tunísia junto à moderna cidade de Nebel Kedin, CIL II 105; IRCP 294; na Herdade do Passo do Conde, apareceu a cupa funerária de Verus; FE 686), cruza a ribeira da Cardeira em Porto Peles (vestígios de ponte antiga, talvez romana) seguindo junto da Qta. da Mongeralda em Ns. das Neves rumo a Beja. De Moura a Serpa Partindo de Moura, a via rumava a sudoeste seguindo aproximadamente a EN255 por S. Lourenço, desviando depois pelo Monte das Sesmarias, Monte Panasco, Monte da Torre (villa), onde cruzava o Barranco das Amoreiras, Monte Barroso (calçada), Monte da Torre e Atalaia Gorda (passando próximo villa da Casa dos Campinos), Pias, seguia talvez pelo Alto das Barreira Brancas e Monte Velho dos Canivetes, cruza a ribeira de Enxoé e seguia próximo do miliário do Monte da Chilra (servindo de limite com a herdade do Monte dos Alpendres de Lagares; actualmente está numa casa particular em Serpa), continuando depois pelas proximidades das villae de Espicharrabo, Monte da Capela e Torre Velha, continuando depois pela «Canada Velha» (400m em calçada) rumo a Serpa De Moura a Belmeque Possível via romana partindo de Moura para sul rumo à estação viária de Messangil. Inicialmente segue a EN255 desviando depois à esquerda pela calçada de S. Lourenço, marginando o fundus da villa da Herdade da Tapada (ara funerária), continuando em calçada pela Herdade dos Machados até ao Monte de Belmeque, onde entronca na via de Pedrogão a Sobral da Adiça ou seguia para sul até ao nó viário de Messangil. De Moura a Sobral da Adiça A via saía do povoação pela rua de Arouche e seguia entre as ribeiras de Brenhas e de Toutalga com vestígios de calçada na Qta. de Santa Justa, «Encosta do Brenhas», «Calçadinha» e Coutada, continuando por Montalvo, Atalaia da Casinha, Montes Juntos (estela e cupa funerária), continuando pela Horta dos Borrazeiros (villa e respectiva necrópole) até ao Monte da Coroada, onde cruza com a via entre Sobral da Adiça e Badajoz, continuando depois rumo a Safara (?). |
| Viae ab EBORA |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA) m.p. XLVI A via romana ligando Évora à capital do conventus pelo caminho mais curto, cerca de 45 milhas, é atestada pelos imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente pelo menos 16 miliários na sua maioria anepígrafos (seriam pintados?), assim como alguns troços da via. Foi Mário Saa que chamou a atenção para os muitos miliários que existiam ao longo desta via conhecida então como «Estrada dos Diabos», mas entretanto quase todos levaram sumisso com a excepção do miliário da Camoeira que foi levado para Évora. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. Subsistem algumas dúvidas no traçado, em particular as variantes por Alvito e Cuba (vide Saa 1963: 238-240; Sillières, 1984; Encarnação, 184:724; Lopes, 2000; Bilou, 2000a; Feio, 2010; Mantas, 2012c). Évora (EBORA) (na Qta. da Manizola está um miliário de Maximiano deslocado desta via; partindo da Porta do Raimundo em Évora, seguia pela Horta do Bispo, onde existia um troço de calçada (Pereira, 1948, p. 303), continuando pelo Bairro da Ns. do Carmo rumo à travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova, onde há vestígios de lajeado no vau da ribeira, continuando depois pela Herdade da Casinha) Monte das Flores (m.p. IV; a via segue a margem direita do rio Xarrama) Fontalva (m.p. VII; 4 fragmentos de miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao monte; o miliário de Fontalva 2 permanece erecto in situ; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos; a via continua paralela ao Xarrama) Monte do Seixo (m.p. VIII; Mário Saa refere um miliário na «Fonte do Seixo») Porto da Magalhoa (m.p. IX; referência a um miliário; Mário Saa refere 3 miliários entre o Monte da Magalhoa e o Monte da Zambujeira, um deles conhecido por «Marca do Diabo») Torre/Solar da Camoeira (m.p. XI; provável mutatio de onde provém o miliário de Maximino I e ao seu filho Máximo, IRCP 664a, indicando a milha XI, entretanto transferido para a entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora; segundo Saa apareceu «no leito do Xarrama, a cerca de 800 m a montante da desaparecida ponte do Porto da Calçadinha», junto com outros fragmentos que serviam de poldras no chamado «Porto da Camoeira») Travessia do rio Xarrama (segue 200m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300m; continuando pela extrema que divide as Herdades da Falcoeira e da Ovelheira por 1500 m, junto do marco geodésico de Aguilhão) Ponte Romana da Horta do Vinagre sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão (m.p. XIII; fuste de miliário anepígrafo na margem esquerda com a respectiva base no leito do rio) Herdade da Ovelheira (m.p. XIV; fragmento de miliário semi-enterrado, talvez in situ; a via passava assim a poente da aldeia de Aguiar, onde existia um miliário deslocado a servir de assento no Largo 1º de Maio, actualmente numa casa particular) Monte Lindim/Landim (m.p. XV; parte inferior de um miliário e vestígios da calçada na base do povoado pré-romano do 'Cabeço de Aguiar'; a via cruza a ribeira de Alpraçá) Monte de Samarra (m.p. XVII; continua por Monte Ruivo) Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (m.p. XIX; vicus e provável mutatio junto do Santuário de Ns. de Aires e respectiva necrópole no Monte das Paredes, com várias inscrições funerárias; junto do santuário apareceram duas aras actualmente inseridas nas colunas do adro da igreja, uma epígrafe honorífica num pedestal com a inscrição BONO / REIP(ublicae) / NATO, IRCP 413, e dois miliários: miliário de Crispo, IRCP 672, indicando 19 milhas a Évora e o miliário onde apenas se lê o numeral XVII, presumivelmente 17 milhas, IRCP 680; daqui a via seguia junto do Monte das Paredes e Monte das Hortas Velhas, Monte do Cavalete e pela chamada «Mata do Serrado»/Sarnado) Água de Peixe (m.p. XXIII; possível miliário reutilizado no terreiro do monte; mina de ferro; continua pelo CM1004; Mário Saa refere restos de calçada; sai à direita e segue junto da Capela da Sra. da Graça) Ponte Romana de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (m.p. XXVI; grande ponte romana sobre a ribeira de Odivelas sucessivamente reconstruída da qual restam apenas três dos pilares originais; estela reutilizada no quinto pegão norte, do lado montante) Vila Ruiva (m.p. XXVII; possível fuste de miliário; barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa; a via seguiria pela Fonte da Salgueira e Monte da Delicada, passando depois a poente da villa do Monte da Panasqueira) Monte da Palheta (m.p. XXX; atravessa a ribeira de Mac Abraão junto do «Moinho da Donica» e segue junto das casas do monte e do marco geodésico da Parreira) Monte dos Assentes (m.p. XXXIII; cruza o Barranco dos Assentes e segue pelo Monte Branco) Faro do Alentejo (m.p. XXXV; continua pelo Monte das Pias, passando a 2 km a nordeste do vicus de Ladeiras até ao nó viário junto do Poço das Juntas, onde cruza a ribeira de Odearce e inflecte para a sul) São Brissos (toda a área está hoje muito alterada pela actividade agrícola e construção do aeroporto de Beja, mas segundo proposta de Mário Saa, a via seguia pelo Alto de Atouguia, continuava pelo Monte de Sta. Luzia, marginando a villa do Monte do Meio, passando assim 1,2 km a sudoeste do acampamento militar romano de Mata-Bodes que controlaria o acesso a Beja por esta via romana, continuando depois pelo Monte do Pombalinho, Qta. da Saúde, Moinhos da Saúde até desembocar na Ermida de St. André, onde existia uma gafaria medieval, entrando na cidade de Beja pela antiga «Corredoira»/«Corredoura»; Castro, 1767; Saa, 1964, IV, 261-265) Beja (PAX IULIA) (m.p. XLVI; entrava na cidade pela Porta Romana de Évora com o seu arco e restos de calçada, actual rua D. Dinis, rumo ao forum da cidade situado na área da actual Praça da República) Variantes deste Itinerário:
|
Évora
Alvalade ![]() |
Évora (EBORA) - Torrão - Alvalade (Sarapia?) - Faro (OSSONOBA) A via romana entre Évora e Alvalade passando pelo Torrão integra um grande itinerário que partindo de Évora se dirigia para o Algarve passando por Garvão e Castro da Cola. Esta via marginava a importante villa romana de Ns. de Tourega e cruzava a povoação de Alcáçovas. Évora (EBORA) (inicialmente a via seguia o mesmo traçado da Via Ebora - Salacia até ao Monte de Tabuleiros de Baixo, derivando aqui rumo a Alcáçovas, passando junto do povoado proto-histórico do Monte da Ponte/Fonte, a 13 milhas de Évora) Ponte Romana?-Medieval de Alcalaínha/dos Ruivos sobre a ribeira das Alcáçovas (m.p. XIV; junto da confluência das ribeiras de S. Brissos e Peramanca; a partir daqui o traçado da via é pouco claro, mas daqui deveria dirigir-se ao Monte da Morgada talvez pela divisória concelhia, passando assim a noroeste da villa? do Monte dos Vilares, continua por Vale dos Açougues de Baixo, Terrinha e Chão e Ares, entrando em Alcáçovas pelo caminho que margina a Ermida de S. Geraldo) Alcáçovas (m.p. XX; cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no acervo do MNA) Torrão (m.p. XXIX; continua por alturas de Médico, Carrascais e Corte da Venda, rumo à travessia da ribeira de Odivelas junto da Herdade do Pinheiro/Porto Carvalhoso e segue pelo estradão que divide os distritos de Setúbal e Beja, passando junto dos sítios romanos de «Altura dos Pintos» e «Outeiro da Mina», onde há necrópole de uma provável villa) Santa Margarida do Sado (vestígios romanos em torno da Capela de Santa Margarida do Sado, incluindo duas cupas funerárias e um pedestal, indiciam a existência de uma villa ou mutatio associada à travessia do rio Sado neste local , ligando à via de Alcácer do Sal a Faro; no entanto, a via para Alvalade continua a nascente da povoação pelo Alto de Penedrão e Alto da Atalaia, cruza a ribeira da Figueira em Porto de Mouros e segue por Carregueira do Mato para cruzar a ribeira do Roxo na Herdade Grande, a nascente da Aldeia de Ermidas e da villa do Monte do Roxo) Alvalade (m.p. XXX; provável vicus viário na área do cemitério; a via conflui aqui no Itinerário XXI onde se descreve o percurso até Faro) |
![]() |
Évora a Vila Viçosa por S. Miguel de Machede e Bencatel Vários indícios apontam para a existência de uma via ligando Évora às pedreiras de mármore de Bencatel e Vila Viçosa. A via seguia por S. Miguel de Machede onde apareceram dois miliários. Saindo de Évora pela Porta de Machede, a via seguia talvez pelo bairro das Nogueiras para cruzar o rio Xarrama junto da Qta. do Sande, continua pela Qta. da Retorta, cruza o rio Degebe no lajeado junto da Qta. Velha e continua pelo Monte da Fonte Boa do Degebe, sítio romano da Quinta do Morgadinho, marco geodésico da Galvoeira/Pedras Brancas rumo à travessia da ribeira de Machede, dirigindo-se depois pelo Monte da Amendoeira rumo ao Monte da Barrosinha, onde André Carneiro e Francisco Bilou viram um miliário anepígrafo, no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), passando entre duas importantes villae, Courelas da Toura a norte e Herdade da Morgada a sul, onde apareceu uma placa funerária (FE 120) (vide Bilou, 2000a). S. Miguel de Machede (m.p. XII; segue a norte da povoação pelo Monte do Almo e da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo que assinalaria a milha 12) Travessia da ribeira da Pardiela (continua por Foros do Queimado, Monte dos Frades e Monte da Laje, entroncando pouco depois na EN254, cruza a ribeira do Freixo e segue junto do Monte do Zambujal e do antigo albergue da «Venda do Redondo») Redondo (milha 18 ao Km 27 da EN254, onde toma o estradão de terra à esquerda que segue para o fortim romano do Monte do Almo, provável posto de controlo da via junto da travessia da ribeira de S. Bento, seguindo portanto a noroeste de Redondo; o trajecto continua pelos montes do Hospital, da Fonte da Cal, da Amendoeira e de Rial, cruza a EN381 e segue para Horta da Velhinha até entroncar novamente na EN254 ao km13, seguindo por esta até ao Alto das Cabeças, onde volta a derivar para cruzar a ribeira de Lucefecit em Galvões, seguindo depois junto da extinta Ermida de Santa Ana e do Monte da Galharda) Bencatel (m.p. XXXI; vicus no sítio de «Vilares» na Herdade da Galharda associado à extracção de mármore com pedreiras em Monte do Regoto, Monte da Lagoa, Monte d'El-Rei e Herdade da Vigária; junto do vicus apareceu uma inscrição dedicada a Fontano e Fontana na Fonte Terrenha situada no sítio da «Aldeia das Freiras», actual Azenha das Freiras; a via cruzava uma outra vinda de Estremoz para Alandroal rumo ao Guadiana) Vila Viçosa (m.p. XXXV; miliário de Constantino Magno achado nas redondezas, mas em sítio impreciso, IRCP 676, hoje no Museu Arqueológico local que guarda também o miliário do Monte de Alcobaça; três inscrições dedicadas a Proserpina na Ermida de Santiago, Largo dos Capuchos, onde deveria existir um santuário, pode indiciar a continuação da via pela actual rua da Carreira até S. Romão de Ciladas, onde entronca na via que corria entre Terrugem e Juromenha)
Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou u pouco a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (de cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota) até ao Alandroal. |
![]() |
Évora (Ebora) a Monsaraz (vide Carneiro, 2008) Existem dois possíveis trajectos rumo a Monsaraz:
|
| Viae ab MIROBRIGA |
|
Santiago do Cacém (Mirobriga?) A importante cidade romana situada nos Chãos Salgados, junto a Santiago do Cacém é uma das melhores conservadas em Portugal, permitindo ainda hoje vislumbrar um pouco da sua vivência na época romana; localizada sensivelmente a meio da rota marítima entre o Promontorium Sacrum (Cabo de S. Vicente) a sul e Salacia a norte, tirava partido desta sua posição estratégica para articular e controlar o comércio entre o interior Alentejano e o resto do Império; excelente museu; dentro do núcleo urbano há uma pequena Ponte Romana. Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (Mirobriga?) Provável ligação entre as duas cidades, atravessando o rio Sado em Alcácer do Sal e seguindo aproximadamente a rota da EN120 por Grândola (provável mansio na villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; a via continua pela EN120 (?) marginando a Barragem Romana do Pego da Moura ao km 26, continuando por Santa Margarida da Serra e Cruz de João Mendes, onde há diversos topónimos viários como «Vendinha», «Outeiro da Estrada», e Roncão, passando depois próximo do povoado da Idade do Ferro no Alto da Pedra da Atalaia. Santiago do Cacém (Mirobriga?) - SINES (Sinus?) Provável ligação a Sines, antigo vicus portuário associado a Mirobriga, dado que aqui foram recuperadas do mar duas âncoras romanas e várias cetárias, além de um forno para produção de ânforas no Lg. João de Deus junto ao Castelo; este porto viria a ser progressivamente desactivado com a construção no século II do porto da Ilha do Pessegueiro, onde ainda são bem visíveis vestígios da produção industrial do garum, em particular as cetárias para salga de peixe; o espólio recolhido em torno do castelo está no Museu de Sines, incluindo o pedestal de uma estátua a Marte Augusto, FE 230, e uma ara funerária, FE 231. Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Alvalade - Beja (PAX IULIA) Ligação entre estas importantes cidades passando por Alvalade ( vide «A ocupação romana em torno de Avalade» por Jorge Feio). Partindo de Santiago do Cacém, acompanhava a linha férrea por S. Bartolomeu da Serra e a sul de Abela (junto da Ermida de S. Brissos e da villa da Qta. da Corona, onde apareceu inscrição), percorria o Alto da Cruz do Carraqueiro e Alto de Cangalhas, continuando pelo Vale de Santiago e junto da villa da Ameira/Monte Brejo rumo à Ponte Medieval sobre da Ribeira de Campilhas (antiga ponte reconstruída no século XVI com possível origem romana) entrando de seguida em Alvalade (vicus viário na área do actual cemitério, cruzando aqui com a vias N-S para o Algarve; a travessia do rio Sado seria em «Porto Beja»), seguindo depois para sudeste, marginando a villa da Herdade de Conqueiros (3 inscrições funerárias na respectiva na necrópole em Figueira-de-Ametade, a 200m da villa, uma delas com o epitáfio de Brocina, IRCP 153), e seguia por Vale do Zebro, Monte Branco, S. João de Negrilhos (?), Ervidel (?) e próximo da villa de Santa Vitória, passando junto das magníficas ruinas da villa de Pisões, na Herdade de Algramaça e da villa das Reprezas rumo Pax Iulia (?). Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Messejana - Castro Verde - Mértola (MYRTILIS) Itinerário de Mirobriga a Myrtilis seguindo inicialmente o mesmo traçado da via para Beja até ao nó viário de Alvalade, continuando depois por Messejana, Castro Verde e Sta. Bárbara de Padrões até Mértola. Alvalade (cruza o rio Sado em «Porto Beja» e continua pelo Monte Velho da Daroeira, Alto de Terras Frias, Cerro do Chaparral e Monte do Sargaçal e Alto da Sra. da Assunção, marginando as villae de Rosário e da Herdade do Álamo do Meio onde apareceu o epitáfio de Meducenus) Messejana (castellum ou villa fortificada, possível mutatio, localizada no outeiro sobranceiro à povoação; epitáfio de Laberia Coimia na Barrada, outra no Monte do Reguengo; continua a poente da povoação por Aguentina do Campo, Monte da Estrada, cruza a EN263 no Alto do Laboreiro e segue próximo do Monte de Belmonte e Monte da Meia Légua) Alcarias, Conceição (mutatio?; continua próximo do sítio romano do Poço dos Tanques por Monte Gouveia e Monte Louisinha para cruzar a ribeira dos Aivados e a linha férrea junto do Monte da Ribeira; na Horta do Vale apareceu o epitáfio de Atellius Clemens, FE 559) Casével (epitáfio de Sagaius no Monte da Almoleias; epitáfio de Mitulus no Monte das Ramas; epitáfio de Iulia Materna na Herdade do Bispo; continua pelo do Monte Gregórios, passando a norte da Fonte de Milagre de S. Miguel que reutiliza materiais romanos, margina a villa de Almeirim e segue rumo a Castro Verde passando próximo do povoado de Borrinhachos) Castro Verde (cruza a povoação talvez pela rua da Liberdade e rua de Mértola, saindo depois pelo caminho que passa na Fonte das Bicas e na Capela de S. Sebastião rumo a Geraldos, onde cruza a ribeira de Maria Delgada, continua pelo Monte do Outeiro Novo passando nas proximidades da Capela de S. Pedro das Cabeças que assenta sobre um santuário romano, cruza a ribeira de Cobres junto do Monte Roxo, onde há necrópole, e segue pelo Monte das Cabeças, junto do castellum dos Namorados e Cruz do Castro) Sta. Bárbara de Padrões (possivelmente um vicus apesar da ausência de epígrafes, onde apareceu um extraordinário depósito de lucernas votivas; a via poderia continuar para Mértola por Sete, Espragosa, villa da Herdade de Santa Maria, S. João dos Caldeireiros, Ledo e Namorados) Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Sagres/ Lagos (Laccobriga?) Provável via romana entre Santiago do Cacém e Lagos servindo os diversos complexos portuários espalhados ao longo da costa Alentejana, nomeadamente os de Sines, Ilha do Pessegueiro e Milfontes; a via segue aproximadamente a rota da EN120 pelo seguinte itinerário: De Santiago do Cacém segue por Muda, Cercal (pela EN120 até à «Calçadinha do Raco», onde sai da EN120 por Catifarras, passando a nascente da necrópole da Herdade do Raco), Odemira (cruza a ribeira de Despada, segue por Vale da Pedra e passa a nascente de S. Luís por Garatuja rumo à travessia do rio Mira, continua sob a EN120, saindo ao km 113 à direita rumo ao Moinho da Vagarosa, onde cruza a EM502-1), S. Teotónio (continua a poente da povoação; necrópole e sigillata na Ermida de S. Miguel), Odeceixe (cruza a ribeira de Seixe a nascente da povoação e segue pela calçada de Porto da Torre e depois continua sob a EM1002, marginando o vicus mineiro do Vidigal), Aljezur (cruza a ribeira homónima e ascende ao morro do Castelo até Portela Alta, continuando depois paralela à 1003-1 até ao Alto das Barreiras Vermelhas, onde toma o estradão por Craveira, Encruzilhada, Malhões, Palmeirinha até Chabouco (ver abaixo ramal para Lagos); continuava por Monte Novo e Carrapateira, seguindo depois paralela à EN268 pelo Alto do Monte Queimado, Alto de Monteiros e Alto da Pena Furada até Vila do Bispo, podendo daqui ligar a Sagres.
|
| ITER XXII - Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI |
![]() |
ITINERARIO XXII - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA) m.p. LXXVI
Item ab BAESURIS
per compendium PACE IULIA MYRTILIS PACE IULIA m.p. LXXVI m.p. XL m.p. XXXVI Neste contexto importa referir também o Itinerário XXIII de Antonino intitulado «Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque» que partindo também de foz do rio Guadiana se dirigia a Mérida. Mais uma vez. não se trata de uma via contínua, mas um agrupamento de vários troços. O primeiro ligava o Guadiana a Huelva (Onuba). Ao contrário do que se tem afirmado, esta via não seguia junto da costa, mas bem mais para o interior com estações intermédias em Praesidio e Ad Rubras, ambas sem localização segura. Depois seguia pela via de Onuba a Hispalis (Sevilha) passando em Illipla (Niebla), mais 20 milhas, e Tucci (Tejada la Nueva), mais 22 milhas, entrando em Sevilha depois de cruzar o Guadalquivir pela Ponte das Barcas de Triana. O Itinerário porém não chega a entrar em Sevilha pois dirige-se primeiro a Italica, a 18 milhas de Tucci, importante cidade romana a norte de Sevilha, onde inflecte para norte rumo a Mérida (act. 2019). Foz do Guadiana (BAESURIS) a Mértola (MYRTILIS) m.p. XL Guerreiros do Rio (fortim) Montinho das Laranjeiras (villa sobranceira ao rio; visitável) Vale de Condes (necrópole junto ao rio; villa ou vicus) Alcoutim (m.p. XX; o castelo assenta num povoado fortificado romanizado; possível localização de Praesidio, mansio indicada no Itinerário 23; ou em alternativa na outra margem, em Sanlúcar del Guadiana; Bendala, 1987) Mértola (MYRTILIS) (oppidum; porto fluvial; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como atesta o epitáfio de Peregrinus, originário de Útica, hoje Zana na Tunísia. Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA) m.p. XXXVI Mértola (a via partiria do Rossio do Carmo, junto do Museu da Basílica Paleocristã, onde se observaram vestígios de calçada e uma necrópole, e seguia pelo Cerro do Furadouro sob a EN122, desviando desta pela EN510 para Corte Gafo de Cima, passando no Monte de Vale Covo, antiga albergaria da estrada real mencionada no «Roteiro Terrestre» situada a 4 milhas de Mértola) Corte Gafo de Cima (cruza a aldeia e segue por Atalaia e Alto da Légua) Monte do Mosteiro (povoado romano e provável mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Terges; continua pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio) Vale de Russins/Rocins (continua talvez pelo Monte de Vale Loução de Baixo, Monte da Atalaia por estradão rectilíneo até ao Monte da Lagoa) Salvada (entra pelo cemitério e continua pela rota da EM511, passando próximo do Monte de Mértola) Beja (PAX IULIA) (chegava à cidade pelo Tanque dos Cavalos/Bairro de S. João, marginando a villa da Abóboda e entrava na antiga malha urbana pela Porta de Mértola, demolida em 1876 e posteriormente transladada para a Igreja da Ns. da Conceição onde ainda se encontra) |
| Viae ab MYRTILIS |
![]() ![]() |
Itinerários de Mértola (MYRTILIS) a Serpa (SERPA) e Sobral de Adiça (Arucci?) O conhecimento actual sobre a viação romana no território da civitas Myrtilensis é ainda muito limitado dada a escassez de vestígios viários, nomeadamente a ausência de miliários. Numa rede que privilegia antes de mais as ligações de grandes exploração mineiras romanas aos portos e principais centros urbanos; nesta rede o rio Guadiana funcionava como o grande canal de circulação do comércio com o Mediterrâneo. Em Mértola deveria existir uma Ponte Romana sobre o Guadiana que o Padre João Baptista de Castro refere no seu «Roteiro Terrestre» como já estando inutilizável pois tinhas apenas «seis arcos grandes e 4 pequenos, pois os outros lançaram abaixo os Árabes, e por isso a tal ponte não tem serventia» (Castro, 1767:21); actualmente o que resta da ponte é a chamada «Torre do Rio», embora o que lá existe já é uma reconstrução posterior apesar de reutilizar materiais romanos. Cruzada a ponte a via dirigia-se à Mina de São Domingos, bifurcando aqui rumo a Serpa e a Sobral da Adiça, podendo também cruzar o rio Chança rumo à Bética. De Mértola (MYRTILIS) às Minas de São Domingos m.p. XI Estrada romana que ligava o Porto de Mértola às minas S. Domingos, permitindo o escoamento de minério. Actualmente a via é visível na margem esquerda do rio, partindo de Além-rio (junto dos celeiros da EPAC) para nascente por um troço calcetado que segue por 2,2 km até Casa Branca, designado por «Estrada Velha», passando junto do povoado pré-histórico do Cerro do Calcolítico e do topónimo viário Carrasqueira, continua sob a EN265, reaparecendo adiante da antiga Casa dos Cantoneiros, ao Km 65, continuando paralela à estrada actual em calçada rumo ao Complexo Mineiro de São Domingos (muitos vestígios de mineração e de um povoado mineiro). Das Minas de São Domingos a Sobral de Adiça (Arucci?) m.p. XXXIII A partir de São Domingos a via prosseguia pelo «Serro do Tesouro» até Corte do Pinto, marginando o sítio romano de S. Simão, onde deveria bifurcar a via para Serpa, enquanto esta via seguia sempre paralela ao rio Chança percorrendo 25 milhas até Messangil, e daí a Moura mais seguia por mais 13 milhas, perfazendo um total de 37 milhas; junto do Posto Fiscal de Vale Covo poderia existir uma mutatio dado que esta local está exactamente a meio percurso entre São Domingos e Messangil, ou seja a 12,5 milhas de ambos. Este trajecto teria de cruzar necessariamente com a Via de Serpa a Paymogo possivelmente junto do Monte de São Marcos, onde também poderia existir uma mutatio. A partir de Corte do Pinto, a via segue o EM1096 por Alto de Santa Luzia (de onde partiria uma ramal de acesso à mina romana da Volta Falsa, cruzando o rio Chança junto do Serro do Marco), cruza o Barranco dos Alcaides e segue por Monte do Corte de Azinha (passando junto do sítio romano do Monte do Convento, onde existiu uma capela datada dos séculos VI-VII, na divisória com o Concelho de Serpa), continuando por Alto das Zorras, Monte de S. Marcos, Alto do Pêgo, Alto de Casares, Vale Covo e Alto da Vigia, onde entronca na EN392, continuando por Carepetal (topónimo Barranco da Légua), Cruzeiro do Alto da Boa Vista até à Aldeia Nova de São Bento (villa) que cruza tomando depois o CM1052 que passa a nascente do Monte de Valverde, seguindo rumo à «Fonte de São Miguel Finis», onde existiria uma mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Enxoé. Messangil, Vale de Vargo (provável mutatio junto da Fonte de São Miguel Finis). Das Minas de São Domingos a Serpa (SERPA) Inicialmente a via seria comum à anterior até Corte do Pinto desviando aqui por Monte do Filipe Anastácio, Alto do Posteiro Formoso, Monte do Augusto Guerreiro, Monte do Isidro da Palma, Monte do João Nicolau e Monte do Custódio Heleno, pela estrada que hoje divide os concelhos de Mértola e Serpa, continuando depois por Monte da Sobreira Formosa e Vales Mortos até ao Alto das Fontainhas, onde deveria reunir com a via transversal de Serpa a Paymogo seguindo por esta até Serpa. |
|
Itinerários de Mértola (MYRTILIS) ao Algarve Itinerário Mértola (MYRTILIS) a (BALSA): provável itinerário romano que partia do Porto de Mértola e seguia aproximadamente a estrada actual EN122 até Álamo, onde bifurcava a via para Alcoutim, continuando por S. Bartolomeu de Via Glória e pelo povoado romano junto da Ermida de S. Bartolomeu rumo à travessia da ribeira do Vascão junto do povoado islâmico do Castelo das Relíquias, topónimo «Moinho da Estrada», continua talvez nas proximidades de Giões, Santa Justa, cruza a ribeira de Foupana junto das minas do Monte das Ferrarias em Vaqueiros (casal), continua por Taipas, Cabeça Gorda e Água de Fusos, seguindo depois a rota da EN397 até S. Domingos de Asseca onde cruzava o rio Séqua/Gilão rumo a Balsa (Luz de Tavira). Itinerário Mértola (MYRTILIS) a Faro (OSSONOBA): derivando da anterior poderia existir uma outra via mais a oeste seguindo pela chamada «Estradinha da Corcha» que passa no Cerro da Má Noite, localizado nas proximidades do Castelo do Manuel Galo (Maia, 1986), continuando por Corcha rumo à travessia da ribeira do Vascão junto do Monte do Barranco, seguindo depois por Pessegueiro; o resto do itinerário está descrito no sentido inverso na via Faro - Mealha - Beja. |
| Outras Vias do Algarve |
![]() ![]() |
VIA LITORAL de Faro (OSSONOBA) - Portimão - Alvor (IPSES) (m.p. XLII) É muito provável a existência de uma via ao longo do litoral algarvio ligando Ossonoba a Ipses, ou Ipsa, localizada no Alvor. A via seguiria assim por um percurso sensivelmente paralelo à actual EN125 por onde a passagem é mais facilitada (vide Rodrigues, 2004). Esta via não é mais do que a continuação do Itinerário XXI no troço entre Baesuri e Ossonoba. Desta via partiriam diversos ramais de ligação às villae e respectivos complexos industriais de preparação de garum instalados ao longo da linha de costa Algarvia como evidenciam os sítios romanos de Salgados, Ludo, Porto das Vacas e Casas Velhas, o complexo industrial da Qta. do Lago, do qual restam as cetárias junto da foz da ribeira de S. Lourenço, o importante sítio de Loulé Velho na Praia do Trafal, do qual pouca resta devido à erosão da costa pela acção do mar, tal como o complexo industrial da Quarteira, hoje submerso a 8m de profundidade. Faro (OSSONOBA) (na parte inicial seguia a mesma rota do Itinerário XXI até ao nó viário de Almansil) Almansil (m.p. VIII; continua a sul de Pereiras, cruza a EM527 e a EN396 e segue por Cascalheira e Bacelada, continuando a norte de Vilamoura pelo caminho paralelo à EN125 que apesar de cortado em vários pontos ainda mantém destacado na paisagem passando nas traseiras da zona industrial, junto do depósito de água de Vilamoura e ao lado do Colégio Internacional até confluir na EM526 rumo à travessia da ribeira da Quarteira na Retorta)
Cerros Altos/Poço do Barnabé (sítio romano situado a sul da Mosqueira, possível villa agrária e mutatio dado estar a 20 milhas de Faro; aqui apareceu a ara de Silvanus que está hoje no Museu de Albufeira, e que poderá corresponder à «Estalagem da Nora» referida no «Roteiro Terrestre») Ferreiras (vestígios em Tomilhal e Ataboeira, indiciam a passagem a via a sul a EN125; depois de cruzar a ribeira de Albufeira, continua pelo Caminho do Tomilhal, Ataboeira, Álamos e Tavagueira, actual «rua do Fumeiro») Guia (m.p. XXV; peso de lagar na Qta. do Coelho; continua paralela e a sul da EN125, passando junto do parque aquático onde vencia a m.p. XXVI) Pêra (possível ramal de acesso ao vicus? portuário de Armação de Pêra) Ponte de Alcantarilha (m.p. XXVIII; continua talvez pelo caminho rural a sul da EN125 pelos sítios da Torre e Areias de Porches) Porches (m.p. XXXI; entra pela rua da Chaminé, passa na Igreja e continua talvez a sul da EN125 por Cabeços, confluindo na EN125 pouco antes de Lagoa, junto das alminhas) Lagoa (m.p. XXXIV; notícia do aparecimento em 2017 de um «empedrado» junto da «Nobel School» e da EN125; a via cruzaria a povoação e seguia por Belmonte até Estômbar, caminho hoje cortado pela EN125) Estômbar (m.p. XXXVI; entra na povoação junto da escola e sai pela Estrada das Hortas; segundo Sandra Rodrigues a via continuava talvez junto dos topónimos viários «Corredoura» e «Passagem», este junto da Qta. de S. Pedro, chegando ao rio Arade na zona de Parchal, onde se regista o topónimo «Calçada da Barca»; em alternativa a via poderia seguir a EN125 até Mexilhoeira da Carregação, cruzando o Arade junto da Ermida de St. António?) Portimão (m.p. XXXVIII; na foz do rio Arade poderia existir uma travessia por barca, seguindo depois por Mexilhoeira Grande rumo aos portos de Alvor e Lagos; a via poderia continuar para Alvor pela EM531-1 ou seguir mais a norte marginando as importantes villae do Vale da Arrancada e da Qta. da Abicada rumo a Lagos.
|
![]() |
Outros Itinerários do Algarve Para além das vias indicadas no I.A. e da Via Litoral de Faro ao Alvor, existiam muitas outras vias na região do Algarve, nomeadamente a via de Tavira a Querença (confluindo na via principal para Alcácer do Sal descrita no Itinerário XXI) e a via para Beja por Moncarapacho, Sta. Catarina da Fonte do Bispo, Mealha, S. Pedro de Solis e Sta. Bárbara de Padrões (Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006). Tavira a Querença por São Brás de Alportel Esta variante da Via Baesuris a Ossonoba seguia mais a norte pelo Barrocal interligando uma série de povoados romanos e cruzando com as várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo; derivava da via principal após a travessia do Gilão em Tavira e seguia talvez por Vale da Asseca (villa em Paúl, onde apareceu a inscrição de Salinianus, originário de Singilia Barba, cidade localizada a noroeste de Antequera) e Marco, seguindo sob a actual EN270 até Sta. Catarina da Fonte do Bispo (marginando a villa de Paúl em Alcarias); daqui continuava por Montes e Lagares, Ponte do Arroio, Espartosa, Ponte do Bengado (referência a dois troços de calçada, um paralelo à EN270 entre o Km 46 e 47 e outro junto do Casal romano do Bengado), São Brás de Alportel (aqui conflui também uma via proveniente de Faro). Continua a nordeste da vila próximo de Alcaria, onde há necrópole, Cerro de Alportel, Juncais, Fontainha e Corte, entra no concelho de Loulé por Almarjão, seguindo o caminho pela margem esquerda da Ribeira das Mercês até confluir na EN396, continuando pelo caminho à esquerda antes da ponte, seguindo para a travessia da ribeira das Mercês na Fonte da Esparrela, subindo depois por Taliscas e Portela a Querença. Faro a S. Brás de Alportel Faro (OSSONOBA) (inicialmente seguia a estrada para Balsa, derivando desta junto da ermida de S. Luís, junto do estádio, onde inflectia para norte rumo a Estoi pela Estrada da Penha, EM519; continua por Conceição, passando próximo dos Monte da Meia Légua e de Porto Carro) Estoi (m.p. V; importante villa Milreu; daqui a via seguia inicialmente pela rua Pé da Cruz e depois pelo caminho a meia-encosta ao longo da margem esquerda do rio Seco, contornando o Cerro da Bemposta pela vertente poente, passando junto da necrópole de Cancela rumo à travessia do rio Seco em Porto Velho) Machados (m.p. X; villa em Vale do Joio; do rio Seco sobe à EN2 que percorre durante 1,4 Km, saindo depois à direita pelo caminho de terra, conhecido por «Calçadinha» rumo a Hortas e Moinhos) S. Brás de Alportel (m.p. XI; chega pela «Calçadinha» que desemboca na Igreja Matriz, continuando de encontro à via de Tavira - Querença) São Brás de Alportel a Loulé São Brás de Alportel (continua a sul da EN270 por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro (calçada), cruza a EN270 e segue por Vilarinhos, Carrascal e Capela de S. Romão (onde apareceram duas inscrições funerárias, uma com o epitáfio de Licinia e outra com o epitáfio de Caecilia Marina, originária de Ossonoba), continuando por Poço Largo, Fonte de Apra, Torre de Apra (villa; capitéis e colunas no Museu de Loulé; ara votiva de Ophime/Trophime e ara votiva aos Lares (?) de Paccius Fronto, hoje no MNA), chegando a Loulé (poderia continuar para Boliqueime por Lagoa de Momprolé, EN270) Faro a Beja por Moncarapacho e Fonte do Bispo Este itinerário parte Ossonoba rumo ao Moncarapacho e Sta. Catarina da Fonte do Bispo, seguindo inicialmente a via litoral para Balsa até Quatrim, atravessando a ribeira de Marim a jusante da Ponte Velha de Quelfes, e depois pelo "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (Louro, 1929 p.60). No entanto, existiam também ligações a partir de Balsa, uma rumando directamente a Sta. Catarina e outra seguindo inicialmente a via para Ossonoba e depois inflectindo para norte próximo do sítio da Fonte Santa, seguindo pelo lugar de Gião rumo a Moncarapacho (EM1335), onde conflui na via proveniente de Ossonoba. (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006) Faro (inicialmente seguia a via para Balsa até Quatrim, inflectindo depois para norte por Laranjeiro e Lagoão, EN398) Moncarapacho (outra possível localização da Statio Sacra referida no «Ravennatis»; vide Museu Paroquial de Moncarapacho com um importante acervo romano) Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Tronco (aqui começa o antigo caminho com vários troços de calçada intermitente com 1300 m seguindo por Poço do Concelho e pelo Vale da Serra na vertente poente do Cerro de S. Miguel) Foupana, Moncarapacho (cruza a ribeira de Arroio na Ponte da Torre) Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada em Montes e Lagares ao longo do Ribeiro do Lagar rumo a Porto Carvalhoso, onde cruza a ribeira de Alportel) Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo? (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto?) Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa? (continua por Castelão e Feiteira?) Travessia da ribeira da Foupana em Estraga Mantens? (continua por Cerro da Ginêta e Monte da Valeira) Mealha, Cachopo (continua por Alcarias Pedro Guerreiro e atravessa a ribeira da Corte junto do Monte da Estrada) Moinho do Pereirão (onde se divide em duas possíveis variantes)
Namorados (villa fortificada no Castelo dos Namorados) Travessia da ribeira de Cobres (entre Cabeças e Pereira?) Travessia da ribeira de Maria Delgada (junto do santuário romano do Alto de S. Pedro das Cabeças) Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho e cruza a ribeira de Terges junto da villa do Monte da Perdigoa; continua a poente da povoação de Entradas, passando no Monte das Fontes Bárbaras, cruza a ribeira Cinceira, Monte do Paraíso, Monte do Canal, Alto da Lapa, Alto da Malhada Nova, Alto da Lagoa, onde inflecte para o Monte da Charnequinha) Albernoa (segue a poente pelo CM1092 por Alto das Marzalonas, Alto de Linhares, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim) Santa Clara de Louredo (miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano, IRCP 669, achado na Qta. de Sta. Clara de Louredo e hoje no Museu Regional de Beja, B-125; inscrição funerária em Boavista; a via passaria junto da Herdade da Calçada, onde há vestígios da via e seguia depois recto a Beja pelo caminho de terra que cruza a linha férrea em frente do quartel do Regimento de Infantaria, junto da villa de Vale de Aguilhão, perto da qual apareceu o epitáfio de Maura, continuando depois pelo Monte Alegre, onde cruza o IP2, entrando na cidade pela chamada «Estrada da Calçada» e pelo Bairro do Alemão) Beja (PAX IULIA) Garvão ao Algarve por São Bartolomeu de Messines Outro possível itinerário entrava no Algarve por São Bartolomeu de Messines, aproveitando o extenso vale, orientado noroeste-sudeste, que divide a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, mas o percurso é ainda hipotético dada a difícil orografia das serranias que separam as regiões do Alentejo e Algarve; a partir do nó viário de São Bartolomeu de Messines, a estrada dividia-se em várias direcções rumo aos principais portos e povoados situados no barlavento algarvio, nomeadamente os portos de Vilamoura, Portimão, Alvor e Lagos. De Garvão a Messines por Santa Clara-a-Velha A via seguia talvez por Furadouro e Franciscos, local onde há vestígios de uma provável villa, continuava para sul, passando na Aldeia das Amoreiras (EN123?), S. Martinho das Amoreiras (ao km 32 da EN123 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique, Corte de Lã), Santa Clara-a-Velha (continua por Viradouro, EN266, cruza o rio Mira nas proximidades da arruinada Ponte de D. Maria, obra do séc. XVIII e continua por Sabóia, Pereiras, Portela dos Termos e Porto dos Almocreves), S. Marcos da Serra (tesouro; cruza o rio Arade a jusante da confluência da ribeira do Gavião). São Bartolomeu de Messines (importante nó viário do Algarve ocidental, articulando a travessia da serra com os acessos aos principais portos do litoral Algarvio; villa na Capela de S. Pedro; base de estátua a Júpiter em mármore, hoje no Museu de Évora)
|
| ALIO ITINERE AQUILONEM FLUMINIS DURIUS |
|
Outras Vias Romanas a Norte do Rio Douro A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. |
Braga
Monção ![]() ![]() ![]() Monção a
Melgaço Castro
Laboreiro |
Braga - Arcos de Valdevez - Monção A velha estrada medieval de Braga a Monção corresponde a um importante eixo viário S-N que ligava o rio Cávado ao rio Minho pelo Vale do rio Vez. O caminho já seria utilizado em época romana embora como via secundária dada a ausência de miliários, funcionando como uma alternativa paralela à via militar XIX para Valença. A existência de várias pontes ao longo do seu percurso construídas na Alta Idade Média atestam a importância que este percurso teve nesse período, mas não sabemos ainda se alguma delas já existiria em época romana como é o caso da ponte sobre o rio Cávado em Vila Verde, mencionada num documento do ano 960 como ponte petrina (in PMH DC 81), a Ponte de Ázere que apresenta marcas de fórfex e o típico aparelho almofado romano embora haja dúvidas sobre a sua antiguidade e a Ponte de Vilela sobre o rio Vez que é mencionada já em 1258 nas «Inquirições Gerais». Partindo de Braga, a via seguia então por Vila Verde, Arcos de Valdevez e Portela do Extremo rumo à travessia do rio Minho junto a Monção, existindo 2 possíveis pontos para essa travessia: no lugar da Barca, junto do antigo povoado de Cortes/«Monte Santo» (vestígios da necrópole) e outro junto da Torre Medieval de Lapela; na rota para Cortes existe uma ponte em Troporiz conhecida pelo sugestivo topónimo de Ponte da Calçada, uma construção algo atípica eventualmente com origem romana dado utilizar silhares almofadados no seu único arco; no entanto, tal como na Ponte de Azere, esta técnica construtiva poderá ser muito mais recente. Também é proposto um hipotético itinerário entre Monção e Melgaço passando em duas pontes medievais que alguns chamam de «romanas» sem grande fundamentação, a Ponte de Mouro (Barbeita) e a Ponte de Folia (Remoães); (CAF Almeida, 1968; Marques, 1984; Almeida CAB, 2005) e algumas possíveis rotas em torno de Castro Laboreiro. Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, a via seguia talvez pela actual rua de S. Martinho até Dume, continuando depois por Espeçande, Assento, Palmeira/Aldeia, Lamela e Verdasca) Travessia do rio Cávado (a referência a uma ponte petrina neste local no ano 960 indicia uma possível cronologia romana desta travessia; in PMH DC 81) Vila Verde (continua por Barco, Lagoa, Felinho, Venda, Lampadela, Av. Cruz do Reguengo até ao estádio de futebol, onde toma o estradão que vai cruzar a ribeira do Tojal na «Ponte Romana» em Fundevila e segue para Sabariz, cruza o CM1199 e continua pela rua da «Via Romana» até entroncar na EN308 que segue por 200m para depois tomar o CM1200 por Cantinhos, Igreja de Lanhas, Paço, Lajes, e EM537 por Pico de Regalados, Vinhais, Barral, Pico, Outeiro, Portela de Vade, Ponte da ribeira de Preizal, Ponte Medieval da Agrela sobre o rio Vade, Venda Nova, nova Ponte sobre o rio Vade e sobe a Permedelos; na elevação conhecida por «Os Castros» em Aboim da Nóbrega, apareceu uma ara votiva colocada por Flavinus talvez à divindade Belso)
Ponte da Barca (povoado no Outeiro de Santar; a ponte medieval sobre o rio Lima data do século XIV pelo que na era romana o cruzamento poderia ser por barca) Arcos de Valdevez (segue junto dos sítios romanos do Paço de Giela e da Qta. do Real/ Rial, onde apareceram duas epígrafes; EN202-2) Ázere (a via passa junto da igreja paroquial e do antigo convento, na base do castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes uma ara dedicada à divindade Lalaecus(?) e outra dedicada à mesma divindade (?), hoje no Museu Pio XII em Braga; a poente fica o castro romanizado do Monte Castro/Eiras/Vilar) Ponte Romana-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex indiciam uma possível origem romana; continua pelo «Caminho da Ponte Velha» e «Caminho da Pedra Chão» por Bouça, Porta, Couto, Castro) Gondoriz (junto da igreja; continua por Zebra, Gerei, S. Cosme e S. Damião; ara dedicada ao Soli Invicto na Igreja de Sá e outra anepígrafa nas proximidades; na outra margem do Vez situa-se o castro romanizado de Anhó/Reboreda em Santa Vaia de Rio Moinhos, de onde será proveniente a ara à divindade Carus Conservatori que apareceu na capela de S. Cipriano ou Cidrão, actualmente no MNA) Vilela (cruza o rio Vez na Ponte Romana?-Medieval e segue por Choças, S. Martinho, Sra. da Cabeça, Álvora e Portela de Vez; +-EM505) Portela do Extremo (m.p. XXXV; nó viário; mutatio?) Variantes entre Portela do Extremo e Monção:
Monção (o antigo vicus poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes; actividade mineira)
|
![]() |
Vila Real - Murça - Mirandela Itinerário medieval de Vila Real a Mirandela com possível utilização já em época romana; partindo da travessia do rio Corgo em Vila Real, seguia por Mateus, Mouçós, Lagares, Justes e Vila Verde rumo ao Alto do Pópulo, continuando depois na direcção de Murça; nenhuma das pontes deste itinerário apresenta sinais de romanidade (Ponte do Corgo em Vila Real e Ponte do Tinhela em Murça) e o perfil acidentado da estrada aponta para um trajecto medieval; no entanto, esta rota margina os povoados castrejos romanizados de Santa Cabeça (Mouçós), Murada (Lagares), Cerca (Vila Verde) e Castelo dos Mouros (Murça). Mateus (ara a Júpiter e necrópole) Mouçós (rua da Calçada, EM1235; Castro de Santa Cabeça) Alvites (rua da Calçada pelo Alto da Lomba Queimada) Lagares, Lamares (travessia da ribeira dos Carrojos; a via segue o caminho que parte do campo de futebol e passa a noroeste do castro da Murada) Justes (cruza a via Chaves - Moimenta da Beira; continua para nordeste, cruza a A4 e segue rumo à travessia do rio Pinhão, talvez a jusante da Ponte de Balsa na EN15 para evitar a travessia da ribeira de Jorjais, continua na EN323 e na aldeia toma o caminho que segue até à Ponte do Rato, onde reencontra a EN15, saindo logo depois pelo caminho que ladeia o ribeiro Galego) Vila Verde (a via passa na base do Castro romanizado da Cerca, com um troço lajeado e uma ponte em ruínas, marginando a necrópole da Veiguinha) Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Ascas Freixo, Alijó (calçada) Alto do Pópulo (nó viário e provável mutatio no cruzamento com a via N-S entre Chaves e Celorico da Beira; sai da EN15 pelo Alto da Bobela/rua Fontelas) Cadaval, Fiolhoso (a via continua pelo caminho que passa na Fonte do Linhar e junto do cabeço da Seixigueira, descendo daqui em calçada até à ponte sobre o rio Tinhela, passando assim a sul do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, onde há um troço de calçada de acesso ao castro) Murça (atravessa o rio Tinhela na Ponte Romana?-Filipina sobre o rio Tinhela e sobe por calçada à povoação, cruza a EN15 e segue pela rua Marquês de Valle Flôr) Palheiros (talvez pela rua da Estrada Velha, na base do castro rumo Franco) Lamas de Orelhão (provável nó viário atendendo à fortificação romana situada no outeiro do actual cemitério; na igreja apareceu a inscrição Heinc Leteram, «Aqui Letera», possível designação do povoado em época romana; continua talvez por Passos e Golfeiras) Mirandela («Ponte Velha dos Jogos» sobre a ribeira de Carvalhais em S. Sebastião, junto ao campo de futebol, povoado romano, possível mutatio entretanto "engolido" pela cidade; castros romanizados na Sra. do Viso e no Castelo Velho/Monte de S. Martinho, com vestígios romanos junto da ribeira de Mourel na base do castro, actual Qta. da Raposeira)
|
| Viae ab AQUAE FLAVIAE a DURIUS flumen |
![]() ![]() ![]() |
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Covelinhas) - Moimenta da Beira (Arabriga?) Itinerário N-S interligando Chaves ao rio Douro, seguindo por alturas da Serra da Padrela, cruzando a importante região mineira de Três Minas, possivelmente a «Metallum Albucrarense» referida por Plínio, descendo depois à travessia do rio Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim rumo a Moimenta de Beira, importante nó viário da Beira Alta (vide Lopes, 1994; Teixeira, 1996; Batata et al., 2008; Lemos, 2011).
As minas romanas estão dispersas por Três Minas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Corte de Covas e há vestígios de um possível hipódromo ou anfiteatro (Batata et al., 2008). Próximo da aldeia de Covas, existia o povoado mineiro da Veiga da Samardã ainda com vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo (Ferraria e Vale das Veias), para abastecimento do povoado e lavagem do minério. Um vasto conjunto de inscrições provenientes da necrópole deste povoado, entre as quais várias inscrições de Clunienses; na aldeia da Ribeirinha apareceram 3 inscrições votivas a Júpiter, uma por soldados da Iª Coorte Gálica Equitata, hoje no MSMS com o nº 30, outra por um soldado da Legião VII Gémina Feliz e por último um soldado da Legião VII Gémina Pio, testemunhando forte presença militar relacionada com a exploração mineira. Chaves (inicialmente seguia a Via XVII por S. Lourenço e S. Julião de Montenegro, derivando depois para sul pouco depois da mutatio do Alto do Cavalinho; a bifurcação seria junto do Cruzeiro, onde era vencida a milha VI, seguindo depois por alturas da Serra da Padrela afim de evitar o cruzamento de cursos de água, seguindo pelas aldeias de Paranhos, Alto de Gondar, Nogueira da Montanha (inscrição desaparecida dedicada ao veterano Emiliano Flacus, CIL II 2480, signífero da Legião II Augusta procedente do castellum Tureobriga ou Iureobriga, provavelmente situado no Castro de Lagarelhos/ Santiago), Ladário, Aveleda, S. Cipriano e alturas de Vilarinho do Monte e Seixedo, sucedendo-se os topónimos viários como Vidual, Marcos, Lampaça e Caleiros, assinalando a passagem da via e vestígios romanos junto da via em Outeiro do Coxo e Pedra Alta, possivelmente tabernas) Padrela (desemboca na ER206 junto da villa ou mutatio dos Milagres, a poente da aldeia, continuando pelo estradão paralelo à estrada moderna, marginando o possível assentamento militar romano do Alto da Cerca que controlaria o acesso ao complexo mineiro de Jales, localizado entre os rios Tinhela e Curros, seguindo depois o estradão paralelo à EN206 até à base do marco geodésico «Padrela 2», onde toma o caminho que vai pelos altos do Morouço, da Cabeça da Cheda e do Marco Preto, cruza a ribeira do Muro e continua por alturas de Vilarelho até ao Alto da Forca, onde segue à direita para a travessia do rio Tinhela na Ponte da Fonte da Ribeira) Campo de Jales (barragem do Alto da Presa na estrada para Guilhado; estela funerária, hoje no MNA; continua junto das Minas de Jales por Borralheiros, entra na EM567 e passa junto da Ns. da Saúde) Vreia de Jales (continua pela EM567 até à Cruz da Vreia e 100m depois segue à direita para o centro da povoação; continua pelo troço de via romana que segue por Milhapão) Barrela de Jales (a via romana continua a poente a aldeia, passando junto da interessante estátua-estela do Marco até Estalagem, onde entronca no CM1237 que segue por 400m até desviar pelo troço calcetado que leva à Ponte do Arco) Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão (vários indícios apontam para uma cronologia romana com pedras almofadados no arco e estribos, arco de volta perfeita e pavimento em grandes lajes de pedra; merecia outra atenção; retoma o CM1237 por 800 m, onde segue à direita pelo caminho da Laje do Cavalinho que volta a reunir-se com estrada junto do cruzeiro do Sr. dos Aflitos; continua por 500 m, onde desvia por caminho carreteiro que vai cruzar o ribeiro dos Carrojos na Ponte do Prado) Pinhão Cel (lápide consagrada a Tutela Turiensis achada na igreja de Sta. Maria da Ribeira, hoje no MSMS; a via passa a poente, cruza a CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Vidual, topónimo viário, actual Rua do Souto, cruza a EN15 e segue o caminho defronte por Bouça da Velha) Justes (passa a poente por Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares) Lagares (castro em Lamares)
Constantim (vicus e mutatio no sítio das Mamoas, a norte da povoação, hoje ocupado por terrenos agrícolas; um pedestal e vestígios cerâmicos na área compreendida entre o centro da povoação e a Capela de Sta. Bárbara, indiciam a existência de um vicus viário; em 1947, Cortez refere um miliário de Trajano encontrado na «Feira de Constantim» (CIL II 4797), antiga designação medieval, mas esta informação é duvidosa; Cortez, 1947; Silvano, 2004; Lemos e Martins, 2010) Andrães (segue a nascente da Portela até Mosteirô desce pela Capela de S. Miguel-o-Anjo à Qta. da Ribeira; tesouros em Agó e Caxada) Ponte Romana?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha Abaças (castro romanizado de Abaças; mutatio (?); segue por Fontelo?) Bujões (vicus?; no castellum de Guiães, a nascente, apareceu uma ara a Reve Marandigui, hoje no Museu de Vila Real) Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
Folgosa (daqui a via seguia talvez pela Qta. da Folgosa Velha, Qta. da Cruz do Monte e Alto da Forca) Vila Seca (estação viária, possível mutatio, continuando pela calçada da Sra. do Leite, caminho que sobe a lombada da serra sobranceira a Armamar e a poente de Coura e Aricera, continuando depois próximo de Qta. da Silveira, Qta. do Esporão, Gogim e S. Martinho de Chãs, contornando assim o castro pelo lado poente)
Moimenta da Beira (Arabriga?; possível mutatio; a via continuava para sul até Cabeça de Alva (nó viário onde poderia rumar a Viseu), seguindo por Aguiar da Beira rumo a Fornos de Algodres e Serra da Estrela; vide Itinerário Moimenta da Beira - Fornos de Algodres). |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Pinhão) - Marialva (civitas ARAVORUM) Esta rota deriva do Itinerário Chaves - Vesúvio próximo do Aeródromo de Alijó em Vila Chã, seguindo na direcção da foz do rio Pinhão, onde cruzava o rio Douro, continuando depois pelo vicus de Paredes da Beira rumo talvez a Marialva, atravessando o território dos Arabrigenses. Chã, Alijó (cruza a serra pelo Alto da Portela do Cabeçudo, Giesteira e Alto do Areeiro) Sanfins do Douro (necrópole na igreja da Ns. da Conceição; povoado na Sra. da Piedade, onde apareceu um tesouro de moedas romanas; provável vicus junto da mina de ouro de Salgueiros; segue rumo a Favaios passando na base do Castro romanizado de Vilarelho; na zona há vestígios de calçadas possivelmente romanas em Rio de Moinhos, Marco e Tapada Velha e Presandães ) Favaios (vicus no cemitério, na base do povoado de Sta. Bárbara; calçada da Regada no acesso à Qta. de S. Jorge, onde apareceu uma estela funerária; continua para sul, topónimo Corredoura, sempre em altitude pelo Alto da Portela da Serra) Vilarinho de Cotas (povoado no cerro do Castelo; segue a EM1287) Casal de Loivos (rua Calçada) Travessia do rio Douro no Pinhão (na estação C.F. apareceu uma inscrição com o epitáfio de Aelius Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga e veterano da legião VII Gemina (CIL II 6291), hoje no MSMS; daqui subia a Paredes da Beira talvez por Valença do Douro e Castanheiro do Sul, EM504 ou por S. João da Pesqueira) Paredes da Beira (vicus; os vestígios no lugar do Cruzeiro e os vários elementos arquitectónicos reutilizados em casas da aldeia indiciam a existência de vicus estrategicamente localizado junto da antiga estrada que percorria este território no sentido NO-SE; aqui apareceu uma ara anepígrafa e um berrão com a inscrição «ATEROECON» ou «AMBROECON», hoje no Museu Eduardo Tavares em São João da Pesqueira; a via seguia a meia encosta entre o povoado pré-romano do Alto da Serra do Reboledo e a Serra de Sampaio, onde há calçada, continuando por Britelo e junto da inscrição rupestre do sítio do Marcadouro/Mercadoura onde se lê «Visancoru(m) / Camali / Concili», provável marco de divisão de propriedades) Penela da Beira (segue junto do provável vicus do Casteidal, «Penela Vedra», situado num esporão junto da Qta. de St. Tirso e marginando as minas de ouro de St. António em Granja de Penedono e o castro do Monte Airoso a nascente; inscrição rupestre na Gruta de Rodelas onde se lê TVROS / BANIE(n)SV(m), possível referência a um emigrante Baniensis) Penedono (há 3 possíveis miliários nas ruas da vila) Ourozinho (passa no interior da aldeia e logo depois entra na calçada romana da Qta. do Vale do Outeiro, passa nas casas da quinta e continua pela Sra. do Pranto em Sapateira para a travessia da ribeira da Teja) Outeiro dos Gatos (vestígios em Telhões e na Qta. do Paço) Mêda (entra na vila pelo Cadoiço) Marialva (civitas Aravorum) Itinerário alternativo Pinhão - Penela da Beira por S. João da Pesqueira: Poderia existir também um itinerário alternativo por S. João da Pesqueira rumo a Penela da Beira, onde conflui com a via proveniente de Paredes da Beira, mas por agora não passam de hipóteses devido aos parcos vestígios existentes.
Tabuaço a Moimenta da Beira pelo vicus de Fontelo Possível itinerário romano partindo da travessia do rio Douro na foz do Tedo que seguia aproximadamente a EM512 por Adorigo rumo a Tabuaço (villa no sítio de S. Vicente; ligação a Vale Figueira pela calçada do Alto da Escrita), seguia depois pela calçada do Fradinho até Távora, continuando pelo estradão por Passa-Frio, na base do povoado fortificado da Sra. do Calfão/Galfão, rumo a Paradela, onde toma o estradão que passa na Eira do Monte, entrando na aldeia de Sendim pelo troço de calçada entre Vale de Vila e St. Ovídeo rumo ao vicus do Fontelo, podendo daqui continuar por Baldos até ao nó viário de Moimenta da Beira.
Castro de Goujoim ao vicus a Paredes da Beira por Sendim Caminhos interligando os vários povoados pré-romanos do concelho de Armamar e Tabuaço (Perpétuo, 1999). Goujoim (do cemitério descia ao rio Tedo pelo caminho da Qta. do Pombo e Ronção) Granja do Tedo (cruzava a Ponte Romana?-Medieval de Granja do Tedo e ascendia a encosta pela calçada que parte junto ao cemitério) Longa (passa na Capela de S. Miguel e no cemitério e continua em calçada por detrás da Capela da Sra. da Saúde passando em Rebolos e Serra)
Paredes da Beira (vicus) |
Carrazeda
![]() ![]() Trancoso
a Celorico ![]() ![]() |
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Vesúvio) - Celorico da Beira Este eixo viário deriva da Via Chaves - Covelinhas junto da provável mutatio de Campos de Jales, seguindo depois na direcção sudeste por Alfarela de Jales, Alto de Pópulo e Carlão, onde cruzava os rios Tinhela e Tua, seguindo depois pelo termo de Carrazeda de Ansiães rumo ao povoado mineiro da Qta. da Sra. da Ribeira, onde cruzava o rio Douro para a Qta. do Vesúvio, continuando depois por Freixo de Numão, Mêda e Trancoso rumo a Celorico da Beira (importante nó viário junto da travessia do rio Mondego), interligando aos eixos viários para Mérida por Belmonte. (Almeida, 1992-1993; Lemos 2011). Chaves - Campo de Jales (segue o Itinerário Chaves - Covelinhas) Alfarela de Jales (topónimo Corredoura) Cortinhas (estela funerária do Gestal em Moreira de Jales; a via seguia talvez pela aldeia de Asnela e pelos altos de Portelinha, Modorras e Cabeço do Carril, servindo de linha divisória entre os concelhos de Alijó e Murça) Alto do Pópulo (nó viário, provável mutatio; tesouro; a via continuava por Pópulo próximo da EN212, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castro de S. Marcos/Touca Rota, Castelo do Alto da Murada, Castelo de Castorigo e Castelo de Vale de Mir, seguindo a leste de Ribalonga pela vertente ocidental da Serra da Botelhinha, por Pópulo, Pousada, Cal de Boi, Alto de Pegarinhos, Vale de Mir, entrando depois no troço de calçada junto do Aeródromo de Alijó a nordeste da aldeia de Chã)
Travessia do rio Tinhela na Ponte «Romana» das Caldas de Carlão (reconstruções de uma ponte antiga destruída por uma cheia em 1739; calçada) Travessia do rio Tua em Brunheda (junto ao castro romanizado de Sta. Catarina) Pombal (na Igreja de Pombal apareceu uma inscrição dedicada a Júpiter pelos vica(ni) Cabr(...), hoje na Igreja de S. Salvador do Castelo de Ansiães; segue pela calçada que desce a vertente nascente do vicus do Lugar da Costa/Mós até confluir na EN314-1, cruza a ribeira de Frarigo e segue por Paradela e Parambos, passando no sopé de outro possível vicus no Curral dos Moiros) Marzagão (cruza a ribeira de Linhares na Ponte Romana?-Medieval do Galego) Selores (possível mutatio na base do povoado no Castelo de Ansiães) Seixo de Ansiães (desce daqui ao rio Douro pela EM632?) Travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira (junto do povoado da Qta. da Sra. da Ribeira, vicus mineiro relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros; na Capela da Ns. da Ribeira achou-se uma ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis pelo que o povoado ser designado por Liria ou Tiria em época romana, actualmente na colecção do MSMS com o nº 38; Encarnação, 1975, 1992; Alarcão, 1988 e 2004b; Lemos, 1993; Guerra, 1998, p. 185-186). Sra. da Ribeira a Freixo de Numão (Meidubriga?): sobe pela Qta. do Vesúvio a Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro), continua pela estrada da cumeada do monte que passa próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II) até ao nó viário da Qta. da Pedra Escrita, junto da imponente villa do Prazo. Qta. da Pedra Escrita, Freixo de Numão (um ramal ligaria vicus de Freixo de Numão; vide «Rede Viária de Freixo de Numão») Freixo de Numão a Mêda Retomando o percurso da via junto da Qta. da Pedra Escrita, seguia junto da Qta. dos Bons Ares (villa e possível mutatio na Capela de Sta. Eufémia), cruza a EN222 e segue pelo Alto da Touça, Qta. das Alminhas e Capela de Sta. Bárbara em Sequeiros; continua pelo Alto do Poço do Canto/Santa Columba, passando nas proximidades do vicus de Vale da Aldeia (ara consagrada aos Lares Placidus). Mêda (Amindula?; nó viário, provável mutatio; seria a «Amindula» referida na documentação medieval?; ara aos Bandi Vordeaicui).
Trancoso a Celorico da Beira: segue talvez pela cumeada a nascente de Fiães pela calçada de Vale Longo, passando no Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas, Alto da Silva, Barreiros e Murça (por alturas da Qta. do Salgueiro, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas) até Forno Telheiro, continua próximo do vicus? de S. Gens rumo à travessia do rio Mondego na Ponte Romana?-Medieval da Lavandeira, subindo depois pela calçada da Lavandeira por 500m até ao Bairro de Sta. Luzia em Celorico da Beira (Carvalho P., 2009); esta via teria continuidade para a Guarda pelo Itinerário Celorico - Póvoa do Mileu (Guarda) e para a Bobadela pelo Itinerário Celorico - Bobadela (Oliveira do Hospital). |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Cidadelhe (Aliobriga?) - Lamego (Lamecum?) / Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Peso da Régua Um outro eixo viário N-S partindo de Chaves seguia pelo alto da serra a poente da depressão Verín - Régua rumo também ao rio Douro; dois miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) que apesar de estarem deslocados da sua posição original parecem assinalar esta via que seguia por Vidago rumo à Ponte da Ola onde cruzava o rio Avelames, continuando por Cabanas, estação viária onde poderia existir uma mutatio (Batata et al., 2008); percorria depois as alturas da serra rumo a Torgueda, onde recebia a via vinda de Braga pela Serra do Marão, podendo depois bifurcar, na base do Castro de Fontes, nos dois ramais de acesso ao rio Douro, um seguindo por Santa Marta de Penaguião rumo à Régua e outro seguindo próximo do Castro de Cidadelhe, onde há notícia de um possível miliário (Cortez, 1946). Esta última travessia poderia ser feita junto das Caldas de Moledo, onde havia barca no período Medieval e há vestígios romanos associados a um pequeno vicus e provável mutatio que seria designado na Alta Idade Média por «portu de aliovirio» segundo um documento do ano 922 (PMH DC 25); esta designação levou António Lima a propor o nome de «Aliobriga» para o antigo povoado (Lima, 2008). Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, rumava a sul cruzando a ribeira do Caneiro; na Qta. do Caneiro apareceu o miliário do «Campo da Roda», talvez de Constantino Magno, hoje no MRF) Outeiro Jusão (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis no MRF e estela funerária de Daphnus talvez provenientes da villa da Qta. do Pinheiro; vide términos dos Praen e Coroq achados neste local; a via seguia talvez por Pereira de Veiga e Vila Nova de Veiga pelo Alto da Conceição, Alto do Turigo e Parada onde apareceu uma ara a Baco) S. Pedro de Agostém (ara aos Lari Erredici no adro da igreja, hoje desaparecida; a via segue talvez por Fonte Fria e junto do castro romanizado do Alto do Castro/Monte de Sta. Bárbara e do respectivo habitat romano da Fonte do Mouro; inscrição a Laribus Pindeneticis em Selhariz) Pereira do Selão, Vilas Boas (segue pela rua da Paz e campo de futebol e pelos topónimos viários Carquejo, Corgo e Alto da Portela) Vidago (castro; termas romanas em Salus, divindade que designa saúde, onde apareceu uma inscrição referindo Aqua Flaviae; a via cruzava a ribeira da Oura junto a Vidago ou mais a jusante numa ponte hoje arruinada na EM549, próximo do sítio romano de Couces local, ascendendo depois ao planalto da Serra de Oura, continuando pelo Alto do Baldio, junto da Qta. do Marco, Alto do Miradouro e aldeia de Vilela, passando assim a nascente do castro romanizado do Monte do Castelo em Capeludos, sobranceiro ao Tâmega, onde apareceu uma estátua de guerreiro; inscrição aos lares gegeiquis (?) na igreja paroquial de Arcossó) Bragado (cruza o rio Avelames na Ponte Romana?-Medieval da Ola, e sobe a encosta pelo Parque de Lazer) Pensalvos (cruza a ribeira da Azenha e segue pela rua do Cabo, Igreja e rua do Calvário) Cabanas (possível mutatio no sítio da Castanheira/Reguenga, a 150m do campo de futebol, onde apareceu um tesouro monetário; cruza a aldeia pelo Largo da Capela e Largo do Outeiro e continua pelo CM1155 junto dos topónimos viários Portela e Pipa, seguindo pelo planalto da Serra do Alvão) Afonsim (a nascente pelo CM1155 e EM555 por Alto de Couces e Praina dos Molhadinhos) Paredes do Alvão (continua a nascente pelo CM1153 por Colonos de Paredes, Alto do Porto da Lage/Alto da Chã da Fonte, Colónia de Baixo e Povoação) Gouvães da Serra (continua por Lages das Portas e Cadouço, topónimos viários, Alto da Sombra, Alto dos Merouços e Alto da Meroucinha, servindo de linha divisória entre os concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, continua pelo Alto dos Fornos, Alto do Seixinhal e Alto das Caravelas, onde inicia a descida da serra até cruzar a EM313 junto da Barragem Cimeira a sul de Lamas de Olo) Lamas de Olo (nó viário junto da Mina da Seara; possível estação situado num trifínio entre actuais freguesias, a 12 milhas de Torgueda e a 18 milhas de Cabanas; continua do outro lado da barragem por Ranhadouro, contorna o Alto/ Mina dos Vidoais, Planalto do Vaqueiro, novo trifínio, Outeiro dos Fiéis, Alto da Cota e Alto do Peiro, descendo depois a encosta pelas Lameiras de Cirarelhos, praticamente todos topónimos viários) Pena (o caminho está hoje praticamente destruido, mas é visível na descida da encosta até à Igreja de São Miguel de Pena; 100 m depois sai da EM564 e toma a calçada que segue directa à centro da povoação; continua em calçada até reunir com a EM564, pouco antes de desembocar na EM1212, continuando para travessia do rio Sordo em Arrabães) Torgueda (neste local recebia a via proveniente da travessia da Serra do Marão e seguia talvez por Fonte Seca, Vendas de Cima e Moçães, continua pelo CM1244 por Arnadelo, rua da Carreira, passando junto do povoado pré-romano do Alto do Castelo, no outeiro da Capela da Sra. dos Remédios; continua pela EM1244-1 marginando os sítios romanos do Rodelo e Veiga, este último junto do campo de futebol de Pomarelhos) Cumieira (provável vicus no lugar do Assento, com vestígios em torno do Monte de Sta. Bárbara, Ranha, Fossa e Ladário, onde terá aparecido uma ara a Júpiter (Colmenero, 1997); estes vestígios estão associados a um caminho de festo, no entanto é mais provável que a via mantivesse a mesma directriz, descendo pela Costa da Veiga, onde há notícia de calçada, para cruzar a ribeira de Aguilhão junto da Qta. de Valflores e do povoado fortificado do Monte Maninho; na outra margem há vestígios romanos em «Cabanelas») Fontes («Castro de Fontes» ou «Castelo dos Mouros», povoado fortificado localizado na colina da Pena Aguda em Crestelo, actualmente ocupado pela Capela de São Pedro de Fontes; daqui provém uma ara dedicada à divindade Auge; mais a norte, já na freguesia de Fornelos, existe um forno romano junto da Ponte da Arcadela sobre a ribeira de Aguilhão; topónimo viário «Qta. da Carreirola» indicia a continuação da via por Mafomedes e junto da Igreja de Sever, onde poderia bifurcar) Bifurcação da via rumo ao Douro: a via deveria bifurcar em dois acessos ao rio Douro; um seguia por Santa Marta de Penaguião rumo à Régua, onde cruzava o rio Douro e seguia para Moimenta da Beira, importante nó viário de onde partiam estradas para Viseu, Belmonte e Marialva; o outro ramo seguia para Cidadelhe rumo a Lamego e daí a Viseu. Ligação à Régua por Santa Marta de Penaguião: a via continua para sul rumo a Santa Marta de Penaguião, junto do topónimo «Quinta da Calçada», perto do qual cruza a ribeira de Fontes; continua por Encambalados de Cima e próximo da Capela da Ns. da Guia em Lobrigos, continua paralela à EN2 por Outeiro, Casaria, reúne com a EN2 e pouco depois desvia novamente desta na Capela de S. Gonçalo e toma o caminho pela Capela da Sra. da Graça, continua pela cumeada das Qtas. de Romarigo e Campanhã, descendo depois ao Douro pelo caminho entre-muros marginando uma adega e que segue depois paralelo à rua Major Xavier Vaz Osório, cortado pela EN2, continuando pela rua da Qta. de S. Domingos até à linha férrea e daqui ao cais do Douro. (vide continuação da via no Itinerário Régua - Moimenta). Ligação a Lamego por Cidadelhe: o outro ramal rumava a Cidadelhe; de Sever subia ao Castro de Fontes, cruzava a povoação e n sítio de «Fronteira» tomava o caminho de festo por alturas de Medrões, passando próximo dos altos da Sra. do Monte e da Sra. dos Remédios até Mouramorta; a partir poderia descer pela Capela de São Pedro de Nostim para cruza o rio Seromenha na Ponte Cavalar, seguindo depois junto do Castro de Cidadelhe até ao rio Douro; outra possibilidade seria rumar directamente a Caldas de Moledo evitando assim a travessia do rio Seromenha (?).
Itinerário de Caldas de Moledo a Lamego: cruzava o rio para o porto fluvial Penajóia e daqui ascendia a encosta talvez por Pousada, S. Gião, Penajóia e Avões de Lá (Alto da Venda), onde recebia a via proveniente de Porto de Rei, continundo junto da Senhora do Pilar rumo a Lamego. |
|
Braga (BRACARA)- Amarante - Serra do Marão - Peso da Régua Itinerário que ligava Braga à travessia do rio Douro em Peso da Régua, seguindo depois por Moimenta da Beira rumo a Mérida. Inicialmente seguiria o mesmo trajecto da Via Bracara - Tongobriga até Alto da Lixa, derivando desta para sudeste rumo à travessia do rio Tâmega junto do povoado do Ladário em Gatão, subindo depois a Serra do Marão até ao Alto de Espinho rumo a Campeã (A. B. Lopes, 2000:290; Balsa, 2017); a construção da Ponte de São Gonçalo em Amarante durante a Idade Média terá subsituido este antigo trajecto. Partindo do nó viário do Alto da Lixa, seguia talvez pelo actual CM1193 por Castanheiro Redondo e São Brás, (passando nos topónimos Pousada e Portela), continua pelo CM1206 por Cruz das Bouças, Soutelo, Pedra de Leite e Silvares até Gatão (Act. 2020). Gatão (o Povoado do Ladário que deverá corresponder ao vicus Atucausis com base na ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausensis que apareceu na Quinta dos Pascoais (CIL II 6287), actualmente no MSMS, nr. 28 e a ara de Adus entretanto desaparecida que servia de pia na Igreja de S. João Batista, CIL II 2383; daqui segue por Meios para a travessia do rio Tâmega junto da foz do rio Olo) Vila Chã do Marão (do rio sobre ao Alto dos Picotos, onde recebe a via proveniente de Tongobriga, continuando a leste da povoação pelo caminho de festo que passa em Pousadela, «Velha Albergaria» e São Bento, descendo a Covelo pela «Tapada dos Bebedouros») Covelo do Monte (contorna a nascente do rio Ovelha e segue pelo caminho da serra até ao Parque da Lameira, próximo do marco geodésico do Alto da Neve, iniciando depois a descida a pela vertente nascente do Alto do Gavião pelos topónimos «Pousado», «Alto de Espinho», «Fonte do Ladrão», «Corredoura» e «Vale do Mogo» e Ferreirinho (Dias, 1997; A. B. Lopes, 2000:290; Balsa, 2017), entrando em Campeã pela Cruzinha) Campeã (provável mutatio no lugar das Vendas, junto da Capela de S. Roque; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova; a via continua pelo chamado «Caminho Romano» com vestígios do lajeado em Chão Grande, junto do fontanário do Arco ou de Pai-Pás, continuando paralela à EN304, cruzando-a junto da Estalagem Nova para Viariz da Santa, com calçada em Lameirões) Torgueda (segue até ao largo da Igreja, onde recebe a via proveniente de Chaves) Ligação ao Rio Douro: as possíveis ligações ao rio Douro estão descritas no Itinerário Chaves - Lamego/Régua. Por Lamego ligava a Viseu e pela Régua seguia depois por Moimenta da Beira para Marialva ou por Fornos de Algodres e Linhares para a travessia da Serra da Estrela rumo a Mérida, cruzando o rio Mondego junto da Quinta da Taberna. Este último itinerário poderia assim constituir o pincipal trajecto entre Braga e Mérida e está dividido nos diversos troços: |
![]() |
Peso da Régua - Moimenta da Beira (Arabriga?) Esta via atravessava o planalto beirão seguindo em geral uma orientação NO-SE, dando continuidade às várias travessias do rio Douro na zona da Régua e em Covelinhas. A existência de miliários nas aldeias de Vide e Faia em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, sugere que a travessia do rio Távora seria nesta zona, onde afluía também uma outra via proveniente de Viseu que corria sentido SW-NE. Depois de atravessar o rio Távora a via poderia bifurcar, seguindo um ramo para a sede da civitas Aravorum em Marialva, rumo talvez a Salamanca, e outro seguia para sul em direcção oppidum de Póvoa do Mileu (Guarda), possível sede de civitas dos Lanciences Transcudani, rumo Mérida pela Ponte de Alcântara. (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009; Teixeira, 1998). Este itinerário tem início na travessia do rio Douro junto do Peso da Régua segue pelo alto do Monte Raso onde se regista a referência à «strada mourisca» que servia de limite norte do Couto do Mosteiro de Salzedas (LDMS 61), fazendo um percurso em altitude que evita as grandes variações de cota e as difíceis travessias dos rios da região. Peso da Régua a Moimenta pela «estrada mourisca» A «estrada mourisca» referida na Carta de Doação a Teresa Afonso de 1152 constituía o limite norte do couto do Mosteiro de Salzedas numa linha que atravessa o planalto do Monte Raso e divide com Queimada («et per illa strada mourisca et dividit per Ceimada»), caminho assinalado por vários marcos que delimitavam o couto (S. Lourenço, Soito, Padrão, Santiago e Cimbres); esta estrada fazia a travessia do rio Douro na Régua, na base do povoado romanizado do Torrão, e daqui ascendia a Valdigem pela margem direita do rio Varosa (acima da EN313), continuava por Cairrão, Figueira, Portela, Queimadela (segue pelas ruas das Eiras, Calçada, Bispado, Adro, Telha e Ermida de S. Lourenço; habitat na Qta. da Raposeira, na vertente poente do Castro de S. Domingos), continuando pela cumeada da serra, o planalto do Monte Raso, até à encruzilhada no sítio do Padrão, entre Meixedo e Passos, topónimo que remete para o marco de delimitação do couto do Mosteiro de Salzedas que está na berma da estrada, possível reaproveitamento de um miliário romano. A partir daqui a via seguia junto do Aeródromo de Santiago rumo a Cimbres e Vila Chã da Beira, seguindo depois por Sarzedo rumo a Beira Valente, onde subsiste um troço da via romana conhecida por «Estrada Larga» e uma ponte com presumível origem romana (Castro, 2013; Castro, 2013a). Moimenta da Beira (a via passa próximo dos sítios romanos de Carguencho, Cidade da Mouraria, Cabeça e do Povoado de São João até à Igreja) |
![]() |
Moimenta da Beira (Arabriga?) - Marialva (civitas ARAVORUM) Moimenta da Beira (partindo da Igreja, segue o caminho do Bairro da Corujeira por Arcozelo do Cabo e Arcozelo da Torre) Granja de Oleiros (Arabriga?; importante vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; o território dos Arabrigenses poderá corresponder ao actual concelho de Moimenta da Beira; tesouro monetário; epígrafe de um Colarnus em granito reaproveitada no pavimento da Capela de Ns. de Fátima; FE 672) Vide (miliário de Numeriano hoje desaparecido, CIL II 4641, indicando o numeral IIXX na última linha, ou seja 18 milhas, eventualmente contadas a partir do rio Douro ou de Marialva (Perestrelo, 2003:55-57); na frontaria da Capela do Espírito Santo existe uma placa honorífica com a inscrição «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; a via contorna o Alto da Ranhã) Faia (calçada em Ladário; miliário possivelmente do tempo de Constantino a servir de suporte a um pequeno telheiro de uma casa particular em Raposeira; FE 712) Travessia do rio Távora talvez entre Faia e Freixinho (em 1951, Cortez referia a existência de umas poldras para cruzar o rio) Ligações a partir do rio Távora/Freixinho
|
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Moimenta da Beira - Fornos de Algodres - Linhares Itinerário partindo de Moimenta da Beira rumo à travessia do rio Mondego na Ponte de Juncais, próximo de Fornos de Algodres, subindo depois por Linhares ao Alto do Carvalhos Juntos, nó viário da Serra da Estrela, onde confluía no na Via Viseu - «Centum Cellae». Esta via permitia conduzir o tráfego de Chaves e Braga para Mérida. Moimenta da Beira (povoado no sítio de S. João, possível capital dos Arabrigenses; segue por Toitam) Aldeia de Nacomba (calçada na rua da «Via Romana» com cerca de 1 Km percorrendo o Alto da Surrinha/Serra da Aldeia, por alturas de Carapito e Sra. dos Caminhos em Vila Chã; possível miliário na aldeia de Carapito, FE 725, 2019) Cabeça de Alva, Caria (nó viário onde cruza a via Viseu - Moimenta) Quintela da Lapa (na área apareceu uma estátua de togado; continua pela EM584 e cruza o rio Vouga; possível miliário descoberto no sítio de Charangões ou Chingalhões, muito próximo da divisória concelhia com Sernancelhe; FE 733) Aguiar da Beira (continua talvez por Barracão e Eirado) Carapito (calçada nas traseiras do cemitério) Queiriz (nó viário, onde poderia existir uma mutatio, no local onde a via bifurcava, seguindo uma para Fornos e outra para Muxagata rumo ao rio Mondego; uma declivosa calçada entre Maceira e Sobral Pichorro interliga as duas variantes; povoados no sítio do Castelo e na Fraga da Pena; inscrição votiva a Bandi Tatibeaicui, AE 1961, 341).
Itinerário da Ponte dos Juncais/ Rio Mondego a Linhares e «Centum Cellae» Depois de cruzar o rio Mondego na Ponte de Juncais, seguia por: Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias) Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo) Figueiró da Serra (topónimo Hospital; cruza a ribeira de Linhares e toma a Calçada da Corredoura ou «Estrada dos Almocreves») Linhares da Beira (provável mutatio junto da Igreja da Misericórdia; daqui seguia o velho caminho a meia encosta, calçada relativamente bem preservada que ascende rumo ao Alto dos Carvalhos Juntos). Nó viário do Alto dos Carvalhos Juntos: Um pouco adiante este itinerário recebia a proveniente de Viseu e juntas seguiam para a travessia do rio Mondego junto da Quinta da Taberna, seguindo depois por Barrelas (Bereceum?) rumo à estação viária de «Centum Cellae» em Colmeal da Torre (Belmonte). Este trajecto está descrito no Itinerário Viseu - «Centum Cellae». |
| Viae a civitas BANIENSES et civitas COBELCORUM |
|
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) - Rio Douro (Pocinho) Hipotético itinerário romano ligando Aquae Flaviae ao Vale da Vilariça, território da civitas Baniensis; o percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII em Valpaços, seguindo depois na direcção do Vale da Vilariça. O percurso é incerto e depende do ponto de travessia do rio Tua (Ribeirinha ou Abreiro?). Chaves, segue a Via XVII até Valpaços, onde ruma a sudeste por Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho), atravessa o rio homónimo e continua por Póvoa, Pai Torto, Suçães (?) e Marmelos; a partir daqui o percurso depende do ponto de travessia do rio Tua:
Nabo (vestígios ao longo da ribeira de Cavalos, em Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Monte Couquinho e Pala do Conde, mas a via teria outro percurso por Lombo Alto e Qta. do Ataíde) Horta da Vilariça (talvez junto do sítio da Eira Velha, onde apareceu a estela funerária de Tongeta, hoje no Museu do Ferro em Moncorvo e por Qta. de Carvalhal, onde se achou outra inscrição funerária), cruza a ribeira da Vilariça, tendo na outra margem, o sítio do Roncal e todo o núcleo de povoamento da civitas Baniensis na base do Povoado do Baldoeiro) |
![]() ![]() ![]() |
Astorga (ASTURICA) ao Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) e Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco" muito provavelmente já em utilização durante o período romano atendendo aos muitos vestígios dessa época e anteriores ao longo do seu trajecto. Dada a ausência de miliários a via teria um carácter secundário percorrendo o planalto Mirandês entre os rios Sabor e Douro seguindo sensivelmente paralela a estes até Barca de Alva onde cruzava o rio Douro, podendo bifurcar nas imediações de Fornos em direcção ao Vale da Vilariça, território ocupado pelos Baniensis. A via está assinalada na carta militar nº 67 e o seu percurso é pontuado por vários povoados romanos como o de Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote; em Aldeia Nova, assinala-se a presença da Ala Sabiniana, através do epitáfio do signífero Aemilio Balaeso, porta-estandarte (vexillum) desta unidade de cavalaria romana. Surgem assim dois eixos relacionados com a intensa actividade mineira da região em época romana, um eixo N-S que ligava a região do Alto Douro ao importante nó viário de Astorga a norte (seguindo em parte pela VIA XVII) e a sul às civitates dos COBELCI em Almofala e dos IGAEDITANOS em Idanha-a-Velha. Um outro eixo desenhava uma diagonal, ligando o território dos BANIENSI do Vale da Vilariça a Palência (Pallantia), atravessando o rio Douro em Miranda (?) e cruzando com a chamada «Via de la Plata», o grande eixo viário N-S entre Astorga e Mérida que cruzaria nas proximidades de Medina de Rioseco. Os locais de passagem da via mencionados pelo Padre Francisco Alves em 1915 (mais conhecido por 'Abade de Baçal') com base nas anotações do Major Celestino Beça estão entre aspas dada a dificuldade de identificar alguns deles no terreno. (Alves, 1915; Lemos, 1993). Astorga (ASTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, provável localização de Compleutica, onde toma a direcção sul) San Vitero (miliário de Trajano) San Juan del Rebollar Alcañices (continua por Vivinera/«Bebineira» e depois pelo caminho do «Chalet Espanhol») Cicouro, Miranda do Douro (a via entrava em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, actual fronteira luso-espanhola, e segue pelo Alto das Eiras da Cruz e Malhadona) Constantim (segue a poente da povoação pelo Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e pouco depois segue à esquerda pelo sítio do Pito no Alto da Carneira) Póvoa (continua por Veneita, Penhas do Gordo, Capela de Sra. do Picão e Chãos) Malhadas (de Chãos segue à esquerda pelo Alto das Lombardas, cruza a EN218 na Cruz das Lombardas, passa nas Lagoas de Malhadas, continua pelo Alto da Zebra até à Cruz de Martins Fernandes; este troço faz de fronteira concelhia com Vimioso; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre na povoação de Malhadas; lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação) Duas Igrejas (várias lápides funerárias, provenientes talvez da necrópole na Sra. do Monte; da Cruz de Martins Fernandes continua por Chanas, Cula, Alto de Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos e Reboleira; Beça refere os topónimos «Qta. da Urreta da Silva», «Fonte dos Asnos» e «tapada de Piçoulos») Fonte de Aldeia (a via passa a poente da povoação pelo Alto de Sta. Catarina e Cruzeiro até ao apeadeiro, acompanhando a partir daqui a linha férrea, passando a poente da Capela da Ns. da Trindade)
Sendim Gare, Sendim (passa na estação e continua ao longo da linha férrea pelo Alto da Alubreira, confluindo na EN221; Beça refere o «Vale de S. Pedro, pelo meio das Eiras ou prado de Sendim» e a Capela de S. Sebastião) Urrós Gare, Urrós (continua paralela à linha férrea sob a EN221, passa na estação e pouco depois, no acesso ao IC5, desvia pelo caminho à direita; Beça refere os topónimos «Cabeço Obreiro», «Vale Mourisco» e «Penas Turvas»)
Vila de Ala (cruza a aldeia e segue por «Lastras», «Eiras de Paçô» e «Corriça», a sul do lugar de Paçô) Vilar de Rei (a via soterrada corresponde ao caminho que passa em Carvas, «Ponte do Mourisco»/ ribeira da Veiga(?), Urreta Mourisca, Calçada e «Prados dos Reis», topónimos viários que denunciam a passagem da antiga via que atravessava depois a Serra de Gajope) Bruçó (segue próximo da linha férrea por Atalaia e Ponte dos Almocreves) Lagoaça (o «carril» continua pela base do Cabeço de Sta. Marta, segundo Beça o «Carvalhal da Lagoaça»; árula a Júpiter; vicus (?); necrópole em Vale Travesso) Fornos (por «Lameiras de Vale de Ladrões» e junto da estação CF, onde apareceu a estela funerária de PRISCVS) Bifurcação da via na Lomba do Carvalhão A via deveria bifurcar no nó viário da Lomba do Carvalhão, próximo do actual cruzamento da EN221 com a EN220; a via principal continuava para sul em direcção a Freixo de Espada-à-Cinta rumo à travessia do rio Douro em Barca de Alva, seguindo depois por Torre de Almofala (civitas Cobelcorum) até Idanha-a-Velha (Igaedis), onde entroncava no Itinerário Braga-Mérida. Um diverticulum partindo daqui continuava pelo planalto por Carviçais e Torre de Moncorvo rumo ao Vale da Vilariça em território dos Baniensi. Itinerário para Almofala (civitas COBELCORUM) por Freixo de Espada à Cinta e Barca Dalva Lomba do Carvalhão (continua para sul por Ferrarias onde cruza a ribeira homónima) Mazouco (cruza a povoação marginando a igreja e 250 m adiante inflecte para poente pelo caminho que cruza a ribeira dos Mercadores e continua pelo Alto do Pinho, Coraceira, Canadinha e Vale do Prado, passando a poente do importante povoado romano de Santa Luzia, possível vicus e mutatio onde apareceram epígrafes funerárias, rumo à Ponte Romana?-Medieval do Carril sobre a ribeira de Moinhos) Freixo de Espada à Cinta (villa na Qta. de S. Caetano; há «notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte» ainda não confirmada) Poiares (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde apareceu uma ara a Júpiter, descendo ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita na ribeira do Mosteiro, cruzando esta na Ponte Romana?-Medieval do Diabo da qual já só restam os arranques, seguindo depois pela margem direita até ao rio Douro; este local estratégico era controlado pelo Castelo de Alva, povoado fortificado tardo-romano, onde apareceu uma ara a Júpiter, hoje desaparecida, CIL II 2400) Barca Dalva (travessia do rio Douro junto da Qta. da Barca; inscrição funerária na frontaria da Capela de Santo Cristo regista um Cobelcus, talvez proveniente da vizinha villa da Qta. da Pedriça; a via seguia depois talvez pela rota da EN221 que terá destruído o troço de calçada de Vale Gamão ao Km 120) Escalhão (passa na igreja) Mata de Lobos (passa no cemitério e na rua Santo Cristo) Torre de Almofala (civitas COBELCORUM; ver rede viária)
Itinerário para o Vale da Vilariça (civitas Baniensis?) por Torre de Moncorvo Lomba do Carvalhão (segue por Qta. da Macieirinha/ Qta. da Estrada e «Costa do Barro Branco», na rota da EN220, entre dois prováveis vici, Estevais a norte e São Cristóvão a sul; neste último apareceu uma ara a Júpiter, uma ara funerária e a cabeça de um berrão) Carviçais (árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcção de Martim Tirado, junto das sepulturas entre o ribeiro da Trapa e do Cananor, hoje no MNA; a via passaria próximo por «Castinheiral»/Alto do Castanheiro? e próximo da villa de Vale de Ferreiros, destruído pela barragem) Felgar (vestígios de calçada junto povoado da Idade do Ferro do Cabeço da Mua, associado à exploração do ferro da Serra do Reboredo e onde mais tarde poderia ter existido uma mutatio; epitáfio de Coracila, CIL II 6289; epitáfio de Reburrus, CIL II 6290, emigrante Seures do castellum Narelia)
civitas BANIENSIS Os BANIENSES, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, ocupavam possivelmente o fértil Vale da Vilariça a norte do rio Douro com base numa inscrição encontrado próximo do Povoado do Baldoeiro, antigo castro junto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; trata-se de uma ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIV» por Lucius Basus encontrada nas ruínas da Capela de S. Mamede/Mesquita, sucedânea de um possível Templo Romano, hoje no MNA. No entanto os vestígios no sítio do Baldoeiro são mais condizentes com um santuário romano do que com um oppidum capital de uma civitas pelo que surgiram outras hipóteses de localização nos vários núcleos populacionais ao longo da ribeira da Vilariça, com as propostas a oscilarem entre o importante sítio da Vila Morta de Sta. Cruz da Vilariça (11 lápides reutilizadas na parede norte da Capela da Ns. do Roncal, junto da Qta. da Portela), ou mais a norte em Junqueira no sítio de Chão da Capela /Prado (ara, 6 lápides, Pinho Brandão recolheu 3 lápides no Museu Municipal de Vila Flor; entre eles surge o núcleo de povoamento formado pela Qta. da Terrincha e Olival das Fragas, na base do povoado da Senhora do Castelo; na outra margem, na Qta. de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE 75; Lemos, 1993; na área apareceram também 17 estátuas zoomórficas, em particular no sítio do «Olival dos Berrões»). Apesar da indefinição sobre a localização da sede dos Banienses, a matriz de povoamento alinhada ao longo do Vale da Vilariça, aponta para um eixo viário principal na direcção N-S pela margem esquerda da ribeira da Vilariça ligando o território Baniense ao grande eixo viário da Via XVII que passava a norte rumo a Astorga; para sul esta via seguia para a travessia do Douro no Pocinho, seguindo depois rumo a Marialva; ver Itinerário Marialva - Torre de D. Chama - VIA XVII. |
| Viae a DURIUS flumen |
![]() |
Torre de Dona Chama (mansio da Via XVII) - Douro/Pocinho - Castelo Calábria Provável eixo viário N-S derivando da Via XVII após a travessia do rio Tuela em Torre de D. Chama rumo à travessia do rio Douro na Barca Velha do Pocinho, atravessando o território dos Banienses que ocupavam o Vale da Vilariça, subindo depois por Vila Nova de Foz Côa rumo ao Castelo de Calábria ou por Freixo de Numão rumo a Celorico da Beira. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro como bem revelou os trabalhos arqueológicos aquando da construção da barragem do rio Sabor (Sá Coixão, 2002 e 2004; Lemos, 2011). Existe um fragmento de miliário em Nozelos que se acaso não foi deslocado da Via XVII poderia indicar esta via. Torre de Dona Chama (segue próximo do povoado de S. Juzenda em Múrias e junto do provável vicus em Mascarenhas) Nozelos (fragmento de miliário na aldeia, encostado a uma casa da esquina da Rua de Baixo com a Rua de Cima, apresentando algumas letras apesar da sua reutilização como peso de lagar) Ala (talvez próximo do habitat de Perafita/Pia dos Mouros, situado a sul do castro romanizado do Carrascal) Macedo de Cavaleiros (passaria junto do castro romanizado da Terronha de Pinhovelo, onde apareceu uma ara, hoje numa casa particular; no Solar dos Sarmentos apareceram 4 estelas funerárias) Vale Benfeito (segue talvez próximo do sítio romano designado por «Alto da Madorra», junto da Estação de Grijó, e do vicus de Mêda) Santa Comba de Vilariça (seguia pela vertente a sudeste da Serra de Bornes, algures entre os povoados mineiros fortificados do Castelo de Macedinho e Fragas do Castelo, servindo as minas auríferas de Vila Verde, Freixiosa e S. Salvador e marginando os povoados de Salgueiro e Ferradoza) Lodões (passava por Assares e junto do vicus de Lodões, seguindo depois entre o povoado de S. Pedro e o Castro de Ns. dos Anúncios, Vilarelhos, na outra margem) Junqueira (continua pela margem esquerda da ribeira da Vilariça, bordejando os núcleos de povoamento Baniense em Olival Grande, Olival do Rei, onde cruza a ribeira de S. Martinho, Chão da Capela, Cevadeiras, Olival das Fragas, Boedo e Qta. da Terrincha, estes na base do povoado da Sra. do Castelo) Adeganha (continua pelo Vale da Vilariça passando na base do Povoado do Baldoeiro, com sítios romanos no Olival do Bico, até atingir a base da Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça, onde atravessa o rio Sabor; continua depois rumo ao Pocinho pela base do castro romanizado do Cabeço de Alfarela) Travessia do rio Douro na Barca Velha do Pocinho (daqui deveria bifurcar para o Castelo de Calábria e para Freixo de Numão.)
Partindo do rio ascendia a Vila Nova de Foz Côa talvez pela chamada «Estrada da Costa» passando junto da villa da Gricha, Cortes da Veiga, sobe ao monte a Chã e segue pelo Vale de Grilo e Tudão, cruza Vila Nova de Foz Côa (villa ou vicus a nascente da fonte do Paço, junto ao Castelo; Sá Coixão, 2000a) e segue pela Capela de Ns. do Amparo ou do «Azinhate», onde apareceram importantes vestígios, incluindo uma ara a Júpiter por Lucius Valerius, hoje na igreja paroquial, assinalam o início do antigo caminho romano que corria para sul até Flor de Rosa, onde inflectia para sudeste rumo à travessia do rio Côa próximo da Qta. de Sta. Maria da Ervamoira (junto da ribeira de Piscos), onde existia uma mutatio de apoio à via, ascendendo depois a vicus de Castelo Melhor, continuando por Carril (cruza a EN222 ao km 220) para a travessia da ribeira de Aguiar no Turão do Castelo, continuando pela Qta. da Leda para o vicus de Olival de Telhões na base do importante castro romanizado do Monte Castelo ou Monte Calábria, situado num esporão sobranceiro ao rio Douro e que deverá corresponder ao povoado de Caliabria referido em 579 no Paroquial Suevo (Cosme, 2002). |
| Viae ab Civitas MEIDVBRIGENSES |
![]() ![]() ![]() ![]() |
Rede viária de Freixo de Numão (Meidobriga?) Freixo de Numão (Meidobriga?) Provável capital dos Meidubrigensis, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara; espólio no Museu Arqueológico da Casa Grande; Inscrição rupestre a Iuno Veamvaearvm, CIL II 430 e ara consagrada aos Lares Turolicis, CIL II 431, ambas desaparecidas; dentro da igreja, há um altar votivo do Coniumbrigense Tiberius Claudius Sailcius, cavaleiro da 3ª Corte dos Lusitanos, CIL II 432; villa em Salgueiro; de Freixo partiriam vários caminhos romanos, um saindo da vila para norte, em direcção ao rio Douro e os restantes articulados com o nó viário da Qta. da Pedra Escrita (Sá Coixão, 2000) junto da villa do Prazo (ara a Júpiter), por onde passava a via principal N-S proveniente da travessia do rio Douro no Vesúvio rumo a Mêda e Marialva. Freixo de Numão a Murça do Douro Sai do Freixo pela calçada que passa na Qta. de Redoído e em Regadas (calçada com 500 m; ferraria; seria uma mutatio?), continua paralela à EN324 mas a cota mais baixo, passando nas proximidades do Moinho das Regadas e da villa da Vinha de Zimbro, no sítio da Colodreira/Escorna Bois, cruza a EN324 na Capela de Ns. da Esperança e toma o caminho que cruza a povoação de Murça do Douro, continua depois pelo sítio do Chão do Cláudio (villa rustica) rumo ao rio Douro, ou desvia em Murça em direcção do vicus no sítio da Cruzinha em Mós do Douro (uma inscrição funerária regista um emigrante Taporo; calçada em Torrão) (Sá Coixão, 2000 e 2001). Freixo de Numão a Barca do Pocinho/Rio Douro Partindo do Freixo seguia o estradão de terra por Vale das Negras até confluir na estrada moderna na base do importante povoado pré-histórico do «Castelo Velho», seguindo por esta para Santo Amaro, continua pela cumeada da serra pelo Alto do Picoto, descendo depois a Cortes da Veiga para cruzar o rio Douro na Barca do Pocinho. Freixo de Numão ao Castelo de Numão: segue por Sta. Bárbara e passa no Pontão Romano da Nogueira, cruzamento da Qta. da Pedra Escrita, caminho da Qta. da Lameira, cruza a ribeira da Teja no sítio do Conde pela Ponte Romana?-Medieval da Zaralhôa (aqui há inscrição num penedo assinalando o trajecto: ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]), rumando depois a Numão (oppidum? vicus?; outra possível localização para Meidobriga; villae e inscrição rupestre no caminho para a Telheira, marcando a propriedade de um tal Reburri; villa na Qta. da Cabreira; existe um troço de calçada no sítio do Areal localizado junto do antigo caminho de acesso ao castelo e na confluência das ribeira de Tourões e Duas Casas, onde há uma inscrição rupestre atestando a existência da via: AS(s)ANIANC(ences) VIA(m) FECERVNT, traduzindo, "Os Assanienses construíram a estrada", Sá Coixão, 2000 e 2001). Castelo de Numão ao Mondego/Fornos de Algodres Provável via romana partindo da travessia do rio Douro em Arnozelo (villa no Vale de Ouvada), seguindo junto dos castros romanizados de Numão e Ranhados rumo a Viseu (?). Castelo de Numão (segue pela base do povoado) Horta (onde inicia a subida à cumeada da serra) Cedovim (segue a poente pela serra; vicus do Castelo; villae rusticae em Sta. Marinha e em Portela/Sumagral) Ranhados (a via margina o provável vicus na Tapada da Bita Peneda, situado na base do importante Castro de Sanjurge / S. Jurge, possível sede de uma civitas, talvez Meidubriga ou Aravoca, continua depois para Ranhados, passando próximo da villa? de Fonte Arcada/Capela da Qta. de S. Pedro, antiga Qta. da Sra. do Campo, cruza a povoação actual e continua para Ourozinho pelo estradão que passa na Fonte da Póvoa, cemitério, Alto da Póvoa e Sra. da Estrada) Ourozinho (cruza a via Paredes da Beira-Marialva) Ponte Romana?-Medieval da Pedrinha (submersa pela barragem) Antas, Penedono (inflectia para sul passando na estação romana na Qta. dos Carvalhais, onde há calçada) Arnas? (vicus? no Castro de Murganho no Monte Muragos; tesouro) Cunha? (tesouro; inscrição em St. Estevão; seguia para Carapito rumo a Fornos) Aguiar da Beira (entronca na via Moimenta da Beira a Fornos de Algodres.) Ranhados - Mêda - Longroiva: itinerário O-E entre o Castro de Sanjurge em Ranhados e Mêda, continuando até Longroiva ; partindo da actual aldeia de Ranhados, seguia pela Capela de S. Sebastião e Qta. do Cardoso até Canada, descendo daqui por um troço lajeado para cruzar a ribeira da Teja na ponte a montante dos Banhos de Ariola (restam os arranques de uma ponte mais antiga, dita «romana», 50m a montante), sobe a Ariola (junto do cemitério) e a Enxameia, onde inicia um troço em calçada que passa junto da Qta. do Covelo e no Cadoiço até atingir Mêda, continua pelo caminho do Alto do Vale de Olmo, onde poderia bifurcar:
|
| Viae ab civitas ARAVORUM |
Longroiva
![]() |
Rede viária de Marialva (civitas ARAVORUM) Marialva (civitas ARAVORUM) Provável capital dos Aravi no lugar da Devesa em Marialva com base numa inscrição honorífica dedicada a Adriano pela civitas Aravorum, hoje no Museu da Guarda; altar votivo colocado por um Cobelco; estela funerária de Paramaeco Bovati em Ervilhões, FE 47; inscrição ex officina, FE 46; podium do Templo Romano numa casa particular; Barragem em Salgueiral/Lago; sendo um importante nó viário na região, a capital dos Aravi era atravessada por vários eixos viários, um eixo N-S que articulava a travessia do rio Douro no Pocinho com as ligações a sul à Via Braga-Mérida; uma outra via importante seguia rumo à civitas da Bobadela por Celorico da Beira e Vale do Mondego, na vertente ocidental da Serra da Estrela, assinalada pelo único miliário conhecido nesta rota que hoje está numa casa da aldeia de Paços da Serra. (Alarcão, 1993; Sá Coixão, 2004, 2009). Marialva ao Castelo Calábria Seguia próximo da Qta. dos Sr. dos Aflitos, passava a noroeste de Santa Comba pelo Alto da Frágua Negra, Qta. dos Gamoais, Qta. do Meio e Alto do Chão Redondo até Chãs (villa ou vicus nas Quintas), passa no cemitério e segue por Carris e Sra. do Monte, importante cruzamento de caminhos, onde a via bifurcava para duas possíveis travessias do rio Côa em época romana, Qta. da Ervamoira e Qta. da Barca, a primeira para nordeste, seguia rumo ao Castelo de Calábria por Castelo Melhor e a segunda seguia para leste rumo a Almendra, rumo possivelmente a Almofala, sede dos Cobelci)
Castelo Calábria a Almofala Partindo da travessia do Douro Qta. da Olga, junto da estação C.F. de Almendra, ou 1500m a montante no vau da Quinta do Douro/Braço dos Leais, contorna a «Canada do Armazém» por Garrocho, junto do vicus de Olival dos Telhões/Aldeia Nova, na base do Castelo Calábria (Caliabria?), continua por Tapada do Matos para cruzar a ribeira de Aguiar na ponte medieval junto à Capela da Sra. do Campo, rumando depois a Almendra, continua por Qta. de S. Lourenço, Fonte da Torre, Vilar de Amargo (Fonte romana? da Pereira), Figueira de Castelo Rodrigo (villa junto ao cemitério), continuando pelo Convento de Santa Maria de Aguiar e Nave Redonda até Torre de Almofala (Cosme, 2002). Marialva a Póvoa do Mileu e Almofala A importante villa de Vale do Mouro (Gravato, Coriscada), onde poderia existir uma mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Massueime, indicia uma via partindo de Marialva rumo às civitates vizinhas de Póvoa do Mileu (Guarda) e a civitas Cobelcorum em Almofala (FC Rodrigo) Marialva (sai da aldeia pela Ponte sobre a ribeira de Marialva, com alicerces romanos, continuando pela calçada que atravessa a Qta. da Lobeira/Leveira (necrópole) até Caspina, cruza a EN102 ao km 101,1 e atravessa a ribeira do Prado junto ao Cabeço Seixo) Coriscada (segue o caminho que vai para a Qta. das Minas) Vale de Mouro, Coriscada (imponente villa romana em fase de escavação e musealização, onde existe um notável mosaico representando o Deus Baco) Ribeira de Massueime (a travessia poderia ser nas poldras ali existentes; após cruzar a ribeira a via dividia-se nos ramos seguintes)
|
| Viae ab civitas COBELCORUM |
![]() |
Rede viária de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM) Torre de Almofala (oppidum, sede da civitas COBELCORUM) Importante povoado romano localizado em torno da chamada Torre das Águias em Almofala que assenta sobre um magnífico Templo Romano que urge salvar da ruína; a imponência do monumento e em particular o achamento de uma ara dedicada a Júpiter pela civitas Cobelcorum (CIL II 429), ajudaram a situar aqui a capital dos Cobelci, apesar dos vestígios de habitações aqui de encontrados não indiciarem mais do que um pequeno povoado, longe da dimensão esperada para uma capital de civitas; este facto levou a reconsiderar o estatuto de outros importantes sítios romanos como Póvoa do Mileu e Centum Cellae, também fortes candidatas a sede de civitas. Deste nó viário deveriam partir várias estradas romanas rumo aos oppida adjacentes, mas o grande número de caminhos antigos numa região de forte matriz medieval e a total ausência de miliários, torna difícil a identificação dos trajectos romanos; muitas das calçadas identificadas parecem servir pequenos povoados formando uma rede de viae vicinales, mas deveriam existir viae publicae ligando aos principais nós viários, como seja a ligação a leste rumo a Ciudad Rodrigo e Salamanca (entroncando da chamada «Via de La Plata»), a ligação para sul rumo a Idanha-a-Velha (entroncando na via Braga-Mérida) e a ligação para sudoeste rumo a Póvoa do Mileu (Guarda), articulando com a rede viária da Serra da Estrela; para norte seguiam duas ligações às travessias do rio Douro no Pocinho, em Barca Dalva e possivelmente no Castelo de Calábria conforme descrito acima no âmbito da rede viária da civitas Aravorum (Sandra Cosme, 2002, p. 86-93). Torre de Almofala (civitas COBELCORUM) a Salamanca (SALMANTICA) Provável via romana que ligaria a sede dos Cobelcos à chamada "Via de la Plata", a via N-S que corria entre Astorga e Mérida; atravessava a fronteira luso-espanhola na ribeira de Tourões para La Bouza, segundo um ramo para sudeste rumo a Ciudad Rodrigo e outro para nordeste rumo a Salamanca, passando talvez por Lumbrales (fonte romana), Cerralbo (ponte), Guadramiro (vicus) e Vitigudino. Torre de Almofala (civitas COBELCORUM) a Sabugal (Equotule?) Continuação do eixo viário romano N-S que seguia aproximadamente paralelo à actual fronteira luso-espanhola descrito no Itinerário Asturica - civitas Cobelcorum seguindo a linha de festo que separa o rio Seco da ribeira de Tourões, calçada conhecida por "Caminho do Carril" da qual subsistem grandes troços perfeitamente planos e rectilíneos no planalto rumo a Aldeia da Ponte (Sabugal) passando nas proximidades do povoado romano de Moradios/Verdugal em Malhada Sorda, possível vicus associado aos Vettones, tribo celta cujo território se estendia por Espanha adentro, conhecida pelas suas esculturas zoomórficas em pedra, chamadas de «berrões». A via seguia de encontro ao eixo E-O formado pelo Itinerário de Tomar a Salamanca.
Almofala (a via ladeada o vicus romano pelo nordeste, cruza a estrada moderna EN604-2 junto da Capela de São Sebastião e segue pelo caminho de linha de festo entre a ribeira de Toulões e o rio Seco, hoje linha divisória entre as freguesias de Escarigo e Vermiosa pelo Alto das Piçarras, Cruzeiro, Devesa de Cima, Alto das Missadas e Nave Calçada, marginando sítios romanos como Qta. da Tapada da Machada e Pinhal da Sacristia, continua pelo Alto dos Barreiros, Prado das Fátimas, Vale da Coelha até à estação viária de Vale da Mula) Vale da Mua (possível mutatio no cruzamento com uma suposta via E-O proveniente de Marialva rumo a Ciudad Rodrigo por Pinhel e Almeida; a via cruza a povoação e segue pelo Alto das Corças, passando a nascente da villa da Sra. do Mosteiro) S. Pedro do Rio Seco (cruza a povoação e segue pela Eira do Silva e Alto dos Pluviões) Vilar Formoso (segue pelo «Caminho do Carril» por Atalaia/Alto de Vilar Formoso e Alto da Lomba, passando a nascente de Freineda) Malhada Sorda (a via seguia pelo Alto do Cabeço Madeira, Carril, Alto dos Castanheiros e S. Pedro do Carril, passando a nascente do vicus do Verdugal/Moradios, confluindo pouco depois em Batocas na EN332 que passa a seguir pelo Alto do Guinaldo e Alto da Lomba) Aldeia da Ponte (entronca na via proveniente de Salamanca e segue rumo a Alfaiates e Sabugal) Alfaiates (nó viário; daqui partia um itinerário para Mérida) Sabugal (Equotule?) (junto da travessia do rio Côa rumo à Ponte de Capinha, trajecto descrito no Itinerário Tomar - Salamanca)
Torre de Almofala (civitas COBELCORUM) a Póvoa do Mileu, Guarda Ligação entre os povoados romanos de Torre de Almofala e Póvoa do Mileu na Guarda com travessia do rio Côa na Ponte Velha. Esta via cruzava a fronteira e seguia por Escarigo seguia próximo das villae em Cabeço da Recta e Cabeço da Prata, rumo à travessia da ribeira de Aguiar/rio Seco na Ponte Romana?-Medieval da Vermiosa (continua em calçada por 500m contornando pelo norte a villa de Vale de Olmos), continua por Passagens, Fonte do Espinho, junto do vicus/villa? de Pedregais, chega a Reigada pela Capela de St. António, continua pelo Barrocal e inicia a descida ao Côa pelo caminho abaixo de Cinco Vilas, conhecido por «Estrada de França», até à calçada de Poço Cavalo que percorre a margem direita do Côa até à «Ponte Velha». Travessia do rio Côa (na «Ponte Velha»?, ponte medieval destruída em 1907 por uma cheia que ainda conserva 3 dos 5 arcos primitivos; continua pelo alto das Poças rumo à travessia da ribeira das Cabras na Qta. da Ponte) Pinhel (ver espólio no Museu de Pinhel; a via subia ao povoado, seguia paralela e a nascente da EN221 por caminho em terra, tomando depois a EM574 pelo Alto da Pêga) Vascoveiro (continua pela cumeada por Feiteira, Seixal, Alto do Bandarra, passa junto da Capela de Sta. Bárbara, seguindo para o Manigoto pelo Alto das Lameirinhas) Manigoto (marca de tégula referente à Legião IV Macedónica na Qta. da Urgeira atesta a presença militar nesta área; via passa na igreja, cruza a ribeira da Pega e segue a leste de Vendada pelo Alto da Brôa/Alto da Folha da Lomba, Santa Maria e Lajinhas) Pomares (cruza novamente a ribeira da Pega e segue por Sobreiras e Porto de Avelãs, na linha divisória ente concelhos) Argomil (ver Estela de Argomil na igreja; continua por Sra. da Lagoa, passa junto do casal romano de Vilares) Rapoula (calçada na rua da Lagoa desce à povoação, passa na igreja e segue por Caneirinhas, junto do tesouro de Ladeira e Amial) Menoita (tesouro; continua pelo Alto do Seixal, Cabeço da Maunça e junto do Povoado fortificado do Outeiro de S. Miguel e da Qta. da Rasa, onde apareceu o cipo funerário de Coria e Peinuca; cruza a ribeira de Massueime, continua para a travessia do rio Diz em Corredoura, junto da estação CF, e sobe à Guarda) Póvoa do Mileu, Guarda |
| Viae ab LANCIA TRANSCUDANA |
![]() |
Rede viária de Póvoa do Mileu (Lancia Transcudana?) Póvoa do Mileu, Guarda (povoado romano em torno da Capela da Sra. do Mileu, situado na base do Castro de Castelos Velhos, provável capital dos Lancienses Transcudani da inscrição da Ponte de Alcântara; o castro foi destruído na década de 90, 'engolido' pela cidade, mas ainda se preservam importantes vestígios do vicus romano na área da capela; daqui provém uma ara dedicada a Bande Brialeacus, divindade indígena que aparece também em Orjais, um cipo funerário e uma inscrição a Frontoni, emigrante taporo) Ligações a partir de Póvoa do Mileu: Mileu era um importante nó viário marcado pela passagem dos eixos N-S rumo ao rio Tejo; para norte seguia uma via por civitas Aravorum (Marialva) rumo à travessia do rio Douro no Vesúvio; para nordeste uma outra via dirigia-se para a cidade dos Cobelci (Torre de Almofala) (ambas descritas acima); na direcção sul partiam dois importantes itinerários, um ligando a «Centum Cellae» (Torre de Belmonte) onde entroncava na via para Mérida pela Ponte de Alcântara, e o outro seguia mais a nascente, cruzando a via Tomar - Salamanca a oeste do Sabugal, continuando depois por Meimoa e Penamacor até Igaedis entroncando também na mesma via para Mérida. A via saía da cidade pelo Bairro da Sra. dos Remédios, onde existiam vários troços de calçada que foram entretanto destruídas durante a construção da nova circular 1997, não restando hoje mais que o pequeno troço no parque público. Por outro lado, as vias transversais E-O apresentam o trajecto muito dificultado pelos vales cavados que caracterizam a região e não fariam parte de grandes itinerários, mas antes de pequenas ligações entre os diversos povoados (Act. 2020). Para poente seguia uma via rumo a Celorico da Beira descendo a íngreme encosta pela calçada do Castro do Tintinolho; para nascente poderia existir uma hipotética via na direcção de Salamanca (Perestrelo, 2003), mas o seu traçado é problemático. Póvoa do Mileu a Belmonte («Centum Cellae») A via segue pela Sra. dos Remédios (topónimo Qta. da Calçada) e Monte Calvo, cruza o rio Noéme na Ponte Pedrinha em Barracão, continua por Póvoa de S. Domingos, onde toma o estradão que vai pela cumeada da serra por alturas de Ramela pelo Alto de Santa Cruz e Alto do Barrocal do Conde (2 aras em Aldeia Nova), continua pelo Alto da Galgueira e Catraia da Serra (epitáfio de Proculo, CIL II 458, na fachada da igreja de St. Antão em Benespera, proveniente talvez da villa da Qta. de S. Domingos, onde o caminho descia para a travessia da ribeira do Vale da Teixeira); daqui seguia por Colmeal da Torre, Santo Antão e Qta. da Torre até ao povoado romano de Centum Cellae, onde conflui na Via Braga-Mérida. Póvoa do Mileu a Idanha-a-Velha (IGAEDIS) Esta via partia da Guarda rumo a sudeste, passando a nascente do importante Santuário Luso-Romano de Cabeço das Fráguas, onde existe uma rara inscrição rupestre em língua «Lusitana» sobre o sacrifício de animais a divindades indígenas, entre outras a Trebaruna, Reve e Labbo, esta última reaparecendo como a divindade Laepo no vicus da Qta. de S. Domingos, situado no sopé do santuário, em 3 aras votivas na Capela da quinta, umas das cerca de vinte aras achadas na área do vale em torno do povoado romano, muitas destas anepígrafas, sugerindo a existência de um local de culto a esta divindade; numa das aras parece ler-se vicani Ocelonensis, colocando o santuário no território da civitas dos Ocelenenses. O percurso inicial seria comum à via para Centum Cellae até bifurcar em Barracão, seguindo esta por Panoias de Cima, Santana da Azinha (possível miliário num muro), Fernão Luís, Fonte Velha, Coito, Aldeia de Santa Madalena (inscrição funerária, FE 365 na Igreja), Lameiras, Pousafoles do Bispo (possível mutatio na villa ou vicus mineiro? do sítio do Lameiros das Casas), continua por Lomba e Águas Belas (por Fonte da Estrada e Lomba dos Palheiros), podendo aqui bifurcar em dois ramais que iam entroncar na Via O-E de Tomar a Salamanca, seguindo um ramo por Urgueira (marginando o possível vicus da Tapada do Açude, relacionado com minas de cobre; daqui partia uma ligação ao Sabugal pela Nave da Queixada); continuava pela Aldeia de Santo António até ao vicus da Tapada Velha, onde aliás se achou o miliário de Alagoas descrito abaixo (Perestrelo, 2003; Osório, 2006; Pedro Carvalho, 2008). Alagoas, Sabugal (provável mutatio a 21 milhas de Mileu no cruzamento com a Via para Salamanca; estação viária associada ao vicus da Tapada Velha, de onde será proveniente o miliário que apareceu no centro de Alagoas a servir de cruzeiro; a via para Igaedis continuava para sul cruzando a EN233, seguindo depois pelo estradão que acompanha a linha divisória entre os concelhos do Sabugal e Penamacor por alturas de Meimão, passando em Cabeço da Vela, Alto de St. Estevão e Alto da Cabeça Calva, descendo depois a Meimoa talvez pelo caminho próximo da villa? do Cabeço do Lameirão) Meimoa (vicus VENIA) (excelente colecção de epigrafia na Casa-Museu Dr. Mário Pires Bento; epitáfio de Gracilis achada em Vale dos Frades; epitáfio de Postumus, um emigrante Cluniense; ara a Júpiter Solutorio; a ara honorífica dedicada ao Imperador Trajano pelos Vicani Veniensis indicia a localização do vicus Venia nas proximidades, devendo corresponder ao sítio romano da Canadinha, situado na margem oposta à actual povoação, junto da confluência do ribeiro da Queijeira com a ribeira de Meimoa) Ponte Romana?-Filipina sobre a ribeira de Meimoa (70 m, 7 arcos; duas inscrições funerárias incorporadas na ponte; a via continuava para sul passando junto do vicus da Canadinha rumo ao Alto de St. André) Penamacor (ver materiais romanos no Museu Municipal; ara a Bandi Vorteaecio de Vale Queimado; ara a Júpiter Conservatori; ara de Attius Rufus a Júpiter na Capela de S. Pedro; inscrição a Victoria; a nordeste, junto da Carreira de Tiro, há largas cortas mineiras em Presa e Salgueirinha, associadas a um possível acampamento militar romano em Lenteiro/Covão do Urso (Sánchez-Palencia e Brais Currás 2017 400); a via desce do Alto de St. André e contorna Penamacor pelo vertente nascente e segue junto da villa de Olival Queimado, onde apareceu a ara votiva de Coutilius também dedicada a Bandi Vorteaecio, rumo à travessia da ribeira das Taliscas na Qta. das Adelinas (?), junto do topónimo «Carril», continuando depois próximo do sítio romano da Qta. do Frazão e da possível mutatio no sítio do Ferrador, situado na base do Cabeço da Atalaia, onde ainda há 20m em calçada, marginado duas possíveis villae, uma na Tapada do Robalo e outra recentemente descoberta em Saibreira) Aldeia de João Pires (ara a Júpiter junto da igreja; ara votiva a Diana, FE 590; segue a nascente, cruza a ribeira homónima e continua pelo Alto do Carvalhal/Malhada da Viseira) Monsanto (a via passava próximo da villa de S. Lourenço em Monsatela e continuava pelo sítio romano de Chão do Touro, onde apareceu ara a Arentio e a leste do sítio do Salgueiral, onde há uma inscrição num palheiro, continuando por Carroqueiro e Vale da Portela, onde apareceu um miliário muito desgastado onde apenas se lê [… …] A / MILIA, hoje no Museu de Idanha-a-Velha (Baptista, 1998), ou seja «a milha», no entanto a distância medida no terreno é cerca de 2 milhas (?); a via cruza a ribeira da Bica e continua em calçada junto do sítio romano da Serrinha, contorna o Alto da Bigorna e segue por Carrascal da Serrinha e Horta do Pereiro rumo à Porta Norte de Igaedis) Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (a entrada na cidade fazia-se junto da necrópole da Tapada da Eira pela Porta Norte) |
| Viae ab IGAEDIS |
![]() ![]() |
Rede viária de IGAEDIS Deveriam existir ligações de Igaedis a Ebora e Ammaia, cruzando o rio Tejo na Barca de Perais em Vila Velha de Ródão. Esta via corresponde a um velho caminho de transumância que foi utilizado até ao século passado, permitindo o trânsito dos rebanhos que vinham da Beira Baixa para o Alentejo e Algarve em busca de pastagens. Depois de cruzar o Tejo, a via continuava para sul por Montalvão, bifurcando pouco depois rumo a Ebora por Alpalhão e rumo a Ammaia por Castelo de Vide. (vide Baptista, 1998; Bilou, 2000a, 2005; Carneiro, 2000a, 2004 e 2008). Idanha-a-Velha (IGAEDIS) a Évora (EBORA) e Aramenha (AMMAIA) Partindo de Idanha-a-Velha, a via dirigia-se ao rio Tejo por Castelo Branco, inflectindo para sudoeste pouco depois de Benquerenças por Represa, Retaxo (junto da Capela da Sra. da Guia) rumo à travessia do rio Tejo a sul de Perais; o traçado da via deverá corresponder ao caminho que cruza a EM1265 e continua pelo Alto do Mulato, Monte dos Ratinhos (necrópole) e Monte da Coutada (villa?), cruza a ribeira de Lucriz na Casa da Ribeira (EN355; junto do povoado da Cadaveira, onde apareceu uma inscrição funerária de um natural de Concordia, hoje no MTPJ), continuando talvez sob a EN335. Existe um caminho alternativo a partir de Retaxo , seguindo próximo de Cebolais de Baixo (por Alto do Pato e «Ladeira de S. Gens»), Vidigueira e Vale de Pousadas (junto do topónimo «Meia-Légua») (act. 2019). Perais (a descida ao rio tem início na Igreja Matriz e segue por Estalagens e Calçados, tomando depois o caminho da Barreira da Barca pela Calçada da Telhada, serpenteando por sólida calçada até ao rio que atravessava junto a Lomba da Barca, na outra margem; Henriques, 2013) Montalvão (depois de cruzar o rio, a via seguia junto dos marcos geodésicos do Pombo e dos Remédios, passando junto da Capela da Sra. dos Remédios, atravessando depois a povoação; topónimo rua da Barca; fustes de colunas na rua das Almas; continua pela EM525 bifurcando aos 1,3 km para Ebora e Ammaia)
Montalvão a Ebora por Crato e Alter do Chão Montalvão (a via continua por Cancelão, Porto de Alpalhão e Alto de Paianes; Carneiro, 2008; continua a poente da villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa; Monteiro, 2011) Travessia da ribeira de Nisa na Costa da Lapa (continua depois junto do sítio romano de Patalou e pelo Alto das Churras/Charás, ribeira de Figueiró e Alto do Touriz/Touril) Alpalhão (a via continua para sul, passando entre os importantes sítios romanos da Raposeira e de Fraguil que em conjunto formam uma vasta área de vestígios ainda por escavar que sugerem a existência de um vicus viário associado a uma mutatio; este importante nó viário que articulava as travessias do rio Tejo na Barca da Amieira (via proveniente de Conímbriga e Tomar) e Vila Velha de Ródão (via proveniente de Idanha-a-Velha) com os eixos viários Lisboa-Mérida que corriam mais a sul, justificam plenamente a existência de uma estação viária neste local) Vale do Peso (segue talvez pela Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Rôdo) Flor da Rosa (balneário?; villa em Couto dos Coldes) Crato (estela de Cilea, IRCP 626; sai pelo cemitério, cruza a estrada alcatroada e desce em calçada para a Ponte Romana-Medieval sobre a ribeira do Chocanol que reutiliza materiais da ponte anterior romana e situada na base do Monte do Chocanol, provável Vicus Camaloc(...) com base numa ara a Júpiter encontrada no caminho de acesso ao povoado colocada pelos Vicani Camalo[cani?, censis?]), continuando para a travessia da ribeira da seda por uma ponte reconstruída no século XVII eventualmente sobre fundações romanas, cruza a linha férrea e segue próximo da importante villa da Ganja e da respectiva necrópole 350m adiante; daqui a via seguia talvez pelos altos de S. Lourenço e S. Miguel até Alter do Chão) Alter do Chão (Abelterio) (cruza o Itinerário XIV Lisboa-Mérida e segue talvez pelo Alto da Courela e cruza a ribeira de Sarrazola junto do Monte Judeu onde há necrópole) Fronteira (passa a poente pelo caminho do Vale de Amoreira atendendo ao aparecimento ali próximo do possível miliário do Monte da Palhinha; desce pelo Monte do Vale de Amoreira até à ribeira Grande que cruza junto do topónimo «Porto de Melões», na base do povoado indígena romanizado do Outeiro de S. Miguel; continua pelo Alto da Granja, cruza a ribeira de Sousel junto do Monte da Defesa de Barros, onde apareceu a ara funerária de Calpurnia, continua pelo Monte da Capelinha, Monte da Roxa/ Alto do Carvalheiro, Monte da Rouca e rua Tapas das Brancas) Cano (possível cruzamento com a ligação Ponte de Sor-Estremoz; a via deveria continuar pela «Estrada de Évora» até ao cemitério, seguindo depois o caminho pelo Alto de Macarra, cruza a ribeira de Almadafe próximo do Monte Mouchão e cruza a ribeira de Tera junto do Monte da Broa, continuando próximo do Monte da Estrada; este trajecto foi percorrido por Claude Bronseval no século XVI; Bronseval, 1970) Vimieiro (fortim de Soeiros poderá estar relacionado com o controlo desta via; continua talvez pelo Monte da Carreteira, Monte da Ermida, Monte do Santana, Monte de Courelas) Santa Justa (seguia talvez junto da Capela de Santa Justa onde apareceu uma ara votiva e há vestígios de uma villa ou mutatio, continuando talvez pelo Monte da Comenda de Cima e Monte da Anta, servindo de divisória concelhia e marginando duas fortificações romanas que controlariam a via, o Castelo de Santa Justa e o Castelo do Mau Vizinho , continuando depois a poente do Monte da Calada onde apareceu o epitáfio de Apano) Igrejinha (a via seguia talvez a nascente pelo Monte do Barrocal e Alto dos Algraveos, cruza o rio Degebe junto do Monte dos Álamos e segue para Évora pelo Bairro dos Canaviais?) Évora (Ebora) Montalvão a Ammaia por Castelo de Vide Montalvão (segue para sul pela EM525 até ao Alto do Boto, onde desvia desta estrada pelo caminho da Nave Guedelha que passa na Capela de S. Silvestre, até reunir com EM525) Póvoa e Meadas (cruza a povoação e segue a EM525 até ao nó viário da Sra. da Luz, passando junto dos altos da Cabeça, da Légua e da Tinhosa) Castelo de Vide (continua junto da Capela da Sra. da Luz até confluir na EN246-1 até à Capela de S. Pedro, onde toma o caminho que segue a meia-encosta pela vertente oposta à povoação, passando junto dos topónimos viários «Fonte da Mealhada» e «Pouso» até reunir com a EN246-1 junto ao supermercado) Escusa (a via percorria o Vale de Escusa, seguindo paralela e a sul da actual EN246-1, mas foi terá siso destruída pela actividade agrícola) Ammaia (entrava na cidade pela Porta Norte junto ao forum) |
| Viae ab AMMAIA |
![]() |
Rede viária AMMAIA A importante cidade de Ammaia situa-se na margem esquerda do rio Sever, ocupando terrenos das quintas de Deão e Azenha Branca, em S. Salvador da Aramenha (Marvão) tem vindo a ser escavada ainda que de forma intermitente após séculos de abandono e saque, apresentando hoje um importante conjunto de ruínas e um excelente ««Museu da Cidade de Ammaia» que expõe parte do vasto espólio recolhido. Apesar de não integrar nenhum dos grandes itinerários descritos no I.A., a cidade era servida por uma rede viária secundária de carácter regional (daí a ausência de miliários) que interligava a cidade às principais rotas comerciais na época romana, nomeadamente Igaedis a norte, Ebora a sul, Aritium a noroeste, Norba Caesarina a leste e claro, a importante via para sudeste, rumo à capital provincial da Lusitânia, Emerita Augusta, articulando com os três grandes eixos viários que ligavam Mérida a Lisboa/Mar Oceânico, os Itinerários XII, XIV e XV de Antonino. O conhecimento da rede viária de Ammaia continua a crescer em resultado dos trabalhos efectuados na cidade nos últimos anos (vide Carvalho J., 2002; Corsi, 2006; Carneiro, 2008), no entanto subsistem ainda grandes dúvidas nos traçados e nas eventuais estações de paragem pelo que os roteiros aqui apresentados são ainda meras hipóteses de traçado. Curiosamente, a única ponte dita como "Romana" é a Ponte da Portagem é na verdade uma construção quinhentista (!), eventualmente reutilizando material das três pontes romanas que serviam a cidade na época romana:
AMMAIA a EBORA A provável via de ligação a Ebora deveria rumar a sudoeste rumo à Ponte Romana-Medieval da Madalena sobre a ribeira dos Alvarrões (junto da ponte nova na EN246-1), continuando depois pelo caminho à esquerda para Carris, onde ainda subsistem troços em calçada, continua a sul de Alvarrões (Fonte da Mulher) confluindo pouco depois na EN359 que segue ao longo da Ribeira de Nisa, contorna o Cabeço do Mouro e desce a Portalegre; daqui rumava a Monforte por Assumar, continua para Veiros (passava junto do sítio romano na antiga Capela do Monte de S. Pedro de Almuro onde ainda há vestígios da via, e seguia pela Herdade da Guardaria, onde apareceu uma inscrição funerária), segue a São Bento da Ana Loura (villa), entronca na Via XII e segue por Estremoz e Évora Monte até Évora.
AMMAIA a NORBA CAESARINA (64 milhas) Esta via seguia para nordeste por Portagem, ao longo da margem esquerda do rio Sever até ao lugar da Ponte Velha, onde uma derivação seguia para Beirã rumo ao rio Tejo, seguindo depois a calçada que vai por Ramila de Baixo, Relva da Asseiceira, Aires rumo à travessia do rio Sever próximo da vila de Pombais, continuando em terras espanholas por Valencia de Alcántara (aqueduto; Puente Romana da Piedra; Pontarrón de los Agravios), Aliseda (a norte da povoação) e Malpartida de Cáceres, rumo a Norba Caesarina, actual Cáceres. AMMAIA a EMERITA Saindo da cidade pela monumental Porta Sul, atravessava o rio Sever na Ponte Romana de Olhos de Água (restam apenas vestígios dos arranques do arco único na margem direita), continuando depois pelo vale da Serra de S. Mamede (EM521) por Porto da Espada (junto da villa? de Alagoa) e S. Julião, atravessava a fronteira luso-espanhola em Rabaça (a 12 milhas de Ammaia), continuando por caminho carreteiro sempre recto que acompanha o curso do rio Gévora, passando a norte de La Codesera até Alburquerque, podendo ligar por esta povoação a Norba Caesarina (Cáceres) ou manter a direcção sudeste que trazia, continuando por Villar del Rey rumo a Emerita (Mérida). (Act. 2020). AMMAIA a FRAXINUM (Monte da Pedra) Seguia a via descrita acima até ao nó viário da Sra. da Luz em Castelo de Vide, continuando depois pelo apeadeiro e pelo sopé da Serra de S. Paulo/Alto dos Lavradores e a norte de a importante villa do Monte do Mascarro (ara votiva), Monte de Santa Marinha (epitáfio de Domitius) e Tapada da Pedreira (villa), seguindo próximo dos Montes da Lameira e Machoquinho rumo ao Porto dos Espinheiros (?) onde fazia a travessia da ribeira de Nisa; continua talvez por Taberna Seca, a sul da villa de Vale da Manceba até confluir na EN246 na travessia de Figueiró, seguindo por esta até à Capela de S. Sebastião, chegando a Alpalhão (nó viário no cruzamento com a via proveniente da Barca da Amieira rumo a Mérida); mantendo a direcção E-O, a via seguia talvez por Gáfete e a sul de Tolosa rumo ao miliário do Monte do Aguilhão e daqui descia ao Monte da Pedra, presumível localização de Fraxinum. |
| Viae ab CALE |
Karraria Antiqua
![]() Per Loca Maritima
![]() ![]() Via Veteris
![]() |
Porto (CALE) - Barcelos/Caminha (Karraria Antiqua) A grande via militar romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo passava em Cale, estação estrategicamente situada junto da sempre difícil travessia do Rio Douro que na época servia de linha divisória entre a Galécia e a Lusitânia. Esta localização privilegiada tornou Cale num importante nó viário de onde partiam muitas outras vias em várias direcções. Esta rede de vias romanas secundárias, dada a ausência de miliários, deveria assentar em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos da região. Muitos seriam elevados a civitates durante o domínio romano reunindo castros romanizados e novos castros romanos numa ordem administrativa bem longe do modelo clássico do urbanismo romano. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionaram um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Com as excepções de Bracara Augusta e Aquae Flaviae, ainda assim fundadas por aglomeração da população castreja em seu redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas quer reutilizando os velhos castros quer através da fundação ex-nihilo de 'novos' castros como é o caso do Monte Mozinho que passam assim a desempenhar funções de capital de um território que passa a designar-se de civitas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências em documentos alti-medievais como «karraria antiqua», «karia antiqua», «carraria maurisca» ou «via vetera», eixos viários romanos que se projectaram atá aos dias de hoje como as grandes rotas comerciais da região. Muitos das referências a estas antigas estradas provêm da compilação de documentos intitulada «Portugaliae Monumenta Historica» organizados por Alexandre Herculano, incluindo os nomes de villas, castros e rios. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através dos vestígios de povoamento romano ao longo do seu percurso como bem demonstraram os trabalhos de Carlos Ferreira de Almeida e de Brochado de Almeida (vide Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).
|
| Via CALE a VIMARANES |
![]() ![]() |
Itinerário Porto (CALE) - Alfena - Negrelos - Guimarães A via medieval entre Porto e Guimarães conhecida por Via Vimaranes ligava a travessia do Douro em Cale à travessia do rio Ave próximo de Guimarães, ponto de passagem da Via Bracara a Tongobriga e que aqui teria uma estação viária. Partindo de Cale, a via cruzava os principais em duas pontes com origem romana, a Ponte de Alfena sobre o Leça e a Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela, servindo ao longo seu percurso importantes castros romanizados, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins. Há referências alti-medievais a uma via antiga na base do Castro do Monte Córdova entre os rios Leça e Sanguinhedo, no ano de 1048 subtus mons cordouo...carera antiqua (PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso», «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (PMH DC 864). A partir daqui poderiam existir duas alternativas, uma seguindo junto do Monte Padrão e Citânia de Sanfins (Almeida, 1968, 42) e outra contornando o maciço montanhoso pelo norte por S. Miguel do Couto, Burgães, Rebordões, S. Tomé de Negrelos e Roriz. Ao longo desta rota surgem diversos vestígios romanos, atestando a sua utilização contínua nessa época:
CALE Saindo pela demolida Porta de S. Sebastião, seguia pela rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, rua do Lindo Vale (antiga «Estrada velha», hoje cortada), rua Costa Cabral (Cruz das Regateiras), continuando por Pedrouços (rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105 por Cruz, Corim, Alto da Maia, passando a sul do castro romanizado do Castelo da Maia), Ermesinde (próximo do Sra. dos Aflitos sai da EN105 pela rua Júlio Dinis, rua Portocarreiro, rua Vasco da Gama, rua Miguel Bombarda, rua da Fonte, continua depois da linha férrea por Soutinho de Baixo, Barreira e rua Central do Reguengo até ao pontão romano(?), rumando depois à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio na m.p. IX; gafanha medieval), continuava pela rua de Xisto até confluir na EN105, saindo depois no Torrão à esquerda pela estrada que vai por Sobradelo, cruzando a ribeira de Pizão num pontão antigo, ascendendo depois pela rua da Serra ao Alto de Vilar, continua por Felgueira, Portela, Simão, Sta. Eulália, Agrinha, cruza a EN105, segue entre a ribeira de Sanguinhedo e o rio Leça conforme indicado na Carta do Couto, por Souto da Venda, S. Tiago de Carreiras, Brandariz, Rapinho (onde deriva o caminho de acesso ao Castro do Monte Padrão), continuando depois por Ns. de Valinhas paralela à estrada actual em direcção a Monte Córdova, passando na base do , desviando na povoação pela rua da Fontinha para tomar o caminho de terra que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue pela rua dos Lameirões, atravessa a rua S. Salvador e continua pela rua da «Via Romana», um caminho em terra que sobe para Santa Luzia até cruzar a EN319 no lugar do Cruzeiro (este local corresponde à milha 41 desde Cale pelo que poderia ser aqui o local original do miliário de Casais que Jorge Pinho achou a cerca de 1 km deste local, integrado num muro de divisão de propriedade no lugar de Casais; Pinho 2010); a partir daqui, a via rumava à Citânia de Sanfins, seguindo talvez pela rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo, continuando pela rua Central de Redundo, rua Nascente do rio Leça, cruza a estrada asfaltada e segue o caminho pela vertente ocidental da citânia, actualmente parcialmente destruído pela pedreira; daqui descia para o vale do Vizela (seguindo talvez pelas ruas das Agrelas, Plaino, António Maria Gomes, Amial, Montessô, Mosteiro de Singeverga, Pegeiros, Santa Maria de Negrelos, Cedofeita, José Martins Costa e Manuel de Sousa Oliveira) rumo à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, onde cruza o rio Vizela, continuando depois por Moreira de Cónegos (pela rua de S, Paio, Pereiras, Cruzeiro, Barreiro, Capela de Sta. Luzia, rua das Casas Novas, rua do Arco, cruza o ribeiro de Nespereira e conflui na EN105 em S. Martinho do Conde), continua em Nespereira por Cruz, Venda Velha e Santo Amaro, provável local de cruzamento com a Via Braga a Tongobriga que seguia no sentido NW-SE, passando neste local a sudoeste de Guimarães. |
| Via CALE a TONGOBRIGA |
![]() ![]() ![]() |
Porto (CALE) - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA) Via romana secundária ligando Cale a Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses), servindo importantes explorações mineiras que se estendiam pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15/A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte de Cepêda em Paredes (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998; Almeida et al., 2008). Porto (CALE) (saía do núcleo amuralhado do morro da Sé pela Porta de Vandoma, demolida em 1855, continuando pela calçada de Vandoma e rua Chã, antiga rua Chão das Eiras, sobe pela rua Cimo de Vila até antiga Porta de Cimo de Vila, actual Praça da Batalha) St. Ildefonso (rua de St. Ildefonso, antiga rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas) Bonfim (m.p. I na Igreja; continua pela rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras, e rua de Godim) Campanhã (m.p. II; cruza a linha férrea e a AE junto da Qta. de Vila Meã, antiga villa Minhao e hoje Qta. da Mitra, mas hoje toda esta área é ocupada pela Estação de Campanhã e a VCI; do outro lado venceria a milha 2 junto da Corujeira; continuando pela rua de S. Roque da Lameira e Calçada de Maceda, cruzando o rio Tinto na Travessa da Ponte?) Rio Tinto (m.p. IV; acompanha aproximadamente a EN15 por S. Caetano, Sr. do Calvário, Cavada Nova e Capela de S. Sebastião, talvez na milha 4; continua por Venda Nova, Ferrarias e Carreira/rua e travessa da Carreira, atravessa o rio Torto e pouco depois segue talvez pela ruas D. Inês de Castro, rua das Tulipas, rua Monte da Pedra até ao Alto da Serra/Monte Alto) Valongo (m.p. VIII; povoado mineiro na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração aurífera da Serra de Sta. Justa, como o Fojo das Pombas; daqui seria a estela funerárias de Flavus, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto, emigrante Bracari que trabalharia nas minas; no Alto da Serra toma o estradão junto da ETAR pela rua da Estrada Velha e rua Marques da Rocha até reencontrar a EN15, continua pela travessa da Presa, cruza a linha férrea e segue pela rua Alto Fernandes) S. Martinho do Campo (m.p. X; ver possíveis diverticula de acesso às minas; segue pela rua do Borbulhão e rua do Calvário) Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Ferreira (estrutura românica; da ponte seguia por Vilarinho de Baixo, Gandra, Moreira, Casais e Serra, hoje segue a travessa de Vilarinho de Baixo, rua Gandra do Correio, travessa da Estrada Velha, travessa de Moreira, rua de Casais, rua da Serra e conflui na EN15 junto da Sra. da Guia) Vandoma (m.p. XIV; Castro romanizado do Muro, o Monte Bendoma da documentação medieval, possível centro religioso dos Callaeci, onde apareceu uma inscrição a Nabia; Silva ACF, 1994; a via seguia junto da Capela de S. Silvestre, a milha 14, e pela rua do Padrão que passa próximo de uma pequena necrópole, continuando pela travessa de Serzedo até reunir com a EN15) Baltar (m.p. XV na igreja; necrópoles em Tanque, Calvário e Cruz, indiciam a passagem da via pela actual rua do Areal, marginado a Capela das Almas na milha 16 e a Capela do Sr. dos Aflitos, continuando antiga «Estrada Real» por Castelo e Alqueidão até reencontrar a EN15 em Venda Nova, pouco antes de Mouriz) Paredes (m.p. XVII; seguia por Fonte Sagrada, Jardim Público, Ponte da Estrebuela e rua de Cepêda) Ponte Romana?-Medieval de Cepêda sobre o rio Sousa (a seguir à ponte subsiste um troço lajeado no CM1325 que margina a casa onde funcionou a estalagem medieval da Costeira, o «Hospital do Espírito Santo») Qta. da Aveleda (m.p. XX na entrada; segue depois para Penafiel pela EN596-1, passando na Capela de S. Roque e das Alminhas na milha 21) Penafiel (m.p. XXII; antiga Arrifana do Sousa, estalagem/hospital medieval; segue pela rua do Carmo, antiga rua de «Santo António Velho», rua Direita, rua Paço, Largo da Ns. da Ajuda, rua Alfredo Pereira e Monte Sameiro, onde apareceu uma estatueta de Marte, hoje no Museu de Penafiel; continua pela Av. Gaspar Baltar por Chãos de Cima até à rotunda da EN15 em Crasto de Cima, junto das Alminhas) Santa Marta (continua pela rua Castro rumo à Ponte Romana?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum, continuando pelo pinhal a sul de Paredes e Carvalhos, onde inicia a ascensão da serra pela «Calçada da Arnova», actualmente já muito destruída que ascende ao povoado) Castro de Quires (m.p. XXVI; importante povoado indígena romanizado; daqui inicia a descida rumo a Sobretâmega por Gaia, Monte da Forca, Caniva de Cima, Capela de S. Sebastião, milha 27, Cruzeiro, Quatro Irmãos, São Pedro, Ponte dos Asnos, milha 30, seguindo para a Capela de S. Sebastião no «Terreiro dos Santos», onde entronca na via principal proveniente de Braga, descendo por Rua para a travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana) Freixo, Marco de Canaveses (Tongobriga) Nó viário de Santa Marta Na área de Santa Marta, além da via para Tongobriga, afluíam outros eixos viários justificando a existência de uma estação viária tipo mutatio integrada num possível vicus a que estará associada a necrópole no lugar da Estrada: para norte seguia uma via por Lousada e Vizela rumo a Guimarães; para nordeste pelo Alto da Lixa rumo a Amarante, entroncando ambas na via principal Braga-Mérida, e finalmente uma via de ligação ao rio Douro seguindo para sul rumo a Eja/Entre-os-Rios.
Outros diverticula da via Cale - Tongobriga Existia uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira das Serras de Sta. Justa e de Pias.
|
| Via CALE a TALABRIGA per loca maritima |
Cale
Vouga Picôto
Úl ![]() ![]() ![]() |
Porto (CALE) - Cabeço do Vouga (TALABRIGA) per loca maritima Vários indícios apontam para a existência de uma via romana secundária paralela à via militar entre Cale e Talabriga seguindo mais próximo do litoral marítimo designada por «estrada mourisca» em documentos medievais, mas cuja origem poderá ser bem anterior atendendo aos vários castros ao longo do seu percurso, indiciando uma cronologia anterior ao processo de romanização. Na época romana esta estrada teria um carácter secundário dada a ausência de miliários, não obstante a recente descoberta de um pequeno fragmento de um miliário em Tartomil, (lugar próximo da Praia de Valadares, Vila Nova de Gaia), cuja inscrição alude ao trineto de Adriano, ou seja ao imperador Caracala (I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNE), actualmente em exposição no Solar dos Condes de Resende em Canelas (vide Leite, 2013); sendo improvável a passagem da via neste local, é possível que esta pedra tenha sido deslocada em data incerta da via militar que passava a nascente pelo centro de Vila Nova de Gaia. O itinerário aqui proposto parte da travessia do rio Douro no cais da Ribeira e ascende pela encosta do oppidum do Castelo de Gaia, continuando depois por uma rota em altura sem grandes oscilações de cota, passando não muito longe do Castro romanizado da Madalena e da necrópole romana do Monte Sameiro em Valadares, marginando depois a necrópole tardo-romana e provável vicus do Alto da Vela em Gulpilhares e daqui seguia ao lugar de Brito em S. Félix da Marinha, atendendo à referência à «estrada mourisca» na doação de Trutesindo Mendes ao Mosteiro de Grijó das terras que detinha em Brantães e S. Félix da Marinha, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298); continuava a nascente de Espinho por Anta, Silvalde e Paramos, passando nas proximidades do Castro de Ovil e da necrópole romana do Chão de Grilo em Esmoriz, mas a partir daqui é difícil determinar o seu percurso, podendo rumar ao interior ou continuar por Cortegaça, Arada até às proximidades do Castro de Salreu, onde cruzaria o rio Antuã e daqui ao rio Vouga. O destino final desta rota não é claro, podendo hipoteticamente seguir até um porto marítimo no estuário do rio Vouga, atendendo a que na outra margem do rio a presença romana está atestada pelo povoado da Marinha Baixa e os fornos do Eixo, ou inflectir para o interior de encontro à via militar para Olisipo que cruzava o rio Vouga na base do chamado «Cabeço do Vouga», localização do oppidum de Talabriga. (vide Fortes, 1909; Mattos, 1937; Guimarães, 1993, 1995 e 2000; Cidade, 1997; Bastos, 2009). Variante da Via XVI pela orla costeira Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia ascende pela encosta do oppidum do Castelo de Gaia talvez pela rua Rei Ramiro até ao lugar de Candal) Coimbrões (seguia talvez pela rua Sr. de Matosinhos, cortada pela A1, e rua das Oliveiras, marginando o povoado do Monte de Sta. Bárbara, junto da actual igreja paroquial, designado por colimbrianos no ano 922; PMH DC 25) Madalena (passaria no Largo das Oliveiras, onde resta um antigo marco do Couto de Tarouquela, colocado em 1599 junto da «estrada que vem de Vila Nova pra Madanella» segundo documentos do Mosteiro de Grijó e que ainda hoje serve como divisão entre freguesias, passando depois em Aguim, talvez o Castro Aquilini referido em documentação medieval, continuando talvez pela rua da Gândara até Gramoinhos para cruzar a ribeira da Madalena, mas hoje está cortado pela EN109/A44, reaparecendo depois na Av. António Coelho Moreira; a poente situa-se o Castro romanizado da Madalena)/ Coteiro do Castro/ Castro do Cerro Valadares (necrópole do Monte Sameiro, no topo norte da Cerâmica de Valadares; a via passa a nascente pelo centro da vila e depois de cruzar a EN109, segue junto da Casa do Paço) Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela rua do Rio do Paço até à rua da Chamorra e continua pela rua Salvador Brandão/EN15?) Gulpilhares (sai da EN15 pela rua do Pereirinho, junto ao cemitério, rua Nuno Álvares, cruza a ribeira de Canelas e segue pela rua João Ovarense até ao Alto da Vela, vasta necrópole tardo-romana hoje totalmente destruída onde apareceu imenso espólio funerária e o fuste de coluna em mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; espólio no Solar dos Condes de Resende; do Alto da Vela continuava pelo caminho de terra, hoje obstruído, seguindo depois pela rua de Enxomil e rua do Vale) Arcozelo (cruza a ribeira do Espírito Santo e continua pelo «Caminho Ribeiro» até confluir na EN1-15; continuava algures por Corvo de encontro à rua da Carreira Velha, hoje cortada pela A29) Brito, S. Félix da Marinha (continua pela rua dos Ligustres, rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui subia a encosta pela rua Velha da Calçada Romana, cruza a «Estrada de Brito»/EN109 e logo depois perde-se o seu rasto rumo à travessia da ribeira do Juncal) Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (cruzada a ribeira sobe à Capela de S. Tomé, eventualmente a «vila Spino» referida em documentação medieval; talvez continue pela S. Vicente de Ferrer, rua do Canto, rua do Lameirão rumo à travessia da ribeira do Mocho no sítio da Congosta/Carreira do Pereiro/Ponte do Pereiro, a montante da actual Ponte de Anta onde a travessia é mais facilitada; no local subsistem alguns vestígios de uma ponte em pedra e um sugestivo topónimo: «Rio da Pedra») Anta (necrópole; cruzada a ribeira, ascende por Quingosta/rua da Congosta, Igreja Paroquial e rua do Passal) Silvalde (continua pela rua do Porto que vai desembocar na rua das Quelhas e logo depois cruzava a ribeira de Silvalde na chamada Ponte de Pedreira, estrutura com eventual origem romana; daqui ascende pela rua Escadas do Covelo e rua Professor Castro até à Igreja Paroquial) Paramos (o local de travessia da ribeira do Rio Maior continua incerto, mas seria certamente nas proximidades do Castro de Ovil, povoado proto-histórico abandonado no início da romanização; a travessia poderia ser feita a jusante do castro, junto da Qta. da Germana, ou a montante, junto do topónimo «Ponte Redonda", onde ainda são visíveis os arranques de uma ponte antiga que ali existia) Esmoriz (a via deveria passar próximo da necrópole tardo-romana de Chão do Grilo, hoje rua das Saibreiras, mas a zona está muito alterada com construção da A29) Cortegaça (cruzaria a ribeira de Cortegaça em Mourão, onde existia uma ponte com presumível origem romana, restando o topónimo «rua da Ponte Romana» e as alminhas da «Sra. da Boa Viagem»; hoje segue a Rua de Mourão e rua dos 5 Caminhos, cortada pela A29) Arada (cruzava a ribeira de Louredo e seguia talvez pela rua do Marco, ao longo da linha divisória dos concelhos de Ovar e Feira, com sugestivos topónimos viários Carrascal, Estrada e Lameiro) Souto (cruzaria o rio Cáster próximo da Sra. da Guia em Tarei, com topónimos viários Alminhas da Calçada, Alcapedrinha e Lajes) São João de Ovar (talvez próximo do sítio pré-histórico da Amieira) Válega (villa Dagarei em documentos medievais; necrópole da Valegia em Pereira Jusã junto dos topónimos Passo dos Mouros/Minas do Mouros/Azenha da Mesquita talvez relacionados com esta «estrada mourisca») Avanca (talvez por Beduído, Capela Santo Amaro, continuando por rua da Feira, Souto, alminhas da Ns. das Febres, rua Pa. Joaquim Pinto e descia ao rio Antuã)
Variante da Via XVI pela Vila da Feira Vários indícios apontam para existência de uma outra via romana sensivelmente paralela à Via XVI, derivando desta no Alto do Picôto (EN1, Argoncilhe) rumo ao Castelo da Feira, continuando possivelmente de encontro ao itinerário principal Braga Lisboa com o qual entroncava nas proximidades de Oliveira de Azeméis; partindo do cruzamento do Alto do Picôto, seguia pela rua Central de Godo e pelo caminho designado por «rua Fronteira» e «rua Romana», hoje cortado pela A41, até à Igreja Paroquial de Mozelos, continua pela vertente nascente do Alto do Coteiro Murado onde se situa o Castro de Sagitela (referência à via em 1097 «subtus monte saitella discurrente strata ad portum asinarium riuulo maior», in PMH DC 867), continuando depois por Sobral (m.p. XII), Gesta e Murado, desviando depois pela rua Padre Zé, passando na base da Igreja de Sta. Maria de Lamas (m.p. XIV); logo depois a via foi cortada pela A1 junto da qual cruzaria a ribeira do Rio Maior (seria aqui o portum asinarium?), continuando talvez por Mata, Alpossos, Chão do Rio, Beire, Santa Ana, rua Mestra Júlia, rua da Saibreira, rua Ranzal, Gondufe, Meães, St. André e Capela da Ns. da Saúde, a 18 milhas de Cale. Vila da Feira (m.p. XIX; civitas Sancta Maria em documentos do século XI; duas epígrafes reutilizadas no Castelo da Feira, a ara a Deo Tueraeo colocada por um Brácaro e a ara a Bande Velugo Toiraeco). Vila da Feira - Mosteirô - Cucujães: a «estrada mourisca» poderia continuar para sul depois de cruzar o rio Cáster junto do Convento dos Lóios (?), a m.p. VIII, ascendendo pela encosta do Castelo da Feira ao Alto de Vinhais e daí à Igreja Paroquial de Fornos (m.p. XX), continuando por Quintã de Baixo, Penedo e Lagoeira (?), rumo à Ponte dos 3 Arcos/Ponte da Ribeira d'Água (m.p. XXI) no lugar das Carregueiras, onde cruza a ribeira da Laje (hoje coberta de mato), continuando por Calvário e Igreja Paroquial de Mosteirô rumo a Proselha, onde ainda resiste um notável troço lajeado com cerca de 300m conhecida como «Via Antiga de Mosteirô» que começa no cimo da rua Calçada da Sra. da Caridade, passa na Capela do Ermo e continua pela Calçada General Sousa Brandão, com um extenso troço junto das alminhas da Sra. da Boa Morte, seguindo depois rumo ao lugar do Monte (actualmente obstruído por mato). A orientação da via sugere a sua continuação por alturas de Fermil e Picôto como parece indicar o trecho de um documento do ano 1145 onde se lê «in villa dicta azeuedo subtus illam stratam mouriscam» (Livro Baio Ferrado, fl. 99), mostrando que a «estrada mourisca» seguia em altitude a nascente de Azevedo (hoje um lugar da freguesia de S. Vicente de Pereira). A via poderia bifurcar junto das alminhas de Fermil na rua dos Combatentes da 1ª Grande Guerra (m.p. XII), seguindo um ramo para a Ponte da Pica e outro para o Castro de Úl, entroncando em ambos os casos na via militar para Olisipo.
|
| Via de Santa Maria da Feira a Arouca |
|
Santa Maria da Feira - Arouca Hipotético eixo viário secundário na direcção E-O transversal aos principais itinerários romanos a sul do Douro. Partindo algures do litoral, a via seguia por Vila da Feira até Arrifana, onde cruzava a Via XVI Cale - Olisipo, continuando próximo do Castro da Portela rumo a Escariz, onde cruzava a Via Cale - Vissaium, continuando depois até a Arouca, de onde partiam ligações ao Douro. Santa Maria da Feira (depois de cruzar o rio Cáster, a via seguia talvez por St. António da Laje, Chão de Além, rua Burgo de Ryfana por Vilar e Manhouce) Arrifana (provável mansio no cruzamento com a Via XVI)
|
| Via CALE a VISSAIUM |
![]() ![]() |
Porto (CALE) - S. Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM) Via secundária que derivava da Via XVI nas proximidades do Monte Murado (Carvalhos, Pedroso) ou de Langobriga (Fiães) e seguia na direcção NO-SE rumo a Viseu, o importante nó viário da Beira Alta que na época romana se designaria por Vissaium com base numa ara votiva dedicada à divindade local Vissaieigo (Fernandes et al., 2009). Ainda restam muitas evidências deste antigo caminho em tempos designado por «Estrada Velha de Viseu», «Estrada dos Almocreves» ou «Estrada do Peixe», numa clara referência ao tráfego de mercadorias entre Viseu e o litoral; a via seguia o caminho mais curto que atravessa a Serra da Freita (Arouca), optando assim por um percurso em altitude a fim de evitar as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimizar as variações de cota da estrada, o chamado "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas; atravessada a serra, descia a Manhouce, estação viária associada a uma albergaria medieval e possivelmente uma mutatio na época romana, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho. Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino (Mattos, 1937; Lima, 2004).
Louredo (sai da EN326 junto a Crasto e segue o caminho de Vale da Mó, passa no cruzeiro, Igreja de S. Vicente, rua Direita, Vila Seca, Convento, Ns. da Natividade até reunir com a EN326 em Lagoa) Cedofeita, Romariz (torna a desviar da EN326 após as alminhas em Mouta e desce pela rua Romana) Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela rua da Ponte, cruza a EN326 para Paradela) Cabeçais (troço lajeado desce em direcção à Igreja de Fermedo em cuja parede traseira há uma inscrição com o epitáfio de Laetus Caturonis, natural de Aviobriga e executada numa oficina de Olisipo) Escariz (partindo do largo do Cruzeiro toma a chamada Estrada do Cruzeiro, extenso troço lajeado que cruza a EM504 e segue pelo lugar do Viso até entroncar na EM519)
Farrapa (continua paralela à EN224-1) Chão de Ave (cruza a EN224 e ascende à serra) Merujal (percorre a cumeada da serra pelo chamado «Caminho dos Burros», linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra, passa no topónimo viário Venda Nova, cruza a aldeia de Merujal e continua a sul do Parque de Campismo rumo ao Cruzeiro de Albergaria) Albergaria da Serra (antiga «Albergaria das Cabras» onde a rainha Santa Mafalda fundou uma albergaria, em 1280, com possível origem numa mutatio romana; cruza a aldeia até ao cemitério que ladeava por uma calçada que entretanto foi destruída!, seguindo pelo planalto de Portela da Anta para Gestoso, marginando o monumento megalítico junto do qual há também uma sepultura romana) Gestoso (troço de calçada à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, EM612, desviando pouco depois por caminho florestal, desembocando no CM1232 próximo da Qta. das Uchas/Qta. da Barreira e a poucos metros da ponte) Ponte Romana?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco; calçada preservada à saída da ponte; a norte, no Candal apareceu a lápide de um Arcobrigense) Ponte Romana?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco, a montante da ponte actual) Manhouce (desce pela estrada asfaltada até Sequeiro, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, continua por Areeiro e Juncal, passando a poente de Bustarenga, descendo por calçada até à Ponte dos Ovos, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre») S. Cristóvão de Lafões (contorna a Serra da Grávia pela vertente nascente, descendo por Giesteira e Chousas até Gralheira onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga, seguindo para a travessia da ribeira da Landeira numa passagem a jusante da ponte actual) Santa Cruz da Trapa (troço da via na rua da «Estrada Romana» ao km 59 da EN227; continua pela rua Pé de Cima, Vendas, Igreja Matriz de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa, Leira Longa, Ribeira de Lourosa e cruza a ribeira de Varosa em Penso)
S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela rua Direita até ao Bairro da Ponte) Travessia do rio Vouga (ver percurso daqui a Viseu na descrição da Via Talabriga - Vissaium) |
| Via TALABRIGA a VISSAIUM m.p. LX |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Variante por S. Pedro do Sul
![]() ![]() Variante pelo Caramulo
![]() ![]() ![]() |
Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM) Via romana que ligava Viseu ao litoral, interligando Vissaium, o grande nó viário da Beira Alta, com Talabriga, a importante mansio do Itinerário Braga-Lisboa junto da travessia do rio Vouga. Este itinerário apresenta ainda diversos tramos bem preservados da via; partia da base do Cabeço do Vouga rumo a Talhadas e já no concelho de Oliveira de Frades passa por Benfeitas e Reigoso, onde apareceram vários miliários deslocados indicando as milhas a partir de Viseu que era assim caput via. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários, confirmando o percurso por Reigoso, Cajadães, Postasneiros, Santiaguinho e Vilharigues. A partir de Vouzela a via está atestada por mais três miliários, Fataúnços, Figueiredo das Donas e Carvalhal do Estanho, onde se regista também a existência de um povoado mineiro associado às minas de Bejanca, entrando em Viseu pela Sra. do Castro e S. Martinho de Orgens. Este troço entre Vouzela e Viseu perfaz um total de 15 milhas, distância bastante inferior às 18 milhas indicadas no miliário a Tácito que apareceu no adro da Igreja de Vouzela; o miliário poderá ter sido deslocado da sua posição original, mas também poderia indicar um outro caminho mais longo para Viseu por S. Pedro do Sul, percurso que perfaz aproximadamente as 18 milhas indicadas no miliário, embora esta solução obrigue a uma dupla travessia do rio Vouga, situação pouco usual na viação romana. Perante estas incertezas, são apresentadas estas duas possíveis variantes, além de um hipotético caminho cruzando a Serra do Caramulo (vide Girão, 1921; Figueiredo, 1953; Vaz, 1997; Borges, 2000). (CEADV - Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades) Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga (m.p. XLII a Viseu; segue pela EM575-1, corta por Carvalhal da Portela, Chão de Pedra e Passal) Valongo do Vouga (m.p. XL na Igreja; cruza o rio Marnel talvez na Ponte da Sardanita e segue por Paço até ao cruzeiro, onde conflui na EM574) Arrancada do Vouga (m.p. XXXIX; segue a rua Calvário passando na Capela da Ns. da Conceição e Capela de St. António, continuando pela rua do Carrascal até reunir com a EM574) A-dos-Ferreiros (m.p. XXXVI; cruza a povoação pela a Capela da Ns. das Neves e cemitério, onde toma o caminho paralelo à EN333 que segue para Ventoso? m.p. XXXIII sobre a linha divisória entre os concelhos de Águeda e Sever do Vouga) Frágua (m.p. XXXII; cruza a aldeia até reunir com a EN333, m.p. XXXI) Talhadas (m.p. XXX; aqui existia uma albergaria medieval provável sucedânea de uma mutatio romana; partindo do Lg. da Sra. da Graça, a via entra e sai do CM1284 pela rua do Cortinhal, Pé da Fonte, S. Mamede, Igreja, rua Residencial Paroquial, rua do Hospital, rua Romana, «Pedras Talhadas», marginado a Anta do Chão do Redondo) Ereira (m.p. XXVIII; troço de calçada a sul do CM1284; a via calcorreia o monte com vários troços lajeados até desembocar novamente no CM1284 em Pisco) Benfeitas (m.p. XXVII; cruza a aldeia e reúne com o CM1284)
Reigoso (m.p. XXV; albergaria medieval com provável origem numa mutatio romana; a via continua junto do cemitério e segue o caminho para Entre-Águas, margina a capela, cruza a ribeira numa ponte antiga e continua por Seixa, m.p. XXIV, cruza a EM1282 e segue o caminho de terra, conflui na EM1282-1, cruza o rio do Carregal e segue à esquerda por caminho de terra para Ral, m.p. XXIII, toma a «Estrada Romana» para Ponte Fora, m.p. XXII, passa a sul de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3, m.p. XXI, e continua pelo caminho defronte) Cajadães (m.p. XIX; segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros) Santiaguinho (m.p. XVIII; cruza a EM1278 junto da Capela de S. Tiaguinho e toma a calçada que delimita a Qta. das Delícias, passa a asfalto, cruza a EN333 a sul de Sernadinha e segue pelo «Caminho Romano» defronte) Vilharigues (m.p. XVI; cruza a povoação pelo rua do «Caminho Romano» e segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 até reunir com a EN333, rumo à travessia do rio Zela na Ponte de Frei Gil sobre o rio Zela) Vouzela (m.p. XV; miliário de Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua talvez sob a EN228 passando por Asneiros, na base do castro da Sra. do Castelo, m.p. XIII) Fataúnços (m.p. XIII; vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal a sul da via; segundo Moreira de Figueiredo em 1953 ainda existia calçada junto da Fonte Velha, além do miliário anepígrafo que estava no «Quintal da Estalagem» (Figueiredo, 1953, p. 196), hoje no jardim da moradia defronte da «Casa da Estalagem», com possível origem numa mutatio situada junto da via que percorre a rua da Escola rumo a Bandavizes, desviando pela calçada que desce à ribeira até entroncar na EM602) Ponte Romana?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (m.p. XII; continua pelo o troço de calçada que sobe a encosta) Figueiredo das Donas (m.p. XI; Moreira de Figueiredo refere um miliário hoje perdido; Figueiredo, 1953, p. 196; antes da aldeia, inflecte para sul pela rua da «Estrada Romana», hoje um caminho de terra) Carregal (m.p. X; passa junto das Alminhas e da Capela da Sra. da Agonia/Sra. da Ajuda, segue por Remolha e lugar do Outeiro, onde há calçada) Carvalhal do Estanho (m.p. IX; miliário anepígrafo na rua do Casal; necrópole na capela e junto das Minas de Bejanca; a via cruza o centro da aldeia pela Sra. da Boa Passagem e segue pela EM1303/ rua da Sra. da Boa Viagem) Caria (m.p. IX; povoado mineiro no Outeiro de Santa Cruz, sobranceiro à ribeira das Levadas; segue junto da Capela do Espírito Santo) Silgueiros (m.p. VII; continua a sul de Pereiras, junto da central eléctrica) Lobagueira (m.p. V; segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 ao km 16+900 e segue pela base do castro até confluir na EM1366) S. Martinho de Orgens (m.p. II nas alminhas, cruzando pouco depois a ribeira de Minde) Orgens (m.p. I pouco antes da «Cruz de Pau»?; continua junto do Convento de S. Francisco cujo acesso apresenta troço lajeado com 30m) Ponte Romana?-Medieval da Azenha sobre o rio Pavia (m.p. I) Viseu (VISSAIUM; da ponte ascende à cidade talvez pela rua Nunes de Carvalho, passando na Capela de S. Sebastião e na Porta de Soar até ao Largo da Sé)
Variante de Vouzela a Viseu por S. Pedro do Sul Vouzela (continua por Qta. da Sarnada e Vau, aproximadamente a EN228) Termas Romanas de S. Pedro do Sul (m.p. XV; cruza o rio Vouga junto do Balneário Romano, onde apareceu uma ara votiva a Mercúrio Augustorum Aguaeco Sacrum, relacionada com o culto termal; cruzado o rio, seguia pela Av. Ponte Velha até ao cruzeiro de Quintela com possível miliário reutilizado) S. Pedro do Sul (m.p. XIII; provável mutatio; aqui conflui também a Via Porto Viseu; cruza o rio Vouga) Travessia do rio Vouga (m.p. XIII a Viseu; cruza o rio na confluência do rio Sul e rio Torço no Vouga) Arcozelo (m.p. XI; calçada junto da capela e segue a rua «Calçada Romana») Lufinha (m.p. X; passa a norte da aldeia pela Estrada Municipal) Gumiei (m.p. IX; continua pelo 1317-1 até confluir na EN 16-4; Moreira de Figueiredo refere dois miliários hoje perdidos; Figueiredo, 1953, p. 49) Bodiosa-a-Velha (m.p. VII; calçada com 300m paralela à EN16 até ao sítio do Cruzeiro, seguindo depois a EN16 por Pinheiro Manso) Bodiosa (m.p. VI nas Alminhas) Travanca (m.p. V; miliário de Cláudio indicando 5 milhas a Viseu, hoje na CEADV; estaria junto das Alminhas) Moselos (m.p. IV; calçada; miliário de Adriano indicando 4 milhas a Viseu, hoje no CEADV; a via segue pela rua Romana e rua Vale do Valego até perder-se no jardim de uma moradia anexa à rua Soito do Cêpo, interrompida pela IP5, reaparecendo na EN16) Pascoal (m.p. II; continua pela EN16 por 500m até entrar na rua da «Estrada Romana») Abraveses (m.p. I junto da Capelinha de S. João; a rua da «Estrada Romana» cruza a EN2 e segue pela Rua da Escola Preparatória, com vestígios de calçada junto do Bairro de Sta. Rita, onde segue à direita pela Estrada Velha de Abraveses, passando junto da escola C+S e da importante fortificação conhecida por «Cava de Viriato» com cronologia incerta, continuando pela rua Capitão Salomão e rua da Cava de Viriato) Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela rua da Ponte de Pau, Calçada de Viriato e entra na cidade pela necrópole e antiga porta da cidade até ao Largo da Sé) Viseu (na rua do Arco apareceu um miliário de Adriano indicando a milha I talvez proveniente de Abraveses) Caminho para Viseu pela Serra do Caramulo/ Guardão Este hipotético itinerário romano liga Marnel a Viseu atravessando a Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba), seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762); o caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um terminus augustalis, marco de divisão territorial relacionável com este caminho. Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA; a via desviava da anterior em A-dos-Ferreiros atravessando o rio Alfusqueiro) Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100m a jusante) Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574) Cabeço de Cão, Préstimo (calçada) Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho) Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja) Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa) Monte Tezo, Varzielas (possível variante para norte pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais) Portela do Guardão Caramulo (segue pela rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres) Guardão, Tondela (no interior da Capela de S. Bartolomeu, assente sobre o antigo castro, existe um terminus augustalis; troço de calçada junto da Igreja Matriz de Guardão de Baixo)
Santiago de Besteiros (segue pela rua da Ponte Romana, rua de Santiago, junto da Igreja Matriz, Ponte de Muna) Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100m da escola primária; na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um trifinium, um marco de divisão territorial entre três povos) Coval, Caparrozinha (calçada com 500m que vem de Paranho) Fial (calçada na rua do Pereiro) Ponte Romana? da Seara, Routar Torredeita Mosteirinho, Couto de Baixo (pela rua Pontes; inscrição na casa paroquial; a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos; pode indiciar uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro) Figueiró, Vil de Souto (passa na rua Cabrita?; topónimos rua e ponte Mourisca junto da EN337-1) Orgens Viseu (VISSAIUM) |
| Via VISSAIUM a Arabriga |
![]() ![]() ![]() ![]() |
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?) Provável itinerário romano ligando Vissaium ao território dos Arabrigenses, hoje a região de Moimenta da Beira, atravessando o rio Vouga na zona da Ponte do Vouguinha, rumando depois a Fráguas (Vila Nova de Paiva), onde cruzava o rio Paiva, continuando depois por Ariz rumo à Ponte do Freixinho, junto do vicus de Rochela. (Vieira, 2004; Castro, 2013) Viseu (VISSAIUM) (partindo da Sé, seguia talvez a rua Silva Gaio, rua Loureiros e Porta de Cavaleiros, onde saía da cidade, seguindo depois a rota da EN229 por Travassós de Baixo, pela rua da «Estrada Velha») Mundão (a via passaria na calçada da Qta. do Catavejo; povoado em Telegre; calçada de Confulco na Póvoa) Cavernães (as várias aras votivas em Vendas da Moita indiciam a existência de um santuário romano junto da via romana que corria sob a EN229 até ao km 80 e depois pela EN323 e a EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo) Cepões (passa na Igreja e continua por Laje Gorda, Capela de Sta. Eufémia até reentrar na EN323) Ponte Romana?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga (1 km a jusante da ponte nova) Côta (da ponte sobe em calçada até Vouguinha, na Capela de St. António segue o troço em calçada que passa junto da necrópole de Escoiral até Nogueira de Baixo, continuando sob a EM569 por Vale de Cavalos e Chão do Frade, contornando o Alto dos Cabeços) Fráguas, Vila Nova de Paiva (travessia do rio Paiva) Alhais de Cima (possível mutatio no sítio da Pousada das Campas; inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial) S. Martinho de Peva (pelo «Vale da Carreira» junto da Capela da Ns. da Aflição) Soutosa (passa no cemitério pela rua da Macieira, cruza EN323 e continua próximo do habitat de Covais, cruza o rio Paiva e continua pelo caminho da Qta. das Corgas que serve de linha divisória entre os concelhos de Moimenta da Beira e Sernancelhe) Cabeça de Alva, Caria (nó viário junto da Capela da Ns. dos Aflitos, onde cruza a via Moimenta - Fornos; a Capela de S. Tiago em Vila Cova reutiliza um silhar almofadado) Mileu, Caria («Caria Velha» poderá corresponde ao povoado do Monte da Coutada; vestígios na ribeira de Mileu; tesouro monetário) Prados de Cima, Rua (provável miliário convertido em cruzeiro junto da Capela de S. Domingos, cuja fachada ostenta uma estela funerária de Victor, CIL II 427; FE 667) Qta. da Lagoa/ Casa da Torre (aqui apareceu em 1788 um miliário de Constantino Magno, CIL II 4642, hoje na CEADV; Vaz, 1978, p. 51-53) Faia (conflui no Itinerário Moimenta da Beira - Marialva e segue para a travessia do rio Távora) |
| MONS HERMINIUS ITINERA |
|
Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?) A designação de mons Herminius (montes Hermínios) surge em dois textos clássicos, nomeadamente no «De Bello Alexandrino» e na obra do historiador Dion Cássio sobre as campanhas de Júlio César na Lusitânia nos anos 61-60 a.C. (Dion Cassio, XXXVII, 52-55), tem sido associada à Serra da Estrela ainda que com algumas reservas (Alarcão, 1993); seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que assentava numa intrincada rede viária ainda pouco conhecida; existem pelo menos 3 grandes eixos que cruzam a serra, a Via Cabeço do Vouga - Viseu - Mérida, ou seja, Talabriga - Vissaium - Augusta Emerita, cruzando a serra no sentido O-E, a Via Coimbra - Bobadela - Celorico da Beira ligando, Aeminium ao Alto Douro, seguindo pelo vale do Mondego na vertente ocidental da serra (a actual «Estrada da Beira») enquanto a vertente oriental era percorrida pelo grande eixo viário com origem em Aquae Flaviae (Chaves) que cruzava o rio Douro na Sra. da Ribeira e seguia por Freixo de Numão, Mêda, Marialva e Guarda até confluir em Centum Cellae com a via para Mérida; no entanto, para além destes eixos principais existiam muitos outros itinerários servindo os povoados e explorações mineiras espalhadas pela serra, nomeadamente a partir do seu acesso norte cruzando o Mondego em Fornos de Algodres e Celorico da Beira ou pelo sul a partir do Castro de S. Romão em Seia (Alarcão, 1993; Ruivo e Carvalho, 1996;Tente, 2007; Carvalho P., 2009; Marques, 2011). |
Celorico
Bobadela ![]() ![]() ![]() ![]() Linhares
Guarda
![]() ![]() ![]() |
Celorico da Beira - Bobadela (m.p. XXXVII) Este importante eixo viário percorria a vertente ocidental da Serra da Estrela ligando via parte de Celorico da Beira a Bobadela, passando a oeste de Gouveia e Seia; desta via conhece-se apenas um miliário de Maximiano indicando 21 milhas, actualmente no jardim da «Casa Grande» em Paços da Serra, junto de um outro fragmento anepígrafo; o marco foi recolhido nas proximidades em local incerto; como indica 21 milhas, diversos autores sugeriram que marcaria a distância à Bobadela (Figueiredo, 1953; Saa, 1959; Alarcão, 1993), no entanto é mais plausível que a ponto inicial para a contagem miliária fosse em Celorico da Beira, local de travessia do rio Mondego, que dista cerca de 21/22 milhas de Paços da Serra, dado que a distância à Bobadela não ultrapassa as 16/17 milhas. O percurso inicialmente proposto seguia uma rota medieval que passa em Paços da Serra de forma a integrar o referido miliário, no entanto a recente descoberta de um outro possível miliário desta via junto do cemitério de Santa Comba (Mantas, 2019), veio finalmente esclarecer o traçado da via que segue um percurso mais curto, passando em Lagarinhos, Pinhanços e Santa Comba, nó viário relacionada com a travessia do rio Seia na Ponte de Folgosa, onde poderia existir uma mutatio; daqui seguia a sul de Carrozela rumo a Bobadela (Act. 2020). Celorico da Beira (nó viário; inscrição rupestre no exterior do castelo consagrada à divindade Munidi; segue por Casas de Soeiro com habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro) Cortiçô da Serra (m.p. IV; habitat na Qta. do Mouro) Carrapichana (m.p. VIII; nó viário onde cruza com a via Fornos de Algodres - Linhares) Vila Cortês da Serra (m.p. X; cruza a ribeira do Freixo a jusante da confluência da ribeira do Paço e 100 m depois da ponte toma o caminho à direita que segue paralelo à EN17 até reunir com esta junto da Qta. da Pedra Alta, provável nó viário no cruzamento com a Via Viseu - Mérida; daqui segue para a Ponte das Olas, onde vencia a milha 14; daqui seguia por Cabeço Alveiro e Alto do Miradouro paralela à EN17 até São Pelágio) Nespereira (m.p. XVI; villa na Capela de São Pelágio, junto da via; provável mutatio no cruzamento com uma via transversal que ligava Gouveia ao rio Mondego; vestígios romanos em redor como o cadeiral romano do Bairro de St. António e os lagares da Qta. da Tremôa) Vinhó (m.p. XVIII; habitat na Tapada de Vinhó; continua junto da Capela de S. Lourenço e Quinta da Bocha) Lagarinhos (m.p. XXI; o miliário de Paços da Serra poderia ser daqui já que indica 21 milhas, assinalando o local de travessia da ribeira das Aldeias na chamada «Ponte Pedrinha», sobe à povoação e toma o caminho do Brunhal) Pinhanços (m.p. XXIII; cruza a povoação e segue pelo caminho da «Carreira Velha», passando na Quinta da Lameira) Santa Comba (m.p. XXV; continua para o cruzamento do rio Seia na Ponte da Folgosa, seguindo talvez entre Aldeia de São Miguel e Vila Chã, onde existe um possível miliário a suportar uma varanda, recentemente identificado)
Meruge (possível vicus no agora designado Parque Arqueológico de S. Bartolomeu, ocupando a área do campo de futebol e da capela homónima; a via no entanto passava pelo centro da aldeia) Lageosa (segue a EM1315 por Gavinhos de Baixo, milha 37 junto da Capela da Sra. dos Aflitos, e Vendas de Gavinhos, toma a EN230-6, passa junto Anta do Pinheiro dos Abraços, na milha 38, seguindo depois o caminho do campo de futebol) Bobadela (sede de civitas a 39 milhas de Celorico) Outras vias a partir de Celorico da Beira
|
![]() ![]() ![]() |
Mangualde (Araocelum?) - Seia - Loriga (Lorica?) - Covilhã Provável via romana derivando da via para a Bobadela em Espinho rumo à travessia do rio Mondego na Ponte de Cambelho, seguindo depois rumo a Santa Comba (Seia), onde cruza a via Celorico - Bobadela; daqui poderia continuar com a mesma directriz seguindo pela vertente sul da Serra da Estrela por São Romão, Valezim, Loriga, Alvoco da Serra e Unhais da Serra, onde bifurcaria para o Fundão rumo a Castelo Branco ou para a Covilhã rumo a Belmonte, subsistindo grandes troços lajeados na sua passagem por Valezim e Louriga (Saa, 1959, tomo III:296). Abadia de Espinho Outeiro de Espinho Carvalhas São João do Monte Travessia do rio Mondego na Ponte do Cambelho (calçada e alminhas) Ortigueira Lapa Santa Comba (mutatio, onde cruza a via Celorico da Beira - Bobadela) Seia (segue talvez pelo estradão que cruza a ribeira de Valverde junto da quinta homónima), S. Romão (acesso ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando por Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante originário de Caesar Augusta, a cidade romana hoje designada por Saragoça e uma inscrição dos cônsules e edis Presente et Extricato, indícios que apontam para uma civitas com capital neste castro) Lapa dos Dinheiros (calçada cruza a ribeira da Caniça e sobe à povoação pela rua do Cemitério, continuando pelo caminho que parte da Fontinha, seguindo a meia-encosta da serra acima da EN231) Valezim (a calçada vem por Darrua, Cabeço do Castro, Sra. da Saúde e Sra. da Boa Viagem, passa na povoação e toma a calçada que passa junto da Capela de S. Domingos em direcção à Portela de Arão) Loriga (Lorica?; vestígios em «Chão do Soito»; a via seguia por «Calçadas», cemitério, Capela de S. Sebastião, desce pela rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento numa ponte moderna, existindo notícia de uma anterior eventualmente romana que ruiu no séc. XVI, subia depois pela rua de Vinhó, rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, saindo depois da aldeia pela rua do Teixeiro, cruza a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romana?-Medieval da Moenda e cruza a EN231 na Fonte do Sabugueiro) Alvoco da Serra (tesouro na Qta. do Aguincho; continua pela Sra. da Guia e pela calçada da rua das Lajes, junto à Capela de S. Sebastião, cruza a ribeira na ponte medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até ao Alto de Avoaça) Unhais da Serra (desce a vertente da serra para Taliscas onde cruza a ribeira de Cortes, subindo pela Qta. dos Penesinhos à Portela dos Pedrões) Nó viário da Portela dos Pedrões: aqui conflui com a via proveniente de Tomar rumo a Belmonte ou seguir para sul rumo ao Fundão (ver itinerário). |
| Via ARABRIGA a ARAOCELUM |
![]() ![]() ![]() ![]() Penalva
do Castelo ![]() ![]() ![]() |
Moimenta da Beira (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?) Eixo viário N-S rumo a Bobadela com passagem por Aguiar da Beira e Mangualde; um miliário na Qta. do Pomar assinala esta via. (Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007). Moimenta da Beira (segue comum à Via Moimenta - Fornos até Aguiar da Beira) Aguiar da Beira (silhares almofadados reutilizados nas muralhas do castelo medieval; a via segue pela rua de Sta. Eufémia) Ponte Romana?-Medieval do Candal sobre a ribeira de Coja, Coruche (70 m; 2 arcos) Quinta das Lameiras, Pinheiro (cipo funerário de Rufus) Rãs (continua por Douro Calvo) Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia um possível ramal rumo ao rio Vouga por Decermilo, podendo continuar próximo dos sítios romanos de Veiga e Castelo, em Ferreira de Aves, rumo a Vila Nova de Paiva; represa romana conhecida por Poça da Moura associada à villa da Vila da Moita; Lourenço, 2007) Romãs (inscrição na Qta. dos Matos; segue próximo da villa da Corga e da villa da Presa) Silvã de Cima (passa junto à Qta. das Chedas, onde apareceu uma inscrição funerária, e continua por Casal, onde existe um miliário na Qta. do Pomar, muito alterado e reutilizado num muro da quinta, a 11 milhas de Aguiar da Beira e a 13 de Mangualde; a via continuava para Penalva do Castelo pelo caminho que cruza a ribeira da Côja na Ponte Ferreira e a ribeira de Sezures na Ponte de Quijó?)
Penalva do Castelo (vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; aqui apareceram várias inscrições, ara aos Bandi Oilienaico, epitáfio de Tiro, epitáfio de Procilia e epitáfio de Rufo; inscrição a Manes na villa da Qta. de Goge; a via continuava próximo da villa de Sangemil, onde apareceu uma inscrição ao filho de Tancini e perto da qual ainda existia um troço lajeado e os topónimos viários «Lajes de Sangemil» e «Ladeira de Sangemil»; Nóbrega, 2003a)
Travessia do rio Dão na Ponte Romana?-Medieval de Trancozelos (?)
Itinerário da Ponte de Trancozelos a Mangualde Da ponte ascende a encosta pela estrada moderna, passa em Trancozelos, saindo pouco antes do Lamegal por caminho de terra, antiga via rumo a Germil, atravessa a aldeia e desce à Ponte do Cavalo onde atravessa o rio Ludares; da ponte ascendia o monte, mas hoje está cortado e é preciso tomar a EM1468 para Darei até reencontrar a via no alto do Espadanal, seguindo o caminho que atravessa o Pinhal do Espadanal, troço ainda com fortes vestígios de marcas de rodados e cortes na rocha, continuando para Oliveira pela Qta. do Cruzeiro, Pizorias, Alminhas e rua da Escola até confluir na EN329-1, marginando a villa de Olivais em Passos (árula a Júpiter, FE 69); continua pela rua da Catraia, Capela de St. André, rua Principal, cruza a EN329-1 e continua junto do miliário da Qta. da Cruz, integrado na esquina do muro de uma casa apresentando um nicho derivado da sua reutilização como alminhas) |
| Via ARAOCELUM a AEMINIUM |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Mangualde (Aracelum?) - Coimbra (AEMINIUM) Itinerário de Mangualde a Coimbra seguindo por Senhorim, Nelas e Santa Comba Dão. Em Nelas cruzava com a via de Viseu à Bobadela que seguia para a travessia do Mondego nas Caldas da Felgueira, mas a directriz da via indica que esta seguiria até Santa Comba Dão e daqui a Coimbra. Atendendo ao alinhamento dos miliários encontrados próximo de Mangualde (miliários em Qta. da Cruz, Chãos e Espinho) e à indicação de 7 milhas no miliário da Qta. da Ponte em Abadia de Espinho sugerem que a marcação miliária seria feita a partir da travessia do rio Mondego, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela. Esta via que foi designada por Inês Vaz como «Via VIII» (Vaz, 1976). A marcação miliária é assim apresentada com o caput via no local onde cruzava o rio Mondego. Na parte inicial entre Mangualde e Espinho, há dois possíveis itinerários, ambos com miliários associados pelo que deverão ser ambos romanos embora de diferente cronologia. Inês Vaz propôs um trajecto por St. Amaro de Azurara e Santa Luzia, onde apareceu deslocado um miliário Licínio, mas a descoberta em 2009 de um troço lajeado bem preservado em Barreiros, levou António Tavares a propor uma rota alternativa mais a poente pelas povoações de Ançada e Água levada, locais onde também apareceram miliários; (vide Vaz, 1976; Tavares, 2009; Gomes e Carvalho, 1992; Nóbrega, 2003a e 2003b; Gomes Lourenço, 2007).
Póvoa de Espinho (local de confluência das duas variantes, no cruzamento da EM 1438 com a estrada para a estrada que vem de Santa Luzia; fragmento de miliário na rua do Forno; miliário do Calvário encastrado no muro do cruzamento a 300 m do cemitério) Abadia de Espinho (m.p. VII; possível miliário reutilizado no Cruzeiro da Capela de Santa Luzia e junto do rio apareceu o miliário da Qta. da Ponte de Cláudio indicando a milha VII, hoje na CEADV; um pouco mais longe há um outro possível miliário reutilizado no cruzeiro Vila Nova de Espinho; a via seguia talvez entre Gandufe e Póvoa de Espinho pelo Largo de Santa Marinha) Senhorim (a via seguia pela Estrada da Fonte do Alcaide e junto da Igreja Paroquial, onde há vestígios de uma possível villa ou mutatio a 6 milhas do Mondego; cruza o rio Videira e segue junto do cemitério até à Capela de St. António, onde vencia a milha 5; possível fragmento de miliário na Quinta do Lila (?); possível miliário ou menir em Casal Sandinho (?); continua pela rua da Portela e Alto do Pedrão) Nelas (passa no Alto do Pedrão; ver Museu José Adelino) Urgeiriça (possível mutatio no sítio romano da Laje do Quatro) Canas de Senhorim (vicus?; villa em Casal/Olival Grande, de onde provém quatro aras de um lararium familiar à divindade Bensencla; outras possíveis villae em Freixieiro e Fojo, todas na periferia da via; continua por Lapa do Lobo e Fiais da Telha, junto do Campo de Futebol) Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto do casal romano da Qta. da Sobreira; 2 inscrições romanas dentro do Café «Flor do Mondego»; cruza a ribeira da Azenha através de um troço lajeado conhecido como «calçada de Alagoas» com cerca de 2000 m) Carregal do Sal (nó viário; cruzamento com uma via transversal que cruzava o Mondego rumo a Bobadela; deriva da EN234 e segue o caminho que serve de divisória concelhia ) São João de Areias (junto do campo de futebol) Santa Comba Dão (passa na Fonte do Ouro e Cancela rumo ao rio Dão) |
| Via VISSAIUM a civitas Bobadela |
Viseu
Bobadela ![]() ![]() Bobadela
Avô ![]() |
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas) A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões integrava uma via importante que ligava Vissaium às sedes da civitates vizinhas, em Aeminium(Coimbra) e na splendidissima civitas de Bobadela, a pequena aldeia do concelho de Oliveira do Hospital; o nome desta última permanece ignoto. Esta estrada romana, designada por Inês Vaz como Via I, partia de Viseu rumo a sul. Inicialmente a via seguia pela calçada de Ranhados rumo à travessia do rio Dão junto às Termas de Alcafache; a utilização de silhares almofadados na ponte actual indicia a existência de uma ponte anterior de construção romana; daqui subia até ao Lugar do Peso em Casal Sendinho, nó viário e possível mutatio onde a via bifurcava para Coimbra por Santa Comba Dão. A via para Bobadela continuava por Vilar Seco e Nelas onde confluía também a via proveniente de Mangualde por Senhorim, seguindo depois para a travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira (Vaz, 1976, 1987; Nóbrega, 2003a, 2003b, 2007; Lourenço, 2007). Viseu (VISSAIUM) (sai pela antiga porta da cidade na rua do Cerrado/Serrado, onde existia uma necrópole, e segue pela Av. Dom Duarte e rua do Cruzeiro) Ranhados (continua pela rua Direita, rua de Sta. Eufémia e rua da Calçada Romana, seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende pelo magnífico troço em calçada, uma das melhores preservadas em Portugal, até à zona industrial) Coimbrões (desce ao rio Dão pela Quinta dos Frades; Inês Vaz refere fragmentos de um miliário, hoje desaparecido; Vaz, 1993) Termas de Alcafache (chegava pela calçada que existia por trás do Hotel das Termas, entretanto destruída; também conhecido por «Banho») Ponte Romana-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a ponte reutiliza algumas silhares almofadados num dos talha-mares e na base do pilar do lado das termas; a via continua pela EN594 até à Capela de Ns. de Fátima, subindo daqui em calçada para o Lugar do Peso; referência a um miliário entretanto perdido; Nóbrega, 2007) Alcafache (no Lugar do Peso a via cruza a EN1436 e segue para travessia do ribeiro de Cagavaio) Vilar Seco (vestígios de calçada e as estações romanas de Prado e Qta. do Serrado) Nelas (cruza com a via proveniente de Mangualde que seguia por Santa Comba Dão rumo a Coimbra) Folhadal (pela rua Carlos raposo e rua Monsenhor Moreira; vestígios romano em Moledo) Caldas da Felgueira (travessia do rio Mondego cerca de 2 km a montante da ponte actual, na Qta. Abrunhal, próximo do sugestivo topónimo viário Qta. da Barca)
Seixo da Beira (villa? em Lagaretas, Sobreda) Aldeia Formosa (junto da Capela na rua de St. António e continua pela rua Formosa) Vila Franca da Beira (passa a nascente pela calçada do «Vale da Corredoira», marginando o penedo sacralizado dos 3 Pesinhos) Rio Seia (na Ponte do Buraco ou mais a jusante) Lagares da Beira (cruza a povoação pela rua Calçada; calçada no Vale da Corredoura; ponte dita «Romana» na Ribeira/ Vale de Negros; seguiria a EM502?) Travanca de Lagos (junto da capela; segue a EM502-1) Bobadela (municipium), Oliveira do Hospital Imensos vestígios por toda a aldeia; inscrição NEPTUNALE na fachada da igreja, CIL II 398, única referência a Neptuno na Lusitânia, divindade ligada ao culto da água; magnífico anfiteatro ainda conservado; o estatuto municipal da cidade é confirmado pela inscrição referindo Sexti Aponius Scaevus como flamine provinciae Lusitaniae (CIL II 396) e pela inscrição da sua mulher Iulia Modesta também flaminica provinciae Lusitaniae, onde se refere a cidade com splendidissimae civitati da qual se conserva uma cópia na igreja paroquial (CIL II 397); inscrição votiva a Victoriae Eternae (CIL II 5245); em termos viários, o Dr. Adelino de Abreu identificou um miliário tardio junto da igreja nova que se veio a perder no Museu Machado de Castro, (Abreu, 1893), lendo as seguintes letras «D.N. / VALLI / CINIAV.. / NO...» e sugerindo que seria do tempo de Galério, no entanto parece mais coerente a leitura Val(erio) Licinian(o), ou seja uma dedicatória ao Imperador Licínio, corrigindo apenas a leitura do letra «V» final por «N», letras facilmente confundíveis (Anacleto, 1981). Ligações de Bobadela ao rio Alva Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo ao longo do rio Alva, é provável a existência de três vias de acesso ao rio, uma descendo à Ponte da Três Entradas, outra descendo a Avô e ainda outra para Coja, onde as condições de travessia são mais favoráveis e onde se achou um miliário e um tesouro, evidenciando a sua importância como nó viário onde bifurcava no Itinerário Coja - Idanha-a-Velha pela Serra do Açor (Marques, 1992) e no Itinerário Coja - rio Tejo por Pedrogão Grande e Amêndoa (2017).
Ligação de Bobadela a Avô: seguia talvez por Loureiro, cruza a EM1308, rumando depois (pela florestal?) a Balocas e Venda da Esperança, onde cruza a EN17; continua em frente para Lourosa, passando próximo da notável Igreja Moçarabe de S. Pedro, onde apareceram muitos materiais romanos eventualmente relacionados com um templo romano que aqui existia (ara votiva a Picio, ara votiva a Júpiter, ara anepígrafa, cipos, bases de colunas e silhares almofadados), e daqui por Pombal e pelo estradão de terra que vai atravessar a ribeira, subindo depois em calçada até Vila Pouca da Beira (rua da Calçada Romana), continua pela rua da Fonte das Almas, rua dos Catarinos, Cruz de Pedra, Qta. do Casal, cruza a EN230 e continua pela rua Dr. António de Barros para a travessia do rio Alva em Avô. Daqui ascendia à serra pela calçada que parte do Bairro de St. António e seguia pela calçada de S. Pedro, hoje rua da Sra. de ao Pé da Cruz que vai por Anceriz até Cruz de Anceriz, onde entronca no Itinerário de Coja a Idanha-a-Velha. Ligação de Bobadela a Idanha-a-Velha(?) pela Serra do Açor Itinerário pela Serra do Açor pelo chamado «Caminho da Moura», eventualmente rumo a Idanha-a-Velha; partindo da Bobadela descia por Covas e Pinheiro da Coja para cruzar o rio Alva junto a Coja, continuando depois pela rua da Gândara e pelo estradão que vai para o Alto dos Tosqueirões e Cruz de Anceriz, continuando a nascente do Alto do Carvalhal e do Alto da Chama («Cabeço da Chamua»/Picoto da Cebola), margina o cemitério de Valado (EN344) e segue por alturas de Moura da Serra (tesouro em Safrinha) e pelo caminho do Cabeço da Fonte de Espinho, Encosta da Amieira, Encosta da Fonte Peão (vestígios do corte da via e sulcos de rodados na rocha), continuava por alturas de Piodão (por Alto do Tojo, Outeiro do Caminho e S. Pedro de Açor e Portas de Égua), rumo à Covilhã e a Idanha-a-Velha (?) por percurso incerto devido ao acidentado do terreno. |
|
Mealhada (mansio) a Bobadela (civitas) É provável que existisse uma via romana ligando a região da Mealhada a Bobadela e Viseu pela Serra do Bussaco, derivando da Via XVI Braga-Lisboa para nascente; o percurso continua hipotético, mas parece existir um alinhamento de vestígios de possíveis miliários ao longo do caminho que passa em Leira Grande (Grada), Poço e Alto do Loisal rumo a Sula; no entanto há dúvidas na localização do miliário achado na Leira Grande pois há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, inserido portanto num outro caminho mais a sul que passa por Vacariça e Luso. Há também uma referência medieval a uma «via antiqua» na margem direita do Cértima, mas a sua localização no terreno permanece insegura (PMH DC 104). Perante estas dúvidas, apresentam-se as duas possíveis variantes ligando da Via XVI à Serra do Bussaco que se reuniam em Sula, e daqui duas outras alternativas de ligação ao eixo viário Viseu-Bobadela.
Itinerário de Sula a Bobadela por Mortágua e Santa Comba Dão: É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Santa Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua e daqui à Bobadela; seguia talvez próximo do cemitério de Vale de Remígio, dado que aqui apareceu uma inscrição aos Lares Patriis, atravessava a ribeira de Mortágua e seguia por Gândara para a travessia do rio Criz em Breda rumo a Santa Comba Dão, onde entronca na via Coimbra - Bobadela. Itinerário de Sula a Bobadela por Oliveira do Mondego: Sula (segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha por alturas de Atalaia, Louriceira, Alcordal e Galhardo) Cercosa (cruza a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa) Rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva) Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bobadela pela EN17 rumo a Bobadela) |
| Via AEMINIUM a VISSAIUM |
![]() ![]() |
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM) O itinerário acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu que já seria utilizada em tempos romanos. O itinerário está descrito no «Roteiro Terreste» (Castro, 1767) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondela, Sabugosa, Fail e Viseu. Há referência a esta estrada como «illud carral qui venit de Tondella» na carta do couto concedida por D. Afonso I em 1137 às vilas de Santa Comba Dão, São João de Areias, Oliveira de Currelos e Parada (LP, fl. 32-33, doc. 64). Coimbra (a via partia da travessia da ribeira de Coselhas na Ponte de Água de Maias junto do Monte da Forca/Conchada e seguia para norte por Ingote passando junto do habitat romano do Alto da Carvalheira, Cruz do Vale do Seixo e Santo Cristo) Eiras (1 légua; casais romanos em Oureça e Costa; cruza a ribeira das Eiras e segue por Casais de Eiras e Vilarinho) Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes e Outeiro do Botão) Botão (2 léguas; vicus?; cruzada a ribeira do Botão, rumava a nordeste pelo caminho que vai para Casqueira e Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, seguindo depois para a travessia da Serra do Bussaco) St. António do Cântaro (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lourinhal, Vale das Éguas e Alcordal e Galhardo) Freirigo, Marmeleira (cruza o ribeiro de Freirigo, a 5 léguas de Coimbra, e continua pela EM591 por Cotelha) Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores) Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6) Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira) Santa Comba Dão (depois do rio Criz a estrada real ruma a norte por Couto do Mosteiro, com vestígios da via na rua da Calçada e no Pinhal das Carvalheiras/Pipa, Vila de Barba, onde conflui no CM1560 e segue por Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse seguir um caminho alternativo pela lomba que divide S. Joaninho de Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «ubi est via antiqua»; PMH DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz) Tondela (10 léguas; a via poderia seguir entre os povoados romanos da Ns. do Castro, a nascente, e o povoado de Nandufe, a poente, atravessando o rio Dinha para Valverde; na capela de S. João em Lobão da Beira apareceu uma ara, FE 619) Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da Capela de Sta. Maria Madalena) Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta, junto do qual há 2 inscrições rupestres em penedos, a inscrição dedicada à divindade Peintices por Lucius Manlius e na outra lê-se C PLOTIVS C. TVREIVS) Fail (12 léguas; segue por Vila Chã de Sá) Repeses (calçada?; dois possíveis miliários anepígrafos suportando o alpendre da Capela de Sta. Eulália, onde apareceram também 4 inscrições votivas hoje no Museu Grão Vasco, sendo uma delas dedicada à divindade Albucelainco Efficaci; seria um santuário junto da via?) Viseu (VISSAIUM) (a 13 léguas de Coimbra; entra na cidade pela rua dos Andrades e rua Direita até ao Largo da Sé) |
| Via VISSAIUM a Bobadela |
![]() ![]() ![]() Carregal
Bobadela ![]() |
Viseu - Bobadela por Ferreirós do Dão A concentração de miliários nas proximidades de Carregal do Sal indiciam a existência de um cruzamento do Itinerário Coimbra - Mangualde com uma via transversal que cruzava o rio Dão junto do acampamento romano de Ferreirós do Dão, local estratégico na confluência do Dinha e do Pavia no rio Dão; daqui seguia por Carregal do Sal para cruzar o rio Mondego mais adiante, continuando depois por Midões rumo a Bobadela. Esta via teria origem em Viseu, seguindo inicialmente comum à via para a Bobadela até ao nó viário de Coimbrões, onde inflecte para sudoeste seguindo depois a linha de festo entre os rios Dão e Asnes, sempre pela cumeada, passando por São João de Lourosa, Oliveira de Barreiros (ruas de Santa Maria e Carreira Alta até entroncar na EN231-1), Pindelo, Silgueiros, Lajeosa do Dão até Ferreirós Dão. Ligação de Carregal do Sal a Bobadela cruzando o Mondego na Qta. da Barca Itinerário para a Bobadela com travessia do rio Mondego junto da Qta. da Barca, talvez no sítio da Várzea Negra/Porto de Midões, dado que num documento do ano de 969 é referida uma barca neste local, «barcho de midones» PMH DC 100 e num outro documento do ano 1169 é referida uma ponte de pedra então já em ruína, «in portu fluminis Mondeci quem vocitante portum de Midones, subtus dirutum pontem lapideum» LP 60. Partindo de Carregal do Sal, a via segue por Vila Meã, passando junto dos dois miliários anepígrafos reutilizados num muro em Vale do Touro, continua pelo chamado «Caminho do Passadouro» que margina o destruído casal do Vale do Rio, descendo à referida «Ponte Petrina» que poderá corresponder aos vestígios de uma ponte identificada em 2014 a sul da Qta. da Barca; depois de cruzar o Mondego, ascendia a Midões (ara no exterior da Igreja Matriz), passando próximo do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»; neste local, a via entroncava na variante que cruzava o Mondego mais a jusante na Ponte do Caldeirão, seguindo por esta até Bobadela. Ligação de Carregal do Sal a Bobadela cruzando o Mondego na Ponte do Caldeirão Este itinerário parte de Carregal do Sal e segue na direcção de Currelos, onde recentemente apareceu um miliário, rumo à travessia do rio Mondego junto da actual Ponte do Caldeirão; parte da Igreja e segue pela rua Conde Ferreira, Estrada de Currelos até Casal da Torre (a cerca de 400 m desta via, numa casa de Vila Cal, apareceu um miliário anepígrafo); continua pela rua Canadas (passando junto do povoado alti-medieval do Passal em S. Sebastião), serpenteando depois a rota da EM635 na descida para a Ponte do Caldeirão; depois de cruzar o Mondego ascendia ao Alto de Ferreiros e daqui a Póvoa de Midões, continuando pela rua Nicolau Firmino e rua da Catraia até Midões; daqui à Bobadela o traçado permanece duvidoso, podendo seguir pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessa na Ponte Romana? de Sumes ou em alternativa, seguir por Coito de Midões rumo à Ponte de S. Geraldo, continuando depois por Vila Nova de Oliveirinha até Bobadela
|
| Via AEMINIUM a Civitas Bobadela |
![]() |
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas) Itinerário de Coimbra a Bobadela. A parte inicial segue o mesmo trajecto do Itinerário Coimbra - Viseu até Santa Comba Dão. Depois de cruzar o rio Dão seguia junto da villa de S. João de Areias rumo à travessia do rio Mondego para Tábua, continuando depois até Bobadela. Este itinerário continuava pela vertente ocidental da Serra da Estrela rumo a Celorico da Beira e a Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Seia e Gouveia. Esta via era designada por «via Colimbriana» na Idade Média («strada Colimbrie» nas Inquirições de 1258, PMH Inq 782). Santa Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão) Vimieiro (da ponte actual subia à estação C.F. pela rua da «Calçada Romana» rumo a Cancela, Fonte do Douro e Qta. da Avegada; poderia existir uma ligação pela calçada da Laje do Roxo à villa da Abadia e Fonte de Vinhais em Óvoa) São João de Areias (vestígios na Igreja Matriz e em Alqueives; daqui descia ao Mondego) Rio Mondego (existia uma ponte antiga, hoje submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem por 350m pela calçada da Pedra da Sé até Tábua, passando próximo da villa? do Fundo da Vila e do sítio romano da Torre) Tábua (seguia talvez junto do povoado fortificado do Outeiro da Mama, na zona industrial, seguindo depois por Catraia de Seixos Alvos, Barras e talvez Candosa) Covas (villa de Ervedais, entre o cemitério e a Igreja Matriz; descia à Ponte de Covas sobre o rio Ribelas e seguia junto da Qta. do Ribeiro pelo estradão de terra rua Vale Meirinho, cruza a EM1306, rua da Indústria até cruzar a EN230-6) Bobadela (continua junto do cemitério, cruza a ribeira de Cavalos na Ponte Romana e entra na povoação pela rua Emília Pestana Coelho)
|
| Via CONIMBRIGA a Civitas Bobadela |
|
Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas) A descoberta em 2011 de uma estação viária romana no sítio da Eira Velha em Lamas (Miranda do Corvo), veio alterar o panorama dos nossos conhecimentos sobre a rede de antigos trajectos nesta região, conduzindo a uma restruturação dos diversos itinerários (act. 2019). Este vicus viarum romano foi identificado durante as obras de construção da auto-estrada A13. Mais uma vez, não se conseguiu preservar este importante património, acabando na sua destruição pela passagem da estrada precisamente no local do assentamento. As escavações de emergência efectuadas no local antes da sua destruição demostraram no entanto a existência de um cruzamento de vias, a via O-E proveniente de Conímbriga que seguia por Miranda do Corvo e Foz de Arouce rumo talvez a Bobadela e uma via N-S proveniente de Coimbra rumo a Tomar por Podentes. Estas estradas estão documentadas no período medieval mas certamente que já eram utilizados em épocas anteriores, em particular no período romano como o sítio da Eira Velha viria a demonstrar (Cravo; 2010; Ramos e Simão, 2012). Itinerário Conímbriga - Eira Velha - Miranda do Corvo - Foz de Arouce - Mucela - Bobadela Inicialmente seguia de Conímbriga até ao nó viário de Alcabideque, onde cruza o Itinerário XVI de Braga a Lisboa, continuando depois, segundo um documento de 1194, por Bem da Fé, Vila Seca, Água do Forno até ao vicus viário de Eira Velha, continuando depois por Lamas e Cervajota) Miranda do Corvo (cruza o rio Dueça em Porto Mourisco e sobe depois ao alto da serra em Cume, onde há calçada, descendo ao vale do Ceira) Foz de Arouce (villa do Vale da Portela de Torres; cruza o rio Ceira) Covelos (com vestígios romanos em Eira Velha e Fonte do Ouro, possivelmente uma estação viária tipo junto do Km 21 da EN17; continua por Ponte Velha) S. Miguel de Poiares (a via segue a rota da «Estrada da Beira» ou EN17) Ponte Romana-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares almofadas da antiga ponte romana foram reutilizados na construção da ponte actual; continua pelo caminho da Qta. da Carvalha até reencontrar a EN17; em alternativa a travessia do Alva em época romana poderia fazer-se em Moura Morta, onde há uma ponte sobre a ribeira de Sabouga com possível origem romana e a respectiva calçada que segue para Moura Morta; vestígios de antiga exploração aluvionar) S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Sobreira, Cortiça, S. Martinho, Poços, Catraia dos Poços e Moita da Serra; em Sanguinheda existe o topónimo «rua da Calçada Romana») Carapinha (segue a EN17 por Venda da Serra, sai da EN17 por Venda do Vale, reencontra a EN17 pouco antes da Cruz de Espariz, continua por Gândara de Espariz, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas) Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (junto do cemitério) Bobadela (civitas)
Coimbra - Eira Velha - Podentes - Penela: a via N-S por sua vez teria origem em Coimbra seguindo depois a nascente do Itinerário XVI pela «Estrada Real» para Penela seguindo segundo António Secco pelo «Cimo das Calçadas da Copeira, Volta do Monte e Chão de Lamas» (Secco, 1853); partindo de Coimbra cruzava o Mondego e seguia a margem esquerda do rio por Laginhas de Baixo, alturas de Copeira, seguindo depois a EN110 («Estrada Real») por Marco dos Pereiros, Portela do Gato, Outeiro Penedo (a nascente há um balneário romano na Lomba da Moura em Almalaguês), Volta do Monte, conflui na via proveniente de Conímbriga no Alto de Almaroz e segue depois próximo do vicus de Eira Velha por Chão de Lamas, Selões (habitat), Podentes (rua Carreira?), Vendas de Podentes (habitat), Penela (a nascente, por «Calçadas»; possível referência a esta estrada como «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 in PMH, CCO, p. 374), continua ao longo da margem esquerda do rio Dueça por Sete Fontes, Carregã (na outra margem do Dueça, junto à capela da Senhora da Graça, existe a importante villa de S. Simão com mosaicos), Taliscas e Chão de Ourique até à provável mutatio do Itinerário XVI no lugar da Póvoa/Aljazede (Cravo, 2010). Miranda do Corvo - Espinhal - Venda das Figueiras: quem vinha de Bobadela por Foz do Arouce até Miranda do Corvo, em vez de cruzar o rio Dueça rumo a Conímbriga como anteriormente descrito, poderia continuar para sul de encontro ao Itinerário XVI, seguindo por Espinhal, Torre do Chão do Pereiro, Alto das Pontes, EM1195, Solão, Carvalhais, Estrada de Viavai, Venda de Moinhos e Venda das Figueiras/Freixial, onde entronca no Itinerário XVI rumo a Olisipo (Cravo, 2010). Derivação para o Porto da Raiva: segundo J. de Alarcão, poderia existir uma ligação fluvial de Coimbra ao Porto da Raiva (tesouro no Cabeço da Morgueira; microtopónimo Vale do Carro), seguindo depois por via terrestre por S. Pedro de Alva, Cruz do Soito e Catraia dos Poços, onde conflui na «Estrada da Beira» (Alarcão, 1988). Derivação para Penacova: a mutatio de Poiares estaria no cruzamento com uma outra via que seguia para a Barca de Penacova, onde atravessava o Mondego, continuando depois pelo carrale que é referido num documento do ano 998 (PMH DC 179) até Penacova (epitáfio de Frontoni embutida na sacristia da Igreja Matriz). No outro sentido, esta via poderia seguir para a travessia do rio Ceira junto a Serpins e daqui aceder à região mineira da Serra da Lousã. Serpins é referido como «uilla serpinis» num documento do ano 961 (PMH DC, nº 83) e poderá corresponder aos vestígios do Povoado romano do Cabeço da Igreja (2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga ponte medieval). Via mineira de Góis/ «Estrada do Sal»: provável via romana associada à actividade mineira em Povorais (encosta da Serra do Penedo), Vale Pião, Escádia Grande (Roda Cimeira) e em Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas, onde apareceram duas aras dedicadas à divindade indígena Ilurbeda; o ponto de partida e de chegada deste itinerário são desconhecidos, mas o seu percurso é ainda visível na direcção O-E pelas cumeadas da Serra de Entre-Capelos, Serra das Malhadas e Serra do Açor, serpenteando a EN343 e EN112, seguindo por Alto da Pedra do Lumiar, Cabeçadas, Sra. do Desterro, Alto de Entre-Capelos, com vestígios de calçada no Pepio e mais adiante no Alto das Malhadas), Catraia do Rolão, Alto de Decabelos... (?). |
| Via Bobadela a ARITIUM |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Bobadela (civitas) a Alvega (ARITIUM) por Pedrogão Grande Hipotético itinerário N-S ligando Bobadela ao rio Tejo; esta via cruzava o rio Alva em Coja e seguia por Arganil e alturas da Serra da Lousã rumo à travessia do rio Zêzere próximo de Pedrogão Grande, continuando por Sertã, Ponte dos Três Concelhos e Amêndoa rumo ao rio Tejo. A parte inicial do itinerário é referida por Mário Saa como antiga «Estrada de Santarém», fazendo-a passar por Arganil, Góis e «cimos da serra da Lousã» rumo a Figueiró dos Vinhos; no entanto o antigo itinerário parece desviar-se desta proposta, cruzando o rio Ceira na Várzea de Góis/Vila Nova do Ceira, tomando depois os mesmos «cimos» mas na direcção de Pedrogão, percurso a que Saa também se refere mas agora como «Estrada Mourisca» como proveniente de Conímbriga por Miranda do Corvo. Após cruzar o Zêzere a proposta de Saa por Amêndoa, Chão de Codes e Alvega corresponde ao itinerário para Aritium. Este trajecto menos acidentado, aproveita sempre que possível os visos da serra para minorar as variações de cota e ultrapassar uma geografia pouco favorável à viação, servindo amiúde como linha divisória entre concelhos. Bobadela (segue talvez por Covas, Pinheiro da Coja e Qta. da Telhadela até Coja, onde cruzava o rio Alva) Coja (miliário de Teodósio na Capela da Sra. da Ribeira; miliário tardio associado ao nó viário relacionado com a travessia do rio Alva (Encarnação e Lopes, 2014); um tesouro em Paço e a villa de Vale do Carro indiciam a passagem da via nas proximidades, subindo depois por alturas de Salgueiral até ao Alto do Marco, continuando pelo viso da serra sobranceiro a Folques por Mancelavisa, Alto de Travanca e Portelinha) Arganil (castellum da Lomba do Canho, acampamento militar romano junto do rio Alva; espólio em polémica; de Arganil sobe pelo Casal de S. José ao Alto de S. Domingos, continuando pelo viso da serra sobranceira a Celavisa, Sequeiros e Bodeiros pelo Alto de Samoa, continuando já no concelho de Góis pelo Alto de Egas na Serra de Alcaria; mina de ouro na «Eira dos Mouros») Vila Nova do Ceira (cruza o rio Ceira e a ribeira de Sótão e segue pela calçada na Serra de Sacões?) Portela da Albergaria (ascende pela Lomba do Mouro ao Alto da Serra da Lousã até ao Alto de Trevim («Altar de Trevim», possível triffinium, separando os territórios das civitates de Conímbriga, Coimbra e Bobadela; Alarcão, 1988b), continua sempre por alturas de Castanheira de Pera e Coentral, por Gestosa, Cabeço da Ervideira, Cabeço do Peão, Derreada Cimeira, Venda da Gaita, onde entronca na EN2, Fontinha, Tojeira e Capela do Sr. dos Aflitos, descendo depois por Vale do Barco à travessia do rio Zêzere junto a Pedrógão Grande na chamada «Barca do Zêzere») Pedrogão Grande (vicus viário com possível mansio relacionado com a travessia do Zêzere, ocupando a área do Jardim da Devesa e do qual restam visíveis vestígios junto da Capela do Calvário; forno no Cabeço da Cotovia; na outra margem situa-se o Castro da Ns. da Confiança; ara a Nábia numa casa em Roqueiro, hoje no MNA)
Desta travessia do rio Zêzere partia uma via rumo a nordeste convergindo nas proximidades de Oleiros com a chamada «Via da Covilhã» proveniente de Tomar, seguindo por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) e Bravo para depois atravessar a Serra de Alvéolos, trajecto pontuado por troços de calçada no Alto do Bravo e no Alto da Cava (nó viário de onde partia um acesso a Vale do Souto, passando junto à mina da Cova da Moura), continuando sempre em altitude pela cumeada da serra com vestígios de calçada no Alto de Vale de Mós, Alto do Cavalo, Selada do Cavalo, Alto da Povoinha, Alto da Mata de Álvaro, junto da mina romana, alturas de Sendinho de St. Amaro até Cruz de Casal Novo, onde cruza a EN350 e toma o caminho de terra que segue por Serra Rasa até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar, seguindo rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas (vide continuação no Itinerário Tomar-Belmonte). Itinerário de Pedrogão ao Castro de Amêndoa Pedrógão Pequeno (da Barca do Zêzere sobe por Casal dos Bufos até ao Castro da Ns. da Confiança, seguindo depois pela chamada «Estrada da Cova», existindo um troço em calçada que cruza a ribeira dos Porteleiros junto do cemitério; na extinta Capela da Ns. das Águas Férreas apareceram silhares romanos possivelmente relacionados com um pequeno templo romano junto da via; daqui seguia para a Sertã talvez pelo Alto da Cruz do Peneireiro, Casal Novo, Alto de Viseu e Serra de S. Domingos até entroncar na EM1101, continuando pela Cavada Velha rumo à travessia a ribeira de Amioso em Valado) Sertã (possível mutatio em Mata Velha, onde apareceram 10 tambores de coluna e um capitel; cruza a ribeira da Sertã na Ponte Romana?-Filipina da Carvalha e segue pelo «Vale da Carreira» por Portelinha, Venda da Pedra, Junceda e Albergaria) Cumeada (cruza a EN2 e desce à Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha, sobe até Catraia, cruza a EN244) Marmeleiro (na povoação, toma o «Caminho da Ponte» pela Serra da Longra e desce ao rio Isna que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Três Concelhos, subindo a Portela de Colos pelo caminho que divide os concelhos de Vila de Rei e Proença-a-Nova e onde Mário Saa ainda observou troços de calçada) Portela de Colos (continua por Algar e Várzeas, cruza a ribeira de Bostelim/EN244 próximo do Casal do Poço Caldeiro e segue por Tinfaneiros e Ladeira até ao nó viário próximo da Capela de Santa Maria Madalena) Castro de Amêndoa (possível mansio junto da Fonte do Córrego/dos Mouros em Coutada, na base do Castro romanizado de S. Miguel, importante nó viário onde se cruzavam diversas vias) Ramais de ligação ao rio Tejo
|
| Via CONIMBRIGA a AMMAIA |
Conimbriga a Ammaia
![]() |
Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Aramenha (AMMAIA) pela Barca da Amieira Itinerário com origem em Conímbriga rumo à travessia do rio Tejo na Barca da Amieira, continuando depois de encontro às vias para Ammaia e Emerita. O ponto de travessia do rio Zêzere seria em Alcamim atendendo ao miliário identificado em Martinelo (Mantas, 1990), seguindo depois pelo Castro de Amêndoa e Vale do Grou (miliário) rumo à Barca da Amieira. A área compreendida entre os rios Zêzere, Tejo e Ocreza foi alvo de um profundo estudo de Carlos Batata, mostrando uma rede complexa de caminhos pré-romanos articulando o tráfego proveniente de Conímbriga e Tomar rumo ao Tejo e daqui à capital da Lusitânia (vide Batata, 2006; Mantas, 1989 e 1990; Romão, 2012). Itinerário de Conímbriga ao Castro de Amêndoa (V4 in Batata, 2006) Com base num fragmento de um miliário anepígrafo em calcário encontrado em 1876 no lugar de Martinelo (na época objecto de culto a S. Silvestre e hoje no Museu Arqueológico de Santarém), deveria existir aí uma travessia do rio Zêzere para Alcamim, junto da Foz do Isna, evitando assim a travessia desta ribeira; esta via seria também uma derivação da Via XVI Braga-Lisboa no nó viário do Rego da Murta, seguindo depois pela cumeada ao longo da ribeira de S. Domingos até Casal do Zote, contorna o Alto de Vale Ferreiro e entronca na EN520, continuando por esta por Carril, Alto da Ferraria e Ereira, onde inflecte para leste pela EN520-3 e EN238 para Besteiras e Vales, descendo ao rio Zêzere pelo estradão de terra paralelo ao CM1064 onde apareceu o miliário do sítio do Martinelo; depois de cruzar o rio para Alcamim (na Capela de S. Pedro do Castro, apareceram 5 inscrições funerárias); continua por Vale Velido/Minas de Estevais até Vila de Rei, confluindo na via proveniente de Tomar no lugar de Paredes, seguindo depois um percurso comum até Palhota, onde voltam a separar-se, continuando este itinerário a meia-encosta da Serra da Seada pela EN348, descendo depois à estação viária da Coutada, na base do castro) Castro de Amêndoa (Elbocoris?; nó viário junto da Fonte de Mouros em Coutada, possível mansio na base do Castro romanizado de S. Miguel, cruzando aqui com uma via O-E que seguia para Cardigos passando na calçada de Cabeceiros em Pracana da Ribeira) Itinerário do Castro de Amêndoa à Barca da Amieira (V1b in Batata, 2006) Via referida na Doação da Guidimtesta de 1194, seguindo por Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Castelo (calçada em Alicerces), passava próximo do Castelo Velho do Caratão e seguia por Ribeira de Aziral, Vale do Grou (vicus na zona da Catraia; calçada e uma base de um possível miliário, hoje no Museu de Mação; indicaria 8 milhas ao Tejo; casal junto da Capela de Ns. do Pranto; villa em Vilar da Lapa; duas inscrições votivas na Capela de S. João Evangelista em Vilar da Mó, uma dedicada aos Bannei Picio, RAP 35, e outra colocada por Caeno Matsi, ambas no Museu de Mação), seguindo para Envendos, descendo depois por S. José da Matas (pelo Alto da Mata e Oliveirinha) até à Barca da Amieira, onde cruza o rio Tejo, continuando por Amieira, Arez (mina da Laje da Prata; sítios romanos no Tapadão de S. Gens e na Tapada Nova) e Alpalhão (vestígios no cemitério de S. Sebastião), de onde poderia rumar a Ammaia por Castelo de Vide ou continuar para sul rumo às vias para Mérida. Itinerário Barca da Amieira a Valencia de Alcántara por Nisa: poderia existir uma derivação em Amieira pela Ponte Romana?-Medieval de Vila Flor sobre a ribeira de Figueiró (habitat em Cabeças), passando próximo de Albarrol, onde há achados significativos (habitat na aldeia, uma estela com o epitáfio de Tongeta na Horta do Vale, hoje no Museu da Misericórdia de Nisa, e uma ara na Tapada da Fonte do Negro, hoje em posse de um particular em Arez), seguindo depois por Nisa e Monte da Francisquinha rumo a Póvoa e Meadas (próximo da EN525-1 que passa nos altos da Bruceira e do Poio e atravessa a ribeira de Nisa para o Monte das Chãs), seguindo depois o caminho que divide os concelho de Nisa e Castelo de Vide, passando na Tapada do Pai Anes (ara votiva hoje no MNA), e a sul da villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa), marginando depois a villa? e represa da Tapada Grande (epitáfio de Boutia e ara votiva no Cabeço do Seixo), Garriancho, villa da Torre do Azinhal, Pereiro e o vicus? do Monte Velho, seguindo depois para a travessia do rio Sever próximo do açude romano da importante villa da Herdade dos Pombais cujo espólio está no Museu Municipal do Marvão (na região apareceu uma estela funerária do Ammaiense Lovesio em Vale do Cano e uma inscrição a Toga Alma junto da Fonte dos Mortos em Barretos, ambas no Museu de Ammaia), devendo daqui seguir para Valencia de Alcántara (aqueduto e ponte romana), rumo a Cáceres onde se localizava Norba Caesarina (Monteiro, 2011). |
| Via CONIMBRIGA a ARITIUM |
Conimbriga a Aritium
![]() ![]() ![]() |
Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Mouriscas - Alvega (ARITIUM) Tal como a anterior derivava da rota para Lisboa cruzando o rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz do Rio de Codes, local estratégico e central desta região e que serve de limite dos 4 concelhos nesta área: Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila de Rei e Abrantes. A partir daqui a via deveria seguir rumo ao Casal da Sra. da Graça em Valhascos (onde há fustes de possíveis miliários), continuando pelo vicus de Mouriscas (base de miliário) rumo à travessia do Tejo junto a Alvega, ligando ao povoado romano de Aritium junto da povoação da Casa Branca. Itinerário de Conimbriga a Aritium por Mouriscas (V3 in Batata, 2006) Este itinerário seria comum ao Itinerário XVI até à Capela de S. Pedro em Rego da Murta, inflectindo aqui para sudeste por S. Jordão, Vale da Carreira, Porto Romã (calçada sob a rua da Batalha dos Romanos?), Camarinha, Vale, continua a poente de Ferreira do Zêzere, continuando pelos limites do concelho (EM530 e CM1108) por Cabeça de Carvalho, nó viário que recebe também a via proveniente de Tomar, seguindo ambas pela (CM1108) para a travessia do rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz do Rio de Codes; daqui seguia pela cumeeira da serra até S. Domingos em Santiago de Montalegre, onde inflectia para sul na direcção do nó viário de Mouriscas, seguindo inicialmente a EN2 e depois pela cumeada da serra até Andreus e daqui ao Sardoal (passa na rua do Paço e na Ponte de S. Francisco, onde há calçada), continuava por Valhascos (passando na base do importante povoado romanizado da Cabeça das Mós, situado no limite administrativo entre os concelhos do Sardoal, Abrantes e Mação), seguia depois para o Casal da Sra. da Graça (400 m em calçada, tesouro e vários fustes de possíveis miliários), cruzava a ribeira de Arcês (numa ponte dita "romana", ao lado da ponte moderna), e seguia pela Fonte da Pedra (topónimos Carril e Carreira) até Portela das Eiras (casal rústico), contornando o vicus da Fonte do Sapo em Mouriscas (base de miliário; 3 inscrições na Igreja Matriz, entre as quais uma ara a Alua), continua sob a EN3, desvia depois por Aldeias (necrópole; epitáfio de Talticus e o epitáfio de Decumus), tocando nos sítios romanos de Surdo (habitat) e Qta. de Vale Covo (casal rústico) onde fazia a travessia do Tejo na Barca de Bandos, continuando na outra margem junto da Sra. da Guia e da villa da Qta. Nova, a poente de Alvega, ligando na outra margem a Aritium. ARITIUM Este povoado deverá localizar-se na margem esquerda da ribeira da Lampreia, próximo da sua confluência com o rio Tejo; surgem vestígios romanos numa extensa área abrangendo os terrenos de Casal da Várzea, Casal do Aneirão e Quinta de São João. Teria um estatuto municipal com base na famosa inscrição aqui encontrada referindo os magistrados da cidade, «edis, duúnviros e flâmines da Província da Lusitânia» (aedilis IIvir flamen provinciae Lusitaniae; HEp 4, 1080). A identificação deste povoado com Aritium baseia-se na descoberta de uma placa de bronze (infelizmente perdida), contendo um juramento ao Imperador Calígula feito pelos habitantes do «Aritiense oppido veteri» (Alarcão, 2004b). Francisco d'Holanda menciona uma "ponte magnífica, acima d'Abrantes" que poderia estar neste importante ponto de travessia do rio Tejo, embora não haja vestígios que o comprovem. A existência de um miliário em Monte Galego assinalava certamente esta travessia (e não uma suposta via paralela ao Tejo) que ascendia depois ao planalto por onde passava a rota para Mérida. Itinerário de Aritium a Emerita: O miliário de Monte Galego, também conhecido como «marcão» ou «polícia», encontra-se no cruzamento da rua das Flores com a rua 25 de Abril, precisamente no local onde a via iniciava a subida da encosta da serra, percorrendo a linha de festo que separa a ribeira da Lampreia e a ribeira do Carregal; a via passa em Casal Ventoso e nos altos da Lampreia e da Abitureira, continuando sempre pela cumeada até ao nó viário no Alto dos Carris Brancos onde cruza a EN244 e segue por Lamerancha e Alto do Vale da Vinha rumo ao Monte da Machouqueira, cruzando aqui a ribeira da Margem; daqui segue até às Polvorosas, onde conflui no Itinerário XV para Mérida.
|
| Via CONIMBRIGA a EMERITA por Abrantes |
Barca do Pego
Barca de Moinhos
![]() |
Condeixa (CONIMBRIGA) - Abrantes - Mérida (EMERITA) Este itinerário é comum à anterior até Ferreira do Zêzere, seguindo depois para uma outra travessia do rio Zêzere mais a jusante localizada em Vila Nova; daqui subia à povoação do Carvalhal descendo depois rumo a Abrantes, bifurcando nos diversos ramais de acesso à travessia do rio Tejo, nomeadamente nas barcas de Rio de Moinhos, Abrantes» e Pego. Todas estas rotas teriam continuação na outra margem do rio, seguindo de encontro à rota para Mérida. Partindo de Ferreira do Zêzere seguia pela EM530 por Bodegão, Vendas do Rijo (mutatio?), Carqueijal, Cepos (mina de ouro em Poço Redondo), Chão das Maias, Silveira (villa?), Serra, Figueira Redonda, Eira do Chão e Vila Nova (mutatio?), onde cruzava o rio Zêzere; na outra margem, a via ascendia a encosta por Bioucas, seguindo depois por Souto até ao alto da serra na povoação do Carvalhal; daqui descia ao Tejo pela cumeada da serra seguindo uma linha de festo que divide os concelhos de Constância e Sardoal, passando a poente de Sentieiras até ao Alto do Alegrete, nó viário onde se divide em três ramos de ligação às três travessias do rio Tejo nas proximidades de Abrantes.
Da Barca de Moinhos à rota para Mérida |
| Via CONIMBRIGA a TUBUCCI |
![]() Vale de Boi
|
Condeixa (CONIMBRIGA) - Tancos (Tagus) - Mestas (TUBUCCI) É provável que existisse um outro eixo N-S que corria paralelo ao Itinerário XVI por Santiago da Guarda, Ansião, Paialvo, onde cruza a estrada de Tomar a Santarém, continuando depois rumo à travessia do rio Tejo em Tancos e daqui subia ao planalto das Mestas, onde se localizaria a estação viária de Tubucci. Grande parte deste itinerário segue o percurso da antiga «Estrada Real» que corria por Rio de Couros e Chão de Maçãs. A derivação da Via XVI seria logo após Conimbriga, seguindo por Rabaçal (passando a cerca de 300 m da monumental villa Romana de Rabaçal cujo espólio está no Museu do Rabaçal, ao longo do ribeiro Seco, passando junto do vicus de Barbealho e do povoado fortificado do Cabeço de Trás de Figueiró em Alvorge, actual EN347-1, desviando em Junqueira (na milha 12 ), rumo a Santiago da Guarda. Santiago da Guarda (villa monumental sob o Solar dos Condes de Castelo Melhor/Paço dos Vasconcelos com notáveis mosaicos; inscrição encastrada na torre refere o pagamento de impostos a municípios vizinhos, sugerindo que aqui estamos nos limites do território Conimbricense («vectigale rei publicae municipii vicini»); criptopórtico no Poço do Carvalhal; daqui poderia seguir uma ramal para Leiria, mas o itinerário principal mantinha a direcção sul rumo a Ansião por Matos de Sta. Bárbara (CM1087), Estrada, Vale de Boi (CM1087-2), onde resta um troço lajeado com cerca de 150 m no sítio de «Vales», seguindo para a travessia do rio Nabão na Ponte Galiz, onde surgem novos vestígios da via continuando junto da Capela do Sr. do Bonfim até Ansião. Ansião (necrópole no cemitério e outros vestígios indiciam a existência de um vicus; daqui poderia seguir uma estrada para Alvaiázere por Ameixieira, Casal Soeiro, Venda do Negro, Venda das Papas/ «Pegas» e Alvaiázere, seguindo depois de encontro ao Itinerário XVI) Itinerário de Ansião a Tancos pela «Estrada Real»: partindo de Ansião seguia a EN348 por Cavadas, Martim Vaqueiro, São João de Brito, Murtal, Casal da Clara, Gaita (estalagem; 1 légua), Santa Cruz, Pulga, cruza o rio Nabão na Ponte Velha em Arneiro (estalagem; 2 léguas) e segue junto da Igreja de São Jorge pela Rua da Estrada Real/ EM501 desviando pouco antes de chegar de Freixianda para Perucha (estalagem; 3 léguas), Rio de Couros (estalagem; 4 léguas), continua pela ruas da Fonte Sabeira e da Pontroqueira até Barreira (junto da Capela de Santa Marta) e depois pelo caminho da Lameirinha (EM607 e rua do Arneiro) até Estremadouro, onde cruza a ribeira da Sabacheira para Chão de Maçãs (estalagem; 5 léguas; daqui a Tomar são 2 léguas); continua depois junto da linha férrea até à Portela do Vale dos Ovos, nó viário onde cruza com a via de Leiria a Tomar; depois descia pela Carregueira a Casal São Lourenço (estalagem; 7 léguas); continua por Francos, Igreja de São Silvestre, Paço da Comenda, cruza a ribeira da Beselga em Porto da Laje e segue até Paialvo, perfazendo 8 léguas. Neste local a via cruzava com o troço do Itinerário XVI (troço Tomar - Santarém), e mantendo a mesma directriz sudeste, seguia rumo à travessia do rio Tejo em Tancos, subindo depois à estação viária da Galega Nova onde entronca na via para Mérida (Act. 2020). |
| Via a SALMANTICA |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Castelo Branco - Sabugal (Equotole?) - Salamanca (SALMANTICA) Este importante itinerário rumo a Salamanca parte de Castelo Branco onde afluíam as vias provenientes do rio Tejo, seguindo depois por Alcains, Atalaia do Campo e Catrão rumo à Ponte de Capinha; daqui seguia pela Serra da Opa até Sabugal onde cruzava o rio Côa, continuando para Alfaiates onde apareceu outro miliário. Castelo Branco O triângulo formado pela Capela de Ns. de Mércoles, Capela de Santa Ana e Monte de S. Martinho é uma zona muito romanizada com imensos vestígios achados nesta área, algumas funerárias como o epitáfio de Boutius da gens Ilaesurie em particular muitas epígrafes votivas, ara aos Bandi Vorteaecio, ara a Iunoni Linteica e a ara votiva a Aratibro ou Marati Boro proveniente da Qta. da Polida que hoje integram a excelente colecção do Museu Tavares Proença Júnior (MTPJ) em Castelo Branco; juntamente com o povoado pré-histórico situado no Castro de S. Martinho, toda zona revela uma população indígena muito romanizada o que levou alguns autores a colocar aqui os Tapori, povo referido na famosa inscrição da Ponte de Alcântara (Alarcão, 2001, 2005c; Guerra, 2007a). Itinerário de Castelo Branco a Salamanca por Capinha e Sabugal (Curado,1987; Osório, 2006) Castelo Branco (segue talvez por Lirião, Atacanha e junto dos vestígios da Quinta da Pedra da Légua, a milha IV, continuando por Alto do Feitoso e Capela de Sta. Apolónia) Alcains (duas aras votivas na Ermida de São Domingos dedicadas a Asidia; continua junto do povoado romanizado da Cabeça Pelada na milha X, eventual mutatio onde apareceu uma ara a Reve Langanidaeco, hoje no MTPJ, inflectindo depois para nordeste na direcção da linha férrea que acompanha pelo lado nascente por 1 km, desviando depois para a Igreja de Lardosa pelo «Caminho da Tapada da Eira» e rua da Alverca) Lardosa (ara votiva a Trebaronne na Qta. das Alvercas, hoje no MTPJ; continua pelo «Caminho do Tanque», Monte do Senhor Vidar, seguindo depois paralela à linha férrea pelo Alto da Fadagosa) Atalaia do Campo (cruza a ribeira de Alpreade na Ponte Velha e segue junto do topónimo «Vendas»; villa em Alagão; a via continua para nordeste passando a nascente da importante villa de Catrão, base do castro romanizado da Covilhã Velha, rumo à mutatio de Quintas da Torre) Ponte Romana?-Medieval de Capinha (cruza a ribeira de Meimoa e o Itinerário de Braga a Mérida) Capinha (daqui ruma para nordeste ao longo da margem direita da ribeira de Meimoa, +- a EM570-1, num percurso pontuado por grande número de sítios romanos) Salgueiro (em Coito de Cima ou Vale do Canto apareceu um miliário de Licínio II, hoje no MAMJM; a via continua próximo da Qta. da Malta e, na outra margem da ribeira, da villa da Qta. do Prado Vasco, seguindo depois pela Qta. do Lameirão e Coito de Cima, onde se achou o miliário; durante a demolição da Capela de Sta. Maria Madalena apareceu uma inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo; inscrição funerária aos Deuses Manes proveniente da villa da Qta. da Caneca e hoje na Biblioteca Municipal da Covilhã) Travessia da ribeira do Casteleiro (talvez junto do casal romano do Convento de José Francisco do Anascer, onde apareceu uma ninfa em mármore, ou no Sítio do Bico/Sra. da Quebrada; seguia depois paralela à ribeira do Vale de Lobo pela vertente sul do Castro de Sortelha Velha, passando a sul da villa de Lagoa; possível miliário anepígrafo (ou fuste de coluna) reaproveitado numa parede de uma casa da aldeia de Benquerença, junto da casa paroquial na rua da Praça, a cerca de 2 km da via) Vale da Sra. da Póvoa (antiga Vale de Lobo no sopé da Serra da Opa; villa e provável mutatio no campo do Peão, junto do sítio romano da Póvoa; inscrição honorífica ao imperador Trajano; os 3 miliários achados na Serra do Lobo/Opa sugerem que a via passava a meia encosta da serra da Opa, com uma possível mutatio na Póvoa e uma ara a Júpiter em Fonte Santa) St. Estevão (miliário de Tácito em Mosteiros indicando a milha IIIX, ou seja a milha 7, CIL II 4638, talvez contadas a partir do local de travessia do rio Côa em Sabugal, sugerindo que o rio servia de limite territorial da civitas; o miliário, hoje no Museu do Sabugal, estaria nas proximidades do vicus e provável mutatio da Tapada de Sta. Maria) Alagoas (miliário de Alagoas com inscrição apagada; foi transladado para um largo da aldeia e hoje está no Museu do Sabugal; o possível acampamento militar da Tapada da Cabeça, sugerem a existência de uma mutatio neste sítio, possivelmente no cruzamento com Via N-S proveniente da Guarda que passava junto do vicus da Tapada do Açude, na base do marco geodésico da Urgueira e na Aldeia de Santo António; daqui a via seguia para Sabugal próximo da Quinta da Moita Cabeça onde há vestígios romanos, talvez pelo trajecto da EN233 pelo Alto de João Mourão) Sabugal (Equotule?) Provável mutatio junto da travessia do rio Côa; inúmeras epígrafes sugerem a existência de um vicus que poderia ser designado por Equotule com base na ara a Arentia Equotulaicense encastrada na Igreja de S. João (Osório, 2006:90); o Museu do Sabugal alberga os miliários de Alagoas e de St. Estevão. A partir do Sabugal, a via seguia para nordeste junto dos topónimos Calçada, Cardeal e Pouca Farinha; continuava por Vila Boa, Aldeia da Ponte e Alfaiates, onde apareceu um miliário, rumo a Salamanca e possivelmente ao Castro de Irueña (Osório, 2006:120-124; Carvalho, 2008:77); no entanto como no miliário de Alfaiates lê-se o numeral «C...», este deveria indicar a distância a Mérida que é de cerca de 135 milhas, podendo as letras que faltam estar apagadas (Mantas, 2012b, 2019). A ser assim existiria um grande itinerário ligando Alfaiates a Mérida que confluía noutra proveniente do Castro de Irueña, onde aliás apareceu um outro miliário prismático de Augusto muito similar ao de Alfaiates que indica 120 milhas, a distância a Mérida (Salinas & Palao, 2012: 273-274); esta rota deveria cruzar a Serra da Gata e seguir por Coria (Caurium) até à Ponte Romana sobre o rio Tejo em Alconétar, junto da estação viária de Tumulos, mencionada no I.A. a 66 milhas de Mérida. Teria sido estabelecido no início da reforma administrativa iniciada pelo Imperador Augusto (Mantas, 2019). Vila Boa (villa; serpenteia a EN233-3 pela rua do Reboleiro e rua do Santo Cristo) Nave (provável mutatio em Sta. Catarina pois este sítio romano fica junto da via e exactamente a 8 milhas do Sabugal; estela funerária na Igreja Matriz) Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Alfaiates (desaparecida; pontão e calçada) Alfaiates (vicus a 12 milhas de Sabugal; aqui apareceu um miliário de Augusto, hoje no acervo do MNA, contendo uma inscrição já muito danificada, mas onde ainda se lê o numeral «C», possivelmente parte da indicação da distância daqui a Mérida que seria superior a 130 milhas (Mantas, 2012b, 2019; Curado, 2013); a via contorna a vila pelo norte pela rua do Reboleiro e continua pelo Caminho do Santuário de Sacaparte) Aldeia da Ponte («La Venta»; vicus?; mutatio?; a via cruza o rio Cesarão na Ponte Romana?-Medieval e segue junto da Capela do Santo Cristo e da «Fonte da Tigela» onde há uma inscrição rupestre onde se lê Laneane Tang(inus?) f(ecit?), provável divindade aquática; a proximidade da via sugere que a fonte seria um ponto de paragem, eventualmente com uma mutatio nas proximidades)
|
| Via SEILIUM a CENTUM CELLAE |
![]() ![]()
|
Tomar (SEILIUM) - Castro de Amêndoa (Elbocoris?) - Belmonte («Centum Cellae»)
Caminho referido em documentos medievais do século XII como Via Covillianae ou «Via da Covilhã» (Doação da Azafa aos Templários em 1199) que ligava Seilium à vertente oriental da Serra da Estrela, mais tarde conhecida por «Estrada da Lã» porque permitia o escoamento deste produto para o litoral (V1a in Batata, 2006); esta estrada que já seria usada em época romana, dava acesso a uma região fortemente romanizada como é a Cova da Beira seguindo pelo Castro de Amêndoa e Ponte dos Três Concelhos para convergir com a via proveniente da travessia do Zêzere em Pedrogão Grande, convergindo no Alto do Rilhão (Oleiros) pouco antes da travessia do rio Zêzere em Cambas, seguindo depois por Tortosendo, Calçadinha, Covilhã e Orjais rumo a «Centum Cellae», onde entronca no Itinerário Viseu - Mérida. (Ver Silva 1988; Ponte, 1995; Batata, 2006) Itinerário do Castro de Amêndoa - Oleiros Este itinerário deriva do Itinerário Tomar-Idanha em Várzeas, inflectindo aqui para norte em direcção à Ponte dos Três Concelhos, daqui subia ao Marmeleiro em direcção ao cume da Serra da Longra (sulcos de rodados ao longo de 4 km passando ao lado de uma possível mutatio em ruínas, talvez os «paradineiros veteres» referidos na Doação da Azafa; Batata, 2006), continuava por Pereiro, Vale da Junça, Alto da Ferrugenta, subindo à Serra do Cabeço Raínho pela vertente sul por Alto do Fundeiro e Perna do Galego (estela funerária de Álio e Mocosa e mais a leste, na Fechadura, uma inscrição rupestre onde se lê Mitamus), percorre a cumeada da serra pelo estradão entretanto alcatroado (sulcos de rodados) e depois pela vertente poente pelo Alto de Besteiras (sulcos de rodados), junto do povoado mineiro de Fernão Porco, continua pela vertente oeste do Alto da Lontreira, onde inicia a descida para Oleiros por um troço de calçada ainda visível ao longo de 2 km, descendo pela encosta a poente de Braçal até Vale de Peixe, onde cruza a ribeira da Sertã para Oleiros.
Oleiros (continua talvez por Orelhão pela EN527 até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão onde entronca na via proveniente de Pedrógão Grande, continuando pela EN527 por 1 km até Vale de Cima, onde toma o estradão pela cumeada de Sendinho da Senhora, onde apareceu um tesouro Republicano, Catraia da Amieira, Alto da Medrosa, Alto de Rabaças e Alto da Portela de Pizoria, cruza a EM1190 e desce por Cabeço Alto e Lomba dos Carvalhais até Cambas, onde cruza o rio Zêzere) Cambas (daqui subia a Serra de Campelos pela EN112 até Selada Cova, seguindo depois a rota da EN344 pela cumeada da serra, por Portela do Armadouro, Casal da Lapa, Portela de Unhais-o-Velho, continuando depois pela EM1374 pelo Alto da Figueirinha, Alto do Chiqueiro, Minas da Panasqueira, Ourondo (calçada em Lagoa desce à ribeira de Paúl), subindo depois pela Sra. do Carmo, Vale de Ladrão, Portela de Paúl, Alto de Valongo, Alto de Penesinhos e Portela dos Pedrões) Tortosendo (pela Qta. da Pousada, cruza a aldeia e segue a EN230 por Calçadinha, Ladeira Grande e Meia Légua, topónimos viários) Covilhã (seguia junto da estação C.F. pela rua da Corredoura, onde há calçada, sob o alcatrão) Canhoso (segue paralela à linha férrea pela Qta. do Prado, cruza a Ponte das Almas) Teixoso (inscrição honorífica, nomeia o magistrado Marcus Valerius Silo, duumvir primus de um municipium, talvez dos Lancienses Ocelensis que poderia habitar a villa de Terlamonte, situada a cerca de 500 m do rio Zêzere, onde há vestígios de barragem; a via cruzaria a Ponte Pedrinha e continuava próximo da Qta. da Mourata, onde apareceu uma ara de Dobiteina a Júpiter Supremo, e Borralheira, onde apareceu um tesouro; Alarcão, 1988; Silva A.J.M., 2002; P. Carvalho, 2006) Orjais (a via continuava pelo vale do rio Zêzere passando próximo da Capela da Sra. das Luzes, onde havia um vicus ou villa na base do imponente templo romano na Ns. das Cabeças, possivelmente dedicado a Júpiter; o santuário e antigo castro domina visualmente o vale do Zêzere; 2 inscrições funerárias; duas aras votivas dedicadas a Bande Brialeaicui, divindade que aparece também numa inscrição de Póvoa do Mileu como Bande Brialeacus; ver Carvalho P., 2003, 2006 e 2010)
Aldeia do Souto (existiam vestígios de calçada passando na Qta. da Lajeosa, onde apareceu a inscrição funerária de Camalo) Vale Formoso (possível miliário no início da rua do Pinheiro, marcando a entrada da Judiaria; um outro possível miliário foi daqui para a Biblioteca Municipal da Covilhã; calçada em Quintarias e Hortas; inscrições funerárias na villa dos Mortórios e na villa de Sinque; a via seguiria junto a Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, onde apareceu o miliário de Constâncio Cloro e Galério Maximiniano que está hoje na Junta de Freguesia de Valhelhas (AE 1961, 250 ), junto com uma ara funerária consagrado aos Deuses Manes; Brandão e Rodrigues, 1957; 50m a sul da JF, existe um possível miliário anepígrafo servindo de base da caixa de correio de uma casa particular) Travessia do rio Zêzere (descia pela Qta. da Carreira, próximo do sítio romano do Ralo, onde apareceu uma árula a Júpiter Máximo, cruzava o rio e seguia por Lameiras para a torre romana) Catraia da Torre («Centum Cellae»), Belmonte |
| Via SEILIUM a IGAEDIS |
Castelo Branco
Idanha ![]() Castelo Branco
Malpica Fundão
![]() |
Tomar (SEILIUM) - Castelo Branco - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Hipotético itinerário de Seilium (Tomar) a Igaedis (Idanha-a-Velha) designada por «viam de Egitania» segundo um documento de 1199 (Almeida, 1956a: 299-301) que cruzava o rio Zêzere junto da foz do rio Codes e seguia por Vila de Rei rumo à Cova da Beira onde confluía na via para Mérida em Igaedis (V2 in Batata, 2006). Itinerário de Tomar a Castelo Branco Partindo de Tomar rumava a norte seguindo o itinerário para Coimbra até Calçadas, onde desvia para Portela da Légua, Aboboreias e Torrão rumo a Vendas dos Rijos (mutatio?), seguindo depois a EM530 e o CM1108 por Bodegão, Cabeça de Carvalho, Sesmarias e Cardal rumo à travessia do rio Zêzere junto da Foz de Codes em Bairrada, subindo na outra margem pela cumeada do monte em direcção a Vila Rei, continuando depois por Vale do Grou, Penedo, Palhota (EM1301; mutatio?), Portela do Curral, Eira Velha, Várzeas (cruza a V1b), Azinhal (paralela e a norte da EM) e Cardigos (cruza a V1); a partir daqui segue o caminho da cumeada da serra pelo Alto da Roda rumo a Proença-a-Nova (contorna a povoação pela rua de Vale Frade e segue pela rua da Cavaleira para o Alto de Casais até entroncar na EN241), continua por Moitas, Espinho Pequeno, Pedra do Altar e Vale da Mua, onde cruza o rio Ocreza, continuando por Ladeira, Pedrogão, cruza a Serra das Talhadas pela Portela da Milhariça e continua por Alvaiade, Tojeirinha, Vale do Homem, Rodeios, passa a norte de Sarnadas por Amarelos e continua pelo Alto de Benquerenças rumo a Castelo Branco (Batata, 2006; Romão, 2012).
Itinerários de Castelo Branco a Idanha-a-Velha
Outras possíveis ligações partindo de Castelo Branco
Itinerário de Castelo Branco ao Fundão Segue o percurso da via para o Sabugal até Atalaia do Campo, onde inflecte para noroeste por: Póvoa de Atalaia (calçada; epitáfio de Graecinius Langon no MAMJM) Alpedrinha (vicus; 2 inscrições funerárias; inscrição a Marte, hoje no MAMJM; a via romana parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de S. Sebastião, segue em calçada por 190 m, cruza o IP2 e sobe por Canada, transpondo a Serra da Gardunha) Alcongosta (a via desce a Portela entroncando na «Estrada da Floresta», onde apareceu a árula de Boutia, FE 701; daqui desce à povoação pela Capela de S. Sebastião, continuando por Alcambar e Qta. do Ouro até ao Fundão) Fundão (vicus? na base do Castro romanizado de S. Brás; ara votiva a Victoria colocada por um soldado veterano da coorte II Lusitanorum, hoje no MNA)
Possíveis ligações partindo do Fundão |
| Via SEILIUM a EMERITA AUGUSTA |
Tomar Tamazim
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Tomar (SEILIUM) - Tancos - Mestas (Tubucci?) - Mérida (EMERITA) Itinerário romano ligando Seilium à estação viária de Tubucci na via rumo a Emerita; este itinerário cruza o rio Tejo em Tancos e ascende depois ao planalto de Galega Nova, continuando depois próximo de Tamazim até à «Encruzilhada das Mestas» onde confluía na via romana para Mérida descrita no Itinerário XIV, percurso que é pontuado por vários miliários. A saída de Tomar rumo a sul é ainda duvidosa com a maioria dos autores a proporem um trajecto paralelo ao rio Nabão até Asseiceira e daí pela serra até Tancos. No entanto este percurso, referido na documentação medieval poderá não ter origem romana já que exige obriga à travessia das várias ribeiras incluindo a ribeira de Beselga perto da sua foz, local pouco apropriado a essa travessia para além de que pressupõem a existência de duas pontes romanas sobre a mesma ribeira a relativamente pouco distância; assim, admitindo que a via para Lisboa seguia por Paialvo (onde foi escavado um troço da via) cruzando a ribeira da Beselga próximo da actual Ponte de Ramil, é possível que a via para Tancos desviasse depois da ponte para sudeste rumo a Curvaceiras, seguindo um caminho praticamente rectilíneo e sem travessia de cursos de água ao qual se pode associar os miliários de Sta. Catarina e Santos Mártires descritos abaixo habitualmente atribuídos ao Itinerário XVI. Apresenta-se ainda a possível variante por Asseiceiras.
Variante por Curvaceiras: é possível um itinerário alternativo passando em Curvaceiras; depois de cruzar a ribeira da Beselga na Ponte de Ramil, inflectia para sudeste por Delongo, Casal de Sta. Catarina, Curvaceiras, Venda de Peralva, Carril e Outeiro do Lajão, seguindo depois ao longo da ribeira de Tancos pelo caminho da serra que hoje divide os concelhos de Tomar e Vila Nova da Barquinha até ao Alto da Mariana (act. 2017). Variante por Asseiceira: também é possível um itinerário alternativo passando em Asseiceiras; partindo de Tomar seguia na direcção sul ao longo da margem direita do rio Nabão por Piolinho e Cabeças, ladeando a Ermida de S. Sebastião, onde há registo de calçada ladeando a Qta. da Ns. do Pilar, outrora Qta. dos Pilares (possível referência a miliários), continuando pelo Casal de Figueiredo para ir cruzar a ribeira da Beselga próximo de Santa Cita, continuando por Asseiceira e daqui pela serra passando em Alagoas, Grou e Brejinho para cruzar a ribeira de Tancos na base do alto das Éguas que hoje divide os concelhos de Tomar e Vila Nova da Barquinha, continuando pelo estradão de terra até ao Alto da Mariana (Romão, 2012; Mantas, 1989). Tancos (no Alto da Mariana existe um possível miliário fincado no chão junto do marco divisório, a 1 milha ao rio Tejo; daqui desce pelo campo de futebol até ao cais fluvial) Travessia do rio Tejo entre Tancos e Arripiado (Saa refere o topónimo «Testa da Barca» como o local de travessia; SAA, 1964: 136; havia também travessia junto ao Castelo de Almourol onde há vestígios romanos) Arripiado (vestígios na Qta. do Arripiado; sobe o estradão que vai pelo Alto da Jardoa, Marco da Serra e Alto do Rodeio) Galega Nova (estruturas romanas, terra sigillata hispânica e moedas sugerem a existência de uma mutatio junto do nó viário da Fonte da Aboboreira, onde recebia uma outra estrada proveniente da travessia do rio Tejo junto da Golegã com possível origem em Collippo; daqui continua sudeste passando junto do marco geodésico da Lagoa da Murta) Lagoa Grande (m.p. X; mutatio?; Mário Saa recolheu nos terrenos do Casal da Pucariça um miliário de Constantino Magno talvez proveniente da Lagoa Grande que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles em Ervedal, Avis; situa-se a 10 milhas do rio Tejo; daqui segue entre o Alto da Lagoa Grande e o Alto do Gavião; notícia de um pastor dá conta de um miliário junto da estação com "vários XXX seguidos de um a três III") Tamazim (m.p. XIV; os dois miliários anepígrafos referidos por Mário Saa junto da Capela da Sra. da Luz, um dos quais servindo de cruzeiro (Saa, 1956: 253), deverão corresponder ao fuste derrubado no cabeço por detrás da Capela e aos fragmentos encontrados na casa em frente)
A via continua sempre pelo caminho de festo com a seguinte sequência miliária: Poiso, Tamazim (m.p. XIV; mutatio?) Alto dos Rapazes (m.p. XV; onde recebe uma via proveniente doa villa de Alcolobre junto ao rio Tejo ) Alto do Rapaz (m.p. XVI) Alto das Águas Negras (m.p. XVII no acesso ao Monte Novo) Venda das Mestas (m.p. XVIII) A continuação do trajecto está descrito no Itinerário XIV de Lisboa a Mérida |
| Via SCALLABIS a EBORA |
![]() |
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA) Hipotético itinerário romano de Santarém a Évora seguindo por Coruche e Ns. da Graça do Divor, servindo em alguns troços como linha divisória entre os distritos de Santarém e Évora. Segundo Mário Saa a via seguia por Glória do Ribatejo rumo ao porto fluvial de Coruche com base no intenso povoamento romano ao longo do vale do rio Sorraia (com cerca de 30 sítios já registados, entre eles, povoado na Igreja da Sra. do Castelo em Coruche e diversos vestígios na Igreja de S. Pedro, Capela de Sta. Justa do Couço, Horta dos Arcos e Ermida de Sta. Luzia de Coruche). Num percurso com muitas incertezas, a partir de Coruche a via poderia dirigir-se a S. Pedro da Gafanhoeira e Ns. da Graça do Divor, onde o povoamento romano é particularmente intenso, rumo a Évora. Neste troço há dois possíveis miliários (Monte Silval e Monte da Valeira) e vários troços de calçada que poderão estar relacionados com esta via (Bilou, 2000a). Travessia do Tejo: Após a travessia do rio Tejo entre Santarém e Almeirim, a via dirigia-se para sul ao longo da sua margem esquerda; segundo Francisco d'Hollanda existia uma «ponte de fundação romana» sobre a Vala Velha de Terrugem, não se sabendo hoje a sua localização: Santarém (cruza o rio Tejo em Ribeira de Santarém; segundo Francisco d'Hollanda na margem esquerda existia uma «ponte de fundação romana» sobre a Vala Velha de Terrugem, não se sabendo hoje a sua localização) Almeirim (a via romana margina o acampamento militar do Alto dos Cacos, situado na margem esquerda do Paúl do Vale de Peixes, continuando depois para sul sob a actual EN118 até Benfica do Ribatejo, passando junto de vários sítios romanos associados ao comércio fluvial como Eira da Alorna, Vale de Tijolos/Qta. do Casal Branco, onde apareceu a lápide de Iulia Laeta, Azeitada e Alqueva da Branca, sendo provável que num destes sítios existisse uma mutatio; a via continua para sul marginando Porto do Sabugueiro, importante porto fluvial romano associado a um povoado da Idade do Ferro com vestígios de um possível acampamento romano na sua periferia) Muge (m.p. X; travessia da ribeira de Muge na chamada 'Ponte Romana'?) Glória do Ribatejo (m.p. XVI; continua pelos altos de Esteveiras e Montaria?) Coruche (m.p. XXV; cruza o rio Sorraia e segue actual estrada pelo Alto da Formosa?)
Ciborro (passa a poente pelo Alto da Murteira; topónimo «ribeiro da Calçada») São Geraldo (passa a nascente pelo Alto da Terra Fria) São Pedro da Gafanhoeira (passa a poente junto do habitat no Alto dos Alfeirões, cruza a ribeira Almansor junto do Monte do Cabido e segue pelo Monte de Alcanede e Monte Silval, junto do qual apareceu um fragmento de miliário epigrafado mas ilegível, no caminho para Almansor de Baixo) Ns. da Graça do Divor (Divorum) (a via passa talvez a poente, na estrada que bordeja o Monte de Capelos e o Monte da Azinheira do Campo/Casa Velha, havendo 600m de calçada em Vale de El-Rei de Baixo, junto do recinto-torre do Cabeço do Diabo em Vale de El-Rei de Cima e a poucos metros dos vestígios na Capela de S. Romão; há também vestígios de calçada no Monte dos Mogos e no Vale Maria do Meio; continua pelo Monte da Valeira, onde apareceu um possível miliário e vários troços de calçada, continuando pela rota da EN114-4 próximo do Monte da Valada, Monte do Casbarro, Monte Brito, Qta. da Atafona, Calçada da Azinhaga junto Monte das Pinas, segue junto do Convento de S. Bento de Castris e do Convento da Cartuxa, entrando em Évora pela Porta da Lagoa) Évora (EBORA)
Em alternativa, poderia derivar da anterior em São Geraldo, continuando depois a nordeste de Montemor-o-Novo, próximo da villa de Fonte do Prior, villa da Comenda da Igreja e villa da Amoreira da Torre, onde atravessava a ribeira de Almansor, seguindo depois próximo dos vestígios de Courela/Monte das Navalhas, Courela de Patalim (cipo funerário), villa de Almo, seguindo por S. Matias rumo a Évora. Ligação de Montemor-o-Novo a Beja Segundo Jorge Feio, é possível que existisse uma via romana entre Montemor-o-Novo e Beja com base na Carta de delimitação do Couto de Alvito em 1261. O trajecto seria o seguinte: partindo de Montemor-o-Novo seguia algures por Santiago do Escoural rumo ao Monte da Prata em Casa Branca, onde há miliário, continuando pela Água d'Elvira dos Padres, onde há calçada e outros vestígios romanos, seguindo por Monte da Courela e Monte das Herdades para a travessia da ribeira das Alcáçovas junto do Moinho da Madeira, continuando pelo chamado caminho da «calçadinha» que segue pelo Monte de Fanais e Monte do Chão Grande rumo a Alcáçovas, cruza a povoação e logo depois sai da EN257 em Colónias pelo estradão para a Herdade da Mata rumo à Ponte de Santa Maria sobre o rio Xarrama, continua pela Quinta do Duque e Monte do Valongo, margina a Capela de St. António e entra em Vila Nova da Baronia (topónimos «Estrada das Alcáçovas» e «Canada Real»), continua próximo da Ermida de Santa Águeda (onde apareceu a inscrição da civitas Mirietanorum), Moinho do Trigacheiro, onde atravessava a ribeira de Odivelas a vau, onde ainda se observam troços de calçada seguindo depois pela Herdade da Zambujosa rumo a Faro do Alentejo (antiga aldeia das Assentes, na referida carta), onde confluía na Via Évora-Beja, seguindo para Beja (Feio, 2010). |
| Via CONIMBRIGA a COLLIPPO |
![]() Miliário de Soure
|
Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO) m.p. XLIII A saída da cidade fazia-se para norte pelo pórtico junto das chamadas «lojas a sul da via», onde existem 2 miliários anepígrafos, seguindo pela rua das Ruínas e depois descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio de Mouros que era atravessado na Ponte Romana? da Sancha (parcos vestígios desta estrutura, nomeadamente "o encontro e o arranque do arco na margem direita"; Mantas, 1996:871), continuando depois na margem esquerda pelo estradão de terra por Ladeira até Arrifana, topónimo de origem árabe que significa «estalagem» (Mantas, 1996, Alarcão, 2004; Bernardes, 2007). Todos estes autores fazem passar a via por Soure onde apareceu o único miliário conhecido desta estrada dedicado a Caracala (Mantas, 1985:167). Indicaria muito provavelmente «VIIII m.p.» dado que a distância entre Conímbriga e Soure ronda as 9 milhas. Após cruzar o rio Arunca na base do Castelo de Soure, a via seguia depois pelo antigo traçado da «Estrada Real» por Almagreira e Alto dos Crespos, passando assim a poente do Castelo de Pombal. Só com a construção aqui de uma ponte sobre o rio Arunca nos finais do século XVIII é que a «Estrada Real» passou a adoptar este percurso ligeiramente mais curto entre Condeixa e Pombal passando na Ponte da Redinha (Charters d'Azevedo, 2015). Conímbriga a Soure: o percurso entre Conímbriga e Soure permanece duvidoso, podendo passar por Ega, cujos vestígios no Largo da Feira de São Martinho, junto da Igreja Matriz, poderiam corresponder a um vicus (várias inscrições foram reutilizadas no Paço de Ega), seguindo depois aproximadamente a EN342 (Mantas, 1996), mas é mais provável que a via seguisse pelo CM1178 e CM1117 por Serrazina, Rebolia de Cima, Cascão e Alencarce de Cima (vestígios em Mata de Cabeça, possível taberna ou mutatio a cerca de 6 milhas de Conímbriga), continuando por Pinheiro e entrando em Soure pela arruinada Capela de St. António (Silva A., 2013; Freitas, 2013, 2015). Soure (m.p. IX; vicus situado neste local estratégico na confluência dos rios Arunca e Anços; junto ao castelo, nas ruínas da Igreja de Ns. de Finisterra, apareceu reutilizado como sarcófago um miliário dedicado ao Imperador Caracala, actualmente exposto no Museu Municipal; a milha é ilegível, mas deveria indicar 9 milhas dado ser essa a distância daqui a Conimbriga; villa na Qta de S. Tomé, a norte, e na Qta. da Madalena, a sul, de onde provém uma ara de Marianus dedicada à divindade Vasegus descoberta em 1825 e que em 1981 encontrava-se a servir de cepo para o esquartejamento de carnes no matadouro municipal de Soure) De Soure a Barracão pelo Alto dos Crespos: depois de cruzar o rio Arunca a jusante da ponte actual, seguia talvez junto do Capela das Almas e do Santuário do Bom Sucesso, continuando por Torre do Sobral (topónimos Casal da Venda/Venda do Sobral), Sobral de Cima e Alto da Atalaia (servindo aqui de divisória concelhia), Chãs, Carrascos, chegando à Capela Ns. da Boa Viagem desvia pelos altos de Cabecinhos e de Pingarelhos, continua por Paço, Barros da Paz, Ladeira, Barroco, continua pela «Estrada de Soure» por Cavadinha, Roussa de Cima, Alto dos Crespos (junto da capela) até confluir na EN1 junto do topónimo «Estalagem», continuando depois por Ranhas e Meirinhas de Cima. Barracão (desvia da EN1 pela rua Ns. de Fátima, vencendo a milha 38 na divisão concelhia; continua por Raso e junto das pedreiras para descer depois ao vale da ribeira de Agudim talvez pela rua de Roma) Colmeias (segue até «Venda do Galego», antiga estação viária da «Estrada Real» onde cruza a ribeira de Agudim; daqui sobe a encosta até confluir na EM532, continuando pela rua Central de Machados até Boa Vista) Boa Vista (antiga estação viária da «Venda dos Machados» junto da Igreja, também designada por «Venda Velha»; topónimo «Calçada» denuncia a passagem da via que continuava pela rua da Ns. das Dores até confluir na EN1; a via deveria continuar sob a estada actual desviando depois talvez pela Igreja de Marinheiros rumo à travessia do rio Liz nas proximidades da chamada «Ponte do Arrabalde» ou «Ponte Coimbrã», junto da qual existia a antiga gafaria medieval de St. André) Leiria (travessia do rio Liz; depois de cruzar o rio junto da demolida Igreja de Santiago, a via seguia talvez pela Travessa Pêro Alvito até à Sé de Leiria, cruzando depois o casario medieval pela rua Barão Viamonte, antiga rua Direita, e rua de Alcobaça, subindo ao sítio da Cruz de Areia, continuando pela estrada actual até às Alminhas da Malaposta, local onde deveria bifurcar: um ramo rumava a sudeste na direcção do povoado de Collippo, seguindo pelas ruas da Malaposta e de São Silvestre, passando em Marvila, Cumeira, Sobral, Andreus e S. Sebastião do Freixo, onde se localiza o antigo povoado; no entanto é mais provável que a via para Lisboa continuasse à mesma cota pelo vale do rio Lena, mantendo a direcção que trazia de Leiria por Casal da Cortiça, Golpilheira, Fonte Velha e Rebolaria até ao sítio do Castro na Batalha, provável povoado pré-romano situado na base do morro de Collippo onde poderia existir uma mutatio; vestígios de uma possível villa em Boiças poderão estar relacionados com este nó viário, no local onde a via bifurcava rumo a Santarém por Porto de Mós e rumo a Óbidos por Aljubarrota) S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) oppidum capital da civitas Collipponensis; pouco resta da antiga cidade localizada numa colina a sul de Leiria, local estratégico controlando os eixos viários que se desenvolviam entre os rios Liz e Lena; epígrafe indicia a existência de um Templo dedicado a Minerva; o espólio recolhido está no MNA, Museu Municipal de Leiria e no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha, cuja peça central é uma imponente estátua de um magistrado municipal proveniente do forum da cidade; inclui também a inscrição funerária de Forneiros e o epitáfio do Coliponense Quintus Naeva, CIL II 340; segundo André de Resende existia uma inscrição na Igreja do Convento de St. Estevão em Leiria contendo o epitáfio de Laberia Galla, flamínia de Évora e da Hispânia Lusitana, CIL II 339, atestando o elevado estatuto dos seus habitantes)
Variante de Conimbriga a Collippo por Santiago da Guarda É possível um itinerário alternativo desviando da via Conimbriga-Tancos em Santiago da Guarda seguindo depois pela vertente sul da Serra de Sicó, próximo de Lagoa Parada e Ramalhais de Baixo (tégula em Antas e Boialvas), continuando próximo de Vale do Milho (villa de Fonte do Piar, onde apareceu a estela funerária de Gaio Sapidio e do vicus Campodónio; chamada de «Vila de Abuim»; topónimo viário Fonte da Pipa), continuando por Abiúl e Vila Cã/Chã (vicus em Trás-os-Matos, próximo da ribeira de Valmar), Santiago de Litém (villa na Qta. de S. Lourenço; cipo com o epitáfio de Rufina na Qta. do Litém), cruza o rio Arunca para São Simão de Litém (talvez junto do habitat da Roubã, atendendo às escórias de ferro na Qta. da Ferraria), continuava por Arnal (inscrição funerária na igreja, FE 145), Casal da Ordem (segue à esquerda pela rua da Calçada), segue pelo estradão de terra pela vertente poente do povoado pré-romano do Outeiro da Calvaria e passa vicus da Telhada/Lavandeira (onde poderia existir uma mutatio ou mansio dado estar a 17 milhas de Collippo; ver o Núcleo Museológico João de Barros em Vermoil), continuando depois pela Venda e Estrada da Bouça até Barracão, onde entronca no Itinerário principal de Conimbriga a Collippo. |
| Via COLLIPPO a SEILIUM |
|
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM) O itinerário de ligação entre estas importantes civitates deveria seguir por Cortes, Sete Rios, Sta. Catarina da Serra, Gondemaria, Pinheiro e Caxarias, onde há vestígios de um possível vicus, continuando depois pelo Alto de Carregueiros rumo a Tomar. (Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007) Partindo do Collippo, a via desce por Alqueidão a Cortes, onde cruza o rio Liz, continua por Famalicão, Alto da Curvachia, Arrabal (pela rua Alto do Brejo e cemitério), Casal dos Ferreiros, Vale Sumo/Sete Rios, sobe por Sobral pela chamada «Estrada Romana» ao Alto da Qta. da Sardinha em Sta. Catarina da Serra, margina o Alto do Homem Morto até Gondemaria (habitat na Achada do Pontão), Pinheiro, Sta. Maria de Seiça (vestígios em Padrão, junto da igreja, e necrópole em Pombalinho), cruza a ribeira de Seiça e segue por Fontainhas, cruza a ribeira de Chão de Maças em Vale de Ovos e segue por Serra do Meio, Alto do Outeiro Rachado, Casal da Brava, calçada de Valinhos, Alto de Carregueiros/Casal da Estrada, Venda da Gaita, Cadeira d'El-Rei descendo depois pela cerca do Convento de Cristo até Tomar (Seilium).
Variante a Tomar por Ourém O antigo caminho medieval de Leiria a Tomar passando por Ourém poderia já ser usado em época romana, derivando da anterior em Sta. Catarina da Serra (no nó viário do Homem Morto), seguindo depois por Alqueidão rumo a Vila Nova de Ourém, antiga Aldeia da Cruz, marginado o sítio romano junto do campo de futebol de Corredoura, topónimo que denuncia a passagem da via no local de travessia do rio Seiça, seguindo pela base de Ourém (povoado medieval Abdegas no Castelo Velho, provável atalaia romana controlando a via; troços em calçada no acesso ao povoado em Carapita, junto da Fonte dos Cavalos, e na outra vertente, a calçada da Mulher Morta. |
| Via COLLIPPO a TUBUCCI |
|
Leiria (COLLIPPO) - Alqueidão da Serra - Mira Daire - Rio Tejo - Mestas (TUBUCCI) Este itinerário desviava da Via Leiria-Santarém na Malaposta e ascendia ao povoado de Collippo, seguindo depois por Alqueidão da Serra, onde ainda subsiste um troço em calçada eventualmente com origem romana, seguindo rumo ao Vale do Tejo por Mira Daire, Minde e Moitas da Venda. Uma variante desta estrada partia de Porto de Mós e seguia pela depressão de Alvados até reunir com a anterior em Covão da Carvalha (vide também Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007) Itinerário de Leiria ao Rio Tejo por Alqueidão da Serra (m.p. XXXVIII) Vestígios de uma antiga estrada em Alqueidão da Serra sugerem um itinerário partindo de Leiria que passa junto do oppidum de Collippo em S. Sebastião do Freixo, continuando por Garruchas (próximo da villa de Casal Coveiro) e Perulhal pelo chamado «Caminho Velho» até Alqueidão da Serra, cruzando esta povoação pelo rua A-do-Ferreiro e rua da Carreirancha, (onde subsiste o topónimo «Carreiras») até ao parque de merendas, subindo depois pelo troço de calçada com cerca de 300 m construída com seixos dispostos em espinha (eventualmente já medieval ou moderna) seguindo encosta acima até confluir na actual estrada, saindo desta poucos metros depois pelo «Caminho das Ladeiras» até Bouceiros, onde desvia para sul por Casal Duro até à Capela do Covão da Carvalha, possível estação viária onde conflui também o itinerário seguinte. Itinerário de Porto de Mós ao Covão do Carvalho por Alvados: uma variante da estrada anterior partia de Porto de Mós e seguia até à estação viária da Manhosa, rumando depois para leste pela chamada «Estrada da Cal» ou «Estrada Velha» que seguia pela depressão de Alvados rumo ao Rio Tejo. A via seguia na direcção sudeste talvez por Livramento, Zambujal de Alcaria (vestígios no Alto da Bica, Poço Canal, Casa Velha e Ramalheira), Alvados (marginando o possível vicus de Moinhos de Vento/ Pragais; Bernardes, 2002a), Portela de Cima e Alto de Alvados, onde toma o antigo caminho por Chão Mindinho que desemboca na rua da Choucevada junto da capela do Covão da Carvalha. Nó viário junto da Capela do Covão da Carvalha: este local encontra-se a 12 milhas Collippo e a 8 de Porto de Mós, tendo por isso um papel central na rede viária da civitas Collipponenses. Aqui deveria existir uma mutatio no local onde a via proveniente de Porto de Mós unia com a via proveniente de Collippo , cruzando depois a Serra de Aire rumo ao rio Tejo, passando por Mira de Aire, Minde (albergaria medieval; topónimo «Carreira Velha») e Moitas Venda. Itinerários de Moitas Venda ao Tejo A partir da estação viária de Moitas Venda, a via bifurcava nas seguintes variantes de acesso ao rio Tejo:
|
| Via COLLIPPO a SCALLABIS |
|
Leiria (COLLIPPO) - Porto de Mós - Santarém (SCALLABIS) Este itinerário ligava Leiria a Santarém (rio Tejo) por Porto de Mós, Mendiga, Alcanede e Tremês. (vide Mantas, 1989, 1990 e 1996; Bernardes, 2007) Itinerário de Leiria a Porto de Mós (m.p. V): Partindo da travessia do rio Lis em Leiria, a via seguia pelo «Caminho da Malaposta», passando na base poente do povoado de Colippo em S. Sebastião do Freixo, seguindo ao longo da margem direita do rio Lena até ao no lugar do Castro, próximo da Batalha, onde poderia existir uma mutatio. A partir daqui a via , a via mantinha a direcção sul pela margem direita do rio Lena, seguindo a «Estrada da Freiria» (EN362) até às Termas Salgadas da Batalha, onde desvia pela rua da Qta. do Pinheiro e Rua da Minas das Borrageiras, seguindo depois o estradão em terra que vai cruzar a ribeira das Alcanadas na Ponte do Coito, conhecida por «Rua Romana» e marginando a villa da Portela; continua por Lameiros pela rua Romana, passando junto da Ermida de St. Estevão, junto da qual está cravada no solo a estela funerária da filha de Silvanus, proveniente sítio romano adjacente da Fonte do Oleiro, onde apareceu outra lápide funerária e a placa monumental de Arconis, hoje no Museu de Porto de Mós), cruza a Rua do Nicolau e toma o estradão em terra, atravessa a ribeira da Freixa, cruza o IC9, e segue o estradão junto da villa de Qta. de Sta. Luzia em Anaia rumo ao castelo de Porto Mós) Porto de Mós (nó viário na m.p. V; possível vicus no sítio do Escorial; placa funerária de Aufidia Rustica em Ribeira de Baixo; 3 estelas funerárias reaproveitadas no castelo) Itinerário de Porto de Mós a Santarém por Mendiga (m.p. XXXIII): Partindo da castelo, a via serpenteia a EN362 pela rua «Romana» e rua da «Estrada Velha» até Manhosa (provável vicus em torno da Capela da Ns. do Desterro, na m.p. I; lápide funerária da bebé Cabura, FE 81), cruza a EN362 e segue o estradão de terra na encosta de Pragais até reunir novamente com a mesma EN; continua por Serro Ventoso (albergaria medieval; m.p. III), segue até ao cemitério (m.p. IV) onde toma o estradão de terra para Mato Velho e retoma a EN até Mendiga (albergaria medieval; m.p. VIII); daqui segue talvez por Valverde (m.p. X na divisão concelhia) e Mosteiros até Alcanede (m.p. XVI), podendo daqui ligar a Rio Maior pelos Carvalhais (possível vicus) ou atravessar o rio Nede na Ponte Romana?-Medieval de Alcanede, seguindo depois por Vale das Caldas até Tremês (m.p. XXIII), e daqui por Alto dos Fornos, Alto da Cabeça Gorda e Casais de Maria Delfina, continuando por Romeira rumo a Santarém. |
| Via COLLIPPO a IERABRIGA |
|
Leiria (COLLIPPO) - Benedita - Tagarro - Ota - Alenquer (IERABRIGA) m.p. LIX Este grande itinerário N-S ligava Collippo a Ierabriga passando por Carvalhal, Benedita, Tagarro e Ota rumo a Alenquer. A parte inicial está descrita no Itinerário para Eburobrittium, desviando em Aljubarrota para Carvalhal, possível estação viária (em duas grutas nas proximidades designadas por «Cabeço da Ministra» e «Pena da Velha», apareceram materiais romanos, nomeadamente uma estatueta da deusa Victoria). Este itinerário está descrito no «Roteiro Terrestre» com estalagens em Palhota, Tagarro e Ota. Itinerário de Leiria a Alenquer: Partindo do Carvalhal, seguia por Tojeira, São Romão de Lameiras e Fonte do Ouro, marginando o Castro de Azervada, passava depois a nascente de Évora de Alcobaça pelos topónimos Algar do Cão, Fonte Santa, Estrada, Cabeços, Lagoa, Alto de Carris, Monte do Alcaide, Zambujeira e Alto do Lombo do Ferreiro; cruza a povoação de Turquel e segue pelo Alto dos Cabeços Ralos, Casal do Moniz e Casal da Estrada; cruza a povoação da Benedita e continua por Casal da Engenhoca, Venda da Costa, Venda da Natária, Casal de Santiago, Casal do Brejo, Bairradas (antiga estalagem da «Venda da Palhota») e Casal da Mesquita, continua a nascente de Alguber por Casais da Serra/Venda do Marco, Casal da Biqueira, Venda da Água, Venda do Freixo, Qta. de Alvaris, Cabeço do Zambujo, Vale Romeiro e Tagarro (estalagem); continua por Casal do Porrete até confluir na EN1, seguindo depois por Espinheira, Alto do Espinhaço de Cão, Quinta da Venda, Quinta de Santa Maria, Vale da Légua, Marés e Alto da Borralha até chegar a Ota, povoação situada na base do Povoado da Ota onde entronca na via de Scalabis - Ierabriga - Olisipo, seguindo depois por traçado comum até Alenquer e daqui ao «Monte dos Castelinhos», junto ao rio Tejo, a presumível localização de Ierabriga. |
| Via COLLIPPO a EBUROBRITTIUM |
![]() ![]() |
Leiria (COLLIPPO) - Porto de Mós - Alfeizerão - Óbidos (EBUROBRITTIUM) m.p. XXXVI O itinerário que ligava Collippo a Eburobrittium começa agora a ficar mais consolidado, mas grande parte do percurso é ainda conjectural. A via deveria derivar da via para Santarém junto da Batalha, cruzava o rio Lena e seguia por Alcobaça, acompanhando depois a antiga linha de costa próximo do Castro de Parreitas rumo ao vicus? portuário das Ramalheiras em Alfeizerão, onde se acharam dois miliários, um anepígrafo e outro do tempo de Adriano que está hoje numa casa particular e do qual existe uma cópia em gesso no Museu Dr. Joaquim Manso na Nazaré. Depois de Alfeizerão, a via dirigia-se a Eburobrittium, cidade mencionada por Ptolomeu no seu «Geographia», mas que só viria a ser descoberta em 1994 durante as obras de construção da A8, situada na área ocupada pela Qta. das Flores junto a Óbidos. (Mantas, 1986, 1990 e 1996). Batalha (depois de cruzar o rio Lena e a ribeira da Calvaria junto do mosteiro, seguia a rota da EN1 e EN8 por Casal da Amieira, Capela de São Jorge, Chão da Feira, Moitalina, Cruz da Légua, Albergaria, Cumeira de Cima e Casal Boieiro, a antiga estalagem da «Venda dos Carvalhos» referida no «Roteiro Terrestre») Aljubarrota (epitáfio de Laberia Flava, CIL II 355; há duas possíveis rotas alternativas, uma que passava a poente da vila pela chamada «Carreira Velha» rumo ao importante sítio romano do Carvalhal de Aljubarrota, possível mutatio, e outra, proposta por Vasco Mantas, pela chamada «Estrada de D. Maria» que passa em Riba Fria e continua em terra pelo interior da Qta. das Inglesas, onde existiriam restos de calçada, continuando pela Qta. Nova até Alcobaça) Alcobaça (vestígios junto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e no alto do «Rocio da Roda», actual Hospital da Misericórdia; depois de cruzar o rio Alcoa seguia talvez por Vestiaria, Cela e Alto do Facho)
Salir de Matos (talvez por Casal da Venda e Casal do Oliveira; provável villa em St. Amaro de onde será proveniente a inscrição do cemitério com o epitáfio da Collipponense Sulpicia) Casais da Ponte (epitáfio de Marcus Balbus; epitáfio de Terência em Reguengo de Parada, FE 170; depois de cruzar o rio Tornada, continua por Casal da Serralheira e Belver) Caldas da Rainha (passa entre os campos de futebol, desvia pela Fábrica Bordalo Pinheiro e segue por Avenal e Qta. das Janelas até às ruínas) Óbidos (EBUROBRITTIUM) Subsistem importantes vestígios da antiga cidade romana situada ao pé de Óbidos e defronte da antiga paleo-lagoa, em terrenos da «Qta. das Flores», actual Qta. das Janelas, freguesia de Gaeiras; na Igreja da Sra. de Aboboriz em Amoreira de Óbidos, apareceu uma placa funerária dedicada ao deuses Manes (FE 219) e uma inscrição funerária de um duúnviro Eborobritiensium chamado Maximinus, atestando o seu estatuto municipal. A cidade teria acesso ao mar por trajecto navegável pela paleo-lagoa de Óbidos até Foz do Arelho. |
| Via EBUROBRITTIUM a OLISIPO |
Calhariz
![]() Vale de Reis
|
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Torres Vedras - Lisboa (OLISIPO) m.p. LVIII Continuação da via romana Conímbriga-Lisboa atravessando os concelhos de Óbidos, Alcobaça, Mafra e Sintra; o seu traçado suscita ainda muitas interrogações (Ver Byrne, 1993; Mantas, 1996; Dias, Rodrigues e Magalhães, 1997; Moreira, 2002; Costa, 2010); a parte inicial é consensual, seguindo por Óbidos, A-da-Gorda e São Mamede, mas a partir daqui as opiniões dividem-se no percurso até Torres Vedras, com a Vasco Mantas a sugerir um percurso por Cadaval e pelo vale do rio Alcabrichel (Mantas, 1996), o que no entanto obrigaria à constante cruzamento dos seus afluentes. Esta estrada para o Cadaval deveria antes continuar para o Castro de Pragança, onde cruzava a Serra de Montejunto. Assim é mais provável que o percurso se fizesse em altitude cruzando a montanha pelo Outeiro da Cabeça, nó viário já referido no «Roteiro Terrestre» do século XVIII; assim o trajecto em época romana poderia ser o seguinte: Óbidos (Eburobrittium) (partindo do centro urbano da antiga cidade romana, a via dirigia-se a Óbidos cruzando o rio Arnóia junto da Qta. do Pego, continua por Casal da Coxa, cruza a EN114 ao km 85 e segue pela rua de D. João de Ornelas e junto da muralha de Óbidos, pela Qta. do Jardim, onde há registo de ter havido calçada) A-da-Gorda (vestígios romanos na Qta. da Ferraria e na Qta. das Várzeas; continua sempre recto pela EN114 até encostar ao nó de acesso à A8 que destruiu o antigo caminho que seguia entre a A8 e a EN8, existindo ainda vestígios da calçada; hoje é preciso seguir pelo estradão de terra que passa debaixo da A8 até reencontrar o caminho ao entroncar na EN8, onde reapareceram vestígios da via) São Mamede (m.p. IV; seguia sempre pela EN8, passando junto à villa romana de S. Mamede, entre o km 80 e 79, junto do antigo campo de futebol e na base do Castro do Alto da Raposa; possível mutatio junto deste nó viário; seguia depois o percurso da antiga Estrada Real por Roliça, onde havia estalagem) Columbeira (m.p. VI; villa da Columbeira (inscrição funerária de Marcus Cassio Turrino; busto de Mercúrio; cruza a ribeira e segue junto da Capela de S. José, na milha 7) Azambujeira dos Carros (continua pela «Estrada do Urmal» que passa junto do Casal do Jeremias até à estalagem da «N. Sra. da Misericórdia» no Alto das Caveiras, a 8 milhas de Óbidos; continua por Casal da Cantarola , Alto de Tracalaia e Casal da Mata onde cruza o rio Grande) Campelos (continua a leste da povoação, junto da estação viária de São Gião, e segue até Quinta da Burgalheira, onde cruza a Vala do Pisão e segue pelas alturas do Marco e da Sardinha) Ramalhal (m.p. XX; cruza a rio Alcabrichel e segue por Ameal, Cabeço da Alagoa) Ordasqueira (cruza o rio Sizandro; epitáfio de Decia Avita embutido na parede sul da igreja paroquial de Matacães, talvez proveniente da necrópole da Moirinha, 200m a poente). Torres Vedras (várias necrópoles e inscrições funerárias atestam uma intensa romanização na área dos Cucos/Qta. da Macheia/Machêa, onde apareceu um pedestal funerário, e no morro do Castelo, onde apareceu uma árula funerária na Igreja de Santa Maria do Castelo e outra inscrição funerária junto das cisternas; pedestal funerário de Marco Crescenti na capela de S. João Baptista junto do cemitério, CIL II 321); a via poderia cruzar o rio Sizandro entre a villa da Qta. do Juncal (lápide funerária de Iulio Frontoni) e a villa da Quinta da Portucheira/Porticheira (duas estelas funerárias), passando assim a leste de Torres Vedras; mais a sul existe outra provável travessia entre a villa da Aldeia do Penedo (mosaicos, colunas, capitéis e um tesouro com 50 moedas em bronze) e Runa (pedestal funerário na Igreja de S. João Baptista) ou ainda mais a sul, junto da povoação Dois Portos, onde apareceu o epitáfio de Aquila, filho de Q. Coelius Cassianus, duúnviro do municipium Olisiponense dada como proveniente de alguma villa nas proximidades (CIL II 284) e uma estatueta de Fortuna. de Torres Vedras a Lisboa A continuação da via para Lisboa é insegura (Mantas, 1996) mas poderia seguir por Runa, Furadouro (m.p. XXX junto da Capela; talvez a estação viária da «Mata da Guerra» referida no «Roteiro Terrestre»), continua por Mesquita e Moinhos Velhos, rua da Associação, passando a nascente do povoado romanizado da Serra do Socorro, continua pelos topónimos viários da Venda das Pulgas, Casal da Estalagem, Venda da Maia, Rua da «Estrada Velha», Pero Negro, Enxara dos Cavaleiros (m.p. XXXIV), Casal da Serralha, Galegas, Guia, Tituaria, Venda da Mandinga, Quinta de S. Miguel, Póvoa de Cima (Póvoa da Galega), seguindo depois por Casais das Lajes (necrópole junto do marco geodésico de Rólia), Presinheira, Casais da Serra, cruzando o Vale de S. Gião até Cabeço de Montachique (m.p. XLI); continua junto da Qta. de S. Gião e da villa de Malhapão, Bairro da Milharada (m.p. XLV; referência a miliário?), continua junto da Qta. da Mata (tesouro; villa?) até Sete Casas (villa? na Mata do Cerco) rumo à travessia do rio Loures, onde entronca na conflui na via proveniente de Santarém rumo a Lisboa; depois de cruzar o rio, a via percorria mais uma milha até ao vicus viarium de Almoínhas, percorrendo desde Óbidos um total de 48 milhas. Itinerários Transversais
|
| Via EBUROBRITTIUM a OLISIPO per loca maritima |
Cheleiros
![]() Catribana
![]() Catribana
![]() Bolelas
Cabrela
|
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO) pelo litoral A linha de costa na antiguidade seguia por Ferrel (Lajido e Cruz das Almas) e Atouguia da Baleia (por Burnela, Porto Salgado, Porto dos Lobos, Alcoentras e Consolação), sendo que na época romana Papoa, Baleal e Peniche eram ainda ilhas que serviriam de entrepostos de apoio ao comércio marítimo, atendendo aos vestígios de fornos no Morraçal da Ajuda em Peniche, correspondendo a uma olaria para fabrico de ânforas da marca L ARVENI RVSTICI (Lúcio Arvénio Rústico), assim como os vestígios de edifícios em torno da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e da rua da Liberdade, certamente relacionados com essa função portuária; também nas Ilha Berlenga existem vestígios de comércio marítimo. Numa posição mais interior e mais protegida existia um porto romano em Atouguia da Baleia (em Porto de Lobos ou Porto Salgado) que estaria certamente ligado à cabeça municipal, Eburobrittium. Pelo contrário, a existência de vias terrestres ao longo da costa não está comprovada, apesar dos vestígios romanos se sucederem ao longo do itinerário proposto; no entanto, estes também podem estar associadas a vias transversais dado que o trajecto pelo litoral oferece algumas dificuldades; já em território do antigo municipium Olisiponense, existia uma via rumo a Lisboa que passava junto da villa de S. Miguel de Odrinhas e do vicus de Faião, podendo também bifurcar rumo a Sintra. De Atouguia da Baleia a Torres Vedras Toxofal de Cima, Lourinhã (cruza o antigo rio Gaia nas proximidades da possível villa da Qta. da Moita Longa) Miragaia, Lourinhã (duas inscrições funerárias inseridas na parede posterior da Igreja de São Lourenço dos Francos/Igreja Matriz, os epitáfios de Caio Júlio Lauro e de Júlia Máxima) Ribeira de Palheiros, Campelos (atravessa o rio Grande e segue por Casais dos Carvalhos) Ramalhal (lápide da villa de Ferrarias junto do cemitério de Vila Facaia; atravessa o rio Alcabrichel e segue por Ameal, Sarge e Ordasqueira) Torres Vedras (entroncaria na via principal para Lisboa que passa a leste da cidade para aí cruzar o rio Sizandro) De Torres Vedras a Lisboa pela orla costeira Partindo de Torres Vedras, seguia hipoteticamente ao longo da margem direita do rio Sizandro, passando na villa da Qta. de São Gião d'Entre as Vinhas (antes da Fonte Grada, cupa de Amoena, 2 cipos funerários e lápides romanas na antiga ermida de S. Gião) até Coutada (a norte, na freguesia de Silveira, apareceu uma cupa e lápide funerária na Ermida de Sta. Helena e uma lápide funerária na Qta. da Areia), onde cruzaria o rio Sizandro para São Pedro da Cadeira (villa junto à Capela de Ns. da Cátedra em Formigal, de onde serão provenientes as 3 inscrições que estão na ermida), continuando por Encarnação, S. Domingos da Fanga da Fé (Casal da Estrada), onde atravessa o rio Safarujo e segue até Paço das Ilhas (calçada com 100m e Ponte no lugar do Crato sobre o rio do Cuco), até ao rio Lizandro, o provável limite norte do território Olisiponense, passando assim a poente de Mafra (Mantas, 2000).
Carvoeira (villa em Pernigem; segue +- a EN549 que passa na Igreja de St. António e segue pela EN247 pelo Alto do Cabeço do Marco e Alto do Arneiro) S. Miguel de Odrinhas (a villa romana de Odrinhas tem hoje um Museu Arqueológico que reúne o imenso espólio epigráfico do Concelho de Sintra provenientes não só daqui como de outros sítios romanos como Faião, Cabrela, Funchal, Almorquim e de várias villae do litoral, constituindo uma das maiores colecções de epigrafia romana em Portugal; a via continua pela calçada de Faião que parte da Capela para sudeste pelo estradão de terra que vai entroncar na EM1204, seguindo esta por 300 m até desviar à direita pelo estradão designado por rua do Norte em direcção a Faião) Faião (provável vicus em Pedrões; necrópole em Currais Velhos; continua pela calçada de Cabrela) Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Cabrela Montelavar (albergaria medieval; vestígios de pedreiras; villa em Barros do Casal Silvério) Pêro Pinheiro (vestígios da via junto da villa da Granja dos Serrões, onde apareceu uma ara a Júpiter colocada por Iulius Maelo, estela funerária de Rufus e lápide com duplo epitáfio; mais vestígios em Casal das Vivas e Lameiras, onde apareceu outra inscrição; continua por Palmeiros, Sabugo, atravessa a ribeira de Jarda junto da villa da Granja de Santa Cruz, onde há vestígios da via, seguindo depois para Carregueira) Belas (Barragem Romana junto à ribeira de Carenque que abastecia Lisboa pelo Aqueduto Romano em Mina; calçada desaparecida em Machado/Rio do Porto; troço de calçada com cerca de 600m entre a ribeira do Jamor e o pórtico quinhentista da Quinta do Bom Jardim em Venda Seca; mina romana do Monte Suímo; continuava pela encosta do Bairro da Mina) Falagueira, Amadora (villa da Qta. da Bolacha a lado do Lidl e respectiva necrópole no Moinho do Castelinho; espólio no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira; daqui seguia pela Estrada de Benfica) Belas Lisboa (a via entrava na cidade pela Praça de Espanha, seguindo depois as actuais ruas de São Sebastião da Pedreira, Santa Marta, S. José, Portas de Santo Antão, ladeando o circo romano até à Praça da Figueira, onde reunia com a via principal vinda de Loures) Ligações em torno de Sintra Hipotéticas ligações entre as muitas villae romanas que pontuavam a paisagem dos actuais concelhos de Sintra e Cascais.
|
