Vias Romanas em Portugal
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Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via, designadas por mansiones, e as respectivas distâncias expressas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a quase totalidade do território Português. Para a conversão da milha romana em quilómetros, convencionou-se que uma milha equivale a 1481,5 m. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.
Para uma introdução ao tema da viação romana seguir para Informação
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver Histórico de alterações  e Blog Vias Romanas

Os XI Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI - Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) pela Serra do Gerês - «Via Nova»
 Itinerário XX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XI - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIO)
 Itinerário XV - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alvega (ARITIO VETUS)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII - Faro (OSSONOBA) a Vilamoura (SALACIA)
 Itinerário XXII - Castro Marim (BAESURIS) a Beja (PAX IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI - Castro Marim (BAESURIS) a Beja (PAX IULIA) por ARANNIS

Outros Itinerários Romanos


 Itinerário de Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul de Portugal
Braga (BRACARA) - Monção (Minius flumen)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Celorico da Beira
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Lamego (Lamecum?)
Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
Astorga (ASTURICA) - Vilariça (civitas Banienses?)
Porto (CALE) - Barcelos (Karraria Antiqua)
Porto (CALE) - Guimarães (Via Vimaranes)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Celorico da Beira - Bobadela (civitas)
Celorico da Beira - Póvoa de Mileu (civitas)
Seia - Belmonte (Centum Cellae)
Moimenta (Arabriga?) - Linhares por Algodres
Moimenta (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (civitas)
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
Mealhada (mansio) - Bobadela (civitas)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIO VETUS)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIO VETUS)

Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIO VETUS)
Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Tomar (SEILIUM) - Belmonte (CENTUM CELLAE)
Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Tomar (SEILIUM) - Évora (EBORA)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Évora (EBORA)
Évora (EBORA) - Torrão (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) / Moura
Moura - Beja (PAX IULIA)
Beja (PAX IULIA) - Sevilha (HISPALIS)
Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Faro (OSSONOBA) por Garvão
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PAX IULIA)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Lagos (Laccobriga?)
Castro Marim (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
Castro Marim (BAESURIS) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?)
Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Beja (PAX IULIA)
Faro (OSSONOBA) - Vilamoura (SALACIA) - Portimão (Portus Magnum?)
 Outras Vias Romanas
Rede viária a norte do Rio Douro (flumen DURIUS)
Rede viária do Porto (CALE)
Rede viária de Freixo (civitas TONGOBRIGENSIS)
Rede viária de Freixo de Numão (civitas Meidobrigensis?)
Rede viária de Marialva (civitas ARAVORUM)
Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
Rede viária de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Rede viária de Póvoa do Mileu (civitas Lanciensis Transcudani?)
Rede viária de Idanha-a-Velha (civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária de S. Salvador de Aramenha (civitas AMMAIENSIS)

Itinerarium Provinciarum Antonini
VIA XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m. p. CCXLIIII

Bracara ad Cale
Mapa






















































ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas
OLISIPO
IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XXVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
A via romana de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real, a Estrada Nacional EN1 e a Auto-estrada A1. Estas seguem paralelas ou mesmo coincidentes em alguns pontos até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Seilium, a actual cidade de Tomar, enquanto a EN1 e A1 seguem mais a poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collippo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O troço de Braga ao Porto está bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências), mas a partir do Porto os vestígios começam a escassear (vide os 8 miliários da série do Padre Martins Capela referentes a via, um dos quais encontrado na Trofa Velha indicando 21 milhas a Braga, hoje junto da Ponte de Sedões) No troço entre Porto e Coimbra sobreviveram apenas 4 miliários, o miliário de Úl, hoje deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis, o miliário de Adães, hoje depositado na Casa Paroquial de Úl, o miliário da Vimieira, hoje no átrio da C.M. da Mealhada e o miliário do Arco da Traição em Coimbra que está hoje no Museu Machado de Castro, obriga a procurar outros vestígios da passagem da via para determinar o seu percurso. Igualmente a sul de Coimbra não se conhecem referências a mais 6-8 miliários, entre os quais se destacam o miliário in situ de Tamazinhos, atestando a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do castelo de Soure, atestando a existência da variante atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 7 miliários, o miliário de Qta. do Bravo em Alenquer que deverá corresponder a Ierabriga, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, ambos desaparecidos, os dois miliários recentemente descobertos em Loures e finalmente os dois miliários descobertos em Lisboa, o miliário do Convento de Chelas, também desaparecido e o miliário a Probo que apareceu nas obras de recuperação da Casa dos Bicos. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão; sobre esta parte do percurso ver as "Atas da mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº1 da Revista Cira Arqueologia. (Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Oliveira, 1943; Mantas, 1996; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et al., 2004; Ribeiro, 2016).

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu que tem hoje uma página web com fotos da maioria dos miliários entre eles muitos da chamada «série Capela». No vizinho Museu Pio XII estão depositados mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via XVI, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), Vila Nova de Famalicão; neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo, FE 196, e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião.

Maximinos, Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é visível nas actuais ruínas da biblioteca, na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a estrada romana para Cale deveria seguir na direcção sul aproximadamente pela rua de Santiago, rua S. Sebastião, rua Direita, passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela cortada rua Peão da Meia Laranja, rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana; continua pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309 com a m.p. I no Largo das Alminhas)
Lomar (Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja, hoje desaparecido, CIL II 4764; continua por Mouta e Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Ventosa, Capela, m.p. II, Cachada, cruza a ribeira do Barral e continua por Mosqueiros e Quinta)
Esporões (m.p. III na Capela da Ns. da Caridade; continua por Bocas)
Trandeiras (m.p. IV; pelo CM1343 por Almoinha, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (m.p. V; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem uma estação viária; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas pela EM1347)
Escudeiros (m.p. VI no lugar do Hospital, antiga pousada medieval com possível origem numa mutatio romana; segue pela rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, onde apareceu uma ara a Antiscreus, hoje no MSMS com o nº 15)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (m.p. VII; miliário a Constantino II junto da igreja e hoje está no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro, Paredes e cruza o rio Pelhe)
Telhado (m.p. VIII; no século XVI, João de Barros transcreveu um miliário a Adriano indicando a milha VIII que apareceu na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano; no entanto Hübner considera ser um outro miliário, o CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário a Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de S. Cosmado», entretando desaparecido, CIL II 4867)
São Martinho do Vale (m.p. X; segue a EN309 por Ribeira de Baixo, Pousada e Paço)
Cruz do Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 e segue logo depois à esquerda pela rua Senhor da Boa Fortuna, caminho de terra para S. João da Pedra Leital, onde vencia m.p. XII, continuando para Lagoas e Pinheiral, pela rua dos Portais, rua das Lagoas, rua do Sobrado e rua de Santiago, cruza a EN e segue para a igreja)

Santiago de Antas, Famalicão (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por Vela e Capões)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Mantas deverá corresponder ao miliário a Adriano da milha XIII (CIL II 4752) que está hoje no MDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), o que poderá dever-se a um erro na transcrição inicial feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base do cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas, entretanto perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder ao fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano.
  • Martins Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos.
  • Daqui também seria o miliário da Qta. da Devesa, cravado num penedo no interior da quinta, hoje convertida em Parque da Cidade.
  • Junto da estação C.F. de Famalicão há um possível miliário na Qta. do Vinhal.

Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido na Capela de St. Estevão, CIL II 4740; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas e hoje está desaparecido)
Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat na Igreja Velha; segundo Capela, existia um miliário na Devesa Alta posteriormente deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, onde se perdeu o rasto; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa? da Qta. de Boamense)
Sta. Catarina (m.p. XVI; miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, encontrado em 1892 a menos de 1/4 de légua da quinta, ou seja, a cerca de uma milha para norte ou para sul, o que corresponde a Cabeçudos e Fonte dos Castanheiros respectivamente; Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado talvez indicasse a milha XVI; segue talvez pela rua de Sta. Catarina, rua do Marco, Fial e Pé de Prata)
Lousado (m.p. XVII; miliário a Magnêncio descoberto na igreja e hoje no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285; em Garrida corta à esquerda pela rua dos Almocreves e rua das Diligências até à margem do rio Ave)

Travessia do rio Ave (Avo) na Ponte Romana?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existam vestígios concludentes; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro ad illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas.
  • Atravessada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo o caminho ao longo da margem esquerda do rio, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte, Esprela, rua Pinheiro Chagas, rua Júlio Brandão, Cavadas, continua pela rua Teixeira Lopes, interrompida pela linha do metro, continua pela Casa da Eira, rua Alberto Pimentel, sob a linha férrea, passa na Ponte Antiga de Real (hoje em betão) e segue ao longo da linha férrea, tocando nas capelas de S. Martinho de Bougado e de Ns. das Dores.

Trofa (m.p. XIX junto da Estação C.F., seguindo depois ao longo da linha férrea junto das capelas de S. Martinho de Bougado e da Ns. das Dores até à EN14)
Vale do Eirigo (m.p. XX; continua pela EN14 até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha», possível ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Peça Má, Alvarelhos (m.p. XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário a Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (possível mansio na base do importante Castro de Alvarelhos, povoado estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e ponto de cruzamento de várias outras vias secundárias; civitas Albarelios num documento do ano 907)
  • Vila Boa, a villa romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980)
  • Quinta do Paiço, junto desta quinta em Sobre Sá, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisenses, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Dentro da quinta, no jardim, encontra-se um Miliário a Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa; foi certamente deslocado da via romana que seria neste troço coincidente com a EN14 atendendo aos miliários de Peça Má e da Carriça e indicaria a milha XXIII ou XXIV. No entanto não se pode excluir a possibilidade do miliário estar junto da via de acesso ao castro que passa nas proximidades da quinta, colocando algumas dúvidas sobre a verdadeira rota da via XVI.
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: Esta variante corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352, passando próximo da Qta. do Paiço na base do castro, e em Palmezão toma o caminho pelas Bouças da Teixeira, apresentando ainda um troço lajeado pouco antes de confluir na rua de Quiraz; a antiguidade deste caminho é atestada num documento medieval do ano 986, onde surge como «carreira antiqua» (PMH DC 151) e pelo facto de ser ainda hoje a linha divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Maia. Em Quiraz, a via parece dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela igreja de S. Pedro de Avioso (EN536), Vilarinho e Castêlo da Maia (junto da estação C.F.), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e o outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na chamada «karraria antiqua».

Nó viário de Alvarelhos: do castro partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago.
  • Ligação ao Castro de Penices: partindo do Muro, seguia para noroeste por Guidões (vestígios na vertente este do maciço de Sta. Eufémia em Cidoi, Cerro e Póvoa; altar votivo ao Genio Saturninus entre o monte do castro e o monte de Cidai), seguindo para a travessia do rio Ave nas imediações de Azevedo, continuando por traçado incerto rumo ao Castro de Penices, junto do qual transpunha o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois na direcção de Rates, de encontro à «Karraria Antiqua», podendo também seguir directo a Barcelos por Gondifelos (vestígios em Lobeira, Fiança e Eirados e Igreja Velha).
  • Ligação à Ponte do Ave: há duas rotas possíveis, uma seguiria por Palmazão (casal) e Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e daqui à Ponte do Ave, ou uma directa à ponte por Fornelo (Igreja/Qta. de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).
  • Ligação a Lavra/Atlântico: também poderá ter origem romana a via de acesso ao mar designada por via vetera e stratra vetere nas Inquirições de Afonso III de 1258 (PMH Inq 492); do castro seguia por Guilhabreu, passando na Sra. do Amparo, Rua da Carreira da Talhada, Parada, Rua das Minas, Rua do Freixo, cruzava a «Karraria Antiqua» em Mosteirô e continuava por Lançaparte, Aveleda e Laceiras rumo ao castro de Angeses e da villa do Fontão junto da costa (Moreira, 2009).

Muro (m.p. XXIII junto da Igreja de S. Cristovão do Muro; miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído)
Carriça (m.p. XXIV; continua pela EN14 por Ribela)
S. Pedro de Avioso (m.p. XXV; miliário a Caro do Ferronho; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2 km a sul da Carriça e a 19 m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da Capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu da Maia onde está em exposição juntamente com a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Castêlo da Maia (m.p. XXVI; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de S. Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Castro de Avioso/Monte de St. Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisenses, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Barca (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga numa casa do lugar de Rapozeira; estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca que serve de divisão entre freguesias (Ribeiro, 2016); continua talvez por Pinta pela rua Bernardino Machado e Duarte Pacheco)
Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, junto da CM; segue a rua Augusto Simões)
Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX junto do «Lar do Comércio», antiga Qta. do Catassol; a via segue pelos limites das freguesias de Leça do Balio e Gueifães pela rua do Catassol e rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda)

Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha)

São Mamede de Infesta (m.p. XXXI no Largo da Ermida, seguindo depois pela rua da Conceição até à estação, continuando do outro lado da linha férrea até à Capela de St. António Telheiro e Largo do Marco, possível referência ao miliário da m.p. XXXII que seria vencida junto das alminhas na rua do Amial; vários topónimos viários como Carriçal e Fonte denunciam a passagem da via; ainda hoje a linha divisória dos concelhos de Matosinhos e Porto passa no campo de futebol do clube «Sport Progresso»)
  • Hübner refere um miliário a Adriano (CIL II 4735) que estaria a servir de base do cruzeiro da Qta. do Dourado/St. António, situada na rua da Igreja Velha; posteriormente terá sido reutilizado no cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 km do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994); a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de S. João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (m.p. XXXIII talvez no Jardim da Arca d'Água, continuando pela rua do Vale Formoso, rua Capitão Pombeiro e rua Antero de Quental)
Cedofeita (m.p. XXXIV junto da Capela do Sr. do Socorro na rua Antero de Quental, junto da Igreja da Lapa, onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago; continua pela rua da Lapa, Praça da República, antigo «Campo de St. Ovídio», rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de St. Ovídio», Largo do Moinho de Vento, rua da Oliveiras, rua Sá de Noronha, Praça Gomes Teixeira ou «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», desce pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio, subia pela rua do Souto, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant'Anna ou Porta do Souto, cujo arco foi demolido em 1821)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; oppidum dos Callaicos situada no Morro da Pena Ventosa à Sé; vestígios do antigo castro romanizado na rua D. Hugo, na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos, na Casa-Museu Guerra Junqueiro e nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos Laribus Marinis, uma ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos, alberga a colecção de epigrafia do Seminário Maior, hoje Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana, restos de estruturas habitacionais e a villa da Casa do Infante com os seus mosaicos; a recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores, demonstrou que o povoamento romano estendia-se por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS Magaudiis(?) talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à «Via Nova» e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira)

Cale ad Talabriga
Mapa




















Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no Ravennate (Rav. IV.43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus da Legião X Gémina, membro da tribo Aemilia e hoje está no Solar dos Condes de Resende; Guimarães 1995, 2000)
Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha ascendia pela antiga «Calçada de Vila Nova», também conhecida por «Rua Direita», nas actuais rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes)
Mafamude (marginava o Castro de Mafamude pela rua Marquês Sá da Bandeira, Jardim Soares dos Reis, m.p. I, rua da Rasa, desvia à esquerda pela rua António Rodrigues da Rocha, pelo Clube Vilanovense, segue sempre a direito até à Rotunda de St. Ovídio, m.p. II, margina a Capela do Sr. do Padrão e segue a direito pela antiga EN1 hoje rua Soares dos Reis e rua da Fonte dos Arrependidos, continua até aos semáforos onde seguia à esquerda pela rua da Palmeira, m.p IIIhoje cortada pela A1, mas que reaparece do outro lado da A1, confluindo na EN1 e segue pela rua do Alto das Torres)
Rechousa (m.p. IV; a via seguia paralela ou mesmo coincidente com a rua da Rechousa)
Canelas de Cima (m.p. V depois da subida da Sra. do Monte, onde ainda resta um raro vestígio de calçada de romana, paralela à actual rua Sra. do Monte, mas a via foi destruída pela construção da EN1 e em parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono)
Carvalhos (m.p. VI; a construção do nó da auto-estrada destruiu a antiga EN1 e também a rota romana; continua do outro lado Av. Dr. Moreira de Sousa, Rua do Padrão e Rua Gonçalves de Castro)
Idanha (m.p. VII; eventual mutatio na base do Castro romanizado do Monte Murado, onde há duas necrópoles; duas raras tesserae hospitales encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo que estão hoje no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização; continua paralela à EN1 por Barrancas, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela rua da Feiteira)
Feiteira (m.p. VIII; continua pela rua Dr. Jorge da Fonseca)
Vendas de Grijó (m.p. IX; no cruzamento para Argoncilhe segue pela rua Prof. Ferreira da Silva até às bombas)
Picôto (m.p. X; segue a EN1; vide via para Santa Maria da Feira)
Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842)
Lourosa (m.p. XII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)
Fiães (m.p. XIII; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; resta um troço de calçada junto do castro, na Travessa de Vilar, mas a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até ao Ferradal, topónimo viário talvez referente à m.p. XIV, mas pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50 m depois; mais uma atentado ao curso da via perfeitamente evitável)

LANGOBRIGA, mansio a 13 milhas de Cale e 18 milhas de Talabriga; o povoado estaria 2 km a nascente no Castro do Monte de Sta. Maria ou Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter, hoje em exposição no Museu Convento dos Lóios, na Feira, e o epitáfio de Boutius; segundo o I.A. Langrobiga está a 13 milhas de Cale o que corresponde ao lugar de Vendas Novas, possívelmente de onde partia o diverticulum de acesso ao castro; no entanto a mansio poderia estar duas milhas adiante em Souto Redondo, onde vencia a milha 15, dado que o miliário de Úl indica 12 milhas, a distância entre estas duas estações viárias.

Souto Redondo (continua pela rua do Areeiro, onde entronca no CM1064, estrada que vem da EN1, segue à esquerda e logo em frente entra na rua da «Estrada Romana» seguindo até ao único troço que resta da antiga Estrada Real com a calçada original em seixos rolados)
Airas, S. João de Ver (a «Estrada Real» segue até à ao Largo de Airas, talvez na m.p. XV, onde subsistem uns 50 m em calçada, continuando depois sempre a direito pela rua da Estrada Real até desembocar na EN1 junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco em Albergaria do Souto Redondo, m.p. XVI, seguindo depois pela Malaposta de S. Jorge)
Escapães (clara referência à «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Coimbra pela Vimieira», próximo da Mealhada; a via seguia a EN1 por Mastureira até à Capelinha da Meia Légua, m.p. XVII, onde toma a Rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, continuando do outro lado, mas é difícil definir um traçado; talvez pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Dr. Beleza dos Santos)
Arrifana (m.p. XIX na Igreja Paroquial; provável mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via E-O que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecida" no Museu Soares dos Reis; seguia talvez pela rua Prof. Vicente Reis, rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
S. João da Madeira (m.p. XX; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 703; em 1995 apareceram 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez por trás da Capela de St. António, continuando pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães, rumo a Faria de Cima e de Baixo, m.p. XXI, seguindo a rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana até à travessia do rio Úl)
Ponte Romana?-Medieval da Pica (m.p. XXII; cruza o rio Úl e continua junto da margem esquerda por Cavadas do Couto para cruzar a ribeira do Cercal junto da EN1 que cortou a via)
S. Tiago de Riba-Úl (m.p. XXIII; continua talvez por Blasfemes, Outeiro e Qta. da Remolha, volta a cruzar a EN1 e segue pela zona industrial)
Oliveira de Azeméis (m.p. XXV na estação?; a zona está muito alterada, mas é provável que seguisse junto do Alto do Serro e da estação, continuando por Lousas e Avelão)

Úl (m.p. XXVII a Cale; estação viária tipo mutatio na confluência dos rios Antuã/Ínsua e o rio Úl, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, nada menos que o único marco conhecido da estrada entre o Porto e a Mealhada, o miliário a Tibério que indica 12 milhas, correspondendo à distância deste local à provável mansio em Albergaria do Souto, próximo da capital regional situada em Langobriga (Fiães) e certamente assinalando também o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda um mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga, estes ocupando o vale do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à igreja matriz de Oliveira de Azeméis; na outra margem do rio Úl, junto da Igreja da Ns. das Febres, apareceu um miliário em Adães, também deslocado e hoje depositado na Casa Paroquial de Úl. vide Almeida, 1956; Mantas, 1996:342)

Travessia do rio Antuã na Ponte da Anjeirinha? (segue a rua do Avelão)
Travanca (m.p. XXVIII; a via segue a antiga estrada real, passando por Besteiros, Caniços e Bemposta, junto dos antigos Paços do Concelho, onde vencia a m.p.XXIX)
Pinheiro da Bemposta (milha XXX no cruzeiro; continua pela rua de S. Lázaro, cruza a linha férrea, reúne com a EN1 e segue por Curval de Baixo, antiga malaposta da estrada real)

Branca (m.p. XXXI; provável mutatio a 10 milhas de Talabriga, situada na actual divisão entre freguesias no lugar de Coche; num documento do ano 922 aparece como «Abranca», PMH DC 25; existiria uma Auranca no tempo romano? seria no «Castelo de S. Gião»? Alarcão, 2004a)
  • Em Monarchia Lusytania, Frei Bernardo de Brito transcreve uma epígrafe de um miliário achado no «castelo de S. Gião» (ML, II, 4), na «coroa do monte» da Serra de S. Julião, onde viu «muita pedraria», lendo algumas poucas letras COS VI / P IX PF / VAC XII P M que interpretou como VAC[VA] XII P.M., ou seja «Rio Vouga, a XII milhas»; há muitas dúvidas nesta leitura e muitos autores consideram-na forjada, como outras transcritas por este historiador do século XVI; a distância, no entanto parece correcta porque de facto este local fica a cerca de 12 milhas/18 km do Cabeço do Vouga, presumível localização de Talabriga (Brito, 1597; Pereira 1907; Almeida, 1956, Alarcão, 2004a);
  • A via romana deverá coincidir com a «Estrada dos Reis» (CM1453-1), a antiga Estrada Real que ia por Coche, Escusa e Lajinhas, m.p. XXXII, provável referência toponímica ao lajeado da estrada, entretanto removido, restando algumas pedras guias junto da berma; seguia depois paralela à linha férrea até confluir na EN1 (vide Sousa, 1960).
  • Diverticulum da Via XVI para o litoral: de Lajinhas poderia partir uma ligação ao mar passando próximo do vicus de Cristelo (vide Via litoral Porto-Vouga).

  • Albergaria-a-Nova (m.p. XXXIII; pela EN1?)
    Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVII; desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada», passando na Capela de St. António onde vencia a milha 37, até reunir com a EN1)
    Serém de Cima (m.p. XL no Cruzeiro; há referências a um miliário; antiga malaposta; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara até Lameiro pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Seabra Lopes, 2000a)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (m.p. XLI; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

    TALABRIGA, mansio, estação viária junto da travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga/Marnel; o oppidum situa-se no cabeço adjacente, onde ainda são visíveis importantes vestígios, em processo de escavação mas já aberto ao público; a sua localização estratégica face à via romana, controlando a travessia do rio Vouga, justifica plenamente a existência de uma mansio neste local, mas alguma incongruência entre a distância medida no terreno e o valor indicado no I.A., tem impedido a fixação em definitivo desta mansio neste local; de facto enquanto o I.A. indica 31 milhas a Cale, no terreno andaria pelas 39 milhas, faltando 8 milhas que continuam sem explicação definitiva (erro no percurso? erro itinerário de Antonino?); sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
    • Cruzamento com a Via Vissaium - Talabriga: a via proveniente de Viseu cruzava a Via XVI na base do oppidum (ver itinerário); a continuação desta via, desviando em Travessô para Eixo (forno romano) rumo ao provável Porto Marítimo de Talabriga situado junto do Povoado da Torre junto da actual Igreja de S. Julião em Cacia (na Marinha Baixa, a escassos 325 metros para sudeste, existem vestígios de fornos de um complexo industrial talvez para produção de vidro), local hoje bem longe do mar, mas que na época romana era banhado pelo oceano.
    • Antiga Linha de Costa: na época romana, a linha de costa era bem mais recuada, dando a Talabriga um acesso facilitado ao mar; a reconstituição da antiga linha de costa desse período permitiu definir o limite do território da civitas para além do qual não poderiam existir vias terrestres; partindo do porto da Torre/Marinha Baixa e rumando a sul, a linha de costa tocaria em Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença (Cantanhede), não muito longe dos vestígios romanos em torno de Cadima e da hipotética ligação à mansio da Vimieira (ver aqui).

    Talabriga ad Aeminium
    Mapa










    Aeminium ad Conimbriga
    Mapa












    Cabeço do Vouga (TALABRIGA) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel em Lamas do Vouga (atravessa a EN1 e sobe a encosta pela antiga calçada)
    Pedaçães (m.p. XXXIX a Coimbra; referência medieval à strata maiore, PMH DC 578 que poderá corresponder à Estrada de Pedaçães até Campelido, m.p. XXXVIII)
    Mourisca do Vouga (m.p. XXXVII; difícil descernir a via daqui a Cabanões; em Travassô há 40 m de calçada escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada, que poderia integrar a via)
    Travessia do rio Águeda em Cabanões (m.p. XXXIV; cruza a EN601 e segue pela rua da Ns. dos Milagres, sob a linha férrea e desce ao rio onde surge o topónimo de «Ponte Pedrinha», certamente uma referência a uma antiga ponte situada talvez num local a cerca de 300 a montante da ponte actual onde a travessia é mais facilitada; há também referência medieval à «carreira pública» neste local; Bastos, 2006)
    Óis da Ribeira (m.p. XXXIII; a via deve corresponder ao caminho de terra que do rio desemboca na rua Cabo do Lugar)
    Espinhel (m.p. XXXII; continua pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos pela antiga linha de costa ao tempo romano pela rua da Carvalheira, Alminhas e rua Principal)
    Piedade (m.p. XXXI; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, rua do Lugar)
    Paradela (m.p. XXX; rua Direita)
    Barrô (m.p. XXIX na capela; segue pela rua Terças, rua Arrota do Velho de Baixo)
    Carquejo (m.p. XXVIII; continua pela rua Calzinha e rua Estrada Velha, rua Sra. da Alumieira até Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
    Aguada de Baixo (m.p. XXVII; ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; segue pela rua Cura Rachão por Aguadela, m.p. XXVI) S. João da Azenha (m.p. XXV; rua Alto da Póvoa/EM603; a estrada real continua por Avelãs de Caminho, mas o caminho romano deveria atravessar o Cértima para Sangalhos; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»)

    Sangalhos (provável mutatio da milha XXI a Coimbra no lugar do Paço?; passaria na rua do Correio Velho)
    (m.p. XX; continua pela EN235 até Vale de Estevão, onde segue à direita)
    Mogofores (m.p. XIX no Cabeço; segue o Caminho da Igreja para S. Mateus e daqui a Lezírias, mas a partir daqui não é claro onde faria a travessia da ribeira de S. Lourenço; na outra margem do Cértima temos o Castro de Anadia)
    Óis do Bairro (m.p. XVIII; assenta num povoado romano)
    Horta, Tamengos (m.p. XVII; topónimo Cabeço do Marco)
    Arinhos (m.p. XVI; necrópole na Encosta do Covão, entretanto destruída)
    Ventosa do Bairro (m.p. XV; referência à «estrada velha coimbrã» em 1288; travessia do rio da Ponte; EM614)
    • Seliobriga: os vestígios 2 km a poente da via, em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins), poderão corresponder ao vicus de Seliobriga, ocupando o planalto de Chãs da Ventosa (Alarcão, 2004c).
    Antes (m.p. XIV; continua pela EM614)
    Pedrulha, Mealhada (m.p. XIII; continua pela EN615-1 por Casal Comba, onde toma a EN616; aqui apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos)

    Vimieira (m. p. XII a Coimbra; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário a Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco foi descoberto durante a construção da linha do norte em meados do século XIX e hoje em exposição no átrio da C.M. da Mealhada; o seu local original poderia ser Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada; Mantas, 1996).
    • O local exacto da mutatio ainda não é seguro, mas é possível que corresponda aos vestígios romanos conhecidos por villa da Cidade das Areias, a ocidente da via.
    • A mutatio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Qta. da Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator; hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
    • A via romana surge em documentos medievais como «karraria de illa Vimeneira» no ano 973 (in PMH DC 106) e noutro de 1095 como «strada de uiminaria» (in PMH DC 817), mostrando a importância que esta estação viária ainda detinha na Idade Média.
    • Nó viário da Vimieira: esta mutatio situa-se no cruzamento com uma via no sentido SO-NE que interligava o interior beirão ao litoral.
      • Para nordeste rumo a Bobadela, descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
      • Para sudoeste rumo a Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (villa em Monte Salgado) até Tentúgal (villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
      • Para oeste rumo a Montemor-o-Velho, seguindo por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (na villa na Sra. do Desterro junto da EN111; ara a Júpiter, RAP 281), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
      • Maiorca, na época romana seria porto fluvial com possíveis ligações às vias descritas acima.

    Da Vimieira a Coimbra pela VIA XVI:
    Lendiosa (m.p. XI;continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
    Mala (m.p. X; segue a EN616)
    Carqueijo (m.p. IX, onde reúne com a EN1)
    Santa Luzia (m.p. VIII na EN1; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha)
    Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (m.p VII; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138 por Adões)
    Trouxemil (m.p. VI; segue a rua do Calço e rua do Senhor da Rua)
    Cioga do Monte (m.p. V)
    Fornos (m.p. IV; miliário a Calígula indica a 4 milhas a Coimbra, hoje no MNMC; continua pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde cruza o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra)
    Adémia (m.p. III; cruza a ribeira das Eiras na Ponte do Rachado?)
    Pedrulha (a via continuava por Venda da Fontoura, marginava a Capela da Ns. de Loreto, m.p. II e a estação Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via durante as obras para construção da passagem subterrânea, entretanto suspensa, cruzava Assamassa e a ribeira de Coselhas na ponte de Água de Maias, m.p. I, junto do Monte da Forca/Conchada, e continuava junto da desaparecida Gafaria/Hospital de São Lázaro pelas actuais Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium; referência à via como «carraria maiore» num documento do ano 933 na zona da Pedrulha, PMH DC 39 e como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 junto da ribeira de Coselhas, PMH DC 807)

    Coimbra (AEMINIUM)
    (a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150; o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário a Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas, este miliário poderia estar originalmente um pouco norte de Adémia; o museu assenta sobre um magnífico edifício romano designado por Criptopórtico que na época suportava o antigo forum de Aeminium e ainda um dos testemunhos romanos melhor preservado em território nacional, hoje reaberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas (ver mapa), a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
    • Aeminium - Talabarium: deveria existir uma via ao longo da margem esquerda do rio, ligando Aeminium ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, seguindo talvez próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura, mas por onde passaria?

    Travessia do rio Mondego (MONDA) (a antiga ponte medieval construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, assentava sobre os pilares de uma anterior romana; partindo do «Portugal dos Pequenitos», a via sobe a encosta pela Calçada de Santa Isabel ou pela rua da Volta das Calçadas (?), seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na «Estrada Antiga de Lisboa»; referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700)
    Cruz dos Morouços (cruza a EN1 e segue pelo estradão)
    Antanhol (acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», nunca estudado e hoje muito destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra; referência à «via publica» num documento do ano 1087 em PMH DC 676; a via passa talvez a nascente no vale de Palheira, onde cruza a ribeira de Frades/de Antanhol e segue pela rua Salema, rua Zambujal e rua Cavaleiro, passando por Pousadas e Vendas de Pousadas)
    Alcabideque (Castellum Romano de Alcabideque, impressionante estrutura romana de captação de água que assegurava o abastecimento de água da cidade de Conimbriga através de um aqueduto romano com pouco de mais de 3 km quase todo enterrado no solo excepto na chegada à cidade onde foram utlizados arcos para manter o nivelamento; Alcabideque servia de nó viário ligando a Conimbriga pela estrada por Ordens)

    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    (oppidum e mansio a X milhas de Coimbra; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis a 10 milhas de Coimbra; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; há um miliário anepígrafo implantado na porta norte da cidade; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; o porto de Conímbriga poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso, além do porto em Soure)

    Conimbriga ad Scallabis

















    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
    De Conimbriga a via XVI continuava para Seilium, actual Tomar, seguindo por Tamazinhos e com possíveis mutationes em Barbealho e Freixial (Mantas, 1996); O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir as distância entre estas duas mansiones que distam cerca de 37 milhas em linha recta e cerca de 42 milhas pelo itinerário proposto; a via saía da cidade pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do Museu Monográfico, e seguia inicialmente para o nó viário de Alcabideque, para aí retomar a via principal e rumar a sul em direcção à aldeia do Zambujal, percorrendo o velho caminho ainda visível no terreno que passa na base do cerro da Pêga pelo lado nascente, hoje linha divisória entre concelhos, marginando a villa de Lameiras em Póvoa das Pegas e continuando pelo caminho rural do Outeiro para depois cruzar a EN347-1 e seguir pelo topo da rua da Silveirinha até se perder num caminho hoje desactivado que confluía na actual estrada para o Zambujal, num percurso pontuado pelos vestígios romanos em Algar de Janeia, na milha III, Janeia Velha e Enxurreira, estes associados à milha IV, fazendo supor um função viária para esses edifícios.

    Zambujal (m.p. V; villa? em Mouroiços, junto do cemitério; a via continua pela margem direita da ribeira de Carálio Seco por Porta d'Angere, a milha VI onde há referências a um possível miliário "com letras" e na Cruz do Morto, m.p. VII; a poente fica a importante villa Romana de Rabaçal, aberta ao público)
    Tamazinhos, Penela (da Cruz do Morto continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira, local onde foi encontrado o miliário a Décio da milha VIII a Conimbriga que hoje está no Museu do Rabaçal, indicando a passagem da via na base do Cabeço de Juromelo seguindo depois o estradão de terra por Portela de Casas Novas, Cabeço da Revolta e pelo sopé do povoado do Cabeço de Ateanha, marginando o casal de Vale de Abrunheira)
    Aljazede (continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560)
    Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos para Venda das Figueiras, com uma provável mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110)
    Avelar (segue a EN110 por Tojeira, Pontão e Venda Nova, m.p. XX)
    Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra, Vale da Aveleira e Cabaços)
    Rego da Murta (nó viário e provável mutatio; a Igreja de S. Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via romana que seguia entre dois povoados pré-históricos, o Castro de São Saturnino a nascente e o Castro de Avecasta a poente)
      Diverticula do nó de Rego da Murta:
    • Daqui partia uma via para sudeste seguindo por Carril em direcção à travessia do rio Zêzere em Martinelo (miliário) ou Bairrada, continuando depois para o Tejo, descrito no Itinerário Conimbriga - Aritio Vetus.
    • Também é possível uma ligação para sudoeste rumo ao Porto Velho de Formigais.
    • A existência de uma calçada na encosta do Outeiro das Relvas com 310 m sugere o cruzamento com uma via E-O que ligaria a Pelmã ou ao vicus de Casais da Matinha.
    Rego da Murta (m.p. XXVIII; continua pela EN110 e «Estrada Velha»)
    Farroeira (m.p. XXIX; sai da EN110 pouco antes do km77 e segue por Casal da Farroeira, Casais, Fonte do Tojal e cruza a EN348)
    Vila Verde (m.p. XXXII; casal rústico junto da via; continua por Daporta e Casal Sobreira)
    Fonte da Laje (m.p. XXXIII)
    Portela de Vila Verde (m.p. XXXIV; topónimo Calçadas)
    Ponte de Ceras (m.p. XXXV; fotografia dos anos 20 mostra um miliário junto da ponte; Guimarães, 1927)
    Ceras (castrum caesaris no Monte do Alqueidão; continua por Calçadinha e rua da Ferrradura)
    Freixo, Alviobeira (m.p. XXXVI)
    Pintado (m.p. XXXVIII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde há vestígios de calçada e continua por Feiteira)
    Vale da Trave (m.p. XXXIX)
    Venda Nova (m.p. XL)
    Calçadas (m.p. XLI; Calçada de Tripeiro, 100 m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Bacelos)

    Tomar (SEILIUM) (m.p. XLIII a Conímbriga)
    (oppidum posteriormente elevado a municipium Seiliensis; o forum situa-se nas traseiras do quartel dos bombeiros; 2 miliários achados na margem esquerda, no Cerrada de S. João do Couto, estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I; notícia de um miliário enterrado na rua do Everard; outros dois miliários foram desenterrados durante as obras na Av. Norton de Matos; a epigrafia revela a existência de Seilienses noutras paragens como o epitáfio de Iulianus no Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza; Silva, 1988; Ponte, 1995; Fernandes, 1996)

    Travessia do rio Nabão (Nabum) (na chamada «Ponte Velha» que poderá ter origem romana atendendo à importância desta travessia, hipótese ainda não confirmada; a via seguia pela antiga «Corredoura», referida em documentos medievais, talvez a actual rua Serpa Pinto, e seguia pela «Levada» onde apareceram 2 miliários)
    Cem Soldos/Madalena (segue a rua da Calçada rumo à travessia da ribeira da Beselga a montante de Marmeleiro)
    Paialvo (calçada de Casal Salgueiro, troço da via romana perpendicular à linha férrea hoje soterrado pela linha, restando o topónimo rua da «Via Romana»; ver notícia)
    • Miliários: Jorge Cardoso refere dois miliários na sua obra "Agiológio Lusitano"; um terá aparecido no Casal dos Santos Mártires e por isso designado por miliário dos Santos Mártires ou de St. Estevão, mas que estaria originalmente na «Qta. das Coelhas» (?) e hoje encontra-se deslocado na villa do Casal das Abadessas, sobranceira à ribeira da Beselga, e o miliário de Santa Catarina, hoje perdido, que se encontrava a «hum tiro de espingarda do lugar de Delongo», estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja cerca de uma milha (Cardoso, 1652:458; Cardoso, 1666:761).

    VIA XVI - de Tomar a Santarém por Torres Novas
    Este troço da via XVI aparece num documento de 1213 como «Estrada de Turribus»; retomando a via em Paialvo, segue a linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas por Soudos (Casal de Soudos) e pela chamada «Ponte Romana» sobre a ribeira de Pé de Cão (vestígios em Paraíso/Paraísas), Vargos (junto do Casal de S. Brás), Valhelhas (calçada junto do cemitério), Gateiras, onde começa um troço preservado em calçada com cerca de 1500 m que passa a sul da Qta. da Torre de St. António (actual Qta. do Marquês), cruza a ribeira de Arripiado (ponte romana?) e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na sua confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (vide Carta Arqueológica), continua próximo da magnífica Villa Cardillio (espólio no Museu Municipal), seguindo depois talvez por Brogueira, Alcorochel, S. Vicente do Paúl (cruza o rio Alviela junto dos vestígios de Romão e Outeiro do Bairrinho e segue por Corredoura?), Alcanhões (continua próximo da villa na Qta. das Martanas).
    • Ligação ao Porto Fluvial de Chões de Alpompé: deveria existir um diverticulum da Via XVI rumo ao importante porto fluvial de Moron que segundo Estrabão estaria a 500 stadia do mar, ou seja cerca de 92 km, podendo corresponder ao povoado romanizado de Chões de Alpompé, local estrategicamente situado próximo da foz do rio Alviela; outras vias vicinales serviriam os muitos sítios romanos ao longo da margem direita do rio Tejo como a villa de S. Miguel/Qta. dos Álamos na Golegã, a villa de Portas de Água a norte de Azinhaga, a villa ou vicus sob a aldeia de Pombalinho, e a villa de Cirne, situada no «Vale da Carreira», topónimo que denuncia a passagem de via antiga, restando um extenso troço calcetado na zona de Barreiras da Bica/Boavista seguindo rumo a Santarém.

    Santarém (SCALLABIS) (milha CLXXXII; oppidum e mansio do itinerário XVI, sede do Conventus Scalabitanus; a mansio poderia ficar na base do oppidum que seria acedido pela Calçada de S. Domingos, onde há necrópole e entrando na cidade pela antiga Porta de Leiria; a ser assim, esta localização confirmaria a teoria dos acusativos de Gonzalo Arias, apesar do miliário dedicado a Probo, ter aparecido junto dos vestígios da antiga cidade na Alcáçova, hoje ocupada pelo Jardim das Portas do Sol; toda esta zona foi recentemente escavada e foi criado o Centro de Interpretação «Urbi Scallabis» para exposição dos achados; no pátio da Casa da Alcáçova ainda existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Scallabis)

    Scallabis ad Olisipo












    Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
    Santarém (a partir de Santarém, a via seguia talvez a Estrada Real por Vale de Santarém e Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca e passando no troço em calçada na Qta. do Malpique; Mantas, 2002)
    Cartaxo (aqui inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
    Pontével (provável mutatio; referência à via vetera num documento do ano 1200; há calçada «acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola» e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto já destruída)
    Aveiras de Cima, Azambuja (continua por Casais de Tambor e Alto do Archinho)
    Travessia do rio Ota na Ponte de S. Bartolomeu (alternativa em Vale de Mouro; continua pela extrema sul da pista da base aérea e pelo Casal do Alvarinho, onde apareceu um tesouro, até Camarnal)

    Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, provável referência ao paredão de origem romana que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Qta. do Bravo, Qta. das Sete Pedras e Qta. de Sta. Teresa; na necrópole da Qta. do Bravo apareceu um miliário a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa; na villa da Qta. da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012) e na Qta. de Sta. Teresa apareceu um fuste de coluna epigrafada que poderá ser um miliário reutilizado; após a travessia do rio Alenquer, a via continuava pelo caminho da Pacheca, marginando a necrópole do Casal de St. António, a Qta. das Varandas e a Qta. Velha)
    • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigillatas provenientes de dragados (Costa, 2010).
    Carregado (passa em Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
    Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; povoado fortificado no Monte dos Castelinhos; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)
    Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007)
    Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra)
    Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; Coelho Gasco refere por volta de 1630 um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; as 23 milhas indicadas (34 km) não coincidem com a distância em linha recta entre Lisboa e Alverca que é de apenas 25 km, colocando a hipótese do traçado da via não seguir o caminho mais curto rente ao Tejo, mas pela mais extensa variante que seguia por Vialonga e Loures até Lisboa; no entanto, este miliário poderia estar já deslocado na época de Gasco vindo de um local mais a norte a 34 milhas de Lisboa, possivelmente junto ao vicus de Povos em Vila Franca de Xira; outra possibilidade também plausível foi proposta por Mantas que corrige a leitura de Gasco para XVIII, ou seja passando a indicar 18 milhas (26,4 km), o que está mais de acordo com a distância no terreno; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, onde se dividia nas duas variantes abaixo, local onde teria existido uma mutatio; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)

    • Variante para Lisboa por Loures:
      Com a descoberta de 2 "novos" miliários em Loures sai reforçada a via romana rumo a Lisboa passando no núcleo urbano de Loures, no povoado viário de Almoinhas, onde poderia existir uma estação viária tipo mansio, estrategicamente situada no local onde recebia o tráfego da via litoral proveniente de Conimbriga que vinha por Collippo e Eburobrittium; daqui seguia pela Ponte de Frielas, onde estaria o outro miliário conhecido deste percurso que apareceu deslocado na Qta. de St. António; deste modo é possível que este fosse o verdadeiro traçado da Via XVI, evitando o inundável percurso pela margem direita do rio Tejo.
      Vialonga (EM501 por Morgado e Quintanilho)
      S. Julião do Tojal (atravessa o rio Trancão em Junqueira; calçada; tesouro na Qta. da Bandeira)
      St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por Qta. Velha, onde havia vestígios de calçada, continua por S. Roque e Qta. do Sacouto até à travessia do rio Loures)
      Loures (vicus de Almoínhas, junto do Palácio da Justiça, onde deveria existir uma mutatio dado que aqui foram recolhidos 2 miliários tardios, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho, um deles, dedicado a Licínio, indicando correctamente X milhas a Lisboa; a via seguiria a EN8)
      Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (miliário tardio na Qta. de St. António com a inscrição […] / BONO / REIP (ublicae) NATO do qual só resta um desenho, pois foi reutilizado nos alicerces de uma obra da quinta em 1907; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas; villa junto da Capela de Sta. Catarina, 2 km para norte e villa da Qta. do Belo em Unhos; da ponte seguia pelo vale de Póvoa de St. Adrião)
      Lisboa (OLISIPO) (continuava pela Calçada de Carriche, Lumiar e Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», junto da necrópole onde apareceram dois cipos funerários, continuava pelo Largo Andaluz, rua de Sta. Marta, rua de S. José, rua das Portas de St. Antão, designada por «Corredoura» na Idade Média, rua D. Antão Vaz Almada e desemboca na Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a Baixa até à Sé; Banha da Silva, 2012)

    • Variante para Lisboa por Sacavém e Chelas pela margem direita do Tejo
      Esta variante deriva da variante por Loures na zona da Alfarrobeira, onde poderia existir mutatio, seguindo depois por Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis), S. João da Talha e Bobadela (junto da Qta. da Parreirinha).
      Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco d'Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
      Sacavém (provável mutatio; seguia pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues)
      Portela, Moscavide (cruzava a zona de Olivais, seguindo junto da necrópole de Poço de Cortes, hoje sob a Av. do Santo Condestável)
      Chelas (lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas; lápide na Qta. da Bela Vista; a via seguia pela Estrada de Chelas, passando junto do Convento de S. Félix, onde apareceu um miliário a Magnêncio (CIL II 4631), encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (villa ou templo romano), referido por Marinho de Azevedo no ano de 1652 in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa», entretanto foi perdido)
      Cruz de Pedra (a uma milha de Olisipo; segue a Calçada da Cruz de Pedra e rua da Sta. Apolónia)
      Alfama (rua do Mirante, rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de S. Pedro e rua S. João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura»; na igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
      Lisboa (OLISIPO) (a via romana entrava na cidade pela zona ribeirinha com base no miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos, seguindo pela rua das Cruzes da Sé até ao Largo da Sé, com vestígios da calçada no Claustro da Sé, antigo forum)

      Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
      A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira; parece haver vestígios de uma Ponte Romana sobre este braço do rio junto da rua do Arco da Bandeira, hoje rua dos Sapateiros, assim como um provável cais de embarque na rua das Canastras e um porto comercial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «Al-quantara», «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a Ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas hoje pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registados na época vários vestígios monumentais que indiciam a grande importância da sede do municipium Olisiponense em época romana, como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de S. Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de S. Nicolau apontam para uma necrópole.

    VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m. p. CCXCVIIII

    Mapa











































































    Variante
    por Antas




















    Fornelos
    Valença












    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)    CCXCVIIII milhas - 443 km
    BRACARA
    LIMIA
    TUDAE
    BURBIDA
    TUROQUA
    AQUIS CELENIS
    TRIA
    ASSEGONIA
    BREVIS
    MARCIE
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARIS
    BERGIDO
    INTERAMNIO FLUVIO
    ASTURICA

    m.p. XVIIII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVI
    m.p. XXIIII
    m.p. XII
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XX
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O traçado do Itinerário XIX está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (setas amarelas), embora nem sempre o caminho proposto siga pela via romana. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha de atravessar dois grandes rios, o rio Lima onde vem a a instalar uma mansio designada por LIMIA a XIX milhas de Braga, actual Ponte de Lima, e 24 milhas depois o rio Minho onde instala outra mansio Tudae, actual Tui. Entrando na Galiza, o itinerário continua por Lugo rumo a Astorga, tendo depois um traçado comum com o Itinerário XVIII/«Via Nova» a partir da mansio de Bergido. A via foi profundamente estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística do qual resultou este site. O Museu Pio XII guarda 5 miliários desta via, em exposição o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e ainda o possível fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu da Sociedade Martins Sarmento (MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa em Braga (MDS) guarda os outros miliários conhecidos desta via.

    Para mais informação consultar a bibliografia: Colmenero, 1987; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2011; Regalo, 1987.


    Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a TVDE, ou seja a Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, hoje no MDS com o nº 1992.0684; a via deveria seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; a continuação da via é incerta pois apesar dos muitos miliários achados nesta rota quase todos estavam já deslocados para dentro das quintas da periferia da via como o miliário a Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, hoje no MDS com o nº 68992; também na antiga casa dos Paços da Câmara, na rua Frei Caetano Brandão, apareceu em 1990 um miliário Constâncio (II?) da m.p. I, hoje dentro da cafetaria que ali existe, indiciando que a saída da cidade se fazia por esta rua até à actual Praça Conselheiro Torres Almeida, onde inflectia para a rua da Boavista, continuando pela Calçada de Real até Capela, seguindo depois aproximadamente a EN201 até à Ponte do Prado; em alternativa poderia continuar rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas passando em Felgueiras; ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008)

    Real (m.p. I; nesta zona apareceram 2 miliários; um deles foi descoberto na Qta. do Tourido em 1979, mas hoje desaparecido, e muito próximo, no Monte dos Cones, apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha I, CIL II 4756, talvez já deslocado para servir de marco divisório pois aí está documentado a Villa de Columnas, hoje no MDS com o nº 1992.0677)

    Frossos (m.p. II; na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II, transformado em pedra de lagar, hoje na Sé de Braga; segue a EN201)
    Panóias (na Qta. de Germil Albano Belino descobriu um miliário a Tibério indicando a milha II, hoje no MSMS com o nº 82; dentro da povoação, no Largo do Souto, está um outro miliário servindo de base a um cruzeiro; foi certamente deslocado da Ponte do Prado pois indica a milha IV; tem duas inscrições, uma inscrição primitiva a Tibério e uma inscrição posterior a Valentiniano e Valente; fragmento de um possível miliário ou peso de lagar na Qta. da Mainha)

    S. Paio de Merelim (m.p. III; miliário a Adriano, talvez da milha III, descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e que hoje está no Museu Pio XII em Braga; o marco divisório de Felgueiras poderá ser um miliário transformado; segue a EN201 pelo lugar da Calçada)

    Ponte Romana?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (m.p. IV; Argote refere um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte (Regalo,1987); a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia fazer-se por barca a montante, próximo do sítio romano de Macarome)

    Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
    Até muito recentemente, o itinerário entre os rios Cávado e Neiva fazia passar a via romana por Lage, S. Miguel de Carreiras, Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, correspondendo ao actual «Caminho de Santiago»; apesar da evidente antiguidade deste caminho não é segura a sua existência em época romana (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresentando fortes pendentes na subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta para a travessia do rio Neiva na Ponte de Goães que na sua forma actual é uma construção medieval sem sinais de uma anterior romana. Por outro lado, os miliários conhecidos apareceram todos a poente desta rota (embora deslocados dos locais originais), sendo por isso mais provável que a via militar seguisse um outro percurso menos acidentado e mais de acordo com os princípios construtivos romanos, por Atiães e Marrancos, fazendo a travessia do Neiva a jusante de Goães; a descoberta de miliários em Atiães de miliários no âmbito do projecto Vias Atlânticas até então inéditos, veio reforçar esta solução como a verdadeira rota da Via XIX e considerar a antiga hipótese por Goães como uma variante tardo-romana. No entanto ainda não é seguro descartar outro traçado.

    • Variante tardo-romana (?) pela Ponte de Goães:
      Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova; da ponte sobre o Cávado segue por Faial, passa na calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago, um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos, Corga, Montinho e Sarrela)
      Lage, Oleiros (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão/Olivão)
      Moure (calçada; próximo fica o Castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha)
      S. Miguel de Carreiras (passa no CM1183 por St. André e Cachada)
      Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; em Portela do Meio passa a EN308 e segue por Hospital e Fonte Fria, descendo abruptamente para Goães; ara na Portela da Penela)
      Ponte Medieval da Pedrinha ou Ponte Velha, Goães, sobre o rio Neiva (NAEBIS)
      Rio Mau (da ponte sobe até Ângulo Quarenta onde vira à esquerda até Lagoeira onde entra no concelho de Ponte de Lima e reencontra a via romana descrita abaixo).

    VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
    Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (m.p. V; miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77; da Ponte do Prado segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue pelas traseiras da Igreja Velha de Prado, no caminho que liga a Outeiro durante 1800 m)
    Oleiros (m.p. VI; o caminho segue junto até à Capela de S. Sebastião, próxima da qual apareceu um miliário a Valentiniano I, indicando a milha VI, encontrado na "Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz" já transformado em cruzeiro que hoje está no Museu Pio XII)
    Atiães (m.p. VII; da Capela de S. Sebastião segue pelos lugares da Cumieira e Alminhas, percurso confirmado pela descoberta de um fragmento de miliário anepígrafo na Bouça do Castro, talvez indicando a milha VII, dirigindo-se depois à Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário talvez da milha VIII; no adro da Capela de Sta. Marta, existem dois cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso; continua por Chãos e Varziela, próximo das minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal, até S. José, m.p. IX; segue por mais 1900 m até à EN201 onde segue à esquerda por 2 km)
    Marrancos (m.p X; fragmento de miliário junto da JF; villa?; mina romana da Cova dos Mouros; o miliário desaparecido a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga; fragmento de miliário a Tibério hoje no Museu Pio XII e que apareceu na Igreja Velha de Fontes em Arcozelo)
    Travessia do Rio Neiva (Naebis) (m.p. XII; o local de travessia é incerto, talvez entre os lugarares do Ribeiro e Lagoeira)

    Anais (m.p. XIII; no lugar da Boavista, apareceu um miliário ilegível suportando o alpendre de uma casa; de Lagoeira continua por Talho, Caramasse, Varziela, Malhos, Cruzeiro na m.p. XIII, Albergaria, Casas Novas, Pé da Cruz e Torrão)

    Queijada (m.p. XIV em Empregada e continua por Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Costa/Cangostas até ao rio Trovela, junto do povoado na Qta. do Crasto e da necrópole na Qta. do Outeiro)
    • Em Souto de Rebordões, na rua da Rabela, estrada entre a igreja paroquial e a Qta. das Fontes, existe um cipo no acesso à Qta. da Torre que poderá ser um miliário enterrado em posição invertida, apesar da ausência de inscrição; a ser assim, este marco teria sido deslocado da Via XIX que passa a 1 milha para leste, mas não seria impossível uma variante servindo o povoado da «Cividade» rumo ao rio Lima.
    Travessia do rio Trovela (m.p. XV; a "Ponte Nova" já existia em 1258, mas a via cruzaria o rio a jusante da Ponte Nova; CAB Almeida, 1990)
    Fornelos (milha XVI; miliário a Maximino e Máximo que apareceu no antigo passal reutilizado como peso de lagar, hoje no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; continua por Carrão, Chão da Mena, contorna a Qta. de Sandilhão, cruza a ribeira homónima e segue por Lage até à Capela de St. Amaro, m.p. XVII com um miliário a Dalmácio que apareceu reutilizado num muro do lugar da Posa)
    Vila Nova de Gaia (m.p. XVIII; 2 miliários; no «Campo de St. Amaro» apareceu um miliário a Maximino e Máximo da milha XVIII que hoje está no jardim do Solar de Bertiandos convertido em Pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; a via passava talvez na base do Castro romanizado de Sta. Maria Madalena e daqui descia à Ponte Romana, passando por Bustelo, Cruzeiro, Graciosa, Qta. da Lapa, Qta. de Sanguinhal, Qta. do Olho Marinho e Largo dos Quartéis, entrando na vila pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001)

    LIMIA, mansio m.p. XIX localizada em Ponte de Lima (m.p. XIX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma ara a Júpiter feita pela oficina ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha)

    Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval de uma anterior romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita com visíveis marcas de fórfex e utilização de silhares almofadados a denunciar a parte romana)
    Antepaço (no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário já ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha 20 e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte romana seguia o cruzamento de Sabadão, a m.p. XX, depois está interrompido mas pouco depois encontra o caminho a nascente da Qta. de Sabadão e da Qta. de Pomarchão sempre paralelo ao rio Labruja até Cancelhinhas e Igreja)
    • Na Qta. de Faldejães existem 5 miliários; 3 são provenientes da Qta. do Antepaço e indicavam a milha XX, o miliário a Adriano, CIL II 4871, o miliário a Caracala, CIL II 4872 e o miliário a Constâncio Cloro?, CIL II 4873; além destes, temos um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e o fragmento de miliário proveniente da Capela de S. Sebastião.

    Arcozelo (m.p. XXI junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário; continua para a Ponte do Arco)
    Ponte Romana do Arco da Geia sobre o rio Labruja, Boavista (apesar de sucessivas reconstruções, ainda são visíveis no arco as pedras almofadadas da construção original; depois da ponte segue a margem esquerda do rio por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho e Moinho do Folão, cruza a EN306 e segue pelo lugar do Padrão)

    Cepões (m.p. XXIII; miliário no adro da Capela de S. Pedro, sem dúvida relacionada com a milha 23 que era vencida no sítio do Padrão um pouco antes da capela, sugestivo topónimo em alusão ao marco miliário que ali existia na base do povoado do Castro do Bárrio; segue pela capela até reunir continuando junto da capela)
    Ponte Romana-Medieval do Arco (m.p XXIV em nova travessia do rio Labruja; daqui segue a EM522 por Fonte da Estrada até à Capela da Sra. das Neves em Codeçal, onde toma o chamado «Caminho da Texugueira», passando nos lugares de Revolta, Antas, Portelinha, Valinhos e Casa da Balada, marginando o povoado romanizado do Castro de Baixo e a poente da Igreja Paroquial)

    Labruja (m.p. XXV, assinalada pelo miliário da Capela de S. Sebastião, hoje no grupo da Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário na Capela de São João Baptista da Grova, suportando a pia baptismal e que teria passado para a igreja paroquial em data incerta; no entanto, a pia actual não parece assente num miliário (?); a via passava a poente da Igreja pelo lugar da Freita, onde apareceu o fragmento de miliário talvez a Magnêncio que está hoje na chamada «Colecção da JAE», continua por Casa Branca, Eiras e Fonte da Três Bicas)
    Espinheiros (miliário a Constantino Magno que suportava o alpendre de uma casa rural e hoje também na «Colecção da JAE»)
    • A partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano, seguindo o caminho medieval ou de Santiago pela Portela Grande enquanto a via romana seguia pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário em Câmbua nº 11 da série Capela que terá sido partido em 4 esteios e depois desapareceu, mas que assinalaria a milha 28; o percurso continua duvidoso pois hoje está muito alterado com a construção da EN201 e da A3; hoje é preciso seguir a EM522 de Câmboa, na Portela Pequena, desce a Veiga do Monte pela Capela do Pisco, continua por Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque, m.p. XXIX.

    Romarigães (m.p. XXIX; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário a Valentiniano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 28, embora hoje apenas se leia XX[...], AE 1980, 571)
    • A milha XXIX na Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 29 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mansio na base do castro, provavelmente junto da Capela de S. Roque, local onde venceria a m.p. XXIX; a partir daqui a via parece dividir-se em duas variantes alternativas que seguiam a poente e a nascente do castro, ambas pontuadas por vários miliários; o traçado poente seguia por S. Martinho de Coura e S. Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e S. Julião, enquanto a outra variante seguia por Rubiães e Cossourado com miliários em Pereiros, Igreja de S. Pedro e Qta. do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente pouco antes de Fontoura. Podem ter diferente cronologia, mas aparentemente ambas as variantes têm origem romana, atendendo aos miliários numa e noutra, embora a variante por S. Martinho seja menos acidentada e por isso mais condizente com o perfil de uma via pública; a ser assim os miliários da variante por Rubiães teriam sido deslocados em época medieval (Silva e Díaz, 1997; Colmenero, 2004; Matos da Silva, 2006).

    Variante por S. Martinho de Coura:
      Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Sabariz, Costa e Fonte de Frenes)
      Barreiros, S. Martinho de Coura (m.p. XXIX; miliário a Constante I no largo por trás da Capela Ns. da Conceição onde se lê MILIARIVM XXVIIII, ou seja indica que este era o 29º miliário da via; continua por Calados)
      Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara)
      Ponte dos Caniços sobre o rio Coura (na base do castro do Alto da Madorra; haveria ponte romana?)
      S. Bartolomeu das Antas
      • Para a construção da Capela de S. Bartolomeu das Antas perto de Rubiães, foram utilizados 6 miliários da região; dois deles terão sido deslocados e suportam o alpendre, o miliário a Magnêncio da milha XXXI 31, CIL II 4744/6225, talvez proveniente de Pereiros em Rubiães e o miliário a Nerva indicando a XXXVI, CIL II 6226, talvez proveniente do Monte das Contenças em Fontoura; os restantes estão ao lado da capela: o miliário a Juliano da milha XXXII, CIL II 6227, o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 6228, o miliário a Maximino Daia, ambos com a milha apagada, e um miliário anepígrafo.
      • Miliário de Candemil: aqui apareceu um fragmento de miliário onde apenas se lê IMPE que terá sido deslocada desta via; no entanto também seria possível que indicasse um diverticulum para Vila Nova de Cerveira.
      Ramalhal (segue a EM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro até à Capela de S. Brás, onde existe um fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral; possível mutatio, Almeida, 1996)
      Ranhadoura (miliário a Constâncio II com a milha ilegível que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo)
      Monte da Gândara (m.p. XXXIV; miliário a Maximino Daia indicando a milha XXXIIII que apareceu enterrado in situ e que pertence também à «Colecção da JAE»)
      Raso, São Julião (m.p. XXXVI; 200 m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada; em 1979, no Largo da Feira em S. Julião, apareceu um miliário anepígrafo certamente deslocado da Via XIX que passou pelo adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima e hoje está desaparecido; apesar de anepígrafo, é possível que indicasse a milha 36 que era vencida talvez entre Raso e Reguengo; Araújo, 1982)
      Fontoura (continua por Reguengo até chegar à Capela de S. Gabriel, onde reúne com a variante por Rubiães)

    Variante por Rubiães:
      Portela de Romarigães (rumava a norte pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro, m.p. XXX)
      Agualonga (habitat em Mourela; cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara e Covelo)
      Pereiros (m.p. XXXI; seria daqui o miliário a Magnêncio da milha 31 que está em de S. Bartolomeu das Antas; continua pela EN até à Capela de S. Roque)
      Rubiães (m.p. XXXII; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde apareceu, além de uma ara funerária e pedra almofadada, um miliário a Caracala, talvez da milha XXXII, convertido em sepultura; continua até ao lugar da Escola, onde desce à esquerda rumo ao rio Coura)
      Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados; na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiniano I servindo de esteio de uma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que terão vindo da Azenha do Ribeiro em Romarigães)
      Ponte Romana?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
      Cossourado (da ponte segue talvez pela EM1074, passando na vertente nascente do Castro do Alto da Cividade/Forte da Cidade até à Igreja e cemitério, m.p. XXIV, percorrendo depois o Monte das Contenças, m.p. XXXVI, por Carcavelha até à Capela de S. Gabriel)
      Fontoura (m.p. XXXVII; 2 miliários, um indica a milha 36 e veio doo Monte das Contenças e outro miliário estaria junto da Capela de S. Miguel de Fontoura e indicava a milha 37; possível mutatio a 7 milhas de Tui)
      • O miliário a Nerva indicando a milha XXXVI que hoje está em S. Bartolomeu das Antas veio do Monte das Contenças.
      • O miliário de Chamosinhos dedicado a Constâncio II da milha XXXVII, encontrado num quinteiro perto da Igreja de S. Pedro da Torre, teria sido deslocado das proximidades da Igreja de S. Miguel de Fontoura, hoje no acervo do MNA.

    Itinerário de Fontoura a Valença
    Fontoura (da Capela de S. Gabriel continua por Portela e Cortinhas, Capela de S. Bento e Fontoura, ou em alternativa, por Casa Gonçalo, ribeira de Boriz, Rio Torto e pelo caminho de terra batida com 100 m até Monte Chão, restando da antiga via, segundo Colmenero, uma lomba no terreno com 500 m, hoje em propriedade privada)
    Cerdal (por Bouça da Gândara e Paços, seguindo depois por caminho de terra batida até à ponte)
    Ponte Romana-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (m.p. XXXIX; calçada antes da ponte)
    Pedreira, Cerdal (depois da ponte, a via cruza a estrada asfaltada e segue por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira numa ponte com eventual origem romana)
    Gandra (da ribeira segue a direito por Tuído, Albergaria e Senra até entroncar na EN13 ao km 116)
    Arão (m.p. XLI; segue por uma paralela à EN13 que começa junto ao café Arcádia e passa no centro da povoação até reencontrar a EN13)
    Valença (m.p. XLII; 2 miliários provenientes do lugar das Lojas na chamada «estrada do cais» que desce ao Cais de Arinhos; o primeiro é um miliário a Cláudio da milha 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo, embora duvidoso, é um miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Núcleo Museológico Municipal, antiga cadeia)
    Travessia do rio Minho (Minius) por barca?

    TUDAE (m.p. XLIII; mansio na actual Tui; 2 miliários em Sta. Eufémia)

    No seu percurso de cerca de 400 km até Astorga, a via seguia pelo vale do rio Louro, por Madalena, Ponte de Orbenlle, Porriño, Guizan, Louredo, Santiaguiño de Antas (miliário), Chan das Pipas, Saxamonde (5 miliários) e Redondela, continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA AUGUSTA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja 443 km).

    Item a BRACARA ASTURICAM m. p. CCXLVII

    Mapa






































































    Alio Itenera ab
    Aquae Flaviae








    ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)    CCXLVII milhas - 364.4 km
    BRACARA
    SALACIA
    PRAESIDIO
    CALADUNO
    AD AQUAS
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXVI
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XIIII
    O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino suscita ainda muitas dúvidas, apesar dos muitos miliários conhecidos, dando origem a várias propostas de trajecto ou variantes; desde logo desconhecemos a localização das mansiones referidas com a excepção de Ad Aquas que podemos localizar com certeza em Chaves. O levantamento do traçado da via em 2005 no âmbito do projecto «Vias Augustas» trouxe muita informação nova sobre a via e um modelo de valorização turística que contou com a participação dos municípios portugueses abrangidos que resultou na limpeza e sinalização da via para uso público. Ver os 13 miliários da série Capela referentes a esta via (hoje já se conhecem cerca de 32 miliários atribuíveis a esta via). Para mais informação consultar a seguinte bibliografia: Pinheiro, 1895; Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et al.; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005 e 2012.

    Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus:
    MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


    Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, CIL II 4760, hoje no MDS com o nº 67492; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário a Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante, Constantino Magno e II; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua pelo rua do Raio, passa na Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua Nova de Sta. Cruz que depois passa a EN103; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela «estrada velha», paralela à EN103 que no essencial acompanha a rota romana para Chaves; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário a Tibério indicando a milha I, hoje no MDS com o nº. 1992.0642, e o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et al., 2004)

    Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
    Este de S. Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra do Carvalho, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas, seguindo depois por Carvalho e Calçada; num documento do ano 1056 aparece como carral antiqua; LF 60)
    Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa junto do Castro romanizado do Castelo de Lanhoso e segue por Laje Grande para cruzar a ribeira do Pontido por um troço lajeado e sobe ao «Carvalho Centenário», m.p X)
    Calvos (m.p. XI; cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica, cemitério e Torrão)
    Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho por Botica de Baixo até aos Pardieiros, m.p. XII, continua pela EN103 e logo à esquerda pela EM1364 para Botica de Cima, continua pelo «Caminho do Pousadouro» que passa na aldeia até reunir com a EN103 pouco antes de Cerdeirinhas onde vencia a m.p. XVI, continuan por Cruz de Real, passando assim na base do povoado romano da Cova da Moura ou Vila Monteira, no Monte de Cidrô)

    Cruz de Real (segue a EN103 até ao km 71, onde toma a calçada do «Caminho da Rechã», retoma a EN ao km 72 e segue pelo «Caminho do Penedo» com vestígios de rodados; de novo na EN segue até ao km 75, onde toma o «Caminho das Gavinheiras», com parte ainda lajeada, reaparecendo depois na Capela de Ns. de Begonha, passando assim a sul do povoado romano do Outeiro do Castro sobranceiro ao rio Cávado, hoje na Capela da Sra. da Conceição)

      Variante por Zebral: hipotética variante seguindo pelo alto da Serra da Cabreira afim de evitar as numerosas travessias de ribeiros na rota da EN103, rumando por Espindo e Zebral, onde há miliário, seguindo até à Ponte do Arco, onde reúne com a EN103; a via poderia derivar da EN103 em Rechã, subindo depois a encosta ocidental da serra e por alturas da mesma pela Fonte do Confurco e Portela da Serradela, onde cruza a ribeira das Chedas na Ponte Poldro, seguindo depois em calçada por 500 m até Espindo, continua pelo troço lajeado designado como «Caminho do Zebral», passando por Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão até atingir Zebral (miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV), cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros e segue por Campos e Lamalonga até à Ponte do Arco (?)

    SALACIA, m.p. XX, esta mansio a 20 milhas de Braga, continua com localização insegura, podendo corresponder a um povoado próximo, eventualmente o vicus do Campo da Veiga, de onde será proveniente a ara anepígrafa da Capela da Sra. da Guia em Fornelos; no entanto a mansio teria de estar próximo da via, eventualmente na aldeia da Gavinheira, onde era vencida a milha XX.
    • Argote refere 2 miliários próximo da aldeia de Botica em Ruivães (Argote, 1732); um estaria já ilegível e está desaparecido e o outro, dedicado a Trajano, indicava 43 milhas a Chaves pelo que poderá ser o mesmo que se encontrou posteriormente em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
    • Argote refere mais 2 miliários junto a um ribeiro, a sudoeste da aldeia de Campos, mas dados como provenientes do alto do monte, na «Portella de Rebordellos»; um miliário era dedicado a Cláudio, CIL II 4770; o outro miliário apenas se lia 33 milhas pelo que marcaria a distância a Braga, CIL II 4772 (Argote, 1732); a Portela de Rebordelos poderá corresponder ao topónimo Rebordondo, próximo do Outeiro dos Púcaros em Ruivães (Fontes, 2012).
    • Outros 2 miliários que estavam junto da Capela de S. Martinho em Zebral; num deles Argote leu ESAR. AUG / STR. XVIII considerando-o um miliário a Augusto, o CIL II 4776, e no outro leu CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III, CIL II 4775 (Argote, 1732); como não se conhece nenhuma Capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à Capela de S. Pedro, onde ainda está um miliário, ou em alternativa referia-se à Capela de S. Martinho no povoado romano do Alto de S. Cristóvão junto da actual aldeia de Ruivães (Fontes, 2012).

    Louredo (a via segue sobreposta à EN103 até tomar o «Caminho do Outeiro», m.p.XXII, e o «Caminho do Sudro», m.p.XXIII)
    Salamonde (povoado romano no Outeiro da Coroa; a via segue o «Caminho da Aldeia» pela Capela das Almas, m.p. XXV, continua paralela à EN103 e na Casa Florestal toma o chamado «Caminho do Outeiro dos Púcaros» pelo Pontão da Mua até Rebordondo, onde cruza a EN e segue pelo «Caminho de Ruivães» que passa no Pontão da ribeira de Corga de Mendo, no Pontão da ribeira de Chedas e na Ponte Velha da Rês sobre a ribeira de Saltadouro, m.p. XXVII)
    Ruivães (m.p. XXVII, mutatio; importante povoado romano no Alto de S. Cristovam situado na confluência dos rios Rabagão e Cávado, e junto da via romana; continua por S. Cristóvão e Botica, seguindo depois paralela à EN103 pelo «Caminho de Sta. Leocádia», m.p. XXX, continuando por Pitões e Paradinha, m.p. XXXI, cruza a EN103 para Escadeirinhas e segue pelo «Caminho de Cambedo» até à Ponte do Arco em Campos)
    Ponte Romana?-Medieval do Arco sobre a ribeira da Borralha (antigo «rio Canhua», hoje submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova; tanto Argote como Martins Capela e Hübner, CIL 4773, descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte que deverá ser o miliário da Venda Nova que apareceu durante a construção da barragem, esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e hoje está num jardim à entrada da aldeia da Venda Nova, junto da EN103)
    Padrões (m.p. XXXIV; XLIII milhas a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, ou seja 34 milhas a Braga, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água)
    Venda Nova (m.p. XXXV; XLII a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é o miliário a Cláudio da milha [?]XXV a Braga, já não se lendo o X inicial que perfazia as 35 milhas, hoje no MRF, ARC396, CIL II 4771, assim como um outro miliário cortado a meio ainda se lendo m.p. XLII a Chaves, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água)
    Codeçoso do Arco (m.p. XXXVIII; segundo Martins Capela existia um miliário a Cláudio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; além disso há um possível fragmento de miliário encastrado na parede do forno da aldeia de São Fins; ainda resta um troço da via com 100 m lajeados na encosta leste do Castro de Codeçoso, mas depois a via está submersa, descendo a Porto de Carros para cruzar o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas, mencionando ainda a existência de um miliário a Tibério, CIL II 4777, no sítio da «Lama do Carvalho», num terreno a que chamam «Borrajeiro», hoje desaparecido; da ponte subia a Currais por um troço lajeado com 300 m)
    Currais, Reigoso (possível mutatio entre a milha 38 e 39 com vários miliários hoje desaparecidos, restando um miliário anepígrafo encostado a uma casa no Largo do Cruzeiro, mas proveniente como os anteriores da travessia do rio Rabagão na ponte velha de «Porto do Carro», de onde foi deslocado em 1900 para o centro da povoação; a via cruza a aldeia, passa junto do referido miliário, e seguia segundo Argote por «Subila», onde vencia nova milha, m.p. XXXIX ou 39 milhas, seguindos pelos topónimos «Brêa» e «Pedreira» hoje difíceis de identificar, mas que poderá corresponder às actuais ruas da Portela e de Fontelas)
    Ladrugães (m.p. XL, passa por baixo da aldeia pelo sítio da «Gêa» e segue por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum)
    Pisões (m.p. XLIV, o topónimo refere os miliários; a partir daqui a calçada está submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas deveria passar junto do miliário da «Cantina de Leiranco» ou Cruz de Leiranque onde vencia a m.p. XLV, actualmente no Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; passaria depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita)

    PRAESIDIO, mansio a 46 milhas de Braga é tradicionalmente localizada no Castro do Codeçoso do Arco por proposta de Argote, mas atendendo à sequência de miliários aí seria vencida a milha 38 pelo que é mais provável que a mansio fosse um pouco mais adiante, entre Perafita e Penedones, correspondendo talvez ao povoado romano conhecido como Leira dos Padrões, evidente referência aos miliários que aqui assinalavam uma milha e que Argote designou por «Villa Mel», onde apareceu uma ara anepígrafa.

    Penedones (m.p. XLVIII, passa a sul da aldeia junto da albufeira e da mansio de Praesidio em Leiras dos Padrões; tesouro monetário)
    Travassos da Chã (m.p. XLIX, miliário anepígrafo convertido em cruzeiro no sítio do Padrão, a caminho da albufeira)
    S. Vicente da Chã (m.p. LI, vicus viário no Alto da Carvalha, junto da aldeia de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales (FE 368) e uma ara anepígrafa; a via segue junto da Capela de S. Gonçalo, na base do vicus, cruza a povoação e segue próximo do Castro de S. Vicente; CM1009)
    Peirezes (m.p. LIII, via cruza a ribeira da Ponte da Velha, sobe à povoação e desce à pequena Ponte «Romana» onde cruza o rio Rabagão; povoado romano na Veiga de Carigo)
    Gralhós (m.p. LIV, calçada atravessa a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila)
    Cortiço (m.p. LVI; miliário anepígrafo sustendo uma varanda de uma casa da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma casa; fragmento de um miliário convertido em bebedouro no jardim de uma casa nova na saída para Arcos; assinalavam provavelmente 18 milhas a Chaves; a via segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça e continua em calçada pelo Alto da Pedra Moura e Breia, passando a norte de Vilarinho de Arcos pela rua da Estrada/CM1001)
    Arcos (m.p. LVIII; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...], hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; talvez indicasse a milha 58 dado que Arcos fica a cerca de uma milha de Pindo onde se assinala a milha 59; fuste de coluna ou de possível miliário, junto da fonte)
    Pindo, Cervos (m.p. LIX; 3 miliários provenientes do Alto do Pindo; miliário a Tibério da milha LIX que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno e hoje está no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos)

    CALADUNO, a mansio referida no I.A. a 62 milhas de Braga, deveria localizar-se nesta região; como o miliário do Pindo indica 59 milhas, então a mansio seria 3 milhas adiante, mas como este miliário foi deslocado, a mansio poderia estar localizada na povoação de Arcos ou no Alto da Serra do Pindo, mas não existem para já vestígios que o comprovem; no Geographia de Ptolomeu (II, 6, 38) aparece como Caladunum.
    • Hipotética ligação de Arcos para norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela na rua da Calçada em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado da Via XVII que passa a sul, poderia indiciar uma derivação para norte a partir da mansio Caladuno, mas caso existisse esta via, para onde seguiria?; uma hipótese viável seria seguir por Sarraquinhos, Pedrário (calçada e povoado), Mexide e Soutelinho da Raia, onde entroncava na variante da XVII por Vilar de Perdizes.

    Continuação da Via XVII para Chaves
    O percurso da Via XVII até Chaves aparenta ter duas variantes a partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, e presumível localização da mansio de Caladuno. A variante norte permitia um trajecto mais curto para Chaves, seguindo por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, percurso que é pontuado por vários troços de calçada e a inscrição viária da Pipa, num penedo próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). No entanto, dada a ausência de miliários neste percurso é possível que a Via XVII seguisse antes a chamada «variante sul» até Chaves, marginando importantes explorações auríferas do vale do rio Terva, como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, constituindo um importante património a necessitar de preservação face à possível retoma da sua exploração. A via seguia assim rumo ao vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da serra até Pastoria, a 5 milhas de Chaves, dado que nas proximidades apareceu um miliário de Trajano indicado a milha V, descendo a Chaves por Vale de Anta, onde reúne com a «variante norte» descrita abaixo.
    Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando na base do Castro da Malhó)
    Nogueira (segue a nordeste da povoação, situada na base do grande castro da Idade do Ferro)
    Bobadela (inscrição aos L(ares) Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da Capela de S. Lourenço; a via passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, cruzando o ribeiro do Ferrugento na base do Alto do Picão e seguindo ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa para cruzar a ribeira de Calvão na Ponte das Meãs; neste percurso a via passa próximo do povoado mineiro do Carregal e repsectiva Mina romana do Poço das Freitas, subsistindo vestígios de rodados em Giraldo)
    Sapelos (m.p. LXV; vicus viário; ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas; o miliário de Sapelos, dedicado a Augusto, foi encontrado deslocado num carvalhal designado por «Lapavale» que fica a cerca de 800 m para nordeste da aldeia de Sapelos, já convertido em sarcófago e era por isso chamado de "Pedra do Caixão"; apesar de danificado ainda se pode ler BRAC LXV[...] ou seja, indicava a distância a Braga num possível intervalo entre 65 e 68 milhas; o local fica na base do Castro do Muro ou da Cerca e junto da ribeira de Calvão, tendo defronte o povoado romano na Capela da Sra. das Neves/ Povo de Paredes, situado na confluência das ribeiras de Calvão e de Cunhas. No entanto, o seu local original seria outro, junto da via, talvez junto no topo da encosta onde se regista o topónimo «Padrão» e onde a via XVII vencia a milha 66; actualmente está no Centro de Interpretação do PAVT (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
    Pastoria (miliário a Trajano, hoje no MRF, indica a milha V; quando foi descoberto estaria já deslocado e longe da via na «Serra da Pastoria», possivelmente como marco divisório, desconhecendo-se o local original da sua implantação, mas segundo o traçado proposto, este marco estaria à saída da aldeia da Pastoria, junto da Capela do Senhos dos Aflitos que fica a cerca de 5 milhas de Chaves (2017); daqui segue um extenso troço via ainda preservado seguindo pela calçada do Alto da Mortiça, hoje cortado pela A24; inscrição funerária de Camalus)
    Vale de Anta (miliário anepígrafo desaparecido que estaria originalmente no actual topónimo «Alto do Marco», a duas milhas de Chaves; placa honorífica a Treboniano Galo na Igreja; Barragem Romana Abobeleira a norte, e minas romanas em Outeiro Machado e Campo Queimado)
    Casas dos Montes (segue junto da Capela de S. Bartolomeu, defronte da qual está um miliário anepígrafo na esquina de uma casa, talvez ainda in situ, indicando nesse caso a milha I; poderia seguir pela calçada perpendicular à rua 1º de Dezembro)

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio Ad Aqvas no I.A.)
    Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário a Constantino, desaparecido, CIL II 4784, o miliário a Licínio proveniente da margens do Tâmega, entretanto relocalizado em 2006, e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria na Igreja de S. João de Deus e indicava a milha II, CIL II 4779, e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho, CIL II 4780, de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reaproveitado para base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário a Décio indicando a milha V e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no Castelo de Chaves está o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; existem pelo menos 7 miliários no Museu da Região Flaviense, nomeadamente, os três miliários achados na Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).

    Variante da Via XVII por Vilar de Perdizes
    Tal como foi proposto por Argote e outros autores, também é possível que a Via XVII seguisse um caminho alternativo mais a norte pelo vale da ribeira da Assureira, passando na importante região mineira no triângulo formado pelas povoações de Gralhas, Santo André e Solveira. Este itinerário alternativo tem a vantagem de se ajustar melhor às distâncias entre mansiones indicadas no I.A., sendo possível que a estação de Caladunum corresponda ao importante povoado mineiro da Ciada junto da aldeia de Gralhas que se encontra a 18 milhas de Chaves conforme indicado no I.A. (Argote, 1732).
    Desviando do itinerário pelo Alto do Pindo na aldeia de Peirezes, continua para norte por Codeçoso da Chã (Argore refere os topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», hoje desconhecidos), Meixedo, Gralhas (vicus mineiro da Ciada; Caladunum?), continua para nascente por Solveira (povoado mineiro da Telheira/Antas), Vilar de Perdizes (vicus da Veiga com importantes vestígios como o Altar de Penascrita/«Pedra Escrita», uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina que integraria santuário rupestre dedicado a Larouco, divindade associada à serra homónima; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também a Larouco e uma outra dedicada a Júpiter, hoje armazenadas na CM de Montalegre; outra inscrição num penedo em Rameseiros), cruza a ribeira da Assureira e continua pelo caminho que faz de fronteira com Espanha, passando no vicus ou mutatio? do Carvalhal até Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul; vicus de Pardieiros), seguindo depois para Castelões (pela «Calçada do Facho» que percorre o sopé do Povoado de Facho de Castelões, tendo aparecido um fragmento de um possível miliário anepígrafo na berma da via talvez indicando a milha IX a Chaves), continua pela aldeia de Calvão (miliário deslocado para a entrada da aldeia talvez da milha VII a Chaves), continua pela Ponte Guilherme (passando a poente do vicus no Outeiro da Torre), cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro, Soutelo e Vale de Anta até Chaves.
    • Ligação de Vilar de Perdizes à «Via Nova»: poderia existir uma derivação desta estrada para norte a partir de Vilar de Perdizes rumo à mansio Geminas da «Via Nova», seguindo por próximo dos Castros da Idade do Ferro do Soutelo e Cidade de Grou, continuando pelos termos de Xironda, Saceda, Lucenza (miliário na Capela de Santa Marta e na povoação), Xinzo de Lima e Sandiás, provável localização da mansio Geminas.

    Outras vias a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE)
    A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário de onde partiam várias vias secundárias quer rumo ao rio Douro quer rumo à Galiza, ainda que neste caso o seu destino final ainda não seja muito claro. Além destes importantes eixo N-S, há evidências de outros eixos viários que serviam um povoamento romano distribuído por pequenos vici com vocação agrícola ou mineira (Teixeira, 1996; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2010).

      Direcção norte rumo a Lugo e Santiago
      (por ambas as margens do Tâmega)
    • Chaves - Verín (Via Aquae Flaviae - Tamacum- Lucus Augusti?): depois de cruzar a ponte sobre o Tâmega inflectia para a norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega seguindo pelo Caminho de S. Roque, onde se achou um miliário a Licínio (Carneiro S., 2005) percorrendo a Veiga de Chaves até Vila Verde da Raia (ara votiva na igreja e ara a Júpiter; vicus?), cruza a fronteira para Feces de Abaixo e continua por Tamaguelos (miliário), Mourazos (Coelobriga o lugar de Raposeiras), Tamagos, Queizás (miliário), Verín (civitas Tamacanorum, sede dos Tamacani; 3 miliários: miliário anepígrafo na Casa dos Acevedo, miliário a Constante no bairro de San Lázaro), Vilela (miliário a Caro) e Vilamaior (miliário), rumando depois talvez à mansio Salientibus em Xinzo da Costa no Itinerário XVIII/«Via Nova» que seguia para Lugo.

    • Chaves - Oímbra (Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae?): a via partia da cidade rumo a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz e Outeiro Seco (seguindo a rota da EM506 junto do habitat de Ribalta, desvia depois pelo Caminho da Mó, passando a nascente do habitat romano da Igreja Românica da Sra. da Azinheira; ara a Hermes Devoris na Capela da Ns. do Rosário, CIL II 2473, consagrada por G. Cexaecius Fuscus aludindo a combates de gladiadores; continua pela EM506 junto Capela da Ns. da Portela e do cruzeiro da Ns. dos Desamparados, junto do habitat de Montes Claros, onde poderia tomar o «Caminho do Vale da Carvalha» que passa entre Vilela Seca e Vilarinho, contornando pelo poente as Minas de Barrocos/Trincheiras/Fachos), Vilarelho da Raia (muito próximo, na povoação espanhola de Rabal, existe um miliário anepígrafo reutilizado como suporte numa casa; duas aras a Júpiter na igreja matriz talvez provenientes do vicus viário do Vale da Ermida, 2 km adiante, onde poderia existir uma mutatio pois assenta sobre a actual linha fronteiriça e dista cerca de 12 Km de Chaves); seguia depois por San Cibrao (miliário a Dalmácio), Oímbra (500 m a oeste, por Carregal), Rosal, cruza o rio Porto do Rei Búbal para Vilaza (miliário das Lagoas, entre Queizás e Vilaza; passa em Portela e Bagoeira) e segue por Albarellos, Guimarei e Trasmiras (miliário na aldeia de Santa Baia de Chamosiño) em direcção a Xinzo de Lima e à mansio Geminas em Sandiás, onde cruzava a «Via Nova», podendo ter continuidade para Iria Flavia, provavelmente localizada em Padrón (Santiago de Compostela).

    • Direcção nordeste rumo a Astorga
    • Chaves - Lama de Arcos (Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria?): inicialmente seguia a via Chaves-Lugo até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para noroeste em direcção a Vila de Frade, passando na base da Capela de Sta. Marta (miliário a Carino no adro da capela, CIL II 4795, junto com outro fragmento anepígrafo que poderia pertencer ao mesmo miliário), continuando por Lama de Arcos (provável vicus; ara a Júpiter na igreja) e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível sede da civitas dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga (?).

    • Chaves - Ponte de Cigarrosa (Via Aquae Flaviae - Nemetobriga - Forum Gigurrorum?): é uma variante da anterior que desviava em Lama de Arcos para norte por Feces de Acima, Vilar de Cervos, Vilar de Vós (miliário), Sao Lourenzo, Gudiña, Terras de Viana de Bolo, entroncando no Itinerário XVIII/«Via Nova» pouco antes da Ponte Romana-Medieval de Cigarrosa, ligando assim Chaves às mansiones de Nemetobriga e Forum Gigurrorum (Lemos, 2010).

    • Chaves - Monforte - Fiães: a actual EM502 deve assentar sobre uma antiga via romana que derivava da via Chaves - Verín em Vila Verde da Raia servindo vários vici ao longo do seu percurso; inicialmente a via seguia por St. António Monforte (vicus; antigo Curral de Vacas; fuste de coluna ou um possível miliário, reutilizado numa casa da aldeia e noutra uma estela funerária; ara a Larouco na igreja), continuando pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual, passando a poente do sítio romano de Amedo em Paradela de Monforte (tesouro) até atingir Mairos (vicus? no Calvário; estela funerária), continuando pela EN502 entre Travancas e S. Cornélio, junto do sítio romano dos Pardieiros até Cimo de Vila da Castanheira (passa próximo do habitat do Seixal e junto do Capela de S. João na base do Castro de S. Sebastião, onde terá aparecido uma ara a júpiter), continua pelo Alto de Pedome, margina o habitat de Caço/Megingueira e passa junto da Capela da Sra. dos Aflitos em Lebução até atingir Fiães (vicus Vagornica), nó viário onde entronca na variante da Via XVII (Teixeira, 1996; Lemos e Martins, 2010).

      Direcção noroeste rumo a Videferre
      A chamada «Estrada Velha de Montalegre» poderia já existir em época romana, seguindo entre Sanjurge e Bustelo rumo a Videferre; partindo de Chaves, seguia pelo Bairro do Telhado (rua da Paz/EM507) e lugar da Seara em Sanjurge (minas em Barrocos), continua pela calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, ascende por 300 m ao Alto da Salgueira, reúne com a EM507 e segue por Lajedo e Alto do Queimado, continuando depois por Campina e Sra. do Bom Caminho, percurso balizado pelo vicus? das Casas de Castelões, do povoado fortificado romanizado do Alto das Coroas e pela necrópole de S. Caetano, podendo esta via ter continuidade para a Galiza por Videferre (miliário em Espiño).

      Eixos N-S entre Chaves e o rio Douro
      A ligação de Chaves para sul teria três eixos principais que ligavam a outras tantas travessias do rio Douro, ligando depois à rede viária da Beira Alta:
    • Via Chaves - Vila Marim - Lamego, via por alturas da Serra do Alvão, seguindo a poente de Vila Pouca de Aguiar por Paredes do Alvão e Vila Marim rumo às prováveis travessias do rio Douro em Caldas de Moledo e Peso da Régua, ligando depois a Lamego.
    • Via Chaves - Três Minas - Moimenta da Beira, via por alturas da Serra da Padrela, cruzando a região mineira de Trêsminas e seguindo por Panóias, rumo à travessia do Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim a Moimenta da Beira.
    • Via Chaves - Numão - Celorico da Beira, eixo NO-SE derivando da anterior na Serra da Padrela rumo ao Alto do Pópulo (Murça) e ao Carlão (Alijó) para depois cruzar o rio Douro junto do vicus mineiro da Sra. da Ribeira/Vesúvio, continuando a sul do Douro por Mêda e Trancoso até Celorico da Beira.














    Mapa

































































    ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    AQUAE FLAVIAE
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XXIIII
    Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia pela região de Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos, uma obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no átrio do MRF (vide sobre esta via o Projecto VIAS AVGVSTAS).

    Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
    Chaves (depois de atravessar o Tâmega a via seguia inicialmente a EN103, desviando pela rua da Sra. da Boa Morte até ao Cruzeiro, m.p. I, onde estaria o miliário a Constâncio que apareceu algures em Eiras; logo após o canal segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida Alto de S. Lourenço pela rua da «Calçada Romana», troço da via ainda bem preservada que passa na Capela da Sra. dos Aflitos, onde vencia a milha II)
    S. Lourenço (ascende a encosta pela Calçada de S. Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, mas hoje desaparecido; indicava certamente a milha III; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
    Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue por Arco e Lama)
    S. Julião de Montenegro (m.p. V; na igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário a Macrino ou Carino e o miliário a Décio, este indicando a milha VI a Chaves, um miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta, no cruzeiro vencia a milha VI, inflecte para nascente cruza a EN213 e segue por Sra. do Barracão, Pardieiros, Ladeira Grande e a nascente do outeiro da Capela de Sta. Luzia no Alto da Penha Sá)
    , Ervões (m.p. X; nas obras de demolição da Capela de Sta. Luzia apareceram 2 miliários, o miliário a Macrino que está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e o outro foi reutilizado nas fundações da mesma; a via cruza a aldeia até confluir novamente na EN213)
    Vilarandelo (m.p XI; miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado, tal como o miliário a Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF; a via continua junto da Capela do Sr. do Milagres, m.p. XII por Cerdeira, Pousadouro, Carriçal e Lama do Vale)
    Lagoas (m.p. XV; continua a nordeste de Valpaços pela rua Calçada e «Caminho de Possacos»)
    Possacos (m.p. XVII com 4 miliários, o miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, o miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, hoje no acervo do MNA, e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois de cruzar a aldeia, e desce à ponte por calçada com 2 km)
    Ponte Romana do Arquinho sobre o rio Calvo (milha XVIIIvídeo; daqui provém o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, deslocado depois para a ponte de Vale de Telhas e posteriormnte para o adro da Capela de Ns. de Fátima na aldeia de Vale de Telhas; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e daqui descia ao lugar da Barca, onde cruzava rio Rabaçal)
    Travessia do rio Rabaçal (m.p. XIX; a Ponte de Vale de Telhas é uma construção medieval que reutiliza silhares com marcas de fórfex de uma ponte anterior romana, provavelmente localizada mais a jusante no lugar da Barca, onde apareceu um vasto conjunto de miliários que foram agrupados na Ponte Medieval e posteriormente deslocados para outros locais: o miliário a Galério foi para o Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia está na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, o miliário a Constantino II e Constante I está junto da fonte da aldeia de Vale de Telhas, o miliário a Numeriano hoje desaparecido e o miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo que está na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco; na aldeia existe ainda um miliário a Maximino e Máximo no adro da Capela de Ns. de Fátima, mas este seria proveniente da Ponte Romana do Arquinho em Possacos)

    PINETUM....m.p. XX, oppidum e mansio a 20 milhas de Ad Aquas localizada no Castro do Cabeço em Vale de Telhas, local onde era vencida a milha 20 desde Chaves; a via margina o castro e continua por caminho abandonado rumo a Bouça pelo Alto da Estrada, m.p. XXI)
    Bouça (m.p. XXII; no «Cruzamento da Bouça» existia um miliário indicando 22 milhas que está hoje junto do Café «Estrela do Norte» em Ferradosa)
    Fradizela (cruza a aldeia e segue a rua Direita até ao cemitério onde vencia a milha XXIV; neste local estaria o miliário anepígrafo hoje partido em 3 fragmentos, um dos quais está na berma da EN206 à saída da povoação da Ferradosa; daqui toma o caminho à esquerda da capelinha até reunir com a EN206, continuando próximo dos topónimos viários Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço das Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem, m.p. XVI, para cruzar a ribeira do Arquinho na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho, onde volta a reunir com a EN206 e desce à Ponte da Pedra)

    Ponte Romana da Pedra sobre o rio Tuela (m.p. XVII; magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte constitui um dos melhores exemplares da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo e no entanto continua um pouco desprezada; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada por muitos autores como moderna até aos anos setenta!; silhares almofadados com marcas de fórfex não deixam dúvidas que se trata de uma construção romana, provavelmente nunca reconstruída)

    Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do Castro romanizado de São Brás até reunir com a EN206)
    Vila Nova da Rainha (na m.p. XXX, 1km antes da povoação, começa um troço da via com 900 m que segue paralelo à EN206 até ào centro da aldeia, onde existe um miliário anepígrafo a suportar uma varanda)
    Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (m.p. XXXI; troço da via com 1500 m ladeia a capela com um fragmento de um miliário junto ao Alto da Pinha, no entrada de uma casa com acesso à EN206, já convertido em peso de lagar, assinalando talvez 31 milhas a Chaves)
    Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceram dois miliários, o miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
    • Diverticulum de ligação às minas de Ervedosa no rio Tuela: derivando da via XVII na Capela de S. João em Lamalonga, seguia pelo «Caminho de Pombal» até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde existe outro fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui seguia para as minas junto do rio Tuela, passando nas proximidades do castro romanizado do Castelo de Ervedos; depois de cruzar o rio Tuela em Soutilha seguia pelo cemitério da aldeia de Nuzede de Baixo, onde existe indícios de um vicus no Cabeço e de um povoado fortificado de Castrilhão, podendo esta via ter continuidade para noroeste, seguindo a nascente de Rebordelo rumo à travessia do rio Rabaçal na Ponte de Picões (?).
    Carvalhal, Lamalonga (m.p. XXXIII; miliário anepígrafo na berma da EN206)
    Agrochão (milha XXV; ara votiva aos lares viales; seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco, possível alusão a um miliário que poderá corresponder ao miliário partido em 2 fragmentos que se encontra na berma da estrada no sítio da Amoreira; a via continua a norte da povoação pelo Alto dos Malhões, outra possível referência a miliários)
      de Agrochão a Castro de Avelãs: A partir de Agrochão o próximo miliário conhecido apareceu na Capela de S. Cláudio. entre Formil e Gostei; Colmenero propôs a continuação da via por Ousilhão, onde há forte presença romana (localizando aqui a mansio de Roboretum), seguindo rumo a Vinhais e daqui para nascente rumo a Formil, integrando assim os miliários achados em Vinhais e Soeira; no entanto este trajecto descreve uma volta pouco lógica e por um terreno particularmente acidentado; por outro lado, o miliário a Caro supostamente encontrado na aldeia de Carrazedo deve-se a uma confusão com outro miliário na povoação homónima de Carrazedo no concelho de Amares, servindo de cruzeiro na aldeia do Pilar (Colmenero et al., 2004).
    Falgueiras (m.p. XXXVIII; continua pelos altos do Roleiro, do Poulo e dos Barreiros, cruza a EN206, e contorna a Lagoaça Carroceira pelo norte)
    Edrosa (m.p. XLIV; cruza a povoação e segue pela EN206)
    Zoio (m.p. XLVI na «Portela de Zoio»; segue paralela à EN206 até à Capela de Sta. Luzia, m.p. XLVIII, onde toma o caminho da Fraga do Viborão, reúne com a EN206, m.p. XLIX e segue até Cruzes, continua pelo caminho florestal ao Alto da Ferradosa e desce a Formil pelo «Caminho da Vila» ao Castro ou «Feira dos Mouros»)
    Formil (m.p. LIV no centro; continua pela EM518 passando no adro da Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
    Gostei (m.p. LIV antes da aldeia, no desvio da EM518 pelo caminho directo ao sítio da mansio em Torre Velha )

    ROBORETUM....m.p. XXXVI, mansio a 36 milhas de Pinetum e a 56 milhas de Aquae Flaviae localizada no povoado romano da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram miliários e outros importantes vestígios.

    Castro de Avelãs (m.p. LVI; mansio Roboretum no sítio da Torre Velha onde apareceram 2 miliários no exterior das ruínas da Capela de S. Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário a Caracala, CIL 6216 e o miliário a Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, mas poderia indicar a distância a Braga que era cerca de 136 milhas; estão ambos hoje no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pelo Ordo Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está hoje no MSMS com o nº 16, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na Capela do Sr. de Malta em Olmos, freguesia de Macedo de Cavaleiros, hoje no MAB, fazendo supor que este local ainda integrava o território dos Zoelae; a via cruza a ribeira do Castro)

    Bragança (m.p. LIX na Praça da Sé; possível vicus entre a rua Abílio Beça e a Praça de Camões; ver os 8 miliários desta via no Museu Abade de Baçal; três estelas funerárias em Quatro Caminhos e no Couto; a via cruza a cidade talvez pela Praça da Sé, rua Abílio Beça, rua de S. Francisco, passando junto da Capela de S. Sebastião onde apareceram 3 inscrições funerárias, rua do Alcaide e rua das Amendoeiras, marginando a Fonte e Capela de S. Lázaro)
    Ponte Romana?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (m.p. LXI; segue paralela à EN218 e pela Qta. das Carvas)
    Gimonde (m.p. LXIII; castro romanizado do Arrabalde, de onde provém um pedestal de estátua com a inscrição BONO / R P NATO e três estelas funerárias)
    Ponte Romana?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor
    Cruz do Marrão, Gimonde (m.p. LXIV; miliário a Caro no «Caminho Velho para Babe» , está hoje no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão, Fonte de Megilde e Canada)
    Babe (m.p. LXVII; mutatio no lugar do Sagrado, 4 km a sul da aldeia sobranceiro à ribeira da Ferradosa, provável vicus viário associado na Idade Média à extinta Igreja de S. Pedro Velho, onde apareceram 2 miliários reutilizados como sarcófagos, o miliário a Caracala onde se lê X[---] milhas que está no MAB com o nº 1572 e um miliário a Adriano também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas contadas talvez a Caesera, mansio já em território Espanhol, localizada provavelmente em Rabanales de Aliste; neste local apareceu também uma ara a Júpiter e a estela funerária de Calpurnius Reburrinus, cavaleiro da II Ala Flávia que tinha a sua base no acampamento romano de Petavonium situado a oeste de Rosinos de Vidriales; na Capela de S. Sebastião, existe um possível miliário anepígrafo; a via deverá corresponder ao caminho que passa 300 m a sul da capela)
    Palácios (m.p. LXVIII, cruza a povoação)
    São Julião de Palácios (m.p. LXIX na Igreja Paroquial; continua pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada com vestígios do corte artificial da rocha e muros de sustentação da via)
    Porto Calçado (m.p. LXXIII; cruza o rio Maçãs em Vale de Perdizes, fronteira luso-espanhola, rumando daqui para nordeste pelo «Camino de San Julián»)
    Moldones (m.p. LXXVIII; continua por Figueruela de Abajo e Mahide?)

    COMPLEUTICA....m.p. XXVIIII, mansio a 29 milhas de Roboretum com localização ainda incerta, podendo corresponder a Figueruela de Arriba (antes da via transpor a Serra de la Culebra San Pedro de las Herrerías rumo a Astorga) visto que estas localidades estão a cerca de 29 milhas de Castro de Avelãs, provável localização da mansio de Roboretum. A via seguia talvez por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos e Villanueva de Valrojo.
    • Ligação Compleutica a Caesera: alguns miliários apontam uma via N-S por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Adriano indicando VI milhas à mansio de Caesera junto da igreja; Castro das Vinhas) e Rabanales de Aliste, provável localização de Caesera, importante povoado romano e caput viae, eventualmente Curunda, capital dos Zolae, onde apareceram diversas inscrições e existe um possível miliário junto da igreja.

    VENIATIA....m.p. XV mansio a 15 milhas de Compleutica que poderá ficar nas proximidades de Villanueva de Valrojo. A via continua pelo «Carril de los Cervatos» por Olleros de Tera e Calzadilla de Tera, onde cruza o rio Tera e segue por Calzada de Tera, San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog, Santibánez de Vidriales (miliário a Décio?) e Rosinos de Vidriales.

    PETAVONIUM... m.p. XXVIII, mansio que poderá corresponder ao acampamento romano da ala II Flavia, a oeste de Rosinos de Vidriales; o povoado de Petavonium poderia situar-se no Castro de Sonsueña; a via continua por Fuente Encalada (3 miliários, um a Maximino e Máximo, outro a Caracala e um terceiro a Décio (?) já desaparecido), continua por um extenso troço da via conhecida por «La Chana», passando junto do miliário a Valeriano e Galieno no lugar de Fuente del Robledo (hoje no Museo de Castrocalbón), onde há um aparente acampamento romano, continuando por Calzada de Valdería e Herreros de Jamuz.

    ARGENTIOLUM...m.p. XV: situada provavelmente adiante de Tabuyuelo de Jamuz, talvez no sítio romano do «Campo del Medio» em Villamontán de la Valduerna; a via, neste tramo conhecida por «Calzada del Obispo», continua por Valle, Castrotierra, Ponte Balimbre sobre el río Turienzo, Valderrey, Celada, e entra em Astorga pelos lugares de La Canal e Arboleda e pelo «Camino de Cuevas».

    ASTURICA...m.p. XXIIII (XIIII?) (actual Astorga; o I.A. apresenta um total percorrido de CCXLVII milhas, ou seja 365,5 km desde Braga, mas deverá ser feito um acerto na estapa final entre Argentiolum e Asturica de 24 para 14 milhas para acertar como o medido no terreno)


    Outras variantes da Via XVII
    Variante sul da Via XVII passando por Boticas rumo a Chaves
    A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever o antigo caminho por Alturas do Barroso que poderá ter origem pré-romana dado servir vários castros importantes como o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro romanizado de Outeiro Lesenho (hipotética capital da civitas dos Equaesi, tendo aparecido nas proximidades quatro estátuas de guerreiros). Esta velha estrada, passaria em Atilhó e Carvalhelhos, junto da exploração mineira e do Castro romanizado do «Castelo de Mouros», atravessava o Rio Beça na Ponte da Pedrinha, em ruína e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca para Boticas, continuando depois por Sapiãos (povoado junto do cemitério) até Sapelos, onde reencontra a VIA XVII.

    Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
     Considerada como a variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança de modo a integrar os 2 miliários achados na região de Vinhais. O itinerário proposto segue até à travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entronca na via transversal Valpaços - Três Minas descrita abaixo. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões para cruzar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, cruzava a Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela «Calçada do Souto Velho/Bravo» e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (vicus em Casarelhos/Aguatões; ara dedicada a Debaroni Muceaicaeco na pia baptismal da igreja de Avelelas), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até Bobadela (a Igreja de S. Pedro integra na sua construção silhares com marcas de fórfex e duas estelas funerárias talvez provenientes do vizinho vicus fortificado de Cigadonha assim como a ara numa casa da aldeia), continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, continuando por Lebução e Vilartão (estela funerária de Flavia Duerta, hoje no MRF), onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde conflui também a referida via transversal.



                   
    Variante transversal à Via XVII - de Castro de Avelãs a Três Minas
    Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SO que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um hipotético itinerário proveniente de Castro de Avelãs rumo à Região Mineira de Três Minas o que permite integrar esses miliários nesta hipotética via, ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte a partir de Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo rumo a Castro de Avelãs (Colmenero et al., 2004). Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados da Via XVII na sua passsagem pelo concelho de Valpaços, mas no caso dos miliários de Vinhais e Soeira podiam mesmo pertencer a outras vias ainda não equacionadas. Inicialmente o percurso segue a proposta do Padre Francisco Alves no início do século XX, o 'Abade de Baçal', seguindo as anotações do Major Celestino Beça, com alguns topónimos hoje desconhecidos indicados por aspas (Alves, 1915).

    Formil (desvia da Via XVII pelo caminho que cruza a ribeira de Prado Redondo e segue por «Vale do Roupeiro», «Vale de Centiares», «Paulo de Fontes», Chousa, junto da «Fonte do Velho»)
    Castrelos (passa no cemitério onde há necrópole romana e continua pelo Carriço do Ervedal» em direcção à travessia do rio Baceiro na Antiga Ponte de Castrelos cujas ruínas ficam a jusante da ponte actual, na base do castro do Cabeço de São João/Castelos Velhos, onde apareceu a estela funerária de Sempronius Tuditanus, continuando na outra margem pelo caminho da «Estalagem do Diabo»)
    Soeira (a via cruza a aldeia junto da Igreja Velha, onde existe uma inscrição, continuando até ao sítio romano de «Vilar», estação viária tipo mutatio onde em 1900 Celestino Beça achou um miliário reaproveitado como sarcófago, hoje no MAB com o nº 1566; da inscrição original restam umas poucas letras TRIB POT e o numeral XXI; daqui desce ao rio por 1 km, contornando o Castro da Ponte parra cruzar o rio Tuela na «Ponte Velha» de Soeira, continuando por calçada até à EM1017, confluindo pouco depois na EN103 que segue aproximadamente para cruzar a ribeira de Padornelo junto da Ponte de D. Marinha)
    Vila Verde (cruza a aldeia, passando a norte da Torre de Modorro, provável atalaia romana tipo statione para controlo da via romana na zona de travessia do rio Tuela, continua pela EN103 e logo depois desvia à direita pela EM505 e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
    Vinhais (Argote refere um miliário entretanto desaparecido; onde apenas leu CONLAPSOS RESTITVERVNT / …Q. DECIO LEG.AVG.PR.PR. / CV… VIA AVG / M.P.CP, ou seja referindo reparações efectuadas na via talvez pelo Imperador Maximino, indicando a milha C[---?], talvez a Braga; provável vicus no Bairro do Eiró, onde terá aparecido a ara a Júpiter pelo que aqui deveria existir uma mutatio; a via romana margina o povoado, seguindo depois entre os altos da Portela e do Pinheiro, cruza a ribeira das Trutas no Pontão, continua pelo caminho de Lamas da Susana até Soutelo, passando a norte do povoado do Monte da Circa e do vicus da Lagoa, continua por Sobreiró de Cima, sobe pelo Alto do Meiral até Cruz das Cortes na EN103 e continua pela portela do Monte da Forca e do Alto da Madorrinha)
    Curopos (passa em «Souto Escuro», onde terá existido um miliário (?), seguindo por Estalagem de Cima e Estalagem de Baixo, na rota da EN103)
    Valpaço (por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
    Ponte Romana?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal (estava em ruínas e hoje está submersa)
    Bouçoães (dois possíveis miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje depositados na JF)
    Lampaça (passa junto do povoado fortificado do Cabeço da Ns. da Ribeira, onde apareceu uma ara votiva e uma estela funerária )
    Tortomil (vicus de Fetais, em Vale de Fetos; duas aras votivas, uma das quais com uma inscrição a Júpiter pelos Castellani Af(...) que seria a designação do sítio; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
    Fiães (vicus Vagornica no sítio de Muradelha com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicenses achada no sítio da Cortinha do Fundo junto da aldeia, hoje no MRF; dentro do povoado apareceu um possível miliário; estela funerária na Fonte da Ns. do Socorro)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Calvo
    Tinhela (calçada; estela funerária na rua da Veiga)
    Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio, hoje desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha)
    (onde cruza a Via XVII)
    Valongo (miliário anepígrafo reutilizado numa casa da aldeia, entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
    Ervões
    Lamas
    Monsalvarga (fragmento de miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada segue paralela e a nascente da EM543)
    Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; a via margina o castro romanizado de Cidadonha e segue a nascente da aldeia talvez pelo Caminho da Qta. da Fonte; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili: "Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) Obili(um); Colmenero, 1987)
    Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lari Cusicelenses (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida)
    Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de S. João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom)
    Padrela (nó viário de acesso à região mineira de Três Minas, ver Itinerários Chaves - Três Minas - Rio Douro)

    VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICA m. p. CCXV

    Mapa











































































    ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)   CCXV milhas - 318.5 km
    BRACARA
    SALANIANA
    AQUIS ORIGINIS
    AQUIS QUERQUERNNIS
    GEMINAS
    SALIENTIBUS
    PRAESIDIO
    NEMETOBRIGA
    FORO
    GEMESTARIO
    BERGIDO
    INTERERACONIO FLAVIO
    ASTURICA

    m.p. XXI
    m.p. XVIII
    m.p. XIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    A Geira ou «Via Nova», é a via romana melhor preservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional a 21 milhas de Braga que estaria nas proximidades da aldeia de Travasso na freguesia de Vilar, Terras de Bouro, já que neste local foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Santa Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seus contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol. Nos últimos anos, esta via foi alvo de um grande projecto de reabilitação e valorização turística que resultou na sua classificação como Monumento Nacional e na construção do «Museu da Geira Romana» em Campo do Gerês (Terras de Bouro), assim como uma candidatura a Património da Humanidade; neste âmbito foi criado no endereço «geira.cm-terrasdebouro.pt» um site sobre o «Projecto Geira» contendo uma excelente descrição da via em que foi infelizmente desactivado(!); grande parte do site foi entretanto recuperado pelo autor deste site e pode ser visitado neste endereço viasromanas.pt/geira/.


    Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da «Via Nova», e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; está hoje no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço, na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da «Via Nova», no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lari Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado)

    Travessia do Rio Cávado (Celadus):
    Como a Ponte do Porto é uma construção medieval sem indícios de uma anterior romana, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o ponto de travessia do rio Cávado. Apesar de estarem todos deslocados do seu local original existem vários miliários nas proximidades: junto da Ponte do Porto temos o miliário da Capela de S. Miguel-o-Anjo e mais a jusante, os miliários de Barreiros e o miliário do Cruzeiro de Pilar. Estudos mais recentes apontam para que a travessia se fizesse a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja «pela via que chamam de vereda proveniente de Braga» (PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento do miliário a Constante em Areal de Baixo, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto que indicaria assim a milha I. (vide Colmenero et al., 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
    1. Na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via segue pela rua dos Chãos e rua de S. Vicente, passa paralela ao cemitério de Monte d'Arcos pela rua do Areal de Baixo (miliário), continua pela rua do Areal de Cima ladeando o quartel, continua a nascente do Convento de Montariol por Cedro e Pinheiro, rua Rafael Bordalo Pinheiro, EM1298, passa na Capela das Sete Fontes (milha II) pela rua Hélder Figueiredo e segue pelo estradão junto do Castro de Pedroso, hoje rua da «Calçada Romana», onde ainda se pode percorrer um longo troço lajeado da via romana até atingir Adaúfe (milha III; villa na Qta. do Avelar); continua a poente igreja paroquial por Romil, Redondo, Barreiro, Freire e Estrada, onde ficaria a milha IV, continuando por Cortinhal, Souto, Qta. do Coelho, onde seria a milha V, Salgueirinho até ao Lugar do Rio, atravessava o rio Cávado na Barca de Ancêde para Barreiros.
    2. Nas Azenhas de Sta. Marta: seguia a leste da Igreja Sueva de S. Martinho de Dume, construída sobre uma villa romana pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria; calçada no lugar do Assento), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo na outra margem por Ponte e Paço até entroncar na variante pela Barca de Ancêde em Barreiros, onde há miliários.
    Barreiros (seguia pelo lugar do Além, onde venceria a milha VI na Sra. das Angústias-Além/Travessa da Geira; há vários fragmentos de possíveis miliários nas redondezas; três estão na Qta. do Agrolongo e um outro na Qta. da Pena, servindo de base de uma mesa de jardim que reutiliza uma mó; estes fragmentos de possíveis miliários devem pertencer ao conjunto de 12 miliários assinalados em 1642 no adro da igreja de Barreiros, dos quais restaram quatro e os restantes terão sido levados para o Campo de Santana em Braga; vide Sousa, 1971-1972; inscrição votiva de Aemilius Valens, CIL II 5610, cavaleiro da Ala Flávia na Igreja de Proselo)
    Carrazedo (vicus no Lugar da Igreja associada à milha VII que seria vencida na Feira Velha; no Campo da Porta, junto do povoado, apareceu uma ara votiva aos Lares Buricis, nome que estará na origem do nome «Terras de Bouro» via (Alarcão, 1999); deslocado está o miliário a Caro, CIL II 4786, hoje cravado numa rotunda da aldeia do Pilar convertido em cruzeiro, talvez indicando a milha VIII; outro fragmento de um possível miliário está no lugar de Passos, na base do povoado do Monte da Santinha, a delimitar um canteiro; a via continua por Besteiros, vencendo a milha IX em St. António, e depois por Pousadas)
    Caires (vicus e provável mutatio na milha X, num sítio conhecido por Campo da Bouça ou «Cividade de Biscaia» no lugar de Frecheiro, situado na base do Castro de Gróvios/Castro de Caires, onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo de granito representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do sistema de correio, ou seja do cursus publicus; dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolição da Capela da Qta. de S. Vicente e hoje depositada na Qta. de Rios de Cima)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Santa Cruz
    Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via seguia por Paço, Paço Velho, Castro, Tornadouro e Lugar da Geira, contornando o Monte de S. Pedro Fins pela vertente sul, até confluir com a estrada moderna que vai para Paredes Secas, mas antes da descida à povoação, segue em frente pelo estradão de terra com restos ainda visíveis da calçada romana, ascendendo sempre por patamares suaves contornando a meia-encosta o Monte de Santa Cruz pela sua vertente leste onde vencia a milha XIII junto do vicus e provável mutatio de Mojeje/Vila Cova, cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está na casa paroquial de Vilela; segue sempre em calçada até desembocar na estrada asfaltada que vai para a Portela de Santa Cruz onde vencia a milha XIV.
    • Os miliários foram todos deslocados para as sedes de freguesia, nomeadamente o miliário a Maximino e Máximo indicado 12 milhas e encontrado em 1957 no lugar de Lama/Dornelas, junto da ribeira da Pala, local que correspondia assim à milha XII, está hoje no adro da igreja paroquial de Paredes Secas, enquanto os miliários da milha XIII que estariam junto da mutatio de Mojeje, junto da ribeira das Oliveirinhas, estão hoje na aldeia de Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está encostado ao muro da igreja e o miliário anepígrafo está nas traseiras, no pátio de uma casa particular.

    Portela de Santa Cruz, Souto (m.p. XIV; 8 miliários; miliário na berma da via pouco antes de chegar ao asfalto, onde segue à direita pelo largo da aldeia para onde foi deslocado um miliário anepígrafo proveniente da milha XIII, e logo a seguir à esquerda pelo estradão de terra junto à placa de término do concelho de Amares e assim entra no vale do rio Homem; logo a seguir aparecem os magníficos 7 miliários da milha XIV na Bouça do Padreiro; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral, a via segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
    Lampaças, Balança (m.p. XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na C.M. de Terras do Bouro)
    Teixugos, Chorense (m.p. XVI; miliário a Décio; Colmenero refere mais 3 miliários entretanto desaparecidos, Colmenero et al., 2004)
    Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (m.p. XVII; 4 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio e Caro; recentemente apareceu um outro miliário a Maximiano)
    S. Sebastião da Geira, Chorense (entronca na estrada que vem de Chorense e segue por Candelo)
    Chã de Vilar, Chorense (m.p. XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio I ou II que está hoje na C.M. de Terras de Bouro; os vestígios de um povoado romano neste local foram associados à mansio SALANIANA, no entanto, a dúvida permanece porque este local está a 18 milhas de Braga e não a 21 milhas, conforme é indicado no I.A. para esta estação, além dos vestígios não sugerirem mais do que uma simples mutatio; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
    Lajedos, Saim (m.p. XIX; 4 miliários; miliário a Tito e Domiciano onde se pode ler VIA NOVA FACTA e indicando 19 milhas; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova onde suporte uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na C.M. de Terras de Bouro)
    Podrigueiras, Saim (m.p. XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando XX milhas; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

    SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul.

    Travasso, Vilar (m.p. XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo)
    Ervosa, Santa Comba, Chamoim (m.p. XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente a milha 22, CIL II 4806; um terceiro miliário foi levado daqui e transformado no cruzeiro que está defronte da igreja paroquial de Chamoim em Lagoa)
    Esporões, Chamoim (m.p. XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano, e outro a Constâncio II desaparecidos)
    Padrós (m.p. XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
    , Covide (m.p. XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307 até Covide)
    Covide (miliário a Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI em Várzeas, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda chega-se ao ainda mais antigo Castro da Calcedónia; à entrada da aldeia a via continuava pela estrada de terra que passa no lugar do Monte)
    Várzeas, Jeirinha, Covide (m.p. XXVI; miliário a Constâncio Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via atravessa a Veiga da Santa Eufémia, passa a milha no lugar das Várzeas e segue o ribeiro até confluir na EN307)
    Costa do Cruzeiro (m.p. XXVII na Carvalheira; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido)
    Cruzeiro de S. João do Campo, Campo do Gerês (a base do cruzeiro é um Miliário a Décio indicando também a milha 27 pelo que foi deslocado da Costa do Cruzeiro/Carvalheira; há ainda referência a um outro miliário a Vespasiano, CIL II 4814, que indicava também 27 milhas, hoje desaparecido; a via continuava pela estrada actual e um pouco mais à frente aparece outro miliário ilegível na berma direita)

    Leira dos Padrões, Campo do Gerês (m.p. XXVIII no sítio da Leira dos Padrões, nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no sítio do Sagrado/Adro Velho na Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; na aldeia existem vários miliários, um miliário a Caro dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação e encastrados em paredes de casas da aldeia mais um fragmento de um miliário indicando a milha 28 e outro miliário anepígrafo; a norte da aldeia, no lugar do Porto do Carro, há outro fragmento de miliário; Argote refere um miliário a Magnêncio deste sítio e em 1728 o Pe. Matos Ferreira refere mais 2 miliários, todos desaparecidos; a via continua pela estrada actual em direcção à extinta aldeia de Vilarinho das Furnas (onde há vários miliários reutilizados) e antes de descer à barragem segue à direita pelo estradão de terra actual que foi construído a uma cota superior devido à construção da barragem que deixou a via submersa)

    Bouça do Gavião (m.p. XXIX em Padrões da Cal; 13 miliários; como a via ficou submersa, foram deslocados para Sarilhão na estrada actual)
    Bouça da Mó (m.p. XXX; mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano)
    Bico da Geira (m.p. XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
    Volta do Covo (m.p. XXXII; 22 miliários, entre eles aos imperadores, Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, Caracala, um a Constantino II, Constâncio II e Constante I, etc.)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco)
    Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco)
    Albergaria (m.p. XXXIII; 20 miliários, entre eles, a Constantino)
    Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue entre o rio Homem e a estrada actual)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios)
    Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

    Portela do Homem (m.p. XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Querquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
    Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (m.p. XXXVI; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

    Continuando em direcção a Astorga:
    Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até AQUIS ORIGINIS a segunda mansio referida no I.A. que fica em Baños del Rio Caldo (Lobios). Na sua rota até Astorga, a «Via Nova» tinha as seguintes estações ou mansiones.
    Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
    Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
    Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
    Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos, este na milha LXXI)
    Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS; milha LXXXVII, 87)
    Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO; junto à Igreja; milha CV)
    Ponte Navea (milha CXIV?; reconstrução medieval de uma ponte romana sobre o rio Navea; 2 miliários anepígrafos e um miliário a Tito; entra no território Asturicense)
    Pobra de Tivres (NEMETOBRIGA em Mendoia; milha CXVIII)
    Ponte Romana de Bibei (milha CXXI; magnífica construção romana, uma das pontes melhor conservadas na Península; existem dois miliários junto da ponte, um miliário a Tito, indicando 94 milhas a Astorga, e o outro um miliário dedicado a Trajano; outra inscrição dedicada a Trajano jaz no fundo do rio e indicava que a ponte foi construída pelos Aquiflavienses tal como a Ponte de Chaves)
    Ponte Romana da Cigarrosa sobre o rio Sil (conserva os alicerces romanos)
    Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
    Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
    Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
    Ponferrada (exploração mineira «Las Médulas», património mundial)
    Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
    Astorga (ASTURICA AUGUSTA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja 318 km desde Braga)

    VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque

    Mapa










    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
    BRACARA
    AQUIS CELENIS
    VICO SPACORUM
    AD DUOS PONTES
    GLANDIMIRO
    TRIGONDO
    BRIGANTIUM
    CARANICO
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARI
    BERGIDO
    ASTURICA

    stadia CLXV
    stadia CXCV
    stadia CL
    stadia CLXXX
    m.p. XXII
    m.p. XXX
    m.p. XVIII
    m.p. XVII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. L
    Este itinerário seria uma alternativa à Via XIX por via marítima, atendendo à designação per loca maritima, ou seja «por locais marítimos», e ao facto das distâncias entre as primeiras estações serem apresentadas não em milhas, como nos restantes itinerários, mas em estádios (um stadia equivale a cerca de 184,7 m), unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, na sua fase inicial este itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Aquis Celenis, Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, tomando depois a via terrestre em direcção a Lucus Augusti (Lugo), onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial da via em território português continua a ser alvo de grande controvérsia pois não existem indícios de existência de uma via romana militar ao longo da costa (apesar de existirem vias secundárias); desde logo, até hoje não foi encontrado qualquer miliário que possa ser atribuído a essa suposta via, ausência de todo inusitada nas vias principais que saíam de Bracara Augusta, sempre pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. Alguns autores atribuíram o miliário de Chamosinhos a esta via, mas é mais provável que este tenha sido deslocado da Via XIX que passa a apenas 6 km a nascente, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria muito provavelmente junto a Capela de S. Miguel em Fontoura. A segunda dúvida prende-se com a localização de Aquis Celenis; de facto a incoerência entre a distância indicada neste itinerário XX de Bracara a Aquis Celenis (165 estádios, cerca de 30,5 km) e o somatório obtido das distâncias intermédias indicadas no Itinerário XIX entre as mesma estações (99 milhas, cerca de 147 km), indicia a existência de dois locais diferentes, ambos designados por Aquis Celenis (ou com grafia muito próxima), um situado em Caldas dos Reis (Pontevedra) e outro situado na frente Atlântica, o que explicaria esta aparente discrepância nas distâncias indicadas no I.A. Assim, a hipótese mais provável seria um percurso terrestre comum à Via Romana XIX até Tudae e daqui por via fluvial até à foz do rio Minho, num trajecto que perfaz as cerca de 30,5 km indicados no itinerário (165 estádios); deste modo o porto de Aquis Celenis corresponderia a Caminha; as estações iniciais em território nacional estão omissas dado estarem já indicadas no Itinerário XIX, tal como acontece na descrição do Itinerário XIV Lisboa-Mérida que omite as mansiones no troço entre Lisboa e Santarém, dado estas já serem indicadas quer no Itinerário XV também para Mérida quer no Itinerário XVI para Braga. Apesar da aparente inexistência de uma via terrestre alternativa à Via XX pela costa, existem muitos outros caminhos romanos em toda a região Atlântica que foram incluídos aqui para maior facilidade de leitura, incluindo uma hipotética alternativa por via fluvial, dado que na época romana o rio Cávado era navegável até ao porto fluvial de Areias de Vilar, ligando depois a Braga por via terrestre. (vide Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Maside, 2001; Crespán, 2015).

    de Braga a Areias de Vilar
    Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia a decumanus aproximadamente pela rua de S. Sebastião, seguindo depois à esquerda pela rua Direita, passando entre o Anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Padre Cruz, rua da Naia, antiga calçada no lugar de Ferreiros)
    Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada)
    Porto Martim (villa na Igreja; provável mutatio; Almeida CAF, 1972a; segue a rua da Estrada Real por St. António e Venda)
    Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento; segue talvez por Vilarinho, Lajes e junto da Capela S. Sebastião, onde apareceu tégula, assim como na Capela de Sta. Maria Madalena)
    Areias de Vilar (calçada; ara na Igreja de S. João Baptista, provavelmente proveniente do vicus em Aveleira)

    Alternativas a partir do Porto de Areias de Vilar:
    • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Fão e Esposende para depois rumar à Galiza por mar rumo a Aquis Celenis.
    • Seguir por hipotética via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando sucessivamente as vias N-S que corriam rumo a Tudae, primeiro a via proveniente de Famalicão em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via karraria antiqua proveniente de Cale na Barca do Lago, já próximo da sua foz.
    • Rumar a norte em direcção a Ponte de Lima, cruzando o rio Cávado na Bouça do Barco ou no Vau de Manhente, continuando depois rumo à Ponte do Anhel onde cruzava o rio Neiva pelo itinerário descrito abaixo.

    de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
    É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas como «pousada», «breia» e «fonte da breia». Partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja S. Pedro de Alvito; em S. Martinho de Alvito, ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial), continuando por Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima.

    da Barca do Lago ao Vale do Lima pela Ponte de Fragoso
    Itinerário que deriva da karraria antiqua/via veteris após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção nordeste rumo ao rio Lima; esta rota seguia por Terroso em Palmeira de Faro (junto do castro romanizado do Senhor dos Desamparados e da villa da Linhariça), contornava o planalto de Vila Chã (junto do povoado de Barbeitos), seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada; referência à «carraria» na Carta do Couto de Fragoso em 1127), continuando depois por Barroselas e Portela de Susã (vestígios junto da Igreja; ver abaixo bifurcação), Sta. Maria de Geraz do Lima (villa a 80 m da igreja paroquial que reutiliza silhares romanos tal como na Igreja de Sta. Leocádia, onde apareceu uma ara anepígrafa e um capitel toscano) e Moreira de Geraz do Lima, atravessando o rio Lima no sítio da Passagem. Na outra margem a via teria continuação para norte, passando na vertente nascente da Cividade de Lanheses (castro romanizado relacionado com as minas de estanho de Cova Alta/Olas e Alto das Mouras, e a mina de ouro de Bouça do Moisés), continuando por Rouparias (necrópole) para S. Lourenço da Montaria, passando próximo do Castro de Castelão. (Almeida CAF 1968: 36; Almeida CAB 2003: 336).
    • Diverticulum de Portela de Susã ao rio Lima/S. Salvador da Torre, seguindo por Subportela (vestígios na Igreja Paroquial), seguindo a vertente nascente do castro romanizado do Santinho ou de Roques por Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia), Deão (villa junto da igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião) rumo à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre. Daqui a via rumava a norte em direcção à Ponte de Tourim conforme descrito a seguir.
    • Vila Mou (importante vicus localizado entre as duas travessias do Lima, junto do povoado pré-romano do Monte da Cividade, relacionado com as explorações de estanho em Rasas e Mata; villa tardo-romano no sítio do Passal, com a necrópole a nascente; ara votiva a Júpiter colocada por Rufus Grovius desaparecida, inscrição a Victoria, fustes de colunas e capitéis)
    • Ligação de S. Salvador da Torre a Caminha pela Ponte de Tourim: via medieval com possível origem romana ligando a travessia do Lima em Torre a Caminha, seguindo por S. Paio de Meixedo (estátua de guerreiro colocada pelo Tubenenses?; minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas), Vilar de Murteda (continua próximo das minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário, e Chão da Pica), Amonde (passa junto do casal situado na encosta do Alto das Folgueiras, possível mutatio, e no sopé do castro romanizado do Alto da Corôa), seguindo para a travessia do rio Âncora na Ponte Medieval de Tourim (possível fundação romana dado que na sua reconstrução no séc. XVIII apareceu a inscrição ...MAN IM IN MNS; OAP, 5:176), continuando por Orbacém (EM526-1), Gondar, Dem, Azevedo (tégula em Paço) e Venade (castro romanizado no Alto do Coto da Pena), passa em Vilarelho, chegando pela rua da Corredoura a Caminha.
    • Ligação da Ponte do Fragoso/Neiva a Viana do Castelo: via medieval com importantes vestígios romanos, seguindo próximo do povoado tardo-romano entre Páuso e Padrão, topónimos viários, passando na igreja), continuando por Alvarães onde poderia bifurcar, seguindo para noroeste por Valverde, Breias, Vila Fria e Ponte Pedrinha para Darque e Viana do Castelo, ou continuar para norte pela Vila de Punhe, seguindo pelo vale da vertente oeste do castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, «Caminho do Penedo Ladrão» que passa defronte do Castro de Sabariz e desce por Pinheiro, próximo do povoado romano da Regadia, rumo ao rio Lima (Barca do Porto?).

    de Famalicão a Barcelos
    Estrada medieval entre Famalicão e Barcelos com possível origem romana atendendo às referências a uma «karraria antiqua» e «estrata de vereda» num documento do ano 906 que delimita a «villa» de Sta. Eulália (PMH DC 13), actualmente a freguesia de Sta. Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à fonte de águas medicinais que ali existe que foi estação termal na época romana e medieval (Almeida, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» que deverão corresponder a vias romanas, nomeadamente a que seguia directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos e logo a localização da via; atendendo ao terreno é possível que a via principal para Barcelos seguisse junto dos cabeços da montanha entre o Monte da Saia e o Monte de Maio, por onde descia ao Cávado; partindo de Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus ou Corougiai Vesucus , hoje no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço e na Qta. da Honra de Fralães apareceu uma lápide de um legionário, hoje no MSMS com o nº 43), continua por Carvalhos (EN306-1 até S. Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de S. Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Qta. do Perdigão, traseiras da Qta. do Paranho, Capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Qta. da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Sta. Eugénia do Rio Covo.

    de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
    Este importante eixo medieval tem certamente origem romana dado os imensos vestígios dessa época ao longo do seu percurso que interligava o vale do Cávado ao vale do Lima pelo Vale da Facha num traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva no local da Ponte Medieval das Tábuas (ponte já mencionada num documento do ano 1135) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, onde se achou um miliário muito provavelmente deslocado da Via XIX que não passa longe, podendo indicar o ponto onde esta via secundária confluía na Via Romana IV entre Bracara Augusta e Lucus Augusti.

    Barcelos (seguia talvez para Abade de Neiva por Breia e junto da villa da Qta. do Castelo, a II milhas de Barcelos, na base do castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre)
    St. Leocádia de Tamel (passa na Igreja, milha III?)
    Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas)
    Tamel/S. Pedro de Fins (milha V?; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (PMH DC 443)
    Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (mamoa e povoado na Bouça da Mó; milha VIII?)
    Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Qta. das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da Capela de S. Martinho e Mó)
    Poiares (milha X?; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro)
    Vitorino de Piães (milha XII?; passa junto dos povoados de S. Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade)
    Portela, Facha (milha XIII?; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
    Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
    • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela margem esquerda do rio Tinto, EM1259, passando junto da necrópole do Paço Novo, relacionada com a villa tardo-romana de Paço Velho (a cerca de 200 m) e na base do castro romanizado de St. Estevão/Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, rumo à travessia do rio Lima no lugar da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos por Arcos (passando nos sítios romanos da Qta. da Laje, villa da Qta. dos Pentieiros e Mina de Casais, onde há também um castro) e Estorãos (na igreja paroquial apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico por uma originária de Talabriga, hoje no MNA, talvez proveniente do povoado da Bouça do Castro/Castro do Formigoso; a via deveria ladear o casal? no lugar do Rei, EM1228), continuando pela Ponte do Arquinho em Pica e Breia rumo a Portela de Cabração (topónimo Poldras), seguindo de encontro à Via XIX, na zona entre Romarigães e Coura.

    Facha (a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na Capela de S. Sebastião e junto da villa do Prazil, talvez a milha XV pois fica a 1 milha de Maria Velha, com vestígios de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro, milha XVI?)
    Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia)
    Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

    Via BRACARA AUGUSTA ad AUGUSTA EMERITA

    Mapa














    Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades no levantamento do seu percurso. Na verdade não é seguro que existisse uma via imperial ligando as duas cidades dada a dificuldade em definir um percurso pelo caminho mais curto que teria necessariamente de fazer a sempre difícil transposição do rio Douro; aparentemente há duas rotas possíveis, uma seguindo por Viseu - Serra da Estrela - Ponte de Alcântara e outra pelas proximidades de Lamego e da Guarda, contornando assim pelo nordeste o grande maciço da Estrela, não se sabendo ao certo a qual destas rotas seria a via principal para Mérida, caso existisse essa distinção. A norte do Douro há apenas quatro miliários conhecidos relacionados com esta via, um em S. Martinho de Sande, atestando a passagem da via a sudoeste de Guimarães, e já próximo do Douro, os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com exemplares em Tuías, Freixo, Soalhães e Carreirinha, pontuando o percurso da via rumo ao rio Douro. Os traçados a sul do Douro são ainda mais obscuros, dada a ausência de miliários, e os poucos vestígios de viação antiga nesta região muito dificilmente poderão ser atribuíveis a uma via desta importância. Perante estas incertezas, o itinerário proposto tenta agregar os troços conhecidos da forma coerente. Partindo de Braga, a via cruzava a Serra da Falperra e descia a S. Martinho de Sande rumo à travessia do rio Ave na ainda preservada Ponte Romana de Campelos para logo depois dividir-se em três possíveis rotas às quais correspondem as três travessias sobre o rio Vizela na época romana, S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Arco de Vila Fria que por sua vez ligavam a importantes travessias do rio Douro em Cale, Várzea do Douro, Porto Manso, Caldas de Aregos e Porto Antigo. Seja como for, as diversas variantes teriam de rumar a Belmonte (Centum Cellae e Qta. da Fórnea), onde a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro em direcção a Idanha-a-Velha e à splendidissima Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde fazia a travessia do rio Tejo, seguindo depois rumo a Mérida. Para ultrapassar as muitas incertezas o itinerário foi dividido por troços: de Braga a Viseu por Tongobriga, Viseu a Belmonte (transpondo a Serra da Estrela) e finalmente de Belmonte a Mérida.

    Braga (Bracara Augusta) - Guimarães/ Rio Ave - Freixo (TONGOBRIGA)
    Braga (a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal, hoje muito alterado pela Av. da Liberdade, até S. João da Ponte, onde fazia a travessia do rio Este)
    Fraião (continua pela EN309 por Santo Adrião, milha I, rua do Espadanido, Calçada dos Padres, rua da Fonte Seca, milha II, rua Campo da Escola, rua da Boavista até confluir na EN309, ascendo depois pelo caminho terra paralelo a esta estrada)
    Serra da Falperra (castro romanizado do Monte Sta. Marta das Cortiças; a via atravessa o santuário, onde venceria a milha III e inicia a descida)
    Balazar (troços lajeados na descida para Carvalheiras/Laje, na milha V, e segue a rua Outeiro de Oleiros e rua Duas Vendas, junto da Qta. da Carreira)
    S. Lourenço de Sande (do sítio «Estrada Velha», seguia por rua Cimo de Vila/Lapa e rua Quatro Irmãos)
    S. Martinho de Sande (habitat; em 1855 apareceu um miliário a Trajano na casa paroquial, CIL II 6214, hoje no MSMS com o nº 78; talvez indicasse a milha VI a Braga que era vencida um pouco antes, no sítio dos Quatro Irmãos, onde poderia existir uma estação viária tipo mutatio)
    • Diverticulum para Caldelas / Taipas: em Pontes poderia atravessar a ribeira de Paus e seguir segue por Lameiras e Alvite rumo às Caldas das Taipas, onde no século XIX apareceram vestígios de um complexo termal, logo soterradas, associado a um vicus (Ara de Trajano, imponente penedo junto da igreja com inscrição honorífica a Trajano; ara votiva às Ninfas).
    S. Clemente de Sande (pela rua Vinhas, cruza a EN101 junto do cemitério, e continua pela rua do Cruzeiro, milha VII junto do cruzeiro da «Casa da Mogada», rua Trás do Rio, em Vieite continuava pelo caminho da Torre)
    Vila Nova de Sande (milha VIII, rua do Falcão, rua de Santarém, na Igreja toma o caminho de Lajes, passa a asfalto na travessa das Cruzes, continua por Souto, milha IX, e desce ao rio pela rua 10 de Junho)

    Ponte Romana de Campelos sobre o rio Ave, S. João da Ponte (imponente ponte romana com 4 arcos com muita da sua construção original ainda intacta; mutatio?; pousada medieval)
    • A ponte é referida num documento do ano 957 e noutro de 1059 como «ponte petrina» (PMH DC 71; PMH DC 420); neste último documento surge também uma referência à via romana como «strata maior»; num documento do ano 924 de doação de terras em Portela dos Leitões também é referida uma «uia antiqua» e uma «carrariam maiorem»; «uia antiqua et uadit post in porte de Goncado. et inde per carrariam maiorem que uadit ad ecclesiam sancti martini» (VMH LXIII).
    • Após cruzar o Ave na ponte romana, a via seguia por Silvares, atendendo à referência a uma «carreira antiqua» num documento do ano 1079 (PMH DC 570); a zona está muito alterada devido à construção do nó da A11, mas talvez seguisse por Venda do Porco/Capela Sr. dos Aflitos (milha X), cruza a A11, Costa, Corgo (milha XI), Carvalhais, cruzeiro/cemitério, atravessa o rio Selho talvez entre Mouril e Rebôto (milha XII); mais adiante a via dividia-se nas 3 rotas para o rio Douro.
    • O Museu Martins Sarmento em Guimarães guarda o miliário de S. Martinho de Sande pertencente a esta via para Mérida e mais 5 miliários encontrados no aro de Braga, os 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado, nº 77, o miliário da Qta. de Germil, nº 82, e ainda mais 3 miliários oriundos da Qta. do Cravinho, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Caracala e Cómodo, nº 79, o miliário a Constantino Magno e regravado no tempo de Constâncio II, indicando 36 milhas, nº 80, e finalmente o miliário a Valentiniano e Valente, nº 81. Vasta colecção de epígrafes no museu: ara à divindade CORONVS , nº 18, achada no Campo de Pinheiros, Casal do Castro, Serzedelo, talvez proveniente do povoado da «Cidade de Pedraúca», assim como a ara a Júpiter, nº 32, achada na Casa Paroquial; ara NYMPHAE LVPIANAE de Tagilde, nº 34; ara NYMPHAE, nº 33, achada em Guimarães, na rua 5 de Outubro nº 8).

    As 3 rotas romanas rumo ao rio Douro
    A existência de três travessias do rio Vizela em época romana (S. Martinho do Campo, na Ponte Romana de Negrelos; Caldas de Vizela, talvez por barca pois a ponte dita «romana» é medieval, Vila Fria, na Ponte Romana do Arco de Vila Fria) indiciam que a via dividia-se pouco depois da travessia do Ave na Ponte de Campelos, seguindo pela primeira para Cale (Porto), pela segunda rumo a Magnetum (Meinedo) e pela terceira seguia para a Tongobriga (Freixo) e daí ao Douro, trajecto aliás pontuado por alguns miliários; este último itinerário poderia ser a via principal para Mérida dado passar nessa importante cidade.

      Rumo ao Porto (Cale) pela Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
      Os silhares almofadados com marcas de fórfex da Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela em São Martinho do Campo, atestam a existência de uma ponte anterior na via romana para Cale e que funcionava assim como diverticulum do eixo Braga-Mérida que seguia sudoeste da cidade de Guimarães; «ponte lapidea» num documento de 983 (VMH 17); «ponte de auizella» num documento de 1059 (PMH DC 420); ver itinerário no sentido inverso na Via Cale ad Vimaranis.
        Outras ligações a partir da Ponte de Negrelos:
      • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca na Via Guimarães-Vizela-Meinedo.
      • Rumo a Paredes e Castro de Vandoma, de encontro à Via Cale - Tongobriga, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e S. Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Monte do Socorro por Portelas, Lamoso (ara votiva a Turiaco na igreja paroquial, hoje no Museu de Sanfins; dólmen; pela rua do Progresso e da Corredoura, cruza a EM513-4 em Vista Alegre), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros; rua da Boavista, Cales), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, hoje São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, S. Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte de Vila Boa da Arreigada (rua dos Ferradores e da Calçada) e segue para Paredes por S. Martinho e Aboim (topónimo rua da Ponte Romana).
      • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota medieval com possível origem romana, desviando da anterior para Codessos, Raimonda (Povoado de S. Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de S. Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

      Rumo a Meinedo (Magnetum) pela Ponte de Vizela (Oculis Caldarum)
      Este itinerário segue na direcção da chamada «Ponte Romana» de Vizela, junto do vicus Oculis Caldarum que hoje apresenta uma construção medieval embora possa ter existido uma anterior romana; o itinerário continua pelo concelho de Lousada rumo ao importante vicus de Magnetum situado em Meinedo, antiga sede de um bispado suévico, descendo depois em direcção à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios passando junto do importante Castro Romano do Monte Mozinho ou seguir na direcção de Tongobriga no Marco de Canaveses. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa no seu artigo Eixo Viário Romano Oculis -Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada. (vide Sousa, 2012; Mendes-Pinto, 2008)

      Guimarães (derivava possivelmente da Via para Mérida em Urgezes (na Sra. dos Remédios, onde há topónimos viários como Qta. da Carreira e Breia) e seguia pela base do povoado do Monte de Lijó na Polvoreira, continuando por Bouça da Quinta para Infias (outra Qta. da Carreira), seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, hoje no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que denuncia a passagem da via na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela)
      Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal; duas inscrições a Bormanicus, denunciam o culto a esta divindade termal, uma apareceu no sítio da Lameira, actual Praça da República, hoje no MSMS com o nº 76, e outra provém do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e a desaparecida inscrição da Qta. do Sobrado dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis Lupianis, divindade aquática de Lupiana, achada no passal da Igreja de Tagilde, hoje no MSMS com o nº 34)
      Ponte Romana?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; construção medieval não havendo indícios de uma ponte anterior romana, podendo a travessia fazer-se por barca ; na outra margem segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
      Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 por Portelas, Baixinho e Carreira Chã; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Qta. de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta última dedicada à divindade Castaecis pelo lapidário Reburrinus)
      Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
      Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira, passando na Capela de Sta. Águeda e S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira e rua da Loja para a travessia do rio Mezio junto da Qta. de Eira Vedra, provável villa onde apareceu uma estela funerária, hoje no MNSR )
      Covas
      Ordem (antes de Servecia ascende ao castro)
      Cristelos (contorna o Castro de S. Domingos; casa romana junto da EM1132, a meia encosta da vertente sudeste)
      Boim (forno em Irmeiro; segue por Arcas)
      Travessia do Rio Sousa na Ponte Romana?-Medieval de Espindo (calçada próximo com 100m)
      Meinedo (MAGNETUM) (vicus estendia-se por Casais, Igreja Paroquial e Qta. dos Padrões, junto da estação C.F.)

      Itinerário Meinedo (Magnetum) - Freixo (TONGOBRIGA)
      Meinedo (continuação do itinerário anterior a partir da travessia do rio Sousa ma Ponte de Espindo, seguindo por Carreira Branca)
      Croca (percorre o Vale da Croca pelo caminho que passa a sul de Paredes e Carvalhos, continuando depois por calçada rumo aldeia ou vicus viário de Santa Marta)
      Ponte Romana?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum (no lugar da Portela, EN589, ao lado da ponte nova; continua por Carvalhos e Linhó, passa junto do Castro de Quires e segue por calçada pelo Alto de Vide Basta/Bidebasta, junto à Capela do Divino Salvador (100 m lajeados), e depois por Pedra, Buriz/Boriz, Arvio, Torre, Avessões, passa junto da villa de Urrô e da Capela de Penides, continuando por São Pedro e Rua, onde entronca na via que vinha por Felgueiras e Vila Cova da Lixa)
      seguindo para Sobretâmega para a travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana e daqui ao Freixo (TONGOBRIGA) (Dias, 1997: 307-308)

      Itinerário Meinedo (Magnetum) - Eja (Anegia?)
      Bustelo (da Ponte de Espindo segue talvez por Torre, Tresvia e Padrão, topónimos viários; necrópole em Monteiras)
      Penafiel (segue junto do sítio romano da Igreja de Santa Luzia; ver Museu de Penafiel)
      Póvoa de Marecos (povoado romano junto da Capela da Ns. do Desterro, local onde apareceu uma ara dedicada a Nabia, hoje no Museu de Penafiel, e um tesouro; a necrópole fica no lugar da Pedreira)
      Rans (atravessa o rio Cavalum em Ponte Nova e um seu afluente na pequena Ponte de Lardosa ou Ponte Velha, hoje abandonada)
      Galegos (segue pela base do castro romanizado de Abujefa; necrópoles em Bairro e no passal da casa paroquial; tesouro em Boavista e Qta. do Bairro)
      Oldrões (provável nó viário do vale da ribeira de Camba, na base do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no excelente Museu de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; desvia talvez da EN106 pela rua do Perrelo, travessa das Sete Pedras, rua de Real de Cima e rua Fonte da Arcanja até ao cruzamento na EN106, onde segue a EM590-1 para Quintãs.
      • Ligação Oldrões - Monte Mozinho: acesso ao castro romano de Mozinho, derivando no cruzamento de Oldrões para sudoeste rumo ao lugar da Sra. dos Caminhos em Valpedre (topónimo Pousada), subsistindo ainda um troço lajeado na subida para Mesão Frio, nó viário, onde cruzava com a via Mozinho - Eja/Entre-os-Rios que seguia pela crista da serra.
      • Ligação Oldrões - Várzea do Douro: do cruzamento de Oldrões, partiria uma via rumo a sudeste com possível origem romana, cruzando a ribeira da Camba e subindo a encosta por um notável troço lajeado da calçada entre Bodelos e Agrelos, hoje designada por «Rua da Via Romana», continuando por S. Miguel de Paredes, pela rua da Sagrada Família, Fonte Carreira, rua da Via Romana, rua Cimo de Vila, rua do Calvário e rua 1º de Maio até Lajes, seguindo depois para o Cruzeiro das Lampreias, bifurcando junto do Igreja do Sr. dos Aflitos para as diversas travessias do Tâmega que entroncavam na outra margem no eixo viário romano no direcção NE-SO entre a cidade de Tongobriga e o vicus da Várzea do Douro:
        • rumo à Foz do Tâmega, seguindo a meia-encosta por Jugueiros rumo à foz do rio Tâmega em Entre-os-Rios.
        • rumo à Barca da Ribeira/Barca do Souto, seguindo por Perosinho, Corcumelos e Sra. dos Remédios até Rio de Moinhos rumo à travessia do Tâmega na barca medieval da Ribeira ou na Barca do Souto, ambas comprovadamente usadas no período medieval, mas que poderiam já estar em utilização na época romana.
        • rumo à Barca da Várzea, seguindo para nordeste pela rota da EN312, talvez pela rua Vales, rua Avessadas, EN312 até Montinho de Baixo, onde desce à direita por Barreiros e Granja de Cima até Passinhos, antigo povoado romano, e não longe do casal romano da Bouça do Ouro, 1km a montante, descendo depois ao rio pelas traseiras da Capela dos Passinhos, onde existe restos da calçada na descida ao rio.
        • Via ao longo do Tâmega, a ligação entre as diversas travessias do Tâmega, poderia ser feita por uma via SO-NE com origem em Entre-os-Rios e seguindo ao longo da margem direita do Tâmega, actual rota da EN312, por Rio de Moinhos, Boelhe, Ribela até Boriz, onde entronca na via para Cale Tongobriga.
      Valpedre (continua pela EM590-1 por Maragossa, Cavadas e Vilela)
      Pinheiro (Termas Romanas de S. Vicente, designada por villa banius no ano 1047, PMH DC 357; a via seguia pela EM590-1, passando entre a zona termal e o castro romanizado do Outeiro Divino)
      S. Paio da Portela (continua por Curveira e entronca na EN319, saindo pouco depois pela EM580-1 por Outeiro, Ponte das Ardias, Abôl, S. Sebastião, Alminhas e S. Miguel até à base da Cividade)

      Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade/ de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas)
      • Ligação Eja - Castelo de Paiva - Arouca: é possível que esta via continuasse na outra margem do rio Douro por Castelo de Paiva, de encontro à via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro/Castelo de Fornos que seguia para Arouca (?); seguia talvez por Vila Verde, passando próximo das necrópoles do Campo da Torre (epitáfio de Avitianus), do Terreiro (ara a Laribus Ceceaicis, FE 470) e de Santa Cecília (tesouro)
      • Ligação Eja - Pejão - Fermedo: uma outra hipotética via seguia para sudoeste por Sardoura (marginando o castro romanizado do Pedregal e o Castro de S. Gens; necrópole em Valbeirô, no vale), continua por Carreira (necrópole de Valdemides em Cruz da Carreira), Ribeiro, Portela, Sabariz, Pejão e Almansor, onde cruza o rio Arda (no sítio de Balaído), continua por Lázaro, Baloca, Alto do Vizo, Covelas, Belece, Parameira, Fermedo e Cabeçais, onde cruza a via Porto - Viseu.



















    Guimarães - Ponte do Arco - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via integrada no Itinerário Braga-Mérida, passando em Felgueiras e Marco de Canaveses rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços; (Almeida, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320).

    Guimarães (a via romana proveniente de Bracara seguia a sudoeste da cidade medieval rumo à Ponte do Arco de Vila Fria, cruzando o rio Ave na Ponte Romana de Campelos, seguindo depois por Santiago de Candoso (inscrição rupestre num penedo no lugar de Chãos onde se lia AVICIRF/I/DH) e talvez por Veigas, Belavista, Igreja, Santo Amaro, Vista Alegre, onde cruza a EN101 e segue pela rua de Covas (cortada pela CF) continua pela rua Portelinha da Sra. dos Remédios, divisória entre as freguesias de Urgeses e Polvoreira, referida nas Inquirições de Afonso III em 1258 como a «viam veteram de Ladroeira» (VMH p. 284); continua por Vila Chã e ascende pela rua da Devesa a Paredes, onde toma a EM580 que passa nas proximidades da Qta. do Assento em Pinheiro e em S. Tomé de Abação (sepultura na Devesa Escura/Lapinha; villa de onde será proveniente a urna cinerária de Sulpício, no MSMS com o nº66), contorna o Castro agrícola da Boavista em Gémeos e desce à Ponte do Arco; uma outra via a nascente afluía também à ponte, passando nos topónimos viários Pousã (Km 121 da EN101), Hospital, Portela, Venda da Serra, Cimo do Eiriz, descendo ao rio por Bouças do Arco)
    Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria, sobre o rio Vizela (reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a jusante da ponte, no lugar de Sá, apareceu um cipo funerário, hoje no MSMS como o nº ; a calçada começa à direita da saída da ponte e sobe pela vertente poente do Castro do Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani erigida por um Brácaro, hoje no MSMS com o nº 47)
    • Possível ligação a Sendim, derivando da Ponte do Arco para sudeste rumo à villa romana de Sendim (vídeo); há um troço de 400 m de calçada em Lourido e um trecho no lugar da Estradinha, talvez relacionada com esta via, mas para onde seguiria?
    Pombeiro de Ribavizela (sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
    Sta. Eulália de Margaride, Felgueiras (em Água Empregada/Campas, a via sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco e Forca, nó viário de onde partia a variante abaixo)
    • Variante de Felgueiras a Tongobriga por Recezinhos
      Este itinerário deriva da via Bracara-Tongobriga no lugar da Forca em Varziela, onde poderia ter existido uma mutatio, e seguia para a travessia do rio Sousa na Ponte de Barrimau, entretanto destruída nos anos 80 e substituída pelo actual pontão em betão (!), estrutura com indubitável origem romana dado existirem fotografias da obra mostrando o intradorso do pilar direito ainda com o aparelho almofadado romano original (Sousa, 2003). Partindo do cruzamento da Forca, a via segue a estrada local por Pedra Maria, contorna o Bairro de S. Miguel pelo oeste até entroncar na EN207 que passa a seguir no essencial, passando por Estrada, Cimalha, Longra, Monte Belo, Moutas, Paço e Unhão, desvia junto da igreja românica da EN207 e segue por Cruzeiro, Sargaça, Covas para S. Miguel de Lousada, continua por Cernadelo, Ponte do Moinho sobre a ribeira das Barrosas, Cavadinha, Casas Novas, Agrela, Barrimau de Cima, cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, continuando por Caíde de Rei (passaria junto da villa e necrópole de Vila Verde e depois pela EN207-2 que segue pela estação CF, Almeida, Tapada de D. Luís e Lordelo), S. Mamede de Recezinhos (cruza a EN15 na Serrinha e continua por Portela e junto do povoado romano da Suvidade), S. Martinho de Recezinhos (castro romanizado e necrópole na Qta. do Castro em Vilar; continua por Portela, Venda do Campo, Alminhas e Soutinho, divisória com a freguesia de Castelões; topónimos Carreira e Corredoura), continua pelo CM1244 que divide as freguesias de Vila Boa de Quires e Constance, seguindo por Monte do Ladário (contorna a atalaia no Alto da Poupa) até Venda Nova de Cima, onde reencontra a via Braga-Mérida proveniente do Alto da Lixa, seguindo por Barrias e Rua rumo à travessia do rio Tâmega em Sobretâmega e daqui a Tongobriga (Almeida et al., 2008; Sousa, 2013).
    • Ligação de Felgueiras a Magnetum: Esta via, com possível origem no castro de Macieira da Lixa, passaria nas proximidades das necrópoles de Veigas e de Maçorra (perto do rio de Passarias), cruzava a via principal em Caramos e seguia por Airães (junto da necrópole do Monte das Campas e próximo do povoado e necrópole do Outeiro de Babais), Vila Verde (necrópole em Eido), Aião (passando no sopé do castro da Trovoada em Sta. Cristina de Figueiró), Torno, Vilar do Torno e Alentém (casal? no lugar da Herdade), podendo daqui seguir pela Qta. dos Ingleses para a travessia do rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau rumo a Lousada, onde cruza a variante anterior, ou continuar por Caíde de Rei rumo a Magnetum (Sousa, 2013).

    Continuação para Tongobriga:
    Continuação da via a partir do nó viário da Forca em Varziela, actual CM1175, seguindo por Barreiras, Venda, Várzea e Camarinho para cruzar o rio Sousa no pontão do Ameal (?), seguindo depois em calçada por 350 m entre o Castro de S. Simão e Devesa Alta por Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita por Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas e Santo, confluindo com EN101 junto do campo de futebol.
    Vila Cova da Lixa (a via passava na base do Castro do Ladário/Alto da Lixa e seguia para o sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, nó viário de onde partia a ligação a Amarante; o topónimo Arrifana remete para uma estação viária neste local, talvez uma mutatio)
    Freixo de Cima (de Campelo segue talvez próximo do Alto do Monte da Sorte por Bouça e Várzea)
    Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta)
    Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada)
    Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do castro)
    Vila Caiz (continua por Furnas e Fermentães)
    Travessia do rio Odres (em Livração)
    Constance (segue por Venda Nova de Cima e de Baixo)
    Sobretâmega (segue até à Igreja de Sta. Maria; antes da Barragem do Torrão submergir esta área, a via seguia em direcção ao Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem pela rua de Canaveses, aldeia de Pisão e Rua, onde confluía com a via que vinha por Meinedo, já próximo da ponte)

    Ponte Romana sobre o rio Tâmega (com 5 arcos, seria uma das maiores pontes romanas em território nacional que terá sido reconstruída no séc. XII reaproveitando partes dos arcos e parte do 1º pegão da margem esquerda da anterior romana construída com silharia almofadada, elementos que ainda eram visíveis durante as obras de demolição e reconstrução realizadas em 1941; em 1988, a ponte ficou submersa sob as águas da barragem do Torrão e em 1991 foi dinamitada pela EDP (!); há notícia de uma "coluna cilíndrica" junto da ponte com a inscrição DIB. IOVVE; localiza-se a cerca de 3 milhas de Tongóbriga; Dias, 1995:265)
    S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro?; sobe a rua de S. Nicolau, onde ainda existe a antiga Albergaria de Canaveses, possível sucedânea de uma mutatio; ara a Cibele no Museu Municipal)
    Tuías (miliário a Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, Portela de Tuías, indicando a última milha antes de Tongobriga, hoje na recepção do Museu Municipal; daqui a via poderia seguir junto da Igreja Matriz de S. Salvador de Tuías, onde estava a ara aos Lari Cerenaeci, CIL II 2384, hoje no acervo do MNA)

    Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (importante cidade romana e capital de civitas designada por Tongobriga com base numa ara ao Genius Toncobricensium, CIL II 5564, achada no local e hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja onde se lia INVICTO/AVG.P.M / TRI.P.P.P.; este marco foi posteriormente mutilado e partes dele reapareceram em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde hoje se encontra; deveria indicar 3 milhas ao Tâmega; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando possíveis vici em Meinedo, Várzea do Douro e Quinta de Guimarães (Sta. Marinha do Zêzere), e já no actual concelho de Amarante, os vici de Gatão e Lomba)

    Viae ab TONGOBRIGA

    Tongobriga
    ad
    mons
    Maraonis




    Outras vias na civitas de TONGOBRIGA
    A importância viária de Tongobriga é atestada por uma rede de estradas romanas que cruzavam a região; além da suposta via principal para Mérida, existiam várias outras ligações secundárias de importância regional que ligavam a outros pontos relevantes do povoamento romano, nomeadamente para nordeste rumo a Amarante e Serra do Marão (mons Maraonis) e para sudoeste rumo à travessia do rio Douro junto do vicus de Várzea do Douro (Dias 1987, 1996, 1997 e 1998).

    Tongobriga a Amarante pela margem direita do rio Tâmega
    É possível que existisse uma via rumo a Amarante partindo da ponte romana em Sobretâmega e seguindo pela margem direita do rio Tâmega, percurso medieval que já estaria em uso na época romana visto que passava junto do vicus termal e viário das Caldas de Canaveses (necrópole; termas romanas Aquae Tamacana?) e da villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius que hoje está na Qta. da Pena, além de um tesouro monetário; atravessava o rio Odres talvez na zona da actual Ponte Românica do Bairro e seguia por Forcado, St. Isidoro (casal/necrópole no lugar do Castro em Alvim), Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vilarinho, Retorta, Carreira, Louredo, Fregim até Amarante, onde entronca no Itinerário Braga - Vila Real.

    Tongobriga a Amarante pelo curso do rio Ovelha:
    A via romana seguia paralela ao curso do Rio Ovelha rumo a Amarante e daí à Serra do Marão, seguindo pelas cumeadas dos montes e passando no vicus da Lomba. A travessia do rio Ovelha permite equacionar duas variantes, uma cruzando o rio Ovelha em Várzea e outro na Ponto do Arco.
    • Variante pela Ponte do Arco:
      Segue a EN101-5 por Tabuado (por Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica, Vendas e Estalagem), Várzea da Ovelha e Aliviada (por Outeiro, Portela e Burgo, próximo do Castro do Pinheiro), Folhada (casal em Moura); em Aldegão inicia a descida ao rio Ovelha, passando no sítio romano do Tapado da Igreja Velha para cruzar o rio na Ponte Românica do Arco, (os alicerces da margem esquerda indiciam uma construção anterior, talvez romana), ascendendo depois pelo lugar do Arco até confluir na EM570 em S. Salvador do Monte.
    • Variante pela Ponte da Várzea: no lugar das Vendas em Tabuado, desce o CM1251 por Canhões até à Ponte da Várzea (casal romano da Torre e villa da Telheira) e ascende até à EM570 que segue por Légua e Picoto, onde conflui na variante anterior.
    • Ligação a Carvalho de Rei: um ramal desta estrada poderia derivar em Folhada e seguir rumo ao castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei (ara a Júpiter, hoje no Museu de Amarante; outra ara serve de bica num fontanário).
    S. Salvador do Monte (passa junto da necrópole de Louredo das Almas e do habitat da Qta. do Couraceiro, seguindo entre o Alto do Santinho e o Alto de S. Salvador do Monte, onde há 6 sepulturas escavas na rocha)
    Lomba (passa em Estrada, junto do vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mutatio; descia depois da necrópole do Prazo a Padronelo pela «Quebrada» até Devesa)
    • Ligação a Moure: de Padronelo ascendia por Cruz e Venda (Moure) até confluir na via proveniente de Amarante rumo à Serra do Marão descrita no Itinerário Braga - Amarante - Vila Real.
    • Ligação a Gondar: a travessia do rio Ovelha poderia fazer-se no vau de Gondar onde bifurcava nos dois caminhos para a Serra do Marão, um seguindo por Aboadela pela vertente norte e outro pela vertente sul passando nas Minas Romanas do Teixo.
    • Via do Marão pelas Minas do Teixo: partindo da travessia do rio Ovelha no Vau de Gondar, a via seguiria por Vilela (habitat em Vila Leça) e Vila Seca (habitat em Paneleiros), junto do campo da bola toma a Calçada da Portela, Caminho da Costa, marginando o castro romanizado de Tubirei e o tesouro de Valinhos, continuando pelo Caminho da Tapada até Bustelo; a partir daqui a via subia à serra pelo Caminho do Alto da Sra. da Corba Chã ou Corvachã, desce depois a Murgido e ascende por Cimo da Vila ao chamado Caminho do Trigal, estradão que percorre a cumeada do monte e serve de linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto de um penedo com a inscrição Castra Oresbi; esta inscrição rupestre que tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira na zona (Lopes, 2000) poderá ser antes um marco territorial (Martins, 2009); a via continuava junto das Minas Romanas do Teixo no Alto do Penedo Ruivo, passa a poente Capela da Sra. da Serra, junto do marco geodésico (Dias, 1997),

    Tongobriga a Várzea do Douro, Foz do Tâmega:
    Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, derivando da via principal junto do miliário de Tuías ou do centro da cidade confluindo ambas no lugar do Bairral (Vila Boa do Bispo).
    • Vinda de Tuías seguiria a EN210 por Qta. do Outeiro (villa), Vilar, Mória (necrópole dentro do Convento de Avessadas), Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
    • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz (na base do castro homónimo), Rosém de Cima (no alto do monte, junto do possível casal romano de Casinhas), Alto do Confurco (junto da mamoa), Chentadiços e Bairral.
    • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristóvão de Sande (PMH DC 688), indicia um caminho alternativo rumo ao Douro, derivando do anterior em Rosém de Cima e seguindo por Bouça Baixa (calçada; pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266), descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, onde seguia à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde poderia bifurcar, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro, cruzando a ribeira, seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro.
    Vila Boa do Bispo (de Bairral segue a EN210 pelo lugares da Estrada e Lamoso)
    Favões (segue por Golas e Vila, passando a cerca de 500 m da necrópole da Tapada das Eirozes e a 1000 m da necrópole da Fraga, continuando por Requim de Cima e de Baixo)
    Alpendurada (segue junto do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário, mons kastro aratros em documentos medievais, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos)

    Várzea do Douro (vicus e possível mansio junto do porto fluvial romano hoje submersos pela barragem de Crestuma; sancto martino num documento do ano 964; os vestígios encontram-se dispersos por uma vasta área compreendida entre o rio Douro e a EN222, e desde os limites da Quinta da Várzea ao extremo leste do Alto das Penegotas, povoado fortificado romanizado que dominava esta travessia; principais núcleos na Quinta do Passal, Igreja Velha, residência paroquial, Quinta da Rua de Várzea, proximidades do cruzeiro e proximidades da Capela da Senhora da Guia); numerosas epígrafes atestam a importância deste vicus: epitáfio de Elávia; ara a Júpiter, hoje desaparecida; inscrição a Cláudio reutilizada num muro do Convento de Alpendurada e hoje nos respectivos claustros; ara a Manes na Qta. da Rua da Várzea; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999)
    Travessia Várzea do Douro/Bitetos - Outeiro do Castelo/Escamarão
    • TAMEOBRIGA: segundo Martins Sarmento em Castelo de Baixo, na margem esquerda do Douro, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, CIL II 2377, MSMS com o nº 14, divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; a sua localização oscila entre o vicus da Várzea do Douro na margem direita e o castro romanizado do Castelo de Fornos, na margem esquerda, sobranceiro à foz do rio Paiva, na base do qual apareceu a referida inscrição (este povoado poderá estar na origem do topónimo da sede do concelho, Castelo do Paiva).
    • Ligação à villa de Passos: desta travessia do Douro em Escamarão poderia derivar uma via rumo a Tarouquela, onde surgiram importantes vestígios romanos, em particular a importante villa de Passos (ara a Júpiter, FE 245) e os sítios romanos de Tudovelhos/Todovelos e da Lameira; a inscrição rupestre do Vimeiro, supostamente cortada de um penedo marginal ao Douro e hoje recolhida no MNA, parece indicar o nome deste local na época romana pois lê-se MIROBIEVS LOCO na epígrafe além de indicar o origo do promotor da inscrição, um [- - -]apiobricesis.

    Escamarão a Viseu: após a travessia do Douro no Cais de Bitetos/Outeiro do Castelo, a via rumava a Viseu pelo vale do rio Paiva, seguindo a «carraria antiqua» mencionada na documentação medieval (PMH DC 459); a via ascendia à Igreja Românica de Escamarão, onde existiam vestígios de calçada, cruza a EN222, sobe a Boavista e continua a cota alta paralela à EN222 pela rua da Lameira até Coutokarreira antiqua» num documento de 1120), sobe a Fonte Coberta, passando não muito longe da sepultura romana de Cancelhô e segue por Coveloincruciliadas» em 1107), Torre, Fornelos (referências à «carraria antiqua» e «caria antiqua» num documento de 1067 sobre a uilla fornellus; PMH DC 459); a partir daqui poderia tomar as seguintes hipotéticas direcções:

    Tongobriga
    ad
    Durius





    Durius ad Vissaium









    Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    É possível que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela; partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria numa das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas dos seus itinerários pouco ainda se conhece e ainda não se encontraram evidências de qualquer hierarquia que permitisse considerar uma destas rotas como a principal para Mérida; o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo pelo este poderia ser a rota preferencial, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu, não se podendo excluir a hipótese da estrada para Mérida fazer a travessia do Douro a montante, em Caldas de Moledo ou na Régua, seguindo depois na direcção da Guarda, evitando assim transpor a Serra da Estrela; sabemos por Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga) enquanto os Paesuri ocupariam a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere e Castro de Sampaio, ambos com vestígios de alguma monumentalidade, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

    Freixo (TONGOBRIGA)
    Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
    Soalhães (Suylanes na Idade Média; em lugar indeterminado da freguesia apareceu um miliário a Constantino II indicando a milha VIII, cerca de 11,8 km, contadas a partir de Tongobriga ou do rio Douro e hoje depositado no Museu Soares dos Reis, no Porto; as 8 milhas indicadas corresponde ao Lugar do Castro, na base do Castro de Soalhão; segue por Ladário e Outeiro)
    Lugar do Crasto, Soalhães (milha VIII; a via circunda o Castro Soalhão pelo sopé da vertente poente, por terrenos ainda hoje conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano», onde havia necrópole)
    Mesquinhata (passa junto do Alto dos Encambalados e segue por Casal, Geguintes e Passadouro, pela rua do Cruzeiro)
    Carreirinha, Grilo (miliário a Galieno encontrado in situ, está hoje no Museu Municipal de Baião; cruza a ribeira no Passadouro e continua pela Capela da NS. do Loureiro)
    Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil na base do Castro romanizado do Cruito)

    Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
    A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu; apesar da importância económica em época romana do rio Douro como grande via fluvial, comprovado pelos inúmeros locais de passagem e importantes vestígios nas suas margens, a identificação da rede viária tem-se revelado muito difícil dado o acidentado do terreno e a forte marca medieval do seu povoamento; no entanto, é indubitável que estas rotas já seriam usadas em épocas recuadas, mesmo pré-romanas, dado que evitam de forma decisiva a travessia dos grandes rios que afluem ao Douro, preferindo por isso cruzar o rio Douro na sentido N-S e depois subir a meia encosta ao alto da serra para a partir daí obter suaves pendentes ao longo de grande parte do percurso, desenvolvendo assim diagonais que acompanham as lombadas e linhas de festo que separam os rios que descem da Serra do Montemuro (referido como mons Geronzo no ano 925 e mais tarde como mons Muro; PMH DC30); os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos marginando o rio; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como ainda se observa na actual estrada EN222 (ver mapa).

      Para Porto Manso/Porto Antigo e Castro Daire, rumo a Viseu
      Ancêde (derivando logo após a Ponte do Gôve, seguia por Eiriz, Penela, Ancêde; a leste, na outra margem do rio Ovil, há vestígios romanos, na Casa de Viombra e Qta. de Esmoriz, e mais a leste a necrópole do Bairral, associada a uma villa ou aldeia em torno da Igreja de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária na casa paroquial, ambas no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto)
      Porto Manso, Ribadouro (a via continua junto da Capela de S. Domingos rumo ao Castro de Porto Manso e daqui desce ao Douro pela vertente poente por uma via lajeada que acompanha a margem esquerda do rio Ovil)
      Travessia do rio Douro entre Porto Manso e Porto Antigo (2 km a montante, na Qta. de Mosteirô, sobranceira ao rio, existem vestígios de um provável vicus e mutatio, onde apareceu outra ara a Júpiter de Nisproentretanto desaparecida)
      Porto Antigo, Cinfães (daqui a via, designada na Idade Média por carraria antiqua seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada; Pinho et al., 1999)
      • Castro de Sampaio, Cinfães: localizado num pequeno outeiro na freguesia de S. Cristóvão de Nogueira, o Castro romanizado de S. Paio apresenta um vasto espólio com alguma monumentalidade como colunas, bases de capitéis, pedras almofadadas, etc, o que levou Jorge de Alarcão a situar aqui o oppidum dos Paesuri (Alarcão, 1988); deste povoado provêm também a estela de Flavus, a lápide de Cloutio, hoje no MSMS com o nº 44 e a inscrição consagrada a Augusto hoje no MSMS com o nº 73; o vicus romano localizava-se a cerca de 500 m a sudeste do Castro de Sampaio, no actual lugar de Aldeia.
      • Porto Antigo - Vale da Ribeira de Sampaio: junto do vicus romano passaria uma antiga via, designada na Idade Média por carril veterem, com origem no rio Douro quer em Porto Antigo (possível referência à via em «illa portela iusta kararea que vadi pro ad riu de Bestionza» num documento de 1083), seguindo depois por Cidadelhe (possíveis casais em Paradela e na Qta. da Chieira), quer mais a jusante, na barca de Mourilhe, próximo da Barragem do Carrapatelo (vestígios em Arcela e referência medieval à «via de Grovaa», actual lugar da Groba), seguindo depois junto da Igreja de S. Cristóvão de Nogueira («via que vadit ad ecclesiam» em 1232); estas vias confluíam próximo do Castro de Sampaio, continuando depois ao longo do vale da ribeira de Sampaio (rivulo Sonoso) pela rota do CM1016 por Vilar do Peso e CM1035 por Ervilhais (calçada) e Nespereira, onde conflui na via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro rumo a Viseu (Pinho et al., 1999; Lima, 2000:46).
      • Porto Antigo a Viseu pelo Vale do Bestança: a via seguia ao longo da margem direita do rio Bestança (rivulo Bestantia) pela vertente poente da Serra de Montemuro, passando talvez por Boassas, Lodeiro, Desamparados, Fundoais, Ruivais e Aldeia, marginando o possível casal junto do ribeiro de Lameirão e o Castro romanizado das Corôas, seguindo o actual CM1027-1 até Ferreiros de Tendais (tesouro; referência a um reguengo como estando «sub via e super strata» nas Inquirições de 1258; PMH Inq 983); a partir daqui a via subia ao alto da serra, podendo tomar o caminho que passa a norte do marco geodésico da Alvagueira (pelo Caminho do Marco ou calçada da Devesa?), rumo a Pimeirô (entra junto da Capela de S. Matinho) e daqui pelo CM1030 para Vale de Papas (nó viário designado na Idade Média por castellum de Aquilar; hipotético diverticulum pela Ponte de Panchorra, embora esta não apresente sinais de romanidade). A via surge nas Inquirições de 1258, servindo de limite das villis Bonis (actuais aldeias de Vila Boa de Baixo e de Cima; «dividet per Aguiar et per estrada», PMH Inq 983) e da vila da Graleyra (actual Gralheira; «et vadit ad castellum de Aquilar et ferit in cruce et per carreirum antiqum et ferit in termino de Ovadas et in Cabrun», PMH Inq 984); de Vale de Papas a via seguia então para Gralheira (passa na aldeia e serpenteia o CM1030), rumo a Cruz do Rossão, nó viário, onde confluía com a via proveniente da travessia do Douro em Caldas de Aregos, descrita abaixo no Itinerário Aregos - Cárquere - Castro Daire.

      Para Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu
      Gôve (seguia por Portela do Gôve, Favais, Lamas, e Casa Nova, na base «Castelo do Gôve», continua por Casal, Arco de Lordelo, descendo por Aguincheiras e Venda das Caldas à margem direita do rio Douro)
      Travessia do rio Douro no Sr. da Boa Passagem
      Caldas de Aregos (daqui segue para S. Romão de Aregos, passando por Pousada, referida na documentação medieval como «karraria antiqua», PMH DC 888)
      Cárquere (castellum, civitas?) (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppido dos Paesuri; actualmente conta-se com mais de 70 epígrafes provenientes daqui; uma ara a Júpiter indicaria o nome do povoado antigo, mas só resta a parte inicial, Castelani; seria assim um Castellum)
      • Ligação Cárquere a Viseu: a via deveria continuar para Viseu transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, continuando depois por Canizes e Vila Pouca (ara a Júpiter na Capela da Ns. dos Vales, colocada por um militar, FE 267), Rossas, Granja, Talhada, continuando pela EM553-1 pelo Alto do Cotelo (vestígios de calçada em Cotelo e em Gafanhão) até confluir com a via proveniente de Porto Antigo na divisão concelhia, descendo depois por Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire, onde conflui no Itinerário Lamego - Castro Daire - Viseu.

      Para Porto de Rei, Castro da Mogueira e Lamego
      Santa Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue +- a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita, Senra e Eiras, na vertente sul do Castro de Mantel)
      S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
      Sta. Marinha do Zêzere (ara funerária a Manes proveniente do possível vicus da Qta. de Guimarães em Míguas; seria aqui a paróquia suévica de Melga?; possível ligação nordeste para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval)
      Travessia do rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
      Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da Capela de S. João que assenta no antigo castro; teria existido aqui um santuário?)
      Travessia do rio Douro em Porto de Rei
      S. Martinho de Mouros (do rio sobe a Nogueiras, passa na base do castro romanizado da Mogueira, perto qual existem pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo relacionadas com um possível santuário, subindo depois ao Alto Vila Verde, onde há calçada, continuando por Pardelhas e Seara, segue o CM1067 que passa junto do castro romanizado de Penajoia, onde há vestígios de calçada)
      Avões (continua pela EM1067 por Alto da Venda e Sra. do Pilar)
      Lamego (Lamecum?)

    Viae Lamecum ad Vissaium

    Mapa

    Lamego Tarouca









    Lamego Castro Daire


    Lamego (Lamecum? / Caelobriga?)
    Povoado romano no morro do Castelo de Almacave, possível oppidum dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da Capela visigótica de Balsemão, existe um raro e importante terminus augustalis de delimitação de território, mas não indica as civitates em causa. Daqui partiriam dois itinerários rumo a Viseu, um passando por castro Daire e outra seguindo por Tarouca e Bustelo, reunindo na travessia do rio Vouga em Almargem (Vieira, 2004; Castro, 2013).

    Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
    A via cruzava o rio Balsemão e seguia a margem esquerda do rio Varosa por Tarouca, Ponte do Touro e Fráguas rumo Viseu. Partia provalvelmente da zona da Sé de Lamego e descia ao rio Balsemão pela rua da Ponte da Calçada, cruza o rio e segue junto de S. Lázaro e Sra. da Guia, passando na Portela, seguindo depois entre Britiande e Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa); a documentação medieval refere uma ponte de madeira sobre o rio Balsemão (in Viterbo 1799, vol 2, p. 227).

    Bairral, Britiande (ara a Júpiter na Capela de São Gonçalo, suportando a pia baptismal, talvez proveniente do castro romanizado do Castelo de Britiande; a via passava talvez na Quelha da Azenha)
    Ferreirim (continua por Vila Meã e a poente do Castro de Sta. Bárbara em Dálvares, até Castanheiro do Ouro, onde cruza a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha)
    Tarouca (povoado no Monte Ladairo/Ladário; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales e na Qta. do Arco da Paradela; da Ponte Pedrinha segue à direita pelo caminho que ascende por Esporões, junto do cemitério)
    Cravaz (cruza a povoação e segue pela calçada paralela e a cota inferior da EN530, passando próximo da Capela da Ns. dos Aflitos)
    Teixelo (a via entra na povoação junto da Capela da Senhora da Ajuda, onde ainda subsiste um troço lajeado, cruza a EM1176 e continua pela rua de St. António; no sítio do Padrão existe um cipo anepígrafo com cruciformes, provavelmente um marco do couto do mosteiro de Tarouca e eventual reaproveitamento de um miliário; Alarcão, 1988a e 1998; Teixeira, 1998; Castro, 2013a)
    Bustelo (a via passa a poente da povoação junto do cemitério e continua sempre em calçada pela margem esquerda do rio Varosa)
    Ponte do Touro sobre o rio Varosa, Almofala (sem indícios romanos; reconstruída em 1839; daqui a via seguia pela calçada com 2 km que passa na elevação do Corgo do Altar até entroncar no CM 1169 próximo de Cascano, seguindo até à torre eólica onde segue à direita pelo estradão de terra)
    Fraga Gorda, Touro (cruza a povoação; vicus? no sítio das Duas Igrejas)
    • Ligação a Fráguas e Sátão: a via bifurcaria na Fraga Gorda, seguindo um ramo pelo Alto de Penedais, junto da quinta romana da Alagoa, possível mutatio, continuando próximo pelo sítio de S. Paio, a extinta aldeia medieval de S. Pelágio rumo à travessia do rio Paiva em Fráguas (onde cruza o Itinerário Viseu - Moimenta da Beira, podendo continuar para Sátão passando no povoado mineiro da Dorna em Queiriga (?).
    • Ligação a Viseu: outro ramo partia de Fraga Gorda rumo a Vila Cova-à-Coelheira pela margem direita do rio Covo, passando no sítio do Gafo, topónimo viário, onde cruza a ribeira de Mourisca, continuando depois para Teixelo e Qta. da Clara rumo à travessia do rio Paiva no Corgo do Bacelo, na base do Castro romanizado de S. Lourenço, continuando na outra margem por Covelo do Paiva e junto do sítio romano da Cumieira (possível mutatio onde apareceram moedas e uma ara anepígrafa, próximo da aldeia de Zonho, provavelmente a Osonia do Paroquial Suévico), seguindo o CM1162 por alturas de Arco, Salvador e Fonte Santa, onde inicia a descida para a travessia do rio Vouga em Almargem, onde conflui na via que vinha por Castro Daire descrita abaixo, seguindo depois para Viseu (?).
    • Ligação a Castro Daire: poderia existir um itinerário E-O que derivava da anterior em Teixelo, seguindo depois próximo do habitat de Chão de Ferreiros, Pouso das Pipas e Malhada (calçada; habitat), rumo à travessia do rio Paiva em Portela de Lá (villa? do Outeiro com vestígios em Missa e Parceiros), continuando por Mões (da aldeia continua pelo Sr. da Boa Morte em Vila Boa, junto do habitat de Rebolada) até Ribolhos, onde entronca na via proveniente de Viseu, cruzando depois o rio Paiva para Castro Daire (Vieira, 2004).

    Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
    A via para Viseu seguia para a travessia do rio Paiva em Castro Daire, onde confluía com as vias proveniente das travessias do rio Douro em Porto Antigo (por Cinfães) e Caldas de Aregos (por Cárquere), seguindo depois para a travessia do rio Vouga na Ponte de Almargem, ascendo depois pela magnífica Estrada Romana de Almargem rumo a Viseu. (Vaz, 1976, 1989; Teixeira, 1998; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004; Lourenço, 2007).

    Lamego (parte da base do castelo de Almacave pela rua Fafel e segue pela vertente nascente do monte da Carreira de Tiro, próximo do sítio romano da Fonte d'El-Rei, conflui no CM1081 junto do cemitério, descendo depois à Ponte de Lamelas para cruzar o rio Balsemão, continua pelo caminho de terra até confluir no CM1082 pouco antes da povoação de Quintela de Penude)
    Póvoa (margina o sítio romano da Póvoa, de onde será proveniente a inscrição funerária que apareceu no Cimal; a via sai do CM1082, cruza a povoação e segue entre o Alto de Montedufe e o Alto da Cruz da Camba, passando a poente do sítio romano do Paço em Meijinhos, onde apareceu a inscrição funerária de Cesea e a ara votiva dedicada ao Soli Sacrum, o «sol sagrado»)
    Bigorne (percorre depois o caminho do alto da Serra de Lazarim, hoje paralelo à A24, marginado o sítio romano de Parafita, cruza Ribabelide, segue o caminho pelo Alto da Fraga do Seixo que vai cruzar a A24 pouco antes da Igreja de Bigorne, conflui na EN2 ao km 121 e poucos metros depois desvia à direita pela calçada da Portelada onde cruza a ribeira do Mezio, continuando depois em calçada)
    Mezio (entra pela Capela da Sra. das Antas e segue por Rua e Cimo de Aldeia, talvez pela rua da Mocidade e rua de St. António, continuando para Castro Daire pelo caminho que percorre o dorso planáltico entre Colo do Pito e Moura Morta)
    Castro Daire (margina a Capela da Ns. da Ouvida, continua por Vila Pouca e Outeiro e desce ao rio Paiva pela rua 1º de Maio, rua Direita e rua 1º de Dezembro, contornando assim o importante castro romanizado dominava esta travessia)
    Travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga com possível origem romana, demolida em 1877, tendo aparecido aqui uma árula com inscrição)
    Ribolhos (da ponte ascende pela EN2 até próximo da Capela de S. Domingos, onde toma a chamada «Estrada Romana», subindo a meia-encosta paralela à EN2 por Estalagem, Quintãs, Cerca e Colmeia até reunir com a EN2, saindo depois pela rua da Ponte de Courinha, cruza a EN2 em Ribolinhos e segue pela Av. Central que atravessa as Termas do Carvalhal)
    • Inscrição de Lamas de Moledo: notável e rara inscrição votiva na chamada «língua lusitana» que foi gravada num penedo da aldeia de Lamas de Moledo por Rufinus e Tiro; tratar-se-ia de uma oferenda de animais a divindades protectoras dos povos da região, mas subsistem muitas dúvidas na sua interpretação; segundo Inês Vaz, é possível identificar os teónimos Crougeai Magareaicoi e Ioeva Caielobricoi e os povos Veaminicori e Patravioi; a proximidade fonética de Magareaicoi com topónimo Maga sugere que os Patravioi habitariam o castro do Outeiro da Maga e os Crougeai Caielobricoi poderá estar relacionado com a aldeia de Cela mais a sul ou com Caelobriga, povoado mencionado por Ptolomeu como fazendo parte do território dos Coilarni, mas são meras hipóteses; na área da aldeia deveria existir um vicus dado o aparecimento de outras inscrições, o epitáfio de Apinna e o epitáfio de Cabureina (vide Vaz, 1989; Miguel, 2013).
    Mamouros (segue a EM562 e o estradão pela margem direita do rio de Mel?)
    Arcas, Mões (sai da EN2 pela rua da Ponte das Arcas, onde cruza o rio de Mel; continua talvez pela EN2 e rua dos Carvalhos)
    Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, subindo por caminho carreteiro)
    Calde (cruza a povoação e desce a Póvoa de Calde)
    Travessia do rio Vouga em Almargem (300 m a jusante da ponte actual?)
    Bigas (do rio Vouga ascende pela Calçada Romana de Almargem, continuando pela rua da Estrada Velha)
    Campo (referências a uma calçada em Campo indicia a passagem da via que continua pelo sopé do Castro de Sta. Luzia por Moure da Madalena; a calçada do Salgueiral e o "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira, junto à prisão parecem fora desta rota)
    Abraveses (segue pela rua da Estrada Velha, Qta. de Cimalha e Qta. da Corga, hoje urbanizadas, com vestígios de calçada junto da escola C+S)
    Viseu (VISSAIUM) (continua pela «Estrada Velha de Abraveses» até à Cava de Viriato, onde cruza a Av. da Bélgica e segue pela rua Capitão Salomão, rua Cava de Viriato, cruza o rio Pavia, rua Ponte de Pau, entrava no burgo pela Calçada de Viriato e pela antiga porta da cidade, onde existia necrópole, até ao Largo da Sé, antigo forum)
    • Variante Castro Daire a Viseu por S. Pedro do Sul: poderia existir uma variante Figueiredo de Alva, Ladreda (a poente, em Ucha, calçada para o Castro do Mau Vizinho/Castro dos Súmios/Castelo dos Mouros/Cafúrnea, onde apareceu uma ara votiva aos Bande Ocelensi, hoje no MNA e uma inscrição a Mate, Genius Defensoris), Monte Forneco, Cobertinha (Vila Maior), Modelos (por S. Félix; na Igreja de Pinho apareceu ara votiva ao Bande Alabaraico, CIL II 403, hoje em parte incerta), seguindo até à travessia do rio Vouga em S. Pedro do Sul, onde entronca nas vias provenientes de Cale e Talabriga rumo Viseu por Moselos.

    Mapa





























    Viseu (VISSAIUM) - Famalicão da Serra (Berecum?) - Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    A via romana que partindo de Viseu seguia na direcção da Serra da Estrela, designada por Via IV por Inês Vaz, está bem documentada pelos muitos miliários ao longo do seu percurso (pelo menos 10), seguindo por Mangualde e Abrunhosa-a-Velha e eventualmente pela robusta Calçada dos Galhardos acima de Folgosinho, atravessando a Serra da Estrela para Famalicão da Serra, onde há miliários e outros importantes vestígios romanos relacionados com o povoado de Barrelas, provável estação viária tipo mutatio; esta via foi integrada no Itinerário Braga - Mérida, mas a sua função principal seria a de ligar Mérida ao litoral Atlântico, seguindo de Viseu até à foz do rio Vouga, configurando uma eixo viário entre Augusta Emerita e o oppidum de Talabriga, estruturando o poder de Mérida no território da Lusitânia. (vide Vaz, 1976; Ruivo, Gomes e Tavares, 1985; 1996; Nóbrega, 2003).

    Viseu (VISSAIUM) (oppidum com forum no morro da Sé; a via partia do centro da cidade pela rua do Gonçalinho, antiga Decumanus e rua Simões Dias, passava a antiga porta da cidade e já extra-muros margina a necrópole da Capela de S. Miguel de Fetal, na m.p. zero, seguindo depois por Via Sacra, Sr. da Boa Passagem, Sta. Eugénia, Lavamãos, Olho Branco, Viso, Póvoa de Sobrinhos, Carreira de Tiro, Alto da Fragosela, Fragosela de Baixo e a sul de Prime, num percurso hoje difícil de discernir com a expansão da cidade e a contrução da IP5/A25)
    Travessia do rio Dão (m.p. V; junto da confluência da ribeira de Sátão)
    Fagilde (m.p. VII; miliário anepígrafo apareceu integrado na parede de uma casa da aldeia e passou para o sítio da «Lameira do Monte»; indicaria 7 milhas a Viseu)
    Roda (m.p. VIII; miliário anepígrafo servia de coluna numa varanda de uma casa em ruínas e hoje está numa casa particular de Mesquitela; Gomes, 1992; indicaria 8 milhas a Viseu; continua pela rua da Ponte e depois do pontão sobre a ribeira de Frades segue à esquerda pela calçada do Largo do Olheirão até reunir com a estrada actual junto do marco da estrada real, seguindo depois recto à Igreja de S. Julião)
    Mangualde (m.p. X; nó viário onde cruza com a via N-S que seguia para a Bobadela, possivelmente junto do actual templo de S. Julião, Igreja Matriz de Mangualde)

    Qta. da Raposeira (mansio situada na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo que poderia designar-se por Castellum Araocelensis em época romana conforme se lê na inscrição honorífica de S. Cosmado)

      Variante com travessia do Mondego em Poço Moirão (via principal?):
      Mangualde (da mansio na Raposeira segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro e Prazo; subsiste na zona o topónimo medieval «Albergaria»)
      Almeidinha (segue pela rua das Almas junto da Capela da Sra. do Campo até ao Cruzeiro, a cerca de 200 m da villa da Moita da Oliveira, e atravessa a Serra da Baralha talvez por Tapada)
      Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (possível miliário junto à Capela de S. Sebastião; a antiga via romana deveria cruzar a ribeira de Cassurrães pelo «Caminho Velho», actual rua da Calçada, sobe à Capela da Sra. de Cervães, cruza a EM1455 e continua pelo caminho de terra na base da escadaria, assinalado por umas alminhas que reutiliza um miliário, seguindo depois junto do casal? de Sta. Marinha, eventual tabernae, cruzando depois a serra talvez por um caminho desactivado pela vertente da sul da serra que passa no topónimo «Loureiros»)
      Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era um miliário dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à CEADV, o miliário onde parece ler-se XX milhas e o miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605)
      Travessia do rio Mondego em Poço Moirão (Barca Velha, onde há vestígios de uma ponte antiga; subsistem dúvidas sobre o local exacto de travessia; talvez bifurcasse nas seguintes vias)
      • Ligação a Folgosinho: cruza o Mondego junto da Qta. dos Padres, a «Ponte da Cabra», e segue pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço, passando a sul de Ribamondego para cruzar a EN17 junto da Qta. da Pedra Alta, continuando pela Qta. dos Mortórios até Nabainhos (inscrição num penedo), onde inicia a subida à serra seguindo talvez por Freixo da Serra e Folgosinho (onde estaria a última mutatio antes de cruzar a serra)
      • Ligação a Gouveia: segue na outra margem pela Qta. do Mondego e próximo do casal agrícola do Risado Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo; santuário rupestre «Penedo dos Mouros»), continua talvez por Nespereira (villa em São Pelágio, junto da via; Cadeiral Romano no Bairro de St. António) até Gouveia (ara votiva de Reburrus Talabi encontrada na Capela da Ns. da Alegria e hoje no Museu Municipal).

      Variante com travessia do Mondego na Ponte de Palhez:
      Mangualde (segue pela rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela rua da Ponte que passa junto da villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
      Mesquitela (segue pela rua da Ponte, rua da Calçada Romana, rua Direita e rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
      Mourilhe (magnífico troço de calçada com 50m junto da Capela de Ns. da Conceição ou de S. João)
      Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte passa junto dos vestígios do povoado da Rechã)
      Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez (em alternativa descia por Póvoa de Cervães para cruzar o rio junto da Qta. do Moinho)
      Cativelos (a Ponte do Aljão e Ponte das Cantinas com calçada, poderão ter origem romana; calçada em Celas Alminhas-Dobreira; no entanto a via deveria passar na Capela da Sra. dos Verdes, marginando a villa do Monte Aljão, a «viam algiam» nas Inquirições de 1258)
      Vila Nova de Tázem (santuário rupestre na Qta. do Pé do Coelho; alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via mas é hipotético)
      Nespereira? (onde conflui na variante por Poço Moirão descrita acima?)

    De Folgosinho a Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
    A partir de Folgosinho, a via seguia pela chamada Calçada dos Galhardos que começa na saída sul da aldeia junto do campo de futebol e segue por troço lajeado com 1,5 km até à Portela, onde inflecte para nordeste pelo estradão que passa no marco geodésico dos Galhardos, continua pelo Alto de S. Domingos e Alto dos Carvalhos Juntos, importante nó viário onde afluía uma outra via proveniente de Linhares, descendo depois para cruzar o Mondego próximo de Videmonte rumo a Famalicão da Serra.
    • Variante cruzando o Mondego na Qta. da Taberna, em alternativa a via desviava no Alto dos Galhardos para Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo depois por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde cruzava o rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão e Vale das Ferrarias até Famalicão da Serra (Alarcão, 1993; Ruivo e Carvalho, 1996).

    Famalicão da Serra (castellum Berecum?; povoado fortificado de Barrelas onde apareceram duas inscrições romanas, uma delas dedicada à divindade local Aelua pelos Castellani Berecenses, o que levou a propor o nome de Berecum ou Bereccum para este povoado, onde existiria uma estrutura viária tipo mutatio ou mesmo mansio, hipótese reforçada pelo achado de 5 miliários encontrados nas redondezas, miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário a Tácito da Qta. do Cadouço/Cadoiço (hoje no Museu do Carmo em Lisboa), o miliário a Tácito de Barrelas indicando a milha IV, o miliário a Constantino Magno achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem ou Celordem, ambos hoje no Museu da Guarda, e o miliário a Tibério? que está na Capela de St. Antão (FE 189); a via romana continua em calçada pelo «Caminho do Convento» que passa junto do Convento Mato Grosso/Convento Bom Jesus que assenta num edifício romano, continuando pela Qta. do Sendão)

    Valhelhas (miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiniano achado em Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, passou para a igreja e hoje está na JF, assim como a ara funerária consagrado aos Deuses Manes; Brandão e Rodrigues, 1957; 50 m a sul da JF, numa casa particular, existe um possível miliário anepígrafo servindo de base da caixa de correio; a via continua ao longo da margem esquerda do rio Zêzere por Várzea do Vale Formoso, próximo da villa do Prazo/Qta. da Granja)
    Lameiras (miliário anepígrafo e miliário a Tácito, AE 1965, 107, ambos no Castelo de Belmonte; neste último miliário Aurélio Belo interpretou a abreviatura final «II L. O.» como «2 m.p. a L(ancia) O(ppidana)», o que colocaria a sede desta civitas em Centum Cellae que fica a essa distância; Belo, 1960:41-44)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) (a interpretação das ruínas em torno da Torre Romana de Centum Cellae tem dividido os investigadores, mas as escavações mais recentes apontam para um núcleo de povoamento mais importante que uma simples villa (Alarcão, 1998), podendo corresponder a um vicus viário (Frade, 2002) ou mesmo o oppidum capital dos Lancienses Oppidani (Guerra, 2007a) ou dos Ocelenses; é muito provável a existência de uma mansio de apoio à via (Carvalho, 2010) que passa a cerca de 30 m da face norte da torre)

    Mapa





























    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Este troço está bem definido pelos 5 miliários existentes ao longo do seu percurso para Idanha-a-Velha, mas só em dois deles é possível ler as milhas indicadas, no caso a milha XXII do miliário da Torre dos Namorados, tendo como caput via a mansio de Centum Cellae, reforçando assim a importância deste povoado romano no contexto da Cova da Beira, e o miliário de Águas que indica a milha VIII a Igaedis. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani, dos Lancienses Oppidani e dos Igaeditani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão, mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda com sede no castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador (Penamacor) marcando a divisão territorial entre estes e os Igaeditani com sede em Idanha-a-Velha, não existindo no entanto consenso sobre a localização do respectivo oppidum que oscila entre Centum Cellae, Vale da Póvoa e Sabugal. No vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo (Sabugal) apareceu uma inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES», remetendo para os Ocelenses mencionados por Plínio, havendo dúvidas se seria uma outra tribo Lanciense ou uma designação alternativa a Oppidani (FE 310.2; Belo, 1960; Alarcão, 2001b; P. Carvalho, 2006; Guerra, 2007a).

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    Ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram dois miliários, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos depositados no Castelo de Belmonte)
    Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário a Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, passando próximo do sítios romanos do Muro/Qta. do Bouzieiro e da Fonte do Soldado, continuando depois paralela à Serra da Esperança; +- EN345)
    • Possível diverticulum para sudeste partindo de Centum Cellae ou da villa da Qta. da Fórnea rumo ao povoado da Ns. da Estrela em Inguias, existindo na Capela uma inscrição a Júpiter por Iulius Rufus, indiciando a existência de um vicus na divisória entre os concelhos de Belmonte e Sabugal, eventualmente no sítio da Tapada da Casa; aqui cruzava a ribeira de Inguias e seguia por S. Amaro, ribeira da Cal, Alto das Cruzes, Portela, Vale de Castelões e Serra da Opa em direcção ao Vale da Sra. da Póvoa ou ao Sabugal de encontro à via para Salamanca.
    Malpique (calçada passa a nascente junto da importante villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellae)
    Travessia da ribeira das Inguias no Sítio do Gagameio / Qta. da Ribeira
    Caria (possível mutatio; calçada com 40 m em Fonte do Ruivo, na direcção E-W, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho, onde atravessa a ribeira de Caria)
    Peraboa (villa? na Qta. do Cameira; atravessa a Serra de St. António, passando próximo do castro romanizado da Tapada das Argolas ou «Vila Velha», descendo depois pelo Sítio da Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, hoje no MNA)
    • Possível diverticulum para sudeste pela calçada da Laje do Freixo para Monte do Bispo e Escarigo, até entroncar na via para Salamanca na travessia do ribeiro de Casteleiro.

    Capinha (vicus Talabara?) (vicus e provável mutatio situada no cruzamento com a via para Salamanca, ocupando a área em torno da arruinada Capela da Tapada de S. Pedro que reutiliza muito material romano; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio do Meidubrigense Hispanus na Qta. de S. Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico no caminho para Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia, assim como as duas inscrições retiradas da ponte, o epitáfio da Lanciense Oppidana Amoena e o epitáfio de Cabrula, todas recolhidas no Museu do Fundão; a designação Talabara para o vicus advém de uma inscrição rupestre onde alguns autores leram V(ico) (Tal)bara, hoje também no Museu do Fundão; da Fonte de Cima na aldeia, a via descia à ponte pela calçada da Capela de S. Marcos e pela calçada do Sítio das Lajens, entretanto já destruídas, cruza a ribeira e Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e continua por Vale de Paredes e Freixa)

    Quintas da Torre/Torre dos Namorados (vicus e provável mutatio atendendo ao miliário a Maximiano indicando XXII milhas e às várias epígrafes aqui encontradas e recolhidas no Museu do Fundão como a lápide de Lubaecus, a inscrição a Júpiter, a ara votiva a Bande Luguano, a ara da Qta. da Feijoeira, ara da Qta. de Antão Alves e ara de uma cluniense que apareceu na Qta. da Azinheira mas recolhida na Qta. de Matos Barrinhos)
    Pedrogão de S. Pedro (no sítio da Líria apareceu um cipo com dois cruciformes gravados, provável miliário, hoje no Museu de Penamacor; a via continua pelo caminho das «Calçadeirinhas», cruzando a ribeira das Taliscas a cerca de 500 m montante da Ponte «Romana» sobre a ribeira das Taliscas, em risco de ruína que poderá ser uma construção já do período medieval)
    Bemposta (milha VIII a Igaedis; vicus?; o miliário da 4ª Tetrarquia de Maximiano, Maximino Daia, Constantino e Licínio, que apareceu numa casa em ruínas próximo de Águas e que hoje está numa casa particular da Aldeia de Santa Margarida (Henriques, 2015), deveria ser daqui pois indica a milha 8 a Igaedis que seria vencida na aldeia de Bemposta; conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e a terceira é dedicada a Quangeius; villae em Nave de Baixo, Qta. da Meijoana e Represa)
    Medelim (na Capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira apenas se lê Reve ... pelo que seria dedicada à mesma divindade; estão todas no MTPJ; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; a via seguia talvez paralela à EN332, próximo dos sítios romanos da Tapada da Senhora, Chãos da Malhada, acampamento romano de Oliveira das Almas e Vale de Cavalo, provável villa ou mesmo vicus, para pouco depois desviar da EN332 para ir cruzar a ribeira de Moinhos no Pontão de Beiradas (?), seguindo depois pelo cemitério até Idanha)

    Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (oppidum sede da civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte de mais de duas centenas de epígrafes conhecidas; existem pelo menos 6 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto onde apenas se lê «milha I»; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro em Alcafozes e o último em Segura; ver também Rede viária de Igaedis)

    De Idanha-a-Velha a Mérida
    Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstruída na Idade Média com material da antiga ponte romana situada um pouco a montante que estaria em ruína)
    Alcafozes (3 miliários; miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; povoado no Cabeço dos Mouros; segue pelo estradão Barreiro Vermelho/Granja, onde atravessa a ribeira de Aravil, subindo a Toulões pelo Alto dos Frades)
    Toulões (talvez pela linha de festo que vai por Monte Velho e Abegões, cruza a EN240 no Alto da Barca, continuando depois pela linha de festo que separa as ribeiras de Sta. Marina e S. Domingos, passando no marco geodésico de Malhão e em Charcos até Segura; em alternativa poderia seguir pelo vale da Ribeira da Calçada até Segura)
    Segura (a via entrava na povoação junto do Calvário, monumento que integra uma ara romana, parecendo reconstrução de antigo santuário situado no outeiro oposto à vila, com vários possíveis miliários deitados na berma da estrada que passa na sua base; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na Capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo)
    Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 na fronteira Luso-Espanhola; arco central e tabuleiro reconstruídos)
    Piedras Albas (Estorninos)
    Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
    Alcántara (ver traçado)
    NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum)

    VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLXI

    Mapa

    Lisboa Alcácer



    Alcácer Évora












    Évora-Elvas






    Variante por Vila Viçosa


    ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)    CLXI milhas - 238.5 km
    OLISIPO
    AQUABONA
    CATOBRICA
    CAECILIANA
    MALATECA
    SALACIA
    EBORA
    AD ATRUM FLUMEM
    DIPONE
    EVANDRIANA
    EMERITA

    m.p. XII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXVI
    m.p. XII
    m.p. XLIIII
    m.p. VIIII
    m.p. XII
    m.p. XVII
    m.p. VIIII
    Apesar a sua importância, o Itinerário XII de Antonino continua cheio de incógnitas e incertezas devido à dificuldade em acertar as distâncias das estações. Partindo de Lisboa, a via teria que atravessar o rio Tejo, seguindo depois rumo a Salacia (Alcácer do Sal) passando em três estações intermédias com localização bastante problemática: Aquabona, Caeciliana e Malateca. Se os vestígios romanos recentemente encontrados em Setúbal reafirmam a localização de Caetobriga nesta cidade, por outro lado, nas outras estações intermédias, subsistem as dúvidas pois não há concordância das distâncias indicadas com a medição no terreno pois o Itinerário indica 70 milhas entre Olisipo e Salacia quando a distância real é de 58 milhas. É muito provável que a habitual interpretação deste itinerário como uma sequência de estações tem de ser revisto, sobrando 12 milhas que poderia corresponder a um desvio para Caetobriga, admitindo a localização de Aquabona na foz do rio Coina que está precisamente a 12 milhas de Setúbal. Desta forma acerta-se a distância total entre Lisboa e Alcácer e acerta-se as 26 milhas indicadas para Malateca, correspondendo à distância entre Coina e a ribeira da Marateca. Esta hipótese obriga a colocar Caeciliana no troço entre Marateca e Alcácer e para haver concordância com as milhas indicadas no I.A., estaria a 8 milhas de Alcácer e a 12 milhas da Marateca, onde encontramos a aldeia de Palma, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, situada junto da travessia da ribeira de S. Martinho. O troço seguinte entre Salacia e Ebora está melhro estudado dado o elevado número de miliários ainda existentes, seguindo a sul de Montemor-o-Novo. A partir de Évora, a via seguia para Mérida, passando nas três estações referidas no I.A., Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas a seguir. (vide Bilou, 2000a; Almeida, 2000; Faria, 2002; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2008).

    Lisboa (OLISIPO) (o I.A. situa Aquabona a 12 milhas de Lisboa, o que corresponde sensivelmente à distância entre Lisboa e Coina quer por via fluvial quer terrestre; a travessia do rio Tejo fazia-se entre a actual Praça do Comércio e o Porto da Romagem, aproveitando o grande braço do rio que penetra terra dentro até à foz do rio Coina; assim, é possível que inicialmente este itinerário seguisse por via fluvial, não sendo possível descartar uma alternativa terrestre, partindo do Porto de Cacilhas, atendendo a que neste local há vestígios de cetárias no Largo Alfredo Dinis e um povoado na Qta. do Almaraz, seguindo depois a rota da EN10 até Coina, pontuada por vestígios romanos como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também deveriam existir ligações ao porto fluvial da Moita e ao «Porto dos Cacos», em Alcochete, junto do qual existia uma olaria, mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse a via principal para Mérida)

    Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII; segundo a interpretação do I.A. apresentada na introdução, do Porto da Romagem partiria então uma ligação directa à Ponte da Marateca onde se supõe que estaria localizada a mansio Malateca, enquanto uma derivação seguia rumo a Caetobriga, localizada segundo o I.A. a 12 milhas, o que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal.
    • Ligação Coina - Setúbal, segue recto até Vendas de Azeitão, continua pelo Alto das Necessidades e Qta. da Calçada, seguindo ao longo da vertente oeste e sul da Serra de S. Luís, passando próximo dos sítios romanos da Cruz da Légua, Qta. do Esteval e Qta. do Rego de Água, descendo depois da EN10 pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem preservado entre o Grelhal e Casal das Figueiras, terminando na rua do «Caminho Romano», entrando em Setúbal pelo Bairro do Tróino.
    • Ligação Coina - Marateca, seguia talvez a norte de Palmela e do importante Povoado de Chibanes no Alto da Queimada, Serra do Louro (a Caepiana de Ptolomeu segundo Amílcar Guerra), seguindo por Carrasqueira, Olhos d'Água, Cascalheira, Palhota, Lau, Monte da Lentisqueira, actuais EM533-1, EM533 e CM1040 pela chamada «Estrada dos Espanhóis», referida por Mário Saa também como "Estrada Funda, dada a profundeza milenária do seu sulco".

    Setúbal (CAETOBRIGA) (mansio a 24 milhas de Olisipo e a 12 de Aquabona hoje definitivamente localizada no actual centro da cidade, atendendo aos importantes vestígios descobertos na Av. Luísa Todi)

    Marateca (MALATECA) (mansio; esta estação viária deverá estar relacionada com a travessia da ribeira da Marateca próximo de Águas de Moura; a mansio ficaria defronte no chamado Castelo dos Mouros, junto do cemitério, onde há vestígios de uma possível estrutura viária, possivelmente a própria mansio; a via seguiria aproximadamente a rota da EN5, atravessando a ribeira de S. Martinho junto do Monte da Ponte da Pedra, a nascente de Palma, passando depois próximo do Monte da Volta, do Monte do Alberge, Igreja do Monte de Vale de Reis e Igreja de S. Lourenço, ambas com vestígios romanos, inflectindo depois para sudoeste pelo Monte das Águas Pousadas)

    CAECILIANA (segundo o I.A., esta enigmática mansio estaria a 8 milhas de Caetobriga e a 26 de Malateca, o que é inviável porque estas 34 milhas correspondem à distância total entre Setúbal e Alcácer; para além disso não há vestígios romanos assinaláveis entre Setúbal e a Marateca pelo que é possível que esta estação estivesse antes no troço entre Marateca e Alcácer; ora neste troço existe um acidente importante, a travessia da ribeira de S. Martinho que está a 8 milhas de Alcácer, mas não são conhecidos vestígio atribuíveis a uma mansio, apesar do sugestivo topónimo Monte da Ponte da Pedra indicar rota antiga; corrigindo o I.A., a mansio Caeciliana ficaria então a 12 milhas da Marateca e a 8 milhas de Alcácer, perfazendo 20 milhas que é exactamente a distância entre a Ponte da Marateca e Alcácer)

    Alcácer do Sal (SALACIA Imperatoria) (oppidum, sede de civitas, mansio e importante porto a 58 milhas de Lisboa; a via entrava na cidade pela rua da Fábrica, passando junto do Convento de St. António, marginando a necrópole de S. Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo onde estaria o forum; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; inscrição honorífica ao magistrado Cornelius Bochus, CIL II 2479; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
    • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: no estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com os entrepostos comerciais e centros de transformação da actividade piscícola em Tróia (Achale?), Portinho da Arrábida (Creiro), Outão (Praia da Comenda) e Setúbal, assim como os mais de 20 centros de produção de ânforas, como a Feitoria Fenícia de Abul, do Monte do Bugio e da Herdade do Pinheiro; nesta última, André Resende registou um cipo dedicado ao imperador Cómodo nas «ruínas de uma povoação» situada a 20 mil passos de Caetobriga e a 16 mil passos de Salacia; este cipo que Resende inclui na descrição da via romana de Lisboa a Évora, não seria uma miliário dado que apresenta uma inscrição de carácter honorífico, talvez colocada pelo habitantes do vicus portuário que aqui deveria existir, associado à indústria de fabrico de ânforas cujos fornos são ainda hoje visíveis; provável ligação à via principal que corria mais para o interior, assegurando o escoamento dos produtos por via fluvial. (CIL II 8; Resende, 1593:148-149).
    • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): o rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Monte da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Monte da Qta. de D. Rodrigo (calçada, ligaria a Alcácer?), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio poderia ainda ser navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Santa Margarida do Sado.

    Alcácer do Sal a Évora
    Depois de Alcácer, a via seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, contando-se 5 miliários atribuíveis a esta via, percorrendo as 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que aliás corresponde aproximadamente à distância entre as duas cidades medida no terreno.(Bilou, 2000a; António Carvalho, 2009).

    Alcácer do Sal (SALACIA) (sai da cidade rumo a nordeste, marginando a necrópole do Bairro do Crespo na rua Miguel Bombarda e a villa? do Olival de Ns. d'Aires pela margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos, actual rota da EN253)
    Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (miliário anepígrafo; na margem esquerda fica a villa de Pedrões)
    Santa Susana (continua junto da villa ou vicus da Portagem, provável mutatio; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário a Caracala na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Remourinho, zona hoje submersa pela albufeira da barragem do Pego do Altar (CIL II 434; Resende, 1593: 149-150, Breval, 1726); continua na outra margem em Freixial pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscainha e Monte da Caeirinha)
    Foros do Pinheiro, S. Cristóvão (continua por Monte da Fonte da Pedra, Courela do Chaparral, Courela da Murta, Poço Novo, Venda do Mel, Alto do Outeiro Caído, Monte da Chaminé, Monte da Barbosa, Monte da Parreira e Monte das Canas)
    Monte da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (miliário anepígrafo em 2 fragmentos [milha XVII?]; continua pelo Monte do Álamo, onde cruza a EN2; ara na Herdade da Igreja)
    Monte da Venda, S. Brissos (possível mutatio com dois fragmentos de um miliário anepígrafo [milha XV?]; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a Capela de S. Brissos; continua pelo Monte da Courelinha e Monte Velho, onde cruza a ribeira de S. Brissos)
    Monte dos Andrades (miliário anepígrafo [milha XIII?]; daqui a Valverde já não há vestígios da via)
    Valverde (cruza a ribeira de Valverde na Herdade da Mitra, próximo do povoado proto-histórico Castelo do Giraldo e 600 m depois, a 150 m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro, existe um miliário anepígrafo fincado no solo talvez in situ junto da via [milha VII?]; continua junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", [milha VI?], a norte do Monte da Alfarrobeira, onde existe um miliário, [milha V?], cruza a ribeira da Viscossa e segue junto da Ermida de St. António, Qta. do Homem Morto e Qta. do Cruzeiro)
    Esparragosa (fuste de miliário anepígrafo 50 m a poente do marco geodésico/moinho; continua até à rotunda do parque de campismo, onde conflui na via proveniente do Torrão, entrando na cidade pela Porta do Raimundo e seguindo pela rua do Raimundo, Praça do Giraldo, rua 5 de Outubro até à acrópole de Ebora).

    Évora (EBORA) (mansio a CXIII milhas de Olisipo e XLIV milhas de Salacia; o decumanus maximus seria a actual rua Vasco da Gama; Templo de Diana; muralha romana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro da C.M.)
    A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são ainda discutidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (70 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (13,2 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte ou da ribeira de Machede na variante sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes, que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ser contadas a partir de Mérida, como caput via. Deste modo, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et al., 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Évora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo norte e outra pelo sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário (no sítio romano de S. Marcos), e a outra variante sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário; ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. A partir daqui não é claro se as vias seguiam o mesmo percurso até Mérida, ou se pelo contrário, esta via de Évora a Mérida seguia um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana, hipótese apoiada no facto de a estação seguinte neste itinerário, Evandriana, não aparecer nos outros dois itinerários ligando Olisipo a Emerita. (vide Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2011).

    Évora a Estremoz
    Évora (sai pela medieval Porta de Machede e segue pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira, a 1ª descoberta em Évora, pode estar relacionada com esta via)
    Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela ao C.F., próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia)
    Montinho da Piedade (4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje, no caminho de acesso ao monte; continuaria junto ao C.F.)
    Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo ao C.F., para Vale de Figueirinhas)
    Monte da Sousa da Sé (um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo ao C.F. até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
    Monte do Freixo (daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km até ao Solar do Castelo Ventoso)
    Azaruja, S. Bento do Mato (do Castelo Ventoso, pelo Monte do Almo e Monte da Venda, onde existem 2 miliários anepígrafos partidos em 3 fragmentos e onde apareceu a placa funerária de Tullius Modestus, IRCP407; continua por Monte da Torre, Monte Novo, Monte da Pouca-Farinha)
    Évora Monte (a pia baptismal da Igreja de Sta. Maria, antiga da Ns. da Conceição, reaproveita um miliário a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP674; o miliário será proveniente das proximidades do sítio romano da Ermida de S. Marcos, a cerca de 1 km a poente, onde poderia existir uma mansio a 21 milhas de Évora; a via passava assim na base ocidental do morro, continuando por Atafona até ao apeadeiro, continuando paralela ao C.F rumo à travessia da ribeira de Têra em Pego do Sino, onde há notícia de ter existido uma ponte; daqui seguia talvez Freiras, Aldeias, Azenha da Estrada, Estalagem, S. Lázaro e Ferrarias)
    Estremoz (oppidum romano? castro?; provável vicus em torno da Capela da Sra. dos Mártires, a sul da cidade, associado a uma estrutura para contenção de água conhecida por «Tanque dos Mouros», ao km 145 da EN4; aqui poderia existir uma mutatio dado que em 1784 apareceu nas proximidades, num local conhecido por «Horta do Agacha», um miliário a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP675, nas proximidades, num local conhecido por «Horta do Agacha»; também aqui apareceu um raro monumento votivo a Cibeles, a Mater Deum, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que poderia estar junto da via, IRCP440; Carneiro, 2011)
    • Ligação de Estremoz para norte: de Estremoz partiam vários caminhos para norte rumo ao Tejo cruzando a via XIV e XV; a ligação a Ponte de Sor está descrita como derivação da Via XIV; a ligação a Abelterio (Alter do Chão) e Ammaia (S. Salvador da Aramenha) estão descritas na rede viária de Ammaia.
    • O miliário a Crispo, Licínio e Constantino II encontrado na necrópole de Silveirona, hoje no MNA, IRCP673, poderia ter sido deslocado da Via XII, mas não invalida a existência de uma via de Estremoz para nordeste, talvez pelo caminho que passa a sudeste do Monte das Freiras por Silveirona e Monte da Coelha com longos troços de calçada rectilínea, continuando a poente de St. Estevão (baixo-relevo e silhares na igreja) pelo Monte da Cântara (do árabe "a ponte"), seguindo depois sempre recto entre as ribeiras dos Olivais e de Sousel até ao Monte da Albardeira, perto do qual deveria atravessar a ribeira de Sousel, seguindo depois por Fronteira até Alter do Chão (Carneiro, 2008).

    Estremoz a Elvas
    Estremoz (a via segue talvez pela Estrada de S. Domingos, desviando depois pelo Monte do Pintassilgo, Monte da Igrejinha, Espinheiro, Aldeia de Sande, Monte do Montinho, Monte de Matacães, Monte das Oliveiras, cruza a estrada para Serra de Aires e continua por um troço bem preservado da via por 5 km até ao Monte de Alcobaça)
    Herdade de Alcobaça, Vila Fernando (2 miliários, um é dedicado a Caracala e está hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, IRCP679, e o outro é um miliário a Diocleciano e Maximiano que indica 65 milhas a Mérida, IRCP670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense; o troço da via ainda intacto segue por 10 km, cruzando o monte e seguindo depois para o Monte da Atalaia Novo)
    • André de Resende refere 2 miliários hoje desaparecidos «in agro Stermotiensi, non procul a pago Borbacena», ou seja «na região de Estremoz, não longe de Barbacena», designadamente um miliário a Caracala, IRCP661, e o miliário a Heliogábalo, IRCP663, este com a inscrição completa, lendo na última linha «[Eb]ora m. p. XXII», ou seja 22 milhas a Évora; no entanto esta distância nunca poderia ser relativa a Évora dado que esta cidade fica bem mais distante; uma alternativa viável seria considerar que as milhas indicadas não se referem a Évora mas à mansio junto do rio Atrus (hoje rio Xévora) que fica a cerca de 22 milhas de Barbacena; deste modo a contagem das milhas seria feita no sentido Mérida-Évora, tal como se verifica no miliário achado na Herdade de Alcobaça que indica 65 milhas a Mérida; seguindo este raciocínio, este miliário estaria a 60 milhas de Mérida e a cinco milhas do miliário de Alcobaça, o que corresponde à passagem da via na Atalaia dos Sapateiros, a sul de Vila Fernando (Resende, 1593:154-155); o miliário do Monte de Alcarapinha, deslocado para a esquina do monte como marco divisório, assinalava certamente este nó viário onde poderia existir uma mutatio ou mesmo uma mansio.
    • Nó viário na Atalaia dos Sapateiros: o local de cruzamento da Via XII com a via XIV seria no Chafariz de El-Rei, no sopé do importante povoado da Atalaia dos Sapateiros e junto do Monte da Atalaia Novo (entre Vila Boim e Vila Fernando) seguindo depois para Elvas; este percurso é marginado por villae em Monte de S. Romão/Serra Branca, Carrão, e Trinta Alferes; atendendo às 65 milhas indicadas no miliário da Herdade de Alcobaça que fica a cerca de 2 milhas, o cruzamento seria na milha 63, o que concorda com a distância medida entre esta área e a capital da Lusitânia de cerca de 94 km; daqui a via rumava a Elvas pelo Monte das Casas Velhas e Monte do Menino d'Ouro até Calçadinha, topónimo que lembra a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas. (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
    • Diverticulum de ligação à VIA XIV: é possível que existisse uma via romana partindo do nó viário da Atalaia dos Sapateiros, seguindo para nordeste de encontro aos I.A. XIV e XV que passavam na região de Campo Maior rumo a Mérida; a via seguia talvez a sul de S. Vicente e Ventosa pelo Alto de Pereiras e a norte da importante villa das Qta. das Longas e a sul da villa do Monte da Silveira, onde há vestígios de calçada, continuando depois pelo sopé do Castro de Segóvia para ir atravessar o rio Caia no Porto da Amoreirinha, continuando depois pelos altos do Retiro, da Godinha e da Roça de encontro às vias para Emerita Augusta.

    Continuação para Mérida
    Elvas (Resende menciona 2 miliários levados da via para a casa de um fidalgo em Elvas; Resende, 1593:155; epitáfio de Axonius, veterano da Legião XX originário de Firmo Piceno, hoje a cidade de Fermo em Itália; a via entrava pelo Chafariz de El-Rei para contornar a elevação de Elvas pelo vertente norte, seguindo depois por Horta do Moreno (Papulos) e Torre da Fonte Branca (santuário a Proserpina), Monte da Gramicha, acompanha a ribeira da Lã, inflecte para leste e seguia entre o Monte da Nora Úveda (villa) e Monte de S. Miguel pela Ponte do Lagarto, hoje soterrada ou mesmo destruída mas que Maria José de Almeida ainda fotografou em 2000; daqui a via marginava a villa de Alfarófia rumo à travessia do rio Caia, no local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte que é noticiada em 1926 já em ruína, seguindo depois para Gévora; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011)

    AD ATRUM FLUMEM (mansio a 38 milhas de Mérida)
    Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», distava 38 milhas de Mérida, o que coloca esta mansio provavelmente junto da travessia do rio Xévora/Gévora, 6 km norte de Badajoz e junto da actual povoação homónima, dado a aqui apareceu um miliário a Carino provavelmente da milha 37. O povoado de Ad Atrum Flumen não teria muito mais do que a própria mansio e a sua inclusão num itinerário tão importante pode ser justificada pela possibilidade de ser aqui a fronteira entre o Conventus Pacensis e o Conventus Emeritenses (Almeida et al., 2011). A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com as vias XIV e XV, os outros dois itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita; por outro lado temos um miliário a Magnêncio indicando 16 milhas junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz), sítio que estaria na margem esquerda do rio em época romana, mas que hoje está na margem direita devido à mudança ocorrida no curso do rio. Consequentemente deverá procurar-se as mansiones de Evandriana, a 9 milhas de Mérida e de Dipo, a 26 milhas, na margem esquerda do Guadiana, respectivamente nas imediações de Torremayor e Talavera la Real. (Gorges e Martín, 1999)

    Travessia do rio Guadiana (Anas) (talvez junto da ilha de Romo, perto de Cortijo de Sagrada, milha XXV da Via XV)
    Badajoz (segue pelo chamado «caminho de Malpartida» até à travessia da ribeira dos Limonetes, perto da confluência com o Guadiana e continua paralela à ribeira, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
    DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
    EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na villa romana de La Floriana em Torremayor)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

      Variante sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
      É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
      Évora (esta variante poderia ser comum à via principal até à Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada, ou em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da Capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
      Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para nordeste, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
      Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Monte da Amendoeira e da villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo do sítio romano da Herdade da Morgada de onde provém uma placa funerária, FE 120, classificada como villa mas que poderia ser uma mutatio da via para Mérida, tendo Vasco Mantas localizado a mansio de Ad Atrum Flumen neste local, o que não parece viável à luz de estudos de Maria José Almeida; Mantas, 2012; MJ Almeida, 2000)
      S. Miguel de Machede (segue a norte da povoação pelo Monte do Taful, Monte do Almo e da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo)
      Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado, pela EN254)
      Redondo (antigo albergue na Venda do Redondo; 500 m adiante, ao Km 27 da EN254, toma o caminho à esquerda pelo estradão de terra que segue para o Monte do Hospital, passando assim a noroeste da vila; continua junto do fortim romano do Fortim Romano de Monte do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a direito para o Monte da Fonte da Cal, da Amendoeira, de Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
      Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
      Bencatel (vicus no sítio de «Vilares», na Herdade da Galharda de onde provém a inscrição dedicada a Fontano e Fontana que estava junto da Fonte Terrenha no sítio da «Azenha das Freiras», CIL II 150, IRCP438; este povoado explorava as pedreiras romanas para extracção de mármore em Monte do Regoto, da Lagoa, d'El-Rei e Herdade da Vigária, esta destruída nos anos 70)
      Vila Viçosa (miliário a Constantino Magno achado nas redondezas, mas em sítio impreciso, IRCP676, hoje no Museu Arqueológico local que guarda também o miliário do Monte de Alcobaça)
      • Em Vila Viçosa, a via cruzava com uma outra vinda de Estremoz rumo à travessia do rio Guadiana em Juromenha, descrita no Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha.
      • A via deveria continuar de encontro à Via XII seguindo talvez por Terrugem (povoado no outeiro de St. António), passando nas proximidades do vicus do Monte da Nora, provável estação viária tipo mutatio hoje destruída pela EN4 e por trabalhos agrícolas para ir entroncar na via XII no Chafariz de El-Rei na base da Atalaia dos Sapateiros, junto ao Monte da Atalaia Novo, ou mais adiante no Monte dos Trinta Alferes, confluindo nas vias para Mérida.

      Diverticulum para Juromenha por Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001)
      Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal e Juromenha, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota).

      Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no Museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região; uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha (onde podia atravessar o Guadiana; povoado na Malhada das Mimosas; tessera hospitalis em bronze), seguindo um ramal para o vicus do Monte da Nora em Terrugem (passando entre os casais rústicos do Monte do Outeiro, da Aboboreira e da Queimada em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nos eixos principais rumo a Mérida.

    VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CLIIII

    Mapa



































    ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)    CLIIII milhas - 228 km
    ARITIO PRAETORIO
    ABELTERIO
    MATUSARO
    AD SEPTEM ARAS
    BUDUA
    PLAGIARIA
    EMERITA
    m.p. XXXVIII
    m.p. XXVIII
    m.p. XXIIII
    m.p. VIII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXX
    Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita muitas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no I.A. Desde logo a distância entre Lisboa e a primeira estação indicada, Aritio Praetorio, nunca poderia ser de apenas 38 milhas como sugere uma leitura sequencial do itinerário, sendo mais provável que duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabis, tenham sido omitidas no itinerário, dado que essas estações já são indicadas no Itinerário XVI que liga Lisboa a Braga. Assim Aritio Praetorio estaria a 38 milhas não de Olisipo mas de Scallabis, ou melhor da margem do Tejo, o que colocaria a mansio para lá da povoação de Semideiro, oscilando entre três possíveis localizações: no lugar do Poiso em Tamazim, onde apareceram vários miliários e outros vestígios importantes, junto da encruzilhada da Venda das Mestas, onde derivava a Via Tomar-Évora e por último, na Herdade de Água Branca de Cima, dado que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário (vide Carta Arqueológica do Concelho de Abrantes). No século XVI André de Resende enumerou um total de 16 miliários no troço entre Tamazim e Vendas das Mestas e apesar de não referir o seus locais de implantação, foi possível determinar, através da sequência com que são descritos, os locais originais onde estes se encontravam na época. (Resende, 1593: 151-169). O tramo inicial teria um traçado comum à Via XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, inflectindo para a travessia do rio Tejo em Almeirim, continuando depois pela margem esquerda até Carregueira, rumando daqui para nascente rumo à estação de Aritio Praetorio; daqui rumava a Ponte de Sor para pouco depois atravessar a ribeira da Seda na magnífica Ponte Romana da Vila Formosa, rumo a Abelterio, mansio hoje definitivamente localizada em Alter do Chão; a partir daqui surgem vários itinerários alternativos pelo que as estações seguintes continuam sem localização precisa; primeiro Matusaro, a 24 milhas (35,5 km) de Alter do Chão que poderá situar-se a sul de Arronches e 8 milhas depois surgia a estação de Ad Septem Aras que estará localizada em Degolados, Barragem do Caia ou Campo Maior, portanto já muito próximo da fronteira actual; deste modo as duas estações seguintes, Budua e Plagiaria ficariam já em território Espanhol. Ao longo do percurso surgem vários diverticula orientados para sudeste de encontro à via romana procedente de Ebora rumo a Emerita que corria por Estremoz e Elvas, a Via XII do I.A.

    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

    Travessias do Tejo:
    O Itinerário XIV fazia a travessia do rio Tejo entre Santarém e Almeirim, onde segundo Francisco d'Hollanda existia uma «ponte de fundação romana» sobre a Vala Velha em Terrugem, inflectindo depois para norte até atingir Alpiarça, local onde voltava a inflectir agora para nascente em direcção a Ponte de Sor; no entanto é muito provável a existência de outras travessias a jusante de Santarém que ligariam a Almeirim por uma via secundária que seguia ao longo da margem esquerda do rio Almeirim:
    • Reguengo - Escaroupim, travessia do rio Tejo entre Reguengo (Valada, Cartaxo), onde havia vestígios de calçada e Escaroupim (Marinhais, Salvaterra de Magos), podendo ter continuidade por via terrestre para Ponte de Sor, de encontro ao Itinerário XV Lisboa-Mérida. Mário Saa sugeriu uma ligação ao porto fluvial de Coruche por Glória do Ribatejo com base no intenso povoamento romano verificado ao longo do vale do rio Sorraia (com cerca de 30 sítios já registados), mas dada a proximidade destes sítios com as margens do rio (Capela de Sta. Justa do Couço, Horta dos Arcos e Ermida de Sta. Luzia de Coruche) é mais plausível que este povoamento esteja associado antes a uma via fluvial para escoamento dos produtos agrícolas rumo ao estuário do Tejo (vide Itinerário Santarém-Évora).
    • Porto de Muge - Porto de Sabugueiro, possível travessia do Tejo entre Porto de Muge e Porto de Sabugueiro, importante porto fluvial romano com vestígios de uma villa ou acampamento romano.
    • Via entre Escaroupim e Almeirim, passa na Ponte Romana? de Muge e segue a EN118 por Benfica do Ribatejo, marginando as villae de Alqueva da Branca, Azeitada, Vale de Tijolos/Qta. do Casal Branco (lápide de Iulia Laeta) e Eira da Alorna, sendo provável que um destes sítios correspondesse a uma mutatio, até chegar a Almeirim, onde entronca na via principal para Mérida.

    VIA XIV - Itinerário de Almeirim a Ponte de Sor
    Almeirim (a via romana deveria seguir o traçado da actual EN118, passava junto do acampamento militar do Alto dos Cacos, na margem esquerda do paúl do Vale de Peixes, percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, os 2 miliários de Goucharia e o miliário na Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
    Alpiarça (acampamento militar romano do Alto de Castelo, controlando a penetração no 'hinterland' do estuário do Tejo)
    • Existe um caminho alternativo rumo a Tamazim, seguindo a linha de festo pelos altos do Sartel, Ameixial, Sete Sobreiros, Canavial, Perna Seca, Anafe e Caniceira, mas a sua utilização em época romana é duvidosa dada a ausência de vestígios romanos significativos ao longo dessa rota.
    Vale de Cavalos (continua por Junceira, onde apareceu a inscrição inscrição honorífica «Bono / rei [p(ublicae) / nato /», possivelmente associada a uma mutatio neste local; vestígios no Alto das Obras e na Qta. do Meirinho, na confluência da ribeira de Vale de Carros com a Vala do Paúl)
    Chamusca
    Pinheiro Grande
    Carregueira (aqui inflecte para nascente, seguindo por Casalinho, Casal do Relvão e Alto do Relvão, onde atinge a linha de festo e segue próximo da estação romana da Galega Nova até ao geodésico da Lagoa da Murta)
    Lagoa Grande, Bemposta (Mário Saa recolheu nos terrenos do Casal da Pucariça um miliário a Constantino Magno que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal, Avis; seria mutatio?; segue entre o Alto da Lagoa Grande e o Alto do Gavião pela Chã da Lagoa Grande; Mantas, 2010)
    Semideiro (em Vale da Lama apareceu um miliário a Constantino Magno, partido em dois, sendo que a base foi achada em 1987 na extrema das propriedades de Aranhas de Baixo e Vale da Lama e é designado por miliário de Vale da Lama I, FE 152, para distinção do fragmento superior que apareceu num cabeço 130 m para sul, servindo de marco divisório do concelho e por isso designado por miliário de Vale da Lama II, FE 319; o primeiro fragmento está no Museu Municipal da Chamusca e o segundo estará armazenado no Castelo de Abrantes)
    Tamazim (os dois miliários referidos por Saa junto da Capela da Sra. da Luz, um dos quais servindo de cruzeiro, deverão corresponder ao fuste derrubado no cabeço por detrás da Capela e aos fragmentos encontrados na casa em frente e indicaria a milha 26)
    Poiso, Lagoa Seca (milha 27, topónimo sugere uma provável mutatio; Mário Saa colocou aqui o cruzamento com a estrada proveniente de Tomar)
    Alto dos Rapazes (milha 28; seriam daqui os 4 miliários referidos por Resende, um deles a Maximino, CIL II 439)
    Alto do Rapaz (milha 29; seriam daqui os 3 miliários referidos por Resende, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636=IRCP666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis» que Saa atribuiu a Aureliano, CIL II 4634=IRCP660a)
    Alto das Águas Negras (milha 30, no acesso ao Monte Novo; Resende refere 3 miliários, um deles a Tácito, CIL II 4635=IRCP665)
    Lagoa do Junco (milha 31; Resende refere mais 2 miliários lendo num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637=IRCP678)
    Venda das Mestas/Cevo de Muge/Sete Azinheiras (mutatio na milha 32, a 600 m da EN576 e a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo)
    Alto da Abegoaria (milha 33)
    Lagoa da Extrema do Copeiro/Barreiro (milha 35; possível mutatio a meio caminho, 4,5 km, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; a via continua até ao geodésico de Vale do Zebro onde entronca na EN2, ao km 425, com a milha 37 a ser vencida ao km 426)

    Água Branca, Bemposta (ARITIO PRAETORIO?)
    (milha 38; possível localização de estação viária Aritio Praetorio dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas ao rio Tejo e 28 milhas a Abelterio; todo o vale da Herdade de Água Branca de Cima apresenta vestígios romanos classificados para já como villa; no marco geodésico de Água Branca Mário Saa ainda viu vestígios de rodados na via, inflectindo aqui para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos que poderia ser um posto de controlo ou uma statione; a via continuava sob a EN2 pelo Alto do Padrãozinho, possível referência a um marco da estrada e entrava na cidade pela estrada de Foros de Domingão)

    Ponte de Sor (milha 44; da ponte romana que aqui existia restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE 162)
    • Diverticulum ad Via XII - Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha por Estremoz e Vila Viçosa (Ribeiro, 2006)
      Logo após a travessia da ribeira de Sor um diverticulum seguia para sudeste rumo a Estremoz, onde cruzava com a Via XII Ebora-Emerita, continuando depois por Borba e Vila Viçosa rumo à travessia do rio Guadiana junto de Juromenha; inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila, junto da Capela de Ns. de Entre-Águas (vários materiais romanos reutilizados na sua construção como o epitáfio de Lobesa encastrada na parede, CIL II 165, e um possível miliário a servir de coluna; seria uma villa?), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), Poço das Grandezas (junto da via), Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da Capela da Defesa de Barros; em Maranhão, no sítio do Castelo, junto da villa de Bembelide, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, hoje no Museu de Avis, FE 206), continua por Vale da telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano (cruzando aqui com a via NE-SO que vem de Idanha-a-Velha rumo a Évora), continuando depois entre o Povoado de S. Bartolomeu e a villa da Torre do Álamo/Torre de Camões, margina a importante villa de Sta. Vitória do Ameixial e continua a sul da EN245 pelo caminho que margina os montes das Freiras, da Estrada, da Folgada, do Carraço/Venda da Porca e o Monte da Cerca até tocar a linha férrea, onde inflecte para sul, contornando o outeiro de Estremoz pelo poente até ao vicus da Sra. dos Mártires, onde deveria existir uma mutatio da Via XII; Esta via poderia ter continuidade para sudeste passando por Borba (villa da Cerca; ara a Quangeius Turicaeco, FE 174), Vila Viçosa (rua da Carreira?), S. Romão de Ciladas, Forte do Conde e Juromenha, onde atravessava o Guadiana, rumo a Olivença.

    VIA XIV - Itinerário de Ponte de Sor a Alter do Chão
    O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu percurso que inclui a passagem na monumental ponte de Vila Formosa; na parte inicial a via seguia a EN119 para derivar logo depois num percurso paralelo hoje muito alterado; logo na milha seguinte a Ponte de Sor, surge o miliário a Probo talvez da milha 46, IRCP668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos «na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu» que corresponde à zona da Monte do Barata/Monte do Andreu; daqui a via romana seguiria pelo Monte de Cabeceiros, onde apareceu um miliário anepígrafo talvez da milha 48, passava junto da Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; há ainda referência a miliários em Vale do Contador(?) e Camoa(?); continua pelo Monte do Freixial e Fonte da Cruz, possível mutatio onde apareceu um miliário a Maximiano, RP 6/95, junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, assim como um outro miliário anepígrafo e mais quatro fragmentos, num dos quais ainda se lia IMP CAE; daqui a via passava a norte do alto de S. Marcos, onde apareceu um miliário com inscrição na milha 54, onde entronca na EN119, seguindo paralela a esta pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário anepígrafo in situ da milha 56.

    Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (a ponte romana mais bem conservada do sul de Portugal com 6 arcos de volta perfeita e a única que ainda mantém o lajeado original da faixa de rodagem; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada/Selada, partido e talvez deslocado da milha 63 no Monte do Ensopado, outro no «sítio da Celada», talvez a milha 64 na Fonte da Torrejana o miliário em Vale Perlim/Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via seguiria pela Herdade do Monte Redondo, segue entre Monte da Porra e Casa de Alvalade, Arribanda das Colmeias, onde há calçada, e pelo caminho que ladeia o muro da Coudelaria de Alter; Carneiro, 2011)

    Alter do Chão (ABELTERIO) (mansio na milha 66; miliário a Constâncio Cloro está numa casa particular, FE 374; Frei Bernardo de Brito faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», transcrevendo André de Resende, ou seja a 96 milhas a Mérida o que corresponde à distância de Alter do Chão a Mérida; a via seguiria sob a actual EN369, passando junto da necrópole da rua da Misericórdia e não longe da importante villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol; a indefinição quanto ao verdadeiro traçado da Via XIV a partir de Alter do Chão obrigam a considerar várias as variantes que integravam a vasta teia viária em época romana na região do Alto Alentejo; calçada na Herdade da Torrejana)

    VIA XIV - Itinerário da variante de Alter do Chão a Campo Maior por Assumar pela «Estrada do Alicerce»
    Esta via romana ligava Alter do Chão a Campo Maior pela chamada «Canada do Alicerce», velho caminho que assenta sobre a via romana e ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e a sul de Arronches rumo a Degolados, perto da qual deverá ser situada a mansio da Ad Septem Aras; em 1937, Félix Alves Pereira indicava o percurso pelos locais seguintes: Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937; Vasconcelos, 1927-1929); Mário Saa descreve este caminho como «Estrada dos Louceiros» fazendo-o passar por Chancelaria, Ribeiro do Freixo, Ronha, Bedanais, Caldeireiros e Monte Grande até Assumar (Saa, 1958). Recentes estudos de André Carneiro permitem uma boa definição do percurso no terreno e abrem possibilidades para a sua valorização (Carneiro, 2011); partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste sempre recto, passando a norte do Monte dos Tapadões, entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, na Horta do Pote inflecte para sudeste por Monte da Fome e Anta, seguindo depois a sul do Monte da Silveira e do Monte da Chancelaria, cruza a linha férrea em Ribeiro do Freixo e continua por Monte da Ronha, Monte de Bedanais, Monte dos Caldeireiros, Monte Grande e Monte das Canas (troço com marcas de rodados ) até atingir Assumar, na Fonte da Vila.
    Assumar, Monforte (contorna a povoação pelo norte e segue a chamada «Canada do Alicerce», estradão em terra que segue paralela à linha férrea até ao Monte da Torre)
    Arronches (MATUSARO?) (continua entre o Monte da Torre e a Qta. do Carrefe, deturpação do topónimo viário «Arrecefe», por sua derivado do termo árabe «al-rasif», onde existe um sítio romano designado por «Estalagem», outra referência viária, seguindo até à encruzilhada de Belmonte/Alto da Safra/Monte d'El-Rei, local que se situa a 24 milhas de Alter do Chão, ou seja a distância indicada no I.A. para atingir a mansio Matusaro que poderia assim situar-se neste nó viário a sul de Arronches ou mais adiante junto da travessia do rio Caia; continua para nascente pelo Monte da Tapada do Diogo, cruza a EN246 e segue pelo Monte das Escarninhas para a travessia do rio Caia na desaparecida Ponte de S. Bartolomeu/Porto do Caia/Porto das Escarninhas, perto da qual existem vestígios de uma possível estação viária tipo mutatio ou mansio e onde recentemente apareceu uma ara dedicada a Mercúrio, protector dos viandantes, FE606, reforçando a hipótese da localização de Matusaro neste local; daqui continua pelo Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco e Monte Folinhos rumo ao Monte de Revelhos, onde existe um fuste de coluna ou de miliário, e onde apareceu uma ara votiva a Libera, IRCP567, proveniente talvez da villa ou vicus junto da Capela de S. Bartolomeu; daqui ruma a Granja do Peral seguindo um troço de calçada bem conservada)
    • Ligação Arronches - Monte das Esquilas: o miliário ilegível que está junto da necrópole da Ermida da Ns. do Carmo, se não foi deslocado, poderia assinalar uma ligação entre Arronches e o Monte das Esquilas, estação viária da variante por Monforte descrita abaixo.
    Ns. da Graça dos Degolados (AD SEPTEM ARAS?) (a mansio poderia situar-se no Monte da Ganja do Peral, na extrema da Barragem do Caia, dado que este local se encontra a 32 milhas de Alter do Chão, ou seja em conformidade com a distância indicada no I.A. para esta estação viária, existindo no monte um fuste de coluna ou de miliário; a via continua depois entre o Alto de Perdigão e Monte dos Judeus rumo ao Alto dos Morenos onde cruza a EN371, podendo daqui partir um diverticulum para as Minas da Tinoca; a via continua a norte de Degolados rumo ao Posto Fiscal de Azeiteiros, outro nó viário onde existe um possível miliário; daqui partia um outro diverticulum para a mina romana do Monte Alto; continuava pelo Monte do Marco Alto, provável referência a outro miliário, onde inflectia para SE, passando próximo da Malhada dos Covões; aqui deveria bifurcar, seguindo um ramo para Campo Maior, marginando a importante villa do Monte das Argamassas enquanto o itinerário XIV seguia para Ponte da Enxarra)
    Campo Maior (provável vicus viário na Defesa de S. Pedro junta da Ermida de S. Pedro dos Pastores, dado que aqui aparecem muitos vestígios entre os quais dois miliários, um miliário a Domiciano (?), regravado, onde se lê EMERITE, hoje no Museu Municipal, e um miliário a Severo Alexandre hoje desaparecido que indicava 53 milhas a Mérida o que concorda com a distância medida no terreno entre as duas cidades, ou seja cerca de 78,5 km; FE 115; estes marcos comprovam que estamos já em território Emeritense, no entanto permanece a dúvida se estes miliários pertenciam à via XIV ou XV ou a ambas, dada a incerteza na localização da mansio de Ad Septem Aras; ver abaixo)

    VIA XIV - Itinerário da Variante de Alter do Chão a Monforte pela «Estrada de S. Domingos»
    Seguramente que existia uma via romana entre Alter do Chão e Monforte seguindo em direcção à estação viária do Monte das Esquilas, podendo daqui continuar rumo a Elvas, interligando assim a Via XIV com a Via XII que corria mais a sul no sentido E-W, confluindo ambas no sopé do povoado da Atalaia dos Sapateiros, já muito próximo de Elvas (Almeida MJ, 2000). No entanto para que esta variante pudesse integrar o Itinerário XIV do I.A., teria necessariamente de existir uma via de ligação à mansio de Ad Septem Aras, localizado no aro de Degolados ou Campo Maior; os possíveis itinerários são indicados a seguir (vide Carneiro, 2004, 2008 e 2011).
    Alter do Chão (segue sob a estrada actual até Alter Pedroso onde inflecte pela chamada «Estrada de S. Domingos», uma azinhaga com vários troços ainda em calçada que passa a 500 m para nordeste da importante villa da Qta. do Pião, seguindo pela Horta da Fonte de Vide e pela vertente poente do marco geodésico do Monte das Ferrarias, junto da Tapada de Vaz e a sudoeste da villa sob as ruínas da Igreja de S. Pedro)
    Cabeço de Vide (a oeste existe o fortim romano da Malhada das Penas talvez relacionado com o controlo da via; ao chegar à vila, a via entronca na rua de Santo Mártir; cortando à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao Balneário Romano das Termas da Sulfúrea, a inscrição às Ninfas que apareceu na Igreja de Santa Maria, CIL II 168, hoje desaparecida, deverá ser proveniente daqui; no entanto a via seguia à esquerda para ir atravessar a ribeira de Vide junto da Qta. da Ponte, onde há notícia de sulcos de rodados no sítio de Arrociada, continuando na outra margem por Horta da Calçadinha, cruza a linha férrea e toma a chamada «Estrada dos Castelhanos» em direcção ao Monte dos Merouços, passando junto dos vestígios de uma possível mutatio e marginando o fundus da importante villa da Horta da Torre até atingir a travessia da ribeira do Carrascal, na base do assentamento do Castelo do Mau Vizinho; daqui a via seguia pelo Monte da Laranjeira para a travessia da ribeira do Juncal, servindo a partir daqui de extrema entre os concelhos de Fronteira e Monforte, seguindo junto do Monte do Fidalgo)
    Vaiamonte (continua a poente, contorna o povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há vestígios de assentamento militar romano, continuando por Monte da Cabecinha, ribeira do Pau, Monte da Matança e próximo na necrópole do Monte do Pombal, passando assim a poente da monumental Villa romana da Torre de Palma, hoje aberta ao público, onde apareceu uma ara a Marte; a partir daqui a via seguia para a travessia da ribeira Grande, mas não havendo vestígios de ponte romana é preciso seguir rumo à Ponte Medieval da Vila chegando à vila)
    Monforte (na região existem as Pontes antigas do rio Almuro e do Cubo; fortim em Beiçudos e recinto-torre do Outeiro da Mina possivelmente relacionados com vias; depois de atravessar a ribeira Leca na «Ponte Romana», seguia talvez por Monte das Ferreirinhas, Herdade dos Guerros, Horta da Palmeira, Monte do Passeiro, mas hoje está destruído)

    Monte das Esquilas (MATUSARO?) (num outeiro próximo Mário Saa achou uma rara ara consagrada aos Lares Viales, ou seja os «Deuses Viários» que faria parte de um santuário junto da via romana, hoje no seu Museu em Ervedal; a forte possibilidade de existir aqui uma mansio da via romana e o facto de distar cerca de 24 milhas de Abelterio, hoje Alter do Chão, conforme indicado no I.A., sustentam a hipótese de situar aqui Matusaro; Encarnação, 1995; Mantas, 2010).
    • Diverticulum ad VIA XII - Itinerário de Esquilas a Elvas: a derivação poderia ser mais adiante em Barbacena, inflectindo para sul após a travessia da Ponte Romana?-Medieval da Ns. da Lapa ao longo da ribeira da Coutada para a Anta do Reguengo, onde vestígios de calçada junto ao monumento megalítico, seguindo depois junto do Alto de Pena Clara, a nascente da Herdade dos Campos ou Monte de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala, IRCP662, continuando depois a nascente de Vila Fernando pelo Monte dos Pequeninos até ao cruzamento com a via XII junto do povoado da Atalaia dos Sapateiros, em Casas Velhas ou mais adiante em Trinta Alferes.
    • Diverticulum ad VIA XII - Itinerário de Monforte a Alcobaça pelo Monte do Curvo: das Esquilas também deveria partir uma via romana rumo a sudoeste de encontro à Via XII na sua passagem pelo Monte de Alcobaça, atendendo ao miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo (CIL II 441 = IRCP664) que apareceu no Monte da Torre do Curvo em Santo Aleixo e hoje no acervo do extinto Museu de Elvas, caso este marco não seja apenas mais um marco deslocado da Via XII que corria a sul, a não muita distância; a via seguia então para sudoeste pelo Monte da Fonte Branca, Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro (controlo da via?) rumo ao Monte da Torre do Frade, continuando depois junto do chafariz do Monte da Torre do Curvo, onde estaria o referido miliário, posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que entretanto encerrou e o seu espólio armazenado (!); daqui continuava pelo Monte da Aldinha e dos Pereiros, acompanhando a ribeira de Tira-Calças até ao Monte de Alcobaça, onde cruza a Via XII; esta via que em grande parte divide os concelhos de Monforte e Elvas poderia continuar para sul rumo ao vicus e provável mansio do Monte da Nora em Terrugem, percurso que é ladeado por dois recintos-torre, Monte da Misericórdia e Monte da Ordem, possivelmente relacionados com o controle da via.

    VIA XIV - Itinerário do Monte das Esquilas a Mérida por Ad Septem Aras
    Inicialmente a via deveria seguir paralela à EN243 para Barbacena, passando no Alto das Malhadinhas em direcção à Ponte Romana?-Medieval da Ns. da Lapa sobre a ribeira da Coutada, seguindo depois para Barbacena, onde toma o caminho que passa a sul do Monte do Torrão e a norte de Alentisca, entrando em S. Vicente pelo caminho do Monte do Mestre; daqui seguia para Ventosa rumo ao Monte da Capela, onde surgem novos vestígios da via com um troço de calçada ainda bem conservado que passa na Capela arruinada de S. Pedro, continuando por Freixo e pelo sopé do Castro de Segóvia para cruzar o rio Caia no Porto da Amoreirinha, na divisória com o concelho de Elvas, coincidindo este ponto com a milha XLVI contada a partir de Augusta Emerita, seguindo depois rumo a Espanha pelos altos da Godinha e do Retiro; (Carneiro, 2008, 2011).

    AD SEPTEM ARAS (mansio)
    A localização da mansio Ad Septem Aras (literalmente «junto das sete aras") continua a suscitar muitas dúvidas, condicionando as propostas de percurso para as Vias XIV e XV, dado que esta estação viária é comum aos dois itinerários. A sua localização no aro formado por Barragem do Caia, Degolados e Campo Maior é segura, mas permanece a dúvida sobre exacta localização e claro sobre o verdadeiro traçado de uma e outra via; em todos estes locais há vestígios romanos, como a ara de Valgius a Belona encontrada na Herdade de Alentisca, na extinta ermida de Santa Catarina hoje submersa pela Barragem do Caia, FE 207, a lápides funerárias da Herdade do Almeida e das Terras da Aldeia, e o provável vicus viário em Campo Maior. Aparentemente o Itinerário XIV seguia primeiro para Budua antes voltar a reunir-se coma o Itinerário XV em Plagiaria, sendo assim é possível que inicialmente a via seguisse para leste rumo ao sítio romano da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa que deverá corresponder à mansio de Budua referida no I.A., rumando depois a sudeste até Plagiaria. Por outro lado, os impressionantes alicerces da Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, indiciam uma via importante com vários sítios romanos nas proximidades da ponte como Malha-Pão, Enxara, Lapagueira, Tapada da Pombinha (epitáfio e estatueta de Marte em bronze, hoje no MNSR ) e Defesinha (ara votiva a Dea Sancta na herdade); ora estes factos sugerem que a partir de Ad Septem Aras a via seguia directamente à Ponte da Enxarra em Ouguela, evitando assim a passagem em Campo Maior que seria deste modo apenas uma mutatio da Via XV na sua rota directa a Plagiaria como já tinha sugerido Mário Saa quando faz passar o caminho por Calejão para ir atravessar o rio Xévora junto da Villa de S. Salvador, dado que desconhecia a existência da Ponte da Enxarra (Carneiro, 2011). ver mapa.
    • Diverticulum por Calejão e Salvador: derivava da via principal no Monte dos Fragustos e seguia por Malhada dos Covões, Fonte do Monte Branco, marginava, segundo Saa, os sítios romanos de Eiras do Pompílio, Monte da Travessa e Monte dos Surdos, continuando pelo Alto do Gato, Meia Légua, Calejão, Monte do Comandante, rumo à travessia do rio Xévora junto da villa de S. Salvador (Saa, 1956, Tomo VI, 43).
    • VIA XIV - Itinerário de Degolados a Enxara (Ouguela), desviando no nó viário de Azeiteiros e seguindo para Monte do Marco Alto, Monte de Adães, Monte de Cevadais, passa a sul de Ouguela e segue pela Tapada da Pombinha até à Ponte de Enxarra. A partir daqui a via inflecte para sul de encontro à mansio de Budua, mas é provável que existisse uma outra via para nordeste rumo a Norba Caesarina localizada em Cáceres.

    VIA XIV - Itinerário de Campo Maior a Mérida: partindo do vicus viário da Defesa de S. Pedro (ermida de S. Pedro dos Pastores), a via deveria seguir próximo da villa do Monte do Muro, com a sua Barragem Romana, uma das melhores preservadas em Portugal, seguindo depois pelo Monte do Castro (villa; 2 aras anepígrafas no pátio da casa) e Casarões da Misericórdia até à fronteira que atravessa para o Cortijo de las Mesas, continuando depois rumo à travessia do rio Xévora (Gévora em Espanha) junto da sua confluência com o Rio Zapatón, atravessando este último junto à villa do «Rincón de Gila», rumando depois para a Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, junto do qual ficaria a mansio de Budua e a milha 38 desde Mérida. Depois seguia recto até Plagiaria perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, o que corresponde aos 12 km medidos entre a Ermida de Bótoa e Novelda del Guadiana pelo que Plagiaria ficaria nas proximidades dessa povoação, proposta ainda reforçada pelo facto de haver concordância na distância daqui a Mérida, cerca de 45 km com as 30 milhas indicadas no I.A.

    BUDUA (a 12 milhas de Ad Septem Aras, junto da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa)
    PLAGIARIA (a 8 milhas de Budua, talvez em Pesquero, La Novelda del Guadiana)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida a 154 milhas de Lisboa)

    VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m. p. CCXX

    Mapa








    ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Alvega (ARITIO VETUS) - Mérida (EMERITA)    CCXX milhas - 326 km
    OLISIPO
    IERABRIGA
    SCALLABIN
    TUBUCCI
    FRAXINUM
    MONTOBRIGA
    AD SEPTEM ARAS
    PLAGIARIA
    EMERITA

    m.p. XXX
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXX
    m.p. XIIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    Este itinerário deveria seguir o percurso da Via XVI entre Lisboa e Braga até Santarém, onde atravessava o rio Tejo para Almeirim. A partir daqui a via acompanhava a margem esquerda do rio, seguindo o traçado da actual EN118 para Alpiarça e Pinheiro Grande, troço que é partilhado com o Itinerário XIV, continuando por Arripiado rumo à estação Tubucci que poderá situar-se pouco antes do Tramagal, no sítio romano do Casal do Carvalhal, freguesia de Sta. Margarida da Coutada, perto do qual se achou um miliário a Constantino Magno. A partir daí a via dirigia-se para Aritio Vetus, importante municipium localizado a leste de Alvega, apesar de estar omisso no I.A., rumando daqui para sudeste em direcção a Ad Septem Aras onde volta a reunir com o Itinerário XIV, passando nas estações intermédias de Fraxinum, possivelmente localizada em Monte da Pedra, e Montobriga, situada possivelmente junto da travessia do rio Caia na Herdade da Falagueirinha, estações viárias que pouco mais seriam que a própria mansio.

    Troço comum com a Via XVI
    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)
    Troço comum com a Via XIV
    Depois de atravessar o rio Tejo, a via acompanha a margem esquerda por Almeirim, Alpiarça, Vale de Cavalos, Chamusca, Pinheiro Grande e Carregueira, traçado comum à Via XIV, continuando depois por Arripiado e nas proximidades de Sta. Margarida da Coutada e Tramagal.

    Casal do Carvalhal (TUBUCCI) (provável localização da mansio Tubucci no local onde a via romana cruzava a ribeira de Alcolobre que hoje divide os concelhos de Constância e Abrantes, atestado pelo miliário a Constantino Magno (FE363) que apareceu cerca de 800 m para leste, na rua da Tapada da Moura em Crucifixo (armazenado na JF do Tramagal); o carácter de terminus, as 32 milhas de distância a Almeirim em concordância portanto com o indicado no I.A. e os importantes vestígios da chamada estação romana de Alcolobre, na margem esquerda da ribeira, convergem para a localização desta estação viária neste local.

    de Tubucci a Aritium Vetus
    O percurso é hipotético dada a ausência de vestígios (ou falta de prospecção?), mas a via não andaria longe da EN118, marginando o fundi das várias villae que bordejam o rio Tejo restando na toponímia como "Estrada Velha"; partindo de Crucifixo, a via seguia junto do casal romano da Fonte do Castanho, Alto da Atalaia e Vale Salgueiro, cruzava S. Miguel do Rio Torto e descia pelo caminho que margina a villa do Casal do Moinho do Meio e o casal? de Vale das Donas, onde cruza o rio Torto, continua a sul de Rossio ao sul do Tejo (villa na Qta. da Baeta de onde provém uma estátua e inscrição, hoje no acervo do MIAA) pela rua dos Canaviais, rua da Sra. do Rosário e rua do Serrado até reunir com a EN118 em Coalhos, e já no Pego (tesouro), toma a rua da Estrada Velha por 1,5 km até confluir novamente na EN118 seguindo por esta até Concavada, onde desvia da EN118 por Ribeira do Fernando (villa da Quinta Nova), Portelas e Monte do Ameixial até atingir a periferia da capital do municipium Aritiense com a mansio localizada provavelmente em Monte Galego, onde há um miliário.

    Casa Branca, Alvega (ARITIO VETUS) (junto da aldeia de Casa Branca, onde a ribeira da Lampreia desagua no rio Tejo, há vestígios de um importante povoado romano designado por Aritio Vetus, dado que aqui apareceu uma placa de bronze, entretanto perdida, com um juramento a Calígula onde se lia «Aritiense oppido veteri»; noutra inscrição lia-se aedilis IIvir flamen provinciae Lusitaniae, uma referência ao magistrados da cidade, edis, duúnviros e flâmines, atestando o seu estatuto municipal; os vestígios estendem-se pelos sítios do Casal da Várzea, Casal do Aneirão e Quinta de S. João, com uma barragem romana a montante, ao km 155,5 da EN118 na ribeira da Represa; embora não seja mencionada no Itinerário XV de Antonino, é muito provável que aqui existisse uma mansio, a meio caminho entre Tubucci e Fraxinum, até porque aqui existiria uma travessia do Tejo, eventualmente na "ponte magnífica, acima d'Abrantes" referida por Francisco d'Holanda, bifurcando na outra margem (junto da importante villa de Vale do Junco?) quer para nordeste rumo a Igaedis e Salmantica, descrito no Itinerário Alvega - Salamanca quer para noroeste rumo a Conimbriga, descrito no Itinerário Conímbriga - Alvega)

    Monte Galego, Alvega (o miliário conhecido como «marcão» ou «polícia», no cruzamento da rua das Flores com a rua 25 de Abril, indicava o início da subida à serra por Casal Ventoso, seguindo a linha de festo entre a ribeira da Lampreia e a ribeira do Carregal passando nos altos da Lampreia e Abitureira)
    Gavião (entrando no concelho, a via passa a sul do Alto dos Carris Brancos, onde cruza a EN244 e segue pelo Alto do Vale da Vinha, atravessa a ribeira de Margem em Ferrarias, sugestivo topónimo viário, ou mais a sul em Machouqueira, seguindo depois por Monte do Polvorão e Vale do Braçal/Vale do Brejo, outro topónimo viário, até Vale da Feiteira)
    Vale da Feiteira, Comenda (segundo Mário Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» para cruzar a ribeira de Sor no Porto de Manejo, na linha divisória entre os concelhos de Gavião e Crato, onde assinalou uma estalagem e vestígios de via e de uma ponte que terá sido destruída no século XX)

    Monte da Pedra (FRAXINUM?) (possível localização desta estação viária dado este local estar a cerca de 44 milhas da possível localização de Ad Septem Aras na barragem do Caia, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; da ribeira de Sor a via segue por Sorinho, continua entre o Alto do Monte da Pedra e as Termas da Fadagosa até ao Alto do Aguilhão, onde Saa achou «fragmento de coluna, com caracteres imperceptíveis» que interpretou como miliário, passando assim a norte da povoação, seguindo depois rumo a Vale do Peso pelo chamado «Caminho do Aguilhão» até ao Alto da Safra do Rebolo e daqui pelo «Caminho da Decaleira» que passa no Monte das Veladas e Monte da Decaleira)
    • Diverticulum do Monte da Pedra ao Crato, possível via rumando para sudeste, passando próximo da villa em Fonte Santa e da necrópole da Herdade da Lage do Ouro a nordeste de Aldeia da Mata, seguindo depois para o Crato, onde entronca na via proveniente de Alpalhão rumo a Évora.
    • Diverticulum do Monte da Pedra a Alpalhão, derivando da Via XV no Alto do Aguilhão e depois de atravessar a ribeira de Vale de Magre, seguia a norte do Monte da Granja pela margem direita da ribeira pelo caminho na linha de festo que divide os concelhos do Crato e Nisa, continuando depois junto do vicus do Monte de Biscaia, Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo (a sudeste de Gáfete) e Alto da Mala rumo ao chamado «Castelo Velho, onde fazia a travessia da ribeira de Sor (junto da Capela da Sra. da Redonda) e daqui a Alpalhão (nó viário no vicus de Fraguil), interligando à rede viária da civitas de Ammaia.

    Vale do Peso (daqui seguia o caminho que passa no Monte de Setil, entre o Monte Cem Dias e o Alto do Vale Seco, Monte das Braguinas, Monte do Coito dos Algarves, Fonte da Espadaneira, Coito dos Guerreiros e Veladas)
    Fortios (possível mutatio no sítio romano do Monte das Veladas, cruzando aqui com a via Ammaia ad Ebora; 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP633, e na arruinada igreja de S. Domingos, o epitáfio de Urso, FE 132)
    Portalegre (passa a poente da cidade por Frangoneiro, Coutada das Freiras e Qta. da Misericórdia, cruza o IP2 junto da Praça de Touros e segue pela Herdade dos Fajardos e a sul do Monte Abrunheira do Conde e do Monte da Abrunheira)
    Urra (continua por Fadagosa e Azinhal rumo à travessia do rio Caia )

    MONTOBRIGA
    A estação viária poderia situar-se próximo da travessia do rio Caia, talvez no sítio romano da Herdade da Falagueirinha, dado que este local está a cerca de 30 milhas de Monte da Pedra e a cerca de 14 milhas da possível localização de Ad Septem Aras na barragem do Caia, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; daqui seguia a rota da EN246 por Venda, Algueireiras, Coutada do Povo (villa?) para Arronches, onde existem vestígios eventualmente relacionados com a via, a calçada em Porto Mane e a Ponte Romana? do Monte do Pisão.

    AD SEPTEM ARAS
    A localização desta mansio comum aos Itinerários XIV e XV continua a ser discutida, sendo certo que estaria dentro do triângulo formado por Campo Maior, Degolados e Barragem do Caia, conforme é justificado na descrição do Itinerário XIV; no entanto, a partir daqui o I.A. é pouco claro não se sabendo se as vias seguiam um traçado comum para Mérida ou se pelo contrário, existem dois traçados distintos como parece sugerir a omissão na Via XV da estação intermédia de Budua antes de voltarem a reunir-se em Plagiaria; ver detalhes sobre as várias alternativas na descrição do Itinerário XIV.
    PLAGIARIA (a 30 milhas de Emerita, talvez em Pesquero, Novelda del Guadiana)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida, a 220 milhas de Lisboa)

    VIA XXII - Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA m. p. LXXVI

    Mapa





    ITINERARIO XXII - Castro Marim (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)    LXXVI milhas - 101 km
    BAESURIS
    MYRTILIS
    PACE IULIA

    m.p. XL
    m.p. XXXVI
    No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 101 km, o que corresponde aproximadamente à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota muito mais longa que parece interligar as principais cidades romanas do litoral Algarvio e do Alentejo. Neste itinerário há apenas uma estação intermédia situada em Mértola, constituindo o mais importante porto fluvial no hinterland Alentejano pelo que é provável que a parte inicial do itinerário entre Castro marim e Mértola se fizesse por via fluvial sabendo que em época romana já o Guadiana era percorrido por muitas embarcações relacionados com o intenso comércio como o Mediterrâneo. Acresce que a distância de 40 milhas indicadas no itinerário, cerca de 60 km, correspondem exactamente à distância medida por via fluvial. Uma hipotética via terrestre marginando o rio apresenta-se de muita dificuldade dado o acidentado das suas margens e mesmo o povoamento romano observado parece mais ligado à actividade fluvial distribuindo-se pelas suas margens portos e villae como no caso do Montinho das Laranjeiras, fortins e vicus como o caso de Alcoutim. A partir de Mértola percorria as 36 milhas por via terrestre até Beja, mas o seu percurso continua hipotético embora subsistam alguns troços dispersos com possível cronologia romana. (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


    Hipotética Via Terrestre:
    Indicando os vestígios romanos ao longo do rio.
    Castro Marim (BAESURIS) (calçada com 50 m na base do Castelo; segue para norte +- paralela à EN122)
    Ponte do Beliche em Junqueira (continua junto do povoado do Cerro dos Castelhanos; calçada?)
    Horta dos Quartos, Azinhal (possível alusão à milha IV desde Baesuris; topónimos viários Varanda, Fronteirinha e Calçada)
    Ponte das Choças (?)
    Odeleite (travessia da ribeira de Odeleite a vau? onde?)
    Ponte Romana? de Álamo (vestígios; villa e barragem de Álamo)
    Guerreiros do Rio (fortim)
    Montinho das Laranjeiras (villa aberta ao público)
    Vale de Condes (necrópole junto ao rio; villa, vicus?)
    Alcoutim (diversas fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros, relacionadas com o tráfego fluvial)

    Mértola (MYRTILIS) (oppidum; núcleo romano na cave da C.M. de Mértola; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como prova o epitáfio de Peregrinus, colono originário de Útica, hoje Zana na Tunísia)

    • Ligação às Minas de S. Domingos:
      Estrada romana que ligava o Porto de Mértola às minas S. Domingos, permitindo o escoamento do minério de cobre, podendo ter continuação para Serpa ou rumo à Bética. A via partia da margem esquerda do Guadiana em Além-rio (junto dos celeiros da EPAC junto do Guadiana) e rumava a nascente pela «Estrada Velha», troço calcetado que segue por 2,2 km até Casa Branca, seguindo depois sob a EN265, reaparecendo a via mais adiante no Cerro do Calcolítico e a seguir à antiga Casa dos Cantoneiros, ao Km 65, seguindo sempre sob a EN265 até Minas de S. Domingos (villa no Cerro da Mina). Daqui poderia continuar para norte por Corte do Pinto, rumo à travessia do rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas), rumando depois para a Bética por Paymogo, trajecto descrito no Itinerário Beja - Huelva.

    Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA)
    Mértola (a via começava junto do Museu da Basílica Paleocristã e deveria seguir a EN122 e EM510 para Corte Gafo de Cima, passando no Monte do Vale Covo, onde poderia existir uma mutatio pois é mencionada como estação viária no «Roteiro Terrestre» do MPAM; uma variante seguia pela necrópole da Achada de S. Sebastião até reunir com a via principal)
    Corte Gafo de Cima (daqui seguia para a travessia da ribeira de Terges, existindo dois possíveis pontos de travessia, criando dois caminhos alternativos que se reencontram em Vale de Russins)
    • por Amendoeira da Serra, passando no Monte da Lapa, Alto de Vasco Martins, atravessava a ribeira de Terges entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho.
    • por Mosteiro, seguindo por Atalaia, Alto da Légua e Monte do Mosteiro, povoado romano onde poderia existir uma mutatio, atravessava a ribeira de Terges e seguia pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio.
    Vale de Russins/Rocins (continua talvez pelo Monte de Vale Loução de Baixo, Monte da Atalaia por estradão rectilíneo até ao Monte da Lagoa)
    Salvada (entra pelo cemitério e continua pela rota da EM511, passando próximo do Monte de Mértola)
    Beja (PAX IULIA) (chegava pela Horta de Todos/Tanque dos Cavalos/Bairro de S. João, junto da villa da Abóboda e entrava na antiga malha urbana pela Porta de Mértola, demolida em 1876 e posteriormente transladada para a Igreja da Ns. da Conceição onde ainda se encontra)

    VIA XXI - Item de BAESURIS PACE IULIA m. p. CCLXVII

    Mapa


    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURIS) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    BAESURIS
    BALSA
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. LX
    m.p. XXXII
    m.p. XXXV
    m.p. XLIIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    O Itinerário XXI percorre o território do Algarve e Alentejo num percurso algo incoerente que apresenta dificuldades de interpretação ainda hoje não totalmente esclarecidas, mais parecendo um agrupamento de várias vias, indicando as principais mansiones nessas regiões do que propriamente uma via única interligando dois caput viae; sendo assim, o itinerário foi decomposto nas várias vias que interligavam os principais focos populacionais na época romana, sem a preocupação de concordar com o nexo sequencial aparente do Itinerário; o primeiro troço indicado corresponde à via romana que percorria o litoral Algarvio entre Castro Marim e Faro, ou seja a ligação entre Baesuris, oppidum estrategicamente situado junto da foz do Guadiana e Ossonoba, capital regional na época romana; entre elas existia apenas uma mansio localizada na importante cidade de Balsa, ocupando hoje os terrenos da Qta. de Torre de Aires em Luz de Tavira; esta seria a principal via do Algarve à qual pertence o único miliário conhecido da região, encontrado em Bias do Sul, marcando X milhas Faro; a partir de Ossonoba, o itinerário inflectia para norte rumo a Arannis, estação a 60 milhas de Faro cuja localização tem oscilado entre a aldeia de Sta. Bárbara de Padrões no concelho de Castro Verde (Maia, 2000; Maia, 2006; Bernardes, 2006) e a vila do Garvão no concelho de Ourique (Ponte, 2010 e 2012), ambos povoados relevantes em época romana e localizados a uma distância aproximada da indicada no itinerário; a partir daqui o itinerário torna-se confuso porque a estação seguinte indicada é Salacia em Alcácer do Sal que nunca poderia estar a 35 milhas de Arannis (erro na distância? omissão de estações intermédias? outra Salacia?); a estação seguinte é Ebora indicando uma distância de 44 milhas, o que está de acordo com a distância medida no terreno entre Alcácer do Sal e Évora e que está de acordo com a distância indicada no Itinerário XII entre Lisboa e Mérida para o mesmo troço; a partir de Évora o itinerário é novamente enigmático, indicando aparentemente um itinerário para Beja com três estações de permeio, Serpa, Fines e Arucci até atingir Beja, percurso inverosímil apesar da incerteza da localização destas estações, sabendo que existia uma via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto (com cerca de 45 milhas) colocando ainda mais dificuldades na interpretação do itinerário; por último o itinerário também nada esclarece sobre a mais que provável ligação directa entre Ossonoba e Pax Iulia.
    Perante este percurso inviável são muitas as propostas de acerto da sequência das estações de paragem e respectivas distâncias intermédias, com várias propostas para as enigmáticas mansiones de Arannis e Fines, mas apesar do crescente conhecimento sobre a rede viária a sul do Tejo, ainda não há uma explicação cabal para as incongruências do itinerário; no campo das hipóteses, é possível que este itinerário deva ser lido não como uma sequência de estações, mas cada estação separadamente, admitindo um erro na transcrição do itinerário feita em época Medieval que terá "forçado" o aspecto sequencial em vez de uma lista de troços independentes, por exemplo com a forma de uma estrela, com a capital do conventus Pacensis no seu centro; acresce que esta interpretação do itinerário tem paralelo no itinerário Lisboa - Mérida, no qual as estações da via a partir de Évora serem contadas a partir de Mérida, indicando uma «quebra» na sequência das estações; deste modo, o itinerário é apresentado por troços com as ligações mais prováveis entre os principais focos de povoamento na época romana que era no fundo o intuito inicial deste itinerário:

    Mapa






    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL

    BAESURIS
    BALSA
    OSSONOBA

    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuris, situada na foz do Rio Guadiana, a Ossonoba que corresponde ao centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia hoje definitivamente localizada junto à praia de Luz de Tavira num lugar conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha contada a partir da Faro, a capital regional em época romana, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio; tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno. A partir de Faro, o itinerário rumava a norte na direcção de Beja (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

    Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.geohistorica.net/arkeotavira.com e no seu blog Impronto; ver aqui os diversos museus com o espólio da região.
    Castro Marim (BAESURIS) (oppidum; na época romana Castro Marim era uma ilha pelo que esta via deveria partir da zona seca, a norte; poderia acompanhar o percurso da EN125-6 por Horta de D. Maria, Ponte Esteveira, Sobral de Cima e Vale de Boto; pouco antes de S. Bartolomeu, ao Km 2, segue o caminho de terra que se dirige para a ponte ferroviária sobre o rio Seco, seguindo depois paralela à linha férrea por Alcaria, Portela, onde atravessa a ribeira do Álamo, cruza o CF e segue a EM1250 para Cruz do Morto, Bornacha, EN125, Buraco, EM1242 e Torrão; villa com produção de ânforas na Praia da Manta Rota)
    Cacela Velha (importante villa que ocupava o local do forte e da igreja e parte da Quinta do Muro; porto (?); continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Qta. de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a EN125 e a linha férrea, seguindo paralela à EN125 até se fundir nesta)
    Conceição (continua pela EN125 até Calçadinha, onde toma o caminho para a Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Almargem, com restos de calçada; daqui a via poderia seguir o caminho carreteiro que segue por Mato Santo Espírito e Morgado, cruza a EN125 e segue a rua Casa de Pau)
    Tavira (a via entrava na cidade pelo Alto de S. Brás, junto da Ermida homónima e descia pelo Jardim da Alagoa até ao local da travessia a vau do rio Séqua/Gilão defronte da Estação Rodoviária, 130 m a montante da chamada "Ponte Romana" que não apresenta qualquer sinal de romanidade pelo deverá ser uma construção posterior (Fraga da Silva, 2005); na outra margem subia por Bela Fria (Villa Frigida?) ao Alto do Cano, seguindo depois pelo «Caminho do Concelho», estradão de terra que passa junto das Quintas de St. António de S. Pedro rumo a Pedras d'El Rei, havendo referência a um troço calcetado já próximo do aldeamento turístico, local onde existia uma villa e respectiva necrópole; espólio no Museu de Moncarapacho)

    Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (cidade romana cujo núcleo urbano abrangia a Qta. das Antas e a Qta. de Torre de Aires; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto até ao centro urbano; depois seguia para Livramento, onde conflui com a EN125, seguindo por esta por Arroteia e Alfandanga/Murteira rumo a Bias do Norte; duas inscrições tumulares provenientes da Fuzeta, estão hoje no Museu de Moncarapacho)
    Bias do Sul (em Canada do Sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro que servia marco territorial, assinalando a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu Paroquial de Moncarapacho; villa da Alfanxia a norte)
    Olhão (epitáfio onde alguns autores lêem V(iator); cetárias no actual Porto de Pesca; a via passaria a norte da cidade e da importante villa ou vicus da Qta. do Marim, de onde provêm 17 inscrições funerárias e possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena (Graen, 2007), e passando assim a norte da villa de Torrejão Velho; a via segue assim por Quatrim e Marim, atravessa a ribeira homónima um pouco a jusante da Ponte Velha de Quelfes, segue depois por João de Ourém, cruza a ribeira de Bela-Mandil em Contenda e segue por Joinal, Vale de El-Rei e Areal Gordo, onde atravessava o rio Seco, a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta)

    Faro (OSSONOBA) (a chegada a faro é assinalada pela Ermida de S. Cristóvão situada no cruzamento com a estrada para Estoi, reforçado pelos vestígios da villa de Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha, e pela recente descoberta da necrópole de Rio Seco; seguia depois pela Estrada de S. Luís até à ermida homónima, onde inflectia pelo Mercado Municipal rumo à Capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole de Ossonoba que ocupa a área entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, e continuando pela rua do Bocage, entrava na Vila-Adentro pela Porta do Repouso até chegar ao forum no Largo da Sé; Bernardes, 2011)

    Variante norte pelo barrocal algarvio
    Esta variante da Via Baesuris ad Ossonoba seguia mais a norte pelo Barrocal interligando uma série de povoados romanos e cruzando com as várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo; derivava da via principal após a travessia do Gilão em Tavira e seguia pelo Alto do Cavaco, Vale da Asseca, Marco, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (talvez pela calçada entre Desbarato e Bengado até Fonte/Cerro da Mesquita), São Brás de Alportel (cruza a via proveniente de Faro), continuando a sul da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro (calçada), cruza a EN270 e segue por Vilarinhos, Carrascal e S. Romão (na ermida, apareceram duas inscrições funerárias, o epitáfio de Licínia e o epitáfio de Cecília Marina, originária de Ossonoba), continuando por Poço Largo, Fonte de Apra, Torre de Apra (villa; capitéis e colunas no Museu de Loulé; ara votiva de Ophime/Trophime e ara votiva aos Lares(?) de Paccius Fronto, hoje no MNA), continua por Loulé (talvez a sul da cidade actual e Lagoa de Momprolé, EN270), Boliqueime, seguindo daqui até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral descrita abaixo).

    VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m. p. XVI



    ITINERARIO XIII - Faro (OSSONOBA) - Vilamoura (SALACIA) m.p. XVI (24 km)

    O Itinerário XIII (13) de Antonino indica apenas a distância entre os dois pontos, não mencionando qualquer estação intermédia; seria lógico ver este itinerário como uma derivação da Via XII Lisboa - Alcácer do Sal - Évora - Mérida rumo a Faro, atendendo a que estes itinerários aparecem em sequência e ao facto de Alcácer ser designada por Salacia na época romana. No entanto esta hipótese não tem sustentação pois as 16 milhas indicadas são insuficientes para cobrir a distância entre essas cidades e por outro lado não teria sentido individualizar esta ligação quando ela já aparece no Itinerário XXI (21); deste modo é mais provável que este itinerário XIII indicasse a ligação entre Ossonoba e o seu porto marítimo designado por Salacia ou Salaria, localizado no vicus do Cerro da Vila em Vilamoura que dista cerca de 16 milhas de Faro.

    Faro (OSSONOBA) (partindo do forum no Largo da Sé, saía do núcleo urbano pela Porta da Vila, atravessava a necrópole de Lethes e seguia pela antiga rua da Carreira, hoje rua Conselheiro Bivar e rua Infante Dom Henrique, ou pelas paralelas, rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto, passando junto da necrópole do Largo S. Sebastião e da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, cruza a linha férrea e segue talvez paralela à EN125 pelo Alto do Calhau e Torre até Almansil e daqui rumava a Quarteira por Escanxinhas, Fonte Coberta, Almarjão, Fonte Santa e Almargem, servindo villae e complexos industriais de preparação de garum instalados ao longo da linha de costa entre Ossonoba e Salacia como os sítios romanos de Salgados, Ludo, Porto das Vacas e Casas Velhas, o complexo industrial da Qta. do Lago, do qual restam as cetárias junto da foz da ribeira de S. Lourenço, assim como o importante sítio de Loulé Velho na Praia do Trafal, do qual pouca resta devido à erosão da costa pela acção do mar, e ainda o complexo industrial da Quarteira, hoje submerso a 8 m de profundidade)
    Vilamoura (SALACIA) (vicus portuário do território de Ossonoba com mansio e alfândega; ainda restam importantes vestígios deste povoado junto da marina, o sítio romano do Cerro da Vila, a «villa moura»; barragem no sítio Vale Tesnado revela o sistema de abastecimento de água ao povoado que ocupava uma extensa área; a urbanização turística destrui os antigos caminhos mas é provável que existisse uma via partido do vicus cruzando a antiga zona agrícola e a Qta. de Quarteira/«Estalagem da Cegonha» rumo à travessia da ribeira da Quarteira na Ponte Romana?-Medieval do Barão/Retorta onde reencontra a via que vinha de Faro por Almansil descrita a seguir.

    Via litoral Faro - Portimão
    Almansil (continua a sul de Pereiras, cruza a EM527 e a EN396 e segue por Cascalheira e Bacelada, contornando Vilamoura pelo norte)
    Ponte Romana?-Medieval do Barão/Retorta (ponte com possível fundação romana junto da qual existia um importante sítio romano, o vicus ou villa da Retorta e respectiva necrópole cujo espólio está no Museu de Albufeira e no Museu de Loulé, em particular uma árula votiva; na outra margem, surge o sugestivo topónimo de Vale de Carro; continua sob a EN526 por Patã de Baixo, Lajeado e Brejos, passando junto do sítio romano de Cerros Altos/Poço do Barnabé, possível villa agrária de onde provém a ara a Silvanus hoje no Museu de Albufeira; nas imediações estaria a «Estalagem da Nora» referida no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    Ferreiras (vestígios em Tomilhal e Ataboeira, indiciam a passagem a via)
    Guia (segue paralela e a sul da EN125; peso de lagar na Qta. do Coelho)
    Pêra
    Alcantarilha (calçada debaixo da ponte em betão com fundações romanas?; rua das Muralhas; acesso ao vicus? portuário de Armação de Pêra; segue talvez pelo lugar da Torre)
    Porches (?)
    Lagoa (?)
    Estômbar (por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
    • Portimão (PORTUS MAGNUS?) (a foz do rio Arade deverá corresponder ao Portus Magnus referido nas fontes clássicas; poderia existir uma travessia por barca, seguindo depois por Meixilhoeira rumo aos portos de Lagos e Alvor, servindo as importantes villa do Vale da Arrancada e villa da Qta. da Abicada (acesso parte da EN125 no apeadeiro).
    • Alvor (IPSA) (vicus portuário, provavelmente a Ipsa das fontes clássicas, com base numas moedas aqui encontradas com a legenda IPSES).
    • Lagos (Laccobriga?) (há vestígios de uma olaria e cetárias no centro urbano, mas o oppidum deverá corresponder aos vestígios romanos do Monte Molião, estrategicamente situado num pequeno outeiro com domínio visual sobre o porto marítimo; barragem romana em Fonte Coberta; villa? na Colina de S. Pedro)
    • Ligação de Lagos a Sagres, hipotética via passando talvez por Vale de Boi, servindo os vários sítios romanos de exploração dos recursos marinhos e agrícolas distribuídos ao longo da costa, como a villa da Praia da Luz (aberta ao público; na frente marítima), a villa de Burgau (vicus portuário?), a villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens, as cetárias da Praia de Beliche e a villa da Praia de Salema, constituindo um verdadeiro pólo industrial para produção de garum e apoiado pelo centro oleiro para fabrico de ânforas na falésia da Praia do Martinhal em Sagres; no limite oeste situa-se o Cabo de São Vicente que deverá corresponder ao Promontorium Sacrum das fontes clássicas.

    Mapa





    Mapa





    ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS m.p. LX
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA

    m.p. LX
    m.p. XXXV?
    m.p. XXXV
    m.p. XLIIII
    A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja cerca de 89 km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis no aro de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância a Faro no terreno concorda com a indicada no itinerário. Em alternativa Arannis poderia estar situada em Garvão, local onde de observam vestígios de um oppidum romano, embora neste caso não haja concordância com a distância indicada no itinerário; a rota pelo Garvão está descrita no sentido inverso no Itinerário Alcácer do Sal - Garvão- Faro. Para atingir a estação seguinte, Salacia, presumivelmente situada em Alcácer do Sal, o itinerário indica apenas 35 milhas, distância insuficiente para ligar estas povoações, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário, seja através da introdução de uma estação intermédia situada a 35 milhas tanto de Arannis como de Salacia, eventualmente o povoado de Sarapia referido por Plínio, o que permitiria perfazer as cerca de 70 milhas que separam Garvão/Sta. Bárbara de Padrões de Alcácer do Sal. Deste modo, o troço seguinte entre Salacia e Ebora numa distância de 44 milhas, corresponderia à via entre Alcácer do Sal e Évora e seria assim comum ao Itinerário XII entre Lisboa e Mérida que também indica 44 milhas para este troço, o que está de acordo com a distância medida no terreno. Outra hipótese, ainda que menos provável, seria admitir um erro do copista medieval que teria trocado o nome de Sarapia por Salacia, pelo que as 44 milhas assinaladas no Itinerário para o troço Salacia-Ebora poderá ser de facto a distância entre Sarapia e Ebora; ambas as hipóteses apontam para uma localização de Sarapia nas proximidades de Peroguarda, mas ainda não se identificaram vestígios que pudessem corroborar esta hipótese apesar da sua privilegiada localização, aproximadamente equidistante do triângulo formado por Salacia, Ebora e Arannis e forte candidato a nó viário, embora haja outras possibilidades como Sta. Margarida do Sado ou Figueira dos Cavaleiros. Devido a estas incertezas este itinerário apresenta diversas possibilidades de ligação de Ossonoba a Arannis rumo a Alcácer e à capital regional em Beja. Partindo de Faro, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três rotas possíveis, uma mais ocidental por Almansil, Loulé, Querença e Salir, uma central por S. Brás de Alportel, Querença e Salir, e uma oriental por Moncarapacho, Sta. Catarina da Fonte do Bispo, Mealha, S. Pedro de Solis e Sta. Bárbara de Padrões. (Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006).

    Faro a Salir por S. Brás de Alportel e Querença
    Faro (OSSONOBA) (inicialmente seguia a estrada para Balsa, derivando desta junto da ermida de S. Luís, junto do estádio, onde inflectia para norte rumo a Estoi pela Estrada da Penha, EM519; continua por Conceição, passando próximo dos Monte da Meia Légua e de Porto Carro)
    Estoi (importante villa Milreu; daqui a via seguia inicialmente pela rua Pé da Cruz e depois pelo caminho a meia-encosta ao longo da margem esquerda do rio Seco, contornando o Cerro da Bemposta pela vertente poente, passando junto da necrópole de Cancela rumo à travessia do rio Seco em Porto Velho)
    Machados (villa em Vale do Joio; do rio Seco sobe à EN2 que percorre durante 1.4 Km, saindo depois à direita pelo caminho de terra, conhecido por «Calçadinha» rumo a Hortas e Moinhos)
    S. Brás de Alportel (chega pela «Calçadinha» que desemboca na Igreja Matriz; depois atravessa a vila talvez pela Av. da Liberdade seguindo depois próximo de Alcaria, Cerro de Alportel, Juncais, Fontaínha e Corte, entra no concelho de Loulé por Almarjão, seguindo o caminho pela margem esquerda da Ribeira das Mercês até confluir na EN396, continuando pelo caminho à esquerda antes da ponte, seguindo para a travessia da ribeira das Mercês na Fonte da Esparrela, subindo depois por Taliscas e Portela)
    Querença (nó viário; a via continua a poente da povoação pela Azinhaga da Portela até à Nora de Pombal, onde toma o caminho de terra que cruza a rua da Eira junto do Monte dos Avós, continua pelo «Caminho do Borno», cruza a ribeira da Chapa e segue pela Portela de Vale de Alcaide para cruzar as Ribeiras da Salgada e do Sêco, continuando próximo do povoado de Palmeiros por Fonte Morena, Fonte do Ouro, CM 1102, junto do cemitério)
    Salir (necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS no Museu de Loulé)

    Variante Faro/Vilamoura a Querença por Loulé
    Faro (OSSONOBA) (na parte inicial seguia o itinerário da via litoral até ao nó viário de Almansil onde reunia com esta via que teria origem no vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura, passando por Fonte Santa e Escanxinhas, actual EM527-2)
    Almansil (cruza a EN125 e linha férrea, rumando a norte pelo Caminho de Boniches em Vale de Éguas, corta à esquerda pelo vale do Cerro do Môcho até Poço da Amoreira, continua por Quartos, possível topónimo viário, Estrada do Poço de Pau, continuando a poente do Cerro de Sta. Catarina e depois pelo caminho do Torrejão Velho pela margem esquerda da ribeira do Cadoiço que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Álamos (recentemente reabilitada, próximo do sítio romano da Fazenda do Cotovio; depois da ponte, continua pela rua São João de Brito até à cidade velha)
    Loulé (não há vestígios romanos na cidade excepto um ara votiva a Diana que apareceu na torre da igreja matriz de S. Clemente, CIL II 5136, de proveniência duvidosa e hoje no MNA)
    Querença (nó viário, onde conflui na via proveniente de Alportel)

    Variante de Faro a Sta. Bárbara de Padrões por Moncarapacho e Fonte do Bispo
    Este itinerário parte Ossonoba rumo ao Moncarapacho e Sta. Catarina da Fonte do Bispo, seguindo inicialmente a via litoral para Balsa até Quatrim, atravessando a ribeira de Marim a jusante da Ponte Velha de Quelfes, e depois pelo "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (Louro, 1929 p.60). No entanto, existiam também ligações a partir de Balsa, uma rumando directamente a Sta. Catarina e outra seguindo inicialmente a via para Ossonoba e depois inflectindo para norte próximo do sítio da Fonte Santa, seguindo pelo lugar de Gião rumo a Moncarapacho (EM1335), onde conflui na via proveniente de Ossonoba.

    Faro (inicialmente seguia a via para Balsa até Quatrim, inflectindo depois para norte por Laranjeiro e Lagoão, EN398)
    Moncarapacho (outra possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena; ver o injustamente esquecido Museu Paroquial de Moncarapacho com um importante acervo romano)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Tronco (aqui começa o caminho com vários troços de calçada próximo do Cerro de S. Miguel)
    Caliços (no Vale da Serra há calçada intermitente com 1300 m)
    Ponte dos Caliços (a via continua com troços empedrados e em terra batida por Vale da Serra)
    Foupana, Moncarapacho
    Ponte da Torre sobre a ribeira de Arroio
    Montes e Lagares, Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada do Ribeiro do Lagar; cruza a variante norte da via litoral pelo Barrocal)
    Travessia da ribeira de Alportel em Porto Carvalhoso (continua por Bem Parece e Água de Fusos)
    Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo? (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto)
    Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa? (continua por Castelão e Feiteira)
    Travessia da ribeira da Foupana em Estraga Mantens? (continua por Cerro da Ginêta e Monte da Valeira)
    Mealha, Cachopo (continua por Alcarias Pedro Guerreiro e atravessa a ribeira da Corte junto do Monte da Estrada)
    Moinho do Pereirão (divide-se em duas possíveis variantes)
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por Semblana: a partir do Moinho do Pereirão poderia existir uma variante que seguia por Santa Cruz seguindo depois um percurso paralelo à via principal; atravessava o rio Vascão na ponte actual e subia por Santa Cruz, Monte das Viúvas, Monte da Vinha, EM1170, Semblana (estação viária mencionada como Sembrana no «Roteiro Terrestre» do MPAM), continua por Sra. da Graça dos Padrões (castellum dos Mestres) e daqui por Lombador até Sta. Bárbara de Padrões (Maia, 2006).
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por S. Pedro de Solis: seguia por Pessegueiro e Zambujeiro, atravessava a ribeira do Vascão e seguia por Malhões e Castelejo rumo a S. Pedro de Solis (troços de calçada no caminho por Alcaria das Bichas, Minas do Barrigão, Miguenzes, ribeira de Carreiras, Caiada, ribeira de Oeiras e Herdade da Espanca), em Sete (Septem?) cruza a ribeira homónima e segue pelo Moinho Grande até Sta. Bárbara de Padrões.
    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?; fortes sinais de um importante povoado romano, provavelmente um vicus, onde se achou um extraordinário depósito de lucernas votivas, sustentam a hipótese de localização da mansio ARANNIS da VIA XXI neste local até porque dista cerca de 60 milhas de Faro, conforme indicado para este troço pelo I.A.; a ausência de epígrafes na área não permite uma conclusão definitiva, sendo Garvão uma forte alternativa para a localização desta mansio)

    Mapa

    Mapa

    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Beja (PAX IULIA) m.p. XXXV
    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?)
    Namorados (villa fortificada no Castelo dos Namorados)
    Travessia da ribeira de Cobres (entre Cabeças e Pereira?)
    Travessia da ribeira de Maria Delgada (junto do santuário romano do Alto de S. Pedro das Cabeças)
    Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho e cruza a ribeira de Terges junto da villa do Monte da Perdigoa; continua a poente da povoação de Entradas, passando no Monte das Fontes Bárbaras, cruza a ribeira Cinceira, Monte do Paraíso, Monte do Canal, Alto da Lapa, Alto da Malhada Nova, Alto da Lagoa, onde inflecte para o Monte da Charnequinha)
    Albernoa (segue a poente pelo CM1092 por Alto das Marzalonas, Alto de Linhares, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
    Santa Clara de Louredo (miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano, IRCP669, achado na Qta. de Sta. Clara de Louredo e hoje no Museu de Beja, B-125; inscrição funerária em Boavista; a via passaria junto da Herdade da Calçada, onde há vestígios da via e seguia depois recto a Beja pelo caminho de terra que cruza a linha férrea em frente do quartel do Regimento de Infantaria, junto da villa de Vale de Aguilhão, perto da qual apareceu o epitáfio de Maura, continuando depois pelo Monte Alegre, onde cruza o IP2, entrando na cidade pela chamada «Estrada da Calçada» e pelo Bairro do Alemão)
    Beja (PAX IULIA)

    ITINERARIO XXI - Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Évora (EBORA) m.p. LXXIX (35 + 44)
    Sta. Bárbara de Padrões (segue para Carregueiro, onde atravessa a ribeira dos Louriçais, passando na calçada junto da villa do Monte do Gavião, e pela calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido E-W)
    Aljustrel (VIPASCA) (importante povoado mineiro Metallum Vipascensis; parte do espólio está na colecção do Museu Geológico de Lisboa, incluindo a famosa placa de bronze contendo a lei vigente; ver MuMA; seguia a rota da N2 por Corte Margarida, atravessando a ribeira do Roxo junto do «Castelo Velho», povoado da Idade do Ferro romanizado, continuando depois junto da villae de Alcarias 1 e 2 )
    Ervidel (villa da Herdade do Pomar;)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (Sarapia?) (passaria na villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira, e na segue pela calçada do Monte da Serra)
    • Ligação a Évora, seguindo por Alvito e Viana do Alentejo, rota romana descrita no âmbito das variantes da Via Évora - Beja.
    • Ligação a Alcácer do Sal (SALACIA) m.p. XXV, seguindo por Odivelas e Torrão, cujo percurso está descrito no Itinerário Alcácer - Beja.

    Mapa

    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PAX IULIA)

    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (19,2 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à distância actual entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o Itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. A 20 milhas de Serpa estaria a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação deste itinerário. A interpretação deste enigmático itinerário continua assim a suscitar muitas incertezas sendo por isso apresentado por troços independentes, reflectindo os vestígios da via ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los num grande percurso, nomeadamente a via de Évora a Beja, a via de Évora a Serpa e Moura por Portel e as ligações em torno de Moura rumo a Beja, Serpa, Fines e Arucci, ou seja de encontro às mansiones da Via Pax Iulia ab Hispalis que corria no sentido W-E rumo à província de Bética.

    Tentativa de resolução

    ARUCCI em Moura?
    Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963), hoje no Museu de Moura.
    Inscrição de Moura
    [IV]LIAE AGRIPINA[E]
    [...] CAE[SA]RIS • AVG •
    GERMAN[I] [CI] •
    MATRI • AVG • N
    CIVITAS ARVCCITANA
    Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem denominada Arucci Vetus. Hoje é claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche em Espanha o que reforça a localização da civitas Aruccitana e da respectiva mansio em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza, a norte da actual povoação de Aroche (Resende, 1583: 171-172, Encarnação, 1998: 37-38).

    FINES em Moura ou em Messangil ?
    Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza, segundo o I.A., teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, ora esta localização corresponde sensivelmente ao vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

    Uma tentativa de acertar a sequência de estações: admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pax Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Assim o itinerário poderia assumir a forma abaixo, onde se tenta ajustar as reais distâncias entre mansiones.

    Itinerário original
    EBORA XLIIII
    SERPA XIII
    FINES XX
    ARUCCI XXV
    PACE IULIA XXX
    Distâncias Intermédias
    EBORA - SERPA XIII
    SERPA - FINES XX
    FINES - ARUCCI XXV
    ARUCCI - PACE IULIA XXX
    Distâncias actuais:
    (em milhas)

    Évora - Beja 50
    Beja - Serpa 18
    Serpa - Messangil 13
    Messangil - Aroche 25
    Beja - Messangil 31
    Beja - Moura 30
    Serpa - Moura 20
    Hipótese com FINES em Messangil
    EBORA - PACE IULIA L
    PACE IULIA - SERPA XX
    SERPA - FINES (Messangil) XIII
    FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
    Hipótese com FINES em Moura
    EBORA - FINES (Moura) XLIIII
    FINES (Moura) - ARUCCI XXV
    FINES (Moura) - SERPA XX
    FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
    SERPA no Ravennatis
    A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte lista de civitates: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV 43); admitindo que esta sequência corresponde a um itinerário entre o porto de Caditana e Pax Iulia, com passagem por Serpa mas omitindo Arucci e Fines, poderá indicar que existia uma via mais directa entre estes importantes povoados, desviando da rota definida no I.A. em Serpa, seguindo depois pelo caminho mais curto rumo a Onuba, hoje Huelva e descrito no Itinerário Beja - Huelva; no entanto, também é possível que Fines e Arucci tivessem sido apenas omitidas devido à menor importância destes oppida.

    FINES e ARUCCI no Ravennatis
    Em outra parte da mesma Cosmografia de Ravena são enumeradas as seguintes civitates da Bética que estavam sobre domínio de Hispalis, hoje Sevilha: Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria. (Rav. IV.44). Ora esta sequência está mais de acordo com o I.A., formando um itinerário que inclui Fines e Arucci, finalizando com Seria que deverá ser corrigido para Serpa admitindo o erro do copista medieval ao trocar a letra «P» pela letra «I».


    Évora Torrão








    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Torrão (Turris Arannis?)
    A via romana entre Évora e Torrão integrava um grande itinerário que partindo de Évora se dirigia para o Algarve passando por Garvão. Esta via marginava a importante villa romana de Ns. de Tourega e cruzava a povoação de Alcáçovas e conta com 5 miliários a pontuar o seu percurso.

    Évora (EBORA) (a via sai da cidade pela Porta do Raimundo, derivando da via para Alcácer do Sal na rotunda do Parque de Campismo)
    • Também da Esparragosa derivava um antigo caminho que cruzava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e seguia por Monte da Ponte, Monte do Escrivão (onde há vestígios de calçada) rumo a Ns. da Boa Fé.
    Cabida (no cruzamento do caminho com o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI], cujo fuste epigráfico estava junto do caminho que deriva da EN380 para o Monte das Flores, entretanto transferido para o Convento dos Remédios; FE 469)
    Herdade do Barrocal (miliário anepígrafo tombado junto da via, a 1,5 km do monte [milha VII a Évora?]; daqui seguia para a travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca, onde há vestígios de calçada na margem esquerda)
    N. Sra. da Tourega (fragmento do miliário a Maximino e Máximo junto da Igreja da Ns. da Assunção, no acesso à magnífica villa das Martas [milha VIII a Évora?]; Resende registrou uma inscrição funerária colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIII viro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153; a via continua junto do topónimo viário Porto da Calçadinha, passa na Qta. de S. Jorge e Monte do Zambujeiro, onde apareceu o epitáfio de Mailoni)
    Monte dos Tabuleiros de Baixo (André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário a Maximiano, CIL II 433, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas hoje estão ambos desaparecido)
    Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha/dos Ruivos (na confluência das ribeiras de S. Brissos e Peramanca, formando a ribeira das Alcáçovas, próximo do povoado proto-histórico do Monte da Ponte/Fonte ; a partir daqui o traçado da via é pouco claro, mas deveria passar 1,5 km a norte da villa? do Monte dos Vilares, seguindo pelo Monte da Morgada, Vale dos Açougues de Baixo, Terrinha e Chão e Ares, entrando em Alcáçovas pelo caminho que margina a Ermida de S. Geraldo)
    Alcáçovas (cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no acervo do MNA)
    Torrão (Turris Arannis?)

    Mapa



















    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    A via romana ligando Évora à capital do conventus pelo caminho mais curto, cerca de L milhas ou 74 km, é atestada pelos imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos (seriam pintados?), e alguns troços de calçada. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completa pelo que seria interessante promover a sua valorização turística; (Sillières, 1984; Bilou, 2000a).

    Évora (EBORA) (existe um miliário a Maximiano na Qta. da Manizola que poderá pertencer a esta via; sai pela Porta do Raimundo e segue pela Horta do Bispo, onde existia um troço de calçada (Pereira, 1948, p. 303), continuando pelo Bairro da Ns. do Carmo rumo à travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova, onde há vestígios de lajeado no vau da ribeira)
    Monte das Flores (a via segue pela margem direita do rio Xarrama)
    Fontalva (4 miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao Monte de Fontalva; o miliário de Fontalva 2 está in situ erecto e deveria indicar a milha VII a Évora; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo e assinalaria a mesma milha que o anterior; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos)
    Porto de Zambujal do Conde (800 m a jusante do miliário de Fontalva 4)
    Monte do Seixo (referência a um miliário; [milha VIII?])
    Porto da Magalhoa (referência a um miliário; [milha IX?]; o "Endovélico" refere 3 miliários entre o Monte da Magalhoa e o Monte da Zambujeira; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo; milha X?)
    Torre/Solar da Camoeira (provável statione de onde provém o miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo, IRCP664a, indicando a milha XI, entretanto transferido para a entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora)
    Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário talvez da milha XII tombado no leito do rio e algumas poldras parecem miliários reaproveitados; segue 200 m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300 m até chegar a um miliário in situ talvez da milha XIII na Herdade da Ovelheira)
    Aguilhão, Torre de Coelheiros (a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta/Moinho do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio; seria a milha XIV?)
    Aguiar (miliário numa casa particular; a via passaria a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e um miliário ilegível que deveria indicar a milha XV; cruza a ribeira de Alpracá e segue por Serrado e Monte Ruivo)

    Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (vicus e mansio? na milha XVII; o vicus seria na Herdade das Paredes, onde se acharam várias inscrições funerárias; inscrição honorífica BONO / REIP(ublicae) / NATO, IRCP413; 2 aras inseridas nas colunas do adro do santuário; calçada e 3 miliários junto do santuário: miliário a Crispo, IRCP672, indicando XVIIII milhas, ou seja 18 milhas a Évora o que corresponde à distância a Évora, cerca de 28,5 km, e o miliário onde apenas se lê o numeral XVII, ou seja indicaria 17 milhas, IRCP680; daqui a via seguia por Hortas Velhas e Monte do Cavalete, passando a leste de Viana do Alentejo)

    Água de Peixe (passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro; Mário Saa refere restos de calçada neste local)
    Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só restam 3 dos pilares originais romanos; estela reutilizada no quinto pegão norte, do lado montante)
    • Ramal para SERPA por S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu) em direcção a Vila de Frades (Vidigueira), passando junto da importante villa de S. Cucufate, continuando depois para sudeste pelo alto da Chucha (villa) para ir cruzar a ribeira de Odearce junto da villa do Monte da Cegonha, Pexem/Monte do Zambujal, Qta. de D. Pedro/Herdade da Fonte dos Frades (villa e epitáfio de Cosconius), Monte das Barbas de Lebre (sepultura), Monte do Lamarim (inscrição), Monte da Tagarria, Baleizão (villa de Torrejão), seguindo de encontro à travessia do Guadiana no vau de Quintos, onde conflui na Via Beja - Sevilha.
    Vila Ruiva (possível fuste de miliário; barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa; a via seguiria próximo da villa do Monte da Panasqueira para cruzar a ribeira de Mac Abraão no Monte da Palheta, continuando pelo Monte da Azurria e Monte da Boavista)
    Cuba (vicus Cupa, com base num documento de 1257, situado talvez no Monte do Outeiro/Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, 1 km a leste da vila; a via segue junto à linha férrea pelo Monte da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, 800 m a norte da villa do Monte do Meio, e seguia até Monte do Pombalinho e Qta. da Saúde)
    Beja (PAX IULIA) (passava junto da villa da Qta. da Fonte Figueira e da importante villa da Qta. de Suratesta, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada, na rua D. Dinis, seguindo para o forum da cidade na zona da actual Pr. da República)

    • Variante de Ns. d'Aires (FOXEM) a Beja (PAX IULIA) por Alvito : segundo recentes trabalhos de Jorge Feio («Carta Arqueológica do Alvito»), é possível que existisse uma variante entre Foxem e Pax Iulia, derivando da anterior no Monte do Cavalete e rumando em direcção a Alvito (EN257), onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão, possível localização da sede da civitas Mirietanorum referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» sobre a ribeira de Odivelas (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente com origem romana), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada) e Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho que vinha pela Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Monte da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo um ramo por Cuba rumo a Beja, enquanto o outro ramo seguia pelo Monte dos Assentes, Faro do Alentejo (vicus em Ladeiras ), continua pela Herdade das Pias e Monte da Torre do Pinto rumo a Beja (Feio, 2010), ou em alternativa por Monte da Boa Vista, Atouguia, Monte de Sta. Luzia e Ermida da Sra. da Saúde, entrando em Beja (Saa, 1967).
    • Ramal de FOXEM a Marmelar: via medieval com possível origem romana, passando por Oriola (vicus), Santana da Serra, Alcaria da Serra até Marmelar, ligando assim a Via Évora - Beja à Via Évora - Serpa (Feio, 2010).

    Mapa















    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) e Moura
    Via romana que de Évora rumava para sudeste rumo a Serpa e a Moura passando nas proximidades de Portel; logo à saída de Évora teria de atravessar o rio Xarrama, podendo fazê-lo junto do novo Aeródromo de Évora, atendendo à recente descoberta durante a sua construção de vestígios de calçada; em alternativa a travessia poderia ser a jusante, junto do Monte da Chaminé, numa ponte medieval com possível origem romana; mais a sul surgem possíveis fragmentos de miliários junto do Monte da Sitima, em S. Marcos da Abóbada podem assinalar a passagem da via; ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora; (Bilou, 2000a)

    Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
    Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
    Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; recentemente apareceram vestígios da via junto do Aeródromo de Évora)
    Sitima (provável miliário; 3 outros fragmentos junto do monte; inflecte para leste)
    Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; 4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco)
    S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (importante villa romana que nunca foi escavada e continua ao abandono! continua a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando pelos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario; segue talvez pelo Alto do Seixo, Carrapateira, Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos e Poço da Estalagem, topónimo que remete para uma estação viária)
    Oriola (Auriola?) (vicus, povoado mineiro, localizado a sul de Oriola em torno ermida de S. Faraústo e da Igreja de Ns. da Assunção de Bonalbergue; na outra margem ficava a villa de Mosteiros, onde se achou uma estela funerária, FE 366; a via romana passaria a nordeste da actual vila, dado que André de Resende refere um terminus augustalis dedicado a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre o território Eborense e Pacense que poderia estar no sítio do Marco, a cerca de 1 km a sudeste do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na actual divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a ser assim, a via poderia seguir por Marco, Atalaia/Alto do Outeirão, Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque)
    Portel (segundo Saa, a via passaria 3 km a sudoeste da povoação, bifurcando para Serpa e Moura)

    Ligação a Serpa: o caminho para Serpa é apenas hipotético, mas é muito provável que seguisse próximo de Vidigueira de encontro à via proveniente de Beja que atravessava o Guadiana no vau de Quintos.

    Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto, mas é possível que seguisse por Vera Cruz (mosteiro visigótico) e Marmelar (necrópole; villa/vicus?) seguindo rumo à travessia do rio Guadiana no Cais do Fragal/Moinho da Barca, a jusante da foz do rio Ardila, seguindo depois um percurso paralelo à EN538 pela chamada «Estrada da Barca», passando no Monte do Ameixial e pela calçada de Mata Sete junto da Horta do Botas rumo a Moura.

    Vias secundárias de Évora a Reguengos de Monsaraz. (vide Carneiro, 2008)
    • Évora - Monsaraz por S. Manços: saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Monte da Mesquita e Horta do Albardão a nordeste de S. Manços (a Igreja de S. Manços assenta sobre o mausoléu, ainda visível da villa do Álamo da Horta), Vale de Ferreiros, travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para nordeste rumo a Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
    • Évora - Monsaraz por Ns. de Machede: este itinerário sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal, rumo a Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), atravessa a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), seguindo depois por S. Vicente de Valongo (possível fortificação romana no «Castelo Velho» na outra margem em Alcorovisca, anterior à construção do Castelo Real já na Idade Média), continuando por Montoito, Falcoeiras e S. Pedro de Corval (villa no Monte dos Pássaros) até Reguengos e daqui a Monsaraz (vestígios da via romana passando a nascente da povoação rumo ao rio Guadiana, seguindo pelo Convento da Ns. da Orada, Ermida de Sta. Catarina (fragmento de miliário no interior a servir de pilar ao altar-mor) e Ermida de S. Lázaro (Wolfram, 2011)).
    • Monsaraz - Moura pelo Castelo da Lousa: o percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo da Lousa (freguesia da Luz, hoje tudo submerso pela Barragem do Alqueva), villa fortificada que controlava a passagem do rio (que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador, onde apareceu o epitáfio de Modesta natural de Pax Iulia, e por S. Leonardo), apenas surgindo vestígios da via já a chegar a Moura, com vestígios de calçada ainda visíveis após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão; a calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

    Mapa







    ITINERARIO XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pax Iulia ad Hispalis
    Desconhece-se o nome romano de Moura, mas os vestígios encontrados indiciam a existência de um aglomerado urbano secundário com relevância regional, articulando uma rede viária com ligações aos diversos povoados romanos a sul, nomeadamente Beja, Serpa e Aroche, todos inseridos no grande eixo viário que ligava Pax Iulia a Hispalis, ou seja de Beja a Sevilha; no renovado Museu Municipal de Moura está o miliário de Corte do Alho e outro importante espólio como a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. As duas necrópoles romanas de Moura, Bairro das Sete Casas e S. Sebastião, poderão indicar as saídas do povoado. Os itinerários propostos tentam uma leitura actualizada da obra de Fragoso Lima, com apontamentos de M. C. Lopes, mas subsistem muitas incertezas. (Fragoso de Lima, 1951, 1981, 1988; Lopes, 2000)

    de Moura a Beja
    Moura (seguia pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas, seguindo depois por Farelos e pela calçada da Ladeirinha Branca e pelos olivais de Bogas de Ouro e Farelos e junto da Capela da Ns. dos Prazeres)
    Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura/Orada (mina)
    Pedrogão (cupa funerária no Monte das Fontes; villa em Horta do Cano; segue pelo Monte das Aldeias)
    Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
    Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
    Horta do Bacelo
    Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal em N. Sra. das Neves
    Beja (PAX IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
    • Fragoso Lima fez passar esta via por Pisões onde há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com provável origem romana, mas não parece integrar esta via.
    • Em alternativa, a via poderia seguir pelo Pisanto rumo a Brinches, seguindo aproximadamente a EN368 e EN265, passando talvez próximo da importante villa do Monte da Salsa (3 epígrafes funerárias entre outro vasto espólio, mas hoje destruída) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão (no Monte do Torrejão apareceu o epitáfio da filha de Blossius Saturninus, originário da Colonia Iulia Neapolis, actual Tunísia que viveu em Balsa) e Porto Peles (ponte romana? já demolida?) seguindo junto da Qta. da Mongeralda até Beja.

    de Moura a Aroche
    Moura (partia do centro da povoação pela rua de Arouche e seguia em calçada pela Qta. de Santa Justa e Encosta do Brenhas, Calçadinha e Coutada)
    Sobral da Adiça (Fragoso de Lima identificou fuste de coluna em mármore com letras, possível miliário, «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo na Herdade de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas»; estes marcos indiciam a passagem da via entre a ribeira de Toutelga e a ribeira de S. Pedro, talvez por Atalaia da Casinha, Montes Juntos (estela e cupa funerárias), Herdade dos Borrazeiros (villa e respectiva necrópole), Monte da Coroada, Entre as Águas, Monte Metum, Horta da Carrasca (inscrição CIL II 93), servindo na sua passagem os sítios romanos de Monte Novo, Preguiça, Álamo e Touril), continua talvez pela Herdade da Negrita, cruza a fronteira e segue de encontro à via Beja-Sevilha que segue para Aroche (ARUCCI).
    • Fragoso Lima faz passar esta via por Santo Amador rumo ao miliário de Encinasola por Barrancos, mas esta rota parece seguir na direcção de Mérida e não de Arouche.

    de Moura a Messangil (Fines?)
    Moura (ruma a sul pela calçada de S. Lourenço e Atalaia Gorda; ara funerária na Herdade da Tapada)
    Herdade dos Machados (calçada com vários km)
    Pias (a via passaria a oriente nas proximidades das villa do Zambujeiro e da villa de Fonte da Pipa, topónimo viário onde aliás há vestígios de calçada)
    Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas junto da villa do Corte do Alho indicando a distância a Moura ou à fronteira com a Bética; hoje está no Museu de Moura; árula a Mercúrio encontrada 2 km para oriente na villa do Poço das Sapateiras/Belmeque, hoje no MNA; continua pela villa da Herdade da Corte e Borralhos)
    Messangil, Vale de Vargo (Fines?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, entroncando assim na Via Beja-Sevilha)

    de Moura a Serpa (SERPA)
    Partindo de Moura, a via rumava a sudoeste seguindo aproximadamente a EN255 por S. Lourenço, desviando depois pelo Monte das Sesmarias, Monte Panasco, Monte da Torre (villa), onde cruzava o Barranco das Amoreiras, Monte Barroso (calçada), Monte da Torre e Atalaia Gorda (passando próximo villa da Casa dos Campinos), cruzava a ribeira de Enxoé e seguia talvez próximo do miliário do Monte da Chilra (delimitava esta propriedade do Monte dos Alpendres de Lagares e hoje num casa particular em Serpa), continuando depois nas proximidades das villae de Espicharrabo e do Monte da Capela, continuando depois talvez pela «Canada Velha» (400 m em calçada) rumo a Serpa

    Mapa

    ITINERARIO XXI - Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - FINES - ARUCCI - Sevilha (HISPALIS) - Huelva (Onuba)
    Sendo Pax Iulia a capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Colonia Iulia Romula Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Bética que corresponde grosso modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida, a VIA XXIII «Item ab Ostium fluminis Anae Emeritam usque» do Itinerário de Antonino. Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci). Existem várias propostas de itinerário que variam consoante o ponto escolhido para travessia do rio Guadiana (vide Saa, 1967; Sillières, 1990).

    Beja (PAX IULIA) (saía talvez pela Porta de Mértola e seguia pela rua Bento Jesus Caraça, Bairro de S. João, Tanque dos Cavalos e Horta de Todos, passando junto da villa da Qta. da Abóbada, Alcoforado, num percurso paralelo ao CM1045 e CM1046)
    Padrão (topónimo Monte da Estrada; continua pelo Monte do Zambujeiro)
    Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae, hoje no Museu de Évora; segue pelo Monte da Grávia dos Pisões, onde atravessa a ribeira da Cardeira na «Ponte Romana»? e segue pela calçada da Herdade das Carretas)
    Travessia do rio Guadiana no Vau de Quintos ou no Vau da Guinapa (subia as ladeiras do Guadiana e seguia por Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)
    Serpa (SERPA) (mansio; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, hoje Zana na Tunísia; daqui a via continuaria para leste rumo à mansio Fines localizada em Messangil ou mais adiante, em Vila Verde de Ficalho, acompanhando o percurso da EN517 e marginando vários sítios romanos, villae e casais, como Monte de Santa Justa, Cidade das Rosas, Horta da Alcaria, Torre Velha, Maria da Guarda, Monte da Laje, Capela de St. Estevão e Monte Alto)
    Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, onde apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turubriga; segue por Ervancos?)
    Vila Verde de Ficalho (FINES?; villa no Jardim do Museu de Ficalho; povoado em torno da Igreja de S. Jorge; segue pelo Barranco de Penalva)
    Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
    Aroche (ARUCCI) (mansio localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
    Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
    Ermita de Santa Eulália, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulália)
    Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
    Campofrío (nó viário)
    • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
    • Ligação a Huelva, rumando a sul pelas Minas do Riotinto, território de URIUM (oppidum em Corta del Lago?), seguindo por Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

    Mapa

    Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA) por Paymogo
    Poderia existir uma ligação mais directa entre Pax Iulia e Onuba, seguindo de encontro à via romana que ligava Mérida à foz do rio Guadiana mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola no rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

    Beja (PAX IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
    Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Monte do Peixoto)
    Santa Iria
    Travessia da ribeira de Limas
    Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
    Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
    Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
    Puebla de Gusmán (minas romanas)
    Huelva (ONUBA)

    Viae ab SALACIA

    Mapa











    Mapa

    ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
    A via de ligação entre Alcácer e Beja passando pelo Torrão faria parte dos itinerários Lisboa-Beja-Sevilha e Lisboa-Beja-Algarve descritos no âmbito do Itinerário XXI de Antonino. Conhecem-se 3 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Porto da Lama junto da travessia da ribeira de Sítimos, o miliários do Monte do Olival referido por Resende e o miliário de Valentiniano I e Valente que apareceu junto da villa da Fonte dos Cântaros em São Brissos. O percurso até Beja segue o caminho mais curto entre as duas cidades, assinalando os vestígios existentes relacionáveis com a via.

    Alcácer do Sal (SALACIA) (na parte inicial seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos num percurso comum à via para Évora até ao Monte da Arcebispa, onde inflectia para sudeste)
    Porto da Lama, Santa Catarina de Sítimos (travessia da ribeira de Sítimos junto da villa romana do Monte da Lama, provável mutatio dado que na área do campo de aviação, hoje desactivado, apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano já cindido longitudinalmente e que está hoje deitado por terra na área das ruínas do depósito de água em Alcácer do Sal, IRCP671; Faria, 1986; a montante da ribeira há também vestígios de uma villa de Sta. Catarina de Sítimos, dentro da povoação; a partir daqui o percurso é hipotético, podendo seguir próximo do marco geodésico de Vale da Água, continuando por Bugiada, Monte da Boavista, Malhadas, Carvalhoso, Fonte Videiros, Monte do Vale de Arquinha e S. Fraústo)
    Torrão (Turris Aranis?) (vicus e provável mutatio situada num importante nó viário que articulava as vias provenientes de Salacia e Ebora com a vias rumo ao sul quer a Beja quer a Faro; há vestígios do vicus na área do Centro Escolar e em Fonte Santa, necrópoles no Penedo Minhoto e da Capela da Ns. do Torrão, conduta com 100 m, etc; a via entrava na povoação pela chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300 m que conduz à antiga travessia do rio Xarrama, onde poderia existir uma ponte romana)
    • Variante de Torrão a Beja por Alvito, apesar dos parcos vestígios é provável que existisse uma via secundária que seguia na direcção do vicus de S. Romão (civitas Mirietanorum?) em Alvito e daqui a Beja; a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para Vila Nova da Baronia, passando nos vestígios de Sobral das Barras e Herdade da Mina, seguindo depois por Alvito até Beja (Feio, 2010).
    • Em alternativa, a via poderia seguir directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, Capela de S. Bartolomeu, Velórios até Alvito.

    Torrão a Beja por Alfundão
    Torrão (seguia talvez pelo Monte de Vale Paraíso de Baixo, Monte da Fonte Longa, Monte das Soberanas de Baixo, Monte da Ervedosa, Monte das Faias para cruzar a ribeira de Odivelas junto do Monte do Olival)
    Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival atestando a passagem da via a nascente de Odivelas por Monte Outeiro, Penique e Casa Branca, junto da fortim romano que deveria controlar a sua passagem, hoje limite do concelho, continuando depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, onde atravessava a ribeira de Alfundão, continuando por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão, passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco)
    Alfundão, Ferreira do Alentejo (a via segue pela rua da Estalagem, atravessava a povoação e cruza o Barranco da Aldeia numa ponte antiga com provável origem romana, prosseguindo pelo caminho da Coimeira/Alto de Beja, passando a norte do provável vicus de Vilar/Vila Verde/Alto do Pilar, junto do depósito de água, onde poderia existir uma mansio; continua até cruzar o Barranco do Corvo e a EN387, nas proximidades da villa no Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE 295)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste da povoação próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
    Beringel (a via passava a norte da povoação, cruzando o rio Galejo na Ponte Lisboa, hoje submersa pela barragem do Pisão, construção com provável origem romana onde foram reutilizados 2 cipos romanos, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa/Misericórdia, onde apareceu também uma ara a Júpiter)
    São Brissos (continua em calçada ao longo da margem esquerda da ribeira de Álamo, cruza o barranco na Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, perto da qual apareceu um miliário a Valentiniano I e Valente, hoje no Museu de Beja (nr. B-148), associado aos vestígios da villa da Fonte dos Cântaros, continuando pelo Monte da Diabrória, Monte de Arcediago e Lobeira da Horta, entrando na cidade de Beja pela Porta de Évora)
    Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186; ver Museu de Beja)

    Mapa

    ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Garvão (Arannis?) - Faro (OSSONOBA)
    Via ligando Alcácer do Sal ao Barlavento Algarvio, seguindo por Santa Margarida do Sado, Alvalade (notícia de umas «pedras cilíndricas com letras» na «Várzea de Alvalade» e na Herdade da Defesa, eventuais miliários), continuando por Garvão rumo ao Algarve (Carvalho, 2009; Feio, 2009; Ponte, 2012).

    Alcácer do Sal (SALACIA) (segue comum à via para Beja até ao Torrão, rumando daqui para sudoeste por alturas de Médico, Carrascais e Corte da Venda, rumo à travessia da ribeira de Odivelas junto da Herdade do Pinheiro/Porto Carvalhoso e segue pelo estradão que divide os distritos de Setúbal e Beja, passando junto dos sítios romanos de «Altura dos Pintos» e «Outeiro da Mina», hoje linha divisória entre concelhos )
    Santa Margarida do Sado (porto fluvial?; villa; a via passaria a nascente pelo Alto de Penedrão e Alto da Atalaia, cruza a ribeira da Figueira em Porto de Mouros e segue por Carregueira do Mato para cruzar a ribeira do Roxo na Herdade Grande, a nascente da Aldeia de Ermidas e da villa do Monte do Roxo)
    Alvalade (mutatio?; provável vicus viário na área do cemitério, associado à travessia do rio Sado e cruzamento com a via romana E-O com origem em Santiago do Cacém rumo a Beja e Mértola; cruzava o rio em Porto Ferreira e seguia pela margem esquerda do Sado pelo Alto do Pombal, Alto da Corredoura, topónimo viário, Alto do Carvalhal, EM1079-1, marginando os vestígios romanos ao longo do Sado do Monte da Corredoura, Monte da Retorta e Herdade da Defesa e que funcionava como estação viária ao tempo do «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    S. Romão de Panóias (entra no distrito de Beja e continua pela EM1079-1 pelo Alto das Fornalhas, cruza a EM1079 e segue pelo Alto dos Peneireiros, servindo de divisória entre os concelhos de Ourique e Odemira; vários vestígios ao longo do Sado: epitáfio de Letondo no lugar de Courela, hoje no MNA, talvez relacionado com a villa de Torre Vã; estela funerária junto da estação CF de Montenegro; vicus da Horta de S. Romão; continua talvez por Monte da Crimeia, onde apareceu o epitáfio de Licinius Fuscus, e entra em Garvão pela Capela de S. Sebastião, junto da estação, onde cruza a ribeira de Garvão)

    Garvão (ARANNIS?; possível oppidum e estação viária, capital de civitas, e possível localização da mansio de Arannis; santuário da Idade do Ferro romanizado no Cerro do Castelo; a sul da vila, na Herdade dos Franciscos, apareceu um busto em mármore e uma estela funerária de um emigrante Bracarus, oriundo do Castellum Durbede, hoje depositada no Museu do Garvão)

    • Garvão a Faro por Mesas Castelinho
      O eixo viário que ligava Garvão ao Sotavento Algarvio cruzando a Serra do Caldeirão rumo ao litoral Algarvio passava próximo de dois importantes povoados pré-romanos atestando a antiguidade destes itinerários, o Castro da Cola e o Povoado das Mesas do Castelinho (Sta. Clara-a-Nova), com controlo estratégico deste itinerário que é referido na Carta de Doação de uma herdade no termo do extinto concelho de Marachique no ano de 1260 (Pontes, 2012) como «Semedarium qui venit de Garvam et vadit al Algarbium»; os percursos na serra Algarvia são ainda hipotéticos:
      a via partia do centro da vila e seguia talvez entre as ribeiras da Morgada e dos Cachorros pelo Monte Zuzarte (villa?), Monte da Corcha (estela funerária de Boutia), Monte Novo da Estrada, Catrivana do Clérigo, cruza a EM1130, a poente do Monte da Estrada/Monte do Saraiva, Monte do Prior, Fonte do Corcha, Monte do Castelejo, Monte da Bicada, Serro do Seixo, Serro do Ouro Velho, segue a poente da Aldeia de Palheiros, cruza a ribeira da Perna Seca, cruza a A2 junto do Monte Gordo e segue a poente da Aldeia dos Fernandes pelo Monte Lobito, continua entre Cinceira e Corte Zorrinho, cruza o asfalto, passa a cerca de 500 m a poente da villa do Monte Novo do Castelinho, continua pelo alto do Vale da Grade, passa na encruzilhada junto do Moinho da Cruz Grossa, cruza a EN393 e continua junto do Monte Sobral pela planura adjacente à cadeia de colinas onde se localiza o Povoado das Mesas do Castelinho pelo Alto do Castelinho e Alto dos Sarilhos até ao Monte da Chadinha, onde inflecte rumo à Serra do Caldeirão pela linha de festo que passa em Sarilhos de Cima, Cumeada do Almarjão, Monte Novo do Aipo, a poente do Monte das Goias, Moinho Velho, Alto do Monte da Pedra, Moinho do Algarvio e Fontes Férreas, rumo a Corte Figueira (possível mutatio nesta tradicional estação viária da serra), continuando talvez por Califórnia, Portela do Barranco, Serro de Alganduro (?) até Salir e daqui a Faro pelo percurso descrito no Itinerário Salir - Faro.
    • Variante Garvão a Faro pelo Castro da Cola
      Derivava da via anterior após o Monte da Bicada e seguia por Queimado do Telhado até à travessia do rio Mira na base do Castro da Cola, seguiria depois pelo Alto do Azinhal, Portela da Carreira, Monte Novo da Estrada, Lajes, Portela do Lobo, Monte do Pego (a nordeste, villa? no Monte da Abóbeda), Alcaria Alta, Casa Nova do Estaço, cruza a A2 e segue por Monte da Estrada, Corte da Azinheira, Portela do Brejinho, Boavista, Corte das Cruzes, Alto dos Carriços, Alturas do Semino, Alto do Carvalhete, Portela da Cruz/Brunheira, Monte Novo da Estrada, Alto de Feiteira, Alto de Mú, Alto dos Três Moimentos, Alto do Guincho e Serro do Malhão (?) rumo a Salir; vide Itinerário Salir - Faro.

    • Garvão ao Algarve por São Bartolomeu de Messines
      Outro possível itinerário seguia para São Bartolomeu de Messines, importante nó viário de onde partiam várias vias rumo ao litoral Algarvio, aproveitando o extenso vale, orientado noroeste–sudeste, que divide a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão; o percurso continua hipotético na difícil orografia das serranias que separam as regiões do Alentejo e Algarve, dividindo-se a partir de São Bartolomeu de Messines em várias direcções rumo aos principais portos e povoados na costa Algarvia como Salacia em Vilamoura, Portus Magnus em Portimão, Ipsa no Alvor e Laccobriga em Lagos, designações ainda não totalmente seguras.
      • Garvão a Messines por Santa Clara-a-Velha: a via seguia talvez por Furadouro e Franciscos, local onde há vestígios de uma provável villa, continuava para sul, passando na Aldeia das Amoreiras (EN123?), S. Martinho das Amoreiras (ao km 32 da EN123 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique, Corte de Lã), Santa Clara-a-Velha (continua por Viradouro, EN266, cruza o rio Mira nas proximidades da arruinada Ponte de D. Maria, obra do séc. XVIII e continua por Sabóia, Pereiras, Portela dos Termos e Porto dos Almocreves), S. Marcos da Serra (tesouro; cruza o rio Arade a jusante da confluência da ribeira do Gavião).

      São Bartolomeu de Messines (importante nó viário do Algarve ocidental, articulando a travessia da serra com os acessos aos principais portos do litoral Algarvio; villa na Capela de S. Pedro; base de estátua a Júpiter em mármore, hoje no Museu de Évora)
      • Ligação a Vilamoura (Salacia), saindo pelo Monte Ruivo, onde há vestígios de calçada com 500 m e restos de estruturas de uma possível ponte sobre o ribeiro de Meirinho (Gomes, 2002:159; Cabrita, 2014), continuando por Portela de Messines, Paderne (cruza a ribeira da Quarteira, talvez junto da povoação actual e não da Ponte Medieval situada na base do castelo; no entanto, a via segue talvez pelo caminho que contorna o castelo pelo lado norte, continuando por Malhão, Malhadas e Aroal), continua por Boliqueime, Povo Velho e Qta. da Quarteira/«Estalagem da Cegonha», rumo ao vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura.
      • Ligação a Albufeira, seguindo pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz (vestígios em torno da Capela da Sra. do Pilar) e depois por Guia até Albufeira (+- a EM526-1).
      • Ligação a Portimão (Portus Magnus?) por Silves, seguindo pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cano, Cortes, Torre, Cumeada até Silves (provável localização do povoado proto-histórico de Cilpes no perímetro urbano ou no povoado do Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha sobrancairo ao rio Arade, a cerca de 1 km a jusante), continuando depois para Estômbar (troços de calçada, cruzando a A22) dando acesso ao estuário do rio Arade, o provável Portus Magnus.
      • Ligação de Silves a Lagos (Laccobriga?), derivando da anterior, cruzava o rio Arade em Silves e seguindo talvez pela Qta. do Arge, Alfarrobeira, Alto da Albardeira até ao povoado do Monte Molião, dominando a ponte da actual EN125 em Lagos, percurso pontuado por sítios romanos em Odiáxere (Vale da Lama), Palmares e Torre.
      • Variante para Lagos por Monchique, talvez derivando da anterior em Sabóia e seguindo por Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro?), Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira), Caldas de Monchique (termas romanas onde apareceu uma árula dedicada às Águas Sagradas ou aquis sacris hoje no Colecção das Termas) e Porto de Lagos, podendo daqui ligar a Lagos (Laccobriga?) ou continuar até vicus portuário do Alvor (Ipsa).
      • Ligação a Salir, daqui também partiria uma via para leste rumo a Salir de encontro à Via Faro-Beja, seguindo o caminho que margina os lugares e topónimos viários do Castelo, Portela, Messines, Cerca da Renda, Fonte Santa (necrópole), Torre, Perna Seca, Alcaria do João e pelo «Caminho Velho» para Alte (ara funerária de Tiberius Honorius Rufus na Qta. do Freixo, hoje no Museu de Silves; villa? em Sta. Margarida), continua por Benafim Pequeno, Penina, Vale do Álamo, cruza a EN124 em Pena e continua a sul da rua da calçada por Cerro das Casas e Almarginho e Fonte Figueira rumo à Ponte de Salir, onde cruza a ribeira dos Moinhos e sobe a Salir onde entronca no Itinerário S-N rumo ao Alentejo.

    Viae ab MIROBRIGA

    Mapa





    Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
    A importante cidade romana de Mirobriga é uma das melhor preservadas em Portugal, permitindo ainda hoje vislumbrar um pouco da sua vivência na época romana; a capital da civitas Mirobrigense, situada sensivelmente a meio da rota marítima entre Portus Magnum a sul e Salacia a norte, tirava partido desta sua posição estratégica para articular e controlar o comércio entre o interior Alentejano e o resto do Império; excelente museu; dentro do núcleo urbano há uma pequena Ponte Romana.

    Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (MIROBRIGA)
    Provável ligação entre as duas cidades, atravessando o rio Sado em Alcácer do Sal e seguindo aproximadamente a rota da EN120 por Grândola (provável mansio na villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; a via continua pela EN120 (?) marginando a Barragem Romana do Pego da Moura ao km 26, continuando por Santa Margarida da Serra e Cruz de João Mendes, onde há diversos topónimos viários como «Vendinha», «Outeiro da Estrada», e Roncão, passando depois próximo do povoado da Idade do Ferro no Alto da Pedra da Atalaia.

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - SINES (Sinus?)
    Provável ligação a Sines, vicus portuário que servia a cidade de Mirobriga, dado que aqui foram recuperadas do mar duas âncoras romanas além das cetárias e forno para produção de ânforas no Lg. João de Deus junto ao Castelo; este porto viria a ser progressivamente desactivado com a construção no século II do porto da Ilha do Pessegueiro, onde ainda são bem visíveis os vestígios do vicus e das cetárias para salga de peixe; o espólio recolhido em torno do castelo está no Museu de Sines, incluindo o pedestal de uma estátua a Marte Augusto, FE 230, e uma ara funerária, FE 231.

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Alvalade - Beja (PAX IULIA)
    Ligação entre estas importantes cidades passando por Alvalade; o trajecto continua hipotético ( vide «A ocupação romana em torno de Avalade» por Jorge Feio).
    Partindo de Santiago do Cacém (MIROBRIGA), acompanhava a linha férrea por S. Bartolomeu da Serra e a sul de Abela ( villa na Ermida de S. Brissos e inscrição na Qta. da Corona), percorria o Alto da Cruz do Carraqueiro e Alto de Cangalhas, onde inflecte para sudeste para Vale de Santiago rumo à travessia da ribeira de Campilhas junto da villa de Ameira/Monte do Brejo, possivelmente na Ponte Romana?-Medieval de Alvalade (reconstruída no séc. XVI), Alvalade (provável vicus viário no actual cemitério, no cruzamento com a Via N-S Alcácer-Garvão-Faro; a travessia do rio Sado seria em Porto Beja, junto do campo de futebol, seguindo depois para sudeste, marginando a villa da Herdade de Conqueiros (3 inscrições funerárias; epitáfio de Brocina na necrópole em Figueira-de-Ametade), e seguia por Vale do Zebro, Monte Branco, S. João de Negrilhos (?), Ervidel (?) e próximo da villa de Santa Vitória, passando junto das magníficas ruinas da villa de Pisões, na Herdade de Algramaça e da villa das Reprezas rumo Pax Iulia (?).

    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Mértola (MYRTILIS)
    Ligação entre Mirobriga e Myrtilis passando por Sta. Bárbara de Padrões, a presumível Arannis do I.A., que seria comum à via para Beja até à travessia do rio Sado em Alvalade, rumando daqui para sudeste rumo a Mértola passando por Messejana e Castro Verde (?).
    Alvalade (cruza a via N-S entre Alcácer do Sal e Faro em Porto Beja, junto da villa de Conqueiros, e continua pelo Monte Velho da Daroeira, Alto de Terras Frias, Cerro do Chaparral e Monte do Sargaçal e Alto da Sra. da Assunção, marginando as villae de Rosário e da Herdade do Álamo do Meio onde apareceu o epitáfio de Meducenus) Messejana (castellum ou villa fortificada, possível statio no outeiro sobranceiro à povoação; epitáfio de Laberia Coimia na Barrada, outra no Monte do Requengo; continua a poente da povoação por Aguentina do Campo, Monte da Estrada, cruza a EN263 no Alto do Laboreiro e segue próximo do Monte de Belmonte e Monte da Meia Légua)
    Alcarias, Conceição (mutatio?; continua próximo do sítio romano do Poço dos Tanques por Monte Gouveia e Monte Louisina para cruzar a ribeira dos Aivados e a linha férrea junto do Monte da Ribeira; na Horta do Vale apareceu o epitáfio de Atellius Clemens, FE 559)
    Casével (epitáfio de Sagaius no Monte da Almoleias; epitáfio de Mitulus no Monte das Ramas; epitáfio de Iulia Materna na Herdade do Bispo; continua junto do Monte Gregórios entre a Fonte de Milagre de S. Miguel que reutiliza materiais romanos e a villa junto a Almeirim e do povoado de Borrinhachos)
    Castro Verde (cruza a povoação talvez pela rua da Liberdade e rua de Mértola, saindo depois pelo caminho que passa na Fonte das Bicas e na Capela de S. Sebastião rumo a Geraldos, onde cruza a ribeira de Maria Delgada, continua pelo Monte do Outeiro Novo passando nas proximidades da Capela de S. Pedro das Cabeças que assenta sobre um santuário romano, cruza a ribeira de Cobres junto do Monte Roxo, onde há necrópole, e segue pelo Monte das Cabeças, junto do castellum dos Namorados e Cruz do Castro)
    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) (continua hipoteticamente por Sete, Espragosa, villa da Herdade de Santa Maria, S. João dos Caldeireiros, Ledo e Namorados)
    Mértola (MYRTILIS)

    Variante por Aljustrel (VIPASCA) Partindo de Santigo do Cacém, seguia por Alvalade, Rio de Moinhos, Aljustrel (entrando pela necrópole de Valdoca e passando no povoado mineiro de Vipasca, continuando depois pelo Alto da Malhadinha, ponte e calçada do Monte Gavião, Monte da Barriga e Monte do Canal), Entradas (cruza a ribeira de Terges e segue pelo Monte da Carvoeira e Monte Novo das Alturas; estela funerária de Ulpius Obbidus no Monte da Fonte), rumo à travessia da ribeira de Cobres junto da fortificação conhecida por Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel, continua por Monte Salto até confluir na EN123 que segue pela base da Serra de Alcaria Ruiva para Mértola.


    Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Garvão (Arannis?) - Lagos (Laccobriga?)
    Provável via romana entre Santiago do Cacém e Lagos servindo os diversos complexos portuários espalhados ao longo da costa Alentejana, nomeadamente os de Sines, Ilha do Pessegueiro e Milfontes; a via segue aproximadamente a rota da EN120 pelo seguinte itinerário: Mirobriga (segue por Muda), Cercal (pela EN120 até à «Calçadinha do Raco», onde sai da EN120 por Catifarras, passando a nascente da necrópole da Herdade do Raco), Odemira (cruza a ribeira de Despada, segue por Vale da Pedra e passa a nascente de S. Luís por Garatuja rumo à travessia do rio Mira, continua sob a EN120, saindo ao km 113 à direita rumo ao Moinho da Vagarosa, onde cruza a EM502-1), S. Teotónio (continua a poente da povoação), Odeceixe (cruza a ribeira de Seixe a nascente da povoação e segue pela calçada de Porto da Torre e depois continua sob a EM1002, marginando o vicus mineiro do Vidigal), Aljezur (cruza a ribeira homónima e ascende ao morro do Castelo até Portela Alta, continuando depois paralela à 1003-1 até ao Alto das Barreiras Vermelhas, onde toma o estradão por Craveira e Encruzilhada até Viana, onde inflecte para nascente por Monte Ruivo rumo a Espinhaço de Cão), continua por Fronteiras (lápide sepulcral de Iulius Arenius, hoje no Museu de Lagos), Bensafrim (passa em Corte de Pero Jacques, junto da necrópole de Fonte Velha e do provável vicus da Hortinha, Monte das Figueiras (junto do provável vicus do Figueiral da Misericórdia/Cerro das Amendoeiras e da villa Jardim), daqui a Portelas (marginando a villa da Portela) rumo a Lagos.


    VIAE AQUILONEM FLUMINIS DURIUS

    Viação secundária romana a norte do Rio Douro
    A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. O itinerário medieval entre Braga em Monção já exisitiria no período romano atendendo aos silhares com marca de fórfex na Ponte de Ázere. Também é provável que existisse pelo menos um itinerário romano no sentido O-E ligando Braga a Zamora e Salamanca, passando nas «Terras de Panóias» (a leste de Vila Real), continuando por Murça, Mirandela e Miranda do Douro para Zamora (Ocelo Durum), ou por Carlão, Vila Flor, Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo rumo a Salamanca (Salmantica). Também é provável uma via N-S que cruzava com estes trajectos no Alto do Pópulo e em Carlão rumo às civitates da margem sul do Douro como Freixo de Numão. Os possíveis miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com este itinerário assinalando a sua passagem em Vila Real, onde cruza o rio Corgo, mas é mais provável que estes miliários pertençam às vias no sentido N-S entre Chaves e o rio Douro, estando o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Covelinhas e o miliário de Vila Marim inserido na via Rota Chaves - Lamego que passava a poente de Vila Real, seguindo em direcção a Peso da Régua ou a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também há referência a um possível miliário. A fundação de Vila Real na Baixa Idade Média através da aglomeração de 3 aldeias (Sesmires, Vilalva e Veiga de Cabril), num local estratégico como é travessia do rio Corgo, vem a criar um importante eixo viário medieval O-E que irá tornar-se na principal ligação entre Porto a Bragança que permanece ainda hoje e que tanto confunde o levantamento da viação romana nesta zona. No entanto não se pode descartar a possível origem romana deste itinerário.

    Braga
    Monção






    Castro
    Laboreiro










    Braga - Arcos de Valdevez - Monção
    Esta estrada medieval deverá ter origem romana atendendo aos vários vestígios encontrados ao longo do seu percurso, em particular uns silhares com marcas de fórfex inseridos na Ponte de Ázere indiciando uma possível cronologia romana. No ano 960 é referida uma ponte petrina sobre o rio Cávado (in PMH DC 81). A via seguia pela Portela do Extremo rumo à travessia do rio Minho junto a Monção, existindo 3 possíveis pontos para essa travessia: no lugar da Barca, junto do antigo povoado de Cortes/«Monte Santo» (vestígios da necrópole) e outro junto da Torre Medieval de Lapela; na rota para Cortes existe uma ponte em Troporiz eventualmente com origem romana e conhecida pelo sugestivo topónimo Ponte da Calçada, uma construção algo atípica que apesar de utilizar silhares almofadados no seu único arco, estes não aparentam ter essa antiguidade. Também é proposto um hipotético itinerário entre Monção e Melgaço passando em duas pontes medievais que alguns chamam de «romanas» sem grande fundamentação, a Ponte de Mouro (Barbeita) e a Ponte de Folia (Remoães); (CAF Almeida, 1968; Marques, 1984; Brochado de Almeida, 2005).

    Braga (inicialmente a via seria comum à Via XIX, continuando depois pela rua de S. Martinho e por Dume, Espeçande, Assento, Palmeira/Aldeia, Lamela e Verdasca)
    Travessia do rio Cávado (a referência a uma ponte petrina neste local no ano 960 indicia uma possível cronologia romana desta travessia; in PMH DC 81)
    Vila Verde (continua por Barco, Lagoa, Felinho, Venda, Lampadela, Reguengo, Av. Cruz do Reguengo e no estádio toma o estradão que vai cruzar a ribeira do Tojal na «Ponte Romana» e segue para Sabariz pela rua da «Via Romana» até entroncar na EN308 que segue por 200 m para depois tomar a EM1200 por Cantinhos, Igreja de Lanhas e Paço)
    • A via passa a poente da Citânia de São Julião de Caldelas, importante castro romanizado, onde apareceu uma estátua guerreiro; em 1803, durante a construção das termas de Caldelas apareceram duas aras votivas às Nymphas, hoje nos jardins do Hotel da Bela Vista, relacionadas como o culto das águas; uma necrópole e alguns fustes de colunas indiciam um possível vicus neste local. Em Aboim da Nóbrega, na elevação conhecida por «Os Castros», apareceu uma ara votiva.
    S. Tomé de Vade (estela com inscrição a Meducea na Casa da Pousada, eventual mutatio; segue pela Portela de Vade?)
    Ponte da Barca (povoado no Outeiro de Santar; depois de atravessar o rio Lima por barca, actualmente pela ponte do séc. XIV)
    Arcos de Valdevez (segue junto dos sítios romanos no Paço de Giela e Qta. do Rial/Real; EN202-2)
    Ázere (a via passa junto da igreja paroquial e do antigo convento, na base do castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes uma ara dedicada à divindade Lalaecus(?) e outra dedicada à mesma divindade (?), hoje no Museu Pio XII em Braga; castro romanizado do Monte Castro/Eiras/Vilar a poente)
    Ponte Romana-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex; continua por Bouça, Porta, Couto, Castro, Gondoriz, Qta. do Outeiro e S. Cosme e Damião; na outra margem do Vez fica o castro romanizado de Reboreda/Santa Vaia, onde apareceu uma ara à divindade Carus Conservatori)
    Vilela (cruza o rio Vez na Ponte Romana?-Medieval e segue por Choças, S. Martinho, Casal Doufes e Portela de Vez; EM505)
    Extremo (nó viário na Portela do Extremo)

    Variantes entre Portela do Extremo e Monção:
    • Variante por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pelo monte por Cova da Loba, atravessa o rio Gadanha e segue por Rio Bom, Chim (EM1107?), Capela de St. Estevão, Tariz, Sande, Cidade, onde atravessa o rio do Vale (castro? no Outeiro da Torre)e segue por Moreira e pela Calçada da Catelinha, Cheira, Regueiro até Eirado, onde inflecte para poente, cruza a EN101 e segue por Breia (topónimo viário), Requião, Mazedo (igreja), podendo seguir daqui para a travessia do rio Minho no lugar da Barca entre Qta. das Vianas e Lodeira, passando por Pegadeira e Boavista (Almeida, 2005), ou seguir por Cruzeiro e Sobreiro rumo ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» situado entre Ribeiras e Bergela na freguesia de Cortes (Marques, 1994).
    • Variante por Pinheiros: esta variante desvia em Extremo, seguindo pela margem esquerda do rio Gadanha (+- a EM507), passando por Portela de Regoufe, Barroças, Lapa, Cristelo, Pias de Baixo, Pinheiros (EM506, EM502 até ao campo de futebol), Motas, Soalhosa, Souto (CM1088), onde atravessa o rio Gadanha na Ponte Romana? da Calçada (pedras almofadadas no intradorso do arco, mas sem marcas de fórfex; serão romanas?), continuando depois por Rebouça e Qta. da Portelinha até ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» de Cortes, onde conflui com a variante que vinha por Moreira.
    • Ligação a Lapela, derivando da anterior na zona entre Pinheiro e Motas, descendo depois pela Qta. da Serra e Qta. de S. Lourenço até à Torre Medieval de Lapela, estrutura medieval que controlava a travessia do Minho neste local (na outra margem subsiste ainda o topónimo Barca).
    • Variante por Longos Vales: também poderia existir uma via rumo ao rio Minho por Longos Vales, seguindo entre a Citânia da Cividade no Monte Castro e o Castro romanizado do Monte de S. Caetano, com vestígios romanos no Mosteiro de S. João, descendo depois até Monção ou Bela.

    Monção (o antigo vicus poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes; mina romana)

      Ligação de Monção a Melgaço, seguindo por Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz, onde apareceu um cipo funerário e uma ara votiva, seguindo depois junto dos Castros romanizados do Monte Redondo e de Cristêlo até Poldras onde atravessa a ribeira de Silvas), continua por Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte da Ns. da Assunção), Ponte Medieval de Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça; topónimos Portela e Albergaria; 2 aras), Penso (Monte do Castro), Paderne (Cividade), Ponte Medieval sobre a ribeira de Folia (junto das Termas do Peso), Remoães e finalmente Melgaço. Esta via poderia continuar para a Galiza saindo da povoação pelo Bairro da Calçada, EN301, e passando junto da Capela de S. Julião e na Igreja Românica da Ns. da Orada rumo à travessia do rio Trancoso na Ponte Velha de S. Gregório.

      Ligação a Castro Laboreiro, partindo de Melgaço seguia por Lamas de Mouro (Ponte de Porto Ribeiro com silhares almofadados) ou por Fiães (CM1138) rumo a Castro Laboreiro; daqui poderia continuar para sul pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Romana?-Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares almofadados (?), Ponte Medieval de São Brás sobre a ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente (?), Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para nordeste pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portos, Barreira, seguindo por Bande de encontro à «Via Nova»(?).









    Braga - Amarante - Vila Real - Panoias
    Hipotética via romana que ligava Braga às "Terras de Panóias", região a leste de Vila Real, atravessando a Serra do Marão por Amarante. O seu traçado continua muito indefinido, mas é possível que desviasse da Via Bracara ad Tongobriga no Alto da Lixa, seguindo em direcção a Amarante, onde fazia a travessia do Tâmega no local da Ponte Medieval de S. Gonçalo subindo depois para a Serra do Marão rumo a Vila Real.

    Vila Cova da Lixa (partindo no nó viário no sopé do Castro do Ladário/Alto da Lixa, junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, lugar de Arrifana, topónimo que indica uma estação viária, a via poderia seguir por Ranhadouro, S. Gens, Estrada, Penalta e Estradinha)
    Amarante (travessia do rio Tâmega na Ponte de Medieval de S. Gonçalo, não havendo vestígios de uma antecedente romana, embora exista um necrópole na Calçada da Misericórdia; a cerca de 3 km para norte, em Gatão, situa-se o Povoado do Ladário que deverá corresponder ao vicus Atucausis com base na ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausenses achada na Qta. dos Pascoais, CIL II 6287, hoje no MSMS, nr. 28 e a ara de Adus entretanto desaparecida que servia de pia na Igreja de S. João Batista, CIL II 2383)
    Madalena (a via deveria subir a encosta pela rua de St. António, passando em Paredes, Sentinela e Ataúdes, onde havia necrópole, até confluir no CM1213) Lufrei (segue nas proximidades do povoado romano da Sertã para Mosteiro e desce pelo Caminho do Barreiro à chamada «Calçada de Marancinho», troço de via antiga com profundas marcas de rodados que desce pela margem direita da ribeira do Marancinho e após o cruzamento desta inflecte para sul subindo a encosta)
    Sanche (necrópole, villa?; minas de estanho)
    Ponte Medieval do Fundo da Rua (entre Sanche e o lugar da Rua)
    Aboadela (o caminho pela Serra do Marão segue por Lameira, Pousado e Alto do Gavião; Lopes, 2000:290)
    Campeã (provável mutatio; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova; a via continua por Vendas e rua do «Caminho Romano» com vestígios de calçada junto do fontanário do Arco ou de Pai-Pás, continuando paralela à EN304 por Viariz da Santa, com calçada em Lameirões, cruza a A4 e EN15, seguindo depois por esta)
    Arrabães (atravessa o rio Sordo, entra à esquerda no CM1212 e logo à direita por caminho de terra)
    Mondrões (calçada com cerca de 50 m, 100 m a poente da igreja matriz; topónimo Estalagem; tégula no local onde existiu a Capela de São Tomé)
    Vila Marim (talvez indo atravessar o rio cabril na Ponte dos Machados, EM564, entrando em Vila Real junto da Ns. de Almodena)
    Vila Real (atravessa o rio Corgo e segue pela rua do Bairro de Vilalva, CM1238, rumo à Ponte Romana?-Medieval do Sobreiro sobre a ribeira das Toirinhas, 200 m depois segue à esquerda pela rua da Calçada, onde há 20 m lajeados, até reencontrar a estrada actual em Torneiros, continuando depois para Constantim, onde deveria existir uma mansio, situada no cruzamento com a Via N-S entre Chaves e a travessia do Douro em Covelinhas, continuando por S. Martinho de Antas e Paços até Sabrosa)
    Sabrosa (Castro romanizado de Cristelos/Castelo de Sancha junto da EN323, de onde será proveniente uma ara dedicada a Júpiter por Maximo Clodius, colono originário de Útica, capital da província romana de África Proconsular, hoje Zana na Tunísia)
    • Possível ligação ao Pinhão, seguindo aproximadamente a EN323 por Provesende e passando junto da necrópole em torno da Capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha/Qta. da Relva, na base do povoado do Picoto de São Domingos.
    • Possível continuação para Alijó, passando por Sancha rumo à travessia do rio Pinhão na Ponte Romana?-Medieval da Ribeira em Cheires (calçada junto da villa? da Qta. da Ribeira; povoado no Castelo de Cheires; habitat em Santiago de Cheires), continuando a sul de Sanfins do Douro rumo a Alijó.







    Vila Real - Murça - Mirandela
    Itinerário medieval de Vila Real a Mirandela com possível utilização já em época romana; este itinerário inicia-se na travessia do rio Corgo em Vila Real, seguindo por Mateus, Mouçós, Lagares, Justes e Vila Verde rumo ao Alto do Pópulo, continuando depois na direcção de Murça; nenhuma das pontes deste itinerário apresenta sinais de romanidade (Ponte do Corgo em Vila Real e Ponte do Tinhela em Murça) e o perfil acidentado da estrada aponta para um trajecto medieval; no entanto, esta rota margina os povoados castrejos romanizados de Santa Cabeça (Mouçós), Murada (Lagares), Cerca (Vila Verde) e Castelo dos Mouros (Murça).

    Mateus (ara a Júpiter e necrópole)
    Mouçós (rua da Calçada, EM1235; castro de Santa Cabeça)
    Alvites (rua da Calçada pelo Alto da Lomba Queimada)
    Lagares, Lamares (travessia da ribeira dos Carrojos; a via segue o caminho que parte do campo de futebol e passa a noroeste do castro da Murada)
    Justes (cruza a via Chaves - Moimenta da Beira; continua para nordeste, cruza a A4 e segue rumo à travessia do rio Pinhão, talvez a jusante da Ponte de Balsa na EN15 para evitar a travessia da ribeira de Jorjais, continua na EN323 e na aldeia toma o caminho que segue até à Ponte do Rato, onde reencontra a EN15, saindo logo depois pelo caminho que ladeia o ribeiro Galego)
    Vila Verde (a via passa na base do Castro romanizado da Cerca, com um troço lajeado e uma ponte em ruínas, marginando a necrópole da Veiguinha)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Ascas
    Freixo, Alijó (calçada)
    Alto do Pópulo (nó viário e provável mutatio no cruzamento com a via N-S entre Chaves e Celorico da Beira; sai da EN15 pelo Alto da Bobela/rua Fontelas)
    Cadaval, Fiolhoso (a via continua pelo caminho que passa na Fonte do Linhar e junto do cabeço da Seixigueira, descendo daqui em calçada até à ponte sobre o rio Tinhela, passando assim a sul do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, onde há um troço de calçada de acesso ao castro)
    Murça (atravessa o rio Tinhela na Ponte Romana?-Filipina sobre o rio Tinhela e sobe por calçada à povoação, cruza a EN15 e segue pela rua Marquês de Valle Flôr)
    Palheiros (talvez pela rua da Estrada Velha, na base do castro rumo Franco)
    Lamas de Orelhão (provável nó viário atendendo à fortificação romana situada no outeiro do actual cemitério; na igreja apareceu a inscrição Heinc Leteram, «Aqui Letera», possível designação do povoado em época romana; continua talvez por Passos e Golfeiras)
    Mirandela («Ponte Velha dos Jogos» sobre a ribeira de Carvalhais em S. Sebastião, junto ao campo de futebol, povoado romano, possível mutatio entretanto "engolido" pela cidade; castros romanizados na Sra. do Viso e no Castelo Velho/Monte de S. Martinho, com vestígios romanos junto da ribeira de Mourel na base do castro, actual Qta. da Raposeira)
    • Possível diverticulum para o território Baniense, derivando em Palheiros e seguindo para sudeste por Montefebres, indo atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro, 100 m a montante da ponte actual (Castro romanizado na Capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) continuando depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direcção a Vila Flor e daqui ao Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo), território da civitas Baniensis.

    Viae ab AQUAE FLAVIAE ad DURIUS flumen

    Mapa

    Itinerários Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Durius)
    Existem vários eixos viários romanos em direcção ao rio Douro que teria um importante papel económico no escoamento das mercadorias provenientes da exploração mineira e agrícola da região, interligando o importante nó viário da Via XVII ao rio Douro. A via seguia por alturas da Serra da Padrela cruzando a região mineira de Três-Minas (com vários troços de calçada e uma ponte romana sobre o rio Pinhão, a Ponte do Arco), continuando por Panóias (mansio?) rumo à travessia do rio Douro em Covelinhas; uma derivação desta estrada no povoado mineiro de Três Minas, rumava a sudeste por Pópulo e Carlão rumo à travessia do Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio. Estes itinerários são claramente romanos, apesar de não se conhecerem outros miliários até ao rio Douro com excepção de um muito duvidoso miliário que Russel Cortez afirma ter aparecido na «Feira de Constantim» (Lemos, 2010). Por último, também existia uma via a poente da depressão Verín-Régua seguindo pelo alto da serra até Vila Marim, bifurcando rumo aos pontos de travessia do rio Douro (em Caldas de Moledo e Peso da Régua), integrando os possíveis miliários encontrados em Vila Marim e Cidadelhe. Todos estes eixos viários teriam continuação para sul interligando as diversas civitates da região do Douro (como os Coilarni, Peasuri, Meidobrigenses e Aravi) e em última análise aos grandes eixos viários para Mérida, principal caput viarum da Lusitânia (vide Teixeira, 1996; Lemos, 2004, 2010; Colmenero, 2004; Batata et al., 2008).







    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Covelinhas) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
    Itinerário N-S interligando Chaves ao rio Douro, seguindo por alturas da Serra da Padrela, cruzando a importante região mineira de Três Minas, possivelmente a «Metallum Albucrarense» referida por Plínio, descendo depois à travessia do rio Douro em Covelinhas e daqui marginando o Castro de Goujoim rumo a Moimenta de Beira, importante nó viário da Beira Alta (vide Lopes, 1994; Teixeira, 1996; Batata et al., 2008; Lemos, 2011).


    Chaves (inicialmente seguia a Via XVII por S. Lourenço e S. Julião de Montenegro, derivando depois para sul pouco depois da mutatio do Alto do Cavalinho; a bifurcação seria junto do Cruzeiro, onde era vencida a milha VI, seguindo depois por alturas da Serra da Padrela afim de evitar o cruzamento de cursos de água, seguindo pelas aldeias de Paranhos, Alto de Gondar, Nogueira da Montanha (inscrição a Emiliano Flacus procedente do castellum Ivreobriga ou Tvreobriga), Ladário, Aveleda, S. Cipriano e alturas de Vilarinho do Monte e Seixedo, sucedendo-se os topónimos viários como Vidual, Marcos, Lampaça e Caleiros, assinalando a passagem da via e vestígios romanos junto da via em Outeiro do Coxo e Pedra Alta, possivelmente tabernas)
    Padrela (desemboca na ER206 junto da villa ou mutatio dos Milagres, a poente da aldeia, continuando pelo estradão paralelo à estrada moderna, marginando o possível assentamento militar romano do Alto da Cerca que controlaria o acesso ao complexo mineiro de Jales, localizado entre os rios Tinhela e Curros, seguindo depois o estradão paralelo à EN206 até à base do marco geodésico «Padrela 2», onde toma o caminho que vai pelos altos do Morouço, da Cabeça da Cheda e do Marco Preto, cruza a ribeira do Muro e continua por alturas de Vilarelho até ao Alto da Forca, onde segue à direita para a travessia do rio Tinhela na Ponte da Fonte da Ribeira)
    Campo de Jales (barragem do Alto da Presa na estrada para Guilhado; estela funerária, hoje no MNA; continua junto das Minas de Jales por Borralheiros, entra na EM567 e passa junto da Ns. da Saúde)
    Vreia de Jales (continua pela EM567 até à Cruz da Vreia e 100 m depois segue à direita para o centro da povoação; continua pelo troço de via romana que segue por Milhapão)
    Barrela de Jales (a via romana continua a poente a aldeia, passando junto da interessante estátua-estela do Marco até Estalagem, onde entronca no CM1237 que segue por 400 m até desviar pelo troço calcetado que leva à Ponte do Arco)

    Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão (vários indícios apontam para uma cronologia romana com pedras almofadados no arco e estribos, arco de volta perfeita e pavimento em grandes lajes de pedra; merecia outra atenção; retoma o CM1237 por 800 m, onde segue à direita pelo caminho da Laje do Cavalinho que volta a reunir-se com estrada junto do cruzeiro do Sr. dos Aflitos; continua por 500 m, onde desvia por caminho carreteiro que vai cruzar o ribeiro dos Carrojos na Ponte do Prado)
    Pinhão Cel (lápide consagrada a Tutela Turiensis achada na igreja de Sta. Maria da Ribeira, hoje no MSMS; a via passa a poente, cruza a CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Vidual, topónimo viário, actual Rua do Souto, cruza a EN15 e segue o caminho defronte por Bouça da Velha)
    Justes (passa a poente por Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares)
    Lagares (castro em Lamares)
    • «Terras de Panóias»
      Esta região de planalto delimitado pelos rios Corgo e Pinhão, chamada de «Terras de Panóias» em tempos medievos, poderia constituir o território de uma civitas em época romana, supostamente dos Lapitiae que teriam construído o excepcional Santuário Rupestre de Panóias no lugar do Assento, exemplo maior da transformação religiosa inerente à romanização (Cortez, 1947; Alarcão, 2001b); não se conhecem outros vestígios romanos junto do santuário e o vicus mais próximo situa-se em Constantim onde poderia existir uma estação viária.

    Constantim (vicus e mutatio no sítio das Mamoas, a norte da povoação, hoje ocupado por terrenos agrícolas; um pedestal e vestígios cerâmicos na área compreendida entre o centro da povoação e a Capela de Sta. Bárbara, indiciam a existência de um vicus viário; em 1947, Cortez refere um miliário a Trajano encontrado na «Feira de Constantim» (CIL II 4797), antiga designação medieval, mas esta informação é duvidosa; Cortez, 1947; Silvano, 2004; Lemos, 2010)
    Andrães (segue a nascente da Portela até Mosteirô desce pela Capela de S. Miguel-o-Anjo à Qta. da Ribeira; tesouros em Agó e Caxada)
    Ponte Romana?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha
    Abaças (castro romanizado de Abaças; mutatio (?); segue por Fontelo?)
    Bujões (vicus?; no castellum de Guiães, a nascente, apareceu uma ara a Reve Marandigui, hoje no Museu de Vila Real)
    Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
    • Variante por Poiares e passando junto do Castro do Muro por Estalagem, Estrada, Vila Seca, Poiares, seguindo depois na direcção do importante Castellum da Fonte do Milho ou da Pousa em Canelas, villa agrária fortificada que poderia ser também uma mutatio da via romana, descendo depois a Covelinhas pela Qta. do Muro, Qta. de Viandos e Sra. da Boa Passagem, onde há vestígios de tégula.
    • Variante por Galafura (Castro em S. Leonardo), passando em Ns. da Boa Morte, Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.
    Covelinhas (vicus?; cruza o rio Douro junto da Capela do Senhor da Boa Passagem; inscrição num mosaico tumular, entretanto destruído)
    Folgosa (daqui a via seguia talvez pela Qta. da Folgosa Velha, Qta. da Cruz do Monte e Alto da Forca)
    Vila Seca (estação viária, possível mutatio, continuando pela calçada da Sra. do Leite, caminho que sobe a lombada da serra sobranceira a Armamar e a poente de Coura e Aricera, continuando depois próximo de Qta. da Silveira, Qta. do Esporão, Gogim e S. Martinho de Chãs, contornando assim o castro pelo lado poente)
    • Castro de Goujoim (castro romanizado localizado na fronteira entre civitas dado que a cerca de 1.5 km a norte do castro e possível sede de civitas, onde apareceu um raro terminus augustalis demarcando a divisão territorial entre os COILARNI e os ARABRIGENSES, na Qta. das Lameiras, ; 4 km de calçada nos acessos ao castro)
    S. Martinho das Chãs (continua talvez pela calçada de Lajeirão, a poente de S. Cosmado até Sarzedo onde entronca na via Régua - Marialva)
    Moimenta da Beira (Arabriga?; possível mutatio; a via continuava para sul até Cabeça de Alva (nó viário onde poderia rumar a Viseu), seguindo por Aguiar da Beira rumo a Fornos de Algodres e Serra da Estrela; vide Itinerário Moimenta da Beira - Fornos de Algodres).
















    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Douro (Pinhão) - Marialva (civitas Aravorum)
    Esta rota deriva do Itinerário Chaves - Vesúvio próximo do Aerodrómo de Alijó em Vila Chã, seguindo na direcção da foz do rio Pinhão, onde cruzava o rio Douro, continuando depois pelo vicus de Paredes da Beira rumo talvez a Marialva, atravessando o território dos Arabrigensis.

    Chã, Alijó (cruza a serra pelo Alto da Portela do Cabeçudo, Giesteira e Alto do Areeiro)
    Sanfins do Douro (necrópole na igreja da Ns. da Conceição; povoado na Sra. da Piedade; provável vicus junto da mina de ouro de Salgueiros; segue rumo a Favaios passando na base do Castro romanizado de Vilarelho; na zona há vestígios de calçadas possivelmente romanas em Rio de Moinhos, Marco e Tapada Velha e Presandães )
    Favaios (vicus no cemitério, na base do povoado de Sta. Bárbara; calçada da Regada no acesso à Qta. de S. Jorge, onde apareceu uma estela funerária; continua para sul, topónimo Corredoura, sempre em altitude pelo Alto da Portela da Serra)
    Vilarinho de Cotas (povoado no cerro do Castelo; segue a EM1287)
    Casal de Loivos (rua Calçada)
    Travessia do rio Douro no Pinhão (na estação C.F. apareceu uma inscrição com o epitáfio de Aelius Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga e veterano da legião VII Gemina (CIL II 6291), hoje no MSMS; daqui subia a Paredes da Beira talvez por Valença do Douro e Castanheiro do Sul, EM504 ou por S. João da Pesqueira)

    Paredes da Beira (vicus; os vestígios no lugar do Cruzeiro e os vários elementos arquitectónicos reutilizados em casas da aldeia indiciam a existência de vicus estrategicamente localizado junto desta estrada romana que percorria o território civitas Ararabrigense no sentido NO-SE; aqui apareceu uma ara anepígrafa e um berrão em pedra com a inscrição Ambroecon, hoje no Museu Eduardo Tavares em São João da Pesqueira; a via seguia a meia encosta entre o povoado pré-romano do Alto da Serra do Reboledo e a Serra de Sampaio, onde há calçada, continuando por Britelo e junto da inscrição rupestre do sítio do Marcadouro/Mercadoura onde se lê «Visancoru(m) / Camali / Concili», provável marco de divisão de propriedades)

    Penela da Beira (segue junto do provável vicus do Casteidal, «Penela Vedra», situado num esporão junto da Qta. de St. Tirso e marginando as minas de ouro de St. António em Granja de Penedono e o castro do Monte Airoso a nascente; inscrição rupestre na Gruta de Rodelas onde se lê TVROS / BANIE(n)SV(m), possível referência aos Banienses)
    Penedono (há 3 possíveis miliários nas ruas da vila)
    Ourozinho (passa no interior da aldeia e logo depois entra na calçada romana da Qta. do Vale do Outeiro, passa nas casas da quinta e continua pela Sra. do Pranto em Sapateira para a travessia da ribeira da Teja)
    Outeiro dos Gatos (vestígios em Telhões e na Qta. do Paço)
    Mêda (entra na vila pelo Cadoiço)
    Marialva (civitas Aravorum)

    Itinerário alternativo Pinhão - Penela da Beira por S. João da Pesqueira:
    Também poderá ter origem romana, o itinerário alternativo por S. João da Pesqueira rumo a Penela da Beira, onde conflui com a via proveniente de Paredes da Beira, mas por agora não passam de hipóteses devido aos parcos vestígios existentes.
    • Num traçado hipotético, depois de atravessar o rio Douro poderia subir a S. João da Pesqueira (villa junto do campo de futebol; sobranceiro ao Douro, no actual Santuário de S. Salvador do Mundo, existiria um povoado, com uma lápide funerária de um emigrante Limicus na fachada da ermida e outra na escadaria) e daqui rumar à Sra. da Estrada (EN222), onde bifurcava, seguindo um ramo para Freixo de Numão (?) talvez por Horta do Numão (villae na Qta. do Sequeira e no Vale da Amoreira) e outro seguia em direcção a Marialva (?) talvez por Valongo dos Azeites (cupa funerária, FE 358 em Trevões), rumando depois a Penela da Beira pelo chamado «Caminho da Gricha» que contorna a Serra de Sampaio pela vertente leste, passando no castellum (?) da Tapada do Vento antes de atingir Penela da Beira.

    Tabuaço a Moimenta da Beira pelo vicus de Fontelo
    Possível itinerário romano partindo da travessia do rio Douro na foz do Tedo que seguia aproximadamente a EM512 por Adorigo rumo a Tabuaço (villa no sítio de S. Vicente; ligação a Vale Figueira pela calçada do Alto da Escrita), seguia depois pela calçada do Fradinho até Távora, continuando pelo estradão por Passa-Frio, na base do povoado fortificado da Sra. do Calfão/Galfão, rumo a Paradela, onde toman o estradão que passa na Eira do Monte, entrando na aldeia de Sendim pelo troço de calçada entre Vale de Vila e St. Ovídeo rumo ao vicus do Fontelo, podendo daqui continuar por Baldos até Moimenta da Beira (nó viário que articulava as vias provenientes do rio Douro com as ligações a Viseu, a Celorico da Beira e a Marialva).
    • Vestígios de um troço de calçada em Sta. Bárbara, Granjinha, indicia a existência de um outro caminho mais próximo do rio Távora, seguindo talvez por Porqueira, Cabriz e Sra. do Bom Despacho também rumo ao vicus do Fontelo (?) (Perpétuo, 1999).

    Castro de Goujoim ao vicus a Paredes da Beira por Sendim
    Caminhos interligando os vários povoados pré-romanos do concelho de Armamar e Tabuaço (Perpétuo, 1999).
    Goujoim (do cemitério descia ao rio Tedo pelo caminho da Qta. do Pombo e Ronção)
    Granja do Tedo (cruzava a Ponte Romana?-Medieval de Granja do Tedo e ascendia a encosta pela calçada que parte junto ao cemitério)
    Longa (passa na Capela de S. Miguel e no cemitério e continua em calçada por detrás da Capela da Sra. da Saúde passando em Rebolos e Serra)
    • Ligação a Tabuaço, seguindo o velho caminho para a Citânia pelo Penedo do Forneiro/da Forca e na Capela de Santo Isidoro, onde começa um troço de calçada com 500 m que continua na direcção de Chavães e Tabuaço, surgindo um troço em calçada que corre paralela à EN515 pouco antes da sede do concelho.
    • Ligação Longa a Nagosa, pelo antigo caminho lajeado que passa a poente do Bairro Dr. Octávio Cruz.
    Arcos (passa no cemitério e segue à esquerda por terra para Sendim)
    Sendim (vicus do Fontelo; descia por Guedieiros, seguindo próximo das estações romanas de Estercada Velha e Pala para a travessia do rio Távora junto do Castro de Riodades, seguindo depois por Areite, Lajes e Cruzeiro)
    Paredes da Beira (vicus)

    Carrazeda







    Trancoso
    a
    Celorico






    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Vesúvio) - Celorico da Beira
    Este eixo viário deriva da Via Chaves - Covelinhas junto da provável mutatio de Campos de Jales, seguindo depois na direcção sudeste por Alfarela de Jales, Alto de Pópulo e Carlão, onde cruzava os rios Tinhela e Tua, seguindo depois pelo termo de Carrazeda de Ansiães rumo ao povoado mineiro da Qta. da Sra. da Ribeira, onde cruzava o rio Douro para a Qta. do Vesúvio, continuando depois por Freixo de Numão, Mêda e Trancoso rumo a Celorico da Beira (importante nó viário junto da travessia do rio Mondego), inteligando ao eixos viários para Mérida por Belmonte. (Almeida, 1992-1993; Lemos 2011).

    Chaves - Campo de Jales (segue o Itinerário Chaves - Covelinhas )
    Alfarela de Jales (topónimo Corredoura)
    Cortinhas (estela funerária do Gestal em Moreira de Jales; a via seguia talvez pela aldeia de Asnela e pelos altos de Portelinha, Modorras e Cabeço do Carril, servindo de linha divisória entre os concelhos de Alijó e Murça)
    Alto do Pópulo (nó viário, provável mutatio; tesouro; a via continuava por Pópulo próximo da EN212, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castro de S. Marcos/Touca Rota, Castelo do Alto da Murada, Castelo de Castorigo e Castelo de Vale de Mir, seguindo a leste de Ribalonga pela vertente ocidental da Serra da Botelhinha, por Pópulo, Pousada, Cal de Boi, Alto de Pegarinhos, Vale de Mir, entrando depois no troço de calçada junto do Aeródromo de Alijó a nordeste da aldeia de Chã) Carlão (nó viário, provável mutatio junto ao «Castelo do Carlão», castro romanizado, onde inicia a descida ao Tua pelo Alto da Figueirinha)
    Travessia do rio Tinhela na Ponte «Romana» das Caldas de Carlão (reconstruções de uma ponte antiga destruída por uma cheia em 1739; calçada)
    Travessia do rio Tua em Brunheda (junto ao castro romanizado de Sta. Catarina)
    Pombal (na Igreja de Pombal apareceu uma inscrição dedicada a Júpiter pelos vica(ni) Cabr(...), hoje na Igreja de S. Salvador do Castelo de Ansiães; segue pela calçada que desce a vertente nascente do vicus do Lugar da Costa/Mós até confluir na EN314-1, cruza a ribeira de Frarigo e segue por Paradela e Parambos, passando no sopé de outro possível vicus no Curral dos Moiros)
    Marzagão (cruza a ribeira de Linhares na Ponte Romana?-Medieval do Galego)
    Selores (possível mutatio na base do povoado no Castelo de Ansiães)
    Seixo de Ansiães (desce daqui ao rio Douro pela EM632?)

    Travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira (junto do povoado da Qta. da Sra. da Ribeira, vicus mineiro relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros; na Capela da Ns. da Ribeira achou-se uma ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis pelo que o povoado ser designado por Liria ou Tiria em época romana, actualmente na colecção do MSMS com o nº 38; Encarnação, 1975, 1992; Alarcão, 1988 e 2004b; Lemos, 1993; Guerra, 1998, p. 185-186).

    Sra. da Ribeira a Freixo de Numão (Meidubriga?): sobe pela Qta. do Vesúvio a Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro), continua pela estrada da cumeada do monte que passa próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II) até ao nó viário da Qta. da Pedra Escrita, junto da imponente villa do Prazo.
    Qta. da Pedra Escrita, Freixo de Numão (um ramal ligaria vicus de Freixo de Numão; vide «Rede Viária de Freixo de Numão»)

    Freixo de Numão a Mêda
    Retomando o percurso da via junto da Qta. da Pedra Escrita, seguia junto da Qta. dos Bons Ares (villa e possível mutatio na Capela de Sta. Eufémia), cruza a EN222 e continua junto do Alto da Touça e Qta. das Alminhas e Capela de Sta. Bárbara em Sequeiros, continua pelo Alto do Poço do Canto/Santa Columba, passando nas proximidades do vicus de Vale da Aldeia (ara consagrada aos Lares Placidus).
    Mêda (Amindula?; nó viário, provável mutatio; seria a «Amindula» referida na documentação medieval?; ara aos Bandi Vordeaicui).
    • Ligação Mêda a Marialva (civitas ARAVORUM), a via romana desce de Mêda pelo caminho de terra inicialmente paralelo à EN324 e depois pela Fonte das Duas Bicas até Vila. (vide «Rede Viária de Marialva»)
    Trancoso (provável mutatio)

    Trancoso a Celorico da Beira: segue talvez pela cumeada a nascente de Fiães pela calçada de Vale Longo, passando no Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas, Alto da Silva, Barreiros e Murça (por alturas da Qta. do Salgueiro, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas) até Forno Telheiro, continua próximo do vicus? de S. Gens rumo à travessia do rio Mondego na Ponte Romana?-Medieval da Lavandeira, subindo depois pela calçada da Lavandeira por 500 m até ao Bairro de Sta. Luzia em Celorico da Beira (Carvalho P., 2009); esta via poderia ter continuidade para Póvoa de Mileu pelo Itinerário Celorico - Póvoa do Mileu (Guarda).

    Chaves
    Vila Marim










    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Marim - Cidadelhe (Aliobriga?) - Lamego (Lamecum?)/ Peso da Régua
    Um outro eixo viário N-S partindo de Chaves seguia pelo alto da serra a poente da depressão Verín - Régua rumo também ao rio Douro; dois miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) que apesar de estarem deslocados da sua posição original poderiam assinalar esta via que seguia por Vidago rumo à Ponte da Ola onde cruzava o rio Avelames, continuando por Cabanas (onde deveria existir uma mutatio), continuando por alturas da serra rumo a Vila Marim, onde se achou um miliário, continuando provavelmente rumo às travessias do Douro em Peso da Régua e Cidadelhe, onde há notícia de outro miliário. Esta última travessia poderia ser feita nas Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos associados a um vicus e provável mutatio de apoio a esta passagem do rio que durante a Alta Idade Média disponha de barca e albergaria que deverá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (Lima, 2008; Batata et al., 2008).

    Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, rumava a sul cruzando a ribeira do Caneiro; na Qta. do Caneiro apareceu o miliário do «Campo da Roda», hoje desaparecido, talvez dedicado a Constantino Magno)
    Outeiro Jusão (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis no MRF e estela funerária de Daphnus talvez provenientes da villa da Qta. do Pinheiro; vide términos dos Praen e Coroq achados neste local; a via seguia talvez por Pereira de Veiga e Vila Nova de Veiga pelo Alto da Conceição, Alto do Turigo e Parada onde apareceu uma ara a Baco)
    S. Pedro de Agostém (ara aos Lari Erredici na igreja; a via segue talvez por Fonte Fria e junto do castro romanizado do Alto do Castro/Monte de Sta. Bárbara e do respectivo habitat romano da Fonte do Mouro; inscrição a Laribus Pindeneticis em Selhariz)
    Pereira do Selão, Vilas Boas (segue pela rua da Paz e campo de futebol e pelos topónimos viários Carquejo, Corgo e Alto da Portela)
    Vidago (castro; termas romanas em Salus, divindade que designa saúde, onde apareceu uma incrição referindo Aqua Flaviae; a via cruzava a ribeira da Oura junto a Vidago ou mais a jusante numa ponte hoje arruinada na EM549, próximo do sítio romano de Couces local, ascendendo depois ao planalto da Serra de Oura, continuando pelo Alto do Baldio, junto da Qta. do Marco, Alto do Miradouro e aldeia de Vilela, passando assim a nascente do castro romanizado do Monte do Castelo em Capeludos, sobrancerio ao Tâmega, onde apareceu uma estátua de guerreiro; inscrição aos lares gegeiquis na igreja paroquial de Arcossó)
    Bragado (cruza o rio Avelames na Ponte Romana?-Medieval da Ola, e sobe a encosta pelo Parque de Lazer)
    Pensalvos (cruza a ribeira da Azenha e segue pela rua do Cabo, Igreja e rua do Calvário)
    Cabanas (possível mutatio no sítio da Castanheira/Reguenga, a 150 m do campo de futebol, onde apareceu um tesouro monetário; cruza a aldeia pelo Largo da Capela e Largo do Outeiro e continua pelo CM1155 junto dos topónimos viários Portela e Pipa, seguindo pelo planalto da Serra do Alvão)
    Afonsim (a nascente pelo CM1155 e EM555 por Alto de Couces e Praina dos Molhadinhos)
    Paredes do Alvão (continua a nascente pelo CM1153 por Colonos de Paredes, Alto do Porto da Lage/Alto da Chã da Fonte, Colónia de Baixo e Povoação)
    Gouvães da Serra (continua por Lages das Portas e Cadouço, topónimos viários, Alto da Sombra, Alto dos Merouços e Alto da Meroucinha, servindo de linha divisória entre os concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, continua pelo Alto dos Fornos, Alto do Seixinhal e Alto das Caravelas, onde inicia a descida da serra até entroncar na EM313 junto da Barragem Cimeira a sul de Lamas de Olo, seguindo por esta estrada pelo Alto das Muas, descendo depois pelo caminho carreteiro por Alto da Queimada e Negral)
    Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas, Laje e Barroca)
    Vila Marim (mutatio; miliário anepígrafo tombado numa horta junto da Capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis, mencionada em escritos medievais)
    Travessia do ribeiro da Marinheira (junto da Torre de Quintela?)
    Mondrões (segue algures a poente de Vila Real)
    Travessia do rio Sordo (tesouro monetário em Penedo Redondo)
    Torgueda (seguia talvez por Fonte Seca, Vendas de Cima e Moçães, conflui na EN1244 e segue para Arnadelo, rua da Carreira, passando junto do povoado do Alto do Castelo, no outeiro da Capela da Sra. dos Remédios, e mais adiante nos sítios romanos do Rodelo e Veiga, junto do campo de futebol na EM1244-1)
    Cumieira (provável vicus no lugar do Assento, com vestígios em torno do Monte de Sta. Bárbara, Ranha, Fossa e Ladário, onde terá aparecido uma ara a Júpiter (Colmenero, 1997); não é claro se a via passava em Cumieira ou se descia por Pomarelhos pela Costa da Veiga, onde existiu calçada, para cruzar a ribeira de Aguilhão na base do povoado fortificado do Monte Maninho junto da Qta. de Valflores e do sítio romano de Cabanelas na outra margem)
    Fontes («Castro de Fontes» ou «Castelo dos Mouros», povoado fortificado na colina da Pena Aguda onde hoje existe a Capela de São Pedro de Fontes; aqui apareceu uma ara dedicada à divindade Auge; sítio romano de Cabanelas; forno romano junto da Ponte da Arcadela sobre a ribeira de Aguilhão em Fornelos; Qta. da Carreirola, topónimo viário)

    • Ligação a Cidadelhe: um outro ramal seguia para Cidadelhe (onde há notícia de um miliário) rumo à travessia do rio Douro no «portu de aliovirio», mencionado num documento do ano 922 (PMH DC 25) que poderá corresponder ao porto de Caldas de Modelo, onde há vestígios romanos (Lima, 2008). Partindo de Fontes seguia até ao sítio de Fronteira, onde tomava o caminho pelos altos da Sra. do Monte e da Sra. dos Remédios em Mouramorta, continuando por Cimo de Vila e Pedreira até à Ponte Medieval de Cavalar sobre o rio Sermanha/Soromenha em Nostim, rumando daqui a Cidadelhe (castro romanizado, possivelmente designado por Aliobriga em época romana).
      • No hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um miliário a Numeriano entretanto desaparecido com o numeral IIXX na última linha, podendo por isso indicar a milha 18; o ponto inicial da contagem da milhas é desconhecido, mas é de assinalar que esta é aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim
      • Num documento do ano 970, há referência a uma antiga carreira servindo como linha divisória de propriedades em Nostim que poderá corresponder à via romana rumo ao Douro; «per carrale antiquo usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (PMH DC 101).
      • Travessia do Rio Douro rumo a Lamego: existem dois pontos de passagem do rio separados pelo rio Sermanha; de Cidadelhe poderia descer à Qta. do Barco, sugestivo topónimo ou em alternativa desviava antes de Cidadelhe, em Nostim, e seguia por Portela, Oliveira e Bamba até Caldas de Moledo, onde cruzava o rio para o porto fluvial Penajóia e daqui ascendia a encosta por Pousada, S. Gião, Penajóia e Avões de Lá, onde entronca na via proveniente de Porto de Rei rumo a Lamego.

    • Ligação a Peso da Régua: a via poderia bifurcar junto do Castro de Fontes, seguindo rumo a Peso da Régua para cruzar o rio Douro; a via seguia por Santa Marta de Penaguião, onde cruza a ribeira de Fontes, continua por Encambalados de Cima e pelo caminho próximo da Capela da Ns. da Guia em Lobrigos, continua paralela à EN2 por Outeiro, Casaria, reúne com a EN2 e pouco depois desvia novamente desta na Capela de S. Gonçalo e toma o caminho pela Capela da Sra. da Graça, continua pela cumeada das Qtas. de Romarigo e Campanhã, descendo depois ao Douro pelo caminho entre-muros marginando uma adega e que segue depois paralelo à rua Major Xavier Vaz Osório, cortado pela EN2, continuando pela rua da Qta. de S. Domingos até à linha férrea e daqui ao cais do Douro. (vide continuação da via no Itinerário Peso da Régua - Marialva).

    Mapa







    Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
    A existência de miliários na zona de travessia do rio Távora junto da Ponte do Pontigo/Freixinho em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, indicia a existência de uma estrada que atravessava o planalto beirão no sentido O-E, dando continuidade às travessias do rio Douro da via proveniente de Braga na zona da Régua e da via proveniente de Chaves em Covelinhas; depois de atravessar o rio Távora na Ponte do Pontigo, a via poderia bifurcar, seguindo um ramo para a sede da civitas Aravorum em Marialva, rumo talvez a Salamanca, e outro seguia para sul em direcção oppidum de Póvoa do Mileu (Guarda), possível sede de civitas dos Lanciences Transcudani, rumo Mérida pela Ponte de Alcântara. (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009; Teixeira, 1998). Esta estrada, proveniente talvez da travessia do rio Douro junto do Peso da Régua segue pelo alto do Monte Raso onde se regista a referência à «strada mourisca» que servia de limite norte do Couto do Mosteiro de Salzedas (LDMS 61), fazendo um percurso a cota elevada evitando assim grandes variações de cota e as difíceis travessias dos rios da região.

    Peso da Régua a Moimenta pela «estrada mourisca»
    A «estrada mourisca» referida na Carta de Doação a Teresa Afonso de 1152 constituía o limite norte do couto do Mosteiro de Salzedas numa linha que atravessa o planalto do Monte Raso e divide com Queimada («et per illa strada mourisca et dividit per Ceimada»), caminho assinalado por vários marcos que delimitavam o couto (S. Lourenço, Soito, Padrão, Santiago e Cimbres); esta estrada medieval, com possível origem romana, fazia a travessia do rio Douro na Régua, na base do povoado romanizado do Torrão, e daqui ascendia a Valdigem pela margem direita do rio Varosa (acima da EN313), continuava por Cairrão, Figueira, Portela, Queimadela (segue pelas ruas das Eiras, Calçada, Bispado, Adro, Telha e Ermida de S. Lourenço; habitat na Qta. da Raposeira, na vertente poente do Castro de S. Domingos), continuando pela cumeada da serra, o planalto do Monte Raso, até à encruzilhada no sítio do Padrão, entre Meixedo e Passos, topónimo que remete para o marco de delimitação do couto do Mosteiro de Salzedas que está na berma da estrada, possível reaproveitamento de um miliário romano. A partir daqui a via seguia junto do Aeródromo de Santiago rumo a Cimbres e Vila Chã da Beira, seguindo depois por Sarzedo rumo a Beira Valente, onde subsiste um troço da via romana, a «Estrada Larga» e uma ponte com presumível origem romana (Castro, 2013; Castro, 2013a).

    Moimenta da Beira (a via passa próximo dos sítios romanos de Carguencho, Cidade da Mouraria, Cabeça e do povoado do sítio de S. João, margina a igreja e segue o caminho do Bairro da Corujeira por Arcozelo do Cabo e Arcozelo da Torre)
    Granja de Oleiros (Arabriga?; importante vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; o território dos Arabrigenses poderá corresponder ao actual concelho de Moimenta da Beira; epitáfio de Balbus reutilizado no pavimento da Capela de Ns. de Fátima; tesouro monetário)
    Vide (miliário a Numeriano hoje desaparecido, CIL II 4641, indicando o numeral IIXX, ou seja 18 milhas contadas talvez a partir do rio Douro; na frontaria da Capela do Espírito Santo existe uma placa honorífica com a inscrição «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; a via contorna o Alto da Ranhã)
    Qta. da Lagoa (miliário a Constantino Magno onde se leria milha ?IX, CIL II 4642, hoje na CEADV; possivelmente indicaria a milha XIX dado que o miliário de Vide indicando 18 milhas, estaria a uma milha; Vaz, 1978, p. 51-53)
    Faia (calçada em Ladário; a base de miliário que apareceu junto à Igreja de Faia, está hoje no jardim de uma casa particular)
    Ponte Romana?-Medieval do Pontigo sobre o rio Távora (ligando as povoações de Freixinho e Penso, esta ponte medieval com possível origem romana está hoje submersa pela Barragem de Vilar; em 1951, Cortez refere umas poldras para cruzar o rio)

    Ligações a partir da Ponte do Pontigo
    • da Ponte do Pontigo a Marialva (Aravo?): rumando a este talvez por Ferreirim (casal? junto do marco geodésico do Monte de S. Gens), Sarzeda (habitat em Mata Roivos), Guilheiro («Estrada Velha»), continua para leste, atravessa o rio Torto e chega à Cruz do Guilheiro, nó viário e divisão entre concelhos, continua pelo estradão que contorna o Alto da Escudeia pelo vertente norte e entra em Torre do Terrenho (miliários?), desce à ribeira da Teja que atravessa nas Poldras da Bernarda e sobe a Casteição, continua pela EN600(?) por S. Simão e junto da villa ou casal na Fonte da Telha/Campo da Moura até Pai Penela, podendo bifurcar neste local, seguindo um ramo para Mêda (seguindo a EN600 por Canadinhas, passando entre os povoados proto-históricos do Castelo de Nunes e Sta. Bárbara) e outro inflectia para Vale Flor, para tomar o antigo caminho pelo Convento de Vilares (troços em calçada) rumo a Marialva.

    • da Ponte do Pontigo ao Castro de Sanjurge: rumando a nordeste por Chosendo, Castainço (calçada de S. Pedro), Penedono (3 possíveis miliários nas ruas da vila) e Alcarva (a Alcobria da documentação medieval?; habitat em «Chão de Santos») até ao Castro de Sanjurge em Ranhados; ver itinerário de Ranhados a Longroiva.

    Viae ad civitas BANIENSES et civitas COBELCORUM

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) - Rio Douro (Pocinho)
    Hipotético itinerário romano ligando Aquae Flaviae ao Vale da Vilariça, território da civitas Banienses; o percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII em Valpaços, seguindo depois na direcção do Vale da Vilariça. O percurso é incerto e depende do ponto de travessia do rio Tua (Ribeirinha ou Abreiro?).

    Chaves, segue a Via XVII até Valpaços, onde ruma a sudeste por Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho), atravessa o rio homónimo e continua por Póvoa, Pai Torto, Suçães (?) e Marmelos; a partir daqui o percurso depende do ponto de travessia do rio Tua:
    Vila Flor (Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares; 3 inscrições no Museu Municipal «provenientes de Junqueira» e mais 2 da extinta Capela de S. Martinho)
    Nabo (vestígios ao longo da ribeira de Cavalos, em Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Monte Couquinho e Pala do Conde, mas a via teria outro percurso por Lombo Alto e Qta. do Ataíde)
    Horta da Vilariça (talvez junto do sítio da Eira Velha, onde apareceu a estela funerária de Tongeta, hoje no Museu do Ferro em Moncorvo e por Qta. de Carvalhal, onde se achou outra inscrição funerária)
    civitas BANIENSIS (cruza a ribeira da Vilariça, tendo na outra margem, o sítio do Roncal e todo o núcleo de povoamento civitas Baniensis na base do Povoado do Baldoeiro)

    Mapa







    Astorga (ASTURICA) ao Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) e Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
    Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco", mas que terá origem romana atendendo a alguns vestígios ao longo do seu percurso, apesar da ausência de miliários. É provável que esta via secundária fosse uma variante da via que liga Astorga a San Vitero, onde se achou um miliário a Trajano, atravessando o planalto mirandês entre os rios Sabor e Douro, bifurcando nas imediações de Fornos, seguindo um ramo rumo a Barca Dalva e outro rumo ao Vale da Vilariça, território ocupado pelos Banienses. A via está assinalada na carta militar 67 e o seu percurso é pontuado por vários povoados romanos como o de Aldeia Nova, Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote; em Aldeia Nova, assinala-se a presença da Ala Sabiniana, através do epitáfio do signífero Aemilio Balaeso, porta-estandarte (vexillum) desta unidade de cavalaria romana. Surgem assim dois eixos relacionados com a intensa actividade mineira da região em época romana, um eixo N-S que ligava a região do Alto Douro ao importante nó viário de Astorga a norte (seguindo em parte pela VIA XVII) e a sul às civitates dos COBELCI em Almofala e dos IGAEDITANOS em Idanha-a-Velha. Um outro eixo desenhava uma diagonal, ligando o território dos BANIENSI do Vale da Vilariça a Palência (Pallantia), atravessando o rio Douro em Miranda (?) e cruzando com a chamada «Via de la Plata», o grande eixo viário N-S entre Astorga e Mérida que cruzaria nas proximidades de Medina de Rioseco. Os locais de passagem da via indicados pelo Padre Francisco Alves em 1915, o 'Abade de Baçal', com base nas anotações do Major Celestino Beça estão entre "aspas" dada a dificuldade de identifica-los no terreno. (Alves, 1915; Lemos, 1993).

    Astorga (ASTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, inflectindo aqui para sul)
    San Vitero (miliário a Trajano)
    San Juan del Rebollar
    Alcañices (segue para Vivinera e depois pelo caminho do «Chalet Espanhol»)
    Cicouro, Miranda do Douro (a via entrava em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, fronteira luso-espanhola, e segue por Eiras da Cruz e Malhadona)
    Constantim (calçada segue a poente pelo Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e segue pouco depois à esquerda por Pito junto ao Alto da Carneira)
    Póvoa (continua por Veneita, Penhas do Gordo, Capela de Sra. do Picão e desce a Chãos)
    Malhadas (de Chãos segue à esquerda pelo Alto das Lombardas, cruza a EN218 na Cruz das Lombardas, passa nas Lagoas Grande e Pequena, continua pelo Alto da Zebra até à Cruz de Martins Fernandes onde toma o caminho a poente do Alto do Serro; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre dentro de Malhadas; ver lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
    Duas Igrejas (várias lápides funerárias, talvez da necrópole na Sra. do Monte; do Serro continua para Chanas, onde segue à esquerda para Cula, no alto de Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos até Reboleira; este troço faz de fronteira concelhia com Vimioso; em 1915 por «Qta. da Urreta da Silva», «Fonte dos Asnos» e «tapada de Piçoulos»)
    Fonte de Aldeia (a via continua pelo Alto de Sta. Catarina até ao apeadeiro e passa a acompanhar a linha férrea, passando 500 m a poente da Capela da Sra. da Trindade)
    Prado Gatão (continua junto à linha férrea passando na «Marra de Prado Gatão», «Ponte de Vale de Carrasco»; povoados em Trampas Carreiras e Toural em Palaçoulo)
    Sendim Gare, Sendim (passa na estação e no Alto da Alubreira, confluindo na EN221; «Vale de S. Pedro, pelo meio das eiras ou prado de Sendim»)
    Urrós Gare, Urrós (da estação segue a EN221 até ao acesso ao IC5, onde desvia à esquerda para Brunhosinho; Beça refere «Cabeço Obreiro», «Vale Mourisco» e «Penas Turvas»)
    Brunhosinho (cruza a ribeira do Poio e segue pela Malhadinha; Beça indica os lugares de «Cruz da Bandeira», «Vale de Sendim», «Eiras da Canada», «Pena Mosqueira» e «Pinhal do Brinhozinho»)
    • Possível ligação a Mogadouro: derivando para poente, seguindo por «Vale de Unfiz», «Valdrugueira», «Brenha do Cazarelhos» em Devesa e daqui ao Mogadouro por S. Tiago (Beça, 1915).
    • Possível acesso a Bemposta/Douro, ao povoado do Castelo de Oleiros, sobranceiro ao rio Douro, onde foram recuperadas 11 lápides funerárias e há vestígios de calçada na travessia para Fermoselle em Espanha.
    (passa a norte por «Lagoa de Thó», «Fornos da Telha» e no «Pontão de Thó»)
    Vila de Alá (por Lastras e «Eiras de Paçô»)
    Vilar de Rei (a via soterrada corresponde ao caminho que passa em Carvas, «Ponte do Mourisco»/ ribeira da Veiga(?), Urreta Mourisca, Calçada e «Prados dos Reis», topónimos viários que denunciam a passagem da antiga via que atravessava depois a Serra de Gajope)
    Bruçó (segue próximo da linha férrea por Atalaia e Ponte dos Almocreves)
    Lagoaça (o «carril» continua pela base do Cabeço de Sta. Marta e pelo «Carvalhal da Lagoaça»; árula a Júpiter; vicus (?); necrópole em Vale Travesso)
    Fornos (por «Lameiras de Vale de Ladrões» e junto da estação CF, onde apareceu a estela funerária de PRISCVS)

    Bifurcação da via na Lomba do Carvalhão
    A via deveria bifurcar no nó viário da Lomba do Carvalhão, próximo do actual cruzamento da EN221 com a EN220, partindo daqui um diverticulum em direcção a Freixo de Espada-à-Cinta rumo à travessia do rio Douro em Barca de Alva, seguindo depois por Torre de Almofala (civitas Cobelcorum) até Idanha-a-Velha (Igaedis), onde entroncava na Via Braga-Mérida. A outra via seguia para Torre de Moncorvo rumo ao Vale da Vilariça, por Qta. da Macieirinha/ Qta. da Estrada e «Costa do Barro Branco», na rota da EN220, entre dois prováveis vici, o vicus de Estevais a norte e o vicus de São Cristóvão a sul, onde apareceu uma ara a Júpiter, uma ara funerária e fragmentos de 2 berrões.

    Itinerário para Almofala (civitas COBELCORUM) por Freixo de Espada à Cinta e Barca Dalva
    Mazouco (da Lomba do Carvalhão, continuava para a sul, passando junto do possível vicus do Monte de Sta. Luzia; espólio na CM do Freixo)
    Ponte Romana?-Medieval do Carril sobre a ribeira de Moinhos (1 arco; a norte da povoação)
    Freixo de Espada à Cinta (importante villa na Qta. de S. Caetano; existe "notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte", mas ainda não confirmada)
    Poiares, Freixo de Espada à Cinta (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde apareceu uma ara a Júpiter, descendo ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita na ribeira do Mosteiro, cruzando esta na Ponte Romana?-Medieval do Diabo da qual já só restam os arranques, seguindo depois pela margem direita até ao rio Douro; este local estratégico era controlado pelo Castelo de Alva, povoado fortificado tardo-romano, onde apareceu uma ara a Júpiter, hoje desaparecida, CIL II 2400)
    Barca Dalva (travessia do rio Douro junto da Qta. da Barca; inscrição funerária na frontaria da Capela de Santo Cristo regista um Cobelcus, ou seja um natural da civitas Cobelcorum, talvez proveniente da vizinha villa da Qta. da Pedriça; a via seguia depois talvez pela rota da EN221 que terá destruído o troço de calçada de Vale Gamão ao Km 120)
    Escalhão (passa na igreja; ligação medieval (?) a Figueira de Castelo Rodrigo, EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100 m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
    Mata de Lobos (passa no cemitério e na rua Santo Cristo)
    Torre de Almofala (civitas COBELCORUM; ver rede viária)

    Itinerário para o Vale da Vilariça (civitas Baniensis?) por Torre de Moncorvo
    Carviçais (árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcção de Martim Tirado, junto das sepulturas entre o ribeiro da Trapa e do Cananor, hoje no MNA; a via passaria próximo por «Castinheiral»/Alto do Castanheiro? e próximo da villa de Vale de Ferreiros, destruído pela barragem)
    Felgar (vestígios de calçada junto povoado da Idade do Ferro do Cabeço da Mua, associado à exploração do ferro da Serra do Reboredo e onde mais tarde poderia ter existido uma mutatio; epitáfio de Coracila, CIL II 6289; epitáfio de Reburrus, CIL II 6290, emigrante Seures do castellum Narelia)
    • Diverticulum por Cilhades/rio Sabor: é provável que existissem derivações da via para noroeste, rumo ao rio Sabor atendendo aos vestígios de uma via junto do habitat da Eira de Santiago e de outra rumo à travessia do rio Sabor na Barca de Cilhades, referida em documentação medieval, no lugar da Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à villa ou vicus de Silhades/Cilhades, com respectiva necrópole junto da fonte do laranjal, conhecido por «Cemitério dos Mouros», onde apareceu uma ara dedicada a Denso e uma ara dedicada a Tutela; no cabeço adjacente existia uma fortificação da Idade do Ferro conhecida por Castelinho, indiciando a antiguidade desta travessia do Sabor, podendo continuar rumo ao Vale da Vilariça (Santa Comba?).
    • Continuação para Torre de Moncorvo: segundo Beça do «Cabeço da Mua» seguia por «Qta. de Lauzelas», «Qta. de Mindelo», «Roboredo», «Capela de St. António de Moncorvo» até Moncorvo; nas margens desta rota da EN220 pelo Vale da Mua existem vários sítios romanos com presença de escórias derivadas da exploração e metalurgia do ferro, como o sítio de Lamelas, eventual mutatio após o Carvalhal, dado que a cerca de 500 m existia uma «Estalagem de Almocreves». Chegando a Torre de Moncorvo, a via bifurcava, descendo um ramo ao Pocinho para a travessia do rio Douro enquanto o outro ramo descia à confluência da ribeira da Vilariça no rio Sabor, zona de maior concentração de povoamento dos Banienses.

    • civitas BANIENSIS
      Os BANIENSES, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, ocupavam possivelmente o fértil Vale da Vilariça a norte do rio Douro com base numa inscrição encontrado próximo do Povoado do Baldoeiro, antigo castro junto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; trata-se de uma ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIV» por Sulpicius Bassus encontrada nas ruínas da Capela de S. Mamede/Mesquita, sucedânea de um possível Templo Romano, hoje no MNA. No entanto os vestígios no sítio do Baldoeiro são mais condizentes com um santuário romano do que com um oppidum capital de uma civitas pelo que surgiram outras hipóteses de localização nos vários núcleos populacionais ao longo da ribeira da Vilariça, com as propostas a oscilarem entre o importante sítio da Vila Morta de Sta. Cruz da Vilariça (11 lápides reutilizadas na parede norte da Capela da Ns. do Roncal, junto da Qta. da Portela), ou mais a norte em Junqueira no sítio de Chão da Capela /Prado (ara, 6 lápides, Pinho Brandão recolheu 3 lápides no Museu Municipal de Vila Flor; entre eles surge o núcleo de povoamento formado pela Qta. da Terrincha e Olival das Fragas, na base do povoado da Senhora do Castelo; na outra margem, na Qta. de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE 75; Lemos, 1993). Apesar da indefinição sobre a localização da sede dos Banienses, a matriz de povoamento alinhada ao longo do Vale da Vilariça, aponta para um eixo viário principal na direcção N-S pela margem esquerda da ribeira da Vilariça ligando o território Baniense ao grande eixo viário da Via XVII que passava a norte rumo a Astorga; para sul esta via seguia para a travessia do Douro no Pocinho, seguindo depois rumo a Marialva; ver Itinerário Marialva - Torre de D. Chama - VIA XVII.

    Viae ab CALE

    Mapa


    Karraria Antiqua



    Per Loca Maritima





    Via Veteris


    Porto (CALE) - Barcelos/Caminha (Karraria Antiqua)
    A grande via militar romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo passava em Cale, estação estrategicamente situada junto da sempre difícil travessia do Rio Douro que na época servia de linha divisória entre a Galécia e a Lusitânia. Esta localização privilegiada tornou Cale num importante nó viário de onde partiam muitas outras vias em várias direcções. Esta rede de vias romanas secundárias, dada a ausência de miliários, deveria assentar em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos da região. Muitos seriam elevados a civitates durante o domínio romano reunindo castros romanizados e novos castros romanos numa ordem administrativa bem longe do modelo clássico do urbanismo romano. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionaram um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Com as excepções de Bracara Augusta e Aquae Flaviae, ainda assim fundadas por aglomeração da população castreja em seu redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas quer reutilizando os velhos castros quer através da fundação ex-nihilo de 'novos' castros como é o caso do Monte Mozinho que passam assim a desempenhar funções de capital de um território que passa a designar-se de civitas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências em documentos alti-medievais como «karraria antiqua», «karia antiqua», «carraria maurisca» ou «via vetera», eixos viários romanos que se projectaram atá aos dias de hoje como as grandes rotas comerciais da região. Muitos das referências a estas antigas estradas provêm da compilação de documentos intitulada «Portugaliae Monumenta Historica» organizados por Alexandre Herculano, incluindo os nomes de villas, castros e rios. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através dos vestígios de povoamento romano ao longo do seu percurso como bem demonstraram os trabalhos de Carlos Ferreira de Almeida e de Brochado de Almeida (vide Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).

    • Karraria Antiqua (Porto - Rates - Barcelos)
      Esta antiga estrada derivava da via XVII Cale-Bracara logo à saída do antigo burgo na direcção noroeste rumo a Rates, havendo referências da sua passagem em Moreira da Maia em dois documentos do ano 1112, como karraria antiqua (DMP DP 391) e karrarea antiqua (DMP DP 392). A via percorre um trajecto pontuado por povoados castrejos fortemente romanizados o que atesta a sua origem romana se não mesmo anterior. Sendo hoje também o itinerário principal do «Caminho de Santiago» é muito fácil percorrer a via seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com o traçado romano. Partia talvez do Jardim da Cordoaria no Porto, antiga Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas logo depois bifurcava seguindo a via para Braga pela rua Mártires da Liberdade enquanto a karraria dirigia-se para a actual Praça Carlos Alberto, antiga «Praça dos Ferradores», continuando depois pela rua de Cedofeita, designada no período medieval por «Cacarreira» e mais tarde por «rua da Estrada» (até 1781), óbvias referências à antiga via, seguindo sempre recto pela rua do Barão de Forrester até ao Largo da Ramada Alta, contorna a Capela do Sr. do Calvário e segue pela rua 9 de Julho, rua do Carvalhido, rua Monte dos Burgos, rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (nó viário junto do cruzeiro do Senhor, onde confluía também a Via Veteris descrita abaixo), continua por Recarei (castro no lugar de S. Sebastião? na Qta. do Alão apareceu uma ara a Júpiter), Gondivai (referência a «kareira» num documento do ano 1099, PMH DC 915) até ao cruzeiro da Capela do Araújo, onde inicia a descida ao rio Leça pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e rua Sousa Prata para cruzar o rio Leça na Ponte Romana-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros (pedras almofadadas romanas reutilizadas nas aduelas do arco na margem direita), cruza a EN13 e sobe pela rua do Souto, continuando depois paralela à linha férrea pela Estação CF da Maia, seguindo a actual ecopista até desembocar na rua Conselheiro Costa Aroso, zona muito alterada pela construção da IC24, podendo seguir pela rua de Godim, rua Carlos Moreira, travessa do Chancidro, rua do Cruzeiro até entroncar na rua Mestre Clara que segue para cruzar a EN542, hoje rua Fernando Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho para a rua de Matamá, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13 para retomar a antiga karraria mais adiante na rua de Matamá, continuando no CM1077 pela rua da Venda, rua do Padinho, rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), rua da Botiga, rua da Costinha, rua da Arribela, rua do Padrão em Vilar (inscrição ilegível na face sul da Igreja Paroquial de Santa Maria; villa?), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas (estela funerária de Severo); a partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha; Castro de Bove na documentação medieval), Vilarinho (milha), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro/Atalaia de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «karraria» à Capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (necrópole da villa Viridis), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (segue por Casal Pedro, provável mutatio, passando nas traseiras da Capela de S. Mamede, situada na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons civitas Bogonti num documento do ano 1036, do povoado do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval e próximo do habitat do Lugar de Casais), em Boavista sai da EN306 e toma a rua Camilo Castelo Branco/CM1048, passando na famosa «Estalagem das Pulgas» e nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a villa Fernandi), em Casal Maria segue o caminho de terra que passa sob A7, passando a leste das Mamoas do Fulom, desce pelo Canivete até reencontrar a EN306 e logo depois atravessa o rio Este na Ponte Romana?-Medieval de S. Miguel de Arcos, (Ribulo Alister em documentos medievais); a partir daqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Barcelos e outro rumava a noroeste para Barca do Lago entroncando na via litoral proveniente do Porto.
      • de S. Miguel de Arcos a Barcelos, segue por Moldes pela rua da Igreja e rua dos Ferreiros, continua pela EM1030 que passa em St. António, a leste da Igreja Românica de Rates, continuando depois pelo Alto da Mulher Morta (CM1129-3) até Merouço, onde conflui na EN504, passa na Igreja de Courel (na base do Alto do Castro), continua por Sardoal, entronca na EN306, continua para Silgueiros por Ns. da Guia, corta à esquerda pela EM555 por Pereira (tégula na primitiva igreja), passando assim na base do castro romanizado de Castelo de Faria, situado na encosta noroeste do Alto da Franqueira, alto que contornava pela vertente nascente rumo à travessia do rio Cávado em Barcelinhos (no lugar de Mereces). Os itinerários a norte do Cávado estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino.
      • de S. Miguel de Arcos a Barca do Lago, seguindo pelo chamado «Caminho do Porto» (cruza a EN206, continua pela Serra de Rates, servindo de divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim até cruzar com a EM1026), continua pela rua de S. Félix contornando o Castro do Monte de S. Félix em Laúndos pela vertente nascente, confluindo com a outra estrada proveniente de Cale (a per loca maritima) nas imediações da Lagoa Negra, seguindo ambas para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago. Daqui derivava outra rota para nordeste rumo ao Vale do Lima (ver aqui itinerário).

    • Per Loca maritima (Porto - Viana - Caminha)
      Uma outra via mais a poente seguia a poente da karraria antiqua bordejando os castros e villae ao longo da costa; o percurso inicial da via é praticamente impossível reconstituir devido à malha urbana do Porto e Matosinhos, mas aparentemente existem duas rotas a partir do rio Douro rumo a Vila do Conde aqui designadas por per loca maritima e via veteris embora subsistam dúvidas na atribuição destas designações a um ou outro troço da via; a partir de Vila de Conde, os estudos de Ferreira de Almeida e Brochado de Almeida permitiram definir um trajecto pontuado por significativos vestígios pré-romanos e romanos, explorando os recursos agrícolas e marinhos como comprovam as villae e respectivos tanques de salga espalhadas pelo litoral (vide Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996).

      Partindo talvez da foz do rio Douro em S. João da Foz, zona romanizada, subia pela rua da Cerca e depois pela rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, continua pela rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões, ponte que ruiu em 1979 devido a uma cheia e localizada na base do Monte Castelo, onde se situa o importante Castro de Guifões, povoado romanizado designado por Castrum Quiffiones em documentos medievais; depois de atravessar o Leça, a via seguia para Perafita (seguindo entre a necrópole alto-medieval de Montedouro a poente e o Castro do Freixieiro a nascente; hoje toda a zona está muito alterada pela construção do Porto de Leixões, da A28 e mais recentemente do centro comercial, mas é provável que a via seguisse pela Travessa da Fonte da Muda, rua Gonçalves Zarco, Estrada do Monte de Godim, interrompida pela A28, continuando do outro lado da A28 pela rua do Abade Mondego, rua do Progresso, rua de Silva Aroso, rua Dr. José Domingues dos Santos e rua da Cruz), Lavra (referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH DC 12; Lavrentium do Paroquial Suevo; villa de Fontão de Antela atrás da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as 36 Cetárias da Praia de Angeiras mesmo defronte mas hoje cobertas de areia e os tanques escavados na rocha da Praia da Agudela; algum espólio no Museu Paroquial Padre Ramos/Padre Silva Lopes), continua por Antela para Angeiras, atravessa o rio Onda junto do Castro romanizado de Angeses/Monte Castro e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (Castro marítimo de S. Paio; cepo de âncora), Vila Chã (villa?; talvez pela rua da Fonte), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca, Quintã e rua da Estrada Velha) até Azurara (villa Pinitellus; povoado no Corgo), onde faria a travessia do rio Ave por barca junto do Mosteiro de Sta. Clara, antigo Castro de S. João (embora haja referência a uma ponte num documento do ano 1270: «prope pontem riuolo de Ave, inter Zuraram et Villam de Comde»; Polónia, 1999), ou mais a montante, junto do Castro romanizado da Retorta (hoje há uma ponte nova no mesmo local). A partir de Vila do Conde o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem um continuação da via para norte nas proximidades da Villa Fromarici em Formariz e villa Tauquinia junto da Igreja de Touguinha. Entrando no termo de Póvoa de Varzim, a via seguia próximo da Villa Argevadi em Argivai e do possível vicus no Alto da Vinha em Beiriz de Baixo (Villa Viarizi num documento do ano 1044; na necrópole apareceram duas inscrições votivas, um cipo ou pedestal com inscrição ilegível, RAP 600, e uma ara votiva dedicada à divindade Mari por Avitus, ambas no Museu Municipal da Póvoa); num documento do ano 953 a via surge como «carraria maurisca...subtus montis terroso» (PMH DC 67), ou seja passaria na base da Cividade de Terroso servindo as diversas villae e povoados da região como a villa de Caxinas (nos terrenos da Escola José Régio), Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a villa de Amorim e a Villa Mendo/Menendi em Estela. Um possível trajecto poderia seguir por Gândara, Calves, Beiriz, Pedreira, Pé do Monte, Salvador, Sejães, cortando à esquerda por estradão para Rapijães, seguindo depois pela base do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos; continua por Águas Férreas, onde conflui na EN205 e na linha férrea atravessa a zona industrial e toma o estradão em terra para a Sra. da Abadia, marginando a exploração aurífera romana da Lagoa Negra, continuando a poente de Barqueiros (tégula em Vilares e povoado em Adro Velho) até Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos e villa? em Paço), continuando depois rumo à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (seguia a nascente, pela base do importante Castro romanizado de S. Lourenço, seguindo próximo da villa na Igreja Paroquial de Marinhas até cruzar a ribeira do Peralta em Abelheira, continuando por Lugar de Cima e Outeiro pela rua da Estrada Velha, Marco do Rei e rua Padre Almeida), Belinho (passa junto da villa da Casa do Belinho, seguindo a velha «Estrada Real» por Trelopaço, Santo Amaro e Estrada, na base do povoado da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (seguia entre a provável mutatio do Alto da Ponte e a necrópole da villa tardo-romana no Casal da Agra do Relógio), para ir atravessar o Rio Neiva na desaparecida «Ponte Velha», na base do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo em Castelo do Neiva (espólio na JF; ara aos lari viales(?) na igreja paroquial; necrópole junto da Capela da Ns. de Guadalupe; povoado romano na margem direita do rio; continua por Santiago, Convento de S. Romão/Sra. do Castro), Chafé (por Estrada Velha, Ribeira e Noval), Anha (por Barroco, Paço, Igreja e S. João), Darque (tégula na Qta. do Carteado; contorna o Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da Capela de S. Lourenço, provável mutatio, onde apareceu tegulae, uma ara votiva, silhares almofadados e fustes de colunas), Viana do Castelo (Citânia de Santa Luzia, conhecida por «Cidade Velha»; ver a antiga «colecção JAE» de miliários que a 'Estradas de Portugal' reuniu junto da EN203 em Darque), Areosa (segue a nascente dos vestígios romanos na igreja pelo Lugar do Meio, cruza a ribeira do Pêgo que desce a vertente sul do castro homónimo), Carreço (continua pela base da vertente poente do Castro da Corôa por Louvado e Garita até Eira de S. João em Troviscoso, continua por Caneja, cruza a LF, Igreja Paroquial de Carreço, Estação e Paçô, pela rua dos Pinheirais; pias salineiras na Praia de Fornelos; tesouro em Gândara), Afife (passa próximo da villa das Baganheiras, próximo da LF, continua pela Sra. da Lapa, cruza o rio de Cabanas e segue por Loureiro, Sobreira, passa junto do Castro de St. António e passa entre o Castro do Cútero e a importante Cividade de Afife/Âncora no Monte da Suvidade, havendo vestígios da calçada na vertente nascente do castro; inscrição do lapidário Pelcius no NAIAA), Sta. Maria de Âncora (continua pela rua da Cividade em Laje, onde há restos de calçada; salinas no Pinhal da Gelfa, junto ao Forte do Cão)
      • A travessia do rio Âncora na Idade Média fazia-se na Ponte de Abadim em Aspra (na sua forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior medieval, seguindo depois junto da Capela de S. Pedro de Varais em Qta. do Cruzeiro em Vile/Quelha), mas em época romana, essa travessia poderia ser mais a jusante, em Âncora, seguindo depois pela linha de costa para Caminha.
      • Ligação de Caminha a Valença: o caminho medieval de Caminha a Valença pela costa poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios ao longo do seu percurso, relacionados com a exploração dos recursos marinhos, agrícolas e mineiros; a via seguia por Argela e Sopo (na base do castro romanizado do Monte de Góis), continuava por Vila Nova de Cerveira e Lovelhe (castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário tardo-romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério de estanho extraído da mina romana do Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C.M. de Cerveira), continuava por S. Pedro da Torre (passando nas pontes medievais da ribeira de Ínsuas e da ribeira de Mira), continuando por Cristêlo-Côvo até Valença, onde entronca na VIA XIX.

    • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
      A referência a uma via veteris nas Inquirições de D. Afonso II em 1220 sugere a existência de um outro caminho a partir do rio Douro; partiria eventualmente da base da Arrábida e seguia pelos limites do antigo Couto de Cedofeita por um traçado paralelo à Karraria Antiqua até se tocarem no Padrão da Légua, passando junto do Castro de S. Gens em Santiago de Custóias. Daqui rumava à travessia do rio Leça na medieval Ponte de D. Goimil, na base do Castro de Esposade/Alto da Vela, seguindo depois em direcção a Labruge de encontro ao itinerário per loca maritima ou a Modivas de encontro à Karraria Antiqua (Ramos, 1994).
      A via partiria de Lordelo do Ouro (do Largo do Sr. da Boa Morte, cais do Douro na base do provável povoado castrejo em torno da Capela de Sta. Catarina, subia pela Calçada do Ouro, rua do Aleixo e rua das Condominhas, passando no provável vicus do Campo do Eirado com vestígios nas traseiras da igreja paroquial), seguindo depois por Ramalde e Requesende rumo ao Padrão da Légua, mas é difícil sugerir um itinerário numa zona da cidade tão densamente urbanizada; do cruzeiro do Senhor Jesus do Padrão da Légua (nó viário), a via seguia então para Santiago de Custóias pela rua do Senhor, rua da Fonte Velha, Largo do Souto e rua da Cal, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romana?-Medieval de D. Goimil, continua para Pedras Rubras (seguindo pela rua das Carvalhas e rua da Estrada até atravessar a linha de metro junto do Aeroporto e do castro romanizado do Monte das Pedras, referenciado em 978 como montis petrosso, PMH DC 124, e como petras ruivas/rubras a partir do ano 1008, PMH DC 197, continuando pela rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela rua Prof. António Rocha, rua da Aldeia, passando próximo do casal e necrópole das Bicas, seguindo depois pelo sugestivo topónimo de rua das Lagielas, hoje cortada pelo topo norte do aeroporto que contorna para retomar o caminho na Viela dos Adros em Pena), continuando pela rua da Botica, rua da Venda Velha e «passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»:
      • Para Labruge, seguindo um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruge» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima (habitat no lugar de Calvelius).
      • Para Modivas, seguindo de encontro à Karraria Antiqua que encontrava talvez em Joudina, continuando depois por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro.

    Via CALE ad VIMARANES

    Mapa







    Porto (CALE) - Alfena - Negrelos - Guimarães
    A via medieval entre Porto e Guimarães conhecida por Via Vimaranes tem certamente origem romana, se não mesmo anterior, ligando a travessia do Douro junto a Cale à travessia do rio Ave próximo de Guimarães, ponto de passagem da via Braga-Mérida e que aqui teria uma estação viária tipo mutatio ou mesmo mansio. Partindo de Cale, a via cruzava os principais em duas pontes com origem romana, a Ponte de Alfena sobre o Leça e a Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela, servindo ao longo seu percurso importantes castros romanizados, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins. Há referências alti-medievais a uma via antiga na base do Castro do Monte Córdova entre os rios Leça e Sanguinhedo, no ano de 1048 subtus mons cordouo...carera antiqua (PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso», «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (PMH DC 864). A partir daqui poderiam existir duas alternativas, uma seguindo junto do Monte Padrão e Citânia de Sanfins (Almeida, 1968, 42) e outra contornando o maciço montanhoso pelo norte por S. Miguel do Couto, Burgães, Rebordões, S. Tomé de Negrelos e Roriz. Os vestígios existentes ao longo do percurso atestam a origem romana desta via:
    • Um silhar almofadado com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena e inscrição a Alboco encastrada na parede exterior da Capela de S. Bartolomeu de Susão, a caminho de Valongo.
    • A silharia de aparelho romano ainda visível na Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo e a ara dedicada a ABNE que apareceu na igreja, divindade de carácter aquático, hoje no MSMS com o nº 19.
    • A referência a uma «carraria antiqua» num documento medieval do ano 1096 sobre S. Tomé de Negrelos (PMH DC 833).
    • A presença militar, assinalada pela inscrição dedicada à divindade Turiaco por um soldado da Legião VI Vencedora que está encastrada na parede norte do claustro do Mosteiro de S. Bento em Santo Tirso. (CIL II 2374 = CIL II 5551); num silhar do intradorso do primeiro arco da margem sul da Ponte Romana de Negrelos há também uma inscrição com o numeral «VI» que poderá ser uma referência a esta legião, eventualmente responsável pela construção da ponte (Moreira, 2009).
    • O culto a Cusus Nemedecus, com três epígrafes dedicadas a esta divindade indígena: a inscrição da Qta. do Corgo ou «Campo de S. Simão» em Burgães (CIL II 2375 = CIL II 5552) proveniente da villa ali existente e hoje no MSMS com o nº 21, a inscrição da Igreja de S. Bartolomeu de Ervosa, hoje no Museu Abade Pedrosa em Santo Tirso (Encarnação, 1970) e finalmente na famosa inscrição rupestre conhecida por «Penedo das Ninfas» na Citânia de Sanfins, na qual os Fiduaneae, o povo que habitava o castro adjacente, fazem uma dedicatória à sua divindade COSVNE AE / [...] S.
    • Roriz: inscrição funerária reaproveitada na Igreja Românica de S. Pedro de Roriz; ara a Júpiter achada perto da Capela de Sta. Maria de Negrelos, CIL II 5568, hoje no MSMS com o nº 26, assim como uma lápide funerária aos deuses Manes também no MSMS com o nº 48, CIL II 5582; no lugar das Bocas existem duas inscrições rupestres em penedos que parecem romanas apesar de ilegíveis.

    CALE
    Saindo pela demolida Porta de S. Sebastião, seguia pela rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, rua do Lindo Vale (antiga «Estrada velha», hoje cortada), rua Costa Cabral (Cruz das Regateiras), continuando por Pedrouços (rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105 por Cruz, Corim, Alto da Maia, passando a sul do castro romanizado do Castelo da Maia), Ermesinde (próximo do Sra. dos Aflitos sai da EN105 pela rua Júlio Dinis, rua Portocarreiro, rua Vasco da Gama, rua Miguel Bombarda, rua da Fonte, continua depois da linha férrea por Soutinho de Baixo, Barreira e rua Central do Reguengo até ao pontão romano(?), rumando depois à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio; gafanha medieval), continuava pela rua de Xisto até confluir na EN105, saindo depois no Torrão à esquerda pela estrada que vai por Sobradelo, cruzando a ribeira de Pizão num pontão antigo, ascendendo depois pela rua da Serra ao Alto de Vilar, continua por Felgueira, Portela, Simão, Sta. Eulália, Agrinha, cruza a EN105, segue entre a ribeira de Sanguinhedo e o rio Leça conforme indicado na Carta do Couto, por Souto da Venda, S. Tiago de Carreiras, Brandariz, Rapinho (onde deriva o caminho de acesso ao Castro do Monte Padrão), continuando depois por Ns. de Valinhas paralela à estrada actual em direcção a Monte Córdova, passando na base do , desviando na povoação pela rua da Fontinha para tomar o caminho de terra que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue pela rua dos Lameirões, atravessa a rua S. Salvador e continua pela rua da «Via Romana», um caminho em terra que sobe para Santa Luzia até cruzar a EN319 no lugar do Cruzeiro (este local corresponde à milha 41 desde Cale pelo que poderia ser aqui o local original do miliário de Casais que Jorge Pinho achou a cerca de 1 km deste local, integrado num muro de divisão de propriedade no lugar de Casais; Pinho 2010); a partir daqui, a via rumava à Citânia de Sanfins, seguindo talvez pela rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo, rua Central de Redundo, rua Nascente do rio Leça, cruza a estrada asfaltada e seguia a direito pelo caminho que ascende à citânia, hoje destruído pelas pedreiras; a descida para o vale do Vizela poderia ser pela vertente ocidental rumo a Roriz (talvez pela pedreiras e depois pelas actuais rua de Cartomil, rua de Sandim, rua do Ribeiro dos Asnos, rua da Trindade, Av. 25 de Abril e rua Manuel Sousa Oliveira) até à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, onde atravessa o rio Vizela, continuando depois por Moreira de Cónegos (pela rua de S, Paio, Pereiras, Cruzeiro, Barreiro, Capela de Sta. Luzia, rua das Casas Novas, rua do Arco, cruza o ribeiro de Nespereira e conflui na EN105 em S. Martinho do Conde), continua por Nespereira (por Cruz, Venda Velha e Santo Amaro, onde entroncaria na Via Braga-Mérida que passava assim a sudoeste de Guimarães.

    Via CALE ad TONGOBRIGA

    Mapa







    Porto (CALE) - Valongo - Penafiel - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via romana secundária ligando Cale a Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses), servindo a importante exploração mineira na região que se estendia pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15/A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte de Cepêda em Paredes (Almeida et al., 2008).

    Porto (CALE) (saía do núcleo amuralhado do morro da Sé pela Porta de Vandoma, demolida em 1855, continuando pela calçada de Vandoma e rua Chã, antiga rua Chão das Eiras, sobe pela rua Cimo de Vila até antiga Porta de Cimo de Vila, actual Praça da Batalha)
    St. Ildefonso (rua de St. Ildefonso, antiga rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas)
    Bonfim (rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras, e rua de Godim)
    Campanhã (cruza a linha férrea e a AE junto da Qta. de Vila Meã, antiga villa Minhao e hoje Qta. da Mitra, continuando pelo Jardim da Corujeira para a rua de S. Roque da Lameira, Calçada de Maceda, atravessando o rio Tinto na Travessa da Ponte?)
    Rio Tinto, Gondomar (acompanha aproximadamente a EN15 por S. Caetano, Calvário/rua Sr. do Calvário, Cavada Nova, Capela de S. Sebastião, Venda Nova, Ferrarias e Carreira/rua e travessa da Carreira, atravessa o rio Torto e pouco depois segue talvez pela ruas D. Inês de Castro, rua das Tulipas, rua Monte da Pedra até ao Alto da Serra/Monte Alto)
    Valongo (povoado mineiro na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração aurífera da Serra de Sta. Justa, como o Fojo das Pombas; daqui seria a estela funerárias de Flavus, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto, emigrante Bracari que trabalharia nas minas; no Alto da Serra toma o estradão junto da ETAR pela rua da Estrada Velha e rua Marques da Rocha até reencontrar a EN15, continua pela travessa da Presa, cruza a linha férrea e segue pela rua Alto Fernandes)
    S. Martinho do Campo (ver abaixo possíveis diverticula de acesso às minas; continua pela rua do Borbulhão e rua do Calvário)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Ferreira (estrutura românica; da ponte seguia por Vilarinho de Baixo, Gandra, Moreira, Casais e Serra, hoje segue a travessa de Vilarinho de Baixo, rua Gandra do Correio, travessa da Estrada Velha, travessa de Moreira, rua de Casais, rua da Serra e conflui na EN15 junto da Sra. da Guia)
    Vandoma (Castro romanizado do Muro, o Monte Bendoma da documentação medieval, possível centro religioso dos Callaeci, onde apareceu uma inscrição a Nabia (Silva ACF, 1994); a via voltava a sair da EN15 na Capela de S. Silvestre e seguia pela rua do Padrão, possível alusão a um miliário e que passa próximo da necrópole de Vandoma, continuando pela travessa de Serzedo até reunir novamente com a EN15)
    Baltar (passaria não muito longe das necrópoles de Tanque, Calvário e Cruz, talvez pela rua do Areal, rua da Capela das Almas, Capela do Sr. dos Aflitos e Rua da Estrada Real até reencontrar a EN15 em Venda Nova/Alqueidão, pouco antes de Mouriz)
    Paredes (passaria na Fonte Sagrada, Jardim Público, Ponte da Estrebuela e rua de Cepêda)
    Ponte Romana?-Medieval de Cepêda sobre o rio Sousa (a seguir à ponte subsiste um troço de calçada lajeada que sob pelo CM1325, marginando a casa onde funcionou a estalagem medieval da Costeira, o «Hospital do Espírito Santo», e junto da Qta. da Aveleda até confluir na EN596-1, seguindo depois para Penafiel junto da Capela de S. Roque; há referências medievais a uma strata de sancta cristina e strata pro ad oriente no termo de Guilhufe, PMH DC 416)
    Penafiel (antiga Arrifana do Sousa, estalagem/hospital medieval; seguia a calçada pela rua do Carmo, antiga rua de Santo António Velho, rua Direita, Largo da Ns. da Ajuda, rua Alfredo Pereira e talvez pela rua Cimo de Vila; estatueta de Marte achada no Monte Sameiro, hoje no Museu de Penafiel)

    Nó viário de Santa Marta
    Em Santa Marta a via cruzava com o eixo N-S proveniente de Meinedo que neste local bifurcava em duas rotas rumo ao rio Douro, uma seguindo para sudoeste rumo a Eja/Entre-os-Rios e outra seguindo para sudeste rumo a Tongobriga, justificando a existência de uma estação viária tipo mutatio ou mesmo mansio integrada num possível vicus a que estará associada a necrópole no lugar da Estrada:
    • A ligação a Tongobriga pelo Castro de Quires está descrito na Itinerário Meinedo - Freixo.
    • A ligação a Eja/Entre-os-Rios está descrita no Itinerário Meinedo - Eja.
    • Continuação para o Alto da Lixa: em Santa Marta a via seguia pelo lugar do Castro, continuava por Estrada junto da igreja, até reunir com a EN15 ao km 34, voltando a sair desta em Vila Irene pelo CM1285, seguindo a meia-encosta pela Igreja de S. Pedro da Croca (povoado e necrópole em Montes Novos), continuando por Casais Novos (rua da Igreja e rua do Casal do Vidro) até reunir novamente com a EN15 ao km 37, seguindo por esta pela cumeada da serra, servindo neste troço como linha divisória concelhia o que indicia a sua antiguidade, passando por S. Mamede de Recezinhos, St. Ildefonso, S. Miguel-o-Anjo, Trovoada e Serrinha até atingir o Alto da Lixa, novo nó viário, onde cruzava com a via romana Braga-Mérida; a provável continuação desta via para Amarante e Vila Real pela Serra do Marão está descrita no Itinerário Braga-Amarante-Vila Real

    Outros diverticula da via Cale - Tongobriga
    Existia uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira das Serras de Sta. Justa e de Pias, visível nos grandes incêndios de 2005.
    • Rumo ao vicus do Outeiro da Mó e Rio Mau: poderia existir uma derivação desta estrada em Campo rumo ao rio Douro atravessando o rio Ferreira no lugar de Milharia (referência a um miliário?) para Corredoura (necrópole), percorrendo depois a vertente nordeste da Serra de Pias/Raio (castro romanizado) em direcção a Aguiar de Sousa (Reis, 1904; Pinto, 1994), atravessando o rio Sousa talvez em Alvre (necrópole da Valdeira), continuando depois por Santa Comba (duas aras votivas na capela, sendo uma delas uma ara votiva a Calaecia, divindade tutelar dos Callaeci) rumo ao povoado mineiro de Outeiro da Mó relacionado com as Minas das Banjas, percorrendo depois a Serra de Banjas até Rio Mau, onde fazia a travessia do rio Douro na Barca de Pedorido; a continuação da via para sul poderá relacionar-se com a necrópole de Folgoso/Picoto em Raiva, onde apareceu a lápide de Aviciano e uma pucarinha com a inscrição CAFVRINVS IX NATV VV. (Sousa, 1960).
    • Rumo ao Castro de Couce e de Broalhos: poderia também existir uma via pela vertente nascente da Serra de Sta. Justa, passando junto do Castro do Couce (provém do árabe al-kauç que significa «o arco», referência à ponte aí existente sobre o rio Ferreira), servindo as minas romanas do Covelo e de Medas, podendo descer ao rio Douro rumo ao Castro romanizado de Broalhos (muito destruído pela central eléctrica) ou a Melres (ara funerária no adro da igreja; calçada na ribeira de Mirões).
    • Alternativa pela Ponte da Morte: é possível que a travessia do rio Ferreira se fizesse mais adiante na Ponte da Morte em Luriz, atendendo à silharia almofadada no arco mais pequeno, reunindo com a via anterior.

    • Ligação de Vandoma a Eja pelo Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma via N-S ligando o Castro do Muro em Vandoma à Cividade de Eja passando próximo do Castro romano do Monte Mozinho; a via desviava da Via Cale-Tongobriga e seguia algures por Baltar e Cête para cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau (povoado e necrópole junto da Igreja de Parada de Todeia; possível acesso às Minas de Covas de Castromil), continuava junto do Mosteiro de Paço de Sousa, e por Ermida (inscrição aos Lares Pátrios, hoje no Museu de Penafiel; memorial); daqui rumava ao Monte Mozinho talvez por Fafiães (?), e no planalto de Mesão Frio, continuava pela cumeada da serra por Cruz de Giesteira, Alto do Convento das Freiras no planalto do Penedo do Corvo, Alto do Mouzinho, podendo depois descer pela Capela de Sta. Luzia à Cividade de Eja ou à villa? de S. Paio da Portela em Canelas.
    • Ligação de Paço de Sousa a Rio Mau/Eja, rota medieval com possível origem romana que derivava da anterior em Paço de Sousa, depois de cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau, e seguia para sul rumo à travessia do Douro na Barca de Pedorido em Rio Mau; depois de cruzar a Ponte do Vau, seguia a EM592 para Fonte Arcada (passa por Esmegilde, Quintela, Marmoiral, Anho Bom, junto do castro de S. Domingos, Castelo e Devesas), Lagares (necrópole e inscrição a Laribus Anaecis na igreja, provável referência à civitas Anégia da documentação medieval; continua pela encosta do Monte Santo até Nogueira, onde reencontra a EN319), Figueira (continua por S. Julião e Cerrado), S. Tiago da Capela (estela funerária de Paterna; continua por Vila Meã, Igreja e Telheiro, cruza a EN319 e segue pelo interior da aldeia de Cabroelo rumo ao Outeiro da Velha, local de cruzamento de caminhos onde a via deveria bifurcar, seguindo um ramo para Canelas e Eja, enquanto o outro seguia a nascente de Vilarinho para alto da Serra da Boneca, passando junto da Capela de S. Pedro de Pegureiros, descendo depois pela vertente oeste da serra, passando por Louzeira da Boneca, junto da nova central de tratamento de lixo, até à Sra. do Monte, onde desvia pela estrada local, rua das Corgas, até Rio Mau e a Barca de Pedorido (Almeida et al., 2008).

    Via CALE ad TALABRIGA per loca maritima

    Mapa






    Porto (CALE) - Cabeço do Vouga (TALABRIGA) per loca maritima
    Traçado hipotético de uma via secundária que partindo de Cale seguia para sul sensivelmente paralela à antiga linha de costa na época romana, servindo os castros ao longo da faixa litoral de encontro à via Braga-Lisboa que atravessava o rio Vouga na base do oppidum do Cabeço do Vouga, a mansio de Talabriga referida no Itinerário de Antonino. Perto desta rota apenas se conhece um fragmento de um miliário com a inscrição I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNE, ou seja aludindo ao trineto de Adriano, ou seja o imperador Caracala que hoje está exposto no Solar dos Condes de Resende em Canelas (Leite, 2013); este marco apareceu muito próximo da Praia de Valadares no lugar de Tartomil, mas não sendo credível a passagem de uma via romana neste local, é muito provável que a pedra tivesse sido deslocada em data incerta de algum ponto da via militar Cale - Olisipo que passava bem mais para o interior, pelo alto de St. Ovídeo, e não pertenceria portanto esta via per loca maritima, designada na Idade Média por «estrada mourisca»; perante estas incertezas, este itinerário tenta traçar uma rota ao longo dos parcos vestígios romanos existentes, partindo do oppidum do Castelo de Gaia, junto ao Douro, e seguindo um caminho (pré-romano?) sem grandes oscilações de altitude que seguia próximo do Castro da Madalena e da necrópole do Monte Sameiro em Valadares, continuando junto da necrópole tardo-romana e provável vicus do Alto da Vela em Gulpilhares, continuando depois por Brito em S. Félix da Marinha, atendendo à referência uma «estrada mourisca» na doação de Trutesindo Mendes ao Mosteiro de Grijó das terras que detinha em Brantães e S. Félix da Marinha, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298); a via continuava a nascente de Espinho por Anta, Silvalde e Paramos, passando nas proximidades do Castro de Ovil e depois talvez seguisse ao longo da antiga linha de costa por Esmoriz, Cortegaça, Arada até às proximidades do Castro de Salreu, onde cruzava o rio Antuã, continuando depois até ao rio Vouga, mas é difícil determinar o seu percurso (vide Fortes, 1909; Mattos, 1937; Guimarães, 1993, 1995 e 2000; Cidade, 1997; Bastos, 2009).

    Vila Nova de Gaia (a via teria origem no Castelo de Gaia, seguindo depois por Candal, pela rua do Agro?)
    Coimbrões (povoado no Monte de Sta. Bárbara, hoje igreja paroquial, designado por colimbrianos no ano 922; PMH DC 25; seguia talvez pela rua Sr. de Matosinhos, cortada pela A1, e rua das Oliveiras)
    Madalena (passaria no Largo das Oliveiras, onde resta um antigo marco do Couto de Tarouquela, colocado em 1599 junto da «estrada que vem de Vila Nova pra Madanella» segundo documentos do Mosteiro de Grijó e que ainda hoje assinala divisão de freguesias, passando depois em Aguim, talvez o Castro Aquilini referido em documentação medieval, e tomava a rua da Gândara para Gramoinhos onde cruza a ribeira da Madalena, mas hoje está cortado pela EN109/A44, reaparecendo depois na Av. António Coelho Moreira; a poente situa-se o Castro romanizado da Madalena/ Coteiro do Castro/ Castro do Cerro)
    Valadares (necrópole do Monte Sameiro, no topo norte da Cerâmica de Valadares; segue pelo centro da vila e volta a cruzar a EN109, ladeando a Casa do Paço)
    Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela rua do Rio do Paço até à rua da Chamorra e segue a rua Salvador Brandão/EN15)
    Gulpilhares (sai da EN15 pela rua do Pereirinho, junto ao cemitério, rua Nuno Álvares, atravessando a ribeira de Canelas, rua João Ovarense até à destruída necrópole tardo-romana do Alto da Vela onde apareceu um fuste de coluna em mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; espólio no Solar dos Condes de Resende; segue em frente por caminho de terra até chegar à rua de Enxomil e rua do Vale)
    Arcozelo (continua junto da igreja e cemitério de Arcozelo até Sá e talvez pela rua das Lavouras, rua da Pedra Alva, Corvo, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela rua da Carreira Velha)
    Brito, S. Félix da Marinha (continua pela rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na rua dos Ligustres, rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na rua Velha da Calçada Romana até entroncar na chamada «Estrada de Brito»/EN109)
    Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (a vila Spino da documentação medieval, talvez no sítio da actual Capela de S. Tomé; seguia pela rua do Lameirão para a travessia da ribeira do Mocho no sítio da Congosta/Carreira do Pereiro/Ponte do Pereiro, a montante da actual Ponte de Anta, onde a travessia é mais facilitada, subsistindo alguns vestígios de uma ponte em pedra no local e o topónimo «Rio da Pedra»)
    Anta (necrópole; cruzada a ribeira, ascende pela Quingosta/rua da Congosta, Igreja Paroquial e rua do Passal)
    Silvalde (continua pela rua do Porto que vai desembocar na rua das Quelhas e logo depois cruzava a ribeira de Silvalde na chamada Ponte de Pedreira, estrutura com eventual origem romana; daqui ascende pela rua Escadas do Covelo e rua Professor Castro até à Igreja Paroquial e mais adiante, na Sra. do Calvário, sai à direita pela rua do Padre Adrêgo, cruza a «Estrada de Santiago» e desce ao Rio Maior)
    Paramos (a via poderia talvez seguir pela rua do Calvário para cruzar o Rio Maior na Qta. da Germana, um pouco a jusante do Castro de Ovil, povoado proto-histórico abandonado no início da romanização, seguindo depois junto do campo de futebol e a rua Padre Sá)
    Esmoriz (passaria junto da necrópole do pinhal de Chão do Grilo, hoje rua das Saibreiras e rua da Ilha, mas depois foi destruída pela construção da A29)
    Cortegaça (cruzaria a ribeira de Cortegaça em Mourão, onde existia uma ponte com presumível origem romana, restando o topónimo «rua da Ponte Romana» e as alminhas da «Sra. da Boa Viagem»; hoje segue a Rua de Mourão e rua dos 5 Caminhos, cortada pela A29)
    Arada (cruzava a ribeira de Louredo e seguia talvez pela rua do Marco, ao longo da linha divisória dos concelhos de Ovar e Feira, com sugestivos topónimos viários Carrascal, Estrada e Lameiro)
    Souto (cruzaria o rio Cáster próximo da Sra. da Guia em Tarei, com topónimos viários Alminhas da Calçada, Alcapedrinha e Lajes)
    São João de Ovar (talvez próximo do sítio pré-histórico da Amieira)
    Válega (villa Dagarei em documentos medievais; necrópole da Valegia em Pereira Jusã junto dos topónimos Passo dos Mouros/Minas do Mouros/Azenha da Mesquita talvez relacionados com esta «estrada mourisca»)
    Avanca (talvez por Beduído, Capela Santo Amaro, continuando por rua da Feira, Souto, alminhas da Ns. das Febres, rua Pa. Joaquim Pinto e descia ao rio Antuã)
    • Travessia do rio Antuã: a existência de dois castros da Idade do Ferro no curso terminal do rio Antuã, Castro de Santiais na margem direita e Castro de Salreu na margem esquerda, indicia a travessia do rio neste local; o abandono destes locais na fase de romanização poderá ser explicada pela fundação do vicus de Cristelo um pouco mais para o interior.
    • Cristelo, vicus viário?: este povoado romano está situado numa plataforma rodeada de um fosso natural criado por duas ribeiras tributárias do Antuã, sensivelmente a meio do percurso da provável via de ligação entre a via litoral e a Via XVI, podendo ter portanto uma função viária do tipo mutatio.
    • Continuação para o rio Vouga: é possível que a via continuasse para sul rumo ao rio Vouga: num percurso hipotético, e após cruzar o Antuã junto de Castro de Salreu, a via seguia por Canto do Picoto, Olho d'Água, Boavista e Laje, onde cruzava a ribeira do Jardim, continuando depois por Cabeço de Cima até Canelas (?); a partir daqui o trajecto fica ainda mais obscuro devido às profundas transformações da linha de costa; sabemos da existência de salinas na Alta Idade Média ao longo da costa (Bastos, 2009), mas é duvidoso que existisse alguma via romana neste trajecto (?).


    Diverticulum da Via XVI em Picôto rumo a Vila da Feira:
    Vários indícios apontam para existência de uma via romana que derivava da Via XVI no alto do Picôto (EN1, Argoncilhe) rumo ao Castelo da Feira, passando na Igreja Paroquial de Mozelos (pelo caminho cortado pela A41, hoje designado por «Rua Romana»), continuando por Sobral, Gesta e Murado, bordejando o Castro de Sagitela/Alto do Coteiro/Coteiro Murado (referência à via em 1097 «subtus monte saitella discurrente strata ad portum asinarium riuulo maior», in PMH DC 867), continuando talvez a poente da Igreja de Sta. Maria de Lamas pela rua Padre Zé rumo à travessia da ribeira do Rio Maior (seria aqui o portum asinarium?), seguindo depois talvez por Mata, Alpossos, Chão do Rio, Beire, rua Mestra Júlia, rua da Saibreira, Gondufe, St. André e Ns. da Saúde.
    Vila da Feira (civitas Santa Maria em documentos do século XI; duas epígrafes reutilizadas no Castelo da Feira, ara a Bande Velugo Toiraeco e a ara dedicada ao Deo Tueraeo por um Brácaro).
    • Continuação Vila da Feira - Mosteirô - Ponte da Pica/Via XVI: continuação para sul da antiga «estrada mourisca» depois de cruzar o rio Cáster junto do Convento dos Lóios (?), ascendia a encosta do Castelo da Feira até ao Alto de Vinhais em Fornos, seguindo depois pela Igreja Paroquial, Quintã de Baixo, Penedo e Lagoeira (?), rumo à Ponte dos 3 Arcos/Ponte da Ribeira d'Água no lugar das Carregueiras, onde cruza a ribeira da Laje (hoje coberta de mato), continuando por Mosteirô, talvez pela rua do Calvário que margina a Igreja Paroquial até Proselha, onde ainda resiste um notável troço lajeado da via com cerca de 300 m conhecida como «Via Antiga de Mosteirô» que começa na rua Calçada da Sra. da Caridade, passa na Capela do Ermo e continua pela Calçada General Sousa Brandão, com um extenso troço junto das alminhas da Sra. da Boa Morte, seguindo depois rumo ao lugar do Monte (hoje está obstruído por mato). A orientação da via sugere a sua continuação por alturas de Fermil e Picôto como parece indicar o trecho de um documento do ano 1145 onde se lê «in villa dicta azeuedo subtus illam stratam mouriscam» (Livro Baio Ferrado, fl. 99), mostrando que a «estrada mourisca» seguia em altitude a nascente de Azevedo (hoje um lugar da freguesia de S. Vicente de Pereira), rumo talvez à Ponte da Pica, podendo também continuar até ao Castro de Úl, reunindo nos dois casos com a Via XVI.
    • Ligação Cucujães - Castro de Úl/Via XVI: a mais que provável ligação à Via XVI na Ponte da Pica não invalida a continuação da via por Cucujães, seguindo sempre em altura pela cumeada da serra junto do Castro romanizado de Recarei em S. Martinho da Gândara (castro rekaredi num documento do século X, também designado Castro de S. Martinho ou do Roncal; calçada em Felgueira?), rumo ao Castro de Úl, onde conflui na Via VXI Braga-Lisboa.

    Via Feira a Arouca

    Via Vila Feira - Arouca
    Eixo viário secundário na direcção E-O, transversal aos principais itinerários romanos a sul do Douro. Partindo algures do litoral, a via seguia por Vila da Feira até Arrifana, onde cruzava a Via XVI Cale - Olisipo, continuando próximo do Castro da Portela rumo a Escariz, onde cruzava a Via Cale - Vissaium, continuando depois até a Arouca, de onde partiam ligações ao Douro.

    Santa Maria da Feira (depois de cruzar o rio Cáster, a via seguia talvez por St. António da Laje, Chão de Além, rua Burgo de Ryfana por Vilar e Manhouce)
    Arrifana (provável mansio no cruzamento com a Via XVI)
    • Ligação Arrifana - Escariz: a via deveria percorrer o antigo caminho por Gaiate, hoje muito alterado mas que aparece referido no Tombo Mosteiro de Pedroso no ano de 1575, passando por Felgueiras, Corredoura, Carvalho, Campo da Eira, Choupelo, Lavoura, Pinheiro, Cortinhas, Pomar, Infestas, Moutidos e Mamoa, continuando depois por Mouquim, onde atravessa o rio Úl (Castro, 1987; Conceição, 2006); apesar da dificuldade da localização de alguns destes topónimos é possível definir um percurso hipotético partindo de Souto de Arrifana e seguindo junto do lado sul da Qta. do Seixal (hoje rua Dr. Guilherme Alves Moreira/EN628) até Pereiro, onde deveria rumar a Mouquim, mas hoje é preciso seguir a rua Conselheiro Costa que passa junto das alminhas do Fundo da Aldeia em Gaiate (topónimo Viela dos Almocreves), seguindo depois junto da Casa de Mamoa, hoje muito alterado com a construção do viaduto da A32, percorrendo depois a margem do direita do rio Úl até Mouquim, onde cruzava o rio, continuando pela rua Cruz dos Carreiros, rua Cruz da Lavoura e rua de Goim, EM1009, passando nas proximidades do importante Castro da Portela de Romariz (povoado muito romanizado atestado pelo achamento da ara votiva de Flavus, achada no altar-mor da demolida igreja de Choupelo em Duas Igrejas, hoje no Museu Convento dos Lóios na Feira, e o epitáfio de Avitus num muro do adro paroquial de Pigeiros), continua pelo CM1089 por Lameiros, entra na freguesia de Escariz, cruza o rio Inha em Londral e segue pela Igreja até ao Cruzeiro)
    Escariz (cruza a Via Porto-Viseu no Largo do Cruzeiro)
    • Ligação de Escariz a Arouca: atendendo a algumas referências medievais a antigos caminhos é possível que a via seguisse até ao cruzamento da Urreira, onde toma «Estrada Velha de Ver» (1,5 km com troços lajeados hoje coberta com saibro) que vai entroncar na estrada que liga Ver a Barrosas, até ao lugar da Estrada em Mansores (tesouro monetário), continuando depois talvez por Agras e Abitureira (topónimo «Estrada Velha") rumo à travessia do rio Arda no Fontão Longo (referência à ponte de alarda em 1137, MA 69), seguindo depois por Tropeço (referência ao carrale antiqua no DP III 14 de 1101 e à estrata no MA 158 de 1193, servindo de divisão da propriedade da Vila de Lamas; vestígios de habitat em Venda Nova e na Igreja Paroquial; continua pela EM506, passando acima do casal de Malafaia e junto da Capela de Souto Rei), Minhãos (villa minianos), cruza a ribeira de Moção (topónimo Porto da Barca; há referência medieval à via: «per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua» in PMH DC 639) e sobe a Sta. Eulália (casal? em Adros, abaixo da igreja).
    Arouca (Castro do Monte Valinhas, importante povoado romanizado citado pelo menos desde 1080 como castro Arauka)
    • Arouca - Várzea do Douro: deveria existir uma ligação partindo do Castro de Arouca rumo à travessia do rio Douro em Várzea do Douro seguindo junto das mamoas de Sernandes e pelo altos de Cerro do Cão e St. Adrião (antigamente designada por «Serra Sicca»), servindo assim a mina de ouro da Gralheira D'Água e o povoado romano associado à necrópole tardo-romana de Alvariça (cerca de 40 sepulturas, 8 estelas funerárias em xisto entre as quais o epitáfio de Celer), continuando pelo altos de Calhaus Altos (possível castro) e da Eira dos Mouros (CM1138) até Ladroeira e Sobrado em Castelo de Paiva para depois descer ao rio pela EM502-1 por Gondim, Gião, Cepa até ao Castelo de Fornos onde fazia a travessia do rio Douro para Várzea do Douro e daqui a Tongobriga (vide itinerário).
    • Arouca - Albergaria das Cabras: há referências medievais que indiciam a existência de vias que partiam da base do Castro de Arouca rumo à Serra da Freita; num documento do ano 1085 surge uma carreira antiga entre os actuais lugares de Jugueiros e Novais, «carraria antiqua inter Jugarios et Novales» (PMH DC 639), cruzando o rio Arda próximo do Memorial de St. António; um outra estrada, designada por «via maurisca» e situada entre os actuais lugares de Eiriz e Figueiredo, servia para delimitar a villa de Romariz ( in PMH DC 614); os topónimos Portelada, Cales e Porto Escuro indiciam a continuação da via rumo à Serra da Freita; finalmente há também referências a uma via e carral junto da vila de Arouca (in PMH DC 646) e na povoação de Moldes volta a surgir o termo carrale num documento do ano 1087 (in PMH DC 684) (Lima, 2004).
    • Arouca - Espiunca: apesar do difícil terreno, é provável que existisse uma via rumo à travessia do rio Paiva em Espiunca, ligando à carraria antiqua proveniente da travessia do Douro entre Várzea do Douro e Escamarão (vide itinerário); um documento medieval de 1108 refere uma itinera antiqua na «Portela de Páus» (Lima, 2000).

    Via CALE ad VISSAIUM

    Mapa















    Porto (CALE) - S. Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM)
    Via secundária que derivava da Via XVI nas proximidades do Monte Murado (Carvalhos, Pedroso) ou de Langobriga (Fiães) e seguia na direcção NO-SE rumo a Viseu, o importante nó viário da Beira Alta que na época romana se designaria por Vissaium com base numa ara votiva dedicada à divindade local Vissaieigo (Fernandes et al., 2009); apenas se conhecem dois miliários atribuíveis a esta via, mas ambos encontrados já à entrada de Viseu, em Moselos, mas ainda restam muitas evidências deste antigo caminho em tempos designado por «Estrada Velha de Viseu», «Estrada dos Almocreves» ou «Estrada do Peixe», numa clara referência ao tráfego de mercadorias entre Viseu e o litoral; a via seguia o caminho mais curto que atravessa a Serra da Freita (Arouca), optando assim por um percurso em altitude a fim de evitar as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimizar as variações de cota da estrada, o chamado "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas; atravessada a serra, descia a Manhouce, onde existia uma albergaria medieval e talvez uma mutatio, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

    Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino (Mattos, 1937; Lima, 2004).
    • Derivando no Monte Redondo/Langobriga e seguindo aproximadamente a actual EN326 para Arouca.
    • Derivando nos Carvalhos/Monte Murado, seguindo aproximadamente o trajecto da EM521 Carvalhos-Sanguedo, havendo referências a troços em calçada em Seada, Camalhões, até entroncar na EN326 para Arouca; esta rota deriva da Via XVI na base do Monte Murado, em Carvalhos, e seguia pela rua da Voltinha em Venda Nova, Seada, Leirós, Afonsim, Amial, Camalhões, Pereira e Roçadas, onde atravessa a ribeira dos Carvalhos na velha Ponte das Rossadas (pequeno troço de calçada antes da ponte), seguindo para Sanguedo.
    • Também deveria existir uma via proveniente do porto fluvial romano de Favaios no rio Douro, associado ao castro do Castelo de Crestuma (castrumie na documentação medieval, o «castro do rio Uíma»; inscrição) que vinha por Gestosa de Cima (?), Sandim e Sá para cruzar o rio Uíma na Ponte do Carro, na base do castro de S. Miguel-o-Anjo, seguindo algures por Vila Maior (talvez pela vertente leste da Serra da Gaeta, por Redonda e S. Martinho) de encontro à via principal para Viseu em Louredo (?).
    Sanguedo (por Cabouços, junto do cemitério, Terreiro, rua Agrela de Baixo, rua Monte Meão, cruza o rio Uíma na Ponte da Tabuaça e não sobe pela «Rua Romana», mas pelo caminho ainda com restos de calçada que acompanha o rio, continua pela rua Três Fontes até desembocar na EN326 em Candal, continua por S. Martinho e Corga do Lobão, sai da EN326 pela rua de Azevedo que foi cortada pela A32; seguir a EN326)
    Louredo (sai da EN326 junto a Crasto e segue o caminho de Vale da Mó, passa no cruzeiro, Igreja de S. Vicente, rua Direita, Vila Seca, Convento, Ns. da Natividade até reunir com a EN326 em Lagoa)
    Cedofeita, Romariz (torna a desviar da EN326 após as alminhas em Mouta e desce pela rua Romana)
    Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela rua da Ponte, cruza a EN326 para Paradela)
    Cabeçais (troço lajeado desce em direcção à Igreja de Fermedo em cuja parede traseira há uma inscrição com o epitáfio de Laetus Caturonis, um Aviobrigensis)
    Escariz (partindo do largo do Cruzeiro toma a chamada Estrada do Cruzeiro, extenso troço lajeado que cruza a EM504 e segue pelo lugar do Viso até entroncar na EM519)
    • Nó viário de Escariz: no Alto do Coruto terá existido um castelo roqueiro associado ao controle da via Porto-Viseu, no local onde esta cruzava com uma via no sentido E-O proveniente do Castro de Arouca rumo ao litoral, passando junto do Castro de Romariz para ir cruzar a Via XVI junto da mansio em Arrifana, seguindo depois por Vila da Feira até ao mar (vide itinerário Feira-Arouca).
    Gestosa (referência no ano 1085 à uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, PMH DC 639; continua pela EM519, cruza a EN327 em Alagoas e 500 m depois segue o estradão que passa na Venda Serra, possível mutatio, onde ainda restam vestígios de calçada lajeada até cruzar a EN224-1, continuando por Barracão e Borralhal, junto do destruído Castro de Cambra, com o trajecto pontuado por um grande número de mamoas)
    Farrapa (continua paralela à EN224-1)
    Chão de Ave (cruza a EN224 e segue pela EM511)
    Quintela (pouco antes da aldeia, sobe à Serra da Freita talvez pela actual linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra)
    Merujal (passa na Venda Nova e na aldeia rumo a Albergaria)
    Albergaria da Serra/das Cabras (mansio?) (a seguir ao cemitério existia um lanço de calçada que entretanto foi destruída!, seguindo na direcção da Portela da Anta)
    Gestoso (troço de calçada à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, EM612, desviando pouco depois por caminho florestal, desembocando no CM1232 próximo da Qta. das Uchas/Qta. da Barreira e a poucos metros da ponte)
    Ponte Romana?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco; calçada preservada à saída da ponte; a norte, no Candal apareceu a lápide de um Arcobrigense)
    Ponte Romana?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco, a montante da ponte actual)
    Manhouce (referência a um miliário; desce pela estrada asfaltada até Sequeiro, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, continua por Areeiro e Juncal, passando a poente de Bostarenga, onde também há calçada, junto da Ponte dos Ovos, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    S. Cristóvão de Lafões (contorna a Serra da Grávia pela vertente nascente, descendo por Giesteira e Chousas até Gralheiras onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga, seguindo para a travessia da ribeira da Landeira)
    Santa Cruz da Trapa (troço da via na rua da «Estrada Romana» ao km 59 da EN227; segue pela rua Pé de Cima, Capela de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa, Ribeira de Lourosa e cruza a ribeira de Varosa em Penso)
    • Acesso ao Castro de Cárcoda: a norte, já na freguesia de Carvalhais, fica o importante Castro romanizado da Cárcoda e a necrópole do Alto da Costa, a nascente do lugar de Germinade, onde apareceu uma placa com a inscrição SIIRIINIS / AVRELIVS /...X....
    • Ligação às Termas Romanas de S. Pedro do Sul: possível diverticulum de Trapa ou da Ponte do Penso rumo às termas romanas, passando por no Outeiro de Serrazes (silhares almofadados eventualmente romanos numa casa em ruínas e na vizinha Qta. de Antim/das Latas, onde há também vários fragmentos de possíveis miliários na entrada da quinta), continuando pela rua Calçada, cemitério, rua Cimo de Vila, rua Fundo de Vila, passa na base do Castro romanizado do Banho/Beirós pela «Vessada da Carreira», continua pela rua Pombal até ao Vouga, onde entronca a Via Talabriga - Vissaium.
    Bordonhos (a via continua pelo sítio da Arroçada em Figueirosa, «rua da Estrada Romana» que passa junto do Castro da Sra. da Guia até atingir Massarocas; esta calçada foi destruída pela colocação de saneamento e alcatrão!)
    S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela rua Direita até ao Bairro da Ponte)
    Travessia do rio Vouga (entronca na Via Talabriga - Vissaium descrita abaixo e seguem para Viseu)

    Via TALABRIGA ad VISSAIUM

    Mapa















    Variante por Fataúnços





    Variante pelo Caramulo












    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    Via romana que ligava Viseu ao litoral, interligando Vissaium, o grande nó viário da Beira Alta com Talabriga, a mansio da Via Braga-Lisboa junto da travessia do rio Vouga. Esta via romana que apresenta ainda vastos tramos bem preservados parte do Cabeço do Vouga rumo a Talhadas e já no concelho de Oliveira de Frades segue por Benfeitas e Reigoso, onde apareceram vários miliários indicando as milhas a partir de Viseu que era assim caput via. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários, confirmando o percurso por Reigoso, Cajadães, Postasneiros, Santiaguinho e Vilharigues (Borges, 2000). Indica-se também uma hipotética variante pela Serra do Caramulo.
    (CEADV - Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades)

    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga (m.p. XLIII a Viseu; a via seguia a EM575-1)
    Valongo do Vouga, (segue por Carvalhal da Portela, Chão de Pedra e Passal, onde cruza o rio Marnel, m.p. XLII; continua talvez pelo caminho da Qta. da Fonte da Feira)
    A-dos-Ferreiros (m.p. XXXVIII; no cemitério toma o caminho paralelo à EN333 por Ventoso e Frágua)
    Talhadas (m.p. XXXIII; aqui existia uma albergaria medieval provável sucedânea de uma mutatio romana; partindo do Lg. da Sra. da Graça, a via entra e sai do CM1284 pela rua do Cortinhal, Pé da Fonte, S. Mamede, Igreja, rua Residencial Paroquial, rua do Hospital, rua Romana, «Pedras Talhadas» e rua da Anta do Chão do Redondo, m.p.XXX)
    Ereira (m.p. XXXI; troço de calçada a sul do CM1284)
    Benfeitas (a via calcorreia o monte com vários troços lajeados até desembocar novamente no CM1284 e continua por Ponte, m.p. XXIX, e Feira, mas depois está cortada pelo nó de acesso à A25)
      Miliários: em Benfeitas apareceram 2 miliários reutilizados como esteios de um latada, o miliário a Constâncio Cloro da milha XXVI e o miliário a Caracala da milha XXXI, ambos recolhidos na CEADV, com o nº 611 e 612, e hoje no MMOF; em Reigoso apareceram mais 2 miliários, um miliário a Constantino na eira da Casa Paroquial (nº 610 da CEADV) e um miliário a Numeriano indicando a milha XXVIII no adro da Igreja (nº 609 da CEADV, ambos no MMOF). Todos estes marcos foram deslocados da sua posição original com a excepção do miliário de Reigoso indicando a milha 28 dado que esta é a distância daqui a Viseu. A grande concentração de miliários neste tramo da via indicia a existência de uma estação viária provavelmente uma mansio a meio percurso entre Talabriga e Vissaium num total de 43 milhas, segundo o itinerário proposto. Ora esta mansio poderia situar-se em Reigoso que dista cerca de 28 milhas de Viseu. Mais adiante temos um miliário na Igreja de Vouzela que indica a milha XVIII que poderia estar junto da travessia do rio Zela. O caminho para Viseu teria de seguir por S. Pedro do Sul para perfazer as 18 milhas indicadas no miliário apesar deste itinerário obrigar a cruzar o rio Vouga por duas vezes. No entanto deveria existir um outro caminho (pré-romano?) que seguia a sul do Vouga passando por Fataunços, Carvalhal do Estanho, Sra. do Castro, Orgens e Viseu.
    Reigoso (m.p. XXVIII; albergaria medieval com provável origem numa mutatio romana; a via passa junto do cemitério, continua por Entre-Águas e Seixa, m.p. XXV, cruza a EM1282 e segue o caminho de terra, conflui na EM1282-1, atravessa o rio do Carregal e segue à esquerda por caminho de terra para Ral, m.p. XXVI, toma a «Estrada Romana» para Ponte Fora, m.p. XXV passa a sul de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3 e segue pelo caminho defronte)
    Cajadães (m.p. XXII; segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros)
    Santiaguinho (m.p. XXI junto da Capela; cruza a EM1278 e toma a calçada que delimita a Qta. das Delícias, passa a asfalto, cruza a EN333 a sul de Sernadinha, m.p. XVIII e segue pelo «Caminho Romano» defronte)
    Vilharigues (m.p. XIX; cruza a povoação pelo rua do «Caminho Romano» e segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 até reunir com a EN333)
    Ponte Romana?-Medieval de Frei Gil sobre o rio Zela (m.p. XVIII)
    Vouzela (miliário a Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua pela EN228)
    Termas Romanas de S. Pedro do Sul (cruza o rio Vouga junto do Balneário Romano, onde apareceu uma ara votiva a Mercúrio Augustorum Aguaeco Sacrum, relacionada com o culto termal; cruzado o rio, seguia pela Av. Ponte Velha até ao cruzeiro de Quintela (possível miliário reutilizado no cruzeiro)
    S. Pedro do sul (m.p. XIII; provável mutatio; aqui conflui também a Via Porto Viseu e cruza novamente o rio Vouga)
    Travessia do rio Vouga (m.p. XIII a Viseu; cruza o rio na confluência do rio Sul e rio Torço no Vouga)
    Arcozelo (m.p. XII; calçada junto da capela e segue a rua «Calçada Romana»)
    Lufinha (m.p. X; cruza a aldeia e segue pela Estrada Municipal)
    Gumiei (m.p. IX; continua pelo 1317-1 até confluir na EN 16-4)
    Bodiosa-a-Velha (m.p. VIII; calçada com 300 m paralela à EN16 até ao sítio do Cruzeiro, m.p. VII )
    Bodiosa (m.p. VI)
    Moselos (m.p. IV; calçada; miliário a Adriano, indicando a milha IV e miliário a Cláudio indicando a milha V, estão na CEADV; a via segue pela rua Romana e rua Vale do Valego até perder-se no jardim de uma moradia anexa à rua Soito do Cêpo, interrompida pela IP5)
    Pascoal (m.p. II; segue a EN16 por 500m até entrar na rua da «Estrada Romana»)
    Abraveses (m.p. I; a rua da «Estrada Romana» cruza a EN2 e segue pela Rua da Escola Preparatória, com vestígios de calçada junto do Bairro de Sta. Rita, onde segue à direita pela Estrada Velha de Abraveses, passando junto da escola C+S e da importante fortificação conhecida por «Cava de Viriato» com provável origem romana, continuando pela rua Capitão Salomão e rua da Cava de Viriato)
    Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela rua da Ponte de Pau, Calçada de Viriato e entra na cidade pela necrópole e antiga porta da cidade até ao Largo da Sé)
    Viseu (VISSAIUM) (na rua do Arco apareceu um miliário a Adriano indicando a milha I talvez proveniente de Abraveses; possível capital da civitas dos Interannienses)
    • A chamada «Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu» (CEADV) reúne os miliários recolhidos na região pelo Dr. José Coelho, nomeadamente o miliário da rua do Arco, os dois miliários de Moselos, o miliário de Espinho, os dois miliários de Abrunhosa-a-Velha e o miliário da Qta. da Lagoa (Vaz, 1978); actualmente os miliários estão no jardim da casa Casa do Miradouro, museu que alberga a agora designada «Colecção Arqueológica José Coelho».
    • O Museu Grão Vasco alberga vários achados da região entre os quais o miliário de Licínio Pai proveniente de Chãos (vide Via Mangualde-Bobadela), o fragmento de miliário a Contantino I e o fragmento de miliário com algumas letras, ambos provenientes algures de Vouzela, as inscrições votivas de Repeses e a inscrição dedicada a Cosei Vacoaico, provável divinização do rio Vouga (Vaz, 1997).

    Caminho para Viseu pela Sra. do Castro
    Fataúnços (m.p. XIII; vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal na base do Monte Lafão; existia um miliário anepígrafo no Quintal da Estalagem e uma calçada junto da Fonte Velha (Figueiredo, 1953, p. 196); sai da EN228 pela rua da Escola para Bandavizes e toma a calçada paralela à EM602 que passa em Atalaia e desce à ponte)
    Ponte Romana?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (continua pelo o troço de calçada que sobe a encosta)
    Figueiredo das Donas (m.p. XII; calçada)
    Carregal (m.p. XI; segue a rua da «Estrada Romana», passando na Capela da Sra. da Agonia/Sra. da Ajuda, rua Remolha e lugar do Outeiro, onde há calçada)
    Carvalhal do Estanho (m.p. X na Sra. da Boa Passagem; miliário enterreado numa rua da aldeia; necrópole na capela e junto das Minas de Bejança; a via passa pelo centro da aldeia, entra na EM1303 e segue por Caria, junto da Capela do Espírito Santo, m.p. IX)
    Silgueiros (m.p. VIII; continua a sul de Pereiras, junto da central eléctrica)
    Lobagueira (m.p. VI; segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100 m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 ao km 16+900 e segue pela base do castro até confluir na EM1366 em S. Martinho, m.p. III)
    Travessia da ribeira de Mide (continua pela rua de S. Francisco)
    Orgens (m.p. II; calçada com 30 m dentro do Convento de S. Francisco no alinhamento da via)
    Ponte Romana?-Medieval da Azenha sobre o rio Pavia (m.p. I)
    Viseu (entra na cidade pela rua Nunes de Carvalho, passando na Capela de S. Sebastião e na Porta de Soar até ao Largo da Sé)

    Caminho para Viseu pela Serra do Caramulo/ Guardão
    Este itinerário liga Marnel a Viseu atravessando a Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba), seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762); o caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um terminus augustalis que apesar de ser um marco de divisão territorial poderia estar relacionado com este caminho.
    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA; a via desviava da anterior em A-dos-Ferreiros atravessando o rio Alfusqueiro)
    Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100 m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100 m a jusante)
    Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574)
    Cabeço de Cão, Préstimo (calçada)
    Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho)
    Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja)
    Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa)
    Monte Tezo, Varzielas (possível variante para norte pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais)
    Portela de Guardão
    Caramulo (segue pela rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres)
    Guardão, Tondela (no interior da Capela de S. Bartolomeu, antigo castro, existe um terminus augustalis; troço de calçada junto da igreja matriz de Guardão de Baixo)
    Ponte Romana?-Medieval da Portela (calçada)
    Santiago de Besteiros (segue pela rua da Ponte Romana, rua de Santiago, junto da igreja matriz, Ponte de Muna)
    Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100 m da escola primária; na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um trifinium, um marco de divisão territorial entre três povos)
    Coval, Caparrozinha (calçada com 500 m que vem de Paranho)
    Fial (calçada na rua do Pereiro)
    Ponte Romana? da Seara, Routar
    Torredeita
    Mosteirinho, Couto de Baixo (pela rua Pontes; inscrição na casa paroquial; a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos; pode indiciar uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro)
    Figueiró, Vil de Souto (segue rua cabrita?; topónimos rua e ponte Mourisca junto da EN337-1)
    Orgens
    Viseu (VISSAIUM)

    Via VISSAIUM ad Arabriga

    Mapa



    Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
    Provável itinerário romano ligando Vissaium ao território dos Arabrigenses, hoje a região de Moimenta da Beira, atravessando o rio Vouga na zona da Ponte do Vouguinha, rumando depois a Fráguas (Vila Nova de Paiva), onde cruzava o rio Paiva, continuando depois por Ariz rumo à Ponte do Freixinho, junto do vicus de Rochela. (Vieira, 2004; Castro, 2013)

    Viseu (VISSAIUM) (partindo da Sé, seguia talvez a rua Silva Gaio, rua Loureiros e Porta de Cavaleiros, onde saía da cidade, seguindo depois a rota da EN229 por Travassós de Baixo, pela rua da «Estrada Velha»)
    Mundão (a via passaria na calçada da Qta. do Catavejo; povoado em Telegre; calçada de Confulco na Póvoa)
    Cavernães (as várias aras votivas em Vendas da Moita indiciam a existência de um santuário romano junto da via romana que corria sob a EN229 até ao km 80 e depois pela EN323 e a EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo)
    Cepões (passa na Igreja e continua por Laje Gorda, Capela de Sta. Eufémia até reentrar na EN323)
    Ponte Romana?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga (1 km a jusante da ponte nova)
    Côta (da ponte sobe em calçada até Vouguinha, na Capela de St. António segue o troço em calçada que passa junto da necrópole de Escoiral até Nogueira de Baixo, continuando sob a EM569 por Vale de Cavalos e Chão do Frade, contornando o Alto dos Cabeços)
    Fráguas, Vila Nova de Paiva (travessia do rio Paiva)
    Alhais de Cima (possível mutatio no sítio da Pousada das Campas; inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial)
    S. Martinho de Peva (pelo «Vale da Carreira» junto da Capela da Ns. da Aflição)
    Soutosa (passa no cemitério pela rua da Macieira, cruza EN323 e continua próximo do habitat de Covais, cruza o rio Paiva e continua pelo caminho da Qta. das Corgas que serve de linha divisória entre os concelhos de Moimenta da Beira e Sernancelhe)
    Cabeça de Alva, Caria (nó viário junto da Capela da Ns. dos Aflitos, onde cruza a via Moimenta - Fornos; a Capela de S. Tiago em Vila Cova reutiliza um silhar almofadado)
    Mileu, Caria («Caria Velha» poderá corresponde ao povoado do Monte da Coutada; vestígios na ribeira de Mileu; tesouro monetário)
    Prados de Cima, Rua (provável miliário convertido em cruzeiro junto da Capela de S. Domingos, cuja fachada ostenta uma estela funerária de Victor, CIL II 427)
    Ponte do Pontigo/Freixinho sobre o rio Távora (onde conflui também o Itinerário Peso da Régua - Marialva)

    Mons Herminius Itinera

    Mapa

    Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
    A designação de mons Herminius (montes Hermínios) aparece em dois textos clássicos, nomeadamente no «De Bello Alexandrino» e na obra do historiador Dion Cássio sobre as campanhas de Júlio César na Lusitânia nos anos 61-60 a.C. (Dion Cassio, XXXVII, 52-55), tem sido associada à Serra da Estrela ainda que com algumas reservas (Alarcão, 1993); seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que assentava numa intrincada rede viária ainda pouco conhecida; existem pelo menos 3 grandes eixos que cruzam a serra, a Via Cabeço do Vouga - Viseu - Mérida, ou seja, Talabriga - Vissaium - Augusta Emerita, cruzando a serra no sentido O-E, a Via Coimbra - Bobadela - Celorico da Beira ligando, Aeminium ao Alto Douro, seguindo pelo vale do Mondego na vertente ocidental da serra (a actual «Estrada da Beira») enquanto a vertente oriental era percorrida pelo grande eixo viário com origem em Aquae Flaviae (Chaves) que cruzava o rio Douro na Sra. da Ribeira e seguia por Freixo de Numão, Mêda, Marialva e Guarda até confluir em Centum Cellae com a via para Mérida; no entanto, pala além destes eixos principais, existiam muitos outros itinerários servindo os povoados e explorações mineiras espalhadas pela serra, nomeadamente a partir do seu acesso norte cruzando o Mondego em Fornos de Algodres e Celorico da Beira ou pelo sul a partir do Castro de S. Romão em Seia (Alarcão, 1993; Ruivo et al., 1996;Tente, 2007; Carvalho P., 2009; Marques, 2011).



    Linhares


    Guarda










    Celorico da Beira - Bobadela
    Via pela vertente ocidental da Serra da Estrela passando nas proximidades de Gouveia e Seia rumo a Bobadela, percurso confirmado pelo miliário dedicado a Maximiano que está na «Casa Grande» em Paços da Serra; o miliário indica 21 milhas distância superior à medida no terreno entre Bobadela e Paços da Serra, cerca de 17 milhas, pelo que o caput via para contagem das milhas não poderia ser na «splendidissima civitas» como foi sugerido por vários autores (Figueiredo, 1953; Saa, 1959; Alarcão, 1993). Por outro lado, a distância entre Paços da Serra e Celorico da Beira é cerca de 21 milhas pelo que a início da contagem poderia nessa povoação, um nó viário relacionado com a travessia do rio Mondego rumo a norte (2017).

    Celorico da Beira (nó viário; inscrição rupestre no exterior do castelo consagrada à divindade Munidi)
    Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro)
    Cortiçô da Serra (habitat na Qta. do Mouro)
    Carrapichana (nó viário onde cruza com a via Fornos de Algodres - Linhares)
    Vila Cortês da Serra (cruza a ribeira do Freixo a jusante da confluência da ribeira do Paço e 100 m depois da ponte toma o caminho à direita que segue paralelo à EN17 até reunir com esta junto da Qta. da Pedra Alta, provável nó viário no cruzamento com a via Viseu - Mérida)
    São Paio (cruza talvez a ribeira de S. Paio na Ponte das Olas na EN17, cortando depois em Cortês pela rua das Casas do Rio, passando junto do cemitério)
    Nespereira (cruza a ribeira de Gouveia na Ponte do Chorido e segue pelo Sr. dos Aflitos?)
    Vinhó (habitat na Tapada de Vinhó)
    Moimenta da Serra
    Paços da Serra (miliário a Maximiano da milha XXI no jardim da «Casa Grande»)
    Santa Marinha (ponte romana?)
    São Martinho (seguia pelo Alto das Matas paralela à EM522 nas proximidades da villa? de Santo Aleixo no lugar da Vodra)
    Arrifana (topónimo viário)
    Seia (Sena?) (o vicus romano ficaria na Qta. da Nogueira, por onde seguia uma ramal de ligação ao Castro de S. Romão, mas a via principal deveria passar no vale por Arrifana e Santiago)
    Carragozela (continua pela Capela de S. Silvestre, Qta. dos Lameiros e Vale Moral, descendo a Meruge pela Qta. da Rigueira)
    Meruge (possível vicus no agora designado Parque Arqueológico de S. Bartolomeu, ocupando a área do campo de futebol e da capela homónima)
    Lageosa (segue a EM1315 por Gavinhos de Baixo, junto da Capela da Sra. dos Aflitos, e Vendas de Gavinhos, toma a EN230-6, passa junto Anta do Pinheiro dos Abraços e entra em Bobadela pelo caminho do campo de futebol)
    Bobadela (capital de civitas)

    Outras vias a partir de Celorico da Beira
    • Celorico a Linhares da Beira, provável caminho romano, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na Capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Qta. do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), Assanhas, continuando até Linhares pelo topónimo Portela.

    • de Celorico a Póvoa do Mileu por Mizarela, deriva da anterior em Salgueirais e ruma a leste em direcção a Prados (calçada da Qta. dos Amiais; calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), segue depois por Vale de Estrada (possível miliário no planalto da Serra da Soida) e desce em calçada pela Qta. da Coitada até Mizarela e daqui à travessia do Mondego na Ponte Medieval da Mizarela, continua depois em calçada por Pêro Soares (rua da Carreira), Chãos (cruza a EN16 ao km 170) e Gulifar, rumo a Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993; Marques, 2011).

    • Celorico a Póvoa do Mileu por Vale de Azares, provável via romana passando por dois vici romanos, atendendo aos vestígios significativos encontrados em Aldeia Nova e em torno de Vale de Azares, como os silhares almofadados da Qta. do Azar (de um templo?) e a inscrição da Capela de Ns. dos Azares, embutida na parede direita do coro e dedicada à divindade Amma Aracelene, sugerindo a existência de um vicus designado por Aracelum; (FE 347; Carvalho, 2009); a via partia de Celorico rumo a Aldeia da Serra, continuava depois por Soutinho e Grichoso em Vale de Azares (casal em Quintã), continuando pelo caminho da Carriça/Qta. do Lagueirão rumo à travessia da ribeira da Cabeça Alta em Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita, restando os topónimos «Carriça» e «Lajinhas»), continuava para Portela e na divisória entre concelhos toma o troço em calçada que desce até Aldeia Viçosa e daqui à travessia do Mondego na Qta. da Ponte, seguindo depois até Ramalhosa, onde os topónimos Qta. da Carriça e Qta. da Calçada indiciam a passagem da via da qual resta ainda um troço lajeado com cerca de 200 m que sobe a encosta para cruzar a EN16 na fonte de mergulho, onde toma a Calçada do Tintinolho que sobe pela vertente poente do Castro do Olho pela Qta. de S. Mateus até Cruz da Faia, onde inflecte à esquerda pelo Chafariz Velho, nascente do rio Diz, passa a norte do Politécnico, entrando na cidade da Guarda pela calçada que ascende ao Chafariz da Dorna ou seguindo pela Qta. do Ferrinho, com um troço de calçada com 150 m no terreno da feira, rumo ao Castro dos Castelos Velhos, possível oppidum dos Lancienses Transcudanni, sobranceiro ao vicus de Póvoa do Mileu, no aro da cidade da Guarda.











    Via Seia - Loriga (Lorica?) - Covilhã - Belmonte (Centum Cellae)
    Provável via romana cruzando com a Via Celorico - Bobadela nas proximidades de Seia, seguindo depois pela vertente sul da Serra da Estrela por S. Romão, Valezim, Loriga, Alvoco da Serra e Unhais da Serra rumo ao Fundão ou a Belmonte por Covilhã, de encontro à via para Mérida, subsistindo grandes troços da calçada ao longo do seu percurso (Saa, 1959, tomo III:296).

    Seia (Sena?) (segue talvez pelo estradão que cruza a ribeira de Valverde junto da quinta homónima), S. Romão (acesso ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando por Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante originário de Caesar Augusta, a cidade romana hoje designada por Saragoça e uma inscrição dos cônsules e edis Presente et Extricato, indícios que apontam para uma civitas com capital neste castro)
    Lapa dos Dinheiros (calçada cruza a ribeira da Caniça e sobe à povoação pela rua do Cemitério, continuando pelo caminho que parte da Fontinha, seguindo a meia-encosta da serra acima da EN231)
    Valezim (a calçada vem por Darrua, Cabeço do Castro, Sra. da Saúde e Sra. da Boa Viagem, passa na povoação e toma a calçada que passa junto da Capela de S. Domingos em direcção à Portela de Arão)
    Loriga (Lorica?; vestígios em «Chão do Soito»; a via seguia por «Calçadas», cemitério, Capela de S. Sebastião, desce pela rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento numa ponte moderna, existindo notícia de uma anterior eventualmente romana que ruiu no séc. XVI, subia depois pela rua de Vinhó, rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, saindo depois da aldeia pela rua do Teixeiro, cruza a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romana?-Medieval da Moenda e cruza a EN231 na Fonte do Sabugueiro)
    Alvoco da Serra (tesouro na Qta. do Aguincho; continua pela Sra. da Guia e pela calçada da rua das Lajes, junto à Capela de S. Sebastião, cruza a ribeira na ponte medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até ao Alto de Avoaça)
    Unhais da Serra (desce a vertente da serra para Taliscas onde cruza a ribeira de Cortes, subindo pela Qta. dos Penesinhos à Portela dos Pedrões, onde partiria uma ligação ao Fundão)
    Tortosendo (pela Qta. da Pousada, cruza a aldeia e segue a EN230 por Calçadinha, Ladeira Grande e Meia Légua, topónimos viários)
    Covilhã (seguia junto da estação C.F. pela rua da Corredoura, onde há calçada, sob o alcatrão)
    Canhoso (segue paralela à linha férrea pela Qta. do Prado, cruza a Ponte das Almas)
    Teixoso (inscrição honorífica, nomeia o magistrado Marcus Valerius Silo, duumvir primus de um municipium, talvez dos Lancienses Ocelenses que poderia habitar a villa de Terlamonte, situada a cerca de 500 m do rio Zêzere, onde há vestígios de barragem; a via cruzaria a Ponte Pedrinha e continuava próximo da Qta. da Mourata, onde apareceu uma ara de Dobiteina a Júpiter Supremo, e Borralheira, onde apareceu um tesouro; Alarcão, 1988; Silva A.J.M., 2002; P. Carvalho, 2006)
    Orjais (a via continuava pelo vale do rio Zêzere passando pela Capela da Sra. das Luzes, onde teria existido um vicus ou villa, situado na base do imponente Templo romano na Ns. das Cabeças, possivelmente dedicado a Júpiter; o santuário e antigo castro domina visualmente o vale do Zêzere; 2 inscrições funerárias; duas aras votivas dedicadas a Bande Brialeaicui, divindade que aparece também numa inscrição de Póvoa do Mileu como Bande Brialeacus; ver Carvalho P., 2003, 2006 e 2010)
    • Travessia do rio Zêzere em Orjais ?: é possível que existisse uma travessia do rio Zêzere entre a Qta. do Raro e a Terra dos Limites (ainda hoje divisão entre Covilhã e Belmonte), continuando na outra margem rumo a Centum Cellae.
    Aldeia do Souto (existiam vestígios de calçada passando na Qta. da Lajeosa, onde apareceu a inscrição funerária de Camalo)
    Vale Formoso (possível miliário no início da rua do Pinheiro, marcando a entrada da Judiaria; um outro possível miliário foi daqui para a Biblioteca Municipal da Covilhã; calçada em Quintarias e Hortas; inscrições funerárias na villa dos Mortórios e na villa de Sinque)
    Travessia do rio Zêzere (descia pela Qta. da Carreira, próximo do sítio romano do Ralo, onde apareceu uma árula a Júpiter Máximo, cruza o rio e entronca na Via Braga-Mérida)
    Catraia da Torre (Centum Cellae), Belmonte









    Moimenta da Beira a Linhares por Fornos de Algodres
    Provável via romana partindo de Moimenta da Beira rumo à travessia do rio Mondego na Ponte de Juncais em Fornos de Algodres, subindo depois por Linhares ao Alto do Carvalhos Juntos, nó viário da Serra da Estrela, onde cruzava com a Via Viseu - Mérida. Esta via permitia conduzir o tráfego de Chaves e Braga para Mérida.

    Moimenta da Beira (povoado no sítio de S. João, possível capital dos Arabrigenses; segue por Toitam)
    Aldeia de Nacomba (calçada na rua da «Via Romana» com cerca de 1 Km percorrendo o Alto da Surrinha/Serra da Aldeia, continua por alturas de Carapito e Sra. dos Caminhos em Vila Chã)
    Cabeça de Alva, Caria (nó viário onde cruza a via Viseu - Moimenta)
    Quintela da Lapa (aqui apareceu uma estátua de togado; continua pela EM584 e cruza o rio Vouga)
    Aguiar da Beira (continua talvez por Barracão e Eirado)
    Carapito (calçada nas traseiras do cemitério)
    Queiriz (nó viário, onde poderia existir uma mutatio, no local onde a via bifurcava, seguindo uma para Fornos e outra para Muxagata rumo ao rio Mondego; uma declivosa calçada entre Maceira e Sobral Pichorro interliga as duas variantes; povoados no sítio do Castelo e na Fraga da Pena; inscrição votiva a Bandi Tatibeaicui, AE 1961, 341).
    Fornos de Algodres (ver Museu Arqueológico do CIHAFA; provável mutatio associada à travessia do rio Mondego em época romana no local da actual Ponte de Juncais, última versão desta antiga ponte)

    da Ponte dos Juncais à Serra da Estrela por Linhares
    Depois de cruzar o rio Mondego na Ponte de Juncais, seguia por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), cruza a ribeira de Linhares e sobe pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares da Beira (provável mutatio), podendo daqui continuar pelo velho caminho que segue a meia encosta rumo ao Alto dos Carvalhos Juntos, onde entronca na via que cruza a Serra da Estrela proveniente do Folgosinho rumo a Centum Cellae em Belmonte.

    Via ARABRIGA ad ARAOCELUM











    Penalva
    do
    Castelo




    Moimenta da Beira (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
    Eixo viário N-S rumo a Bobadela com passagem por Aguiar da Beira e Mangualde; um miliário na Qta. do Pomar assinala esta via. (Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007).

    Moimenta da Beira (segue comum à Via Moimenta - Fornos até Aguiar da Beira)
    Aguiar da Beira (silhares almofadados reutilizados nas muralhas do castelo medieval; a via segue pela rua de Sta. Eufémia)
    Ponte Romana?-Medieval do Candal sobre a ribeira de Coja, Coruche (70 m; 2 arcos)
    Quinta das Lameiras, Pinheiro (cipo funerário de Rufus)
    Rãs (continua por Douro Calvo)
    Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia um possível ramal rumo ao rio Vouga por Decermilo, podendo continuar próximo dos sítios romanos de Veiga e Castelo, em Ferreira de Aves, rumo a Vila Nova de Paiva; represa romana conhecida por Poça da Moura associada à villa da Vila da Moita; Lourenço, 2007)
    Romãs (inscrição na Qta. dos Matos; segue próximo da villa da Corga e da villa da Presa)
    Silvã de Cima (passa junto à Qta. das Chedas, onde apareceu uma inscrição funerária, e continua por Casal, onde existe um miliário na Qta. do Pomar, muito alterado e reutilizado num muro da quinta, a 11 milhas de Aguiar da Beira e a 13 de Mangualde; a via continuava para Penalva do Castelo pelo caminho que cruza a ribeira da Côja na Ponte Ferreira e a ribeira de Sezures na Ponte de Quijó?)
    • Ligação a Prime/ rio Dão por Rio de Moinhos e Povolide:
      Em Rio de Moinhos existem duas colunas encastradas no muro da Casa da Família Xavier que poderão ser miliários anepígrafos desta estrada (?) ou fustes de colunas provenientes da villa da Eira do Rei; da Silvã de Cima segue então por Rio de Moinhos (calçada no lugar da Igreja em Casal de Cima e villa de Trancosã e villa da Qta. da Taboadela em Casal do Fundo), S. Miguel de Vila Boa, Sátão (talvez por Forno Telheiro, Abrunhosa e próximo da villa da Qta. de Torneiros), Povolide (calçada na Qta. de Sta. Luzia com acesso defronte do cemitério à esquerda), contiuando para rumo à travessia do rio Dão em Prime (?).

    Penalva do Castelo (m.p. VII no cemitério; vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; aqui apareceram várias inscrições, ara aos Bandi Oilienaico, epitáfio de Tiro, epitáfio de Procilia e epitáfio de Rufo; inscrição a Manes na villa da Qta. de Goge; a via continuava próximo da villa de Sangemil, onde apareceu uma incrição ao filho de Tancini e perto da qual ainda existia um troço lajeado e os topónimos viários «Lajes de Sangemil» e «Ladeira de Sangemil»; Nóbrega, 2003a)
    Travessia do rio Dão na Ponte Romana?-Medieval de Trancozelos (?)
    • Ramal para Abrunhosa-a-Velha por Quintela de Azurara: poderia existir uma ramal desta estrada por Quintela de Azurara rumo a Abrunhosa-a-Velha, onde cruza a Via Viseu-Mérida; da ponte de Trancoselos rumava a sudeste para cruzar o rio Ludares em Lamegal (dois possíveis miliários, um está numa casa abandonada da rua Celestino da Fonseca e outro numa casa junto da Capela; Nóbrega, 2003) ou mais a montante entre Abogões e Canelas, numa ponte dita «romana», seguindo depois pela calçada de Cômoro/Formiga, rumo a Quintela de Azurara (duas inscrições a Júpiter, a FE 90 está no MNA e a FE 348 teria aparecido na antiga Capela da Sra. da Esperança e hoje está na igreja paroquial), a via continua para sul junto da Qta. do Carril, cruza a ribeira de Ludares, e segue por Freixiosa (ara votiva a Crouga Nilaigui por Clementinus, servindo de pedestal a um cruzeiro na igreja de Sta. Luzia, FE 54), Cunha Alta e Abrunhosa-a-Velha, onde cruza via Viseu - Mérida.

    da Ponte de Trancozelos a Mangualde
    Da ponte ascende a encosta pela estrada moderna, passa em Trancozelos, saindo pouco antes do Lamegal por caminho de terra, antiga via rumo a Germil, atravessa a aldeia e desce à Ponte do Cavalo onde atravessa o rio Ludares; da ponte ascendia o monte, mas hoje está cortado e é preciso tomar a EM1468 para Darei até reencontrar a via no alto do Espadanal, seguindo o caminho que atravessa o Pinhal do Espadanal, troço ainda com fortes vestígios de marcas de rodados e cortes na rocha, continuando para Oliveira pela Qta. do Cruzeiro, Pizorias, Alminhas e rua da Escola até confluir na EN329-1, marginando a villa de Olivais em Passos (árula a Júpiter, FE 69); continua pela rua da Catraia, Capela de St. André, rua Principal, cruza a EN329-1 e continua junto do miliário da Qta. da Cruz, integrado na esquina do muro de uma casa apresentando um nicho derivado da sua reutilização como alminhas)

    Via ARAOCELUM ad civitas Bobadela

    Mapa




















    Bobadela
    Avô




    Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (municipium)
    Mangualde situa-se no cruzamento desta via N-S rumo à Bobadela (Oliveira do Hospital) e da via E-O entre Viseu e Centum Cellae (Belmonte) rumo a Mérida; atendendo ao alinhamento dos miliários encontrados, Qta. da Cruz (Mangualde), Chãos de Santa Luzia e Póvoa de Espinho, é possível que a via seguisse junto da Igreja Matriz rumo à travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela e ponto inicial de contagem das milhas atendendo às 7 milhas indicadas no miliário da Qta. da Ponte na Abadia de Espinho, demonstrando o carácter municipal desta via que foi designada por Inês Vaz como Via VIII (Vaz, 1976; Gomes e Carvalho, 1992; Nóbrega, 2003a e 2003b; Gomes Lourenço, 2007). A marcação miliária é assim apresentada com o caput via no Mondego.
    • Variantes de Mangualde a Espinho: Inês Vaz propôs um trajecto da via por St. Amaro de Azurara e Santa Luzia, perto da qual apareceu um miliário a Licínio, indicando a milha XI talvez contadas ao Mondego/Caldas da Felgueira (?) e hoje armazenado no Museu Grão Vasco com o nº 51 (Vaz, 1997, 384-386); entretanto a identificação de um troço bem preservado designado por Calçada de Barreiros em 2009 levou António Tavares a propor uma rota alternativa mais a poente seguindo por Cruz da Mata, Estrada Antiga, rua da Calçada até Ançada (possível miliário junto de sepulturas alti-medievais), continuando depois pelo referido troço lajeado junto da Qta. dos Barreiros até Água Levada (possível miliário deitado à entrada de um casa no início da Travessa da Paz), seguindo até à Abadia de Espinho, onde surgem novos miliários, um dos quais marcando 7 milhas ao Mondego, na fronteira entre as duas civitates (Vaz, 1976; Tavares, 2009). No entanto o percurso mais directo e que evita a travessia de muitas linhas de água corresponde ao chamado «Caminho da Lavandeira» que passa em Santo Amaro e a leste de Santa Luzia.
    Mangualde (partindo do nó viário da Igreja de S. Julião, onde cruzava com a via O-E proveniente de Viseu rumo a Centum Cellae, a via continua para sul, talvez pela rua S. João Bosco e rua Padre Mário Marcelino)
    Santo Amaro de Azurara (cruza a aldeia e segue junto das alminhas pelo «Caminho da Lavandeira», seguindo a nascente de Santa Luzia junto das alminhas das Cabeças, talvez a m.p. X, continuando junto da Qta. da Tapada; no lugar de Chãos apareceu deslocado o miliário de Licínio indicando a milha XI)
    Abadia de Espinho (m.p. VII?; vários miliários, todos deslocados num contexto medieval; fragmento de possível miliário na rua do Forno em Póvoa de Espinho; miliário do Calvário encastrado no muro de um entroncamento a 300 m do cemitério, mais abaixo junto da Abadia, um outro possível miliário reutilizado no Cruzeiro da Capela de Santa Luzia e junto do rio apareceu o miliário da Qta. da Ponte dedicado a Cláudio indicando a milha VII, hoje na CEADV; um pouco mais longe há um outro possível miliário reutilizado no cruzeiro Vila Nova de Espinho; a via seguia talvez entre Gandufe e Póvoa de Espinho pelo Largo de Santa Marinha)
    Senhorim (m.p. VI? junto da Igreja, onde há vestígios de uma possível villa ou mutatio; possível miliário na Quinta do Lila (?); possível miliário ou menir em Casal Sandinho?; cruza o rio Videira e segue junto do cemitério em Portela)
    Nelas (m.p. IV?; ver Museu José Adelino; passa a sudeste da cidade e continua por Folhadal)
    Caldas da Felgueira (travessia do rio Mondego cerca de 1 km a montante da ponte actual, próximo dos sugestivos topónimos viários Qta. da Barca e a Qta. dos Carris)
    • Possível ligação a Seia/S. Romão, passando em Paranhos da Beira (ara votiva de Iunia Firmina; calçada e ponte em Carvalhal da Loiça), Tourais (habitat na Qta. da Lameira) e na Ponte de Folgosa do Salvador sobre o rio Seia, continuando por Arrifana para Seia e daqui ao Castro de S. Romão.
    Felgueira Velha (da ponte cruza a aldeia e segue a EN231-2 e rua Valas)
    Seixo da Beira (m.p. III; villa? em Lagaretas, Sobreda)
    Aldeia Formosa (m.p. IV)
    Vila Franca da Beira (m.p. IV; passa talvez a nascente pela calçada do «Vale da Corredoira»?)
    Travessia do rio Seia (m.p. VI; na Ponte do Buraco ou mais a jusante)
    Lagares da Beira (m.p. IX; calçada no Vale da Corredoura; pela rua da Calçada? e Ponte Romana? da Ribeira ou de Vale de Negros)
    Travanca de Lagos (m.p. XI no Largo do Rossio)

    Bobadela (municipium), Oliveira do Hospital
    Imensos vestígios por toda a aldeia; inscrição NEPTUNALE na fachada da igreja, CIL II 398, única referência a Neptuno na Lusitânia, divindade ligada ao culto da água; magnífico anfiteatro; em termos viários, o Dr. Adelino de Abreu identificou um miliário tardio junto da igreja nova que se veio a perder no Museu Machado de Castro, (Abreu, 1893), lendo as seguintes letras «D.N. / VALLI / CINIAV.. / NO...» e sugerindo que seria do tempo de Galério, no entanto parece mais coerente a leitura Val(erio) Licinian(o), ou seja uma dedicatória ao Imperador Licínio, corrigindo apenas a leitura do letra «V» final por «N», letras facilmente confundíveis (Anacleto, 1981).

    Ligações de Bobadela ao rio Alva
    Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo ao longo do rio Alva, é provável a existência de três vias de acesso ao rio, uma descendo à Ponte da Três Entradas, outra descendo a Avô e ainda outra para Coja, onde as condições de travessia são mais favoráveis e onde se achou um miliário e um tesouro, evidenciando a sua importância como nó viário onde bufurcava no Itinerário Coja - Idanha-a-Velha pela Serra do Açor (Marques, 1992) e no Itinerário Coja - rio Tejo por Pedrogão Grande e Amêndoa (2017).

      Ligação de Bobadela à Ponte das três Entradas: seguia talvez por Nogueira do Cravo (nos anos 70 ainda existia calçada, passando nos lugares das Mestras e de Cales, junto da «Casa do Penedo» que reutiliza imensos silhares romanos talvez provenientes da cidade romana que fica a apenas 3 km), em Galizes cruza a EN17 e segue por Santa Ovaia, onde existiu calçada lajeada que tinha continuação pelo chamado «caminho fundo» até à Ponte das Três Entradas, onde atravessava o rio Alva (Lourenço, 2007). É provável a continuação da via para Aldeia das Dez pois aí apareceu um tesouro e existe calçada a 3 km da aldeia no «Caminho das Tapadas» e no Areal, assim como uma ligação em calçada a Avô.

      Ligação de Bobadela a Avô: seguia talvez por Loureiro, cruza a EM1308, rumando depois (pela florestal?) a Balocas e Venda da Esperança, onde cruza a EN17; continua em frente para Lourosa, passando próximo da notável Igreja Moçarabe de S. Pedro, onde apareceram muitos materiais romanos eventualmente relacionados com um templo romano que aqui existia (ara votiva a Picio, ara votiva a Júpiter, ara anepígrafa, cipos, bases de colunas e silhares almofadados), e daqui por Pombal e pelo estradão de terra que vai atravessar a ribeira, subindo depois em calçada até Vila Pouca da Beira (rua da Calçada Romana), continua pela rua da Fonte das Almas, rua dos Catarinos, Cruz de Pedra, Qta. do Casal, cruza a EN230 e continua pela rua Dr. António de Barros para a travessia do rio Alva em Avô. Daqui ascendia à serra pela calçada que parte do Bairro de St. António e seguia pela calçada de S. Pedro, hoje rua da Sra. de ao Pé da Cruz que vai por Anceriz até Cruz de Anceriz, onde entronca no Itinerário de Coja a Idanha-a-Velha.

      Ligação de Bobadela a Idanha-a-Velha(?) pela Serra do Açor
      Itinerário pela Serra do Açor pelo chamado «Caminho da Moura», eventualmente rumo a Idanha-a-Velha; partindo da Bobadela descia por Covas e Pinheiro da Coja para cruzar o rio Alva junto a Coja, continuando depois pela rua da Gândara e pelo estradão que vai para o Alto dos Tosqueirões e Cruz de Anceriz, continuando a nascente do Alto do Carvalhal e do Alto da Chama («Cabeço da Chamua»/Picoto da Cebola), margina o cemitério de Valado (EN344) e segue por alturas de Moura da Serra (tesouro em Safrinha) e pelo caminho do Cabeço da Fonte de Espinho, Encosta da Amieira, Encosta da Fonte Peão (vestígios do corte da via e sulcos de rodados na rocha), continuava por alturas de Piodão (por Alto do Tojo, Outeiro do Caminho e S. Pedro de Açor e Portas de Égua), rumo à Covilhã e a Idanha-a-Velha (?) por percurso incerto devido ao acidentado do terreno.

    Via VISSAIUM ad civitas Bobadela

    Mapa





















    Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas) - Coimbra (AEMINIUM)
    A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões indicia uma via importante que ligava Vissaium às sedes da civitates vizinhas, em Aeminium(Coimbra) e Bobadela, a pequena aldeia do concelho de Oliveira do Hospital que era cognominada de splendidissima civitas na época romana, segundo uma inscrição da qual se conserva uma cópia na igreja paroquial (CIL II 397); o nome latino da cidade continua desconhecido, com as propostas a variarem entre Velladis e Verunium, ambas referidas por Ptolomeu (II, 4), ou o seu povo associado aos povos Elbocori e Tapori referidos por Plínio (NH, IV, 35). Esta estrada romana, designada por Inês Vaz como Via I, partia de Viseu rumo a sul, tendo várias diverticula para nascente de encontro à via proveniente de Mangualde rumo à Bobadela, o outro eixo viário também na direcção N-S. Inicialmente a via seguia pela calçada de Ranhados rumo à travessia do rio Dão junto às Termas de Alcafache; a utilização de silhares almofadados na ponte actual indicia a existência de uma ponte anterior de construção romana; daqui subia até ao Lugar do Peso em Casal Sendinho (nó viário e possível mutatio), de onde partia uma ligação a Mangualde. A via para Bobadela continuava por Santar (possível bifurcação para Póvoa de Espinho), Carvalhal Redondo e Canas de Senhorim, onde poderia bifurcar novamente, com um ramo a seguir para Coimbra e outro rumo à travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira, onde encontra a via de Mangualde e segue para a Bobadela. No entanto, também é possível que a travessia do rio Mondego se fizesse mais a jusante, desviando da Via para Coimbra próximo de Oliveira do Conde, onde existem dois miliários anepígrafos, e fazendo a travessia do rio numa ponte romana aparentemente referida numa inscrição que se encontra numa casa de Póvoa de Midões. (Vaz, 1976, 1987; Nóbrega, 2003a, 2003b, 2007; Lourenço, 2007).

    Viseu (VISSAIUM) (sai pela antiga porta da cidade na rua do Cerrado, onde existia uma necrópole, e seguia pela Av. Rei Dom Duarte, rua Direita, talvez o cardus Maximus e rua do Cruzeiro)
    Ranhados (continua pela rua Direita e rua de Sta. Eufémia, junto ao tanque da povoação, onde começa um dos melhores troços de calçada romana em Portugal seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende por magnífica calçada até à zona industrial)
    Coimbrões (desce ao rio Dão por Espadanal; notícia de um miliário no caminho para Lourosa de Baixo)
    Banho/Termas de Alcafache (a calçada por trás do Hotel das Termas foi entretanto destruída)
    Ponte Romana-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a ponte tem algumas silhares almofadados num dos talha-mares e na base do pilar do lado das termas; a via romana deve corresponder ao caminho com início na Capela de Ns. de Fátima logo após a ponte na EN594, subindo em calçada até à JF de Alcafache no Lugar do Peso; referência a um miliário entretanto perdido; Nóbrega, 2007)
    Alcafache (no Lugar do Peso a via cruza a EN1436 e segue o caminho da Capela de Santa Cruz até Aldeia do Carvalho, continua pela rua do Pelourinho e Qta. da Redonda; calçada no caminho das Fontanheiras rumo ao rio Dão?)
    Nó viário do Peso de Alcafache
    • Diverticulum para Mangualde: possível ligação a Mangualde por Casal Sandinho (vestígios em Presas e Qta. dos Lobões), Mosteirinho, Pedreles e Ançada (possível miliário).
    • Diverticulum para Bobadela por Caldas da Felgueira, seguindo por Vilar Seco e Nelas rumo à travessia do rio Mondego nas Caldas da Felgueira onde confluía com a via que vinha por Mangualde rumo a Bobadela (Vaz, 1987).
    Santar (provável villa ou vicus com vestígios em Outeiro, Outeirinho e Qta. do Casal Bom; topónimo «rua da Carreira» assinala a passagem da via)
    • Diverticulum para Póvoa de Espinho: partindo de Santar, a via seguia pela rua do Estremadouro, onde existiam vestígios da calçada, continuando por um caminho rural em calçada que cruza o ribeiro de Cagavaio rumo a Vilar Seco, onde surgem novos vestígios de calçada e as estações romanas de Prado e Qta. do Serrado, continuando daqui em direcção à Ponte Romana?-Medieval do Tinto sobre o rio Videira, Gandufe e Abadia de Espinho, entroncando na via Mangualde-Bobadela.
    Carvalhal Redondo (3 aras dedicadas a Besencla por Docquirus Celti, 2 apareceram num lagar e outra numa casa particular, FE 138; seria um santuário doméstico?; vestígios em Moledo; segue a EN231-2 por «Corredoura»)
    Urgeiriça (villa em Laje do Quatro, junto à EN e antiga via)
    Canas de Senhorim (vicus?; villa em Casal/Olival Grande, de onde provém quatro aras de um lararium familiar à divindade Bensencla; outras possíveis villae em Freixieiro e Fojo; vestígios de casais em Moledo, Passal e Qta. de Cima)
    Lapa do Lobo
    Fiais da Telha (segue a leste pela calçada de Alagoas com 2 km e atravessa a ribeira da Azenha)
    Azenha, Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto do casal romano da Qta. da Sobreira; 2 inscrições dentro do Café «Flor do Mondego»)
    Vila Meã, Oliveira do Conde (2 miliários anepígrafos num muro em Vale do Touro, no caminho entre Albergaria e Vila Meã)
    Currelos, Carregal do Sal (miliário anepígrafo numa casa de Vila de Cal, a cerca de 500 m do povoado alti-medieval do Passal em S. Sebastião; o marco também poderia indicar a derivação para a Ponte do Caldeirão no Mondego e daqui a Bobadela por Póvoa de Midões)
    Ligação a Bobadela cruzando o Mondego em Midões
    Há fortes indícios de ter existido uma ponte romana sobre o Mondego que permitia o acesso a Midões e daí à Bobadela (Pinto, 2001). O local de travessia seria entre Qta. da Barca e Vale França, talvez no sítio da Várzea Negra/Porto de Midões, dado que num documento do ano de 969 é referida uma barca neste local, «barcho de midones» PMH DC 100 e num outro documento do ano 1169 é referida uma ponte de pedra então já em ruína, «in portu fluminis Mondeci quem vocitante portum de Midones, subtus dirutum pontem lapideum» LP 60. Ainda mais relevante é a existência de uma inscrição em honra do imperador Tito embutida no muro de uma casa em Póvoa de Midões onde se pode ler «Imp. Tito. VIII. Co(n)s / pontem aedificavit / Severus Vituli f.», CIL II 50*, ou seja mencionando a edificação de uma pontem eventualmente sobre o Mondego. Em Coito de Midões existem duas inscrições embutidas na parede lateral da Capela de S. Sebastião assinalando a construção de dois templos em Bobadela a expensas de Cantius Modestinus, um dedicado ao Génio municipium (CIL II 401) e outro a Victoria (CIL II 402). Apesar das muitas dúvidas é possível estabelecer o seguinte itinerário: desvia em Vila Meã pelo caminho do Passadouro, margina o destruído casal do Vale do Rio e descia à Ponte Romana? sobre o rio Mondego que poderá corresponder aos vestígios de uma ponte identificada em 2014 a sul da Qta. da Barca; daqui a via ascendia a Midões (ara no exterior da igreja matriz), passando próximo do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»; daqui à Bobadela o traçado continua duvidoso, podendo seguir pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessa na Ponte Romana? de Sumes ou em alternativa, seguir por Coito de Midões rumo à Ponte de S. Geraldo, continuando depois juntas para Bobadela por Vila Nova de Oliveirinha.


    Mapa





    Mealhada (mansio) a Bobadela (civitas)
    É provável que existisse uma via romana ligando a região da Mealhada a Bobadela e Viseu pela Serra do Bussaco, derivando da Via XVI Braga-Lisboa para nascente; o percurso continua hipotético, mas parece existir um alinhamento de vestígios de possíveis miliários ao longo do caminho que passa em Leira Grande (Grada), Poço e Alto do Loisal rumo a Sula; no entanto há dúvidas na localização do miliário achado na Leira Grande pois há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, inserido portanto num outro caminho mais a sul que passa por Vacariça e Luso. Há também uma referência medieval a uma «via antiqua» na margem direita do Cértima, mas a sua localização no terreno permanece insegura (PMH DC 104). Perante estas dúvidas, apresentam-se as duas possíveis variantes ligando da Via XVI à Serra do Bussaco que se reuniam em Sula, e daqui duas outras alternativas de ligação ao eixo viário Viseu-Bobadela.

    • Variante norte de Mealhada a Sula por Grada:
      O ponto de derivação da VIA XVI não é claro podendo derivar da mansio da Vimieira, rumando a nordeste até Grada ou mais a norte, próximo das Termas da Curia (Tamagos), seguindo depois por Aguim (vestígios de tégula na aldeia e mais adiante no sítio de Varandas) pela estrada asfaltada que liga a Grada, onde há vários indícios de cariz viário como o topónimo Lugar dos Marcos, o miliário da Leira Grande, apesar das dúvidas sobre o seu local de origem e o próprio marco divisório entre os concelhos de Anadia e Mealhada que é sempre um sinal de via antiga; o caminho continua por Poço e Alto do Loisal rumo a Sula, ascendendo assim à Serra do Bussaco pela sua vertente norte, seguindo aproximadamente a linha divisória entre os concelhos de Anadia e Mealhada. Partindo do Lugar dos Marcos, a via seguia o caminho de terra pela linha de festo que passa próximo da Cerâmica St. Amaro, cruza a EN235 a sul de Poço, onde existe outro marco divisório junto de um possível miliário, continuando depois pelo Alto do Loisal com outro marco divisório, cruza a EN336 a norte de Salgueiral e continua pelo Alto do Cabeço Redondo e Bilheiro até entroncar na EN234, junto a Sula.

    • Variante sul de Mealhada a Sula por Vacariça:
      O ponto de partida esta via derivava da Via XVI na mansio da Vimieira, cruzava o rio Cértima e seguia entre Travasso e S. Romão junto de uma fábrica, seguindo depois paralela e a norte da EN620-3 até ao cemitério de Vacariça (vestígios em Ferrarias), seguindo depois pelo caminho que passa junto da necrópole de Fiéis de Deus sobre a Lameira de St. Eufémia (onde estaria originalmente o miliário da Leira Grande), seguindo depois por Lameira de S. Geraldo e Luso até Sula, onde entronca na variante anterior.

    Itinerário de Sula a Bobadela por Oliveira do Mondego:
    Sula (segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha por alturas de Atalaia, Louriceira, Alcordal e Galhardo)
    Cercosa (cruza a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa)
    Travessia do rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva)
    Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bobadela pela EN17 e seguia para a Bobadela)

    Itinerário de Sula a Bobadela por Mortágua, Sta. Comba Dão e Tábua:
    É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Santa Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua e daqui à Bobadela; seguia talvez próximo do cemitério de Vale de Remígio, dado que aqui apareceu uma inscrição aos Lares Patriis, atravessava a ribeira de Mortágua e seguia por Gândara para a travessia do rio Criz em Breda rumo a Santa Comba.
    Santa Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão), Vimieiro (da ponte actual subia à Estação C.F. pela rua da «Calçada Romana» rumo a Cancela, Fonte do Douro e Qta. da Avegada; poderia existir uma ligação pela calçada da Laje do Roxo à villa da Abadia e Fonte de Vinhais em Óvoa)
    S. João de Areias (vestígios na igreja matriz e em Alqueives; daqui descia ao Mondego)
    Travessia do rio Mondego (existia uma ponte antiga, hoje submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem por 350 m pela calçada da Pedra da Sé até Tábua, passando próximo da villa? do Fundo da Vila e do sítio romano da Torre)
    Tábua (seguia talvez junto do povoado fortificado do Outeiro da Mama, na zona industrial, e continua por Catraia de Seixos Alvos e Barras)
    Candosa (?)
    Covas (villa de Ervedais, entre o cemitério e a igreja matriz; descia à Ponte de Covas sobre o rio Ribelas e seguia junto da Qta. do Ribeiro pelo estradão de terra rua Vale Meirinho, cruza a EM1306, rua da Indústria até cruzar a EN230-6)
    Bobadela (continua junto do cemitério, cruza a ribeira de Cavalos na Ponte Romana e entra na povoação pela rua Emília Pestana Coelho)

    Via AEMINIUM ad VISSAIUM

    Mapa





    Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
    O itinerário acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu com presumível origem romana apesar dos escassos vestígios; este itinerário está descrito no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): De Coimbra a Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondela, Sabugosa, Fail e Viseu. Depois da travessia do rio Cris em Santa Comba Dão, o percurso da Estrada Real para Viseu vai por Tondela, mas não é seguro ser este é o itinerário romano; há referência a esta estrada como «illud carral qui venit de Tondella» na carta do couto concedida por D. Afonso I em 1137 às vilas de Santa Comba Dão, São João de Areias, Oliveira de Currelos e Parada (LP, fl. 32-33, doc. 64).

    Coimbra (a via partia da travessia da ribeira de Coselhas na Ponte de Água de Maias junto do Monte da Forca/Conchada e seguia para norte por Ingote passando junto do habitat romano do Alto da Carvalheira, Cruz do Vale do Seixo e Santo Cristo)
    Eiras (1 légua; casais romanos em Oureça e Costa; cruza a ribeira das Eiras e segue por Casais de Eiras e Vilarinho)
    Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes e Outeiro do Botão)
    Botão (2 léguas; vicus?; cruzada a ribeira do Botão, rumava a nordeste pelo caminho que vai para Casqueira e Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, seguindo para a travessia da Serra do Bussaco)
    St. António do Cântaro, Carvalho (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lourinhal, Vale das Éguas e Alcordal)
    Galhardo, Cercosa
    Freirigo, Marmeleira (atravessa o ribeiro de Freirigo, 5 léguas, e segue a EM591 por Cotelha)
    Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores)
    Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6)
    Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira)
    Santa Comba Dão (depois do rio Criz a estrada real ruma a norte por Couto do Mosteiro, com vestígios da via na rua da Calçada e no Pinhal das Carvalheiras/Pipa, Vila de Barba, onde conflui no CM1560 e segue por Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse seguir um caminho alternativo pela lomba que divide S. Joaninho de Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «ubi est via antiqua»; PMH DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz)
    Tondela (10 léguas; a via poderia seguir entre os povoados romanos de Ns. do Castro em Lobão da Beira a nascente e o povoado de Nandufe a poente, atravessando o rio Dinha para Valverde; possível ligação ao acampamento romano de Ferrreirós do Dão que controlaria essa travessia do rio Dão, entre a confluência do Dinha e do Pavia, seguindo rumo a Carregal do Sal)
    Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da Capela de Sta. Maria Madalena)
    Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta, junto do qual há 2 inscrições rupestres em penedos, a inscrição dedicada à divindade Peintices por Lucius Manlius e na outra lê-se C PLOTIVS C. TVREIVS, noutro penedo próximo)
    Fail (12 léguas; segue por Vila Chã de Sá)
    Repeses (calçada?; dois possíveis miliários anepígrafos suportando o alpendre da Capela de Sta. Eulália, onde apareceram também 4 inscrições votivas hoje no Museu Grão Vasco, sendo uma delas dedicada à divindade Albucelainco Efficaci; seria um santuário junto da via?)
    Viseu (VISSAIUM) (a 13 léguas de Coimbra; entra na cidade pela rua dos Andrades e rua Direita até ao Largo da Sé)

    Via AEMINIUM ad Civitas Bobadela

    Mapa



    Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
    Este eixo viário ligava Coimbra a Bobadela, continuando depois pela vertente ocidental da Serra da Estrela até Celorico da Beira e daqui à capital da civitas Aravorum em Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Seia e Gouveia, onde cruzava com a via Viseu - Mérida; de Bobadela também poderia rumar a Espanha em direcção a Ciudad Rodrigo e Salamanca; esta via era designada por «via Colimbriana» na Idade Média («strada Colimbrie» nas Inquirições de 1258, PMH Inq 782) e corresponde aproximadamente ao trajecto da actual «Estrada da Beira» ou EN17 pela Ponte da Mucela que poderá ter origem romana, mas os parcos vestígios não permitem definir um traçado seguro; esta via, ou conjunto de vias, teria importantes ramificações para as explorações aluvionares do rio Alva, com prováveis travessias em Arganil, junto do acampamento romano da Lomba do Canho e em Coja, onde se encontrou um miliário, indo entroncar na Via Bobadela a Alvega/rio Tejo que percorre os altos da serra a sul do rio Alva.

    Variante pela Ponte da Mucela/Estrada da Beira (EN17)
    Coimbra (sai pela Porta de Belcouce que seria junto da ponte moderna e rumava a leste ao longo da margem direita do Mondego pela Couraça Estrela, rua da Alegria, antiga «Via Longa», rua do Brasil, Arregaça, Vila Franca e Portela do Mondego)
    Travessia do rio Mondego junto à foz do rio Ceira? (continua pela EN17 (?) ao longo da margem direita do rio Ceira até Foz de Arouce, desviando depois para nordeste por Ponte Velha de Covelos)
    S. Miguel de Poiares (provável mutatio a X milhas de Coimbra; albergue medieval; continua pela EN17 para Lavegadas)
    • A mutatio de Poiares estaria no cruzamento com uma outra via que seguia para a Barca de Penacova, onde atravessava o Mondego, continuando depois pelo carrale que é referido num documento do ano 998 (PMH DC 179) até Penacova (epitáfio de Frontoni embutida na sacristia da igreja matriz). No outro sentido, esta via poderia seguir para a travessia do rio Ceira junto a Serpins e daqui aceder à região mineira da Serra da Lousã. Serpins é referido como «uilla serpinis» num documento do ano 961 (PMH DC, nº 83) e poderá corresponder aos vestígios do Povoado romano do Cabeço da Igreja (2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga ponte medieval).
    Ponte Romana-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares almofadas da antiga ponte romana a jusante foram reutilizados na sua reconstrução; continua pelo caminho da Qta. da Carvalha até reencontrar a EN17; em alternativa a travessia do Alva em época romana poderia fazer-se em Moura Morta, onde há uma ponte sobre a ribeira de Sabouga com possível origem romana e a respectiva calçada que segue para Moura Morta; vestígios de antiga exploração aluvionar)
    S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Sobreira, Cortiça, S. Martinho, Poços, Catraia dos Poços, onde recebia a eventual via proveniente do Porto da Raiva, e Moita da Serra; em Sanguinheda existe o topónimo «rua da Calçada Romana»)
    Carapinha (segue a EN17 por Venda da Serra, sai da EN17 por Venda do Vale, reencontra a EN17 pouco antes da Cruz de Espariz, continua por Gândara de Espariz, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas)
    Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (junto do cemitério)
    Bobadela (civitas)
    • Bobadela a Celorico da Beira: continua pelo vale do rio Mondego por Celorico da Beira rumo a Marialva, seguindo a vertente ocidental da Serra da Estrela próximo de Seia e Gouveia (vide Itinerário Celorico - Bobadela).

    • Bobadela a Mérida: também poderia seguir por Catraia de Assamaça, rumo ao Castro de S. Romão em Seia, contornado depois a vertente sul da Serra da Estrela por Loriga e Unhais da Serra até Covilhã, e daqui à via para Mérida (vide Itinerário Seia - Covilhã).

    Variante por Porto da Raiva
    Segundo J. de Alarcão, poderia existir uma alternativa por via fluvial ligando Coimbra ao Porto da Raiva (tesouro no Cabeço da Morgueira; microtopónimo Vale do Carro), seguindo depois por via terrestre por S. Pedro de Alva, Cruz do Soito e Catraia dos Poços, onde conflui com a variante pela Ponte da Mucela (EN17).

    Via CONIMBRIGA ad Civitas Bobadela

    Condeixa-Velha (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
    A descoberta em 2011 do vicus da Eira Velha (freguesia de Lamas, Miranda do Corvo) durante a construção da A13 e logo destruída, indicia a existência de uma estação viária neste local, no cruzamento da via proveniente de Conímbriga seguindo por Miranda do Corvo e Foz de Arouce rumo à Bobadela com uma ainda hipotética via no sentido N-S proveniente de Coimbra rumo a Tomar por Podentes (Ramos e Simão, 2012).

    Conímbriga - Eira Velha - Miranda do Corvo - Foz de Arouce - Bobadela: segundo Mário Saa, com base num documento de 1194, a via proveniente de Conímbriga vinha pelo nó viário da Via XVI em Alcabideque e continuava por Bem da Fé, Vila Seca, Água do Forno até ao vicus de Eira Velha, continuando depois por Lamas, Cervajota, cruzava o rio Dueça no Porto Mourisco em Miranda do Corvo e seguia pelo alto da serra por Cume (calçada) para depois descer a Foz de Arouce (villa do Vale da Portela de Torres), onde cruza o rio Ceira, seguindo depois de encontro à via romana Coimbra e Bobadela em Covelos com vestígios romanos na Eira Velha e na Fonte do Ouro, junto do Km 21 da EN17, possivelmente uma estação viária tipo mutatio.

    Coimbra - Eira Velha - Podentes - Venda das Figueiras: a via partia de Coimbra rumo a sul, passando hipoteticamente por Assafarge e Cruz do Monte da Bera (balneário romano da Lomba da Moura em Almalaguês), Volta do Monte, cruzava a via anterior no vicus de Eira Velha e seguia por Chão de Lamas, Selões (habitat), Vendas de Podentes (habitat), Penela (a nascente por Calçadas; referência à «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 in PMH, CCO, p. 374), cruza o rio Dueça e segue por Pastor, Venda de Moinhos e Venda das Figueiras/Freixial, onde entronca na Via XVI proveniente de Conímbriga.

    Miranda do Corvo - Espinhal - Venda das Figueiras: para quem vinha da Foz do Arouce para Miranda do Corvo em vez de rumar a poente cruzando o rio Dueça, poderia continuar para sul por Espinhal, Torre do Chão do Pereiro, Alto das Pontes onde conflui na EM1195 e continua por Solão, Carvalhais, Estrada de Viavai, Venda de Moinhos e Venda das Figueiras/Freixial, onde entronca na Via XVI proveniente de Conímbriga.

    Via mineira de Góis/ «Estrada do Sal»: provável via romana associada à actividade mineira em Povorais (encosta da Serra do Penedo), Vale Pião, Escádia Grande (Roda Cimeira) e em Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas, onde apareceram duas aras dedicadas à divindade indígena Ilurbeda; o ponto de partida e de chegada deste itinerário são desconhecidos, mas o seu percurso é ainda visível na direcção O-E pelas cumeadas da Serra de Entre-Capelos, Serra das Malhadas e Serra do Açor, serpenteando a EN343 e EN112, seguindo por Alto da Pedra do Lumiar, Cabeçadas, Sra. do Desterro, Alto de Entre-Capelos, com vestígios de calçada no Pepio e mais adiante no Alto das Malhadas), Catraia do Rolão, Alto de Decabelos, ...

    Via Bobadela ad ARITIO VETUS











    Bobadela (civitas) a Alvega (ARITIO VETUS) por Pedrogão Grande
    Grande itinerário N-S ligando Bobadela ao rio Tejo; esta via cruzava o rio Alva em Coja e seguia por Arganil e alturas da Serra da Lousã rumo à travessia do rio Zêzere próximo de Pedrogão Grande, continuando por Sertã, Ponte dos Três Concelhos e Amêndoa rumo ao rio Tejo. A parte inicial do itinerário é referida por Mário Saa como antiga «Estrada de Santarém», fazendo-a passar por Arganil, Góis e «cimos da serra da Lousã» rumo a Figueiró dos Vinhos; no entanto o antigo itinerário parece desviar-se deste cruzando o rio Ceira na Várzea de Góis/Vila Nova do Ceira, tomando depois os mesmos «cimos» mas na direcção de Pedrogão, percurso a que Saa também se refere mas agora como «Estrada Mourisca» como proveniente de Conímbriga por Miranda do Corvo. Após cruzar o Zêzere a proposta de Saa por Amêndoa, Chão de Codes e Alvega corresponde ao itinerário para Aritium Vetus. Este trajecto é menos acidentado aproveitando sempre que possível os visos da serra para minorar as variações de cota e ultrapassar uma geografia pouco favorável à viação, servindo amiúde como linha divisória entre concelhos.

    Bobadela (segue talvez por Covas, Pinheiro da Coja e Qta. da Telhadela até Coja, onde cruzava o rio rio Alva)
    Coja (miliário a Teodósio na Capela da Sra. da Ribeira; miliário tardio associado ao nó viário relacionado com a travessia do rio Alva (Encarnação e Lopes, 2014); um tesouro em Paço e a villa de Vale do Carro indiciam a passagem da via nas proximidades, subindo depois por alturas de Salgueiral até ao Alto do Marco, continuando pelo viso da serra sobranceiro a Folques por Mancelavisa, Alto de Travanca e Portelinha)
    Arganil (castellum da Lomba do Canho, acampamento militar romano junto do rio Alva; espólio em polémica; de Arganil sobe pelo Casal de S. José ao Alto de S. Domingos, continuando pelo viso da serra sobranceira a Celavisa, Sequeiros e Bodeiros pelo Alto de Samoa, continuando já no concelho de Góis pelo Alto de Egas na Serra de Alcaria; mina de ouro na «Eira dos Mouros»)
    Vila Nova do Ceira (cruza o rio Ceira e a ribeira de Sótão e segue pela calçada na Serra de Sacões?)
    Portela da Albergaria (ascende pela Lomba do Mouro ao Alto da Serra da Lousã até ao Alto de Trevim («Altar de Trevim», possível triffinium, separando os territórios das civitates de Conínbriga, Coimbra e Bobadela; Alarcão, 1988b), continua sempre por alturas de Castanheira de Pera e Coentral, por Gestosa, Cabeço da Ervideira, Cabeço do Peão, Derreada Cimeira, Venda da Gaita, onde entronca na EN2, Fontinha, Tojeira e Capela do Sr. dos Aflitos, descendo depois por Vale do Barco à travessia do rio Zêzere junto a Pedrógão Grande)
    Pedrogão Grande (vicus viário com possível mansio relacionado com a travessia do Zêzere, ocupando a área do Jardim da Devesa e do qual restam visíveis vestígios junto da Capela do Calvário; forno no Cabeço da Cotovia)
    Travessia do rio Zêzere (por barca a montante da Ponte Filipina e da Ponte "Romana" do Cabril; ara a Nábia numa casa em Roqueiro, hoje no MNA)

      Ligação de Pedrogão Grande à Via Tomar - Covilhã
      Desta travessia do rio Zêzere partia uma via rumo a nordeste convergindo nas proximidades de Oleiros com a chamada «Via da Covilhã» proveniente de Tomar, seguindo por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) e Bravo para depois atravessar a Serra de Alvéolos, trajecto pontuado por troços de calçada no Alto do Bravo e no Alto da Cava (nó viário de onde partia um acesso a Vale do Souto, passando junto à mina da Cova da Moura), continuando sempre em altitude pela cumeada da serra com vestígios de calçada no Alto de Vale de Mós, Alto do Cavalo, Selada do Cavalo, Alto da Povoinha, Alto da Mata de Álvaro, alturas de Sendinho de St. Amaro até Cruz de Casal Novo, onde cruza a EN350 e toma o caminho de terra que segue por Serra Rasa até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar, seguindo rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas (vide continuação no Itinerário Tomar-Covilhã ).
      • Variante com travessia do Zêzere em Álvaro: uma variante desta estrada seria também já utilizada em época romana, derivava na Cruz de Casal Novo e descia pela Lomba do Carril a Álvaro, onde cruzava o rio Zêzere em Álvaro e ascendia depois pela Lomba do Barco ao Cabeço da Linteira sobranceiro a Vale Serrão, continuando por alturas da Pampilhosa da Serra por Urra, Signo Samo, Sancha Moura, Gavião de Cima e Selada Cova, onde reúne com a variante com travessia em Cambas.

    Pedrógão Pequeno (da barca do Zêzere sobe a Casal dos Bufos e passa a nascente do Castro da Ns. da Confiança, seguindo depois pela chamada «Estrada da Cova», existindo um troço em calçada que cruza a ribeira dos Porteleiros junto do cemitério; na extinta Capela da Ns. das Águas Férreas apareceram silhares romanos possivelmente relacionados com um pequeno templo romano junto da via (?); daqui seguia para a Sertã talvez pelo Alto da Cruz do Peneireiro, Casal Novo, Alto de Viseu e Serra de S. Domingos até entroncar na EM1101, continuando pela Cavada Velha rumo à travessia a ribeira de Amioso em Valado)
    Sertã (vicus Sartago?; possível mutatio em Mata Velha, onde apareceram 10 tambores de coluna e um capitel; cruza a ribeira da Sertã na Ponte Romana?-Filipina da Carvalha e segue pelo «Vale da Carreira» por Portelinha, Venda da Pedra, Junceda e Albergaria)
    Cumeada (cruza a EN2 e desce à Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha, sobe até Catraia, cruza a EN244)
    Marmeleiro (na povoação, toma o «Caminho da Ponte» pela Serra da Longra e desce ao rio Isna que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Três Concelhos, subindo a Portela de Colos pelo caminho que divide os concelhos de Vila de Rei e Proença-a-Nova e onde Mário Saa ainda observou troços de calçada)
    Portela de Colos (continua por Algar e Várzeas, cruza a ribeira de Bostelim/EN244 próximo do Casal do Poço Caldeiro e segue por Tinfaneiros e Ladeira até ao nó viário próximo da Capela de Santa Maria Madalena)
    Amêndoa (possível mansio junto da Fonte do Córrego/dos Mouros em Coutada, na base do Castro romanizado de S. Miguel, nó viário onde conflui nas vias provenientes de Conímbriga e Tomar rumo a Aritio Vetus, Ammaia e Igaedis)

      Portela de Colos à Barca da Amieira (V1 in Batata, 2006)
      Esta via com provável origem romana derivava da anterior em Portela de Colos, seguindo para sudeste por Casas da Ribeira (inscrição), cruza a ribeira de Bostelim e segue por Corujeira até Cardigos, passando junto do casal da Fonte de Chão de Pião (epitáfio de Allonio), continuando talvez por Lameirancha e pela base do Castelo Santo, junto das estações romanas de Sarnadas, A Moradeira, Freixoeiro e Capela (pela cumeada da serra; inscrição achada em Feiteira, o epitáfio do cluniense Caius Sempronius Aebarus, e duas inscrições votivas achadas em Galega, na villa? da Sra. da Moita, uma delas a Júpiter), Venda Nova e Envendos, descendo à Barca da Amieira para cruzar o rio Tejo e daqui a Ammaia.

    Via CONIMBRIGA ad IGAEDIS et AMMAIA

    Conimbriga ad Ammaia




    Conimbriga ad Aritio Vetus




    Tubucci ad Igaedis




    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIO VETUS) / Aramenha (AMMAIA) / Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    Vias secundárias que ligavam Conímbriga ao interior da Lusitânia, seguindo rumo a Igaedis por Castelo Branco, rumo Ammaia atravessando o rio Tejo na Barca da Amieira ou no Castelo de Belver, e finalmente ligando a Aritio Vetus, atravessando o rio Tejo na Ponte Romana "acima d'Abrantes" referida por Francisco d'Holanda, entroncando assim na Via XV Lisboa-Mérida; na sua parte inicial, estas vias seriam comuns ao Itinerário XVI Braga-Lisboa, com derivações para sudeste rumo aos pontos de travessia do rio Zêzere; o primeiro desses pontos seria em Alcamim, dado que nas proximidades apareceu o miliário de Martinelo (Mantas, 1990), seguindo depois por Vila de Rei e Mação rumo a Aritio Vetus; finalmente, parece existir uma terceira travessia em Bairrada/Porto Caíns junto à Foz do Codes, dirigindo-se depois pelo Casal da Sra. da Graça em Valhascos (possíveis fustes de miliários) rumo ao vicus de Mouriscas (base de miliário) para cruzar o Tejo junto a Alvega; outros vestígios como uma possível base de miliário em Vale do Grou, indiciam uma rede complexa de caminhos na época romana, com origem certamente bem anterior, numa área compreendida entre os rios Zêzere, Tejo e Ocreza, região alvo de um profundo estudo de Carlos Batata, articulando o tráfego proveniente de Conímbriga e Tomar à Beira Interior, seguindo na direcção do nó viário de Castelo Branco (vide Batata, 2006; Mantas, 1989 e 1990; Romão, 2012).

    Conimbriga - Ammaia por Martinelo/ Ferreira do Zêzere (V4 in Batata, 2006)
    Com base num fragmento de um miliário anepígrafo em calcário encontrado em 1876 no lugar de Martinelo (na época objecto de culto a S. Silvestre e hoje no Museu Arqueológico de Santarém), deveria existir aí uma travessia do rio Zêzere para Alcamim, junto da Foz do Isna, evitando assim a travessia desta ribeira; esta via seria também uma derivação da Via XVI Braga-Lisboa no nó viário do Rego da Murta, seguindo depois pela cumeada ao longo da ribeira de S. Domingos até Casal do Zote, contorna o Alto de Vale Ferreiro e entronca na EN520, continuando por esta por Carril, Alto da Ferraria e Ereira, onde inflecte para leste pela EN520-3 e EN238 para Besteiras e Vales, descendo por estradão de terra paralelo ao CM1064 (?).
    Travessia do rio Zêzere entre Martinelo e Alcamim (miliário; do rio sobe a Vila de Rei por Vale Velido/Minas de Estevais; a jusante, na Capela de S. Pedro do Castro, apareceram 5 inscrições funerárias, duas estão na fachada e outra no altar interior)
    Vila de Rei (em Paredes reúne com outra via proveniente de Tomar partilhando o percurso até Palhota, nó viário e possível mutatio onde voltava a derivar a via Tomar - Idanha-a-Velha, seguindo a meia-encosta da Serra da Seada pela EN348, descendo depois ao vale na base do Castro de S. Miguel)
    Amêndoa (nó viário junto da Fonte de Mouros em Coutada, possível mansio na base do Castro romanizado de S. Miguel, aqui cruzando com uma via O-E que seguia para Cardigos passando na calçada de Cabeceiros em Pracana da Ribeira)
    • Ligação de Amêndoa ao rio Tejo/ Barca da Amieira (V1b in Batata, 2006): via referida na Doação da Guidimtesta de 1194, seguindo por Fonte de Amêndoa, Chão de Lopes Pequeno, Castelo (calçada em Alicerces), próximo do Castelo Velho do Caratão, Ribeira de Aziral, Vale do Grou (vicus na zona da Catraia; cruza a V5; calçada e uma base de um possível miliário, hoje no Museu de Mação; casal junto da Capela de Ns. do Pranto; villa em Vilar da Lapa), Vilar de Mó (duas inscrições votivas na Igreja de S. João Evangelista, uma dedicada aos Bannei Picio, RAP 35, e outra colocada por Caeno Matsi, ambas no Museu de Mação), seguindo para Envendos, descendo depois por S. José da Matas (pelo Alto da Mata e Oliveirinha) até à Barca da Amieira, onde cruza o rio Tejo, continuando por Amieira, Arez (mina da Laje da Prata; sítios romanos no Tapadão de S. Gens e na Tapada Nova), Alpalhão (pelo cemitério de S. Sebastião), Castelo de Vide e finalmente Ammaia.
    • Ligação de Amêndoa ao rio Tejo/ Belver por Mação: seguindo por Chão de Codes, Mação (cruza a V5) e no provável vicus viário de S. Marcos do Rosmaninhal, atendendo ao achado neste local de moedas e um possível miliário, cruzava a ribeira das Eiras e segue pela aldeia romana da Qta. do Ribeiro da Nata, perto da qual apareceram 5 inscrições e uma possível base de miliário), seguindo até Belver, onde cruzava o rio Tejo e seguia quer para Ammaia por Gavião, onde entroncava no Itinerário XV para Mérida.
    • Ligação de Amêndoa ao rio Tejo/ Alvega por Ortiga: esta via derivava da anterior em Mação rumo a Ortiga e do sítio romano de Vale do Junco, próximo do qual cruzava o rio Tejo para Aritio Vetus na outra margem.
    • Ligação da Barca da Amieira a Valencia de Alcántara por Nisa: poderia existir uma derivação em Amieira pela Ponte Romana?-Medieval de Vila Flor sobre a ribeira de Figueiró (habitat em Cabeças), passando próximo de Albarrol, onde há achados significativos (habitat na aldeia, uma estela com o epitáfio de Tongeta na Horta do Vale, hoje no Museu da Misericórdia de Nisa, e uma ara na Tapada da Fonte do Negro, hoje em posse de um particular em Arez), seguindo depois por Nisa e Monte da Francisquinha rumo a Póvoa e Meadas (próximo da EN525-1 que passa nos altos da Bruceira e do Poio e atravessa a ribeira de Nisa para o Monte das Chãs), seguindo depois o caminho que divide os concelho de Nisa e Castelo de Vide, passando na Tapada do Pai Anes (ara votiva hoje no MNA), e a sul da villa dos Mosteiros em Mata da Póvoa), marginando depois a villa? e represa da Tapada Grande (epitáfio de Boutia e ara votiva no Cabeço do Seixo), Garriancho, villa da Torre do Azinhal, Pereiro e o vicus? do Monte Velho, seguindo depois para a travessia do rio Sever próximo do açude romano da importante villa da Herdade dos Pombais cujo espólio está no Museu Municipal do Marvão (na região apareceu uma estela funerária do Ammaiense Lovesio em Vale do Cano e uma inscrição a Toga Alma junto da Fonte dos Mortos em Barretos, ambas no Museu de Ammaia), devendo daqui seguir para Valencia de Alcántara (aqueduto e ponte romana), rumo a Cáceres onde se localizava Norba Caesarina (Monteiro, 2011).

    Conimbriga - Aritio Vetus por Ferreira do Zêzere/Bairrada (V3 in Batata, 2006)
    Este itinerário seria comum ao Itinerário XVI até à Capela de S. Pedro em Rego da Murta, inflectindo aqui para sudeste por S. Jordão, Vale da Carreira, Porto Romã (calçada sob a rua da Batalha dos Romanos?), Camarinha, Vale, continua a poente de Ferreira do Zêzere, continuando pelos limites do concelho (EM630 e CM1108) rumo à travessia do rio Zêzere entre Bairrada e Porto Caíns, junto da Foz do Rio de Codes, onde convergia também uma via proveniente de Tomar neste local estratégico que actualmente divide 4 concelhos, Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila de Rei e Abrantes; daqui seguia pela cumeeira da serra até S. Domingos em Santiago de Montalegre, onde inflectia para sul na direcção do nó viário de Mouriscas (vicus), seguindo inicialmente a EN2 e depois pela cumeada da serra até Andreus e daqui ao Sardoal (passa na rua do Paço e na Ponte de S. Francisco, onde há calçada), continuava por Valhascos (passando na base do importante povoado romanizado da Cabeça das Mós, situado no limite administrativo entre os concelhos do Sardoal, Abrantes e Mação), continuava pelo Casal da Sra. da Graça (calçada com 400 m; tesouro; vários fustes de possíveis miliários), cruzava a ribeira de Arcês e seguia pela Fonte da Pedra até Portela das Eiras (topónimos Carril e Carreira), contornando o vicus da Fonte do Sapo em Mouriscas (base de miliário; ara a Alua na igreja matriz), continua sob a EN3, desviando depois por Aldeias (necrópole; epitáfio de Talticus e o epitáfio de Decumus), Balsa, Surdo e Qta. de Vale Covo (casal), onde fazia a travessia do Tejo na Barca de Bandos, continuando na outra margem junto da Sra. da Guia e da villa da Qta. Nova, a poente de Alvega, até entroncar no Itinerário XV que segue para Aritio Vetus, situada na área do Casal da Várzea e da Qta. de S. João.

    Via SEILIUM ad IGAEDIS



    Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    Itinerário de Seilium rumo à Cova da Beira cruzando o rio Zêzere junto da foz do rio Codes e seguindo por Vila de Rei rumo à Cova da Beira de encontro à via Braga-Mérida, ligando talvez a Igaedis (V2 in Batata, 2006). Partindo de Tomar, seguia talvez próximo da Qta. de Santa Cruz em Avessadas rumo a Casal do Alecrim, cruzando depois a ribeira de Algaz na Ponte de Casal do Mato e a ribeira da Lousã na Ponte de Chocapalhas, ambas de cronologia incerta e sem vestígios romanos associados, subindo depois à cumeada da serra por Paixinha até Fonte Dom João, continuando pela EM531-1 por Poço Redondo (minas de ouro), Carqueijal, Vendas dos Rijos, Ventoso e Vialonga, onde inflectia para nascente pelo CM1108 rumo à travessia do rio Zêzere junto da Foz de Codes em Bairrada, subindo na outra margem pela cumeada do monte em direcção a Vila Rei (nó viário; mutatio?), continuando depois por Vale do Grou, Penedo, Palhota (EM1301; mutatio?), Portela do Curral, Eira Velha, Várzeas (cruza a V1b), Azinhal (paralela e a norte da EM) e Cardigos (cruza a V1); a partir daqui segue o caminho da cumeada da serra pelo Alto da Roda rumo a Proença-a-Nova (contorna a povoação pela rua de Vale Frade e segue pela rua da Cavaleira para o Alto de Casais até entroncar na EN241), continua por Moitas, Espinho Pequeno, Pedra do Altar e Vale da Mua, onde cruza o rio Ocreza, continuando por Ladeira, Pedrogão, Portela da Milhariça, Alvaiade, Tojeirinha, Vale do Homem, Rodeios, passa a norte de Sarnadas por Amarelos e continua pelo Alto de Benquerenças rumo a Castelo Branco e daqui a Idanha-a-Velha (vide Itinerário Aritium Vetus - Salmantica) (Batata, 2006; Romão, 2012).
    • Ligação Vila de Rei - Sardoal: Carlos Batata identificou marcas de rodados próximo da travessia do rio Codes na Foz da Amieira, integrando este troço na via proveniente de Tomar por Porto Caíns rumo a Vila de Rei por Codes e Milreu (Batata, 2006); no entanto é mais provável que após a travessia do Zêzere seguisse um outro caminho directo a Vila de Rei por Arrancoeira, Malhadas e Vilar/Alto de S. Martinho, evitando assim a travessia do rio Codes (2017).

    Tramagal (Tubucci?) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) por Mouriscas e Castelo Branco (V5 in Batata, 2006)
    Esta estrada referida em 1194 na Doação da Guinditesta, parte do Tramagal rumo a nordeste, ligando esta travessia do Tejo a Castelo Branco, passando por Mouriscas, Mação, Vale do Grou, Ponte de Pracana e S. Pedro de Esteval.
    Tramagal (na outra margem, santuário da Barca de Rio de Moinhos; possível ligação poente por Pedreira e Amoreira em direcção a Constância)
    Abrantes (seguiria por Cana Verde; villa de Lopo/Cousa Bela; ver acervo do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes )
    Ponte-Represa de Alferrarede (represa com 55 m sobre a ribeira homónima situada na Qta. do Bom Sucesso em Olho de Boi, assente em estruturas romanas, também conhecida por «Ponte dos Mouros»)
    Alferrarede (pela Qta. das Necessidades e Vale de Besteiros?)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Arcês (a montante da ponte nova, em ruína)
    Mouriscas (vicus; 3 inscrições na igreja matriz)
    Ponte Romana? de Rio Frio sobre a ribeira do Coadouro em Penhascoso (foi betonada; calçada de S. Marcos)
    Mação (inscrição Aquis Sacris; continua para leste por Vale do Grou, onde cruza a V1b, em direcção à Ponte de Pracana, onde conflui com o Itinerário Alvega - Salamanca)

    Via SEILIUM ad CENTUM CELLAE







    Tomar (SEILIUM) - Belmonte (CENTUM CELLAE)
    Itinerário de Seilium a Centum Cellae de encontro à via Braga-Mérida, cruzando o rio Zêzere; outras vias seguiam para sudeste em direcção às travessias do rio Tejo, passando por Sardoal, Valhascos e Mouriscas rumo a Aritio Vetus, Ammaia e às vias que corriam para Mérida pelo Alto Alentejo.

    Tomar (Seilium) - Belmonte (Centum Cellae) por Vila de Rei / «Via da Covilhã» (V1a in Batata, 2006)
    Caminho referido em documentos medievais do século XII como Via Covillianae ou «Via da Covilhã» (Doação da Azafa aos Templários em 1199) que ligava Seilium à vertente sudeste da Serra da Estrela, mais tarde conhecida por «Estrada da Lã» porque permitia o escoamento deste produto para o litoral; esta estrada que já seria usada em época romana, dava acesso a uma região fortemente romanizada como é a Cova da Beira passando por Vila de Rei e Ponte dos Três Concelhos, convergindo nas imediações de Oleiros (no Alto do Rilhão) com a via proveniente da travessia do Zêzere em Pedrogão Grande, seguindo por Covilhã rumo a Centum Cellae em Belmonte, onde entronca na Via Braga-Mérida. (Ver Silva 1988; Ponte, 1995; Batata, 2006)

    Este itinerário deriva do Itinerário Tomar-Idanha em Várzeas, inflectindo aqui para norte em direcção à Ponte dos Três Concelhos, daqui subia ao Marmeleiro em direcção ao cume da Serra da Longra (sulcos de rodados ao longo de 4 km passando ao lado de uma possível mutatio em ruínas, talvez os «paradineiros veteres» referidos na Doação da Azafa; Batata, 2006), continuava por Pereiro, Vale da Junça, Alto da Ferrugenta, subindo à Serra do Cabeço Raínho pela vertente sul por Alto do Fundeiro e Perna do Galego (estela funerária de Álio e Mocosa e mais a leste uma inscrição rupestre Mitamus na Fechadura), percorre a cumeada da serra pelo estradão entretanto alcatroado (sulcos de rodados) e depois pela vertente poente pelo Alto de Besteiras (sulcos de rodados), junto do povoado mineiro de Fernão Porco, continua pela vertente oeste do Alto da Lontreira, onde inicia a descida para Oleiros por um troço de calçada ainda visível ao longo de 2 km, desceno pela encosta a poente de Braçal até Vale de Peixe, onde cruza a ribeira da Sertã para Oleiros, continuando depois talvez por Orelhão (EN527) até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão (onde entronca na via proveniente de Pedrógão Grande), continuando pela EN527 por 1 km até Vale de Cima, onde toma o estradão pela cumeada de Sendinho da Senhora (tesouro), Catraia da Amieira, Alto da Medrosa, Alto de Rabaças e Alto da Portela de Pizoria, cruza a EM1190 e desce por Cabeço Alto e Lomba dos Carvalhais até Cambas, onde cruza o rio Zêzere. A partir de Cambas a via subia a Serra de Campelos pela EN112 até Selada Cova (onde convergia também a variante por Álvaro), seguindo depois a rota da EN344 pela cumeada da serra, por Portela do Armadouro, Casal da Lapa, Portela de Unhais-o-Velho, continuando depois pela EM1374 pelo Alto da Figueirinha, Alto do Chiqueiro, Minas da Panasqueira, Ourondo (calçada em Lagoa desce à ribeira de Paúl), subindo depois pela Sra. do Carmo, Vale de Ladrão, Portela de Paúl, Alto de Valongo, Alto de Penesinhos, Portela dos Pedrões, Tortosendo, Calçadinha e Covilhã.

    Variante Tomar (Seilium) - Oleiros por Dornes e Sertã
    Partindo de Tomar seguia por Ferreira do Zêzere para a travessia do rio Zêzere junto do Castro de Dornes (estela funerária), segundo depois pela base do Castro de Santa Maria Madalena rumo a Cernache do Bonjardim e à Sertã, onde cruzava com a via N-S proveniente de Pedrogão Grande rumo ao Tejo, continuando pela Serra de Alvelos, em direcção ao Mosteiro e Oleiros (V8 in Batata, 2006).

    Tomar (Seilium) - Tramagal (Tubucci?) pela «Estrada da Serra»
    Também poderia ter origem romana a chamada «Estrada da Serra» ou «Estrada do Carril» que ia atravessar o rio Zêzere em Vila Nova (?), continuando depois por Carvalhal até ao Tejo em Tramagal. Partindo de Tomar a via seguia próximo da Qta. de Santa Cruz em Avessadas, seguindo a rota da EM531 e EM533 para Carril (cruza a ribeira da Lousã na Ponte do Carril e segue para Corredoura, passando a norte do castro romanizado da Aguda), Serra (villa? em Silveira; calçada para a Ponte da Abadia), continuando por Figueira Redonda, Eira do Chão e Vila Nova (casal), onde cruzava o rio Zêzere; na outra margem, a via seguia rumo ao Tejo talvez por Bioucas, Souto, Carvalhal, Sentieiras pela rota da EN2, saindo desta pouco antes de Abrantes para o Monte da Sra. da Luz para cruzar o Tejo rumo ao Tramagal, de encontro à mansio Tubucci no Itinerário XV para Mérida (Batata, 2006).

    Via ARITIO VETUS ad SALMANTICA

    Mapa

























    Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
    Itinerário de Aritio Vetus (Casal da Várzea, Alvega) a Salamanca, cruzando o Tejo numa hipotética Ponte Romana apenas referida por Francisco d'Holanda como "acima d'Abrantes", seguindo para nordeste para ir cruzar a ribeira de Pracana na antiga ponte medieval de Envendos e continuava por Castelo Branco e Sabugal rumo a Salamanca. Em Castelo Branco bifurcaria em duas alternativas até ao Sabugal, uma seguia próximo de Idanha-a-Velha e outra por Capinha, cruzando a via Braga-Mérida nesses pontos, reunindo pouco antes do Sabugal num zona do percurso assinalado pelos vários miliários encontrados em Vale do Lobo, Serra da Opa (ver Batata, 2006; Henriques, 1978)

    Casal da Várzea, Alvega (ARITIO VETUS)
    Ponte Romana sobre o rio Tejo (apenas mencionada por Francisco de d'Holanda)
    Ortiga (do rio segue próximo da villa do Vale do Junco)
    Ponte Romana? da Ladeira d'El-Rei sobre a ribeira de Mação (2 arcos; na entrada sudoeste da povoação)
    Mação
    Ponte Romana? da ribeira de Eiras, Palhafome, Mação (junto à EN 3, em 1990 foi colocado um tabuleiro em betão!)
    Ponte Romana? sobre a ribeira do Carvoeiro, Vale da Mua (2 arcos)
    Vale da Mua (mutatio?; continua por Venda Nova)
    Ladeira de Envendos
    Ponte Romana-Medieval da Ladeira de Envendos sobre a ribeira de Pracana (70 m, 6 arcos, dos quais 3 serão romanos; segue a EN351)
    S. Pedro do Esteval
    Travessia do rio Ocreza (local incerto; talvez junto do Povoado da Cerca do Castelo)
    Marmelal (segue pela chamada «Estrada de Abrantes», existindo vestígios de sulcos na Charneca das Vinhas e no sítio romano do Lameiro de Tomar, 400 m a norte da aldeia)
    Perdigão (forno na Fonte Velha; entronca na via Tomar - Idanha-a-Velha e cruza a Serra das Talhadas pela Portela de Milhariça, continuando para Castelo Branco)
    • Ligação a Vila Velha de Ródão, seguindo para sudeste rumo à villa do Monte da Revelada, possível mutatio junto da travessia do rio Açafal na Ponte do Cobre (provável origem romana), local onde bifurcava, seguindo um ramo para norte por Quelhinhas e Atalaia até Sarnadas do Ródão, onde reencontra o itinerário para Castelo Branco, e o outro ramo seguia para a travessia do rio Tejo em Perais, passando próximo dos vestígios de ocupação da Qta. do Açafal, Fonte dos Piolhos/Migarou, Monte da Ordem e Salgueiral, ribeira de Lucriz, seguindo para a travessia do rio Tejo na Barca da Telhada em Perais onde conflui com o Itinerário Igaedis - Ebora/Ammaia.

    Castelo Branco
    O triângulo formado pela Capela de Ns. de Mércoles, Capela de Santa Ana e Monte de S. Martinho é uma zona muito romanizada com imensos vestígios achados nesta área, algumas funerárias como o epitáfio de Boutius da gens Ilaesurie em particular muitas epígrafes votivas, ara aos Bandi Vorteaecio, ara a Iunoni Linteica e a ara votiva a Aratibro ou Marati Boro proveniente da Qta. da Polida que hoje integram a excelente colecção do Museu Tavares Proença Júnior (MTPJ) em Castelo Branco; juntamente com o povoado pré-histórico situado no Castro de S. Martinho, toda zona revela uma população indígena muito romanizada o que levou alguns autores a colocar aqui os Tapori, povo referido na famosa inscrição da Ponte de Alcântara (Alarcão, 2001, 2005c; Guerra, 2007a).

    Castelo Branco a Idanha-a-Velha
    • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDIS) por Oledo: partindo de Castelo Branco seguia Bonfim, Fontainhas, cruza o aeródromo no Alto da Cancela Cimeira e continua por Monte Brito, Vinha do Marco, Escalos de Baixo (calçada na saída norte), Escalos de Cima (seguia a nascente pelo alto de Vale de Lobo; vestígios em Vale da Alagoa, incluindo uma ara a Júpiter Conservador por Iulia Rufina, hoje no MTPJ; árula votiva a Di (is) Cai(riensibus) numa casa particular; epitáfio de Licinio na igreja paroquial), Lousa (seguia junto dos vestígios em Vale de Zinho e Qta. das Mandanhas; epitáfio de Lancius proveniente do Chafariz Mãe d'Água; epitáfio de Turacia proveniente da propriedade do "Vascão", ambos no MTPJ), cruza a ribeira de Alpreade (talvez no sítio do «Porto Cavalo» (?), a jusante da ponte actual na EN233), Oledo (villa? em Sebes; habitat em Fontanhão; segue talvez pelo caminho que passa junto de Vale do Covado, próximo da importante villa dos Barros ou Cabeço dos Mouros, continuando pela Qta. dos Cebolais e Barreiros, possível vicus), Proença-a-Velha (passa no Chafariz Longe/EN239, onde está enterrado um cipo, possível miliário; ara dedicada a Reve Langanitaeco), continuando talvez pela calçada de Muros que cruza o rio Torto e segue rumo a Medelim (?), onde entronca na via militar rumo a Idanha-a-Velha (IGAEDIS).
    • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDIS) por Ladoeiro: poderia existir uma rota mais curta para Idanha-a-Velha passando próximo dos sítios romanos da Fonte da Bica, Granja dos Belgaios e Sra. do Almortão. Partindo de Castro de S. Martinho pela calçada que ainda subsiste, a via seguia para nordeste rumo à villa da Qta. da Sra. de Mércoles, onde há referências a um possível miliário, continuando em calçada para a Ponte sobre a ribeira homónima (fundação romana?), junto da qual subsiste uma barragem romana; daqui seguia talvez pelo alto da Garalheira rumo ao vicus e possível mutatio da Fonte da Bica, continuando pelo alto das Ferrarias (lagar e mina) para a travessia do rio Pônsul na Ponte Romana da Munheca/Monheca (EN240; da antiga ponte sobram umas pedras almofadas na base de um dos pilares da ponte actual), passando assim a montante do importante sítio romano da Granja dos Belgaios, na confluência da ribeira do Povo com o Pônsul, onde se acharam 2 aras que estão no Museu de Castelo Branco e uma terceira que apareceu na povoação e que está hoje no Museu de Idanha-a-Nova; duas delas são dedicadas a Oipaengia (Alarcão, 2001b; Sá, 2007; Encarnação, 2011); continuava próximo dos vestígios do Monte Velho e Monte da Antinha passando assim a noroeste de Ladoeiro (minas; villa? no Monte Rochão), tocaria Idanha-a-Nova pelo sul (topónimo «Calçadinha»), tomando a estrada que passa na Ermida da Ns. do Almortão (sítio romano com provável origem no culto à divindade indígena Igaedus a partir de uma ara aqui encontrada; Encarnação, 1975); do santuário continua pelo estradão de terra que passa no Alto das Ciadas e que se dirige para a Ermida da Ns. do Loreto em Alcafozes, rumando daqui Idanha-a-Velha (IGAEDIS).

    Possíveis diverticula saindo de Castelo Branco
    • Castelo Branco a Ponte de Alcântara por Segura: possível ligação mais curta de Castelo Branco à via Braga-Mérida rumoa à Ponte de Segura, evitando assim a passagem por Igaedis; desviando do itinerário anterior em Ladoeiro, seguia talvez junto da Fonte de Pias e do Monte do Gonçalão, rumo à travessia do Rio Aravil (no Monte da Marcelina?), continuando depois a sul de Zebreira (ara à Deusa Victoria, por Aprodisia, hoje no MTPJ e ara aos Lares Cairienses na Qta. da Nave Aldeã), talvez pelo Monte do Calqueira e alto de Zebros, Monte de S. Domingos, Monte da Loba do Chorão, Vale da Loja e Granja, existindo importantes vestígios romanos ao longo do caminho que percorre a margem da ribeira da Enchacana até à confluência com o ribeiro do Freixinho (povoado e estela funerária), continuando depois até Segura pelo Chafariz da Calçada.
    • Ligação a Malpica do Tejo e Monforte: outra via seguia sudeste pela base do Castro de S. Martinho e pela Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Pônsul (EN18-8), atravessa a ribeira de Malha-Pão em Farropa e segue rumo aos povoados mineiros de Malha Pão, Senhora das Neves e Monte de S. Domingos. Um outro caminho inflectia para leste após a travessia do Pônsul e seguia para o povoado do Monte Castelo em Monforte da Beira e respectivas minas do Pó e da Tinta; o minério seria transportado até ao Tejo pela calçada da Moura.
    • Ligação aos Vicani Nertaicenses: também é possível um diverticulum rumo ao sítio romano da Fonte de S. Tiago, 2,5 km a leste da aldeia do Rosmaninhal, de onde são provenientes 3 aras, 2 estão desaparecidas e a terceira é dedicada a Júpiter (?) pelos Vicani Nertaicenses (?) cujo vicus poderia ocupar a área da povoação do Rosmaninhal (ara à divindade Arantius Tanginiciaecus na Tapada da Ordem; estela colocada por Philete, à filha Superata na Granja de São Pedro).
    • Ligação Castelo Branco a Coimbra/Bobadela: é possível que de Castelo Branco partisse uma via para noroeste rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas com base nos sulcos de rodados em torno de Estreito (V6 in Batata, 2006); num traçado hipotético, de Castelo Branco a via seguia por Taberna Seca (EN233), onde atravessava o rio Ocreza na Ponte do Pego Negro (hoje arruinada), continuando por Vilares de Cima e Espadanal até Sarzedas (inscrição; rua da «Estrada Romana» entre a Capela de S. Sebastião e Várzea do Lopes), inflectindo em direcção a Estreito (com vestígios da calçada em S. Torcato e na igreja paroquial; passa na base do Castro do Picoito), continuando em direcção à travessia do Rio Zêzere em Cambas pelo Alto da Portela, onde cruza cruza a via proveniente de Tomar rumo a Idanha-a-Velha.
      • Ligação às Minas da Lisga: vestígios de sulcos de rodados no alto da serra em Lisga e Corgas, indiciam a existência de um diverticulum perpendicular à anterior que de Estreito seguia pelo Alto da Safra e Serra do Caniçal, continuando pela linha de festo que que faz extrema entre concelhos e passa junto do complexo mineiro da Lisga (V7 in Batata, 2006), podendo continuar pelo Alto do Fatelo (Corgas), com vestígios de calçada em Vale de Amodéis e Cabeço das Corgas, rumo a Proença-a-Nova (?).

    Castelo Branco - Sabugal - Salamanca por Quintas da Torre (Curado,1987; Osório, 2006)
    A partir de Castelo Branco, a via continua para norte por Alcains, Lardosa, Póvoa da Atalaia, Catrão e Póvoa da Palhaça até à mutatio de Quintas da Torre, podendo derivar um ramo por Alpedrinha para cruzar a Serra da Gardunha rumo a Fundão e Covilhã.

    Castelo Branco (segue talvez por Lirião, Atacanha e Pedra da Légua, junto do Alto do Feitoso e Capela de Sta. Apolónia)
    Alcains (duas aras votivas na Ermida de São Domingos dedicadas a Asidia; continua pra norte passando na base do castro romanizado do Cabeço Pelado, onde apareceu uma ara a Reve Langanidaeco, hoje no MTPJ, inflectindo aqui para nordeste na direcção da linha férrea que acompanha pelo lado nascente por 1 km, desviando depois para a Igreja de Lardosa pelo «Caminho da Tapada da Eira»)
    Lardosa (segue o «Caminho do Tanque»; ara votiva a Trebaronne na Qta. das Alvercas, hoje no MTPJ)
    Atalaia do Campo (atravessa a ribeira de Alpreade na Ponte Velha?; villa em Alagão)
    Póvoa da Atalaia (calçada; epitáfio de Graecinius Langon no Museu do Fundão; a via segue a sudeste da importante villa de Catrão e continua por Póvoa Palhaça, na base do castro romanizado da Covilhã Velha, rumo à mutatio de Quintas da Torre)
    Torre dos Namorados/ Quintas da Torre (entronca na Via Braga-Mérida)
    Capinha (cruza a ribeira de Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e segue para nordeste ao longo da margem direita da ribeira de Meimoa, +- a EM570-1, num percurso pontuado por grande número de sítios romanos)
    Salgueiro (em Coito de Cima ou Vale do Canto apareceu um miliário a Licínio II, hoje no Museu do Fundão; a via continua próximo da Qta. da Malta e, na outra margem da ribeira, da villa da Qta. do Prado Vasco, seguindo depois pela Qta. do Lameirão e Coito de Cima, onde se achou o miliário; durante a demolição da Capela de Sta. Maria Madalena apareceu uma inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo; inscrição funerária aos Deuses Manes proveniente da villa da Qta. da Caneca e hoje na Biblioteca Municipal da Covilhã)
    Travessia da ribeira do Casteleiro (talvez junto do casal romano do Convento de José Francisco do Anascer, onde apareceu uma ninfa em mármore, ou no Sítio do Bico/Sra. da Quebrada; seguia depois paralela à ribeira do Vale de Lobo pela vertente sul do Castro de Sortelha Velha, passando a sul da villa de Lagoa; possível miliário anepígrafo (ou fuste de coluna) reaproveitado numa parede de uma casa da aldeia de Benquerença, junto da casa paroquial na rua da Praça, a cerca de 2 km da via)
    Vale da Sra. da Póvoa (antiga Vale de Lobo no sopé da Serra da Opa; villa e provável mutatio no campo do Peão, sítio romano da Póvoa; inscrição honorífica ao imperador Trajano; os 3 miliários achados na Serra do Lobo/Opa sugerem que a via passava a meia encosta da serra da Opa, com uma possível mutatio na Póvoa e uma ara a Júpiter em Fonte Santa)
    St. Estevão (miliário a Tácito em Mosteiros indicando a milha IIIX, ou seja a milha 7, CIL II 4638, talvez contadas a partir do rio Côa em Sabugal que seria assim o limite territorial da civitas; o miliário, hoje no Museu do Sabugal, estaria junto do vicus e provável mutatio da Tapada de Sta. Maria)
    Alagoas (miliário de Alagoas com inscrição apagada, mas que poderia indicar a milha 4 pois está a 3 milhas do miliário de St. Estevão e este indica 7 milhas; passou pelo largo da aldeia e hoje está no Museu do Sabugal; o miliário e o possível acampamento militar da Tapada da Cabeça, sugerem a existência de uma mutatio neste sítio, possivelmente no cruzamento com Via N-S proveniente da Guarda que passava junto do vicus da Tapada do Açude, na base do marco geodésico da Urgueira e na Aldeia de Santo António; a via continua para Amiais, onde há calçada)
    Sabugal (Equotule?) (provável mutatio junto da travessia do rio Côa; inúmeras epígrafes sugerem a existência de um vicus que poderia ser designado por Equotule com base na ara a Arentia Equotulaicense encastrada na Igreja de S. João (Osório, 2006:90); o Museu do Sabugal alberga os miliários de Alagoas e de St. Estevão)

    Continuação para Espanha:
    A partir do Sabugal, a via poderia bifurcar em duas variantes rumo ao território Espanhol, uma seguindo por Vila Boa, Aldeia da Ponte e Alfaiates, e outra mais a sul seguindo por Soito, Sabugal Velho e Aldeia Velha (Osório, 2006:120-124; Carvalho, 2008:77).
    • Variante por Alfaiates: partindo do Sabugal para nordeste, onde há o topónimo «calçada», continua por Cardeal e Pouca Farinha.
      Vila Boa (villa; serpenteia a EN233-3 pela rua do Reboleiro e rua do Santo Cristo)
      Nave (provável mutatio em Sta. Catarina pois este sítio romano fica junto da via e exactamente a 8 milhas do Sabugal)
      Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira de Alfaiates (desaparecida; pontão e calçada)
      Alfaiates (vicus, acampamento militar?; inscrição dedicada a Augusto, hoje no acervo do MNA, poderá corresponder a um terminus militar de cariz territorial; Alarcão, 2006; a via contorna a vila pelo norte pela rua do Reboleiro e continua pelo Caminho do Santuário de Sacaparte)
      Ponte Romana?-Medieval da Aldeia da Ponte sobre o rio Cesarão (junto à EN 332, 3 arcos)
      Aldeia da Ponte (vicus; mutatio?; a via sai da povoação pela Capela do Santo Cristo e segue a sul da «Fonte da Tigela» onde há uma inscrição rupestre Laneane Tang(inus?) f(ecit?), provável divindade aquática)
      La Albergueria de Argañán (mutatio?)
      Daqui continuava para nordeste rumo a Ciudad Rodrigo (Mirobriga?) e Salamanca (SALMANTICA).
    • Variante por Sabugal Velho: derivava da via anterior para sudeste, passando a norte de Torre (pela Qta. das Colesmas, a cerca de 500 m da villa do Vale do Seixo/Nabal do Teixo onde apareceu uma ara votiva a Vitoria), continuava por Soito, onde tomava o chamado «Caminho Velho» para Aldeia Velha, passando a sul do sítio romano de Vilares e nas cercanias de Sabugal Velho (provável assentamento militar romano), continuando depois para o vicus de Irueña.

    Diverticulum para a Fundão e Gouveia
    Esta via poderia derivar na Póvoa de Atalaia, rumo a Alpedrinha.
    Alpedrinha (vicus; 2 inscrições funerárias; inscrição a Marte, hoje no Museu do Fundão; a via romana parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de S. Sebastião, segue em calçada por 190 m, cruza o IP2 e sobe por Canada, transpondo a Serra da Gardunha)
    Alcongosta (a via desce a Portela onde entronca na «Estrada da Floresta» e desce à povoação pela Capela de S. Sebastião, continuando por Alcambar e Qta. do Ouro para o Fundão)
    Fundão (vicus? na base do Castro romanizado de S. Brás; ara votiva a Victoria colocada por um soldado veterano da coorte II Lusitanorum, hoje no MNA, ara votiva a Trebaruna, colocada por um soldado Igaeditano e epitáfio de Nepos, filho de Arconis em exposição no Museu Arqueológico do Fundão)
    • Terminus Augustalis de Peroviseu: em 1971, apareceu um terminus augustalis a servir de peitoril de uma janela da casa paroquial de Peroviseu, hoje no Museu do Fundão que assinalava a fronteira entre o território dos Igaeditani com capital em Idanha-a-Velha e o território dos Lancienses Ocelenses cuja capital Ocelum poderia corresponder ao sítio romano da Qta. da Madeira, a poente de Ferro, atendendo a que nesta povoação (junto da ribeira de Moinhos) apareceu uma ara votiva dedicada a Arantio Ocelaeco.

    • Possíveis diverticula saindo do Fundão
    • Fundão - Covilhã por Peroviseu
      Valverde (segue por Várzea e Ínsuas, ribeira da Pouca Farinha e a poente do Alto da Esparrela), atravessa a ribeira da Meimoa na Ponte Romana?-Medieval de Peroviseu/Moinhos, Peroviseu (seguia a poente por Vale Feitoso com troços de calçada em S. Marcos, Ferrarias e Lameira do Forno, podendo depois seguir pela cumeada da Lomba da Pedra Aguda no Monte Serrano ou pelo povoado da Qta. da Samaria, passando ao lado da inscrição rupestre da Laje de Adufe/«Pedra do Livro», dedicada à divindade Nabia e situado na divisória entre os concelhos de Fundão e Covilhã, e possivelmente o local original do terminus augustalis assinalando a divisão entre as duas civitates), continuando pela Qta. da Madeira e Ferro (grande dispersão de vestígios de um provável vicus) para a travessia do rio Zêzere (na Ponte Pedrinha?) e daqui rumo à Covilhã.
    • Fundão - Unhais da Serra por Telhado
      Uma outra via seguia próximo dos sítios romanos do Casal de Sta. Maria/Capela da Sra. do Mosteiro, provável vicus onde se achou uma ara a Apolo colocada por Avitus Fronto e Carantonhas; outras inscrições reutilizadas em casas das aldeias próximas poderão ter sido deslocados de um destes sítios, como , a ara a Arantia e Arantio mencionando Eburobriga em Castelejo, o epitáfio do liberto Ephebo Avito em Freixial dos Potes, a inscrição funerária na parede exterior da igreja paroquial de Souto da Casa, assim como outra sobre uma fonte de Avito e finalmente, as inscrições achadas em Alcaria, lápide de Avita e ara votiva a AETIO do sítio do Covão (estão todas no Museu do Fundão); depois de passar em Casal de Sta. Maria, a via seguiria por Telhado, pela encosta nascente do Castro romanizado de Argemela, seguindo o caminho que passa junto das capelas de S. Bartolomeu e da Sra. da Rosa, junto do sítio romano Carantonha (de onde serão as duas inscrições funerárias encontradas em Telhado), descendo por Ortigal à travessia o rio Zêzere próximo de Peso, junto da confluência com a ribeira de Meimoa, continuando depois pela Portela de Pedrões, próximo de Unhais da Serra onde entronca na Via Tomar - Belmonte.
    • Fundão - Idanha-a-Velha
      Seguindo talvez por Donas (passaria próximo da villa de Santa Menina, de onde serão provenientes as 3 inscrições funerárias achadas em casas da povoação: o epitáfio de Flaccino, o epitáfio de Arius e o epitáfio de Maeloni e Arantonio, todas hoje no Museu do Fundão), Fatela (villa? em Chafurdas) ou Alcaide, Mata da Rainha (lápide de Tapora; segue por Vale das Vacas para depois cruzar a ribeira do Taveiró entre Cadaval e Poldras? e a ribeira do Ceife em Lajinhas?), Aldeia de Sta. Margarida (lápide funerária na parede do campanário da igreja; pulvinus no sítio de Terra da Estrada; o miliário que está a servir de pé de mesa numa casa da aldeia provém das proximidades de Águas pelo que pertencia à via para Mérida) e daqui seguia talvez pela Ermida da Sra. da Granja que assenta sobre um templo romano anterior (inscrição com o epitáfio de Maternus) e fincado no exterior um fragmento de um possível miliário), continua pela calçada da Quelha do Medo até à Fonte da Goma e Capela do Calvário já em Proença-a-Velha, rumo a Idanha-a-Velha.

    Via CONIMBRIGA ad COLLIPPO

    Mapa








    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
    A saída da cidade fazia-se para norte pelo pórtico junto das «lojas a sul da via», onde existem 2 miliários anepígrafos, seguindo pela rua das Ruínas e depois descendo a Ladeira de Condeixa-a-Velha até ao rio de Mouros que era atravessado na Ponte Romana? da Sancha (só vestígios), continuando depois na margem esquerda pelo estradão de terra por Ladeira até Arrifana (Mantas, 1996, Alarcão, 2004; Bernardes, 2007). Todos estes autores fazem passar a via por Soure dado ter aparecido aí um miliário, no entanto este traçado obriga a uma volta desnecessária e ilógica quando existe uma alternativa mais directa e viável rumo Pombal; assim é possível que este miliário assinalasse não a via para Lisboa, mas o diverticulum que ligava o vicus portuário de Soure a Conímbriga.
    • Ligação Conímbriga - Soure: o percurso entre Conímbriga e Soure continua duvidoso, podendo passar por Ega, cujos vestígios no Largo da Feira de São Martinho, junto da igreja matriz, poderiam corresponder a um vicus, além da existência da villa de Moroiços, ali próximo, seguindo depois a EN342 (Mantas, 1996), mas é mais provável que a via seguisse aproximadamente o CM1178 e CM1117 por Serrazina, Rebolia de Cima, Cascão, Alencarce de Cima, Laje, Pinheiro, entrando em Soure pela Capela de St. António (Freitas, 2013).
      Soure (vicus e provável mutatio localizado na área da Qta. da Madalena, local estratégico na confluência dos rios Arunca e Anços; nas ruínas da Igreja de Ns. de Finisterra junto ao castelo, apareceu um miliário a Caracala já convertido em sarcófago exposto no Museu Municipal; talvez indicasse IX milhas a Conímbriga mas hoje é ilegível; próximo a villa da Qta de S. Tomé; daqui poderia seguir até à Redinha e daqui a Pombal).

    Conímbriga a Pombal pela Redinha: uma rota mais directa, provavelmente a via principal, seguia por Serrazina, Alto de Vale Janes, Cartaxo, Presa, Tapéus, Arroteia e Galiana (vicus conhecido por «Cidade» da Roda», provável mutatio), rumo à travessia do rio Anços na Ponte Romana?-Medieval da Redinha, continuando depois pela EM1006 por Bernardos, Charneca, Salgueiro, Courã e Barrocal.

    Pombal (cruza o rio Arunca e segue por Emporão, Águas Férreas, Venda Nova, Meirinhas de Baixo e Venda da Bouça, provável mutatio)
    • Ligação ao vicus de Trás-os-Matos: vestígios de povoamento romano ao longo do vale da ribeira de Valmar indiciam um caminho romano partindo de Pombal que seguia pela margem direita pela chamada «Estrada das Congostas» (EN530, EM1053, EN237) servindo o vici de Trás-os-Matos e Campodónio.
    • Ligação ao vicus de Arrochela: do nó viário na Venda da Bouça poderia partir uma ligação por Serra do Branco e Memória rumo ao vicus da Arrochela, junto do cemitério de Espite.
    Colmeias (da Venda da Bouça cruza a serra hoje muito alterada por uma pedreira, continua talvez pela rua de Roma até Venda do Galego, onde cruza a ribeira de Agudim e continua pelo «Outeiro dos Ladrões», aproximadamente a EM532 por Areias e Machados)
    Boa Vista (estação viária da Venda dos Machados; continua pela rua da Ns. das Dores junto da igreja, Venda Velha e Calçada até confluir na EN1 para Leiria)
    Leiria (villa de Martim Gil em Marrazes, com mosaicos; villa da Ns. das Necessidades junto da Ponte da Pedra em Regueira das Pontes; André de Resende menciona uma inscrição hoje desaparecida na Igreja do Convento de St. Estevão, o epitáfio de Laberia Galla, flamínia de Évora e da Hispânia Lusitana, CIL II 339; depois de cruzar o rio Lis em Leiria, a via bifurcava, seguindo um ramo directo a Collippo por Marvila, Cumeira, Sobral, Andreus e S. Sebastião do Freixo enquanto o outro ramo seguia pelo vale do rio Lena pela rua da Malaposta, Casal da Cortiça, Golpilheira, Fonte Velha, Rebolaria e Castro, povoado pré-romano onde poderia existir uma mutatio associada aos vestígios da villa das Boiças, situada na base do oppidum de Collippo, continuando para Porto de Mós)

    S. Sebastião do Freixo (COLLIPPO) (oppidum capital da civitas Collipponenses; pouco resta da antiga cidade localizada a sul de Leiria, num local estratégico entre os rios Liz e Lena que permitia controlar estes eixos viários; referência a um Templo a Minerva; o espólio recolhido está no MNA e no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha inaugurado em 2011, incluindo uma imponente estátua de um magistrado municipal proveniente do forum de Collippo, a inscrição funerária de Forneiros e o epitáfio do Coliponense Quintus Naeva, CIL II 340)
    • Ligação ao porto marítimo de Paredes: deveria existir uma ligação de Collippo ao seu porto marítimo na Lagoa da Pederneira, hoje desaparecido mas presumivelmente situado em Paredes; seguia talvez por Azóia (tesouro; casal em Escoura/Vale do Horto), Codeceira e Maceira (ferraria na rua do Ribeiro; cipo com o epitáfio do cavaleiro de ala Cláudio Máximo na Igreja Paroquial, talvez proveniente da villa de Arneiro, 200 m a sul da igreja; também daqui será o epitáfio de Valerius Maximus, natural de Collippo), continuando algures por Martingança e Pataias (Fornos de Cal) até Paredes (Bernardes, 2007).
    • Lagoa da Pederneira: na época romana toda a região a sul da Nazaré era ocupada pela Lagoa da Pederneira, formando um braço de mar que se estendia para o interior; vários sítios romanos identificam a antiga linha de costa como Pederneira, Valado de Frades (sarcófago e epitáfio de Dutia, CIL II 352, e inscrição a Minerva, CIL II 351, talvez provenientes da villa da Mina), Póvoa (villa de Flavio ; mosaicos), Cós (albergaria medieval), Maiorga, Fervença, Parreitas, Cela Velha e Famalicão. Assim, é possível a existência de diversos caminhos de acesso a estes pequenos ancoradouros e vilas agrícolas, mas a via para Lisboa teria de necessariamente contornar a Lagoa, conforme descrito no Itinerário de Collippo a Olisipo (Bernardes, 2007).

    Variante da Via XVI de Santiago da Guarda a Leiria (Collippo)
    É provável que existisse uma outra variante entre Conimbriga e Collippo, derivando da Via XVI após Conimbriga e rumando a sudoeste por Santiago da Guarda continuando depois pelo vicus (?) de Campodónio rumo a Leiria (?). A derivação da Via XVI poderia ser na base do Povoado de Ateanha, seguindo depois por Bemposta, pela base do povoado fortificado do Cabeço de Trás de Figueiró e por Casais da Granja rumo a Santiago.