Vias Romanas em Portugal
Home 2019 Junho Itinerários Translate

Mapa da Hispânia Mapa da Hispânia Hispânia noroeste Hispânia Sudoeste

Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via, designadas por mansiones, e as respectivas distâncias expressas em milhas. São apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a quase totalidade do território Português. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.
Para uma introdução ao tema da viação romana seguir para Informação
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver Histórico de alterações

Os XI Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI - BRACARA (Braga) a OLISIPO (Lisboa)
 Itinerário XVII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUAE FLAVIAE (Chaves)
 Itinerário XVIII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) pela SALANIANA (Serra do Gerês) - Via Nova
 Itinerário XIX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por LIMIA (Ponte de Lima) e TUDAE (Tui)
 Itinerário XX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUIS CELENIS (Santa Tecla?) - per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por EBORA (Évora)
 Itinerário XIV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por ABELTERIO (Alter do Chão)
 Itinerário XV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por FRAXINUM (Monte da Pedra?)

No território nacional existem ainda os 3 seguintes itinerários:
 Itinerário XIII - OSSONOBA (Faro) a SALACIA (Alcácer do Sal)
 Itinerário XXI - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por SALACIA (Alcácer do Sal)
 Itinerário XXII - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por MYRTILIS (Mértola)

Outros Itinerários Romanos


 Itinerário de BRACARA (Braga) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul de Portugal
Braga (BRACARA) - Monção (Minius flumen)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Celorico da Beira
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Lamego (Lamecum?)
Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
Astorga (ASTURICA) - Vilariça (civitas Banienses?)
Porto (CALE) - Barcelos (Karraria Antiqua)
Porto (CALE) - Guimarães (Via Vimaranes)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela orla costeira
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Celorico da Beira - Bobadela (civitas)
Celorico da Beira - Póvoa de Mileu (civitas)
Seia - Belmonte (Centum Cellae)
Moimenta (Arabriga?) - Linhares por Algodres
Moimenta (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (civitas)
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
Mealhada (mansio) - Bobadela (civitas)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIUM)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIUM)

Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Tomar (SEILIUM) - Belmonte (CENTUM CELLAE)
Tomar (SEILIUM) - Mérida (EMERITA)
Alvega (ARITIUM) - Salamanca (SALMANTICA)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Évora (EBORA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Sobral da Adiça (Arucci?)
Évora (EBORA) - Serpa (SERPA)
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Faro (OSSONOBA)
Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Sobral da Adiça (Arucci?)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Beja (PAX IULIA)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Lagos (Laccobriga?)
Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
Mértola (MYRTILIS) - Sobral de Adiça (Arucci?)
Mértola (MYRTILIS) - Serpa (SERPA)
Foz do Guadiana (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - Alvor (IPSES)
Faro (OSSONOBA) - Beja (PAX IULIA)

 Outras Vias Romanas
Rede viária a norte do Rio Douro (flumen DURIUS)
Rede viária do Porto (CALE)
Rede viária de Freixo (civitas TONGOBRIGENSIS)
Rede viária de Freixo de Numão (civitas Meidobrigensis?)
Rede viária de Marialva (civitas ARAVORUM)
Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
Rede viária de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Rede viária de Póvoa do Mileu (civitas Lanciensis Transcudani?)
Rede viária de Idanha-a-Velha (civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária de S. Salvador de Aramenha (civitas AMMAIENSIS)



ITER XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII


Bracara a Cale
Mapa






















































ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM

IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONEMBRIGA
EMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. CCXLIIII
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XXVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real e a Estrada Nacional EN1 até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Seilium, a actual cidade de Tomar, enquanto a EN1 deriva para poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collippo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O itinerário utiliza várias vias romanas independentes; inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale num total de 35 milhas por um trajecto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências). O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações permeio, Langobriga e Talabriga por um percurso que ainda suscita algumas dúvidas até porque hoje apenas conhecemos 4 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Úl deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis indicando 12 milhas talvez a Langobriga, o miliário de Adães depositado na Casa Paroquial de Úl, o miliário da Vimieira transladado para o átrio da C.M. da Mealhada indicando 12 milhas a Coimbra e o miliário do Arco da Traição indicando 4 milhas a Coimbra, hoje no Museu Machado de Castro. A sul de Coimbra não se conhecem mais do que 8 miliários, entre os quais se destacam o miliário de Tamazinhos indicando 8 milhas a Conimbriga, atestando assim a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do Castelo de Soure, embora este possa estar antes relacionado com a variante pela orla costeira atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 8 miliários, os miliários da Qta. do Bravo e da Qta. de Santa Teresa em Alenquer que deverá corresponder a Ierabriga, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, ambos desaparecidos, os dois miliários recentemente descobertos em Loures e finalmente os dois miliários descobertos em Lisboa, um muito duvidoso que estaria no Convento de Chelas e outro que apareceu nas obras de recuperação da Casa dos Bicos actualmente em exposição no Museu da Cidade. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão; sobre esta parte final do percurso ver as "Atas da mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº 1 da Revista Cira Arqueologia. (vide Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Pereira, 1907; Oliveira, 1943; Mantas, 1996, 2000a; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et al., 2004; Ribeiro, 2016).

Braga (BRACARA AUGUSTA)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu. No vizinho Museu Pio XII estão depositados mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), Vila Nova de Famalicão; neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo, FE 196, e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião.

Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é ainda visível na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, junto da biblioteca, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a estrada romana para Cale seguiria na direcção sul aproximadamente pela rua de Santiago, rua S. Sebastião, rua Direita, passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela rua Peão da Meia Laranja, rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com presumível origem romana; continua pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309, vencendo a m.p. I junto das Alminhas)
Lomar (m.p. II; Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja, hoje desaparecido, CIL II 4764, duas aras funerárias e nos terrenos envolventes há tégula; continua por Mouta e Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Ventosa, Capela, onde vencia a segunda milha no cruzamento com a rua de S. Paio, cruza a ribeira do Barral e continua por Mosqueiros e Quinta)
Esporões (m.p. III no lugar de Além; passa junto da Capela da Ns. da Caridade, Além e Bocas; ara a Júpiter no adro da igreja)
Trandeiras (m.p. IV; continua pelo CM1343 por Almoinha, Sá, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (m.p. IV; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem uma estação viária; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas pela EM1347)
Escudeiros (m.p. V; no lugar do Hospital existia uma pousada medieval com possível origem numa mutatio romana; segue pela rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, na sexta milha, de onde provém a ara de Antiscreus, nº 15 do MSMS)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (m.p. VII; miliário a Constantino II junto da igreja, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro, Paredes e cruza o rio Pelhe)
Telhado (m.p. VIII; no século XVI, João de Barros transcreveu um miliário a Adriano indicando a milha VIII que apareceu na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano; no entanto Hübner considera ser um outro miliário, o CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário a Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de S. Cosmado», entretanto desaparecido, CIL II 4867)
São Martinho do Vale (m.p. X; segue a EN309 por Ribeira de Baixo, Pousada e Paço)
Cruz do Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 e segue logo depois à esquerda pela rua Senhor da Boa Fortuna, caminho de terra para S. João da Pedra Leital, rua dos Portais e rua do Sobrado)
Lagoas, Requião (m.p. XII; rua das Lagoas e rua de Santiago)
Santiago de Antas, Famalicão (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por Vela e Capões)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Mantas deverá corresponder ao miliário a Adriano da milha XIII (CIL II 4752) que está hoje no MDDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), o que poderá dever-se a um erro na transcrição inicial feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base do cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas, entretanto perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder ao fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano (Colmenero, 2004).
  • Martins Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos (Capela, 1895).
  • Daqui também seria o miliário da Qta. da Devesa, cravado num penedo no interior da quinta, hoje convertida em Parque da Cidade.
  • Junto da estação C.F. de Famalicão há um possível miliário na Qta. do Vinhal.

Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido na Capela de St. Estevão, CIL II 4740; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas e hoje está desaparecido; a milha 14 seria vencida no nó da EN14)
Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat da Igreja Velha; segundo Capela, existia um miliário na Devesa Alta posteriormente deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, onde se perdeu o rasto; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa? da Qta. de Boamense)
Sta. Catarina (m.p. XVI; miliário a Caracala suporte uma varanda na Qta. de Sta. Catarina, proveniente do sítio do Marco; Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado este marco deveria indicar a milha 16; continua por Fial, Pé de Prata e Fonte dos Castanheiros)
Lousado (m.p. XVII em Garrida; miliário a Magnêncio descoberto na igreja e hoje no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285; em Garrida corta à esquerda pela rua dos Almocreves e rua das Diligências até à margem do rio Ave)

Travessia do rio Ave na Ponte Romana?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existam vestígios concludentes; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro a illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas (Barroca, 2004).
  • Cruzada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo o caminho ao longo da margem esquerda do rio Ave, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte, Esprela, rua Pinheiro Chagas, rua Júlio Brandão, Cavadas, continua pela rua Teixeira Lopes, interrompida pela linha do metro, passando junto da Casa da Eira.

Trofa (m.p. XIX na Ponte Antiga de Real; continua junto da estação C.F., onde existe um possível miliário na berma da estrada, seguindo depois ao longo da linha férrea junto das capelas de S. Martinho de Bougado e da Ns. das Dores até à EN14)
Vale do Eirigo (m.p. XX; continua pela EN14 até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho a cerca de 500m da via)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha», possível ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Peça Má, Alvarelhos (m.p. XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário a Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (possível mutatio na base do importante Castro de Alvarelhos, a civitas Albarelios num documento do ano 907, povoado estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e ponto de cruzamento de várias outras vias secundárias)
  • Vila Boa, a villa romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980)
  • Quinta do Paiço, junto desta quinta em Sobre Sá, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisensis, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Dentro da quinta, no jardim, encontra-se um Miliário a Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa; foi certamente deslocado da via romana que seria neste troço coincidente com a EN14 atendendo aos miliários de Peça Má e da Carriça e indicaria a milha XXIII.
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: Esta variante corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352, passando próximo da Qta. do Paiço na base do castro, e em Palmezão toma o caminho pelas Bouças da Teixeira, apresentando ainda um troço lajeado pouco antes de confluir na rua de Quiraz; a antiguidade deste caminho é atestada num documento medieval do ano 986, onde surge como «carreira antiqua» (PMH DC 151) e pelo facto de ser ainda hoje a linha divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Maia. Em Quiraz, a via parece dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela igreja de S. Pedro de Avioso (EN536), Vilarinho e Castêlo da Maia (junto da estação C.F.), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e o outro ramo segue em frente pelo caminho de terra que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na chamada «karraria antiqua».

Nó viário de Alvarelhos: do castro partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago.
  • Ligação ao Castro de Penices: partindo do Muro, seguia para noroeste por Guidões (vestígios na vertente este do maciço de Sta. Eufémia em Cidoi, Cerro e Póvoa; altar votivo ao Genio Saturninus entre o Monte do Castro e o Monte de Cidai), seguindo para a travessia do rio Ave nas imediações de Azevedo, continuando por traçado incerto rumo ao Castro de Penices, junto do qual transpunha o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois na direcção de Rates, de encontro à «Karraria Antiqua», podendo também seguir directo a Barcelos por Gondifelos (vestígios em Lobeira, Fiança e Eirados e Igreja Velha).
  • Ligação à Ponte do Ave: há duas rotas possíveis, uma seguiria por Palmazão (casal) e Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e daqui à Ponte do Ave, ou uma directa à ponte por Fornelo (Igreja/Qta. de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).
  • Ligação a Lavra/Atlântico: também poderá ter origem romana a via de acesso ao mar designada por via vetera e stratra vetere nas Inquirições de Afonso III de 1258 (PMH Inq 492); do castro seguia por Guilhabreu, passando na Sra. do Amparo, Rua da Carreira da Talhada, Parada, Rua das Minas, Rua do Freixo, cruzava a «Karraria Antiqua» em Mosteirô e continuava por Lançaparte, Aveleda e Laceiras rumo ao castro de Angeses e da villa do Fontão junto da costa (Moreira, 2009).

Muro (m.p. XXIII; miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído)
Carriça (m.p. XXIV na divisória entre os concelhos de Trofa e Maia; continua pela EN14 por Ribela)
S. Pedro de Avioso (m.p. XXV; miliário a Caro do Ferronho; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2km a sul da Carriça e a 19m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da Capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu da Maia onde está em exposição juntamente com a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Castêlo da Maia (m.p. XXVI; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de S. Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Castro de Avioso/Monte de St. Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisensis, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Barca (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga numa casa do lugar de Rapozeira; estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca que serve de divisão entre freguesias (Ribeiro, 2016); continua talvez por Pinta pela rua Bernardino Machado e Duarte Pacheco)
Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, próximo da CM; segue a rua Augusto Simões e rua do Catassol)
Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX ; a via serve de divisória entre as freguesias de Leça do Balio e Gueifães, atingindo a milha 29 no cruzamento com a rua António Aleixo, continuando pela rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda)

Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha)

São Mamede de Infesta (m.p. XXXI; passa no Largo da Ermida, rua da Conceição e estação C.F., onde vencia a milha 31, continuando do outro lado da linha férrea até à Capela de St. António Telheiro e Largo do Marco; topónimo Carriçal denuncia a passagem da via)
  • Hübner refere um miliário a Adriano (CIL II 4735) que estaria a servir de base do cruzeiro da Qta. do Dourado/St. António, situada na rua da Igreja Velha; posteriormente terá sido reutilizado no cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 milha do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994); a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de S. João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (m.p. XXXIII; cruza a VCI e segue pelo Jardim da Arca d'Água, rua do Vale Formoso, atingindo a milha 33 no cruzamento da rua Antero de Quental com a rua António Cândido, linha divisória entre freguesias de Paranhos de Cedofeita)
Cedofeita (m.p. XXXIV; continua pela rua Antero de Quental até ao Largo da Igreja da Lapa, passando junto da Capela do Sr. do Socorro onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago, seguindo depois pela Praça da República, antigo «Campo de St. Ovídio», rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de St. Ovídio», atingindo a milha 34 no cruzamento da rua das Oliveiras com a Travessa de Cedofeita, na linha divisória entre as freguesias de Cedofeita e Vitória, continuando pela rua Sá de Noronha, Largo do Moinho de Vento, «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», desce pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio, subia pela rua do Souto, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant'Anna ou Porta do Souto, cujo arco foi demolido em 1821)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; oppidum dos Callaicos situada no Morro da Pena Ventosa à Sé; vestígios do antigo castro romanizado na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro na rua D. Hugo, assim como nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos Laribus Marinis, uma ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos, alberga a colecção de epigrafia do Seminário Maior, hoje Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana, restos de estruturas habitacionais e a villa da Casa do Infante com os seus mosaicos; a recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores, demonstrou que o povoamento romano estendia-se por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS Magaudiis(?) talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à «Via Nova» e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km, o que deverá corresponder ao acidente geográfico do Cachão da Valeira)


Cale a Talabriga
Mapa























Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no Ravennate (Rav. IV.43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus, militar da Legião X Gémina originário de Olisipo e membro da tribo Aemilia, hoje em exposição no Solar dos Condes de Resende; ILER 6317; Guimarães 1995, 2000)
Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha ascendia pela antiga «Calçada de Vila Nova», também conhecida por «Rua Direita», nas actuais rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes ou, em alternativa pela rua General Torres, até ao Largo dos Aviadores na m.p. I)
Mafamude (continua pela rua Marquês Sá da Bandeira marginando o Castro de Mafamude, continua pelo Jardim Soares dos Reis, rua da Rasa, desvia à esquerda pela rua António Rodrigues da Rocha, passa no «Clube Vilanovense», ascende suavemente a St. Ovídio e logo depois da rotunda vencia a m.p. II, no cruzamento com a rua do Padrão, onde existia a desaparecida Capela do Sr. do Padrão, seguramente alusão ao miliário que aqui existia; continua pela rua Soares dos Reis, rua Fonte dos Arrependidos, rua da Palmeira, reaparecendo do outro lado da A1 como rua do Alto das Torres)
Rechousa (m.p. III; a via seguia paralela ou coincidente com a rua da Rechousa)
Canelas de Cima (m.p. IV na subida da Sra. do Monte, onde ainda resta um raro vestígio de algumas lajes da calçada de romana, paralela à actual rua Sra. do Monte, mas a via foi destruída pela construção da EN1 e em parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono; continua pela estrada actual onde existe o topónimo Vendas de Cima, mas depois foi cortada pela construção do nó da auto-estrada, onde vencia a m.p. V)
Carvalhos (m.p. VI; a via reaparece na Av. Dr. Moreira de Sousa, seguindo pela rua do Padrão até ao Largo França Borges, onde estaria o miliário da milha VI, continuando pela rua Gonçalves de Castro)
Monte Murado (Ceno Oppido?) (m.p. VII; eventual mutatio em Seada, na base do Castro romanizado do Monte Murado, possivelmente o povoado Ceno Oppido referida na Cosmografia do Anónimo de Ravena; duas necrópoles; duas raras tesserae hospitales foram encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo em Idanha e hoje estão no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização; continua paralela à EN1 por Barrancas, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela rua da Feiteira?)
Feiteira (m.p. VIII; continua pela rua Dr. Jorge da Fonseca?)
Vendas de Grijó (m.p. IX)
Picôto (m.p. X; segue a EN1; vide via para Santa Maria da Feira)
Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842)
Lourosa (m.p. XII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)
Ferrada, Fiães (m.p. XIII; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até Ferrada, topónimo viário onde venceria a milha 13 a Cale; pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50m depois na rua do Arieiro; mais uma atentado ao curso da via perfeitamente evitável)

LANGOBRIGA, mansio a 13 milhas de Cale e 28 milhas de Talabriga; o povoado estaria 1000m a nascente no Castro do Monte de Sta. Maria no Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter, hoje em exposição no Museu Convento dos Lóios, na Feira, e o epitáfio de Boutius; no entanto a mansio poderia estar situada no lugar da Ferrada, possivelmente de onde partia o diverticulum de acesso ao castro.

Souto Redondo (m.p. XV; continua pela rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da antiga «Estrada Real» com a calçada original em seixos rolados, seguindo até ao Largo de Airas, onde resta um pequeno troço de calçada com cerca de 50m formada por grandes lajes de pedra, continuando pela «Estrada Real» até desembocar na EN1)
Albergaria de Souto Redondo (m.p. XV junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco e da Malaposta de S. Jorge, seguindo sob a EN1 pela rua da Malaposta)
Escapães (m.p. XVI em Mastureira; clara referência à via romana como «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Vimieira de Coimbra», povoação situada a sul de Mealhada; continua pela EN1, marginando a Capelinha da Meia Légua, onde toma a rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, na m.p. XVII, continuando depois pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Vicente Reis)
Arrifana (m.p. XVIII junto da Igreja Matriz; possível mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via E-O que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecida" no Museu Soares dos Reis; continua pela rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
S. João da Madeira (m.p. XIX junto da Igreja Paroquial; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 703; em 1995 apareceu um tesouro com 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez por trás da Capela de St. António, continuando pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães)
Faria (m.p. XXI; segue a rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana até ao rio Úl)
Ponte Medieval da Pica (a travessia do rio Úl em época romana poderia ser 200m a jusante; continua por Cavadas do Couto, cruzando a EN1 e seguindo pelo caminho defronte que foi cortado pela A1 300m depois; do outro lado da A1, a via reaparece para ir cruzar a ribeira do Cercal na base de um possível povoado referido por «Castelo», passando junto de um sítio referido por «Torre Antiga», possivelmente uma atalaia para controle da via associado à m.p. XXII; 2017)
Lações (m.p. XXIII; continua por Lomba, EN227-1, Lações de Cima, marginando o castro no Monte da Sra. de La-Salette, totalmente destruído pela construção do actual parque)
Oliveira de Azeméis (m.p. XXIV no centro da cidade; passa junto da Igreja Matriz e do miliário de Úl, continua pela Av. Ferreira de Castro e rua do Serro, Lousas e Avelão)

Úl (m.p. XXV a Cale; estação viária tipo mutatio na confluência do rio Úl no rio Antuã, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, o miliário a Tibério que indica 12 milhas, o único marco que resta no troço entre Porto e a Mealhada, correspondendo à distância deste local à mansio de Langobriga, situada no sítio da Ferrada em Fiães, seguramente assinalando também o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda um mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga, esta situada junto do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis; na outra margem do rio Úl, junto da Igreja da Ns. das Febres, apareceu um miliário em Adães, também deslocado e hoje depositado na Casa Paroquial de Úl (Almeida, 1956; Mantas, 1996:342).

Travessia do rio Antuã na Ponte da Anjeirinha? (m.p. XXVI antes da ponte; continua pela rua do Avelão)
Travanca (m.p. XXVII junto do povoado do Monte da Pena; a via continua pela antiga «estrada real», passando por Besteiros e Caniços)
Bemposta (m.p. XXIX na capela junto dos antigos Paços do Concelho)
  • Miliários: Frei Bernardo de Brito refere na sua obra «Monarchia Lusytania» publicada em 1597 uma «pedra» com as letras «COS VI / P IX PF / VAC XII P. M.» que interpretou como um miliário indicando 12 milhas ao rio Vouga, o Vacua de Estrabão (III, 3, 4) e o Vacca para Plínio (NH, IV, 35). A descrição feita por Brito do seu local de achamento é a seguinte: «no alto de hum monte que fica entre os lugares de Albergaria, & Bemposta, em fronte de outro chamado Pinheiro, no cume do qual se vem inda claramente os sinaes de muros antigos, que cercão grão parte da coroa do monte, (...) me disserao se chamava Castelo de Gião»). Existem de facto vestígios de um povoado fortificado junto da povoção de Branca que se adequa a esta descrição, o Castro de São Julião, no entanto, a distância daqui ao Vouga é inferior a 12 milhas (cerca de 19,3 km) pelo que também é possível que estivesse um pucoa mais a norte, como refere Brito «em fronte a Pinheiro», mais de acordo com distância indicada (vide Pereira, 1907; Oliveira, 1943; Mantas, 1996: 332-336; Alarcão, 2004a). No mesmo capítulo, Brito menciona uma outra inscrição encontrada no vale de Ossela assinalando a presença de coortes da Légio X Fretense nos praesidia de «VACE OSCEL LANCO CALEN AEM» (ML, II, V, 1), que deverão corresponder aos povoados de Vacua (Cabeço do Vouga), Oscela (Castro de Ossela), Lancobriga (Castro do Monte Redondo, Fiães), Calem (Gaia/ Porto) e Aeminium (Coimbra). A propósito da Legião X Fretense, Brito refere uma outra inscrição proveniente de Conímbriga mencionando um seu centurião (ML, II, V, 1) e temos também em Idanha-Velha a homenagem a Avitus, tribuno desta mesma legião.

  • Pinheiro da Bemposta (milha XXIX no cruzeiro; continua pela rua de S. Lázaro, cruza a linha férrea, reúne com a EN1 e segue por Curval de Baixo, antiga malaposta da estrada real)
    Branca (m.p. XXX; provável mutatio no lugar de Coche, situada na divisória entre as freguesias de Branca e Bemposta a 10 milhas do rio Vouga; referido como «Abranca» num documento do ano 922, PMH DC 25, e noutro de 1088, PMH DC 708, como «Castro de Abranka» que deverá corresponder ao Castro de S. Julião; nas inquirições de D. Afonso II surge uma referência à via como «estrada», Oliveira, 1943)
  • A via romana deverá coincidir com a «Estrada dos Reis» (CM1453-1), a antiga Estrada Real que ia por Coche, Escusa e Lajinhas, provável referência toponímica ao lajeado da estrada, entretanto removido, restando algumas pedras guias junto da berma; seguia depois paralela à linha férrea até confluir na EN1 (vide Sousa, 1960).
  • Ligação a Cristelo: poderia existir uma via para poente de ligação ao vicus de Cristelo da Branca, importante povoado situado numa plataforma com controlo visual sobre a orla costeira (vide via litoral Porto-Vouga).

  • Albergaria-a-Nova (m.p. XXXII junto da capela na EN1)
    Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVI; desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada», passando na Capela de St. António onde vencia a milha 37, até voltar a reunir com a EN1)
    Serém de Cima (m.p. XXXIX no Cruzeiro; há referências a um miliário nesta antiga malaposta; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Seabra Lopes, 2000a)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (m.p. XLI; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

    TALABRIGA, mansio, estação viária junto da travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga/Marnel; o oppidum situa-se no cabeço adjacente, onde ainda são visíveis importantes vestígios, em processo de escavação mas já aberto ao público; a sua localização estratégica face à via romana, controlando a travessia do rio Vouga, justifica plenamente a existência de uma mansio neste local, mas alguma incongruência entre a distância medida no terreno e o valor indicado no I.A., tem impedido a fixação em definitivo desta mansio neste local; de facto enquanto o I.A. indica 31 milhas a Cale, no terreno andaria pelas 39 milhas, faltando 8 milhas que continuam sem explicação definitiva (erro no percurso? erro itinerário de Antonino?); sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907, Oliveira, 1943 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
    • Cruzamento com a Via Vissaium - Talabriga: a via proveniente de Viseu cruzava o Itinerário XVI na base do oppidum (ver itinerário); a continuação desta via, desviando em Travessô para Eixo (forno romano) rumo ao provável Porto Marítimo de Talabriga situado junto do Povoado da Torre junto da actual Igreja de S. Julião em Cacia (na Marinha Baixa, a escassos 325 metros para sudeste, existem vestígios de fornos de um complexo industrial talvez para produção de vidro), local hoje bem longe do mar, mas que na época romana era banhado pelo oceano.
    • Antiga Linha de Costa: na época romana, a linha de costa era bem mais recuada, dando a Talabriga um acesso facilitado ao mar (o geógrafo Edrici escreveu no século XI que «o Vouga é um rio grande, no qual entram embarcações de comércio e galés, porque a maré sobe muitas milhas por ele acima»); a reconstituição da antiga linha de costa desse período permitiu definir o limite do território da civitas para além do qual não poderiam existir vias terrestres; partindo do porto da Torre/Marinha Baixa e rumando a sul, a linha de costa tocaria em Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença (Cantanhede), não muito longe dos vestígios romanos em torno de Cadima e da hipotética ligação à mansio da Vimieira (ver aqui).


    Talabriga a Aeminium
    Mapa










    Aeminium a Conimbriga
    Mapa












    Cabeço do Vouga (TALABRIGA) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel em Lamas do Vouga (atravessa a EN1 e sobe a encosta pela antiga calçada)
    Pedaçães (m.p. XXXVII a Coimbra; referência medieval à strata maiore, PMH DC 578 que poderá corresponder à Estrada de Pedaçães até Campelido, m.p. XXXVI)
    Mourisca do Vouga (m.p. XXXV; difícil discernir a via daqui a Cabanões; em Travassô há 40m de calçada escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada, que poderia integrar a via)
    Travessia do rio Águeda em Cabanões (m.p. XXXII; cruza a EN601 e segue pela rua da Ns. dos Milagres, sob a linha férrea e desce ao rio onde surge o topónimo de «Ponte Pedrinha», certamente uma referência a uma antiga ponte situada talvez num local a cerca de 300 a montante da ponte actual onde a travessia é mais facilitada; há também referência medieval à «carreira pública» neste local; Bastos, 2006)
    Óis da Ribeira (m.p. XXXI; a via deve corresponder ao caminho de terra que do rio desemboca na rua Cabo do Lugar)
    Espinhel (m.p. XXX; continua pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos pela antiga linha de costa ao tempo romano pela rua da Carvalheira, Alminhas e rua Principal)
    Piedade (m.p. XXIX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, rua do Lugar)
    Paradela (m.p. XXVIII; rua Direita)
    Barrô (m.p. XXVII na capela; segue pela rua Terças, rua Arrota do Velho de Baixo)
    Carquejo (m.p. XXVI; continua pela rua Calzinha e rua Estrada Velha, rua Sra. da Alumieira até Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
    Aguada de Baixo (m.p. XXV; ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; segue pela rua Cura Rachão por Aguadela, m.p. XXIV)
    S. João da Azenha (rua Alto da Póvoa/EM603; a estrada real continua por Avelãs de Caminho, mas o caminho romano deveria atravessar o Cértima para Sangalhos; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»)

    Sangalhos (m.p. XXIII; provável mutatio a 23 milhas de Coimbra, talvez no lugar do Paço?; passaria na rua do Correio Velho)
    (m.p. XXII; continua pela EN235 até Vale de Estevão, onde segue à direita)
    Mogofores (m.p. XX no Cabeço de Mogofores; continua por Outeiro de Cima, cruza a ribeira de S. Lourenço, Outeiro de Baixo; Castro de Anadia na outra margem do Cértima)
    Óis do Bairro (m.p. XVIII; assenta num povoado romano)
    Horta, Tamengos (m.p. XVII; topónimo «Cabeço do Marco»)
    Arinhos (m.p. XVI; necrópole na Encosta do Covão, entretanto destruída)
    Ventosa do Bairro (m.p. XV no cruzeiro; referência à «estrada velha coimbrã» em 1288; travessia do rio da Ponte; EM614)
    • Seliobriga: os vestígios do povoado da Idade do Ferro no planalto de Chãs da Ventosa, 2 km a poente da via, em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins), poderão corresponder a Seliobriga, topónimo mencionado na forma «Sancto Martino de Seliobria» no doc. 15 dos PMH, DC., datado de 907 (Alarcão, 2004c).
    Antes (m.p. XIV junto da igreja; continua pela EM614)
    Pedrulha, Mealhada (m.p. XIII; continua pela EN615-1 por Casal Comba, onde toma a EN616; aqui apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos)

    Vimieira (m.p. XII a Coimbra; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário a Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco foi descoberto durante a construção da linha do norte em meados do século XIX e hoje em exposição no átrio da C.M. da Mealhada; o seu local original poderia ser Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada; Mantas, 1996).
    • O local exacto da mutatio ainda não é seguro, mas é possível que corresponda aos vestígios romanos conhecidos por villa da Cidade das Areias, a ocidente da via.
    • A mutatio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Qta. da Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator; hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
    • A via romana surge em documentos medievais como «karraria de illa Vimeneira» no ano 973 (in PMH DC 106) e noutro de 1095 como «strada de uiminaria» (in PMH DC 817), mostrando a importância que esta estação viária ainda detinha na Idade Média.
    • Nó viário da Vimieira: esta mutatio situa-se no cruzamento com uma via no sentido SO-NE que interligava o interior beirão ao litoral.
      • Para nordeste rumo a Bobadela, descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
      • Para sudoeste rumo a Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (villa em Monte Salgado) até Tentúgal (villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
      • Para oeste rumo a Montemor-o-Velho, seguindo por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (ara a Júpiter proveniente do sítio romano da Capela da Sra. do Desterro, junto da EN111; RAP 281 e FE629), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
      • Maiorca, na época romana seria porto fluvial com possíveis ligações às vias descritas acima.

    Da Vimieira a Coimbra:
    Lendiosa (m.p. XI; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
    Mala (m.p. X; continua pela EN616)
    Carqueijo (m.p. IX, onde reúne com a EN1)
    Santa Luzia (m.p. VIII na EN1; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha)
    Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (m.p VII; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138 por Adões)
    Trouxemil (m.p. VI; segue a rua do Calço e rua do Senhor da Rua)
    Cioga do Monte (m.p. V)
    Fornos (m.p. IV; miliário a Calígula indica a 4 milhas a Coimbra, hoje no MNMC; continua pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde cruza o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra)
    Adémia (m.p. III; cruza a ribeira das Eiras na Ponte do Rachado?)
    Pedrulha (a via continuava por Venda da Fontoura, marginava a Capela da Ns. de Loreto, m.p. II e a estação Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via durante as obras para construção da passagem subterrânea, entretanto suspensa, cruzava Assamassa e a ribeira de Coselhas na ponte de Água de Maias, m.p. I, junto do Monte da Forca/Conchada, e continuava junto da desaparecida Gafaria/Hospital de São Lázaro pelas actuais Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium; referência à via como «carraria maiore» num documento do ano 933 na zona da Pedrulha, PMH DC 39 e como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 junto da ribeira de Coselhas, PMH DC 807)

    Coimbra (AEMINIUM)
    (a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150; o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário a Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas, este miliário poderia estar originalmente um pouco norte de Adémia; o museu assenta sobre um magnífico criptopórtico romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e é hoje a construção romana melhor conservada em Portugal, finalmente aberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas (ver mapa), a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
    • Aeminium - Talabarium: deveria existir uma via ao longo da margem esquerda do rio, ligando Aeminium ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, seguindo talvez próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura, mas por onde passaria?

    Travessia do rio Mondego (MONDA) (a antiga ponte medieval construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, assentava possivelmente sobre os pilares de uma anterior romana; partindo do «Portugal dos Pequenitos», a via sobe a encosta pela Calçada de Santa Isabel ou pela rua da Volta das Calçadas (?), seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na «Estrada Antiga de Lisboa»; referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700)
    Cruz dos Morouços (m.p. II junto das Alminhas; cruza a EN1 e segue pelo estradão)
    Antanhol (acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», nunca estudado e hoje muito destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra; referência à «via publica» num documento do ano 1087 em PMH DC 676; a via passa talvez a nascente no vale de Palheira, onde cruza a ribeira de Frades/de Antanhol e segue pela rua Salema, rua Zambujal e rua Cavaleiro, passando por Pousadas e Vendas de Pousadas)
    Alcabideque (m.p. VIII; Castellum Romano de Alcabideque, impressionante estrutura romana de captação de água que assegurava o abastecimento de água da cidade de Conimbriga através de um aqueduto romano com pouco de mais de 3 km quase todo enterrado no solo excepto na chegada à cidade onde foram utlizados arcos para manter o nivelamento; Alcabideque servia de nó viário ligando a Conimbriga pela estrada por Ordens)

    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    (oppidum e mansio a X milhas de Coimbra; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; há um miliário anepígrafo implantado na porta norte da cidade; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; o porto de Conímbriga poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso, além do porto em Soure)


    Conimbriga a Scallabis
    Mapa






















    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
    O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir as distância entre estas duas mansiones que distam cerca de 37 milhas em linha recta e cerca de 40 milhas pelo itinerário proposto. A partia de Conimbriga rumo Seilium (actual Tomar), seguindo inicialmente por Zambujal, Tamazinhos, Ateanha, Várzea de Aljazede e Venda das Figueiras, com uma possível mutatio entre Póvoa e Freixial (Mantas, 1996); saía da cidade pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do Museu Monográfico, e seguia inicialmente para o nó viário de Alcabideque, para aí retomar a via principal e rumar a sul em direcção à aldeia do Zambujal, percorrendo o velho caminho ainda visível no terreno que passa na base do cerro da Pêga pelo lado nascente, hoje linha divisória entre concelhos, marginando a villa de Lameiras em Póvoa das Pegas e continuando pelo caminho rural do Outeiro para depois cruzar a EN347-1 e seguir pelo topo da rua da Silveirinha até se perder num caminho hoje desactivado que confluía na actual estrada para o Zambujal, num percurso pontuado pelos vestígios romanos em Algar de Janeia, na milha III, Janeia Velha e Enxurreira, estes associados à milha IV, fazendo supor um função viária para esses edifícios.

    Zambujal (m.p. V; villa? em Mouroiços, junto do cemitério; a via continua pela margem direita da ribeira de Carálio Seco por Porta d'Angere, a milha VI onde há referências a um possível miliário "com letras" e na Cruz do Morto, m.p. VII; a poente fica a importante villa Romana de Rabaçal, aberta ao público)
    Tamazinhos, Penela (da Cruz do Morto continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira perto do qual foi encontrado o miliário a Décio indicando 8 milhas a Conímbriga, hoje em exposição Museu do Rabaçal, assinalando a passagem da via pela base do Cabeço de Juromelo, cruza a ribeira de Alcalamouque, seguindo depois o estradão de terra por Portela de Casas Novas, Cabeço da Revolta e pelo sopé do povoado do Cabeço de Ateanha, marginando o casal de Vale de Abrunheira)
    Aljazede (continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560)
    Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos para Venda das Figueiras, com uma provável mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110)
    Avelar (segue a EN110 por Tojeira, Pontão e Venda Nova, m.p. XX)
    Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra, Vale da Aveleira e Cabaços)
    Rego da Murta (nó viário e provável mutatio; a Igreja de S. Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via romana que seguia entre dois povoados pré-históricos, o Castro de São Saturnino a nascente e o Castro de Avecasta a poente)
      Diverticula do nó de Rego da Murta:
    • Daqui partia uma via para sudeste seguindo por Carril em direcção à travessia do rio Zêzere em Martinelo (miliário) ou Bairrada, continuando depois para o Tejo, descrito no Itinerário Conimbriga - Aritium.
    • Também é possível uma ligação para sudoeste rumo ao Porto Velho de Formigais.
    • A existência de uma calçada na encosta do Outeiro das Relvas com 310m sugere o cruzamento com uma via E-O que ligaria a Pelmã ou ao vicus de Casais da Matinha (?).
    Rego da Murta (m.p. XXVIII; continua pela EN110 e «Estrada Velha»)
    Farroeira (m.p. XXIX; sai da EN110 pouco antes do km77 e segue por Casal da Farroeira, Casais, Fonte do Tojal e cruza a EN348)
    Vila Verde (m.p. XXXII; casal rústico junto da via; continua por Daporta e Casal Sobreira)
    Fonte da Laje (m.p. XXXIII)
    Portela de Vila Verde (m.p. XXXIV; topónimo Calçadas)
    Ponte de Ceras (m.p. XXXV; fotografia dos anos 20 mostra um miliário junto da ponte; Guimarães, 1927)
    Ceras (castrum caesaris no Monte do Alqueidão; continua por Calçadinha e rua da Ferradura)
    Freixo, Alviobeira (m.p. XXXVI)
    Pintado (m.p. XXXVIII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde há vestígios de calçada e continua por Feiteira)
    Vale da Trave (m.p. XXXIX)
    Venda Nova (m.p. XL)
    Calçadas (m.p. XLI; Calçada de Tripeiro, 100m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Bacelos)

    Tomar (SEILIUM) (m.p. XLIII a Conímbriga)
    (oppidum posteriormente elevado a municipium Seiliensis; o forum situa-se nas traseiras do quartel dos bombeiros; 2 miliários achados na margem esquerda, no Cerrado de S. João do Couto, estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I, mas hoje ilegível; outros dois miliários anepígrafos foram recentemente descobertos nas obras da Av. Norton de Matos; a epigrafia revela a existência de emigrantes Seiliensis, nomeadamente no epitáfio de Iulianus do Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza; Silva, 1988; Mantas, 1989; Ponte, 1995; Fernandes, 1996; Romão, 2012)

    Travessia do rio Nabão (Nabum) (na chamada «Ponte Velha» que poderá ter origem romana atendendo à importância desta travessia, hipótese ainda não confirmada; na outra margem há notícia do aparecimento de um miliário na rua do Everard e logo enterrado; a via seguia pela «Corredoura», topónimo referido em documentos medievais, talvez sob a actual rua Serpa Pinto e depois possivelmente pelo caminho que margina o Convento de Cristo)
    Madalena (segue rumo à travessia da ribeira da Beselga na Ponte de Ramil)
    Paialvo (calçada de Casal Salgueiro, troço da via romana perpendicular à linha férrea hoje soterrado pela linha, restando o topónimo rua da «Via Romana»; ver notícia)

    Iter. XVI - de Tomar a Santarém por Torres Novas
    Este troço da via XVI aparece num documento de 1213 como «Estrada de Turribus»; retomando a via em Paialvo, segue talvez a linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas por Soudos (Casal de Soudos) e pela chamada «Ponte Romana» sobre a ribeira de Pé de Cão (vestígios em Paraíso/Paraísas), Vargos (junto do Casal de S. Brás), Valhelhas (calçada junto do cemitério), Gateiras (topónimo Porto da Laje), onde começa um troço preservado em calçada com cerca de 1500m que passa a sul da Qta. da Torre de St. António (actual Qta. do Marquês), cruza a ribeira de Arripiado (ponte romana?) e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na sua confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (vide Carta Arqueológica e a magnífica Villa Cardillio cujo espólio está no Museu Municipal Carlos Reis), seguindo depois um hipotético trajecto por Brogueira, Alcorochel (por Casal da Capela, Várzeas, Casal da Varjas, Casal da Roca, Casal do Mau Dente, Qta. dos Formigais, Valverde, Pedregal, Espinhal e Sobral) e S. Vicente do Paúl onde cruza o rio Alviela (talvez nas proximidades dos extensos vestígios de Torrão, Gamacho e Outeiro do Bairrinho, continuando junto do topónimo Corredoura), Torre do Bispo (continua por Alcaidaria), Póvoa de Santarém, cruza a ribeira de Cabanas junto da Qta. de Vale de Lobos, continuando talvez próximo do sítio romano das Besteira, eventual mutatio visto que se situa junto do local onde confluía uma outra via proveniente de Collippo por Porto de Mós e Tremês rumo ao Tejo, seguindo daqui até Santarém.
    • Ligação ao Porto Fluvial de Chões de Alpompé: deveria existir um diverticulum da Via XVI rumo ao importante porto fluvial de Moron que segundo Estrabão estaria a 500 stadia do mar, ou seja cerca de 92,5 km, podendo corresponder ao povoado romanizado de Chões de Alpompé, local estrategicamente situado próximo da foz do rio Alviela; outras vias vicinales serviriam os muitos sítios romanos ao longo da margem direita do rio Tejo como a villa de S. Miguel/Qta. dos Álamos na Golegã, a villa de Portas de Água a norte de Azinhaga, a villa ou vicus sob a aldeia de Pombalinho, e a villa de Cirne, situada no «Vale da Carreira», topónimo que denuncia a passagem de uma via antiga, eventualmente com origem romana, restando um extenso troço calcetado na zona de Barreiras da Bica/Boavista seguindo rumo a Santarém.

    Santarém (SCALLABIS) (oppidum e mansio a 25 milhas a Alenquer; sede do Conventus Scalabitanus; na Alcáçova de Santarém, actual Jardim das Portas do Sol, apareceu um miliário dedicado a Probo, actualmente na Igreja de Santo Agostinho da Graça; a área foi recentemente escavada e os achados estão em exposição no novo Centro de Interpretação «Urbi Scallabis»; no pátio da Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Santarém; a via romana chegava pelo lado norte, ascendia pela Calçada de S. Domingos junto da necrópole e entrava na cidade pela antiga Porta de Leiria junto da Igreja de Nossa Senhora da Piedade; percorria depois a actual rua Capelo e Ivens até ao cruzamento com a rua 1º de Dezembro, num local conhecido por «Canto da Cruz», possivelmente o ponto de cruzamento do decumanus com o cardus da antiga urbe; uma derivação daria acesso ao porto fluvial em Alfange, onde apareceu uma estátua do deus Harpócrates)


    Scallabis a Olisipo
    Mapa















    Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
    Santarém (segue pela rua Dr. Teixeira Guedes e EN3 até Vale de Santarém, continuando pelo trajecto da «Estrada Real» por Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca e passando no troço em calçada na Qta. do Malpique; Mantas, 2002)
    Cartaxo (aqui inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
    Pontével (provável mutatio; referência à via vetera num documento do ano 1200; há calçada «acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola» e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto destruída)
    Aveiras de Cima (continua por Casais da Milhariça, Casais de Tambor e Alto do Archinho, topónimos viários)
    • Ramal de ligação ao Tejo: um pouco antes de Aveiras de Cima partia um ramal de ligação ao rio Tejo seguindo pela rua do Carril, actual linha divisória concelhia, passando por Qta. da Boa Vista, Casais da Lagoa e Qta. do Vale da Pedra, onde cruzava o rio Tejo para Escaroupim.
    Travessia do rio Ota (a zona está muito alterada, hipotética travessia em Pontes de S. Bartolomeu, seguindo depois pelo extremo sul da pista da Base Aérea da Ota e pelo Casal do Alvarinho, onde apareceu um tesouro, até Camarnal?)

    Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, provável referência ao paredão de origem romana que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Qta. do Bravo, Qta. das Sete Pedras e Qta. de Sta. Teresa; na necrópole da Qta. do Bravo apareceu um miliário a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa; na Qta. de Santa Teresa apareceu um outro miliário indicando o numeral [...]XV (Mantas, 2017), possivelmente indicando 25 milhas a Santarém, visto que esta cidade se situa a essa distância de Alenquer; na villa da Qta. da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012a); no Pinhal do Alvarinho apareceu um tesouro monetário; após a travessia do rio Alenquer, a via continuava pelo caminho da Pacheca, marginando a necrópole do Casal de St. António, a Qta. das Varandas e a Qta. Velha)
    • Ligação ao Rio Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (onde parece haver estruturas soterradas, eventualmente o recinto de circo), seguindo depois pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigillatas provenientes de dragados (Costa, 2010).
    Carregado (passa em Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
    Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; povoado fortificado no Monte dos Castelinhos; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)
    Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007)
    Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra)
    Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; por volta de 1630 Coelho Gasco menciona um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; no entanto, as 23 milhas indicadas excedem em muito a distância entre Alverca e Lisboa que é aproximadamente de 18 milhas, sendo por isso provável um erro na leitura de Gasco, tal como propôs Vasco Mantas, trocando o numeral «XVIII» por «XXIII» o que é bastante plausível; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, local onde teria existido uma mutatio, bifurcando nas duas variantes descritas a seguir; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)

    • Itinerário para Lisboa por Loures
      Com a descoberta de 2 "novos" miliários em Loures sai reforçada a via romana rumo a Lisboa passando no núcleo urbano de Loures, no povoado viário de Almoinhas, onde poderia existir uma estação viária tipo mansio, estrategicamente situada no local onde recebia o tráfego da via litoral proveniente de Conimbriga que vinha por Collippo e Eburobrittium; daqui seguia pela Ponte de Frielas, onde estaria o outro miliário conhecido deste percurso que apareceu deslocado na Qta. de St. António; deste modo é possível que este fosse o verdadeiro traçado da Via XVI, evitando o inundável percurso pela margem direita do rio Tejo.
      Vialonga (EM501 por Morgado e Quintanilho)
      S. Julião do Tojal (atravessa o rio Trancão em Junqueira; calçada; tesouro na Qta. da Bandeira)
      St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por Qta. Velha, onde havia vestígios de calçada, continua por S. Roque e Qta. do Sacouto até à travessia do rio Loures)
      Loures (vicus de Almoínhas, junto do Palácio da Justiça, onde deveria existir uma mutatio dado que aqui foram recolhidos 2 miliários tardios, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho, um deles, dedicado a Licínio, indicando correctamente X milhas a Lisboa; a via seguiria a EN8)
      Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (em 1907 apareceu na Qta. de St. António uma epígrafe com a inscrição […] / BONO / REIP NATO e logo reutilizada nos alicerces da quinta actual; a inscrição, da qual resta apenas um desenho seria, segundo Vasco Mantas, estaria originalmente junto da Ponte de Frielas, integrando-o no grupo de «miliários prismáticos» tardios com inscrições similares, sempre relacionadas com a passagem de vias, apesar das dúvidas sobre a sua classificação como miliário; 2 km a norte existem vestígios de uma grande villa romana junto da Capela de Sta. Catarina, onde apareceu uma rara caixa de selos, testemunho da existência de correio; não muito afastada desta há vestígios de outra villa na Qta. do Belo em Unhos; da ponte a via seguiria pelo vale de Póvoa de St. Adrião, subindo depois a Calçada de Carriche rumo ao Alto do Lumiar)
      Lisboa (OLISIPO) (continuava por Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», onde apareceram dois cipos funerários, continuava talvez pela antiga via designada por «Corredoura» na Idade Média que deverá corresponder a um percurso pela rua Visconde de Santarém, Calçada de Arroios, Rua de Arroios e rua dos Anjos, onde terá havido necrópole, continuando pelas actuais ruas do Benformoso, da Mouraria e do Poço de Borratém, seguindo depois sob a Baixa Pombalina entre as ruas dos Douradores e dos Fanqueiros até à zona ribeirinha, terminando o seu percurso muito provavelmente junto da Casa dos Bicos dado que aqui apareceu o referido miliário a Probo que hoje está no Museu Municipal e muito possivelmente o local onde se fazia a travessia do rio Tejo para Cacilhas; Mantas, 1996; Banha da Silva, 2012)

    • Variante para Lisboa por Sacavém e Chelas pela margem direita do Tejo
      Esta variante deriva da variante por Loures na zona da Alfarrobeira, onde poderia existir mutatio, seguindo depois por Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis), S. João da Talha e Bobadela (junto da Qta. da Parreirinha).
      Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco d'Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
      Sacavém (provável mutatio; seguia talvez pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues)
      Portela, Moscavide (cruzava a zona de Olivais, seguindo junto da necrópole de Poço de Cortes, hoje sob a Av. do Santo Condestável)
      Chelas (lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas; lápide na Qta. da Bela Vista; a via seguia pela Estrada de Chelas, passando junto do Convento de S. Félix de Chelas, onde estaria um suposto miliário referido em 1652 por Marinho de Azevedo na sua obra «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» e registado por Hübner no CIL II com a referência 4631; no entanto, nada indica que esta inscrição fosse de carácter viário)
      Cruz de Pedra (a uma milha de Olisipo; segue a Calçada da Cruz de Pedra e rua da Sta. Apolónia)
      Alfama (rua do Mirante, rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de S. Pedro e rua S. João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura»; na igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
      Lisboa (OLISIPO) (a via romana terminava na zona ribeirinha provavelmente junto da Casa dos Bicos na rua dos Bacalhoeiros, acedendo daqui pela rua das Cruzes da Sé ao antigo forum sob o actual Claustro da Sé, onde há vestígios de uma via urbana)

    Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
    A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios de uma calçada cruzando a «Baixa Pombalina» até à zona ribeirinha; há também vestígios de uma ponte sob a antiga rua do Arco da Bandeira, actual rua dos Sapateiros, cruzando o braço do rio que chegava à Praça da Figueira; porto fluvial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «Al-quantara», ou «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas hoje pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registados na época vários vestígios monumentais que indiciam a grande importância da sede do municipium Olisiponense em época romana, como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de S. Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de S. Nicolau apontam para uma necrópole.

    Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII


    Mapa









































































    Alio Itenera ab
    Aquae Flaviae








    ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    Item a BRACARA
    ASTURICAM

    SALACIA
    PRAESIDIO
    CALADUNO
    AD AQUAS
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. CCXXXVII
    m.p. XX
    m.p. XXVI
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XXV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XIIII
    O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino tem suscitado muitas dúvidas apesar dos muitos miliários conhecidos (actualmente cerca de 32), dando origem a várias propostas de trajecto e variantes. A primeira descrição do seu percurso foi feita pelo bispo de Uranópolis, informador de Contador de Argote que a relatou na sua obra de 1732 «Memorias para a Historia Ecclesiastica do Arcebispado de Braga» e desde então se tem discutido o traçado da via e localização das suas estações intermédias ou mansiones originando uma grande diversidade de soluções. O levantamento do traçado da via em 2005 no âmbito do projecto «Vias Augustas», do qual resultou a limpeza e sinalização da via para uso público, trouxe nova luz sobre o itinerário, mas não solucionou a diferença de milhas que existe no I.A. e as medidas no terreno porque optou por fazer o trajecto do Itinerário XVII pela variante mais a sul por Cortiço, Arcos e Alto do Pindo que sendo sem dúvida romana, não acerta com as distâncias indicadas no I.A. Reunindo toda esta informação, propõe-se o seguinte trajecto. A primeira estação viária, designada por Salacia, situa-se a 20 milhas de Braga junto do Castro de Vieira do Minho (Colmenero, 2004). A segunda estação, designada por Praesidium, estava a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves, devendo por isso localizar-se entre Pisões e Penedones embora não seja segura a localização exacta do povoado. Pouco depois, em Travassos da Chã, a via bifurcava seguindo uma ramo para norte rumo à estação seguinte, designada por Caladunum que corresponde ao importante povoado mineiro da Ciada junto da aldeia de Gralhas que se encontra a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves conforme indicado no I.A. (Argote, 1732). O outro ramo inflectia para nascente cruzando o rio Rabagão junto do Castro de S. Vicente, seguindo depois por Arcos e Pindo para Chaves. A partir de Caladuno, a via seguia ao longo do vale da ribeira da Assureira por Solveira e Vilar de Perdizes, continuava por Soutelinho da Raia, Castelões, Calvão, Vale de Anta e Casas dos Montes até Ad Aquas que podemos localizar com certeza na actual cidade de Chaves. Para mais informação consultar a seguinte bibliografia: Pinheiro, 1895; Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et al.; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005 e 2012. Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus: MDDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


    Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, CIL II 4760, hoje no MDDS com o nº 1992.0674; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário a Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante e Constantino Magno; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua ao longo da margem direita do Rio Este pela rua do Raio, Igreja da Senhora-a-Branca, onde recentemente apareceu uma necrópole e restos da via, Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua de S. Vítor-o-Velho actualmente cortada pela antigas instalações da Fábrica Confiança; continua pela rua do Pulo e rua Nova de Sta. Cruz, antiga EN103, saindo depois pela rua da «Estrada Velha»; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário a Tibério indicando a milha I, hoje no MDDS com o nº. 1992.0642, e o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et al., 2004)

    Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
    Este de S. Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra do Carvalho, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas, seguindo depois por Carvalho e Calçada; num documento do ano 1056 aparece como carral antiqua; LF 60)
    Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa nas proximidades do castro romanizado do Castelo de Lanhoso e segue por Laje Grande para cruzar a ribeira do Pontido por um troço lajeado e sobe ao «Carvalho Centenário»)
    Calvos (m.p. XI; cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica, junto do cemitério e por Torrão)
    Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho por Botica de Baixo até aos Pardieiros, m.p. XII, continua pela EN103 e logo à esquerda pela EM1364 para Botica de Cima, continua pelo «Caminho do Pousadouro» que passa na aldeia até reunir com a EN103)
    Cerdeirinhas (m.p. XVI, nó viário onde a via inflectia para nascente seguindo a actual EN por Devesa Escura, Outeiro e Loureiro rumo a Vieira do Minho)

    SALACIA, m.p. XX, mansio a 20 milhas de Braga, localiza-se no Castro de Vieira, povoado romanizado nas proximidades de Vieira do Minho que se encontra precisamente a 20 milhas de Braga; no entanto, o edifício da mansio poderia situar-se junto da vila, onde vencia a milha XIX, atendendo aos vestígios de um edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães.

    Vieira do Minho (SALACIA; da base do castro seguia por Vila Seca, Tabuadelo e Pinheiro, seguindo a sul do topónimo viário Parada Velha, iniciando pouco depois a subida pelas vertentes ocidentais da Serra da Cabreira por calçada à Fonte do Confurco, seguindo depois pela Portela da Serradela, com um troço de calçada por 500 m, descendo depois à ribeira das Chedas na Ponte Poldro(?), continuando depois até Espindo, continua pelo troço lajeado designado como «Caminho do Zebral», passando por Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão, seguindo paralela ou coincidente com a estrada actual)
    Zebral (m.p. XXXI; miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV; cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros)
    • Argote refere dois miliários junto da Capela de S. Martinho em Zebral; um deles segundo Argote lia-se ESAR. AUG / STR. XVIII considerando-o um miliário a Augusto (CIL II 4776), e no outro lia-se CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III (CIL II 4775) (Argote, 1732); como não se conhece nenhuma Capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à Capela de S. Pedro, onde ainda hoje está um dos miliários.
    • Argote refere também dois miliários junto a um ribeiro, próximo da aldeia de Campos: um era dedicado a Cláudio (CIL II 4770) e no outro apenas se lia 35 milhas pelo que assinalava a distância a Braga (CIL II 4772); no entanto Argote indica que ambos seriam provenientes da «Portella de Rebordellos», no alto do monte (Argote, 1732), topónimo hoje desconhecido sendo que a milha 35 seria vencida junto da Ponte do Arco. Um destes miliários poderá corresponder ao miliário a Cláudio que está hoje no MRF (ARC396) dado como proveniente da Venda Nova pois este indica também 35 milhas a Braga, apesar de já não ser visível o 'X' inicial (CIL II 4771).
    • Argote refere mais dois miliários adiante da aldeia de Botica de Ruivães, «à vista do rio Canhua», hoje designado por ribeira da Borralha; um estaria já ilegível e perdeu-se, o outro, dedicado a Trajano, indicava 43 milhas a Chaves (Argote, 1732) pelo que poderá ser o mesmo que apareceu posteriormente em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
    • É provável que existisse um ramal por Botica de ligação ao importante Povoado romano de S. Cristóvão situado na confluência dos rios Rabagão e Cávado e junto da actual aldeia de Ruivães.
    Campos (m.p. XXXIII; continua por Lamalonga e Alto do Cambedo, descendo depois à Ponte do Arco)
    Ponte Romana?-Medieval do Arco (m.p. XXXV; cruza a ribeira da Borralha, antigo «rio Canhua» no tempo de Argote, hoje submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova; tanto Argote como Martins Capela e Hübner, CIL 4773, descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte que deverá ser o mesmo que apareceu durante a construção da barragem; esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e hoje está num jardim junto da EN103 à entrada da aldeia da Venda Nova)
    Padrões (m.p. XXXVI; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água)
    Venda Nova (m.p. XXXVII; 43 milhas a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é um miliário cortado a meio indicando também 42 milhas a Chaves, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água)
    Codeçoso do Arco (m.p. XXXVIII; continua junto do Castro de Codeçoso, onde ainda resta um troço da via com 100m lajeados descendo a encosta leste rumo a «Porto de Carros», local hoje submerso pela albufeira, onde cruzava o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas; segundo Martins Capela existia um miliário a Cláudio na descida ao rio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; do rio Rabagão subia a Currais, restando ainda um troço lajeado com 300m que passa no sítio de «Lama do Carvalho», num terreno a que chamam «Borrajeiro», onde Argote refere a existência de um miliário a Tibério, CIL II 4777, hoje desaparecido, indicando a m.p. XXXIX)
    Currais (m.p. XL; no Largo do Cruzeiro, encostado a uma casa, está um miliário anepígrafo, mas que será proveniente da travessia do rio Rabagão de onde foi deslocado em 1900 para o centro da povoação; Argote refere outros miliários na aldeia provenientes do sítio dos «Padrões», actualmente desaparecidos, podendo um deles corresponder ao fragmento de miliário actualmente encastrado na parede de um forno da aldeia de São Fins; a milha 40 seria vencida no centro da aldeia seguindo depois um troço ainda conservado da via que segundo Argote seguia por «Subila», «Brêa» e «Pedreira», topónimos hoje difíceis de identificar, mas que deverá corresponder às actuais ruas da Portela e de Fontelas)
    Ladrugães (m.p. XLII a sul da aldeia, no sítio da «Gêa», continua por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum)
    Friães (cruza a ribeira de Cambela e sobe à povoação de Friães inflectindo para leste para Pisões rumo à Cruz de Leiranque)

    PRAESIDIO, mansio localizada a 46 milhas de Braga ainda sem localização segura; a contagem miliária aponta para uma localização em Pisões, aldeia situada a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves conforme é indicado no I.A., no entanto não são conhecidos vestígios romanos atribuíveis a este povoado; em alternativa esta estação viária estaria mais adiante junto do povoado romano da Leira dos Padrões, seguramente uma referência aos miliários ali existentes e que em conjunto com a ara anepígrafa e tesouro monetário encontrados nas proximidades denunciam a passagem da via romana neste local, provavelmente a «Villa Mel» referida por Argote.

    Pisões (m.p. XLVI; a partir daqui a via ficou submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas antes seguia pela Cruz de Leiranque, onde estava o miliário da «Cantina de Leiranco» onde vencia a m.p. XLVII e que foi deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; passaria depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita)
    Penedones (m.p. L; a via reaparece a sul da aldeia e acompanha a margem da actual albufeira pelo sítio da «Leiras dos Padrões», onde há abundantes vestígios de uma estação viária, outra possível localização da mansio Praesidio, continuando pela Capela de Santo Aleixo e respectiva necrópole romana, associada à m.p. LI, junto do Parque de Campismo)
    Travassos da Chã (m.p. LII; miliário anepígrafo convertido em cruzeiro e deslocado da via para o sítio do Padrão, junto do antigo traçado da EN103, provavelmente após a construção da Ponte da Pedra Seixa sobre o rio Rabagão, actualmente submersa pela albufeira)

    Nó viário de Travassos da Chã: a via bifurcava no largo da aldeia nas duas variantes para Chaves, uma continuava pelo cemitério e pelo caminho do pontão para S. Vicente da Chã para Caladuno, situado no povoado mineiro da Ciada, seguindo depois por Vilar de Perdizes, Soutelinho da Raia, Castelões e Calvão até Chaves enquanto a outra inflectia para leste, seguindo o caminho que passa junto da Capela de S. João para cruzar o rio Rabagão na base do Castro de S. Vicente, continuando depois por Gralhós, Arcos e Alto do Pindo rumo a Chaves, percurso mais curto que o anterior, mas mais acidentado, sendo este caminho pontuado por vários miliários.

    Itinerário XVII por Ciada
    S. Vicente da Chã (m.p. LIV; do pontão segue o caminho de terra que cruza a EN103 junto da Capela de S. Gonçalo, na base do vicus viário do Alto da Carvalha, local de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales; FE 368; continua pela estrada para Montalegre até ao recente «Monumento do Jubileu», onde toma o caminho carreteiro à direita que passa junto do povoado romano da Veiga de Carigo, possível estação viária tipo mutatio, situada entre Medeiros e Peirezes na m.p. LVI, onde apareceu uma ara; cruza a EM308 e continua pelo CM1003 por Ternovale)
    Codeçoso da Chã (Argote refere que a via passava nos topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», hoje desconhecidos)
    Meixedo (m.p. LIX; cruza a povoação e ribeira homónima e segue talvez pela Encosta do Biomal/Campelos)

    CALADUNO, mansio a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves situada a cerca de 1000m para sudeste da aldeia de Gralhas, junto do vicus mineiro da Ciada, onde existiam abundantes vestígios romanos, hoje destruídos pela construção do campo de futebol.

    Solveira (cruza a povoação e no cemitério segue o caminho à direita; povoado mineiro da Telheira/Antas)
    Vilar de Perdizes (vicus da Veiga com importantes vestígios como o Altar de Penascrita/«Pedra Escrita», uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina que integraria santuário rupestre dedicado a Larouco, divindade associada à serra homónima; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também a Larouco e uma outra dedicada a Júpiter, hoje armazenadas na CM de Montalegre; outra inscrição num penedo em Rameseiros; a via cruza a ribeira da Assureira e continua pelo caminho que faz de fronteira com Espanha, passando junto do vicus do Carvalhal, possível mutatio)
    Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul, passando a poente do possível vicus de Pardieiros)
    Castelões (segue pela «Calçada do Facho», percorrendo o sopé do Povoado de Facho de Castelões, tendo aparecido um fragmento de um possível miliário anepígrafo na berma da via talvez indicando a m.p. IX a Chaves)
    Calvão (m.p. LXXIII; miliário deslocado para a entrada da aldeia situada a 7 milhas de Chaves; continua pela Ponte Guilherme, passando a poente do vicus no Outeiro da Torre, cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro)
    Soutelo (m.p. LXVI; 4 milhas a Chaves)
    Vale de Anta (m.p. LXXVIII; miliário anepígrafo desaparecido que estaria originalmente no actual topónimo «Alto do Marco», local situado a 2 milhas de Chaves; placa honorífica a Treboniano Galo na Igreja; Barragem Romana Abobeleira a norte, e minas romanas de Campo Queimado e de Outeiro Machado, onde há um penedo gravado com diversos símbolos talvez relacionados com a actividade mineira)
    Casas dos Montes (m.p. LXXIX; segue junto da Capela de S. Bartolomeu, defronte da qual está um miliário anepígrafo na esquina de uma casa, talvez ainda in situ, indicando nesse caso 1 milha a Chaves)
    Chaves (entrava pela calçada descoberta em 2014 nas fundações de um edifício perpendicular à rua 1º de Dezembro)

    Variante do Itinerário XVII pelo Alto do Pindo
    Travessia do rio Rabagão (m.p. LIII; local hoje submerso, na base do Castro de S. Vicente; continua junto do Novo Bairro do Barroso e pela Estrada do Cemitério)
    Gralhós (m.p. LVI, calçada atravessa a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila)
    Cortiço (m.p. LVIII; miliário anepígrafo sustendo uma varanda de uma casa da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma casa; fragmento de um miliário convertido em bebedouro no jardim de uma casa nova na saída para Arcos; a via segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça onde vencia a m.p. LIX e continua em calçada pelo Alto da Pedra Moura e Breia, passando a norte de Vilarinho de Arcos pela rua da Estrada/CM1001)
    Arcos (na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...], hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; junto da fonte romana existe um fuste de um possível miliário)
    Pindo, Cervos (m.p. LIX; 3 miliários provenientes do Alto do Pindo, local onde inicia a descida da Serra do Leiranco; miliário a Tibério da milha LIX que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno em Arcos e hoje no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos; povoado mineiro a sul do castro de Cervos relacionado com a exploração aurífera em Ferrarias, a nordeste)
    • Hipotética ligação de Arcos à variante norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela na rua da Calçada em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado da via romana que passava a sul por Arcos e Pindo, poderia indiciar uma derivação para norte a partir de Arcos por Sarraquinhos, podendo aqui bifurcar, seguindo para norte rumo a Solveira onde entronca na Via XVII ou, em alternativa, seguia por Pedrário (calçada e povoado) e Mexide rumo a Soutelinho da Raia, onde entronca também na Via XVII.

    Variantes do Alto do Pinto a Chaves
    A partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, existem aparentemente dois percursos para Chaves. A «variante norte» segue um trajecto mais curto por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, apresentando ainda vários troços de calçada e uma inscrição viária no lugar da Pipa próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). Por outro lado a «variante sul», servia as importantes explorações auríferas do Vale do rio Terva como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, marginando o Castro de Malhó e o vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da Serra até Pastoria, onde apareceu um miliário a Trajano indicando 5 milhas de Chaves, descendo depois a Vale de Anta, onde reúne tanto com a «variante norte» como com o Itinerário XVII por Ciada.


    • Variante Sul por Sapelos e Pastoria:
      Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando na base do Castro da Malhó)
      Nogueira (segue a nordeste da povoação, situada na base do povoado da Idade do Ferro designado por Castro da Nogueira)
      Bobadela (inscrição aos L(ares) Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da Capela de S. Lourenço; a via passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, cruzando o ribeiro do Ferrugento na base do Alto do Picão e seguindo ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa para cruzar a ribeira de Calvão na Ponte das Meãs; neste percurso a via passa próximo do povoado mineiro do Carregal associado à exploração da Mina do Poço das Freitas, subsistindo vestígios de rodados em Giraldo)
      Sapelos (m.p. LXV; vicus viário; ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas; o miliário de Sapelos, dedicado a Augusto, foi encontrado deslocado num carvalhal designado por «Lapavale» que fica a cerca de 800m para nordeste da aldeia de Sapelos, já convertido em sarcófago e era por isso chamado de "Pedra do Caixão"; apesar de danificado ainda se pode ler BRAC LXV[...] ou seja, indicava a distância a Braga num possível intervalo entre 65 e 68 milhas; o local fica na base do Castro do Muro ou da Cerca e junto da ribeira de Calvão, tendo defronte o povoado romano na Capela da Sra. das Neves/ Povo de Paredes, situado na confluência das ribeiras de Calvão e de Cunhas. No entanto, o seu local original seria outro, junto da via, talvez junto no topo da encosta onde se regista o topónimo «Padrão» e onde a via XVII vencia a milha 66; actualmente está no Centro de Interpretação do PAVT (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
      Pastoria (m.p. V a Chaves; inscrição funerária de Camalus; miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, hoje no MRF; aquando da sua descoberto estaria já deslocado e longe da via na «Serra da Pastoria», possivelmente como marco divisório, desconhecendo-se o local original da sua implantação, mas segundo o traçado proposto, este marco poderia estar à saída da aldeia da Pastoria, junto da Capela do Senhos dos Aflitos que fica a cerca de 5 milhas de Chaves (2017); daqui segue um extenso troço ainda preservado seguindo pela calçada do Alto da Mortiça, hoje cortado pela A24, continuando até Seara Velha onde entronca nas outras variantes e daqui a Chaves)

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio a Aqvas no I.A.)
    Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário a Constantino, desaparecido (CIL II 4784), o miliário a Licínio que apareceu à margem do rio Tâmega, entretanto relocalizado em 2006, e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria na Igreja de S. João de Deus e indicava a milha II (CIL II 4779) e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho (CIL II 4780) de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reaproveitado para base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário a Décio indicando a milha VI e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no jardim junto ao Castelo de Chaves está cravado no solo o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; o Museu da Região Flaviense guarda 13 miliários, nomeadamente, os três miliários achados na Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).
    • Ligação de Vilar de Perdizes à «Via Nova»: poderia existir uma derivação desta estrada para norte a partir de Vilar de Perdizes rumo à mansio Geminas da «Via Nova», seguindo por próximo dos Castros da Idade do Ferro do Soutelo e Cidade de Grou, continuando pelos termos de Xironda, Saceda, Lucenza (miliário na Capela de Santa Marta e na povoação), Xinzo de Lima e Sandiás, provável localização da mansio Geminas.

    Outras vias a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE)
    A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário de onde partiam várias vias secundárias quer rumo ao rio Douro quer rumo à Galiza, ainda que neste caso o seu destino final ainda não seja muito claro. Além destes importantes eixos N-S, há evidências de outros eixos viários que serviam um povoamento romano distribuído por pequenos vici com vocação agrícola ou mineira (Teixeira, 1996; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2010).

      Direcção norte rumo a Lugo e Santiago
      (por ambas as margens do Tâmega)
    • Chaves - Verín (Via Aquae Flaviae - Tamacum- Lucus Augusti?): depois de cruzar a ponte sobre o Tâmega inflectia para a norte ao longo da margem esquerda do rio, seguindo pelo Caminho de S. Roque, onde se achou um miliário a Licínio (Carneiro S., 2005), percorrendo depois a Veiga de Chaves até Vila Verde da Raia (ara votiva na igreja e ara a Júpiter; vicus?), cruza a fronteira para Feces de Abaixo e continua por Tamaguelos (miliário), Mourazos (Coelobriga, no lugar de «Raposeiras»), Tamagos, Queizás (miliário), Verín (Tamacanorum no Castro de Monterrei, sede da civitas dos Tamacani; 3 miliários, um é anepígrafo e está na «Casa dos Acevedo», outro é dedicado a Constante e está no bairro de San Lázaro), Vilela (miliário a Caro) e Vilamaior (miliário), rumando depois talvez à mansio Salientibus em Xinzo da Costa entroncando na «Via Nova», a via romana que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta, actual Astorga, referida no Itinerário XVIII de Antonino.

    • Chaves - Oímbra (Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae?): a via partia da cidade rumo a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz e Outeiro Seco (seguindo a rota da EM506 junto do habitat de Ribalta, desvia depois pelo Caminho da Mó, passando a nascente do habitat romano da Igreja Românica da Sra. da Azinheira; ara a Hermes Devoris encontrada junto a um ribeiro próximo da Capela da Ns. do Rosário, CIL II 2473, consagrada por G. Cexaecius Fuscus aludindo a combates de gladiadores; continua pela EM506 junto Capela da Ns. da Portela e do cruzeiro da Ns. dos Desamparados, junto do habitat de Montes Claros, onde poderia tomar o «Caminho do Vale da Carvalha» que passa entre Vilela Seca e Vilarinho, contornando pelo poente as Minas de Barrocos/Trincheiras/Fachos), Vilarelho da Raia (muito próximo, na povoação espanhola de Rabal, existe um miliário anepígrafo reutilizado como suporte numa casa; duas aras a Júpiter na Igreja Matriz talvez provenientes do vicus viário do Vale da Ermida, 2 km adiante, onde poderia existir uma mutatio pois assenta sobre a actual linha fronteiriça e dista cerca de 12 Km de Chaves); seguia depois por San Cibrao (miliário a Dalmácio), Oímbra (500m a oeste, por Carregal), Rosal, cruza o rio Porto do Rei Búbal para Vilaza (miliário das Lagoas, entre Queizás e Vilaza; passa em Portela e Bagoeira) e segue por Albarellos, Guimarei e Trasmiras (miliário na aldeia de Santa Baia de Chamosiño) em direcção a Xinzo de Lima e à mansio Geminas em Sandiás, onde cruzava a «Via Nova», podendo ter continuidade para Iria Flavia, provavelmente localizada em Padrón (Santiago de Compostela).

    • Direcção nordeste rumo a Astorga
    • Chaves - Lama de Arcos (Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria?): inicialmente seguia a via Chaves-Lugo até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para noroeste em direcção a Vila de Frade, passando na base da Capela de Sta. Marta (