DOCUMENTOS DE D. SANCHO I (1174-1211)

Doc. 117

1199

Doação da herdade de Azafa à ordem do Templo em 1199.

(…) Partitur cum Belueer quomodo intrat aqua de Uclesa in Tagum. et quomodo aqua de Paracana in Uclesam deinde quomodo uadit aqua de Paracana ad uiam de Egitania et quomodo uenit uia de Egitania ad capud de Saxo et exinde ubi intrat aqua de Saxo in Bostelim, deinde ad Fontem de Carualio, diende ad racefe mauriscum quomodo intrat in aqua de Isna, deinde ad capud quod est inter Isnam et Tamolliam ad paradeneyrus vetros. deinde per magnum serram que est inter Isnam et Tamolliam. deinde descendit ad saxum de Oleiros ad uiam que uenit de Couilliana et quomodo uadit per uiam Couilliane ad focem de Cambas, deinde capud ad Moncaual, de inde ad capud de Asina quomodo uadit ad Alpreadam que est terminus de Egitania. Partitur namque cum Egitania a tago usque flumen de Ponsul, deinde ad capud de Merones quomodo uadit ad capud Cardosa. Partitur enim ultra Tagum per focem de Figeiroo quomodo intrat in Tagum, deinde intrat ad rostrum de Marlica (ou Merlica ou Melrica?) et uadit ad Mongaret, deinde ad cimalias de aqua de Uida, deinde de castellum de Terrom quomodo uadit ad monasterium de Alpalantri, deinde ad semederium de Bensayam, deinde ad portum de Mola de Salor quomodo uertuntur aque de Tagum (…)


Tradução livre:

« (...) divide com Belver como entra a água do rio Ocreza no rio Tejo, e daí como entra a água da ribeira de Pracana no rio Ocreza e daí como vai a ribeira de Pracana até à via de Idanha e como vai a «via de Idanha» ao Cabeço de Seixo (?), e daí até onde entra a água da ribeira de Seixo na ribeira de Bostelim; daí à Fonte de Carvalho (Fonte Santa de Várzeas, a norte de Amêndoa); daí pelo caminho Mourisco que segue para a ribeira de Isna, daí ao cabeço que está entre da ribeira de Isna e a ribeira de Tamolha em Pardineiros Velhos (sítio romano da Longra?), dali pela grande serra que está entre a ribeira de Isna e a ribeira de Tamolha (Serra da Longra); daí desce à ribeira de Oleiros e como vai pela estrada de Covilhã até à foz da ribeira de Cambas, dali ao cabeço de Moncaval; dali ao cabeço de Asina como vai para Alpreada (Castelo Novo) que fica no termo de Idanha.

Divide também com Idanha pelo rio Tejo até ao rio Ponsul; dali ao cabeço de Mércoles (Castro de São Martinho? em Ns. de Mércoles, Castelo Branco) como vai ao cabeço da Cardosa (Castelo Branco?).

Parte também além do rio Tejo pela foz da ribeira de Figueiró (junto da Barragem de Fratel) como entra no rio Tejo e daí pelo esporão de Marlica (também lido como Merlica ou Melrica, talvez relacioando com o topónimo «Anta da Milriça» perto de Castelo de Vide) e corre a Mongaret (San Pedro de los Majarretes), e daí por alturas da ribeira de Avid (junto a Valência de Alcântara), e daí ao Castelo de Terron (em São Vicente de Alcântara?), como vai para o Mosteiro de Alpalandro (ruínas do mosteiro de Palante, perto de Salorino?), e daí ao semideiro de Benfaian (?), e daí ao Porto de Mula (?) no rio Salor (tal como a designação actual) e daí como vertem as águas para o rio Tejo



nota1: a «uiam de Egitania» poderá corresponder ao Itinerário de Tomar a Idanha-a-Velha no troço que cruza a ribeira de Pracana entre Envendos e S. Pedro do Esteval. O «racefe mauriscum» corresponde ao Itinerário de Pedrogão a Amêndoa, no troço entre a Ponte dos Três Concelhos (rio Isna) e a Portela de Colos. A «uiam que uenit de Couilliana et quomodo uadit per uiam Couilliane ad focem de Cambas» corresponde ao Itinerário de Tomar à Covilhã no troço entre Oleiros e a Ponte de Cambas.

nota2: AZEVEDO, R. de; COSTA, A. de J.; PEREIRA, M. R. (1979) - "Documentos de D. Sancho I (1174-1211)". Coimbra: Centro de História da Universidade de Coimbra.

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