Vias Romanas em Portugal
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Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via, designadas por mansiones, e as respectivas distâncias expressas em milhas. São apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a quase totalidade do território Português. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.
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Os XI Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI - BRACARA (Braga) a OLISIPO (Lisboa)
 Itinerário XVII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUAE FLAVIAE (Chaves)
 Itinerário XVIII - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) pela SALANIANA (Serra do Gerês) - Via Nova
 Itinerário XIX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por LIMIA (Ponte de Lima) e TUDAE (Tui)
 Itinerário XX - BRACARA (Braga) a ASTURICA (Astorga) por AQUIS CELENIS (Santa Tecla?) - per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por EBORA (Évora)
 Itinerário XIV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por ABELTERIO (Alter do Chão)
 Itinerário XV - OLISIPO (Lisboa) a EMERITA (Mérida) por FRAXINUM (Monte da Pedra?)

No território nacional existem ainda os 3 seguintes itinerários:
 Itinerário XIII - OSSONOBA (Faro) a SALACIA (Alcácer do Sal)
 Itinerário XXI - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por SALACIA (Alcácer do Sal)
 Itinerário XXII - BAESURIS (Foz do Guadiana) a PAX IULIA (Beja) por MYRTILIS (Mértola)

Outros Itinerários Romanos


 Itinerário de BRACARA (Braga) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul de Portugal
Braga (BRACARA) - Monção (Minius flumen)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Celorico da Beira
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Lamego (Lamecum?)
Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
Astorga (ASTURICA) - Vilariça (civitas Banienses?)
Porto (CALE) - Barcelos (Karraria Antiqua)
Porto (CALE) - Guimarães (Via Vimaranes)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela orla costeira
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Celorico da Beira - Bobadela (civitas)
Celorico da Beira - Póvoa de Mileu (civitas)
Seia - Belmonte (Centum Cellae)
Moimenta (Arabriga?) - Linhares por Algodres
Moimenta (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (civitas)
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
Mealhada (mansio) - Bobadela (civitas)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Mangualde (Araocelum?)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIUM)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIUM)

Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Tomar (SEILIUM) - Belmonte (CENTUM CELLAE)
Tomar (SEILIUM) - Mérida (EMERITA)
Alvega (ARITIUM) - Salamanca (SALMANTICA)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Évora (EBORA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Sobral da Adiça (Arucci?)
Évora (EBORA) - Serpa (SERPA)
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Faro (OSSONOBA)
Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Sobral da Adiça (Arucci?)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Beja (PAX IULIA)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Lagos (Laccobriga?)
Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
Mértola (MYRTILIS) - Sobral de Adiça (Arucci?)
Mértola (MYRTILIS) - Serpa (SERPA)
Foz do Guadiana (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - Alvor (IPSES)
Faro (OSSONOBA) - Beja (PAX IULIA)

 Outras Vias Romanas
Rede viária a norte do Rio Douro (flumen DURIUS)
Rede viária do Porto (CALE)
Rede viária de Freixo (civitas TONGOBRIGENSIS)
Rede viária de Freixo de Numão (civitas Meidobrigensis?)
Rede viária de Marialva (civitas ARAVORUM)
Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
Rede viária de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Rede viária de Póvoa do Mileu (civitas Lanciensis Transcudani?)
Rede viária de Idanha-a-Velha (civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária de S. Salvador de Aramenha (civitas AMMAIENSIS)



ITER XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII


Bracara a Cale
Mapa






















































ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM

IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONEMBRIGA
EMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. CCXLIIII
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XXVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real e a Estrada Nacional EN1 até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Seilium, a actual cidade de Tomar, enquanto a EN1 deriva para poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collippo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O itinerário utiliza várias vias romanas independentes; inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale num total de 35 milhas por um trajecto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências). O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações permeio, Langobriga e Talabriga por um percurso que ainda suscita algumas dúvidas até porque hoje apenas conhecemos 4 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Úl deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis indicando 12 milhas talvez a Langobriga, o miliário de Adães depositado na Casa Paroquial de Úl, o miliário da Vimieira transladado para o átrio da C.M. da Mealhada indicando 12 milhas a Coimbra e o miliário do Arco da Traição indicando 4 milhas a Coimbra, hoje no Museu Machado de Castro. A sul de Coimbra não se conhecem mais do que 8 miliários, entre os quais se destacam o miliário de Tamazinhos indicando 8 milhas a Conimbriga, atestando assim a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do Castelo de Soure, embora este possa estar antes relacionado com a variante pela orla costeira atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 8 miliários, os miliários da Qta. do Bravo e da Qta. de Santa Teresa em Alenquer, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, ambos desaparecidos, os dois miliários recentemente descobertos em Loures e finalmente os dois miliários descobertos em Lisboa, um muito duvidoso que estaria no Convento de Chelas e outro que apareceu nas obras de recuperação da Casa dos Bicos actualmente em exposição no Museu da Cidade. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão; sobre esta parte final do percurso ver as "Atas da mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº 1 da Revista Cira Arqueologia. (vide Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Pereira, 1907; Oliveira, 1943; Mantas, 1996, 2000a; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et al., 2004; Ribeiro, 2016).

Braga (BRACARA AUGUSTA)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu. No vizinho Museu Pio XII estão depositados mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), Vila Nova de Famalicão; neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo, FE 196, e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião.

Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é ainda visível na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, junto da biblioteca, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a estrada romana para Cale seguiria na direcção sul aproximadamente pela rua de Santiago, rua S. Sebastião, rua Direita, passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela rua Peão da Meia Laranja, rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com presumível origem romana; continua pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309, vencendo a m.p. I junto das Alminhas)
Lomar (m.p. II; Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja, hoje desaparecido, CIL II 4764, duas aras funerárias e nos terrenos envolventes há tégula; continua por Mouta e Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Ventosa, Capela, onde vencia a segunda milha no cruzamento com a rua de S. Paio, cruza a ribeira do Barral e continua por Mosqueiros e Quinta)
Esporões (m.p. III no lugar de Além; passa junto da Capela da Ns. da Caridade, Além e Bocas; ara a Júpiter no adro da igreja)
Trandeiras (m.p. IV; continua pelo CM1343 por Almoinha, Sá, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (m.p. IV; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem uma estação viária; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas pela EM1347)
Escudeiros (m.p. V; no lugar do Hospital existia uma pousada medieval com possível origem numa mutatio romana; segue pela rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, na sexta milha, de onde provém a ara de Antiscreus, nº 15 do MSMS)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (m.p. VII; miliário a Constantino II junto da igreja, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro, Paredes e cruza o rio Pelhe)
Telhado (m.p. VIII; no século XVI, João de Barros transcreveu um miliário a Adriano indicando a milha VIII que apareceu na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano; no entanto Hübner considera ser um outro miliário, o CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário a Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de S. Cosmado», entretanto desaparecido, CIL II 4867)
São Martinho do Vale (m.p. X; segue a EN309 por Ribeira de Baixo, Pousada e Paço)
Cruz do Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 e segue logo depois à esquerda pela rua Senhor da Boa Fortuna, caminho de terra para S. João da Pedra Leital, rua dos Portais e rua do Sobrado)
Lagoas, Requião (m.p. XII; rua das Lagoas e rua de Santiago)
Santiago de Antas, Famalicão (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por Vela e Capões)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Mantas deverá corresponder ao miliário a Adriano da milha XIII (CIL II 4752) que está hoje no MDDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), o que poderá dever-se a um erro na transcrição inicial feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base do cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas, entretanto perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder ao fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano (Colmenero, 2004).
  • Martins Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos (Capela, 1895).
  • Daqui também seria o miliário da Qta. da Devesa, cravado num penedo no interior da quinta, hoje convertida em Parque da Cidade.
  • Junto da estação C.F. de Famalicão há um possível miliário na Qta. do Vinhal.

Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido na Capela de St. Estevão, CIL II 4740; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas e hoje está desaparecido; a milha 14 seria vencida no nó da EN14)
Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat da Igreja Velha; segundo Capela, existia um miliário na Devesa Alta posteriormente deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, onde se perdeu o rasto; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa? da Qta. de Boamense)
Sta. Catarina (m.p. XVI; miliário a Caracala suporte uma varanda na Qta. de Sta. Catarina, proveniente do sítio do Marco; Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado este marco deveria indicar a milha 16; continua por Fial, Pé de Prata e Fonte dos Castanheiros)
Lousado (m.p. XVII em Garrida; miliário a Magnêncio descoberto na igreja e hoje no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285; em Garrida corta à esquerda pela rua dos Almocreves e rua das Diligências até à margem do rio Ave)

Travessia do rio Ave na Ponte Romana?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existam vestígios concludentes; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro a illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas (Barroca, 2004).
  • Cruzada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo o caminho ao longo da margem esquerda do rio Ave, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte, Esprela, rua Pinheiro Chagas, rua Júlio Brandão, Cavadas, continua pela rua Teixeira Lopes, interrompida pela linha do metro, passando junto da Casa da Eira.

Trofa (m.p. XIX na Ponte Antiga de Real; continua junto da estação C.F., onde existe um possível miliário na berma da estrada, seguindo depois ao longo da linha férrea junto das capelas de S. Martinho de Bougado e da Ns. das Dores até à EN14)
Vale do Eirigo (m.p. XX; continua pela EN14 até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho a cerca de 500m da via)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha», possível ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Peça Má, Alvarelhos (m.p. XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário a Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (possível mutatio na base do importante Castro de Alvarelhos, a civitas Albarelios num documento do ano 907, povoado estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e ponto de cruzamento de várias outras vias secundárias)
  • Vila Boa, a villa romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980)
  • Quinta do Paiço, junto desta quinta em Sobre Sá, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisensis, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Dentro da quinta, no jardim, encontra-se um Miliário a Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa; foi certamente deslocado da via romana que seria neste troço coincidente com a EN14 atendendo aos miliários de Peça Má e da Carriça e indicaria a milha XXIII.
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: Esta variante corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352, passando próximo da Qta. do Paiço na base do castro, e em Palmezão toma o caminho pelas Bouças da Teixeira, apresentando ainda um troço lajeado pouco antes de confluir na rua de Quiraz; a antiguidade deste caminho é atestada num documento medieval do ano 986, onde surge como «carreira antiqua» (PMH DC 151) e pelo facto de ser ainda hoje a linha divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Maia. Em Quiraz, a via parece dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela igreja de S. Pedro de Avioso (EN536), Vilarinho e Castêlo da Maia (junto da estação C.F.), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e o outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na chamada «karraria antiqua».

Nó viário de Alvarelhos: do castro partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago.
  • Ligação ao Castro de Penices: partindo do Muro, seguia para noroeste por Guidões (vestígios na vertente este do maciço de Sta. Eufémia em Cidoi, Cerro e Póvoa; altar votivo ao Genio Saturninus entre o Monte do Castro e o Monte de Cidai), seguindo para a travessia do rio Ave nas imediações de Azevedo, continuando por traçado incerto rumo ao Castro de Penices, junto do qual transpunha o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois na direcção de Rates, de encontro à «Karraria Antiqua», podendo também seguir directo a Barcelos por Gondifelos (vestígios em Lobeira, Fiança e Eirados e Igreja Velha).
  • Ligação à Ponte do Ave: há duas rotas possíveis, uma seguiria por Palmazão (casal) e Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e daqui à Ponte do Ave, ou uma directa à ponte por Fornelo (Igreja/Qta. de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).
  • Ligação a Lavra/Atlântico: também poderá ter origem romana a via de acesso ao mar designada por via vetera e stratra vetere nas Inquirições de Afonso III de 1258 (PMH Inq 492); do castro seguia por Guilhabreu, passando na Sra. do Amparo, Rua da Carreira da Talhada, Parada, Rua das Minas, Rua do Freixo, cruzava a «Karraria Antiqua» em Mosteirô e continuava por Lançaparte, Aveleda e Laceiras rumo ao castro de Angeses e da villa do Fontão junto da costa (Moreira, 2009).

Muro (m.p. XXIII; miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído)
Carriça (m.p. XXIV na divisória entre os concelhos de Trofa e Maia; antiga estalagem; continua pela EN14 por Ribela)
S. Pedro de Avioso (m.p. XXV; miliário a Caro do Ferronho; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2km a sul da Carriça e a 19m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da Capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu da Maia onde está em exposição juntamente com a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Castêlo da Maia (m.p. XXVI; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de S. Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Castro de Avioso/Monte de St. Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisensis, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Barca (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga numa casa do lugar de Rapozeira; estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca que serve de divisão entre freguesias (Ribeiro, 2016); continua talvez por Pinta pela rua Bernardino Machado e Duarte Pacheco)
Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, próximo da CM; segue a rua Augusto Simões e rua do Catassol)
Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX ; a via serve de divisória entre as freguesias de Leça do Balio e Gueifães, atingindo a milha 29 no cruzamento com a rua António Aleixo, continuando pela rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda)

Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha)

São Mamede de Infesta (m.p. XXXI; passa no Largo da Ermida, rua da Conceição e estação C.F., onde vencia a milha 31, continuando do outro lado da linha férrea até à Capela de St. António Telheiro e Largo do Marco; topónimo Carriçal denuncia a passagem da via)
  • Hübner refere um miliário a Adriano (CIL II 4735) que estaria a servir de base do cruzeiro da Qta. do Dourado/St. António, situada na rua da Igreja Velha; posteriormente terá sido reutilizado no cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 milha do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994); a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de S. João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (m.p. XXXIII; cruza a VCI e segue pelo Jardim da Arca d'Água, rua do Vale Formoso, atingindo a milha 33 no cruzamento da rua Antero de Quental com a rua António Cândido, linha divisória entre freguesias de Paranhos de Cedofeita)
Cedofeita (m.p. XXXIV; continua pela rua Antero de Quental até ao Largo da Igreja da Lapa, passando junto da Capela do Sr. do Socorro onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago, seguindo depois pela Praça da República, antigo «Campo de St. Ovídio», rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de St. Ovídio», atingindo a milha 34 no cruzamento da rua das Oliveiras com a Travessa de Cedofeita, na linha divisória entre as freguesias de Cedofeita e Vitória, continuando pela rua Sá de Noronha, Largo do Moinho de Vento, «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», desce pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio, subia pela rua do Souto, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant'Anna ou Porta do Souto, cujo arco foi demolido em 1821)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; oppidum dos Callaicos situada no Morro da Pena Ventosa à Sé; vestígios do antigo castro romanizado na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro na rua D. Hugo, assim como nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos Laribus Marinis, uma ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos, alberga a colecção de epigrafia do Seminário Maior, hoje Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana, restos de estruturas habitacionais e a villa da Casa do Infante com os seus mosaicos; a recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores, demonstrou que o povoamento romano estendia-se por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS Magaudiis(?) talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à «Via Nova» e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km, o que deverá corresponder ao acidente geográfico do Cachão da Valeira)


Cale a Talabriga
Mapa























Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no «Ravennatis» (Rav. IV.43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus, militar da Legião X Gémina originário de Olisipo e membro da tribo Aemilia, hoje em exposição no Solar dos Condes de Resende; ILER 6317; Guimarães 1995, 2000)
Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha ascendia pela antiga «Calçada de Vila Nova», também conhecida por «Rua Direita», nas actuais rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes ou, em alternativa pela rua General Torres)
Mafamude (m.p. I no Largo dos Aviadores; continua pela rua Marquês Sá da Bandeira marginando o Castro de Mafamude, continua pelo Jardim Soares dos Reis e rua da Rasa, junto do «Clube Vilanovense» toma a rua António Rodrigues da Rocha, ascendendo suavemente à Rotunda de St. Ovídio)
Santo Ovídio (m.p. II; no cruzamento com a rua do Padrão existia a Capela do Sr. do Padrão, já desparecida, certamente em alusão ao miliário desta milha; continua pela rua Soares dos Reis, rua Fonte dos Arrependidos, rua da Palmeira, reaparecendo do outro lado da A1 como rua do Alto das Torres)
Rechousa (m.p. III; continua pela rua da Rechousa)
Canelas de Cima (m.p. IV na subida da Sra. do Monte, onde ainda resta um raro vestígio de algumas lajes da calçada de romana, paralela à actual rua Sra. do Monte, mas a via foi destruída pela construção da EN1 e em parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono; continua pela estrada actual onde existe o topónimo Vendas de Cima, mas depois foi cortada pela construção do nó da auto-estrada, onde vencia a milha V)
Carvalhos (m.p. VI; a via reaparece na Av. Dr. Moreira de Sousa, seguindo pela rua do Padrão até ao Largo França Borges, onde estaria o miliário da milha VI, continuando pela rua Gonçalves de Castro)
Monte Murado (Ceno Oppido?) (m.p. VII; eventual mutatio em Seada, na base do Castro romanizado do Monte Murado, possivelmente o povoado Ceno Oppido referida na Cosmografia do Anónimo de Ravena; duas necrópoles; duas raras tesserae hospitales foram encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo em Idanha e hoje estão no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização; continua paralela à EN1)
Barrancas (m.p. VIII nas Alminhas; continua por Feiteira)
Vendas de Grijó (m.p. X na Ribeira da Venda)
Picôto (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada; vide via para Santa Maria da Feira)
Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842)
Lourosa (m.p. XIII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)
Ferrada, Fiães (m.p. XIV; a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até Ferrada, topónimo viário onde venceria a milha 13; pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50m depois na rua do Arieiro; mais uma atentado ao curso da via perfeitamente evitável)

LANGOBRIGA, mansio a 13 milhas de Cale e 28 milhas de Talabriga; o povoado estaria 1000m a nascente no Castro do Monte de Sta. Maria no Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter, hoje em exposição no Museu Convento dos Lóios, na Feira, e o epitáfio de Boutius; no entanto a mansio poderia estar situada no lugar da Ferrada, possivelmente de onde partia o diverticulum de acesso ao castro.

Souto Redondo (m.p. XV; continua pela rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da antiga «Estrada Real» com a calçada original em seixos rolados, seguindo até ao Largo de Airas, onde resta um pequeno troço de calçada com cerca de 50m formada por grandes lajes de pedra, continuando pela «Estrada Real» até desembocar na EN1)
Albergaria de Souto Redondo (m.p. XVI junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco e da Malaposta de S. Jorge, seguindo sob a EN1 pela rua da Malaposta)
Escapães (m.p. XVIII; clara referência à via romana como «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Vimieira de Coimbra», povoação situada a sul de Mealhada; continua pela EN1, marginando a Capelinha da Meia Légua, onde toma a rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, na m.p. XVII, continuando depois pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Vicente Reis)
Arrifana (m.p. XIX junto da Igreja Matriz; possível mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via E-O que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecida" no Museu Soares dos Reis; continua pela rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
S. João da Madeira (m.p. XX junto da Igreja Paroquial; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 703; em 1995 apareceu um tesouro com 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez junto da Capela de St. António, continuando pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães)
Faria (m.p. XXII; segue a rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana até ao rio Úl)
Ponte Medieval da Pica (m.p. XXIII; continua por Cavadas do Couto, cruzando a EN1 e seguindo pelo caminho defronte que foi cortado pela A1 300m depois; do outro lado da A1, a via reaparece para ir cruzar a ribeira do Cercal na base de um possível povoado referido por «Castelo», passando junto de um sítio referido por «Torre Antiga», possivelmente uma atalaia para controle da via associado à m.p. XXII; 2017)
Lações (m.p. XXV; continua por Lomba, EN227-1, Lações de Cima, marginando o castro no Monte da Sra. de La-Salette, totalmente destruído pela construção do actual parque)
Oliveira de Azeméis (m.p. XXVI no centro da cidade; passa junto da Igreja Matriz e do miliário de Úl, continua pela Av. Ferreira de Castro e rua do Serro, Lousas e Avelão)

Úl (m.p. XXVIII a Cale; estação viária tipo mutatio na confluência do rio Úl no rio Antuã, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, o miliário a Tibério que indica 12 milhas, o único marco que resta no troço entre Porto e a Mealhada, correspondendo à distância deste local à mansio de Langobriga, situada no sítio da Ferrada em Fiães, seguramente assinalando também o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda um mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga, esta situada junto do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis; na outra margem do rio Úl, junto da Igreja da Ns. das Febres, apareceu um miliário em Adães, também deslocado e hoje depositado na Casa Paroquial de Úl (Almeida, 1956; Mantas, 1996:342).

Travessia do rio Antuã na Ponte da Anjeirinha? (continua pela rua do Avelão, )
Travanca (m.p. XXIX junto do povoado do Monte da Pena; a via continua pela antiga «Estrada Real», passando por Besteiros e Caniços)
Bemposta (m.p. XXX na capela junto dos antigos Paços do Concelho)
  • Miliários: Frei Bernardo de Brito refere na sua obra «Monarchia Lusytania» publicada em 1597 uma «pedra com as letras COS VI / P IX PF / VAC XII P. M.» que interpretou como um miliário indicando 12 milhas ao rio Vouga, o Vacua de Estrabão (III, 3, 4) e o Vacca para Plínio (NH, IV, 35). A descrição feita por Brito do seu local de achamento é a seguinte: «no alto de hum monte que fica entre os lugares de Albergaria, & Bemposta, em fronte de outro chamado Pinheiro, no cume do qual se vem inda claramente os sinais de muros antigos, que cercão grão parte da coroa do monte, (...) me disserao se chamava Castelo de Gião»). Existem de facto vestígios de um povoado fortificado junto da povoação de Branca que se adequa a esta descrição, o Castro de São Julião, no entanto, a distância daqui ao Vouga é inferior a 12 milhas (cerca de 19,3 km) pelo que também é possível que estivesse um pouco mais a norte, como refere Brito «em fronte a Pinheiro», mais de acordo com distância indicada (vide Pereira, 1907; Oliveira, 1943; Mantas, 1996: 332-336; Alarcão, 2004a). No mesmo capítulo, Brito menciona uma outra inscrição encontrada no vale de Ossela assinalando a presença de coortes da Légio X Fretense nos praesidia de «VACE OSCEL LANCO CALEN AEM» (ML, II, V, 1), que deverão corresponder aos povoados de Vacua (Cabeço do Vouga), Oscela (Castro de Ossela), Lancobriga (Castro do Monte Redondo, Fiães), Calem (Gaia/ Porto) e Aeminium (Coimbra). A propósito da Legião X Fretense, Brito refere uma outra inscrição proveniente de Conímbriga mencionando um seu centurião (ML, II, V, 1) e temos também em Idanha-Velha a homenagem a Avitus, tribuno desta mesma legião.

  • Pinheiro da Bemposta (milha XXXI no cruzeiro; continua pela rua de S. Lázaro, cruza a linha férrea, reúne com a EN1 e segue por Curval de Baixo, antiga malaposta da estrada real)
    Branca (m.p. XXXII; provável mutatio no lugar de Coche, situada na divisória entre as freguesias de Branca e Bemposta a 10 milhas do rio Vouga; referido como «Abranca» num documento do ano 922, PMH DC 25, e noutro de 1088, PMH DC 708, como «Castro de Abranka» que deverá corresponder ao Castro de S. Julião; nas inquirições de D. Afonso II surge uma referência à via como «estrada», Oliveira, 1943)
  • A via romana deverá coincidir com a «Estrada dos Reis» (CM1453-1), a antiga Estrada Real que ia por Coche, Escusa e Lajinhas, provável referência toponímica ao lajeado da estrada, entretanto removido, restando algumas pedras guias junto da berma; seguia depois paralela à linha férrea até confluir na EN1 (vide Sousa, 1960).
  • Ligação a Cristelo: poderia existir uma via para poente de ligação ao vicus de Cristelo da Branca, importante povoado situado numa plataforma com controlo visual sobre a orla costeira (vide via litoral Porto-Vouga).

  • Albergaria-a-Nova (m.p. XXXIV junto da capela na EN1)
    Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVIII; desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada», passando na Capela de St. António onde vencia a milha 37, até voltar a reunir com a EN1)
    Serém de Cima (m.p. LXI; há referências a um miliário nesta antiga malaposta; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Seabra Lopes, 2000a)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (m.p. XLI; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

    TALABRIGA, mansio, estação viária junto da travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga/Marnel; o oppidum situa-se no cabeço adjacente, onde ainda são visíveis importantes vestígios, em processo de escavação mas já aberto ao público; a sua localização estratégica face à via romana, controlando a travessia do rio Vouga, justifica plenamente a existência de uma mansio neste local, mas alguma incongruência entre a distância medida no terreno e o valor indicado no I.A., tem impedido a fixação em definitivo desta mansio neste local; de facto enquanto o I.A. indica 31 milhas a Cale, no terreno andaria pelas 39 milhas, faltando 8 milhas que continuam sem explicação definitiva (erro no percurso? erro itinerário de Antonino?); sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907, Oliveira, 1943 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
    • Cruzamento com a Via Vissaium - Talabriga: a via proveniente de Viseu cruzava o Itinerário XVI na base do oppidum (ver itinerário); a continuação desta via, desviando em Travessô para Eixo (forno romano) rumo ao provável Porto Marítimo de Talabriga situado junto do Povoado da Torre junto da actual Igreja de S. Julião em Cacia (na Marinha Baixa, a escassos 325 metros para sudeste, existem vestígios de fornos de um complexo industrial talvez para produção de vidro), local hoje bem longe do mar, mas que na época romana era banhado pelo oceano.
    • Antiga Linha de Costa: na época romana, a linha de costa era bem mais recuada, dando a Talabriga um acesso facilitado ao mar (o geógrafo Edrici escreveu no século XI que «o Vouga é um rio grande, no qual entram embarcações de comércio e galés, porque a maré sobe muitas milhas por ele acima»); a reconstituição da antiga linha de costa desse período permitiu definir o limite do território da civitas para além do qual não poderiam existir vias terrestres; partindo do porto da Torre/Marinha Baixa e rumando a sul, a linha de costa tocaria em Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença (Cantanhede), não muito longe dos vestígios romanos em torno de Cadima e da hipotética ligação à mansio da Vimieira (ver aqui).


    Talabriga a Aeminium
    Mapa










    Aeminium a Conimbriga
    Mapa












    Cabeço do Vouga (TALABRIGA) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    Lamas do Vouga (segue a ruas da «Estrada Real», Cidade de Vaccua e Senhora do Rosário)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel (sobe a encosta pela antiga calçada serpenteando a EN1 até ao Alto do Giestal em Capelinho, actual divisória entre freguesias onde vencia a m.p. XXXIII; há referência medieval à strata maiore, PMH DC 578)
    Mourisca do Vouga (continua pelas ruas 25 de Abril e Liberdade, atingindo a m.p. XXXII junto da Viela do Marco e a m.p. XXXI no cruzamento com a EM578 e divisória de freguesias)
    Águeda (m.p. XXIX junto da travessia do rio Águeda; continua pela antiga «Estrada Real» por Sardão, Chão da Moita, m.p. XXVIII nas Alminhas, e Brejo; cruza a zona industrial de Barrô e a ribeira do Porto da Moita seguindo pelo caminho actualmente cortado pela IC2; continua pela «Estrada Velha» até à Capela da Sra. da Alumieira, m.p. XXV, seguindo depois por Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
    Aguada de Baixo (ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; continua pela rua Cura Rachão, passando na Capela da Sra. da Memória em Aguadela, assinalando a m.p. XXIV, e continua pela rua Alto da Póvoa/EM603)
    S. João da Azenha (m.p. XXV junto da Capela de S. João; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»; continua pela EM1656, passando junto das capelas da Ns. da Ajuda e dos Aflitos onde vencia a m.p. XXII)
    Avelãs de Caminho (reúne com a EN1 e logo depois vence a m.p. XXI no cruzamento com a rua Portela, na divisória entre freguesias; referência num documento de 1288 à «estrada velha coimbrã»)
    Malaposta (m.p. XX; cruza o rio da Serra e segue a EN1 pela base do Castro de Anadia por Vendas da Pedreira e Aguim, onde vencia a m.p. XVII; continuava sob a EN1 por Alpalhão e Sernadelo)
    • Seliobriga: o povoado da Idade do Ferro no planalto de Chãs da Ventosa, em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins), 3 milhas a poente da via, poderá corresponder a Seliobriga, topónimo mencionado no ano 907 na forma «Sancto Martino de Seliobria» (PMH DC, 15; Alarcão, 2004c). Ptolomeu menciona também uma Celiobriga com coordenadas nesta zona. Em Casal Comba apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos.
    Mealhada (m.p. XIV; cruza a povoação pela rua Costa Simões)

    Vimieira (m.p. XII; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário a Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco, actualmente em exposição no átrio da C.M. da Mealhada, foi descoberto durante a construção da linha do norte em meados do século XIX próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha a sul da Mealhada; Mantas, 1996).
    • O local exacto da mutatio ainda não é seguro, mas é possível que corresponda aos vestígios romanos conhecidos por villa da Cidade das Areias na margem esquerda do rio Cértima. No entanto, não o trajecto da via poderá ser pela margem direita.
    • A mutatio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Qta. da Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator; hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
    • A via romana surge em documentos medievais como «karraria de illa Vimeneira» no ano 973 (in PMH DC 106) e noutro de 1095 como «strada de uiminaria» (in PMH DC 817), mostrando que esta estação mantinha a sua importância durante o período medieval.
    • Nó viário da Vimieira: esta mutatio situa-se no cruzamento com uma via no sentido SO-NE que interligava o interior beirão ao litoral.
      • Para nordeste rumo a Bobadela, descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
      • Para sudoeste rumo a Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (villa em Monte Salgado) até Tentúgal (villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
      • Para oeste rumo a Montemor-o-Velho, seguindo por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (ara a Júpiter proveniente do sítio romano da Capela da Sra. do Desterro, junto da EN111; RAP 281 e FE629), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
      • Maiorca, na época romana seria porto fluvial com possíveis ligações às vias descritas acima.

    Da Vimieira a Coimbra:
    Lendiosa
    Quinta da Malposta, Canedo (m.p. XI) Carqueijo (m.p. X)
    Santa Luzia (m.p. VIII; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha)
    Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (m.p VII; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pelo Alto da Pata, cruza Sargento-Mor até às Alminhas de S. Romão, onde toma a «Estrada do Lameirão» ou CM1138 que cruza Adões junto do Alto da Ns. das Neves)
    Trouxemil (m.p. VI; desce a encosta por um caminho hoje quase imperceptível pois foi cortado pela AE, seguindo paralelo à rua do Barreiro e rua do Calço até ao Sr. da Rua)
    Cioga do Monte (m.p. V)
    Fornos (m.p. IV; miliário a Calígula indica a 4 milhas a Coimbra, hoje no MNMC; continua pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde cruza o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra)
    Adémia (m.p. III; cruza a ribeira das Eiras na Ponte do Rachado?)
    Pedrulha (a via continuava por Venda da Fontoura, marginava a Capela da Ns. de Loreto, na m.p. II, e a estação Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via durante as obras para construção da passagem subterrânea, entretanto suspensa, cruzava Assamassa e a ribeira de Coselhas na ponte de Água de Maias, m.p. I, junto do Monte da Forca/Conchada, e continuava junto da desaparecida Gafaria/Hospital de São Lázaro pelas actuais Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium; referência à via como «carraria maiore» num documento do ano 933 na zona da Pedrulha, PMH DC 39 e como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 junto da ribeira de Coselhas, PMH DC 807)

    Coimbra (AEMINIUM)
    (a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150 (Figueiredo, 1888); o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário a Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas, este miliário poderia estar originalmente um pouco norte de Adémia; o museu assenta sobre um magnífico criptopórtico romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e é hoje a construção romana melhor conservada em Portugal, finalmente aberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas (ver mapa), a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce junto do local de travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
    • Aeminium - Talabarium: deveria existir uma via ao longo da margem esquerda do rio, ligando Aeminium ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, seguindo talvez próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura, mas por onde passaria?

    Travessia do rio Mondego (MONDA) (a antiga ponte medieval construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, assentava possivelmente sobre os pilares de uma anterior romana; partindo do «Portugal dos Pequenitos», a via sobe a encosta pela Calçada de Santa Isabel ou pela rua da Volta das Calçadas (?), seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na «Estrada Antiga de Lisboa»; referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700)
    Cruz dos Morouços (m.p. II; cruza a EN1 junto das Alminhas e segue a antiga rota da EN1 e Estrada Real por Ladeira da Paula)
    Antanhol (m.p. IV; acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», importante sítio arqueológico tipo fortificação porém nunca estudado e hoje praticamente destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra; a via passaria na sua base pelo lugar do Adro Velho; referência à «via publica» num documento do ano 1087 em PMH DC 676)
    Venda do Cego (m.p. V; villa entre Picoto e Malga; cruza o IC1 e segue por Arneiro e Vendas de Pousadas)
    Alcabideque (m.p. VIII; Castellum Romano de Alcabideque, impressionante estrutura romana de captação de água que assegurava o abastecimento de água da cidade de Conimbriga através de um aqueduto romano com pouco de mais de 3 km quase todo enterrado no solo excepto na chegada à cidade onde foram utlizados arcos para manter o nivelamento; Alcabideque servia de nó viário ligando a Conimbriga pela estrada por Ordens)

    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    (oppidum e mansio a X milhas de Coimbra; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; há um miliário anepígrafo implantado na porta norte da cidade; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; o porto de Conímbriga poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso; outra possibilidade seria no porto fluvial Soure, a 9 milhas de Conímbriga)


    Conimbriga a Scallabis
    Mapa






















    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
    O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir as distância entre estas duas mansiones que distam cerca de 37 milhas em linha recta e cerca de 43 milhas pelo itinerário proposto. A via partia de Conimbriga rumo Seilium (actual Tomar), seguindo inicialmente por Zambujal, Tamazinhos, Ateanha, Várzea de Aljazede e Venda das Figueiras (Mantas, 1996); saía da cidade pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do Museu Monográfico, e seguia inicialmente para o nó viário de Alcabideque, para aí retomar a via principal e rumar a sul em direcção à aldeia do Zambujal, percorrendo o velho caminho ainda visível no terreno que passa na base do cerro da Pêga pelo lado nascente, hoje linha divisória entre concelhos, marginando a villa de Lameiras em Póvoa das Pegas e continuando pelo caminho rural do Outeiro para depois cruzar a EN347-1 e seguir pelo topo da rua da Silveirinha até se perder num caminho hoje desactivado que confluía na actual estrada para o Zambujal, num percurso pontuado pelos vestígios romanos em Algar de Janeia, na milha III, Janeia Velha e Enxurreira, estes associados à milha IV, fazendo supor um função viária para esses edifícios.

    Zambujal (m.p. V; villa? em Mouroiços, junto do cemitério; a via continua pela margem direita da ribeira de Carálio Seco por Porta d'Angere, a milha VI onde há referências a um possível miliário "com letras")
    Cruz do Morto (m.p. VII; referência a um possível miliário; a poente fica a importante villa Romana de Rabaçal)
    Tamazinhos, Penela (m.p. VIII; continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira perto da qual foi encontrado o miliário a Décio indicando 8 milhas a Conímbriga, hoje em exposição Museu do Rabaçal, assinalando a passagem da via pela base do Cabeço de Juromelo, cruza a ribeira de Alcalamouque, seguindo depois o estradão de terra por Portela de Casas Novas, Cabeço da Revolta e pelo sopé do povoado do Cabeço de Ateanha, marginando o casal de Vale de Abrunheira)
    Aljazede (m.p. XI; continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560)
    Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos)
    Venda das Figueiras (m.p. XV; provável mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110)
    Tojeira, Avelar (m.p. XVII; reúne com a EN110 e segue por Pontão e Venda Nova)
    Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra e Vale da Aveleira)
    Cabaços (m.p. XXVI; cruza a povoação pela EN356)
    Rego da Murta (m.p. XXVIII; nó viário e provável mutatio; a Igreja de S. Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via romana que seguia entre dois povoados pré-históricos, o Castro de São Saturnino a nascente e o Castro de Avecasta a poente)
      Diverticula do nó de Rego da Murta:
    • Daqui partia uma via para sudeste seguindo por Carril em direcção à travessia do rio Zêzere em Martinelo (miliário) ou Bairrada, continuando depois para o Tejo, descrito no Itinerário Conimbriga - Aritium.
    • Também é possível uma ligação para sudoeste rumo ao Porto Velho de Formigais.
    • A existência de uma calçada na encosta do Outeiro das Relvas com 310m sugere o cruzamento com uma via E-O que ligaria a Pelmã ou ao vicus de Casais da Matinha (?).
    Rego da Murta (m.p. XXVIII; continua pela EN110 e «Estrada Velha» até Farroeira, onde desvia da EN110 antes do km77)
    Casal da Farroeira (m.p. XXX; continua por Casais e Fonte do Tojal)
    Vila Verde (m.p. XXXII; casal rústico junto da via; continua por Daporta e Casal Sobreira)
    Fonte da Laje (m.p. XXXIII)
    Portela de Vila Verde (m.p. XXXIV; topónimo Calçadas)
    Ponte de Ceras (m.p. XXXV; fotografia dos anos 20 mostra um miliário junto da ponte; Guimarães, 1927)
    Ceras (castrum caesaris no Monte do Alqueidão; continua por Calçadinha e rua da Ferradura)
    Freixo, Alviobeira (m.p. XXXVI; continua por Feiteira)
    Pintado (m.p. XXXVIII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde havia vestígios de calçada)
    Vale da Trave (m.p. XXXIX)
    Venda Nova (m.p. XL)
    Calçadas (m.p. XLI; Calçada de Tripeiro, 100 m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Gorduchas)

    Tomar (SEILIUM) (m.p. XLIII a Conímbriga)
    (oppidum posteriormente elevado a municipium Seiliensis; o forum situa-se nas traseiras do quartel dos bombeiros; 2 miliários achados na margem esquerda, no Cerrado de S. João do Couto, estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I, mas hoje ilegível; outros dois miliários anepígrafos foram recentemente descobertos nas obras da Av. Norton de Matos; a epigrafia revela a existência de emigrantes Seilienses, nomeadamente no epitáfio de Iulianus do Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza; Silva, 1988; Mantas, 1989; Ponte, 1995; Fernandes, 1996; Romão, 2012)

    Travessia do rio Nabão (Nabum) (na chamada «Ponte Velha» que poderá ter origem romana atendendo à importância desta travessia, hipótese ainda não confirmada; na outra margem há notícia do aparecimento de um miliário na rua do Everard e logo enterrado; a via seguia pela actual rua Serpa Pinto que em documentos medievos é referida como «Corredoura», subindo depois possivelmente pelo caminho que margina o Convento de Cristo)
    Madalena (segue rumo à travessia da ribeira da Beselga na Ponte de Ramil)
    Paialvo (calçada de Casal Salgueiro, troço da via romana perpendicular à linha férrea hoje soterrado pela linha, restando o topónimo rua da «Via Romana»; ver notícia)

    Iter. XVI - de Tomar a Santarém por Torres Novas
    Esta rota por Torres Novas aparece num documento de 1213 como «Estrada de Turribus», mas não há garantias que este seja o traçado romano pois existe um traçado mais próximo do Tejo pela Golegã que corresponde à «Antiga Estrada Real». Esta rota parte de Paialvo e segue talvez pela linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas por Soudos (Casal de Soudos) e pela chamada «Ponte Romana» sobre a ribeira de Pé de Cão onde vencia a milha 8 (vestígios em Paraíso/Paraísas), Vargos (junto do Casal de S. Brás), Valhelhas (calçada junto do cemitério), Gateiras (topónimo Porto da Laje), onde começa um troço preservado em calçada com cerca de 1500m que passa a sul da Qta. da Torre de St. António (actual Qta. do Marquês), cruza a ribeira de Arripiado (ponte romana?) e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na sua confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (m.p. XV; vide Carta Arqueológica e a magnífica Villa Cardillio cujo espólio está no Museu Municipal Carlos Reis), seguindo depois um hipotético trajecto por Brogueira, Alcorochel (por Casal da Capela, Várzeas, Casal da Varjas, Casal da Roca, Casal do Mau Dente, Qta. dos Formigais, Valverde, Pedregal, Espinhal e Sobral) e S. Vicente do Paúl onde cruza o rio Alviela (talvez nas proximidades dos extensos vestígios de Torrão, Gamacho e Outeiro do Bairrinho, continuando junto do topónimo Corredoura), Torre do Bispo (continua por Alcaidaria), Póvoa de Santarém, cruza a ribeira de Cabanas junto da Qta. de Vale de Lobos, continuando talvez próximo do sítio romano das Besteira rumo a Santarém.

    Iter. XVI - de Tomar a Santarém pela Golegã
    Este traçado alternativo corresponde à rota da «Antiga Estrada Real» seguindo inicialmente por Paialvo, Lamarosa, Barroca e Entroncamento, continuando depois pela margem direita do rio Tejo por Golegã, Azinhaga e Pombalinho até Santarém. Existem de facto diversas villae ao longo da margem do rio que poderiam ser servidas por esta estrada, como a villa de S. Miguel/Qta. dos Álamos na Golegã, a villa de Portas de Água a norte de Azinhaga, o possível povoado e villa de Pombalinho, e a villa de Cirne, situada junto do topónimo viário «Vale da Carreira», referência clara a esta estrada da qual restava um extenso troço calcetado na zona de Barreiras da Bica/Boavista. Esta traçado poderia já ser usado no período romano, cruzando a antiga ilha de Alvisquer antes de chegar à Ribeira de Santarém, cruzando a «Ponte de Alviella», na base de Chões de Alpompé, e «Ponte de Almondega», actual rio Almonda, junto da Quinta da Broa, até atingir a base do morro de Santarém, actual Ribeira de Santarém, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM como estando na «Entrada do Campo de Santarém». A existência de vários troços em zona inundável levanta algumas dúvidas sobre a sua utilização durante o período romano. Seria esta a verdadeira rota expressa no Itinerário XVI?
    • Chões de Alpompé: o importante povoado romanizado de Chões de Alpompé, estrategicamente situado junto da confluência do rio Alviela no Tejo que poderá corresponder à "cidade" de Morón mencionada por Estrabão a 500 estádios do mar, ou seja cerca de 92,5 km.

    Santarém (SCALLABIS) (oppidum e mansio; sede do Conventus Scalabitanus; na Alcáçova de Santarém, actual Jardim das Portas do Sol, apareceu um miliário dedicado a Probo, actualmente na Igreja de Santo Agostinho da Graça; a área foi recentemente escavada e os achados estão em exposição no novo Centro de Interpretação «Urbi Scallabis»; no pátio da Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Santarém; a via romana chegava pelo lado norte, ascendia pela Calçada de S. Domingos junto da necrópole e entrava na cidade pela antiga Porta de Leiria junto da Igreja de Nossa Senhora da Piedade; percorria depois a actual rua Capelo e Ivens até ao cruzamento com a rua 1º de Dezembro, num local conhecido por «Canto da Cruz», possivelmente o ponto de cruzamento do decumanus com o cardus da antiga urbe; uma derivação daria acesso ao porto fluvial em Alfange, onde apareceu uma estátua do deus Harpócrates)


    Scallabis a Olisipo
    Mapa

    Alenquer




    Loures


    Lisboa








    Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
    Santarém (segue pela rua Dr. Teixeira Guedes e EN3 até Vale de Santarém, continuando pelo trajecto da «Estrada Real» por Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca ou «Ponte Secca» conforme é mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, a uma légua de Santarém; a via continuava segundo Vasco Mantas pelo troço em calçada da Qta. do Malpique; Mantas, 2002)
    Cartaxo (rota para Olisipo inflectia mais para o interior de forma a evitar o grande Paúl da Ota)
    • Ramal de ligação a Porto Sabugueiro/ Rio Tejo: um ramal deveria cruzar o rio Tejo no sítio de Esfola-Vacas, cruzando o rio rumo ao importante povoado Porto do Sabugueiro, na outra margem, evidenciando uma larga diacronia de ocupação relacionada com o comércio fluvial.
    Pontével (provável mutatio; referência à via vetera num documento do ano 1200; há calçada «acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola» e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto destruída)
    • Ramal de ligação a Escaroupim/ Rio Tejo: um pouco antes de Aveiras de Cima partia um ramal de ligação ao rio Tejo seguindo pela rua do Carril, actual linha divisória concelhia, passando por Qta. da Boa Vista, Casais da Lagoa e Qta. do Vale da Pedra, onde cruzava o rio Tejo para Escaroupim. Segundo Mário Saa existiam vestígios da calçada em Reguengo (Valada, Cartaxo).
    Aveiras de Cima (continua por Casais da Milhariça)
    Ota (Povoado da Ota numa colina a poente; cruza o rio Ota e continua pela rota da EN1, desviando depois pelo Alto da Forca por onde descia ao rio)
    Alenquer (provável mansio no lugar de Paredes, referência ao paredão de origem romana que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, certamente um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Qta. do Bravo, Qta. das Sete Pedras e Qta. de Sta. Teresa; na necrópole da Qta. do Bravo apareceu um miliário a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa; na Qta. de Santa Teresa apareceu um outro miliário possivelmente indicando 35 milhas a Lisboa (Mantas, 2017); na villa da Qta. da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012a); no Pinhal do Alvarinho apareceu um tesouro monetário; após a travessia do rio Alenquer, a via continuava pelo caminho da Pacheca, marginando a necrópole do Casal de St. António, a Qta. das Varandas e a Qta. Velha)
    Carregado (passa em Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
    Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; povoado fortificado no Monte dos Castelinhos provável localização de Ierabriga; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)
    Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007)
    Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra)
    Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; por volta de 1630 Coelho Gasco menciona um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; no entanto, as 23 milhas indicadas excedem em muito a distância entre Alverca e Lisboa que é aproximadamente de 18 milhas, sendo por isso provável um erro na leitura de Gasco, tal como propôs Vasco Mantas, trocando o numeral «XVIII» por «XXIII» o que é bastante plausível; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, local onde teria existido uma mutatio, bifurcando nas duas variantes descritas a seguir; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)

    • Itinerário para Lisboa por Loures
      A recente descoberta de 2 miliários no vicus viarum de Almoinhas em Loures veio reforçar esta variante por Loures como o itinerário principal para Lisboa. A via cruzava o núcleo urbano de Loures, marginando o povoado romano, onde poderia existir uma estação viária tipo mutatio, estrategicamente situada no local onde a via bifurcava, para nordeste rumo a Santarém e para noroeste rumo a rumo a Eburobrittium (Óbidos) e a Collippo (Leiria), trajecto descrito aqui. Deste modo, o trajecto do Itinerário XVI correspondia a esta variante de forma a evitar o percurso pela margem direita do rio Tejo que era inundável no período de Inverno (Brazuna et al, 2012; Guerra, 2012; Mantas, 2012a).
      Vialonga (EM501 por Morgado e Quintanilho)
      S. Julião do Tojal (atravessa o rio Trancão em Junqueira; calçada; tesouro na Qta. da Bandeira)
      St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por Qta. Velha, onde havia vestígios de calçada, continua por S. Roque e Qta. do Sacouto até à travessia do rio Loures)
      Loures (vicus de Almoínhas, junto do Palácio da Justiça, onde deveria existir uma mutatio dado que aqui foram recolhidos 2 miliários tardios, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho, um deles, dedicado a Licínio, indicando X milhas que corresponde à distância daqui a Lisboa; a via seguiria a rota da EN8)
      Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (em 1907 apareceu na Qta. de St. António uma epígrafe com a inscrição […] / BONO / REIP NATO e logo reutilizada nos alicerces da quinta actual; a inscrição, da qual resta apenas um desenho seria, segundo Vasco Mantas, estaria originalmente junto da Ponte de Frielas, integrando-o no grupo de «miliários prismáticos» tardios com inscrições similares, sempre relacionadas com a passagem de vias, apesar das dúvidas sobre a sua classificação como miliário; 2 km a norte existem vestígios de uma grande villa romana junto da Capela de Sta. Catarina, onde apareceu uma rara caixa de selos, testemunho da existência de correio; não muito afastada desta há vestígios de outra villa na Qta. do Belo em Unhos; da ponte a via seguiria pelo vale de Póvoa de St. Adrião, subindo depois a Calçada de Carriche rumo ao Alto do Lumiar)
      Lisboa (OLISIPO) (continuava por Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», onde apareceram dois cipos funerários, continuava talvez pela antiga via designada por «Corredoura» na Idade Média que deverá corresponder a um percurso pela rua Visconde de Santarém, Calçada de Arroios, Rua de Arroios e rua dos Anjos, onde terá havido necrópole, continuando pelas actuais ruas do Benformoso, da Mouraria e do Poço de Borratém, seguindo depois sob a Baixa Pombalina entre as ruas dos Douradores e dos Fanqueiros até à zona ribeirinha, terminando o seu percurso muito provavelmente junto da Casa dos Bicos dado que aqui apareceu o referido miliário a Probo que hoje está no Museu Municipal e muito possivelmente o local onde se fazia a travessia do rio Tejo para Cacilhas; Mantas, 1996; Banha da Silva, 2012)

    • Variante para Lisboa por Sacavém e Chelas pela margem direita do Tejo
      Esta variante deriva da variante por Loures na zona da Alfarrobeira, onde poderia existir mutatio, seguindo depois por Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis), S. João da Talha e Bobadela (junto da Qta. da Parreirinha).
      Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco d'Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
      Sacavém (provável mutatio; seguia talvez pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues)
      Portela, Moscavide (cruzava a zona de Olivais, seguindo junto da necrópole de Poço de Cortes, hoje sob a Av. do Santo Condestável)
      Chelas (lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas; lápide na Qta. da Bela Vista; a via seguia pela Estrada de Chelas, passando junto do Convento de S. Félix de Chelas, onde estaria um suposto miliário referido em 1652 por Marinho de Azevedo na sua obra «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» e registado por Hübner no CIL II com a referência 4631; no entanto, nada indica que esta inscrição fosse de carácter viário)
      Cruz de Pedra (a uma milha de Olisipo; segue a Calçada da Cruz de Pedra e rua da Sta. Apolónia)
      Alfama (rua do Mirante, rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de S. Pedro e rua S. João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura»; na igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
      Lisboa (OLISIPO) (a via romana terminava na zona ribeirinha provavelmente junto da Casa dos Bicos na rua dos Bacalhoeiros, acedendo daqui pela rua das Cruzes da Sé ao antigo forum sob o actual Claustro da Sé, onde há vestígios de uma via urbana)

    Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
    A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios de uma calçada cruzando a «Baixa Pombalina» até à zona ribeirinha; há também vestígios de uma ponte sob a antiga rua do Arco da Bandeira, actual rua dos Sapateiros, cruzando o braço do rio que chegava à Praça da Figueira; porto fluvial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «Al-quantara», ou «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas hoje pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registados na época vários vestígios monumentais que indiciam a grande importância da sede do municipium Olisiponense em época romana, como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de S. Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de S. Nicolau apontam para uma necrópole.

    Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII


    Mapa



































    Via XVII por Ciada




    Via XVII por Pindo






































    Alio Itenera ab
    Aquae Flaviae






    ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    Item a BRACARA
    ASTURICAM

    SALACIA
    PRAESIDIO
    CALADUNO
    AD AQUAS
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. CCXXXVII
    m.p. XX
    m.p. XXVI
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XXV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XIIII
    O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino tem suscitado muitas dúvidas apesar dos muitos miliários conhecidos (actualmente cerca de 32), dando origem a várias propostas de trajecto e variantes. A primeira descrição do seu percurso foi feita pelo bispo de Uranópolis, informador de Contador de Argote que a relatou na sua obra de 1732 «Memorias para a Historia Ecclesiastica do Arcebispado de Braga» e desde então se tem discutido o traçado da via e localização das suas estações intermédias ou mansiones originando uma grande diversidade de soluções. O levantamento do traçado da via em 2005 no âmbito do projecto «Vias Augustas», do qual resultou a limpeza e sinalização da via para uso público, trouxe nova luz sobre o itinerário, mas não solucionou a diferença de milhas que existe no I.A. e as medidas no terreno porque optou por fazer o trajecto do Itinerário XVII pela variante mais a sul por Cortiço, Arcos e Alto do Pindo que sendo sem dúvida romana, não acerta com as distâncias indicadas no I.A. Reunindo toda esta informação, propõe-se o seguinte trajecto. A primeira estação viária, designada por Salacia, situa-se a 20 milhas de Braga junto do Castro de Vieira do Minho (Colmenero, 2004). A segunda estação, designada por Praesidium, estava a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves, devendo por isso localizar-se entre Pisões e Penedones embora não seja segura a localização exacta do povoado. Pouco depois, em Travassos da Chã, a via bifurcava seguindo uma ramo para norte rumo à estação seguinte, designada por Caladunum que corresponde ao importante povoado mineiro da Ciada junto da aldeia de Gralhas que se encontra a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves conforme indicado no I.A. (Argote, 1732). O outro ramo inflectia para nascente cruzando o rio Rabagão junto do Castro de S. Vicente, seguindo depois por Arcos e Pindo para Chaves. A partir de Caladuno, a via seguia ao longo do vale da ribeira da Assureira por Solveira e Vilar de Perdizes, continuava por Soutelinho da Raia, Castelões, Calvão, Vale de Anta e Casas dos Montes até Ad Aquas que podemos localizar com certeza na actual cidade de Chaves. Para mais informação consultar a seguinte bibliografia: Pinheiro, 1895; Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et al.; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005 e 2012. Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus: MDDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


    Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, CIL II 4760, hoje no MDDS com o nº 1992.0674; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário a Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante e Constantino Magno; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua ao longo da margem direita do Rio Este pela rua do Raio, Igreja da Senhora-a-Branca, onde recentemente apareceu uma necrópole e restos da via, Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua de S. Vítor-o-Velho actualmente cortada pela antigas instalações da Fábrica Confiança; continua pela rua do Pulo e rua Nova de Sta. Cruz, antiga EN103, saindo depois pela rua da «Estrada Velha»; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário a Tibério indicando a milha I, hoje no MDDS com o nº. 1992.0642, e o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et al., 2004)

    Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
    Este de S. Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra dos Carvalhos, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas; num documento do ano 1056 este troço é designado por «carral antiqua», LF 60; continua pela rua de Carvalho)
    Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa junto dos topónimos viários «Calçada» e «Laje Grande», contornando pela vertente norte o outeiro onde se encontra o castro romanizado do Castelo de Lanhoso; cruza a ribeira do Pontido onde um troço lajeado, e sobe ao «Carvalho Centenário»)
    Calvos (cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica, junto do cemitério e por Torrão)
    Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho de Botica de Baixo a Pardieiros; continua aproximadamente paralela à EN103 por actual caminho de terra que segue pela rua dos Lameiros e zona industrial, desviando logo depois para Pepim)
    Tabuaças (cruza o lugar de Pepim e segue o caminho pelo vale até ao lugar de Sanguinhedo, de onde passa para Vieira do Minho depois de transpor a elevação designada por «Outeiro Alto»)

    SALACIA, m.p. XX, mansio a 20 milhas de Braga, localiza-se no Castro de Vieira, povoado romanizado nas proximidades de Vieira do Minho que se encontra precisamente a 20 milhas de Braga, no ponto onde cruza a ribeira de Cantelães; no entanto, o edifício da mansio poderia situar-se junto da vila, onde vencia a milha XIX, atendendo aos vestígios de um edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães.

    Vieira do Minho (na base do castro desvia da EM526 e segue por Vila Seca, Tabuadelo e Pinheiro, seguindo a sul de «Parada Velha», sugestivo topónimo viário assinalando a passagem da via, iniciando pouco depois a subida à Serra da Cabreira pela sua vertente ocidental, seguindo talvez a calçada que leva à «Fonte do Confurco», seguindo depois pela «Portela da Serradela», onde ainda subsiste um troço com 500 m com vestígios de calçada, descendo depois à ribeira das Chedas que cruzaria na Ponte Poldro; daqui continuava por Espindo, onde tomava o troço lajeado designado como «Caminho do Zebral» que passa nos topónimos Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão, seguindo paralela ou coincidente com a estrada actual)
    Zebral (m.p. XXXI; miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV; cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros)
    • Argote refere dois miliários junto da Capela de S. Martinho em Zebral; um deles segundo Argote lia-se ESAR. AUG / STR. XVIII considerando-o um miliário a Augusto (CIL II 4776), e no outro lia-se CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III (CIL II 4775) (Argote, 1732); como não se conhece nenhuma Capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à Capela de S. Pedro, onde ainda hoje está um dos miliários.
    • Argote refere também dois miliários junto a um ribeiro, próximo da aldeia de Campos: um era dedicado a Cláudio (CIL II 4770) e no outro apenas se lia 35 milhas pelo que assinalava a distância a Braga (CIL II 4772); no entanto Argote indica que ambos seriam provenientes da «Portella de Rebordellos», no alto do monte (Argote, 1732), topónimo hoje desconhecido sendo que a milha 35 seria vencida junto da Ponte do Arco. Um destes miliários poderá corresponder ao miliário a Cláudio que está hoje no MRF (ARC396) dado como proveniente da Venda Nova pois este indica também 35 milhas a Braga, apesar de já não ser visível o 'X' inicial (CIL II 4771).
    • Argote refere mais dois miliários adiante da aldeia de Botica de Ruivães, «à vista do rio Canhua», hoje designado por ribeira da Borralha; um estaria já ilegível e perdeu-se, o outro, dedicado a Trajano, indicava 43 milhas a Chaves (Argote, 1732) pelo que poderá ser o mesmo que apareceu posteriormente em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
    • É provável que existisse um ramal por Botica de ligação ao importante Povoado romano de S. Cristóvão situado na confluência dos rios Rabagão e Cávado e junto da actual aldeia de Ruivães.
    Campos (m.p. XXXIII; continua por Lamalonga e Alto do Cambedo, descendo depois à Ponte do Arco)
    Ponte Romana?-Medieval do Arco (m.p. XXXV; cruza a ribeira da Borralha, o «rio Canhua» no tempo de Argote e hoje submerso pela albufeira da barragem da Venda Nova; Argote, Martins Capela e Emil Hübner descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte, CIL 4773, que deverá ser o mesmo que apareceu durante a construção da barragem; esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e actualmente está num jardim junto da EN103 à entrada da aldeia da Venda Nova)
    Padrões (m.p. XXXVI; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água)
    Venda Nova (m.p. XXXVII; 43 milhas a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é um miliário cortado a meio indicando também 42 milhas a Chaves, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água)
    Codeçoso do Arco (m.p. XXXVIII; continua junto do Castro de Codeçoso, onde ainda resta um troço da via com 100m lajeados descendo a encosta leste rumo a «Porto de Carros», local hoje submerso pela albufeira, onde cruzava o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas; segundo Martins Capela existia um miliário a Cláudio na descida ao rio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; do rio Rabagão subia a Currais, restando ainda um troço lajeado com 300m que passa no sítio de «Lama do Carvalho», num terreno a que chamam «Borrajeiro», onde Argote refere a existência de um miliário a Tibério, CIL II 4777, hoje desaparecido, indicando a m.p. XXXIX)
    Currais (m.p. XL; no Largo do Cruzeiro, encostado a uma casa, está um miliário anepígrafo, mas que será proveniente da travessia do rio Rabagão de onde foi deslocado em 1900 para o centro da povoação; Argote refere outros miliários na aldeia provenientes do sítio dos «Padrões», actualmente desaparecidos, podendo um deles corresponder ao fragmento de miliário actualmente encastrado na parede de um forno da aldeia de São Fins; a milha 40 seria vencida no centro da aldeia seguindo depois um troço ainda conservado da via que segundo Argote seguia por «Subila», «Brêa» e «Pedreira», topónimos hoje difíceis de identificar, mas que deverá corresponder às actuais ruas da Portela e de Fontelas)
    Ladrugães (m.p. XLII a sul da aldeia, no sítio da «Gêa», continua por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum)
    Friães (cruza a ribeira de Cambela e sobe à povoação de Friães inflectindo para leste para Pisões rumo à Cruz de Leiranque)

    PRAESIDIO, mansio localizada a 46 milhas de Braga ainda sem localização segura; a contagem miliária aponta para uma localização em Pisões, aldeia situada a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves conforme é indicado no I.A., no entanto não são conhecidos vestígios romanos atribuíveis a este povoado; em alternativa esta estação viária estaria mais adiante junto do povoado romano da Leira dos Padrões, seguramente uma referência aos miliários ali existentes e que em conjunto com a ara anepígrafa e tesouro monetário encontrados nas proximidades denunciam a passagem da via romana neste local, provavelmente a «Villa Mel» referida por Argote.

    Pisões (m.p. XLVI; a partir daqui a via ficou submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas antes seguia pela Cruz de Leiranque, onde estava o miliário da «Cantina de Leiranco» onde vencia a m.p. XLVII e que foi deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; passaria depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita)
    Penedones (m.p. L; a via reaparece a sul da aldeia e acompanha a margem da actual albufeira pelo sítio da «Leiras dos Padrões», onde há abundantes vestígios de uma estação viária, outra possível localização da mansio Praesidio, continuando pela Capela de Santo Aleixo e respectiva necrópole romana, associada à m.p. LI, junto do Parque de Campismo)
    Travassos da Chã (m.p. LII; miliário anepígrafo convertido em cruzeiro e deslocado da via para o sítio do Padrão, junto do antigo traçado da EN103, provavelmente após a construção da Ponte da Pedra Seixa sobre o rio Rabagão, actualmente submersa pela albufeira)

    Nó viário de Travassos da Chã: a via bifurcava no largo da aldeia nas duas variantes para Chaves, uma continuava pelo cemitério e pelo caminho do pontão para S. Vicente da Chã para Caladuno, situado no povoado mineiro da Ciada, seguindo depois por Vilar de Perdizes, Soutelinho da Raia, Castelões e Calvão até Chaves enquanto a outra inflectia para leste, seguindo o caminho que passa junto da Capela de S. João para cruzar o rio Rabagão na base do Castro de S. Vicente, continuando depois por Gralhós, Arcos e Alto do Pindo rumo a Chaves, percurso mais curto que o anterior, mas mais acidentado, sendo este caminho pontuado por vários miliários.

    Itinerário XVII por Ciada
    S. Vicente da Chã (m.p. LIV; do pontão segue o caminho de terra que cruza a EN103 junto da Capela de S. Gonçalo, na base do vicus viário do Alto da Carvalha, local de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales; FE 368; continua pela estrada para Montalegre até ao recente «Monumento do Jubileu», onde toma o caminho carreteiro à direita que passa junto do povoado romano da Veiga de Carigo, possível estação viária tipo mutatio, situada entre Medeiros e Peirezes na m.p. LVI, onde apareceu uma ara; cruza a EM308 e continua pelo CM1003 por Ternovale)
    Codeçoso da Chã (Argote refere que a via passava nos topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», hoje desconhecidos)
    Meixedo (m.p. LIX; cruza a povoação e ribeira homónima e segue talvez pela Encosta do Biomal/Campelos)

    CALADUNO, mansio a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves situada a cerca de 1000m para sudeste da aldeia de Gralhas, junto do vicus mineiro da Ciada, onde existiam abundantes vestígios romanos, hoje destruídos pela construção do campo de futebol.

    Solveira (cruza a povoação e no cemitério segue o caminho à direita; povoado mineiro da Telheira/Antas)
    Vilar de Perdizes (vicus da Veiga com importantes vestígios como o Altar de Penascrita/«Pedra Escrita», uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina que integraria santuário rupestre dedicado a Larouco, divindade associada à serra homónima; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também a Larouco e uma outra dedicada a Júpiter, hoje armazenadas na CM de Montalegre; outra inscrição num penedo em Rameseiros; a via cruza a ribeira da Assureira e continua pelo caminho que faz de fronteira com Espanha, passando junto do vicus do Carvalhal, possível mutatio)
    Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul, passando a poente do possível vicus de Pardieiros)
    Castelões (segue pela «Calçada do Facho», percorrendo o sopé do Povoado de Facho de Castelões, tendo aparecido um fragmento de um possível miliário anepígrafo na berma da via talvez indicando a m.p. IX a Chaves)
    Calvão (m.p. LXXIII; miliário deslocado para a entrada da aldeia situada a 7 milhas de Chaves; continua talvez pela Ponte Guilherme, passando a poente do vicus no Outeiro da Torre, cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro)
    Soutelo (m.p. LXVI; 4 milhas a Chaves)
    Vale de Anta (m.p. LXXVIII; miliário anepígrafo desaparecido que estaria originalmente no actual topónimo «Alto do Marco», local situado a 2 milhas de Chaves; placa honorífica a Treboniano Galo na Igreja; Barragem Romana Abobeleira a norte, e minas romanas de Campo Queimado e de Outeiro Machado, onde há um penedo gravado com diversos símbolos talvez relacionados com a actividade mineira)
    Casas dos Montes (m.p. LXXIX; segue junto da Capela de S. Bartolomeu, defronte da qual está um miliário anepígrafo na esquina de uma casa, talvez ainda in situ, indicando nesse caso 1 milha a Chaves)
    Chaves (entrava pela calçada descoberta em 2014 nas fundações de um edifício perpendicular à rua 1º de Dezembro)

    Variante do Itinerário XVII pelo Alto do Pindo
    Travessia do rio Rabagão (m.p. LIII; local hoje submerso, na base do Castro de S. Vicente; continua junto do Novo Bairro do Barroso e pela Estrada do Cemitério)
    Gralhós (m.p. LVI, calçada atravessa a Ponte da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila)
    Cortiço (m.p. LVIII; miliário anepígrafo sustendo uma varanda de uma casa da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma casa; outro fragmento de miliário já convertido em bebedouro está no jardim da casa do Sr. Domingos estrada que liga a aldeia à EN103; a via cruza a aldeia e segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça onde vencia a m.p. LIX, continuando junto do Alto da Pedra Moura e do topónimo «Breia», actual pela rua da Estrada/CM1001, passando assim a norte da aldeia de Vilarinho de Arcos)
    Arcos (cruza a aldeia pela rua de Cima até ao Largo da Sra. da Saúde, tomando depois o caminho em frente em terra; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário dedicado a Cláudio indicando L[...] milhas, hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; a aldeia situa-se entre a milha 60 e 61 pelo que poderia indicar originalmente um desses valores; no entanto, um outro miliário dedicado a Tibério também descoberto na aldeia e reutilizado como pilar da varanda da casa do Sr. Manuel Moreno, actualmente no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, indica 59 milhas a Braga, distância que era cumprida não aqui, mas um pouco antes junto da Ponte do Cortiço (!); teria sido deslocado desse lugar? um outro fuste de um possível miliário encontra-se junto da fonte romana, mas poderá ser antes um fragmento de coluna)
    Pindo, Cervos (2 miliários provenientes do «Alto do Pindo», local onde a via inicia a descida da Serra do Leiranco rumo a Chaves; um fragmento de miliário dedicado a Cláudio, actualmente no pátio do Castelo de Montalegre e o miliário anepígrafo que esteve alguns anos no jardim da antiga escola de Cervos e que actualmente se encontra na JF de Arcos)
    • Hipotética ligação de Arcos à variante norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela na rua da Calçada em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado da via romana que passava a sul por Arcos e Pindo, poderia indiciar uma derivação para norte a partir de Arcos por Sarraquinhos de encontro ao Itinerário norte por Ciada; há dois trajectos possíveis: um seguindo para Solveira e outro seguia por Pedrário (calçada e povoado) e Mexide rumo a Soutelinho da Raia.

    Variantes do Alto do Pinto a Chaves
    A partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, existem aparentemente dois percursos para Chaves. A «variante norte» segue um trajecto mais curto por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, apresentando ainda vários troços de calçada e uma inscrição viária no lugar da Pipa próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). Por outro lado a «variante sul», servia as importantes explorações auríferas do Vale do rio Terva como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, marginando o Castro de Malhó e o vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da Serra até Pastoria, onde apareceu um miliário a Trajano indicando 5 milhas de Chaves, descendo depois a Vale de Anta, onde reúne com o Itinerário XVII por Ciada.


    • Variante Sul por Sapelos e Pastoria:
      Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando na base do Castro da Malhó)
      Nogueira (segue a nordeste da povoação, situada na base do povoado da Idade do Ferro designado por Castro da Nogueira)
      Bobadela (inscrição aos L(ares) Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da Capela de S. Lourenço; a via passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, cruzando o ribeiro do Ferrugento na base do Alto do Picão e seguindo ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa para cruzar a ribeira de Calvão na Ponte das Meãs; neste percurso a via passa próximo do povoado mineiro do Carregal associado à exploração da Mina do Poço das Freitas, subsistindo vestígios de rodados em Giraldo)
      Sapelos (m.p. LXV; vicus viário; ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas; o miliário de Sapelos, dedicado a Augusto, foi encontrado deslocado num carvalhal designado por «Lapavale» que fica a cerca de 800m para nordeste da aldeia de Sapelos, já convertido em sarcófago e era por isso chamado de "Pedra do Caixão"; apesar de danificado ainda se pode ler BRAC LXV[...] ou seja, indicava a distância a Braga num possível intervalo entre 65 e 68 milhas; o local fica na base do Castro do Muro ou da Cerca e junto da ribeira de Calvão, tendo defronte o povoado romano na Capela da Sra. das Neves/ Povo de Paredes, situado na confluência das ribeiras de Calvão e de Cunhas. No entanto, o seu local original seria outro, junto da via, talvez junto no topo da encosta onde se regista o topónimo «Padrão» e onde a via XVII vencia a milha 66; actualmente está no Centro de Interpretação do PAVT (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
      Pastoria (m.p. V a Chaves; inscrição funerária de Camalus; miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, hoje no MRF; aquando da sua descoberto estaria já deslocado e longe da via na «Serra da Pastoria», possivelmente como marco divisório, desconhecendo-se o local original da sua implantação, mas segundo o traçado proposto, este marco poderia estar à saída da aldeia da Pastoria, junto da Capela do Senhos dos Aflitos que fica a cerca de 5 milhas de Chaves (2017); daqui segue um extenso troço ainda preservado seguindo pela calçada do Alto da Mortiça, hoje cortado pela A24, continuando até Seara Velha onde entronca nas outras variantes e daqui a Chaves)

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio a Aqvas no I.A.)
    Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário a Constantino, desaparecido (CIL II 4784), o miliário a Licínio que apareceu à margem do rio Tâmega, entretanto relocalizado em 2006, e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria na Igreja de S. João de Deus e indicava a milha II (CIL II 4779) e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho (CIL II 4780) de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reaproveitado para base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário a Décio indicando a milha VI e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no jardim junto ao Castelo de Chaves está cravado no solo o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; o Museu da Região Flaviense guarda 13 miliários, nomeadamente, os três miliários achados na Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).
    • Ligação de Vilar de Perdizes à «Via Nova»: poderia existir uma derivação desta estrada para norte a partir de Vilar de Perdizes rumo à mansio Geminas da «Via Nova», seguindo por próximo dos Castros da Idade do Ferro do Soutelo e Cidade de Grou, continuando pelos termos de Xironda, Saceda, Lucenza (miliário na Capela de Santa Marta e na povoação), Xinzo de Lima e Sandiás, provável localização da mansio Geminas.

    Outras vias a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE)
    A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário de onde partiam várias vias secundárias quer rumo ao rio Douro quer rumo à Galiza, ainda que neste caso o seu destino final ainda não seja muito claro. Além destes importantes eixos N-S, há evidências de outros eixos viários que serviam um povoamento romano distribuído por pequenos vici com vocação agrícola ou mineira (Teixeira, 1996; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2010).

      Direcção norte rumo a Lugo e Santiago
      (por ambas as margens do Tâmega)
    • Chaves - Verín (Via Aquae Flaviae - Tamacum- Lucus Augusti?): depois de cruzar a ponte sobre o Tâmega inflectia para a norte ao longo da margem esquerda do rio, seguindo pelo Caminho de S. Roque, onde se achou um miliário a Licínio (Carneiro S., 2005), percorrendo depois a Veiga de Chaves até Vila Verde da Raia (ara votiva na igreja e ara a Júpiter; vicus?), cruza a fronteira para Feces de Abaixo e continua por Tamaguelos (miliário), Mourazos (Coelobriga, no lugar de «Raposeiras»), Tamagos, Queizás (miliário), Verín (Tamacanorum no Castro de Monterrei, sede da civitas dos Tamacani; 3 miliários, um é anepígrafo e está na «Casa dos Acevedo», outro é dedicado a Constante e está no bairro de San Lázaro), Vilela (miliário a Caro) e Vilamaior (miliário), rumando depois talvez à mansio Salientibus em Xinzo da Costa entroncando na «Via Nova», a via romana que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta, actual Astorga, referida no Itinerário XVIII de Antonino.

    • Chaves - Oímbra (Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae?): a via partia da cidade rumo a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz e Outeiro Seco (seguindo a rota da EM506 junto do habitat de Ribalta, desvia depois pelo Caminho da Mó, passando a nascente do habitat romano da Igreja Românica da Sra. da Azinheira; ara a Hermes Devoris encontrada junto a um ribeiro próximo da Capela da Ns. do Rosário, CIL II 2473, consagrada por G. Cexaecius Fuscus aludindo a combates de gladiadores; continua pela EM506 junto Capela da Ns. da Portela e do cruzeiro da Ns. dos Desamparados, junto do habitat de Montes Claros, onde poderia tomar o «Caminho do Vale da Carvalha» que passa entre Vilela Seca e Vilarinho, contornando pelo poente as Minas de Barrocos/Trincheiras/Fachos), Vilarelho da Raia (muito próximo, na povoação espanhola de Rabal, existe um miliário anepígrafo reutilizado como suporte numa casa; duas aras a Júpiter na Igreja Matriz talvez provenientes do vicus viário do Vale da Ermida, 2 km adiante, onde poderia existir uma mutatio pois assenta sobre a actual linha fronteiriça e dista cerca de 12 Km de Chaves); seguia depois por San Cibrao (miliário a Dalmácio), Oímbra (500m a oeste, por Carregal), Rosal, cruza o rio Porto do Rei Búbal para Vilaza (miliário das Lagoas, entre Queizás e Vilaza; passa em Portela e Bagoeira) e segue por Albarellos, Guimarei e Trasmiras (miliário na aldeia de Santa Baia de Chamosiño) em direcção a Xinzo de Lima e à mansio Geminas em Sandiás, onde cruzava a «Via Nova», podendo ter continuidade para Iria Flavia, provavelmente localizada em Padrón (Santiago de Compostela).

    • Direcção nordeste rumo a Astorga
    • Chaves - Lama de Arcos (Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria?): inicialmente seguia a via Chaves-Lugo até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para noroeste em direcção a Vila de Frade, passando na base da Capela de Sta. Marta (miliário a Carino no adro da capela, CIL II 4795, junto com outro fragmento anepígrafo que poderia pertencer ao mesmo miliário), continuando por Lama de Arcos (provável vicus; ara a Júpiter na igreja) e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível sede da civitas dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário), continuando depois por Puebla de Senabria até rumo a Astorga (?).

    • Chaves - Ponte de Cigarrosa (Via Aquae Flaviae - Nemetobriga - Forum Gigurrorum?): é uma variante da anterior que desviava em Lama de Arcos rumo a Vilar de Vós (miliário) seguindo talvez por Feces de Acima e Vilar de Cervos, ou em alternativa por Vilarelho da Cota e Enxames, continuando depois por Progo, Castrelo, Sao Lourenzo de Pentes, A Gudiña, Terras de Viana de Bolo, de encontro ao Itinerário XVIII/«Via Nova» que cruzaria pouco antes da Ponte Romana-Medieval de Cigarrosa, ligando assim Chaves às mansiones de Nemetobriga e Forum Gigurrorum (Lemos, 2010).

    • Chaves - Monforte - Fiães: a actual EM502 deve assentar sobre uma antiga via romana que derivava da via Chaves - Verín em Vila Verde da Raia servindo vários vici ao longo do seu percurso; inicialmente a via seguia por St. António Monforte (vicus; antigo Curral de Vacas; fuste de coluna ou um possível miliário, reutilizado numa casa da aldeia e noutra uma estela funerária; ara a Larouco na igreja), continuando pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual, passando a poente do sítio romano de Amedo em Paradela de Monforte (tesouro) até atingir Mairos (vicus? no Calvário; estela funerária), continuando pela EN502 entre Travancas e S. Cornélio, junto do sítio romano dos Pardieiros até Cimo de Vila da Castanheira (passa próximo do habitat do Seixal e junto do Capela de S. João na base do Castro de S. Sebastião, onde terá aparecido uma ara a Júpiter), continua pelo Alto de Pedome, margina o habitat de Caço/Megingueira e passa junto da Capela da Sra. dos Aflitos em Lebução até atingir Fiães (vicus Vagornica), nó viário onde entronca na variante da Via XVII (Teixeira, 1996; Lemos e Martins, 2010).

      Direcção noroeste rumo a Videferre
      A chamada «Estrada Velha de Montalegre» poderia já existir em época romana, seguindo entre Sanjurge e Bustelo rumo a Videferre; partindo de Chaves, seguia pelo Bairro do Telhado (rua da Paz/EM507) e lugar da Seara em Sanjurge (minas em Barrocos), continua pela calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, ascende por 300m ao Alto da Salgueira, reúne com a EM507 e segue por Lajedo e Alto do Queimado, continuando depois por Campina e Sra. do Bom Caminho, percurso balizado pelo possível vicus em Casas de Castelões, o povoado fortificado romanizado do Alto das Coroas e a necrópole de S. Caetano, podendo esta via ter continuidade para a Galiza por Videferre (miliário em Espiño).

      Eixos N-S entre Chaves e o rio Douro
      A ligação de Chaves para sul teria três eixos principais que ligavam a outras tantas travessias do rio Douro, ligando depois à rede viária da Beira Alta:
    • Via Chaves - Vila Marim - Lamego, via por alturas da Serra do Alvão, seguindo a poente de Vila Pouca de Aguiar por Paredes do Alvão e Vila Marim rumo às prováveis travessias do rio Douro em Caldas de Moledo e Peso da Régua, ligando depois a Lamego.
    • Via Chaves - Três Minas - Moimenta da Beira, via por alturas da Serra da Padrela, cruzando a região mineira de Trêsminas e seguindo por Panóias, rumo à travessia do Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim a Moimenta da Beira.
    • Via Chaves - Numão - Celorico da Beira, eixo NO-SE derivando da anterior na Serra da Padrela rumo ao Alto do Pópulo (Murça) e ao Carlão (Alijó) para depois cruzar o rio Douro junto do vicus mineiro da Sra. da Ribeira/Vesúvio, continuando a sul do Douro por Mêda e Trancoso até Celorico da Beira.



    Mapa













































































    ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    AQUAE FLAVIAE
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XXIIII
    Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia pela região de Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos, uma obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no átrio do MRF (vide sobre esta via o Projecto VIAS AVGVSTAS e Mendes, 2006).

    Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
    Chaves (depois de atravessar o Tâmega a via seguia inicialmente a EN103, desviando pela rua da Sra. da Boa Morte até ao Cruzeiro, m.p. I, onde estaria o miliário a Constâncio I que apareceu no lugar de Eiras; logo após o canal segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida Alto de S. Lourenço pela rua da «Calçada Romana», troço da via ainda bem preservada que passa na Capela da Sra. dos Aflitos, onde vencia a milha II)
    S. Lourenço (ascende a encosta pela Calçada de S. Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, mas hoje desaparecido; indicava certamente a milha III; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
    Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500m da povoação e segue por Arco e Lama)
    S. Julião de Montenegro (m.p. V; na igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário a Macrino ou Carino e o miliário a Décio indicando a milha VI a Chaves, o miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta, no cruzeiro vencia a milha VI, inflecte para nascente cruza a EN213 e segue por Sra. do Barracão, Pardieiros, Ladeira Grande e a nascente do outeiro da Capela de Sta. Luzia no Alto da Penha Sá)
    , Ervões (m.p. X; nas obras de demolição da Capela de Sta. Luzia apareceram 2 miliários, o miliário a Macrino que está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e o outro foi reutilizado nas fundações da mesma; a via cruza a aldeia até confluir novamente na EN213)
    Vilarandelo (m.p XI; miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está actualmente no jardim junto ao mercado, junto com o miliário a Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo com a particularidade de indicar o acampamento militar e mansio de Petavonium como ponto inicial para a contagem das milhas, já não se lendo no entanto o respectivo numeral; um outro fragmento de um miliário foi para o MRF; a via continua junto da Capela do Sr. do Milagres, m.p. XII por Cerdeira, Pousadouro, Carriçal e Lama do Vale)
    Lagoas (m.p. XV; continua a nordeste de Valpaços pela rua Calçada e «Caminho de Possacos»)
    Possacos (m.p. XVII com 4 miliários, o miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, o miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, hoje no acervo do MNA, e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois de cruzar a aldeia, e desce à ponte por calçada com 2 km)
    Ponte Romana do Arquinho sobre o rio Calvo (m.p. XVIII; vídeo; miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, hoje cravado no adro da Capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e daqui descia ao lugar da Barca, onde cruzava rio Rabaçal)
    Travessia do rio Rabaçal (m.p. XIX; a Ponte de Vale de Telhas é uma construção medieval que reutiliza silhares com marcas de fórfex de uma ponte anterior romana, provavelmente localizada mais a jusante no lugar da Barca, onde apareceu um vasto conjunto de miliários que foram agrupados na Ponte Medieval e posteriormente deslocados para outros locais: o miliário a Galério foi para o Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia está na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, o miliário a Constantino II e Constante I está junto da fonte da aldeia de Vale de Telhas, o miliário a Numeriano hoje desaparecido e o miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo que está na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco; na aldeia existe ainda um miliário a Maximino e Máximo no adro da Capela de Ns. de Fátima, mas este seria proveniente da Ponte Romana do Arquinho em Possacos)

    PINETUM .... m.p. XX, oppidum e mansio a 20 milhas de Ad Aquas localizada no Castro do Cabeço da Mochicara junto da actual aldeia de Vale de Telhas, povoado situado a 20 milhas de Chaves onde apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelo cidadão romano Publius Aelius Flaccinus, sinal de algum estatuto administrativo sobre este território, possivelmente como sede de civitas; a via romana margina o castro e segue pelo caminho hoje abandonado pelo sítio do «Alto da Estrada», m.p. XXI)
    Bouça (m.p. XXII; no «Cruzamento da Bouça» existia um miliário indicando 22 milhas que está hoje junto do Café «Estrela do Norte» em Ferradosa)
    Fradizela (cruza a aldeia e segue a rua Direita até ao cemitério onde vencia a milha XXIV; neste local estaria o miliário anepígrafo hoje partido em 3 fragmentos, um dos quais está na berma da EN206 à saída da povoação da Ferradosa; daqui toma o caminho à esquerda da capelinha até reunir com a EN206, continuando próximo dos topónimos viários Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço das Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem, m.p. XVI, para cruzar a ribeira do Arquinho na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho, onde volta a reunir com a EN206 e desce à Ponte da Pedra)

    Ponte Romana da Pedra sobre o rio Tuela (m.p. XVII; magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte constitui um dos melhores exemplares da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo e no entanto continua um pouco desprezada; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada por muitos autores como moderna até aos anos setenta!; silhares almofadados com marcas de fórfex não deixam dúvidas que se trata de uma construção romana, provavelmente nunca reconstruída)

    Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do Castro romanizado de São Brás até reunir com a EN206)
    Vila Nova da Rainha (na m.p. XXX, 1km antes da povoação, começa um troço da via com 900m que segue paralelo à EN206 até ao centro da aldeia, onde existe um miliário anepígrafo a suportar uma varanda)
    Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (m.p. XXXI; troço da via com 1500m ladeia a capela com um fragmento de um miliário junto ao Alto da Pinha, no entrada de uma casa com acesso à EN206, já convertido em peso de lagar, assinalando talvez 31 milhas a Chaves)
    Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceram dois miliários, o miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
    • Diverticulum de ligação às minas de Ervedosa no rio Tuela: derivando da via XVII na Capela de S. João em Lamalonga, seguia pelo «Caminho de Pombal» até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde existe outro fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui seguia para as minas junto do rio Tuela, passando nas proximidades do castro romanizado do Castelo de Ervedosa; depois de cruzar o rio Tuela em Soutilha seguia pelo cemitério da aldeia de Nuzede de Baixo, onde existe indícios de um vicus no Cabeço e de um povoado fortificado de Castrilhão, podendo esta via ter continuidade para noroeste, seguindo a nascente de Rebordelo rumo à travessia do rio Rabaçal na Ponte de Picões (Mendes, 2006).
    Carvalhal, Lamalonga (m.p. XXXIII; miliário anepígrafo na berma da EN206)
    Agrochão (milha XXV; ara votiva aos lares viales; seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco, possível alusão a um miliário que poderá corresponder ao miliário partido em 2 fragmentos que se encontra na berma da estrada no sítio da Amoreira; a via continua a norte da povoação pelo Alto dos Malhões, outra possível referência a miliários)
      De Agrochão a Castro de Avelãs: A partir de Agrochão o próximo miliário conhecido apareceu na Capela de S. Cláudio. entre Formil e Gostei; Colmenero propôs a continuação da via por Ousilhão, onde há forte presença romana (localizando aqui a mansio de Roboretum), seguindo rumo a Vinhais e daqui para nascente rumo a Formil, integrando assim os miliários achados em Vinhais e Soeira; no entanto este trajecto descreve uma volta pouco lógica e por um terreno particularmente acidentado; por outro lado, o miliário a Caro supostamente encontrado na aldeia de Carrazedo deve-se a uma confusão com outro miliário na povoação homónima de Carrazedo no concelho de Amares, servindo de cruzeiro na aldeia do Pilar (Colmenero et al., 2004).
    Falgueiras (m.p. XXXVIII; continua pelos altos do Roleiro, do Poulo e dos Barreiros, cruza a EN206, e contorna a Lagoaça Carroceira pelo norte)
    Edrosa (m.p. XLIV; cruza a povoação e segue pela EN206)
    Zoio (m.p. XLVI na «Portela de Zoio»; segue paralela à EN206 até à Capela de Sta. Luzia, m.p. XLVIII, onde toma o caminho da Fraga do Viborão, reúne com a EN206, m.p. XLIX e segue até Cruzes, continua pelo caminho florestal ao Alto da Ferradosa e desce a Formil pelo «Caminho da Vila» ao Castro ou «Feira dos Mouros»)
    Formil (m.p. LIV no centro; continua pela EM518 passando no adro da Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
    Gostei (m.p. LIV antes da aldeia, no desvio da EM518 pelo caminho directo ao sítio da mansio em Torre Velha)

    ROBORETUM .... m.p. XXXVI, mansio a 36 milhas de Pinetum e a 56 milhas de Aquae Flaviae localizada no povoado romano da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram miliários e outros importantes vestígios.

    Castro de Avelãs (m.p. LVI; mansio Roboretum no sítio da Torre Velha onde apareceram 2 miliários no exterior das ruínas da Capela de S. Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário a Caracala, CIL 6216 e o miliário a Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, mas poderia indicar a distância a Braga que era cerca de 136 milhas; estão ambos hoje no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pelo Ordo Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está hoje no MSMS com o nº 16, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na Capela do Sr. de Malta em Olmos, freguesia de Macedo de Cavaleiros, hoje no MAB, fazendo supor que este local integrava o território dos Zoelae; a via cruza a ribeira do Castro)

    Bragança (m.p. LIX na Praça da Sé; possível vicus entre a rua Abílio Beça e a Praça de Camões; ver os 8 miliários desta via no Museu Abade de Baçal; três estelas funerárias em Quatro Caminhos e no Couto; a via cruza a cidade talvez pela Praça da Sé, rua Abílio Beça, rua de S. Francisco, passando junto da Capela de S. Sebastião onde apareceram 3 inscrições funerárias, rua do Alcaide e rua das Amendoeiras, marginando a Fonte e Capela de S. Lázaro)
    Ponte Romana?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (m.p. LXI; segue paralela à EN218 e pela Qta. das Carvas)
    Gimonde (m.p. LXIII; castro romanizado do Arrabalde, de onde provêem três estelas funerárias e um pedestal de estátua com a inscrição BONO / R P NATO, FE249)
    Ponte Romana?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor
    Cruz do Marrão, Gimonde (m.p. LXIV; miliário a Caro no «Caminho Velho para Babe» , está hoje no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão, Fonte de Megilde e Canada de Jucadelo/«Juncedelo», rumo à Capela de S. Sebastião)
    Babe (m.p. LXVII; mutatio no lugar do Sagrado, 4 km a sul da aldeia sobranceiro à ribeira da Ferradosa, provável vicus viário associado na Idade Média à extinta Igreja de S. Pedro Velho, onde apareceram 2 miliários reutilizados como sarcófagos, o miliário a Caracala onde se lê X[---] milhas que está no MAB com o nº 1572 e um miliário a Adriano também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas contadas talvez a Caesera, mansio já em território Espanhol, localizada provavelmente em Rabanales de Aliste; neste local apareceu também uma ara a Júpiter e a estela funerária de Calpurnius Reburrinus, cavaleiro da II Ala Flávia que tinha a sua base no acampamento romano de Petavonium situado a oeste de Rosinos de Vidriales; na Capela de S. Sebastião, existe um miliário anepígrafo; a via deverá corresponder ao caminho que passa 300m a sul da capela)
    Palácios (m.p. LXVIII, cruza a povoação)
    São Julião de Palácios (m.p. LXIX na Igreja Paroquial; continua pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada com vestígios do corte artificial da rocha e muros de sustentação da via)
    Porto Calçado (m.p. LXXIII; cruza o rio Maçãs em Vale de Perdizes, fronteira luso-espanhola, rumando daqui para nordeste pelo «Camino de San Julián»)
    Moldones (m.p. LXXVIII; continua por Figueruela de Abajo e Mahide?)

    COMPLEUTICA .... m.p. XXVIIII, possivelmente localizada em Figueruela de Arriba dado que esta localidade está a cerca de 29 milhas de Castro de Avelãs, presumivelmente a localização da mansio Roboretum. A via seguia talvez por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos e Villanueva de Valrojo.
    • Ligação Compleutica a Caesera: alguns miliários apontam uma via N-S por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Adriano junto da igreja indicando VI milhas à mansio de Caesera) e Rabanales de Aliste, provável localização de Caesera, onde apareceram diversas inscrições e um possível miliário junto da igreja, indiciando um importante povoado romano que poderia ser Curunda, a capital do povo Zoelae.

    VENIATIA .... m.p. XV mansio a 15 milhas de Compleutica que poderá ficar nas proximidades de Villanueva de Valrojo. A via continua pelo «Carril de los Cervatos» por Olleros de Tera e Calzadilla de Tera, onde cruza o rio Tera e segue por Calzada de Tera, San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog, Santibánez de Vidriales (miliário a Décio?) e Rosinos de Vidriales.

    PETAVONIUM... m.p. XXVIII, mansio que poderá corresponder ao acampamento romano da ala II Flavia, a oeste de Rosinos de Vidriales; o povoado de Petavonium poderia situar-se no Castro de Sonsueña; a via continua por Fuente Encalada (3 miliários, um a Maximino e Máximo, outro a Caracala e um terceiro a Décio (?) já desaparecido), continua por um extenso troço da via conhecida por «La Chana», passando junto do miliário a Valeriano e Galieno no lugar de Fuente del Robledo (hoje no Museo de Castrocalbón), onde há um aparente acampamento romano, continuando por Calzada de Valdería e Herreros de Jamuz.

    ARGENTIOLUM...m.p. XV: situada provavelmente adiante de Tabuyuelo de Jamuz, talvez no sítio romano do «Campo del Medio» em Villamontán de la Valduerna; a via, neste tramo conhecida por «Calzada del Obispo», continua por Valle, Castrotierra, Ponte Balimbre sobre o rio Turienzo, Valderrey, Celada, e entra em Astorga pelos lugares de La Canal e Arboleda e pelo «Camino de Cuevas».

    ASTURICA...m.p. XIIII (caput viarum, actual Astorga)


    Outras variantes da Via XVII
    Variante sul da Via XVII passando por Boticas rumo a Chaves
    A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever o antigo caminho por Alturas do Barroso que poderá ter origem pré-romana dado servir vários castros importantes como o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro romanizado de Outeiro Lesenho (hipotética capital da civitas dos Equaesi, tendo aparecido nas proximidades quatro estátuas de guerreiros). Esta velha estrada passaria em Atilhó e Carvalhelhos, junto do Castro romanizado do «Castelo de Mouros», atravessava o rio Beça na Ponte de Pedrinha (a sul do povoado mineiro romano de Candedo, associado às minas de Ferrarias na outra margem), e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca para Boticas, continuando depois por Sapiãos (povoado junto do cemitério) até Sapelos, onde reencontra o Itinerário XVII.

    Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
     Considerada como a variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança de modo a integrar os 2 miliários achados na região de Vinhais. O itinerário proposto segue até à travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entronca na via transversal Valpaços - Três Minas descrita a seguir. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões para cruzar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, cruzava a Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela «Calçada do Souto Velho/Bravo» e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (vicus em Casarelhos/Aguatões; ara dedicada a Debaroni Muceaicaeco na pia baptismal da igreja de Avelelas), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até Bobadela (a Igreja de S. Pedro integra na sua construção silhares com marcas de fórfex e duas estelas funerárias talvez provenientes do vizinho vicus fortificado de Cigadonha assim como a ara numa casa da aldeia), continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, continuando por Lebução e Vilartão (estela funerária de Flavia Duerta, hoje no MRF), onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde conflui também a referida via transversal.


    Mapa



                 
    Variante transversal à Via XVII - de Castro de Avelãs a Três Minas
    Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SO que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um hipotético itinerário proveniente de Castro de Avelãs rumo à Região Mineira de Três Minas o que permite integrar esses miliários nesta hipotética via, ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte a partir de Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo rumo a Castro de Avelãs (Colmenero et al., 2004). Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados da Via XVII na sua passagem pelo concelho de Valpaços, mas no caso dos miliários de Vinhais e Soeira podiam mesmo pertencer a outras vias ainda não equacionadas. Inicialmente o percurso segue a proposta do Padre Francisco Alves no início do século XX, o 'Abade de Baçal', seguindo as anotações do Major Celestino Beça, com alguns topónimos hoje desconhecidos indicados por aspas (Alves, 1915).

    Formil (desvia da Via XVII pelo caminho que cruza a ribeira de Prado Redondo e segue por «Vale do Roupeiro», «Vale de Centiares», «Paulo de Fontes», Chousa, junto da «Fonte do Velho»)
    Castrelos (passa no cemitério onde há necrópole romana e continua pelo Carriço do Ervedal» em direcção à travessia do rio Baceiro na Antiga Ponte de Castrelos cujas ruínas ficam a jusante da ponte actual, na base do castro do Cabeço de São João/Castelos Velhos, onde apareceu a estela funerária de Sempronius Tuditanus, continuando na outra margem pelo caminho da «Estalagem do Diabo»)
    Soeira (a via cruza a aldeia junto da Igreja Velha, onde existe uma inscrição, continuando até ao sítio romano de «Vilar», estação viária tipo mutatio onde em 1900 Celestino Beça achou um miliário reaproveitado como sarcófago, hoje no MAB com o nº 1566; da inscrição original restam umas poucas letras TRIB POT e o numeral XXI; daqui desce ao rio por 1 km, contornando o Castro da Ponte parra cruzar o rio Tuela na «Ponte Velha» de Soeira, continuando por calçada até à EM1017, confluindo pouco depois na EN103 que segue aproximadamente para cruzar a ribeira de Padornelo junto da Ponte de D. Marinha)
    Vila Verde (cruza a aldeia, passando a norte da Torre de Modorro, provável atalaia romana tipo statione para controlo da via romana na zona de travessia do rio Tuela, continua pela EN103 e logo depois desvia à direita pela EM505 e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
    Vinhais (Argote refere um miliário entretanto desaparecido; onde apenas leu CONLAPSOS RESTITVERVNT / …Q. DECIO LEG.AVG.PR.PR. / CV… VIA AVG / M.P.CP, ou seja referindo reparações efectuadas na via talvez pelo Imperador Maximino, indicando a milha C[---?], talvez a Braga; provável vicus no Bairro do Eiró, onde terá aparecido a ara a Júpiter pelo que aqui deveria existir uma mutatio; a via romana margina o povoado, seguindo depois entre os altos da Portela e do Pinheiro, cruza a ribeira das Trutas no Pontão, continua pelo caminho de Lamas da Susana até Soutelo, passando a norte do povoado do Monte da Circa e do vicus da Lagoa, continua por Sobreiró de Cima, sobe pelo Alto do Meiral até Cruz das Cortes na EN103 e continua pela portela do Monte da Forca e do Alto da Madorrinha)
    Curopos (passa em «Souto Escuro», onde terá existido um miliário (?), seguindo por Estalagem de Cima e Estalagem de Baixo, na rota da EN103)
    Valpaço (por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
    Ponte Romana?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal (encontrava-se em ruínas e hoje está submersa)
    Bouçoães (dois possíveis miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, actualmente na JF)
    Lampaça (passa junto do povoado fortificado do Cabeço da Ns. da Ribeira, onde apareceu uma ara votiva e uma estela funerária)
    Tortomil (vicus de Fetais, em Vale de Fetos; duas aras votivas, uma das quais com uma inscrição a Júpiter pelos Castellani Af(...) que seria a designação do sítio; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
    Fiães (vicus Vagornica no sítio de Muradelha com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicensis achada no sítio da Cortinha do Fundo junto da aldeia, hoje no MRF; dentro do povoado apareceu um possível miliário; estela funerária na Fonte da Ns. do Socorro)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Calvo
    Tinhela (calçada; estela funerária na rua da Veiga)
    Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio, hoje desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha)
    (onde cruza a Via XVII)
    Valongo (miliário anepígrafo reutilizado numa casa da aldeia, entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
    Ervões
    Lamas
    Monsalvarga (fragmento de miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada segue paralela e a nascente da EM543)
    Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; a via margina o castro romanizado de Cigadonha e segue a nascente da aldeia talvez pelo Caminho da Qta. da Fonte; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili: «Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) Obili(um)»; Colmenero, 1987)
    Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lari Cusicelensis (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida)
    Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de S. João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom)
    Padrela (nó viário de acesso à região mineira de Três Minas, ver Itinerários Chaves - Três Minas - Rio Douro)

    VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXV


    Mapa











































































    ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)
    Item alio itinere a
    BRACARA ASTURICAM

    SALANIANA
    AQUIS ORIGINIS
    AQUIS QUERQUENNIS
    GEMINAS
    SALIENTIBUS
    PRAESIDIO
    NEMETOBRIGA
    FORO
    GEMESTARIO
    BERGIDO
    INTERERACONIO FLAVIO
    ASTURICA

    m.p. CCXV
    m.p. XXI
    m.p. XVIII
    m.p. XIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    A Geira ou «Via Nova», é a via romana melhor conservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional a 21 milhas de Braga que estaria nas proximidades da aldeia de Travasso na freguesia de Vilar, Terras de Bouro, já que neste local foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Santa Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seus contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol. Nos últimos anos, esta via foi alvo de um grande projecto de reabilitação e valorização turística que resultou na sua classificação como Monumento Nacional e na construção do «Museu da Geira Romana» em Campo do Gerês (Terras de Bouro), assim como uma candidatura a Património da Humanidade; neste âmbito foi criado no endereço «geira.cm-terrasdebouro.pt» um site sobre o «Projecto Geira» contendo uma excelente descrição da via em que foi infelizmente desactivado(!); grande parte do site foi entretanto recuperado pelo autor deste site e pode ser visitado neste endereço viasromanas.pt/geira/.


    Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da «Via Nova», e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; está hoje no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da «Via Nova», no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lari Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado)

    Travessia do Rio Cávado (Celadus):
    Como a Ponte do Porto é uma construção medieval sem indícios de uma anterior romana, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o ponto de travessia do rio Cávado. Apesar de estarem todos deslocados do seu local original existem vários miliários nas proximidades: junto da Ponte do Porto temos o miliário da Capela de S. Miguel-o-Anjo e mais a jusante, os miliários de Barreiros e o miliário do Cruzeiro de Pilar. Estudos mais recentes apontam para que a travessia se fizesse a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja «pela via que chamam de vereda proveniente de Braga» (PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento do miliário a Constante em Areal de Baixo, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto que indicaria assim a milha II. (vide Colmenero et al., 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
    1. Na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via segue pela rua dos Chãos e rua de S. Vicente, passa paralela ao cemitério de Monte d'Arcos pela rua do Areal de Baixo (miliário da m.p. I), continua pela rua do Areal de Cima ladeando o quartel, continua a nascente do Convento de Montariol por Cedro e Pinheiro, rua Rafael Bordalo Pinheiro, EM1298, passa na Capela das Sete Fontes pela rua Hélder Figueiredo e segue pelo estradão junto do Castro de Pedroso, hoje rua da «Calçada Romana», onde ainda se pode percorrer um longo e excepcional troço lajeado da via romana até atingir Adaúfe (villa na Qta. do Avelar); continua a poente igreja paroquial por Romil, Redondo (m.p. IV), continuando por Estrada, Poça, Cortinhal (m.p. V), Souto e Salgueirinho até ao Lugar do Rio, onde cruzava o rio Cávado na Barca de Ancêde (provável mutatio em Bouça Alta).
    2. Nas Azenhas de Sta. Marta: seguia próximo da Igreja Sueva de S. Martinho de Dume que assenta sobre uma villa romana anterior seguindo pelo caminho que passa na Qta. do Igo, Vila Aldos e Qta. do Gontijo, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria; calçada no lugar do Assento), rumo à travessia do rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo na outra margem por Ponte e Paço até entroncar na variante pela Barca de Ancêde em Barreiros.
    Barreiros (m.p. VI; do rio seguia pela seguia junto da Capela Sra. das Angústias, onde vencia a milha 6, continuando pela Travessa da Geira no lugar de Além; há vários fragmentos de miliários nas redondezas, três estão na Qta. do Agrolongo e um outro na Qta. da Pena, servindo de base de uma mesa de jardim que reutiliza uma mó; um outro fragmento de miliário foi deslocado para o lugar de Passos, na base do povoado do Monte da Santinha, servindo para delimitar um canteiro; inscrição votiva de Aemilius Valens, CIL II 5610, cavaleiro da Ala Flávia na Igreja de Proselo)
    Carrazedo (m.p. VII no lugar de Feira Velha/ Castro; o vicus fica próximo no Lugar da Igreja; uma ara votiva aos Lares Buricis apareceu junto da via no «Campo da Porta» ali próximo; em 1642 existiam 12 miliários no adro da Igreja de Carrazedo dos quais 8 terão sido levados para o Campo de Santana em Braga enquanto os restantes 4 permaneceram na igreja, sendo depois dispersos; vide Sousa, 1971-1972)
    Pilar, Fiscal (m.p. VIII assinalada pelo miliário a Caro, CIL II 4786, cravado no solo a servir de cruzeiro e marco divisório numa rotunda da aldeia; continua pela EN308) Besteiros (m.p. IX no lugar de St. António; continua pela rua homónima e Lugar da Cal até à Igreja Paroquial de Caires)
    Caires (m.p. X; mutatio a 10 milhas de Braga situada no vicus designado por «Cividade de Biscaia» situado no sítio do «Campo da Bouça», na base do Castro de Gróvios/Castro de Caires onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo de granito representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do sistema de correio, ou seja do cursus publicus; dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolição da Capela da Qta. de S. Vicente e hoje depositada na Qta. de Rios de Cima)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Santa Cruz
    Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via contorna o Monte de S. Pedro Fins pela vertente sul por Paço Velho, Castro, Tornadouro, S. Vicente, Roupeiro e Cimo da Geira, onde venceria a milha XI, continuando pelo lugar de Vila Cova em Paredes Secas, iniciando-se aqui um grande troço ainda intacto da via romana que ascende por suaves patamares à divisória entre freguesias, onde vencia a milha XII, pouco antes de atingir o vicus e provável mutatio de Mojeje, local onde cruza a ribeira das Oliveirinhas e cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está na casa paroquial de Vilela.
    • Os miliários das milhas XII e XIII entre os quais estava a mutatio de Mojeje foram todos deslocados para as sedes de freguesia, nomeadamente o miliário a Maximino e Máximo indicando 12 milhas a Braga que apareceu em 1957 junto da ribeira da Pala no lugar de Lama/Dornelas e actualmente no adro da igreja paroquial de Paredes Secas, enquanto os miliários da milha XIII estão hoje na aldeia de Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está encostado ao muro da igreja e o miliário anepígrafo está nas traseiras, no pátio de uma casa particular.

    Santa Cruz, Souto (m.p. XIV; de Mojeje a via percorre a meia-encosta a vertente nascente do Monte de Santa Cruz passando junto de um miliário anepígrafo que está deitado junto da via até entroncar na EM535-2, seguindo à direita pelo largo da aldeia para onde foi deslocado um fragmento de outro miliário; junto da Portela de Santa Cruz que serve de divisória entre os concelhos de Amares e Terras de Bouro, deixando o vale do rio Cávado para entrar no vale do rio Homem, atingindo pouco depois a milha 14 num local designado por Bouça do Padreiro, onde ainda subsistem 7 miliários, quatro deles indicando a m.p. XIV, um dos quais está enterrado in situ; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
    Lampaças, Balança (m.p. XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na C.M. de Terras do Bouro)
    Teixugos, Chorense (m.p. XVI; miliário a Décio; três outros miliários deste local estão desaparecidos; a via continua pelo monte até à Capela de S. Sebastião da Geira, onde entronca na EM535, segue esta estrada por 150m e desvia à esquerda por estradão de terra)
    Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (m.p. XVII; 5 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio, Caro e Valentiano)
    Chã de Vilar, Chorense (m.p. XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio I ou II que está hoje na C.M. de Terras de Bouro; vestígios de um povoado romano; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
    Lajedos, Saim (m.p. XIX; 4 miliários, um dos quais dedicado a Tito e Domiciano indicando 19 milha a Braga e onde se pode ler VIA NOVA FACTA; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova servindo de suporte a uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na C.M. de Terras de Bouro)
    Podrigueiras, Saim (m.p. XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando ambos 20 milhas a Braga; miliário anepígrafo integrado na base de um muro a 30 m da via; logo depois cruza o ribeiro da Pala da Porca)

    SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul.

    Travasso, Vilar (m.p. XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo)
    Ervosa, Santa Comba, Chamoim (m.p. XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente 22 milhas a Braga, CIL II 4806; um terceiro miliário daqui foi levado para a Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa, onde serve de cruzeiro)
    Esporões, Chamoim (m.p. XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano e outro a Constâncio II entretanto desaparecidos)
    Padrós (m.p. XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
    , Covide (m.p. XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307)
    Covide (miliário a Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda leva Castro da Calcedónia; a via cruza a Veiga da Santa Eufémia pelo lugar do Monte)
    Jeirinha, Covide (m.p. XXVI no lugar das Várzeas; miliário a Constâncio Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via acompanha o ribeiro por alguns metros, subindo depois à EN307)
    Costa do Cruzeiro (m.p. XXVII; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido; há ainda referência a um outro miliário a Vespasiano hoje desaparecido, CIL II 4814, indicando também 27 milhas a Braga; pouco depois surge o miliário a Décio indicando também 27 milhas que hoje serve de base do Cruzeiro de S. João do Campo e logo depois surge um outro miliário ilegível na berma direita da estrada; no entanto estes miliários estão deslocados e o acerto da marcação miliária sugere que a via desviava no cruzeiro e seguia antes pela Ponte dos Eixões e depois quase recto até à Igreja da aldeia do Campo)

    S. João do Campo/ Campo do Gerês (m.p. XXVIII no sítio da «Leira dos Padrões», nas traseiras da igreja; no entanto a mutatio poderia estar no sítio do «O Sagrado» ou «Adro Velho» situado na Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; na aldeia existem vários miliários, o miliário a Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação, outro fragmento de miliário indica 28 milhas a Braga e está encastrado na parede de uma casa da aldeia, tal como um outro miliário anepígrafo; a norte da aldeia na «Leira do Cotelo» no lugar do Porto do Carro, há outro fragmento de miliário; Argote refere um miliário a Magnêncio hoje desaparecido e em 1728 Matos Ferreira refere 2 miliários que estavam na Leira dos Padrões e que foram posteriormente destruídos; a via continua pela estrada actual que se dirige para a extinta aldeia de Vilarinho das Furnas (onde há vários miliários reutilizados), mas antes de descer à barragem desvia à direita por estradão de terra que se dirige para a Bouça do Gavião, perdendo-se pouco depois nas águas da albufeira que submergiu a via; o caminho actual foi construído a cota superior, mas reúne com a via 2500m depois)

    Bouça do Gavião/ Padrões da Cal (m.p. XXIX; os 13 miliários que aqui existiam foram transladados para Sarilhão, junto do estradão actual, após a construção da barragem)
    Bouça da Mó (m.p. XXX; mutatio escava na margem esquerda do ribeiro da Mó; aqui apareceram 2 miliários e recentemente um outro miliário a Maximino e Máximo)
    Bico da Geira (m.p. XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
    Volta do Covo (m.p. XXXII; 22 miliários, entre eles aos imperadores, Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, Caracala, um a Constantino II, Constâncio II e Constante I, etc.)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco)
    Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco)
    Albergaria (m.p. XXXIII; 20 miliários, entre eles, a Constantino)
    Ponte Romana de Albergaria/ Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (silhares almofadados entre as ruínas da antiga ponte; a via segue o caminho entre o rio Homem e a estrada actual)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios)
    Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

    Portela do Homem (m.p. XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Querquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
    Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (m.p. XXXVI; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

    Continuando em direcção a Astorga:
    Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até Aquis Originis, mansio referida no I.A. e situada em Baños del Rio Caldo (Lobios). Na sua rota até Astorga, a «Via Nova» passava nas seguintes estações viárias com mansiones.

    Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
    Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
    Baños de Bande (AQUIS QUERQUENNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
    Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; 3 miliários em Vilariño das Poldras na milha LXVII e um miliário em Zadagos assinalando a milha LXXI)
    Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS; milha LXXXVII, 87)
    Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO; junto à Igreja; milha CV)
    Ponte Navea (milha CXIV?; reconstrução medieval de uma ponte romana sobre o rio Navea; 2 miliários anepígrafos e um miliário a Tito; entra no território Asturicense)
    Pobra de Tivres (NEMETOBRIGA em Mendoia; milha CXVIII)
    Ponte Romana de Bibei (milha CXXI; magnífica construção romana, uma das pontes melhor conservadas na Península; existem dois miliários junto da ponte, um miliário a Tito, indicando 94 milhas a Astorga, e o outro um miliário dedicado a Trajano; outra inscrição dedicada a Trajano jaz no fundo do rio e indicava que a ponte foi construída pelos Aquiflavienses tal como a Ponte de Chaves)
    Ponte Romana da Cigarrosa sobre o rio Sil (conserva os alicerces romanos)
    Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
    Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
    Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
    Ponferrada (exploração mineira «Las Médulas», património mundial)
    Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
    Astorga (ASTURICA AUGUSTA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja cerca de 344 km desde Braga)

    VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII


    Mapa









































































    Variante
    por Antas




















    Fornelos
    Valença












    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)
    Item a BRACARA
    ASTURICAM

    LIMIA
    TUDAE
    BURBIDA
    TUROQUA
    AQUIS CELENIS
    TRIA
    ASSEGONIA
    BREVIS
    MARCIE
    LUGO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARIS
    BERGIDO
    INTERAMNIO FLUVIO
    ASTURICA

    m.p. CCXCVIIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVI
    m.p. XXIIII
    m.p. XII
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XX
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O traçado do Itinerário XIX está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (as famosas setas amarelas), embora nem sempre o caminho proposto siga pela via romana. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha obrigatoriamente de atravessar os dois grandes rios da região, o rio Lima, onde viria a instalar uma mansio designada por LIMIA situada a XIX milhas de Braga, actual Ponte de Lima, e 24 milhas depois o rio Minho onde instala outra mansio Tudae, actual Tui. O itinerário continua por Lugo rumo a Astorga, tendo a partir da mansio de Bergido um traçado comum com o Itinerário XVIII, ou «Via Nova» que seguia também para Astorga, mas pela Serra do Gerês. A via foi estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística, através da colocação de sinalética ao longo de um hipotético percurso muitas vezes «forçado» a desviar da via. Ver os 5 miliários desta via no Museu Pio XII, o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) em exposição e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e ainda o possível fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu da Sociedade Martins Sarmento (MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. consultar a bibliografia O Museu D. Diogo de Sousa em Braga guarda os outros miliários conhecidos desta via. Para mais informação sobre este itinerário vide: Argote, 1734; Regalo, 1987; Colmenero, 1987; Araújo, 1982; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2011.


    Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a TVDE, actual Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, hoje no MDDS com o nº 1992.0684; a via poderia seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; no entanto o trajecto da via XIX é incerto pois apesar dos muitos miliários quase todos foram deslocados ou reutilizados nas quintas da periferia da via como o miliário a Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, hoje no MDS com o nº 68992; a saída da cidade fazia-se talvez pela Calçada de Cones, seguindo depois aproximadamente a EN201 até à Ponte do Prado; em alternativa poderia continuar rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas passando em Felgueiras, onde existe um possível miliário reutilizado como marco divisório; ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008)

    Real (m.p. I; vários miliários relacionados com a milha I; o miliário a Constâncio (II?) indicando m.p. I apareceu em 1990 na antiga casa dos Paços da Câmara na rua Frei Caetano Brandão e está hoje dentro da cafetaria que ali existe; o miliário a Maximino e Máximo também da milha I, CIL II 4756, apareceu no Monte dos Cones a servir talvez de marco divisório, hoje no MDDS com o nº 1992.0677; também seria desta milha o miliário da Qta. do Tourido descoberto em 1979 e hoje desaparecido)

    Frossos (m.p. II no sítio da Ramoia; na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II transformado em pedra de lagar que hoje está na Sé de Braga; Albano Belino descobriu um miliário a Tibério indicando a milha II na Qta. de Germil, hoje no MSMS com o nº 82; no Largo do Souto em Panóias existe um outro miliário servindo de base a um cruzeiro, seguramente deslocado dado que indica a m.p. IV que seria vencida junto da Ponte do Prado; tem duas inscrições, uma inicial a Tibério e outra posterior dedicada a Valentiniano e Valente; um peso de lagar na Qta. da Mainha, pode reutilizar um miliário)

    S. Paio de Merelim (m.p. III; miliário a Adriano descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e hoje no Museu Pio XII, poderia assinalar esta milha; topónimo Calçada junto da EN201)

    Ponte Romana?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (m.p. IV; Argote refere o aparecimento de um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, aquando da reconstrução da ponte, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte (Regalo,1987); a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia fazer-se por barca no mesmo local ou mais a montante, próximo do sítio romano de Macarome)
    Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova)

      Variante da Ponte do Prado à Ponte de Goães:
      A rota da via romana entre os rio Cávado e o rio Neiva permanece insegura, sendo habitualmente apontado um trajecto por Lage, S. Miguel de Carreiras e Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, correspondendo ao actual «Caminho de Santiago». Apesar da evidente antiguidade deste caminho não é segura a sua existência em época romana, apresentando fortes pendentes na subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta para a travessia do rio Neiva na Ponte de Goães que na sua forma actual é uma construção medieval sem sinais de romanidade. Por outro lado, os miliários conhecidos apareceram todos a poente desta rota (embora deslocados dos locais originais), sendo por isso mais provável que a via militar seguisse um outro percurso menos acidentado e mais de acordo com os princípios construtivos romanos, por Atiães e Marrancos, fazendo a travessia do Neiva um pouco a jusante de Goães. A descoberta de miliários em Atiães no âmbito do projecto «Vias Atlânticas» veio reforçar este trajecto. Por outro lado, o trajecto por Goães poderá ser segundo Sande Lemos já tardo-romano, relacionando-o com o período Suévico. O traçado é indicado a seguir:
    • Vila de Prado (da ponte segue por Faial, passa na calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago, um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos, Corga, Montinho e Sarrela), continua por Lage (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão/Olivão), Moure (calçada; próximo fica o castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha), S. Miguel de Carreiras (CM1183 por St. André e Cachada), Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; ara na Portela da Penela; cruza a EN308 na Portela do Meio e segue por Hospital e Fonte Fria), descendo depois abruptamente para a Ponte Velha de Goães ou da «Pedrinha» (ponte medieval sobre o rio Neiva), continuando talvez por Ângulo Quarenta, Igreja de Anais e no sítio do Cruzeiro/Albergaria onde conflui na via romana que vinha por Atiães e Marrancos descrita a seguir.

    Continuação da VIA XIX
    Da Ponte do Prado a Ponte de Lima


    Vila de Prado (da ponte segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue por 1800m pelo caminho que passa nas traseiras da Igreja Velha de Prado e que liga a Outeiro; miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77)

    Oleiros (m.p. VI; miliário a Valentiniano I indicando a milha VI que apareceu na «Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz» já transformado em cruzeiro, hoje no Museu Pio XII; a milha seria vencida no Cruzeiro/Alminhas, seguindo depois pela rua da Capela de S. Sebastião)

    Atiães (m.p. VII; continua próximo do lugar da Cumieira, por Alminhas e Qta. do Carrão, percurso confirmado pela descoberta de um fragmento de miliário anepígrafo da Bouça do Castro, talvez indicando a milha VII; seguia depois pela Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário talvez da milha VIII; também no adro da Capela de Sta. Marta, existem dois cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso; minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal; continua junto da Capela de Chãos, m.p. IX e cruza a EN201 no lugar de S. José, continuando por Regadas na m.p. X; o desaparecido miliário a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga)

    Marrancos (m.p XI; fragmento de miliário junto da JF; villa?; mina romana da Cova dos Mouros; fragmento de miliário a Tibério que apareceu na Igreja Velha de Fontes em Arcozelo, hoje no Museu Pio XII; passa na rua do Cruzeiro, rua de Martinho, desviando à direita antes da Qta. de S. José por caminho de terra à direita)

    Travessia do Rio Neiva (Naebis) (m.p. XII; talvez entre os lugares do Monte da Ribeira e Lagoeira)

    Anais (m.p. XIII; no lugar da Boavista, apareceu um miliário ilegível reutilizado como suporte do alpendre de uma casa; retomando o percurso no lugar da Lagoeira, na divisória entre os concelhos de Braga e Ponte de Lima, continua por Venda, Talho, Souto, Caramasse, Varziela, Malhos, m.p. XIII no lugar do Cruzeiro, Albergaria, Casas Novas, Pé da Cruz e Torrão)

    Queijada (m.p. XIV no Largo do Soutinho em Empregada; continua por Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Costa/Cangostas até ao rio Trovela, junto do povoado na Qta. do Crasto e da necrópole na Qta. do Outeiro)
    • Em Souto de Rebordões, na rua da Rabela, estrada entre a igreja paroquial e a Qta. das Fontes, existe um cipo no acesso à Qta. da Torre que poderá ser um miliário enterrado em posição invertida, apesar da ausência de inscrição; a ser assim, este marco teria sido deslocado da Via XIX que passa a cerca de 1 milha para leste, mas não seria impossível uma variante servindo o povoado da «Cividade» seguindo depois para a travessia do rio Lima.

    Travessia do rio Trovela (m.p. XV; na «Ponte Nova» já referida em 1258; CAB Almeida, 1990; seguia depois paralela à EN201 por caminho hoje extinto)

    Fornelos (milha XVI; miliário a Maximino e Máximo que apareceu no antigo passal reutilizado como peso de lagar, hoje no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; continua por Belmonte)

    Picarouba (m.p. XVII; continua talvez por Carrão, Chão da Mena, contorna a Qta. de Sandilhão, cruza a ribeira homónima e segue por Lage)

    Posa (m.p. XVIII; miliário a Dalmácio que apareceu reutilizado num muro; miliário a Maximino e Máximo indicando a milha 18 que apareceu no «Campo de St. Amaro», hoje no jardim do Solar de Bertiandos convertido em Pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; a via continua por Qta. de Sta. Quitéria em Postigo, inflecte por Ribeiro, cruza a EN14 na m.p. XIX , entrando em Ponte de Lima pela rua do Merim, rua Norton de Matos e pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001)

    Ponte de Lima (m.p. XX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma ara a Júpiter da oficina de ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha)

    LIMIA, estação viária tipo mansio situada a 19 milhas de Braga na actual vila de Ponte de Lima; no entanto, dado que a milha XX era vencida junto da Ponte Romana, é possível que a mansio estivesse um pouco antes, talvez nas proximidades de S. Lourenço, onde vencia a milha XIX.

    Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval de uma anterior romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita com visíveis marcas de fórfex e utilização de silhares almofadados a denunciar a parte romana)

    Antepaço (m.p. XX; no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário já ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha 20 e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte romana paralelo ao rio Labruja pela Qta. de Sabadão, m.p. XXI, limite da Qta. de Pomarchão, Cancelhinhas e Igreja)
    • Na Qta. de Faldejães existem 5 miliários; 3 são provenientes da Qta. do Antepaço e indicavam a milha XX, o miliário a Adriano, CIL II 4871, o miliário a Caracala, CIL II 4872 e o miliário a Constâncio Cloro?, CIL II 4873; além destes, temos um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e o fragmento de miliário proveniente da Capela de S. Sebastião em Labruja.
    • O miliário a Maximino e Máximo indicando a milha XXI que apareceu deslocado e partido em dois esteios na Qta. da Agra, Correlhã (nº 7 da série Capela, CIL II 4874) deveria estar originalmente na Qta. de Sabadão onde era vencida a milha 21; hoje está no acervo do MNA.

    Arcozelo (m.p. XXII junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário; continua para a Ponte do Arco)

    Ponte Romana do Arco da Geia, Boavista (ponte sobre o rio Labruja reutilizando silhares almofadados da ponte anterior romana; continua pela margem esquerda por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho e Moinho do Folão)

    Cepões (m.p. XXIII; miliário no adro da Capela de S. Pedro, convertido em pia, relacionada com a milha 23 que era vencida um pouco antes da capela no sítio do Padrão, sugestivo topónimo em alusão ao marco miliário que ali existia na base do povoado do Castro do Bárrio)

    Ponte Romana?-Medieval do Arco (nova travessia do rio Labruja; daqui segue a EM522 por Fonte da Estrada até à Capela da Sra. das Neves em Codeçal associada à m.p. XXV, onde toma o chamado «Caminho da Texugueira», passando nos lugares de Revolta, Antas, Portelinha, Valinhos e Casa da Balada, marginando o povoado romanizado do Castro de Baixo)

    Labruja (m.p. XXVI em Espinheiros, dado que aqui apareceu um miliário a Constantino Magno indicando 26 milhas a Braga, suportando o alpendre de uma casa rural e hoje na chamada «Colecção da JAE», bem como o fragmento de miliário a Magnêncio (?) que apareceu no lugar da Freita; miliário da Capela de S. Sebastião, hoje no grupo da Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário próximo da Capela de São João Baptista da Grova, transformado em suporte de pia baptismal e depois transferido para a Igreja Paroquial; a via passava a poente da Igreja por Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiros)
    • A partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano, seguindo o caminho medieval ou de Santiago pela Portela Grande enquanto a via romana seguia pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário na Portela de Câmbua nº 11 da série Capela; este miliário estaria no alto do monte, actual linha divisória concelhia, assinalando a milha 27, tendo sido partido em 4 esteios e depois perdido; a zona foi muito alterada com a construção da EN201 e da A3 e hoje é preciso seguir a EM522 por Câmboa, descendo depois junto da Capela do Pisco à Veiga do Monte por Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque.

    Romarigães (m.p. XXIX; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário a Valentiniano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 28 ou 29, embora hoje apenas se leia XX[...], AE 1980, 571)
    • Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 29 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mansio na base do castro, provavelmente junto da Capela de S. Roque; a partir daqui a via parece dividir-se em duas variantes alternativas que seguiam a poente e a nascente do castro, ambas pontuadas por vários miliários; o traçado poente seguia por S. Martinho de Coura e S. Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e S. Julião, enquanto a outra variante seguia por Rubiães e Cossourado com miliários em Pereiros, Igreja de S. Pedro e Qta. do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente pouco antes de Fontoura. Aparentemente ambas as variantes têm origem romana atendendo aos miliários existentes numa e noutra rota, mas com diferente cronologia, sendo a variante por S. Martinho menos acidentada e por isso mais condizente com o perfil de uma via pública, podendo ter sido construída em alternativa ao percurso anterior atendendo ao miliário a Augusto na Igreja de Rubiães (Silva e Díaz, 1997; Colmenero, 2004; Matos da Silva, 2006).

      Variante por S. Martinho de Coura:
      Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Costa e Fonte de Frenes)
      Barreiros, S. Martinho de Coura (m.p. XXIX; miliário a Constante I no largo por trás da Capela Ns. da Conceição onde se lê MILIARIVM XXVIIII, ou seja indica que este era o 29º miliário da via; continua por Calados)
      Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (m.p. XXX; miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara; cruza o rio Coura na Ponte dos Caniços, situada na base do castro do Alto da Madorra)
      S. Bartolomeu das Antas (m.p. XXXI)
      • Para a construção da Capela de S. Bartolomeu das Antas perto de Rubiães, foram utilizados 6 miliários da região que ficaram assim deslocados do seu local original, no entanto alguns deles poderão estar relacionadas com esta variante já que aqui seria vencida a milha XXXI; dois deles suportam o alpendre, o miliário a Magnêncio indica a milha XXXI 31, CIL II 4744/6225, o miliário a Nerva indicando a XXXVI, CIL II 6226, proveniente segundo Argote do Monte das Contenças em Fontoura; o miliário a Juliano da milha XXXII, CIL II 6227, poderia estar originalmente no Espinheiral, e os restantes também ao lado da capela são de origem incerta, o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 6228, o miliário a Maximino Daia, ambos com a milha apagada e ainda um miliário anepígrafo.
      • Miliário de Candemil: na aldeia de Candemil apareceu um fragmento de miliário onde apenas se lê IMPE que terá sido deslocada desta via; no entanto também seria possível que indicasse um diverticulum para Vila Nova de Cerveira (?).

      Espinheiral (m.p. XXXII; segue a EM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro)
      Ramalhal (fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral da Capela de S. Brás; possível mutatio, Almeida, 1996)
      Ranhadoura (m.p. XXXIII; miliário a Constâncio II com a milha ilegível que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo)
      Raso, São Julião (m.p. XXXIV; no Monte da Gândara apareceu in situ um miliário a Maximino Daia indicando a milha XXXIIII, hoje também na «Colecção da JAE»; em 1979, no Largo da Feira em S. Julião, apareceu um miliário anepígrafo que passou pelo adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima e hoje está desaparecido; 200m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada)
      Reguengo (m.p. XXXV junto da Capela de S. Gabriel de Fontoura, onde reúne com a variante por Rubiães)

    Variante por Rubiães:
      Portela de Romarigães (continua pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro, junto do qual vencia a m.p. XXIX)
      Agualonga (habitat em Mourela; cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara e Covelo)
      Pereiros (m.p. XXX; continua pela EN até à Capela de S. Roque)
      Rubiães (m.p. XXXI; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde apareceu, além de uma ara funerária e pedra almofadada, um miliário a Caracala, talvez da milha XXXI, convertido em sepultura; continua até ao lugar da Escola, onde desce à esquerda rumo ao rio Coura)
      Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados; na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiniano I servindo de esteio de uma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que terão vindo da Azenha do Ribeiro em Romarigães)
      Ponte Romana?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
      Cossourado (da ponte segue talvez pela EM1074, passando na vertente nascente do Castro do Alto da Cividade/Forte da Cidade até à Igreja e cemitério, m.p. XXIV, percorrendo depois o Monte das Contenças, m.p. XXXVI, por Carcavelha até Portela junto da Capela de S. Gabriel)
      Fontoura (m.p. XXXVII; 2 miliários; miliário a Nerva indicando a milha XXXVI apareceu no Monte das Contenças e hoje está em S. Bartolomeu das Antas; possível mutatio a 7 milhas de Tui)
      • O miliário de Chamosinhos dedicado a Constâncio II da milha XXXVII, encontrado num quinteiro perto da Igreja de S. Pedro da Torre, teria sido deslocado das proximidades da Igreja de S. Miguel de Fontoura, hoje no acervo do MNA.

    Itinerário XIX de Fontoura a Valença
    Fontoura (da Capela de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, ribeira de Boriz, Rio Torto e pelo caminho de terra batida com 100m até Monte Chão, restando da antiga via, segundo Colmenero, uma lomba no terreno com 500 m, hoje em propriedade privada; seguia depois pela Capela de S. Bento e Bouça da Gândara até Paços)
    Cerdal (segue o caminho de terra batida até à ponte)
    Ponte Romana?-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (m.p. XXXIX; calçada antes da ponte; continua por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira num pontão com possível origem romana, até atingir Tuído, onde cruza a EN13, e segue por Albergaria e Senra)
    Arão (m.p. XLI; talvez pela rua da Portela, calçada da Rapadoura, rua do Regueiro, margina a Igreja Paroquial e segue pela rua da Igreja, rua da Cruz, travessa Vale de Flores e rua Verde até à rotunda dos Bombeiros)

    Valença (m.p. XLII; 2 miliários provenientes do lugar das Lojas na chamada «estrada do cais» que desce ao Cais de Arinhos; o primeiro é um miliário a Cláudio da milha 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo é um possível miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Núcleo Museológico Municipal)
    Travessia do rio Minho (Minius) no Cais de Arinhos (por barca?)

    TUDA, estação viária tipo mansio situada a 43 milhas de Braga na actual cidade de Tui (2 miliários em Sta. Eufémia); no seu percurso de cerca de 400 km até Astorga, a via seguia pelo Vale do rio Louro, por Madalena, Ponte de Orbenlle, Porriño, Guizan, Louredo, Santiaguiño de Antas (miliário), Chan das Pipas, Saxamonde (5 miliários) e Redondela, continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA AUGUSTA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja cerca de 478,4 km).

    VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque


    Mapa












    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
    Item per loca maritima
    a BRACARA ASTURICAM
    usque

    AQUIS CELENIS
    VICO SPACORUM
    AD DUOS PONTES
    GLANDIMIRO
    TRIGUNDO
    BRIGANTIUM
    CARANICO
    LUGO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARI
    BERGIDO
    ASTURICA




    stadia CLXV
    stadia CXCV
    stadia CL
    stadia CLXXX
    m.p. XXII
    m.p. XXX
    m.p. XVIII
    m.p. XVII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. L
    Este itinerário seria uma alternativa ao Itinerário XIX por via marítima, atendendo à designação per loca maritima, ou seja «por locais marítimos», e ao facto das distâncias entre as primeiras estações serem apresentadas não em milhas mas em estádios, unidade que era habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Este itinerário seguiria por via marítima pelos portos de Aquis Celenis, Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, continuando depois por via terrestre rumo a Lucus Augusti (Lugo), onde conflui no Itinerário XIX rumo a Asturica (Astorga). Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, evidenciado a notável organização económica durante o período romano. A parte inicial do trajecto em território português tem gerado grande controvérsia devido às diferentes interpretações do Itinerário. O primeiro problema prende-se com a existência ou não de uma via terrestre a ligar Bracara Augusta a Aquis Celenis. Apesar dos esforços de muitos autores, a verdade é que não há indícios claros da existência de uma via militar romana pelo litoral Atlântico (apesar da comprovada existência de diversas vias secundárias), dado que até hoje não apareceu um único miliário que possa ser atribuído a essa suposta via, ausência de todo inusitada nas principais vias com origem na capital regional Bracara Augusta, sempre pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. Alguns autores pretenderam associar a esta via o miliário de Chamosinhos (Almeida CAF, 1987: 165-166), mas tudo indica que este foi deslocado da Via Bracara - Limia - Tui que passa a cerca de 4 milhas a nascente (Almeida CAB, 1979: 123-124). Deste modo é mais plausível que este itinerário seguisse inicialmente por um percurso comum ao Itinerário XIX até Tui (Tudae), seguindo depois por via fluvial ao longo do rio Minho até à sua foz. A ser assim, o povoado de Aquis Celenis poderia corresponder o Castro de Santa Tecla junto a Caminha, e o respectivo porto poderia corresponder à pequena ilha onde hoje assenta o Forte da Ínsua. De facto, Estrabão refere na sua Geographia que "diante da sua embocadura (do Minho) situam-se uma ilha e dois quebra-mares com ancoradouros" evidenciando a existência de porto na foz do rio Minho na época romana, tendo alguma importância a ponto de ser mencionado numa brevíssima nota do geógrafo grego sobre os rios da Lusitânia (Deserto et al., 2006). Esta hipótese é corroborada também pela distância indicada no I.A. de 165 estádios a Aqui Celenis (cerca de 30,5 km ou 19 milhas) que corresponde exactamente à distância por via fluvial entre Tui e o Forte da Ínsua (Crespán, 2015). A ser assim, o Itinerário XX terá omitido as estações de Bracara a Tudae, visto que estas já são mencionados no Itinerário XIX. No entanto, a questão da localização de Aquis Celenis está longe de estar resolvida dado que este topónimo é também referido no mesmo Itinerário XIX como estando a 99 milhas de Braga o que coloca esta estação nas proximidades de Caldas dos Reis (Pontevedra). Esta aparente discrepância nos itinerários poderia se explicada considerando que se trata de dois povoados distintos, porventura com grafia similar o que teria induzido em erro os copistas medievais. De facto, no «Ravennatis» surge tanto uma Aqui Celenis próximo de Iria Flaviae (Rav. IV.45) que se ajusta a Caldas dos Reis, como uma Quecelenis (Rav. IV.43) próximo de Tudae, o que se ajusta à foz do rio Minho. O problema continua portanto em aberto. Um outra tese que teve muito aceitação entre os estudiosos portugueses é a possibilidade deste itinerário indicar uma rota fluvial ou terrestre seguindo pelo vale do rio Cávado até Esposende, ainda hoje seguida por autores conhecedores da região como Rui Morais e Helena Carvalho. A primeira hipótese, a existência de uma via terrestre ligando Bracara Augusta ao mar pelas margens do rio Cávado não se coaduna com a habitual tipologia da rede viária romana e deve por isso ser descartada. A hipótese fluvial porém é mais plausível dado que o rio Cávado era navegável desde a sua foz até Areias de Vilar, podendo existir aqui um porto fluvial na dependência de Bracara Augusta. Segundo esta proposta, Aquis Celenis estaria assim localizada na foz do rio Cávado (Esposende). Este local também de ajusta aos 165 estádios indicados no I.A., dado que corresponde ao trajecto fluvial daqui a Braga. No entanto, esta solução carece ainda de suporte arqueológico e cria outros problemas a jusante, nomeadamente impossibilitando o acerto das distâncias daqui a Lugo, mais ajustadas à sua localização na foz do rio Cávado. Perante estas incertezas, optamos por agrupar aqui os vários percursos terrestres da rede viária secundária que servia o território de Bracara Augusta apesar de estes não integrarem o itinerário «per loca maritima» (sobre o Itinerário XX e estes trajectos vide Almeida CAF, 1968, 1969, 1987; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Maside, 2001; Colmenero et al., 2004; Morais, 2005; Carvalho H., 2008; Ferreira J., 2012; Crespán, 2015).

    De Braga a Areias de Vilar
    Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia pela rua de S. Sebastião, aproximadamente a decumanus, marginando o anfiteatro e a necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Direita, rua Padre Cruz e rua da Naia)
    Ferreiros (continua pela chamada «Calçada da Naia», troço da via que ainda conserva o lajeado por 337m, contornando o Monte de S. Gregório, onde apareceu tégula associada a um possível casal romano; o caminho passa numa capela em ruínas a cerca de 1 milha de Braga)
    Gondizalves (continua entre caminhos florestais até à rua Monte da Amarela, perdendo-se o seu rasto daqui à rua da Venda)
    Sequeira (continua pela antiga estrada Braga-Barcelos pelo sopé sul do Castro romanizado do Monte das Caldas, CM1322, seguindo pela rua da Venda e rua da Pousada, topónimos viários, rua das Caldas, rua Cabrita, Calçada da Cabrita, onde há marcas de rodados da chamada «Estrada Velha», continuando pela Viela da Seara até ao ribeiro; daqui a Porto Martim a via desapareceu, mas é possível que seguisse entre campos agrícolas do lugar de Corgas e depois pela rua de Mondinhos, rua Padre Moreira, cortada pela A3, e Av. Sr. dos Passos, cortada pela A11)
    Porto Martim (m.p. IV, junto da linha divisória entre Braga e Barcelos; topónimo indicia um porto fluvial)
    Martim (villa ou mutatio na área da igreja; a via passa a norte da actual EN103 Braga- Barcelos pela rua da Estrada Real, passando em Martim de Além, rio Labriosque, junto da Capela de St. António na m.p. V, e no lugar da Venda)
    Encourados (m.p. VI; continua pela rua da Estrada Real, CM1079, marginando a villa ou mutatio? na Casa do Adro no lugar do Assento, a 6 milhas de Braga)
    Areias de Vilar (vestígios romanos nas proximidades do rio Cávado indiciam a existência de um porto fluvial, em particular o povoado romano em Aveleiras, de onde terá vindo a ara da Igreja de S. João Baptista, necrópole na Capela de Sta. Maria Madalena e tégula na Capela S. Sebastião; a travessia do Cávado poderia fazer-se entre «Bouça da Barra» e Manhente)

    Alternativas a partir do Porto de Areias de Vilar:
    • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz em Esposende para depois seguir por mar rumo à costa Galiza (Morais, 2005).
    • Continuar por hipotética via terrestre ao longo do rio Cávado, seguindo a EM556 por Adães (calçada) e Sta. Eugénia de Rio Covo (villa ou mutatio? em Assento) até Barcelos e daqui a Fão cruzando na Barca do Lago/Outeiro dos Picotos com a karraria antiqua proveniente de Cale (Morais, 2005).
    • Rumar a norte em direcção a Ponte de Lima, cruzando o rio Cávado na Bouça do Barco ou no Vau de Manhente, continuando depois rumo à Ponte do Anhel onde cruzava o rio Neiva pelo itinerário descrito a seguir (Almeida CAF, 1968).

    De Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
    É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas tal como «pousada» e «breia». Partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja S. Pedro de Alvito; ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial em S. Martinho de Alvito), continuando por Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima.

    da Barca do Lago ao Vale do Lima pela Ponte de Fragoso
    Itinerário que deriva da karraria antiqua/via veteris após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção nordeste rumo ao rio Lima; esta rota seguia por Terroso em Palmeira de Faro (junto do castro romanizado do Senhor dos Desamparados e da villa da Linhariça), contornava o planalto de Vila Chã (junto do povoado de Barbeitos), seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada; referência à «carraria» na Carta do Couto de Fragoso em 1127), continuando depois por Barroselas e Portela de Susã (vestígios junto da Igreja), Sta. Maria de Geraz do Lima (villa a 80m da igreja paroquial que reutiliza silhares romanos tal como na Igreja de Sta. Leocádia, onde apareceu uma ara anepígrafa e um capitel toscano) e Moreira de Geraz do Lima, atravessando o rio Lima no sítio da Passagem. Na outra margem a via teria continuação para norte, passando na vertente nascente da Cividade de Lanheses (castro romanizado relacionado com as minas de estanho de Cova Alta/Olas e Alto das Mouras, e a mina de ouro de Bouça do Moisés), continuando por Rouparias (necrópole) para S. Lourenço da Montaria, passando próximo do Castro de Castelão. (Almeida CAF 1968: 36; Almeida CAB 2003: 336).
    • Diverticulum de Portela de Susã ao rio Lima/S. Salvador da Torre, seguindo por Subportela (vestígios na Igreja Paroquial), seguindo a vertente nascente do castro romanizado do Santinho ou de Roques por Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia), Deão (villa junto da igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião) rumo à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre. Daqui a via rumava a norte em direcção à Ponte de Tourim conforme descrito a seguir.
    • Vila Mou (importante vicus localizado entre as duas travessias do Lima, junto do povoado pré-romano do Monte da Cividade, relacionado com as explorações de estanho em Rasas e Mata; villa tardo-romano no sítio do Passal, com a necrópole a nascente; ara votiva a Júpiter colocada por Rufus Grovius desaparecida, inscrição a Victoria, fustes de colunas e capitéis)
    • Ligação de S. Salvador da Torre a Caminha pela Ponte de Tourim: via medieval com possível origem romana ligando a travessia do Lima em Torre a Caminha, seguindo por S. Paio de Meixedo (estátua de guerreiro colocada pelos Tubenenses?; minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas), Vilar de Murteda (continua próximo das minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário, e Chão da Pica), Amonde (passa junto do casal situado na encosta do Alto das Folgueiras, possível mutatio, e no sopé do castro romanizado do Alto da Corôa), seguindo para a travessia do rio Âncora na Ponte Medieval de Tourim (possível fundação romana dado que na sua reconstrução no séc. XVIII apareceu a inscrição ...MAN IM IN MNS; OAP, 5:176), continuando por Orbacém (EM526-1), Gondar, Dem, Azevedo (tégula em Paço) e Venade (castro romanizado no Alto do Coto da Pena), passa em Vilarelho, chegando pela rua da Corredoura a Caminha.
    • Ligação da Ponte do Fragoso/Neiva a Viana do Castelo: via medieval com importantes vestígios romanos, seguindo próximo do povoado tardo-romano entre Páuso e Padrão, topónimos viários, passando na igreja), continuando por Alvarães onde poderia bifurcar, seguindo para noroeste por Valverde, Breias, Vila Fria e Ponte Pedrinha para Darque e Viana do Castelo, ou continuar para norte pela Vila de Punhe, seguindo pelo vale da vertente oeste do castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, «Caminho do Penedo Ladrão» que passa defronte do Castro de Sabariz e desce por Pinheiro, próximo do povoado romano da Regadia, rumo ao rio Lima (Barca do Porto?).

    De Famalicão a Barcelos
    Estrada medieval entre Famalicão e Barcelos com possível origem romana atendendo às referências a uma «karraria antiqua» e «estrata de vereda» num documento do ano 906 que delimita a «villa» de Sta. Eulália (PMH DC 13), actualmente a freguesia de Sta. Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à fonte de águas medicinais que ali existe que foi estação termal na época romana e medieval (Almeida, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» que deverão corresponder a vias romanas, nomeadamente a que seguia directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos e logo a localização da via; atendendo ao terreno é possível que a via principal para Barcelos seguisse junto dos cabeços da montanha entre o Monte da Saia e o Monte de Maio, por onde descia ao Cávado; partindo de Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus ou Corougiai Vesucus , hoje no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço e na Qta. da Honra de Fralães apareceu uma lápide de um legionário, hoje no MSMS com o nº 43), continua por Carvalhos (EN306-1 até S. Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de S. Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Qta. do Perdigão, traseiras da Qta. do Paranho, Capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Qta. da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Sta. Eugénia do Rio Covo.

    De Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
    Este importante eixo medieval tem certamente origem romana dado os imensos vestígios dessa época ao longo do seu percurso que interligava o vale do Cávado ao vale do Lima pelo Vale da Facha num traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva no local da Ponte Medieval das Tábuas (ponte já mencionada num documento do ano 1135) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, confluindo pouco depois na Via Romana Bracara Augusta a Tudae do Itinerário XIX.

    Barcelos (seguia talvez para Abade de Neiva por Breia e junto da villa da Qta. do Castelo, a II milhas de Barcelos, na base do castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre)
    St. Leocádia de Tamel (passa na Igreja, milha III?)
    Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas)
    Tamel/S. Pedro de Fins (milha V?; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (PMH DC 443)
    Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (mamoa e povoado na Bouça da Mó; milha VIII?)
    Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Qta. das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da Capela de S. Martinho e Mó)
    Poiares (milha X?; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro)
    Vitorino de Piães (milha XII?; passa junto dos povoados de S. Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade)
    Portela, Facha (milha XIII?; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
    Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
    • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela margem esquerda do rio Tinto, EM1259, passando junto da necrópole do Paço Novo, relacionada com a villa tardo-romana de Paço Velho (a cerca de 200 m) e na base do castro romanizado de St. Estevão/Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, rumo à travessia do rio Lima no lugar da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos por Arcos (passando nos sítios romanos da Qta. da Laje, villa da Qta. dos Pentieiros e Mina de Casais, onde há também um castro) e Estorãos (a via deveria ladear o casal? no lugar do Rei, EM1228), continuando pela Ponte do Arquinho em Pica e Breia rumo a Portela de Cabração (topónimo Poldras), seguindo de encontro à Via XIX, na zona entre Romarigães e Coura.

    Facha (a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na Capela de S. Sebastião e junto da villa do Prazil, talvez a milha XV pois fica a 1 milha de Maria Velha, com vestígios de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro, milha XVI?)
    Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia)
    Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com o Itinerário XIX proveniente de Braga)

    Via BRACARA AUGUSTA a AUGUSTA EMERITA


    Mapa














    Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    O Itinerário de Antonino não menciona uma rota entre estes dois importantes centros urbanos como são Bracara e Emerita. Na verdade, não existe uma via estruturada como tal, mas sim um itinerário que utiliza troços de várias vias independentes através de um território bastante acidentado. O itinerário partia de Mérida e seguia até Cáceres pela «Via de la Plata», rumando daqui para noroeste rumo à Ponte Romana de Alcântara, onde cruzava o rio tejo, entrando pouco depois em território Português através da Ponte Romana de Segura (Idanha-a-Nova), ambas mantendo grande parte da estrutura original, continuando até ao assentamento de Torre de Centum Cellae (Belmonte). Neste local a via bifurcava, seguindo um ramo para norte por Guarda, Mêda e Freixo de Numão rumo à travessia do rio Douro enquanto outro seguia para poente transpondo a Serra da Estrela. No cimo da serra voltava a bifurcar, seguindo um ramo por Folgosinho até Viseu e daqui a Talabriga, ligando assim Mérida ao litoral enquanto outra via dirigia-se para noroeste seguindo por Linhares, Aguiar da Beira e Moimenta da Beira rumo também ao vale do Douro na zona da Régua. Assim não temos um percurso directo Mérida Braga, mas uma via que se desdobra em vários ramais. Um deles seguiria até Bracara Augusta, mas não é claro qual destes percursos era o mais utilizado para percorrer este itinerário. O itinerário por Viseu, Cárquere, Tongobriga e Braga é uma possibilidade, com 3 miliários a assinalar o trajecto da via entre o rio Douro e o rio Tâmega - «Carreirinha», Soalhães, Freixo e Tuías. No entanto também poderia seguir a via pela Régua, subindo depois por Santa Marta de Penaguião até à Serra do Marão, e depois por Amarante e Guimarães até Braga. Nesta parte final do percurso existe apenas um miliário que apareceu junto da Igreja de S. Martinho de Sande. Deste modo, o itinerário é apresentado como um agrupamento de troços das seguintes vias:
    Itinerário Braga - Viseu - Mérida
    Braga a Viseu por Tongobriga
    Viseu a Belmonte
    Belmonte a Mérida.
    Itinerário Braga - Régua - Mérida
    braga_vilareal.

    Braga (BRACARA) - Guimarães/ Rio Ave - Freixo (TONGOBRIGA)
    Braga (a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal, hoje muito alterado pela Av. da Liberdade, até S. João da Ponte, onde fazia a travessia do rio Este)
    Fraião (m.p. II; continua pela EN309 por Santo Adrião, rua do Espadanido, Calçada dos Padres, rua da Fonte Seca, rua Campo da Escola, rua da Boavista, vencendo a m.p. II junto das Alminhas; daqui ascende à serra pelo caminho de terra paralelo à EN309)
    Serra da Falperra (castro romanizado do Monte Sta. Marta das Cortiças; a via atravessa o santuário, junto da Igreja de Sta. Maria madalena, onde venceria a milha III e inicia a descida)
    Longos (m.p. IV; troços lajeados na descida para Carvalheiras/Laje, e segue a rua Outeiro de Oleiros e rua Duas Vendas, junto da Qta. da Carreira)
    S. Lourenço de Sande (m.p. V; do sítio «Estrada Velha» seguia por rua Cimo de Vila/Lapa marginando as sepulturas medievais dos «Quatro Irmãos»)
    S. Martinho de Sande (m.p. VI; em 1855 apareceu um miliário a Trajano na casa paroquial, CIL II 6214, hoje no MSMS com o nº 78, provavelmente indicando 6 milhas a Braga; a via segue pela rua Quatro Irmãos e rua Vinhas, cruza a EN101 junto do cemitério de Burgão e continua pela rua do Cruzeiro da «Casa da Mogada», onde existe um habitat romano)
    • Diverticulum para Caldelas / Taipas: em Pontes poderia atravessar a ribeira de Paus e seguir segue por Lameiras e Alvite rumo às Caldas das Taipas, onde no século XIX apareceram vestígios de um complexo termal, logo soterradas, associado a um vicus (Ara de Trajano, imponente penedo junto da igreja com inscrição honorífica a Trajano; ara votiva às Ninfas).
    S. Clemente de Sande (m.p. VII; continua pela rua Trás do Rio e em Vieite toma o caminho da Torre)
    Vila Nova de Sande (m.p. VIII na igreja; rua do Falcão, rua de Santarém, na Igreja Paroquial toma o caminho de Lajes, passa a asfalto na travessa das Cruzes, continua por Souto e desce ao rio pela rua 10 de Junho)

    Ponte Romana de Campelos sobre o rio Ave, S. João da Ponte (m.p. IX; imponente ponte romana com 4 arcos com muita da sua construção original ainda intacta; estalagem medieval também mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM com possível origem numa mutatio)
    • A ponte é referida num documento do ano 957 e noutro de 1059 como «ponte petrina» (PMH DC 71; PMH DC 420); neste último documento surge também uma referência à via romana como «strata maior»; num documento do ano 924 de doação de terras em Portela dos Leitões também é referida uma «uia antiqua» e uma «carrariam maiorem»; «uia antiqua et uadit post in porte de Goncado. et inde per carrariam maiorem que uadit a ecclesiam sancti martini» (VMH LXIII); próximo, na Igreja de Brito, apareceu uma ara votiva.
    • Após cruzar o Ave na ponte romana, a via continua por Silvares, atendendo à referência a uma «carreira antiqua» num documento do ano 1079 (PMH DC 570), seguindo pela base do castro de Sta. Eulália por Venda do Porco/Capela do Sr. dos Aflitos (milha X), cruza a A11 e segue por Costa, Corgo (milha XI), Carvalhais, Cruz (cemitério), atravessa o rio Selho talvez entre Mouril e Rebôto (milha XII) para pouco depois dividir-se nas 3 rotas para o rio Douro descritas abaixo.
    • O Museu Martins Sarmento em Guimarães guarda o miliário de S. Martinho de Sande pertencente a esta via para Mérida e mais 5 miliários encontrados no aro de Braga, os 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado, nº 77, o miliário da Qta. de Germil, nº 82, e ainda mais 3 miliários oriundos da Qta. do Cravinho, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Caracala e Cómodo, nº 79, o miliário a Constantino Magno e regravado no tempo de Constâncio II, indicando 36 milhas, nº 80, e finalmente o miliário a Valentiniano e Valente, nº 81. Vasta colecção de epígrafes no museu: ara à divindade CORONVS , nº 18, achada no Campo de Pinheiros, Casal do Castro, Serzedelo, talvez proveniente do povoado da «Cidade de Pedraúca», assim como a ara a Júpiter, nº 32, achada na Casa Paroquial; ara NYMPHAE LVPIANAE de Tagilde, nº 34; ara NYMPHAE, nº 33, achada em Guimarães, na rua 5 de Outubro nº 8).

    As 3 rotas romanas rumo ao rio Douro
    A possível existência de três travessias do rio Vizela em época romana (na Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, na Ponte «Romana» das Caldas de Vizela e na Ponte Romana do Arco de Vila Fria) indiciam que a via dividia-se pouco depois da travessia do Ave na Ponte de Campelos, seguindo pela primeira rumo a Cale (Porto), pela segunda seguia próximo de Magnetum (Meinedo) e pela terceira seguia para a Tongobriga (Freixo); esta última rota poderia corresponder ao itinerário principal para Mérida dado passar nesta importante cidade romana e pela existência de uns poucos miliários pontuando o seu trajecto rumo ao rio Douro.

      Rumo ao Porto (Cale) pela Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
      Os silhares almofadados com marcas de fórfex da Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela em São Martinho do Campo, atestam a existência de uma ponte anterior na via romana para Cale e que funcionava assim como diverticulum do eixo Braga-Mérida que seguia sudoeste da cidade de Guimarães; «ponte lapidea» num documento de 983 (VMH 17); «ponte de auizella» num documento de 1059 (PMH DC 420); ver itinerário no sentido inverso na Via Cale a Vimaranis.
        Outras ligações a partir da Ponte de Negrelos:
      • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca na Via Guimarães-Vizela-Meinedo.
      • Rumo a Paredes e Castro de Vandoma, de encontro à Via Cale - Tongobriga, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e S. Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Monte do Socorro por Portelas, Lamoso (ara votiva a Turiaco na igreja paroquial, hoje no Museu de Sanfins; dólmen; pela rua do Progresso e da Corredoura, cruza a EM513-4 em Vista Alegre), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros; rua da Boavista, Cales), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, hoje São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, S. Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte de Vila Boa da Arreigada (rua dos Ferradores e da Calçada) e segue para Paredes por S. Martinho e Aboim (topónimo rua da Ponte Romana).
      • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota medieval com possível origem romana, desviando da anterior para Codessos, Raimonda (Povoado de S. Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de S. Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

      Rumo a Meinedo (Magnetum) pelas Caldas de Vizela (Oculis Caldarum)
      Este itinerário seguia na direcção do vicus Oculis Caldarum situado junto das actuais Caldas de Vizela, onde cruzava o rio homónimo; daqui segue pelo concelho de Lousada rumo ao vicus de Magnetum em Meinedo, importante povoação romana e antiga sede de um bispado suévico, continuando depois até Santa Marta em Penafiel onde encontrava a via proveniente de Cale a Tongobriga, podendo continuar para sul rumo à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios, marginando o notável Castro Romano do Monte Mozinho. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa no seu artigo «Eixo Viário Romano Oculis - Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada» (Sousa, 2012). Este itinerário poderia derivar da Via Braga - Mérida talvez na Igreja da St. Amaro em Mascotelos ou mais adiante na zona da Sra. dos Remédios em Urgezes, e seguia junto do povoado do Monte de Lijó na Polvoreira, continuando por Bouça da Quinta para Infias (topónimo Qta. da Carreira), seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, hoje no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que indicia a passagem da via na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela.

      Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal; duas inscrições a Bormanicus, denunciam o culto a esta divindade termal, uma apareceu no sítio da Lameira, actual Praça da República, hoje no MSMS com o nº 76, e outra provém do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e a desaparecida inscrição da Qta. do Sobrado dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis Lupianis, divindade aquática de Lupiana, achada no passal da Igreja de Tagilde, hoje no MSMS com o nº 34)
      Ponte Romana?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; construção medieval não havendo indícios de uma ponte anterior romana; na outra margem segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
      Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 por Portelas, Baixinho e Carreira Chã; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Qta. de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta última dedicada à divindade Castaecis pelo lapidário Reburrinus)
      Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
      Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira, passando na Capela de Sta. Águeda e S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira e rua da Loja para a travessia do rio Mezio junto da Qta. de Eira Vedra, provável villa onde apareceu uma estela funerária, hoje no MNSR ; continua por Covas e Servecia)
      Cristelos (contorna o Castro de S. Domingos pela vertente oeste; na vertente sudeste existem vestígios de uma casa romana à margem da EM1132; segue talvez as ruas Castro, Almas e Ns. da Conceição)
      Lousada (talvez pelas ruas de St. André e 1º e Maio em Arcas)
      Boim (forno em Irmeiro; segue talvez o CM1155)
      Travessia do rio Sousa (há dois possíveis pontos de travessia, na Ponte de Sousa ou na Ponte Medieval de Espindo; calçada próximo com 100m?; continua por Bustelo, onde há vários topónimos viários como Tresvia, Padrão e Carreira Branca, este já referido em documentos medievais como «Portus Carrarius»; a via passaria próximo do lugar de Monteiras onde há necrópole, e ascendia ao cruzamento de Santa Marta/ Croca talvez pelo caminho do Mosteiro de Bustelo)
      Meinedo (Magnetum; provável ramal de ligação ao vicus romano atravessando a que se estendia por Casais, Igreja Paroquial, Campo de Futebol e Qta. dos Padrões, junto do apeadeiro)
      • Nó viário de Santa Marta Croca: neste local cruzava com a via E-O vinda de Cale (Porto) rumo a Tongobriga (Freixo), mas este itinerário N-S poderia ter continuidade rumo à travessia do rio Douro em Eja/ Entre-os-Rios pela rota descrita a seguir.

      Itinerário de Meinedo (Magnetum?) a Eja (Anegia?)
      Penafiel (segue junto do sítio romano da Igreja de Santa Luzia)
      Póvoa de Marecos (povoado romano junto da Capela da Ns. do Desterro, local onde apareceu uma ara dedicada a Nabia, hoje no Museu de Penafiel, e um tesouro; a necrópole fica no lugar da Pedreira)
      Rans (atravessa o rio Cavalum em Ponte Nova e um seu afluente na pequena Ponte de Lardosa ou Ponte Velha, hoje abandonada)
      Galegos (segue pela base do castro romanizado de Abujefa; necrópoles em Bairro e no passal da casa paroquial; tesouro em Boavista e Qta. do Bairro)
      Oldrões (provável nó viário do vale da ribeira de Camba, na base do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no excelente Museu de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; desvia talvez da EN106 pela rua do Perrelo, travessa das Sete Pedras, rua de Real de Cima e rua Fonte da Arcanja até ao cruzamento na EN106, onde segue a EM590-1 para Quintãs.
      • Ligação Oldrões - Monte Mozinho: acesso ao castro romano de Mozinho, derivando no cruzamento de Oldrões para sudoeste rumo ao lugar da Sra. dos Caminhos em Valpedre (topónimo Pousada), subsistindo ainda um troço lajeado na subida para Mesão Frio, nó viário, onde cruzava com a via Mozinho - Eja/Entre-os-Rios que seguia pela crista da serra.
      • Ligação Oldrões - Várzea do Douro: do cruzamento de Oldrões, partiria uma via rumo a sudeste com possível origem romana, cruzando a ribeira da Camba e subindo a encosta por um notável troço lajeado da calçada entre Bodelos e Agrelos, hoje designada por «Rua da Via Romana», continuando por S. Miguel de Paredes, pela rua da Sagrada Família, Fonte Carreira, rua da Via Romana, rua Cimo de Vila, rua do Calvário e rua 1º de Maio até Lajes, seguindo depois para o Cruzeiro das Lampreias, bifurcando junto do Igreja do Sr. dos Aflitos para as diversas travessias do Tâmega que entroncavam na outra margem no eixo viário romano no direcção NE-SO entre a cidade de Tongobriga e o vicus da Várzea do Douro:
        • rumo à Foz do Tâmega, seguindo a meia-encosta por Jugueiros rumo à foz do rio Tâmega em Entre-os-Rios.
        • rumo à Barca da Ribeira/Barca do Souto, seguindo por Perosinho, Corcumelos e Sra. dos Remédios até Rio de Moinhos rumo à travessia do Tâmega na Barca da Ribeira ou na Barca do Souto, ambas comprovadamente usadas no período medieval, mas que poderiam já estar em utilização na época romana.
        • rumo à Barca da Várzea, seguindo para nordeste pela rota da EN312, talvez pela rua Vales, rua Avessadas, EN312 até Montinho de Baixo, onde desce à direita por Barreiros e Granja de Cima até Passinhos, antigo povoado romano, e não longe do casal romano da Bouça do Ouro, 1km a montante, descendo depois ao rio pelas traseiras da Capela dos Passinhos, onde existe restos da calçada na descida ao rio.
        • Via ao longo do Tâmega, a ligação entre as diversas travessias do Tâmega, poderia ser feita por uma via SO-NE com origem em Entre-os-Rios e seguindo ao longo da margem direita do Tâmega, actual rota da EN312, por Rio de Moinhos, Boelhe, Ribela até Boriz, onde entronca na via para Cale Tongobriga.
      Valpedre (continua pela EM590-1 por Maragossa, Cavadas e Vilela)
      Termas de S. Vicente Pinheiro (termas romanas designada por villa banius no ano 1047, PMH DC 357; continua pela EM590-1, passando entre as ruínas da zona termal e o castro romanizado do Outeiro Divino)
      S. Paio da Portela (continua por Curveira e entronca na EN319, saindo pouco depois pela EM580-1 por Outeiro, Ponte das Ardias, Abôl, S. Sebastião, Alminhas e S. Miguel até à base da Cividade)

      Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade/ de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas)
      • Ligação Eja - Castelo de Paiva - Arouca: é possível que esta via continuasse na outra margem do rio Douro por Castelo de Paiva, de encontro à via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro/Castelo de Fornos que seguia para Arouca (?); seguia talvez por Vila Verde, passando próximo das necrópoles do Campo da Torre (epitáfio de Avitianus), do Terreiro (ara a Laribus Ceceaicis, FE 470) e de Santa Cecília (tesouro)
      • Ligação Eja - Pejão - Fermedo: uma outra hipotética via seguia para sudoeste por Sardoura (marginando o castro romanizado do Pedregal e o Castro de S. Gens; necrópole em Valbeirô, no vale), continua por Carreira (necrópole de Valdemides em Cruz da Carreira), Ribeiro, Portela, Sabariz, Pejão e Almansor, onde cruza o rio Arda (no sítio de Balaído), continua por Lázaro, Baloca, Alto do Vizo, Covelas, Belece, Parameira, Fermedo e Cabeçais, onde cruza a via Porto - Viseu.


    Mapa

















    Guimarães - Ponte do Arco - Freixo (TONGOBRIGA)
    Continuação do itinerário principal para Mérida cruzando o rio Vizela na Ponte Romana do Arco de Vila Fria e seguindo por Felgueiras e Alto da Lixa rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços (vide Almeida, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320).

    Guimarães (depois de cruzar o rio Ave na Ponte Romana de Campelos, a via romana proveniente de Bracara seguia a sudoeste desta cidade de fundação medieval rumo à Ponte do Arco de Vila Fria, passando talvez em Santiago de Candoso (inscrição rupestre num penedo no lugar de Chãos onde se lia AVICIRF/I/DH e habitat em Bogalhós), Veigas, Belavista, Igreja de Santiago, m.p. XII, contorna o Alto do Pombeiro até Santo Amaro, continuando pela EN576 por Vista Alegre, m.p. XIII, servindo de divisória entre as freguesias de Mascotelos/Urgeses e Polvoreira, tomando depois a rua de Covas que cruza a EN105 e a linha férrea e segue pela rua Portelinha dos Remédios (topónimos viários Portela e Breia; possível referência à via nas Inquirições de Afonso III em 1258 como a «viam veteram de Ladroeira»; VMH p. 284); cruza o rio de Moinhos junto da Qta. do Meirinho e continua por Arca de Baixo, na m.p. XIV, Manhufes e Brense, passando a sul da Igreja de Pinheiro (topónimo viário Qta. da Carreira) pela rua das Regatinhas, rua Pés de Oliveira, rua José Peixoto, travessa do Cabo da Vila até S. Tomé de Abação (nas proximidades do lugar da Devesa Escura/Lapinha há vestígios arquitectónicos e uma sepultura, indiciando uma possível villa, reforçada pelo achado no «Campo do Cruito» da urna cinerária de Sulpicius eventual proprietário da mesma, hoje no MSMS com o nº66); continua pela Portela da Fornalha (m.p. XVI; sepultura em Alegria), continuando pela caminho que parte da antiga Escola Primária e percorre a meia-encosta até desembocar na rua da Presa Nova junto do acesso à Qta. do Novelo, desviando pouco depois à direita no nr. 399 pelo caminho de terra, cruza a rua de Sizalde e segue a rua das Alminhas por Tomada até Venda da Serra (m.p. XVIII; estalagem medieval; estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM), prosseguindo por Venda da Botica, Souto da Bouça, Barraqueiro, rua da Pedreira e rua das Pernícias até ao Cimo de Eiriz (m.p. XVIII), descendo depois à Ponte de Vila Fria por um caminho florestal, actualmente interrompido pela A7 e que serve de linha divisória entre as freguesias de Calvos e Serzedo, até desembocar na rua 24 de Julho que cruza e segue pela rua Ponte do Arco)
    Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria sobre o rio Vizela (m.p. XIX; reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a jusante da ponte, no lugar de Sá, apareceu um cipo funerário, hoje no MSMS como o nº ; depois da ponte surge um troço bem conservado da a calçada subindo pela vertente poente do Castro do Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani erigida por um Brácaro, hoje no MSMS com o nº 47)
    • Possível ligação a Sendim, derivando da Ponte do Arco para sudeste rumo à villa romana de Sendim (vídeo); há um troço de 400m de calçada em Lourido e um trecho no lugar da Estradinha, talvez relacionada com esta via, mas para onde seguiria?
    Pombeiro de Ribavizela (m.p. XX; sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
    Sta. Eulália de Margaride, Felgueiras (m.p. XXI em Água Empregada/Campas; a via sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco até ao nó viário da Forca em Varziela, m.p. XXII, de onde partia a variante descrita a seguir)
    • Variante de Felgueiras a Tongobriga por Recezinhos
      Este itinerário deriva da via Bracara-Tongobriga no lugar da Forca em Varziela, onde poderia ter existido uma mutatio, e seguia para a travessia do rio Sousa na Ponte de Barrimau, entretanto destruída nos anos 80 e substituída pelo actual pontão em betão (!), estrutura com indubitável origem romana dado existirem fotografias da obra mostrando o intradorso do pilar direito ainda com o aparelho almofadado romano original (Sousa, 2003). Partindo do cruzamento da Forca, a via segue a estrada local por Pedra Maria, contorna o Bairro de S. Miguel pelo oeste até entroncar na EN207 que passa a seguir no essencial, passando por Estrada, Cimalha, Longra, Monte Belo, Moutas, Paço e Unhão, desvia junto da igreja românica da EN207 e segue por Cruzeiro, Sargaça, Covas para S. Miguel de Lousada, continua por Cernadelo, Ponte do Moinho sobre a ribeira das Barrosas, Cavadinha, Casas Novas, Agrela, Barrimau de Cima, cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, continuando por Caíde de Rei (passaria junto da villa e necrópole de Vila Verde e depois pela EN207-2 que segue pela estação CF, Almeida, Tapada de D. Luís e Lordelo), S. Mamede de Recezinhos (cruza a EN15 na Serrinha e continua por Portela e junto do povoado romano da Suvidade), S. Martinho de Recezinhos (castro romanizado e necrópole na Qta. do Castro em Vilar; continua por Portela, Venda do Campo, Alminhas e Soutinho, divisória com a freguesia de Castelões; topónimos Carreira e Corredoura), continua pelo CM1244 que divide as freguesias de Vila Boa de Quires e Constance, seguindo por Monte do Ladário (contorna uma possível atalaia no Alto da Poupa) até Venda Nova de Cima, onde reencontra a via proveniente do Alto da Lixa, seguindo por Barrias (rua Direita) rumo à travessia do rio Tâmega em Sobretâmega e daqui a Tongobriga (Almeida et al., 2008; Sousa, 2013).
    • Ligação de Felgueiras a Magnetum: Esta via, com possível origem no castro de Macieira da Lixa, passaria nas proximidades das necrópoles de Veigas e de Maçorra (perto do rio de Passarias), cruzava a via principal em Caramos e seguia por Airães (junto da necrópole do Monte das Campas e próximo do povoado e necrópole do Outeiro de Babais), continuava por Vila Verde (necrópole em Eido), Aião (passando no sopé do castro da Trovoada em Sta. Cristina de Figueiró), Torno, Vilar do Torno e Alentém (casal? no lugar da Herdade), podendo daqui seguir pela Qta. dos Ingleses para a travessia do rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau rumo a Lousada, onde cruza a variante anterior, ou continuar por Caíde de Rei rumo a Magnetum (Sousa, 2013).

    Continuação da via para Tongobriga:
    No nó viário da Forca em Varziela, a XXII milhas de Braga, existia uma estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM como «Deveza da Escorva», possivelmente com origem numa mutatio romana; a via continua pelo actual CM1175 por Barreiras, Venda, Várzea e Camarinho para cruzar o rio Sousa no pontão do Ameal (?), seguindo depois em calçada por 350 m entre o Castro de S. Simão e Devesa Alta por Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita por Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, m.p. XXV junto da Capela de Espiúca, continuando por Santo até confluir na EN101 junto do campo de futebol.
    Vila Cova da Lixa (m.p. XXVII; a via passava na base do Castro do Ladário até ao Alto da Lixa, junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, nó viário de onde partia a ligação a Amarante; o topónimo Arrifana remete para uma estação viária neste local, talvez uma mutatio)
    Freixo de Cima (de Campelo segue talvez próximo do Alto do Monte da Sorte por Bouça e Várzea)
    Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta)
    Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada)
    Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Tavares Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do castro)
    Vila Caiz (continua por Carvalhal, Furnas, Sordo e Outeiro)
    Travessia do rio Odres em Soutelo (continua pelo Paço de Soutelo e Fontelas, m.p. XXXVII)
    Constance (segue por Venda Nova, Barrias e rua Direita; m.p. XXXVIII no «Terreiro dos Santos», junto da Capela de S. Sebastião)
    Sobretâmega (a via com o topónimo «Rua», continua a descida ao rio passando junto da Igreja de Sta. Maria, mas a partir daqui ficou submersa pela albufeira da Barragem do Torrão)

    Ponte Romana sobre o rio Tâmega (com 5 arcos, seria uma das maiores pontes romanas em território nacional que terá sido reconstruída no séc. XII reaproveitando partes dos arcos e parte do 1º pegão da margem esquerda da anterior romana construída com silharia almofadada, elementos que ainda eram visíveis durante as obras de demolição e reconstrução realizadas em 1941; em 1988, a ponte ficou submersa sob as águas da barragem do Torrão e em 1991 foi dinamitada pela EDP (!); há notícia de uma "coluna cilíndrica" junto da ponte com a inscrição DIB. IOVVE; localiza-se a cerca de 3 milhas de Tongóbriga; Dias, 1995:265)
    S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro?; depois de cruzar a ponte passava junto do Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem entretanto deslocado para cota superior e sobe a rua de S. Nicolau, onde ainda existe a antiga Albergaria de Canaveses, possível sucedânea de uma mutatio; ara a Cibele no Museu Municipal)
    Tuías (miliário a Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, Portela de Tuías, indicando a última milha antes de Tongobriga, hoje na recepção do Museu Municipal; daqui a via poderia seguir junto da Igreja Matriz de S. Salvador de Tuías, onde estava a ara aos Lari Cerenaeci, CIL II 2384, hoje no acervo do MNA)

    Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (importante cidade romana e capital de civitas designada por Tongobriga com base numa ara ao Genius Toncobricensium, CIL II 5564, achada no local e hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja onde se lia INVICTO/AVG.P.M / TRI.P.P.P.; este marco foi posteriormente mutilado e partes dele reapareceram em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde hoje se encontra; deveria indicar 3 milhas ao Tâmega; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando possíveis vici em Meinedo, Várzea do Douro e Quinta de Guimarães (Sta. Marinha do Zêzere), e já no actual concelho de Amarante, os vici de Gatão e Lomba)


    Viae ab TONGOBRIGA


    Tongobriga
    ad
    mons
    Maraonis
    Mapa





    Outras vias na civitas de TONGOBRIGA
    A importância viária de Tongobriga é atestada por uma rede de estradas romanas que cruzavam a região; além da suposta via principal para Mérida, existiam várias outras ligações secundárias de importância regional que ligavam a outros pontos relevantes do povoamento romano, nomeadamente para nordeste rumo a Amarante e Serra do Marão (mons Maraonis) e para sudoeste rumo à travessia do rio Douro junto do vicus de Várzea do Douro (Dias 1987, 1996, 1997 e 1998).

    Tongobriga a Amarante pela margem direita do rio Tâmega
    É possível que existisse uma via rumo a Amarante partindo da ponte romana em Sobretâmega e seguindo pela margem direita do rio Tâmega, percurso medieval que já estaria em uso na época romana visto que passava junto do vicus termal e viário das Caldas de Canaveses (necrópole; termas romanas Aquae Tamacana?) e da villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius que hoje está na Qta. da Pena, além de um tesouro monetário; atravessava o rio Odres talvez na zona da actual Ponte Românica do Bairro e seguia por Forcado, St. Isidoro (casal/necrópole no lugar do Castro em Alvim), Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vilarinho, Retorta, Carreira, Louredo, Fregim até Amarante, onde entronca no Itinerário Braga - Vila Real.

    Tongobriga a Amarante pelo curso do rio Ovelha:
    A via romana seguia paralela ao curso do Rio Ovelha rumo a Amarante e daí à Serra do Marão, seguindo pelas cumeadas dos montes e passando no vicus da Lomba. A travessia do rio Ovelha permite equacionar duas variantes, uma cruzando o rio Ovelha em Várzea e outro na Ponto do Arco.
    • Variante pela Ponte do Arco:
      Segue a EN101-5 por Tabuado (por Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica, Vendas e Estalagem), Várzea da Ovelha e Aliviada (por Outeiro, Portela e Burgo, próximo do Castro do Pinheiro), Folhada (casal em Moura); em Aldegão inicia a descida ao rio Ovelha, passando no sítio romano do Tapado da Igreja Velha para cruzar o rio na Ponte Românica do Arco, (os alicerces da margem esquerda indiciam uma construção anterior, talvez romana), ascendendo depois pelo lugar do Arco até confluir na EM570 em S. Salvador do Monte.
    • Variante pela Ponte da Várzea: no lugar das Vendas em Tabuado, desce o CM1251 por Canhões até à Ponte da Várzea (casal romano da Torre e villa da Telheira) e ascende até à EM570 que segue por Légua e Picoto, onde conflui na variante anterior.
    • Ligação a Carvalho de Rei: um ramal desta estrada poderia derivar em Folhada e seguir rumo ao castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei (ara a Júpiter, hoje no Museu de Amarante; outra ara serve de bica num fontanário).
    S. Salvador do Monte (passa junto da necrópole de Louredo das Almas e do habitat da Qta. do Couraceiro, seguindo entre o Alto do Santinho e o Alto de S. Salvador do Monte, onde há 6 sepulturas escavas na rocha)
    Lomba (passa em Estrada, junto do vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mutatio; descia depois da necrópole do Prazo a Padronelo pela «Quebrada» até Devesa)
    • Ligação a Moure: de Padronelo ascendia por Cruz e Venda (Moure) até confluir na via proveniente de Amarante rumo à Serra do Marão descrita no Itinerário Braga - Amarante - Vila Real.
    • Ligação a Gondar: a travessia do rio Ovelha poderia fazer-se no vau de Gondar onde bifurcava nos dois caminhos para a Serra do Marão, um seguindo por Aboadela pela vertente norte e outro pela vertente sul passando nas Minas Romanas do Teixo.
    • Via do Marão pelas Minas do Teixo: partindo da travessia do rio Ovelha no Vau de Gondar, a via seguiria por Vilela (habitat em Vila Leça) e Vila Seca (habitat em Paneleiros), junto do campo da bola toma a Calçada da Portela, Caminho da Costa, marginando o castro romanizado de Tubirei e o tesouro de Valinhos, continuando pelo Caminho da Tapada até Bustelo; a partir daqui a via subia à serra pelo Caminho do Alto da Sra. da Corba Chã ou Corvachã, desce depois a Murgido e ascende por Cimo da Vila ao chamado Caminho do Trigal, estradão que percorre a cumeada do monte e serve de linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto de um penedo com a inscrição Castra Oresbi que tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira nas Minas do Teixo (A. C. Lopes, 2000); no entanto estudos posteriores refutaram esta tese, podendo ser antes um marco territorial (Martins, 2009); em 2016 foi apresentada uma nova leitura da inscrição como Est Castram Santi Oresbi, ou seja «é propriedade de Santo Oresbio» que remete para um período tardo-romano ou alto-medieval (vide vídeo); a via continuava junto das Minas Romanas do Teixo no Alto do Penedo Ruivo, passa a poente Capela da Sra. da Serra, junto do marco geodésico (Dias, 1997),

    Tongobriga a Várzea do Douro, Foz do Tâmega:
    Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, derivando da via principal junto do miliário de Tuías ou do centro da cidade confluindo ambas no lugar do Bairral (Vila Boa do Bispo).
    • Vinda de Tuías seguiria a EN210 por Qta. do Outeiro (villa), Vilar, Mória (necrópole dentro do Convento de Avessadas), Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
    • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz (na base do castro homónimo), Rosém de Cima (no alto do monte, junto do possível casal romano de Casinhas), Alto do Confurco (junto da mamoa), Chentadiços e Bairral.
    • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristóvão de Sande (PMH DC 688), indicia um caminho alternativo rumo ao Douro, derivando do anterior em Rosém de Cima e seguindo por Bouça Baixa (calçada; pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266), descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, onde seguia à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde poderia bifurcar, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro, cruzando a ribeira, seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro.
    Vila Boa do Bispo (de Bairral segue a EN210 pelo lugares da Estrada e Lamoso)
    Favões (segue por Golas e Vila, passando a cerca de 500m da necrópole da Tapada das Eirozes e a 1000m da necrópole da Fraga, continuando por Requim de Cima e de Baixo; será daqui a estela funerária embutida numa casa de Ariz?; FE676)
    Alpendurada (segue junto do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário, mons kastro aratros em documentos medievais, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos; num documento medieval sobre o termo de Guilhade há uma provável referência à via como strata pro ad oriente, PMH DC 416)

    Várzea do Douro (vicus e possível mansio junto do porto fluvial romano hoje submersos pela barragem de Crestuma; sancto martino num documento do ano 964; os vestígios encontram-se dispersos por uma vasta área compreendida entre o rio Douro e a EN222, e desde os limites da Quinta da Várzea ao extremo leste do Alto das Penegotas, povoado fortificado romanizado que dominava esta travessia; principais núcleos na Quinta do Passal, Igreja Velha, residência paroquial, Quinta da Rua de Várzea, proximidades do cruzeiro e proximidades da Capela da Senhora da Guia); numerosas epígrafes atestam a importância deste vicus: epitáfio de Elávia; ara a Júpiter, hoje desaparecida; inscrição a Cláudio reutilizada num muro do Convento de Alpendurada e hoje nos respectivos claustros; ara a Manes na Qta. da Rua da Várzea; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999)

    Travessia do rio Douro entre Várzea do Douro/Bitetos e Outeiro do Castelo/Escamarão
    • TAMEOBRIGA: segundo Martins Sarmento em Castelo de Baixo, na margem esquerda do Douro, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, CIL II 2377, MSMS com o nº 14, divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega («Tameo»?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; as propostas de localização oscilam entre o vicus da Várzea do Douro na margem direita e o castro romanizado do Castelo de Fornos, na margem esquerda, sobranceiro à foz do rio Paiva, na base do qual apareceu a referida inscrição (este povoado por sua vez poderá estar na origem do topónimo da sede do concelho, «Castelo do Paiva»).
    • Ligação à villa de Passos: desta travessia do Douro em Escamarão poderia derivar uma via rumo a Tarouquela, onde surgiram importantes vestígios romanos, em particular a importante villa de Passos (ara a Júpiter, FE 245) e os sítios romanos de Tudovelhos/Todovelos e da Lameira; a inscrição rupestre do Vimeiro, supostamente cortada de um penedo marginal ao Douro e hoje recolhida no MNA, parece indicar o nome deste local na época romana pois lê-se MIROBIEVS LOCO na epígrafe além de indicar o origo do promotor da inscrição, um [- - -]apiobricesis.

    Escamarão a Arouca e Viseu: após a travessia do Douro no Cais de Bitetos/Outeiro do Castelo, a via seguia a meia encosta pelo Vale do rio Paiva pela «carraria antiqua», velho caminho mencionado na documentação medieval (PMH DC 459); a «carraria» partia do rio Douro e ascendia à Igreja Românica de Escamarão, onde existiam vestígios de calçada, cruza a actual EN222, sobe a Boavista e continua paralela à EN222 mas a cota mais alta pela rua da Lameira até Coutokarreira antiqua» num documento de 1120), daqui subia a Fonte Coberta, passando não muito longe da sepultura romana de Cancelhô seguindo por Coveloincruciliadas» em 1107), Torre e Fornelos (referências à «carraria antiqua» e «caria antiqua» num documento de 1067 inventariando a uilla fornellus; PMH DC 459); a partir daqui poderia tomar as seguintes hipotéticas direcções:


    Tongobriga
    ad
    Durius
    Mapa





    Durius a Vissaium









    Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    É possível que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela; partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria numa das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas dos seus itinerários pouco ainda se conhece e ainda não se encontraram evidências de qualquer hierarquia que permitisse considerar uma destas rotas como a principal para Mérida; o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo pelo este poderia ser a rota preferencial, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu, não se podendo excluir a hipótese da estrada para Mérida fazer a travessia do Douro a montante, em Caldas de Moledo ou na Régua, seguindo depois na direcção da Guarda, evitando assim transpor a Serra da Estrela; sabemos por Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga) enquanto os Paesuri ocupariam a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere e Castro de Sampaio, ambos com vestígios de alguma monumentalidade, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

    Freixo (TONGOBRIGA)
    Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
    Soalhães (Suylanes na Idade Média; em lugar indeterminado da freguesia apareceu um miliário a Constantino II indicando a milha VIII, cerca de 12,8 km, contadas a partir de Tongobriga ou do rio Douro e hoje depositado no Museu Soares dos Reis, no Porto; as 8 milhas indicadas corresponde ao Lugar do Castro, na base do Castro de Soalhão; segue por Ladário e Outeiro)
    Lugar do Crasto, Soalhães (milha VIII; a via circunda o Castro Soalhão pelo sopé da vertente poente, por terrenos ainda hoje conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano», onde havia necrópole)
    Mesquinhata (passa junto do Alto dos Encambalados e segue por Casal, Geguintes e Passadouro, pela rua do Cruzeiro)
    Carreirinha, Grilo (miliário a Galieno encontrado in situ, está hoje no Museu Municipal de Baião; cruza a ribeira no Passadouro e continua pela Capela da NS. do Loureiro)
    Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil na base do Castro romanizado do Cruito)

    Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
    A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu; apesar da importância económica em época romana do rio Douro como grande via fluvial, comprovado pelos inúmeros locais de passagem e importantes vestígios nas suas margens, a identificação da rede viária tem-se revelado muito difícil dado o acidentado do terreno e a forte marca medieval do seu povoamento; no entanto, é indubitável que estas rotas já seriam usadas em épocas recuadas, mesmo pré-romanas, dado que evitam de forma decisiva a travessia dos grandes rios que afluem ao Douro, preferindo por isso cruzar o rio Douro na sentido N-S e depois subir a meia encosta ao alto da serra para a partir daí obter suaves pendentes ao longo de grande parte do percurso, desenvolvendo assim diagonais que acompanham as lombadas e linhas de festo que separam os rios que descem da Serra do Montemuro (referido como mons Geronzo no ano 925 e mais tarde como mons Muro; PMH DC30); os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos marginando o rio; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como ainda se observa na actual estrada EN222 (ver mapa).

      Para Porto Manso/Porto Antigo e Castro Daire, rumo a Viseu
      Ancêde (derivando logo após a Ponte do Gôve, seguia por Eiriz, Penela, Ancêde; a leste, na outra margem do rio Ovil, há vestígios romanos, na Casa de Viombra e Qta. de Esmoriz, e mais a leste a necrópole do Bairral, associada a uma villa ou aldeia em torno da Igreja de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária na casa paroquial, ambas no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto)
      Porto Manso, Ribadouro (a via continua junto da Capela de S. Domingos rumo ao Castro de Porto Manso e daqui desce ao Douro pela vertente poente por uma via lajeada que acompanha a margem esquerda do rio Ovil)
      Travessia do rio Douro entre Porto Manso e Porto Antigo (2 km a montante, na Qta. de Mosteirô, sobranceira ao rio, existem vestígios de um provável vicus e mutatio, onde apareceu outra ara a Júpiter colocada por Nispro, entretanto desaparecida)
      Porto Antigo, Cinfães (daqui a via, designada na Idade Média por carraria antiqua seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada; Pinho et al., 1999)
      • Castro de Sampaio, Cinfães: localizado num pequeno outeiro na freguesia de S. Cristóvão de Nogueira, o Castro romanizado de S. Paio apresenta um vasto espólio com alguma monumentalidade como colunas, bases de capitéis, pedras almofadadas, etc, o que levou Jorge de Alarcão a situar aqui o oppidum dos Paesuri (Alarcão, 1988); deste povoado provêm também a estela de Flavus, a lápide de Cloutio, hoje no MSMS com o nº 44 e a inscrição consagrada a Augusto hoje no MSMS com o nº 73; o vicus romano localizava-se a cerca de 500m a sudeste do Castro de Sampaio, no actual lugar de Aldeia.
      • Porto Antigo - Vale da Ribeira de Sampaio: junto do vicus romano passaria uma antiga via, designada na Idade Média por carril veterem, com origem em travessias por barca do rio Douro em Época Medieval quer em Porto Antigo (possível referência à via em «illa portela iusta kararea que vadi pro ad riu de Bestionza» num documento de 1083), seguindo depois por Cidadelhe (possíveis casais em Paradela e na Qta. da Chieira), quer mais a jusante, na Barca de Mourilhe, próximo da Barragem do Carrapatelo (vestígios em Arcela e referência medieval à «via de Grovaa», actual lugar da Groba), seguindo depois junto da Igreja de S. Cristóvão de Nogueira («via que vadit ad ecclesiam» em 1232); estas vias confluíam próximo do Castro de Sampaio, continuando depois ao longo do vale da ribeira de Sampaio (rivulo Sonoso) pela rota do CM1016 por Vilar do Peso (calçada) e CM1035 por Peso (calçada), Ervilhais (calçada) e Nespereira, onde conflui na via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro, seguindo talvez por Castro Daire rumo a Viseu (Pinho et al., 1999; Lima, 2000:46).
      • Porto Antigo a Viseu pelo Vale do Bestança: a via seguia ao longo da margem direita do rio Bestança (rivulo Bestantia) pela vertente poente da Serra de Montemuro, passando talvez por Boassas, Lodeiro, Desamparados, Fundoais, Ruivais e Aldeia, marginando o possível casal junto do ribeiro de Lameirão e o Castro romanizado das Corôas, seguindo o actual CM1027-1 até Ferreiros de Tendais (tesouro; referência a um reguengo como estando «sub via e super strata» nas Inquirições de 1258; PMH Inq 983); a partir daqui a via subia ao alto da serra, podendo tomar o caminho que passa a norte do marco geodésico da Alvagueira (pelo Caminho do Marco ou calçada da Devesa?), rumo a Pimeirô (entra junto da Capela de S. Matinho) e daqui pelo CM1030 para Vale de Papas (nó viário designado na Idade Média por castellum de Aquilar; hipotético diverticulum pela Ponte de Panchorra, embora esta não apresente sinais de romanidade). A via surge nas Inquirições de 1258, servindo de limite das villis Bonis (actuais aldeias de Vila Boa de Baixo e de Cima; «dividet per Aguiar et per estrada», PMH Inq 983) e da vila da Graleyra (actual Gralheira; «et vadit ad castellum de Aquilar et ferit in cruce et per carreirum antiqum et ferit in termino de Ovadas et in Cabrun», PMH Inq 984); de Vale de Papas a via seguia então para Gralheira (passa na aldeia e serpenteia o CM1030), rumo a Cruz do Rossão, nó viário, onde confluía com a via proveniente da travessia do Douro em Caldas de Aregos, descrita no Itinerário Aregos - Cárquere - Castro Daire.

      Para Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu
      Gôve (seguia por Portela do Gôve, Favais, Lamas, e Casa Nova, na base «Castelo do Gôve», continua por Casal, Arco de Lordelo, descendo por Aguincheiras e Venda das Caldas à margem direita do rio Douro)
      Travessia do rio Douro no Sr. da Boa Passagem
      Caldas de Aregos (daqui segue para S. Romão de Aregos, passando por Pousada, referida na documentação medieval como «karraria antiqua», PMH DC 888)
      Cárquere (castellum, civitas?) (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppido dos Paesuri; actualmente conta-se com mais de 70 epígrafes provenientes daqui; uma ara a Júpiter indicaria o nome do povoado antigo, mas só resta a parte inicial, Castelani; seria assim um Castellum)
      • Ligação Cárquere a Viseu: a via deveria continuar para Viseu transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, continuando depois por Canizes e Vila Pouca (ara a Júpiter na Capela da Ns. dos Vales, colocada por um militar, FE 267), Rossas, Granja, Talhada, continuando pela EM553-1 pelo Alto do Cotelo (vestígios de calçada em Cotelo e em Gafanhão) até confluir com a via proveniente de Porto Antigo na divisão concelhia, descendo depois por Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire, onde conflui no Itinerário Lamego - Castro Daire - Viseu.

      Para Porto de Rei, Castro da Mogueira e Lamego
      Santa Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue +- a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita, Senra e Eiras, na vertente sul do Castro de Mantel)
      S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
      Sta. Marinha do Zêzere (ara funerária a Manes proveniente do possível vicus da Qta. de Guimarães em Míguas; seria aqui a paróquia suévica de Melga?; possível ligação nordeste para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval)
      Travessia do rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
      Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da Capela de S. João que assenta no antigo castro; teria existido aqui um santuário?)
      Travessia do rio Douro em Porto de Rei
      S. Martinho de Mouros (do rio sobe a Nogueiras, passa na base do castro romanizado da Mogueira, perto qual existem pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo relacionadas com um possível santuário, subindo depois ao Alto Vila Verde, onde há calçada, continuando por Pardelhas e Seara, segue o CM1067 que passa junto do castro romanizado de Penajoia, onde há vestígios de calçada)
      Avões (continua pela EM1067 por Alto da Venda e Sra. do Pilar)
      Lamego (Lamecum?)

    Viae Lamecum a Vissaium


    Lamego Tarouca
    Mapa










    Lamego Castro Daire


    Lamego (Lamecum? / Caelobriga?)
    Povoado romano no morro do Castelo de Almacave, possível oppidum dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da Capela visigótica de Balsemão, existe um raro e importante terminus augustalis de delimitação de território, mas não indica as civitates em causa. Daqui partiriam dois itinerários rumo a Viseu, um passando por castro Daire e outra seguindo por Tarouca e Bustelo, reunindo na travessia do rio Vouga em Almargem (Vieira, 2004; Castro, 2013).

    Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
    A via cruzava o rio Balsemão e seguia a margem esquerda do rio Varosa por Tarouca, Ponte do Touro e Fráguas rumo Viseu. Partia provavelmente da zona da Sé de Lamego e descia ao rio Balsemão pela rua da Ponte da Calçada, cruza o rio e segue junto de S. Lázaro e Sra. da Guia, passando na Portela, seguindo depois entre Britiande e Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa); a documentação medieval refere uma ponte de madeira sobre o rio Balsemão (in Viterbo 1799, vol 2, p. 227).

    Bairral, Britiande (ara a Júpiter na Capela de São Gonçalo, suportando a pia baptismal, talvez proveniente do castro romanizado do Castelo de Britiande; a via passava talvez na Quelha da Azenha)
    Ferreirim (continua por Vila Meã e a poente do Castro de Sta. Bárbara em Dálvares, até Castanheiro do Ouro, onde cruza a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha)
    Tarouca (povoado no Monte Ladairo/Ladário; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales e na Qta. do Arco da Paradela; da Ponte Pedrinha segue à direita pelo caminho que ascende por Esporões, junto do cemitério)
    Cravaz (cruza a povoação e segue pela calçada paralela e a cota inferior da EN530, passando próximo da Capela da Ns. dos Aflitos)
    Teixelo (a via entra na povoação junto da Capela da Senhora da Ajuda, onde ainda subsiste um troço lajeado, cruza a EM1176 e continua pela rua de St. António; no sítio do Padrão existe um cipo anepígrafo com cruciformes, provavelmente um marco do couto do mosteiro de Tarouca e eventual reaproveitamento de um miliário; Alarcão, 1988a e 1998; Teixeira, 1998; Castro, 2013a)
    Bustelo (a via passa a poente da povoação junto do cemitério e continua sempre em calçada pela margem esquerda do rio Varosa)
    Ponte do Touro sobre o rio Varosa, Almofala (sem indícios romanos; reconstruída em 1839; daqui a via seguia pela calçada com 2 km que passa na elevação do Corgo do Altar até entroncar no CM 1169 próximo de Cascano, seguindo até à torre eólica onde segue à direita pelo estradão de terra)
    Fraga Gorda, Touro (cruza a povoação; vicus? no sítio das Duas Igrejas)
    • Ligação a Fráguas e Sátão: a via bifurcaria na Fraga Gorda, seguindo um ramo pelo Alto de Penedais, junto da quinta romana da Alagoa, possível mutatio, continuando próximo pelo sítio de S. Paio, a extinta aldeia medieval de S. Pelágio rumo à travessia do rio Paiva em Fráguas (onde cruza o Itinerário Viseu - Moimenta da Beira, podendo continuar para Sátão passando no povoado mineiro da Dorna em Queiriga (?).
    • Ligação a Viseu: outro ramo partia de Fraga Gorda rumo a Vila Cova-à-Coelheira pela margem direita do rio Covo, passando no sítio do Gafo, topónimo viário, onde cruza a ribeira de Mourisca, continuando depois para Teixelo e Qta. da Clara rumo à travessia do rio Paiva no Corgo do Bacelo, na base do Castro romanizado de S. Lourenço, continuando na outra margem por Covelo do Paiva e junto do sítio romano da Cumieira (possível mutatio onde apareceram moedas e uma ara anepígrafa, próximo da aldeia de Zonho, provavelmente a Osonia do Paroquial Suévico), seguindo o CM1162 por alturas de Arco, Salvador e Fonte Santa, onde inicia a descida para a travessia do rio Vouga em Almargem, onde conflui na via que vinha por Castro Daire descrita a seguir, e daqui a Viseu (?).
    • Ligação a Castro Daire: poderia existir um itinerário E-O que derivava da anterior em Teixelo, seguindo depois próximo do habitat de Chão de Ferreiros, Pouso das Pipas e Malhada (calçada; habitat), rumo à travessia do rio Paiva em Portela de Lá (villa? do Outeiro com vestígios em Missa e Parceiros), continuando por Mões (da aldeia continua pelo Sr. da Boa Morte em Vila Boa, junto do habitat de Rebolada) até Ribolhos, onde entronca na via proveniente de Viseu, cruzando depois o rio Paiva para Castro Daire (Vieira, 2004).

    Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
    A via para Viseu seguia para a travessia do rio Paiva em Castro Daire, onde confluía com as vias proveniente das travessias do rio Douro em Porto Antigo (por Cinfães) e Caldas de Aregos (por Cárquere), seguindo depois para a travessia do rio Vouga na Ponte de Almargem, ascendo depois pela magnífica Estrada Romana de Almargem rumo a Viseu. (Vaz, 1976, 1989; Teixeira, 1998; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004; Lourenço, 2007).

    Lamego (parte da base do castelo de Almacave pela rua Fafel e segue pela vertente nascente do monte da Carreira de Tiro, próximo do sítio romano da Fonte d'El-Rei, conflui no CM1081 junto do cemitério, descendo depois à Ponte de Lamelas para cruzar o rio Balsemão, continua pelo caminho de terra até confluir no CM1082 pouco antes da povoação de Quintela de Penude)
    Póvoa (margina o sítio romano da Póvoa, de onde será proveniente a inscrição funerária que apareceu no Cimal; a via sai do CM1082, cruza a povoação e segue entre o Alto de Montedufe e o Alto da Cruz da Camba, passando a poente do sítio romano do Paço em Meijinhos, onde apareceu a inscrição funerária de Cesea e a ara votiva dedicada ao Soli Sacrum, o «sol sagrado»)
    Bigorne (percorre depois o caminho do alto da Serra de Lazarim, hoje paralelo à A24, marginado o sítio romano de Parafita, cruza Ribabelide, segue o caminho pelo Alto da Fraga do Seixo que vai cruzar a A24 pouco antes da Igreja de Bigorne, conflui na EN2 ao km 121 e poucos metros depois desvia à direita pela calçada da Portelada onde cruza a ribeira do Mezio, continuando depois em calçada)
    Mezio (entra pela Capela da Sra. das Antas e segue por Rua e Cimo de Aldeia, talvez pela rua da Mocidade e rua de St. António, continuando para Castro Daire pelo caminho que percorre o dorso planáltico entre Colo do Pito e Moura Morta)
    Castro Daire (margina a Capela da Ns. da Ouvida, continua por Vila Pouca e Outeiro e desce ao rio Paiva pela rua 1º de Maio, rua Direita e rua 1º de Dezembro, contornando assim o importante castro romanizado dominava esta travessia)
    Travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga com possível origem romana, demolida em 1877, tendo aparecido aqui uma árula com inscrição)
    Ribolhos (da ponte ascende pela EN2 até próximo da Capela de S. Domingos, onde toma a chamada «Estrada Romana», subindo a meia-encosta paralela à EN2 por Estalagem, Quintãs, Cerca e Colmeia até reunir com a EN2, saindo depois pela rua da Ponte de Courinha, cruza a EN2 em Ribolinhos e segue pela Av. Central que atravessa as Termas do Carvalhal)
    • Inscrição de Lamas de Moledo: notável e rara inscrição votiva na chamada «língua lusitana» que foi gravada num penedo da aldeia de Lamas de Moledo por Rufinus e Tiro; tratar-se-ia de uma oferenda de animais a divindades protectoras dos povos da região, mas subsistem muitas dúvidas na sua interpretação; segundo Inês Vaz, é possível identificar os teónimos Crougeai Magareaicoi e Ioeva Caielobricoi e os povos Veaminicori e Patravioi; a proximidade fonética de Magareaicoi com topónimo Maga sugere que os Patravioi habitariam o castro do Outeiro da Maga e os Crougeai Caielobricoi poderá estar relacionado com a aldeia de Cela mais a sul ou com Caelobriga, povoado mencionado por Ptolomeu, mas são meras hipóteses; na área da aldeia deveria existir um vicus dado o aparecimento de outras inscrições, o epitáfio de Apinna e o epitáfio de Cabureina (vide Vaz, 1989; Miguel, 2013).
    Mamouros (segue a EM562 e o estradão pela margem direita do rio de Mel?)
    Arcas, Mões (sai da EN2 pela rua da Ponte das Arcas, onde cruza o rio de Mel; continua talvez pela EN2 e rua dos Carvalhos)
    Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, subindo por caminho carreteiro)
    Calde (cruza a povoação e desce a Póvoa de Calde)
    Travessia do rio Vouga em Almargem (300m a jusante da ponte actual?)
    Bigas (do rio Vouga ascende pela Calçada Romana de Almargem, continuando pela rua da Estrada Velha)
    Campo (referências a uma calçada em Campo indicia a passagem da via que continua pelo sopé do Castro de Sta. Luzia por Moure da Madalena; a calçada do Salgueiral e o "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira, junto à prisão parecem fora desta rota)
    Abraveses (segue pela rua da Estrada Velha, Qta. de Cimalha e Qta. da Corga, hoje urbanizadas, com vestígios de calçada junto da escola C+S)
    Viseu (VISSAIUM) (continua pela «Estrada Velha de Abraveses» até à chamada «Cava de Viriato», onde cruza a Av. da Bélgica e segue pela rua Capitão Salomão, rua Cava de Viriato, cruza o rio Pavia, rua Ponte de Pau, entrava no burgo pela Calçada de Viriato e pela antiga porta da cidade, onde existia necrópole, até ao Largo da Sé, antigo forum)
    • Variante Castro Daire a Viseu por S. Pedro do Sul: poderia existir uma variante Figueiredo de Alva, Ladreda (a poente, em Ucha, calçada para o Castro do Mau Vizinho/Castro dos Súmios/Castelo dos Mouros/Cafúrnea, onde apareceu uma ara votiva aos Bande Ocelensi, hoje no MNA e uma inscrição a Marte, Genius Defensoris), Monte Forneco, Cobertinha (Vila Maior), Modelos (por S. Félix; na Igreja de Pinho apareceu ara votiva ao Bande Alabaraico Sulensi, CIL II 403, hoje em parte incerta), seguindo até à travessia do rio Vouga em S. Pedro do Sul, onde entronca nas vias provenientes de Cale e Talabriga rumo Viseu por Moselos.


    Mapa





























    Viseu (VISSAIUM) - Famalicão da Serra (Berecum?) - Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    A via romana que partindo de Viseu seguia na direcção da Serra da Estrela, designada por Via IV por Inês Vaz, está bem documentada pelos muitos miliários ao longo do seu percurso (pelo menos 10), seguindo por Mangualde e Abrunhosa-a-Velha e eventualmente pela robusta Calçada dos Galhardos acima de Folgosinho, atravessando a Serra da Estrela para Famalicão da Serra, onde há miliários e outros importantes vestígios romanos relacionados com o povoado de Barrelas, provável estação viária tipo mutatio; esta via foi integrada no Itinerário Braga - Mérida, mas a sua função principal seria a de ligar Mérida ao litoral Atlântico, seguindo de Viseu até à foz do rio Vouga, configurando uma eixo viário entre Augusta Emerita e o oppidum de Talabriga, estruturando o poder de Mérida no território da Lusitânia. (vide Vaz, 1976; Ruivo, Gomes e Tavares, 1985; 1996; Nóbrega, 2003).

    Viseu (VISSAIUM) (oppidum com forum no morro da Sé; a via partia do centro da cidade pela rua do Gonçalinho, antiga Decumanus e rua Simões Dias, passava a antiga porta da cidade e já extra-muros margina a necrópole da Capela de S. Miguel de Fetal, na m.p. zero, seguindo depois por Via Sacra, Sr. da Boa Passagem, Sta. Eugénia, Lavamãos, Olho Branco, Viso, Póvoa de Sobrinhos, Carreira de Tiro, Alto da Fragosela, Fragosela de Baixo e a sul de Prime, num percurso hoje difícil de discernir com a expansão da cidade e a construção da IP5/A25)
    Travessia do rio Dão (m.p. V; junto da confluência da ribeira de Sátão)
    Fagilde (m.p. VII; miliário anepígrafo apareceu integrado na parede de uma casa da aldeia e passou para o sítio da «Lameira do Monte»; indicaria 7 milhas a Viseu)
    Roda (m.p. VIII; miliário anepígrafo servia de coluna numa varanda de uma casa em ruínas e hoje está numa casa particular de Mesquitela; Gomes, 1992; indicaria 8 milhas a Viseu; continua pela rua da Ponte e depois do pontão sobre a ribeira de Frades segue à esquerda pela calçada do Largo do Olheirão até reunir com a estrada actual junto do marco da estrada real, seguindo depois recto à Igreja de S. Julião)
    Mangualde (m.p. X; nó viário onde cruza com a via N-S que seguia para a Bobadela, possivelmente junto do actual templo de S. Julião, Igreja Matriz de Mangualde)

    Qta. da Raposeira (mansio situada na base do povoado do Monte da Senhora do Castelo que poderia designar-se por Castellum Araocelensis em época romana conforme se lê na inscrição honorífica de S. Cosmado)

      Variante com travessia do Mondego em Poço Moirão (via principal?):
      Mangualde (da mansio na Raposeira segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro e Prazo; subsiste na zona o topónimo medieval «Albergaria»)
      Almeidinha (segue pela rua das Almas junto da Capela da Sra. do Campo até ao Cruzeiro, a cerca de 200m da villa da Moita da Oliveira, e atravessa a Serra da Baralha talvez por Tapada)
      Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (possível miliário junto à Capela de S. Sebastião; a antiga via romana deveria cruzar a ribeira de Cassurrães pelo «Caminho Velho», actual rua da Calçada, sobe à Capela da Sra. de Cervães, cruza a EM1455 e continua pelo caminho de terra na base da escadaria, assinalado por umas alminhas que reutiliza um miliário, seguindo depois junto do casal? de Sta. Marinha, eventual tabernae, cruzando depois a serra talvez por um caminho desactivado pela vertente da sul da serra que passa no topónimo «Loureiros»)
      Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era um miliário dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à CEADV, o miliário onde parece ler-se XX milhas e o miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605)
      Travessia do rio Mondego em Poço Moirão (Barca Velha, onde há vestígios de uma ponte antiga; subsistem dúvidas sobre o local exacto de travessia; talvez bifurcasse nas seguintes vias)
      • Ligação a Folgosinho: cruza o Mondego junto da Qta. dos Padres, a «Ponte da Cabra», e segue pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço, passando a sul de Ribamondego para cruzar a EN17 junto da Qta. da Pedra Alta, continuando pela Qta. dos Mortórios até Nabainhos (inscrição num penedo), onde inicia a subida à serra seguindo talvez por Freixo da Serra e Folgosinho (onde estaria a última mutatio antes de cruzar a serra)
      • Ligação a Gouveia: segue na outra margem pela Qta. do Mondego e próximo do casal agrícola do Risado Arcozelo da Serra (povoado fortificado do Castelo; santuário rupestre «Penedo dos Mouros»), continua talvez por Nespereira (villa em São Pelágio, junto da via; Cadeiral Romano no Bairro de St. António; lagares na Qta. da Tremôa) até Gouveia (ara votiva de Reburrus Talabi encontrada na Capela da Ns. da Alegria e hoje no Museu Municipal).

      Variante com travessia do Mondego na Ponte de Palhez:
      Mangualde (segue pela rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela rua da Ponte que passa junto da villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
      Mesquitela (segue pela rua da Ponte, rua da Calçada Romana, rua Direita e rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
      Mourilhe (magnífico troço de calçada com 50m junto da Capela de Ns. da Conceição ou de S. João)
      Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte passa junto dos vestígios do povoado da Rechã)
      Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez (em alternativa descia por Póvoa de Cervães para cruzar o rio junto da Qta. do Moinho)
      Cativelos (a Ponte do Aljão e Ponte das Cantinas com calçada, poderão ter origem romana; calçada em Celas Alminhas-Dobreira; no entanto a via deveria passar na Capela da Sra. dos Verdes, marginando a villa do Monte Aljão, a «viam algiam» nas Inquirições de 1258)
      Vila Nova de Tázem (santuário rupestre na Qta. do Pé do Coelho; alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via mas é hipotético)
      Nespereira? (onde conflui na variante por Poço Moirão descrita acima?)

    De Folgosinho a Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
    A partir de Folgosinho, a via seguia pela chamada Calçada dos Galhardos que começa na saída sul da aldeia junto do campo de futebol e segue por troço lajeado com cerca de 1 milha até à Portela, onde inflecte para nordeste pelo estradão que passa no marco geodésico dos Galhardos, continua pelo Alto de S. Domingos e Alto dos Carvalhos Juntos, importante nó viário onde afluía uma outra via proveniente de Linhares, descendo depois para cruzar o Mondego próximo de Videmonte rumo a Famalicão da Serra.
    • Variante cruzando o Mondego na Qta. da Taberna, em alternativa a via desviava no Alto dos Galhardos para Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo depois por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde cruzava o rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão e Vale das Ferrarias até Famalicão da Serra (Alarcão, 1993; Ruivo e Carvalho, 1996).

    Famalicão da Serra (castellum Berecum?; povoado fortificado de Barrelas onde apareceram duas inscrições romanas, uma delas dedicada à divindade local Aelua pelos Castellani Berecensis, o que levou a propor o nome de Berecum para este povoado, onde existiria uma estrutura viária tipo mutatio ou mesmo mansio, hipótese reforçada pelo achado de 5 miliários encontrados nas redondezas: miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário a Tácito da Qta. do Cadouço/Cadoiço (hoje no Museu do Carmo em Lisboa), o miliário a Tácito de Barrelas indicando a milha IV, o miliário a Constantino Magno achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem ou Celordem, ambos hoje no Museu da Guarda, e o miliário a Tibério? que está na Capela de St. Antão (FE 189); a via romana descia de Barrelas à aldeia e seguia depois até EN18-1, saindo desta pelo caminho que passa em Castelão, onde terá aparecido o miliário a Probo que está hoje em Belmonte, junto da Capela de Santiago; possível ligação em calçada pelo «Caminho do Convento» ao Convento Mato Grosso/Convento Bom Jesus que parece assentar num edifício anterior romano)
    Gonçalo (continua pela Quinta da Ns. da Misericórdia e junto da villa do Prazo/Qta. da Granja)
    Lameiras (miliário anepígrafo e miliário a Tácito, AE 1965, 107, ambos no Castelo de Belmonte; neste último miliário Aurélio Belo interpretou a abreviatura final «II L. O.» como «2 m.p. a L(ancia) O(ppidana)», o que colocaria a sede desta civitas em Centum Cellae situada a essa distância; Belo, 1960:41-44)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    A interpretação das ruínas em torno da Torre Romana de Centum Cellae tem dividido os investigadores, mas as escavações mais recentes apontam para um núcleo de povoamento mais importante que uma simples villa (Alarcão, 1998), podendo corresponder a um vicus viário (Frade, 1994) ou até a possível capital dos Lancienses Oppidani (Guerra, 2007a); é muito provável a existência de uma mansio de apoio à via para Mérida (Carvalho, 2010) dado que esta passa a cerca de 30 m da face norte da torre. A ausência de materiais pré-romanos, a localização estratégica junto da via principal para Mérida, as evidências da existência de um pequeno vicus que se desenvolve em torno da torre são argumentos consentâneos com a existência de uma mansio oficial.


    Mapa





























    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Este troço está bem definido pelos 5 miliários existentes ao longo do seu percurso para Idanha-a-Velha, mas só em dois deles é possível ler as milhas indicadas, no caso a milha XXII do miliário da Torre dos Namorados, tendo como caput via a mansio de Centum Cellae, reforçando assim a importância deste povoado romano no contexto da Cova da Beira, e o miliário de Águas que indica a milha VIII a Igaedis. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani, dos Lancienses Oppidani e dos Igaeditani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão, mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda com sede no castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador (Penamacor), não existindo no entanto consenso sobre a localização do respectivo oppidum que oscila entre Centum Cellae, Vale da Póvoa e Sabugal, mas que na nossa opinião corresponde ao povoado da Idade do Ferro de Sortelha Velha. No vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo (Sabugal) apareceu uma inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES», remetendo para os Ocelenses mencionados por Plínio, havendo dúvidas se seria uma outra tribo Lanciense ou uma designação alternativa a Oppidani (FE 310.2; Belo, 1960; Alarcão, 2001b; P. Carvalho, 2006; Guerra, 2007a).

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    Ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram dois miliários, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos depositados no Castelo de Belmonte)
    Belmonte (m.p. II; próximo da Igreja de Santiago existe um miliário inédito dedicado a Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, passando próximo do sítios romanos do Muro/Qta. do Bouzieiro e da Fonte do Soldado, continuando depois paralela à Serra da Esperança; +- EN345)
    • Possível diverticulum para sudeste partindo de Centum Cellae ou da villa da Qta. da Fórnea rumo ao povoado da Ns. da Estrela em Inguias, existindo na Capela uma inscrição a Júpiter por Iulius Rufus, indiciando a existência de um vicus na divisória entre os concelhos de Belmonte e Sabugal, eventualmente no sítio da Tapada da Casa; aqui cruzava a ribeira de Inguias e seguia por S. Amaro, ribeira da Cal, Alto das Cruzes, Portela, Vale de Castelões e Serra da Opa em direcção ao Vale da Sra. da Póvoa ou ao Sabugal de encontro à via para Salamanca.
    Qta. da Fórnea, Malpique (m.p. IV; via passa a nascente desta importante villa romana; pouco depois cruza a ribeira das Inguias no Sítio do Gagameio/ Qta. da Ribeira)
    Caria (m.p. VII; possível mutatio; calçada com 40m em Fonte do Ruivo, na direcção E-W, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho, onde atravessa a ribeira de Caria)
    Peraboa (m.p. X; villa? na Qta. do Cameira; atravessa a Serra de St. António, passando próximo do castro romanizado da Tapada das Argolas ou «Vila Velha», descendo depois pelo Sítio da Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, hoje no MNA)
    • Possível diverticulum para sudeste pela calçada da Laje do Freixo para Monte do Bispo e Escarigo, até entroncar na via para Salamanca na travessia do ribeiro de Casteleiro.

    Capinha (m.p. XV; vicus e provável mutatio situada no cruzamento com a via para Salamanca, ocupando a área em torno da arruinada Capela da Tapada de S. Pedro que reutiliza muito material romano; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio do Meidubrigense Hispanus na Qta. de S. Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico no caminho para Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia, assim como as duas inscrições retiradas da ponte, o epitáfio da Lanciense Oppidana Amoena e o epitáfio de Cabrula, todas recolhidas no MAMJM; a tradicional designação de Talabara de uma leitura duvidosa de uma inscrição rupestre onde alguns autores leram V(ico) (Tal)bara, hoje também no MAMJM; da Fonte de Cima na aldeia, a via descia à ponte pela calçada da Capela de S. Marcos e pela calçada do Sítio das Lajens, entretanto já destruídas, cruza a ribeira e Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e continua por Vale de Paredes e Freixa)

    Quintas da Torre/Torre dos Namorados (m.p. XXII; vicus e provável mutatio atendendo ao miliário a Maximiano indicando XXII milhas e às várias epígrafes aqui encontradas e recolhidas no MAMJM como a lápide de Lubaecus, a inscrição a Júpiter, a ara votiva a Bande Luguano, a ara da Qta. da Feijoeira, ara da Qta. de Antão Alves e ara de uma cluniense que apareceu na Qta. da Azinheira mas recolhida na Qta. de Matos Barrinhos)
    Pedrogão de S. Pedro (m.p. XXVII; no sítio da Líria apareceu um cipo com dois cruciformes gravados, provável miliário, hoje no Museu de Penamacor; a via continua pelo caminho das «Calçadeirinhas», cruzando a ribeira das Taliscas a cerca de 500m montante da Ponte dita «Romana» sobre a ribeira das Taliscas, em risco de ruína que será já do período medieval)
    Bemposta (m.p. XXIX; possível vicus a 8 milhas de Igaedis; o miliário da 4ª Tetrarquia de Maximiano, Maximino Daia, Constantino e Licínio, que apareceu numa casa em ruínas próximo de Águas e que hoje está numa casa particular da Aldeia de Santa Margarida (Henriques, 2015), deveria ser daqui pois indica 8 milhas a Igaedis; conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e a terceira é dedicada a Quangeius; villae em Nave de Baixo, Qta. da Meijoana e Represa)
    Medelim (m.p. XXXII; 5 milhas a Igaedis; na Capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira apenas se lê Reve ... pelo que seria dedicada à mesma divindade; estão todas no MTPJ; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; a via seguia talvez paralela à EN332, próximo dos sítios romanos da Tapada da Senhora e Chãos da Malhada, do acampamento militar romano de Oliveira das Almas e da villa ou vicus de Vale de Cavalo, desviando da EN332 pouco depois para ir cruzar a ribeira de Moinhos no Pontão de Beiradas (?), seguindo depois pelo cemitério até Idanha)

    Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (oppidum sede da civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte de mais de duas centenas de epígrafes conhecidas; existem pelo menos 6 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto onde apenas se lê «milha I»; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro em Alcafozes e o último em Segura; ver também Rede viária de Igaedis)

    De Idanha-a-Velha a Mérida
    Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstrução medieval da antiga ponte romana que estaria em ruína um pouco a montante)
    Alcafozes (m.p. IV; 3 miliários; miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; povoado no Cabeço dos Mouros; segue talvez pelo estradão do «Barreiro Vermelho» até Horta da Granja, onde cruza a ribeira de Aravil, continua por Cale do Vigário, Silveirinha, Cabeço Vermelho, continuando pelo Vale de Cancelas, «Fonte dos Ferreiros» e ao longo da Ribeira da Calçada)
    Segura (m.p. XVI; a via entrava na povoação junto do Calvário situado no outeiro oposto à vila, monumento que integra uma ara romana e que poderia ser um antigo santuário; na berma da estrada existem vários fustes de possíveis miliários; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada e junto do «Chafariz da Calçada» rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na Capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo)
    Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (m.p. XVII; imponente ponte romana na fronteira Luso-Espanhola da EN355; arco central e tabuleiro reconstruídos)
    Piedras Albas (m.p. XXI; segue sob a EX-207 por 4km e depois por caminho carreteiro)
    Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (m.p. XXVI a Igaedis; ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
    Alcántara (ver traçado)
    NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na via N-S conhecida por "Via da Prata" que ligava Astorga a Mérida, passando na mansio intermédia de Ad Sorores)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum)

    VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLXI


    Lisboa Alcácer
    Mapa






    Alcácer Évora


















    Évora
    Mérida
















    ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)
    Item ab OLISIPONE
    EMERITAM

    AQUABONA
    CATOBRICA
    CAECILIANA
    MALATECA
    SALACIA
    EBORA
    AD ATRUM FLUMEM
    DIPONE
    EVANDRIANA
    EMERITA

    m.p. CLXI

    m.p. XII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXVI
    m.p. XII
    m.p. XLIIII
    m.p. VIIII
    m.p. XII
    m.p. XVII
    m.p. VIIII
    Itinerário Corrigido
         total m.p. CC

    Aquabona    XII
    Caetobriga  XII
    Malateca     XIV
    Caeciliana   VIII
    Salacia        XII
    Ebora          XL
    Ad Atrum    LXIIII
    Dipone        XII
    Evandriana XVII
    Emerita       VIIII
    Inicialmente o Itinerário XII de Antonino seguia a via romana entre Olisipo (Lisboa) e Salacia (Alcácer do Sal) passando por três mansiones de permeio Aquabona, Caetobriga, Caeciliana e Malateca, cuja localização tem suscitado algumas dúvidas, isto porque há dificuldade de compatibilizar os vestígios romanos com as distâncias indicadas no I.A. Se a localização das duas primeiras estações não oferece qualquer dúvida, com Aquabona correspondendo à foz do rio Coina, a 12 milhas de Lisboa, e Caetobriga correspondendo à actual cidade de Setúbal, a 12 milhas de Coina, por outro lado as estações seguintes apresentam várias incoerências. De facto, o itinerário indica 46 milhas de Caetobriga a Salacia quando a distância real é de cerca de 35 milhas, diferença demasiado grande para ser justificada por uma rota alternativa, o que demonstra a existência de erros nas distâncias ou estações indicadas, provavelmente introduzidas nas cópias medievais que conhecemos. Para resolver esta questão propomos uma alteração da sequência das estações entre Setúbal e Alcácer do Sal, ou seja Malateca e Caeciliana. Desta forma, a primeira deveria situar-se junto da travessia da ribeira de Marateca situada a 14 milhas de Setúbal, sendo que o I.A. indica 26 milhas, o que corresponde à distância deste local à Coina enquanto a segunda, Caeciliana, estaria 8 milhas mais adiante junto da travessia da ribeira de S. Martinho na povoação de Palma, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, situada precisamente a 8 milhas de Marateca e a 12 de Alcácer do Sal, e portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A. A etapa seguinte corresponde à via romana de Salacia a Ebora. Inicialmente seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos até à aldeia de Santa Susana, continuando depois próximo da linha divisória entre os concelhos de Montemor-o-Novo e Alcáçovas até Évora. Daqui continuava para Mérida, passando por três estações intermédias, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas mais adiante. (vide Ferreira, 1993; Bilou, 2000; Almeida, 2000 e 2000a; Faria, 2002; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2008).

    Lisboa (OLISIPO) (o percurso inicial deste itinerário corresponde à travessia do rio Tejo; o local poderia ser assinalado pelo miliário a Probo que apareceu na Casa dos Bicos; o trajecto fluvial ligaria ao Porto de Cacilhas, atendendo aos vestígios de cetárias descobertas no Largo Alfredo Dinis e à proximidade com o importante povoado da Idade do Ferro na Quinta do Almaraz, seguindo depois aproximadamente a rota da EN10 até Coina, percurso pontuado por diversos vestígios romanos como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também era possível cruzar o rio Tejo directamente a Aquabona, atracando no Porto da Romagem em Coina, através do braço do Tejo que penetra terra dentro até à foz do rio Coina; outros portos fluviais foram identificados próximo da Moita e de Alcochete, «Porto dos Cacos», mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse o itinerário principal para Mérida)

    Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII localizada nas proximidades da Capela da Ns. dos Remédios, antiga Ermida de S. Sebastião, e da Fonte da Talha, possivelmente a «Aqua Bona» inferida do topónimo; daqui a via seguia rumo a Caetobriga, localizada a 12 milhas, o que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal; também poderia existir uma via mais curta, per compendium, ligando directamente Coina a Marateca, evitando a passagem por Setúbal e consequente travessia da Serra da Arrábida.
    • Itinerário XII de Coina a Setúbal, segue recto até Vendas de Azeitão, continua pelo Alto das Necessidades/Cruz das Vendas e Qta. da Calçada, seguindo ao longo da vertente oeste e sul da Serra de S. Luís, passando próximo dos sítios romanos da Cruz da Légua, Qta. do Esteval e Qta. do Rego de Água, descendo depois da EN10 pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem preservado entre o Grelhal e Casal das Figueiras, terminando na rua do «Caminho Romano», entrando em Setúbal pelo Bairro do Tróino.
    • Ligação per compendium de Coina a Marateca: a via seguia a norte de Palmela e do importante Povoado de Chibanes no Alto da Queimada, Serra do Louro (a Caepiana de Ptolomeu segundo Amílcar Guerra), continuando por Carrasqueira, Olhos d'Água, Cascalheira e Palhota, onde entronca na EM533-1 ou «Estrada dos Espanhóis», seguindo depois por esta rumo a Marateca, percorrendo cerca de 22 milhas, ou seja menos 5 milhas do que o trajecto por Setúbal.

    Setúbal (CAETOBRIGA) (portum e mansio a 24 milhas de Olisipo com o povoado romano localizado no actual centro da cidade estendendo-se pela Av. Luísa Todi, ao longo da rua Direita do Tróino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Lg. da Misericórdia e Rua Antão Girão; a via romana seguia talvez pela Av. Bento Gonçalves, rua Camilo Castelo Branco, rua 4 Caminhos, Monte Belo, Azinhaga de Cruz de Peixe, Poço de Mouro, Padeiras e Algeruz , actual EM542-1, até entroncar na chamada «Estrada dos Espanhóis» próximo do Monte da Lentisqueira; Mário Saa ainda viu a calçada original antes de esta desaparecer sobre a estrada actual (CM1040) designando-a como «Estrada Funda, dada a profundeza milenária do seu sulco», indiciando a sua antiguidade; a via continuava para Marateca por Agualva e Águas de Moura)

    Marateca (MALATECA) (mansio; esta estação viária deverá estar relacionada com a travessia da ribeira da Marateca; a mansio ficaria defronte no chamado Castelo dos Mouros, junto do cemitério, onde há vestígios de estruturas romanas, possivelmente da própria mansio; a via seguiria depois aproximadamente a rota da EN5 rumo a Palma)

    CAECILIANA (estação viária tipo mansio situada a 8 milhas de Malateca e a 12 de Salacia correspondendo à actual aldeia de Palma, junto do ponto de travessia da ribeira de S. Martinho com o sugestivo topónimo de «Ponte da Pedra»; continua talvez pelo Monte do Albergue, Igreja do Monte de Vale de Reis, os «Albergues» referidos no «Roteiro Terrestre» do MPAM, e Igreja de S. Lourenço, ambas com vestígios romanos, inflectindo pouco depois para sudoeste pelo caminho que passa no Monte das Águas Pousadas até ao Bairro do Venâncio)

    Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum, sede de civitas, mansio e importante porto a 58 milhas de Lisboa; o povoado ocupava a área do castelo onde viria a instalar-se o convento de Ns. de Aracaeli; a via entrava na cidade pela Av. dos Clérigos e rua da Fábrica, passando junto do Convento de St. António, marginando a necrópole de S. Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; inscrição honorífica ao magistrado Cornelius Bocchus, CIL II 2479; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
    • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: no estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com os entrepostos comerciais e centros de transformação da actividade piscícola em Tróia (Achale?), Portinho da Arrábida (Creiro), Outão (Praia da Comenda), Sesimbra (no centro urbano) e Setúbal, assim como os mais de 20 centros de produção de ânforas, como a Feitoria Fenícia de Abul, do Monte do Bugio e da Herdade do Pinheiro; nesta última, André Resende registou um cipo dedicado ao imperador Cómodo nas «ruínas de uma povoação» situada a 20 mil passos de Caetobriga e a 16 mil passos de Salacia; este cipo que Resende inclui na descrição da via romana de Lisboa a Évora, não seria um miliário dado que apresenta uma inscrição de carácter honorífico, talvez colocada pelos habitantes do vicus portuário que aqui deveria existir, associado à indústria de fabrico de ânforas cujos fornos são ainda hoje visíveis; provável ligação à via principal que corria mais para o interior, assegurando o escoamento dos produtos por via fluvial. (CIL II 8; Resende, 1593:148-149).
    • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): o rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Monte da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Monte da Qta. de D. Rodrigo (calçada, ligaria a Alcácer?), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (ara a Júpiter) e da villa de Passadeiras. O rio poderia ainda ser navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Santa Margarida do Sado.

    Alcácer do Sal a Évora
    Depois de Alcácer, a via seguia seguramente pela margem direita da ribeira de Sítimos até Santa Susana, onde cruzava a ribeira de Remourinho. A partir daqui as propostas de traçado até Évora divergem. Francisco Bilou propôs um traçado pela parte sul do concelho de Montemor-o-Novo com base nos fustes de possíveis miliários por ele identificados no Monte da Prata, Monte da Venda, Monte dos Andrades, Valverde/Herdade da Mitra e Esparragosa (Bilou, 2000, 2000a, 2005), caminho que Mário Saa designou por «Estrada dos Almocreves» (Saa, 1963: 83). Apesar da sua possível utilização já em período romano não é seguro que a via romana de Alcácer do Sal a Évora seguisse este caminho dado que a distância medida entre as duas cidades por este traçado ronda as 40 milhas, valor bem inferior às 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino para este troço. Por outro lado, este caminho apresenta uma aparente descontinuidade entre o Monte dos Andrades e a Herdade da Mitra. pelo menos alguns destes fustes poderão ser antes colunas reaproveitadas e não miliários (Almeida, 2017). Sendo assim, optamos por reconstituir o traçado mais a sul que tinha já sido proposto no século XVI por André de Resende seguindo pelas extremas das herdades situadas no limite norte do termo de Alcáçovas rumo ao sítio romano de Ns. de Tourega, sobre o qual temos umas preciosas notas coligidas no século XVIII pelo Frei Francisco de Oliveira e publicado em 1767 no «Roteiro Terrestre de Portugal» do Padre Baptista de Castro. Neste relato são indicados os pontos de passagem da via com algum detalhe, mas as grandes transformações da paisagem em resultado da actividade agrícola na vasta planície entre o Rio Mourinho e Tourega, praticamente sem obstáculos naturais, e a quase total ausência de vestígios romanos (com a excepção do destruído sítio da Herdade de Água d'Elvira dos Padres), não permitem no entanto reconstituir um traçado seguro. Seguidamente transcreve-se o texto do «Roteiro», indicando entre parênteses a sua provável correspondência com os topónimos actuais (Castro, 1767, Páscoa, 2002).
    • Via romana de Salacia a Ebora segundo o «Roteiro Terrestre»
      «...chegava a Alcacer do Sal, donde sahia direito ao sitio da Ermida de S. Bras, e pelas herdades do Arcebispo Figueira [Herdade da Arcebispa], Galrope [Galropos], Liziria [Lezíria], Alagapa de baixo [Lapa de Baixo], e Rio Mourinho [Ribeira de Remourinho], passava a ribeira. Depois discorria pelas herdades da Venda velha da Courella [?], Bruegas [?], entre as Romeiras, Zambujal, Caeiras, Farros [Fartos?], Pinheiro, e Defeza [Herdade da Defesa], estremas da Agua de Oliveira grande [Água d' Elvira Grande], entre o Pigeiro [Herdade do Pigeiro Grande] e Pigeirinho[?], Cardoso [?], entre a Capella [Monte da Capela], e o Poço da rua [Herdade do Poço da Rua], junto do Curral das Minas [?], entre o Cazão, e a Figueira [Casarões do Monte Figueira?], Poço do Reguengo [Monte do Reguengo], Paiva [Monte de Paiôa, Paivôa], Meda [Monte de Alcalá], e passando a ribeira da Odiege [ribeira de S. Brissos], perto da Ourega [Tourega], herdade do Barrocal, Estrema da fonte cuberta (?), chegava a Évora.» (Castro, 1767)

    Alcácer do Sal (SALACIA) (partindo a base do morro do castelo continua pela Calçada da Fonte Nova, rua das Douradas, rua Rui Coelho, rua 5 de Outubro e rua Miguel Bombarda, marginando a necrópole do Bairro do Crespo, continua pela rua Cabo da Vila e rua da Foz, passando junto da villa? do Olival de Ns. d'Aires, m.p. I, rumando depois para nordeste por uma rota próxima da actual EN235 ao longo da margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos, passando próximo da Ermida de S. Brás, m.p. III, onde existiam dois fustes de colunas e um capitel de uma possível villa, e continua pelas herdades da Arcebispa e de Galropos)
    Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (m.p. VII; miliário anepígrafo na divisória entre freguesias; possível local de travessia da ribeira de Sítimos dado que na margem oposta há vestígios de villa em Pedrões; a via continua pelas herdades das Lezírias e Lapa de Baixo/«Alagapa de Baixo»)
    Santa Susana (m.p. X; villa ou vicus da Portagem, provável mutatio; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário a Caracala achado na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Rio Mourinho, possivelmente junto do local onde a via cruzava a ribeira e vencia a milha XI, local actualmente submerso pela albufeira da barragem do Pego do Altar [CIL II 434; Resende, 1593: 149-150, Breval, 1726]; continua na outra margem pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscaínha e Monte da Caeirinha)
    Monte da Defesa, Alcáçovas (o Fr. Oliveira refere aqui uma «coluna»)
    Água d' Elvira Grande (continua talvez pela divisória entre o Herdade de Água d'Elvira dos Padres, a sul e a Herdade do Pigeiro Grande, a norte, continua próximo de Casões do Monte Figueira, passa junto ao poço do Monte do Reguengo, passa no Monte da Paiôa e Monte de Alcalá)
    Travessia da ribeira de S. Brissos (m.p. XIII; no «Porto de Alcalá»?)
    Monte dos Tabuleiros de Baixo (m.p. XII; André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário a Maximiano, CIL II 433, indicando 12 milhas, o que corresponde à distância deste local a Évora; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas hoje estão ambos desaparecidos; a via continua pelo Monte dos Tabuleiros, Monte do Zambujeiro, onde apareceu o epitáfio de Mailoni, e Qta. de S. Jorge, a X milhas de Évora)
    N. Sra. da Tourega (m.p. IX; fuste de coluna ou miliário junto da Igreja da Ns. da Assunção, no acesso à magnífica villa das Martas; Resende registrou uma inscrição funerária colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIIIviro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153)
    Herdade do Barrocal (m.p. VII; miliário anepígrafo tombado junto da via, uma milha para nascente do monte, talvez indicando 6 milhas a Évora; daqui seguia para a travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca, onde há vestígios de calçada na margem esquerda)
    Cabida (m.p. V; junto do cruzamento que dá acesso à Qta. do Pomarinho existe a base de um miliário provavelmente dedicado a Décio dado que em 1997 o respectivo fuste epigrafado apareceu mais adiante, junto do caminho que deriva da EN380 para o Monte das Flores, estando actualmente no Convento dos Remédios em Évora; FE 469)
    Esparragosa (m.p. II; possível fuste de miliário anepígrafo 50m a poente do marco geodésico/moinho; continua talvez pela Av. São Sebastião e rua Serpa Pinto até ao Templo de Diana, acrópole de Ebora).

    Évora (EBORA) (mansio a XL milhas de Salacia; a via entrava na cidade pela Porta do Raimundo e discorria pela decumanus, a antiga «rua da Sellaria/Selaria», actual rua 5 de Outubro, até ao forum junto do chamado Templo de Diana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro do edifício da câmara municipal)
    A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações ainda levantam muitas dúvidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (cerca de 75 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (14,4 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que existam estações intermédias omissas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes (Almeida et al., 2011) que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ter como caput via Mérida, a capital provincial, pelo teríamos de ler o itinerário no sentido inverso, ou seja as distâncias são indicadas a Mérida e não a Évora. A ser assim, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et al., 2011). Assim, a partir de Évora a via seguia um corredor natural por Évora Monte e Estremoz que contorna a Serra da Ossa pela sua vertente norte e continuando depois a norte da actual EN4 pelo Monte de Alcobaça e Atalaia dos Sapateiros até Elvas. Daqui seguia para o cruzamento do rio Guadiana junto a Badajoz continuando depois para Mérida. Ao contrário dos outros itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita do Guadiana, este itinerário seguia muito provavelmente pela margem esquerda, atendendo que passava numa estação viária, Evandriana, apenas referida neste Intinerário XII. (vide Bilou, 2000, 2000a, 2005; Calado, 1993; Mataloto, 2001; Almeida, 2000; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2011).

    Évora a Estremoz
    Évora (sai da cidade pela Porta de Machede seguindo o caminho rural por Qta. das Nogueiras e Qta. da Piedade; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira poderá estar relacionada com esta via)
    Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela à linha férrea próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia; no caminho de acesso ao Montinho da Piedade existem 4 possíveis miliários ou colunas reaproveitados como suporte duma laje)
    Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo à linha férrea pelo Monte de Vale Figueirinha)
    Monte da Sousa da Sé (m.p. VI; um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo à linha férrea até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
    Monte do Freixo (m.p. VII; daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km)
    Castelo Ventoso (m.p. X; inscrição funerária no Monte da Machoqueira; continua pelo Monte do Almo)
    Monte da Venda, Azaruja (m.p. XII; provável mutatio dado que aqui existem 2 miliários anepígrafos partidos em 3 fragmentos e vários vestígios espalhados por uma vasta área entre os quais apareceu uma placa funerária de Tullius Modestus, IRCP 407, actualmente no Museu de Évora; ara votiva a Salus na Igreja de S. Bento do Mato; continua por Monte da Torre?)
    Évora Monte (m.p. XIX; a pia baptismal da Igreja de Sta. Maria, antiga da Ns. da Conceição, reaproveita um miliário a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 674; no entanto o miliário poderia estar originalmente no sopé do monte junto da via, eventualmente nas proximidades do sítio romano da Ermida de S. Marcos, onde poderia existir uma mansio pois está a 19 milhas de Évora; a ser assim, a via passaria na base da vertente ocidental do morro, seguindo talvez por Atafona e Roque até ao apeadeiro, continuando depois paralela à linha férrea, contornando o Outeiro Ruivo rumo à travessia da ribeira de Têra junto no Pego do Sino, antigo local de travessia onde há memória de ter existido uma ponte; daqui seguia talvez por Herdadinha, Monte das Freiras, Aldeias, Castelo, Folgado, Azenha da Estrada, Estalagem, Ermida de S. Lázaro e Ferrarias)
    Estremoz (m.p. XXX; oppidum romano? castro?; provável vicus marmorarius em torno da Capela da Sra. dos Mártires, a sul da cidade, associado a uma estrutura para contenção de água conhecida por «Tanque dos Mouros», ao km 145 da EN4; aqui poderia existir uma mutatio ou mansio dado que em 1784 apareceu num local próximo conhecido por «Horta do Agacha», um miliário talvez a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 675; também aqui apareceu um raro monumento votivo a Cibeles, a Mater Deum, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que poderia estar junto da via, IRCP 440; Carneiro, 2011)

    Estremoz a Elvas
    Estremoz (a via segue talvez pela actual Estrada Municipal por Mamporcão, S. Domingos de Ana Loura, passando nos topónimos viários 'Estalagem', 'Carris', 'Estalagem da Raposa' e 'Venda do Ferrador', até atingir a povoação de Orada onde cruza a ribeira de Alcaraviça, seguindo depois pelo caminho do cemitério que seguia junto do arruinado Monte da Presa, mas todo este troço foi destruído pela actividade agrícola, reaparecendo mais adiante como divisória entre os concelhos de Elvas e Monforte, a sul da Serra de Aires, continuando por 5 km por um troço ainda bem preservado da via até ao Monte de Alcobaça)
    Herdade de Alcobaça (m.p. XLIII; dois miliários, um é dedicado a Caracala e está hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, IRCP 679, e o outro é um miliário a Diocleciano e Maximiano indicando 65 milhas a Mérida, IRCP 670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense; a via cruza a casas do monte e segue por mais 5 km até Alcarapinha)
    Monte de Alcarapinha (m.p. XLVI; necrópole e fragmento de um miliário ilegível junto da esquina do monte reutilizado como marco divisório)

    Atalaia dos Sapateiros (m.p. XLVIII; na base do povoado deveria existir uma estação tipo mutatio ou mansio de apoio à via; no seu trajecto para Elvas a via margina as villae do Monte de S. Romão/Serra Branca, Carrão e Trinta Alferes, seguindo junto do Monte das Casas Velhas, Monte do Menino d'Ouro e Calçadinha, significativo topónimo viário que assinala a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
    • Miliários: André de Resende refere dois miliários hoje desaparecidos «in agro Stermotiensi, non procul a pago Borbacena», ou seja «na região de Estremoz, não longe de Barbacena» que poderiam integrar este Itinerário XII, designadamente um miliário a Caracala (IRCP 661), e o miliário a Heliogábalo (IRCP 663), este com a inscrição completa, lendo na última linha «[Eb]ora m.p. XXII», ou seja 22 milhas a Évora (Resende, 1593:154-155); esta leitura é muito duvidosa porque as milhas indicadas são insuficientes para percorrer a distância entre Évora e Barbacena pelo que muitos autores deram-na como falsa, incluindo Emil Hübner; no entanto é possível que a indicação miliária esteja correcta, indicando não a distância a Évora mas à mansio de Ad Atrum Flumen presumivelmente localizada junto do rio Xévora, o que corresponde à distância deste local ao Monte de Alcobaça, onde aliás apareceu um miliário também com a contagem das milhas no sentido Mérida - Évora (actualizado em 2018).
    • Ligação a Campo Maior: é possível que do nó viário da Atalaia dos Sapateiros partisse uma via para nordeste rumo a Campo Maior de encontro aos Itinerários XIV e XV, seguindo talvez pelo Monte dos Trinta Alferes, Monte do Ruivo, Monte do Lemos, Horta do Rangem (casal rústico), Torre da Sequeira, Alto da Azinheira e Caseta de Safardel, marginando no seu percurso os fundi da magnífica villa das Qta. das Longas a sul e da villa do Monte da Silveira a norte (referência a uma calçada), continua pelo Monte da Baloca e Monte do Rico rumo à travessia do rio Caia na Horta do Caia, passagem dominada pelo importante Castro de Segóvia, povoado fortificado com ocupação desde a Idade do Bronze até ao período republicano, seguindo depois rumo a Campo Maior e de encontro às vias para Emerita Augusta.

    Elvas (m.p. LIV; a via seguia pelo Chafariz de El-Rei e Horta da Cabeça para depois contornar a elevação de Elvas pelo vertente norte, continuando por Horta do Moreno, junto da necrópole de Papulos, e Herdade de Torre da Fonte Branca, onde apareceram duas aras dedicadas a Proserpina, indiciando a existência de um santuário neste local; a partir daqui o percurso é incerto pois depende do local onde se fazia as travessias dos rio Caia e Guadiana; admitindo a travessia deste último junto de Badajoz, a sul da confluência do rio Xévora, a via poderia seguir próximo da estrada actual rumo à travessia do rio Caia a sul do Monte das Caldeiras onde apareceu uma inscrição funerária de Festivus, e a norte da villa de Alfarófia , num local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte que é noticiada em 1926 já em ruína (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).

    AD ATRUM FLUMEM (mansio a 38 milhas de Mérida)
    Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», distava 38 milhas de Mérida, o que coloca esta mansio junto da confluência do rio Xévora/Gévora no Guadiana, junto a Badajoz; outra possibilidade seria cruzar o rio 6 km mais a norte, junto da actual povoação de Gévora, dado a aqui apareceu um miliário a Carino provavelmente da milha 37 (Almeida et al., 2011). A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com as vias XIV e XV, os outros dois itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita; por outro lado temos um miliário a Magnêncio indicando 16 milhas junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz), sítio que estaria na margem esquerda do rio em época romana, mas que hoje está na margem direita devido a importantes alterações do curso do Guadiana. Consequentemente deverá procurar-se as mansiones de Evandriana, a 9 milhas de Mérida e de Dipo, a 26 milhas, na margem esquerda do Guadiana, respectivamente nas imediações de Torremayor e Talavera la Real. (Gorges e Martín, 1999)

    Travessia do rio Guadiana (Anas)
    Badajoz (segue talvez pelo designado «Camiño Viejo» por Atalaya, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
    DIPO (talvez Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguiria depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón ou em Turunuela)
    EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na villa romana de La Floriana em Torremayor)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

    VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI


    Mapa

    ITINERÁRIO XIII - Alcácer do Sal (SALACIA - Faro (OSSONOBA)

    A SALACIA
    OSSONOBA

    m.p. XVI
    O Itinerário XIII (13) é um caso estranho no contexto do «Itinerário de Antonino» pois indica apenas a distância entre dois pontos sem qualquer estação intermédia. Aparentemente o itinerário indica a distância entre Ossonoba (Faro) e Salacia (Alcácer do Sal) e seria lógico considera-lo como uma derivação da via de Lisboa a Mérida rumo a Faro a partir de Alcácer do Sal, até porque estes itinerários aparecem em sequência (XII e XIII). No entanto este troço, Salacia-Ossonoba está já referido no Itinerário XXI pelo se estranha a sua inclusão aqui. Além disso, as 16 milhas indicadas são manifestamente insuficientes para cobrir a distância entre essas cidades pelo que teríamos de admitir um erro na transcrição deste itinerário, hipoteticamente faltando um «C» inicial perfazendo CXVI milhas, valor já muito próximo dos 185 km medidos entre Faro e Alcácer do Sal, situação que seria completamente anómala no contexto do I.A., obrigando a procurar outras hipóteses. Surgiu então a hipótese de uma 'nova' Salacia situada a 16 milhas de Faro para justificar a distância indicada, e o Cerro da Vila, sendo um importante vicus portuário (situado junto da actual marina de Vilamoura) seria um bom candidato (Fraga da Silva, 2005). No entanto, a distância medida no terreno entre Faro e Vilamoura é inferior a 16 milhas (seguindo por Almansil), deitando por terra esta hipótese. Dessa forma, a única proposta plausível é interpretar este itinerário como uma ligação entre dois eixos viários, ou seja entre a via Salacia - Ebora e a via Ebora - Ossonoba, indicando a distância que ia do ponto de derivação do Itinerário XII até ao Torrão. A ser assim, o Itinerário XIII indicaria a distância entre o nó viário do Porto da Lama e o Torrão, percurso com cerca de 16 milhas conforme indicado neste itinerário (2018).

    VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII


    Mapa





































    ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)
    Alio itinere ab
    OLISIPONE EMERITAM

    ARITIO PRAETORIO
    ABELTERIO
    MATUSARO
    AD SEPTEM ARAS
    BUDUA
    PLAGIARIA
    EMERITA

    m.p. CLIIII
    m.p. XXXVIII
    m.p. XXVIII
    m.p. XXIIII
    m.p. VIII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXX
    Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita algumas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no I.A. Desde logo a distância entre Lisboa e a primeira estação indicada, Aritio Praetorio, nunca poderia ser de apenas 38 milhas como sugere uma leitura sequencial do itinerário, sendo mais provável que duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabis, tenham sido omitidas no itinerário dado que essas estações já são indicadas quer no Itinerário XVI quer no Itinerário XV na etapa entre Olisipo e Scallabis. Assim a mansio de Aritio Praetorio estaria a 38 milhas não de Olisipo mas de Scallabis, o que coloca esta estação viária nas imediações da Herdade de Água Branca de Cima, onde há vestígios romanos, dado que este local fica a precisamente 38 milhas de Santarém e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no Itinerário (vide Carta Arqueológica do Concelho de Abrantes). Inicialmente este itinerário seguia pela via romana de Olisipo a Bracara Augusta descrita no Itinerário XVI até Scallabis, hoje Santarém, cruzando aí o rio Tejo para Almeirim, subindo depois a serra até Tamazim e continuando pelo planalto segue pela estação de Aritio Praetorio rumo à travessia da ribeira de Sor que seria cruzada no ponte romana que dei o nome à povoação de Ponte de Sor; cruzada a ribeira a via seguia rumo a Abelterio, mansio hoje definitivamente localizada em Alter do Chão, atravessando pelo meio a magnífica Ponte Romana da Vila Formosa sobre a ribeira da Seda; a estação seguinte, Matusaro, localizada a 24 milhas de Alter do Chão poderia situar-se a sul de Arronches junto da travessia do rio Caia, e 8 milhas adiante atingia a estação de Ad Septem Aras que deverá situar-se a norte da aldeia de Ns. da Graça de Degolados; daqui a via seguia por Campo Maior com nova mutatio rumo à travessia do rio Xévora junto do qual se deverá localizar a mansio de Budua a 12 milhas de Ad Septem Aras e a 8 milhas de Plagiaria que deverá situar-se nas imediações de Novelda del Guadiana, provavelmente no sítio romano «El Pesquero», local que por sua vez dista cerca de 30 milhas de Mérida, acertando assim todas as distâncias indicadas no Itinerário XIV de Antonino desde o porto de Olisipo e a sua capital provincial. Ao longo desta rota que funciona como coluna vertebral da rede viária romana surgem vários diverticula ligando quer a norte rumo ao rio Tejo quer a sul de encontro à via romana que corria por Évora, Estremoz e Elvas também rumo a Mérida, o chamado Itinerário XII de Antonino (2018).

    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

    Itinerário de Santarém a Ponte de Sor
    Santarém (partindo da Porta de Atamarma, demolida em 1865, descia pela «Calçada de Atamarma» a Ribeira de Santarém onde cruzava o rio Tejo)
    Almeirim (a via romana margina o acampamento militar do Alto dos Cacos, situado na margem esquerda do Paúl do Vale de Peixes, continuando depois para nordeste num percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, os 2 miliários de Goucharia e o miliário da Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
    Alpiarça (m.p. II; acampamento militar romano do Alto de Castelo, controlando a via; a via continua pelo caminho que acompanha a linha de festo a fim de evitar a travessia os vários cursos de água da região, seguindo pelos altos do Sartel, Ameixial, Sete Sobreiros, Canavial, Perna Seca, Santa Maria, Anafe, Caniceira e Aranhas, na divisão entre os concelhos de Chamusca e Abrantes, marginando depois as nascentes da ribeira de Ulme/ rio Alpiarça, até entroncar na via romana proveniente de Tomar junto da Lagoa do Junco, local onde vencia a milha 32)
      Miliários referidos por André de Resende: No século XVI o historiador Português enumerou um total de 16 miliários ao longo deste trajecto até à «encruzilhada das Mestas» (Resende, 1593:151-170); apesar de apenas indicar a localização dos miliários na encruzilhada da «Venda das Mestas», é possível determinar os locais de implantação dos restantes atendendo à sequência com que são descritos:
    • m.p. XXIX: 4 miliários, um deles a Maximino, CIL II 439.
    • m.p. XXX: 3 miliários, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636=IRCP 666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis», CIL II 4634=IRCP 660a; este local corresponde ao alto de Aranhas de Cima.
    • m.p. XXXI: 3 miliários, um deles a Tácito, CIL II 4635=IRCP 665.

    • Miliários deslocados: há vários fragmentos de miliários deslocados da via romana para servir de marcos divisórios:
    • Aranhas de Cima: miliário a 48m do marco divisório nº 30 do concelho.
    • Tojeiras de Cima: miliário junto do marco divisório nº 28 do concelho.
    • Foz: miliário na berma da rua da «Estrada Velha» para a Venda das Mestas, servindo de marcos divisórios; 100m adiante existe um outro fragmento e logo depois um terceiro fragmento.
    Lagoa do Junco (m.p. XXXII; Resende refere 2 miliários lendo num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637=IRCP 678)
    Venda das Mestas (m.p. XXXIII; possível mutatio a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima também designada por «Cevo de Muge» e «Sete Azinheiras»; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo; no «Roteiro Terrestre» do MPAM é designada por «Estallagem da Vendinha ou das Mestas»)
    Alto da Abegoaria (m.p. XXXIV)
    Lagoa da Extrema do Copeiro/Barreiro (m.p. XXXV; possível mutatio a meio caminho, 3 milhas, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; a via continua até ao geodésico de Vale do Zebro onde entronca na EN2, ao km 425, com a milha 37 a ser vencida próximo do km 426)

    ARITIO PRAETORIO m.p. XXXVIII
    A estação viária de Aritio Praetorio deveria situar-se nas proximidades do Monte de Água Branca dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas a Santarém e 28 milhas a Abelterio; todo o vale da Herdade de Água Branca de Cima apresenta vestígios romanos que deverão estar associados à função viária; no marco geodésico de Água Branca Mário Saa ainda viu vestígios de rodados na via, inflectindo aqui para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos que poderia ser um posto de controlo ou statione, mencionando ainda um tesouro de moedas anteriores ao Império encontradas num poço (Saa, 1956); a via continuava sob a EN2 próximo do Monte Padrão (Alto do Padrãozinho), possível referência a um marco da estrada e entrava na cidade de Ponte de Sor pela estrada de Foros de Domingão.

    Ponte de Sor (m.p. XLV; no século XVI Bronseval refere uma pontem lapideum possivelmente romana da qual restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE 162)

    Itinerário de Ponte de Sor a Alter do Chão
    O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu percurso que inclui a passagem na monumental ponte de Vila Formosa (vide Pereira, 1912 e 1937; Saa, 1956; Alarcão, 2006a; Carneiro, 2008 e 2010); logo após Ponte de Sor temos um miliário a Probo talvez da milha 46, IRCP 668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos no «Monte dos Casamentos», na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu; daqui seguia pelo «Vale da Rainha» e Monte de Cabeceiros, com um miliário anepígrafo talvez da milha 48, seguia depois junto do miliário de «Coutadas» onde apenas de lê CONSTA... e do miliário da «Torre das Vargens» onde apenas de lê as letras AV[…]CO, até à Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP 666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; continua pelo Monte do Freixial, onde apareceu uma coluna honorífica e possível miliário onde apenas se lê BONO R P rumo ao sítio romano da Fonte da Cruz, provável mutatio onde em 1976 apareceu a parte inferior de um miliário (RP 6/95) e mais quatro fragmentos; um desses fragmentos corresponde à parte superior e lê-se apenas as letras IMP CAE, FE667; um miliário anepígrafo apareceu junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, 500 m a montante da Fonte da Cruz; Frei Bernardo de Brito, transcrevendo André de Resende, faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», ou seja marcaria 96 milhas a Mérida, a real distância desta mutatio a Mérida; referência a outros possíveis miliários em «Vale do Contador» (?) e «Camoa» (?); a partir da Fonte da Cruz a via atravessava a herdade do Vale da Estrada, passava a norte do Alto de S. Marcos, junto de um sítio romano onde apareceu um miliário com inscrição talvez da milha 54, seguindo depois paralela à EN119 por Lameira, novo miliário, e pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário anepígrafo in situ talvez da milha 56.

    Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (a ponte romana melhor conservada do sul de Portugal com 6 arcos de volta perfeita e a única que ainda mantém o lajeado original da faixa de rodagem; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada/Selada, partido e talvez deslocado da milha 63 no Monte do Ensopado, outro no «sítio da Celada», o miliário em Vale Perlim/ Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via continuava na outra margem junto do sítio romano de Santa Luzia, possível mutatio, percorrendo depois terrenos da Herdade do Monte Redondo e marginando os sítios romanos da Casa de Alvalade, onde apareceu um fragmento de miliário, FE 662, e do Monte da Porra, seguindo depois pelo Alto do Vale da Pia, cruza o IC3 em Arribada das Colmeias na Herdade da Torrejana, onde há vestígios de um troço lajeado, pelo caminho público que delimita a Coudelaria Real até Alter do Chão; Carneiro, 2011)

    ABELTERIO m.p. LXVI
    A mansio de Abelterium referida no Itinerário corresponde sem dúvida a Alter do Chão com base nas distâncias indicadas pelo Itinerário, nos vestígios da imponente villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol, possivelmente a própria mansio, o miliário a Constâncio Cloro (FE 374) que está hoje numa casa particular e acima de tudo na menção explícita ao nome do povoado num grafito gravado num imbrex descoberto em 2009 (Encarnação, 2010). A localização do povoado indígena no entanto poderia ser em Alter Pedroso, presumível castro fortificado da Idade do Ferro onde apareceu uma estela funerária com o epitáfio de Sica, actualmente no Museu de Elvas.

    Itinerário de Alter do Chão a Assumar pela «Estrada do Alicerce»
    A via romana continuava para Arronches pela chamada «Estrada do Alicerce», deturpação do termo árabe «al-rasif», velho caminho que assenta sobre a via romana e ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e a sul de Arronches rumo a Degolados, perto da qual deverá ser situada a mansio da Ad Septem Aras, ainda hoje delimitando os concelhos de Alter do Chão, Crato, Monforte e Portalegre; em 1937, Félix Alves Pereira descreve o percurso pelos topónimos Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Monte da Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937); Mário Saa por sua vez indica um percurso por Chancelaria, Ribeiro do Freixo, Ronha, Bedanais, Caldeireiros e Monte Grande até Assumar (Saa, 1958). Recentes estudos de André Carneiro permitiram uma melhor definição do percurso e abre possibilidades para a sua valorização (Carneiro, 2004, 2011). Partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste sempre recto, passando a norte do Monte dos Tapadões, entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, até à Horta do Pote onde inflecte para nordeste pelo Monte do Carrão e Cascalheira, topónimos viários, passa na base do Alto de S. Martinho, cruza a ribeira da Navalha (possível miliário) e segue rumo ao Monte da Chancelaria, daqui desce à ribeira do Freixo cruzando a linha férrea no sopé da elevação da Cabeça Alta, continua a sul do Monte da Silveira e do Monte da Chaminé, cruza o IP2 e continua pelo caminho que margina o sítio romano do Monte dos Escudeiros situado a sul do Monte do Alcaide, onde entronca na EM1099, seguindo por esta pelo Monte das Canas, onde há marcas de rodados, até à Fonte da Vila.

    Assumar (m.p. LXXXII; contorna a povoação pelo norte e continua pela «Estrada do Alicerce» que corresponde ao estradão em terra que segue paralela à linha férrea e que serve de linha divisória entre os concelhos de Monforte e Arronches, atingindo a milha 84 no cruzamento com o caminho de acesso ao Monte Joana Dias).

    Arronches (continua entre a Qta. do Carrefe, provável deturpação do topónimo viário «Arrecefe», e o Monte da Torre, marginando um sítio romano designado por «Estalagem», possivelmente associado a uma mutatio na milha 86, onde apareceu uma ara, seguindo depois pela encruzilhada de Belmonte/Alto da Safra/Monte d'El-Rei, continuando pelo Monte da Tapada do Diogo, cruza a EN246 e segue rumo ao Porto das Escarninhas onde cruzava o rio Caia numa ponte da qual restam alguns silhares no leito do rio).

    MATUSARO m.p. XC
    Neste local a sul de Arronches, também conhecido por «Porto do Caia» ou «Porto das Escarninhas», a via romana cruzava o rio Caia na «Ponte Velha», existindo pouco antes vestígios de uma estação romana num local onde recentemente apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos viandantes, FE606, sugerindo uma possível localização da mansio neste local, mas os parcos vestígios e ausência de termas não permitem ainda uma localização definitiva (Carneiro, 2011, 2014). Um pouco afastado da via (a cerca de 3 km para sul), apareceu um miliário na Ermida da Ns. do Carmo, actualmente em ruína, que poderá ter sido deslocado; no entanto, também poderia assinalar uma via para sul rumo a Sta. Eulália (?).

    Itinerário de Matusaro a Ad Septem Aras
    A via romana continua próximo do Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco, Monte Folinhos e Monte de Revelhos, onde no caminho de acesso existe o fuste de um possível miliário como marco de propriedade; cruza a ribeira de Revelhos junto da arruinada Igreja de S. Bartolomeu, provável villa ou estação viária onde apareceu uma ara votiva a Libera, IRCP 567; a via continua para leste marginando a norte o Monte da Calaça e Monte da Corredoura e a sul o Monte da Granja do Peral, onde existe outro possível miliário, continua pela base do Alto de Perdigão a norte do Monte dos Judeus, seguindo rumo ao Alto dos Morenos onde cruza a EN371, local situado na divisória concelhia, continuando pelo estradão até ao Posto Fiscal de Azeiteiros (Carneiro, 2011, 2014).

    AD SEPTEM ARAS m.p. XCVIII
    Designada literalmente como «junto das sete aras», esta estação viária a 32 milhas de Alter do Chão estaria localizada próximo da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados num local designado por «Posto Fiscal de Azeiteiros» onde existe um possível miliário; daqui partia um diverticulum para a mina romana do Monte Alto; a mansio deveria situar-se nas proximidades da aldeia de Degolados, dado o aparecimento de importantes vestígios romanos nas suas redondezas, tal como a ara de Valgius dedicada a Belona encontrada na extinta ermida de Santa Catarina na Herdade de Alentisca, zona hoje submersa pela Barragem do Caia (FE 207) e as lápides funerárias da Herdade do Almeida e das Terras da Aldeia, mas a sua localização precisa continua insegura.

    Itinerário de Ad Septem Aras a Budua
    No Posto Fiscal de Azeiteiros, a via deveria bifurcar em duas variantes rumo à estação seguinte Budua, localizada junto da actual Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, uma passando no vicus de S. Pedro em Campo Maior e outra seguindo para a importante Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora que apesar de arruinada ainda apresenta impressionantes alicerces sem dúvida romanos que pressupõe um ponte com baste envergadura para vencer o antigo leito do rio que foi entretanto desviado. Ambas as variantes são pontuadas por vestígios romanos percorrendo sensivelmente a mesma distância a Budua, cerca de 12 milhas conforme indicado no I.A. (Carneiro, 2011).
    • Variante pela Ponte da Enxara
      Partindo do nó viário de Azeiteiros, segue pelo Monte do Marco Alto, Monte de Adães, Monte de Cevadais, passa a sul de Ouguela por Taqual, continua pela Tapada da Pombinha (epitáfio e estatueta de Marte em bronze, hoje no MNSR ) rumo à Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, com vários sítios romanos nas proximidades da ponte como Malha-Pão, Enxara, Lapagueira e Defesinha (ara votiva a Dea Sancta) (Carneiro, 2011); depois de cruzar o Xévora, a via inflecte para sul de encontro à mansio de Budua (?).

    Itinerário XIV de Degolados a Campo Maior
    Derivando da anterior no Monte do Marco Alto, provável referência a um miliário, a via inflectia para sudeste pela Malhada dos Covões e marginando a importante villa do Monte das Argamassas.
    Campo Maior (m.p. CIII; vicus e mutatio junto da Ermida de S. Pedro dos Pastores, onde aparecerem muitos vestígios romanos entre os quais dois miliários, um miliário a Domiciano (?), regravado, onde se lê «EMERITE», hoje no Museu Municipal, FE 114, e um miliário a Severo Alexandre, actualmente desaparecido onde se leria 53 milhas a Mérida; FE 115; no entanto, atendendo a que distância entre Campo Maior e Mérida não ultrapassa as 43 milhas, é muito provável que a transcrição que chegou até nós esteja errada omitindo o numeral «X» inicial que daria «XLIII» milhas e não as «LIII» milhas referidas. Admitindo este acerto, a marcação miliária ajusta-se ao terreno, com a mutatio de S. Pedro a 5 milhas de Ad Septem Aras em Ns. Da Graça dos Degolados e a 7 milhas de Butua localizada junto da travessia do rio Xévora, ou seja perfazendo as 12 m.p. indicadas no Itinerário de Antonino).

    Itinerário XIV de Campo Maior a Budua: Do vicus viário de Campo Maior a via dirigia-se para nascente rumo à mansio de Budua, seguindo talvez sob a estrada actual pelo Alto da Defesa de S. Pedro, Monte da Cabeça Gorda, Cancelinha, Monte do Bicho, junto da m.p. CVI, passando assim a norte da villa do Monte do Muro (barragem ainda bem preservada); continua junto do Monte do Xévora e próximo da villa do Monte do Castro (onde existem 2 aras anepígrafas no pátio do monte), cruza a fronteira num local assinalado por um marco fronteiriço, possivelmente reutilizando um antigo miliário dado que neste local a via vencia a milha CIX (Carneiro, 2011).

    BUDUA (m.p. CX)
    A mansio estaria localizada no sítio dos Casarões da Misericórdia onde existiam importantes vestígios de estruturas romanas, entretanto destruídas por trabalhos agrícolas; daqui continua para a travessia do rio Xévora no «Rincón de Gila», junto da sua confluência com o rio Zapatón, m.p. CXI, seguindo depois junto da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa na m.p. CXII, em direcção à mansio Plagiaria situada em La Novelda del Guadiana e perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino.

    PLAGIARIA (m.p. CXVIII; a mansio estaria no sítio romano de «El Pesquero» em La Novelda del Guadiana onde há o topónimo «calle de la Calzada»; daqui percorria 30 milhas até Mérida, seguindo por Valdelacalzada, Puebla de la Calzada, Torremayor e La Garrovilla)

    AUGUSTA EMERITA (Mérida, caput via)


    Mapa






    Derivações do Itinerário XIV
    O Itinerário XIV tinha diversas derivações rumo a outras pontos de cruzamento do rio Guadiana. A sua orientação preferencial é em geral no sentido NW-SE, procurando as linhas de festo entre ribeiras de modo a evitar a travessia de cursos de água. Esta rede secundária ainda mal conhecida tinha pelo menos dois grandes eixos:
  • Eixo 1 Ponte de Sor - Estremoz - Guadiana: derivando em Ponte de Sor seguia por Ervedal Cano, Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Mina do Bugalho rumo à travessia do Guadiana junto a Juromenha; uma variante desta via desviava em Estremoz e seguia por Bencatel, Alandroal e Rosário rumo à travessia do Guadiana na Azenha d'El-Rei.
  • Eixo 2 Alter do Chão - Vaiamonte - Juromenha/ Guadiana: seguia por Cabeço de Vide, Cabeço de Vaiamonte e a nordeste de Veiros rumo ao miliário do Monte da Torre do Curvo, depois cruza o Itinerário XII junto ao Monte de Alcobaça e continua por Terrugem, São Romão de Ciladas até Juromenha.
  • Eixo 3 Arronches - Terrugem - Juromenha/ Guadiana: esta com origem na mutatio do Itinerário XIV situada junto do Monte da Torre em Arronches e seguia para sul rumo ao Monte das Esquilas, nova mutatio onde apareceu uma ara dedicada ao deuses viais, continuando com a mesma direcção até ao Monte da Torre do Curvo, onde entronca na via que seguia para a travessia do Guadiana descrita no Eixo 3.

  • Eixo 1: Itinerário de Ponte de Sor ao Guadiana por Estremoz
    Inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila (vários materiais romanos reutilizados na construção da Capela de Ns. de Entre-Águas, em particular o epitáfio de Lobesa encastrado na parede, CIL II 165/ IRCP 459, e um possível miliário a servir de coluna que poderia indicar uma estação tipo mutatio; Ribeiro, 2006; ara aos Bande Saisabro no Monte do Castelo; FE 206), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), junto do Poço das Grandezas, Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (junto do povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP 437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da Capela da Defesa de Barros; em Maranhão, no sítio do Castelo, junto da villa de Bembelide, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, hoje no Museu de Avis, FE 206), continua por Vale da Telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano, continuando depois pela base do Povoado de S. Bartolomeu (com a importante villa da Torre do Álamo/Torre de Camões 2 km a poente) , continua pela villa de Sta. Vitória do Ameixial (possível mutatio a 6 milhas de Estremoz), seguindo depois a sul da EN245 pelo caminho que margina os montes das Freiras, da Estrada, da Folgada, do Carraço/Venda da Porca e o Monte da Cerca até tocar a linha férrea, contorna o outeiro de Estremoz pelo lado norte.
    • O miliário a Crispo, Licínio e Constantino II encontrado na necrópole de Silveirona , hoje no MNA (IRCP 673), poderá ter sido deslocado desta via, até porque o marco apareceu reutilizado numa necrópole de época tardia (finais do século IV), presumivelmente associada à villa do Monte da Coelha que lhe fica próximo; no entanto, segundo André Carneiro, este marco também poderia assinalar uma outra via proveniente de Estremoz seguindo o caminho que passa a sudeste do Monte das Freiras com longos troços de calçada rectilínea, passando por Silveirona e Monte da Coelha, a poente de St. Estevão (baixo-relevo e silhares na igreja), Monte da Cântara (do árabe "a ponte"), seguindo depois sempre recto entre as ribeiras dos Olivais e de Sousel até ao Monte da Albardeira, perto do qual deveria atravessar a ribeira de Sousel, seguindo depois por Fronteira até Alter do Chão (Carneiro, 2008).

    • De Estremoz ao Guadiana por Vila Viçosa
      A via continuava o seu percurso para sudeste passando por Borba (villa da Cerca; ara a Quangeius Turicaeco, FE 174), Vila Viçosa, seguindo depois junto do vicus marmorarius num local conhecido por «Vilares» que compreende os topónimos Ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e Fonte da Moura (aqui apareceu um altar votivo de Canidius, IRCP 375, hoje no Museu de Vila Viçosa). De Vila Viçosa, a via continuava próximo de S. Brás dos Matos pelos montes dos Boinhos, da Nave de Cima e de Baixo e do Azinhal, cruza a ribeira de Pardais junto da Mina do Bugalho e continua pelos montes de Lourenço Alcaide, da Ruivana, de St. Ildefonso e Serra do Carneiro rumo à travessia do rio Guadiana no porto de Mocissos. O percurso é marginado por vários locais com vestígios cerâmicos.

    • Variante de Estremoz ao Guadiana por Bencatel
      Esta via estaria associada à exploração de mármores da região cruzando a ribeira de Lucefécit junto do importante sítio romano do Outeiro dos Castelinhos que conserva ainda uma imponente estrutura tipo fortim no alto do outeiro e na sua base significativos vestígios de uma villa romana onde se recolheram elementos arquitectónicos de mármore e sigillata. Partindo de Estremoz, a via seguia para Bencatel, passando junto da pedreira romana da Vigária e do vicus da Gralhada, continuava por Alandroal, passando a poente da povoação por uma azinhaga que corta um sítio romano designado por Tapada de Vilares (Calado, 1993), continuando por Rosário rumo ao porto de Águas Frias onde cruza a ribeira de Lucefécit, passagem controlado pelo fortim romano do Outeiro dos Castelinhos na outra margem (com uma imponente estrutura tipo fortim no topo do outeiro e vestígios de uma villa na sua base). , e continua próximo da Ermida da Ns. das Neves pelo Monte da Ferreira, onde vencia a 1 milha desde a ribeira, contorna o Alto do Algarve Seco pelo lado norte, margina os montes do Escrivão (m.p. II), da Talaveira, de S. Miguel (m.p. III) e do Roncão Velho, rumo à Azenha d'El-Rei onde cruza o rio Guadiana, no ponto de confluência com da ribeira de Lucefécit desagua neste rio (m.p. V); ao longo do percurso sucedem-se os vestígios romanos com alguma cerâmica de construção que pela sua orientação NW-SE, poderia continuar por Cheles (m.p. VIII) rumo a Vilanueva del Fresno ou Alconchel, entroncando na via N-S de Badajoz a Arucci (?).

    Eixo 2 - Itinerário de Alter do Chão a Juromenha por Vaiamonte e Terrugem
    Partindo de Alter do Chão a via seguia para sudeste passando na base do importante povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há sinais de um acampamento militar romano. Até Maio de 2019, apresentamos aqui uma proposta de percurso praticamente unânime que fazia passar a via por Monforte e Monte das Esquilas com base na ara aos deuses viários descoberta por Mário Saa neste último local, tendo alguns autores considerado ser este o traçado do Itinerário XIV para Mérida o que levou à localização da mansio de Matusaro nesta estação viária do Monte das Esquilas (vide Carneiro, 2004, 2008 e 2011). No entanto, após uma análise mais cuidada do terreno, ponderamos a hipótese de a via não cruzar a ribeira grande junto da vila de Monforte (com uma ponte medieval, mas sem indícios romanos), mas sim mais a jusante, na base do fortim romano dos Beiçudos, seguindo não para as Esquilas, mas em direcção do miliário do Monte da Torre do Curvo, entroncando noutra via que seguia para a travessia do rio Guadiana em Juromenha. De facto a orientação que a via trás de Alter do Chão, passando na base do povoado indígena do Cabeço de Vaiamonte e a poente da villa da Torre de Palma segue em direcção aos Beiçudos e não a Monforte. A ser assim, cai por terra a proposta de situar a mansio de Matusaro no Monte das Esquilas com base no argumento da distância a Alter do Chão ser cerca de 24 milhas como é indicado no Itinerário para a etapa entre Abelterium e Matusaro (vide Encarnação, 1995; Mantas, 2010), proposta que na verdade nunca foi muito convincente porque obrigava a várias inflexões pouco lógicas do trajecto e tornava o percurso muito mais longo, tornando-o incompatível com as distâncias indicadas no Itinerário (act. 2019).

    Alter do Chão (seguia talvez sob a actual «Estrada de Pedroso» até ao povoado indígena de Alter Pedroso, continua pela rua da Carreira até ao marco geodésico do Penedo Gordo, onde inflecte para sul pela «Estrada de S. Domingos», com vários troços ainda em calçada que segue entre a villa da Qta. do Pião e a villa de S. Pedro, passando de seguida pela Horta da Fonte de Vide e junto do marco geodésico do Monte das Ferrarias)
    Cabeço de Vide (m.p. VII; ao chegar à vila pela azinhaga de S. Domingos, a via entronca na rua de Santo Mártir, cortando depois à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao balneário romano das Termas da Sulfúrea onde cruza a ribeira de Vide; na Igreja de Santa Maria, apareceu uma inscrição às Ninfas que terá vindo das termas e hoje desaparecida, CIL II 168; daqui a via cruza a linha férreas e segue o caminho designado por Mário Saa como a «Estrada dos Castelhanos», passando junto dos vestígios de uma possível mutatio em Monte dos Merouços e muito próximo da importante villa da Horta da Torre, cruzando a ribeira do Carrascal na base do povoado indígena do Castelo do Mau Vizinho)
    Vaiamonte (continua pelo Monte da Laranjeira e a sul do Monte da Caniceira com vários vestígios marginando o percurso, Monte dos Caliços, Monte do Gacho e a villa do Monte da Matança, continua por Monte Branco e Arribanas para cruzar a ribeira Grande na base do Fortim romano dos Beiçudos; a via passa a poente do importante Povoado Fortificado do Cabeço de Vaiamonte, com origem na Idade do Bronze e com fortes indícios de um assentamento militar romano, e da monumental villa da Torre de Palma, hoje visitável)
    São Saturnino (dos Beiçudos subia pela calçada das Pintas, com marcas de rodados ainda visíveis ao monte homónimo, continuando pelo Monte do Zambujeiro, Monte da Carreteira, Herdade da Velha e Quinta do Leão; a via passa cerca de 2 km a poente da arruinada Igreja de São Pedro de Almuro que reutiliza muitos materiais romanos)
    Veiros (necrópole na Igreja da Ns. dos Remédios, onde apareceu uma cupa funerária, FE 530; continua a nascente do «Castelo Velho de Veiros», povoado fortificado da Idade do Ferro, seguindo pelos montes da Guardaria, das Alagoas, das Farisoas, da Giralda, das Santinhas, do Casco)
    Santo Aleixo (cruza a ribeira do Almuro e segue pelo Monte de Magesse)
    Monte da Torre do Curvo (mutatio; miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo; CIL II 441 = IRCP 664; hoje está no acervo do extinto Museu de Elvas; daqui continua pelo Monte da Aldinha, cruza a Tira-Calças e segue pelo e Monte dos Pereiros)
    Monte de Alcobaça (cruza o Itinerário XII e segue pelo Alto do Alcaide, Monte da Atouguia e Monte do Montinho)
    Terrugem (povoado no outeiro de St. António; vicus no Monte da Nora, cerca de 2 km para nascente)
    São Romão de Ciladas
    Juromenha (travessia do rio Guadiana a jusante do forte, seguindo depois para Olivença num percurso que totaliza as 40 milhas desde Alter do Chão)
    • A origem de Juromenha poderá corresponder ao Povoado na Malhada das Mimosas, povoado situado a 3 km para jusante, junto da confluência da ribeira de Asseca no Guadiana, tendo ocupação do neolítico ao período romano, onde apareceu uma tabula patronatus em bronze, em que a família Stertinia se coloca sob a protecção do seu legado provincial L. Fulcinius Trio (IRCP 479); as inscrições votivas dedicadas a Júpiter e a Endovélico registadas em Juromenha podem também provir deste local. Este povoado poderia corresponder a Colarnum com base nas coordenadas indicadas por Ptolomeu (Geo, II, 4), mas dada a falta de confiabilidade nos dados do geógrafo não passa para já de uma mera hipótese.

    Eixo 3 - Itinerário de Arronches a Olivença por Juromenha
    Esta via perpendicular à orientação das vias para Mérida tinha origem na estação viário do Monte da Torre, possível mutatio do Itinerário XIV (3 km a SW de Arronches), seguindo para sudoeste rumo a Juromenha e Olivença, passando nas mutationes do Monte das Esquilas (m.p. VIII), Monte da Torre do Curvo (m.p. XIV) e Terrugem (m.p. XX). Partindo então do Monte da Torre, a via segue pela Qta. do Carrefe (topónimo viário), Monte dos Barrocais, Monte da Amendoeira, Monte de Mariares de Cima, cruza a ribeira de Algalé e continua a leste dos montes dos Reboleiros e da Boudaria poe uma grande recta que termina no Monte das Esquilas (num outeiro próximo Mário Saa descobriu uma ara consagrada aos Lares Viales possivelmente parte de um santuário junto da via); daqui continua pelo Monte da Fonte Branca (tégula), Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro até ao Monte da Torre do Frade, onde cruza a ribeira da Colónia até chegar ao Monte da Torre do Curvo, onde entronca no Eixo 2 seguindo depois um percurso comum até ao Guadiana. Torre do Curvo seria assim um ponto de confluência de vias que em conjunto com o miliário e o facto deste local distar 6 milhas tanto do Monte das Esquilas como de Terrugem apontam para a existência de uma estação viária tipo mutatio neste local.

      Diverticulum rumo a Vila Fernando: uma derivação desta via pouco depois do Monte das Esquilas, no Monte da Fonte Branca, seguia para sudeste pelo Monte de S. José, cruza a ribeira da Coutada a sudoeste de Barbacena (placa funerária de Atilia na Herdade de Fontalva, FE592) rumo ao sítio romano da Anta do Reguengo, possível mutatio , onde Abel Viana assinalou vestígios da via; daqui seguia para o Monte dos Campos/ de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala (IRCP 662), continuando depois a nascente de Vila Fernando pelo Monte Novo da Terra Vermelha e Monte do Passo até ao Monte da Alcarapinha, onde cruza o Itinerário XII. A via poderia teria continuidade para sul pelo montes da Atalaia, do Texugo e de Valbom até Vila Boim (?).

    VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX


    Mapa




    ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Monte da Pedra (Fraxinum?) - Mérida (EMERITA)
    Item alio itinere ab
    OLISIPONE EMERITAM

    IERABRIGA
    SCALLABIN
    TUBUCCI
    FRAXINUM
    MONTOBRIGA
    AD SEPTEM ARAS
    PLAGIARIA
    EMERITA

    m.p. CCXX
    m.p. XXX
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXX
    m.p. XIIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O percurso deste itinerário para Mérida continua envolto em dúvidas devido à problemática localização das suas estações intermédias. Na sua parte inicial o trajecto é comum ao Itinerário XVI entre Lisboa e Braga até Santarém onde cruzava o rio Tejo para Alpiarça tal como o Itinerário XIV rumo a Mérida. Em algum ponto deste percurso os dois itinerários divergiam para se reencontrarem na estação Ad Septem Aras muito provavelmente localizada próximo da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados, tendo como estações intermédias Tubucci, Fraxinum e Montobriga cujas localizações continuam inseguras. Segundo as distâncias indicadas no I.A., este percurso seria 10 milhas mais longo que a via principal para Mérida que seguia por Ponte de Sor e Alter do Chão pelo que este itinerário deveria descrever um arco a norte ou a sul da via principal. Ao longo dos últimos séculos, vários autores tentaram definir um traçado quer a norte quer a sul da via principal sugerindo diferentes localizações para as respectivas estações intermédias de forma a acertar a marcação miliária, sem no entanto chegarem a uma solução satisfatória. Nesta demanda é crucial determinar a localização de Tubucci, a primeira estação indicada no itinerário que é determinante para a elaboração do restante percurso; André de Resende situou-a em Benavente, Mário Saa em Alvega, Jorge de Alarcão no Vale do Sorraia e Vasco Mantas próximo do Tramagal. No entanto todas estas propostas carecem de provas irrefutáveis e implicam percursos mais ou menos inviáveis até Ad Septem Aras. Se na variante sul temos uma sucessão de travessia de rios importantes, na variante norte pelo Vale do Tejo teria de enfrentar os sucessivos afluentes e uma topografia de constante sobe-e-desce, totalmente em desacordo com a norma da viação romana. A hipotética localização de Tubucci próximo do Tramagal tem por base as importantes ruínas na Quinta do Carvalhal, junto da confluência da ribeira de Alcolobre no rio Tejo, e do respectivo miliário encontrado a pouco distância na povoação do Crucifixo. No entanto este marco poderá estar antes relacionado com a ligação desta travessia do rio Tejo aos eixos viários para Mérida que seguiam mais a sul pelo planalto. Do mesmo modo, o miliário encontrado no Monte Galego não integraria o Itinerário XV como antes se pensava, podendo antes assinalar a ligação da travessia do rio Tejo junto de Aritium ao eixo para Mérida. Estando descartada a passagem da via pela margem esquerda do Tejo, há que procurar um outro traçado em altitude que possa não só evitar esses obstáculos no terreno como acertar o percurso com a indicação miliária presente no I.A.; após um trabalho de levantamento topográfico das diversas soluções foi possível determinar um percurso alternativo para o Itinerário XV que apesar de não ser absolutamente seguro, constitui uma solução prometedora para as várias incógnitas que este itinerário ainda apresenta. A rota proposta implica uma nova localização da mansio de Tubucci que estaria junto do nó viário da Lagoa do Junco, ponto fulcral de toda a viação romana nesta região, onde o viandantes provenientes de Mérida escolhiam entre descer a Santarém rumo a Lisboa ou descer a Tancos rumo a Tomar, formando por isso o ponto de união do grande "T" deitado que constitui a espinha dorsal da viação em território nacional, suficientemente importante portanto para ali haver uma mansio como Tubucci (2018).

    Itinerário de Scallabis a Tubucci m.p. XXXII
    Como referido, o percurso inicial seria partilhado com o Itinerário XIV percorrendo a margem esquerda do rio Tejo até Alpiarça, seguindo depois o caminho pela linha de festo que passa no Alto da Perna Seca até ao nó viário de Tamazim, possível localização de Tubucci, a primeira mansio indicada no Itinerário XV.

    TUBUCCI m.p. XXXII
    Esta estação viária poderia situar-se junto do nó viário designado por Lagoa do Junco próximo de Tamazim, dado que este local está precisamente a 32 milhas a Santarém, ou seja está de acordo a distância indicada no Itinerário XV para esta estação viária. Por outro lado, deste local partiam outras vias importantes como a ligação a Tomar por Tancos e a ligação à travessia do Tejo em Tramagal, reforçando a sua importância como nó viário e justificando assim a existência de uma mansio; esta área de planalto conhecida por «Mestas» e «encruzilhada das Mestas» é referida por vários autores do século XVI como André de Resende, Francisco d'Holanda e Claude Bronseval, sendo local de passagem obrigatória para quem vinha de Mérida; admite-se assim que esta estação viária era comum aos dois itinerários XIV e XV para Mérida. A partir daqui os dois percursos divergiam, seguindo o Itinerário XIV para Alter do Chão, seguramente a principal via para Mérida por Alter do Chão, enquanto o Itinerário XV seguia hipoteticamente rumo ao Monte da Pedra passando por Bemposta.

    Itinerário de Tubucci a Fraxinum m.p. XXXII
    A via segue por Valeira rumo a Bemposta, continua depois junto do topónimo viário Vale da Venda pela linha de festo que passa a sul de São Facundo por Fonte do Santo e Alto de Colos, continua a norte doutro topónimo viário, Vale da Mua, por Alto dos Poços e Cruz das Cabeças (na m.p. XLV?), delimitando a partir daqui os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor pelos altos de Vale d'Água e da Pernelha, e depois entre os concelhos de Abrantes e Gavião atingindo o Alto dos Carris Brancos, nó viário de partia uma ligação a Aritium junto do rio Tejo; depois de cruzar a EN244 segue por Lamerancha e alturas de Vale da Vinha, cruza a ribeira de Margem junto do Monte da Machouqueira, seguindo depois por Polvorosas onde cruza a ribeira da Salgueira, continuando até Vale da Feiteira por via ainda preservada.
    Vale Feiteira (m.p. LXIII; segundo Mário Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» para cruzar a ribeira de Sor em Porto do Manejo, na linha divisória entre os concelhos de Gavião e Crato)

    FRAXINUM m.p. LXIV
    Esta estação viária poderia situar-se no Monte da Pedra dado que esta povoação está a cerca de 32 milhas do nó viário das Mestas, presumível localização de Tubucci e a 44 milhas de Ns. da Graça dos Degolados, presumível localização de Ad Septem Aras, e portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A. A existência de uma mansio neste local estará relacionada com a travessia da ribeira de Sor em Porto do Manejo, onde Mário Saa assinala uma «estalagem» e «vestígios de via e de uma ponte» que terá sido destruída no século XX.
    • Ligação do Monte da Pedra a Ammaia por Alpalhão, derivando no Alto do Aguilhão, cruzava a ribeira de Vale de Magre e seguia pelo caminho na linha de festo que divide os concelhos do Crato e Nisa passando a norte do Monte da Granja, continuando depois junto do vicus do Monte de Biscaia, Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo (a sudeste de Gáfete) e Alto da Mala rumo ao chamado «Castelo Velho», onde fazia a travessia da ribeira de Sor (junto da Capela da Sra. da Redonda) e daqui a Alpalhão (nó viário no vicus de Fraguil?), continuando por Castelo de Vide rumo a Ammaia.

    Itinerário de Fraxinum a Montobriga por Vale do Peso m.p. XXX
    Monte da Pedra (m.p. LXIV; Fraxinum; da ribeira de Sor a via continua por Sorinho, continua entre o Alto do Monte da Pedra e as Termas da Fadagosa até ao Alto do Aguilhão, onde Saa achou «fragmento de coluna, com alguns caracteres imperceptíveis», provável miliário, seguindo depois rumo a Vale do Peso pelo chamado «Caminho do Aguilhão» por Vale de Magro e Alto da Safra do Rebolo e daqui pelo «Caminho da Decaleira» que passa no monte homónimo onde vencia a m.p. LXIX)
    Vale do Peso (m.p. LXX; provável mutatio na Ermida de Sta. Eulália; daqui segue o caminho que passa no Monte de Setil e a sul do Monte Cem Dias, continua junto da villa do Monte das Braguinas, onde existe um capitel, colunas, silhares e uma estela funerária, IRCP 635, continua pelo Monte do Couto dos Algarves onde cruza a ribeira da Espadaneira, margina a villa de Mosteiros e segue por Couto dos Guerreiros até Veladas)
    Fortios (m.p. LXXVIII; possível mutatio situada a meia distância entre Fraxinum e Montobriga, cerca de 15 milhas, localizada no sítio romano do Monte das Veladas, possivelmente no cruzamento com a via Ammaia a Ebora; 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP 633, e na arruinada igreja de S. Domingos, o epitáfio de Urso, FE 132)
    Portalegre (continua a poente de Fortios e Portalegre por Lagar Velho, Frangoneiro, Coutada das Freiras, Alto do Casqueiro e Qta. da Misericórdia, onde cruza a ribeira da Lixosa e o IP2 junto da Praça de Touros e segue pela Herdade dos Fajardos, Monte Abrunheira do Conde e do Monte da Abrunheira pelo Alto do Carvalhal)
    Urra (continua por Fadagosa e Azinhal rumo à travessia do rio Caia, presumível localização de estação Montobriga)
    • Variante de Fraxinum a Montobriga por Crato: também é possível que o Itinerário XV seguisse uma outra via romana que derivando no Monte da Pedra seguia pelo Crato rumo a Assumar pela «Estrada do Alicerce», conforme sugeriu Mário Saa e André Carneiro, obrigando a situar Montobriga em Assumar; independentemente de ser este o verdadeiro traçado do Itinerário XV, não há dúvida que este percurso já existia em época romana; derivando no Monte da Pedra, esta via rumava a sudeste passando próximo da villa em Fonte Santa e da necrópole da Herdade da Lage do Ouro, seguindo pelo «Caminho do Chamiço» que cruza a linha férrea e passa no geodésico homónimo, inflectindo depois para sudeste pelo Alto da Pedra do Rato, onde cruza a EM1022 que liga Vale do Peso a Aldeia da Mata, continua sempre cruzando a ribeira do Rôdo e a ribeira dos Canais, seguindo na direcção de Flor da Rosa, seguindo depois para o Crato; daqui descia à Ponte Romana-Medieval sobre a ribeira do Chocanol (reutiliza materiais romanos de uma ponte anterior), situada na base do Monte do Chocanol, presumível localização do vicus Camaloc(...) com base numa ara a Júpiter encontrada no caminho de acesso ao povoado colocada pelos Vicani Camalo[cani?, censis?]), continuando para a travessia da ribeira da seda por uma ponte reconstruída no século XVII eventualmente sobre fundações romanas, cruza a linha férrea e segue próximo da importante villa da Ganja e da respectiva necrópole 350m adiante, continuando para sudeste pela chamada «Estrada dos Louceiros» que segue paralela à linha férrea por Qta. de Marrocos, Alto da Abodaneira e Monte do Aguilhão até ao Alto de Chancelaria, importante nó viário onde entronca na «Calçada do Alicerce» e na via de Lisboa a Mérida.

    MONTOBRIGA m.p. XCIV
    A estação viária poderia situar-se pouco depois da travessia do rio Caia junto do sítio romano da Herdade da Falagueirinha, m.p. XCI, talvez adiante do Monte da Venda, dado que este local está a cerca de 30 milhas de Monte da Pedra e a cerca de 14 milhas de Degolados, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; a via continua a nordeste de Arronches por Nave do Grou, cruza a ribeira de Arronches talvez a sul de Mosteiros e continua junto da villa do Monte da Capela, Monte do Rebolo, villa do Monte de Martim Tavares, m.p. XCVIII, Monte da Figueira de Cima, Monte do Baloco e Sequeirinha, reunindo depois com a via principal para Mérida adiante do Monte da Calaça, local situado a 4 milhas de Degolados (2017).

    AD SEPTEM ARAS m.p. CVIII
    Esta mansio comum aos Itinerários XIV e XV situa-se nas proximidades da aldeia de Ns. da Graça dos Degolados conforme é justificado na descrição do Itinerário XIV; a partir daqui o I.A. indica uma distância de 20 milhas até Plagiaria o que está de acordo com o Itinerário XIV que indica 12 milhas a Budua e mais 8 milhas até Plagiaria perfazendo portanto também 20 milhas indicadas no Itinerário XV; desta forma os dois itinerários teriam um trajecto comum até Mérida; ver detalhes sobre este percurso na descrição do Itinerário XIV.

    PLAGIARIA (Novelda del Guadiana; mansio a 30 milhas de Emerita, situada no sítio romano «El Pesquero»)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida; caput via)


    ITER XXI - Item de BAESURIS PACE IULIA m.p. CCLXVII


    Mapa


    ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    Item de BAESURIS
    PACE IULIA

    BALSA
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. CCLXVII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. LX
    m.p. XXXV
    m.p. XLIIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    O Itinerário XXI percorre o território actualmente designado por Algarve e Alentejo, indicando as principais mansiones ao longo de um percurso com origem na foz do rio Guadiana e término em Pax Iulia, capital regional e sede de um dos três conventus da Lusitânia. Não se trata de apresentar a via mais directa entre dois caput viae como é habitual nos outros itinerários, mas de apresentar um percurso que vai «tocando» nos principais focos de desenvolvimento do conventus Pacensis, nomeadamente os grandes portos e oppida da região. Dessa forma a linha traçada pelo seu percurso é tudo menos recta, antes descrevendo uma longa espiral que termina na sua cidade capital, Pax Iulia. Os topónimos são em geral claramente pré-romanos pelo que com toda a probabilidade estas estações viárias assentam em geral sobre povoados da Idade do Ferro ou mesmo de tempos mais recuados. Aliás, a rede viária romana certamente que assenta sobre uma rede anterior pré-romana que servia os corredores comerciais anteriores à romanização. Da presumível origem fenícia de Baesuris, Balsa e Ossonoba, associadas ao comércio Mediterrânico, aos nomes de origem céltica à medida que o Itinerário abandona a costa Algarvia e ruma a norte, como Arannis, Ebora e Arucci, indiciam que estes povoados não seriam fundação romana. As restantes foram renomeadas, com Imperatoria Salacia a substituir a designação Beuipo do importante povoado da Idade do Ferro (Faria, 2002), o termo Fines a sugerir uma situação fronteira do território do conventus (Sillières, 1990:445) e claro a respectiva capital localiza em Pax Iulia, a actual Beja da qual desconhecemos o topónimo pré-romano. Deste modo a identificação destes locais deve sempre associar-se a povoados anteriores à romanização. O Itinerário XXI agrupa portanto um vasto conjunto de vias independentes, formando um arco que interliga os centros de povoamento da região. Por sua vez o Itinerário XXIII de Antonino intitulado «Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque», partindo também da Foz do Guadiana rumava a Mérida capital da província no sentido S-N passando em Italica, cidade romana a norte de Sevilha. O primeiro troço corresponde à via romana entre a foz do rio Guadiana e Faro seguindo paralela à costa Algarvia; entre elas existia apenas uma mansio localizada na importante cidade de Balsa (Mantas, 2003), ocupando hoje os terrenos da Qta. de Torre de Aires em Luz de Tavira; esta seria a principal via do Algarve à qual pertence o único miliário conhecido da região, encontrado em Bias do Sul (Olhão), marcando X milhas Faro; a partir de Ossonoba, o itinerário inflecte para norte rumo a Arannis cuja localização tem oscilado entre a aldeia de Sta. Bárbara de Padrões no concelho de Castro Verde (Maia, 2000; Maia, 2006; Bernardes, 2006) e a Vila do Garvão no concelho de Ourique (Ponte, 2010 e 2012). Embora estes povoados apresentem fortes evidências de romanização nenhum deles se localiza a 60 milhas de Faro seja qual for o caminho escolhido pela Serra Algarvia. A essa distância temos antes o chamado «Castro da Cola», importante povoado durante a Idade do Ferro sobranceiro ao local de travessia do principal rio da região, o rio Mira, distando este ponto precisamente 60 milhas de Faro; a partir daqui o Itinerário seguia para Salacia (Alcácer do Sal) indicando para este troço apenas 35 milhas, distância manifestamente insuficiente para cumprir o percurso entre o Castro da Cola e Alcácer pelo que muito provavelmente o Itinerário omite uma estação intermédia que estaria a 35 milhas de Salacia, distância essa que coloca a mansio em Alvalade, importante nó viário de onde partiam vias também para Mirobriga (Santiago do Cacém), Pax Iulia (Beja) e Ebora (Évora). Hipoteticamente aqui poderia situar-se o povoado de Sarapia referido por Plínio e ainda não identificado. A partir de Alcácer do Sal o itinerário seguia por 44 milhas até Ebora, via romana já referida Itinerário XII entre Lisboa e Mérida com a indicação da mesma distância. A partir de Évora o Itinerário segue aparentemente rumo a Serpa, mas novamente a distância indicada é muito menor ao medido no terreno pelo que mais uma vez teremos de admitir a existência de uma estação intermédia a 13 milhas de Serpa, o que coloca esta estação junto à actual povoação de Pedrogão, local onde na época se fazia a importante travessia do rio Guadiana, justificando assim a existência de uma mutatio ou mesmo mansio. Por sua vez a distância a Évora é de 40 milhas, valor típico de uma jornada. A partir de Serpa o Itinerário dirige-se para nascente e percorre XX milhas até à próxima estação designada por Fines certamente indicando o limite territorial de conventus Pacensis, mas a localização deste povoado continua por desvendar. Também a localização da estação seguinte designada por Arucci continua por desvendar, sendo que a respectiva mansio teria de estar, segundo o Itinerário, a 25 milhas de Fines e a 30 milhas de Pax Iulia (actualizado em 2018).

    O Itinerário foi dividido nos seguintes troços:


    Mapa






    ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL

    BAESURIS
    BALSA
    OSSONOBA

    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuris, situada na foz do Rio Guadiana, a Ossonoba que corresponde ao centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia hoje definitivamente localizada na praia de Luz de Tavira, na área da Quinta de Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha contada a partir da Faro, a capital regional em época romana, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio; tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

    Foz do Guadiana (BAESURIS) (estação tradicionalmente associado a Castro Marim que seria uma ilha ou península com acesso terrestre pelo lado noroeste; o porto ou embarcadouro estaria na sua base, no sítio do Enterreiro, onde se acharam diversos vestígios associados à actividade portuária; Pereira et al., 2015; no entanto também é possível que Baesuris estivesse na outra margem, eventualmente na área da actual Ilha da Canela)

    De BAESURIS a BALSA m.p. XXIV
    Partindo de Castro de Marim, a via poderia seguir a rota da EN125-6 por Horta de D. Maria, Ponte Esteveira, Sobral de Cima, desviando um pouco antes de S. Bartolomeu, ao Km 2, pelo caminho de terra que se dirige para a ponte ferroviária sobre o rio Seco em Vale de Boto (marginando os sítios romanos de Fornalha e Sobral de Baixo, onde apareceu uma inscrição funerária de Euprepes), continuando depois paralela à linha férrea por Alcaria, Portela, onde atravessa a ribeira do Álamo, cruza a linha férrea e segue a EM1250 para Cruz do Morto, Bornacha, EN125, Buraco, EM1242 e Torrão (villa com produção de ânforas na Praia da Manta Rota), continua por Cacela Velha (povoado romano, talvez um vicus abrangendo o forte, a igreja e ainda parte da Quinta do Muro), continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Qta. de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a EN125 e a linha férrea, seguindo paralela à EN125 até se fundir com esta em Conceição (vestígios de uma provável mutatio junto da EN125 no sítio da Calçadinha, significativo topónimo viário), desviando depois pelo caminho que leva à Ponte Medieval de Almargem, continuando pelo caminho carreteiro por Mato Santo Espírito, Morgado, volta a cruzar EN125 e segue pela rua Casa de Pau e junto da Ermida de S. Brás, descendo depois pelo até Jardim da Alagoa até ao local da travessia do rio Séqua/Gilão a vau, defronte da Estação Rodoviária (130m a montante da ponte actual, erradamente apelidada de "Romana" sem qualquer fundamento; Fraga da Silva, 2005) entretanto de seguida em Tavira (povoado romano no Cerro do Cavaco, dominando esta travessia); na outra margem subia por Bela Fria ao Alto do Cano, continuando depois pelo «Caminho do Concelho», estradão de terra que passa junto das Quintas de St. António de S. Pedro rumo a Pedras d'El Rei, havendo referência a um troço calcetado já próximo do aldeamento turístico (onde existia uma villa cujo espólio está hoje no Museu de Moncarapacho) (Rodrigues, 2004; Fraga da Silva, 2005).

    Torre de Aires (BALSA)(a área urbana da cidade romana situa-se a sul de Luz de Tavira, abrangendo a Qta. das Antas e a Qta. de Torre de Aires; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto até ao centro urbano)

    De BALSA a OSSONOBA m.p. XVI
    A via continuava a norte da colina do Pinheiro rumo ao santuário da Fonte Santa em Livramento, onde conflui com a EN125, seguindo sob esta por Arroteia e Alfandanga/Murteira rumo a Bias do Norte (duas inscrições tumulares provenientes da Fuzeta, estão hoje no Museu de Moncarapacho), continua por Bias do Sul, onde apareceu o único miliário conhecido do Algarve, indicando a X milhas a Faro (IRCP 660) e que serviria também como marco territorial, assinalando a fronteira entre as duas civitates (foi descoberto no sítio da Canada do Sul, junto da foz da ribeira de Bias e hoje está no Museu de Olhão); a via continuava algures por Quatrim e Marim, marginando pelo norte villa da Qta. do Marim (onde apareceram 17 inscrições funerárias e vestígios de um complexo industrial para produção de garum), uma das possíveis localizações da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena (Graen, 2007); continua a norte de Olhão e villa de Torrejão Velho (existiam cetárias no actual Porto de Pesca), desviando da EN125 pelo Alto de Piares, Casinha da Gala, João de Ourém, cruza a ribeira de Bela-Mandil em Contenda e segue pelo Alto de Joinal, Vale de El-Rei e Areal Gordo, onde atravessava o rio Seco, a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta, continua pela Ermida de S. Cristóvão (assinalando o local onde a via bifurcava rumo a Estoi e S. Brás, com vestígios de uma villa em Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha, e uma necrópole em Rio Seco), entrando em Faro pela Estrada de S. Luís (Rodrigues, 2004; Fraga da Silva, 2005; Bernardes, 2011).

    Faro (OSSONOBA) (cidade romana ocupando a área de Vila-Adentro; a entrava no actual o centro urbano pela Ermida de S. Luís, continuando depois pela zona do Mercado Municipal rumo à Capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole da antiga cidade que ocupava a área entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, seguindo depois pela rua do Bocage para entrar na antiga cidade pela Porta do Repouso até atingir o forum no Largo da Sé; Bernardes, 2011)


    Mapa





    ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - Castro da Cola (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA) m.p. CXXV
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA

    m.p. LX
    m.p. XXXV
    A partir de Ossonoba o Itinerário XXI seguia por Almansil, Loulé, Querença e Salir, transpondo depois a Serra de Mú até ao Castro da Cola, onde se deverá localizar a mansio de Arannis, onde cruzava o rio Mira. Seguia depois por Garvão, povoado romanizado onde deveria existir uma mutatio por um caminho referido na Carta de Doação de uma herdade no termo do extinto concelho de Marachique no ano de 1260 como «Semedarium qui venit de Garvam et vadit al Algarbium» (Carvalho, 2009; Feio, 2009; Ponte, 2012).


    Faro (OSSONOBA) (partindo do forum no Largo da Sé, saía do núcleo urbano pela Porta da Vila, atravessava a necrópole de Lethes e seguia pela antiga rua da Carreira, hoje rua Conselheiro Bivar e rua Infante Dom Henrique, ou pelas paralelas, rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto, passando junto da necrópole do Largo S. Sebastião e da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, continuando talvez paralela à EN125 por Patacão e Vale da Venda)
    São João da Venda (m.p. V; centro de produção de ânforas, possível mutatio?; cruza o IC4 e continua pela rua João do Alto até confluir na EN125, passando depois junto da Igreja de S. Lourenço, relacionada talvez com a m.p. VII)
    Almansil (m.p. VIII; nó viário; mutatio?; o topónimo árabe «manzil» pode derivar de mansio que aqui poderia existir; ver ramal de acesso a Vilamoura e continuação pela via litoral rumo a Portimão; depois de cruzar a EN125 e a linha férrea, continua pelo Caminho de Boniches em Vale de Éguas, corta à esquerda pelo vale do Cerro do Môcho até Poço da Amoreira, continua por Quartos, possível topónimo viário, Estrada do Poço de Pau, continuando a poente do Cerro de Sta. Catarina e depois pelo caminho do Torrejão Velho pela margem esquerda da ribeira do Cadoiço que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Álamos (recentemente reabilitada, próximo do sítio romano da Fazenda do Cotovio; depois da ponte, continua pela rua São João de Brito até à cidade velha)
    Loulé (m.p. XIII; estranhamente sem vestígios romanos para além de uma ara votiva a Diana de proveniência duvidosa que apareceu na torre da Igreja Matriz de S. Clemente, CIL II 5136, e hoje no MNA)
    Querença (m.p. XVIII; nó viário; a via continua a poente da povoação pela Azinhaga da Portela até à Nora de Pombal, onde toma o caminho de terra que cruza a rua da Eira junto do Monte dos Avós, continua pelo «Caminho do Borno», cruza a ribeira da Chapa e segue pela Portela de Vale de Alcaide para cruzar as Ribeiras da Salgada e do Sêco, continuando próximo do povoado de Palmeiros por Fonte Morena, Fonte do Ouro, CM 1102, junto do cemitério)
    Salir (mutatio? a XXIV milhas de Ossonoba; necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS no Museu de Loulé)

    De Salir a Castro da Cola (ARANNIS) pela Serra de Mú m.p. XXXVI
    A partir de Salir a via iniciava a difícil transposição da Serra de Mú, ascendendo ao Serro do Malhão por Alcaria do João e Pé do Coelho, continua pelo Alto da Cumeada e Moita Redonda de Cima, nascentes da ribeira de Vascanito, Alto do Guincho, Alto dos Três Moimentos, conflui na CM1148 pelo Alto de Mú e no Alto de Feiteira segue à esquerda pelo Monte Novo da Estrada, Portela da Cruz junto a Brunheira, Portela das Moreias, Alto do Carvalhete, Monte Novo das Eirinhas, Vale do Ninho, Alturas do Semino, Alto dos Carriços, Corte das Cruzes, Monte das Cruzes, Alto da Boavista, Portela do Brejinho, Corte da Azinheira, Monte da Estrada, cruza a A2 e segue por Casa Nova do Estaço, Moinho da Alcaria Alta, Monte das Figueiras, Monte do Pego, passando a poente da villa do Monte da Hortinha da Abóbada situada junto do rio Mira, cruza o IC1 em Lajes e continua por Portela do Lobo, Monte Novo da Estrada, Portela da Carreira e Alto do Azinhal.

    Castro da Cola (ARANNIS) (m.p. LX; mansio e civitas no povoado adjacente à travessia do rio Mira e sede do extinto concelho de Marachique; esta fortificação com origem na Idade do Ferro apresenta fortes sinais de romanização justificando a existência de uma statione neste ponto estratégico da rede viária entre o Algarve e o Alentejo. André de Resende transcreve uma inscrição proveniente daqui mencionando um tribuno da Legião X Gémina; inscrição depois de cruzar o rio, segue por Queimado do Telhado, Serro do Seixo, Monte da Bicada, Monte do Castelejo, Monte das Sismarias, Fonte da Corcha, cruza a EM1130 no Monte do Saraiva, e continua por Monte da Estrada, Monte Novo da Estrada, Monte da Corcha, onde apareceu a estela funerária de Boutia, seguindo daqui rumo a Garvão pelo caminho entre as ribeiras da Morgada e dos Cachorros que margina os fundi das villae de Zuzarte e da Herdade dos Franciscos, onde apareceu um busto em mármore e uma invulgar estela funerária de um emigrante Bracarus, oriundo do Castellum Durbede, hoje depositada no Museu do Garvão.

    Garvão (mutatio a XI milhas de Arannis, junto do povoado da Idade do Ferro romanizado no Cerro do Castelo, sobranceiro à local de travessia da ribeira de Garvão que seria junto da Capela de S. Sebastião, seguindo depois pelo Monte Novo da Piedade, Alto de Reipires, Monte da Crimeia Velha, onde apareceu o epitáfio de Licinius Fuscus, Montes de Corte Preta e Corte Branca, a nascente da aldeia de Santa Luzia, cruza a EN263 e segue pelo Monte de Vale de Alconde e Quintas, onde cruza a linha divisória entre os concelhos de Ourique e Odemira, continuando por um caminho actualmente destruído entre o Monte do Carvalhal e o Monte do Brejo (topónimo viário), seguindo depois por Alto dos Peneireiros cruza o CM1079 e entra no CM1079-1 pelo Alto das Fornalhas, servindo este troço novamente de divisão concelhia, passando pelo Alto do Carvalhal, Alto da Corredoura e Alto do Pombal até Alvalade; ao longo deste trajecto sucedem-se os vestígios de povoamento romano, em particular villae nas proximidades do rio Sado: uma estela funerária junto da estação CF de Montenegro, o epitáfio de Letondo no lugar de Courela, a villa de Torre Vã, o vicus? da Horta de S. Romão e a importante villa da Herdade da Defesa)

    Alvalade (mutatio a XXX milhas de Arannis; o topónimo Alvalade deriva do árabe «Alvaladi», «o caminho»; este importante nó viário teria um vicus ocupando aa área do cemitério e está associado à travessia do rio Sado em «Porto Beja»/«Porto Ferreira», nomeadamente da via E-O de Santiago do Cacém a Beja e Mértola e a via SO-NE que derivava deste Itinerário XXI rumo a Évora por Torrão e Alcáçovas; notícia de duas «pedras cilíndricas com letras», possíveis miliários, uma na «Várzea de Alvalade» e outra na Herdade da Defesa; Feio, 2009)

    De Alvalade a Alcácer do Sal (SALACIA) pelas Minas do Lousal m.p. XXXV
    A partir de Alvalade o Itinerário XXI seguia directo a Salacia percorrendo um total de XXXV milhas. A rota romana poderá coincidir com a antiga «Estrada Real» que passava junto da importante exploração mineira do Lousal, caminho, caminho descrito no «Roteiro Terrestre» do MPAM) passando pelas albergarias de «Bairros», «Nisa» e «Val de Guizio» rumo a Alcácer do Sal. Partindo da Igreja da Misericórdia em Alvalade (onde foi colocado o enorme peso de lagar proveniente da villa do Monte da Defesa), a via seguia pela actual rua de Lisboa rumo à Ponte Medieval sobre da Ribeira de Campilhas (antiga ponte reconstruída no século XVI com possível origem romana), continuando depois paralela à linha férrea pelo Monte da Ameira, Monte Branco (necrópole) e Monte da Mal Assentada até à aldeia de Ermidas-Sado que contorna pelo lado poente rumo a Faleiros, cruza a ribeira de Corona e continua pelo interior das Minas do Lousal para cruzar a ribeira de Lousal junto do chamado «Castelo Velho de Lousal» (provável fortificação romana controlando esta passagem da ribeira junto da ponte da actual da linha férrea; aqui seria a estalagem de «Bairros»), continuando depois pelo Monte da Rocha, Alto do Cabeço do Seixo, Alto da Encruzilhada (cruza a EN259) rumo à travessia da ribeira de Grândola junto do Monte de Anisa (antiga albergaria de «Nisa»; vestígios romanos de uma possível mutatio), continua pelo Alto do Brejo Redondo, Alto da Fresta, Lagoa Salgada, servindo aqui de divisória concelhia, Vale Ceisseiro e Vale de Guiso, cruza a ribeira do Arcão, seguindo por Arapouca (forno) rumo a Alcácer. A distância entre Alvalade e Alcácer por este caminho é de cerca de 35 milhas conforme indicado no Itinerário XXI.

    Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum, sede de civitas, mansio e portus)


    ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) m.p. XLIV
    SALACIA
    EBORA

    m.p. XLIIII
    O troço seguinte entre Salacia e Ebora numa distância de 44 milhas corresponde à via romana de Alcácer do Sal a Évora descrita no âmbito do Itinerário XII de Lisboa a Mérida.


    Mapa











    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) m.p. LV
    EBORA
    Pedrogão?
    SERPA>

    m.p. XL
    m.p. XIII
    A seguir a Évora o Itinerário XXI indica a estação de Serpa situada na actual cidade de Serpa, no entanto para este percurso o Itinerário indica apenas 13 milhas (cerca de 20,9 km), distância insuficiente para cobrir este trajecto pelo que mais uma vez teremos de admitir a omissão de uma estação intermédia localizada portanto a 13 milhas de Serpa, o que colocaria esta estação junto à actual povoação de Pedrogão, onde poderia existir uma mutatio dado que aqui se fazia a travessia do rio Guadiana; deste modo o itinerário indicaria a distância de Pedrogão a Serpa, ou dito de outro modo, a distância de Serpa à importante travessia do rio Guadiana no chamado «Porto da Orada» (actualizado em 2018). Em traços gerais a via partia de Évora rumo à travessia do rio Xarrama na «Ponte Antiga» junto do Monte da Chaminé. Gabriel Pereira menciona um troço calcetado logo à saída de Évora, na Horta do Bispo (Pereira: 1948, 296-335) seguindo em direcção à ponte que apesar de ser uma construção medieval já seria o local de passagem do Xarrama no período romano. Daqui a via dirigia-se ao Monte da Sitima e a S. Marcos da Abóbada, atendendo a que em ambos aparecerem fragmentados de possíveis miliários. A via continuava pelos limites do concelho de Portel atendendo à referência à via que venit de Elbora pro ad Serpam na demarcação do termo de Portel em 1258, seguindo pela Herdade do «Garduxo», «S. Bento de Pomares» e «portel conelia», o local de cruzamento da «serra da Fasquia» talvez entre Mendro e Bilharins (Bilou, 2000: 159). Este caminho percorre a linha de festo que separa as bacias do Sado e do Guadiana, permitindo um percurso praticamente «a seco» rumo a Pedrogão. Todavia existem ainda muitas incertezas no traçado da via, levando a equacionar duas alternativas, uma seguindo por Vera Cruz de Marmelar e outra seguindo por Oriola e Vidigueira (vide Carta Arqueológica do Concelho de Évora; Saa, 1958, 62-64; Bilou, 2000, 2000a, 2005:69-70; Carneiro, 2009, 104; Feio, 2010)

    Évora (saída da cidade pela calçada pela Horta do Bispo, Bairro de Ns. do Carmo e Monte da Barbarrala Nova, mas o caminho foi possivelmente destruído pela construção da zona industrial e da ETAR)
    Ponte Antiga do Xarrama (m.p. III; possível origem romana para esta ponte de feição medieval com 22 m, 3 arcos; calçada debaixo do actual caminho que segue a poente do Monte da Chaminé pelos altos da Vigia e da Barroqueira)
    Zambujal do Conde (m.p. VII; passa a nascente do monte)
    Sitima (m.p. VIII; provável miliário e mais 3 fragmentos junto do monte; inflecte para leste, cruza a ribeira de Souséis e continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; aqui existem mais 4 fragmentos de miliários anepígrafos junto do marco geodésico do Marco referentes à milha X)
    S. Marcos da Abóbada (m.p. XI; a via cruza o monte e segue a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando junto da importante villa romana da Abóbada situada a 12 milhas de Évora; seria uma mutatio?; a via cruzaria depois a Herdade da Torre do Lobo, cerca de 3km a nascente da sua torre medieval, junto da qual foram identificados dois possíveis miliários e mais 2 possíveis fragmentos junto ao casario; continua pelo Alto do Seixo, entre Monte dos Frades e Monte da Carrapateira)
    Torre de Coelheiro (a via continua a sudoeste da actual povoação, pelo Outeiro do Salto/Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos, na milha XV, onde há vestígios de tégula e um topónimo viário «Poço da Estalagem» que remete para uma possível mutatio; continua por Feijoas de Cima e Herdade do Garducho, onde cruza a ribeira da Passada, outro topónimo viário; continua junto do marco geodésico do Alto da Eira dos Pomares)
    • Término Augustal de Oriola: no século XVI, André de Resende refere uma inscrição assinalando a divisão entre os territórios Eborense e Pacense «junto do arruinado ópido de Aureola» (Resende, 1593: 158), cujos vestígios ainda são visíveis a 1,5 km a sul da actual povoação de Oriola, numa área hoje ocupada pela Igreja de Ns. da Assunção de Bonalbergue ou Benalverge (Feio, 2010). A passagem de uma via junto deste marco territorial é plausível, no entanto, o percurso para Serpa passando por Portel e Vera Cruz rumo à travessia do rio Guadiana em Pedrogão é mais directo, apesar das dúvidas que ainda permanecem neste traçado.

    Portel (seguia talvez próximo topónimos Atalaia e Alto do Outeirão, onde há um povoado da Idade do Ferro romanizado designado por «Outeirão da Murada», continuando por Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque até Portel na milha XXVI)
    Vera Cruz (m.p. XXXII; vicus?; a igreja assenta num mosteiro visigótico; a via passaria talvez a poente da povoação)
    Marmelar (m.p. XXXVII; necrópole; villa? vicus?; continua talvez próximo da necrópole da Herdade da Casa Branca, onde apareceu a inscrição sepulcral de Misinius Phanstianus; CIL II 9 = IRCP 432)
    Pedrogão (m.p. XLI; possível mutatio associada à villa da Horta do Cano; cupa funerária no Monte das Fontes)
    Travessia do rio Guadiana (m.p. XLII; no chamado «Porto da Orada», onde há vestígios de um pequeno edifício romano num local conhecido por Galeados; ascende pelo Monte dos Galeados e da Mina das Azenhas até confluir na estrada actual, EN265, junto do Monte da Várzea)
    Brinches (m.p. XLVIII; continua junto da villa do Monte da Salsa, sítio hoje destruído, onde apareceram 3 epígrafes, a cupa funerária com o epitáfio de Valeria Amma, a estela funerária de Valerianus e uma estátua de Esculápio; de seguida cruza a ribeira de Enxoé em Casa Branca e continua pelo Monte da Torre do Lóbio, Monte Capicua, Monte do Manuel Azevedo, Monte da Cerejoa e Horta do Folgão, entrando em Serpa pela rua Serpa Pinto)
    Serpa (SERPA) (m.p. LV; mansio; oppidum?; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, actual Zana, Tunísia)


    ITINERARIO XXI - Serpa (SERPA) - FINES - ARUCCI - Beja (PAX IULIA)

    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido às incertezas que rodeiam a localização das estações intermédias. A partir de Serpa o Itinerário percorria XX milhas até à próxima estação designada por «Fines» possivelmente indicando o limite territorial de conventus Pacensis; as propostas para a sua localização oscilam entre Paymogo (Caro, 1634:203), Corte Messangil (Lima, 1951, 194), Sobral de Adiça (Saa, 1964, IV, 171) e Vila Verde de Ficalho (Sillières, 1990, seguido por Lopes, 2000). Consequentemente também continua por desvendar a localização da estação seguinte, Arucci, sendo que este povoado estaria, segundo o Itinerário, a 25 milhas de Fines e a 30 milhas de Pax Iulia. Como é óbvio, o esclarecimento deste «puzzle» teria um grande impacto no entendimento do povoamento romano neste área porque tanto Fines como Arucci eram estações viárias com relevância regional a ponto de serem referidas também na Cosmografia do Anónimo de Ravena.

    A problemática localização de FINES e ARUCCI
    SERPA, FINES e ARUCCI no Ravennatis
    A Cosmografia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte sequência civitates na descrição da «Spania»: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia, Mirtilin,...» (Rav.IV.43). As três primeiras deverão corresponder aos principais portos romanos ao longo da costa Bética, nomeadamente Baesippo (Barbate?), Mercabulum (Ruinas de Patria, Conil de la Frontera?) e Gades (actual Cádiz); Asta deverá corresponder ao povoado romano na actual povoação de Mesas de Asta, a cerca de 40 km para norte de Cádiz; a partir daqui são mencionadas as civitates já em território nacional, com a sequência Serpa (Serpa), Pax Iulia (Beja), Myrtilis (Mértola), etc, sem no entanto mencionar Fines ou Arucci. No entanto estes são mencionados mais adiante ao descrever as civitates da Betúria Céltica, indicando a sequência «Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria» (Rav. IV.45) que já apresenta alguma similitude com o percurso descrito no Itinerário XXI. Assim, admitindo Onoba /Onuba em Huelva, Urion/Urium no povoado da «Corta del Lago» (junto do importante complexo mineiro romano das Minas de Riotinto), então Fines e Arucci teriam que estar de permeio entre estas civitates. Esta sequência de civitates levou muitos autores a sugerirem a existência de uma via entre o porto romano de Onuba (Huelva) e Pax Iulia (Beja) com estações intermédias em Urium, Fines e Arucci (por ex. Sillières, 1990). No entanto esta enumeração de civitates no «Ravennatis» não segue uma lógica viária como se pode inferir do texto ao apresentar uma volta desnecessária por Urium quando existe um itinerário mais directo (actualizado em 2018).

    ARUCCI na Epigrafia
    Inscrição a Agripina
    [IV]LIAE AGRIPPINA[E]
    [...] CAE[SA]RIS • AVG •
    GERMAN[I] [CI] •
    MATRI • AVG • N
    CIVITAS ARVCCITANA
    Esta famosa inscrição dedicada a Agripina colocada pelos habitantes da civitas Aruccitana que apareceu no século XVI no Convento das Freiras Dominicanas em Moura (actualmente no Museu de Moura) constitui o único monumento sobrevivente que menciona explicitamente esta civitas e é por isso um documento central no debate sobre a localização de Arucci e está na origem da sua associação à actual povoação de Moura que assenta sobre um importante povoado da Idade do Ferro fortemente romanizado, além de uma localização estratégica face ao rio Guadiana, certamente um vicus durante a época romana (Resende, 1593:172; Lima, 1988:69-70). No entanto, segundo um testemunho de Ambrosio de Morales na «Coronica General de España» de 1574, refere que a pedra apareceu «entre la vila de Mora y la sierra de Aroche em tierra de Sevilla» (Morales, 1574, f. 266v). No ano depois escreve no seu «Antiguedades de España» que «esta piedra se hallaba en la sierra de Aroche la qual confina con Portugal y llevose a Mora, lugar pequeño que esta allí junto» (Morales, 1575, f. 101r; Germain, 2016:324-329); portanto a inscrição não terá aparecido em Moura mas algures entre Moura e a «Sierra de Aroche» em pleno território da civitas Aruccitana (Encarnação, 1989:157, 1998: 37-38, 2007, 358-361). Posto que segundo o relato do século XVI se deveria procurar a perdida Arucci nessa Serra de Aroche ou nas suas cercanias o que levou à sua associação à moderna Aroche (Canto, 1997:136; Bermejo, 2016), hipótese que como se verá adiante não se veio a verificar.


    Inscrição a Paulina
    M(arco) Atterio Paulina M( arci) f(ilio)
    qui tumultuario Bethicae
    bello asurgen(te)
    multa pro rep(ublica) Aruccit(ana)
    5 bel(lo) retinen(da) fortiss(ime)
    gess(erat). Aruccitani Vet(eres)
    et Iun(iores) opt(imo) civi
    Inscrição a Hércules
    Herculi deo
    invicto et reip. Aru-
    ccitanae patrono
    stat. aeream
    secund. Thebani templi tro-
    ph. Aruccitani d. d.

    Outras inscrições da Civitas Aruccitana
    Além da inscrição a Agripina, Ambrosio de Morales refere no «Coronica general de España» (Vol. 9) mais duas epígrafes que mencionam Arucci apesar de estarem no grupo de «falsas» no levantamento da epigrafia bética de Alicia Canto (Canto, 1997:145). A primeira é honorífica e foi colocada pela republica Aruccitana a Marco Atterio Paulina em agradecimento pela sua acção durante uma guerra (CIL II 100; Canto, 1997:145, nº 4) e a segunda é uma dedicatória ao invencível Deus Hércules, patrono da republica Aruccitana, certamente servindo de pedestal de uma estátua representando esse deus (CIL II 99; Morales, 1575, f. 101r; Canto, 1997:369). Apesar das dúvidas sobre a veracidade dos textos, a utilização do termo Aruccitana em mais duas inscrições parece inequívoca, ademais provenientes da mesma área ou porventura do mesmo local da inscrição a Agripina. Além disso, à data do seu achamento, esta área teria de estar sob jurisdição de Moura, posto que todas foram todas transferidas para ali. Sendo assim, o conjunto das três inscrições apontam para uma localização de Arucci na área sudeste do actual concelho de Moura, onde confronta com a encosta oeste da Serra de Aroche.

    ARUCCI em Moura?
    Moura tem sido tradicionalmente associada a esta mansio do Itinerário com base numa proposta do historiador Português André de Resende no século XVI que interpretou erradamente a letra «N.» da inscrição da civitas Aruccitana a Agripina como «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova civitas Aruccitana ou Arucci Nova, correspondendo a Moura e à Arucci do Itinerário, e por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem denominada Arucci Vetus situada em Aroche (Resende, 1593: 171-172). Hübner no entanto rejeitou esta leitura e ao inclui-la no CIL II corrige para AVG(gusta) N(ostrae) (CIL II 963) deitando por terra esta teoria que apesar de tudo ainda subsiste em alguma literatura sobre o tema (por ex. Lima, 1988). Perante isto, a hipótese de Arucci se situar em Moura não é sustentável (vide Encarnação, 1998: 37-38; Canto, 1997; Bermejo, 2016).

    ARUCCI em Aroche?
    A similitude fonética com a vila de Aroche (Espanha) levou alguns autores espanhóis a proporem a localização de Arucci nesta povoação, entretanto descartada dado que não existem vestígios de ocupação romana no local; tentou-se então associar Arucci a um dos assentamento pré-romanos existentes ao longo do rio Chança, tendo Pierre Sillières proposto o importante sítio romano em torno da Ermida de San Mamés (Llanos de la Belleza), 3 km a norte, onde esses vestígios são evidentes (Sillières, 1990). No entanto, este povoado tem sido antes associado à cidade de Turibriga referida por Plínio e sede da civitas Turibrigense registada em várias epígrafes. Deste modo a associação Turibriga/Arucci tão veiculada pelos autores do outro lado da fronteira não tem fundamento (2018).

    FINES em Messangil
    Para além da referência a Fines no Itinerário de Antonino e do «Ravennatis», não se conhecem outra referência a este povoado, estando omisso na epigrafia. Fragoso Lima situou esta estação junto à Fonte de São Miguel em Messangil onde apareceram várias epígrafes e restos de edifícios, dispersos por uma área de 5000 m2. Pierre Silières considera que se trata de uma mutatio da Via Beja-Aroche, posicionando Fines Vila Verde de Ficalho que está de facto a 20 milhas de Serpa (Sillières, 1990), enquanto Conceição Lopes propôs que esta servia antes uma via N-S de Moura a Vila Verde de Ficalho (Lopes, 2000: 74-75). De facto tudo aponta para existência de uma estação viária neste local associada à «Fonte de São Miguel Finis» , topónimo que remete para a associação de Fines a este local. A primeira referência ao sítio surge no século XVI por André de Resende como um «semidirutum oppidum, ad pagum quem uocant Vallemuargi», ou seja «uma povoação semidestruída junto à aldeia a que chamam Vale de Vargo» tendo registado uma das quatro inscrições de ali viu junto de um pequeno santuário, posteriormente ocupado pela «Ermida de São Miguel» (Resende, 1593: 173).

    FINES em Paymogo
    Em 1634 Rodrigo Caro publica no seu «Antigüedades y Principado de la ilustrísima ciudad de Sevilla» o achamento de uma inscrição funerária "no lexos de la villa de Paymogo, yendo yo camiñado por el móte" (Caro, 1634:203), sugerindo Fines poderia estar nas proximidades. Em 1862, Eduardo Saavedra retoma a proposta de Caro no terceiro apêndice do seu famoso discurso diante da «Real Academia de la Historia» na sua qualidade de «Engeniero de Camiños», dizendo que "Debió estar en un punto cerca de Paimogo, donde se han hallado antigüedades y es una entrada muy concurrida de Portugal." (Saavedra, 1862:93). De facto a vila de Paymogo está situada numa antiga estrada para Portugal, sendo aliás a única estrada assinalada entre a Andaluzia e Portugal no mapa dos «Reynos de España e Portugal» elaborado por Jean Baptiste Nolin em 1766 (ver aqui). A estrada cruzava Rio Chança/Chanza junto da «Casa de Bertolo», rio que servia e serve de fronteira entre Portugal e Espanha e muito provavelmente também separava as províncias da Lusitânia e da Bética no período romano. A sua localização fronteira, junto importante ponto de passagem do Rio Chança/Chanza e a existência de explorações mineiras romanas nas proximidades (em Vuelta Falsa, Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla do lado espanhol e Serro de Ouro e São Domingos do lado português) são argumentos que tornam esta proposta plausível. Esta proposta sai ainda mais reforçada quando verificamos que a distância desta passagem do rio Chança a Serpa é de cerca de 20 milhas, ou seja de acordo com o indicado no Itinerário enquanto de Serpa a Paymogo são 25 milhas, o que invalida a sua localização na moderna povoação onde aliás não foram encontrados vestígios romanos. Por outro lado, como se verá nos próximos capítulos, é também muito relevante o facto de esta localização acertar com as 25 milhas indicadas no Itinerário para o troço seguinte entre Fines e Arucci. Deste modo, conjugando todos estes dados, consideramos que a localização de Fines junto desta travessia do Rio Chança em S. Marcos é uma forte possibilidade, apesar de ainda não se conhecerem vestígios associáveis a uma povoação romana nas imediações desta travessia


    Mapa

    ITINERARIO XXI - Serpa (SERPA) - S. Marcos (Fines?) - Paymogo - Huelva (ONUBA)
    A partir de Serpa a via continuava na mesma direcção até Fines situado a 20 milhas na fronteira com Bética que deverá corresponder ao rio Chança. Deste modo é possível esta etapa do Itinerário corresponda à via que parte de Serpa rumo ao nó viário de S. Marcos, onde presumivelmente estaria a mansio designada por Fines. Depois de cruzar o rio a via continuava por Paymogo talvez rumo ao porto romano Onuba que deverá corresponder a Huelva. Esta etapa do Itinerário estaria assim integrada no grande Itinerário de Pax Iulia a Onuba
    Serpa (SERPA) (seguia talvez a EN265 pelo Monte do Peixoto até Santa Iria (villa em Romeirinha; ara votiva a Deae Medicae), logo a seguir cruza a ribeira de Limas e segue pela Herdade da Corga da Fonte, Monte Carapetal, Monte do Topo, Alto da Perdigoa e Monte da Mó onde reencontra a EN265, seguindo pelo Alto do Vale de Milhados até ao Alto das Fontainhas (nó viário a norte da aldeia de Vales Mortos, onde poderia existir uma mutatio dado que este local se encontra a 12 milhas de Serpa; continua pela CM1096 na direcção SE até ao sítio de S. Marcos, junto do antigo posto da Guarda Fiscal, descendo depois ao rio Chança pela Fonte dos Contrabandistas para cruzar o rio junto à Casa do Bertolo e actual fronteira luso-espanhola, próximo da qual estaria Fines. A partir daqui dirigia-se a Paymogo (m.p. XXV; povoado mineiro em Paymogo el Viejo, onde Fragoso Lima encontrou uma inscrição; estaria associada à explorações mineiras de Paymoguillo el Viejo, Grupo Malagón, La Romanera e La Sierrecilla) e depois de cruzar o rio Malagón seguia talvez por Puebla de Gusmán (minas), Alosno, S. Bartolomé de la Torre, rumo à travessia do rio Odiel em Gibraleón e daqui ao porto romano de Huelva (ONUBA).

    Viae a PAX IULIA


    Mapa











    Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão (Arandis?) - Beja (PAX IULIA) m.p. L
    A via de ligação entre Alcácer e Beja passava na povoação do Torrão onde cruzava o rio Xarrama. Conhecem-se 3 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Porto da Lama junto da travessia da ribeira de Sítimos, o miliário do Monte do Olival referido por Resende e o miliário de Valentiniano I e Valente que apareceu junto da villa da Fonte dos Cântaros em São Brissos, a 5 milhas de Beja. Este itinerário partilha inicialmente o traçado da via de Alcácer do Sal a Évora até ao Monte da Arcebispa, cruzando aqui a ribeira de Sítimos)

    Porto da Lama, Santa Catarina de Sítimos (villa romana do Monte da Lama, provável mutatio dado que na área do desactivado campo de aviação apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano já cindido longitudinalmente e que está hoje deitado por terra na área das ruínas do depósito de água em Alcácer do Sal, IRCP 671; Faria, 1986; a montante da ribeira há também vestígios de uma villa em Sta. Catarina de Sítimos; a partir daqui o percurso é hipotético, podendo seguir próximo do marco geodésico de Vale da Água, continuando por Bugiada, Monte da Boavista, Malhadas, Carvalhoso, Fonte Videiros, Monte do Vale de Arquinha e Ermida de S. Fraústo)
    Torrão (Arandis?) (vicus e provável mutatio situada num importante nó viário que articulava as vias provenientes de Salacia e Ebora com a vias rumo ao sul quer a Beja quer a Faro; há vestígios do vicus na área do Centro Escolar e em Fonte Santa, necrópoles no Penedo Minhoto e da Capela da Ns. do Torrão, conduta com 100 m, etc; a via entrava na povoação pela chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300m que conduz à antiga travessia do rio Xarrama, onde poderia existir uma ponte romana e seguia talvez pelo Monte de Vale Paraíso de Baixo, Monte da Fonte Longa, Monte das Soberanas de Baixo, Monte da Ervedosa, Monte das Faias para cruzar a ribeira de Odivelas junto do Monte do Olival)
    Odivelas (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival entretanto desaparecido, atestando a passagem da via a nascente de Odivelas por Monte Outeiro, Penique e Casa Branca, passando a nordeste do fortim romano de Casa Branca que deveria controlar a sua passagem, hoje limite do concelho, continuando depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, cruza a ribeira de Alfundão e segue por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão, passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco)
    Alfundão (a via segue pela rua da Estalagem, atravessava a povoação e cruza o Barranco da Aldeia numa ponte antiga com provável origem romana, prosseguindo pelo caminho da Coimeira/Alto de Beja, passando a norte do provável vicus de Vilares/Vilar/Vila Verde/Alto do Pilar, junto do depósito de água, onde poderia existir uma mutatio; continua até cruzar o Barranco do Corvo e a EN387, nas proximidades da villa no Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE 295)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste da povoação próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
    Beringel (a via passava a norte da povoação, cruzando o rio Galejo na Ponte Lisboa, hoje submersa pela barragem do Pisão, construção com provável origem romana onde foram reutilizados 2 cipos romanos, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa/Misericórdia, onde apareceu também uma ara a Júpiter)
    São Brissos (continua em calçada ao longo da margem esquerda da ribeira de Álamo, cruza o barranco na Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, perto da qual apareceu um miliário a Valentiniano I e Valente, hoje no Museu de Beja (nr. B-148), associado aos vestígios da villa da Fonte dos Cântaros, continuando pelo Monte da Diabrória, Monte de Arcediago e Lobeira da Horta, entrando na cidade de Beja pela Porta de Évora)

    Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; ara com o epitáfio de Nice , CIL II 59 = CIL II 5186, poder ler-se a palavra VIATO[r; seria o curator viarium da região?; ver Museu Regional de Beja)

    • Ramal de ligação a VIPASCA (Aljustrel) e ARANNIS (Castro da Cola)
      A via para Beja poderia bifurcar logo após a travessia da ribeira de Odivelas junto do fortim romano de Casa Branca, inflectindo para sul rumo a Vipasca, passando a nascente das villae da Herdade da Fonte Boa e Courela dos Alpendres até Ferreira do Alentejo, continuando pela calçada do Monte da Serra (passando a nascente da villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira), rumo a Ervidel (villa da Herdade do Pomar), continuando depois próximo das villae de Alcarias 1 e 2, rumo à travessia da ribeira do Roxo junto do «Castelo Velho do Roxo» (grande povoado fortificado da Idade do Ferro romanizado), continuando depois por Corte Margarida até Aljustrel (VIPASCA) (importante couto mineiro designado por Metallum Vipascensis; parte do espólio está na colecção do Museu Geológico de Lisboa, incluindo a famosa placa de bronze contendo o regime legal da exploração mineira; ver MuMA; o povoado indígena estaria no Morro de Mangancha progressivamente abandonando com a transferência já em Época Romana para o povoado próximo da «Chaminé da Transtagana/ Casa do Procurador», situado junto da Mina de Valdoca, onde há necrópole)

      Esta via poderia ter continuação para sul passando junto da villa de Almeirim (possível mutatio onde cruza com a via de Mirobriga a Myrtilis), continuando depois talvez rumo ao Castro da Cola (Arannis?) onde entroncava na rota para o Algarve descrita no Itinerário XXI.

    • Variante do Castro da Cola (ARANNIS) ao Algarve por Mesas Castelinho
      Percurso alternativo ao Itinerário XXI correndo sensivelmente paralelo a este até ao importante Povoado de Mesas Castelinho que controlava mas cruzando a serra Algarvia por Corte Figueira, antiga estação viária da «Estrada Real» para Faro, e é possível ter sido usado na época romana apesar dos parcos dados visto que a portela de acesso à serra se faz junto do ; o percurso desvia do Itinerário XXI junto da Cruz do Seixo e segue a poente da Aldeia de Palheiros pelo Serro do Ouro Velho, cruza a ribeira da Perna Seca e a A2 junto do Monte Gordo, continua a poente da Aldeia dos Fernandes pelo Monte Lobito, continua entre Cinceira e Corte Zorrinho, cruza o asfalto, passa a cerca de 500m a poente da villa do Monte Novo do Castelinho, continua pelo alto do Vale da Grade, passa na encruzilhada junto do Moinho da Cruz Grossa, cruza a EN393 e continua pela planura junto do Monte Sobral, Alto do Castelinho e Alto dos Sarilhos até ao Monte da Chadinha, onde inflecte rumo à travessia da Serra do Caldeirão, na base do Povoado das Mesas do Castelinho que controlaria este acesso à serra; acompanha depois a linha de festo que passa em Sarilhos de Cima, Cumeada do Almarjão, Monte Novo do Aipo, a poente do Monte das Goias, Moinho Velho, Alto do Monte da Pedra, Moinho do Algarvio e Fontes Férreas, rumo a Corte Figueira (estação viária da serra referida no «Roteiro Terrestre» do MPAM), continuando talvez por Califórnia, Portela do Barranco, Serro de Alganduro (?) até Salir e daqui a Faro pelo percurso descrito no Itinerário XXI.


    Mapa

    Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. XXXVI
    Via romana partindo de Pax Iulia para nascente seguindo por Serpa até Arucci , presumivelmente situada no vicus de Gargalão, 3 km a norte de Sobral da Adiça. (vide também Saa, 1967; Sillières, 1990; M. C. Lopes, 1997, 2000).

    Beja (PAX IULIA) (sai da cidade pela Porta de Mértola e Falcões pela rua Bento Jesus Caraça, marginando a villa da Qta. da Abóbada, continua pelo CM1045 pelo Bairro de S. João, Tanque dos Cavalos, Horta de Todos e Alcoforado, seguindo depois pelo CM1046)
    Padrão (alusão a miliário?; topónimos viários «Monte da Estrada» e «Monte da Ponte»; continua pelo Monte do Zambujeiro e ao longo da margem do Barranco da Azinheira/ de Quintos, passando próximo do Monte Alto)
    Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae, hoje no Museu de Évora; cruza a ribeira da Cardeira em Pisões e segue próximo da villa do Monte do Corte Piorno)
    Travessia do rio Guadiana no Vau da Guinapa (sobe as ladeiras do Guadiana e acompanha o Barranco da Amendoeira por Horta do Farrobo, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)
    Serpa (SERPA) (mansio; oppidum?; a via continuava aproximadamente pelo percurso da EN517 e marginando várias villae e casais, como Monte de Santa Justa, Cidade das Rosas, Horta da Alcaria, Maria da Guarda, Monte da Laje, Capela de St. Estevão e Monte Alto, Meirinho, Figueiras, atravessa a Herdade da Abóboda onde apareceu uma ara votiva a Júpiter e logo depois cruza a ribeira de Enxoé)
    Corte de Messangil, Vale de Vargo (provável mutatio no sítio da Fonte de São Miguel Finis, onde apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turibriga; continua pelos «planaltos do Pocinho do Mota e Fernão Teles», como Mário Saa já tinha proposto)
    Monte Novo de Belmeque (onde cruza a linha divisória concelhos de Serpa e Moura, confluindo aqui também a via proveniente da travessia do rio Guadiana em Pedrogão; continua pelo Monte da Lavada, atravessa a Serra da Preguiça através da «Portela do Álamo» e segue pelo Monte do Álamo até ao povoado de Gargalão, a noroeste da vila de Sobral da Adiça)

    ARUCCI (mansio no sítio romano de Gargalão?; actual Parque de Merendas do Gargalão, situado junto da ribeira de S. Pedro; na outra margem está a Ermida de S. Pedro da Adiça, lembrando a primitiva povoação de Sobral da Adiça; inscrição CIL II 93 na Horta da Carrasca).

    Ligação de S. Pedro da Adiça a Mérida por Badajoz:
    Provável continuação da via para norte seguindo entre as ribeiras de S. Pedro e a ribeira de Toutalga, passando no Monte Metum e no «Cabeço Redondo», povoado da Idade do Ferro hoje destruído, rumo à travessia da ribeira de Toutalga junto da Ermida da Coroada, tendo Fragoso de Lima identificado nas imediações um miliário em mármore com letras, «na extrema da Coroada com o Motum», ou seja entre na divisão entre a Herdade da Coroada e Monte de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas», mas este último topónimo é desconhecido. Da Coroada a via dirige-se por Santo Amador rumo à travessia do rio Ardila, continuando depois talvez a sudeste de Granja, cruza a ribeira de Guadalim e segue pelo Alto da Meada para cruzar a ribeira de Alcarrache (do topónimo viário «Carrache») rumo a Villanueva del Fresno; aqui toma o «Camiño Viejo de Alconchel», percorrendo 12 milhas até Alconchel (3 estelas funerárias) e mais 12 até Olivenza, passando próximo da Finca da Villavieja (epitáfio de Calvus e Proculus) e Finca de Escarramón (epitáfio de Aquilia Severa). A partir de Olivenza a via cruzava a Ponte de Ramapallas e seguia a leste de S. Francisco de Olivenza próximo da Igreja Visigótica de Valdecebadar (ara a Silvano), cruza a ribeira de Olivenza e segue próximo da villa La Cocosa até El Manantío, continuando depois rumo a Badajoz onde entronca na via para Mérida proveniente de Lisboa.


    Mapa







    Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão (Arandis?) - Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. LXIV
    Este itinerário teria um traçado comum à via para Beja, mas após a travessia do rio Xarrama no Torrão desviava desta para nascente, seguindo na direcção O-E rumo a Alvito e ao respectivo vicus em S. Romão (civitas Mirietanorum?); cruza pouco depois a ribeira de Odivelas na Ponte Romana de Vila Ruiva e segue rumo a Pedrogão onde cruza o rio Guadiana, continuando sempre para nascente por Pias rumo à mansio de Arucci localizada muito provavelmente nas imediações de Sobral de Adiça. Na parte inicial a via tinha um traçado comum à via para Beja até ao Torrão, rumando daqui para sudeste rumo ao Alvito.

    De Torrão a Vila Ruiva por Alvito m.p. XVII
    A via poderia seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para o Alvito, passando por Vila Nova da Baronia, onde há vestígios romanos em Sobral das Barras e na Herdade da Mina (Feio, 2010). Em alternativa a via seguiria directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, Capela de S. Bartolomeu e Velórios. A partir do Alvito, a via continuava até à ponte romana sobre a ribeira de Odivelas.

    Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (mutatio?)

    De Vila Ruiva a Pedrogão por Vidigueira m.p. XXI
    Da ponte romana ascendia à povoação de Vila Ruiva, inflectindo aqui para nascente, desviando assim da via para Beja, retomando a orientação O-E com que trazia do Torrão; seguia por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu), Vila de Frades (junto da imponente villa de S. Cucufate), Vidigueira (miliário anepígrafo no cruzamento das ruas Hortinha e Caldeireiros), continuando pela rota da EN258 próximo da Horta da Marineta, Monte do Poço Seco, Monte do Zangarilho, Monte do Malheiro, Monte da Ordem, Monte do Peso até atingir Pedrogão, onde confluía também a via Évora-Serpa.

    Travessia do rio Guadiana em Pedrogão (a vau, no Porto da Orada, tendo na outra margem o pequeno sítio romano dos Galeados certamente relacionado com esta passagem; logo depois a via bifurcava para Serpa e Sobral da Adiça)

    De Pedrogão/Guadiana a Sobral da Adiça (Arucci?) m.p. XXV
    A via continuava junto do Monte dos Galeados, desviando pouco depois pelo caminho que passa a sul das Minas da Orada e a norte e a villa? do Monte do Zambujeiro, seguindo por Alto de Covas, Monte da Magoita, Monte da Parreirinha, Monte do Rosal e junto da villa de Sesmarias, continuando entre o Barranco de Pias e o Barranco de Bota Cerva até entrar em Pias, junto do «Poço de Pias», Pias (lápide funerária de Apolausis na Ermida de Santa Luzia), continua pela Caseta do Baldio e Monte Courelas até Corte do Alho (miliário a Adriano indicando VIII milhas que é a distância daqui a Sobral da Adiça; blocos de mármore reaproveitados no monte talvez provenientes da villa romana; mutatio?); daqui seguia recto pela EM1049 até ao Monte de Belmeque (m.p. VII; árula a Mercúrio hoje no MNA e «umas pedras com letras», possíveis miliários, no sítio romano do «Poço das Sapateiras», possível mutatio; Lima, 1988:81), onde inflecte para sudeste pela EM1050 por Monte Novo de Belmeque (m.p. V), cruzando pouco depois a linha divisória entre os concelhos de Serpa e Moura (nó viário onde conflui também a via proveniente de Serpa). Daqui continua pelo Monte da Lavada rumo à «Portela do Álamo», descendo depois pelo Monte do Álamo até ao sítio romano do Gargalão, actualmente um «Parque de Merendas», situado 3 km a norte da povoação do Sobral da Adiça (vide descrição no Itinerário XXI).



    Mapa





    Rede viária em torno de Moura
    Os vestígios encontrados em Moura indiciam a existência de um aglomerado urbano secundário com relevância regional, articulando uma rede viária com ligações a norte a Évora e Monsaraz e para sul, a Beja, Serpa e Mértola; o seu antigo nome poderia ser LACALTA com base em 4 selos de dolia do período alto-medieval, 2 encontrados junto do castelo e outros 2 provenientes da Herdade de S. Cristóvão, cerca de 1 km a sul da vila, contendo a seguinte inscrição: «Eclesiae Sanctae Mariae Lacaltensis Agripi» (Canto, 1997). Um selo idêntico foi encontrado noutro dolium a cerca de 10 km, no Monte da Salsa (Brinches), também do mesmo produtor presumivelmente sediado em Moura (Wolfram, 2011). O Museu Municipal de Moura (actualmente encerrado!) guarda o importante espólio romano recolhido por Fragoso Lima em meados do século XX, incluindo o miliário de Corte do Alho e a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. As duas necrópoles romanas do povoado, Bairro das Sete Casas e S. Sebastião, poderão indicar as saídas das respectivas vias. Os itinerários propostos tentam uma leitura actualizada da obra de Fragoso Lima, com apontamentos de M. C. Lopes (Fragoso de Lima, 1951, 1981, 1988; M. C. Lopes, 2000). Trata-se de uma rede secundária que interligava o vicus aos grandes eixo viários Beja - Serpa - Mérida e Évora - Serpa - Huelva. O miliário descoberto a delimitar o Monte da Chilra poderia assinalar uma via de Moura a Serpa passando por Pias, importante nó viário onde cruzava com a via W-E proveniente da travessia do rio Guadiana em Pedrogão. Outra rumava a Mérida seguindo pela Herdade dos Machados e pelos nós viários de Belmeque e Messangil. Uma outra parece desenvolver-se para sudeste passando em Montes Juntos e Monte da Coroada, rumo aos diversos povoados da Idade do Ferro romanizados situados nos limites do concelho, como o Castelo Velho de Safara, Castelo do Murtigão e Castelo do Safarejinho/Castelo das Guerras, este último com vestígios de sigillata itálica do século I. Finalmente, para norte, deveriam existir ligações para Évora cruzando o Guadiana (act. 2019).

    De Moura a Évora por Alqueva
    Seguia para norte pela chamada «Ponte Romana» sobre o rio Brenhas, seguindo depois a «calçada de Forca» que margina os sítios romanos da Qta. de S. Lourenço, Qta. da Pardouqueira e Qta. da Esperança, rumo à travessia do rio Ardila no «Porto de Mourão»; a partir daqui o percurso é incerto, podendo seguir até ao «Porto de Évora» no Guadiana, passando próximo do Castro dos Ratinhos (Lima, 1951:190-191), continuando talvez por Alqueva e Portel até Évora (?).

    De Moura a Évora por Marmelar
    Em alternativa a via seguia pela calçada de Mata Sete (junto da Horta dos Botas), seguindo depois pelo Monte do Ameixial e «Estrada da Barca», rumo à travessia do rio Guadiana junto do Moinho da Barca/Cais do Fragal, imediatamente a jusante da foz do rio Ardila. Daqui poderia rumar a norte rumo Évora passando no vicus de Marmelar.

    De Moura a Beja
    Segundo Fragoso Lima a via saía de Moura pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas e pela chamada calçada da Ladeirinha Branca rumo a Pisões, onde há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com possível origem romana (Lima, 1951); daqui atravessava os olivais de Bogas de Ouro e Farelos, continuando por Pisanto e Brinches rumo à travessia do rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão (povoado da Idade do Ferro), Baleizão (grande povoado fortificado da Idade do Ferro no Cerro Furado; no Monte do Torrejão apareceu uma curiosa inscrição funerária da filha de Blossius Saturninus, habitante de Balsa, membro da tribo Arniense e natural da Colónia Iulia Neapolis, cidade situada na actual Tunísia junto à moderna cidade de Nebel Kedin, CIL II 105; IRCP 294; na Herdade do Passo do Conde, apareceu a cupa funerária de Verus; FE686), cruza a ribeira da Cardeira em Porto Peles (vestígios de ponte antiga, talvez romana) seguindo junto da Qta. da Mongeralda em Ns. das Neves rumo a Beja.

    De Moura a Serpa
    Partindo de Moura, a via rumava a sudoeste seguindo aproximadamente a EN255 por S. Lourenço, desviando depois pelo Monte das Sesmarias, Monte Panasco, Monte da Torre (villa), onde cruzava o Barranco das Amoreiras, Monte Barroso (calçada), Monte da Torre e Atalaia Gorda (passando próximo villa da Casa dos Campinos), Pias, seguia talvez pelo Alto das Barreira Brancas e Monte Velho dos Canivetes, cruza a ribeira de Enxoé e seguia próximo do miliário do Monte da Chilra (servindo de limite com a herdade do Monte dos Alpendres de Lagares; actualmente está numa casa particular em Serpa), continuando depois pelas proximidades das villae de Espicharrabo, Monte da Capela e Torre Velha, continuando depois pela «Canada Velha» (400m em calçada) rumo a Serpa

    De Moura a Belmeque
    Possível via romana partindo de Moura para sul rumo à estação viária de Messangil. Inicialmente segue a EN255 desviando depois à esquerda pela calçada de S. Lourenço, marginando o fundus da villa da Herdade da Tapada (ara funerária), continuando em calçada pela Herdade dos Machados até ao Monte de Belmeque, onde entronca na via de Pedrogão a Sobral da Adiça ou seguia para sul até ao nó viário de Messangil.

    De Moura a Sobral da Adiça
    A via saía do povoação pela rua de Arouche e seguia entre as ribeiras de Brenhas e de Toutalga com vestígios de calçada na Qta. de Santa Justa, «Encosta do Brenhas», «Calçadinha» e Coutada, continuando por Montalvo, Atalaia da Casinha, Montes Juntos (estela e cupa funerária), continuando pela Horta dos Borrazeiros (villa e respectiva necrópole) até ao Monte da Coroada, onde cruza com a via entre Sobral da Adiça e Badajoz, continuando depois rumo a Safara (?).

    Viae ab EBORA


    Mapa



























    Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA) m.p. XLIV
    A via romana ligando Évora à capital do conventus pelo caminho mais curto, cerca de 44 milhas, é atestada pelos imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos (seriam pintados?), e alguns troços de calçada. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. Subsistem algumas dúvidas no traçado, em particular as variantes por Alvito e Cuba (vide Sillières, 1984; Lopes, 2000; Bilou, 2000a; Feio, 2010).

    Évora (EBORA) (existe um miliário a Maximiano na Qta. da Manizola que poderá pertencer a esta via; sai pela Porta do Raimundo e segue pela Horta do Bispo, onde existia um troço de calçada (Pereira, 1948, p. 303), continuando pelo Bairro da Ns. do Carmo rumo à travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova, onde há vestígios de lajeado no vau da ribeira, continuando depois pela Herdade da Casinha)
    Monte das Flores (m.p. IV; a via segue a margem direita do rio Xarrama)
    Fontalva (m.p. VII; 4 fragmentos de miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao monte; o miliário de Fontalva 2 permanece erecto in situ; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos; a via continua paralela ao Xarrama)
    Monte do Seixo (m.p. VIII; referência a um miliário?)
    Porto da Magalhoa (m.p. IX; referência a um miliário; o «Endovélico» refere 3 miliários entre o Monte da Magalhoa e o Monte da Zambujeira; um deles será o miliário referenciado por Mário Saa como «Marca do Diabo»)
    Torre/Solar da Camoeira (m.p. XI; provável mutatio de onde provém o miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo, IRCP 664a, indicando a milha XI, entretanto transferido para a entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora)
    Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (m.p. XII; miliário tombado no leito do rio e algumas das poldras poderão ser miliários reutilizados; segue 200m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300m; continuando pela extrema que divide as Herdades da Falcoeira e da Ovelheira por 1500 m, junto do marco geodésico de Aguilhão)
    Ponte Romana da Horta do Vinagre sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão (m.p. XIII; fuste de miliário anepígrafo na margem esquerda com a respectiva base no leito do rio)
    Herdade da Ovelheira (m.p. XIV; fragmento de miliário semi-enterrado, talvez in situ; a via passava assim a poente da aldeia de Aguiar, onde existia um miliário deslocado a servir de assento no Largo 1º de Maio, hoje numa casa particular)
    Monte Lindim/Landim (m.p. XV; parte inferior de um miliário e vestígios da calçada na base do povoado pré-romano do 'Cabeço de Aguiar'; a via cruza a ribeira de Alpracá e segue por Monte Ruivo)

    Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (m.p. XVIII; vicus e provável mutatio junto do Santuário de Ns. de Aires e respectiva necrópole no Monte das Paredes, com várias inscrições funerárias; junto do santuário apareceram duas aras actualmente inseridas nas colunas do adro da igreja, uma epígrafe honorífica num pedestal com a inscrição BONO / REIP(ublicae) / NATO, IRCP 413, e dois miliários: miliário a Crispo, IRCP 672, indicando 19 milhas a Évora e o miliário onde apenas se lê o numeral XVII, presumivelmente 17 milhas, IRCP 680; daqui a via seguia junto do Monte das Paredes e Monte das Hortas Velhas, Monte do Cavalete e pela chamada «Mata do Serrado»/Sarnado; Sillières, 1984)

    Água de Peixe (m.p. XXII; possível miliário reutilizado no terreiro do monte; mina de ferro; continua pelo CM1004; Mário Saa refere restos de calçada; sai à direita e segue junto da Capela da Sra. da Graça)
    Ponte Romana de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (m.p. XXV; grande ponte romana sobre a ribeira de Odivelas sucessivamente reconstruída da qual restam apenas três dos pilares originais; estela reutilizada no quinto pegão norte, do lado montante)
    Vila Ruiva (m.p. XXVI; possível fuste de miliário; barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa; a via seguiria pela Fonte da Salgueira e Monte da Delicada, passando depois a poente da villa do Monte da Panasqueira)
    Monte da Palheta (m.p. XXIX; atravessa a ribeira de Mac Abraão junto do «Moinho da Donica» e segue junto das casas do monte e do marco geodésico da Parreira)
    Monte dos Assentes (m.p. XXXI; cruza o Barranco dos Assentes e segue pelo Monte Branco) Faro do Alentejo (m.p. XXXIII; continua pelo Monte das Pias, passando a 2 km a nordeste do vicus de Ladeiras até ao nó viário junto do Poço das Juntas, onde cruza a ribeira de Odearce e inflecte para a sul)
    São Brissos (toda a área está hoje muito alterada pela actividade agrícola e construção do aeroporto de Beja, mas segundo proposta de Mário Saa, a via seguia pelo Alto de Atouguia, continuava pelo Monte de Sta. Luzia, marginando a villa do Monte do Meio, passando assim 1,2 km a sudoeste do acampamento militar romano de Mata-Bodes que controlaria o acesso a Beja por esta via romana, continuando depois pelo Monte do Pombalinho, Qta. da Saúde, Moinhos da Saúde até desembocar na Ermida de St. André, onde existia uma gafaria medieval, entrando na cidade de Beja pela antiga «Corredoira»/«Corredoura»; Castro, 1767; Saa, 1964, IV, 261-265)
    Beja (PAX IULIA) (m.p. XLIV; entrava na cidade pela Porta Romana de Évora com o seu arco e restos de calçada, actual rua D. Dinis, rumo ao forum da cidade situado na área da actual Praça da República)

    Variantes deste Itinerário:

    • Variante de FOXEM a PAX IULIA por Alvito : segundo recentes trabalhos de Jorge Feio («Carta Arqueológica do Alvito»), é possível que existisse uma variante entre Foxem e Pax Iulia, derivando da anterior no Monte do Cavalete e rumando em direcção a Alvito (EN257), onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão (árula votiva aos Lares), possível localização da sede da civitas Mirietanorum referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia (Feio, 2010); do Alvito continuaria pela EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» sobre a ribeira de Odivelas (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente com origem romana), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada) e Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho que vinha pela Ponte de Vila Ruiva, cruza a ribeira de Mac Abraão junto do Monte da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo um ramo por Faro do Alentejo enquanto outro seguia pelo Monte da Azurria e Monte da Boavista rumo a Cuba (vicus Cupa, com base num documento de 1257, situado talvez no Monte do Outeiro/Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, 1 km a leste da vila), continuando depois pelo Monte da Torre do Pinto, marginando depois a villa da Qta. de Suratesta até à Quinta da Saúde, onde reúne com a variante anterior, entrando pouco depois em Beja (Lopes, 2000; Feio, 2010).

    • Ramal de FOXEM a Marmelar por Oriola: via com possível origem romana, passando próximo da villa de Mosteiros (estela funerária, FE 366) e do vicus de Bonalbergue em Oriola (cruzando a ribeira homónima na ponte medieval, hoje submersa pela barragem e seguindo junto da villa da Ermida de S. Faraústo), continuando depois por Santana da Serra e Alcaria da Serra até Marmelar, interligando assim a Via Évora - Beja à Via Évora - Serpa (Feio, 2010).


    Évora
    Alvalade
    Mapa



    Évora (EBORA) - Torrão (Arandis?) - Alvalade (Sarapia?) - Faro (OSSONOBA)
    A via romana entre Évora e Alvalade passando pelo Torrão integra um grande itinerário que partindo de Évora se dirigia para o Algarve passando por Garvão e Castro da Cola. Esta via marginava a importante villa romana de Ns. de Tourega e cruzava a povoação de Alcáçovas.

    Évora (EBORA) (inicialmente a via seguia o mesmo traçado da Via Ebora - Salacia até ao Monte de Tabuleiros de Baixo, derivando aqui rumo a Alcáçovas, passando junto do povoado proto-histórico do Monte da Ponte/Fonte, a 13 milhas de Évora)
    Ponte Romana?-Medieval de Alcalaínha/dos Ruivos sobre a ribeira das Alcáçovas (m.p. XIV; junto da confluência das ribeiras de S. Brissos e Peramanca; a partir daqui o traçado da via é pouco claro, mas daqui deveria dirigir-se ao Monte da Morgada talvez pela divisória concelhia, passando assim a noroeste da villa? do Monte dos Vilares, continua por Vale dos Açougues de Baixo, Terrinha e Chão e Ares, entrando em Alcáçovas pelo caminho que margina a Ermida de S. Geraldo)
    Alcáçovas (m.p. XX; cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no acervo do MNA)
    Torrão (m.p. XXIX; Arandis?; continua por alturas de Médico, Carrascais e Corte da Venda, rumo à travessia da ribeira de Odivelas junto da Herdade do Pinheiro/Porto Carvalhoso e segue pelo estradão que divide os distritos de Setúbal e Beja, passando junto dos sítios romanos de «Altura dos Pintos» e «Outeiro da Mina», onde há necrópole de uma provável villa)
    Santa Margarida do Sado (vestígios romanos em torno da Capela de Santa Margarida do Sado, incluindo duas cupas funerárias e um pedestal, indiciam a existência de uma villa ou mutatio associada à travessia do rio Sado neste local , ligando à via de Alcácer do Sal a Faro; no entanto, a via para Alvalade continua a nascente da povoação pelo Alto de Penedrão e Alto da Atalaia, cruza a ribeira da Figueira em Porto de Mouros e segue por Carregueira do Mato para cruzar a ribeira do Roxo na Herdade Grande, a nascente da Aldeia de Ermidas e da villa do Monte do Roxo)
    Alvalade (m.p. XXX; provável vicus viário na área do cemitério; a via conflui aqui no Itinerário XXI onde se descreve o percurso até Faro)


    Mapa



    Évora a Vila Viçosa por S. Miguel de Machede e Bencatel
    Vários indícios apontam para a existência de uma via ligando Évora às pedreiras de mármore de Bencatel e Vila Viçosa. A via seguia por S. Miguel de Machede onde apareceram dois miliários. Saindo de Évora pela Porta de Machede, a via seguia talvez pelo bairro das Nogueiras para cruzar o rio Xarrama junto da Qta. do Sande, continua pela Qta. da Retorta, cruza o rio Degebe no lajeado junto da Qta. Velha e continua pelo Monte da Fonte Boa do Degebe, sítio romano da Quinta do Morgadinho, marco geodésico da Galvoeira/Pedras Brancas rumo à travessia da ribeira de Machede, dirigindo-se depois pelo Monte da Amendoeira rumo ao Monte da Barrosinha, onde André Carneiro e Francisco Bilou viram um miliário anepígrafo, no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), passando entre duas importantes villae, Courelas da Toura a norte e Herdade da Morgada a sul, onde apareceu uma placa funerária (FE 120) (vide Bilou, 2000a).

    S. Miguel de Machede (m.p. XII; segue a norte da povoação pelo Monte do Almo e da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo que assinalaria a milha 12)
    Travessia da ribeira da Pardiela (continua por Foros do Queimado, Monte dos Frades e Monte da Laje, entroncando pouco depois na EN254, cruza a ribeira do Freixo e segue junto do Monte do Zambujal e do antigo albergue da «Venda do Redondo»)
    Redondo (milha 18 ao Km 27 da EN254, onde toma o estradão de terra à esquerda que segue para o fortim romano do Monte do Almo, provável posto de controlo da via junto da travessia da ribeira de S. Bento, seguindo portanto a noroeste de Redondo; o trajecto continua pelos montes do Hospital, da Fonte da Cal, da Amendoeira e de Rial, cruza a EN381 e segue para Horta da Velhinha até entroncar novamente na EN254 ao km13, seguindo por esta até ao Alto das Cabeças, onde volta a derivar para cruzar a ribeira de Lucefecit em Galvões, seguindo depois junto da extinta Ermida de Santa Ana e do Monte da Galharda)
    Bencatel (m.p. XXXI; vicus no sítio de «Vilares» na Herdade da Galharda associado à extracção de mármore com pedreiras em Monte do Regoto, Monte da Lagoa, Monte d'El-Rei e Herdade da Vigária; junto do vicus apareceu uma inscrição dedicada a Fontano e Fontana na Fonte Terrenha situada no sítio da «Aldeia das Freiras», actual Azenha das Freiras; a via cruzava uma outra vinda de Estremoz para Alandroal rumo ao Guadiana)
    Vila Viçosa (m.p. XXXV; miliário a Constantino Magno achado nas redondezas, mas em sítio impreciso, IRCP 676, hoje no Museu Arqueológico local que guarda também o miliário do Monte de Alcobaça; três inscrições dedicadas a Proserpina na Ermida de Santiago, Largo dos Capuchos, onde deveria existir um santuário, pode indiciar a continuação da via pela actual rua da Carreira até S. Romão de Ciladas, onde entronca na via que corria entre Terrugem e Juromenha)

      Diverticulum para o Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Mataloto, 2001; Mataloto, 2002)
      Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou u pouco a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (de cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota) até ao Alandroal.


    Mapa



    Évora (Ebora) a Monsaraz (vide Carneiro, 2008)
    Existem dois possíveis trajectos rumo a Monsaraz:
    • Évora - Monsaraz por S. Manços: saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Monte da Mesquita (villa) e Horta do Albardão a nordeste de S. Manços (a Igreja de S. Manços assenta sobre o mausoléu, ainda visível da villa do Álamo da Horta), Vale de Ferreiros, travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para nordeste rumo a Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
    • Évora - Monsaraz por Ns. de Machede: este itinerário sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal, rumo a Ns. de Machede (há calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), atravessa a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), Monte do Bussalfão, Monte da Magalhoa, cruza a ribeira de Bencafete, S. Domingos da Ordem, Monte da Fragosa, Poço da Capela e S. Vicente de Valongo (fortificação romana no «Castelo Velho» na outra margem em Alcorovisca, anterior à construção do Castelo Real já na Idade Média; a sul temos o grande povoado indígena fortificado designado por Castelos de Monte Novo ou «Cidade dos Cuncos», o maior povoado da Idade do Ferro no sul de Portugal, situado junto da confluência entre a ribeira da Pardieira e o rio Degebe), continuando por Montoito, Falcoeiras e S. Pedro de Corval (villa no Monte dos Pássaros) até Reguengos e daqui a Monsaraz, onde há vestígios da via romana passando a nascente da povoação seguindo pelo Convento da Ns. da Orada, Ermida de Sta. Catarina (fragmento de miliário no interior a servir de pilar ao altar-mor) e Ermida de S. Lázaro rumo ao rio Guadiana (Wolfram, 2011) que cruzaria a jusante da confluência deste com o rio Azevel.
    • Évora ao Castelo da Lousa: também é provável uma travessia do rio Guadiana mais a jusante junto do Castelo da Lousa (statione fortificada hoje submersa pela Barragem do Alqueva que controlava esta passagem) continuando rumo a Villanueva del Fresno (?).

    Viae ab MIROBRIGA


    Mapa





    Santiago do Cacém (Mirobriga?)
    A importante cidade romana situada nos Chãos Salgados, junto a Santiago do Cacém é uma das melhores conservadas em Portugal, permitindo ainda hoje vislumbrar um pouco da sua vivência na época romana; localizada sensivelmente a meio da rota marítima entre o Promontorium Sacrum (Cabo de S. Vicente) a sul e Salacia a norte, tirava partido desta sua posição estratégica para articular e controlar o comércio entre o interior Alentejano e o resto do Império; excelente museu; dentro do núcleo urbano há uma pequena Ponte Romana.

    Alcácer do Sal (SALACIA) - Santiago do Cacém (Mirobriga?)
    Provável ligação entre as duas cidades, atravessando o rio Sado em Alcácer do Sal e seguindo aproximadamente a rota da EN120 por Grândola (provável mansio na villa do Cerrado do Castelo dentro da escola primária; a via continua pela EN120 (?) marginando a Barragem Romana do Pego da Moura ao km 26, continuando por Santa Margarida da Serra e Cruz de João Mendes, onde há diversos topónimos viários como «Vendinha», «Outeiro da Estrada», e Roncão, passando depois próximo do povoado da Idade do Ferro no Alto da Pedra da Atalaia.

    Santiago do Cacém (Mirobriga?) - SINES (Sinus?)
    Provável ligação a Sines, antigo vicus portuário associado a Mirobriga, dado que aqui foram recuperadas do mar duas âncoras romanas e várias cetárias, além de um forno para produção de ânforas no Lg. João de Deus junto ao Castelo; este porto viria a ser progressivamente desactivado com a construção no século II do porto da Ilha do Pessegueiro, onde ainda são bem visíveis vestígios da produção industrial do garum, em particular as cetárias para salga de peixe; o espólio recolhido em torno do castelo está no Museu de Sines, incluindo o pedestal de uma estátua a Marte Augusto, FE 230, e uma ara funerária, FE 231.

    Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Alvalade - Beja (PAX IULIA)
    Ligação entre estas importantes cidades passando por Alvalade ( vide «A ocupação romana em torno de Avalade» por Jorge Feio).
    Partindo de Santiago do Cacém, acompanhava a linha férrea por S. Bartolomeu da Serra e a sul de Abela (junto da Ermida de S. Brissos e da villa da Qta. da Corona, onde apareceu inscrição), percorria o Alto da Cruz do Carraqueiro e Alto de Cangalhas, continuando pelo Vale de Santiago e junto da villa da Ameira/Monte Brejo rumo à Ponte Medieval sobre da Ribeira de Campilhas (antiga ponte reconstruída no século XVI com possível origem romana) entrando de seguida em Alvalade (vicus viário na área do actual cemitério, cruzando aqui com a vias N-S para o Algarve; a travessia do rio Sado seria em «Porto Beja»), seguindo depois para sudeste, marginando a villa da Herdade de Conqueiros (3 inscrições funerárias na respectiva na necrópole em Figueira-de-Ametade, a 200m da villa, uma delas com o epitáfio de Brocina, IRCP 153), e seguia por Vale do Zebro, Monte Branco, S. João de Negrilhos (?), Ervidel (?) e próximo da villa de Santa Vitória, passando junto das magníficas ruinas da villa de Pisões, na Herdade de Algramaça e da villa das Reprezas rumo Pax Iulia (?).

    Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Messejana - Castro Verde - Mértola (MYRTILIS)
    Ligação entre Mirobriga e Myrtilis seguindo inicialmente o mesmo traçado da via para Beja até ao nó viário de Alvalade, continuando depois por Messejana, Castro Verde e Sta. Bárbara de Padrões até Mértola.

    Alvalade (cruza o rio Sado em «Porto Beja» e continua pelo Monte Velho da Daroeira, Alto de Terras Frias, Cerro do Chaparral e Monte do Sargaçal e Alto da Sra. da Assunção, marginando as villae de Rosário e da Herdade do Álamo do Meio onde apareceu o epitáfio de Meducenus)
    Messejana (castellum ou villa fortificada, possível mutatio, localizada no outeiro sobranceiro à povoação; epitáfio de Laberia Coimia na Barrada, outra no Monte do Reguengo; continua a poente da povoação por Aguentina do Campo, Monte da Estrada, cruza a EN263 no Alto do Laboreiro e segue próximo do Monte de Belmonte e Monte da Meia Légua)
    Alcarias, Conceição (mutatio?; continua próximo do sítio romano do Poço dos Tanques por Monte Gouveia e Monte Louisinha para cruzar a ribeira dos Aivados e a linha férrea junto do Monte da Ribeira; na Horta do Vale apareceu o epitáfio de Atellius Clemens, FE 559)
    Casével (epitáfio de Sagaius no Monte da Almoleias; epitáfio de Mitulus no Monte das Ramas; epitáfio de Iulia Materna na Herdade do Bispo; continua pelo do Monte Gregórios, passando a norte da Fonte de Milagre de S. Miguel que reutiliza materiais romanos, margina a villa de Almeirim e segue rumo a Castro Verde passando próximo do povoado de Borrinhachos)
    Castro Verde (cruza a povoação talvez pela rua da Liberdade e rua de Mértola, saindo depois pelo caminho que passa na Fonte das Bicas e na Capela de S. Sebastião rumo a Geraldos, onde cruza a ribeira de Maria Delgada, continua pelo Monte do Outeiro Novo passando nas proximidades da Capela de S. Pedro das Cabeças que assenta sobre um santuário romano, cruza a ribeira de Cobres junto do Monte Roxo, onde há necrópole, e segue pelo Monte das Cabeças, junto do castellum dos Namorados e Cruz do Castro)
    Sta. Bárbara de Padrões (possivelmente um vicus apesar da ausência de epígrafes, onde apareceu um extraordinário depósito de lucernas votivas; a via poderia continuar para Mértola por Sete, Espragosa, villa da Herdade de Santa Maria, S. João dos Caldeireiros, Ledo e Namorados)
    Mértola (MYRTILIS)

    • Percurso alternativo de Santiago do Cacém a Mértola por Aljustrel (VIPASCA):
      Partindo de Santigo do Cacém, seguia por Alvalade, Rio de Moinhos, Aljustrel (entrando pela necrópole de Valdoca e passando no povoado mineiro de Vipasca), continuando depois talvez pela ou pela calçada do Monte do Mau Ladrão, Monte da Nossa Senhora, Alto da Malhadinha e Monte Gavião onde cruza a ribeira de Louriçais (ponte e calçada), Monte da Barriga e Monte do Canal até Entradas , cruza a ribeira de Terges e segue pelo Monte da Carvoeira e Monte Novo das Alturas (estela funerária de Ulpius Obbidus no Monte da Fonte), rumo à travessia da ribeira de Cobres junto da fortificação conhecida por Castelo Velho de Cobres/Castelo de Montel, continua por Monte Salto e Minas da balança até confluir na EN123, seguindo depois pelo caminho que margina o fortim militar romano de Mata-Filhos situado nos contrafortes da Serra da Alcaria Ruiva e passa em Poço Tapado até confluir na EM510 e daqui rumo a Mértola.


    Santiago do Cacém (Mirobriga?) - Sagres/ Lagos (Laccobriga?)
    Provável via romana entre Santiago do Cacém e Lagos servindo os diversos complexos portuários espalhados ao longo da costa Alentejana, nomeadamente os de Sines, Ilha do Pessegueiro e Milfontes; a via segue aproximadamente a rota da EN120 pelo seguinte itinerário: De Santiago do Cacém segue por Muda, Cercal (pela EN120 até à «Calçadinha do Raco», onde sai da EN120 por Catifarras, passando a nascente da necrópole da Herdade do Raco), Odemira (cruza a ribeira de Despada, segue por Vale da Pedra e passa a nascente de S. Luís por Garatuja rumo à travessia do rio Mira, continua sob a EN120, saindo ao km 113 à direita rumo ao Moinho da Vagarosa, onde cruza a EM502-1), S. Teotónio (continua a poente da povoação; necrópole e sigillata na Ermida de S. Miguel), Odeceixe (cruza a ribeira de Seixe a nascente da povoação e segue pela calçada de Porto da Torre e depois continua sob a EM1002, marginando o vicus mineiro do Vidigal), Aljezur (cruza a ribeira homónima e ascende ao morro do Castelo até Portela Alta, continuando depois paralela à 1003-1 até ao Alto das Barreiras Vermelhas, onde toma o estradão por Craveira, Encruzilhada, Malhões, Palmeirinha, Monte Novo e Carrapateira, seguindo depois paralela à EN268 pelo Alto do Monte Queimado, Alto de Monteiros e Alto da Pena Furada até Vila do Bispo, podendo daqui ligar a Sagres.
      Ligação a Lagos: desta estrada poderia derivar uma ligação a Lagos, inflectindo em Monte Ruivo para sudeste rumo a Espinhaço de Cão, seguindo por Fronteiras (lápide sepulcral de Iulius Arenius, hoje no Museu de Lagos), Bensafrim (passa em Corte de Pero Jacques, junto da necrópole de Fonte Velha e do provável vicus da Hortinha, Monte das Figueiras (junto do provável vicus do Figueiral da Misericórdia/Cerro das Amendoeiras e da villa Jardim), daqui a Portelas (marginando a villa da Portela) rumo a Lagos.

    ITER XXII - Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI


    Mapa



    ITINERARIO XXII - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA) m.p. LXXVI
    Item ab BAESURIS
    per compendium
    PACE IULIA

    MYRTILIS
    PACE IULIA


    m.p. LXXVI
    m.p. XL
    m.p. XXXVI
    No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 121,6 km, o que corresponde aproximadamente à actual distância entre a Foz do Guadiana e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota muito mais longa que seguia mais para ocidente, interligando as principais cidades romanas do litoral Algarvio e do Alentejo. Neste itinerário há apenas uma estação intermédia situada em Mértola, constituindo o mais importante porto fluvial no hinterland Alentejano pelo que é muito provável que a etapa inicial do itinerário se fizesse por via fluvial, até porque se trata de uma das principais rotas comerciais do período romano. Acresce que as 40 milhas indicadas no itinerário (cerca de 64 km), correspondem exactamente à distância medida por via fluvial. Uma hipotética via terrestre marginando o rio apresenta-se de muita dificuldade dado o acidentado das suas margens e mesmo o povoamento romano observado surge sempre associado à actividade fluvial, com várias villae portuárias distribuídas ao longo das margens do rio, nomeadamente a villa do Montinho das Laranjeiras e as várias fortificações tais como o Cerro do Castelinho dos Mouros e o Castelo de Alcoutim. A partir de Mértola, a via percorria 36 milhas até atingir Beja, cruzando a ribeira de Terges junto do povoado romano do Mosteiro, onde deveria existir uma mutatio de apoio à via. Alguns autores como Mário Saa, Vasco Mantas e mais recentemente Francisco Bilou fazem passar a via pela rota da EN122 por Algodor e Vale de Açor, cruzando a ribeira de Terges junto da ponte actual, continuando depois por Alfarrobeira, Marco Quebrado, Picamilho, Falcões e Misericórdia rumo a Beja (vide artigo aqui). Este caminho tem de facto um trajecto mais suave, mas é moderno porque a distância total percorrida é de apenas 32 milhas e não as 36 indicadas no Itinerário XXI (vide Mantas, 1997a; Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006).

    Foz do Guadiana (BAESURIS) a Mértola (MYRTILIS) m.p. XL
    Guerreiros do Rio (fortim)
    Montinho das Laranjeiras (villa sobranceira ao rio; visitável)
    Vale de Condes (necrópole junto ao rio; villa ou vicus)
    Alcoutim (m.p. XX; o castelo assenta num povoado fortificado romanizado; possível localização de Praesidio, mansio indicada no Itinerário 23; ou em alternativa na outra margem, em Sanlúcar del Guadiana; Bendala, 1987)
    Mértola (MYRTILIS) (oppidum; porto fluvial; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como atesta o epitáfio de Peregrinus, originário de Útica, hoje Zana na Tunísia.

    Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA) m.p. XXXVI
    Mértola (a via partiria do Rossio do Carmo, junto do Museu da Basílica Paleocristã, onde se observaram vestígios de calçada e uma necrópole, e seguia pelo Cerro do Furadouro sob a EN122, desviando desta pela EN510 para Corte Gafo de Cima, passando no Monte de Vale Covo, antiga albergaria da estrada real mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM situada a 4 milhas de Mértola)
    Corte Gafo de Cima (cruza a aldeia e segue por Atalaia e Alto da Légua)
    Monte do Mosteiro (povoado romano e provável mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Terges; continua pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio)
    Vale de Russins/Rocins (continua talvez pelo Monte de Vale Loução de Baixo, Monte da Atalaia por estradão rectilíneo até ao Monte da Lagoa)
    Salvada (entra pelo cemitério e continua pela rota da EM511, passando próximo do Monte de Mértola)

    Beja (PAX IULIA) (chegava à cidade pelo Tanque dos Cavalos/Bairro de S. João, marginando a villa da Abóboda e entrava na antiga malha urbana pela Porta de Mértola, demolida em 1876 e posteriormente transladada para a Igreja da Ns. da Conceição onde ainda se encontra)

    Viae ab MYRTILIS


    Mapa





    Itinerários de Mértola (MYRTILIS) a Serpa (SERPA) e Sobral de Adiça (Arucci?)
    O conhecimento actual sobre a viação romana no território da civitas Myrtilensis é ainda muito limitado dada a escassez de vestígios viários, nomeadamente a ausência de miliários. Numa rede que privilegia antes de mais as ligações de grandes exploração mineiras romanas aos portos e principais centros urbanos; nesta rede o rio Guadiana funcionava como o grande canal de circulação do comércio com o Mediterrâneo. Em Mértola deveria existir uma Ponte Romana sobre o Guadiana que o Padre João Baptista de Castro refere no seu «Roteiro Terrestre» como já estando inutilizável pois tinhas apenas «seis arcos grandes e 4 pequenos, pois os outros lançaram abaixo os Árabes, e por isso a tal ponte não tem serventia» (Castro, 1767:21); actualmente o que resta da ponte é a chamada «Torre do Rio», embora o que lá existe já é uma reconstrução posterior apesar de reutilizar materiais romanos. Cruzada a ponte a via dirigia-se à Mina de São Domingos, bifurcando aqui rumo a Serpa e a Sobral da Adiça, podendo também cruzar o rio Chança rumo à Bética.

    De Mértola (MYRTILIS) às Minas de São Domingos
    m.p. XI
    Estrada romana que ligava o Porto de Mértola às minas S. Domingos, permitindo o escoamento de minério. Actualmente a via é visível na margem esquerda do rio, partindo de Além-rio (junto dos celeiros da EPAC) para nascente por um troço calcetado que segue por 2,2 km até Casa Branca, designado por «Estrada Velha», passando junto do povoado pré-histórico do Cerro do Calcolítico e do topónimo viário Carrasqueira, continua sob a EN265, reaparecendo adiante da antiga Casa dos Cantoneiros, ao Km 65, continuando paralela à estrada actual em calçada rumo ao Complexo Mineiro de São Domingos (muitos vestígios de mineração e de um povoado mineiro).

    Das Minas de São Domingos a Sobral de Adiça (Arucci?)
    m.p. XXXIII
    A partir de São Domingos a via prosseguia pelo «Serro do Tesouro» até Corte do Pinto, marginando o sítio romano de S. Simão, onde deveria bifurcar a via para Serpa, enquanto esta via seguia sempre paralela ao rio Chança percorrendo 25 milhas até Messangil, e daí a Moura mais seguia por mais 13 milhas, perfazendo um total de 37 milhas; junto do Posto Fiscal de Vale Covo poderia existir uma mutatio dado que esta local está exactamente a meio percurso entre São Domingos e Messangil, ou seja a 12,5 milhas de ambos. Este trajecto teria de cruzar necessariamente com a Via de Serpa a Paymogo possivelmente junto do Monte de São Marcos, onde também poderia existir uma mutatio. A partir de Corte do Pinto, a via segue o EM1096 por Alto de Santa Luzia (de onde partiria uma ramal de acesso à mina romana da Volta Falsa, cruzando o rio Chança junto do Serro do Marco), cruza o Barranco dos Alcaides e segue por Monte do Corte de Azinha (passando junto do sítio romano do Monte do Convento, onde existiu uma capela datada dos séculos VI-VII, na divisória com o Concelho de Serpa), continuando por Alto das Zorras, Monte de S. Marcos, Alto do Pêgo, Alto de Casares, Vale Covo e Alto da Vigia, onde entronca na EN392, continuando por Carepetal (topónimo Barranco da Légua), Cruzeiro do Alto da Boa Vista até à Aldeia Nova de São Bento (villa) que cruza tomando depois o CM1052 que passa a nascente do Monte de Valverde, seguindo rumo à «Fonte de São Miguel Finis», onde existiria uma mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Enxoé.
    Messangil, Vale de Vargo (provável mutatio junto da Fonte de São Miguel Finis).

    Das Minas de São Domingos a Serpa (SERPA)

    Inicialmente a via seria comum à anterior até Corte do Pinto desviando aqui por Monte do Filipe Anastácio, Alto do Posteiro Formoso, Monte do Augusto Guerreiro, Monte do Isidro da Palma, Monte do João Nicolau e Monte do Custódio Heleno, pela estrada que hoje divide os concelhos de Mértola e Serpa, continuando depois por Monte da Sobreira Formosa e Vales Mortos até ao Alto das Fontainhas, onde deveria reunir com a via transversal de Serpa a Paymogo seguindo por esta até Serpa.


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    Itinerários de Mértola (MYRTILIS) ao Algarve
    Itinerário Mértola (MYRTILIS) a (BALSA): provável itinerário romano que partia do Porto de Mértola e seguia aproximadamente a estrada actual EN122 até Álamo, onde bifurcava a via para Alcoutim, continuando por S. Bartolomeu de Via Glória e pelo povoado romano junto da Ermida de S. Bartolomeu rumo à travessia da ribeira do Vascão junto do povoado islâmico do Castelo das Relíquias, topónimo «Moinho da Estrada», continua talvez nas proximidades de Giões, Santa Justa, cruza a ribeira de Foupana junto das minas do Monte das Ferrarias em Vaqueiros (casal), continua por Taipas, Cabeça Gorda e Água de Fusos, seguindo depois a rota da EN397 até S. Domingos de Asseca onde cruzava o rio Séqua/Gilão rumo a Balsa (Luz de Tavira).

    Itinerário Mértola (MYRTILIS) a Faro (OSSONOBA): derivando da anterior poderia existir uma outra via mais a oeste seguindo pela chamada «Estradinha da Corcha» que passa no Cerro da Má Noite, localizado nas proximidades do Castelo do Manuel Galo (Maia, 1986), continuando por Corcha rumo à travessia da ribeira do Vascão junto do Monte do Barranco, seguindo depois por Pessegueiro; o resto do itinerário está descrito no sentido inverso na via Faro - Mealha - Beja.
    Outras Vias do Algarve


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    VIA LITORAL de Faro (OSSONOBA) - Portimão - Alvor (IPSES) (m.p. XLII)
    É muito provável a existência de uma via ao longo do litoral algarvio ligando Ossonoba a Ipses, ou Ipsa, localizada no Alvor. A via seguiria assim por um percurso sensivelmente paralelo à actual EN125 por onde a passagem é mais facilitada (vide Rodrigues, 2004). Esta via não é mais do que a continuação do Itinerário XXI no troço entre Baesuri e Ossonoba. Desta via partiriam diversos ramais de ligação às villae e respectivos complexos industriais de preparação de garum instalados ao longo da linha de costa Algarvia como evidenciam os sítios romanos de Salgados, Ludo, Porto das Vacas e Casas Velhas, o complexo industrial da Qta. do Lago, do qual restam as cetárias junto da foz da ribeira de S. Lourenço, o importante sítio de Loulé Velho na Praia do Trafal, do qual pouca resta devido à erosão da costa pela acção do mar, tal como o complexo industrial da Quarteira, hoje submerso a 8m de profundidade.

    Faro (OSSONOBA) (na parte inicial seguia a mesma rota do Itinerário XXI até ao nó viário de Almansil)
    Almansil (m.p. VIII; continua a sul de Pereiras, cruza a EM527 e a EN396 e segue por Cascalheira e Bacelada, continuando a norte de Vilamoura pelo caminho paralelo à EN125 que apesar de cortado em vários pontos ainda mantém destacado na paisagem passando nas traseiras da zona industrial, junto do depósito de água de Vilamoura e ao lado do Colégio Internacional até confluir na EM526 rumo à travessia da ribeira da Quarteira na Retorta)
    • Ramal de ligação a Vilamoura:
      Hipotético ramal ligando a litoral ao Porto Romano do Cerro da Vila em Vilamoura, podendo derivar em Almansil pelo actual caminho para Quarteira por Escanxinhas, Fonte Coberta, Almarjão, Fonte Santa e Almargem até Vilamoura (vicus portuário do Cerro da Vila, a «villa moura») da qual restam ainda importantes vestígios ocupando uma extensa área junto da actual marina assim como no sítio de Vale Tesnado onde há indícios de barragem relacionada com o sistema de abastecimento de água ao povoado; a urbanização turística destruiu muitos dos antigos caminhos mas é bem provável a existência de uma ligação partindo do vicus pela antiga zona agrícola de Vilamoura até à Qta. de Quarteira, actual «Estalagem da Cegonha», onde voltava a reunir com a via principal antes da travessia da ribeira da Quarteira junto da Ponte do Barão.
    Ponte Romana?-Medieval do Barão/Retorta (m.p. XVI; ponte com possível fundação romana sobre a ribeira da Quarteira junto da qual existia um importante sítio romano, o vicus ou villa da Retorta e respectiva necrópole cujo espólio está no Museu de Albufeira e no Museu de Loulé, em particular uma árula votiva; na outra margem, surge o sugestivo topónimo de Vale de Carro; continua sob a EN526 por Patã de Baixo, Vale de Navio, desviando depois por Lajeado e Brejos)
    Cerros Altos/Poço do Barnabé (sítio romano situado a sul da Mosqueira, possível villa agrária e mutatio dado estar a 20 milhas de Faro; aqui apareceu a ara de Silvanus que está hoje no Museu de Albufeira, e que poderá corresponder à «Estalagem da Nora» referida no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    Ferreiras (vestígios em Tomilhal e Ataboeira, indiciam a passagem a via a sul a EN125; depois de cruzar a ribeira de Albufeira, continua pelo Caminho do Tomilhal, Ataboeira, Álamos e Tavagueira, actual «rua do Fumeiro»)
    Guia (m.p. XXV; peso de lagar na Qta. do Coelho; continua paralela e a sul da EN125, passando junto do parque aquático onde vencia a m.p. XXVI)
    Pêra (possível ramal de acesso ao vicus? portuário de Armação de Pêra)
    Ponte de Alcantarilha (m.p. XXVIII; continua talvez pelo caminho rural a sul da EN125 pelos sítios da Torre e Areias de Porches)
    Porches (m.p. XXXI; entra pela rua da Chaminé, passa na Igreja e continua talvez a sul da EN125 por Cabeços, confluindo na EN125 pouco antes de Lagoa, junto das alminhas)
    Lagoa (m.p. XXXIV; notícia do aparecimento em 2017 de um «empedrado» junto da «Nobel School» e da EN125; a via cruzaria a povoação e seguia por Belmonte até Estômbar, caminho hoje cortado pela EN125)
    Estômbar (m.p. XXXVI; entra na povoação junto da escola e sai pela Estrada das Hortas; segundo Sandra Rodrigues a via continuava talvez junto dos topónimos viários «Corredoura» e «Passagem», este junto da Qta. de S. Pedro, chegando ao rio Arade na zona de Parchal, onde se regista o topónimo «Calçada da Barca»; em alternativa a via poderia seguir a EN125 até Mexilhoeira da Carregação, cruzando o Arade junto da Ermida de St. António?)
    Portimão (m.p. XXXVIII; na foz do rio Arade poderia existir uma travessia por barca, seguindo depois por Mexilhoeira Grande rumo aos portos de Alvor e Lagos; a via poderia continuar para Alvor pela EM531-1 ou seguir mais a norte marginando as importantes villae do Vale da Arrancada e da Qta. da Abicada rumo a Lagos.
    • Alvor (IPSA) (m.p. XLII; vicus portuário, provavelmente a Ipsa das fontes clássicas, com base numas moedas aqui encontradas com a legenda IPSES).
    • Lagos (Laccobriga?) (há vestígios de uma olaria e cetárias no centro urbano, mas o oppidum deverá corresponder aos vestígios romanos do Monte Molião, estrategicamente situado num pequeno outeiro com domínio visual sobre o porto marítimo; barragem romana em Fonte Coberta; villa? na Colina de S. Pedro)
    • Continuação de Lagos a Sagres, hipotética continuação da via por Vale de Boi, Budens, Figueira, Raposeira e Vila do Bispo, servindo no seu trajecto os vários sítios romanos de exploração dos recursos marinhos e agrícolas distribuídos ao longo da costa, como a villa da Praia da Luz (aberta ao público; na frente marítima), a villa de Burgau (vicus portuário?), a villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens, as cetárias da Praia de Beliche e a villa da Praia de Salema, constituindo um verdadeiro pólo industrial para produção de garum e apoiado pelo centro oleiro para fabrico de ânforas na falésia da Praia do Martinhal em Sagres; no limite oeste situa-se o Cabo de São Vicente que deverá corresponder ao Promontorium Sacrum das fontes clássicas.


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    Outros Itinerários do Algarve
    Para além das vias indicadas no I.A. e da Via Litoral de Faro ao Alvor, existiam muitas outras vias na região do Algarve, nomeadamente a via de Tavira a Querença (confluindo na via principal para Alcácer do Sal descrita no Itinerário XXI) e a via para Beja por Moncarapacho, Sta. Catarina da Fonte do Bispo, Mealha, S. Pedro de Solis e Sta. Bárbara de Padrões (Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006).

    Tavira a Querença por São Brás de Alportel
    Esta variante da Via Baesuris a Ossonoba seguia mais a norte pelo Barrocal interligando uma série de povoados romanos e cruzando com as várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo; derivava da via principal após a travessia do Gilão em Tavira e seguia talvez por Vale da Asseca (villa em Paúl, onde apareceu a inscrição de Salinianus, originário de Singilia Barba, cidade localizada a noroeste de Antequera) e Marco, seguindo sob a actual EN270 até Sta. Catarina da Fonte do Bispo (marginando a villa de Paúl em Alcarias); daqui continuava por Montes e Lagares, Ponte do Arroio, Espartosa, Ponte do Bengado (referência a dois troços de calçada, um paralelo à EN270 entre o Km 46 e 47 e outro junto do Casal romano do Bengado), São Brás de Alportel (aqui conflui também uma via proveniente de Faro). Continua a nordeste da vila próximo de Alcaria, onde há necrópole, Cerro de Alportel, Juncais, Fontainha e Corte, entra no concelho de Loulé por Almarjão, seguindo o caminho pela margem esquerda da Ribeira das Mercês até confluir na EN396, continuando pelo caminho à esquerda antes da ponte, seguindo para a travessia da ribeira das Mercês na Fonte da Esparrela, subindo depois por Taliscas e Portela a Querença.

    Faro a S. Brás de Alportel
    Faro (OSSONOBA) (inicialmente seguia a estrada para Balsa, derivando desta junto da ermida de S. Luís, junto do estádio, onde inflectia para norte rumo a Estoi pela Estrada da Penha, EM519; continua por Conceição, passando próximo dos Monte da Meia Légua e de Porto Carro)
    Estoi (m.p. V; importante villa Milreu; daqui a via seguia inicialmente pela rua Pé da Cruz e depois pelo caminho a meia-encosta ao longo da margem esquerda do rio Seco, contornando o Cerro da Bemposta pela vertente poente, passando junto da necrópole de Cancela rumo à travessia do rio Seco em Porto Velho)
    Machados (m.p. X; villa em Vale do Joio; do rio Seco sobe à EN2 que percorre durante 1,4 Km, saindo depois à direita pelo caminho de terra, conhecido por «Calçadinha» rumo a Hortas e Moinhos)
    S. Brás de Alportel (m.p. XI; chega pela «Calçadinha» que desemboca na Igreja Matriz, continuando de encontro à via de Tavira - Querença)

    São Brás de Alportel a Loulé
    São Brás de Alportel (continua a sul da EN270 por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro (calçada), cruza a EN270 e segue por Vilarinhos, Carrascal e Capela de S. Romão (onde apareceram duas inscrições funerárias, uma com o epitáfio de Licinia e outra com o epitáfio de Caecilia Marina, originária de Ossonoba), continuando por Poço Largo, Fonte de Apra, Torre de Apra (villa; capitéis e colunas no Museu de Loulé; ara votiva de Ophime/Trophime e ara votiva aos Lares(?) de Paccius Fronto, hoje no MNA), chegando a Loulé (poderia continuar para Boliqueime por Lagoa de Momprolé, EN270)

    Faro a Beja por Moncarapacho e Fonte do Bispo
    Este itinerário parte Ossonoba rumo ao Moncarapacho e Sta. Catarina da Fonte do Bispo, seguindo inicialmente a via litoral para Balsa até Quatrim, atravessando a ribeira de Marim a jusante da Ponte Velha de Quelfes, e depois pelo "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (Louro, 1929 p.60). No entanto, existiam também ligações a partir de Balsa, uma rumando directamente a Sta. Catarina e outra seguindo inicialmente a via para Ossonoba e depois inflectindo para norte próximo do sítio da Fonte Santa, seguindo pelo lugar de Gião rumo a Moncarapacho (EM1335), onde conflui na via proveniente de Ossonoba. (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)

    Faro (inicialmente seguia a via para Balsa até Quatrim, inflectindo depois para norte por Laranjeiro e Lagoão, EN398)
    Moncarapacho (outra possível localização da Statio Sacra referida no «Ravennatis»; vide Museu Paroquial de Moncarapacho com um importante acervo romano)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Tronco (aqui começa o antigo caminho com vários troços de calçada intermitente com 1300 m seguindo por Poço do Concelho e pelo Vale da Serra na vertente poente do Cerro de S. Miguel)
    Foupana, Moncarapacho (cruza a ribeira de Arroio na Ponte da Torre)
    Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada em Montes e Lagares ao longo do Ribeiro do Lagar rumo a Porto Carvalhoso, onde cruza a ribeira de Alportel)
    Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo? (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto?)
    Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa? (continua por Castelão e Feiteira?)
    Travessia da ribeira da Foupana em Estraga Mantens? (continua por Cerro da Ginêta e Monte da Valeira)
    Mealha, Cachopo (continua por Alcarias Pedro Guerreiro e atravessa a ribeira da Corte junto do Monte da Estrada)
    Moinho do Pereirão (onde se divide em duas possíveis variantes)
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por Semblana: a partir do Moinho do Pereirão poderia existir uma variante que cruzava o rio Vascão junto da ponte actual e seguia por Santa Cruz, Monte das Viúvas, Monte da Vinha, EM1170, Semblana (estação viária mencionada como Sembrana no «Roteiro Terrestre» do MPAM), Sra. da Graça dos Padrões (castellum dos Mestres) e daqui por Lombador até Sta. Bárbara de Padrões (Maia, 2006).
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por S. Pedro de Solis: seguia por Pessegueiro e próximo do sítio romano de Curralinhos, possível mutatio junto à travessia da ribeira do Vascão nas poldras aí existentes, subindo ao Monte do Barranco, de onde poderia derivar uma outra via rumo a Mértola passando por Corcha, Lobato e paralela à EM1175, enquanto esta rota seguia por Castelejo rumo a S. Pedro de Solis (troços de calçada no caminho por Alcaria das Bichas, Minas do Barrigão, Miguenzes, ribeira de Carreiras e Caiada, ribeira de Oeiras, Rosa Gorda e Herdade da Espanca), em Sete (Septem?) cruza a ribeira homónima e segue até Sta. Bárbara de Padrões (possivelmente um vicus apesar da ausência de epígrafes, onde apareceu um extraordinário depósito de lucernas votivas; Maia, 2006).
    De Sta. Bárbara de Padrões a Beja (PAX IULIA)
    Namorados (villa fortificada no Castelo dos Namorados)
    Travessia da ribeira de Cobres (entre Cabeças e Pereira?)
    Travessia da ribeira de Maria Delgada (junto do santuário romano do Alto de S. Pedro das Cabeças)
    Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho e cruza a ribeira de Terges junto da villa do Monte da Perdigoa; continua a poente da povoação de Entradas, passando no Monte das Fontes Bárbaras, cruza a ribeira Cinceira, Monte do Paraíso, Monte do Canal, Alto da Lapa, Alto da Malhada Nova, Alto da Lagoa, onde inflecte para o Monte da Charnequinha)
    Albernoa (segue a poente pelo CM1092 por Alto das Marzalonas, Alto de Linhares, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
    Santa Clara de Louredo (miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano, IRCP 669, achado na Qta. de Sta. Clara de Louredo e hoje no Museu Regional de Beja, B-125; inscrição funerária em Boavista; a via passaria junto da Herdade da Calçada, onde há vestígios da via e seguia depois recto a Beja pelo caminho de terra que cruza a linha férrea em frente do quartel do Regimento de Infantaria, junto da villa de Vale de Aguilhão, perto da qual apareceu o epitáfio de Maura, continuando depois pelo Monte Alegre, onde cruza o IP2, entrando na cidade pela chamada «Estrada da Calçada» e pelo Bairro do Alemão)
    Beja (PAX IULIA)

    Garvão ao Algarve por São Bartolomeu de Messines
    Outro possível itinerário entrava no Algarve por São Bartolomeu de Messines, aproveitando o extenso vale, orientado noroeste-sudeste, que divide a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão, mas o percurso é ainda hipotético dada a difícil orografia das serranias que separam as regiões do Alentejo e Algarve; a partir do nó viário de São Bartolomeu de Messines, a estrada dividia-se em várias direcções rumo aos principais portos e povoados situados no barlavento algarvio, nomeadamente os portos de Vilamoura, Portimão, Alvor e Lagos.

    De Garvão a Messines por Santa Clara-a-Velha
    A via seguia talvez por Furadouro e Franciscos, local onde há vestígios de uma provável villa, continuava para sul, passando na Aldeia das Amoreiras (EN123?), S. Martinho das Amoreiras (ao km 32 da EN123 desvia para Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Portela das Estaquinhas, Corte de Brique, Corte de Lã), Santa Clara-a-Velha (continua por Viradouro, EN266, cruza o rio Mira nas proximidades da arruinada Ponte de D. Maria, obra do séc. XVIII e continua por Sabóia, Pereiras, Portela dos Termos e Porto dos Almocreves), S. Marcos da Serra (tesouro; cruza o rio Arade a jusante da confluência da ribeira do Gavião).

    São Bartolomeu de Messines (importante nó viário do Algarve ocidental, articulando a travessia da serra com os acessos aos principais portos do litoral Algarvio; villa na Capela de S. Pedro; base de estátua a Júpiter em mármore, hoje no Museu de Évora)
    • Ligação a Vilamoura (Salacia?), saindo pelo Monte Ruivo, onde há vestígios de calçada com 500m e restos de estruturas de uma possível ponte sobre o ribeiro de Meirinho (Gomes, 2002:159; Cabrita, 2014), continuando por Portela de Messines, Paderne (cruza a ribeira da Quarteira, talvez junto da povoação actual e não da Ponte Medieval situada na base do castelo; no entanto, a via segue talvez pelo caminho que contorna o castelo pelo lado norte, continuando por Malhão, Malhadas e Aroal), continua por Boliqueime, Povo Velho e Qta. da Quarteira/«Estalagem da Cegonha», rumo ao vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura.
    • Ligação a Albufeira, seguindo pela calçada da Ladeira da Bernarda até Algoz (vestígios em torno da Capela da Sra. do Pilar) e depois por Guia até Albufeira (+- a EM526-1).
    • Ligação a Portimão por Silves, seguindo pela margem esquerda do Rio Arade por Calçada, Cano, Cortes (villa), Torre, Cumeada até Silves (provável localização do povoado proto-histórico de Cilpes no perímetro urbano ou no povoado do Cerro da Rocha Branca ou da Guerrilha sobranceiro ao rio Arade, a cerca de 1 km a jusante), continuando depois para Estômbar (troços de calçada, cruzando a A22) continuando até ao rio Arade que cruzava por barca para Portimão.
    • Ligação de Silves a Lagos (Laccobriga?), derivando da anterior, cruzava o rio Arade em Silves e seguindo talvez pela Qta. do Arge, Alfarrobeira, Alto da Albardeira até ao povoado do Monte Molião, dominando a ponte da actual EN125 em Lagos, percurso pontuado por sítios romanos em Odiáxere (Vale da Lama), Palmares e Torre.
    • Variante a Lagos por Monchique, talvez derivando da anterior em Sabóia e seguindo por Nave Redonda (calçada; segue a EN266 pelo Alto do Embarradouro?), Monchique (calçada em Nave, Rencovo e Cerro da Vigia; desce às Caldas pela calçada do Pé da Cruz e pela calçada de Palmeira), Caldas de Monchique (termas romanas onde apareceu uma árula dedicada às Águas Sagradas ou aquis sacris hoje no Colecção das Termas) e Porto de Lagos, podendo daqui ligar a Lagos (Laccobriga?) ou continuar até vicus portuário do Alvor (Ipsa).
    • Ligação a Salir, rumando de Messines para leste pelo caminho que margina os lugares e topónimos viários do Castelo, Portela, Messines, Cerca da Renda, Fonte Santa (necrópole), Torre, Perna Seca, Alcaria do João e pelo «Caminho Velho» para Alte (ara funerária de Tiberius Honorius Rufus na Qta. do Freixo, hoje no Museu de Silves; villa? em Sta. Margarida), continua por Benafim Pequeno, Penina, Vale do Álamo, cruza a EN124 em Pena e continua a sul da rua da calçada por Cerro das Casas e Almarginho e Fonte Figueira rumo à Ponte de Salir sobre a ribeira dos Moinhos e sobe a Salir e daqui a Ossonoba (Faro) pelo percurso descrito no Itinerário XXI, ou seguir a via para Balsa (Torre de Aires) por São Brás de Alportel.


    VIAE AQUILONEM FLUMINIS DURIUS

    Viação secundária romana a norte do Rio Douro
    A rede viária secundária a norte do rio Douro continua ainda por desvendar dada a complexidade de caminhos antigos existentes num terreno muito acidentado e ao escasso número de miliários encontrados até agora. Muitas serão rotas pré-romanas ligando os imensos castros e povoados da região, renovadas e ampliadas durante a era romana e muitos outros serão já medievais, constituindo um imenso património de pontes e calçadas a exigir urgente preservação. O itinerário medieval entre Braga em Monção já existiria no período romano atendendo aos silhares com marca de fórfex na Ponte de Ázere. Também é provável que existisse pelo menos um itinerário romano no sentido O-E ligando Braga a Zamora e Salamanca, passando nas «Terras de Panóias» (a leste de Vila Real), continuando por Murça, Mirandela e Miranda do Douro para Zamora (Ocelo Durum), ou por Carlão, Vila Flor, Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo rumo a Salamanca (Salmantica). Também é provável uma via N-S que cruzava com estes trajectos no Alto do Pópulo e em Carlão rumo às civitates da margem sul do Douro como Freixo de Numão. Os possíveis miliários de Vila Marim e Constantim, ambos próximos de Vila Real, parecem estar alinhados com este itinerário assinalando a sua passagem em Vila Real, onde cruza o rio Corgo, mas é mais provável que estes miliários pertençam às vias no sentido N-S entre Chaves e o rio Douro, estando o miliário de Constantim inserido na Rota Chaves - Covelinhas e o miliário de Vila Marim inserido na via Rota Chaves - Lamego que passava a poente de Vila Real, seguindo em direcção a Peso da Régua ou a Cidadelhe (Mesão Frio), onde também há referência a um possível miliário. A fundação de Vila Real na Baixa Idade Média através da aglomeração de 3 aldeias (Sesmires, Vilalva e Veiga de Cabril), num local estratégico como é travessia do rio Corgo, vem a criar um importante eixo viário medieval O-E que irá tornar-se na principal ligação entre Porto a Bragança que permanece ainda hoje e que tanto confunde o levantamento da viação romana nesta zona. No entanto não se pode descartar a possível origem romana deste itinerário.


    Braga
    Monção
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    Monção a
    Melgaço


    Castro
    Laboreiro










    Braga - Arcos de Valdevez - Monção
    A velha estrada medieval de Braga a Monção corresponde a um importante eixo viário S-N que ligava o rio Cávado ao rio Minho pelo Vale do rio Vez. O caminho já seria utilizado em época romana embora como via secundária dada a ausência de miliários, funcionando como uma alternativa paralela à via militar XIX para Valença. A existência de várias pontes ao longo do seu percurso construídas na Alta Idade Média atestam a importância que este percurso teve nesse período, mas não sabemos ainda se alguma delas já existiria em época romana como é o caso da ponte sobre o rio Cávado em Vila Verde, mencionada num documento do ano 960 como ponte petrina (in PMH DC 81), a Ponte de Ázere que apresenta marcas de fórfex e o típico aparelho almofado romano embora haja dúvidas sobre a sua antiguidade e a Ponte de Vilela sobre o rio Vez que é mencionada já em 1258 nas «Inquirições Gerais». Partindo de Braga, a via seguia então por Vila Verde, Arcos de Valdevez e Portela do Extremo rumo à travessia do rio Minho junto a Monção, existindo 2 possíveis pontos para essa travessia: no lugar da Barca, junto do antigo povoado de Cortes/«Monte Santo» (vestígios da necrópole) e outro junto da Torre Medieval de Lapela; na rota para Cortes existe uma ponte em Troporiz conhecida pelo sugestivo topónimo de Ponte da Calçada, uma construção algo atípica eventualmente com origem romana dado utilizar silhares almofadados no seu único arco; no entanto, tal como na Ponte de Azere, esta técnica construtiva poderá ser muito mais recente. Também é proposto um hipotético itinerário entre Monção e Melgaço passando em duas pontes medievais que alguns chamam de «romanas» sem grande fundamentação, a Ponte de Mouro (Barbeita) e a Ponte de Folia (Remoães); (CAF Almeida, 1968; Marques, 1984; Almeida CAB, 2005) e algumas possíveis rotas em torno de Castro Laboreiro.

    Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, a via seguia talvez pela actual rua de S. Martinho até Dume, continuando depois por Espeçande, Assento, Palmeira/Aldeia, Lamela e Verdasca)
    Travessia do rio Cávado (a referência a uma ponte petrina neste local no ano 960 indicia uma possível cronologia romana desta travessia; in PMH DC 81)
    Vila Verde (continua por Barco, Lagoa, Felinho, Venda, Lampadela, Av. Cruz do Reguengo até ao estádio de futebol, onde toma o estradão que vai cruzar a ribeira do Tojal na «Ponte Romana» em Fundevila e segue para Sabariz, cruza o CM1199 e continua pela rua da «Via Romana» até entroncar na EN308 que segue por 200m para depois tomar o CM1200 por Cantinhos, Igreja de Lanhas, Paço, Lajes, e EM537 por Pico de Regalados, Vinhais, Barral, Pico, Outeiro, Portela de Vade, Ponte da ribeira de Preizal, Ponte Medieval da Agrela sobre o rio Vade, Venda Nova, nova Ponte sobre o rio Vade e sobe a Permedelos; na elevação conhecida por «Os Castros» em Aboim da Nóbrega, apareceu uma ara votiva colocada por Flavinus talvez à divindade Belso)
    • Castro de Caldelas: entre esta via e a via militar XVIII ou via nova que seguia por Amares, existe um castro romanizado conhecido por Citânia de São Julião de Caldelas, onde apareceu uma estátua guerreiro, atestando a sua importância; o vicus romano poderia situar-se nas actuais Termas de Caldelas visto que aquando da sua construção em 1803 apareceram duas aras votivas às Nymphas, (divindades associadas ao culto das águas, hoje depositadas nos jardins do Hotel da Bela Vista), além de uma necrópole e alguns fustes de colunas, indiciando um local de culto eventualmente associado a um vicus.
    • Na Casa da Pousada em S. Tomé de Vade apareceu uma estela com inscrição a Meducea.
    Castro (continua por Cachada rumo à Ponte Medieval sobre o rio Vade)
    Ponte da Barca (povoado no Outeiro de Santar; a ponte medieval sobre o rio Lima data do século XIV pelo que na era romana o cruzamento poderia ser por barca)
    Arcos de Valdevez (segue junto dos sítios romanos do Paço de Giela e da Qta. do Real/ Rial, onde apareceram duas epígrafes; EN202-2)
    Ázere (a via passa junto da igreja paroquial e do antigo convento, na base do castro romanizado de S. Miguel-o-Anjo, de onde serão provenientes uma ara dedicada à divindade Lalaecus(?) e outra dedicada à mesma divindade (?), hoje no Museu Pio XII em Braga; a poente fica o castro romanizado do Monte Castro/Eiras/Vilar)
    Ponte Romana-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex indiciam uma possível origem romana; continua pelo «Caminho da Ponte Velha» e «Caminho da Pedra Chão» por Bouça, Porta, Couto, Castro)
    Gondoriz (m.p. XXVIII junto da igreja; continua por Zebra, Gerei, S. Cosme e S. Damião; ara dedicada ao Soli Invicto na Igreja de Sá e outra anepígrafa nas proximidades; na outra margem do Vez situa-se o castro romanizado de Anhó/Reboreda em Santa Vaia de Rio Moinhos, de onde será proveniente a ara à divindade Carus Conservatori que apareceu na capela de S. Cipriano ou Cidrão, actualmente no MNA)
    Vilela (m.p. XXXI; cruza o rio Vez na Ponte Romana?-Medieval e segue por Choças, S. Martinho, Sra. da Cabeça, Álvora e Portela de Vez; +-EM505)
    Portela do Extremo (m.p. XXXV; nó viário; mutatio?)

    Variantes entre Portela do Extremo e Monção:
    • Variante por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pela rua da Coutada de Baixo, seguindo a vertente poente do monte até Cova da Loba, atravessa o rio da Gadanha e segue por Rio Bom, onde reencontra a estrada actual para Chim, continuando por Capela de St. Estevão, Tariz, Sande, pelo caminho da Covela e Venda até Cidade onde atravessa o rio do Vale (possível castro? no Outeiro da Torre), continua para Moreira (pelo lugar de Catelinha), Cheira, Regueiro até Eirado, onde inflecte para poente, cruza a EN101 e segue por Requião (Santa Cruz) e Mazedo (Igreja), podendo seguir daqui para a travessia do rio Minho no lugar da Barca entre Qta. das Vianas e Lodeira, passando por Pegadeira e Boavista (Almeida, 2005), ou seguir por Cruzeiro e Sobreiro rumo ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» situado entre Ribeiras e Bergela na freguesia de Cortes (Marques, 1994).
    • Variante por Pinheiros: esta variante poderia derivar da anterior na Portela de Extremo, seguindo pela margem esquerda do rio Gadanha (+- a EM507), passando por Portela de Regoufe, Barroças, Lapa, Sra. da Agonia, Cristelo, Pias, Pinheiros (EM506, EM502 até ao campo de futebol), Motas, Soalhosa, Souto (CM1088), onde atravessa o rio Gadanha na Ponte Romana? da Calçada (pedras almofadadas no intradorso do arco, mas sem marcas de fórfex; serão romanas ou mais recentes?), continuando depois por Rebouça e Qta. da Portelinha até ao vicus do «Monte Santo»/«Subidade» de Cortes, onde conflui com a variante que vinha por Moreira.
    • Ligação a Lapela, derivando da anterior na zona entre Pinheiro e Motas, descendo depois pela Qta. da Serra e Qta. de S. Lourenço até à Torre Medieval de Lapela, estrutura medieval que controlava a travessia do Minho neste local (na outra margem subsiste ainda o topónimo Barca).
    • Variante por Longos Vales: também poderia existir uma outra via rumo ao rio Minho por Longos Vales, seguindo entre a Citânia da Cividade no Monte Castro e o Castro romanizado do Monte de S. Caetano, com vestígios romanos no Mosteiro de S. João, descendo depois até Monção ou Bela.

    Monção (o antigo vicus poderia ficar no «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes; actividade mineira)

    • Ligação de Monção a Melgaço, seguindo por Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz, onde apareceu um cipo funerário, uma ara votiva e uma estatueta de Togado nas margem do rio Minho, seguindo depois junto dos Castros romanizados do Monte Redondo e de Cristêlo até Poldras onde atravessa a ribeira de Silvas), continua por Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte da Ns. da Assunção), Ponte Medieval de Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça; topónimos Portela e Albergaria; 2 aras), Penso (Monte do Castro), Paderne (Cividade), Ponte Medieval sobre a ribeira de Folia (junto das Termas do Peso), Remoães e finalmente Melgaço. Esta via poderia continuar para a Galiza saindo da povoação pelo Bairro da Calçada, EN301, e passando junto da Capela de S. Julião e na Igreja Românica da Ns. da Orada rumo à travessia do rio Trancoso na Ponte Velha de S. Gregório.
    • Ligação a Castro Laboreiro, partindo de Melgaço seguia por Lamas de Mouro (Ponte de Porto Ribeiro com silhares almofadados) ou por Fiães (CM1138) rumo a Castro Laboreiro; daqui poderia continuar para sul pelo CM1160 por Laceiras, Assureira, Ponte Romana?-Medieval da Cava Velha, sobre o rio Laboreiro, com silhares almofadados (?), Ponte Medieval de São Brás sobre a ribeira de Barreiro, com silhares almofadados do lado nascente (?), Assureira, Dorna, Ponte Medieval de Dorna, sobre a ribeira de Dorna; também de Ameijoeira sairia uma via para nordeste pelo CM1159 por Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Bico, Cainheiras Ponte Medieval das Cainheiras, sobre a ribeira das Cainheiras, Portos, Barreira, seguindo por Bande de encontro à «Via Nova» (?).


    Mapa









    Braga - Amarante - Vila Real - Panoias
    Hipotética via romana que ligava Braga às "Terras de Panóias", região a leste de Vila Real, atravessando a Serra do Marão por Amarante. O seu traçado continua muito indefinido, mas é possível que desviasse da Via Bracara a Tongobriga no Alto da Lixa, seguindo em direcção a Amarante, onde fazia a travessia do Tâmega no local da Ponte Medieval de S. Gonçalo subindo depois para a Serra do Marão rumo a Vila Real.

    Vila Cova da Lixa (partindo no nó viário no sopé do Castro do Ladário/Alto da Lixa, junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, lugar de Arrifana, topónimo que indica uma estação viária, a via poderia seguir por Ranhadouro, S. Gens, Estrada, Penalta e Estradinha)
    Amarante (travessia do rio Tâmega na Ponte de Medieval de S. Gonçalo, não havendo vestígios de uma antecedente romana, embora exista um necrópole na Calçada da Misericórdia; a cerca de 3 km para norte, em Gatão, situa-se o Povoado do Ladário que deverá corresponder ao vicus Atucausis com base na ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausensis achada na Qta. dos Pascoais, CIL II 6287, hoje no MSMS, nr. 28 e a ara de Adus entretanto desaparecida que servia de pia na Igreja de S. João Batista, CIL II 2383)
    Madalena (a via deveria subir a encosta pela rua de St. António, passando em Paredes, Sentinela e Ataúdes, onde havia necrópole, até confluir no CM1213) Lufrei (segue nas proximidades do povoado romano da Sertã rumo a Mosteiro e desce pelo Caminho do Barreiro à chamada «Calçada de Marancinho», troço de via antiga com profundas marcas de rodados que desce pela margem direita da ribeira do Marancinho e após o cruzamento desta sobe a encosta até uma casa moderna, descendo de seguida à rua das Flores que cruza a A4 e segue por Boavista e Vale de Maceira)
    Sanche (necrópole, villa?; minas de estanho)
    Ponte Medieval do Fundo da Rua
    Aboadela (o caminho pela Serra do Marão segue por Alto da Neve, Parque da Lameira, Pousado e Alto do Gavião; A. B. Lopes, 2000:290)
    Campeã (provável mutatio junto da Capela de S. Roque, no sítio de Vendas; acesso por Quintã às minas de Ferro de Vila Cova; a via continua pelo «Caminho Romano» com vestígios de calçada junto do fontanário do Arco ou de Pai-Pás, continuando paralela à EN304 por Viariz da Santa, com calçada em Lameirões, cruza a A4 e EN15, seguindo depois por esta)
    Arrabães (atravessa o rio Sordo, entra à esquerda no CM1212 e logo à direita por caminho de terra)
    Mondrões (calçada com cerca de 50 m, 100m a poente da Igreja Matriz; topónimo Estalagem; tégula no local onde existiu a Capela de São Tomé)
    Vila Marim (talvez indo atravessar o rio cabril na Ponte dos Machados, EM564, entrando em Vila Real junto da Ns. de Almodena)
    Vila Real (atravessa o rio Corgo e segue pela rua do Bairro de Vilalva, CM1238, rumo à Ponte Romana?-Medieval do Sobreiro sobre a ribeira das Toirinhas, 200m depois segue à esquerda pela rua da Calçada, onde há 2m lajeados, até reencontrar a estrada actual em Torneiros, continuando depois para Constantim, onde deveria existir uma mansio, situada no cruzamento com a Via N-S entre Chaves e a travessia do Douro em Covelinhas, continuando por S. Martinho de Antas e Paços até Sabrosa)
    Sabrosa (Castro romanizado de Cristelos/Castelo de Sancha junto da EN323, de onde será proveniente uma ara dedicada a Júpiter por Maximo Clodius, colono originário de Útica, capital da província romana de África Proconsular, hoje Zana na Tunísia)
    • Possível ligação ao Pinhão, seguindo aproximadamente a EN323 por Provesende e passando junto da necrópole em torno da Capela do Sr. Jesus de Sta. Marinha/Qta. da Relva, na base do povoado do Picoto de São Domingos.
    • Possível continuação para Alijó, passando por Sancha rumo à travessia do rio Pinhão na Ponte Romana?-Medieval da Ribeira em Cheires (calçada junto da villa? da Qta. da Ribeira; povoado no Castelo de Cheires; habitat em Santiago de Cheires), continuando a sul de Sanfins do Douro rumo a Alijó.


    Mapa







    Vila Real - Murça - Mirandela
    Itinerário medieval de Vila Real a Mirandela com possível utilização já em época romana; este itinerário inicia-se na travessia do rio Corgo em Vila Real, seguindo por Mateus, Mouçós, Lagares, Justes e Vila Verde rumo ao Alto do Pópulo, continuando depois na direcção de Murça; nenhuma das pontes deste itinerário apresenta sinais de romanidade (Ponte do Corgo em Vila Real e Ponte do Tinhela em Murça) e o perfil acidentado da estrada aponta para um trajecto medieval; no entanto, esta rota margina os povoados castrejos romanizados de Santa Cabeça (Mouçós), Murada (Lagares), Cerca (Vila Verde) e Castelo dos Mouros (Murça).

    Mateus (ara a Júpiter e necrópole)
    Mouçós (rua da Calçada, EM1235; castro de Santa Cabeça)
    Alvites (rua da Calçada pelo Alto da Lomba Queimada)
    Lagares, Lamares (travessia da ribeira dos Carrojos; a via segue o caminho que parte do campo de futebol e passa a noroeste do castro da Murada)
    Justes (cruza a via Chaves - Moimenta da Beira; continua para nordeste, cruza a A4 e segue rumo à travessia do rio Pinhão, talvez a jusante da Ponte de Balsa na EN15 para evitar a travessia da ribeira de Jorjais, continua na EN323 e na aldeia toma o caminho que segue até à Ponte do Rato, onde reencontra a EN15, saindo logo depois pelo caminho que ladeia o ribeiro Galego)
    Vila Verde (a via passa na base do Castro romanizado da Cerca, com um troço lajeado e uma ponte em ruínas, marginando a necrópole da Veiguinha)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Ascas
    Freixo, Alijó (calçada)
    Alto do Pópulo (nó viário e provável mutatio no cruzamento com a via N-S entre Chaves e Celorico da Beira; sai da EN15 pelo Alto da Bobela/rua Fontelas)
    Cadaval, Fiolhoso (a via continua pelo caminho que passa na Fonte do Linhar e junto do cabeço da Seixigueira, descendo daqui em calçada até à ponte sobre o rio Tinhela, passando assim a sul do Castro romanizado do Castelo dos Mouros, onde há um troço de calçada de acesso ao castro)
    Murça (atravessa o rio Tinhela na Ponte Romana?-Filipina sobre o rio Tinhela e sobe por calçada à povoação, cruza a EN15 e segue pela rua Marquês de Valle Flôr)
    Palheiros (talvez pela rua da Estrada Velha, na base do castro rumo Franco)
    Lamas de Orelhão (provável nó viário atendendo à fortificação romana situada no outeiro do actual cemitério; na igreja apareceu a inscrição Heinc Leteram, «Aqui Letera», possível designação do povoado em época romana; continua talvez por Passos e Golfeiras)
    Mirandela («Ponte Velha dos Jogos» sobre a ribeira de Carvalhais em S. Sebastião, junto ao campo de futebol, povoado romano, possível mutatio entretanto "engolido" pela cidade; castros romanizados na Sra. do Viso e no Castelo Velho/Monte de S. Martinho, com vestígios romanos junto da ribeira de Mourel na base do castro, actual Qta. da Raposeira)
    • Possível diverticulum para o território Baniense, derivando em Palheiros e seguindo para sudeste por Montefebres, indo atravessar o Rio Tua na Ponte do Abreiro, 100m a montante da ponte actual (Castro romanizado na Capela de Sta. Catarina e povoado em Poço dos Mouros) continuando depois por Vieiro (habitat em S. Domingos) em direcção a Vila Flor e daqui ao Vale da Vilariça (Torre de Moncorvo), território da civitas Baniensis.

    Viae ab AQUAE FLAVIAE a DURIUS flumen


    Mapa

    Itinerários Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Durius)
    Existem vários eixos viários romanos em direcção ao rio Douro que teria um importante papel económico no escoamento das mercadorias provenientes da exploração mineira e agrícola da região, interligando o importante nó viário da Via XVII ao rio Douro. A via seguia por alturas da Serra da Padrela cruzando a região mineira de Três-Minas (com vários troços de calçada e uma ponte romana sobre o rio Pinhão, a Ponte do Arco), continuando por Panóias (mansio?) rumo à travessia do rio Douro em Covelinhas; uma derivação desta estrada no povoado mineiro de Três Minas rumava a sudeste por Pópulo e Carlão rumo à travessia do Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio. Estes itinerários são claramente romanos, apesar de não se conhecerem outros miliários até ao rio Douro com excepção de um muito duvidoso miliário que Russel Cortez afirma ter aparecido na «Feira de Constantim» (Lemos, 2010). Por último, também existia uma via a poente da depressão Verín-Régua seguindo pelo alto da serra até Vila Marim, bifurcando rumo aos pontos de travessia do rio Douro (em Caldas de Moledo e Peso da Régua), integrando os possíveis miliários encontrados em Vila Marim e Cidadelhe. Todos estes eixos viários teriam continuação para sul interligando as diversas civitates da região do Douro (como os Coilarni, Peasuri, Meidobrigenses e Aravi) e em última análise aos grandes eixos viários para Mérida, principal caput viarum da Lusitânia (vide Teixeira, 1996; Lemos, 2004, 2010; Colmenero, 2004; Batata et al., 2008).


    Mapa







    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Covelinhas) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
    Itinerário N-S interligando Chaves ao rio Douro, seguindo por alturas da Serra da Padrela, cruzando a importante região mineira de Três Minas, possivelmente a «Metallum Albucrarense» referida por Plínio, descendo depois à travessia do rio Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim rumo a Moimenta de Beira, importante nó viário da Beira Alta (vide Lopes, 1994; Teixeira, 1996; Batata et al., 2008; Lemos, 2011).


    Chaves (inicialmente seguia a Via XVII por S. Lourenço e S. Julião de Montenegro, derivando depois para sul pouco depois da mutatio do Alto do Cavalinho; a bifurcação seria junto do Cruzeiro, onde era vencida a milha VI, seguindo depois por alturas da Serra da Padrela afim de evitar o cruzamento de cursos de água, seguindo pelas aldeias de Paranhos, Alto de Gondar, Nogueira da Montanha (inscrição dedicada ao veterano Emiliano Flacus, CIL II 2480, signífero da Legião II Augusta procedente do castellum Tureobriga ou Iureobriga, provavelmente situado no Castro de Lagarelhos/ Santiago, já desaparecida), Ladário, Aveleda, S. Cipriano e alturas de Vilarinho do Monte e Seixedo, sucedendo-se os topónimos viários como Vidual, Marcos, Lampaça e Caleiros, assinalando a passagem da via e vestígios romanos junto da via em Outeiro do Coxo e Pedra Alta, possivelmente tabernas)
    Padrela (desemboca na ER206 junto da villa ou mutatio dos Milagres, a poente da aldeia, continuando pelo estradão paralelo à estrada moderna, marginando o possível assentamento militar romano do Alto da Cerca que controlaria o acesso ao complexo mineiro de Jales, localizado entre os rios Tinhela e Curros, seguindo depois o estradão paralelo à EN206 até à base do marco geodésico «Padrela 2», onde toma o caminho que vai pelos altos do Morouço, da Cabeça da Cheda e do Marco Preto, cruza a ribeira do Muro e continua por alturas de Vilarelho até ao Alto da Forca, onde segue à direita para a travessia do rio Tinhela na Ponte da Fonte da Ribeira)
    Campo de Jales (barragem do Alto da Presa na estrada para Guilhado; estela funerária, hoje no MNA; continua junto das Minas de Jales por Borralheiros, entra na EM567 e passa junto da Ns. da Saúde)
    Vreia de Jales (continua pela EM567 até à Cruz da Vreia e 100m depois segue à direita para o centro da povoação; continua pelo troço de via romana que segue por Milhapão)
    Barrela de Jales (a via romana continua a poente a aldeia, passando junto da interessante estátua-estela do Marco até Estalagem, onde entronca no CM1237 que segue por 400m até desviar pelo troço calcetado que leva à Ponte do Arco)

    Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão (vários indícios apontam para uma cronologia romana com pedras almofadados no arco e estribos, arco de volta perfeita e pavimento em grandes lajes de pedra; merecia outra atenção; retoma o CM1237 por 800 m, onde segue à direita pelo caminho da Laje do Cavalinho que volta a reunir-se com estrada junto do cruzeiro do Sr. dos Aflitos; continua por 500 m, onde desvia por caminho carreteiro que vai cruzar o ribeiro dos Carrojos na Ponte do Prado)
    Pinhão Cel (lápide consagrada a Tutela Turiensis achada na igreja de Sta. Maria da Ribeira, hoje no MSMS; a via passa a poente, cruza a CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Vidual, topónimo viário, actual Rua do Souto, cruza a EN15 e segue o caminho defronte por Bouça da Velha)
    Justes (passa a poente por Cabeça Gorda, Regais, Fraga e Alto de Lamares)
    Lagares (castro em Lamares)
    • «Terras de Panóias»
      Esta região de planalto delimitado pelos rios Corgo e Pinhão, chamada de «Terras de Panóias» em tempos medievos, poderia constituir o território de uma civitas em época romana, supostamente dos Lapitiae que teriam construído o excepcional Santuário Rupestre de Panóias no lugar do Assento, exemplo maior da transformação religiosa inerente à romanização (Cortez, 1947; Alarcão, 2001b); não se conhecem outros vestígios romanos junto do santuário e o vicus mais próximo situa-se em Constantim onde poderia existir uma estação viária.

    Constantim (vicus e mutatio no sítio das Mamoas, a norte da povoação, hoje ocupado por terrenos agrícolas; um pedestal e vestígios cerâmicos na área compreendida entre o centro da povoação e a Capela de Sta. Bárbara, indiciam a existência de um vicus viário; em 1947, Cortez refere um miliário a Trajano encontrado na «Feira de Constantim» (CIL II 4797), antiga designação medieval, mas esta informação é duvidosa; Cortez, 1947; Silvano, 2004; Lemos, 2010)
    Andrães (segue a nascente da Portela até Mosteirô desce pela Capela de S. Miguel-o-Anjo à Qta. da Ribeira; tesouros em Agó e Caxada)
    Ponte Romana?-Medieval da Ribeira sobre o rio Tanha
    Abaças (castro romanizado de Abaças; mutatio (?); segue por Fontelo?)
    Bujões (vicus?; no castellum de Guiães, a nascente, apareceu uma ara a Reve Marandigui, hoje no Museu de Vila Real)
    Aqui a estrada poderá dividir-se em dois acessos a Covelinhas, onde fazia a travessia do rio Douro:
    • Variante por Poiares e passando junto do Castro do Muro por Estalagem, Estrada, Vila Seca, Poiares, seguindo depois na direcção do importante Castellum da Fonte do Milho ou da Pousa em Canelas, villa agrária fortificada que poderia ser também uma mutatio da via romana, descendo depois a Covelinhas pela Qta. do Muro, Qta. de Viandos e Sra. da Boa Passagem, onde há vestígios de tégula.
    • Variante por Galafura (Castro em S. Leonardo), passando em Ns. da Boa Morte, Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.
    Covelinhas (vicus?; cruza o rio Douro junto da Capela do Senhor da Boa Passagem; inscrição num mosaico tumular, entretanto destruído)
    Folgosa (daqui a via seguia talvez pela Qta. da Folgosa Velha, Qta. da Cruz do Monte e Alto da Forca)
    Vila Seca (estação viária, possível mutatio, continuando pela calçada da Sra. do Leite, caminho que sobe a lombada da serra sobranceira a Armamar e a poente de Coura e Aricera, continuando depois próximo de Qta. da Silveira, Qta. do Esporão, Gogim e S. Martinho de Chãs, contornando assim o castro pelo lado poente)
    • Castro de Goujoim (castro romanizado localizado na fronteira entre civitas dado que a cerca de 1 milha a norte do castro e possível sede de civitas, onde apareceu um raro terminus augustalis demarcando a divisão territorial entre os Coilarni e os Arabrigenses, na Qta. das Lameiras, ; 4 km de calçada nos acessos ao castro)
    S. Martinho das Chãs (continua talvez pela calçada de Lajeirão, a poente de S. Cosmado até Sarzedo onde entronca na via Régua - Marialva)
    Moimenta da Beira (Arabriga?; possível mutatio; a via continuava para sul até Cabeça de Alva (nó viário onde poderia rumar a Viseu), seguindo por Aguiar da Beira rumo a Fornos de Algodres e Serra da Estrela; vide Itinerário Moimenta da Beira - Fornos de Algodres).


    Mapa
















    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Pinhão) - Marialva (civitas Aravorum)
    Esta rota deriva do Itinerário Chaves - Vesúvio próximo do Aeródromo de Alijó em Vila Chã, seguindo na direcção da foz do rio Pinhão, onde cruzava o rio Douro, continuando depois pelo vicus de Paredes da Beira rumo talvez a Marialva, atravessando o território dos Arabrigenses.

    Chã, Alijó (cruza a serra pelo Alto da Portela do Cabeçudo, Giesteira e Alto do Areeiro)
    Sanfins do Douro (necrópole na igreja da Ns. da Conceição; povoado na Sra. da Piedade, onde apareceu um tesouro de moedas romanas; provável vicus junto da mina de ouro de Salgueiros; segue rumo a Favaios passando na base do Castro romanizado de Vilarelho; na zona há vestígios de calçadas possivelmente romanas em Rio de Moinhos, Marco e Tapada Velha e Presandães )
    Favaios (vicus no cemitério, na base do povoado de Sta. Bárbara; calçada da Regada no acesso à Qta. de S. Jorge, onde apareceu uma estela funerária; continua para sul, topónimo Corredoura, sempre em altitude pelo Alto da Portela da Serra)
    Vilarinho de Cotas (povoado no cerro do Castelo; segue a EM1287)
    Casal de Loivos (rua Calçada)
    Travessia do rio Douro no Pinhão (na estação C.F. apareceu uma inscrição com o epitáfio de Aelius Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga e veterano da legião VII Gemina (CIL II 6291), hoje no MSMS; daqui subia a Paredes da Beira talvez por Valença do Douro e Castanheiro do Sul, EM504 ou por S. João da Pesqueira)

    Paredes da Beira (vicus; os vestígios no lugar do Cruzeiro e os vários elementos arquitectónicos reutilizados em casas da aldeia indiciam a existência de vicus estrategicamente localizado junto desta estrada romana que percorria o território civitas Ararabrigense no sentido NO-SE; aqui apareceu uma ara anepígrafa e um berrão em pedra com a inscrição Ambroecon, hoje no Museu Eduardo Tavares em São João da Pesqueira; a via seguia a meia encosta entre o povoado pré-romano do Alto da Serra do Reboledo e a Serra de Sampaio, onde há calçada, continuando por Britelo e junto da inscrição rupestre do sítio do Marcadouro/Mercadoura onde se lê «Visancoru(m) / Camali / Concili», provável marco de divisão de propriedades)

    Penela da Beira (segue junto do provável vicus do Casteidal, «Penela Vedra», situado num esporão junto da Qta. de St. Tirso e marginando as minas de ouro de St. António em Granja de Penedono e o castro do Monte Airoso a nascente; inscrição rupestre na Gruta de Rodelas onde se lê TVROS / BANIE(n)SV(m), possível referência a um emigrante Baniensis)
    Penedono (há 3 possíveis miliários nas ruas da vila)
    Ourozinho (passa no interior da aldeia e logo depois entra na calçada romana da Qta. do Vale do Outeiro, passa nas casas da quinta e continua pela Sra. do Pranto em Sapateira para a travessia da ribeira da Teja)
    Outeiro dos Gatos (vestígios em Telhões e na Qta. do Paço)
    Mêda (entra na vila pelo Cadoiço)
    Marialva (civitas Aravorum)

    Itinerário alternativo Pinhão - Penela da Beira por S. João da Pesqueira:
    Também poderá ter origem romana, o itinerário alternativo por S. João da Pesqueira rumo a Penela da Beira, onde conflui com a via proveniente de Paredes da Beira, mas por agora não passam de hipóteses devido aos parcos vestígios existentes.
    • Num traçado hipotético, depois de atravessar o rio Douro poderia subir a S. João da Pesqueira (villa junto do campo de futebol; sobranceiro ao Douro, no actual Santuário de S. Salvador do Mundo, existiria um povoado, com uma lápide funerária de um emigrante Limicus na fachada da ermida e outra na escadaria) e daqui rumar à Sra. da Estrada (EN222), onde bifurcava, seguindo um ramo para Freixo de Numão (?) talvez por Horta do Numão (villae na Qta. do Sequeira e no Vale da Amoreira) e outro seguia em direcção a Marialva (?) talvez por Valongo dos Azeites (cupa funerária, FE 358 em Trevões), rumando depois a Penela da Beira pelo chamado «Caminho da Gricha» que contorna a Serra de Sampaio pela vertente leste, passando no castellum (?) da Tapada do Vento antes de atingir Penela da Beira.

    Tabuaço a Moimenta da Beira pelo vicus de Fontelo
    Possível itinerário romano partindo da travessia do rio Douro na foz do Tedo que seguia aproximadamente a EM512 por Adorigo rumo a Tabuaço (villa no sítio de S. Vicente; ligação a Vale Figueira pela calçada do Alto da Escrita), seguia depois pela calçada do Fradinho até Távora, continuando pelo estradão por Passa-Frio, na base do povoado fortificado da Sra. do Calfão/Galfão, rumo a Paradela, onde toma o estradão que passa na Eira do Monte, entrando na aldeia de Sendim pelo troço de calçada entre Vale de Vila e St. Ovídeo rumo ao vicus do Fontelo, podendo daqui continuar por Baldos até Moimenta da Beira (nó viário que articulava as vias provenientes do rio Douro com as ligações a Viseu, a Celorico da Beira e a Marialva).
    • Vestígios de um troço de calçada em Sta. Bárbara, Granjinha, indicia a existência de um outro caminho mais próximo do rio Távora, seguindo talvez por Porqueira, Cabriz e Sra. do Bom Despacho também rumo ao vicus do Fontelo (?) (Perpétuo, 1999).

    Castro de Goujoim ao vicus a Paredes da Beira por Sendim
    Caminhos interligando os vários povoados pré-romanos do concelho de Armamar e Tabuaço (Perpétuo, 1999).
    Goujoim (do cemitério descia ao rio Tedo pelo caminho da Qta. do Pombo e Ronção)
    Granja do Tedo (cruzava a Ponte Romana?-Medieval de Granja do Tedo e ascendia a encosta pela calçada que parte junto ao cemitério)
    Longa (passa na Capela de S. Miguel e no cemitério e continua em calçada por detrás da Capela da Sra. da Saúde passando em Rebolos e Serra)
    • Ligação a Tabuaço, seguindo o velho caminho para a Citânia pelo Penedo do Forneiro/da Forca e na Capela de Santo Isidoro, onde começa um troço de calçada com 500 m que continua na direcção de Chavães e Tabuaço, surgindo um troço em calçada que corre paralela à EN515 pouco antes da sede do concelho.
    • Ligação de Longa a Nagosa, pelo antigo caminho lajeado que passa a poente do Bairro Dr. Octávio Cruz.
    Arcos (passa no cemitério e segue à esquerda por terra para Sendim)
    Sendim (vicus do Fontelo; descia por Guedieiros, seguindo próximo das estações romanas de Estercada Velha e Pala para a travessia do rio Távora junto do Castro de Riodades, seguindo depois por Areite, Lajes e Cruzeiro)
    Paredes da Beira (vicus)


    Carrazeda
    Mapa








    Trancoso
    a
    Celorico






    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Vesúvio) - Celorico da Beira
    Este eixo viário deriva da Via Chaves - Covelinhas junto da provável mutatio de Campos de Jales, seguindo depois na direcção sudeste por Alfarela de Jales, Alto de Pópulo e Carlão, onde cruzava os rios Tinhela e Tua, seguindo depois pelo termo de Carrazeda de Ansiães rumo ao povoado mineiro da Qta. da Sra. da Ribeira, onde cruzava o rio Douro para a Qta. do Vesúvio, continuando depois por Freixo de Numão, Mêda e Trancoso rumo a Celorico da Beira (importante nó viário junto da travessia do rio Mondego), interligando aos eixos viários para Mérida por Belmonte. (Almeida, 1992-1993; Lemos 2011).

    Chaves - Campo de Jales (segue o Itinerário Chaves - Covelinhas)
    Alfarela de Jales (topónimo Corredoura)
    Cortinhas (estela funerária do Gestal em Moreira de Jales; a via seguia talvez pela aldeia de Asnela e pelos altos de Portelinha, Modorras e Cabeço do Carril, servindo de linha divisória entre os concelhos de Alijó e Murça)
    Alto do Pópulo (nó viário, provável mutatio; tesouro; a via continuava por Pópulo próximo da EN212, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castro de S. Marcos/Touca Rota, Castelo do Alto da Murada, Castelo de Castorigo e Castelo de Vale de Mir, seguindo a leste de Ribalonga pela vertente ocidental da Serra da Botelhinha, por Pópulo, Pousada, Cal de Boi, Alto de Pegarinhos, Vale de Mir, entrando depois no troço de calçada junto do Aeródromo de Alijó a nordeste da aldeia de Chã) Carlão (nó viário, provável mutatio junto ao «Castelo do Carlão», castro romanizado, onde inicia a descida ao Tua pelo Alto da Figueirinha)
    Travessia do rio Tinhela na Ponte «Romana» das Caldas de Carlão (reconstruções de uma ponte antiga destruída por uma cheia em 1739; calçada)
    Travessia do rio Tua em Brunheda (junto ao castro romanizado de Sta. Catarina)
    Pombal (na Igreja de Pombal apareceu uma inscrição dedicada a Júpiter pelos vica(ni) Cabr(...), hoje na Igreja de S. Salvador do Castelo de Ansiães; segue pela calçada que desce a vertente nascente do vicus do Lugar da Costa/Mós até confluir na EN314-1, cruza a ribeira de Frarigo e segue por Paradela e Parambos, passando no sopé de outro possível vicus no Curral dos Moiros)
    Marzagão (cruza a ribeira de Linhares na Ponte Romana?-Medieval do Galego)
    Selores (possível mutatio na base do povoado no Castelo de Ansiães)
    Seixo de Ansiães (desce daqui ao rio Douro pela EM632?)

    Travessia do rio Douro na Sra. da Ribeira (junto do povoado da Qta. da Sra. da Ribeira, vicus mineiro relacionado com a mina romana de Covas dos Mouros; na Capela da Ns. da Ribeira achou-se uma ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis pelo que o povoado ser designado por Liria ou Tiria em época romana, actualmente na colecção do MSMS com o nº 38; Encarnação, 1975, 1992; Alarcão, 1988 e 2004b; Lemos, 1993; Guerra, 1998, p. 185-186).

    Sra. da Ribeira a Freixo de Numão (Meidubriga?): sobe pela Qta. do Vesúvio a Seixas do Douro (vicus na Qta. do Vale, destruído na construção da barragem do Catapereiro), continua pela estrada da cumeada do monte que passa próximo da magnífica villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II) até ao nó viário da Qta. da Pedra Escrita, junto da imponente villa do Prazo.
    Qta. da Pedra Escrita, Freixo de Numão (um ramal ligaria vicus de Freixo de Numão; vide «Rede Viária de Freixo de Numão»)

    Freixo de Numão a Mêda
    Retomando o percurso da via junto da Qta. da Pedra Escrita, seguia junto da Qta. dos Bons Ares (villa e possível mutatio na Capela de Sta. Eufémia), cruza a EN222 e segue pelo Alto da Touça, Qta. das Alminhas e Capela de Sta. Bárbara em Sequeiros; continua pelo Alto do Poço do Canto/Santa Columba, passando nas proximidades do vicus de Vale da Aldeia (ara consagrada aos Lares Placidus).
    Mêda (Amindula?; nó viário, provável mutatio; seria a «Amindula» referida na documentação medieval?; ara aos Bandi Vordeaicui).
    • Ligação Mêda a Marialva (civitas ARAVORUM), a via romana desce de Mêda pelo caminho de terra inicialmente paralelo à EN324 e depois pela Fonte das Duas Bicas até Vila. (vide «Rede Viária de Marialva»)
    Trancoso (provável mutatio)

    Trancoso a Celorico da Beira: segue talvez pela cumeada a nascente de Fiães pela calçada de Vale Longo, passando no Alto de Fiães, Grila, Qta. das Tarulas, Alto da Silva, Barreiros e Murça (por alturas da Qta. do Salgueiro, servindo os casais ao longo da ribeira da Qta. das Seixas) até Forno Telheiro, continua próximo do vicus? de S. Gens rumo à travessia do rio Mondego na Ponte Romana?-Medieval da Lavandeira, subindo depois pela calçada da Lavandeira por 500m até ao Bairro de Sta. Luzia em Celorico da Beira (Carvalho P., 2009); esta via teria continuidade para a Guarda pelo Itinerário Celorico - Póvoa do Mileu (Guarda) e para a Bobadela pelo Itinerário Celorico - Bobadela (Oliveira do Hospital).


    Chaves
    Vila Marim
    Mapa











    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vila Marim - Cidadelhe (Aliobriga?) - Lamego (Lamecum?)/ Peso da Régua
    Um outro eixo viário N-S partindo de Chaves seguia pelo alto da serra a poente da depressão Verín - Régua rumo também ao rio Douro; dois miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) que apesar de estarem deslocados da sua posição original poderiam assinalar esta via que seguia por Vidago rumo à Ponte da Ola onde cruzava o rio Avelames, continuando por Cabanas (onde deveria existir uma mutatio), continuando por alturas da serra rumo a Vila Marim, onde se achou um miliário, continuando provavelmente rumo às travessias do Douro em Peso da Régua e Cidadelhe, onde há notícia de outro miliário. Esta última travessia poderia ser feita nas Caldas de Moledo, onde há vestígios romanos associados a um vicus e provável mutatio de apoio a esta passagem do rio que durante a Alta Idade Média disponha de barca e albergaria que deverá corresponder ao «portu de aliovirio» citado num documento do ano 922 (Lima, 2008; Batata et al., 2008).

    Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, rumava a sul cruzando a ribeira do Caneiro; na Qta. do Caneiro apareceu o miliário do «Campo da Roda», talvez dedicado a Constantino Magno, hoje no MRF)
    Outeiro Jusão (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis no MRF e estela funerária de Daphnus talvez provenientes da villa da Qta. do Pinheiro; vide términos dos Praen e Coroq achados neste local; a via seguia talvez por Pereira de Veiga e Vila Nova de Veiga pelo Alto da Conceição, Alto do Turigo e Parada onde apareceu uma ara a Baco)
    S. Pedro de Agostém (ara aos Lari Erredici no adro da igreja, hoje desaparecida; a via segue talvez por Fonte Fria e junto do castro romanizado do Alto do Castro/Monte de Sta. Bárbara e do respectivo habitat romano da Fonte do Mouro; inscrição a Laribus Pindeneticis em Selhariz)
    Pereira do Selão, Vilas Boas (segue pela rua da Paz e campo de futebol e pelos topónimos viários Carquejo, Corgo e Alto da Portela)
    Vidago (castro; termas romanas em Salus, divindade que designa saúde, onde apareceu uma inscrição referindo Aqua Flaviae; a via cruzava a ribeira da Oura junto a Vidago ou mais a jusante numa ponte hoje arruinada na EM549, próximo do sítio romano de Couces local, ascendendo depois ao planalto da Serra de Oura, continuando pelo Alto do Baldio, junto da Qta. do Marco, Alto do Miradouro e aldeia de Vilela, passando assim a nascente do castro romanizado do Monte do Castelo em Capeludos, sobranceiro ao Tâmega, onde apareceu uma estátua de guerreiro; inscrição aos lares gegeiquis (?) na igreja paroquial de Arcossó)
    Bragado (cruza o rio Avelames na Ponte Romana?-Medieval da Ola, e sobe a encosta pelo Parque de Lazer)
    Pensalvos (cruza a ribeira da Azenha e segue pela rua do Cabo, Igreja e rua do Calvário)
    Cabanas (possível mutatio no sítio da Castanheira/Reguenga, a 150m do campo de futebol, onde apareceu um tesouro monetário; cruza a aldeia pelo Largo da Capela e Largo do Outeiro e continua pelo CM1155 junto dos topónimos viários Portela e Pipa, seguindo pelo planalto da Serra do Alvão)
    Afonsim (a nascente pelo CM1155 e EM555 por Alto de Couces e Praina dos Molhadinhos)
    Paredes do Alvão (continua a nascente pelo CM1153 por Colonos de Paredes, Alto do Porto da Lage/Alto da Chã da Fonte, Colónia de Baixo e Povoação)
    Gouvães da Serra (continua por Lages das Portas e Cadouço, topónimos viários, Alto da Sombra, Alto dos Merouços e Alto da Meroucinha, servindo de linha divisória entre os concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, continua pelo Alto dos Fornos, Alto do Seixinhal e Alto das Caravelas, onde inicia a descida da serra até entroncar na EM313 junto da Barragem Cimeira a sul de Lamas de Olo, seguindo por esta estrada pelo Alto das Muas, descendo depois pelo caminho carreteiro por Alto da Queimada e Negral)
    Agarez (tesouro monetário; segue o CM1219 por Carvelas, Laje e Barroca)
    Vila Marim (mutatio; miliário anepígrafo tombado numa horta junto da Capela de Ns. da Paz; tesouro monetário junto do Outeiro das Pombas, local da Villa Marinis, mencionada em escritos medievais)
    Travessia do ribeiro da Marinheira (junto da Torre de Quintela?)
    Mondrões (segue algures a poente de Vila Real)
    Travessia do rio Sordo (tesouro monetário em Penedo Redondo)
    Torgueda (seguia talvez por Fonte Seca, Vendas de Cima e Moçães, conflui na EN1244 e segue para Arnadelo, rua da Carreira, passando junto do povoado do Alto do Castelo, no outeiro da Capela da Sra. dos Remédios, e mais adiante nos sítios romanos do Rodelo e Veiga, junto do campo de futebol na EM1244-1)
    Cumieira (provável vicus no lugar do Assento, com vestígios em torno do Monte de Sta. Bárbara, Ranha, Fossa e Ladário, onde terá aparecido uma ara a Júpiter (Colmenero, 1997); não é claro se a via passava em Cumieira ou se descia por Pomarelhos pela Costa da Veiga, onde existiu calçada, para cruzar a ribeira de Aguilhão na base do povoado fortificado do Monte Maninho junto da Qta. de Valflores e do sítio romano de Cabanelas na outra margem)
    Fontes («Castro de Fontes» ou «Castelo dos Mouros», povoado fortificado na colina da Pena Aguda onde hoje existe a Capela de São Pedro de Fontes; aqui apareceu uma ara dedicada à divindade Auge; sítio romano de Cabanelas; forno romano junto da Ponte da Arcadela sobre a ribeira de Aguilhão em Fornelos; Qta. da Carreirola, topónimo viário)

    • Ligação a Cidadelhe: um outro ramal seguia para Cidadelhe (onde há notícia de um miliário) rumo à travessia do rio Douro no «portu de aliovirio», mencionado num documento do ano 922 (PMH DC 25) que poderá corresponder ao porto de Caldas de Modelo, onde há vestígios romanos (Lima, 2008). Partindo de Fontes seguia até ao sítio de Fronteira, onde tomava o caminho pelos altos da Sra. do Monte e da Sra. dos Remédios em Mouramorta, continuando por Cimo de Vila e Pedreira até à Ponte Medieval de Cavalar sobre o rio Sermanha/Soromenha em Nostim, rumando daqui a Cidadelhe (castro romanizado, possivelmente designado por Aliobriga em época romana).
      • No hoje desconhecido «Lugar do Marco» Russel Cortez identificou um possível miliário a Numeriano, entretanto desaparecido, com o numeral IIXX na linha final, podendo por isso indicar a milha 18; o ponto inicial da contagem da milhas não é seguro, mas é esta aproximadamente a distância ao miliário de Vila Marim
      • Num documento do ano 970, há referência a uma antiga carreira servindo como linha divisória de propriedades em Nostim que poderá corresponder à via romana rumo ao Douro; «per carrale antiquo usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (PMH DC 101).
      • Travessia do Rio Douro rumo a Lamego: existem dois pontos de passagem do rio separados pelo rio Sermanha; de Cidadelhe poderia descer à Qta. do Barco, sugestivo topónimo ou em alternativa desviava antes de Cidadelhe, em Nostim, e seguia por Portela, Oliveira e Bamba até Caldas de Moledo, onde cruzava o rio para o porto fluvial Penajóia e daqui ascendia a encosta por Pousada, S. Gião, Penajóia e Avões de Lá, onde entronca na via proveniente de Porto de Rei rumo a Lamego.

    • Ligação a Peso da Régua: a via poderia bifurcar junto do Castro de Fontes, seguindo rumo a Peso da Régua para cruzar o rio Douro; a via seguia por Santa Marta de Penaguião, onde cruza a ribeira de Fontes, continua por Encambalados de Cima e pelo caminho próximo da Capela da Ns. da Guia em Lobrigos, continua paralela à EN2 por Outeiro, Casaria, reúne com a EN2 e pouco depois desvia novamente desta na Capela de S. Gonçalo e toma o caminho pela Capela da Sra. da Graça, continua pela cumeada das Qtas. de Romarigo e Campanhã, descendo depois ao Douro pelo caminho entre-muros marginando uma adega e que segue depois paralelo à rua Major Xavier Vaz Osório, cortado pela EN2, continuando pela rua da Qta. de S. Domingos até à linha férrea e daqui ao cais do Douro. (vide continuação da via no Itinerário Peso da Régua - Marialva).


    Mapa







    Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
    A existência de miliários na zona de travessia do rio Távora junto da Ponte do Pontigo/Freixinho em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, indicia a existência de uma estrada que atravessava o planalto beirão no sentido O-E, dando continuidade às travessias do rio Douro da via proveniente de Braga na zona da Régua e da via proveniente de Chaves em Covelinhas; depois de atravessar o rio Távora na Ponte do Pontigo, a via poderia bifurcar, seguindo um ramo para a sede da civitas Aravorum em Marialva, rumo talvez a Salamanca, e outro seguia para sul em direcção oppidum de Póvoa do Mileu (Guarda), possível sede de civitas dos Lanciences Transcudani, rumo Mérida pela Ponte de Alcântara. (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009; Teixeira, 1998). Esta estrada, proveniente talvez da travessia do rio Douro junto do Peso da Régua segue pelo alto do Monte Raso onde se regista a referência à «strada mourisca» que servia de limite norte do Couto do Mosteiro de Salzedas (LDMS 61), fazendo um percurso em altitude que evita as grandes variações de cota e as difíceis travessias dos rios da região.

    Peso da Régua a Moimenta pela «estrada mourisca»
    A «estrada mourisca» referida na Carta de Doação a Teresa Afonso de 1152 constituía o limite norte do couto do Mosteiro de Salzedas numa linha que atravessa o planalto do Monte Raso e divide com Queimada («et per illa strada mourisca et dividit per Ceimada»), caminho assinalado por vários marcos que delimitavam o couto (S. Lourenço, Soito, Padrão, Santiago e Cimbres); esta estrada medieval, com possível origem romana, fazia a travessia do rio Douro na Régua, na base do povoado romanizado do Torrão, e daqui ascendia a Valdigem pela margem direita do rio Varosa (acima da EN313), continuava por Cairrão, Figueira, Portela, Queimadela (segue pelas ruas das Eiras, Calçada, Bispado, Adro, Telha e Ermida de S. Lourenço; habitat na Qta. da Raposeira, na vertente poente do Castro de S. Domingos), continuando pela cumeada da serra, o planalto do Monte Raso, até à encruzilhada no sítio do Padrão, entre Meixedo e Passos, topónimo que remete para o marco de delimitação do couto do Mosteiro de Salzedas que está na berma da estrada, possível reaproveitamento de um miliário romano. A partir daqui a via seguia junto do Aeródromo de Santiago rumo a Cimbres e Vila Chã da Beira, seguindo depois por Sarzedo rumo a Beira Valente, onde subsiste um troço da via romana, a «Estrada Larga» e uma ponte com presumível origem romana (Castro, 2013; Castro, 2013a).

    Moimenta da Beira (a via passa próximo dos sítios romanos de Carguencho, Cidade da Mouraria, Cabeça e do povoado do sítio de S. João, margina a igreja e segue o caminho do Bairro da Corujeira por Arcozelo do Cabo e Arcozelo da Torre)
    Granja dos Oleiros (Arabriga?; importante vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; o território dos Arabrigenses poderá corresponder ao actual concelho de Moimenta da Beira; tesouro monetário; epígrafe de um Colarnus em granito reaproveitada no pavimento da Capela de Ns. de Fátima; FE672)
    Vide (miliário a Numeriano hoje desaparecido, CIL II 4641, indicando o numeral IIXX na última linha, podendo por isso indicar a milha 18 eventualmente contadas a partir do rio Douro; na frontaria da Capela do Espírito Santo existe uma placa honorífica com a inscrição «BONO REI PVBLICE NATO», CIL II 4643; a via contorna o Alto da Ranhã)
    Qta. da Lagoa (miliário a Constantino Magno, CIL II 4642, hoje na CEADV; Vaz, 1978, p. 51-53)
    Faia (calçada em Ladário; a base de miliário que apareceu junto à Igreja de Faia, está hoje no jardim de uma casa particular)
    Ponte Romana?-Medieval do Pontigo sobre o rio Távora (ligando as povoações de Freixinho e Penso, esta ponte medieval com possível origem romana está hoje submersa pela Barragem de Vilar; em 1951, Cortez refere umas poldras para cruzar o rio)

    Ligações a partir da Ponte do Pontigo
    • da Ponte do Pontigo a Marialva (Aravo?): rumando a este talvez por Sarzeda (habitat em Mata Roivos), Guilheiro («Estrada Velha»), continua para leste, atravessa o rio Torto e chega à Cruz do Guilheiro, nó viário e divisão entre concelhos, continua pelo estradão que contorna o Alto da Escudeia pelo vertente norte e entra em Torre do Terrenho (miliários?), desce à ribeira da Teja que atravessa nas Poldras da Bernarda e sobe a Casteição, continua pela EN600(?) por S. Simão e junto da villa ou casal na Fonte da Telha/Campo da Moura até Pai Penela, podendo bifurcar neste local, seguindo um ramo para Mêda (seguindo a EN600 por Canadinhas, passando entre os povoados proto-históricos do Castelo de Nunes e Sta. Bárbara) e outro inflectia para Vale Flor, para tomar o antigo caminho pelo Convento de Vilares (troços em calçada) rumo a Marialva.

    • da Ponte do Pontigo ao Castro de Sanjurge: rumando a nordeste talvez por Ferreirim (casal? junto do marco geodésico do Monte de S. Gens), Chosendo, Castainço (calçada de S. Pedro), Penedono (3 possíveis miliários nas ruas da vila) e Alcarva (a Alcobria da documentação medieval?; habitat em «Chão de Santos») até ao Castro de Sanjurge em Ranhados; ver itinerário de Ranhados a Longroiva.

    Viae a civitas BANIENSES et civitas COBELCORUM


    Mapa

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) - Rio Douro (Pocinho)
    Hipotético itinerário romano ligando Aquae Flaviae ao Vale da Vilariça, território da civitas Baniensis; o percurso apresentado é meramente hipotético desviando da Via XVII em Valpaços, seguindo depois na direcção do Vale da Vilariça. O percurso é incerto e depende do ponto de travessia do rio Tua (Ribeirinha ou Abreiro?).

    Chaves, segue a Via XVII até Valpaços, onde ruma a sudeste por Rio Torto (provável mutatio no Alto de S. Pedrinho), atravessa o rio homónimo e continua por Póvoa, Pai Torto, Suçães (?) e Marmelos; a partir daqui o percurso depende do ponto de travessia do rio Tua:
    Vila Flor (Fonte Romana; habitat na Qta. dos Castelares; 3 inscrições no Museu Municipal «provenientes de Junqueira» e mais 2 da extinta Capela de S. Martinho)
    Nabo (vestígios ao longo da ribeira de Cavalos, em Tapada de Santa Cruz, Godeiros, Monte Couquinho e Pala do Conde, mas a via teria outro percurso por Lombo Alto e Qta. do Ataíde)
    Horta da Vilariça (talvez junto do sítio da Eira Velha, onde apareceu a estela funerária de Tongeta, hoje no Museu do Ferro em Moncorvo e por Qta. de Carvalhal, onde se achou outra inscrição funerária)
    civitas BANIENSIS (cruza a ribeira da Vilariça, tendo na outra margem, o sítio do Roncal e todo o núcleo de povoamento da civitas Baniensis na base do Povoado do Baldoeiro)


    Mapa











    Astorga (ASTURICA) ao Vale da Vilariça (civitas BANIENSIS) e Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
    Percurso de uma antiga estrada citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco" muito provavelmente já em utilização durante o período romano atendendo aos muitos vestígios dessa época e anteriores ao longo do seu trajecto. Dada a ausência de miliários a via teria um carácter secundário percorrendo o planalto Mirandês entre os rios Sabor e Douro seguindo sensivelmente paralela a estes até Barca de Alva onde cruzava o rio Douro, podendo bifurcar nas imediações de Fornos em direcção ao Vale da Vilariça, território ocupado pelos Baniensis. A via está assinalada na carta militar nº 67 e o seu percurso é pontuado por vários povoados romanos como o de Malhadas, Duas Igrejas, Palaçoulo e Picote; em Aldeia Nova, assinala-se a presença da Ala Sabiniana, através do epitáfio do signífero Aemilio Balaeso, porta-estandarte (vexillum) desta unidade de cavalaria romana. Surgem assim dois eixos relacionados com a intensa actividade mineira da região em época romana, um eixo N-S que ligava a região do Alto Douro ao importante nó viário de Astorga a norte (seguindo em parte pela VIA XVII) e a sul às civitates dos COBELCI em Almofala e dos IGAEDITANOS em Idanha-a-Velha. Um outro eixo desenhava uma diagonal, ligando o território dos BANIENSI do Vale da Vilariça a Palência (Pallantia), atravessando o rio Douro em Miranda (?) e cruzando com a chamada «Via de la Plata», o grande eixo viário N-S entre Astorga e Mérida que cruzaria nas proximidades de Medina de Rioseco. Os locais de passagem da via mencionados pelo Padre Francisco Alves em 1915 (mais conhecido por 'Abade de Baçal') com base nas anotações do Major Celestino Beça estão entre aspas dada a dificuldade de identificar alguns deles no terreno. (Alves, 1915; Lemos, 1993).

    Astorga (ASTURICA) (seguiria a Via XVII até Figueruela de Arriba, provável localização da mansio Compleutica, onde toma a direcção sul)
    San Vitero (miliário a Trajano)
    San Juan del Rebollar
    Alcañices (continua por Vivinera/«Bebineira» e depois pelo caminho do «Chalet Espanhol»)
    Cicouro, Miranda do Douro (a via entrava em Portugal pela Cruz de Canda/Cândena, actual fronteira luso-espanhola, e segue pelo Alto das Eiras da Cruz e Malhadona)
    Constantim (segue a poente da povoação pelo Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e pouco depois segue à esquerda pelo sítio do Pito no Alto da Carneira)
    Póvoa (continua por Veneita, Penhas do Gordo, Capela de Sra. do Picão e Chãos)
    Malhadas (de Chãos segue à esquerda pelo Alto das Lombardas, cruza a EN218 na Cruz das Lombardas, passa nas Lagoas de Malhadas, continua pelo Alto da Zebra até à Cruz de Martins Fernandes; este troço faz de fronteira concelhia com Vimioso; o vicus romano seria no sítio de Trás da Torre na povoação de Malhadas; lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
    Duas Igrejas (várias lápides funerárias, provenientes talvez da necrópole na Sra. do Monte; da Cruz de Martins Fernandes continua por Chanas, Cula, Alto de Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos e Reboleira; Beça refere os topónimos «Qta. da Urreta da Silva», «Fonte dos Asnos» e «tapada de Piçoulos»)
    Fonte de Aldeia (a via passa a poente da povoação pelo Alto de Sta. Catarina e Cruzeiro até ao apeadeiro, acompanhando a partir daqui a linha férrea, passando a poente da Capela da Ns. da Trindade)
    Prado Gatão (continua junto à linha férrea a sudeste da povoação, passando segundo Beça na «Marra de Prado Gatão» e «Ponte de Vale de Carrasco»; povoados em Trampas Carreiras e Toural em Palaçoulo)
    Sendim Gare, Sendim (passa na estação e continua ao longo da linha férrea pelo Alto da Alubreira, confluindo na EN221; Beça refere o «Vale de S. Pedro, pelo meio das Eiras ou prado de Sendim» e a Capela de S. Sebastião)
    Urrós Gare, Urrós (continua paralela à linha férrea sob a EN221, passa na estação e pouco depois, no acesso ao IC5, desvia pelo caminho à direita; Beça refere os topónimos «Cabeço Obreiro», «Vale Mourisco» e «Penas Turvas»)
    • Possível acesso a Bemposta/Douro, ao Castelo de Oleiros, povoado romanizado sobranceiro ao rio Douro, onde foram recuperadas 11 lápides funerárias e há vestígios de calçada na travessia para Fermoselle em Espanha.
    Brunhosinho (continua a norte da aldeia pelo Alto das Penas da Areia, onde reencontra a linha férrea, seguindo paralela a esta, inflectindo depois para sudoeste por Fontes e Pena Mosqueira até reencontrar a EN221, servindo de divisória com a vizinha freguesia de Sanhoane; Beça refere o «Castro Gel» a 100 m da via que seguia pelos topónimos «Cruz da Bandeira», «Vale de Sendim», «Eiras da Canada de Brinhozinho» e «Pena Mosqueira»)
    • Possível ligação a Mogadouro: derivando na «Pena Mosqueira» para poente por «Vale de Unfiz», «Valdrugueira», «Brenha do Cazarelhos no sítio da Devesa» e daqui por S. Tiago até Mogadouro (Beça, 1915); árula dedicada a Júpiter colocada por Atilius proveniente do povoado romano do Mural em Zava (FE589).
    Penas Roias (continua sob EN221, inflectindo para sul rumo a Vila de Ala pouco antes de atingir Variz; Beça indica a passagem a da via pelos topónimos «Pinhal do Brinhozinho», «Lagoa de Thó», «Fornos da Telha» e no «Pontão de Thó»)
    Vila de Ala (cruza a aldeia e segue por «Lastras», «Eiras de Paçô» e «Corriça», a sul do lugar de Paçô)
    Vilar de Rei (a via soterrada corresponde ao caminho que passa em Carvas, «Ponte do Mourisco»/ ribeira da Veiga(?), Urreta Mourisca, Calçada e «Prados dos Reis», topónimos viários que denunciam a passagem da antiga via que atravessava depois a Serra de Gajope)
    Bruçó (segue próximo da linha férrea por Atalaia e Ponte dos Almocreves)
    Lagoaça (o «carril» continua pela base do Cabeço de Sta. Marta, segundo Beça o «Carvalhal da Lagoaça»; árula a Júpiter; vicus (?); necrópole em Vale Travesso)
    Fornos (por «Lameiras de Vale de Ladrões» e junto da estação CF, onde apareceu a estela funerária de PRISCVS)

    Bifurcação da via na Lomba do Carvalhão
    A via deveria bifurcar no nó viário da Lomba do Carvalhão, próximo do actual cruzamento da EN221 com a EN220; a via principal continuava para sul em direcção a Freixo de Espada-à-Cinta rumo à travessia do rio Douro em Barca de Alva, seguindo depois por Torre de Almofala (civitas Cobelcorum) até Idanha-a-Velha (Igaedis), onde entroncava na Via Braga-Mérida. Um diverticulum partindo daqui continuava pelo planalto por Carviçais e Torre de Moncorvo rumo ao Vale da Vilariça em território dos Baniensi.

    Itinerário para Almofala (civitas COBELCORUM) por Freixo de Espada à Cinta e Barca Dalva
    Lomba do Carvalhão (continua para sul por Ferrarias onde cruza a ribeira homónima)
    Mazouco (cruza a povoação marginando a igreja e 250 m adiante inflecte para poente pelo caminho que cruza a ribeira dos Mercadores e continua pelo Alto do Pinho, Coraceira, Canadinha e Vale do Prado, passando a poente do povoado romano de Santa Luzia, possível vicus e mutatio onde apareceram epígrafes funerárias, rumo à Ponte Romana?-Medieval do Carril sobre a ribeira de Moinhos)
    Freixo de Espada à Cinta (villa na Qta. de S. Caetano; há «notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte» ainda não confirmada)
    Poiares (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde apareceu uma ara a Júpiter, descendo ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita na ribeira do Mosteiro, cruzando esta na Ponte Romana?-Medieval do Diabo da qual já só restam os arranques, seguindo depois pela margem direita até ao rio Douro; este local estratégico era controlado pelo Castelo de Alva, povoado fortificado tardo-romano, onde apareceu uma ara a Júpiter, hoje desaparecida, CIL II 2400)
    Barca Dalva (travessia do rio Douro junto da Qta. da Barca; inscrição funerária na frontaria da Capela de Santo Cristo regista um Cobelcus, ou seja um natural da civitas Cobelcorum, talvez proveniente da vizinha villa da Qta. da Pedriça; a via seguia depois talvez pela rota da EN221 que terá destruído o troço de calçada de Vale Gamão ao Km 120)
    Escalhão (passa na igreja; ligação medieval (?) a Figueira de Castelo Rodrigo, EN221, atravessando o rio Aguiar na Ponte Velha de Escalhão, a 100m da ponte nova, com calçada em ambas as margens)
    Mata de Lobos (passa no cemitério e na rua Santo Cristo)
    Torre de Almofala (civitas COBELCORUM; ver rede viária)

    Itinerário para o Vale da Vilariça (civitas Baniensis?) por Torre de Moncorvo
    Lomba do Carvalhão (segue por Qta. da Macieirinha/ Qta. da Estrada e «Costa do Barro Branco», na rota da EN220, entre dois prováveis vici, Estevais a norte e São Cristóvão a sul; neste último apareceu uma ara a Júpiter, uma ara funerária e fragmentos de 2 berrões)
    Carviçais (árula a Júpiter achada a 3 km de Carviçais na direcção de Martim Tirado, junto das sepulturas entre o ribeiro da Trapa e do Cananor, hoje no MNA; a via passaria próximo por «Castinheiral»/Alto do Castanheiro? e próximo da villa de Vale de Ferreiros, destruído pela barragem)
    Felgar (vestígios de calçada junto povoado da Idade do Ferro do Cabeço da Mua, associado à exploração do ferro da Serra do Reboredo e onde mais tarde poderia ter existido uma mutatio; epitáfio de Coracila, CIL II 6289; epitáfio de Reburrus, CIL II 6290, emigrante Seures do castellum Narelia)
    • Diverticulum por Cilhades/rio Sabor: é provável que existissem derivações da via para noroeste, rumo ao rio Sabor atendendo aos vestígios de uma via junto do habitat da Eira de Santiago e de outra rumo à travessia do rio Sabor na Barca de Cilhades, referida em documentação medieval, no lugar da Azenha do Poço da Barca, dando acesso na outra margem à villa ou vicus de Silhades/Cilhades, com respectiva necrópole junto da fonte do laranjal, conhecido por «Cemitério dos Mouros», onde apareceu uma ara dedicada a Denso e uma ara dedicada a Tutela; no cabeço adjacente existia uma fortificação da Idade do Ferro conhecida por Castelinho, indiciando a antiguidade desta travessia do Sabor, podendo continuar rumo ao Vale da Vilariça (Santa Comba?).
    • Continuação para Torre de Moncorvo: segundo Beça do «Cabeço da Mua» seguia por «Qta. de Lauzelas», «Qta. de Mindelo», «Roboredo», «Capela de St. António de Moncorvo» até Moncorvo; nas margens desta rota da EN220 pelo Vale da Mua existem vários sítios romanos com presença de escórias derivadas da exploração e metalurgia do ferro, como o sítio de Lamelas, eventual mutatio após o Carvalhal, dado que a cerca de 500m existia uma «Estalagem de Almocreves». Chegando a Torre de Moncorvo, a via bifurcava, descendo um ramo ao Pocinho para a travessia do rio Douro enquanto o outro ramo descia à confluência da ribeira da Vilariça no rio Sabor, zona de maior concentração de povoamento dos Banienses.

    • civitas BANIENSIS
      Os BANIENSES, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, ocupavam possivelmente o fértil Vale da Vilariça a norte do rio Douro com base numa inscrição encontrado próximo do Povoado do Baldoeiro, antigo castro junto da confluência da ribeira da Vilariça com o rio Sabor; trata-se de uma ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIV» por Lucius Basus encontrada nas ruínas da Capela de S. Mamede/Mesquita, sucedânea de um possível Templo Romano, hoje no MNA. No entanto os vestígios no sítio do Baldoeiro são mais condizentes com um santuário romano do que com um oppidum capital de uma civitas pelo que surgiram outras hipóteses de localização nos vários núcleos populacionais ao longo da ribeira da Vilariça, com as propostas a oscilarem entre o importante sítio da Vila Morta de Sta. Cruz da Vilariça (11 lápides reutilizadas na parede norte da Capela da Ns. do Roncal, junto da Qta. da Portela), ou mais a norte em Junqueira no sítio de Chão da Capela /Prado (ara, 6 lápides, Pinho Brandão recolheu 3 lápides no Museu Municipal de Vila Flor; entre eles surge o núcleo de povoamento formado pela Qta. da Terrincha e Olival das Fragas, na base do povoado da Senhora do Castelo; na outra margem, na Qta. de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE 75; Lemos, 1993). Apesar da indefinição sobre a localização da sede dos Banienses, a matriz de povoamento alinhada ao longo do Vale da Vilariça, aponta para um eixo viário principal na direcção N-S pela margem esquerda da ribeira da Vilariça ligando o território Baniense ao grande eixo viário da Via XVII que passava a norte rumo a Astorga; para sul esta via seguia para a travessia do Douro no Pocinho, seguindo depois rumo a Marialva; ver Itinerário Marialva - Torre de D. Chama - VIA XVII.

    Viae ab CALE


    Karraria Antiqua
    Mapa



    Per Loca Maritima




    Via Veteris


    Porto (CALE) - Barcelos/Caminha (Karraria Antiqua)
    A grande via militar romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo passava em Cale, estação estrategicamente situada junto da sempre difícil travessia do Rio Douro que na época servia de linha divisória entre a Galécia e a Lusitânia. Esta localização privilegiada tornou Cale num importante nó viário de onde partiam muitas outras vias em várias direcções. Esta rede de vias romanas secundárias, dada a ausência de miliários, deveria assentar em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos da região. Muitos seriam elevados a civitates durante o domínio romano reunindo castros romanizados e novos castros romanos numa ordem administrativa bem longe do modelo clássico do urbanismo romano. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionaram um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Com as excepções de Bracara Augusta e Aquae Flaviae, ainda assim fundadas por aglomeração da população castreja em seu redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas quer reutilizando os velhos castros quer através da fundação ex-nihilo de 'novos' castros como é o caso do Monte Mozinho que passam assim a desempenhar funções de capital de um território que passa a designar-se de civitas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências em documentos alti-medievais como «karraria antiqua», «karia antiqua», «carraria maurisca» ou «via vetera», eixos viários romanos que se projectaram atá aos dias de hoje como as grandes rotas comerciais da região. Muitos das referências a estas antigas estradas provêm da compilação de documentos intitulada «Portugaliae Monumenta Historica» organizados por Alexandre Herculano, incluindo os nomes de villas, castros e rios. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através dos vestígios de povoamento romano ao longo do seu percurso como bem demonstraram os trabalhos de Carlos Ferreira de Almeida e de Brochado de Almeida (vide Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).

    • Karraria Antiqua (Porto - Rates - Barcelos)
      Esta antiga estrada derivava da via XVII Cale-Bracara logo à saída do antigo burgo na direcção noroeste rumo a Rates, havendo referências da sua passagem em Moreira da Maia em dois documentos do ano 1112, como karraria antiqua (DMP DP 391) e karrarea antiqua (DMP DP 392). A via percorre um trajecto pontuado por povoados castrejos fortemente romanizados o que atesta a sua origem romana se não mesmo anterior. Sendo hoje também o itinerário principal do «Caminho de Santiago» é muito fácil percorrer a via seguindo as famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com o traçado romano. Partia talvez do Jardim da Cordoaria no Porto, antiga Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas logo depois bifurcava seguindo a via para Braga pela rua Mártires da Liberdade enquanto a karraria dirigia-se para a actual Praça Carlos Alberto, antiga «Praça dos Ferradores», continuando depois pela rua de Cedofeita, designada no período medieval por «Cacarreira» e mais tarde por «rua da Estrada» (até 1781), óbvias referências à antiga via, seguindo sempre recto pela rua do Barão de Forrester até ao Largo da Ramada Alta, contorna a Capela do Sr. do Calvário e segue pela rua 9 de Julho, rua do Carvalhido, rua Monte dos Burgos, rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (nó viário junto do cruzeiro do Senhor, onde confluía também a Via Veteris), continua por Recarei (castro no lugar de S. Sebastião? na Qta. do Alão apareceu uma ara a Júpiter), Gondivai (referência a «kareira» num documento do ano 1099, PMH DC 915) até ao cruzeiro da Capela do Araújo, onde inicia a descida ao rio Leça pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e rua Sousa Prata para cruzar o rio Leça na Ponte Romana-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros (pedras almofadadas romanas reutilizadas nas aduelas do arco na margem direita), cruza a EN13 e sobe pela rua do Souto, continuando depois paralela à linha férrea pela Estação CF da Maia, seguindo a actual ecopista até desembocar na rua Conselheiro Costa Aroso, zona muito alterada pela construção da IC24, podendo seguir pela rua de Godim, rua Carlos Moreira, travessa do Chancidro, rua do Cruzeiro até entroncar na rua Mestre Clara que segue para cruzar a EN542, hoje rua Fernando Ulrich. Neste ponto, é perceptível a continuação do caminho para a rua de Matamá, mas hoje é uma zona industrial que é preciso contornar pela EN13 para retomar a antiga karraria mais adiante na rua de Matamá, continuando no CM1077 pela rua da Venda, rua do Padinho, rua do Monte em Mosteiró (villa em Lameira, junto à igreja), rua da Botiga, rua da Costinha, rua da Arribela, rua do Padrão em Vilar (inscrição ilegível na face sul da Igreja Paroquial de Santa Maria; villa?), Carrapata de Cima e Nove Irmãos em Modivas (estela funerária de Severo); a partir daqui a via é coincidente com a EN306 ou rua da Estrada Principal, seguindo por Rochio e Joudina em Gião, pelo sopé do Castro de Boi/Castro de St. Ovídeo em Vairão (milha; Castro de Bove na documentação medieval), Vilarinho (milha), cruza a EN104 (milha) e segue até à Ponte Medieval de D. Zameiro onde atravessa o rio Ave sob o controlo do Castro/Atalaia de Santagões (Celtaganes) na outra margem, da ponte sobe pela antiga «karraria» à Capela da Sra. da Ajuda, onde ruma a nascente para Vila Verde (necrópole da villa Viridis), sobe a Vilar (possível mutatio na Qta. do Vilar), Bagunte (segue por Casal Pedro, provável mutatio, passando nas traseiras da Capela de S. Mamede, situada na base da importante Cividade de Bagunte, subtus mons civitas Bogonti num documento do ano 1036, do povoado do Castro de Argifonso no Alto do Castelo, Argefonsi na documentação medieval e próximo do habitat do Lugar de Casais), em Boavista sai da EN306 e toma a rua Camilo Castelo Branco/CM1048, passando na famosa «Estalagem das Pulgas» e nas traseiras do Mosteiro de S. Simão da Junqueira (a villa Fernandi), em Casal Maria segue o caminho de terra que passa sob A7, passando a leste das Mamoas do Fulom, desce pelo Canivete até reencontrar a EN306 e logo depois atravessa o rio Este na Ponte Romana?-Medieval de S. Miguel de Arcos, (Ribulo Alister em documentos medievais); a partir daqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Barcelos e outro rumava a noroeste para Barca do Lago entroncando na via litoral proveniente do Porto.
      • De S. Miguel de Arcos a Barcelos, segue por Moldes pela rua da Igreja e rua dos Ferreiros, continua pela EM1030 que passa em St. António, a leste da Igreja Românica de Rates, continuando depois pelo Alto da Mulher Morta (CM1129-3) até Merouço, onde conflui na EN504, passa na Igreja de Courel (na base do Alto do Castro), continua por Sardoal, entronca na EN306, continua para Silgueiros por Ns. da Guia, corta à esquerda pela EM555 por Pereira (tégula na primitiva igreja), passando assim na base do castro romanizado de Castelo de Faria, situado na encosta noroeste do Alto da Franqueira, alto que contornava pela vertente nascente rumo à travessia do rio Cávado em Barcelinhos (no lugar de Mereces). Os itinerários a norte do Cávado estão descritos no âmbito do Itinerário XX de Antonino.
      • De S. Miguel de Arcos a Barca do Lago, seguindo pelo chamado «Caminho do Porto» (cruza a EN206, continua pela Serra de Rates, servindo de divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim até cruzar com a EM1026), continua pela rua de S. Félix contornando o Castro do Monte de S. Félix em Laúndos pela vertente nascente, confluindo com a outra estrada proveniente de Cale (a per loca maritima) nas imediações da Lagoa Negra, seguindo ambas para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago. Daqui derivava outra rota para nordeste rumo ao Vale do Lima (ver aqui itinerário).

    • Per Loca maritima (Porto - Viana - Caminha)
      Uma outra via mais a poente seguia a poente da karraria antiqua bordejando os castros e villae ao longo da costa; o percurso inicial da via é praticamente impossível reconstituir devido à malha urbana do Porto e Matosinhos, mas aparentemente existem duas rotas a partir do rio Douro rumo a Vila do Conde aqui designadas por per loca maritima e via veteris embora subsistam dúvidas na atribuição destas designações a um ou outro troço da via; a partir de Vila de Conde, os estudos de Ferreira de Almeida e Brochado de Almeida permitiram definir um trajecto pontuado por significativos vestígios pré-romanos e romanos, explorando os recursos agrícolas e marinhos como comprovam as villae e respectivos tanques de salga espalhadas pelo litoral (vide Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996).

      Partindo talvez da foz do rio Douro em S. João da Foz, zona romanizada, subia pela rua da Cerca e depois pela rua de Corte Real em direcção à Igreja de S. Miguel em Nevogilde, continua pela rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e seguia pelo actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte de Guifões, ponte que ruiu em 1979 devido a uma cheia e localizada na base do Monte Castelo, onde se situa o importante Castro de Guifões, povoado romanizado designado por Castrum Quiffiones em documentos medievais; depois de atravessar o Leça, a via seguia para Perafita (seguindo entre a necrópole alto-medieval de Montedouro a poente e o Castro do Freixieiro a nascente; hoje toda a zona está muito alterada pela construção do Porto de Leixões, da A28 e mais recentemente do centro comercial, mas é provável que a via seguisse pela Travessa da Fonte da Muda, rua Gonçalves Zarco, Estrada do Monte de Godim, interrompida pela A28, continuando do outro lado da A28 pela rua do Abade Mondego, rua do Progresso, rua de Silva Aroso, rua Dr. José Domingues dos Santos e rua da Cruz), Lavra (referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH DC 12; Lavrentium do Paroquial Suevo; villa de Fontão de Antela atrás da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as 36 cetárias na Praia de Angeiras, hoje cobertas de areia, e os tanques escavados na rocha da Praia da Agudela; algum espólio no Museu Paroquial Padre Ramos/Padre Silva Lopes), continua por Antela para Angeiras, atravessa o rio Onda junto do Castro romanizado de Angeses/Monte Castro e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (Castro marítimo de S. Paio; cepo de âncora), Vila Chã (villa?; talvez pela rua da Fonte), Mindelo (habitat em Moimenta), Árvore (pela Qta. da Faísca, Quintã e rua da Estrada Velha) até Azurara (villa Pinitellus; povoado no Corgo), onde faria a travessia do rio Ave por barca junto do Mosteiro de Sta. Clara, antigo Castro de S. João (embora haja referência a uma ponte num documento do ano 1270: «prope pontem riuolo de Ave, inter Zuraram et Villam de Comde»; Polónia, 1999), ou mais a montante, junto do Castro romanizado da Retorta (hoje há uma ponte nova no mesmo local). A partir de Vila do Conde o traçado da via é ainda mais inseguro, mas a abundância de vestígios romanos sugerem a continuação da via para norte nas proximidades da Villa Fromarici em Formariz e villa Tauquinia junto da Igreja de Touguinha. Entrando no termo de Póvoa de Varzim, a via seguia próximo da Villa Argevadi em Argivai e do possível vicus no Alto da Vinha em Beiriz de Baixo (Villa Viarizi num documento do ano 1044; na necrópole apareceram duas inscrições votivas, um cipo ou pedestal com inscrição ilegível, RAP 600, e uma ara votiva dedicada à divindade Mari por Avitus, ambas no Museu Municipal da Póvoa); num documento do ano 953 a via surge como «carraria maurisca...subtus montis terroso» (PMH DC 67), ou seja passaria na base da Cividade de Terroso servindo as diversas villae e povoados da região como a villa de Caxinas (nos terrenos da Escola José Régio), Villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a villa de Amorim e a Villa Mendo/Menendi em Estela. Um possível trajecto poderia seguir por Gândara, Calves, Beiriz, Pedreira, Pé do Monte, Salvador, Sejães, cortando à esquerda por estradão para Rapijães, seguindo depois pela base do Castro do Monte de S. Félix em Laúndos; continua por Águas Férreas, onde conflui na EN205 e na linha férrea atravessa a zona industrial e toma o estradão em terra para a Sra. da Abadia, marginando a exploração aurífera romana da Lagoa Negra, continuando a poente de Barqueiros (tégula em Vilares e povoado em Adro Velho) até Fonte Boa (provável mutatio no povoado do Outeiro dos Picoutos e villa? em Paço), continuando depois rumo à Barca do Lago, onde atravessava o rio Cávado. Continuava por Esposende (seguia a nascente, pela base do importante Castro romanizado de S. Lourenço, seguindo próximo da villa na Igreja Paroquial de Marinhas até cruzar a ribeira do Peralta em Abelheira, continuando por Lugar de Cima e Outeiro pela rua da Estrada Velha, Marco do Rei e rua Padre Almeida), Belinho (passa junto da villa da Casa do Belinho, seguindo a velha «Estrada Real» por Trelopaço, Santo Amaro e Estrada, na base do povoado da Subidade de Belinho), S. Paio de Antas (seguia entre a provável mutatio do Alto da Ponte e a necrópole da villa tardo-romana no Casal da Agra do Relógio), para ir atravessar o Rio Neiva na desaparecida «Ponte Velha», na base do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo em Castelo do Neiva (espólio na JF; ara aos lari viales(?) na igreja paroquial; necrópole junto da Capela da Ns. de Guadalupe; povoado romano na margem direita do rio; continua por Santiago, Convento de S. Romão/Sra. do Castro), Chafé (por Estrada Velha, Ribeira e Noval), Anha (por Barroco, Paço, Igreja e S. João), Darque (tégula na Qta. do Carteado; contorna o Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia de controle da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais de S. Lourenço, onde se fazia a travessia do rio Lima, junto da Capela de S. Lourenço, provável mutatio, onde apareceu tegulae, uma ara votiva, silhares almofadados e fustes de colunas), Viana do Castelo (Citânia de Santa Luzia, conhecida por «Cidade Velha»; ver a antiga «colecção JAE» de miliários que a 'Estradas de Portugal' reuniu junto da EN203 em Darque), Areosa (segue a nascente dos vestígios romanos na igreja pelo Lugar do Meio, cruza a ribeira do Pêgo que desce a vertente sul do castro homónimo), Carreço (continua pela base da vertente poente do Castro da Corôa por Louvado e Garita até Eira de S. João em Troviscoso, continua por Caneja, cruza a LF, Igreja Paroquial de Carreço, Estação e Paçô, pela rua dos Pinheirais; pias salineiras na Praia de Fornelos; tesouro em Gândara), Afife (passa próximo da villa das Baganheiras, próximo da LF, continua pela Sra. da Lapa, cruza o rio de Cabanas e segue por Loureiro, Sobreira, passa junto do Castro de St. António e passa entre o Castro do Cútero e a importante Cividade de Afife/Âncora no Monte da Suvidade, havendo vestígios da calçada na vertente nascente do castro; inscrição do lapidário Pelcius no NAIAA), Sta. Maria de Âncora (continua pela rua da Cividade em Laje, onde há restos de calçada; salinas no Pinhal da Gelfa, junto ao Forte do Cão)
      • A travessia do rio Âncora na Idade Média fazia-se na Ponte de Abadim em Aspra (na sua forma actual é uma construção Filipina, mas existem vestígios de uma ponte anterior medieval, seguindo depois junto da Capela de S. Pedro de Varais em Qta. do Cruzeiro em Vile/Quelha), mas em época romana, essa travessia poderia ser mais a jusante, em Âncora, seguindo depois pela linha de costa para Caminha.
      • Ligação de Caminha a Valença: o caminho medieval de Caminha a Valença pela orla costeira poderá ter origem romana, atendendo aos vestígios ao longo do seu percurso, relacionados com a exploração dos recursos marinhos, agrícolas e mineiros; a via seguia por Argela e Sopo (na base do castro romanizado do Monte de Góis), continuava por Vila Nova de Cerveira e Lovelhe (castro romanizado do Forte de Lobelhe, provável vicus portuário tardo-romano, porto fluvial do Rio Minho para escoamento do minério de estanho extraído da mina romana do Couço do Monte Furado em Covas; espólio na C.M. de Cerveira), continuava por S. Pedro da Torre (passando nas pontes medievais da ribeira de Ínsuas e da ribeira de Mira), continuando por Cristêlo-Côvo até Valença, onde entronca na VIA XIX.

    • Via Veteris (Porto - Labruge/Modivas)
      A referência a uma via veteris nas Inquirições de D. Afonso II em 1220 sugere a existência de um outro caminho a partir do rio Douro; partiria eventualmente da base da Arrábida e seguia pelos limites do antigo Couto de Cedofeita por um traçado paralelo à Karraria Antiqua até se tocarem no Padrão da Légua, passando junto do Castro de S. Gens em Santiago de Custóias. Daqui rumava à travessia do rio Leça na medieval Ponte de D. Goimil, na base do Castro de Esposade/Alto da Vela, seguindo depois em direcção a Labruge de encontro ao itinerário per loca maritima ou a Modivas de encontro à Karraria Antiqua (Ramos, 1994).
      A via partiria de Lordelo do Ouro (do Largo do Sr. da Boa Morte, cais do Douro na base do provável povoado castrejo em torno da Capela de Sta. Catarina, subia pela Calçada do Ouro, rua do Aleixo e rua das Condominhas, passando no provável vicus do Campo do Eirado com vestígios nas traseiras da igreja paroquial), seguindo depois por Ramalde e Requesende rumo ao Padrão da Légua, mas é difícil sugerir um itinerário numa zona da cidade tão densamente urbanizada; do cruzeiro do Senhor Jesus do Padrão da Légua (nó viário), a via seguia então para Santiago de Custóias pela rua do Senhor, rua da Fonte Velha, Largo do Souto e rua da Cal, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romana?-Medieval de D. Goimil, continua para Pedras Rubras (seguindo pela rua das Carvalhas e rua da Estrada até atravessar a linha de metro junto do Aeroporto e do castro romanizado do Monte das Pedras, referenciado em 978 como montis petrosso, PMH DC 124, e como petras ruivas/rubras a partir do ano 1008, PMH DC 197, continuando pela rua da Botica), Vila Nova da Telha (pela rua Prof. António Rocha, rua da Aldeia, passando próximo do casal e necrópole das Bicas, seguindo depois pelo sugestivo topónimo de rua das Lagielas, hoje cortada pelo topo norte do aeroporto que contorna para retomar o caminho na Viela dos Adros em Pena), continuando pela rua da Botica, rua da Venda Velha e «passados o Adro dos Burros e o Outeiro de Aveleda, a estrada bifurca-se»:
      • Para Labruge, seguindo um ramal pelo lugar da Estrada, Ponte de Labruge sobre o rio Onda, junto das «Almas de Labruge» e das «Almas Grandes» até entroncar na via per loca maritima (habitat no lugar de Calvelius).
      • Para Modivas, seguindo de encontro à Karraria Antiqua que encontrava talvez em Joudina, continuando depois por um traçado comum para a travessia do rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro.

    Via CALE a VIMARANES


    Mapa







    Porto (CALE) - Alfena - Negrelos - Guimarães
    A via medieval entre Porto e Guimarães conhecida por Via Vimaranes tem certamente origem romana, se não mesmo anterior, ligando a travessia do Douro junto a Cale à travessia do rio Ave próximo de Guimarães, ponto de passagem da via Braga-Mérida e que aqui teria uma estação viária tipo mutatio ou mesmo mansio. Partindo de Cale, a via cruzava os principais em duas pontes com origem romana, a Ponte de Alfena sobre o Leça e a Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela, servindo ao longo seu percurso importantes castros romanizados, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins. Há referências alti-medievais a uma via antiga na base do Castro do Monte Córdova entre os rios Leça e Sanguinhedo, no ano de 1048 subtus mons cordouo...carera antiqua (PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso», «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (PMH DC 864). A partir daqui poderiam existir duas alternativas, uma seguindo junto do Monte Padrão e Citânia de Sanfins (Almeida, 1968, 42) e outra contornando o maciço montanhoso pelo norte por S. Miguel do Couto, Burgães, Rebordões, S. Tomé de Negrelos e Roriz. Os vestígios existentes ao longo do percurso atestam a origem romana desta via:
    • Um silhar almofadado com marca de fórfex na Ponte de S. Lázaro em Alfena; no caminho de Alfena a Valongo, no alto da serra existe uma inscrição a Alboco encastrada na parede exterior da Capela de S. Bartolomeu de Susão, talvez nos limites de um território dedignado por Albocolensis.
    • A silharia de aparelho romano ainda visível na Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo e a ara dedicada a ABNE que apareceu na igreja, divindade de carácter aquático, hoje no MSMS com o nº 19.
    • A referência a uma «carraria antiqua» num documento medieval do ano 1096 sobre S. Tomé de Negrelos (PMH DC 833).
    • A presença militar, assinalada pela inscrição dedicada à divindade Turiaco por um soldado da Legião VI Vencedora que está encastrada na parede norte do claustro do Mosteiro de S. Bento em Santo Tirso. (CIL II 2374 = CIL II 5551); num silhar do intradorso do primeiro arco da margem sul da Ponte Romana de Negrelos há também uma inscrição com o numeral «VI» que poderá ser uma referência a esta legião, eventualmente responsável pela construção da ponte (Moreira, 2009).
    • O culto a Cusus Nemedecus, com três epígrafes dedicadas a esta divindade indígena: a inscrição da Qta. do Corgo ou «Campo de S. Simão» em Burgães (CIL II 2375 = CIL II 5552) proveniente da villa ali existente e hoje no MSMS com o nº 21, a inscrição da Igreja de S. Bartolomeu de Ervosa, hoje no Museu Abade Pedrosa em Santo Tirso (Encarnação, 1970) e finalmente na famosa inscrição rupestre conhecida por «Penedo das Ninfas» na Citânia de Sanfins, na qual os Fiduaneae, o povo que habitava o castro adjacente, fazem uma dedicatória à sua divindade COSVNE AE / [...] S.
    • Roriz: inscrição funerária reaproveitada na Igreja Românica de S. Pedro de Roriz; ara a Júpiter achada perto da Capela de Sta. Maria de Negrelos, CIL II 5568, hoje no MSMS com o nº 26, assim como uma lápide funerária aos deuses Manes também no MSMS com o nº 48, CIL II 5582; no lugar das Bocas existem duas inscrições rupestres em penedos que parecem romanas apesar de ilegíveis.

    CALE
    Saindo pela demolida Porta de S. Sebastião, seguia pela rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, rua do Lindo Vale (antiga «Estrada velha», hoje cortada), rua Costa Cabral (Cruz das Regateiras), continuando por Pedrouços (rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105 por Cruz, Corim, Alto da Maia, passando a sul do castro romanizado do Castelo da Maia), Ermesinde (próximo do Sra. dos Aflitos sai da EN105 pela rua Júlio Dinis, rua Portocarreiro, rua Vasco da Gama, rua Miguel Bombarda, rua da Fonte, continua depois da linha férrea por Soutinho de Baixo, Barreira e rua Central do Reguengo até ao pontão romano(?), rumando depois à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval de S. Lázaro em Alfena (provável mutatio na m.p. IX; gafanha medieval), continuava pela rua de Xisto até confluir na EN105, saindo depois no Torrão à esquerda pela estrada que vai por Sobradelo, cruzando a ribeira de Pizão num pontão antigo, ascendendo depois pela rua da Serra ao Alto de Vilar, continua por Felgueira, Portela, Simão, Sta. Eulália, Agrinha, cruza a EN105, segue entre a ribeira de Sanguinhedo e o rio Leça conforme indicado na Carta do Couto, por Souto da Venda, S. Tiago de Carreiras, Brandariz, Rapinho (onde deriva o caminho de acesso ao Castro do Monte Padrão), continuando depois por Ns. de Valinhas paralela à estrada actual em direcção a Monte Córdova, passando na base do , desviando na povoação pela rua da Fontinha para tomar o caminho de terra que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue pela rua dos Lameirões, atravessa a rua S. Salvador e continua pela rua da «Via Romana», um caminho em terra que sobe para Santa Luzia até cruzar a EN319 no lugar do Cruzeiro (este local corresponde à milha 41 desde Cale pelo que poderia ser aqui o local original do miliário de Casais que Jorge Pinho achou a cerca de 1 km deste local, integrado num muro de divisão de propriedade no lugar de Casais; Pinho 2010); a partir daqui, a via rumava à Citânia de Sanfins, seguindo talvez pela rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo, continuando pela rua Central de Redundo, rua Nascente do rio Leça, cruza a estrada asfaltada e segue o caminho pela vertente ocidental da citânia, actualmente parcialmente destruído pela pedreira; daqui descia para o vale do Vizela (seguindo talvez pelas ruas das Agrelas, Plaino, António Maria Gomes, Amial, Montessô, Mosteiro de Singeverga, Pegeiros, Santa Maria de Negrelos, Cedofeita, José Martins Costa e Manuel de Sousa Oliveira) rumo à Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, onde cruza o rio Vizela, continuando depois por Moreira de Cónegos (pela rua de S, Paio, Pereiras, Cruzeiro, Barreiro, Capela de Sta. Luzia, rua das Casas Novas, rua do Arco, cruza o ribeiro de Nespereira e conflui na EN105 em S. Martinho do Conde), continua em Nespereira por Cruz, Venda Velha e Santo Amaro, provável local de cruzamento com a Via Braga-Mérida que seguia no sentido NW-SE, passando neste local a sudoeste de Guimarães.

    Via CALE a TONGOBRIGA


    Mapa









    Porto (CALE) - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via romana secundária ligando Cale a Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses), servindo importantes explorações mineiras que se estendiam pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15/A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte de Cepêda em Paredes (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998; Almeida et al., 2008).

    Porto (CALE) (saía do núcleo amuralhado do morro da Sé pela Porta de Vandoma, demolida em 1855, continuando pela calçada de Vandoma e rua Chã, antiga rua Chão das Eiras, sobe pela rua Cimo de Vila até antiga Porta de Cimo de Vila, actual Praça da Batalha)
    St. Ildefonso (rua de St. Ildefonso, antiga rua Direita, passa no Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas)
    Bonfim (m.p. I na Igreja; continua pela rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras, e rua de Godim)
    Campanhã (m.p. II; cruza a linha férrea e a AE junto da Qta. de Vila Meã, antiga villa Minhao e hoje Qta. da Mitra, continuando pelo Jardim da Corujeira para a rua de S. Roque da Lameira, Calçada de Maceda, atravessando o rio Tinto na Travessa da Ponte?)
    Rio Tinto (acompanha aproximadamente a EN15 por S. Caetano, Sr. do Calvário, Cavada Nova, Capela de S. Sebastião na m.p. IV, Venda Nova, Ferrarias e Carreira/rua e travessa da Carreira, atravessa o rio Torto e pouco depois segue talvez pela ruas D. Inês de Castro, rua das Tulipas, rua Monte da Pedra até ao Alto da Serra/Monte Alto)
    Valongo (m.p. VIII; povoado mineiro na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração aurífera da Serra de Sta. Justa, como o Fojo das Pombas; daqui seria a estela funerárias de Flavus, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto, emigrante Bracari que trabalharia nas minas; no Alto da Serra toma o estradão junto da ETAR pela rua da Estrada Velha e rua Marques da Rocha até reencontrar a EN15, continua pela travessa da Presa, cruza a linha férrea e segue pela rua Alto Fernandes)
    S. Martinho do Campo (m.p. IX; ver possíveis diverticula de acesso às minas; segue pela rua do Borbulhão e rua do Calvário)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Ferreira (m.p. X; estrutura românica; da ponte seguia por Vilarinho de Baixo, Gandra, Moreira, Casais e Serra, hoje segue a travessa de Vilarinho de Baixo, rua Gandra do Correio, travessa da Estrada Velha, travessa de Moreira, rua de Casais, rua da Serra e conflui na EN15 junto da Sra. da Guia)
    Vandoma (m.p. XIII; Castro romanizado do Muro, o Monte Bendoma da documentação medieval, possível centro religioso dos Callaeci, onde apareceu uma inscrição a Nabia; Silva ACF, 1994; a via voltava a sair da EN15 na Capela de S. Silvestre e seguia pela rua do Padrão, possível alusão a um miliário e que passa próximo da necrópole de Vandoma, continuando pela travessa de Serzedo até reunir novamente com a EN15)
    Baltar (m.p. XIV; passaria não muito longe das necrópoles de Tanque, Calvário e Cruz, talvez pela rua do Areal, marginado a Capela das Almas na milha 16 e a Capela do Sr. dos Aflitos, continuando pela rua da Estrada Real por Castelo e Alqueidão até reencontrar a EN15 em Venda Nova/Alqueidão, pouco antes de Mouriz)
    Paredes (m.p. XVII; seguia por Fonte Sagrada, Jardim Público, Ponte da Estrebuela e rua de Cepêda)
    Ponte Romana?-Medieval de Cepêda sobre o rio Sousa (a seguir à ponte subsiste um troço de calçada lajeada que sob pelo CM1325, marginando a casa onde funcionou a estalagem medieval da Costeira, o «Hospital do Espírito Santo», e junto da Qta. da Aveleda até confluir na EN596-1, seguindo depois para Penafiel junto da Capela de S. Roque na milha 20)
    Penafiel (m.p. XXI; antiga Arrifana do Sousa, estalagem/hospital medieval; passa na rua do Carmo, antiga rua de Santo António Velho, rua Direita, rua Paço, Largo da Ns. da Ajuda, rua Alfredo Pereira e Monte Sameiro, onde apareceu uma estatueta de Marte, hoje no Museu de Penafiel; continua pela Av. Gaspar Baltar por Chãos de Cima até à rotunda da EN15 em Crasto de Cima, junto das Alminhas)
    Santa Marta (continua pela rua Castro rumo à Ponte Romana?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum, continuando pelo pinhal a sul de Paredes e Carvalhos, onde inicia a ascensão da serra pela muito destruída «Calçada da Arnova»)
    Castro de Quires (importante povoado indígena romanizado; daqui inicia a descida rumo a Sobretâmega por Gaia, Monte da Forca, Caniva de Cima, Capela de S. Sebastião, Cruzeiro, Quatro Irmãos, São Pedro, Ponte dos Asnos, seguindo para a Capela de S. Sebastião no «Terreiro dos Santos», onde entronca na via principal proveniente de Braga, descendo por Rua para a travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana)
    Freixo, Marco de Canaveses (Tongobriga)

    Nó viário de Santa Marta
    Na área de Santa Marta, além da via para Tongobriga, afluíam outros eixos viários justificando a existência de uma estação viária tipo mutatio ou mesmo mansio integrada num possível vicus a que estará associada a necrópole no lugar da Estrada: para norte seguia uma via por Lousada e Vizela rumo a Guimarães, e outra para nordeste pelo Alto da Lixa rumo a Amarante, entroncando ambas na via principal Braga-Mérida, e finalmente uma via para sul rumo a Eja/Entre-os-Rios.
    • Itinerário de Penafiel a Amarante pelo Alto da Lixa: continua pela Igreja Paroquial de Santa Marta (m.p. XXII) e junto do topónimo «Estrada» até reunir com a EN15 ao km 34, voltando a sair desta em Vila Irene pelo CM1285, seguindo a meia-encosta pela rua Campo do Ouro até à Igreja de S. Pedro da Croca (m.p. XXIII; povoado e necrópole em Montes Novos), continuando por S. Martinho de Recezinhos (rua da Igreja, Casais Novos e rua do Casal do Vidro), cruza EN15 na rotunda de Conchoso, milha 24, continua por Bouças, onde reencontra a EN15, seguindo por esta pela cumeada da serra por S. Mamede de Recezinhos (rua de S. Mamede), servindo a partir daqui como linha divisória entre os concelhos de Lousada e Amarante, o que indicia a sua antiguidade, seguindo por Pelato, Cimo de Vila, St. Ildefonso, Capela de S. Miguel-o-Anjo, Loureiro (rua da Estrada Real), Serrinha, Estalagem, Cumeeira e Castanheira até ao Alto da Lixa, nó viário, onde cruzava com a via romana Braga-Mérida; a continuação desta via para Amarante e Vila Real pela Serra do Marão está descrita no Itinerário Braga-Amarante-Vila Real
    • O itinerário de Penafiel a Entre-os-Rios está descrito na rota Meinedo - Eja.

    Outros diverticula da via Cale - Tongobriga
    Existia uma rede viária de apoio à intensa exploração mineira das Serras de Sta. Justa e de Pias.
    • Rumo ao povoado mineiro do Outeiro da Mó e Rio Mau: poderia existir uma derivação desta estrada em Campo rumo ao rio Douro atravessando o rio Ferreira no lugar de Milharia (referência a um miliário?) para Corredoura (necrópole), percorrendo depois a vertente nordeste da Serra de Pias/Raio (castro romanizado) em direcção a Aguiar de Sousa (Reis, 1904; Pinto, 1994), atravessando o rio Sousa talvez em Alvre (necrópole da Valdeira), continuando depois por Santa Comba (duas aras votivas na capela, sendo uma delas uma ara votiva a Calaecia, divindade tutelar dos Callaeci) rumo ao povoado mineiro do Outeiro da Mó, ambos relacionados com a exploração das «Minas das Banjas» e «Poço Romano» (Soeiro, 1984), percorrendo depois a Serra de Banjas até Rio Mau, onde fazia a travessia do rio Douro na Barca de Pedorido; a continuação da via para sul poderá relacionar-se com a necrópole de Folgoso/Picoto em Raiva, onde apareceu a lápide de Aviciano e uma pucarinha com a inscrição CAFVRINVS IX NATV VV. (Sousa, 1960).
    • Rumo ao Castro de Couce e de Broalhos: poderia também existir uma via pela vertente nascente da Serra de Sta. Justa, passando junto do Castro do Couce (provém do árabe al-kauç que significa «o arco», referência à ponte aí existente sobre o rio Ferreira), servindo as minas romanas do Covelo e de Medas, podendo descer ao rio Douro rumo ao Castro romanizado de Broalhos (muito destruído pela central eléctrica) ou a Melres (ara funerária no adro da igreja; calçada na ribeira de Mirões).
    • Alternativa pela Ponte da Morte: é possível que a travessia do rio Ferreira se fizesse mais adiante na Ponte da Morte em Luriz, atendendo à silharia almofadada no arco mais pequeno, reunindo com a via anterior.

    • Ligação de Vandoma a Eja pelo Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma via N-S ligando o Castro do Muro em Vandoma à Cividade de Eja passando próximo do Castro romano do Monte Mozinho; a via desviava da Via Cale-Tongobriga e seguia algures por Baltar e Cête para cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau (povoado e necrópole junto da Igreja de Parada de Todeia; possível acesso às Minas de Covas de Castromil), continuava junto do Mosteiro de Paço de Sousa, e por Ermida (inscrição aos Lares Pátrios, hoje no Museu de Penafiel; memorial); daqui rumava ao Monte Mozinho talvez por Fafiães (?), e no planalto de Mesão Frio, continuava pela cumeada da serra por Cruz de Giesteira, Alto do Convento das Freiras no planalto do Penedo do Corvo, Alto do Mouzinho, podendo depois descer pela Capela de Sta. Luzia à Cividade de Eja ou à villa? de S. Paio da Portela em Canelas.
    • Ligação de Paço de Sousa a Rio Mau/Eja, rota medieval com possível origem romana que derivava da anterior em Paço de Sousa, depois de cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau, e seguia para sul rumo à travessia do Douro na Barca de Pedorido em Rio Mau; depois de cruzar a Ponte do Vau, seguia a EM592 para Fonte Arcada (passa por Esmegilde, Quintela, Marmoiral, Anho Bom, junto do castro de S. Domingos, Castelo e Devesas), Lagares (necrópole e inscrição a Laribus Anaecis na igreja, provável referência à civitas Anégia da documentação medieval; continua pela encosta do Monte Santo até Nogueira, onde reencontra a EN319), Figueira (continua por S. Julião e Cerrado), S. Tiago da Capela (estela funerária de Paterna; continua por Vila Meã, Igreja e Telheiro, cruza a EN319 e segue pelo interior da aldeia de Cabroelo rumo ao Outeiro da Velha, local de cruzamento de caminhos onde a via deveria bifurcar, seguindo um ramo para Canelas e Eja, enquanto o outro seguia a nascente de Vilarinho para alto da Serra da Boneca, passando junto da Capela de S. Pedro de Pegureiros, descendo depois pela vertente oeste da serra, passando por Louzeira da Boneca, junto da nova central de tratamento de lixo, até à Sra. do Monte, onde desvia pela estrada local, rua das Corgas, até Rio Mau e a Barca de Pedorido (Almeida et al., 2008).

    Via CALE a TALABRIGA per loca maritima


    Cale
    Vouga
    Mapa




    Picôto
    Úl






    Porto (CALE) - Cabeço do Vouga (TALABRIGA) per loca maritima
    Vários indícios apontam para a existência de uma via romana secundária paralela à via militar entre Cale e Talabriga seguindo mais próximo do litoral marítimo designada por «estrada mourisca» em documentos medievais, mas cuja origem poderá ser bem anterior atendendo aos vários castros ao longo do seu percurso, indiciando uma cronologia anterior ao processo de romanização. Na época romana esta estrada teria um carácter secundário dada a ausência de miliários, não obstante a recente descoberta de um pequeno fragmento de um miliário em Tartomil, (lugar próximo da Praia de Valadares, Vila Nova de Gaia), cuja inscrição alude ao trineto de Adriano, ou seja ao imperador Caracala (I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNE), actualmente em exposição no Solar dos Condes de Resende em Canelas (vide Leite, 2013); sendo improvável a passagem da via neste local, é possível que esta pedra tenha sido deslocada em data incerta da via militar que passava a nascente pelo centro de Vila Nova de Gaia. O itinerário aqui proposto parte da travessia do rio Douro no cais da Ribeira e ascende pela encosta do oppidum do Castelo de Gaia, continuando depois por uma rota em altura sem grandes oscilações de cota, passando não muito longe do Castro romanizado da Madalena e da necrópole romana do Monte Sameiro em Valadares, marginando depois a necrópole tardo-romana e provável vicus do Alto da Vela em Gulpilhares e daqui seguia ao lugar de Brito em S. Félix da Marinha, atendendo à referência à «estrada mourisca» na doação de Trutesindo Mendes ao Mosteiro de Grijó das terras que detinha em Brantães e S. Félix da Marinha, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada mourisca junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», in Viterbo, 1799, Vol 1, p. 298); continuava a nascente de Espinho por Anta, Silvalde e Paramos, passando nas proximidades do Castro de Ovil e da necrópole romana do Chão de Grilo em Esmoriz, mas a partir daqui é difícil determinar o seu percurso, podendo rumar ao interior ou continuar por Cortegaça, Arada até às proximidades do Castro de Salreu, onde cruzaria o rio Antuã e daqui ao rio Vouga. O destino final desta rota não é claro, podendo hipoteticamente seguir até um porto marítimo no estuário do rio Vouga, atendendo a que na outra margem do rio a presença romana está atestada pelo povoado da Marinha Baixa e os fornos do Eixo, ou inflectir para o interior de encontro à via militar para Olisipo que cruzava o rio Vouga na base do chamado «Cabeço do Vouga», localização do oppidum de Talabriga. (vide Fortes, 1909; Mattos, 1937; Guimarães, 1993, 1995 e 2000; Cidade, 1997; Bastos, 2009).

    Variante da Via XVI pela orla costeira
    Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia ascende pela encosta do oppidum do Castelo de Gaia talvez pela rua Rei Ramiro até ao lugar de Candal)
    Coimbrões (seguia talvez pela rua Sr. de Matosinhos, cortada pela A1, e rua das Oliveiras, marginando o povoado do Monte de Sta. Bárbara, junto da actual igreja paroquial, designado por colimbrianos no ano 922; PMH DC 25)
    Madalena (passaria no Largo das Oliveiras, onde resta um antigo marco do Couto de Tarouquela, colocado em 1599 junto da «estrada que vem de Vila Nova pra Madanella» segundo documentos do Mosteiro de Grijó e que ainda hoje serve como divisão entre freguesias, passando depois em Aguim, talvez o Castro Aquilini referido em documentação medieval, continuando talvez pela rua da Gândara até Gramoinhos para cruzar a ribeira da Madalena, mas hoje está cortado pela EN109/A44, reaparecendo depois na Av. António Coelho Moreira; a poente situa-se o Castro romanizado da Madalena)/ Coteiro do Castro/ Castro do Cerro
    Valadares (necrópole do Monte Sameiro, no topo norte da Cerâmica de Valadares; a via passa a nascente pelo centro da vila e depois de cruzar a EN109, segue junto da Casa do Paço)
    Chamorra, Vilar do Paraíso (sobe pela rua do Rio do Paço até à rua da Chamorra e continua pela rua Salvador Brandão/EN15?)
    Gulpilhares (sai da EN15 pela rua do Pereirinho, junto ao cemitério, rua Nuno Álvares, cruza a ribeira de Canelas e segue pela rua João Ovarense até ao Alto da Vela, vasta necrópole tardo-romana hoje totalmente destruída onde apareceu imenso espólio funerária e o fuste de coluna em mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; espólio no Solar dos Condes de Resende; segue em frente por caminho de terra até chegar à rua de Enxomil e rua do Vale)
    Arcozelo (continua junto da igreja e cemitério de Arcozelo até Sá e talvez pela rua das Lavouras, rua da Pedra Alva, Corvo, volta à EN15 e logo à direita no acesso à A29 onde segue à esquerda pela rua da Carreira Velha)
    Brito, S. Félix da Marinha (continua pela rua da Carreira Velha depois de atravessar a passagem para peões da A29, passa na rua dos Ligustres, rua da Calçada Romana até ao tanque junto à ribeira da Granja; daqui segue em frente, por caminho de terra hoje obstruído por mato, entra na rua Velha da Calçada Romana, cruza a chamada «Estrada de Brito»/EN109 e perde-se o seu rasto rumo à antiga travessia da ribeira do Juncal)
    Lugar de Espinho, S. Félix da Marinha (a vila Spino da documentação medieval, talvez no sítio da actual Capela de S. Tomé; continua talvez pela S. Vicente de Ferrer, rua do Canto, rua do Lameirão rumo à travessia da ribeira do Mocho no sítio da Congosta/Carreira do Pereiro/Ponte do Pereiro, a montante da actual Ponte de Anta onde a travessia é mais facilitada, subsistindo alguns vestígios de uma ponte em pedra no local e o topónimo «Rio da Pedra»)
    Anta (necrópole; cruzada a ribeira, ascende por Quingosta/rua da Congosta, Igreja Paroquial e rua do Passal)
    Silvalde (continua pela rua do Porto que vai desembocar na rua das Quelhas e logo depois cruzava a ribeira de Silvalde na chamada Ponte de Pedreira, estrutura com eventual origem romana; daqui ascende pela rua Escadas do Covelo e rua Professor Castro até à Igreja Paroquial)
    Paramos (o local de travessia da ribeira do Rio Maior continua incerto, mas seria certamente nas proximidades do Castro de Ovil, povoado proto-histórico abandonado no início da romanização; a travessia poderia ser feita a jusante do castro, junto da Qta. da Germana, ou a montante, junto do topónimo «Ponte Redonda", onde ainda são visíveis os arranques de uma ponte antiga que ali existia)
    Esmoriz (a via deveria passar próximo da necrópole tardo-romana de Chão do Grilo, hoje rua das Saibreiras, mas a zona está muito alterada com construção da A29)
    Cortegaça (cruzaria a ribeira de Cortegaça em Mourão, onde existia uma ponte com presumível origem romana, restando o topónimo «rua da Ponte Romana» e as alminhas da «Sra. da Boa Viagem»; hoje segue a Rua de Mourão e rua dos 5 Caminhos, cortada pela A29)
    Arada (cruzava a ribeira de Louredo e seguia talvez pela rua do Marco, ao longo da linha divisória dos concelhos de Ovar e Feira, com sugestivos topónimos viários Carrascal, Estrada e Lameiro)
    Souto (cruzaria o rio Cáster próximo da Sra. da Guia em Tarei, com topónimos viários Alminhas da Calçada, Alcapedrinha e Lajes)
    São João de Ovar (talvez próximo do sítio pré-histórico da Amieira)
    Válega (villa Dagarei em documentos medievais; necrópole da Valegia em Pereira Jusã junto dos topónimos Passo dos Mouros/Minas do Mouros/Azenha da Mesquita talvez relacionados com esta «estrada mourisca»)
    Avanca (talvez por Beduído, Capela Santo Amaro, continuando por rua da Feira, Souto, alminhas da Ns. das Febres, rua Pa. Joaquim Pinto e descia ao rio Antuã)
    • Travessia do rio Antuã: a existência de dois castros da Idade do Ferro no curso terminal do rio Antuã, Castro de Santiais na margem direita e Castro de Salreu na margem esquerda, indicia a travessia do rio neste local; o abandono destes locais na fase de romanização poderá ser explicada pela fundação do vicus de Cristelo um pouco mais para o interior.
    • vicus de Cristelo: este povoado romano está situado numa plataforma rodeada de um fosso natural criado por duas ribeiras tributárias do Antuã, a meio do percurso entre esta via litoral e Branca, local de passagem do Itinerário XVI Braga-Lisboa, podendo ter portanto uma função viária, mas não há certezas.
    • Continuação rumo ao rio Vouga: é possível que a via continuasse para sul rumo ao rio Vouga; num percurso hipotético, e após cruzar o Antuã junto de Castro de Salreu, a via seguia por Canto do Picoto, Olho d'Água, Boavista e Laje, onde cruzava a ribeira do Jardim, continuando depois por Cabeço de Cima até Canelas (?); a partir daqui o trajecto fica ainda mais obscuro devido às profundas transformações da linha de costa; sabemos da existência de salinas na Alta Idade Média (Bastos, 2009) em Estarreja, mas não a passagem de uma via junto da costa é pouco plausível.

    Variante da Via XVI pela Vila da Feira
    Vários indícios apontam para existência de uma outra via romana sensivelmente paralela à Via XVI, derivando desta no Alto do Picôto (EN1, Argoncilhe) rumo ao Castelo da Feira, continuando possivelmente de encontro ao itinerário principal Braga Lisboa com o qual entroncava nas proximidades de Oliveira de Azeméis; partindo do cruzamento do Alto do Picôto, seguia pela rua Central de Godo e pelo caminho designado por «rua Fronteira» e «rua Romana», hoje cortado pela A41, até à Igreja Paroquial de Mozelos, continua pela vertente nascente do Alto do Coteiro Murado onde se situa o Castro de Sagitela (referência à via em 1097 «subtus monte saitella discurrente strata ad portum asinarium riuulo maior», in PMH DC 867), continuando depois por Sobral (m.p. XII), Gesta e Murado, desviando depois pela rua Padre Zé, passando na base da Igreja de Sta. Maria de Lamas (m.p. XIV); logo depois a via foi cortada pela A1 junto da qual cruzaria a ribeira do Rio Maior (seria aqui o portum asinarium?), continuando talvez por Mata, Alpossos, Chão do Rio, Beire, Santa Ana, rua Mestra Júlia, rua da Saibreira, rua Ranzal, Gondufe, Meães, St. André e Capela da Ns. da Saúde, a 18 milhas de Cale.

    Vila da Feira (m.p. XIX; civitas Sancta Maria em documentos do século XI; duas epígrafes reutilizadas no Castelo da Feira, a ara a Deo Tueraeo colocada por um Brácaro e a ara a Bande Velugo Toiraeco).

    Vila da Feira - Mosteirô - Cucujães: a «estrada mourisca» poderia continuar para sul depois de cruzar o rio Cáster junto do Convento dos Lóios (?), a m.p. VIII, ascendendo pela encosta do Castelo da Feira ao Alto de Vinhais e daí à Igreja Paroquial de Fornos (m.p. XX), continuando por Quintã de Baixo, Penedo e Lagoeira (?), rumo à Ponte dos 3 Arcos/Ponte da Ribeira d'Água (m.p. XXI) no lugar das Carregueiras, onde cruza a ribeira da Laje (hoje coberta de mato), continuando por Calvário e Igreja Paroquial de Mosteirô rumo a Proselha, onde ainda resiste um notável troço lajeado com cerca de 300m conhecida como «Via Antiga de Mosteirô» que começa no cimo da rua Calçada da Sra. da Caridade, passa na Capela do Ermo e continua pela Calçada General Sousa Brandão, com um extenso troço junto das alminhas da Sra. da Boa Morte, seguindo depois rumo ao lugar do Monte (actualmente obstruído por mato). A orientação da via sugere a sua continuação por alturas de Fermil e Picôto como parece indicar o trecho de um documento do ano 1145 onde se lê «in villa dicta azeuedo subtus illam stratam mouriscam» (Livro Baio Ferrado, fl. 99), mostrando que a «estrada mourisca» seguia em altitude a nascente de Azevedo (hoje um lugar da freguesia de S. Vicente de Pereira). A via poderia bifurcar junto das alminhas de Fermil na rua dos Combatentes da 1ª Grande Guerra (m.p. XII), seguindo um ramo para a Ponte da Pica e outro para o Castro de Úl, entroncando em ambos os casos na via militar para Olisipo.
    • Ligação à Via XVI na Ponte da Pica, possível derivação para sudeste partindo das alminhas de Fermil rumo à Via XVI, seguindo eventualmente a rua Almira Brandão por Costa (m.p. XIII) e Couto de Cucujães, entroncando na Via XVI Braga-Lisboa nas proximidades da Ponte da Pica.
    • Ligação à Via XVI no Castro de Úl: a via poderia ter continuação por Cucujães (m.p. XIII), seguindo sempre em altura pela cumeada da serra pela rua António Ferreira da Silva e por um caminho paralelo à rua do Castro que bordeja o Castro romanizado de Recarei em S. Martinho da Gândara (castro rekaredi num documento do século X, também designado Castro de S. Martinho ou do Roncal) e desemboca na rua das Pedreiras, seguindo depois a rua do Castro na direcção do nó viário no lugar de Felgueira (m.p. XV; segue pela rua de Felgueira descendo pelo caminho do pinhal por troço lajeado a nascente da rua Joaquim Moreira), cruza a rua de S. Mamede e a rua D. Urraca Moreira por caminho de terra até Madaíl, cruza a rua Padre Albergaria e continua pela rua do Rego, rua do Hospital (referência ao albergue medieval), cruza o rio Úl na Ponte da Manica e segue pela «Calçada da Ponte Medieval» (troço lajeado com 100m em Fonte Joana) até entroncar na Via XVI Braga-Lisboa um pouco antes de atingir o Castro de Úl.

    Via de Santa Maria da Feira a Arouca


    Mapa

    Santa Maria da Feira - Arouca
    Hipotético eixo viário secundário na direcção E-O transversal aos principais itinerários romanos a sul do Douro. Partindo algures do litoral, a via seguia por Vila da Feira até Arrifana, onde cruzava a Via XVI Cale - Olisipo, continuando próximo do Castro da Portela rumo a Escariz, onde cruzava a Via Cale - Vissaium, continuando depois até a Arouca, de onde partiam ligações ao Douro.

    Santa Maria da Feira (depois de cruzar o rio Cáster, a via seguia talvez por St. António da Laje, Chão de Além, rua Burgo de Ryfana por Vilar e Manhouce)
    Arrifana (provável mansio no cruzamento com a Via XVI)
    • Ligação Arrifana - Escariz: a via deveria percorrer o antigo caminho por Gaiate, hoje muito alterado mas que aparece referido no Tombo Mosteiro de Pedroso no ano de 1575, passando por Felgueiras, Corredoura, Carvalho, Campo da Eira, Choupelo, Lavoura, Pinheiro, Cortinhas, Pomar, Infestas, Moutidos e Mamoa, continuando depois por Mouquim, onde atravessa o rio Úl (Castro, 1987; Conceição, 2006); apesar da dificuldade da localização de alguns destes topónimos é possível definir um percurso hipotético partindo de Souto de Arrifana e seguindo junto do lado sul da Qta. do Seixal (hoje rua Dr. Guilherme Alves Moreira/EN628) até Pereiro, onde deveria rumar a Mouquim, mas hoje é preciso seguir a rua Conselheiro Costa que passa junto das alminhas do Fundo da Aldeia em Gaiate (topónimo Viela dos Almocreves), seguindo depois junto da Casa de Mamoa, hoje muito alterado com a construção do viaduto da A32, percorrendo depois a margem do direita do rio Úl até Mouquim, onde cruzava o rio, continuando pela rua Cruz dos Carreiros, rua Cruz da Lavoura e rua de Goim, EM1009, passando nas proximidades do importante Castro da Portela de Romariz (povoado muito romanizado atestado pelo achamento da ara votiva de Flavus, achada no altar-mor da demolida igreja de Choupelo em Duas Igrejas, hoje no Museu Convento dos Lóios na Feira, e o epitáfio de Avitus num muro do adro paroquial de Pigeiros), continua pelo CM1089 por Lameiros, entra na freguesia de Escariz, cruza o rio Inha em Londral e segue pela Igreja até ao Cruzeiro)
    Escariz (cruza a Via Porto-Viseu no Largo do Cruzeiro)
    • Ligação de Escariz a Arouca: atendendo a algumas referências medievais a antigos caminhos é possível que a via seguisse até ao cruzamento da Urreira, onde toma «Estrada Velha de Ver» (1,5 km com troços lajeados hoje coberta com saibro) que vai entroncar na estrada que liga Ver a Barrosas, até ao lugar da Estrada em Mansores (tesouro monetário), continuando depois talvez por Agras e Abitureira (topónimo «Estrada Velha») rumo à travessia do rio Arda no Fontão Longo (referência à «ponte de alarda» no ano 1137, MA 69), seguindo depois por Tropeço (referência ao carrale antiqua no DP III 14 de 1101 e à estrata no MA 158 de 1193, servindo de divisão da propriedade da Vila de Lamas; vestígios de habitat em Venda Nova e na Igreja Paroquial; continua pela EM506, passando acima do casal de Malafaia e junto da Capela de Souto Rei), Minhãos (villa minianos), cruza a ribeira de Moção (topónimo Porto da Barca; há referência medieval à via: «per via antiqua usque ad bocca de carreira antiqua per ubi dividet cum uilla de muçun et inte per via antiqua» in PMH DC 639) e sobe a Sta. Eulália (casal? em Adros, abaixo da igreja).
    Arouca (Castro do Monte Valinhas, importante povoado romanizado citado pelo menos desde 1080 como castro Arauka)
    • Arouca - Várzea do Douro: deveria existir uma ligação partindo do Castro de Arouca rumo à travessia do rio Douro em Várzea do Douro seguindo junto das mamoas de Sernandes e pelo altos de Cerro do Cão e St. Adrião (antigamente designada por «Serra Sicca»), servindo assim a mina de ouro da Gralheira D'Água e o povoado romano associado à necrópole tardo-romana de Alvariça (cerca de 40 sepulturas, 8 estelas funerárias em xisto entre as quais o epitáfio de Celer), continuando pelo altos de Calhaus Altos (possível castro) e da Eira dos Mouros (CM1138) até Ladroeira e Sobrado em Castelo de Paiva para depois descer ao rio pela EM502-1 por Gondim, Gião, Cepa até ao Castelo de Fornos onde fazia a travessia do rio Douro para Várzea do Douro e daqui a Tongobriga (vide itinerário).
    • Arouca - Albergaria das Cabras (Serra da Freita): há referências medievais que indiciam a existência de vias que partiam da base do Castro de Arouca rumo à Serra da Freita; num documento do ano 1085 surge uma carreira antiga entre os actuais lugares de Jugueiros e Novais, «carraria antiqua inter Jugarios et Novales» (PMH DC 639), cruzando o rio Arda próximo do Memorial de St. António; um outra estrada, designada por «via maurisca» e situada entre os actuais lugares de Eiriz e Figueiredo, servia para delimitar a villa de Romariz ( in PMH DC 614); os topónimos Portelada, Cales e Porto Escuro indiciam a continuação da via rumo à Serra da Freita; finalmente há também referências a uma via e carral junto da vila de Arouca (in PMH DC 646) e na povoação de Moldes volta a surgir o termo carrale num documento do ano 1087 (in PMH DC 684) (Lima, 2004).
    • Arouca - Espiunca: apesar do difícil terreno, é provável que existisse uma via rumo à travessia do rio Paiva em Espiunca, ligando à carraria antiqua proveniente da travessia do Douro entre Várzea do Douro e Escamarão (vide itinerário); um documento medieval de 1108 refere uma itinera antiqua na «Portela de Páus» (Lima, 2000).

    Via CALE a VISSAIUM


    Mapa















    Porto (CALE) - S. Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM)
    Via secundária que derivava da Via XVI nas proximidades do Monte Murado (Carvalhos, Pedroso) ou de Langobriga (Fiães) e seguia na direcção NO-SE rumo a Viseu, o importante nó viário da Beira Alta que na época romana se designaria por Vissaium com base numa ara votiva dedicada à divindade local Vissaieigo (Fernandes et al., 2009). Ainda restam muitas evidências deste antigo caminho em tempos designado por «Estrada Velha de Viseu», «Estrada dos Almocreves» ou «Estrada do Peixe», numa clara referência ao tráfego de mercadorias entre Viseu e o litoral; a via seguia o caminho mais curto que atravessa a Serra da Freita (Arouca), optando assim por um percurso em altitude a fim de evitar as difíceis travessias de linhas de água na zona dos vales e minimizar as variações de cota da estrada, o chamado "sobe-e-desce" entre vales e colinas, diminuindo assim o esforço dos viandantes e suas montadas; atravessada a serra, descia a Manhouce, estação viária associada a uma albergaria medieval e possivelmente uma mutatio na época romana, rumando depois a Viseu por S. Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de este troço estar numa zona protegida (!), alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho.

    Porto (CALE) O percurso inicial entre Cale e a Serra de Arouca é ainda muito incerto porque não se sabe exactamente em que ponto seria a derivação da via principal entre Braga e Lisboa e onde se faria a travessia do Rio Uíma, mas é provável que o itinerário para Viseu derivasse da VIA XVI quer junto do Castro do Monte Murado (Carvalhos) quer mais adiante, no Castro do Monte Redondo (Fiães) perto do qual se situava a mansio de Langobriga indicada no Itinerário de Antonino (Mattos, 1937; Lima, 2004).
    • Derivando no Monte Redondo/Langobriga e seguindo aproximadamente a actual EN326 para Arouca.
    • Derivando nos Carvalhos/Monte Murado, seguindo aproximadamente o trajecto da EM521 Carvalhos-Sanguedo, antigamente designada por «Estrada Velha para Viseu», havendo referências a troços em calçada em Seada, Camalhões, até entroncar na EN326 para Arouca; esta rota deriva da Via XVI na base do Monte Murado, em Carvalhos, e seguia pela rua da Voltinha em Venda Nova, Seada, Leirós, Afonsim, Amial, Camalhões, Pereira e Roçadas, onde atravessa a ribeira dos Carvalhos na velha Ponte das Rossadas (pequeno troço de calçada antes da ponte), seguindo para Sanguedo.
    • Também deveria existir uma via proveniente do porto fluvial romano de Favaios no rio Douro, associado ao castro do Castelo de Crestuma (castrumie na documentação medieval, o «castro do rio Uíma»; inscrição) que vinha por Gestosa de Cima (?), Sandim e Sá para cruzar o rio Uíma na Ponte do Carro, na base do castro de S. Miguel-o-Anjo, seguindo algures por Vila Maior (talvez pela vertente leste da Serra da Gaeta, por Redonda e S. Martinho) de encontro à via principal para Viseu em Louredo (?).
    Sanguedo (por Cabouços, junto do cemitério, na base da Capela de S. Bartolomeu em Terreiro, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, rua Agrela de Baixo, rua Monte Meão, cruza o rio Uíma na Ponte da Tabuaça e não sobe pela «Rua Romana», mas pelo caminho ainda com restos de calçada que acompanha o rio, continua pela rua Três Fontes até desembocar na EN326 em Candal, continua por S. Martinho e Corga do Lobão, sai da EN326 pela rua de Azevedo que foi cortada pela A32; seguir a EN326)
    Louredo (sai da EN326 junto a Crasto e segue o caminho de Vale da Mó, passa no cruzeiro, Igreja de S. Vicente, rua Direita, Vila Seca, Convento, Ns. da Natividade até reunir com a EN326 em Lagoa)
    Cedofeita, Romariz (torna a desviar da EN326 após as alminhas em Mouta e desce pela rua Romana)
    Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela rua da Ponte, cruza a EN326 para Paradela)
    Cabeçais (troço lajeado desce em direcção à Igreja de Fermedo em cuja parede traseira há uma inscrição com o epitáfio de Laetus Caturonis, natural de Aviobriga e executada numa oficina de Olisipo)
    Escariz (partindo do largo do Cruzeiro toma a chamada Estrada do Cruzeiro, extenso troço lajeado que cruza a EM504 e segue pelo lugar do Viso até entroncar na EM519)
    • Nó viário de Escariz: no Alto do Coruto terá existido um castelo roqueiro associado ao controle da via Porto-Viseu, no local onde esta cruzava com uma via no sentido E-O proveniente do Castro de Arouca rumo ao litoral, passando junto do Castro de Romariz para ir cruzar a Via XVI junto da mansio em Arrifana, seguindo depois por Vila da Feira até ao mar (vide itinerário Feira-Arouca).
    Gestosa (referência no ano 1085 à uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela, PMH DC 639; continua pela EM519, cruza a EN327 em Alagoas e 500m depois segue o estradão que passa na Venda Serra, possível mutatio, onde ainda restam vestígios de calçada lajeada até cruzar a EN224-1, continuando por Barracão e Borralhal, junto do destruído Castro de Cambra, com o trajecto pontuado por um grande número de mamoas)
    Farrapa (continua paralela à EN224-1)
    Chão de Ave (cruza a EN224 e ascende à serra)
    Merujal (percorre a cumeada da serra pelo chamado «Caminho dos Burros», linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra, passa no topónimo viário Venda Nova, cruza a aldeia de Merujal e continua a sul do Parque de Campismo rumo ao Cruzeiro de Albergaria)
    Albergaria da Serra (antiga «Albergaria das Cabras» onde a rainha Santa Mafalda fundou uma albergaria, em 1280, com possível origem numa mutatio romana; cruza a aldeia até ao cemitério que ladeava por uma calçada que entretanto foi destruída!, seguindo pelo planalto de Portela da Anta para Gestoso, marginando o monumento megalítico junto do qual há também uma sepultura romana)
    Gestoso (troço de calçada à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, EM612, desviando pouco depois por caminho florestal, desembocando no CM1232 próximo da Qta. das Uchas/Qta. da Barreira e a poucos metros da ponte)
    Ponte Romana?-Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco; calçada preservada à saída da ponte; a norte, no Candal apareceu a lápide de um Arcobrigense)
    Ponte Romana?-Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco, a montante da ponte actual)
    Manhouce (desce pela estrada asfaltada até Sequeiro, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, continua por Areeiro e Juncal, passando a poente de Bustarenga, descendo por calçada até à Ponte dos Ovos, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    S. Cristóvão de Lafões (contorna a Serra da Grávia pela vertente nascente, descendo por Giesteira e Chousas até Gralheira onde entronca na EN227 que vem de Sever do Vouga, seguindo para a travessia da ribeira da Landeira numa passagem a jusante da ponte actual)
    Santa Cruz da Trapa (troço da via na rua da «Estrada Romana» ao km 59 da EN227; continua pela rua Pé de Cima, Vendas, Igreja Matriz de S. Mamede, Capela de S. Sebastião da Trapa, Leira Longa, Ribeira de Lourosa e cruza a ribeira de Varosa em Penso)
    • Acesso ao Castro de Cárcoda: a norte, já na freguesia de Carvalhais, fica o importante Castro romanizado da Cárcoda e a necrópole do Alto da Costa, a nascente do lugar de Germinade, onde apareceu uma placa com a inscrição SIIRIINIS / AVRELIVS /...X....
    • Ligação às Termas Romanas de S. Pedro do Sul: possível diverticulum de Trapa ou da Ponte do Penso rumo às termas romanas, passando por no Outeiro de Serrazes (silhares almofadados eventualmente romanos numa casa em ruínas e na vizinha Qta. de Antim/das Latas, onde há também vários fragmentos de possíveis miliários na entrada da quinta), continuando pela rua Calçada, cemitério, rua Cimo de Vila, rua Fundo de Vila, passa na base do Castro romanizado do Banho/Beirós pela «Vessada da Carreira», continua pela rua Pombal até ao Vouga.
    Bordonhos (a via continua pelo sítio da Arroçada em Figueirosa, «rua da Estrada Romana» que passa junto do Castro da Sra. da Guia até atingir Massarocas; esta calçada foi destruída pela colocação de saneamento e alcatrão!)
    S. Pedro do Sul (a via entra na cidade pelo Bairro Belo Horizonte e segue pela rua Direita até ao Bairro da Ponte)
    Travessia do rio Vouga (ver percurso daqui a Viseu na descrição da Via Talabriga - Vissaium)

    Via TALABRIGA a VISSAIUM m.p. LX


    Mapa

















    Variante por S. Pedro do Sul







    Variante pelo Caramulo












    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    Via romana que ligava Viseu ao litoral, interligando Vissaium, o grande nó viário da Beira Alta e possível capital da civitas dos Interanienses com Talabriga, a mansio da Via Braga-Lisboa junto da travessia do rio Vouga. Este itinerário apresenta ainda diversos tramos bem preservados da via; partia da base do Cabeço do Vouga rumo a Talhadas e já no concelho de Oliveira de Frades passa por Benfeitas e Reigoso, onde apareceram vários miliários deslocados indicando as milhas a partir de Viseu que era assim caput via. Daqui até Vouzela conhecem-se mais 5 miliários, confirmando o percurso por Reigoso, Cajadães, Postasneiros, Santiaguinho e Vilharigues. A partir de Vouzela a via está atestada por mais três miliários, Fataúnços, Figueiredo das Donas e Carvalhal do Estanho, onde se regista também a existência de um povoado mineiro associado às minas de Bejanca, entrando em Viseu pela Sra. do Castro e S. Martinho de Orgens. Este troço entre Vouzela e Viseu perfaz um total de 15 milhas, distância bastante inferior às 18 milhas indicadas no miliário a Tácito que apareceu no adro da Igreja de Vouzela; o miliário poderá ter sido deslocado da sua posição original, mas também poderia indicar um outro caminho mais longo para Viseu por S. Pedro do Sul, percurso que perfaz aproximadamente as 18 milhas indicadas no miliário, embora esta solução obrigue a uma dupla travessia do rio Vouga, situação pouco usual na viação romana. Perante estas incertezas, são apresentadas estas duas possíveis variantes, além de um hipotético caminho cruzando a Serra do Caramulo (vide Girão, 1921; Figueiredo, 1953; Vaz, 1997; Borges, 2000).
    (CEADV - Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu || MMOF - Museu Municipal de Oliveira de Frades)

    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA), Lamas do Vouga (m.p. XLII a Viseu; segue pela EM575-1, corta por Carvalhal da Portela, Chão de Pedra e Passal)
    Valongo do Vouga (m.p. XL na Igreja; cruza o rio Marnel talvez na Ponte da Sardanita e segue por Paço até ao cruzeiro, onde conflui na EM574)
    Arrancada do Vouga (m.p. XXXIX; segue a rua Calvário passando na Capela da Ns. da Conceição e Capela de St. António, continuando pela rua do Carrascal até reunir com a EM574)
    A-dos-Ferreiros (m.p. XXXVI; cruza a povoação pela a Capela da Ns. das Neves e cemitério, onde toma o caminho paralelo à EN333 que segue para Ventoso? m.p. XXXIII sobre a linha divisória entre os concelhos de Águeda e Sever do Vouga)
    Frágua (m.p. XXXII; cruza a aldeia até reunir com a EN333, m.p. XXXI)
    Talhadas (m.p. XXX; aqui existia uma albergaria medieval provável sucedânea de uma mutatio romana; partindo do Lg. da Sra. da Graça, a via entra e sai do CM1284 pela rua do Cortinhal, Pé da Fonte, S. Mamede, Igreja, rua Residencial Paroquial, rua do Hospital, rua Romana, «Pedras Talhadas», marginado a Anta do Chão do Redondo)
    Ereira (m.p. XXVIII; troço de calçada a sul do CM1284; a via calcorreia o monte com vários troços lajeados até desembocar novamente no CM1284 em Pisco)
    Benfeitas (m.p. XXVII; cruza a aldeia e reúne com o CM1284)
    • Miliários: em Benfeitas apareceram 2 miliários reutilizados como esteios de um latada, o miliário a Constâncio Cloro da milha XXVI e o miliário a Caracala da milha XXXI, ambos recolhidos na CEADV, com o nº 611 e 612, e hoje no MMOF; em Reigoso apareceram mais 2 miliários, um miliário a Constantino na eira da Casa Paroquial (nº 610 da CEADV) e um miliário a Numeriano indicando a milha XXVIII no adro da Igreja (nº 609 da CEADV, ambos no MMOF). Todos estes marcos foram deslocados da sua posição original, mas a grande concentração de miliários neste tramo da via indicia a existência de uma estação viária provavelmente uma mansio a meio percurso entre Talabriga e Vissaium num total de 42 milhas, segundo o itinerário proposto. Ora esta mansio poderia situar-se em Reigoso, aldeia situada sensivelmente a meio percurso entre Talabriga e Vissaium.
    Feira (m.p. XXVI; passa na «Ponte da Feira», perto da qual há vestígios do lajeado à margem da estrada, mas pouco depois a via foi cortada pelo nó de acesso à A25, reaparecendo nos campos agrícolas até reunir com a EM617)
    Reigoso (m.p. XXV; albergaria medieval com provável origem numa mutatio romana; a via continua junto do cemitério e segue o caminho para Entre-Águas, margina a capela, cruza a ribeira numa ponte antiga e continua por Seixa, m.p. XXIV, cruza a EM1282 e segue o caminho de terra, conflui na EM1282-1, cruza o rio do Carregal e segue à esquerda por caminho de terra para Ral, m.p. XXIII, toma a «Estrada Romana» para Ponte Fora, m.p. XXII, passa a sul de Vilarinho, na zona industrial, cruza a EN333-3, m.p. XXI, e continua pelo caminho defronte)
    Cajadães (m.p. XIX; segue por caminho de terra e depois entra na magnífica calçada romana de Postasneiros)
    Santiaguinho (m.p. XVIII; cruza a EM1278 junto da Capela de S. Tiaguinho e toma a calçada que delimita a Qta. das Delícias, passa a asfalto, cruza a EN333 a sul de Sernadinha e segue pelo «Caminho Romano» defronte)
    Vilharigues (m.p. XVI; cruza a povoação pelo rua do «Caminho Romano» e segue pela calçada da Ladeira da Forca, cruza a EN621 até reunir com a EN333, rumo à travessia do rio Zela na Ponte de Frei Gil sobre o rio Zela)
    Vouzela (m.p. XV; miliário a Tácito indicando 18 milhas a Viseu, encontrado no adro da Igreja, hoje no Museu Municipal; continua talvez sob a EN228 passando por Asneiros, na base do castro da Sra. do Castelo, m.p. XIII)
    Fataúnços (m.p. XIII; vicus entre a Qta. da Tapada e o Passal a sul da via; segundo Moreira de Figueiredo em 1953 ainda existia calçada junto da Fonte Velha, além do miliário anepígrafo que estava no «Quintal da Estalagem» (Figueiredo, 1953, p. 196), hoje no jardim da moradia defronte da «Casa da Estalagem», com possível origem numa mutatio situada junto da via que percorre a rua da Escola rumo a Bandavizes, desviando pela calçada que desce à ribeira até entroncar na EM602)
    Ponte Romana?-Medieval Pedrinha sobre a ribeira da Ribamá (m.p. XII; continua pelo o troço de calçada que sobe a encosta)
    Figueiredo das Donas (m.p. XI; Moreira de Figueiredo refere um miliário hoje perdido; Figueiredo, 1953, p. 196; antes da aldeia, inflecte para sul pela rua da «Estrada Romana», hoje um caminho de terra)
    Carregal (m.p. X; passa junto das Alminhas e da Capela da Sra. da Agonia/Sra. da Ajuda, segue por Remolha e lugar do Outeiro, onde há calçada)
    Carvalhal do Estanho (m.p. IX; miliário anepígrafo na rua do Casal; necrópole na capela e junto das Minas de Bejanca; a via cruza o centro da aldeia pela Sra. da Boa Passagem e segue pela EM1303/ rua da Sra. da Boa Viagem)
    Caria (m.p. IX; povoado mineiro no Outeiro de Santa Cruz, sobranceiro à ribeira das Levadas; segue junto da Capela do Espírito Santo)
    Silgueiros (m.p. VII; continua a sul de Pereiras, junto da central eléctrica)
    Lobagueira (m.p. V; segue junto à Mamoa/Anta da Lameira do Fojo e continua pela chamada calçada da Sra. do Castro com 1100m que passa no Alto do Outeiro dos Burros, cruza a IP3 ao km 16+900 e segue pela base do castro até confluir na EM1366)
    S. Martinho de Orgens (m.p. II nas alminhas, cruzando pouco depois a ribeira de Minde)
    Orgens (m.p. I pouco antes da «Cruz de Pau»?; continua junto do Convento de S. Francisco cujo acesso apresenta troço lajeado com 30m)
    Ponte Romana?-Medieval da Azenha sobre o rio Pavia (m.p. I)
    Viseu (VISSAIUM; da ponte ascende à cidade talvez pela rua Nunes de Carvalho, passando na Capela de S. Sebastião e na Porta de Soar até ao Largo da Sé)
    • A chamada «Colecção Epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu» (CEADV) reúne os miliários recolhidos na região pelo Dr. José Coelho, nomeadamente o miliário da rua do Arco, os dois miliários de Moselos, o miliário de Espinho, os dois miliários de Abrunhosa-a-Velha e o miliário da Qta. da Lagoa (Vaz, 1978); actualmente os miliários estão no jardim da Casa do Miradouro, museu que alberga a agora designada «Colecção Arqueológica José Coelho».
    • O Museu Grão Vasco alberga vários achados da região entre os quais o miliário de Licínio Pai proveniente de Chãos (vide Via Mangualde-Bobadela), o fragmento de miliário a Constantino I e o fragmento de miliário com algumas letras, ambos provenientes algures de Vouzela, as inscrições votivas de Repeses e a inscrição dedicada a Cosei Vacoaico, provável divinização do rio Vouga (Vaz, 1997).

    Variante de Vouzela a Viseu por S. Pedro do Sul
    Vouzela (continua por Qta. da Sarnada e Vau, aproximadamente a EN228)
    Termas Romanas de S. Pedro do Sul (m.p. XV; cruza o rio Vouga junto do Balneário Romano, onde apareceu uma ara votiva a Mercúrio Augustorum Aguaeco Sacrum, relacionada com o culto termal; cruzado o rio, seguia pela Av. Ponte Velha até ao cruzeiro de Quintela com possível miliário reutilizado)
    S. Pedro do Sul (m.p. XIII; provável mutatio; aqui conflui também a Via Porto Viseu; cruza o rio Vouga)
    Travessia do rio Vouga (m.p. XIII a Viseu; cruza o rio na confluência do rio Sul e rio Torço no Vouga)
    Arcozelo (m.p. XI; calçada junto da capela e segue a rua «Calçada Romana»)
    Lufinha (m.p. X; passa a norte da aldeia pela Estrada Municipal)
    Gumiei (m.p. IX; continua pelo 1317-1 até confluir na EN 16-4; Moreira de Figueiredo refere dois miliários hoje perdidos; Figueiredo, 1953, p. 49)
    Bodiosa-a-Velha (m.p. VII; calçada com 300m paralela à EN16 até ao sítio do Cruzeiro, seguindo depois a EN16 por Pinheiro Manso)
    Bodiosa (m.p. VI nas Alminhas)
    Travanca (m.p. V; miliário a Cláudio indicando 5 milhas a Viseu, hoje na CEADV; estaria junto das Alminhas)
    Moselos (m.p. IV; calçada; miliário a Adriano indicando 4 milhas a Viseu, hoje no CEADV; a via segue pela rua Romana e rua Vale do Valego até perder-se no jardim de uma moradia anexa à rua Soito do Cêpo, interrompida pela IP5, reaparecendo na EN16)
    Pascoal (m.p. II; continua pela EN16 por 500m até entrar na rua da «Estrada Romana»)
    Abraveses (m.p. I junto da Capelinha de S. João; a rua da «Estrada Romana» cruza a EN2 e segue pela Rua da Escola Preparatória, com vestígios de calçada junto do Bairro de Sta. Rita, onde segue à direita pela Estrada Velha de Abraveses, passando junto da escola C+S e da importante fortificação conhecida por «Cava de Viriato» com cronologia incerta, continuando pela rua Capitão Salomão e rua da Cava de Viriato)
    Travessia do rio Pavia junto à Ponte das Barcas (segue pela rua da Ponte de Pau, Calçada de Viriato e entra na cidade pela necrópole e antiga porta da cidade até ao Largo da Sé)
    Viseu (na rua do Arco apareceu um miliário a Adriano indicando a milha I talvez proveniente de Abraveses)

    Caminho para Viseu pela Serra do Caramulo/ Guardão
    Este hipotético itinerário romano liga Marnel a Viseu atravessando a Serra do Caramulo (antiga Serra de Alcoba), seguindo a rota descrita no «Mappa de Portugal Antigo e Moderno» (Castro, 1762); o caminho seguia por Cabeço de Cão, Macieira de Alcoba e Guardão, onde apareceu um terminus augustalis, marco de divisão territorial relacionável com este caminho.

    Cabeço do Vouga/Marnel (TALABRIGA; a via desviava da anterior em A-dos-Ferreiros atravessando o rio Alfusqueiro)
    Ponte do rio Alfusqueiro (séc. XVII; a travessia poderia ser no sítio do Vau, 100m a montante ou na desaparecida «Ponte Velha», 100m a jusante)
    Préstimo, Águeda (seguir pela actual EN574)
    Cabeço de Cão, Préstimo (calçada)
    Macieira de Alcoba (troço de calçada na Qta. do Carvalho)
    Urgueira, Macieira de Alcoba (a via passava junto à igreja)
    Arca, Oliveira de Frades (segue por Póvoa)
    Monte Tezo, Varzielas (possível variante para norte pela calçada de Alcofra, onde há vestígios romanos na Qta. dos Curtinhais)
    Portela do Guardão
    Caramulo (segue pela rua do Cruzeiro; a sul, existem troços de calçada nas aldeias de Jueus e Múceres)
    Guardão, Tondela (no interior da Capela de S. Bartolomeu, assente sobre o antigo castro, existe um terminus augustalis; troço de calçada junto da Igreja Matriz de Guardão de Baixo)
    • Alternativa para Viseu por Cruz Alta: do Guardão poderia seguir Mosteiro de Fráguas (calçada dentro da povoação; habitat em Moiraria; árula na Igreja de S. Salvador, hoje no Museu de Tondela), S. Miguel do Outeiro (Castro dos Mouros) e Cruz Alta até entroncar no Itinerário Coimbra-Viseu.
    Ponte Romana?-Medieval da Portela (calçada)
    Santiago de Besteiros (segue pela rua da Ponte Romana, rua de Santiago, junto da Igreja Matriz, Ponte de Muna)
    Paranho de Besteiros, Caparrosa (calçada, começa a 100m da escola primária; na Serra de Silvares, a poente, existe uma inscrição rupestre chamada de Cabeço Letreiro que segundo Inês Vaz seria um trifinium, um marco de divisão territorial entre três povos)
    Coval, Caparrozinha (calçada com 500m que vem de Paranho)
    Fial (calçada na rua do Pereiro)
    Ponte Romana? da Seara, Routar
    Torredeita
    Mosteirinho, Couto de Baixo (pela rua Pontes; inscrição na casa paroquial; a calçada entre Trapa e Enforcadas no caminho para Couto de Baixo, seguindo para Couto de Cima e Masgalos; pode indiciar uma ligação à via Talabriga-Viseu na Sra. do Castro)
    Figueiró, Vil de Souto (passa na rua Cabrita?; topónimos rua e ponte Mourisca junto da EN337-1)
    Orgens
    Viseu (VISSAIUM)

    Via VISSAIUM a Arabriga


    Mapa



    Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
    Provável itinerário romano ligando Vissaium ao território dos Arabrigenses, hoje a região de Moimenta da Beira, atravessando o rio Vouga na zona da Ponte do Vouguinha, rumando depois a Fráguas (Vila Nova de Paiva), onde cruzava o rio Paiva, continuando depois por Ariz rumo à Ponte do Freixinho, junto do vicus de Rochela. (Vieira, 2004; Castro, 2013)

    Viseu (VISSAIUM) (partindo da Sé, seguia talvez a rua Silva Gaio, rua Loureiros e Porta de Cavaleiros, onde saía da cidade, seguindo depois a rota da EN229 por Travassós de Baixo, pela rua da «Estrada Velha»)
    Mundão (a via passaria na calçada da Qta. do Catavejo; povoado em Telegre; calçada de Confulco na Póvoa)
    Cavernães (as várias aras votivas em Vendas da Moita indiciam a existência de um santuário romano junto da via romana que corria sob a EN229 até ao km 80 e depois pela EN323 e a EM1330 para Aviújes e Avelinha, onde passa a calçada que vai desembocar na rua Romana/EN323 junto da Qta. do Albuquerque em Canidelo)
    Cepões (passa na Igreja e continua por Laje Gorda, Capela de Sta. Eufémia até reentrar na EN323)
    Ponte Romana?-Medieval de Vouguinha sobre o rio Vouga (1 km a jusante da ponte nova)
    Côta (da ponte sobe em calçada até Vouguinha, na Capela de St. António segue o troço em calçada que passa junto da necrópole de Escoiral até Nogueira de Baixo, continuando sob a EM569 por Vale de Cavalos e Chão do Frade, contornando o Alto dos Cabeços)
    Fráguas, Vila Nova de Paiva (travessia do rio Paiva)
    Alhais de Cima (possível mutatio no sítio da Pousada das Campas; inscrição rupestre num penedo em Cavalinho com a palavra Finis, possível marco territorial)
    S. Martinho de Peva (pelo «Vale da Carreira» junto da Capela da Ns. da Aflição)
    Soutosa (passa no cemitério pela rua da Macieira, cruza EN323 e continua próximo do habitat de Covais, cruza o rio Paiva e continua pelo caminho da Qta. das Corgas que serve de linha divisória entre os concelhos de Moimenta da Beira e Sernancelhe)
    Cabeça de Alva, Caria (nó viário junto da Capela da Ns. dos Aflitos, onde cruza a via Moimenta - Fornos; a Capela de S. Tiago em Vila Cova reutiliza um silhar almofadado)
    Mileu, Caria («Caria Velha» poderá corresponde ao povoado do Monte da Coutada; vestígios na ribeira de Mileu; tesouro monetário)
    Prados de Cima, Rua (provável miliário convertido em cruzeiro junto da Capela de S. Domingos, cuja fachada ostenta uma estela funerária de Victor, CIL II 427; FE667)
    Ponte do Pontigo/Freixinho sobre o rio Távora (onde conflui também o Itinerário Peso da Régua - Marialva)

    Mons Herminius Itinera


    Mapa

    Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
    A designação de mons Herminius (montes Hermínios) surge em dois textos clássicos, nomeadamente no «De Bello Alexandrino» e na obra do historiador Dion Cássio sobre as campanhas de Júlio César na Lusitânia nos anos 61-60 a.C. (Dion Cassio, XXXVII, 52-55), tem sido associada à Serra da Estrela ainda que com algumas reservas (Alarcão, 1993); seja como for é indesmentível que toda a serra sofreu uma intensa romanização que assentava numa intrincada rede viária ainda pouco conhecida; existem pelo menos 3 grandes eixos que cruzam a serra, a Via Cabeço do Vouga - Viseu - Mérida, ou seja, Talabriga - Vissaium - Augusta Emerita, cruzando a serra no sentido O-E, a Via Coimbra - Bobadela - Celorico da Beira ligando, Aeminium ao Alto Douro, seguindo pelo vale do Mondego na vertente ocidental da serra (a actual «Estrada da Beira») enquanto a vertente oriental era percorrida pelo grande eixo viário com origem em Aquae Flaviae (Chaves) que cruzava o rio Douro na Sra. da Ribeira e seguia por Freixo de Numão, Mêda, Marialva e Guarda até confluir em Centum Cellae com a via para Mérida; no entanto, para além destes eixos principais existiam muitos outros itinerários servindo os povoados e explorações mineiras espalhadas pela serra, nomeadamente a partir do seu acesso norte cruzando o Mondego em Fornos de Algodres e Celorico da Beira ou pelo sul a partir do Castro de S. Romão em Seia (Alarcão, 1993; Ruivo et al., 1996;Tente, 2007; Carvalho P., 2009; Marques, 2011).


    Celorico
    Bobadela


    Linhares


    Guarda










    Celorico da Beira - Bobadela (m.p. XXXVII)
    Este via parte de Celorico da Beira e percorre a vertente ocidental da Serra da Estrela passando nas proximidades de Gouveia e Seia rumo a Bobadela, percurso confirmado pelo miliário dedicado a Maximiano que está na «Casa Grande» em Paços da Serra; o miliário indica 21 milhas distância superior à medida no terreno entre Bobadela e Paços da Serra, cerca de 16 milhas, pelo que o caput via para contagem das milhas não poderia ser na «splendidissima civitas» como foi sugerido por vários autores (Figueiredo, 1953; Saa, 1959; Alarcão, 1993), mas sim a Celorico da Beira que dista cerca de 21 milhas de Paços da Serra pelo que a início da contagem poderia nessa povoação, aliás um importante nó viário relacionado com a travessia do rio Mondego (2017).

    Celorico da Beira (nó viário; inscrição rupestre no exterior do castelo consagrada à divindade Munidi; segue por Casas de Soeiro com habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro)
    Cortiçô da Serra (m.p. V; habitat na Qta. do Mouro)
    Carrapichana (m.p. IX; nó viário onde cruza com a via Fornos de Algodres - Linhares)
    Vila Cortês da Serra (m.p. XI; cruza a ribeira do Freixo a jusante da confluência da ribeira do Paço e 100m depois da ponte toma o caminho à direita que segue paralelo à EN17 até reunir com esta junto da Qta. da Pedra Alta, provável nó viário no cruzamento com a via Viseu - Mérida)
    São Paio (m.p. XIV no cruzeiro; cruza talvez a ribeira de S. Paio na Ponte das Olas na EN17, cortando depois em Cortês pela rua das Casas do Rio, passando junto do cemitério)
    Nespereira (m.p. XVI; junto da Ponte do Chorido onde cruza a ribeira de Gouveia e segue pelo Sr. dos Aflitos)
    Vinhó (m.p. XVII; habitat na Tapada de Vinhó)
    Moimenta da Serra (m.p. XIX no centro da aldeia)
    Paços da Serra (m.p. XXI; miliário a Maximiano indicando 21 milhas a Celorico no jardim da «Casa Grande»)
    Santa Marinha (m.p. XXII junto da Igreja Matriz; continua pela EM522 pelo Bairro da Feira)
    São Martinho (m.p. XXIII na «rotunda do brazão»; continua paralela à EM522 pela rua 13 de Maio, passando no Alto das Matas e junto da Capela de Ns. de Fátima e 300m depois atinge a milha 24; villa? de Santo Aleixo no lugar da Vodra, a nascente da via)
    Arrifana (m.p. XXIV; continua pela rua da Várzea e 100m depois do desvio para a «Escola de Seia» atinge a milha 25)
    • Ligação a Seia: da m.p. XXV partia um ramal de ligação ao vicus romano da Qta. da Nogueira junto a Seia, seguindo depois rumo ao importante Castro de S. Romão (vide Itinerário Seia a Covilhã).
    Santiago (m.p. XXVI; segue o Caminho do Barrocão)
    Carragozela (cruza a povoação e atinge a m.p. XXIX junto da Capela de S. Silvestre; continua por Qta. dos Lameiros e Vale Moral, descendo a Meruge pela Qta. da Rigueira)
    Meruge (possível vicus no agora designado Parque Arqueológico de S. Bartolomeu, ocupando a área do campo de futebol e da capela homónima; a via no entanto passava pelo centro da aldeia)
    Lageosa (m.p. XXXIV; segue a EM1315 por Gavinhos de Baixo, milha 35 junto da Capela da Sra. dos Aflitos, e Vendas de Gavinhos, toma a EN230-6, passa junto Anta do Pinheiro dos Abraços, na milha 36, seguindo depois o caminho do campo de futebol)
    Bobadela (m.p. XXXVII; capital de civitas)

    Outras vias a partir de Celorico da Beira
    • Celorico a Linhares da Beira, provável caminho romano, seguindo talvez por Casas de Soeiro (habitat na Qta. do Vilhagre e em Ribeiro do Pinheiro), Galisteu (passando a poente de Vide Entre Vinhas, entre Corredouras e o Alto da Pedra da Atalaia; inscrição na Capela do Espírito Santo), Salgueirais (habitat na Qta. do Seixal, Vara e em Moitas Escondidas/Alto da Rasa), Assanhas, continuando até Linhares pelo topónimo Portela.

    • De Celorico a Póvoa do Mileu por Mizarela, deriva da anterior em Salgueirais e ruma a leste em direcção a Prados (calçada da Qta. dos Amiais; calçada em Alminhas, sobranceira à ribeira do Rebolal), segue depois por Vale de Estrada (possível miliário no planalto da Serra da Soida) e desce em calçada pela Qta. da Coitada até Mizarela e daqui à travessia do Mondego na Ponte Medieval da Mizarela, continua depois em calçada por Pêro Soares (rua da Carreira), Chãos (cruza a EN16 ao km 170) e Gulifar, rumo a Póvoa do Mileu (Alarcão, 1993; Marques, 2011).

    • Celorico a Póvoa do Mileu por Vale de Azares, provável via romana passando por dois vici romanos, atendendo aos vestígios significativos encontrados em Aldeia Nova e em torno de Vale de Azares, como os silhares almofadados da Qta. do Azar (de um templo?) e a inscrição da Capela de Ns. dos Azares, embutida na parede direita do coro e dedicada à divindade Amma Aracelene, sugerindo a existência de um vicus designado por Aracelum; (FE 347; Carvalho, 2009); a via partia de Celorico rumo a Aldeia da Serra, continuava depois por Soutinho e Grichoso em Vale de Azares (casal em Quintã), continuando pelo caminho da Carriça/Qta. do Lagueirão rumo à travessia da ribeira da Cabeça Alta em Rapa (calçada no interior da povoação, hoje coberta com brita, restando os topónimos «Carriça» e «Lajinhas»), continuava para Portela e na divisória entre concelhos toma o troço em calçada que desce até Aldeia Viçosa e daqui à travessia do Mondego na Qta. da Ponte, seguindo depois até Ramalhosa, onde os topónimos Qta. da Carriça e Qta. da Calçada indiciam a passagem da via da qual resta ainda um troço lajeado com cerca de 200m que sobe a encosta para cruzar a EN16 na fonte de mergulho, onde toma a Calçada do Tintinolho que sobe pela vertente poente do Castro do Olho pela Qta. de S. Mateus até Cruz da Faia, onde inflecte à esquerda pelo Chafariz Velho, nascente do rio Diz, passa a norte do Politécnico, entrando na cidade da Guarda pela calçada que ascende ao Chafariz da Dorna ou seguindo pela Qta. do Ferrinho, com um troço de calçada com 150m no terreno da feira, rumo ao Castro dos Castelos Velhos, possível oppidum dos Lancienses Transcudanni, sobranceiro ao vicus de Póvoa do Mileu, no aro da cidade da Guarda.


    Mapa











    Via Seia - Loriga (Lorica?) - Covilhã - Belmonte (Centum Cellae)
    Provável via romana cruzando com a Via Celorico - Bobadela nas proximidades de Seia, seguindo depois pela vertente sul da Serra da Estrela por S. Romão, Valezim, Loriga, Alvoco da Serra e Unhais da Serra rumo ao Fundão ou a Belmonte por Covilhã, de encontro à via para Mérida, subsistindo grandes troços da calçada ao longo do seu percurso (Saa, 1959, tomo III:296).

    Seia (Sena?) (segue talvez pelo estradão que cruza a ribeira de Valverde junto da quinta homónima), S. Romão (acesso ao importante Castro romanizado de S. Romão/Cabeço do Castro, passando por Cabeça da Velha e Sra. do Desterro; inscrição funerária de um emigrante originário de Caesar Augusta, a cidade romana hoje designada por Saragoça e uma inscrição dos cônsules e edis Presente et Extricato, indícios que apontam para uma civitas com capital neste castro)
    Lapa dos Dinheiros (calçada cruza a ribeira da Caniça e sobe à povoação pela rua do Cemitério, continuando pelo caminho que parte da Fontinha, seguindo a meia-encosta da serra acima da EN231)
    Valezim (a calçada vem por Darrua, Cabeço do Castro, Sra. da Saúde e Sra. da Boa Viagem, passa na povoação e toma a calçada que passa junto da Capela de S. Domingos em direcção à Portela de Arão)
    Loriga (Lorica?; vestígios em «Chão do Soito»; a via seguia por «Calçadas», cemitério, Capela de S. Sebastião, desce pela rua do Porto e atravessa a ribeira de S. Bento numa ponte moderna, existindo notícia de uma anterior eventualmente romana que ruiu no séc. XVI, subia depois pela rua de Vinhó, rua Sacadura Cabral, Av. Augusto Luís Mendes, área conhecida como Carreira, saindo depois da aldeia pela rua do Teixeiro, cruza a ribeira de Loriga/Nave/Courelas na Ponte Romana?-Medieval da Moenda e cruza a EN231 na Fonte do Sabugueiro)
    Alvoco da Serra (tesouro na Qta. do Aguincho; continua pela Sra. da Guia e pela calçada da rua das Lajes, junto à Capela de S. Sebastião, cruza a ribeira na ponte medieval e continua para sul por Tornadoiro, Poiso do Senhor, Barroca das Pedras Brancas, Malhadinha, Bandeirinha, Chão da Cruz, Fonte da Bica até ao Alto de Avoaça)
    Unhais da Serra (desce a vertente da serra para Taliscas onde cruza a ribeira de Cortes, subindo pela Qta. dos Penesinhos à Portela dos Pedrões, onde partiria uma ligação ao Fundão)
    Tortosendo (pela Qta. da Pousada, cruza a aldeia e segue a EN230 por Calçadinha, Ladeira Grande e Meia Légua, topónimos viários)
    Covilhã (seguia junto da estação C.F. pela rua da Corredoura, onde há calçada, sob o alcatrão)
    Canhoso (segue paralela à linha férrea pela Qta. do Prado, cruza a Ponte das Almas)
    Teixoso (inscrição honorífica, nomeia o magistrado Marcus Valerius Silo, duumvir primus de um municipium, talvez dos Lancienses Ocelensis que poderia habitar a villa de Terlamonte, situada a cerca de 500m do rio Zêzere, onde há vestígios de barragem; a via cruzaria a Ponte Pedrinha e continuava próximo da Qta. da Mourata, onde apareceu uma ara de Dobiteina a Júpiter Supremo, e Borralheira, onde apareceu um tesouro; Alarcão, 1988; Silva A.J.M., 2002; P. Carvalho, 2006)
    Orjais (a via continuava pelo vale do rio Zêzere passando pela Capela da Sra. das Luzes, onde teria existido um vicus ou villa, situado na base do imponente Templo romano na Ns. das Cabeças, possivelmente dedicado a Júpiter; o santuário e antigo castro domina visualmente o vale do Zêzere; 2 inscrições funerárias; duas aras votivas dedicadas a Bande Brialeaicui, divindade que aparece também numa inscrição de Póvoa do Mileu como Bande Brialeacus; ver Carvalho P., 2003, 2006 e 2010)
    • Travessia do rio Zêzere em Orjais ?: é possível que existisse uma travessia do rio Zêzere entre a Qta. do Raro e a Terra dos Limites (ainda hoje divisão entre Covilhã e Belmonte), continuando na outra margem rumo a Centum Cellae.
    Aldeia do Souto (existiam vestígios de calçada passando na Qta. da Lajeosa, onde apareceu a inscrição funerária de Camalo)
    Vale Formoso (possível miliário no início da rua do Pinheiro, marcando a entrada da Judiaria; um outro possível miliário foi daqui para a Biblioteca Municipal da Covilhã; calçada em Quintarias e Hortas; inscrições funerárias na villa dos Mortórios e na villa de Sinque; a via seguiria junto a Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, onde apareceu o miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiniano que está hoje na Junta de Freguesia de Valhelhas, tal como a ara funerária consagrado aos Deuses Manes; Brandão e Rodrigues, 1957; 50m a sul da JF, existe um possível miliário anepígrafo servindo de base da caixa de correio de uma casa particular)
    Travessia do rio Zêzere (descia pela Qta. da Carreira, próximo do sítio romano do Ralo, onde apareceu uma árula a Júpiter Máximo, cruzava o rio e entroncava na Via Braga-Mérida em Lameiras)
    Catraia da Torre (Centum Cellae), Belmonte


    Mapa









    Moimenta da Beira a Linhares por Fornos de Algodres
    Provável via romana partindo de Moimenta da Beira rumo à travessia do rio Mondego na Ponte de Juncais em Fornos de Algodres, subindo depois por Linhares ao Alto do Carvalhos Juntos, nó viário da Serra da Estrela, onde cruzava com a Via Viseu - Mérida. Esta via permitia conduzir o tráfego de Chaves e Braga para Mérida.

    Moimenta da Beira (povoado no sítio de S. João, possível capital dos Arabrigenses; segue por Toitam)
    Aldeia de Nacomba (calçada na rua da «Via Romana» com cerca de 1 Km percorrendo o Alto da Surrinha/Serra da Aldeia, continua por alturas de Carapito e Sra. dos Caminhos em Vila Chã)
    Cabeça de Alva, Caria (nó viário onde cruza a via Viseu - Moimenta)
    Quintela da Lapa (aqui apareceu uma estátua de togado; continua pela EM584 e cruza o rio Vouga)
    Aguiar da Beira (continua talvez por Barracão e Eirado)
    Carapito (calçada nas traseiras do cemitério)
    Queiriz (nó viário, onde poderia existir uma mutatio, no local onde a via bifurcava, seguindo uma para Fornos e outra para Muxagata rumo ao rio Mondego; uma declivosa calçada entre Maceira e Sobral Pichorro interliga as duas variantes; povoados no sítio do Castelo e na Fraga da Pena; inscrição votiva a Bandi Tatibeaicui, AE 1961, 341).
    Fornos de Algodres (provável mutatio associada à travessia do rio Mondego em época romana no local da actual Ponte de Juncais, última versão desta antiga ponte)

    da Ponte dos Juncais à Serra da Estrela por Linhares
    Depois de cruzar o rio Mondego na Ponte de Juncais, seguia por Mesquitela (Ponte sobre a ribeira de Linhares; vestígios em A-das-Pedras, Tapada das Pedras e Colícias), Carrapichana (habitat em Capela/Tapada do Anjo), Figueiró da Serra (topónimo Hospital), cruza a ribeira de Linhares e sobe pela Calçada da Corredoura/Estrada dos Almocreves até à Igreja da Misericórdia em Linhares da Beira (provável mutatio), podendo daqui continuar pelo velho caminho que segue a meia encosta rumo ao Alto dos Carvalhos Juntos, onde entronca na via que cruza a Serra da Estrela proveniente de Viseu rumo a Centum Cellae em Colmeal da Torre, Belmonte.

    Via ARABRIGA a ARAOCELUM


    Mapa










    Penalva
    do
    Castelo






    Moimenta da Beira (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
    Eixo viário N-S rumo a Bobadela com passagem por Aguiar da Beira e Mangualde; um miliário na Qta. do Pomar assinala esta via. (Vaz, 1976; Nóbrega, 2003a e 2003b; Lourenço, 2007).

    Moimenta da Beira (segue comum à Via Moimenta - Fornos até Aguiar da Beira)
    Aguiar da Beira (silhares almofadados reutilizados nas muralhas do castelo medieval; a via segue pela rua de Sta. Eufémia)
    Ponte Romana?-Medieval do Candal sobre a ribeira de Coja, Coruche (70 m; 2 arcos)
    Quinta das Lameiras, Pinheiro (cipo funerário de Rufus)
    Rãs (continua por Douro Calvo)
    Travessia da ribeira de Sátão (a villa da Cerca indicia um possível ramal rumo ao rio Vouga por Decermilo, podendo continuar próximo dos sítios romanos de Veiga e Castelo, em Ferreira de Aves, rumo a Vila Nova de Paiva; represa romana conhecida por Poça da Moura associada à villa da Vila da Moita; Lourenço, 2007)
    Romãs (inscrição na Qta. dos Matos; segue próximo da villa da Corga e da villa da Presa)
    Silvã de Cima (passa junto à Qta. das Chedas, onde apareceu uma inscrição funerária, e continua por Casal, onde existe um miliário na Qta. do Pomar, muito alterado e reutilizado num muro da quinta, a 11 milhas de Aguiar da Beira e a 13 de Mangualde; a via continuava para Penalva do Castelo pelo caminho que cruza a ribeira da Côja na Ponte Ferreira e a ribeira de Sezures na Ponte de Quijó?)
    • Ligação a Prime/ rio Dão por Rio de Moinhos e Povolide:
      Em Rio de Moinhos existem duas colunas encastradas no muro da Casa da Família Xavier que poderão ser miliários anepígrafos desta estrada (?) ou fustes de colunas provenientes da villa da Eira do Rei; da Silvã de Cima segue então por Rio de Moinhos (calçada no lugar da Igreja em Casal de Cima e villa de Trancosã e villa da Qta. da Taboadela em Casal do Fundo), S. Miguel de Vila Boa, Sátão (talvez por Forno Telheiro, Abrunhosa e próximo da villa da Qta. de Torneiros), Povolide (calçada na Qta. de Sta. Luzia com acesso defronte do cemitério à esquerda), continuando rumo à travessia do rio Dão em Prime (?).

    Penalva do Castelo (m.p. VII no cemitério; vicus no sítio da Murqueira em Fundo de Vila; aqui apareceram várias inscrições, ara aos Bandi Oilienaico, epitáfio de Tiro, epitáfio de Procilia e epitáfio de Rufo; inscrição a Manes na villa da Qta. de Goge; a via continuava próximo da villa de Sangemil, onde apareceu uma inscrição ao filho de Tancini e perto da qual ainda existia um troço lajeado e os topónimos viários «Lajes de Sangemil» e «Ladeira de Sangemil»; Nóbrega, 2003a)
    • Possível ligação do vicus da Murqueira a Castelo de Penalva, atravessando o rio Dão em Sta. Clara e seguindo próximo da villa de S. Romão (onde apareceram 3 fragmentos de uma coluna honorífica dedicada talvez ao imperador Lúcio) rumo ao Castelo de Penalva (habitat, epitáfio de Sara na villa de Pereiro em Casal das Donas; Vaz, 1997).
    • Em alternativa a via cruzava o rio Dão na base do castelo, junto da Ponte do Castelo e da Qta. do Salgueiral/Quintal dos Abades onde apareceu epitáfio de Rufus (Vaz, 1997).

    Travessia do rio Dão na Ponte Romana?-Medieval de Trancozelos (?)
    • Ramal para Abrunhosa-a-Velha por Quintela de Azurara: poderia existir um ramal desta estrada por Quintela de Azurara rumo a Abrunhosa-a-Velha, onde cruza a Via Viseu-Mérida; da ponte de Trancoselos rumava a sudeste para cruzar o rio Ludares em Lamegal (dois possíveis miliários, um está numa casa abandonada da rua Celestino da Fonseca e outro numa casa junto da Capela; Nóbrega, 2003) ou mais a montante entre Abogões e Canelas, numa ponte dita «romana», seguindo depois pela calçada de Cômoro/Formiga, rumo a Quintela de Azurara (duas inscrições a Júpiter, a FE 90 está no MNA e a FE 348 teria aparecido na antiga Capela da Sra. da Esperança e hoje está na igreja paroquial), a via continua para sul junto da Qta. do Carril, cruza a ribeira de Ludares, e segue por Freixiosa (ara votiva a Crouga Nilaigui por Clementinus, servindo de pedestal a um cruzeiro na igreja de Sta. Luzia, FE 54), Cunha Alta e Abrunhosa-a-Velha, onde cruza via Viseu - Mérida.

    da Ponte de Trancozelos a Mangualde
    Da ponte ascende a encosta pela estrada moderna, passa em Trancozelos, saindo pouco antes do Lamegal por caminho de terra, antiga via rumo a Germil, atravessa a aldeia e desce à Ponte do Cavalo onde atravessa o rio Ludares; da ponte ascendia o monte, mas hoje está cortado e é preciso tomar a EM1468 para Darei até reencontrar a via no alto do Espadanal, seguindo o caminho que atravessa o Pinhal do Espadanal, troço ainda com fortes vestígios de marcas de rodados e cortes na rocha, continuando para Oliveira pela Qta. do Cruzeiro, Pizorias, Alminhas e rua da Escola até confluir na EN329-1, marginando a villa de Olivais em Passos (árula a Júpiter, FE 69); continua pela rua da Catraia, Capela de St. André, rua Principal, cruza a EN329-1 e continua junto do miliário da Qta. da Cruz, integrado na esquina do muro de uma casa apresentando um nicho derivado da sua reutilização como alminhas)

    Via ARAOCELUM a civitas Bobadela


    Mapa

















    Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (civitas)
    Mangualde situa-se no cruzamento desta via N-S rumo à Bobadela (Oliveira do Hospital) e da via E-O entre Viseu e Centum Cellae (Belmonte) rumo a Mérida; atendendo ao alinhamento dos miliários encontrados próximo de Mangualde (miliários em Qta. da Cruz, Chãos e Espinho), a via deveria seguir junto da Igreja Matriz de Mangualde rumo à travessia do rio Mondego nas Caldas da Felgueira, provável limite territorial entre as civitates de Viseu e Bobadela e ponto inicial de contagem das milhas atendendo às 7 milhas indicadas no miliário da Qta. da Ponte na Abadia de Espinho, demonstrando o carácter municipal desta via que foi designada por Inês Vaz como Via VIII (Vaz, 1976; Gomes e Carvalho, 1992; Nóbrega, 2003a e 2003b; Gomes Lourenço, 2007). A marcação miliária é assim apresentada com o caput via no local onde cruzava o rio Mondego. Na parte inicial entre Mangualde e Espinho, há dois possíveis itinerários, ambos com miliários associados pelo que deverão ser ambos romanos embora de diferente cronologia. Inês Vaz propôs um trajecto por St. Amaro de Azurara e Santa Luzia, onde apareceu deslocado um miliário Licínio, mas a descoberta em 2009 de um troço lajeado bem preservado em Barreiros, levou António Tavares a propor uma rota alternativa mais a poente pelas povoações de Ançada e Água levada, locais onde também apareceram miliários; (vide Vaz, 1976; Tavares, 2009); a marcação miliária indicia no entanto que a via romana corresponde de facto a este último trajecto pelo que o miliário de Licínio terá sido deslocado.
    • Variante por Santo Amaro de Azurara:
      Mangualde (partindo do nó viário da Igreja de S. Julião, a via seguia talvez pela rua S. João Bosco e rua Padre Mário Marcelino)
      Santo Amaro de Azurara (cruza a aldeia e segue junto das alminhas pelo «Caminho da Lavandeira», seguindo a nascente de Santa Luzia junto das alminhas das Cabeças, talvez a m.p. X, continuando junto da Qta. da Tapada; no lugar de Chãos apareceu deslocado o miliário de Licínio indicando a milha XI)
    • Variante por Ançada e Água Levada:
      Mangualde (partindo do nó viário da Igreja de S. Julião, seguia Cruz da Mata, Estrada Antiga, rua da Calçada)
      Ançada (m.p. X junto da capela; provável miliário junto das sepulturas alti-medievais, a 10 milhas do rio Mondego; continua pela rua da Portelinha e pelo referido troço lajeado junto da Qta. dos Barreiros, designado por Calçada de Barreiros)
      Água Levada (m.p. IX; miliário deitado à entrada de um casa no início da Travessa da Paz, a 9 milhas do rio Mondego; continua pela EM1438)

    Póvoa de Espinho (m.p. VIII no local de confluência das duas variantes, no cruzamento da EM 1438 com a estrada para a estrada que vem de Santa Luzia; fragmento miliário na rua do Forno em Póvoa de Espinho; miliário do Calvário encastrado no muro do cruzamento a 300m do cemitério)
    Abadia de Espinho (m.p. VII; possível miliário reutilizado no Cruzeiro da Capela de Santa Luzia e junto do rio apareceu o miliário da Qta. da Ponte dedicado a Cláudio indicando a milha VII, hoje na CEADV; um pouco mais longe há um outro possível miliário reutilizado no cruzeiro Vila Nova de Espinho; a via seguia talvez entre Gandufe e Póvoa de Espinho pelo Largo de Santa Marinha)
    Senhorim (m.p. V; a via seguia pela Estrada da Fonte do Alcaide e junto da Igreja Paroquial, onde há vestígios de uma possível villa ou mutatio, cruza o rio Videira e segue junto do cemitério até à Capela de St. António, onde vencia a milha 5; possível fragmento de miliário na Quinta do Lila (?); possível miliário ou menir em Casal Sandinho (?); continua pela rua da Portela e rua de S. Bartolomeu)
    Nelas (m.p. IV no Alto do Pedrão, junto da linha férrea; ver Museu José Adelino; conflui na via Viseu-Bobadela e segue para a travessia do Mondego nas Caldas da Felgueira)

    Continuação até Santa Comba Dão: a directriz da via indica que esta seguiria até Santa Comba Dão onde entronca na via Coimbra-Bobadela por Tábua.

    Via VISSAIUM a civitas Bobadela


    Mapa

    Viseu
    Bobadela








    Bobadela
    Avô




    Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
    A magnífica calçada entre Ranhados e Coimbrões integrava uma via importante que ligava Vissaium às sedes da civitates vizinhas, em Aeminium(Coimbra) e Bobadela, a pequena aldeia do concelho de Oliveira do Hospital que na época romana era cognominada de splendidissima civitas, segundo uma inscrição da qual se conserva uma cópia na igreja paroquial (CIL II 397); o nome latino da cidade continua desconhecido. Esta estrada romana, designada por Inês Vaz como Via I, partia de Viseu rumo a sul, tendo várias diverticula para nascente de encontro à via proveniente de Mangualde rumo à Bobadela, o outro eixo viário também na direcção N-S. Inicialmente a via seguia pela calçada de Ranhados rumo à travessia do rio Dão junto às Termas de Alcafache; a utilização de silhares almofadados na ponte actual indicia a existência de uma ponte anterior de construção romana; daqui subia até ao Lugar do Peso em Casal Sendinho, nó viário e possível mutatio onde a via bifurcava para Coimbra por Santa Comba Dão. A via para Bobadela continuava por Vilar Seco e Nelas onde confluía também a via proveniente de Mangualde por Senhorim, seguindo depois para a travessia do rio Mondego junto das Caldas da Felgueira (Vaz, 1976, 1987; Nóbrega, 2003a, 2003b, 2007; Lourenço, 2007).

    Viseu (VISSAIUM) (sai pela antiga porta da cidade na rua do Cerrado/Serrado, onde existia uma necrópole, e segue pela Av. Dom Duarte e rua do Cruzeiro)
    Ranhados (continua pela rua Direita, rua de Sta. Eufémia e rua da Calçada Romana, seguindo em direcção do campo de futebol, desce ao Pontão Romano de S. Domingos sobre a ribeira da Póvoa, passa debaixo da A25, e ascende pelo magnífico troço em calçada, uma das melhores preservadas em Portugal, até à zona industrial)
    Coimbrões (desce ao rio Dão pela Quinta dos Frades; Inês Vaz refere fragmentos de um miliário, hoje desaparecido; Vaz, 1993)
    Termas de Alcafache (chegava pela calçada que existia por trás do Hotel das Termas, entretanto destruída; também conhecido por «Banho»)
    Ponte Romana-Medieval de Alcafache sobre o rio Dão (a ponte reutiliza algumas silhares almofadados num dos talha-mares e na base do pilar do lado das termas; a via continua pela EN594 até à Capela de Ns. de Fátima, subindo daqui em calçada para o Lugar do Peso; referência a um miliário entretanto perdido; Nóbrega, 2007)
    Alcafache (no Lugar do Peso a via cruza a EN1436 e segue para travessia do ribeiro de Cagavaio)
    Vilar Seco (vestígios de calçada e as estações romanas de Prado e Qta. do Serrado)
    Nelas (cruza com a via proveniente de Mangualde rumo a Santa Comba Dão)
    Folhadal (pela rua Carlos raposo e rua Monsenhor Moreira; vestígios romano em Moledo)
    Caldas da Felgueira (travessia do rio Mondego cerca de 2 km a montante da ponte actual, na Qta. Abrunhal, próximo do sugestivo topónimo viário Qta. da Barca)
    • Possível ligação a Seia/ São Romão, passando em Paranhos da Beira (ara votiva de Iunia Firmina), pela calçada e ponte de Carvalhal da Loiça, Tourais (habitat na Qta. da Lameira) e na Ponte de Folgosa do Salvador sobre o rio Seia, continuando por Arrifana para Seia e daqui ao Castro de S. Romão.
    Felgueira Velha (da ponte cruza a aldeia e segue a EN231-2 e rua Valas)
    Seixo da Beira (m.p. III; villa? em Lagaretas, Sobreda)
    Aldeia Formosa (m.p. IV junto da Capela na rua de St. António e continua pela rua Formosa)
    Vila Franca da Beira (m.p. V; passa a nascente pela calçada do «Vale da Corredoira», marginando o penedo sacralizado dos 3 Pesinhos)
    Rio Seia (m.p. VI; na Ponte do Buraco ou mais a jusante)
    Lagares da Beira (m.p. VIII; cruza a povoação pela rua Calçada; calçada no Vale da Corredoura; ponte dita «Romana» na Ribeira/ Vale de Negros; seguiria a EM502?)
    Travanca de Lagos (m.p. X junto da capela; segue a EM502-1)

    Bobadela (municipium), Oliveira do Hospital
    Imensos vestígios por toda a aldeia; inscrição NEPTUNALE na fachada da igreja, CIL II 398, única referência a Neptuno na Lusitânia, divindade ligada ao culto da água; magnífico anfiteatro ainda conservado; o estatuto municipal da cidade é confirmado pela inscrição referindo Sexti Aponius Scaevus como flamine provinciae Lusitaniae (CIL II 396) e pela inscrição da sua mulher Iulia Modesta também flaminica provinciae Lusitaniae onde a cidade é cognominada de splendidissimae civitati da qual se conserva uma cópia na igreja paroquial (CIL II 397); inscrição votiva a Victoriae Eternae (CIL II 5245); em termos viários, o Dr. Adelino de Abreu identificou um miliário tardio junto da igreja nova que se veio a perder no Museu Machado de Castro, (Abreu, 1893), lendo as seguintes letras «D.N. / VALLI / CINIAV.. / NO...» e sugerindo que seria do tempo de Galério, no entanto parece mais coerente a leitura Val(erio) Licinian(o), ou seja uma dedicatória ao Imperador Licínio, corrigindo apenas a leitura do letra «V» final por «N», letras facilmente confundíveis (Anacleto, 1981).


    Ligações de Bobadela ao rio Alva
    Atendendo à importante exploração mineira aluvionar de ouro e chumbo ao longo do rio Alva, é provável a existência de três vias de acesso ao rio, uma descendo à Ponte da Três Entradas, outra descendo a Avô e ainda outra para Coja, onde as condições de travessia são mais favoráveis e onde se achou um miliário e um tesouro, evidenciando a sua importância como nó viário onde bifurcava no Itinerário Coja - Idanha-a-Velha pela Serra do Açor (Marques, 1992) e no Itinerário Coja - rio Tejo por Pedrogão Grande e Amêndoa (2017).

      Ligação de Bobadela à Ponte das três Entradas: seguia talvez por Nogueira do Cravo (nos anos 70 ainda existia calçada, passando nos lugares das Mestras e de Cales, junto da «Casa do Penedo» que reutiliza imensos silhares romanos talvez provenientes da cidade romana que fica a apenas 3 km), em Galizes cruza a EN17 e segue por Santa Ovaia, onde existiu calçada lajeada que tinha continuação pelo chamado «caminho fundo» até à Ponte das Três Entradas, onde atravessava o rio Alva (Lourenço, 2007). É provável a continuação da via para Aldeia das Dez pois aí apareceu um tesouro e existe calçada a 3 km da aldeia no «Caminho das Tapadas» e no Areal, assim como uma ligação em calçada a Avô.

      Ligação de Bobadela a Avô: seguia talvez por Loureiro, cruza a EM1308, rumando depois (pela florestal?) a Balocas e Venda da Esperança, onde cruza a EN17; continua em frente para Lourosa, passando próximo da notável Igreja Moçarabe de S. Pedro, onde apareceram muitos materiais romanos eventualmente relacionados com um templo romano que aqui existia (ara votiva a Picio, ara votiva a Júpiter, ara anepígrafa, cipos, bases de colunas e silhares almofadados), e daqui por Pombal e pelo estradão de terra que vai atravessar a ribeira, subindo depois em calçada até Vila Pouca da Beira (rua da Calçada Romana), continua pela rua da Fonte das Almas, rua dos Catarinos, Cruz de Pedra, Qta. do Casal, cruza a EN230 e continua pela rua Dr. António de Barros para a travessia do rio Alva em Avô. Daqui ascendia à serra pela calçada que parte do Bairro de St. António e seguia pela calçada de S. Pedro, hoje rua da Sra. de ao Pé da Cruz que vai por Anceriz até Cruz de Anceriz, onde entronca no Itinerário de Coja a Idanha-a-Velha.

      Ligação de Bobadela a Idanha-a-Velha(?) pela Serra do Açor
      Itinerário pela Serra do Açor pelo chamado «Caminho da Moura», eventualmente rumo a Idanha-a-Velha; partindo da Bobadela descia por Covas e Pinheiro da Coja para cruzar o rio Alva junto a Coja, continuando depois pela rua da Gândara e pelo estradão que vai para o Alto dos Tosqueirões e Cruz de Anceriz, continuando a nascente do Alto do Carvalhal e do Alto da Chama («Cabeço da Chamua»/Picoto da Cebola), margina o cemitério de Valado (EN344) e segue por alturas de Moura da Serra (tesouro em Safrinha) e pelo caminho do Cabeço da Fonte de Espinho, Encosta da Amieira, Encosta da Fonte Peão (vestígios do corte da via e sulcos de rodados na rocha), continuava por alturas de Piodão (por Alto do Tojo, Outeiro do Caminho e S. Pedro de Açor e Portas de Égua), rumo à Covilhã e a Idanha-a-Velha (?) por percurso incerto devido ao acidentado do terreno.



    Mapa

    Mealhada (mansio) a Bobadela (civitas)
    É provável que existisse uma via romana ligando a região da Mealhada a Bobadela e Viseu pela Serra do Bussaco, derivando da Via XVI Braga-Lisboa para nascente; o percurso continua hipotético, mas parece existir um alinhamento de vestígios de possíveis miliários ao longo do caminho que passa em Leira Grande (Grada), Poço e Alto do Loisal rumo a Sula; no entanto há dúvidas na localização do miliário achado na Leira Grande pois há relatos que o dão como proveniente da Lameira de St. Eufémia, inserido portanto num outro caminho mais a sul que passa por Vacariça e Luso. Há também uma referência medieval a uma «via antiqua» na margem direita do Cértima, mas a sua localização no terreno permanece insegura (PMH DC 104). Perante estas dúvidas, apresentam-se as duas possíveis variantes ligando da Via XVI à Serra do Bussaco que se reuniam em Sula, e daqui duas outras alternativas de ligação ao eixo viário Viseu-Bobadela.

    • Variante norte de Mealhada a Sula por Grada:
      O ponto de derivação da VIA XVI não é claro podendo derivar da mansio da Vimieira, rumando a nordeste até Grada ou mais a norte, próximo das Termas da Curia (Tamagos), seguindo depois por Aguim (vestígios de tégula na aldeia e mais adiante no sítio de Varandas) pela estrada asfaltada que liga a Grada, onde há vários indícios de cariz viário como o topónimo Lugar dos Marcos, o miliário da Leira Grande, apesar das dúvidas sobre o seu local de origem e o próprio marco divisório entre os concelhos de Anadia e Mealhada que é sempre um sinal de via antiga; o caminho continua por Poço e Alto do Loisal rumo a Sula, ascendendo assim à Serra do Bussaco pela sua vertente norte, seguindo aproximadamente a linha divisória entre os concelhos de Anadia e Mealhada. Partindo do Lugar dos Marcos, a via seguia o caminho de terra pela linha de festo que passa próximo da Cerâmica St. Amaro, cruza a EN235 a sul de Poço, onde existe outro marco divisório junto de um possível miliário, continuando depois pelo Alto do Loisal com outro marco divisório, cruza a EN336 a norte de Salgueiral e continua pelo Alto do Cabeço Redondo e Bilheiro até entroncar na EN234, junto a Sula.

    • Variante sul de Mealhada a Sula por Vacariça:
      O ponto de partida esta via derivava da Via XVI na mansio da Vimieira, cruzava o rio Cértima e seguia entre Travasso e S. Romão junto de uma fábrica, seguindo depois paralela e a norte da EN620-3 até ao cemitério de Vacariça (vestígios em Ferrarias), seguindo depois pelo caminho que passa junto da necrópole de Fiéis de Deus sobre a Lameira de St. Eufémia (onde estaria originalmente o miliário da Leira Grande), seguindo depois por Lameira de S. Geraldo e Luso até Sula, onde entronca na variante anterior.

    Itinerário de Sula a Bobadela por Mortágua e Santa Comba Dão:
    É possível que um outro caminho seguisse a EN234 que liga Sula a Mortágua e daqui por Santa Comba Dão em direcção à travessia do rio Mondego em Tábua e daqui à Bobadela; seguia talvez próximo do cemitério de Vale de Remígio, dado que aqui apareceu uma inscrição aos Lares Patriis, atravessava a ribeira de Mortágua e seguia por Gândara para a travessia do rio Criz em Breda rumo a Santa Comba Dão, onde entronca na via Coimbra - Bobadela.

    Itinerário de Sula a Bobadela por Oliveira do Mondego:
    Sula (segue até Moura, virando aqui à direita pelo CM1552 pela Serra da Cerdeirinha por alturas de Atalaia, Louriceira, Alcordal e Galhardo)
    Cercosa (cruza a Via Coimbra-Viseu e continua pela calçada de Vale de Ana Justa)
    Rio Mondego (travessia muito alterada pela barragem da Raiva)
    Oliveira do Mondego (aqui entroncava via Coimbra-Bobadela pela EN17 rumo a Bobadela)

    Via AEMINIUM a VISSAIUM


    Mapa





    Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
    O itinerário acompanha a antiga estrada medieval entre Coimbra e Viseu que já seria utilizada em tempos romanos. O itinerário está descrito no «Roteiro Terreste» (Castro, 1767) com as seguintes estações (légua a légua num total de 13 léguas): Eiras, Botão, Galhano, Santo António do Cântaro (Carvalho), Freirigo (Marmeleira), Barril (Mortágua), Brida (Breda), Cris (rio), Casal de Maria, S. Joaninho, Tondela, Sabugosa, Fail e Viseu. Há referência a esta estrada como «illud carral qui venit de Tondella» na carta do couto concedida por D. Afonso I em 1137 às vilas de Santa Comba Dão, São João de Areias, Oliveira de Currelos e Parada (LP, fl. 32-33, doc. 64).

    Coimbra (a via partia da travessia da ribeira de Coselhas na Ponte de Água de Maias junto do Monte da Forca/Conchada e seguia para norte por Ingote passando junto do habitat romano do Alto da Carvalheira, Cruz do Vale do Seixo e Santo Cristo)
    Eiras (1 légua; casais romanos em Oureça e Costa; cruza a ribeira das Eiras e segue por Casais de Eiras e Vilarinho)
    Brasfemes (torres veteres num documento de 1165; atravessa o rio Resmungão junto da villa de Lagares e segue pelo Alto de Esculca-Paredes e Outeiro do Botão)
    Botão (2 léguas; vicus?; cruzada a ribeira do Botão, rumava a nordeste pelo caminho que vai para Casqueira e Ponte da Mata e daqui subia pelo Vale da Estrada até Galhano, 3 léguas, seguindo depois para a travessia da Serra do Bussaco)
    St. António do Cântaro (4 léguas; aqui existia desde 1215 um albergue medieval, mas hoje só resta a capela; segue a EM1250 pela Serra do Vidoeiro, passando junto de Lourinhal, Vale das Éguas e Alcordal e Galhardo)
    Freirigo, Marmeleira (cruza o ribeiro de Freirigo, a 5 léguas de Coimbra, e continua pela EM591 por Cotelha)
    Cortegaça (continua pela EM591 por Benfeita, Cortegaça e Vale de Açores)
    Mortágua (atravessa a ribeira de Mortágua e segue por Barril na légua 6)
    Travessia do rio Criz (7 léguas; junto a Breda, mas hoje alterado pela barragem da Aguieira)
    Santa Comba Dão (depois do rio Criz a estrada real ruma a norte por Couto do Mosteiro, com vestígios da via na rua da Calçada e no Pinhal das Carvalheiras/Pipa, Vila de Barba, onde conflui no CM1560 e segue por Casal de Maria, légua 8, e S. Joaninho, légua 9, embora a via romana pudesse seguir um caminho alternativo pela lomba que divide S. Joaninho de Teixedo, atendendo à referência no ano de 974 à «ubi est via antiqua»; PMH DC 114; a via continuaria a poente do habitat do Cadaval e da Qta. dos Lobos/Travanca em Mouraz)
    Tondela (10 léguas; a via poderia seguir entre os povoados romanos da Ns. do Castro, a nascente, e o povoado de Nandufe, a poente, atravessando o rio Dinha para Valverde; na capela de S. João em Lobão da Beira apareceu uma ara, FE619; cruza a via W-E de Tondela à Bobadela por Carregal do Sal)
    Canas de Sta. Maria (de Valverde segue próximo da villa de Freixo/Olival Escuro entre Sta. Ovaia de Baixo e de Cima, junto da Capela de Sta. Maria Madalena)
    Sabugosa (11 léguas; villa em St. Aleixo; castro romanizado dos Três Rios em Parada da Gonta, junto do qual há 2 inscrições rupestres em penedos, a inscrição dedicada à divindade Peintices por Lucius Manlius e na outra lê-se C PLOTIVS C. TVREIVS)
    Fail (12 léguas; segue por Vila Chã de Sá)
    Repeses (calçada?; dois possíveis miliários anepígrafos suportando o alpendre da Capela de Sta. Eulália, onde apareceram também 4 inscrições votivas hoje no Museu Grão Vasco, sendo uma delas dedicada à divindade Albucelainco Efficaci; seria um santuário junto da via?)
    Viseu (VISSAIUM) (a 13 léguas de Coimbra; entra na cidade pela rua dos Andrades e rua Direita até ao Largo da Sé)

    Via AEMINIUM a ARAOCELUM


    Mapa


    Coimbra (AEMINIUM) - Mangualde (Aracelum?)
    Itinerário de Coimbra a Mangualde. A parte inicial até Santa Comba Dão segue o mesmo trajecto do Itinerário Coimbra - Viseu, derivando deste em direcção à travessia do rio Dão para o Vimieiro. A partir daqui tomava a direcção nordeste por Carregal do Sal e Canas de Senhorim, podendo bifurcar aqui para Viseu por Carvalhal Redondo e Santar ou continuar na mesma directriz rumo a Mangualde.

    Santa Comba Dão (cruza o rio Dão e segue por Cancela e Fonte do Ouro)
    São João de Areias (sai junto do campo de futebol, servindo depois de divisória concelhia até confluir na EN234)
    Carregal do Sal (nó viário; cruzamento com uma via transversal que cruzava o Mondego rumo a Bobadela)
    Oliveira do Conde (miliário anepígrafo junto do casal romano da Qta. da Sobreira; 2 inscrições romanas dentro do Café «Flor do Mondego»; segue por Azenha e pela «calçada de Alagoas» com 2000 m que cruza a ribeira da Azenha)
    Fiais da Telha (passa junto do Campo de Futebol rumo a Lapa do Lobo)
    Canas de Senhorim (vicus?; villa em Casal/Olival Grande, de onde provém quatro aras de um lararium familiar à divindade Bensencla; outras possíveis villae em Freixieiro e Fojo, todas na periferia da via)
    Urgeiriça (possível mutatio no sítio romano da Laje do Quatro junto de um nó viário onde a via deveria bifurcar para Viseu e Mangualde)
    • Ligação a Mangualde: seguindo por Nelas, onde entronca na Via proveniente da Bobadela rumo a Mangualde.
    • Ligação a Viseu: continuava por Carvalhal Redondo (3 aras dedicadas a Besencla por Docquirus Celti, FE 138; seria um santuário doméstico?; topónimo «Corredoura»)
      Santar (possível villa ou vicus com vestígios em Outeiro, Outeirinho e Qta. do Casal Bom; topónimo «rua da Carreira»)
      Alcafache (nó viário do Peso, volta a bifurcar seguindo para Viseu pela Ponte de Alcafache ou continua por Casal Sandinho, com vestígios em Presas e Qta. dos Lobões, Mosteirinho, Pedreles e Ançada até Mangualde.

    Via Tondela a Bobadela


    Mapa









    Carregal
    Bobadela


    Tondela a Bobadela
    A concentração de miliários nas proximidades de Carregal do Sal indiciam a existência de um cruzamento do Itinerário Coimbra - Mangualde com uma via transversal proveniente de Tondela que cruzava o rio Dão junto do acampamento romano de Ferreirós do Dão, controlando esta passagem entre a confluência do Dinha e do Pavia, seguindo depois por Carregal do Sal para cruzar o rio Mondego mais adiante, continuando por Midões rumo a Bobadela.

    Ligação de Carregal do Sal a Bobadela cruzando o Mondego na Qta. da Barca
    O local de travessia seria entre Qta. da Barca e Vale França, talvez no sítio da Várzea Negra/Porto de Midões, dado que num documento do ano de 969 é referida uma barca neste local, «barcho de midones» PMH DC 100 e num outro documento do ano 1169 é referida uma ponte de pedra então já em ruína, «in portu fluminis Mondeci quem vocitante portum de Midones, subtus dirutum pontem lapideum» LP 60. Este itinerário parte de Albergaria em Carregal do Sal e segue para Vila Meã, passando junto dos dois miliários anepígrafos reutilizados num muro em Vale do Touro, continua pelo chamado «Caminho do Passadouro» que margina o destruído casal do Vale do Rio, descendo à referida «Ponte Petrina» que poderá corresponder aos vestígios de uma ponte identificada em 2014 a sul da Qta. da Barca; depois de cruzar o Mondego, ascendia a Midões (ara no exterior da Igreja Matriz), passando próximo do vicus da Cumieira, onde a tradição localiza a antiga «Cidade de Nabril»; daqui à Bobadela o traçado permanece duvidoso, podendo seguir pela calçada de Vasco até ao rio de Cavalos que atravessa na Ponte Romana? de Sumes ou em alternativa, seguir por Coito de Midões rumo à Ponte de S. Geraldo, continuando depois por Vila Nova de Oliveirinha até Bobadela.

    Ligação de Carregal do Sal a Bobadela cruzando o Mondego na Ponte do Caldeirão
    Este itinerário parte de Carregal do Sal e segue na direcção de Currelos, onde recentemente apareceu um miliário, rumo à travessia do rio Mondego junto da actual Ponte do Caldeirão; parte da Igreja e segue pela rua Conde Ferreira, Estrada de Currelos até Casal da Torre (a cerca de 400 m desta via, numa casa de Vila Cal, apareceu um miliário anepígrafo); continua pela rua Canadas (passando junto do povoado alti-medieval do Passal em S. Sebastião), serpenteando depois a rota da EM635 na descida para a Ponte do Caldeirão; depois de cruzar o Mondego ascendia ao Alto de Ferreiros e daqui a Póvoa de Midões, continuando pela rua Nicolau Firmino e rua da Catraia até Midões, onde entronca no itinerário descrito acima rumo à Bobadela.
    • Epígrafe de Póvoa de Midões: embutida no muro de uma casa no centro da aldeia existe uma inscrição dedicada ao Imperador Tito por SeverusImp. Tito. VIII. Co(n)s / pontem aedificavit / Severus Vituli f.», CIL II 50*) eventualmente referindo a edificação de uma ponte sobre o rio Mondego (Pinto, 2001), mas existem dúvidas na leitura da epígrafe pois outros lêem «fontem», o que é mais plausível no contexto onde foi encontrada.
    • Em Coito de Midões existem duas inscrições embutidas na parede lateral da Capela de S. Sebastião assinalando a construção de dois templos em Bobadela a expensas de Cantius Modestinus, um dedicado ao Génio municipium (CIL II 401) e outro a Victoria (CIL II 402).

    Via AEMINIUM a Civitas Bobadela


    Mapa





    Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
    Itinerário de Coimbra a Bobadela. A parte inicial segue o mesmo trajecto do Itinerário Coimbra - Viseu até Santa Comba Dão. Depois de cruzar o rio Dão seguia junto da villa de S. João de Areias rumo à travessia do rio Mondego para Tábua, continuando depois até Bobadela. Este itinerário continuava pela vertente ocidental da Serra da Estrela rumo a Celorico da Beira e a Marialva, percorrendo o Vale do rio Mondego por Seia e Gouveia. Esta via era designada por «via Colimbriana» na Idade Média («strada Colimbrie» nas Inquirições de 1258, PMH Inq 782).

    Santa Comba Dão (descia do Largo do Balcão pela já destruída «Calçada Velha» até à travessia do rio Dão)
    Vimieiro (da ponte actual subia à estação C.F. pela rua da «Calçada Romana» rumo a Cancela, Fonte do Douro e Qta. da Avegada; poderia existir uma ligação pela calçada da Laje do Roxo à villa da Abadia e Fonte de Vinhais em Óvoa)
    São João de Areias (vestígios na Igreja Matriz e em Alqueives; daqui descia ao Mondego)
    Rio Mondego (existia uma ponte antiga, hoje submersa pela albufeira da Aguieira; sobe na outra margem por 350m pela calçada da Pedra da Sé até Tábua, passando próximo da villa? do Fundo da Vila e do sítio romano da Torre)
    Tábua (seguia talvez junto do povoado fortificado do Outeiro da Mama, na zona industrial, seguindo depois por Catraia de Seixos Alvos, Barras e talvez Candosa)
    Covas (villa de Ervedais, entre o cemitério e a Igreja Matriz; descia à Ponte de Covas sobre o rio Ribelas e seguia junto da Qta. do Ribeiro pelo estradão de terra rua Vale Meirinho, cruza a EM1306, rua da Indústria até cruzar a EN230-6)
    Bobadela (continua junto do cemitério, cruza a ribeira de Cavalos na Ponte Romana e entra na povoação pela rua Emília Pestana Coelho)
    • Bobadela a Celorico da Beira: continua pelo vale do rio Mondego por Celorico da Beira rumo a Marialva, seguindo a vertente ocidental da Serra da Estrela próximo de Seia e Gouveia (vide Itinerário Celorico - Bobadela).
    • Bobadela a Mérida: também poderia seguir por Catraia de Assamaça, rumo ao Castro de S. Romão em Seia, contornado depois a vertente sul da Serra da Estrela por Loriga e Unhais da Serra até Covilhã, e daqui à via para Mérida (vide Itinerário Seia - Covilhã).

    Via CONIMBRIGA a Civitas Bobadela


    Mapa



    Condeixa-Velha (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
    A descoberta em 2011 de uma estação viária romana no sítio da Eira Velha em Lamas (Miranda do Corvo), veio alterar o panorama dos nossos conhecimentos sobre a rede de antigos trajectos nesta região, conduzindo a uma restruturação dos diversos itinerários (act. 2019). Este vicus viarum romano foi identificado durante as obras de construção da auto-estrada A13. Mais uma vez, não se conseguiu preservar este importante património, acabando na sua destruição pela passagem da estrada precisamente no local do assentamento. As escavações de emergência efectuadas no local antes da sua destruição demostraram no entanto a existência de um cruzamento de vias, a via O-E proveniente de Conímbriga que seguia por Miranda do Corvo e Foz de Arouce rumo talvez a Bobadela e uma via N-S proveniente de Coimbra rumo a Tomar por Podentes. Estas estradas estão documentadas no período medieval mas certamente que já eram utilizados em épocas anteriores, em particular no período romano como o sítio da Eira Velha viria a demonstrar (Cravo; 2010; Ramos e Simão, 2012).

    Itinerário Conímbriga - Eira Velha - Miranda do Corvo - Foz de Arouce - Mucela - Bobadela
    Inicialmente seguia de Conímbriga até ao nó viário de Alcabideque, onde cruza o Itinerário XVI de Braga a Lisboa, continuando depois, segundo um documento de 1194, por Bem da Fé, Vila Seca, Água do Forno até ao vicus viário de Eira Velha, continuando depois por Lamas e Cervajota)
    Miranda do Corvo (cruza o rio Dueça em Porto Mourisco e sobe depois ao alto da serra em Cume, onde há calçada, descendo ao vale do Ceira)
    Foz de Arouce (villa do Vale da Portela de Torres; cruza o rio Ceira)
    Covelos (com vestígios romanos em Eira Velha e Fonte do Ouro, possivelmente uma estação viária tipo junto do Km 21 da EN17; continua por Ponte Velha)
    S. Miguel de Poiares (a via segue a rota da «Estrada da Beira» ou EN17)
    Ponte Romana-Medieval da Mucela sobre o rio Alva (alguns silhares almofadas da antiga ponte romana foram reutilizados na construção da ponte actual; continua pelo caminho da Qta. da Carvalha até reencontrar a EN17; em alternativa a travessia do Alva em época romana poderia fazer-se em Moura Morta, onde há uma ponte sobre a ribeira de Sabouga com possível origem romana e a respectiva calçada que segue para Moura Morta; vestígios de antiga exploração aluvionar)
    S. Martinho da Cortiça (segue a EN17 por Sobreira, Cortiça, S. Martinho, Poços, Catraia dos Poços e Moita da Serra; em Sanguinheda existe o topónimo «rua da Calçada Romana»)
    Carapinha (segue a EN17 por Venda da Serra, sai da EN17 por Venda do Vale, reencontra a EN17 pouco antes da Cruz de Espariz, continua por Gândara de Espariz, Venda do Porco e ao km 66 segue à esquerda pela EN230-6 que vai para Covas)
    Ponte Romana de Bobadela sobre o rio de Cavalos (junto do cemitério)
    Bobadela (civitas)

      Outros itinerários neste eixo:

      Coimbra - Eira Velha - Podentes - Penela: a via N-S por sua vez teria origem em Coimbra seguindo depois a nascente do Itinerário XVI pela «Estrada Real» para Penela seguindo segundo António Secco pelo «Cimo das Calçadas da Copeira, Volta do Monte e Chão de Lamas» (Secco, 1853); partindo de Coimbra cruzava o Mondego e seguia a margem esquerda do rio por Laginhas de Baixo, alturas de Copeira, seguindo depois a EN110 («Estrada Real») por Marco dos Pereiros, Portela do Gato, Outeiro Penedo (a nascente há um balneário romano na Lomba da Moura em Almalaguês), Volta do Monte, conflui na via proveniente de Conímbriga no Alto de Almaroz e segue depois próximo do vicus de Eira Velha por Chão de Lamas, Selões (habitat), Podentes (rua Carreira?), Vendas de Podentes (habitat), Penela (a nascente, por «Calçadas»; possível referência a esta estrada como «uia antiqua da serra» no Foral de Penela em 1139 in PMH, CCO, p. 374), continua ao longo da margem esquerda do rio Dueça por Sete Fontes, Carregã (na outra margem do Dueça, junto à capela da Senhora da Graça, existe a importante villa de S. Simão com mosaicos), Taliscas e Chão de Ourique até à provável mutatio do Itinerário XVI no lugar da Póvoa/Aljazede (Cravo, 2010).

      Miranda do Corvo - Espinhal - Venda das Figueiras: quem vinha de Bobadela por Foz do Arouce até Miranda do Corvo, em vez de cruzar o rio Dueça rumo a Conímbriga como anteriormente descrito, poderia continuar para sul de encontro ao Itinerário XVI, seguindo por Espinhal, Torre do Chão do Pereiro, Alto das Pontes, EM1195, Solão, Carvalhais, Estrada de Viavai, Venda de Moinhos e Venda das Figueiras/Freixial, onde entronca no Itinerário XVI rumo a Olisipo (Cravo, 2010).

      Derivação para o Porto da Raiva: segundo J. de Alarcão, poderia existir uma ligação fluvial de Coimbra ao Porto da Raiva (tesouro no Cabeço da Morgueira; microtopónimo Vale do Carro), seguindo depois por via terrestre por S. Pedro de Alva, Cruz do Soito e Catraia dos Poços, onde conflui na «Estrada da Beira» (Alarcão, 1988).

      Derivação para Penacova: a mutatio de Poiares estaria no cruzamento com uma outra via que seguia para a Barca de Penacova, onde atravessava o Mondego, continuando depois pelo carrale que é referido num documento do ano 998 (PMH DC 179) até Penacova (epitáfio de Frontoni embutida na sacristia da Igreja Matriz). No outro sentido, esta via poderia seguir para a travessia do rio Ceira junto a Serpins e daqui aceder à região mineira da Serra da Lousã. Serpins é referido como «uilla serpinis» num documento do ano 961 (PMH DC, nº 83) e poderá corresponder aos vestígios do Povoado romano do Cabeço da Igreja (2 inscrições sepulcrais; vestígios dos pilares da antiga ponte medieval).

      Via mineira de Góis/ «Estrada do Sal»: provável via romana associada à actividade mineira em Povorais (encosta da Serra do Penedo), Vale Pião, Escádia Grande (Roda Cimeira) e em Covas dos Ladrões no Alto das Cabeçadas, onde apareceram duas aras dedicadas à divindade indígena Ilurbeda; o ponto de partida e de chegada deste itinerário são desconhecidos, mas o seu percurso é ainda visível na direcção O-E pelas cumeadas da Serra de Entre-Capelos, Serra das Malhadas e Serra do Açor, serpenteando a EN343 e EN112, seguindo por Alto da Pedra do Lumiar, Cabeçadas, Sra. do Desterro, Alto de Entre-Capelos, com vestígios de calçada no Pepio e mais adiante no Alto das Malhadas), Catraia do Rolão, Alto de Decabelos... (?).

    Via Bobadela a ARITIUM


    Mapa











    Bobadela (civitas) a Alvega (ARITIUM) por Pedrogão Grande
    Hipotético itinerário N-S ligando Bobadela ao rio Tejo; esta via cruzava o rio Alva em Coja e seguia por Arganil e alturas da Serra da Lousã rumo à travessia do rio Zêzere próximo de Pedrogão Grande, continuando por Sertã, Ponte dos Três Concelhos e Amêndoa rumo ao rio Tejo. A parte inicial do itinerário é referida por Mário Saa como antiga «Estrada de Santarém», fazendo-a passar por Arganil, Góis e «cimos da serra da Lousã» rumo a Figueiró dos Vinhos; no entanto o antigo itinerário parece desviar-se desta proposta, cruzando o rio Ceira na Várzea de Góis/Vila Nova do Ceira, tomando depois os mesmos «cimos» mas na direcção de Pedrogão, percurso a que Saa também se refere mas agora como «Estrada Mourisca» como proveniente de Conímbriga por Miranda do Corvo. Após cruzar o Zêzere a proposta de Saa por Amêndoa, Chão de Codes e Alvega corresponde ao itinerário para Aritium. Este trajecto menos acidentado, aproveita sempre que possível os visos da serra para minorar as variações de cota e ultrapassar uma geografia pouco favorável à viação, servindo amiúde como linha divisória entre concelhos.

    Bobadela (segue talvez por Covas, Pinheiro da Coja e Qta. da Telhadela até Coja, onde cruzava o rio Alva)
    Coja (miliário a Teodósio na Capela da Sra. da Ribeira; miliário tardio associado ao nó viário relacionado com a travessia do rio Alva (Encarnação e Lopes, 2014); um tesouro em Paço e a villa de Vale do Carro indiciam a passagem da via nas proximidades, subindo depois por alturas de Salgueiral até ao Alto do Marco, continuando pelo viso da serra sobranceiro a Folques por Mancelavisa, Alto de Travanca e Portelinha)
    Arganil (castellum da Lomba do Canho, acampamento militar romano junto do rio Alva; espólio em polémica; de Arganil sobe pelo Casal de S. José ao Alto de S. Domingos, continuando pelo viso da serra sobranceira a Celavisa, Sequeiros e Bodeiros pelo Alto de Samoa, continuando já no concelho de Góis pelo Alto de Egas na Serra de Alcaria; mina de ouro na «Eira dos Mouros»)
    Vila Nova do Ceira (cruza o rio Ceira e a ribeira de Sótão e segue pela calçada na Serra de Sacões?)
    Portela da Albergaria (ascende pela Lomba do Mouro ao Alto da Serra da Lousã até ao Alto de Trevim («Altar de Trevim», possível triffinium, separando os territórios das civitates de Conímbriga, Coimbra e Bobadela; Alarcão, 1988b), continua sempre por alturas de Castanheira de Pera e Coentral, por Gestosa, Cabeço da Ervideira, Cabeço do Peão, Derreada Cimeira, Venda da Gaita, onde entronca na EN2, Fontinha, Tojeira e Capela do Sr. dos Aflitos, descendo depois por Vale do Barco à travessia do rio Zêzere junto a Pedrógão Grande)
    Pedrogão Grande (vicus viário com possível mansio relacionado com a travessia do Zêzere, ocupando a área do Jardim da Devesa e do qual restam visíveis vestígios junto da Capela do Calvário; forno no Cabeço da Cotovia)
    Travessia do rio Zêzere (por barca a montante da Ponte Filipina e da Ponte "Romana" do Cabril; ara a Nábia numa casa em Roqueiro, hoje no MNA)

      Ligação de Pedrogão Grande à Via Tomar - Covilhã
      Desta travessia do rio Zêzere partia uma via rumo a nordeste convergindo nas proximidades de Oleiros com a chamada «Via da Covilhã» proveniente de Tomar, seguindo por Vale da Galega (calçada à saída da povoação) e Bravo para depois atravessar a Serra de Alvéolos, trajecto pontuado por troços de calçada no Alto do Bravo e no Alto da Cava (nó viário de onde partia um acesso a Vale do Souto, passando junto à mina da Cova da Moura), continuando sempre em altitude pela cumeada da serra com vestígios de calçada no Alto de Vale de Mós, Alto do Cavalo, Selada do Cavalo, Alto da Povoinha, Alto da Mata de Álvaro, junto da mina romana, alturas de Sendinho de St. Amaro até Cruz de Casal Novo, onde cruza a EN350 e toma o caminho de terra que segue por Serra Rasa até ao Alto da Azinheira/Alto do Rilhão, onde entronca na via proveniente de Tomar, seguindo rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas (vide continuação no Itinerário Tomar-Covilhã ).
      • Variante com travessia do Zêzere em Álvaro: uma variante desta estrada seria também já utilizada em época romana, derivava na Cruz de Casal Novo e descia pela Lomba do Carril a Álvaro, onde cruzava o rio Zêzere, ascendendo depois pela Lomba do Barco ao Cabeço da Linteira, sobranceiro a Vale Serrão, continuando por alturas da Pampilhosa da Serra por Urra, Signo Samo, Sancha Moura, Gavião de Cima e Selada Cova, onde volta a reunir com a variante que vinha por Cambas.

    Pedrógão Pequeno (da Barca do Zêzere sobe a Casal dos Bufos e passa a nascente do Castro da Ns. da Confiança, seguindo depois pela chamada «Estrada da Cova», existindo um troço em calçada que cruza a ribeira dos Porteleiros junto do cemitério; na extinta Capela da Ns. das Águas Férreas apareceram silhares romanos possivelmente relacionados com um pequeno templo romano junto da via (?); daqui seguia para a Sertã talvez pelo Alto da Cruz do Peneireiro, Casal Novo, Alto de Viseu e Serra de S. Domingos até entroncar na EM1101, continuando pela Cavada Velha rumo à travessia a ribeira de Amioso em Valado)
    Sertã (vicus Sartago?; possível mutatio em Mata Velha, onde apareceram 10 tambores de coluna e um capitel; cruza a ribeira da Sertã na Ponte Romana?-Filipina da Carvalha e segue pelo «Vale da Carreira» por Portelinha, Venda da Pedra, Junceda e Albergaria)
    Cumeada (cruza a EN2 e desce à Ponte da Cova do Moinho sobre a ribeira da Tamolha, sobe até Catraia, cruza a EN244)
    Marmeleiro (na povoação, toma o «Caminho da Ponte» pela Serra da Longra e desce ao rio Isna que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Três Concelhos, subindo a Portela de Colos pelo caminho que divide os concelhos de Vila de Rei e Proença-a-Nova e onde Mário Saa ainda observou troços de calçada)
    Portela de Colos (continua por Algar e Várzeas, cruza a ribeira de Bostelim/EN244 próximo do Casal do Poço Caldeiro e segue por Tinfaneiros e Ladeira até ao nó viário próximo da Capela de Santa Maria Madalena)
    Amêndoa (possível mansio junto da Fonte do Córrego/dos Mouros em Coutada, na base do Castro romanizado de S. Miguel, nó viário onde conflui nas vias provenientes de Conímbriga e Tomar rumo a Aritium, Ammaia e Igaedis)

    • Ligação de Amêndoa a Alvega por Mação (V4 in Batata, 2006): possível continuação da via seguindo por Chão de Lopes Pequeno, Chão de Lopes Grande, Chão de Codes, Pereiro, Mação (inscrição Aquis Sacris), Rosmaninhal, marginando o provável vicus viário de São Marcos (calçada, moedas e um fragmento de coluna, possível miliário), seguindo depois para Ortiga rumo ao Tejo, marginando o provável vicus mineiro de Vale do Junco rumo à travessia do rio Tejo em Alvega, ligando na outra margem a Aritium.

    • Ligação de Amêndoa a Mouriscas (V5a in Batata, 2006): possível continuação da via para Mouriscas desviando em Chão de Lopes Pequeno da via para Mação e passando por Serra, Saramaga, Lercas, Entre Serras, Alto de Mouriscas, Outeiro Cimeiro e Carril, rumo ao vicus da Fonte do Sapo, nó viário onde conflui com a via proveniente de Conimbriga por Sardoal, seguindo depois rumo à travessia do rio Tejo na Barca de Bandos.

    • Ligação a Belver: também é possível a existência de uma outra via proveniente de Mação ou Vale do Grou rumo também ao rio Tejo marginando a aldeia romana da Qta. do Ribeiro da Nata (5 inscrições e uma possível base de miliário), seguindo rumo a Belver, onde cruzava o rio Tejo para Gavião.

      Portela de Colos à Barca da Amieira (V1 in Batata, 2006)
      Esta via com provável origem romana derivava da anterior em Portela de Colos, seguindo para sudeste por Casas da Ribeira (inscrição), cruza a ribeira de Bostelim e segue por Corujeira até Cardigos, passando junto do casal da Fonte de Chão de Pião (epitáfio de Allonio), continuando talvez por Lameirancha e pela base do Castelo Santo, junto das estações romanas de Sarnadas, A Moradeira, Freixoeiro e Capela (pela cumeada da serra; inscrição achada em Feiteira com o epitáfio do cluniense Caius Sempronius Aebarus; duas inscrições votivas provenientes do Povoado da Sra. da Moita em Galega (Mação), a ara Júpiter colocada pelos Labarenses (FE638), e a ara votiva dedicada a Fonti por Celtius Mitanus, ambas hoje no Museu de Mação), continuando por Venda Nova e Envendos, descendo à Barca da Amieira para cruzar o rio Tejo e daqui a Ammaia.

    Via CONIMBRIGA a IGAEDIS et AMMAIA


    Conimbriga a Ammaia
    Mapa





    Conimbriga a Aritium






    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) a Alvega (ARITIUM) / Aramenha (AMMAIA) / Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
    Vias secundárias que ligavam Conímbriga ao interior da Lusitânia, seguindo rumo a Igaedis por Castelo Branco, rumo Ammaia atravessando o rio Tejo na Barca da Amieira e rumo a Aritium; na sua parte inicial, estas vias seriam comuns ao