Vias Romanas em Portugal
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Intro

Este itinerário tenta fixar no mapa de Portugal os pontos de passagem das vias romanas, de modo a criar rotas de viagem. Para além da evidência arqueológica, existe uma cópia medieval do Itinerário de Antonino ou Itinerarium Antonini Augusti, originalmente escrito no séc. III, indicando as estações de paragem ao longo da via, designadas por mansiones, e as respectivas distâncias expressas em milhas. Nesta página são apresentadas propostas de traçado para os 11 itinerários respeitantes ao actual território nacional, bem como para os muitos outros itinerários da extensa rede viária romana que cobre a quase totalidade do território Português. Os itinerários aqui descritos estão em constante evolução à medida que novos vestígios são descobertos e novos estudos publicados.
Para uma introdução ao tema da viação romana seguir para Informação
Para acompanhar a evolução do estudo sobre vias romanas ver Histórico de alterações  e Blog Vias Romanas

Os XI Itinerários de Antonino


De Braga partiam 5 itinerários:
 Itinerário XVI - Braga (BRACARA) a Lisboa (OLISIPO)
 Itinerário XIX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Ponte de Lima (LIMIA)
 Itinerário XVII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) por Chaves (AQUAE FLAVIAE)
 Itinerário XVIII - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) pela Serra do Gerês - «Via Nova»
 Itinerário XX - Braga (BRACARA) a Astorga (ASTURICA) per loca maritima

De Lisboa partiam 3 itinerários para Mérida:
 Itinerário XII - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alcácer do Sal (SALACIA) e Évora (EBORA)
 Itinerário XIV - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Alter do Chão (ABELTERIO)
 Itinerário XV - Lisboa (OLISIPO) a Mérida (EMERITA) por Monte da Pedra (Fraxinum?)

O Itinerário refere ainda os 3 itinerários seguintes:
 Itinerário XIII - OSSONOBA (Faro) a SALACIA (Vilamoura?)
 Itinerário XXII - Castro Marim (BAESURIS) a Beja (PAX IULIA) por Mértola (MYRTILIS)
 Itinerário XXI - Castro Marim (BAESURIS) a Beja (PAX IULIA) por ARANNIS

Outros Itinerários Romanos


 Itinerário de Braga (BRACARA) a Mérida (EMERITA)
 Outros Itinerários Romanos de Norte para Sul de Portugal
Braga (BRACARA) - Monção (Minius flumen)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Celorico da Beira
Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Lamego (Lamecum?)
Peso da Régua - Marialva (civitas ARAVORUM)
Astorga (ASTURICA) - Vilariça (civitas Banienses?)
Porto (CALE) - Barcelos (Karraria Antiqua)
Porto (CALE) - Guimarães (Via Vimaranes)
Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
Porto (CALE) - Marnel (TALABRIGA) pela costa
Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
Marnel (TALABRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
Viseu (VISSAIUM) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Celorico da Beira - Bobadela (civitas)
Celorico da Beira - Póvoa de Mileu (civitas)
Seia - Belmonte (Centum Cellae)
Moimenta (Arabriga?) - Linhares por Algodres
Moimenta (Arabriga?) - Mangualde (Araocelum?)
Mangualde (Araocelum?) - Bobadela (civitas)
Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
Mealhada (mansio) - Bobadela (civitas)
Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIO VETUS)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIO VETUS)

Tomar (SEILIUM) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS)
Tomar (SEILIUM) - Belmonte (CENTUM CELLAE)
Tomar (SEILIUM) - Mérida (EMERITA)
Alvega (ARITIO VETUS) - Salamanca (SALMANTICA)
Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Aramenha (AMMAIA)
Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Évora (EBORA)
Évora (EBORA) - Torrão (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) / Moura
Moura - Beja (PAX IULIA)
Beja (PAX IULIA) - Sevilha (HISPALIS)
Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
Alcácer do Sal (SALACIA) - Faro (OSSONOBA) por Garvão
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PAX IULIA)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Mértola (MYRTILIS)
Santiago do Cacém (MIROBRIGA) - Lagos (Laccobriga?)
Castro Marim (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
Castro Marim (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA)
Faro (OSSONOBA) - Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?)
Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Beja (PAX IULIA)
Faro (OSSONOBA) - Vilamoura (SALACIA) - Portimão (Portus Magnum?)
 Outras Vias Romanas
Rede viária a norte do Rio Douro (flumen DURIUS)
Rede viária do Porto (CALE)
Rede viária de Freixo (civitas TONGOBRIGENSIS)
Rede viária de Freixo de Numão (civitas Meidobrigensis?)
Rede viária de Marialva (civitas ARAVORUM)
Rede viária da Serra da Estrela (mons Herminius?)
Rede viária de Torre de Almofala (civitas COBELCORUM)
Rede viária de Póvoa do Mileu (civitas Lanciensis Transcudani?)
Rede viária de Idanha-a-Velha (civitas IGAEDITANORUM)
Rede viária de S. Salvador de Aramenha (civitas AMMAIENSIS)

Itinerarium Provinciarum Antonini
VIA XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII

Bracara a Cale
Mapa






















































ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM

IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONIMBRIGA
AEMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

m.p. CCXLIIII
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XXVIII
m.p. XIII
m.p. XXXV
O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo estabeleceu a rota definitiva entre as duas cidades que subsiste até hoje, sobrepondo-se sucessivamente a Estrada Real e a Estrada Nacional EN1 até Conimbriga, mas a partir daqui a via segue para Seilium, a actual cidade de Tomar, enquanto a EN1 deriva para poente, por um outro trajecto também romano que ligava Conimbriga às civitates de Collippo na região de Leiria e Eburobrittium junto a Óbidos. O itinerário utiliza várias vias romanas independentes; inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale num total de 35 milhas por um trajecto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências entre as quais os 8 miliários da série do Padre Martins Capela). O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações permeio, Langobriga e Talabriga por um percurso que ainda suscita algumas dúvidas até porque hoje apenas conhecemos 4 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Úl deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis indicando 12 milhas talvez a Langobriga, o miliário de Adães depositado na Casa Paroquial de Úl, o miliário da Vimieira transladado para o átrio da C.M. da Mealhada indicando 12 milhas a Coimbra e o miliário do Arco da Traição indicando 4 milhas a Coimbra, hoje no Museu Machado de Castro. A sul de Coimbra não se conhecem mais do que 6 a 8 miliários, entre os quais se destacam o miliário de Tamazinhos indicando 8 milhas a Conimbriga, atestando assim a passagem da via em direcção a Tomar, e o miliário do Castelo de Soure, embota este possa estar antes relacionado com a variante pela costa atrás referida que se dirigia para Leiria. Na região de Tomar são referenciados 6 miliários, 4 na cidade e 2 na periferia, o miliário de Sta. Catarina e o miliário de St. Estevão em Delongo, atestando a continuação da via rumo a Santarém, onde aliás se achou um miliário a Probo, na Alcáçova. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 8 miliários, os miliários da Qta. do Bravo e da Qta. de Santa Teresa em Alenquer que deverá corresponder a Ierabriga, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Qta. de St. António de Frielas, ambos desaparecidos, os dois miliários recentemente descobertos em Loures e finalmente os dois miliários descobertos em Lisboa, um no Convento de Chelas, também desaparecido e outro que apareceu nas obras de recuperação da Casa dos Bicos que hoje está no Museu da Cidade. Como também os vestígios de calçada são escassos, o trajecto detalhado da via continua ainda em processo de estudo e discussão; sobre esta parte final do percurso ver as "Atas da mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº1 da Revista Cira Arqueologia. (vide Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Oliveira, 1943; Mantas, 1996; Seabra Lopes, 2000a; Colmenero et al., 2004; Ribeiro, 2016).

Braga (BRACARA AUGUSTA) (Conventus Bracara Augustanus)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com a Via Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de S. Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via para Cale. Estes miliários estão hoje em exposição no Museu D. Diogo de Sousa que conta com uma extensa colecção de 36 miliários (a maior colecção num só museu) recolhidos ao longo de séculos por eruditos ligados à Sé de Braga que assim tentavam salvar da destruição estas «antiqualhas». A maioria foi reunida no Campo das Carvalheiras onde estiveram muitos anos antes de dar entrada no museu que tem hoje uma página web com fotos da maioria dos miliários entre eles muitos da chamada «série Capela». No vizinho Museu Pio XII estão depositados mais 6 miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX que liga Braga a Tui e dois pertencentes a esta via XVI, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), Vila Nova de Famalicão; neste antigo seminário, apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos caminhos; a presença militar é assinalada pela ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo, FE 196, e o epitáfio de Marcus Antonius também soldado da mesma legião.

Braga (o começo da via era assinalado por um miliário a Adriano da milha zero, CIL II 4748, indicando a distância total de Braga ao Porto, ou seja 35 milhas; apareceu no colégio de S. Paulo e hoje está desaparecido; todas as vias que partiam de Bracara tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é ainda visível na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua S. Paulo, junto da biblioteca, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto à cardus maximus; a estrada romana para Cale seguiria na direcção sul aproximadamente pela rua de Santiago, rua S. Sebastião, rua Direita, passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, passa no Largo de Maximinos e segue em frente pela cortada rua Peão da Meia Laranja, rua Felicíssimo Campos, cruza a Av. Cidade do Porto ou EN103 e segue pelo CM1330/rua da Ponte Pedrinha)
Travessia do rio Este na Ponte Pedrinha (alusão a uma ponte antiga com possível origem romana; continua pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309 onde vencia a m.p. I junto das Alminhas)
Lomar (m.p. II; Argote refere um miliário a Crispo junto à igreja, hoje desaparecido, CIL II 4764; continua por Mouta e Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Ventosa, Capela, onde vencia a milha dois no cruzamento com a rua de S. Paio, cruza a ribeira do Barral e continua por Mosqueiros e Quinta)
Esporões (m.p. III no lugar de Além; passa junto da Capela da Ns. da Caridade, Além e Bocas)
Trandeiras (m.p. IV; continua pelo CM1343 por Almoinha, Sá, Souto, Outão e Varziela)
Penso St. Estevão (m.p. IV; topónimos Mesão Frio e Pousadas sugerem uma estação viária; passa junto do cemitério até Pardieiro, onde corta à direita para ir atravessar a ribeira de Morroira na Ponte da Veiga, cruza a EN309 e segue para Quebradas pela EM1347)
Escudeiros (m.p. V; no lugar do Hospital existia uma pousada medieval com possível origem numa mutatio romana; segue pela rua do Caminho de Santiago até entroncar na EN309, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, m.p. VI, onde apareceu uma ara a Antiscreus, hoje no MSMS com o nº 15)
Carreiras, Portela de Sta. Marinha (m.p. VII; miliário a Constantino II junto da igreja, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; segue por Muro, Paredes e cruza o rio Pelhe)
Telhado (m.p. VIII; no século XVI, João de Barros transcreveu um miliário a Adriano indicando a milha VIII que apareceu na casa do Duque de Barcelos em Famalicão, CIL II 4737; Argote e posteriormente Martins Sarmento localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde apenas leu Traiano; no entanto Hübner considera ser um outro miliário, o CIL II 4739; segue a margem direita do rio Pelhe)
São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário a Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de S. Cosmado», entretanto desaparecido, CIL II 4867)
São Martinho do Vale (m.p. X; segue a EN309 por Ribeira de Baixo, Pousada e Paço)
Cruz do Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 e segue logo depois à esquerda pela rua Senhor da Boa Fortuna, caminho de terra para S. João da Pedra Leital, rua dos Portais e rua do Sobrado)
Lagoas, Requião (m.p. XII; rua das Lagoas e rua de Santiago)
Santiago de Antas, Famalicão (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por Vela e Capões)
  • O CIL refere um miliário a Adriano indicando a milha XII dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Mantas deverá corresponder ao miliário a Adriano da milha XIII (CIL II 4752) que está hoje no MDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), o que poderá dever-se a um erro na transcrição inicial feita por Acúrcio que terá omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário a Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base do cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas, entretanto perdido, no entanto Colmenero sugere que este poderá corresponder ao fragmento que integra o muro oeste do Seminário Camboniano.
  • Martins Capela refere mais 2 miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos.
  • Daqui também seria o miliário da Qta. da Devesa, cravado num penedo no interior da quinta, hoje convertida em Parque da Cidade.
  • Junto da estação C.F. de Famalicão há um possível miliário na Qta. do Vinhal.

Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário a Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido na Capela de St. Estevão, CIL II 4740; Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois a servir de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas e hoje está desaparecido; a milha 14 seria vencida no nó da EN14)
Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat da Igreja Velha; segundo Capela, existia um miliário na Devesa Alta posteriormente deslocado para o portão da Qta. de Pereira em Esmeriz, onde se perdeu o rasto; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário suportando uma varanda, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa? da Qta. de Boamense)
Sta. Catarina (m.p. XVI; miliário a Caracala na Qta. de Sta. Catarina, proveniente do sítio do Marco; Martins Sarmento leu apenas X milhas, mas pelo local do achado este marco deveria indicar a milha 16; continua por Fial, Pé de Prata e Fonte dos Castanheiros)
Lousado (m.p. XVII em Garrida; miliário a Magnêncio descoberto na igreja e hoje no Museu Pio XII em Braga com o nº MPXII.LIT.285; em Garrida corta à esquerda pela rua dos Almocreves e rua das Diligências até à margem do rio Ave)

Travessia do rio Ave na Ponte Romana?-Medieval da Lagoncinha
  • Na sua forma actual a ponte é uma construção medieval, mas é bem provável a existência de uma anterior romana nesta passagem natural, embora não existam vestígios concludentes; num documento de 1054 há referência à ponte e à via romana «per illam carrariam antiquam que uadit pro a illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia neste local uma ponte de pedra sobre o Ave, possivelmente um pouco a montante, junto da Cruz do Lugar das Marcas.
  • Atravessada a ponte, a via rumava à Trofa seguindo o caminho ao longo da margem esquerda do rio, passando na Ponte Velha sobre o rio Ervosa, Aldeia da Ponte, Esprela, rua Pinheiro Chagas, rua Júlio Brandão, Cavadas, continua pela rua Teixeira Lopes, interrompida pela linha do metro, passando junto da Casa da Eira.

Trofa (m.p. XIX na Ponte Antiga de Real; continua junto da estação C.F., onde existe um possível miliário na berma da estrada, seguindo depois ao longo da linha férrea junto das capelas de S. Martinho de Bougado e da Ns. das Dores até à EN14)
Vale do Eirigo (m.p. XX; continua pela EN14 até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho a cerca de 500m da via)
Ponte sobre a ribeira de Sedões/Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha», possível ponte romana, em consequência da construção da estrada real Porto-Braga: Peça Má, Alvarelhos (m.p. XXII; miliário a Constâncio II, que está hoje na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário a Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e hoje está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)

Alvarelhos (possível mutatio na base do importante Castro de Alvarelhos, a civitas Albarelios num documento do ano 907, povoado estrategicamente situado sobre o vale da ribeira da Aldeia por onde passava a via romana XVI e ponto de cruzamento de várias outras vias secundárias)
  • Vila Boa, a villa romana Villa Bona fica nos terrenos da Casa de Milreus com mosaicos, necrópole e 3 aras, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980)
  • Quinta do Paiço, junto desta quinta em Sobre Sá, apareceu o epitáfio de Ladronus referindo o Castro dos Madequisenses, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, hoje no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Dentro da quinta, no jardim, encontra-se um Miliário a Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa; foi certamente deslocado da via romana que seria neste troço coincidente com a EN14 atendendo aos miliários de Peça Má e da Carriça e indicaria a milha XXIII.
  • Variante pela Qta. do Paiço/Castro de Alvarelhos: Esta variante corresponde à rota alternativa à EN14 pela EM1352, passando próximo da Qta. do Paiço na base do castro, e em Palmezão toma o caminho pelas Bouças da Teixeira, apresentando ainda um troço lajeado pouco antes de confluir na rua de Quiraz; a antiguidade deste caminho é atestada num documento medieval do ano 986, onde surge como «carreira antiqua» (PMH DC 151) e pelo facto de ser ainda hoje a linha divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Maia. Em Quiraz, a via parece dividir-se, seguindo um ramo à esquerda pela igreja de S. Pedro de Avioso (EN536), Vilarinho e Castêlo da Maia (junto da estação C.F.), onde entronca na EN14 junto do Monte de St. Ovídeo, e o outro ramo seguia em frente pelo caminho de terra que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro, junto do Povoado (?) do Monte Faro, seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira onde entronca na chamada «karraria antiqua».

Nó viário de Alvarelhos: do castro partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago.
  • Ligação ao Castro de Penices: partindo do Muro, seguia para noroeste por Guidões (vestígios na vertente este do maciço de Sta. Eufémia em Cidoi, Cerro e Póvoa; altar votivo ao Genio Saturninus entre o Monte do Castro e o Monte de Cidai), seguindo para a travessia do rio Ave nas imediações de Azevedo, continuando por traçado incerto rumo ao Castro de Penices, junto do qual transpunha o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois na direcção de Rates, de encontro à «Karraria Antiqua», podendo também seguir directo a Barcelos por Gondifelos (vestígios em Lobeira, Fiança e Eirados e Igreja Velha).
  • Ligação à Ponte do Ave: há duas rotas possíveis, uma seguiria por Palmazão (casal) e Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e daqui à Ponte do Ave, ou uma directa à ponte por Fornelo (Igreja/Qta. de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).
  • Ligação a Lavra/Atlântico: também poderá ter origem romana a via de acesso ao mar designada por via vetera e stratra vetere nas Inquirições de Afonso III de 1258 (PMH Inq 492); do castro seguia por Guilhabreu, passando na Sra. do Amparo, Rua da Carreira da Talhada, Parada, Rua das Minas, Rua do Freixo, cruzava a «Karraria Antiqua» em Mosteirô e continuava por Lançaparte, Aveleda e Laceiras rumo ao castro de Angeses e da villa do Fontão junto da costa (Moreira, 2009).

Muro (m.p. XXIII; miliário a Maximiano encontrado na Qta. do Dr. Lima Barreto, CIL II 4743, ao km 12.7 da EN14 indicando 23 milhas a Braga, entretanto destruído)
Carriça (m.p. XXIV na divisória entre os concelhos de Trofa e Maia; continua pela EN14 por Ribela)
S. Pedro de Avioso (m.p. XXV; miliário a Caro do Ferronho; segundo o Abade Pedrosa, em 1894 o miliário estava 2km a sul da Carriça e a 19m a poente de EN14, passando depois para a berma da EN14 ao km 11.2 junto da Capela dos Passos, onde esteve até ser transferido para o Museu da Maia onde está em exposição juntamente com a ara dedicada à divindade Valanis; segue a EN14 por Espinhosa ou junto da igreja)
Castêlo da Maia (m.p. XXVI; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de S. Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Castro de Avioso/Monte de St. Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisenses, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue a EN14 junto da necrópole da Forca)
Barca (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga numa casa do lugar de Rapozeira; estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca que serve de divisão entre freguesias (Ribeiro, 2016); continua talvez por Pinta pela rua Bernardino Machado e Duarte Pacheco)
Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, próximo da CM; segue a rua Augusto Simões e rua do Catassol )
Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX ; a via serve de divisória entre as freguesias de Leça do Balio e Gueifães, atingindo a milha 29 no cruzamento com a rua António Aleixo, continuando pela rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda)

Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha)

São Mamede de Infesta (m.p. XXXI; passa no Largo da Ermida, rua da Conceição e estação C.F., onde vencia a milha 31, continuando do outro lado da linha férrea até à Capela de St. António Telheiro e Largo do Marco; topónimo Carriçal denuncia a passagem da via)
  • Hübner refere um miliário a Adriano (CIL II 4735) que estaria a servir de base do cruzeiro da Qta. do Dourado/St. António, situada na rua da Igreja Velha; posteriormente terá sido reutilizado no cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 milha do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994); a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de S. João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (m.p. XXXIII; cruza a VCI e segue pelo Jardim da Arca d'Água, rua do Vale Formoso, atingindo a milha 33 no cruzamento da rua Antero de Quental com a rua António Cândido, linha divisória entre freguesias de Paranhos de Cedofeita)
Cedofeita (m.p. XXXIV; continua pela rua Antero de Quental até ao Largo da Igreja da Lapa, passando junto da Capela do Sr. do Socorro onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago, seguindo depois pela Praça da República, antigo «Campo de St. Ovídio», rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de St. Ovídio», atingindo a milha 34 no cruzamento da rua das Oliveiras com a Travessa de Cedofeita, na linha divisória entre as freguesias de Cedofeita e Vitória, continuando pela rua Sá de Noronha, Largo do Moinho de Vento, «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans», Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», desce pela rua dos Caldeireiros, rua Afonso Martins Alho, atravessava o rio da Vila pela Ponte da Pedra, junto do antigo Largo de S. Roque, entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio, subia pela rua do Souto, entrando no morro da Sé pela Porta de Sant'Anna ou Porta do Souto, cujo arco foi demolido em 1821)

Porto (CALE) (mansio a XXXV milhas de Braga; oppidum dos Callaicos situada no Morro da Pena Ventosa à Sé; vestígios do antigo castro romanizado na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro na rua D. Hugo, assim como nos alicerces da própria Sé, onde se achou uma inscrição aos Lares Marinhos Laribus Marinis, uma ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos, alberga a colecção de epigrafia do Seminário Maior, hoje Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto; há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira, em particular a muralha romana, restos de estruturas habitacionais e a villa da Casa do Infante com os seus mosaicos; a recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores, demonstrou que o povoamento romano estendia-se por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (Igreja), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo (provável vicus no Campo do Eirado junto à igreja paroquial; vestígios na Calçada do Ouro e rua do Aleixo) e Foz Velha (ara achada na igreja de S. João Baptista onde se lia AQVIS Magaudiis(?) talvez dedicada a divindades aquáticas e uma estátua de uma figura togada, recuperada do rio Douro em 1868 e hoje no Museu do Carmo em Lisboa; o miliário de Areal de Baixo em Braga pertencente à «Via Nova» e o miliário de Soalhães em Marco de Canaveses da Via Braga-Mérida estão na colecção epigráfica do Museu Soares dos Reis (hoje vedada ao púbico!); segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km o que deverá corresponder ao Cachão da Valeira)

Cale a Talabriga
Mapa




















Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Travessia do rio Douro (Durius) (descia da Sé pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de S. Pedro em Miragaia, mas hoje desaparecida; na outra margem um pouco a jusante situa-se o Castelo de Gaia, importante povoado fortificado que poderá corresponder a Caeno Oppidum, povoação alegadamente referida no Ravennate (Rav. IV.43); os vestígios estendem-se do gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos à Qta. de S. Marcos, Qta. de St. António e Igreja do Bom Jesus; na escadaria que dá acesso ao castelo a partir do rio, conhecida como Sr. da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus da Legião X Gémina, membro da tribo Aemilia e hoje está no Solar dos Condes de Resende; Guimarães 1995, 2000)
Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha ascendia pela antiga «Calçada de Vila Nova», também conhecida por «Rua Direita», nas actuais rua Cândido dos Reis e rua Teixeira Lopes ou, em alternativa pela rua General Torres, até ao Largo dos Aviadores na m.p. I )
Mafamude (continua pela rua Marquês Sá da Bandeira marginando o Castro de Mafamude, continua pelo Jardim Soares dos Reis, rua da Rasa, desvia à esquerda pela rua António Rodrigues da Rocha, passa no «Clube Vilanovense», ascende suavemente a St. Ovídio e logo depois da rotunda vencia a m.p. II, no cruzamento com a rua do Padrão, onde existia a desaparecida Capela do Sr. do Padrão, seguramente alusão ao miliário que aqui existia; continua pela rua Soares dos Reis, rua Fonte dos Arrependidos, rua da Palmeira, reaparecendo do outro lado da A1 como rua do Alto das Torres)
Rechousa (m.p. III; a via seguia paralela ou coincidente com a rua da Rechousa)
Canelas de Cima (m.p. IV na subida da Sra. do Monte, onde ainda resta um raro vestígio de algumas pedras da calçada de romana, paralela à actual rua Sra. do Monte, mas a via foi destruída pela construção da EN1 e em parte por uma urbanização recente, estando o que resta ao abandono; continua pela estrada actual, mas depois foi destruída pela construção do nó da auto-estrada, onde vencia a m.p. V)
Carvalhos (m.p. VI; a via reaparece na Av. Dr. Moreira de Sousa, seguindo pela rua do Padrão até ao Largo França Borges, onde estaria o miliário da milha VI, continuando pela rua Gonçalves de Castro)
Monte Murado (m.p. VII; Ceno Oppido?) (m.p. VII; eventual mutatio em Seada, na base do Castro romanizado do Monte Murado, possivelmente o povoado Ceno Oppido referida no Anónimo de Ravena; duas necrópoles; duas raras tesserae hospitales foram encontradas na villa de Decimus Iulius Cilo em Idanha e hoje estão no Solar dos Condes de Resende em Canelas; a calçada de acesso ao castro foi também danificada por uma urbanização; continua paralela à EN1 por Barrancas, mas no Largo das Alminhas segue à esquerda pela rua da Feiteira)
Feiteira (m.p. VIII; continua pela rua Dr. Jorge da Fonseca)
Vendas de Grijó (m.p. IX; continua pela EN1)
Picôto (m.p. X; segue a EN1; vide via para Santa Maria da Feira)
Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue pela rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842)
Lourosa (m.p. XII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)
Ferrada, Fiães (m.p. XIII; o nome de Fiães deriva da Villa Ulfilanis registado em documentos medievais, tendo origem germânica; a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até Ferrada, topónimo viário onde venceria a milha 13 a Cale; pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50m depois na rua do Arieiro; mais uma atentado ao curso da via perfeitamente evitável)

LANGOBRIGA, mansio a 13 milhas de Cale e 18 milhas de Talabriga; o povoado estaria 1000m a nascente no Castro do Monte de Sta. Maria no Monte Redondo, sítio hoje praticamente destruído, mas que forneceu importante espólio (Corrêa, 1925), nomeadamente uma ara a Júpiter, hoje em exposição no Museu Convento dos Lóios, na Feira, e o epitáfio de Boutius; no entanto a mansio poderia estar situada no lugar da Ferrada, possivelmente de onde partia o diverticulum de acesso ao castro.

Souto Redondo (m.p. XV; continua pela rua da Estrada Romana seguindo até ao único troço que resta da antiga «Estrada Real» com a calçada original em seixos rolados, seguindo até ao Largo de Airas, onde resta um pequeno troço de calçada com cerca de 50m formada por grandes lajes de pedra, continuando pela «Estrada Real» até desembocar na EN1)
Albergaria de Souto Redondo (m.p. XV junto ao acesso às instalações da empresa Irmãos Cavaco e da Malaposta de S. Jorge, seguindo sob a EN1 pela rua da Malaposta)
Escapães (m.p. XVI em Mastureira; clara referência à via romana como «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Vimieira de Coimbra», povoação situada a sul de Mealhada; continua pela EN1, marginando a Capelinha da Meia Légua, onde toma a rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, na m.p. XVII, continuando depois pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Vicente Reis)
Arrifana (m.p. XVIII junto da Igreja Matriz; possível mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via E-O que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, hoje "esquecida" no Museu Soares dos Reis; continua pela rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
S. João da Madeira (m.p. XIX junto da Igreja Paroquial; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 703; em 1995 apareceram 65 moedas de ouro nas imediações da «Casa do Morgado», indiciando a passagem da via no centro da cidade, talvez por trás da Capela de St. António, continuando pela rua Visconde de S. João da Madeira, rua Comendador Raínho e rua de Cucujães)
Faria (m.p. XXI; segue a rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da Via Militar Romana até ao rio Úl)
Ponte Medieval da Pica (a travessia do rio Úl em época romana poderia ser 200m a jusante; continua por Cavadas do Couto, cruzando a EN1 e seguindo pelo caminho defronte que foi cortado pela A1 300m depois; do outro lado da A1, a via reaparece para ir cruzar a ribeira do Cercal na base de um possível povoado referido por «Castelo», passando junto de um sítio referido por «Torre Antiga», possivelmente uma atalaia para controle da via associado à m.p. XXII; 2017)
Lações (m.p. XXIII; continua por Lomba, EN227-1, Lações de Cima, marginando o castro no Monte da Sra. de La-Salette, totalmente destruído pela construção do actual parque)
Oliveira de Azeméis (m.p. XXIV no centro da cidade; passa junto da Igreja Matriz e do miliário de Úl, continua pela Av. Ferreira de Castro e rua do Serro, Lousas e Avelão)

Úl (m.p. XXV a Cale; estação viária tipo mutatio na confluência dos rios Antuã/Ínsua e o rio Úl, território de fronteira dominado pelo povoado pré-romano no morro adjacente, o Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja que foram decisivas para o acerto do itinerário nesta região, o miliário a Tibério que indica 12 milhas, o único marco que resta no troço entre Porto e a Mealhada, correspondendo à distância deste local à mansio de Langobriga, situada no sítio da Ferrada em Fiães, seguramente assinalando também o limite territorial da civitas Langobrigense, dado que a segunda epígrafe encontrada é um ainda um mais raro terminus augustalis, marco romano de divisão territorial que nesta caso assinalava a divisão entre a civitates de Langobriga e Talabriga, esta situada junto do rio Vouga; a placa de terminus está encastrado na parede das traseiras da igreja enquanto o miliário foi deslocado para o jardim junto à Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis; na outra margem do rio Úl, junto da Igreja da Ns. das Febres, apareceu um miliário em Adães, também deslocado e hoje depositado na Casa Paroquial de Úl. vide Almeida, 1956; Mantas, 1996:342)

Travessia do rio Antuã na Ponte da Anjeirinha? (m.p. XXVI antes da ponte; continua pela rua do Avelão)
Travanca (m.p. XXVII junto do povoado do Monte da Pena; a via continua pela antiga «estrada real», passando por Besteiros e Caniços)
Bemposta (m.p. XXIX na capela junto dos antigos Paços do Concelho; )
Pinheiro da Bemposta (milha XXIX no cruzeiro; continua pela rua de S. Lázaro, cruza a linha férrea, reúne com a EN1 e segue por Curval de Baixo, antiga malaposta da estrada real)

Branca (m.p. XXX; provável mutatio a 10 milhas de Talabriga, situada na actual divisão entre freguesias no lugar de Coche; num documento do ano 922 aparece como «Abranca», PMH DC 25; existiria uma Auranca no tempo romano? seria no «Castelo de S. Gião»?; Alarcão, 2004a)
  • Em Monarchia Lusytania, Frei Bernardo de Brito transcreve uma epígrafe de um miliário achado no «castelo de S. Gião» (ML, II, 4), na «coroa do monte» da Serra de S. Julião, onde viu «muita pedraria», lendo algumas poucas letras COS VI / P IX PF / VAC XII P M que interpretou como VAC[VA] XII P.M., ou seja «Rio Vouga, a XII milhas»; há muitas dúvidas nesta leitura e muitos autores consideram-na forjada, como outras transcritas por este historiador do século XVI; a distância, no entanto parece correcta porque de facto este local fica a cerca de 12 milhas (cerca de 19,2 km) do Cabeço do Vouga, presumível localização de Talabriga (Brito, 1597; Pereira 1907; Almeida, 1956, Alarcão, 2004a);
  • A via romana deverá coincidir com a «Estrada dos Reis» (CM1453-1), a antiga Estrada Real que ia por Coche, Escusa e Lajinhas, provável referência toponímica ao lajeado da estrada, entretanto removido, restando algumas pedras guias junto da berma; seguia depois paralela à linha férrea até confluir na EN1 (vide Sousa, 1960).
  • Diverticulum da Via XVI para o litoral: de Lajinhas poderia partir uma ligação ao mar passando próximo do vicus de Cristelo (vide Via litoral Porto-Vouga).

  • Albergaria-a-Nova (m.p. XXXII junto da capela na EN1)
    Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVI; desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada», passando na Capela de St. António onde vencia a milha 37, até voltar a reunir com a EN1)
    Serém de Cima (m.p. XXXIX no Cruzeiro; há referências a um miliário nesta antiga malaposta; sai da EN1 e segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Seabra Lopes, 2000a)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Vouga (m.p. XLI; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, mas é provável que a ponte assente sobre uma ponte romana anterior; em alternativa, a travessia poderia ser por barca entre Serém e Lugar da Cova)

    TALABRIGA, mansio, estação viária junto da travessia do rio Vouga junto do Cabeço do Vouga/Marnel; o oppidum situa-se no cabeço adjacente, onde ainda são visíveis importantes vestígios, em processo de escavação mas já aberto ao público; a sua localização estratégica face à via romana, controlando a travessia do rio Vouga, justifica plenamente a existência de uma mansio neste local, mas alguma incongruência entre a distância medida no terreno e o valor indicado no I.A., tem impedido a fixação em definitivo desta mansio neste local; de facto enquanto o I.A. indica 31 milhas a Cale, no terreno andaria pelas 39 milhas, faltando 8 milhas que continuam sem explicação definitiva (erro no percurso? erro itinerário de Antonino?); sobre a localização da Talabriga, ver Pereira, 1907 e Seabra Lopes, 2000a e 2000b.
    • Cruzamento com a Via Vissaium - Talabriga: a via proveniente de Viseu cruzava a Via XVI na base do oppidum (ver itinerário); a continuação desta via, desviando em Travessô para Eixo (forno romano) rumo ao provável Porto Marítimo de Talabriga situado junto do Povoado da Torre junto da actual Igreja de S. Julião em Cacia (na Marinha Baixa, a escassos 325 metros para sudeste, existem vestígios de fornos de um complexo industrial talvez para produção de vidro), local hoje bem longe do mar, mas que na época romana era banhado pelo oceano.
    • Antiga Linha de Costa: na época romana, a linha de costa era bem mais recuada, dando a Talabriga um acesso facilitado ao mar; a reconstituição da antiga linha de costa desse período permitiu definir o limite do território da civitas para além do qual não poderiam existir vias terrestres; partindo do porto da Torre/Marinha Baixa e rumando a sul, a linha de costa tocaria em Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo, contornava o Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de S. Tomé, junto ao Outeiro da Forca, Ermida, contornava a Serra da Corujeira após o que entraria mais para o interior até Fervença (Cantanhede), não muito longe dos vestígios romanos em torno de Cadima e da hipotética ligação à mansio da Vimieira (ver aqui).

    Talabriga a Aeminium
    Mapa










    Aeminium a Conimbriga
    Mapa












    Cabeço do Vouga (TALABRIGA) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    Ponte Romana-Medieval sobre o rio Marnel em Lamas do Vouga (atravessa a EN1 e sobe a encosta pela antiga calçada)
    Pedaçães (m.p. XXXVII a Coimbra; referência medieval à strata maiore, PMH DC 578 que poderá corresponder à Estrada de Pedaçães até Campelido, m.p. XXXVI)
    Mourisca do Vouga (m.p. XXXV; difícil discernir a via daqui a Cabanões; em Travassô há 40m de calçada escavada na rocha entre Hortinhas e Mato Crespo, hoje aterrada, que poderia integrar a via)
    Travessia do rio Águeda em Cabanões (m.p. XXXII; cruza a EN601 e segue pela rua da Ns. dos Milagres, sob a linha férrea e desce ao rio onde surge o topónimo de «Ponte Pedrinha», certamente uma referência a uma antiga ponte situada talvez num local a cerca de 300 a montante da ponte actual onde a travessia é mais facilitada; há também referência medieval à «carreira pública» neste local; Bastos, 2006)
    Óis da Ribeira (m.p. XXXI; a via deve corresponder ao caminho de terra que do rio desemboca na rua Cabo do Lugar)
    Espinhel (m.p. XXX; continua pela EN601, passa na Qta. do Morangal, contorna a Pateira de Fermentelos pela antiga linha de costa ao tempo romano pela rua da Carvalheira, Alminhas e rua Principal)
    Piedade (m.p. XXIX; atravessa a EN333 e segue para Barrô pelo CM1657, rua do Lugar)
    Paradela (m.p. XXVIII; rua Direita)
    Barrô (m.p. XXVII na capela; segue pela rua Terças, rua Arrota do Velho de Baixo)
    Carquejo (m.p. XXVI; continua pela rua Calzinha e rua Estrada Velha, rua Sra. da Alumieira até Landiosa, onde atravessa a ribeira do Cadaval)
    Aguada de Baixo (m.p. XXV; ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; segue pela rua Cura Rachão por Aguadela, m.p. XXIV)
    S. João da Azenha (rua Alto da Póvoa/EM603; a estrada real continua por Avelãs de Caminho, mas o caminho romano deveria atravessar o Cértima para Sangalhos; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»)

    Sangalhos (m.p. XXIII; provável mutatio a 23 milhas de Coimbra, talvez no lugar do Paço?; passaria na rua do Correio Velho)
    (m.p. XXII; continua pela EN235 até Vale de Estevão, onde segue à direita)
    Mogofores (m.p. XX no Cabeço de Mogofores; continua por Outeiro de Cima, cruza a ribeira de S. Lourenço, Outeiro de Baixo; Castro de Anadia na outra margem do Cértima)
    Óis do Bairro (m.p. XVIII; assenta num povoado romano)
    Horta, Tamengos (m.p. XVII; topónimo «Cabeço do Marco»)
    Arinhos (m.p. XVI; necrópole na Encosta do Covão, entretanto destruída)
    Ventosa do Bairro (m.p. XV no cruzeiro; referência à «estrada velha coimbrã» em 1288; travessia do rio da Ponte; EM614)
    • Seliobriga: os vestígios 2 km a poente da via, em S. Martinho de Pedrulhais (Sepins), poderão corresponder ao vicus de Seliobriga, ocupando o planalto de Chãs da Ventosa (Alarcão, 2004c).
    Antes (m.p. XIV junto da igreja; continua pela EM614)
    Pedrulha, Mealhada (m.p. XIII; continua pela EN615-1 por Casal Comba, onde toma a EN616; aqui apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos)

    Vimieira (m.p. XII a Coimbra; provável mutatio ou mansio situada a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário a Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância; este marco foi descoberto durante a construção da linha do norte em meados do século XIX e hoje em exposição no átrio da C.M. da Mealhada; o seu local original poderia ser Casal Comba, onde há os topónimos Padrão e Largo do Marco, mas apenas se apurou que foi achado próximo da Qta. de S. Miguel, a cerca de 1 milha de Mealhada; Mantas, 1996).
    • O local exacto da mutatio ainda não é seguro, mas é possível que corresponda aos vestígios romanos conhecidos por villa da Cidade das Areias, a ocidente da via.
    • A mutatio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Qta. da Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator; hoje no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
    • A via romana surge em documentos medievais como «karraria de illa Vimeneira» no ano 973 (in PMH DC 106) e noutro de 1095 como «strada de uiminaria» (in PMH DC 817), mostrando a importância que esta estação viária ainda detinha na Idade Média.
    • Nó viário da Vimieira: esta mutatio situa-se no cruzamento com uma via no sentido SO-NE que interligava o interior beirão ao litoral.
      • Para nordeste rumo a Bobadela, descrito no Itinerário Mealhada-Bobadela, ou desviar desta em Santa Comba Dão para rumar a norte em direcção a Viseu, descrito no Itinerário Coimbra-Viseu.
      • Para sudoeste rumo a Tentúgal, seguia por Silvã, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Qta. do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), continuando pela Póvoa da Lomba (povoado em Mosqueiros), Outil, Zambujal (villa em Monte Salgado) até Tentúgal (villa); (Mantas, 1996, p. 328-332)
      • Para oeste rumo a Montemor-o-Velho, seguindo por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de S. Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede e Amieiro até Montemor-o-Velho (ara a Júpiter proveniente do sítio romano da Capela da Sra. do Desterro, junto da EN111; RAP 281 e FE629), ligando ainda por Lomba ao porto fluvial da Forca. (Alarcão, 2004, p. 40).
      • Maiorca, na época romana seria porto fluvial com possíveis ligações às vias descritas acima.

    Da Vimieira a Coimbra pela VIA XVI:
    Lendiosa (m.p. XI; continua pela EN616 e atravessa a ribeira da Lendiosa no Vale do Espinheiro)
    Mala (m.p. X; segue a EN616)
    Carqueijo (m.p. IX, onde reúne com a EN1)
    Santa Luzia (m.p. VIII na EN1; em Barcouço, a oeste da via, fica o vicus da Igreja Velha)
    Sargento-Mor/Zouparria do Monte, Souselas (m.p VII; villa em Mouros e na Qta. de Lagares; no sítio de Bacelos sai da EN1 pela Estrada do Lameirão ou CM1138 por Adões)
    Trouxemil (m.p. VI; segue a rua do Calço e rua do Senhor da Rua)
    Cioga do Monte (m.p. V)
    Fornos (m.p. IV; miliário a Calígula indica a 4 milhas a Coimbra, hoje no MNMC; continua pela rua do Poço e rua da Ponte, hoje interrompida pela EN1, onde cruza o rio dos Fornos, seguindo na outra margem pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra)
    Adémia (m.p. III; cruza a ribeira das Eiras na Ponte do Rachado?)
    Pedrulha (a via continuava por Venda da Fontoura, marginava a Capela da Ns. de Loreto, m.p. II e a estação Coimbra-B, onde foi detectado um troço da via durante as obras para construção da passagem subterrânea, entretanto suspensa, cruzava Assamassa e a ribeira de Coselhas na ponte de Água de Maias, m.p. I, junto do Monte da Forca/Conchada, e continuava junto da desaparecida Gafaria/Hospital de São Lázaro pelas actuais Av. Fernão de Magalhães, rua Simões de Castro e rua Direita rumo ao oppidum de Aeminium; referência à via como «carraria maiore» num documento do ano 933 na zona da Pedrulha, PMH DC 39 e como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 junto da ribeira de Coselhas, PMH DC 807)

    Coimbra (AEMINIUM)
    (a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e hoje está no Museu Machado de Castro, MNMC 150; o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário a Calígula que em 1774 apareceu deslocado na Couraça de Lisboa perto do Arco da Traição; como indica 4 milhas, este miliário poderia estar originalmente um pouco norte de Adémia; o museu assenta sobre um magnífico criptopórtico romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e é hoje a construção romana melhor conservada em Portugal, finalmente aberto ao público; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício; segundo Vasco Mantas (ver mapa), a via romana seguia paralela à margem do rio que na era romana era bem mais largo, percorria a rua Direita e inflectia à direita pelo desaparecido Beco do Amorim, mas hoje é preciso ir à Igreja de Sta. Cruz e voltar pela rua da Louça para retomar a rota da via no Largo do Poço, seguindo depois a rua Eduardo Coelho até à Igreja de S. Tiago na Praça Velha/Praça do Comércio, de onde partia um acesso à malha urbana, continuando pelo lado nascente da Igreja de S. Bartolomeu e pela rua dos Gatos até ao Largo da Portagem, onde estaria a desaparecida Porta de Belcouce e onde se fazia a travessia do rio Mondego; ver Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996)
    • Aeminium - Talabarium: deveria existir uma via ao longo da margem esquerda do rio, ligando Aeminium ao povoado da Qta. do Outeiro em Taveiro (Talabarium?) e ao vicus do Cerrado das Almas-Hortas em Ameal, junto da igreja, seguindo talvez próximo dos sítios romanos do Vale da Serra e da Cova da Moura, mas por onde passaria?

    Travessia do rio Mondego (MONDA) (a antiga ponte medieval construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, assentava sobre os pilares de uma anterior romana; partindo do «Portugal dos Pequenitos», a via sobe a encosta pela Calçada de Santa Isabel ou pela rua da Volta das Calçadas (?), seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na «Estrada Antiga de Lisboa»; referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700)
    Cruz dos Morouços (m.p. II junto das Alminhas; cruza a EN1 e segue pelo estradão)
    Antanhol (acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», nunca estudado e hoje muito destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra; referência à «via publica» num documento do ano 1087 em PMH DC 676; a via passa talvez a nascente no vale de Palheira, onde cruza a ribeira de Frades/de Antanhol e segue pela rua Salema, rua Zambujal e rua Cavaleiro, passando por Pousadas e Vendas de Pousadas)
    Alcabideque (m.p. VIII; Castellum Romano de Alcabideque, impressionante estrutura romana de captação de água que assegurava o abastecimento de água da cidade de Conimbriga através de um aqueduto romano com pouco de mais de 3 km quase todo enterrado no solo excepto na chegada à cidade onde foram utlizados arcos para manter o nivelamento; Alcabideque servia de nó viário ligando a Conimbriga pela estrada por Ordens)

    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
    (oppidum e mansio a X milhas de Coimbra; imponente cidade romana, sede da civitas Conimbricensis; neste território apareceram 6 miliários, o de Tamazinhos a Décio, o de Soure a Caracala e os restantes quatro foram achados dentro da cidade ou nas suas proximidades e estão no Museu Monográfico, dois a Constâncio Cloro, um a Tácito e outro a Galério Maximiano; há um miliário anepígrafo implantado na porta norte da cidade; ara aos Lares Viales; ara aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae sacrum, relacionadas com o culto das águas; o porto de Conímbriga poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso, além do porto em Soure)

    Conimbriga a Scallabis

















    Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
    O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir as distância entre estas duas mansiones que distam cerca de 37 milhas em linha recta e cerca de 40 milhas pelo itinerário proposto. A partia de Conimbriga rumo Seilium (actual Tomar), seguindo inicialmente por Zambujal, Tamazinhos, Ateanha, Várzea de Aljazede e Venda das Figueiras, com uma possível mutatio entre Póvoa e Freixial (Mantas, 1996); saía da cidade pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do Museu Monográfico, e seguia inicialmente para o nó viário de Alcabideque, para aí retomar a via principal e rumar a sul em direcção à aldeia do Zambujal, percorrendo o velho caminho ainda visível no terreno que passa na base do cerro da Pêga pelo lado nascente, hoje linha divisória entre concelhos, marginando a villa de Lameiras em Póvoa das Pegas e continuando pelo caminho rural do Outeiro para depois cruzar a EN347-1 e seguir pelo topo da rua da Silveirinha até se perder num caminho hoje desactivado que confluía na actual estrada para o Zambujal, num percurso pontuado pelos vestígios romanos em Algar de Janeia, na milha III, Janeia Velha e Enxurreira, estes associados à milha IV, fazendo supor um função viária para esses edifícios.

    Zambujal (m.p. V; villa? em Mouroiços, junto do cemitério; a via continua pela margem direita da ribeira de Carálio Seco por Porta d'Angere, a milha VI onde há referências a um possível miliário "com letras" e na Cruz do Morto, m.p. VII; a poente fica a importante villa Romana de Rabaçal, aberta ao público)
    Tamazinhos, Penela (da Cruz do Morto continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada romana ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Qta. da Ribeira perto do qual foi encontrado o miliário a Décio indicando 8 milhas a Conímbriga, hoje em exposição Museu do Rabaçal, assinalando a passagem da via pela base do Cabeço de Juromelo, cruza a ribeira de Alcalamouque, seguindo depois o estradão de terra por Portela de Casas Novas, Cabeço da Revolta e pelo sopé do povoado do Cabeço de Ateanha, marginando o casal de Vale de Abrunheira)
    Aljazede (continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560)
    Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos para Venda das Figueiras, com uma provável mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110)
    Avelar (segue a EN110 por Tojeira, Pontão e Venda Nova, m.p. XX)
    Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra, Vale da Aveleira e Cabaços)
    Rego da Murta (nó viário e provável mutatio; a Igreja de S. Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via romana que seguia entre dois povoados pré-históricos, o Castro de São Saturnino a nascente e o Castro de Avecasta a poente)
      Diverticula do nó de Rego da Murta:
    • Daqui partia uma via para sudeste seguindo por Carril em direcção à travessia do rio Zêzere em Martinelo (miliário) ou Bairrada, continuando depois para o Tejo, descrito no Itinerário Conimbriga - Aritium Vetus.
    • Também é possível uma ligação para sudoeste rumo ao Porto Velho de Formigais.
    • A existência de uma calçada na encosta do Outeiro das Relvas com 310m sugere o cruzamento com uma via E-O que ligaria a Pelmã ou ao vicus de Casais da Matinha (?).
    Rego da Murta (m.p. XXVIII; continua pela EN110 e «Estrada Velha»)
    Farroeira (m.p. XXIX; sai da EN110 pouco antes do km77 e segue por Casal da Farroeira, Casais, Fonte do Tojal e cruza a EN348)
    Vila Verde (m.p. XXXII; casal rústico junto da via; continua por Daporta e Casal Sobreira)
    Fonte da Laje (m.p. XXXIII)
    Portela de Vila Verde (m.p. XXXIV; topónimo Calçadas)
    Ponte de Ceras (m.p. XXXV; fotografia dos anos 20 mostra um miliário junto da ponte; Guimarães, 1927)
    Ceras (castrum caesaris no Monte do Alqueidão; continua por Calçadinha e rua da Ferradura)
    Freixo, Alviobeira (m.p. XXXVI)
    Pintado (m.p. XXXVIII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde há vestígios de calçada e continua por Feiteira)
    Vale da Trave (m.p. XXXIX)
    Venda Nova (m.p. XL)
    Calçadas (m.p. XLI; Calçada de Tripeiro, 100m entretanto destruídos, entrando na cidade por Alvito e Bacelos)

    Tomar (SEILIUM) (m.p. XLIII a Conímbriga)
    (oppidum posteriormente elevado a municipium Seiliensis; o forum situa-se nas traseiras do quartel dos bombeiros; 2 miliários achados na margem esquerda, no Cerrado de S. João do Couto, estão hoje no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário a Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário a Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I, mas hoje ilegível; outros dois miliários anepígrafos foram recentemente descobertos nas obras da Av. Norton de Matos; a epigrafia revela a existência de emigrantes Seilienses, nomeadamente no epitáfio de Iulianus do Mosteiro do Lorvão e o epitáfio de Caius Rufinus de Porto do Son na Galiza; Silva, 1988; Mantas, 1989; Ponte, 1995; Fernandes, 1996; Romão, 2012)

    Travessia do rio Nabão (Nabum) (na chamada «Ponte Velha» que poderá ter origem romana atendendo à importância desta travessia, hipótese ainda não confirmada; na outra margem há notícia do aparecimento de um miliário na rua do Everard e logo enterrado; a via seguia pela «Corredoura», topónimo referido em documentos medievais, talvez sob a actual rua Serpa Pinto e depois possivelmente pelo caminho que margina o Convento de Cristo)
    Madalena (segue rumo à travessia da ribeira da Beselga na Ponte de Ramil)
    Paialvo (calçada de Casal Salgueiro, troço da via romana perpendicular à linha férrea hoje soterrado pela linha, restando o topónimo rua da «Via Romana»; ver notícia)

    VIA XVI - de Tomar a Santarém por Torres Novas
    Este troço da via XVI aparece num documento de 1213 como «Estrada de Turribus»; retomando a via em Paialvo, segue talvez a linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas por Soudos (Casal de Soudos) e pela chamada «Ponte Romana» sobre a ribeira de Pé de Cão (vestígios em Paraíso/Paraísas), Vargos (junto do Casal de S. Brás), Valhelhas (calçada junto do cemitério), Gateiras (topónimo Porto da Laje), onde começa um troço preservado em calçada com cerca de 1500m que passa a sul da Qta. da Torre de St. António (actual Qta. do Marquês), cruza a ribeira de Arripiado (ponte romana?) e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na sua confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (vide Carta Arqueológica e a magnífica Villa Cardillio cujo espólio está no Museu Municipal Carlos Reis), seguindo depois um hipotético trajecto por Brogueira, Alcorochel (continua por Casal da Capela, Várzeas, Casal da Varjas, Casal da Roca, Casal do Mau Dente, Qta. dos Formigais, Valverde, Pedregal, Espinhal e Sobral) e S. Vicente do Paúl onde cruza o rio Alviela (talvez nas proximidades dos extensos vestígios de Torrão, Gamacho e Outeiro do Bairrinho, continuando junto do topónimo Corredoura), Torre do Bispo (continua por Alcaidaria), Póvoa de Santarém (talvez próximo da villa na Qta. das Martanas e do sítio romano das Besteira, possível mutatio próximo do local onde confluía uma outra via proveniente de Collippo por Porto de Mós e Tremês).
    • Ligação ao Porto Fluvial de Chões de Alpompé: deveria existir um diverticulum da Via XVI rumo ao importante porto fluvial de Moron que segundo Estrabão estaria a 500 stadia do mar, ou seja cerca de 92,5 km, podendo corresponder ao povoado romanizado de Chões de Alpompé, local estrategicamente situado próximo da foz do rio Alviela; outras vias vicinales serviriam os muitos sítios romanos ao longo da margem direita do rio Tejo como a villa de S. Miguel/Qta. dos Álamos na Golegã, a villa de Portas de Água a norte de Azinhaga, a villa ou vicus sob a aldeia de Pombalinho, e a villa de Cirne, situada no «Vale da Carreira», topónimo que denuncia a passagem de uma via antiga, restando um extenso troço calcetado na zona de Barreiras da Bica/Boavista seguindo rumo a Santarém.

    Santarém (SCALLABIS) (milha CLXXXII; oppidum sede do Conventus Scalabitanus situado na Alcáçova de Santarém, actual Jardim das Portas do Sol, onde apareceu um miliário dedicado a Probo; a área foi recentemente escavada e os achados estão em exposição no novo Centro de Interpretação «Urbi Scallabis»; no pátio da Casa da Alcáçova ainda existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Scallabis; a via romana chegava pelo laso norte, ascendia pela Calçada de S. Domingos junto da necrópole e entrava na cidade pela antiga Porta de Leiria junto da Igreja de Nossa Senhora da Piedade; percorria depois as actuais ruas Capelo e Ivens e Tenente Valadim até ao Bairro do Pereiro, provável localização do acampamento militar romano)

    Scallabis a Olisipo














    Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
    Santarém (do cemitério do Pereiro descia pelo rua da Imaculada Conceição e pelo estradão de terra até ao rio Tejo, percorrendo depois a sua margem direita ao longo da linha férrea por Ónias até ao Vale de Santarém, continuando pelo trajecto da «Estrada Real» por Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca e passando no troço em calçada na Qta. do Malpique; Mantas, 2002)
    Cartaxo (aqui inflecte para poente para contornar o Paul da Ota)
    Pontével (provável mutatio; referência à via vetera num documento do ano 1200; há calçada «acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola» e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto destruída)
    Aveiras de Cima (continua por Casais da Milhariça, Casais de Tambor e Alto do Archinho, topónimos viários)
    • Ramal de ligação ao Tejo: um pouco antes de Aveiras de Cima partia um ramal de ligação ao rio Tejo seguindo pela rua do Carril, actual linha divisória concelhia, passando por Qta. da Boa Vista, Casais da Lagoa e Qta. do Vale da Pedra, onde cruzava o rio Tejo para Escaroupim.
    Travessia do rio Ota (a zona está muito alterada, hipotética travessia em Pontes de S. Bartolomeu, seguindo depois pelo extremo sul da pista da Base Aérea da Ota e pelo Casal do Alvarinho, onde apareceu um tesouro, até Camarnal?)

    Alenquer (IERABRIGA) (milha CCXIV, mansio a 30 milhas a Lisboa no lugar de Paredes, provável referência ao paredão de origem romana que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Qta. do Bravo, Qta. das Sete Pedras e Qta. de Sta. Teresa; na necrópole da Qta. do Bravo apareceu um miliário a Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», hoje no Museu do Carmo em Lisboa; na Qta. de Santa Teresa apareceu um outro miliário indicando o numeral XV (Mantas, 2017); na villa da Qta. da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012); após a travessia do rio Alenquer, a via continuava pelo caminho da Pacheca, marginando a necrópole do Casal de St. António, a Qta. das Varandas e a Qta. Velha)
    • Ligação ao Tejo: deveria existir uma ligação de Ierabriga ao rio Tejo, passando em Casal do Reguengo (circo romano soterrado no subsolo?) e seguindo pela margem direita do rio Alenquer até Vila Nova da Rainha (villa no apeadeiro), onde se localizaria o porto fluvial de Ierabriga, atendendo à existência de um porto nesse local ainda no séc. XVIII, aos vestígios romanos na Qta. do Queimado e ao aparecimento de ânforas e sigillatas provenientes de dragados (Costa, 2010).
    Carregado (passa em Guizanderia e Qta. de St. António, atravessa o rio Grande da Pipa na Ponte da Couraça e segue a EN1 pela Qta. de S. José do Marco)
    Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian; povoado fortificado no Monte dos Castelinhos; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)
    Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007)
    Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra)
    Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; por volta de 1630 Coelho Gasco menciona um miliário a Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, hoje desaparecido, CIL II 306, 4632; no entanto, as 23 milhas indicadas excedem em muito a distância entre Alverca e Lisboa que é aproximadamente de 18 milhas, sendo por isso provável um erro na leitura de Gasco, tal como propôs Vasco Mantas, trocando o numeral «XVIII» por «XXIII» o que é bastante plausível; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, local onde teria existido uma mutatio, bifurcando nas duas variantes descritas a seguir; vide Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)

    • Variante para Lisboa por Loures:
      Com a descoberta de 2 "novos" miliários em Loures sai reforçada a via romana rumo a Lisboa passando no núcleo urbano de Loures, no povoado viário de Almoinhas, onde poderia existir uma estação viária tipo mansio, estrategicamente situada no local onde recebia o tráfego da via litoral proveniente de Conimbriga que vinha por Collippo e Eburobrittium; daqui seguia pela Ponte de Frielas, onde estaria o outro miliário conhecido deste percurso que apareceu deslocado na Qta. de St. António; deste modo é possível que este fosse o verdadeiro traçado da Via XVI, evitando o inundável percurso pela margem direita do rio Tejo.
      Vialonga (EM501 por Morgado e Quintanilho)
      S. Julião do Tojal (atravessa o rio Trancão em Junqueira; calçada; tesouro na Qta. da Bandeira)
      St. Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por Qta. Velha, onde havia vestígios de calçada, continua por S. Roque e Qta. do Sacouto até à travessia do rio Loures)
      Loures (vicus de Almoínhas, junto do Palácio da Justiça, onde deveria existir uma mutatio dado que aqui foram recolhidos 2 miliários tardios, hoje em exposição no Museu Municipal na Qta. do Conventinho, um deles, dedicado a Licínio, indicando correctamente X milhas a Lisboa; a via seguiria a EN8)
      Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (miliário tardio na Qta. de St. António com a inscrição […] / BONO / REIP (ublicae) NATO do qual só resta um desenho, pois foi reutilizado nos alicerces de uma obra da quinta em 1907; segundo Vasco Mantas, estaria junto da ponte de Frielas; villa junto da Capela de Sta. Catarina, 2 km para norte e villa da Qta. do Belo em Unhos; da ponte seguia pelo vale de Póvoa de St. Adrião)
      Lisboa (OLISIPO) (continuava pela Calçada de Carriche, Lumiar e Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», junto da necrópole onde apareceram dois cipos funerários, continuava talvez pela antiga via designada por «Corredoura» na Idade Média até à Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios da calçada, atravessando depois a «Baixa Pombalina» até à zona ribeirinha, provavelmente defronte da Casa dos Bicos dado que aqui apareceu o miliário a Probo que hoje está no Museu Municipal; Banha da Silva, 2012)

    • Variante para Lisboa por Sacavém e Chelas pela margem direita do Tejo
      Esta variante deriva da variante por Loures na zona da Alfarrobeira, onde poderia existir mutatio, seguindo depois por Póvoa de Santa Iria (vestígios na Qta. de St. António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis), S. João da Talha e Bobadela (junto da Qta. da Parreirinha).
      Ponte Romana de Sacavém sobre o rio Trancão (desenhada por Francisco d'Holanda com 15 arcos; hoje só restam vestígios dos alicerces)
      Sacavém (provável mutatio; seguia pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues)
      Portela, Moscavide (cruzava a zona de Olivais, seguindo junto da necrópole de Poço de Cortes, hoje sob a Av. do Santo Condestável)
      Chelas (lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas; lápide na Qta. da Bela Vista; a via seguia pela Estrada de Chelas, passando junto do Convento de S. Félix, onde apareceu um miliário a Magnêncio (CIL II 4631), encontrado junto do Convento de S. Félix de Chelas (villa ou templo romano), referido por Marinho de Azevedo no ano de 1652 in «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa», entretanto foi perdido)
      Cruz de Pedra (a uma milha de Olisipo; segue a Calçada da Cruz de Pedra e rua da Sta. Apolónia)
      Alfama (rua do Mirante, rua do Paraíso, junto da necrópole de Campo de Santa Clara, rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de S. Pedro e rua S. João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura»; na igreja de S. Vicente de Fora apareceu uma ara honorífica a Vespasiano e uma ara votiva a Júpiter)
      Lisboa (OLISIPO) (a via romana terminava na zona ribeirinha provavelmente junto da Casa dos Bicos, acedendo daqui pela rua das Cruzes da Sé ao antigo forum sob o actual Claustro da Sé, onde há vestígios de uma via urbana)

    Lisboa (OLISIPO) (milha CCXLIV; caput viarum a 244 milhas de Braga)
    A cidade romana ocupava toda encosta do Castelo de S. Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira; há vestígios de uma via para ocidente e de uma ponte sobre este braço do rio sobre a antiga rua do Arco da Bandeira, actual rua dos Sapateiros; possível cais de embarque na rua das Canastras e um porto comercial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «Al-quantara», ou «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas hoje pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registados na época vários vestígios monumentais que indiciam a grande importância da sede do municipium Olisiponense em época romana, como as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de S. Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de S. Nicolau apontam para uma necrópole.

    VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII

    Mapa









































































    Variante
    por Antas




















    Fornelos
    Valença












    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDAE) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)
    Item a BRACARA
    ASTURICAM

    LIMIA
    TUDAE
    BURBIDA
    TUROQUA
    AQUIS CELENIS
    TRIA
    ASSEGONIA
    BREVIS
    MARCIE
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARIS
    BERGIDO
    INTERAMNIO FLUVIO
    ASTURICA

    m.p. CCXCVIIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVI
    m.p. XXIIII
    m.p. XII
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XX
    m.p. XIII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O traçado do Itinerário XIX está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Santiago pelo que existe sinalização do percurso (as famosas setas amarelas), embora nem sempre o caminho proposto siga pela via romana. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha obrigatoriamente de atravessar os dois grandes rios da região, o rio Lima, onde viria a instalar uma mansio designada por LIMIA situada a XIX milhas de Braga, actual Ponte de Lima, e 24 milhas depois o rio Minho onde instala outra mansio Tudae, actual Tui. O itinerário continua por Lugo rumo a Astorga, tendo a partir da mansio de Bergido um traçado comum com o Itinerário XVIII, ou «Via Nova» que seguia também para Astorga, mas pela Serra do Gerês. A via foi estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística, através da colocação de sinalética ao longo de um hipotético percurso muitas vezes «forçado» a desviar da via. Ver os 5 miliários desta via no Museu Pio XII, o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) em exposição e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário a Adriano de S. Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e ainda o possível fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612). O Museu da Sociedade Martins Sarmento (MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Qta. S. Germil em Panóias e o miliário a Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário a Nerva da Qta. do Outeiro convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa em Braga (MDS) guarda os outros miliários conhecidos desta via. Para mais informação consultar a bibliografia: Argote, 1734; Regalo, 1987; Colmenero, 1987; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2011.


    Braga (BRACARA) (no palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário a Augusto indicando 43 milhas a TVDE, actual Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, hoje no MDS com o nº 1992.0684; a via poderia seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; no entanto o trajecto da via XIX é incerto pois apesar dos muitos miliários quase todos foram deslocados ou reutilizados nas quintas da periferia da via como o miliário a Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, hoje no MDS com o nº 68992; a saída da cidade fazia-se talvez pela Calçada de Cones, seguindo depois aproximadamente a EN201 até à Ponte do Prado; em alternativa poderia continuar rua de S. Martinho e depois por caminhos agrícolas passando em Felgueiras, onde existe um possível miliário reutilizado como marco divisório; ver Lemos, 2002 e Carvalho H., 2008)

    Real (m.p. I; vários miliários relacionados com a milha I; o miliário a Constâncio (II?) indicando m.p. I apareceu em 1990 na antiga casa dos Paços da Câmara na rua Frei Caetano Brandão e está hoje dentro da cafetaria que ali existe; o miliário a Maximino e Máximo também da milha I, CIL II 4756, apareceu no Monte dos Cones a servir talvez de marco divisório, hoje no MDS com o nº 1992.0677; também seria desta milha o miliário da Qta. do Tourido descoberto em 1979 e hoje desaparecido)

    Frossos (m.p. II no sítio da Ramoia; na Qta. do Outeiro apareceu um miliário a Nerva talvez da milha II transformado em pedra de lagar que hoje está na Sé de Braga; Albano Belino descobriu um miliário a Tibério indicando a milha II na Qta. de Germil, hoje no MSMS com o nº 82; no Largo do Souto em Panóias existe um outro miliário servindo de base a um cruzeiro, seguramente deslocado dado que indica a m.p. IV que seria vencida junto da Ponte do Prado; tem duas inscrições, uma inicial a Tibério e outra posterior dedicada a Valentiniano e Valente; um peso de lagar na Qta. da Mainha, pode reutilizar um miliário)

    S. Paio de Merelim (m.p. III; miliário a Adriano descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201 e hoje no Museu Pio XII, poderia assinalar esta milha; topónimo Calçada junto da EN201)

    Ponte Romana?-Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (m.p. IV; Argote refere o aparecimento de um miliário a Augusto da milha IV, CIL II 4868, aquando da reconstrução da ponte, entretanto deslocado para Braga onde desapareceu; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte (Regalo,1987); a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia fazer-se por barca no mesmo local ou mais a montante, próximo do sítio romano de Macarome)

    Da Ponte do Prado à travessia do Rio Neiva:
    A rota da via romana entre os rio Cávado e o rio Neiva permanece inseguro, sendo habitualmente apontado um trajecto por Lage, S. Miguel de Carreiras e Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães, correspondendo ao actual «Caminho de Santiago». Apesar da evidente antiguidade deste caminho não é segura a sua existência em época romana (Sande Lemos relaciona-o com o período Suévico), apresentando fortes pendentes na subida à Portela das Cabras e a consequente descida abrupta para a travessia do rio Neiva na Ponte de Goães que na sua forma actual é uma construção medieval sem sinais de romanidade. Por outro lado, os miliários conhecidos apareceram todos a poente desta rota (embora deslocados dos locais originais), sendo por isso mais provável que a via militar seguisse um outro percurso menos acidentado e mais de acordo com os princípios construtivos romanos, por Atiães e Marrancos, fazendo a travessia do Neiva a jusante de Goães; a descoberta de miliários em Atiães no âmbito do projecto «Vias Atlânticas» veio reforçar este trajecto, podendo a rota por Goães ser uma já variante tardo-romana.

    • Variante tardo-romana (?) pela Ponte de Goães
      Vila de Prado (vestígios de um possível vicus em Barreiro e Igreja Nova; da ponte sobre o Cávado segue por Faial, passa na calçada da Qta. do Jorge, Estrada, Murta, Santiago, um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos, Corga, Montinho e Sarrela), continua por Lage (calçada; passa junto à Igreja de S. Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão/Olivão), Moure (calçada; próximo fica o castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha), S. Miguel de Carreiras (CM1183 por St. André e Cachada), Portela das Cabras (calçada no lugar da Rua; ara na Portela da Penela; cruza a EN308 na Portela do Meio e segue por Hospital e Fonte Fria), descendo depois abruptamente para a Ponte Velha de Goães ou da «Pedrinha» (ponte medieval sobre o rio Neiva), continuando talvez por Ângulo Quarenta, Igreja de Anais e no sítio do Cruzeiro/Albergaria onde conflui na via romana que vinha por Atiães e Marrancos descrita a seguir.

    VIA XIX - da Ponte do Prado a Ponte de Lima
    Sta. Maria do Prado/Vila de Prado (da ponte segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue por 1800m pelo caminho que passa nas traseiras da Igreja Velha de Prado e que liga a Outeiro; miliário a Tibério indicando a milha V, CIL II 4869, hoje no MSMS com o nº 77)
    Oleiros (m.p. VI; miliário a Valentiniano I indicando a milha VI que apareceu na «Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz» já transformado em cruzeiro, hoje no Museu Pio XII; a milha seria vencida no Cruzeiro/Alminhas, seguindo depois pela rua da Capela de S. Sebastião)
    Atiães (m.p. VII; continua próximo do lugar da Cumieira, por Alminhas e Qta. do Carrão, percurso confirmado pela descoberta de um fragmento de miliário anepígrafo da Bouça do Castro, talvez indicando a milha VII; seguia depois pela Mata de S. Jerónimo, onde recentemente foi identificado um outro fragmento de miliário talvez da milha VIII; também no adro da Capela de Sta. Marta, existem dois cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso; minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal; continua junto da Capela de Chãos, m.p. IX e cruza a EN201 no lugar de S. José, continuando por Regadas na m.p. X; o desaparecido miliário a Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga)
    Marrancos (m.p XI; fragmento de miliário junto da JF; villa?; mina romana da Cova dos Mouros; fragmento de miliário a Tibério que apareceu na Igreja Velha de Fontes em Arcozelo, hoje no Museu Pio XII; passa na rua do Cruzeiro, rua de Martinho, desviando à direita antes da Qta. de S. José por caminho de terra à direita)
    Travessia do Rio Neiva (Naebis) (m.p. XII; talvez entre os lugares do Monte da Ribeira e Lagoeira)

    Anais (m.p. XIII; no lugar da Boavista, apareceu um miliário ilegível reutilizado como suporte do alpendre de uma casa; retomando o percurso no lugar da Lagoeira, na divisória entre os concelhos de Braga e Ponte de Lima, continua por Venda, Talho, Souto, Caramasse, Varziela, Malhos, m.p. XIII no lugar do Cruzeiro, Albergaria, Casas Novas, Pé da Cruz e Torrão)

    Queijada (m.p. XIV no Largo do Soutinho em Empregada; continua por Baganheiro, onde conflui com a EN201 e segue por Costa/Cangostas até ao rio Trovela, junto do povoado na Qta. do Crasto e da necrópole na Qta. do Outeiro)
    • Em Souto de Rebordões, na rua da Rabela, estrada entre a igreja paroquial e a Qta. das Fontes, existe um cipo no acesso à Qta. da Torre que poderá ser um miliário enterrado em posição invertida, apesar da ausência de inscrição; a ser assim, este marco teria sido deslocado da Via XIX que passa a cerca de 1 milha para leste, mas não seria impossível uma variante servindo o povoado da «Cividade» rumo ao rio Lima.
    Travessia do rio Trovela (m.p. XV; na «Ponte Nova» já referida em 1258; CAB Almeida, 1990; seguia depois paralela à EN201 por caminho hoje extinto)
    Fornelos (milha XVI; miliário a Maximino e Máximo que apareceu no antigo passal reutilizado como peso de lagar, hoje no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; continua por Belmonte)
    Picarouba (m.p. XVII; continua talvez por Carrão, Chão da Mena, contorna a Qta. de Sandilhão, cruza a ribeira homónima e segue por Lage da Posa)
    Posa (m.p. XVIII; miliário a Dalmácio que apareceu reutilizado num muro; miliário a Maximino e Máximo indicando a milha 18 que apareceu no «Campo de St. Amaro», hoje no jardim do Solar de Bertiandos convertido em Pelourinho, CIL II 4870; uma regravação posterior revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; a via passava na base do Castro romanizado de Sta. Maria Madalena e descia à Ponte Romana, passando por Postigo, S. Lourenço, m.p. XIX e Sobreira, entrando em Ponte de Lima pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; vide Almeida, 2001)
    Ponte de Lima (m.p. XX; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma ara a Júpiter da oficina de ELPIDI, hoje no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de St. Ovídeo e Alto da Telha)

    LIMIA, estação viária tipo mansio situada a 19 milhas de Braga na actual vila de Ponte de Lima; no entanto, dado que a milha XX era vencida junto da Ponte Romana, é possível que a mansio estivesse um pouco antes, talvez nas proximidades de S. Lourenço, onde vencia a milha XIX.

    Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval de uma anterior romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita com visíveis marcas de fórfex e utilização de silhares almofadados a denunciar a parte romana)

    Antepaço (m.p. XX; no pátio da Qta. do Antepaço existe um miliário já ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela que marcavam a milha 20 e posteriormente deslocados para a Qta. de Faldejães; da ponte romana paralelo ao rio Labruja pela Qta. de Sabadão, m.p. XXI, limite da Qta. de Pomarchão, Cancelhinhas e Igreja)
    • Na Qta. de Faldejães existem 5 miliários; 3 são provenientes da Qta. do Antepaço e indicavam a milha XX, o miliário a Adriano, CIL II 4871, o miliário a Caracala, CIL II 4872 e o miliário a Constâncio Cloro?, CIL II 4873; além destes, temos um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e o fragmento de miliário proveniente da Capela de S. Sebastião em Labruja.
    • O miliário a Maximino e Máximo indicando a milha XXI que apareceu deslocado e partido em dois esteios na Qta. da Agra, Correlhã (nº 7 da série Capela, CIL II 4874) deveria estar originalmente na Qta. de Sabadão onde era vencida a milha 21; hoje está no acervo do MNA.

    Arcozelo (m.p. XXII junto da Igreja de Santa Marinha, onde apareceu um miliário; continua para a Ponte do Arco)
    Ponte Romana do Arco da Geia, Boavista (ponte sobre o rio Labruja reutilizando silhares almofadados da ponte anterior romana; continua pela margem esquerda por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho e Moinho do Folão)

    Cepões (m.p. XXIII; miliário no adro da Capela de S. Pedro, convertido em pia, relacionada com a milha 23 que era vencida um pouco antes da capela no sítio do Padrão, sugestivo topónimo em alusão ao marco miliário que ali existia na base do povoado do Castro do Bárrio)
    Ponte Romana?-Medieval do Arco (nova travessia do rio Labruja; daqui segue a EM522 por Fonte da Estrada até à Capela da Sra. das Neves em Codeçal associada à m.p. XXV, onde toma o chamado «Caminho da Texugueira», passando nos lugares de Revolta, Antas, Portelinha, Valinhos e Casa da Balada, marginando o povoado romanizado do Castro de Baixo)

    Labruja (m.p. XXVI em Espinheiros, dado que aqui apareceu um miliário a Constantino Magno indicando 26 milhas a Braga, suportando o alpendre de uma casa rural e hoje na chamada «Colecção da JAE», bem como o fragmento de miliário a Magnêncio (?) que apareceu no lugar da Freita; miliário da Capela de S. Sebastião, hoje no grupo da Qta. de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário próximo da Capela de São João Baptista da Grova, transformado em suporte de pia baptismal e depois transferido para a igreja paroquial; a via passava a poente da Igreja por Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiros)
    • A partir daqui o caminho divide-se em medieval e romano, seguindo o caminho medieval ou de Santiago pela Portela Grande enquanto a via romana seguia pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário na Portela de Câmbua nº 11 da série Capela; este miliário estaria no alto do monte, actual linha divisória concelhia, assinalando a milha 27, tendo sido partido em 4 esteios e depois perdido; a zona foi muito alterada com a construção da EN201 e da A3 e hoje é preciso seguir a EM522 por Câmboa, descendo depois junto da Capela do Pisco à Veiga do Monte por Portela, Venda, Cascalhal e Capela de S. Roque.

    Romarigães (m.p. XXIX; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães2 miliários anepígrafos e numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário a Valentiniano I convertido em pia de porcos, hoje no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 28 ou 29, embora hoje apenas se leia XX[...], AE 1980, 571)
    • Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 29 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mansio na base do castro, provavelmente junto da Capela de S. Roque; a partir daqui a via parece dividir-se em duas variantes alternativas que seguiam a poente e a nascente do castro, ambas pontuadas por vários miliários; o traçado poente seguia por S. Martinho de Coura e S. Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e S. Julião, enquanto a outra variante seguia por Rubiães e Cossourado com miliários em Pereiros, Igreja de S. Pedro e Qta. do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente pouco antes de Fontoura. Aparentemente ambas as variantes têm origem romana atendendo aos miliários existentes numa e noutra rota, mas com diferente cronologia, sendo a variante por S. Martinho menos acidentada e por isso mais condizente com o perfil de uma via pública, podendo ter sido construída em alternativa ao percurso anterior atendendo ao miliário a Augusto na Igreja de Rubiães (Silva e Díaz, 1997; Colmenero, 2004; Matos da Silva, 2006).

    Variante por S. Martinho de Coura:
      Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Costa e Fonte de Frenes)
      Barreiros, S. Martinho de Coura (m.p. XXIX; miliário a Constante I no largo por trás da Capela Ns. da Conceição onde se lê MILIARIVM XXVIIII, ou seja indica que este era o 29º miliário da via; continua por Calados)
      Fonte de Olho, S. Martinho de Coura (m.p. XXX; miliário a Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara)
      Ponte dos Caniços sobre o rio Coura (na base do castro do Alto da Madorra)
      S. Bartolomeu das Antas (m.p. XXXI)
      • Para a construção da Capela de S. Bartolomeu das Antas perto de Rubiães, foram utilizados 6 miliários da região que ficaram assim deslocados do seu local original, no entanto alguns deles poderão estar relacionadas com esta variante já que aqui seria vencida a milha XXXI; dois deles suportam o alpendre, o miliário a Magnêncio indica a milha XXXI 31, CIL II 4744/6225, o miliário a Nerva indicando a XXXVI, CIL II 6226, proveniente segundo Argote do Monte das Contenças em Fontoura; o miliário a Juliano da milha XXXII, CIL II 6227, poderia estar originalmente no Espinheiral, e os restantes também ao lado da capela são de origem incerta, o miliário a Maximino e Máximo, CIL II 6228, o miliário a Maximino Daia, ambos com a milha apagada e ainda um miliário anepígrafo.
      • Miliário de Candemil: na aldeia de Candemil apareceu um fragmento de miliário onde apenas se lê IMPE que terá sido deslocada desta via; no entanto também seria possível que indicasse um diverticulum para Vila Nova de Cerveira (?).
      Espinheiral (m.p. XXXII; segue a EM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro)
      Ramalhal (fragmento de miliário enterrado junto à entrada lateral da Capela de S. Brás; possível mutatio, Almeida, 1996)
      Ranhadoura (m.p. XXXIII; miliário a Constâncio II com a milha ilegível que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo)
      Raso, São Julião (m.p. XXXIV; no Monte da Gândara apareceu in situ um miliário a Maximino Daia indicando a milha XXXIIII, hoje também na «Colecção da JAE»; em 1979, no Largo da Feira em S. Julião, apareceu um miliário anepígrafo que passou pelo adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima e hoje está desaparecido; 200m de calçada paralela à estrada actual, seguindo depois em alcatrão até Pousada)
      Reguengo (m.p. XXXV junto da Capela de S. Gabriel de Fontoura, onde reúne com a variante por Rubiães)

    Variante por Rubiães:
      Portela de Romarigães (continua pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro, junto do qual vencia a m.p. XXIX)
      Agualonga (habitat em Mourela; cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara e Covelo)
      Pereiros (m.p. XXX; continua pela EN até à Capela de S. Roque)
      Rubiães (m.p. XXXI; da Capela de S. Roque toma o caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa passando nas traseiras da Igreja Românica de S. Pedro, onde apareceu, além de uma ara funerária e pedra almofadada, um miliário a Caracala, talvez da milha XXXI, convertido em sepultura; continua até ao lugar da Escola, onde desce à esquerda rumo ao rio Coura)
      Crasto, Rubiães (na Qta. do Crasto há 3 miliários deslocados; na entrada da quinta está o miliário a Augusto e no seu interior um miliário a Valentiniano I servindo de esteio de uma ramada e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que terão vindo da Azenha do Ribeiro em Romarigães)
      Ponte Romana?-Medieval da Peorada sobre o rio Coura (milha 33; calçada antes da ponte)
      Cossourado (da ponte segue talvez pela EM1074, passando na vertente nascente do Castro do Alto da Cividade/Forte da Cidade até à Igreja e cemitério, m.p. XXIV, percorrendo depois o Monte das Contenças, m.p. XXXVI, por Carcavelha até Portela junto da Capela de S. Gabriel)
      Fontoura (m.p. XXXVII; 2 miliários; miliário a Nerva indicando a milha XXXVI apareceu no Monte das Contenças e hoje está em S. Bartolomeu das Antas; possível mutatio a 7 milhas de Tui)
      • O miliário de Chamosinhos dedicado a Constâncio II da milha XXXVII, encontrado num quinteiro perto da Igreja de S. Pedro da Torre, teria sido deslocado das proximidades da Igreja de S. Miguel de Fontoura, hoje no acervo do MNA.

    Itinerário XIX de Fontoura a Valença
    Fontoura (da Capela de S. Gabriel continua por Portela, Cortinhas, Casa Gonçalo, ribeira de Boriz, Rio Torto e pelo caminho de terra batida com 100m até Monte Chão, restando da antiga via, segundo Colmenero, uma lomba no terreno com 500 m, hoje em propriedade privada; seguia depois pela Capela de S. Bento e Bouça da Gândara até Paços)
    Cerdal (segue o caminho de terra batida até à ponte)
    Ponte Romana?-Medieval da Pedreira sobre a ribeira da Pedreira ou de Fervença (m.p. XXXIX; calçada antes da ponte; continua por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira num pontão com possível origem romana, até atingir Tuído, onde cruza a EN13, e segue por Albergaria e Senra)
    Arão (m.p. XLI; talvez pela rua da Portela, calçada da Rapadoura, rua do Regueiro, margina a Igreja Paroquial e segue pela rua da Igreja, rua da Cruz, travessa Vale de Flores e rua Verde até à rotunda dos Bombeiros)

    Valença (m.p. XLII; 2 miliários provenientes do lugar das Lojas na chamada «estrada do cais» que desce ao Cais de Arinhos; o primeiro é um miliário a Cláudio da milha 42, hoje deslocado para dentro da fortaleza e o segundo é um possível miliário anepígrafo que está hoje na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Núcleo Museológico Municipal, antiga cadeia)
    Travessia do rio Minho (Minius) no Cais de Arinhos (por barca?)

    TUDAE, estação viária tipo mansio situada a 43 milhas de Braga na actual cidade de Tui (2 miliários em Sta. Eufémia); no seu percurso de cerca de 400 km até Astorga, a via seguia pelo Vale do rio Louro, por Madalena, Ponte de Orbenlle, Porriño, Guizan, Louredo, Santiaguiño de Antas (miliário), Chan das Pipas, Saxamonde (5 miliários) e Redondela, continuando para Astorga pelas mansiones referidas no Itinerário: BURBIDA, TUROQUA, AQUIS CELENIS, TRIA, ASSEGONIA, BREVIS, MARCIE, LUCUS, TIMALINO, PONTE NEVIAE, UTTARIS, BERGIDO, INTERAMNIO FLUVIO e finalmente ASTURICA AUGUSTA (total de CCXCVIIII milhas, ou seja cerca de 478,4 km).

    Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII

    Mapa










































































    Alio Itenera ab
    Aquae Flaviae








    ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    Item a BRACARA
    ASTURICAM

    SALACIA
    PRAESIDIO
    CALADUNO
    AD AQUAS
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. CCXLVII
    m.p. XX
    m.p. XXVI
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XIIII
    O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino tem suscitado muitas dúvidas apesar dos muitos miliários conhecidos (actualmente cerca de 32), dando origem a várias propostas de trajecto e variantes. A primeira descrição do seu percurso foi feita pelo bispo de Uranópolis, informador de Contador de Argote que a relatou na sua obra de 1732 «Memorias para a Historia Ecclesiastica do Arcebispado de Braga» e desde então se tem discutido o traçado da via e localização das suas estações intermédias ou mansiones originando uma grande diversidade de soluções. O levantamento do traçado da via em 2005 no âmbito do projecto «Vias Augustas», do qual resultou a limpeza e sinalização da via para uso público, trouxe nova luz sobre o itinerário, mas não solucionou a diferença de milhas que existe no I.A. e as medidas no terreno porque optou por fazer o trajecto do Itinerário XVII pela variante mais a sul por Cortiço, Arcos e Alto do Pindo que sendo sem dúvida romana, não acerta com as distâncias indicadas no I.A. Reunindo toda esta informação, propõe-se o seguinte trajecto. A primeira estação viária, designada por Salacia, situa-se a 20 milhas de Braga junto do Castro de Vieira do Minho (Colmenero, 2004). A segunda estação, designada por Praesidium, estava a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves, devendo por isso localizar-se entre Pisões e Penedones embora não seja segura a localização exacta do povoado. Pouco depois, em Travassos da Chã, a via bifurcava seguindo uma ramo para norte rumo à estação seguinte, designada por Caladunum que corresponde ao importante povoado mineiro da Ciada junto da aldeia de Gralhas que se encontra a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves conforme indicado no I.A. (Argote, 1732). O outro ramo inflectia para nascente cruzando o rio Rabagão junto do Castro de S. Vicente, seguindo depois por Arcos e Pindo para Chaves. A partir de Caladuno, a via seguia ao longo do vale da ribeira da Assureira por Solveira e Vilar de Perdizes, continuava por Soutelinho da Raia, Castelões, Calvão, Vale de Anta e Casas dos Montes até Ad Aquas que podemos localizar com certeza na actual cidade de Chaves. Para mais informação consultar a seguinte bibliografia: Pinheiro, 1895; Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et al.; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005 e 2012. Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus: MDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


    Braga (BRACARA) (em 1835, durante a construção do Hospital de S. Marcos apareceu um miliário a Caro, CIL II 4760, hoje no MDS com o nº 67492; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário a Cláudio II indicando a milha I, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante e Constantino Magno; na sua periferia temos a necrópole de S. Lázaro, hoje terrenos da Sta. Casa da Misericórdia; estes dados permitem equacionar a passagem da via XVII por esta zona. A via romana para Chaves deveria partir do Largo Paulo Orósio, antigo forum, seguindo pela decumanus que corresponde aproximadamente à actual rua do Alcaide, continuando pela rua dos Falcões até à antiga porta da cidade situada a sul do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua pelo rua do Raio, passa na Igreja de S. Vítor, rua D. Pedro V e rua Nova de Sta. Cruz que depois passa a EN103; a via continuaria ao longo da margem direita do Rio Este pela «estrada velha», paralela à actual EN103; neste troço apareceram 2 miliários deslocados na antiga Qta. das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário a Tibério indicando a milha I, hoje no MDS com o nº. 1992.0642, e o miliário a Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas; ver Colmenero et al., 2004)

    Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário a Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, hoje no MDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
    Este de S. Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra do Carvalho, onde se situa o Povoado Romano do Monte das Eiras Velhas, seguindo depois por Carvalho e Calçada; num documento do ano 1056 aparece como carral antiqua; LF 60)
    Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa nas proximidades do castro romanizado do Castelo de Lanhoso e segue por Laje Grande para cruzar a ribeira do Pontido por um troço lajeado e sobe ao «Carvalho Centenário»)
    Calvos (m.p. XI; cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica, junto do cemitério e por Torrão)
    Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho por Botica de Baixo até aos Pardieiros, m.p. XII, continua pela EN103 e logo à esquerda pela EM1364 para Botica de Cima, continua pelo «Caminho do Pousadouro» que passa na aldeia até reunir com a EN103)
    Cerdeirinhas (m.p. XVI, nó viário onde a via inflectia para nascente seguindo a actual EN por Devesa Escura, Outeiro e Loureiro rumo a Vieira do Minho)

    SALACIA, m.p. XX, mansio a 20 milhas de Braga, localiza-se no Castro de Vieira, povoado romanizado nas proximidades de Vieira do Minho que se encontra precisamente a 20 milhas de Braga; no entanto, o edifício da mansio poderia situar-se junto da vila, onde vencia a milha XIX, atendendo aos vestígios de um edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães.

    Vieira do Minho (SALACIA; da base do castro seguia por Vila Seca, Tabuadelo e Pinheiro, seguindo a sul do topónimo viário Parada Velha, iniciando pouco depois a subida pelas vertentes ocidentais da Serra da Cabreira por calçada à Fonte do Confurco, seguindo depois pela Portela da Serradela, com um troço de calçada por 500 m, descendo depois à ribeira das Chedas na Ponte Poldro(?), continuando depois até Espindo, continua pelo troço lajeado designado como «Caminho do Zebral», passando por Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão, seguindo paralela ou coincidente com a estrada actual)
    Zebral (m.p. XXXI; miliário na Capela de S. Pedro, outrora pia baptismal e hoje cimentado ao chão, lendo-se ainda as letras CAESAR / NCVS / IV; cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros)
    • Argote refere dois miliários junto da Capela de S. Martinho em Zebral; um deles segundo Argote lia-se ESAR. AUG / STR. XVIII considerando-o um miliário a Augusto (CIL II 4776), e no outro lia-se CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III (CIL II 4775) (Argote, 1732); como não se conhece nenhuma Capela de S. Martinho em torno de Zebral, é provável que Argote se referisse à Capela de S. Pedro, onde ainda hoje está um dos miliários.
    • Argote refere também dois miliários junto a um ribeiro, próximo da aldeia de Campos: um era dedicado a Cláudio (CIL II 4770) e no outro apenas se lia 35 milhas pelo que assinalava a distância a Braga (CIL II 4772); no entanto Argote indica que ambos seriam provenientes da «Portella de Rebordellos», no alto do monte (Argote, 1732), topónimo hoje desconhecido sendo que a milha 35 seria vencida junto da Ponte do Arco. Um destes miliários poderá corresponder ao miliário a Cláudio que está hoje no MRF (ARC396) dado como proveniente da Venda Nova pois este indica também 35 milhas a Braga, apesar de já não ser visível o 'X' inicial (CIL II 4771).
    • Argote refere mais dois miliários adiante da aldeia de Botica de Ruivães, «à vista do rio Canhua», hoje designado por ribeira da Borralha; um estaria já ilegível e perdeu-se, o outro, dedicado a Trajano, indicava 43 milhas a Chaves (Argote, 1732) pelo que poderá ser o mesmo que apareceu posteriormente em Padrões, CIL 4783 (Fontes, 2004).
    • É provável que existisse um ramal por Botica de ligação ao importante Povoado romano de S. Cristóvão situado na confluência dos rios Rabagão e Cávado e junto da actual aldeia de Ruivães.
    Campos (m.p. XXXIII; continua por Lamalonga e Alto do Cambedo, descendo depois à Ponte do Arco)
    Ponte Romana?-Medieval do Arco (m.p. XXXV; cruza a ribeira da Borralha, antigo «rio Canhua» no tempo de Argote, hoje submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova; tanto Argote como Martins Capela e Hübner, CIL 4773, descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte que deverá ser o mesmo que apareceu durante a construção da barragem; esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e hoje está num jardim junto da EN103 à entrada da aldeia da Venda Nova)
    Padrões (m.p. XXXVI; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o miliário a Tibério da milha XX[...] a Braga, hoje no acervo do MNA, CIL II 4773; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, o miliário a Adriano com o nº. 940 e o miliário a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves, mostrando a crescente importância de Aqua Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água)
    Venda Nova (m.p. XXXVII; 43 milhas a Chaves; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se 4 miliários daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário a Trajano hoje no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário a Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que hoje está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é um miliário cortado a meio indicando também 42 milhas a Chaves, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água)
    Codeçoso do Arco (m.p. XXXVIII; continua junto do Castro de Codeçoso, onde ainda resta um troço da via com 100m lajeados descendo a encosta leste rumo a «Porto de Carros», local hoje submerso pela albufeira, onde cruzava o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas; segundo Martins Capela existia um miliário a Cláudio na descida ao rio indicando 38 milhas a Braga, entretanto destruído; do rio Rabagão subia a Currais, restando ainda um troço lajeado com 300m que passa no sítio de «Lama do Carvalho», num terreno a que chamam «Borrajeiro», onde Argote refere a existência de um miliário a Tibério, CIL II 4777, hoje desaparecido, indicando a m.p. XXXIX)
    Currais (m.p. XL; no Largo do Cruzeiro, encostado a uma casa, está um miliário anepígrafo, mas que será proveniente da travessia do rio Rabagão de onde foi deslocado em 1900 para o centro da povoação; Argote refere outros miliários na aldeia provenientes do sítio dos «Padrões», actualmente desaparecidos, podendo um deles corresponder ao fragmento de miliário actualmente encastrado na parede de um forno da aldeia de São Fins; a milha 40 seria vencida no centro da aldeia seguindo depois um troço ainda conservado da via que segundo Argote seguia por «Subila», «Brêa» e «Pedreira», topónimos hoje difíceis de identificar, mas que deverá corresponder às actuais ruas da Portela e de Fontelas)
    Ladrugães (m.p. XLII a sul da aldeia, no sítio da «Gêa», continua por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum)
    Friães (cruza a ribeira de Cambela e sobe à povoação de Friães inflectindo para leste para Pisões rumo à Cruz de Leiranque)

    PRAESIDIO, mansio localizada a 46 milhas de Braga ainda sem localização segura; a contagem miliária aponta para uma localização em Pisões, aldeia situada a 46 milhas de Braga e a 34 milhas de Chaves conforme é indicado no I.A., no entanto não são conhecidos vestígios romanos atribuíveis a este povoado; em alternativa esta estação viária estaria mais adiante junto do povoado romano da Leira dos Padrões, seguramente uma referência aos miliários ali existentes e que em conjunto com a ara anepígrafa e tesouro monetário encontrados nas proximidades denunciam a passagem da via romana neste local, provavelmente a «Villa Mel» referida por Argote.

    Pisões (m.p. XLVI; a partir daqui a via ficou submersa pela albufeira do Alto Rabagão, mas antes seguia pela Cruz de Leiranque, onde estava o miliário da «Cantina de Leiranco» onde vencia a m.p. XLVII e que foi deslocado para o Largo da Seara na aldeia de Viade de Baixo; passaria depois a sul do Alto de Pedrouço em Parafita)
    Penedones (m.p. L; a via reaparece a sul da aldeia e acompanha a margem da actual albufeira pelo sítio da «Leiras dos Padrões», onde há abundantes vestígios de uma estação viária, outra possível localização da mansio Praesidio, continuando pela Capela de Santo Aleixo e respectiva necrópole romana, associada à m.p. LI, junto do Parque de Campismo)
    Travassos da Chã (m.p. LII; nó viário; miliário anepígrafo convertido em cruzeiro e deslocado para o sítio do Padrão junto do antigo traçado da EN103 entretanto cortado pela albufeira)

    Nó viário de Travassos da Chã: a via deveria bifurcar neste ponto, continuando uma via para norte rumo à mansio de Caladuno, situada junto do povoado mineiro romano da Ciada, junto da aldeia de Gralhas, seguindo a proposta de Argote (Argote, 1732), continuando depois por Vilar de Perdizes, Soutelinho da Raia, Castelões e Calvão até Chaves. A outra estrada inflectia para leste, cruzava o rio Rabagão junto do Castro de S. Vicente e seguia um caminho mais curto, mas mais acidentado até Chaves, passando por Gralhós, Arcos e Pindo, percurso pontuado por vários miliários.

    Itinerário XVII por Ciada
    S. Vicente da Chã (m.p. LIV; segue junto da Capela de S. Gonçalo, na base do vicus viário do Alto da Carvalha de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales; FE 368; continua pelo caminho carreteiro que margina o povoado romano da Veiga de Carigo, possível estação viária tipo mutatio, situada entre Medeiros e Peirezes na m.p. LVI, onde pareceu uma ara)
    Codeçoso da Chã (Argote refere que a via passava nos topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», hoje desconhecidos)
    Meixedo (m.p. LIX; cruza a povoação e ribeira homónima e segue talvez pela Encosta do Biomal/Campelos)

    CALADUNO, mansio a 62 milhas de Braga e a 18 milhas de Chaves situada a cerca de 1000m para sudeste da aldeia de Gralhas, junto do vicus mineiro da Ciada, onde existiam abundantes vestígios romanos, hoje destruídos pela construção do campo de futebol.

    Solveira (cruza a povoação e no cemitério segue o caminho à direita; povoado mineiro da Telheira/Antas)
    Vilar de Perdizes (vicus da Veiga com importantes vestígios como o Altar de Penascrita/«Pedra Escrita», uma inscrição gravada num penedo por soldados da Legião VII Gémina que integraria santuário rupestre dedicado a Larouco, divindade associada à serra homónima; na entrada do povoado, no sítio do Portelo, aquando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também a Larouco e uma outra dedicada a Júpiter, hoje armazenadas na CM de Montalegre; outra inscrição num penedo em Rameseiros; a via cruza a ribeira da Assureira e continua pelo caminho que faz de fronteira com Espanha, passando junto do vicus do Carvalhal, possível mutatio)
    Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul, passando a poente do possível vicus de Pardieiros)
    Castelões (segue pela «Calçada do Facho», percorrendo o sopé do Povoado de Facho de Castelões, tendo aparecido um fragmento de um possível miliário anepígrafo na berma da via talvez indicando a m.p. IX a Chaves)
    Calvão (m.p. LXXIII; miliário deslocado para a entrada da aldeia situada a 7 milhas de Chaves; continua pela Ponte Guilherme, passando a poente do vicus no Outeiro da Torre, cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro)
    Soutelo (m.p. LXVI; 4 milhas a Chaves)
    Vale de Anta (m.p. LXXVIII; miliário anepígrafo desaparecido que estaria originalmente no actual topónimo «Alto do Marco», local situado a 2 milhas de Chaves; placa honorífica a Treboniano Galo na Igreja; Barragem Romana Abobeleira a norte, e minas romanas de Campo Queimado e de Outeiro Machado, onde há um penedo gravado com diversos símbolos talvez relacionados com a actividade mineira)
    Casas dos Montes (m.p. LXXIX; segue junto da Capela de S. Bartolomeu, defronte da qual está um miliário anepígrafo na esquina de uma casa, talvez ainda in situ, indicando nesse caso 1 milha a Chaves)
    Chaves (entrava pela calçada descoberta em 2014 nas fundações de um edifício perpendicular à rua 1º de Dezembro)

    Variante do Itinerário XVII pelo Alto do Pindo
    Travessia do rio Rabagão (m.p. LIII; local hoje submerso, na base do Castro de S. Vicente; continua junto do Novo Bairro do Barroso e pela Estrada do Cemitério)
    Gralhós (m.p. LVI, calçada atravessa a Ponte Romana? da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila)
    Cortiço (m.p. LVIII; miliário anepígrafo sustendo uma varanda de uma casa da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma casa; fragmento de um miliário convertido em bebedouro no jardim de uma casa nova na saída para Arcos; a via segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça onde vencia a m.p. LIX e continua em calçada pelo Alto da Pedra Moura e Breia, passando a norte de Vilarinho de Arcos pela rua da Estrada/CM1001)
    Arcos (na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário a Cláudio da milha LV[...], hoje no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; junto da fonte romana existe um fuste de um possível miliário)
    Pindo, Cervos (m.p. LIX; 3 miliários provenientes do Alto do Pindo, local onde inicia a descida da Serra do Leiranco; miliário a Tibério da milha LIX que apareceu suportando a varanda da casa de Manuel Moreno em Arcos e hoje no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, o miliário a Cláudio que hoje está no pátio do Castelo de Montalegre e mais recentemente um miliário anepígrafo que apareceu em Arcos, mas que teria vindo do Pindo e que hoje está no jardim da antiga escola de Cervos; povoado mineiro a sul do castro de Cervos relacionado com a exploração aurífera em Ferrarias, a nordeste)
    • Hipotética ligação de Arcos à variante norte com base no miliário anepígrafo que está junto da Fonte de Tordavela na rua da Calçada em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado da via romana que passava a sul por Arcos e Pindo, poderia indiciar uma derivação para norte a partir de Arcos por Sarraquinhos, podendo aqui bifurcar, seguindo para norte rumo a Solveira onde entronca na Via XVII ou, em alternativa, seguia por Pedrário (calçada e povoado) e Mexide rumo a Soutelinho da Raia, onde entronca também na Via XVII.

    Variantes do Alto do Pinto a Chaves
    A partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, existem aparentemente dois percursos para Chaves. A «variante norte» segue um trajecto mais curto por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, apresentando ainda vários troços de calçada e uma inscrição viária no lugar da Pipa próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). Por outro lado a «variante sul», servia as importantes explorações auríferas do Vale do rio Terva como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, marginando o Castro de Malhó e o vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da Serra até Pastoria, onde apareceu um miliário a Trajano indicando 5 milhas de Chaves, descendo depois a Vale de Anta, onde reúne tanto com a «variante norte» como com o Itinerário XVII por Ciada.


    • Variante Sul por Sapelos e Pastoria:
      Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando na base do Castro da Malhó)
      Nogueira (segue a nordeste da povoação, situada na base do povoado da Idade do Ferro designado por Castro da Nogueira)
      Bobadela (inscrição aos L(ares) Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da Capela de S. Lourenço; a via passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, cruzando o ribeiro do Ferrugento na base do Alto do Picão e seguindo ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa para cruzar a ribeira de Calvão na Ponte das Meãs; neste percurso a via passa próximo do povoado mineiro do Carregal associado à exploração da Mina do Poço das Freitas, subsistindo vestígios de rodados em Giraldo)
      Sapelos (m.p. LXV; vicus viário; ara a Júpiter na capela, hoje no Museu Rural de Boticas; o miliário de Sapelos, dedicado a Augusto, foi encontrado deslocado num carvalhal designado por «Lapavale» que fica a cerca de 800m para nordeste da aldeia de Sapelos, já convertido em sarcófago e era por isso chamado de "Pedra do Caixão"; apesar de danificado ainda se pode ler BRAC LXV[...] ou seja, indicava a distância a Braga num possível intervalo entre 65 e 68 milhas; o local fica na base do Castro do Muro ou da Cerca e junto da ribeira de Calvão, tendo defronte o povoado romano na Capela da Sra. das Neves/ Povo de Paredes, situado na confluência das ribeiras de Calvão e de Cunhas. No entanto, o seu local original seria outro, junto da via, talvez junto no topo da encosta onde se regista o topónimo «Padrão» e onde a via XVII vencia a milha 66; actualmente está no Centro de Interpretação do PAVT (Colmenero, 2004; Fontes, 2010)
      Pastoria (m.p. V a Chaves; inscrição funerária de Camalus; miliário a Trajano indicando 5 milhas a Chaves, hoje no MRF; aquando da sua descoberto estaria já deslocado e longe da via na «Serra da Pastoria», possivelmente como marco divisório, desconhecendo-se o local original da sua implantação, mas segundo o traçado proposto, este marco poderia estar à saída da aldeia da Pastoria, junto da Capela do Senhos dos Aflitos que fica a cerca de 5 milhas de Chaves (2017); daqui segue um extenso troço ainda preservado seguindo pela calçada do Alto da Mortiça, hoje cortado pela A24, continuando até Seara Velha onde entronca nas outras variantes e daqui a Chaves)

    Chaves (AQUAE FLAVIAE) (milha LXXX; mansio a Aqvas no I.A.)
    Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário a Constantino, desaparecido (CIL II 4784), o miliário a Licínio proveniente da margens do Tâmega, entretanto relocalizado em 2006, e 2 miliários desaparecidos a Adriano, um estaria na Igreja de S. João de Deus e indicava a milha II (CIL II 4779) e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho (CIL II 4780) de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reaproveitado para base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário a Décio indicando a milha VI e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no jardim junto ao Castelo de Chaves está cravado no solo o miliário a Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; o Museu da Região Flaviense guarda 13 miliários, nomeadamente, os três miliários achados na Venda dos Padrões, o miliário a Cláudio de Arcos, miliário a Tibério do Pindo, miliário a Augusto de Sapelos, miliário a Trajano de Pastoria, miliário a Constâncio de Eiras, fragmento de miliário a Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).
    • Ligação de Vilar de Perdizes à «Via Nova»: poderia existir uma derivação desta estrada para norte a partir de Vilar de Perdizes rumo à mansio Geminas da «Via Nova», seguindo por próximo dos Castros da Idade do Ferro do Soutelo e Cidade de Grou, continuando pelos termos de Xironda, Saceda, Lucenza (miliário na Capela de Santa Marta e na povoação), Xinzo de Lima e Sandiás, provável localização da mansio Geminas.

    Outras vias a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE)
    A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário de onde partiam várias vias secundárias quer rumo ao rio Douro quer rumo à Galiza, ainda que neste caso o seu destino final ainda não seja muito claro. Além destes importantes eixo N-S, há evidências de outros eixos viários que serviam um povoamento romano distribuído por pequenos vici com vocação agrícola ou mineira (Teixeira, 1996; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2010).

      Direcção norte rumo a Lugo e Santiago
      (por ambas as margens do Tâmega)
    • Chaves - Verín (Via Aquae Flaviae - Tamacum- Lucus Augusti?): depois de cruzar a ponte sobre o Tâmega inflectia para a norte ao longo da margem esquerda do rio Tâmega seguindo pelo Caminho de S. Roque, onde se achou um miliário a Licínio (Carneiro S., 2005) percorrendo a Veiga de Chaves até Vila Verde da Raia (ara votiva na igreja e ara a Júpiter; vicus?), cruza a fronteira para Feces de Abaixo e continua por Tamaguelos (miliário), Mourazos (Coelobriga o lugar de Raposeiras), Tamagos, Queizás (miliário), Verín (civitas Tamacanorum, sede dos Tamacani; 3 miliários: miliário anepígrafo na Casa dos Acevedo, miliário a Constante no bairro de San Lázaro), Vilela (miliário a Caro) e Vilamaior (miliário), rumando depois talvez à mansio Salientibus em Xinzo da Costa no Itinerário XVIII/«Via Nova» que seguia para Lugo.

    • Chaves - Oímbra (Via Aquae Flaviae - Iria Flaviae?): a via partia da cidade rumo a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz e Outeiro Seco (seguindo a rota da EM506 junto do habitat de Ribalta, desvia depois pelo Caminho da Mó, passando a nascente do habitat romano da Igreja Românica da Sra. da Azinheira; ara a Hermes Devoris na Capela da Ns. do Rosário, CIL II 2473, consagrada por G. Cexaecius Fuscus aludindo a combates de gladiadores; continua pela EM506 junto Capela da Ns. da Portela e do cruzeiro da Ns. dos Desamparados, junto do habitat de Montes Claros, onde poderia tomar o «Caminho do Vale da Carvalha» que passa entre Vilela Seca e Vilarinho, contornando pelo poente as Minas de Barrocos/Trincheiras/Fachos), Vilarelho da Raia (muito próximo, na povoação espanhola de Rabal, existe um miliário anepígrafo reutilizado como suporte numa casa; duas aras a Júpiter na Igreja Matriz talvez provenientes do vicus viário do Vale da Ermida, 2 km adiante, onde poderia existir uma mutatio pois assenta sobre a actual linha fronteiriça e dista cerca de 12 Km de Chaves); seguia depois por San Cibrao (miliário a Dalmácio), Oímbra (500m a oeste, por Carregal), Rosal, cruza o rio Porto do Rei Búbal para Vilaza (miliário das Lagoas, entre Queizás e Vilaza; passa em Portela e Bagoeira) e segue por Albarellos, Guimarei e Trasmiras (miliário na aldeia de Santa Baia de Chamosiño) em direcção a Xinzo de Lima e à mansio Geminas em Sandiás, onde cruzava a «Via Nova», podendo ter continuidade para Iria Flavia, provavelmente localizada em Padrón (Santiago de Compostela).

    • Direcção nordeste rumo a Astorga
    • Chaves - Lama de Arcos (Via Aquae Flaviae - Asturica Augusta per Senabria?): inicialmente seguia a via Chaves-Lugo até Vila Verde da Raia, inflectindo pouco antes da fronteira para noroeste em direcção a Vila de Frade, passando na base da Capela de Sta. Marta (miliário a Carino no adro da capela, CIL II 4795, junto com outro fragmento anepígrafo que poderia pertencer ao mesmo miliário), continuando por Lama de Arcos (provável vicus; ara a Júpiter na igreja) e Vilarello de Cota em direcção ao oppidum de Florderrei Vello, possível sede da civitas dos Tamaganosa, continuando depois por Terroso, Barza e Tameirón (miliário) rumo a Astorga (?).

    • Chaves - Ponte de Cigarrosa (Via Aquae Flaviae - Nemetobriga - Forum Gigurrorum?): é uma variante da anterior que desviava em Lama de Arcos para norte por Feces de Acima, Vilar de Cervos, Vilar de Vós (miliário), Sao Lourenzo, Gudiña, Terras de Viana de Bolo, entroncando no Itinerário XVIII/«Via Nova» pouco antes da Ponte Romana-Medieval de Cigarrosa, ligando assim Chaves às mansiones de Nemetobriga e Forum Gigurrorum (Lemos, 2010).

    • Chaves - Monforte - Fiães: a actual EM502 deve assentar sobre uma antiga via romana que derivava da via Chaves - Verín em Vila Verde da Raia servindo vários vici ao longo do seu percurso; inicialmente a via seguia por St. António Monforte (vicus; antigo Curral de Vacas; fuste de coluna ou um possível miliário, reutilizado numa casa da aldeia e noutra uma estela funerária; ara a Larouco na igreja), continuando pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual, passando a poente do sítio romano de Amedo em Paradela de Monforte (tesouro) até atingir Mairos (vicus? no Calvário; estela funerária), continuando pela EN502 entre Travancas e S. Cornélio, junto do sítio romano dos Pardieiros até Cimo de Vila da Castanheira (passa próximo do habitat do Seixal e junto do Capela de S. João na base do Castro de S. Sebastião, onde terá aparecido uma ara a Júpiter), continua pelo Alto de Pedome, margina o habitat de Caço/Megingueira e passa junto da Capela da Sra. dos Aflitos em Lebução até atingir Fiães (vicus Vagornica), nó viário onde entronca na variante da Via XVII (Teixeira, 1996; Lemos e Martins, 2010).

      Direcção noroeste rumo a Videferre
      A chamada «Estrada Velha de Montalegre» poderia já existir em época romana, seguindo entre Sanjurge e Bustelo rumo a Videferre; partindo de Chaves, seguia pelo Bairro do Telhado (rua da Paz/EM507) e lugar da Seara em Sanjurge (minas em Barrocos), continua pela calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, ascende por 300m ao Alto da Salgueira, reúne com a EM507 e segue por Lajedo e Alto do Queimado, continuando depois por Campina e Sra. do Bom Caminho, percurso balizado pelo vicus? das Casas de Castelões, do povoado fortificado romanizado do Alto das Coroas e pela necrópole de S. Caetano, podendo esta via ter continuidade para a Galiza por Videferre (miliário em Espiño).

      Eixos N-S entre Chaves e o rio Douro
      A ligação de Chaves para sul teria três eixos principais que ligavam a outras tantas travessias do rio Douro, ligando depois à rede viária da Beira Alta:
    • Via Chaves - Vila Marim - Lamego, via por alturas da Serra do Alvão, seguindo a poente de Vila Pouca de Aguiar por Paredes do Alvão e Vila Marim rumo às prováveis travessias do rio Douro em Caldas de Moledo e Peso da Régua, ligando depois a Lamego.
    • Via Chaves - Três Minas - Moimenta da Beira, via por alturas da Serra da Padrela, cruzando a região mineira de Trêsminas e seguindo por Panóias, rumo à travessia do Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim a Moimenta da Beira.
    • Via Chaves - Numão - Celorico da Beira, eixo NO-SE derivando da anterior na Serra da Padrela rumo ao Alto do Pópulo (Murça) e ao Carlão (Alijó) para depois cruzar o rio Douro junto do vicus mineiro da Sra. da Ribeira/Vesúvio, continuando a sul do Douro por Mêda e Trancoso até Celorico da Beira.














    Mapa

































































    ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
    AQUAE FLAVIAE
    PINETUM
    ROBORETUM
    COMPLEUTICA
    VENIATIA
    PETAVONIUM
    ARGENTIOLUM
    ASTURICA

    m.p. XX
    m.p. XXXVI
    m.p. XXVIIII
    m.p. XV
    m.p. XXVIII
    m.p. XV
    m.p. XXIIII
    Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia pela região de Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a magnífica Ponte Romana de Trajano, uma das poucas pontes romanas sobreviventes que mantém o desenho original apesar de dois dos seus arcos terem sido toscamente reconstruídos, uma obra monumental e surpreendente. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está hoje no átrio do MRF (vide sobre esta via o Projecto VIAS AVGVSTAS).

    Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
    Chaves (depois de atravessar o Tâmega a via seguia inicialmente a EN103, desviando pela rua da Sra. da Boa Morte até ao Cruzeiro, m.p. I, onde estaria o miliário a Constâncio I que apareceu no lugar de Eiras; logo após o canal segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida Alto de S. Lourenço pela rua da «Calçada Romana», troço da via ainda bem preservada que passa na Capela da Sra. dos Aflitos, onde vencia a milha II)
    S. Lourenço (ascende a encosta pela Calçada de S. Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, mas hoje desaparecido; indicava certamente a milha III; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
    Ponte Romana de S. Lourenço sobre a ribeira de S. Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500m da povoação e segue por Arco e Lama)
    S. Julião de Montenegro (m.p. V; na igreja paroquial apareceram 4 miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário a Macrino ou Carino e o miliário a Décio indicando a milha VI a Chaves, o miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário a Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio hoje destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta, no cruzeiro vencia a milha VI, inflecte para nascente cruza a EN213 e segue por Sra. do Barracão, Pardieiros, Ladeira Grande e a nascente do outeiro da Capela de Sta. Luzia no Alto da Penha Sá)
    , Ervões (m.p. X; nas obras de demolição da Capela de Sta. Luzia apareceram 2 miliários, o miliário a Macrino que está no terreiro da casa de Hermínio Quintino e o outro foi reutilizado nas fundações da mesma; a via cruza a aldeia até confluir novamente na EN213)
    Vilarandelo (m.p XI; miliário a Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está hoje no jardim junto ao mercado, tal como o miliário a Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo; um fragmento de miliário foi para o MRF; a via continua junto da Capela do Sr. do Milagres, m.p. XII por Cerdeira, Pousadouro, Carriçal e Lama do Vale)
    Lagoas (m.p. XV; continua a nordeste de Valpaços pela rua Calçada e «Caminho de Possacos»)
    Possacos (m.p. XVII com 4 miliários, o miliário a Magnêncio que apareceu junto à Igreja e hoje está numa casa particular em Carlão, o miliário a Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, hoje no acervo do MNA, e mais 2 miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário a Macrino? da Qta. do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário a Carino? da Qta. de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois de cruzar a aldeia, e desce à ponte por calçada com 2 km)
    Ponte Romana do Arquinho sobre o rio Calvo (m.p. XVIII; vídeo; miliário a Maximino e Máximo, CIL II 4788, hoje cravado no adro da Capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais 2 miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e daqui descia ao lugar da Barca, onde cruzava rio Rabaçal)
    Travessia do rio Rabaçal (m.p. XIX; a Ponte de Vale de Telhas é uma construção medieval que reutiliza silhares com marcas de fórfex de uma ponte anterior romana, provavelmente localizada mais a jusante no lugar da Barca, onde apareceu um vasto conjunto de miliários que foram agrupados na Ponte Medieval e posteriormente deslocados para outros locais: o miliário a Galério foi para o Museu de Vila Real, o miliário a Maximino Daia está na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, o miliário a Constantino II e Constante I está junto da fonte da aldeia de Vale de Telhas, o miliário a Numeriano hoje desaparecido e o miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo que está na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco; na aldeia existe ainda um miliário a Maximino e Máximo no adro da Capela de Ns. de Fátima, mas este seria proveniente da Ponte Romana do Arquinho em Possacos)

    PINETUM....m.p. XX, oppidum e mansio a 20 milhas de Ad Aquas localizada no Castro do Cabeço em Vale de Telhas, local onde era vencida a milha 20 desde Chaves; a via margina o castro e segue pelo caminho hoje abandonado pelo Alto da Estrada, m.p. XXI)
    Bouça (m.p. XXII; no «Cruzamento da Bouça» existia um miliário indicando 22 milhas que está hoje junto do Café «Estrela do Norte» em Ferradosa)
    Fradizela (cruza a aldeia e segue a rua Direita até ao cemitério onde vencia a milha XXIV; neste local estaria o miliário anepígrafo hoje partido em 3 fragmentos, um dos quais está na berma da EN206 à saída da povoação da Ferradosa; daqui toma o caminho à esquerda da capelinha até reunir com a EN206, continuando próximo dos topónimos viários Qta. da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço das Mós, Qta. do Ermidão e Estalagem, m.p. XVI, para cruzar a ribeira do Arquinho na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho, onde volta a reunir com a EN206 e desce à Ponte da Pedra)

    Ponte Romana da Pedra sobre o rio Tuela (m.p. XVII; magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte constitui um dos melhores exemplares da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo e no entanto continua um pouco desprezada; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada por muitos autores como moderna até aos anos setenta!; silhares almofadados com marcas de fórfex não deixam dúvidas que se trata de uma construção romana, provavelmente nunca reconstruída)

    Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do Castro romanizado de São Brás até reunir com a EN206)
    Vila Nova da Rainha (na m.p. XXX, 1km antes da povoação, começa um troço da via com 900m que segue paralelo à EN206 até ao centro da aldeia, onde existe um miliário anepígrafo a suportar uma varanda)
    Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (m.p. XXXI; troço da via com 1500m ladeia a capela com um fragmento de um miliário junto ao Alto da Pinha, no entrada de uma casa com acesso à EN206, já convertido em peso de lagar, assinalando talvez 31 milhas a Chaves)
    Lamalonga (no adro da Capela de S. João apareceram dois miliários, o miliário a Constâncio Cloro que está hoje no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
    • Diverticulum de ligação às minas de Ervedosa no rio Tuela: derivando da via XVII na Capela de S. João em Lamalonga, seguia pelo «Caminho de Pombal» até Argana, onde existe um fragmento de miliário junto a um tanque, e depois pelo "Caminho do Bugio" acedia a Ervedosa, onde existe outro fragmento de miliário suportando uma varanda e daqui seguia para as minas junto do rio Tuela, passando nas proximidades do castro romanizado do Castelo de Ervedos; depois de cruzar o rio Tuela em Soutilha seguia pelo cemitério da aldeia de Nuzede de Baixo, onde existe indícios de um vicus no Cabeço e de um povoado fortificado de Castrilhão, podendo esta via ter continuidade para noroeste, seguindo a nascente de Rebordelo rumo à travessia do rio Rabaçal na Ponte de Picões (?).
    Carvalhal, Lamalonga (m.p. XXXIII; miliário anepígrafo na berma da EN206)
    Agrochão (milha XXV; ara votiva aos lares viales; seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco, possível alusão a um miliário que poderá corresponder ao miliário partido em 2 fragmentos que se encontra na berma da estrada no sítio da Amoreira; a via continua a norte da povoação pelo Alto dos Malhões, outra possível referência a miliários)
      de Agrochão a Castro de Avelãs: A partir de Agrochão o próximo miliário conhecido apareceu na Capela de S. Cláudio. entre Formil e Gostei; Colmenero propôs a continuação da via por Ousilhão, onde há forte presença romana (localizando aqui a mansio de Roboretum), seguindo rumo a Vinhais e daqui para nascente rumo a Formil, integrando assim os miliários achados em Vinhais e Soeira; no entanto este trajecto descreve uma volta pouco lógica e por um terreno particularmente acidentado; por outro lado, o miliário a Caro supostamente encontrado na aldeia de Carrazedo deve-se a uma confusão com outro miliário na povoação homónima de Carrazedo no concelho de Amares, servindo de cruzeiro na aldeia do Pilar (Colmenero et al., 2004).
    Falgueiras (m.p. XXXVIII; continua pelos altos do Roleiro, do Poulo e dos Barreiros, cruza a EN206, e contorna a Lagoaça Carroceira pelo norte)
    Edrosa (m.p. XLIV; cruza a povoação e segue pela EN206)
    Zoio (m.p. XLVI na «Portela de Zoio»; segue paralela à EN206 até à Capela de Sta. Luzia, m.p. XLVIII, onde toma o caminho da Fraga do Viborão, reúne com a EN206, m.p. XLIX e segue até Cruzes, continua pelo caminho florestal ao Alto da Ferradosa e desce a Formil pelo «Caminho da Vila» ao Castro ou «Feira dos Mouros»)
    Formil (m.p. LIV no centro; continua pela EM518 passando no adro da Capela de S. Cláudio onde apareceu um miliário a Maximiano, hoje no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217)
    Gostei (m.p. LIV antes da aldeia, no desvio da EM518 pelo caminho directo ao sítio da mansio em Torre Velha )

    ROBORETUM....m.p. XXXVI, mansio a 36 milhas de Pinetum e a 56 milhas de Aquae Flaviae localizada no povoado romano da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram miliários e outros importantes vestígios.

    Castro de Avelãs (m.p. LVI; mansio Roboretum no sítio da Torre Velha onde apareceram 2 miliários no exterior das ruínas da Capela de S. Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário a Caracala, CIL 6216 e o miliário a Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, mas poderia indicar a distância a Braga que era cerca de 136 milhas; estão ambos hoje no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pelo Ordo Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está hoje no MSMS com o nº 16, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na Capela do Sr. de Malta em Olmos, freguesia de Macedo de Cavaleiros, hoje no MAB, fazendo supor que este local ainda integrava o território dos Zoelae; a via cruza a ribeira do Castro)

    Bragança (m.p. LIX na Praça da Sé; possível vicus entre a rua Abílio Beça e a Praça de Camões; ver os 8 miliários desta via no Museu Abade de Baçal; três estelas funerárias em Quatro Caminhos e no Couto; a via cruza a cidade talvez pela Praça da Sé, rua Abílio Beça, rua de S. Francisco, passando junto da Capela de S. Sebastião onde apareceram 3 inscrições funerárias, rua do Alcaide e rua das Amendoeiras, marginando a Fonte e Capela de S. Lázaro)
    Ponte Romana?-Medieval das Carvas, S. Lázaro sobre o rio Sabor (m.p. LXI; segue paralela à EN218 e pela Qta. das Carvas)
    Gimonde (m.p. LXIII; castro romanizado do Arrabalde, de onde provém um pedestal de estátua com a inscrição BONO / R P NATO e três estelas funerárias)
    Ponte Romana?-Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor
    Cruz do Marrão, Gimonde (m.p. LXIV; miliário a Caro no «Caminho Velho para Babe» , está hoje no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão e próximo dos topónimos Lama da Velha, Fonte de Megilde e Canada em Jucadelo/«Juncedelo», Castrigosa)
    Babe (m.p. LXVII; mutatio no lugar do Sagrado, 4 km a sul da aldeia sobranceiro à ribeira da Ferradosa, provável vicus viário associado na Idade Média à extinta Igreja de S. Pedro Velho, onde apareceram 2 miliários reutilizados como sarcófagos, o miliário a Caracala onde se lê X[---] milhas que está no MAB com o nº 1572 e um miliário a Adriano também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas contadas talvez a Caesera, mansio já em território Espanhol, localizada provavelmente em Rabanales de Aliste; neste local apareceu também uma ara a Júpiter e a estela funerária de Calpurnius Reburrinus, cavaleiro da II Ala Flávia que tinha a sua base no acampamento romano de Petavonium situado a oeste de Rosinos de Vidriales; na Capela de S. Sebastião, existe um miliário anepígrafo; a via deverá corresponder ao caminho que passa 300m a sul da capela)
    Palácios (m.p. LXVIII, cruza a povoação)
    São Julião de Palácios (m.p. LXIX na Igreja Paroquial; continua pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada com vestígios do corte artificial da rocha e muros de sustentação da via)
    Porto Calçado (m.p. LXXIII; cruza o rio Maçãs em Vale de Perdizes, fronteira luso-espanhola, rumando daqui para nordeste pelo «Camino de San Julián»)
    Moldones (m.p. LXXVIII; continua por Figueruela de Abajo e Mahide?)

    COMPLEUTICA....m.p. XXVIIII, mansio a 29 milhas de Roboretum com localização ainda incerta, podendo corresponder a Figueruela de Arriba (antes da via transpor a Serra de la Culebra San Pedro de las Herrerías rumo a Astorga) visto que estas localidades estão a cerca de 29 milhas de Castro de Avelãs, provável localização da mansio de Roboretum. A via seguia talvez por S. Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos e Villanueva de Valrojo.
    • Ligação Compleutica a Caesera: alguns miliários apontam uma via N-S por Gallegos del Campo (miliário a Macrino), San Vitero (miliário a Adriano indicando VI milhas à mansio de Caesera junto da igreja; Castro das Vinhas) e Rabanales de Aliste, provável localização de Caesera, importante povoado romano e caput viae, eventualmente Curunda, capital dos Zoelae, onde apareceram diversas inscrições e existe um possível miliário junto da igreja.

    VENIATIA....m.p. XV mansio a 15 milhas de Compleutica que poderá ficar nas proximidades de Villanueva de Valrojo. A via continua pelo «Carril de los Cervatos» por Olleros de Tera e Calzadilla de Tera, onde cruza o rio Tera e segue por Calzada de Tera, San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog, Santibánez de Vidriales (miliário a Décio?) e Rosinos de Vidriales.

    PETAVONIUM... m.p. XXVIII, mansio que poderá corresponder ao acampamento romano da ala II Flavia, a oeste de Rosinos de Vidriales; o povoado de Petavonium poderia situar-se no Castro de Sonsueña; a via continua por Fuente Encalada (3 miliários, um a Maximino e Máximo, outro a Caracala e um terceiro a Décio (?) já desaparecido), continua por um extenso troço da via conhecida por «La Chana», passando junto do miliário a Valeriano e Galieno no lugar de Fuente del Robledo (hoje no Museo de Castrocalbón), onde há um aparente acampamento romano, continuando por Calzada de Valdería e Herreros de Jamuz.

    ARGENTIOLUM...m.p. XV: situada provavelmente adiante de Tabuyuelo de Jamuz, talvez no sítio romano do «Campo del Medio» em Villamontán de la Valduerna; a via, neste tramo conhecida por «Calzada del Obispo», continua por Valle, Castrotierra, Ponte Balimbre sobre o rio Turienzo, Valderrey, Celada, e entra em Astorga pelos lugares de La Canal e Arboleda e pelo «Camino de Cuevas».

    ASTURICA...m.p. XXIIII (XIIII?) (actual Astorga; o I.A. apresenta um total percorrido de CCXLVII milhas, ou seja cerca de 395,2 km desde Braga, mas deverá ser feito um acerto na etapa final entre Argentiolum e Asturica de 24 para 14 milhas para acertar como o medido no terreno)


    Outras variantes da Via XVII
    Variante sul da Via XVII passando por Boticas rumo a Chaves
    A possibilidade de uma variante sul para Chaves, passando em Boticas, muito discutida no passado, tem vindo a perder consistência à medida que o traçado da via romana se consolida na "variante norte" pelo Concelho de Montalegre. Sem miliários ou outro qualquer vestígio viário indubitavelmente romano, resta descrever o antigo caminho por Alturas do Barroso que poderá ter origem pré-romana dado servir vários castros importantes como o Castro romanizado do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro romanizado de Outeiro Lesenho (hipotética capital da civitas dos Equaesi, tendo aparecido nas proximidades quatro estátuas de guerreiros). Esta velha estrada, passaria em Atilhó e Carvalhelhos, junto do Castro romanizado do «Castelo de Mouros», atravessava o rio Beça na Ponte de Pedrinha (a sul do povoado mineiro romano de Candedo, associado às minas de Ferrarias na outra margem), e seguia depois por Carreira da Lebre e Alto da Esculca para Boticas, continuando depois por Sapiãos (povoado junto do cemitério) até Sapelos, onde reencontra a VIA XVII.

    Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
     Considerada como a variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança de modo a integrar os 2 miliários achados na região de Vinhais. O itinerário proposto segue até à travessia do Rio Rabaçal na Ponte de Picões, onde entronca na via transversal Valpaços - Três Minas descrita a seguir. Partindo de Chaves rumaria à Ponte de Faiões para cruzar a ribeira de Avelelas, subia a St. Estevão, cruzava a Ponte do Arquinho e seguia por Assureiras, talvez pela «Calçada do Souto Velho/Bravo» e pelo sopé do Castelo de Monforte em Águas Frias (vicus em Casarelhos/Aguatões; ara dedicada a Debaroni Muceaicaeco na pia baptismal da igreja de Avelelas), continua pelo planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até Bobadela (a Igreja de S. Pedro integra na sua construção silhares com marcas de fórfex e duas estelas funerárias talvez provenientes do vizinho vicus fortificado de Cigadonha assim como a ara numa casa da aldeia), continuando pela chamada "Estrada" que atravessa a povoação e segue por Souto das Almas, Sítio da Estrada e Fraga das Antas, continuando por Lebução e Vilartão (estela funerária de Flavia Duerta, hoje no MRF), onde toma o caminho que passa no Terreiro do Marco, Fraga do Clero, Lombinho das Cruzes e Qta. dos Picões, descendo à Ponte de Picões sobre o rio Rabaçal, onde conflui também a referida via transversal.



                 
    Variante transversal à Via XVII - de Castro de Avelãs a Três Minas
    Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido NE-SO que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um hipotético itinerário proveniente de Castro de Avelãs rumo à Região Mineira de Três Minas o que permite integrar esses miliários nesta hipotética via, ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte a partir de Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira quando existe um caminho mais directo rumo a Castro de Avelãs (Colmenero et al., 2004). Entretanto a dúvida permanece porque não seria estranho que estes miliários tivessem sido deslocados da Via XVII na sua passagem pelo concelho de Valpaços, mas no caso dos miliários de Vinhais e Soeira podiam mesmo pertencer a outras vias ainda não equacionadas. Inicialmente o percurso segue a proposta do Padre Francisco Alves no início do século XX, o 'Abade de Baçal', seguindo as anotações do Major Celestino Beça, com alguns topónimos hoje desconhecidos indicados por aspas (Alves, 1915).

    Formil (desvia da Via XVII pelo caminho que cruza a ribeira de Prado Redondo e segue por «Vale do Roupeiro», «Vale de Centiares», «Paulo de Fontes», Chousa, junto da «Fonte do Velho»)
    Castrelos (passa no cemitério onde há necrópole romana e continua pelo Carriço do Ervedal» em direcção à travessia do rio Baceiro na Antiga Ponte de Castrelos cujas ruínas ficam a jusante da ponte actual, na base do castro do Cabeço de São João/Castelos Velhos, onde apareceu a estela funerária de Sempronius Tuditanus, continuando na outra margem pelo caminho da «Estalagem do Diabo»)
    Soeira (a via cruza a aldeia junto da Igreja Velha, onde existe uma inscrição, continuando até ao sítio romano de «Vilar», estação viária tipo mutatio onde em 1900 Celestino Beça achou um miliário reaproveitado como sarcófago, hoje no MAB com o nº 1566; da inscrição original restam umas poucas letras TRIB POT e o numeral XXI; daqui desce ao rio por 1 km, contornando o Castro da Ponte parra cruzar o rio Tuela na «Ponte Velha» de Soeira, continuando por calçada até à EM1017, confluindo pouco depois na EN103 que segue aproximadamente para cruzar a ribeira de Padornelo junto da Ponte de D. Marinha)
    Vila Verde (cruza a aldeia, passando a norte da Torre de Modorro, provável atalaia romana tipo statione para controlo da via romana na zona de travessia do rio Tuela, continua pela EN103 e logo depois desvia à direita pela EM505 e logo à esquerda pela calçada já destruída na encosta do Castro da Cidadelha)
    Vinhais (Argote refere um miliário entretanto desaparecido; onde apenas leu CONLAPSOS RESTITVERVNT / …Q. DECIO LEG.AVG.PR.PR. / CV… VIA AVG / M.P.CP, ou seja referindo reparações efectuadas na via talvez pelo Imperador Maximino, indicando a milha C[---?], talvez a Braga; provável vicus no Bairro do Eiró, onde terá aparecido a ara a Júpiter pelo que aqui deveria existir uma mutatio; a via romana margina o povoado, seguindo depois entre os altos da Portela e do Pinheiro, cruza a ribeira das Trutas no Pontão, continua pelo caminho de Lamas da Susana até Soutelo, passando a norte do povoado do Monte da Circa e do vicus da Lagoa, continua por Sobreiró de Cima, sobe pelo Alto do Meiral até Cruz das Cortes na EN103 e continua pela portela do Monte da Forca e do Alto da Madorrinha)
    Curopos (passa em «Souto Escuro», onde terá existido um miliário (?), seguindo por Estalagem de Cima e Estalagem de Baixo, na rota da EN103)
    Valpaço (por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
    Ponte Romana?-Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal (estava em ruínas e hoje está submersa)
    Bouçoães (dois possíveis miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia antiga casa paroquial, hoje depositados na JF)
    Lampaça (passa junto do povoado fortificado do Cabeço da Ns. da Ribeira, onde apareceu uma ara votiva e uma estela funerária )
    Tortomil (vicus de Fetais, em Vale de Fetos; duas aras votivas, uma das quais com uma inscrição a Júpiter pelos Castellani Af(...) que seria a designação do sítio; segue pelo Alto da Fraga do Marco)
    Fiães (vicus Vagornica no sítio de Muradelha com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicenses achada no sítio da Cortinha do Fundo junto da aldeia, hoje no MRF; dentro do povoado apareceu um possível miliário; estela funerária na Fonte da Ns. do Socorro)
    Ponte Romana?-Medieval sobre o rio Calvo
    Tinhela (calçada; estela funerária na rua da Veiga)
    Lama de Ouriço (miliário a Magnêncio, hoje desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha)
    (onde cruza a Via XVII)
    Valongo (miliário anepígrafo reutilizado numa casa da aldeia, entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
    Ervões
    Lamas
    Monsalvarga (fragmento de miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada segue paralela e a nascente da EM543)
    Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; a via margina o castro romanizado de Cidadonha e segue a nascente da aldeia talvez pelo Caminho da Qta. da Fonte; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili: «Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) Obili(um)»; Colmenero, 1987)
    Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lari Cusicelenses (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, hoje desaparecida)
    Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de S. João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom)
    Padrela (nó viário de acesso à região mineira de Três Minas, ver Itinerários Chaves - Três Minas - Rio Douro)

    VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXV

    Mapa











































































    ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)
    Item alio itinere a
    BRACARA ASTURICAM

    SALANIANA
    AQUIS ORIGINIS
    AQUIS QUERQUERNNIS
    GEMINAS
    SALIENTIBUS
    PRAESIDIO
    NEMETOBRIGA
    FORO
    GEMESTARIO
    BERGIDO
    INTERERACONIO FLAVIO
    ASTURICA

    m.p. CCXV
    m.p. XXI
    m.p. XVIII
    m.p. XIIII
    m.p. XVI
    m.p. XVIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XVIIII
    m.p. XVIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    A Geira ou «Via Nova», é a via romana melhor conservada em Portugal e, caso único no mundo, conta com mais de 230 miliários ao longo do seu percurso até Astorga. No Itinerário de Antonino apenas é referida a mansio Salaniana em território nacional a 21 milhas de Braga que estaria nas proximidades da aldeia de Travasso na freguesia de Vilar, Terras de Bouro, já que neste local foi encontrado um miliário precisamente indicando a milha XXI. Saindo de Braga a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Santa Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seus contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas até atingir a milha 34 na Portela do Homem onde entra em território Espanhol. Nos últimos anos, esta via foi alvo de um grande projecto de reabilitação e valorização turística que resultou na sua classificação como Monumento Nacional e na construção do «Museu da Geira Romana» em Campo do Gerês (Terras de Bouro), assim como uma candidatura a Património da Humanidade; neste âmbito foi criado no endereço «geira.cm-terrasdebouro.pt» um site sobre o «Projecto Geira» contendo uma excelente descrição da via em que foi infelizmente desactivado(!); grande parte do site foi entretanto recuperado pelo autor deste site e pode ser visitado neste endereço viasromanas.pt/geira/.


    Braga (BRACARA) (um miliário a Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da «Via Nova», e está de acordo com as 215 milhas indicadas no Itinerário de Antonino, CIL II 4747; está hoje no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de S. João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da «Via Nova», no inicio da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lari Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado)

    Travessia do Rio Cávado (Celadus):
    Como a Ponte do Porto é uma construção medieval sem indícios de uma anterior romana, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o ponto de travessia do rio Cávado. Apesar de estarem todos deslocados do seu local original existem vários miliários nas proximidades: junto da Ponte do Porto temos o miliário da Capela de S. Miguel-o-Anjo e mais a jusante, os miliários de Barreiros e o miliário do Cruzeiro de Pilar. Estudos mais recentes apontam para que a travessia se fizesse a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja «pela via que chamam de vereda proveniente de Braga» (PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento do miliário a Constante em Areal de Baixo, hoje no Museu Soares dos Reis no Porto que indicaria assim a milha II. (vide Colmenero et al., 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
    1. Na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via segue pela rua dos Chãos e rua de S. Vicente, passa paralela ao cemitério de Monte d'Arcos pela rua do Areal de Baixo (miliário da m.p. I), continua pela rua do Areal de Cima ladeando o quartel, continua a nascente do Convento de Montariol por Cedro e Pinheiro, rua Rafael Bordalo Pinheiro, EM1298, passa na Capela das Sete Fontes pela rua Hélder Figueiredo e segue pelo estradão junto do Castro de Pedroso, hoje rua da «Calçada Romana», onde ainda se pode percorrer um longo e excepcional troço lajeado da via romana até atingir Adaúfe (villa na Qta. do Avelar); continua a poente igreja paroquial por Romil, Redondo (m.p. IV), continuando por Estrada, Poça, Cortinhal (m.p. V), Souto e Salgueirinho até ao Lugar do Rio, onde cruzava o rio Cávado na Barca de Ancêde (provável mutatio em Bouça Alta).
    2. Nas Azenhas de Sta. Marta: seguia a leste da Igreja Sueva de S. Martinho de Dume, construída sobre uma villa romana pelo caminho que passa na Qta. do Igo e em Vila Aldos, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria; calçada no lugar do Assento), indo atravessar o Rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo na outra margem por Ponte e Paço até entroncar na variante pela Barca de Ancêde em Barreiros, onde há miliários.
    Barreiros (m.p. VI; do rio seguia pela seguia junto da Capela Sra. das Angústias, onde vencia a milha 6, continuando pela Travessa da Geira no lugar de Além; há vários fragmentos de miliários nas redondezas, três estão na Qta. do Agrolongo e um outro na Qta. da Pena, servindo de base de uma mesa de jardim que reutiliza uma mó; um outro fragmento de miliário foi deslocado para o lugar de Passos, na base do povoado do Monte da Santinha, servindo para delimitar um canteiro; inscrição votiva de Aemilius Valens, CIL II 5610, cavaleiro da Ala Flávia na Igreja de Proselo)
    Carrazedo (m.p. VII no lugar de Feira Velha/ Castro; o vicus fica próximo no Lugar da Igreja; uma ara votiva aos Lares Buricis apareceu junto da via no «Campo da Porta» ali próximo; em 1642 existiam 12 miliários no adro da Igreja de Carrazedo dos quais 8 terão sido levados para o Campo de Santana em Braga enquanto os restantes 4 permaneceram na igreja, sendo depois dispersos; vide Sousa, 1971-1972)
    Pilar, Fiscal (m.p. VIII assinalada pelo miliário a Caro, CIL II 4786, cravado no solo a servir de cruzeiro e marco divisório numa rotunda da aldeia; continua pela EN308) Besteiros (m.p. IX no lugar de St. António; continua pela rua homónima e Lugar da Cal até à Igreja Paroquial de Caires)
    Caires (m.p. X; mutatio a 10 milhas de Braga situada no vicus designado por «Cividade de Biscaia» situado no sítio do «Campo da Bouça», na base do Castro de Gróvios/Castro de Caires onde Albano Belino achou um curioso baixo-relevo de granito representado uma figura equestre que Sande Lemos interpretou como um símbolo do sistema de correio, ou seja do cursus publicus; dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolição da Capela da Qta. de S. Vicente e hoje depositada na Qta. de Rios de Cima)

    Pela VIA NOVA até à Portela de Santa Cruz
    Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via contorna o Monte de S. Pedro Fins pela vertente sul por Paço Velho, Castro, Tornadouro, S. Vicente, Roupeiro e Cimo da Geira, onde venceria a milha XI, continuando pelo lugar de Vila Cova em Paredes Secas, iniciando-se aqui um grande troço ainda intacto da via romana que ascende por suaves patamares à divisória entre freguesias, onde vencia a milha XII, pouco antes de atingir o vicus e provável mutatio de Mojeje, local onde cruza a ribeira das Oliveirinhas e cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis que está na casa paroquial de Vilela.
    • Os miliários das milhas XII e XIII entre os quais estava a mutatio de Mojeje foram todos deslocados para as sedes de freguesia, nomeadamente o miliário a Maximino e Máximo indicando 12 milhas a Braga que apareceu em 1957 junto da ribeira da Pala no lugar de Lama/Dornelas e actualmente no adro da igreja paroquial de Paredes Secas, enquanto os miliários da milha XIII estão hoje na aldeia de Vilela, o miliário a Tito e Domiciano indicando 13 milhas está encostado ao muro da igreja e o miliário anepígrafo está nas traseiras, no pátio de uma casa particular.

    Santa Cruz, Souto (m.p. XIV; de Mojeje a via percorre a meia-encosta a ventente nascente do Monte de Santa Cruz passando junto de um miliário anepígrafo que está deitado junto da via até entroncar na EM535-2, seguindo à direita pelo largo da aldeia para onde foi deslocado um fragmento de outro miliário; junto da Portela de Santa Cruz que serve de divisória entre os concelhos de Amares e Terras de Bouro, deixando o vale do rio Cávado para entrar no vale do rio Homem, atingindo pouco depois a milha 14 num local designado por Bouça do Padreiro, onde ainda subsistem 7 miliários, quatro deles indicando a m.p. XIV, um dos quais está enterrado in situ; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
    Lampaças, Balança (m.p. XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; 4 miliários; miliário a Maximiano indicando 15 milhas, miliário a Caro e outro anepígrafo; 2 miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão hoje na C.M. de Terras do Bouro)
    Teixugos, Chorense (m.p. XVI; miliário a Décio; três outros miliários deste local estão desaparecidos; a via continua pelo monte até à Capela de S. Sebastião da Geira, onde entronca na EM535, segue esta estrada por 150m e desvia à esquerda por estradão de terra)
    Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (m.p. XVII; 5 miliários a Heliogábalo, Caracala, Décio, Caro e Maximiano)
    Chã de Vilar, Chorense (m.p. XVIII em Minério; miliário a Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário a Constâncio I ou II que está hoje na C.M. de Terras de Bouro; vestígios de um povoado romano; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
    Lajedos, Saim (m.p. XIX; 4 miliários, um dos quais dedicado a Tito e Domiciano indicando 19 milha a Braga e onde se pode ler VIA NOVA FACTA; miliário a Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova servindo de suporte a uma varanda junto à igreja; seria desta milha um miliário anepígrafo que hoje está na C.M. de Terras de Bouro)
    Podrigueiras, Saim (m.p. XX junto ao Penedo dos Ladrões; 2 miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando ambos 20 milhas a Braga; atravessa o ribeiro da Pala da Porca)

    SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário a Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário a Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul.

    Travasso, Vilar (m.p. XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo)
    Ervosa, Santa Comba, Chamoim (m.p. XXII; 2 miliários in situ, um a Carino e outro a Adriano indicando precisamente 22 milhas a Braga, CIL II 4806; um terceiro miliário daqui foi levado para a Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa, onde serve de cruzeiro)
    Esporões, Chamoim (m.p. XXIII; 4 miliários; miliário a Tácito, miliário talvez a Juliano e 2 miliários anepígrafos; há referências a um miliário a Adriano e outro a Constâncio II entretanto desaparecidos)
    Padrós (m.p. XXIV no caminho para Cabaninhas; miliário a Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
    , Covide (m.p. XXV; miliário a Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307)
    Covide (miliário a Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário a Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda leva Castro da Calcedónia; a via cruza a Veiga da Santa Eufémia pelo lugar do Monte)
    Jeirinha, Covide (m.p. XXVI no lugar das Várzeas; miliário a Constâncio Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via acompanha o ribeiro por alguns metros, subindo depois à EN307)
    Costa do Cruzeiro (m.p. XXVII; miliário a Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário a Tito e Domiciano desaparecido; há ainda referência a um outro miliário a Vespasiano hoje desaparecido, CIL II 4814, indicando também 27 milhas a Braga; pouco depois surge o miliário a Décio indicando também 27 milhas que hoje serve de base do Cruzeiro de S. João do Campo e logo depois surge um outro miliário ilegível na berma direita da estrada; no entanto estes miliários estão deslocados e o acerto da marcação miliária sugere que a via desviava no cruzeiro e seguia antes pela Ponte dos Eixões e depois quase recto até à Igreja da aldeia do Campo)

    S. João do Campo/ Campo do Gerês (m.p. XXVIII no sítio da «Leira dos Padrões», nas traseiras da igreja; provável mutatio de apoio à via no sítio do Sagrado/Adro Velho na Veiga de S. João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; na aldeia existem vários miliários, o miliário a Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação, outro fragmento de miliário indica 28 milhas a Braga e está encastrado na parede de uma casa da aldeia, tal como um outro miliário anepígrafo; a norte da aldeia na «Leira do Cotelo» no lugar do Porto do Carro, há outro fragmento de miliário; Argote refere um miliário a Magnêncio hoje desaparecido e em 1728 Matos Ferreira refere 2 miliários que estavam na Leira dos Padrões e que foram posteriormente destruídos; a via continua pela estrada actual que se dirige para a extinta aldeia de Vilarinho das Furnas (onde há vários miliários reutilizados), mas antes de descer à barragem desvia à direita por estradão de terra que se dirige para a Bouça do Gavião, perdendo-se pouco depois nas águas da albufeira que submergiu a via; o caminho actual foi construído a cota superior, mas reúne com a via 2500m depois)

    Bouça do Gavião/ Padrões da Cal (m.p. XXIX; os 13 miliários que aqui existiam foram transladados para Sarilhão, junto do estradão actual, após a construção da barragem)
    Bouça da Mó (m.p. XXX; mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó; 2 miliários e recentemente apareceu mais um miliário a Maximiano)
    Bico da Geira (m.p. XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
    Volta do Covo (m.p. XXXII; 22 miliários, entre eles aos imperadores, Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, Caracala, um a Constantino II, Constâncio II e Constante I, etc.)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco)
    Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco)
    Albergaria (m.p. XXXIII; 20 miliários, entre eles, a Constantino)
    Ponte Romana de Albergaria/Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (da ponte em ruínas a via segue o caminho entre o rio Homem e a estrada actual)
    Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios)
    Ponte Romana de S. Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)

    Portela do Homem (m.p. XXXIV; 9 miliários, a Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Querquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
    Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (m.p. XXXVI; 9 miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; no sítio original da milha resta um miliário)

    Continuando em direcção a Astorga:
    Entra na Galiza e desce ao vale do rio Caldo, continuando por Torneiros, Vila Meã, seguindo a margem esquerda do rio Lima até Aquis Originis, mansio referida no I.A. e situada em Baños del Rio Caldo (Lobios). Na sua rota até Astorga, a «Via Nova» passava nas seguintes estações viárias com mansiones.

    Baños del Rio Caldo (AQUIS ORIGINIS) (miliário da milha XXXIX, 39)
    Ponte Romana Pedriña sobre o rio Lima (submersa pela albufeira das Conchas; um pouco mais à frente uma derivação ligava a Lugo)
    Baños de Bande (AQUIS QUERQUERNNIS) (miliário da milha LIII, 53; o miliário da milha 51 está na Igreja Visigótica de Sta. Comba de Bande como pia baptismal)
    Sandiás (GEMINAS) (milha LXIX; miliários em Vilariño das Poldras e Zadagos, este na milha LXXI)
    Xinzo da Costa, Xinzo (SALIENTIBUS; milha LXXXVII, 87)
    Vilamaior, Castro Caldelas (possível localização de PRAESIDIO; junto à Igreja; milha CV)
    Ponte Navea (milha CXIV?; reconstrução medieval de uma ponte romana sobre o rio Navea; 2 miliários anepígrafos e um miliário a Tito; entra no território Asturicense)
    Pobra de Tivres (NEMETOBRIGA em Mendoia; milha CXVIII)
    Ponte Romana de Bibei (milha CXXI; magnífica construção romana, uma das pontes melhor conservadas na Península; existem dois miliários junto da ponte, um miliário a Tito, indicando 94 milhas a Astorga, e o outro um miliário dedicado a Trajano; outra inscrição dedicada a Trajano jaz no fundo do rio e indicava que a ponte foi construída pelos Aquiflavienses tal como a Ponte de Chaves)
    Ponte Romana da Cigarrosa sobre o rio Sil (conserva os alicerces romanos)
    Pobra, Valdeorras (FORO) (milha CXXXVII, 137)
    Portela de Aguiar (GEMESTARIO) (Vale do rio Sil; milha CLV, 155)
    Cacabelos (BERGIDO), El Bierzo (junto ao cemitério; milha CLXVIII, 168)
    Ponferrada (exploração mineira «Las Médulas», património mundial)
    Bembibre (INTERERACONIO FLAVIO) (atravessa os Montes de León; milha CLXXXVIII, 188)
    Astorga (ASTURICA AUGUSTA) (total percorrido CCXV milhas, ou seja cerca de 344 km desde Braga)

    VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque

    Mapa










    ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
    Item per loca maritima
    a BRACARA ASTURICAM
    usque

    AQUIS CELENIS
    VICO SPACORUM
    AD DUOS PONTES
    GLANDIMIRO
    TRIGONDO
    BRIGANTIUM
    CARANICO
    LUCO AUGUSTI
    TIMALINO
    PONTE NEVIAE
    UTTARI
    BERGIDO
    ASTURICA




    stadia CLXV
    stadia CXCV
    stadia CL
    stadia CLXXX
    m.p. XXII
    m.p. XXX
    m.p. XVIII
    m.p. XVII
    m.p. XXII
    m.p. XII
    m.p. XX
    m.p. XVI
    m.p. L
    Este itinerário seria uma alternativa à Via XIX por via marítima, atendendo à designação per loca maritima, ou seja «por locais marítimos», e ao facto das distâncias entre as primeiras estações serem apresentadas não em milhas, como nos restantes itinerários, mas em estádios (um stadia equivale a cerca de 184,7 m), unidade habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Assim, na sua fase inicial este itinerário seguiria por via marítima com paragens nos portos de Aquis Celenis, Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, tomando depois a via terrestre em direcção a Lucus Augusti (Lugo), onde reencontra a Via XIX, seguindo depois por percurso comum até Asturica. Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, o que é uma notável demonstração da organização económica na era romana. O percurso inicial da via em território português continua a ser alvo de grande controvérsia pois não existem indícios de existência de uma via romana militar ao longo da costa (apesar de existirem vias secundárias); desde logo, até hoje não foi encontrado qualquer miliário que possa ser atribuído a essa suposta via, ausência de todo inusitada nas vias principais que saíam de Bracara Augusta, sempre pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. Alguns autores atribuíram o miliário de Chamosinhos a esta via, mas é mais provável que este tenha sido deslocado da Via XIX que passa a apenas a 4 milhas para nascente, e como indica 36 milhas a Braga, o seu local original seria muito provavelmente junto a Capela de S. Miguel em Fontoura. A segunda dúvida prende-se com a localização de Aquis Celenis; de facto a incoerência entre a distância indicada neste Itinerário XX de Bracara a Aquis Celenis (165 estádios, cerca de 30,5 km) e o somatório obtido das distâncias intermédias indicadas no Itinerário XIX entre as mesma estações (99 milhas, cerca de 158,4 km), indicia a existência de dois locais diferentes, ambos designados por Aquis Celenis (ou com grafia muito próxima), um situado em Caldas dos Reis (Pontevedra) e outro situado na frente Atlântica, o que explicaria esta aparente discrepância nas distâncias indicadas no I.A. Assim, a hipótese mais provável seria um percurso terrestre comum à Via Romana XIX até Tudae e daqui por via fluvial até à foz do rio Minho, num trajecto que perfaz as cerca de 30,5 km indicados no itinerário (165 estádios); deste modo o porto de Aquis Celenis corresponderia a Caminha; as estações iniciais em território nacional estão omissas dado estarem já indicadas no Itinerário XIX, tal como acontece na descrição do Itinerário XIV Lisboa-Mérida que omite as mansiones no troço entre Lisboa e Santarém, dado estas já serem indicadas quer no Itinerário XV também para Mérida quer no Itinerário XVI para Braga. Apesar da aparente inexistência de uma via terrestre alternativa à Via XX pela costa, existem muitos outros caminhos romanos em toda a região Atlântica que foram incluídos aqui para maior facilidade de leitura, incluindo uma hipotética alternativa por via fluvial, dado que na época romana o rio Cávado era navegável até ao porto fluvial de Areias de Vilar, ligando depois a Braga por via terrestre. (vide Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Maside, 2001; Crespán, 2015).

    de Braga a Areias de Vilar
    Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia a decumanus aproximadamente pela rua de S. Sebastião, seguindo depois à esquerda pela rua Direita, passando entre o Anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Padre Cruz, rua da Naia, antiga calçada no lugar de Ferreiros)
    Cabreiros (segue pelo sopé do Castro do Monte das Caldas, por Venda e Pousada)
    Porto Martim (villa na Igreja; provável mutatio; Almeida CAF, 1972a; segue a rua da Estrada Real por St. António e Venda)
    Encourados (villa? na Casa do Adro em Assento; segue talvez por Vilarinho, Lajes e junto da Capela S. Sebastião, onde apareceu tégula, assim como na Capela de Sta. Maria Madalena)
    Areias de Vilar (calçada; ara na Igreja de S. João Baptista, provavelmente proveniente do vicus em Aveleira)

    Alternativas a partir do Porto de Areias de Vilar:
    • Seguir por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz entre Fão e Esposende para depois rumar à Galiza por mar rumo a Aquis Celenis.
    • Seguir por hipotética via terrestre ao longo do rio Cávado até Fão, cruzando sucessivamente as vias N-S que corriam rumo a Tudae, primeiro a via proveniente de Famalicão em Sta. Eugénia do Rio Covo e a via karraria antiqua proveniente de Cale na Barca do Lago, já próximo da sua foz.
    • Rumar a norte em direcção a Ponte de Lima, cruzando o rio Cávado na Bouça do Barco ou no Vau de Manhente, continuando depois rumo à Ponte do Anhel onde cruzava o rio Neiva pelo itinerário descrito a seguir.

    de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
    É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas como «pousada», «breia» e «fonte da breia». Partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja S. Pedro de Alvito; ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial em S. Martinho de Alvito), continuando por Alheira (atalaia em S. Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte Medieval de Anhel, seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro romanizado do Calvário) até Ponte de Lima.

    da Barca do Lago ao Vale do Lima pela Ponte de Fragoso
    Itinerário que deriva da karraria antiqua/via veteris após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção nordeste rumo ao rio Lima; esta rota seguia por Terroso em Palmeira de Faro (junto do castro romanizado do Senhor dos Desamparados e da villa da Linhariça), contornava o planalto de Vila Chã (junto do povoado de Barbeitos), seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada; referência à «carraria» na Carta do Couto de Fragoso em 1127), continuando depois por Barroselas e Portela de Susã (vestígios junto da Igreja), Sta. Maria de Geraz do Lima (villa a 80m da igreja paroquial que reutiliza silhares romanos tal como na Igreja de Sta. Leocádia, onde apareceu uma ara anepígrafa e um capitel toscano) e Moreira de Geraz do Lima, atravessando o rio Lima no sítio da Passagem. Na outra margem a via teria continuação para norte, passando na vertente nascente da Cividade de Lanheses (castro romanizado relacionado com as minas de estanho de Cova Alta/Olas e Alto das Mouras, e a mina de ouro de Bouça do Moisés), continuando por Rouparias (necrópole) para S. Lourenço da Montaria, passando próximo do Castro de Castelão. (Almeida CAF 1968: 36; Almeida CAB 2003: 336).
    • Diverticulum de Portela de Susã ao rio Lima/S. Salvador da Torre, seguindo por Subportela (vestígios na Igreja Paroquial), seguindo a vertente nascente do castro romanizado do Santinho ou de Roques por Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia), Deão (villa junto da igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião) rumo à travessia do rio Lima em S. Salvador da Torre. Daqui a via rumava a norte em direcção à Ponte de Tourim conforme descrito a seguir.
    • Vila Mou (importante vicus localizado entre as duas travessias do Lima, junto do povoado pré-romano do Monte da Cividade, relacionado com as explorações de estanho em Rasas e Mata; villa tardo-romano no sítio do Passal, com a necrópole a nascente; ara votiva a Júpiter colocada por Rufus Grovius desaparecida, inscrição a Victoria, fustes de colunas e capitéis)
    • Ligação de S. Salvador da Torre a Caminha pela Ponte de Tourim: via medieval com possível origem romana ligando a travessia do Lima em Torre a Caminha, seguindo por S. Paio de Meixedo (estátua de guerreiro colocada pelo Tubenenses?; minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas), Vilar de Murteda (continua próximo das minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário, e Chão da Pica), Amonde (passa junto do casal situado na encosta do Alto das Folgueiras, possível mutatio, e no sopé do castro romanizado do Alto da Corôa), seguindo para a travessia do rio Âncora na Ponte Medieval de Tourim (possível fundação romana dado que na sua reconstrução no séc. XVIII apareceu a inscrição ...MAN IM IN MNS; OAP, 5:176), continuando por Orbacém (EM526-1), Gondar, Dem, Azevedo (tégula em Paço) e Venade (castro romanizado no Alto do Coto da Pena), passa em Vilarelho, chegando pela rua da Corredoura a Caminha.
    • Ligação da Ponte do Fragoso/Neiva a Viana do Castelo: via medieval com importantes vestígios romanos, seguindo próximo do povoado tardo-romano entre Páuso e Padrão, topónimos viários, passando na igreja), continuando por Alvarães onde poderia bifurcar, seguindo para noroeste por Valverde, Breias, Vila Fria e Ponte Pedrinha para Darque e Viana do Castelo, ou continuar para norte pela Vila de Punhe, seguindo pelo vale da vertente oeste do castro romanizado do Cotorinho, por Igreja, Qta. da Portela, «Caminho do Penedo Ladrão» que passa defronte do Castro de Sabariz e desce por Pinheiro, próximo do povoado romano da Regadia, rumo ao rio Lima (Barca do Porto?).

    de Famalicão a Barcelos
    Estrada medieval entre Famalicão e Barcelos com possível origem romana atendendo às referências a uma «karraria antiqua» e «estrata de vereda» num documento do ano 906 que delimita a «villa» de Sta. Eulália (PMH DC 13), actualmente a freguesia de Sta. Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, alusão à fonte de águas medicinais que ali existe que foi estação termal na época romana e medieval (Almeida, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» que deverão corresponder a vias romanas, nomeadamente a que seguia directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos e logo a localização da via; atendendo ao terreno é possível que a via principal para Barcelos seguisse junto dos cabeços da montanha entre o Monte da Saia e o Monte de Maio, por onde descia ao Cávado; partindo de Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus ou Corougiai Vesucus , hoje no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Qta. da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante Castro romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço e na Qta. da Honra de Fralães apareceu uma lápide de um legionário, hoje no MSMS com o nº 43), continua por Carvalhos (EN306-1 até S. Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de S. Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Qta. do Perdigão, traseiras da Qta. do Paranho, Capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Qta. da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Sta. Eugénia do Rio Covo.

    de Barcelos a Ponte de Lima pelo Vale da Facha
    Este importante eixo medieval tem certamente origem romana dado os imensos vestígios dessa época ao longo do seu percurso que interligava o vale do Cávado ao vale do Lima pelo Vale da Facha num traçado próximo da EN204 até Ponte de Lima. (Almeida, 1990, 1996, 2003; Brochado, 2004). Partindo da travessia do rio Cávado a jusante de Barcelos, a via ia atravessar o rio Neiva no local da Ponte Medieval das Tábuas (ponte já mencionada num documento do ano 1135) e seguia pelo Vale da Facha até à Correlhã, confluindo pouco depois na Via Romana Bracara Augusta a Tudae do Itinerário XIX.

    Barcelos (seguia talvez para Abade de Neiva por Breia e junto da villa da Qta. do Castelo, a II milhas de Barcelos, na base do castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre)
    St. Leocádia de Tamel (passa na Igreja, milha III?)
    Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas)
    Tamel/S. Pedro de Fins (milha V?; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de S. Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (PMH DC 443)
    Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (mamoa e povoado na Bouça da Mó; milha VIII?)
    Balugães (milha IX?; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Qta. das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da Capela de S. Martinho e Mó)
    Poiares (milha X?; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro)
    Vitorino de Piães (milha XII?; passa junto dos povoados de S. Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade)
    Portela, Facha (milha XIII?; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
    Maria Velha, Facha (milha XIV?; provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
    • Diverticulum pela Sra. da Rocha: junto da mutatio em Maria Velha, derivava um ramal que seguia pela margem esquerda do rio Tinto, EM1259, passando junto da necrópole do Paço Novo, relacionada com a villa tardo-romana de Paço Velho (a cerca de 200 m) e na base do castro romanizado de St. Estevão/Sra. da Rocha, seguindo depois pela Corredoura e Qta. da Pousada até Vitorino das Donas, rumo à travessia do rio Lima no lugar da Barca, podendo continuar para norte ao longo da margem direita da ribeira de Estorãos por Arcos (passando nos sítios romanos da Qta. da Laje, villa da Qta. dos Pentieiros e Mina de Casais, onde há também um castro) e Estorãos (na igreja paroquial apareceu uma ara dedicada ao Genio Tiaurauceaico por uma originária de Talabriga, hoje no MNA, talvez proveniente do povoado da Bouça do Castro/Castro do Formigoso; a via deveria ladear o casal? no lugar do Rei, EM1228), continuando pela Ponte do Arquinho em Pica e Breia rumo a Portela de Cabração (topónimo Poldras), seguindo de encontro à Via XIX, na zona entre Romarigães e Coura.

    Facha (a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na Capela de S. Sebastião e junto da villa do Prazil, talvez a milha XV pois fica a 1 milha de Maria Velha, com vestígios de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro, milha XVI?)
    Correlhã (segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, milha XVII?, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de S. João, possível mutatio antes do rio Trovela, talvez na milha XVIII; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado da Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia)
    Ponte de Lima (a 20 milhas de Barcelos; conflui com a VIA XIX proveniente de Braga)

    Via BRACARA AUGUSTA a AUGUSTA EMERITA

    Mapa














    Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Embora ligue dois importantes centros urbanos, este itinerário não vem mencionado no Itinerário de Antonino o que tem colocado muitas dificuldades no levantamento do seu percurso. Na verdade não é seguro que existisse uma via imperial ligando as duas cidades dada a dificuldade em definir um percurso pelo caminho mais curto que teria necessariamente de fazer a sempre difícil transposição do rio Douro; aparentemente há duas rotas possíveis, uma seguindo por Viseu - Serra da Estrela - Ponte de Alcântara e outra pelas proximidades de Lamego e da Guarda, contornando assim pelo nordeste o grande maciço da Estrela, não se sabendo ao certo a qual destas rotas seria a via principal para Mérida, caso existisse essa distinção. A norte do Douro há apenas quatro miliários conhecidos relacionados com esta via, um em S. Martinho de Sande, atestando a passagem da via a sudoeste de Guimarães, e já próximo do Douro, os miliários relacionados com a cidade romana de Tongobriga em Marco de Canaveses, com exemplares em Tuías, Freixo, Soalhães e Carreirinha, pontuando o percurso da via rumo ao rio Douro. Os traçados a sul do Douro são ainda mais obscuros, dada a ausência de miliários, e os poucos vestígios de viação antiga nesta região muito dificilmente poderão ser atribuíveis a uma via desta importância. Perante estas incertezas, o itinerário proposto tenta agregar os troços conhecidos da forma coerente. Partindo de Braga, a via cruzava a Serra da Falperra e descia a S. Martinho de Sande rumo à travessia do rio Ave na ainda preservada Ponte Romana de Campelos para logo depois dividir-se em três possíveis rotas às quais correspondem as três travessias sobre o rio Vizela na época romana, S. Martinho do Campo, Caldas de Vizela e Arco de Vila Fria que por sua vez ligavam a importantes travessias do rio Douro em Cale, Várzea do Douro, Porto Manso, Caldas de Aregos e Porto Antigo. Seja como for, as diversas variantes teriam de rumar a Belmonte (Centum Cellae e Qta. da Fórnea), onde a abundância de calçadas e miliários torna o percurso mais claro em direcção a Idanha-a-Velha e à splendidissima Ponte Romana de Alcântara, o grande monumento viário da Hispânia romana ainda de pé, onde fazia a travessia do rio Tejo, seguindo depois rumo a Mérida. Para ultrapassar as muitas incertezas o itinerário foi dividido por troços: de Braga a Viseu por Tongobriga, Viseu a Belmonte (transpondo a Serra da Estrela) e finalmente de Belmonte a Mérida.

    Braga (BRACARA) - Guimarães/ Rio Ave - Freixo (TONGOBRIGA)
    Braga (a via sairia pela porta sudeste da cidade próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de S. Lázaro na zona da actual Qta. do Fujacal, hoje muito alterado pela Av. da Liberdade, até S. João da Ponte, onde fazia a travessia do rio Este)
    Fraião (m.p. II; continua pela EN309 por Santo Adrião, rua do Espadanido, Calçada dos Padres, rua da Fonte Seca, rua Campo da Escola, rua da Boavista, vencendo a m.p. II junto das Alminhas; daqui ascende à serra pelo caminho de terra paralelo à EN309)
    Serra da Falperra (castro romanizado do Monte Sta. Marta das Cortiças; a via atravessa o santuário, junto da Igreja de Sta. Maria madalena, onde venceria a milha III e inicia a descida)
    Longos (m.p. IV; troços lajeados na descida para Carvalheiras/Laje, e segue a rua Outeiro de Oleiros e rua Duas Vendas, junto da Qta. da Carreira)
    S. Lourenço de Sande (m.p. V; do sítio «Estrada Velha» seguia por rua Cimo de Vila/Lapa marginando as sepulturas medievais dos «Quatro Irmãos»)
    S. Martinho de Sande (m.p. VI; em 1855 apareceu um miliário a Trajano na casa paroquial, CIL II 6214, hoje no MSMS com o nº 78, provavelmente indicando 6 milhas a Braga; a via segue pela rua Quatro Irmãos e rua Vinhas, cruza a EN101 junto do cemitério de Burgão e continua pela rua do Cruzeiro da «Casa da Mogada»)
    • Diverticulum para Caldelas / Taipas: em Pontes poderia atravessar a ribeira de Paus e seguir segue por Lameiras e Alvite rumo às Caldas das Taipas, onde no século XIX apareceram vestígios de um complexo termal, logo soterradas, associado a um vicus (Ara de Trajano, imponente penedo junto da igreja com inscrição honorífica a Trajano; ara votiva às Ninfas).
    S. Clemente de Sande (m.p. VII; continua pela rua Trás do Rio e em Vieite toma o caminho da Torre)
    Vila Nova de Sande (m.p. VIII na igreja; rua do Falcão, rua de Santarém, na Igreja Paroquial toma o caminho de Lajes, passa a asfalto na travessa das Cruzes, continua por Souto e desce ao rio pela rua 10 de Junho)

    Ponte Romana de Campelos sobre o rio Ave, S. João da Ponte (m.p. IX; imponente ponte romana com 4 arcos com muita da sua construção original ainda intacta; pousada medieval; mutatio?)
    • A ponte é referida num documento do ano 957 e noutro de 1059 como «ponte petrina» (PMH DC 71; PMH DC 420); neste último documento surge também uma referência à via romana como «strata maior»; num documento do ano 924 de doação de terras em Portela dos Leitões também é referida uma «uia antiqua» e uma «carrariam maiorem»; «uia antiqua et uadit post in porte de Goncado. et inde per carrariam maiorem que uadit a ecclesiam sancti martini» (VMH LXIII).
    • Após cruzar o Ave na ponte romana, a via seguia por Silvares, atendendo à referência a uma «carreira antiqua» num documento do ano 1079 (PMH DC 570); a zona está muito alterada devido à construção do nó da A11, mas talvez seguisse por Venda do Porco/Capela Sr. dos Aflitos (milha X), cruza a A11, Costa, Corgo (milha XI), Carvalhais, cruzeiro/cemitério, atravessa o rio Selho talvez entre Mouril e Rebôto (milha XII); mais adiante a via dividia-se nas 3 rotas para o rio Douro descritas abaixo.
    • O Museu Martins Sarmento em Guimarães guarda o miliário de S. Martinho de Sande pertencente a esta via para Mérida e mais 5 miliários encontrados no aro de Braga, os 2 miliários pertencentes à Via XIX - Braga-Valença da Ponte do Prado, nº 77, o miliário da Qta. de Germil, nº 82, e ainda mais 3 miliários oriundos da Qta. do Cravinho, local onde foram agrupados pelo que não se sabe a que via pertenciam: o miliário a Caracala e Cómodo, nº 79, o miliário a Constantino Magno e regravado no tempo de Constâncio II, indicando 36 milhas, nº 80, e finalmente o miliário a Valentiniano e Valente, nº 81. Vasta colecção de epígrafes no museu: ara à divindade CORONVS , nº 18, achada no Campo de Pinheiros, Casal do Castro, Serzedelo, talvez proveniente do povoado da «Cidade de Pedraúca», assim como a ara a Júpiter, nº 32, achada na Casa Paroquial; ara NYMPHAE LVPIANAE de Tagilde, nº 34; ara NYMPHAE, nº 33, achada em Guimarães, na rua 5 de Outubro nº 8).

    As 3 rotas romanas rumo ao rio Douro
    A possível existência de três travessias do rio Vizela em época romana (na Ponte Romana de Negrelos em S. Martinho do Campo, na Ponte «Romana» das Caldas de Vizela e na Ponte Romana do Arco de Vila Fria) indiciam que a via dividia-se pouco depois da travessia do Ave na Ponte de Campelos, seguindo pela primeira rumo a Cale (Porto), pela segunda rumo a Magnetum (Meinedo) e pela terceira seguia para a Tongobriga (Freixo) e daí ao rio Douro; esta última rota poderia corresponder ao itinerário principal para Mérida dado passar nessa importante cidade romanan e pela presença de alguns poucos miliários no seu percurso.

      Rumo ao Porto (Cale) pela Ponte de Negrelos em S. Martinho do Campo
      Os silhares almofadados com marcas de fórfex da Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela em São Martinho do Campo, atestam a existência de uma ponte anterior na via romana para Cale e que funcionava assim como diverticulum do eixo Braga-Mérida que seguia sudoeste da cidade de Guimarães; «ponte lapidea» num documento de 983 (VMH 17); «ponte de auizella» num documento de 1059 (PMH DC 420); ver itinerário no sentido inverso na Via Cale a Vimaranis.
        Outras ligações a partir da Ponte de Negrelos:
      • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca na Via Guimarães-Vizela-Meinedo.
      • Rumo a Paredes e Castro de Vandoma, de encontro à Via Cale - Tongobriga, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e S. Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Monte do Socorro por Portelas, Lamoso (ara votiva a Turiaco na igreja paroquial, hoje no Museu de Sanfins; dólmen; pela rua do Progresso e da Corredoura, cruza a EM513-4 em Vista Alegre), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros; rua da Boavista, Cales), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, hoje São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, S. Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte de Vila Boa da Arreigada (rua dos Ferradores e da Calçada) e segue para Paredes por S. Martinho e Aboim (topónimo rua da Ponte Romana).
      • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota medieval com possível origem romana, desviando da anterior para Codessos, Raimonda (Povoado de S. Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de S. Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

      Rumo a Meinedo (Magnetum) pelas Caldas de Vizela (Oculis Caldarum)
      Este itinerário seguia na direcção do vicus Oculis Caldarum situado junto das actuais Caldas de Vizela, onde cruzava o rio homónimo; daqui segue pelo concelho de Lousada rumo ao vicus de Magnetum em Meinedo, importante povoação romana e antiga sede de um bispado suévico, continuando depois até Penafiel onde deveria bifurcar, seguindo um ramo para Marco de Canaveses rumo à cidade romana de Tongobriga enquanto o outro ramo continuava na direcção sul rumo à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios, marginando o notável Castro Romano do Monte Mozinho. Esta via foi recentemente revista por Luís Sousa no seu artigo «Eixo Viário Romano Oculis -Tongobriga: sua presença no Concelho de Lousada» (vide Sousa, 2012; Mendes-Pinto, 2008). Este itinerário poderia derivar da Via Braga - Mérida talvez na Igreja da St. Amaro em Mascotelos ou mais adiante na zona da Sra. dos Remédios em Urgezes, e seguia junto do povoado do Monte de Lijó na Polvoreira, continuando por Bouça da Quinta para Infias (topónimo Qta. da Carreira), seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, hoje no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que indicia a passagem da via na base da Igreja de S. Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela.

      Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal; duas inscrições a Bormanicus, denunciam o culto a esta divindade termal, uma apareceu no sítio da Lameira, actual Praça da República, hoje no MSMS com o nº 76, e outra provém do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e a desaparecida inscrição da Qta. do Sobrado dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis Lupianis, divindade aquática de Lupiana, achada no passal da Igreja de Tagilde, hoje no MSMS com o nº 34)
      Ponte Romana?-Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; construção medieval não havendo indícios de uma ponte anterior romana, podendo a travessia fazer-se por barca ; na outra margem segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
      Sta. Eulália de Barrosas (segue +- a EN106 por Portelas, Baixinho e Carreira Chã; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Qta. de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta última dedicada à divindade Castaecis pelo lapidário Reburrinus)
      Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
      Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira, passando na Capela de Sta. Águeda e S. Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira e rua da Loja para a travessia do rio Mezio junto da Qta. de Eira Vedra, provável villa onde apareceu uma estela funerária, hoje no MNSR ; continua por Covas e Servecia, onde inicia a subida ao castro)
      Cristelos (contorna o castro Castro de S. Domingos que contorna; casa romana junto da EM1132, a meia encosta da vertente sudeste)
      Boim (forno em Irmeiro; segue por Arcas)
      Travessia do Rio Sousa na Ponte Romana?-Medieval de Espindo (calçada próximo com 100m)
      Meinedo (MAGNETUM) (vicus estendia-se por Casais, Igreja Paroquial e Qta. dos Padrões, junto da estação C.F.)

      Itinerário Meinedo (Magnetum) - Freixo (TONGOBRIGA)
      Meinedo (continuação do itinerário anterior a partir da travessia do rio Sousa ma Ponte de Espindo, seguindo por Carreira Branca)
      Croca (percorre o Vale da Croca pelo caminho que passa a sul de Paredes e Carvalhos, continuando depois por calçada rumo aldeia ou vicus viário de Santa Marta)
      Ponte Romana?-Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum (no lugar da Portela, EN589, ao lado da ponte nova; continua por Carvalhos e Linhó, passa junto do Castro de Quires e segue por calçada pelo Alto de Vide Basta/Bidebasta, junto à Capela do Divino Salvador (100m lajeados), e depois por Pedra, Buriz/Boriz, Arvio, Torre, Avessões, passa próximo da villa de Urrô/Casa da Babilónia e da Capela de Penides, continuando por São Pedro e Rua, onde entronca na via que vinha por Felgueiras e Vila Cova da Lixa)
      seguindo para Sobretâmega para a travessia do rio Tâmega na desaparecida Ponte Romana e daqui ao Freixo (TONGOBRIGA) (Dias, 1997: 307-308)

      Itinerário Meinedo (Magnetum) - Eja (Anegia?)
      Bustelo (da Ponte de Espindo segue talvez por Torre, Tresvia e Padrão, topónimos viários; necrópole em Monteiras)
      Penafiel (segue junto do sítio romano da Igreja de Santa Luzia; ver Museu de Penafiel)
      Póvoa de Marecos (povoado romano junto da Capela da Ns. do Desterro, local onde apareceu uma ara dedicada a Nabia, hoje no Museu de Penafiel, e um tesouro; a necrópole fica no lugar da Pedreira)
      Rans (atravessa o rio Cavalum em Ponte Nova e um seu afluente na pequena Ponte de Lardosa ou Ponte Velha, hoje abandonada)
      Galegos (segue pela base do castro romanizado de Abujefa; necrópoles em Bairro e no passal da casa paroquial; tesouro em Boavista e Qta. do Bairro)
      Oldrões (provável nó viário do vale da ribeira de Camba, na base do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no excelente Museu de Penafiel; mons Monachino em 1158, in LPTS 25; desvia talvez da EN106 pela rua do Perrelo, travessa das Sete Pedras, rua de Real de Cima e rua Fonte da Arcanja até ao cruzamento na EN106, onde segue a EM590-1 para Quintãs.
      • Ligação Oldrões - Monte Mozinho: acesso ao castro romano de Mozinho, derivando no cruzamento de Oldrões para sudoeste rumo ao lugar da Sra. dos Caminhos em Valpedre (topónimo Pousada), subsistindo ainda um troço lajeado na subida para Mesão Frio, nó viário, onde cruzava com a via Mozinho - Eja/Entre-os-Rios que seguia pela crista da serra.
      • Ligação Oldrões - Várzea do Douro: do cruzamento de Oldrões, partiria uma via rumo a sudeste com possível origem romana, cruzando a ribeira da Camba e subindo a encosta por um notável troço lajeado da calçada entre Bodelos e Agrelos, hoje designada por «Rua da Via Romana», continuando por S. Miguel de Paredes, pela rua da Sagrada Família, Fonte Carreira, rua da Via Romana, rua Cimo de Vila, rua do Calvário e rua 1º de Maio até Lajes, seguindo depois para o Cruzeiro das Lampreias, bifurcando junto do Igreja do Sr. dos Aflitos para as diversas travessias do Tâmega que entroncavam na outra margem no eixo viário romano no direcção NE-SO entre a cidade de Tongobriga e o vicus da Várzea do Douro:
        • rumo à Foz do Tâmega, seguindo a meia-encosta por Jugueiros rumo à foz do rio Tâmega em Entre-os-Rios.
        • rumo à Barca da Ribeira/Barca do Souto, seguindo por Perosinho, Corcumelos e Sra. dos Remédios até Rio de Moinhos rumo à travessia do Tâmega na Barca da Ribeira ou na Barca do Souto, ambas comprovadamente usadas no período medieval, mas que poderiam já estar em utilização na época romana.
        • rumo à Barca da Várzea, seguindo para nordeste pela rota da EN312, talvez pela rua Vales, rua Avessadas, EN312 até Montinho de Baixo, onde desce à direita por Barreiros e Granja de Cima até Passinhos, antigo povoado romano, e não longe do casal romano da Bouça do Ouro, 1km a montante, descendo depois ao rio pelas traseiras da Capela dos Passinhos, onde existe restos da calçada na descida ao rio.
        • Via ao longo do Tâmega, a ligação entre as diversas travessias do Tâmega, poderia ser feita por uma via SO-NE com origem em Entre-os-Rios e seguindo ao longo da margem direita do Tâmega, actual rota da EN312, por Rio de Moinhos, Boelhe, Ribela até Boriz, onde entronca na via para Cale Tongobriga.
      Valpedre (continua pela EM590-1 por Maragossa, Cavadas e Vilela)
      Pinheiro (Termas Romanas de S. Vicente, designada por villa banius no ano 1047, PMH DC 357; a via seguia pela EM590-1, passando entre a zona termal e o castro romanizado do Outeiro Divino)
      S. Paio da Portela (continua por Curveira e entronca na EN319, saindo pouco depois pela EM580-1 por Outeiro, Ponte das Ardias, Abôl, S. Sebastião, Alminhas e S. Miguel até à base da Cividade)

      Eja (civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade/ de S. Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas)
      • Ligação Eja - Castelo de Paiva - Arouca: é possível que esta via continuasse na outra margem do rio Douro por Castelo de Paiva, de encontro à via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro/Castelo de Fornos que seguia para Arouca (?); seguia talvez por Vila Verde, passando próximo das necrópoles do Campo da Torre (epitáfio de Avitianus), do Terreiro (ara a Laribus Ceceaicis, FE 470) e de Santa Cecília (tesouro)
      • Ligação Eja - Pejão - Fermedo: uma outra hipotética via seguia para sudoeste por Sardoura (marginando o castro romanizado do Pedregal e o Castro de S. Gens; necrópole em Valbeirô, no vale), continua por Carreira (necrópole de Valdemides em Cruz da Carreira), Ribeiro, Portela, Sabariz, Pejão e Almansor, onde cruza o rio Arda (no sítio de Balaído), continua por Lázaro, Baloca, Alto do Vizo, Covelas, Belece, Parameira, Fermedo e Cabeçais, onde cruza a via Porto - Viseu.



















    Guimarães - Ponte do Arco - Freixo (TONGOBRIGA)
    Via integrada no Itinerário Braga-Mérida cruzando o rio Vizela na Ponte Romana do Arco de Vila Fria, continuando por Felgueiras e Lixa rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços (vide Almeida, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320).

    Guimarães (depois de cruzar o rio Ave na Ponte Romana de Campelos, a via romana proveniente de Bracara seguia a sudoeste desta cidade de fundação medieval rumo à Ponte do Arco de Vila Fria, passando talvez em Santiago de Candoso (inscrição rupestre num penedo no lugar de Chãos onde se lia AVICIRF/I/DH), Veigas, Belavista, Igreja de Santiago, m.p. XII, contorna o Alto do Pombeiro até Santo Amaro, continuando pela EN576 por Vista Alegre, m.p. XIII, servindo de divisória entre as freguesias de Mascotelos/Urgeses e Polvoreira, tomando depois a rua de Covas que cruza a EN105 e a linha férrea e segue pela rua Portelinha dos Remédios (topónimos viários Portela e Breia; possível referência à via nas Inquirições de Afonso III em 1258 como a «viam veteram de Ladroeira»; VMH p. 284); cruza o rio de Moinhos junto da Qta. do Meirinho e continua por Arca de Baixo, na m.p. XIV, Manhufes e Brense, passando a sul da Igreja de Pinheiro (topónimo viário Qta. da Carreira) pela rua das Regatinhas, rua Pés de Oliveira, travessa do Cabo da Vila até à Igreja de S. Tomé de Abação, onde reúne com a EM580 (nas proximidades existe uma sepultura na Devesa Escura/Lapinha e vestígios de uma villa de onde será proveniente a urna cinerária de Sulpício, hoje no MSMS com o nº66); continua pela Portela da Fornalha (m.p. XVI), mas a partir daqui foi destruída pela construção da A7, reaparecendo em Gémeos (m.p. XVII junto do topónimo Venda), onde inflectia para nascente na direcção de Calvos (a via passa a cota inferior da estrada actual até reunir com esta junto do cemitério), prosseguindo pelo Cimo de Eiriz onde vencia a m.p. XVIII e inciava a descida à Ponte do Arco por Bouças do Arco)
    Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria sobre o rio Vizela (m.p. XIX; reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a jusante da ponte, no lugar de Sá, apareceu um cipo funerário, hoje no MSMS como o nº ; vários topónimos viários indiciam uma outra via mais a nascente pela rota da EN101 que afluía também à ponte, passando nos topónimos viários Pousã, Hospital, Portela e Venda da Serra; depois da ponte surge um troço bem conservado da a calçada subindo pela vertente poente do Castro do Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani erigida por um Brácaro, hoje no MSMS com o nº 47)
    • Possível ligação a Sendim, derivando da Ponte do Arco para sudeste rumo à villa romana de Sendim (vídeo); há um troço de 400m de calçada em Lourido e um trecho no lugar da Estradinha, talvez relacionada com esta via, mas para onde seguiria?
    Pombeiro de Ribavizela (m.p. XX; sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
    Sta. Eulália de Margaride, Felgueiras (m.p. XXI em Água Empregada/Campas; a via sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco e Forca, nó viário na m.p. XXII de onde partia a variante descrita a seguir)
    • Variante de Felgueiras a Tongobriga por Recezinhos
      Este itinerário deriva da via Bracara-Tongobriga no lugar da Forca em Varziela, onde poderia ter existido uma mutatio, e seguia para a travessia do rio Sousa na Ponte de Barrimau, entretanto destruída nos anos 80 e substituída pelo actual pontão em betão (!), estrutura com indubitável origem romana dado existirem fotografias da obra mostrando o intradorso do pilar direito ainda com o aparelho almofadado romano original (Sousa, 2003). Partindo do cruzamento da Forca, a via segue a estrada local por Pedra Maria, contorna o Bairro de S. Miguel pelo oeste até entroncar na EN207 que passa a seguir no essencial, passando por Estrada, Cimalha, Longra, Monte Belo, Moutas, Paço e Unhão, desvia junto da igreja românica da EN207 e segue por Cruzeiro, Sargaça, Covas para S. Miguel de Lousada, continua por Cernadelo, Ponte do Moinho sobre a ribeira das Barrosas, Cavadinha, Casas Novas, Agrela, Barrimau de Cima, cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, continuando por Caíde de Rei (passaria junto da villa e necrópole de Vila Verde e depois pela EN207-2 que segue pela estação CF, Almeida, Tapada de D. Luís e Lordelo), S. Mamede de Recezinhos (cruza a EN15 na Serrinha e continua por Portela e junto do povoado romano da Suvidade), S. Martinho de Recezinhos (castro romanizado e necrópole na Qta. do Castro em Vilar; continua por Portela, Venda do Campo, Alminhas e Soutinho, divisória com a freguesia de Castelões; topónimos Carreira e Corredoura), continua pelo CM1244 que divide as freguesias de Vila Boa de Quires e Constance, seguindo por Monte do Ladário (contorna uma possível atalaia no Alto da Poupa) até Venda Nova de Cima, onde reencontra a via proveniente do Alto da Lixa, seguindo por Barrias (rua Direita) rumo à travessia do rio Tâmega em Sobretâmega e daqui a Tongobriga (Almeida et al., 2008; Sousa, 2013).
    • Ligação de Felgueiras a Magnetum: Esta via, com possível origem no castro de Macieira da Lixa, passaria nas proximidades das necrópoles de Veigas e de Maçorra (perto do rio de Passarias), cruzava a via principal em Caramos e seguia por Airães (junto da necrópole do Monte das Campas e próximo do povoado e necrópole do Outeiro de Babais), Vila Verde (necrópole em Eido), Aião (passando no sopé do castro da Trovoada em Sta. Cristina de Figueiró), Torno, Vilar do Torno e Alentém (casal? no lugar da Herdade), podendo daqui seguir pela Qta. dos Ingleses para a travessia do rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau rumo a Lousada, onde cruza a variante anterior, ou continuar por Caíde de Rei rumo a Magnetum (Sousa, 2013).

    Continuação da via para Tongobriga:
    Continuação da via a partir do nó viário da Forca em Varziela situada na m.p. XXII, seguindo a actual CM1175 por Barreiras, Venda, Várzea e Camarinho para cruzar o rio Sousa no pontão do Ameal (?), seguindo depois em calçada por 350 m entre o Castro de S. Simão e Devesa Alta por Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita por Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espíuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, m.p. XXV junto da Capela de Espiúca, continuando por Santo até confluir na EN101 junto do campo de futebol.
    Vila Cova da Lixa (m.p. XXVII; a via passava na base do Castro do Ladário até ao Alto da Lixa, junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, nó viário de onde partia a ligação a Amarante; o topónimo Arrifana remete para uma estação viária neste local, talvez uma mutatio)
    Freixo de Cima (de Campelo segue talvez próximo do Alto do Monte da Sorte por Bouça e Várzea)
    Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta)
    Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada)
    Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do castro)
    Vila Caiz (continua por Carvalhal, Furnas, Sordo e Outeiro)
    Travessia do rio Odres em Sortelo (continua pelo Paço de Soutelo e Fontelas)
    Constance (segue por Venda Nova, Barrias e rua Direita)
    Sobretâmega (a via descia ao rio passando junto da Igreja de Sta. Maria, rua de Canaveses, Pisão e Rua, mas hoje está submerso pela albufeira da Barragem do Torrão)

    Ponte Romana sobre o rio Tâmega (com 5 arcos, seria uma das maiores pontes romanas em território nacional que terá sido reconstruída no séc. XII reaproveitando partes dos arcos e parte do 1º pegão da margem esquerda da anterior romana construída com silharia almofadada, elementos que ainda eram visíveis durante as obras de demolição e reconstrução realizadas em 1941; em 1988, a ponte ficou submersa sob as águas da barragem do Torrão e em 1991 foi dinamitada pela EDP (!); há notícia de uma "coluna cilíndrica" junto da ponte com a inscrição DIB. IOVVE; localiza-se a cerca de 3 milhas de Tongóbriga; Dias, 1995:265)
    S. Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro?; depois de cruzar a ponte passava junto do Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem entretanto deslocado para cota superior e sobe a rua de S. Nicolau, onde ainda existe a antiga Albergaria de Canaveses, possível sucedânea de uma mutatio; ara a Cibele no Museu Municipal)
    Tuías (miliário a Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Qta. de Baixo, lugar da Herdade, Portela de Tuías, indicando a última milha antes de Tongobriga, hoje na recepção do Museu Municipal; daqui a via poderia seguir junto da Igreja Matriz de S. Salvador de Tuías, onde estava a ara aos Lari Cerenaeci, CIL II 2384, hoje no acervo do MNA)

    Freixo (TONGOBRIGA), Marco de Canaveses (importante cidade romana e capital de civitas designada por Tongobriga com base numa ara ao Genius Toncobricensium, CIL II 5564, achada no local e hoje no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja onde se lia INVICTO/AVG.P.M / TRI.P.P.P.; este marco foi posteriormente mutilado e partes dele reapareceram em 1992 nas obras da Escola Profissional de Arqueologia, onde hoje se encontra; deveria indicar 3 milhas ao Tâmega; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando possíveis vici em Meinedo, Várzea do Douro e Quinta de Guimarães (Sta. Marinha do Zêzere), e já no actual concelho de Amarante, os vici de Gatão e Lomba)

    Viae ab TONGOBRIGA

    Tongobriga
    ad
    mons
    Maraonis




    Outras vias na civitas de TONGOBRIGA
    A importância viária de Tongobriga é atestada por uma rede de estradas romanas que cruzavam a região; além da suposta via principal para Mérida, existiam várias outras ligações secundárias de importância regional que ligavam a outros pontos relevantes do povoamento romano, nomeadamente para nordeste rumo a Amarante e Serra do Marão (mons Maraonis) e para sudoeste rumo à travessia do rio Douro junto do vicus de Várzea do Douro (Dias 1987, 1996, 1997 e 1998).

    Tongobriga a Amarante pela margem direita do rio Tâmega
    É possível que existisse uma via rumo a Amarante partindo da ponte romana em Sobretâmega e seguindo pela margem direita do rio Tâmega, percurso medieval que já estaria em uso na época romana visto que passava junto do vicus termal e viário das Caldas de Canaveses (necrópole; termas romanas Aquae Tamacana?) e da villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius que hoje está na Qta. da Pena, além de um tesouro monetário; atravessava o rio Odres talvez na zona da actual Ponte Românica do Bairro e seguia por Forcado, St. Isidoro (casal/necrópole no lugar do Castro em Alvim), Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vilarinho, Retorta, Carreira, Louredo, Fregim até Amarante, onde entronca no Itinerário Braga - Vila Real.

    Tongobriga a Amarante pelo curso do rio Ovelha:
    A via romana seguia paralela ao curso do Rio Ovelha rumo a Amarante e daí à Serra do Marão, seguindo pelas cumeadas dos montes e passando no vicus da Lomba. A travessia do rio Ovelha permite equacionar duas variantes, uma cruzando o rio Ovelha em Várzea e outro na Ponto do Arco.
    • Variante pela Ponte do Arco:
      Segue a EN101-5 por Tabuado (por Quelha, Chão da Igreja, Igreja Românica, Vendas e Estalagem), Várzea da Ovelha e Aliviada (por Outeiro, Portela e Burgo, próximo do Castro do Pinheiro), Folhada (casal em Moura); em Aldegão inicia a descida ao rio Ovelha, passando no sítio romano do Tapado da Igreja Velha para cruzar o rio na Ponte Românica do Arco, (os alicerces da margem esquerda indiciam uma construção anterior, talvez romana), ascendendo depois pelo lugar do Arco até confluir na EM570 em S. Salvador do Monte.
    • Variante pela Ponte da Várzea: no lugar das Vendas em Tabuado, desce o CM1251 por Canhões até à Ponte da Várzea (casal romano da Torre e villa da Telheira) e ascende até à EM570 que segue por Légua e Picoto, onde conflui na variante anterior.
    • Ligação a Carvalho de Rei: um ramal desta estrada poderia derivar em Folhada e seguir rumo ao castro romanizado do Castelo em Carvalho de Rei (ara a Júpiter, hoje no Museu de Amarante; outra ara serve de bica num fontanário).
    S. Salvador do Monte (passa junto da necrópole de Louredo das Almas e do habitat da Qta. do Couraceiro, seguindo entre o Alto do Santinho e o Alto de S. Salvador do Monte, onde há 6 sepulturas escavas na rocha)
    Lomba (passa em Estrada, junto do vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mutatio; descia depois da necrópole do Prazo a Padronelo pela «Quebrada» até Devesa)
    • Ligação a Moure: de Padronelo ascendia por Cruz e Venda (Moure) até confluir na via proveniente de Amarante rumo à Serra do Marão descrita no Itinerário Braga - Amarante - Vila Real.
    • Ligação a Gondar: a travessia do rio Ovelha poderia fazer-se no vau de Gondar onde bifurcava nos dois caminhos para a Serra do Marão, um seguindo por Aboadela pela vertente norte e outro pela vertente sul passando nas Minas Romanas do Teixo.
    • Via do Marão pelas Minas do Teixo: partindo da travessia do rio Ovelha no Vau de Gondar, a via seguiria por Vilela (habitat em Vila Leça) e Vila Seca (habitat em Paneleiros), junto do campo da bola toma a Calçada da Portela, Caminho da Costa, marginando o castro romanizado de Tubirei e o tesouro de Valinhos, continuando pelo Caminho da Tapada até Bustelo; a partir daqui a via subia à serra pelo Caminho do Alto da Sra. da Corba Chã ou Corvachã, desce depois a Murgido e ascende por Cimo da Vila ao chamado Caminho do Trigal, estradão que percorre a cumeada do monte e serve de linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto de um penedo com a inscrição Castra Oresbi que tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira nas Minas do Teixo (A. C. Lopes, 2000); no entanto estudos posteriores refutaram esta tese, podendo ser antes um marco territorial (Martins, 2009); em 2016 foi apresentada uma nova leitura da inscrição como Est Castram Santi Oresbi, ou seja «é propriedade de Santo Oresbio» que remete para um período tardo-romano ou alto-medieval (vide vídeo); a via continuava junto das Minas Romanas do Teixo no Alto do Penedo Ruivo, passa a poente Capela da Sra. da Serra, junto do marco geodésico (Dias, 1997),

    Tongobriga a Várzea do Douro, Foz do Tâmega:
    Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, derivando da via principal junto do miliário de Tuías ou do centro da cidade confluindo ambas no lugar do Bairral (Vila Boa do Bispo).
    • Vinda de Tuías seguiria a EN210 por Qta. do Outeiro (villa), Vilar, Mória (necrópole dentro do Convento de Avessadas), Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral.
    • vinda do Freixo passava nos lugares de Covas, Esmoriz (na base do castro homónimo), Rosém de Cima (no alto do monte, junto do possível casal romano de Casinhas), Alto do Confurco (junto da mamoa), Chentadiços e Bairral.
    • uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em S. Cristóvão de Sande (PMH DC 688), indicia um caminho alternativo rumo ao Douro, derivando do anterior em Rosém de Cima e seguindo por Bouça Baixa (calçada; pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266), descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, onde seguia à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde poderia bifurcar, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro, cruzando a ribeira, seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro.
    Vila Boa do Bispo (de Bairral segue a EN210 pelo lugares da Estrada e Lamoso)
    Favões (segue por Golas e Vila, passando a cerca de 500m da necrópole da Tapada das Eirozes e a 1000m da necrópole da Fraga, continuando por Requim de Cima e de Baixo)
    Alpendurada (segue junto do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário, mons kastro aratros em documentos medievais, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos; num documento medieval sobre o termo de Guilhade há uma provável referência à via como strata pro ad oriente, PMH DC 416)

    Várzea do Douro (vicus e possível mansio junto do porto fluvial romano hoje submersos pela barragem de Crestuma; sancto martino num documento do ano 964; os vestígios encontram-se dispersos por uma vasta área compreendida entre o rio Douro e a EN222, e desde os limites da Quinta da Várzea ao extremo leste do Alto das Penegotas, povoado fortificado romanizado que dominava esta travessia; principais núcleos na Quinta do Passal, Igreja Velha, residência paroquial, Quinta da Rua de Várzea, proximidades do cruzeiro e proximidades da Capela da Senhora da Guia); numerosas epígrafes atestam a importância deste vicus: epitáfio de Elávia; ara a Júpiter, hoje desaparecida; inscrição a Cláudio reutilizada num muro do Convento de Alpendurada e hoje nos respectivos claustros; ara a Manes na Qta. da Rua da Várzea; o miliário a Adriano referido erradamente no CIL II 6211 como proveniente daqui resulta de um equívoco de Hübner que o confundiu com o miliário de S. Mamede de Infesta; Lima, 1999)

    Travessia do rio Douro entre Várzea do Douro/Bitetos e Outeiro do Castelo/Escamarão
    • TAMEOBRIGA: segundo Martins Sarmento em Castelo de Baixo, na margem esquerda do Douro, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus, CIL II 2377, MSMS com o nº 14, divindade local talvez relacionada com o Rio Tâmega (Tameo?), possível referência a um povoado chamado de Tameobriga que ficaria assim na confluência dos rios Douro e Paiva; a sua localização oscila entre o vicus da Várzea do Douro na margem direita e o castro romanizado do Castelo de Fornos, na margem esquerda, sobranceiro à foz do rio Paiva, na base do qual apareceu a referida inscrição (este povoado poderá estar na origem do topónimo da sede do concelho, Castelo do Paiva).
    • Ligação à villa de Passos: desta travessia do Douro em Escamarão poderia derivar uma via rumo a Tarouquela, onde surgiram importantes vestígios romanos, em particular a importante villa de Passos (ara a Júpiter, FE 245) e os sítios romanos de Tudovelhos/Todovelos e da Lameira; a inscrição rupestre do Vimeiro, supostamente cortada de um penedo marginal ao Douro e hoje recolhida no MNA, parece indicar o nome deste local na época romana pois lê-se MIROBIEVS LOCO na epígrafe além de indicar o origo do promotor da inscrição, um [- - -]apiobricesis.

    Escamarão a Arouca e Viseu: após a travessia do Douro no Cais de Bitetos/Outeiro do Castelo, a via seguia a meia encosta pelo Vale do rio Paiva pela «carraria antiqua», velho caminho mencionado na documentação medieval (PMH DC 459); a «carraria» partia do rio Douro e ascendia à Igreja Românica de Escamarão, onde existiam vestígios de calçada, cruza a actual EN222, sobe a Boavista e continua paralela à EN222 mas a cota mais alta pela rua da Lameira até Coutokarreira antiqua» num documento de 1120), daqui subia a Fonte Coberta, passando não muito longe da sepultura romana de Cancelhô seguindo por Coveloincruciliadas» em 1107), Torre e Fornelos (referências à «carraria antiqua» e «caria antiqua» num documento de 1067 inventariando a uilla fornellus; PMH DC 459); a partir daqui poderia tomar as seguintes hipotéticas direcções:

    Tongobriga
    ad
    Durius





    Durius a Vissaium









    Freixo (TONGOBRIGA) - Viseu (VISSAIUM)
    É possível que a via romana para Mérida rumasse primeiro a Viseu e daqui seguisse para a travessia da Serra da Estrela; partindo de Tongobriga, a via descia ao rio Douro por Soalhães e Mesquinhata, locais onde apareceram miliários. O local de travessia ainda é incerto, mas seria numa das tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, mas dos seus itinerários pouco ainda se conhece e ainda não se encontraram evidências de qualquer hierarquia que permitisse considerar uma destas rotas como a principal para Mérida; o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo pelo este poderia ser a rota preferencial, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei se oferece como alternativa, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu, não se podendo excluir a hipótese da estrada para Mérida fazer a travessia do Douro a montante, em Caldas de Moledo ou na Régua, seguindo depois na direcção da Guarda, evitando assim transpor a Serra da Estrela; sabemos por Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga) enquanto os Paesuri ocupariam a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere e Castro de Sampaio, ambos com vestígios de alguma monumentalidade, mas ainda não há certezas. (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998).

    Freixo (TONGOBRIGA)
    Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa)
    Soalhães (Suylanes na Idade Média; em lugar indeterminado da freguesia apareceu um miliário a Constantino II indicando a milha VIII, cerca de 12,8 km, contadas a partir de Tongobriga ou do rio Douro e hoje depositado no Museu Soares dos Reis, no Porto; as 8 milhas indicadas corresponde ao Lugar do Castro, na base do Castro de Soalhão; segue por Ladário e Outeiro)
    Lugar do Crasto, Soalhães (milha VIII; a via circunda o Castro Soalhão pelo sopé da vertente poente, por terrenos ainda hoje conhecidos pelo topónimo «Vale Trajano», onde havia necrópole)
    Mesquinhata (passa junto do Alto dos Encambalados e segue por Casal, Geguintes e Passadouro, pela rua do Cruzeiro)
    Carreirinha, Grilo (miliário a Galieno encontrado in situ, está hoje no Museu Municipal de Baião; cruza a ribeira no Passadouro e continua pela Capela da NS. do Loureiro)
    Ponte do Gôve (travessia do rio Ovil na base do Castro romanizado do Cruito)

    Daqui derivam 3 ligações ao Douro:
    A partir da Ponte do Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu; apesar da importância económica em época romana do rio Douro como grande via fluvial, comprovado pelos inúmeros locais de passagem e importantes vestígios nas suas margens, a identificação da rede viária tem-se revelado muito difícil dado o acidentado do terreno e a forte marca medieval do seu povoamento; no entanto, é indubitável que estas rotas já seriam usadas em épocas recuadas, mesmo pré-romanas, dado que evitam de forma decisiva a travessia dos grandes rios que afluem ao Douro, preferindo por isso cruzar o rio Douro na sentido N-S e depois subir a meia encosta ao alto da serra para a partir daí obter suaves pendentes ao longo de grande parte do percurso, desenvolvendo assim diagonais que acompanham as lombadas e linhas de festo que separam os rios que descem da Serra do Montemuro (referido como mons Geronzo no ano 925 e mais tarde como mons Muro; PMH DC30); os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos marginando o rio; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como ainda se observa na actual estrada EN222 (ver mapa).

      Para Porto Manso/Porto Antigo e Castro Daire, rumo a Viseu
      Ancêde (derivando logo após a Ponte do Gôve, seguia por Eiriz, Penela, Ancêde; a leste, na outra margem do rio Ovil, há vestígios romanos, na Casa de Viombra e Qta. de Esmoriz, e mais a leste a necrópole do Bairral, associada a uma villa ou aldeia em torno da Igreja de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária na casa paroquial, ambas no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto)
      Porto Manso, Ribadouro (a via continua junto da Capela de S. Domingos rumo ao Castro de Porto Manso e daqui desce ao Douro pela vertente poente por uma via lajeada que acompanha a margem esquerda do rio Ovil)
      Travessia do rio Douro entre Porto Manso e Porto Antigo (2 km a montante, na Qta. de Mosteirô, sobranceira ao rio, existem vestígios de um provável vicus e mutatio, onde apareceu outra ara a Júpiter colocada por Nispro, entretanto desaparecida)
      Porto Antigo, Cinfães (daqui a via, designada na Idade Média por carraria antiqua seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada; Pinho et al., 1999)
      • Castro de Sampaio, Cinfães: localizado num pequeno outeiro na freguesia de S. Cristóvão de Nogueira, o Castro romanizado de S. Paio apresenta um vasto espólio com alguma monumentalidade como colunas, bases de capitéis, pedras almofadadas, etc, o que levou Jorge de Alarcão a situar aqui o oppidum dos Paesuri (Alarcão, 1988); deste povoado provêm também a estela de Flavus, a lápide de Cloutio, hoje no MSMS com o nº 44 e a inscrição consagrada a Augusto hoje no MSMS com o nº 73; o vicus romano localizava-se a cerca de 500m a sudeste do Castro de Sampaio, no actual lugar de Aldeia.
      • Porto Antigo - Vale da Ribeira de Sampaio: junto do vicus romano passaria uma antiga via, designada na Idade Média por carril veterem, com origem em travessias por barca do rio Douro em Época Medieval quer em Porto Antigo (possível referência à via em «illa portela iusta kararea que vadi pro ad riu de Bestionza» num documento de 1083), seguindo depois por Cidadelhe (possíveis casais em Paradela e na Qta. da Chieira), quer mais a jusante, na Barca de Mourilhe, próximo da Barragem do Carrapatelo (vestígios em Arcela e referência medieval à «via de Grovaa», actual lugar da Groba), seguindo depois junto da Igreja de S. Cristóvão de Nogueira («via que vadit ad ecclesiam» em 1232); estas vias confluíam próximo do Castro de Sampaio, continuando depois ao longo do vale da ribeira de Sampaio (rivulo Sonoso) pela rota do CM1016 por Vilar do Peso (calçada) e CM1035 por Peso (calçada), Ervilhais (calçada) e Nespereira, onde conflui na via proveniente da travessia do rio Douro em Várzea do Douro, seguindo talvez por Castro Daire rumo a Viseu (Pinho et al., 1999; Lima, 2000:46).
      • Porto Antigo a Viseu pelo Vale do Bestança: a via seguia ao longo da margem direita do rio Bestança (rivulo Bestantia) pela vertente poente da Serra de Montemuro, passando talvez por Boassas, Lodeiro, Desamparados, Fundoais, Ruivais e Aldeia, marginando o possível casal junto do ribeiro de Lameirão e o Castro romanizado das Corôas, seguindo o actual CM1027-1 até Ferreiros de Tendais (tesouro; referência a um reguengo como estando «sub via e super strata» nas Inquirições de 1258; PMH Inq 983); a partir daqui a via subia ao alto da serra, podendo tomar o caminho que passa a norte do marco geodésico da Alvagueira (pelo Caminho do Marco ou calçada da Devesa?), rumo a Pimeirô (entra junto da Capela de S. Matinho) e daqui pelo CM1030 para Vale de Papas (nó viário designado na Idade Média por castellum de Aquilar; hipotético diverticulum pela Ponte de Panchorra, embora esta não apresente sinais de romanidade). A via surge nas Inquirições de 1258, servindo de limite das villis Bonis (actuais aldeias de Vila Boa de Baixo e de Cima; «dividet per Aguiar et per estrada», PMH Inq 983) e da vila da Graleyra (actual Gralheira; «et vadit ad castellum de Aquilar et ferit in cruce et per carreirum antiqum et ferit in termino de Ovadas et in Cabrun», PMH Inq 984); de Vale de Papas a via seguia então para Gralheira (passa na aldeia e serpenteia o CM1030), rumo a Cruz do Rossão, nó viário, onde confluía com a via proveniente da travessia do Douro em Caldas de Aregos, descrita no Itinerário Aregos - Cárquere - Castro Daire.

      Para Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu
      Gôve (seguia por Portela do Gôve, Favais, Lamas, e Casa Nova, na base «Castelo do Gôve», continua por Casal, Arco de Lordelo, descendo por Aguincheiras e Venda das Caldas à margem direita do rio Douro)
      Travessia do rio Douro no Sr. da Boa Passagem
      Caldas de Aregos (daqui segue para S. Romão de Aregos, passando por Pousada, referida na documentação medieval como «karraria antiqua», PMH DC 888)
      Cárquere (castellum, civitas?) (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppido dos Paesuri; actualmente conta-se com mais de 70 epígrafes provenientes daqui; uma ara a Júpiter indicaria o nome do povoado antigo, mas só resta a parte inicial, Castelani; seria assim um Castellum)
      • Ligação Cárquere a Viseu: a via deveria continuar para Viseu transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de S. Francisco, continuando depois por Canizes e Vila Pouca (ara a Júpiter na Capela da Ns. dos Vales, colocada por um militar, FE 267), Rossas, Granja, Talhada, continuando pela EM553-1 pelo Alto do Cotelo (vestígios de calçada em Cotelo e em Gafanhão) até confluir com a via proveniente de Porto Antigo na divisão concelhia, descendo depois por Cruz do Rossão, Picão e Lamelas até Castro Daire, onde conflui no Itinerário Lamego - Castro Daire - Viseu.

      Para Porto de Rei, Castro da Mogueira e Lamego
      Santa Cruz do Douro (povoado em Passal, junto à igreja; segue +- a EN108 até Vila Monim, sai à direita para Cedofeita, Senra e Eiras, na vertente sul do Castro de Mantel)
      S. Tomé de Covelas (continua por Outeiro, Lama Susã e pelo vicus do Barreiro)
      Sta. Marinha do Zêzere (ara funerária a Manes proveniente do possível vicus da Qta. de Guimarães em Míguas; seria aqui a paróquia suévica de Melga?; possível ligação nordeste para Gestaçô, onde apareceu um tesouro, o mons Genestazo da documentação medieval)
      Travessia do rio Teixeira na Ponte de Frende (entre Ervidal e Cruzeiro)
      Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da Capela de S. João que assenta no antigo castro; teria existido aqui um santuário?)
      Travessia do rio Douro em Porto de Rei
      S. Martinho de Mouros (do rio sobe a Nogueiras, passa na base do castro romanizado da Mogueira, perto qual existem pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo relacionadas com um possível santuário, subindo depois ao Alto Vila Verde, onde há calçada, continuando por Pardelhas e Seara, segue o CM1067 que passa junto do castro romanizado de Penajoia, onde há vestígios de calçada)
      Avões (continua pela EM1067 por Alto da Venda e Sra. do Pilar)
      Lamego (Lamecum?)

    Viae Lamecum a Vissaium

    Mapa

    Lamego Tarouca









    Lamego Castro Daire


    Lamego (Lamecum? / Caelobriga?)
    Povoado romano no morro do Castelo de Almacave, possível oppidum dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da Capela visigótica de Balsemão, existe um raro e importante terminus augustalis de delimitação de território, mas não indica as civitates em causa. Daqui partiriam dois itinerários rumo a Viseu, um passando por castro Daire e outra seguindo por Tarouca e Bustelo, reunindo na travessia do rio Vouga em Almargem (Vieira, 2004; Castro, 2013).

    Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
    A via cruzava o rio Balsemão e seguia a margem esquerda do rio Varosa por Tarouca, Ponte do Touro e Fráguas rumo Viseu. Partia provavelmente da zona da Sé de Lamego e descia ao rio Balsemão pela rua da Ponte da Calçada, cruza o rio e segue junto de S. Lázaro e Sra. da Guia, passando na Portela, seguindo depois entre Britiande e Várzea de Abrunhais (talvez pela Ponte de Recião e pela Qta. da Sra. da Lapa); a documentação medieval refere uma ponte de madeira sobre o rio Balsemão (in Viterbo 1799, vol 2, p. 227).

    Bairral, Britiande (ara a Júpiter na Capela de São Gonçalo, suportando a pia baptismal, talvez proveniente do castro romanizado do Castelo de Britiande; a via passava talvez na Quelha da Azenha)
    Ferreirim (continua por Vila Meã e a poente do Castro de Sta. Bárbara em Dálvares, até Castanheiro do Ouro, onde cruza a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha)
    Tarouca (povoado no Monte Ladairo/Ladário; habitat no Souto das Quintas/Sr. dos Vales e na Qta. do Arco da Paradela; da Ponte Pedrinha segue à direita pelo caminho que ascende por Esporões, junto do cemitério)
    Cravaz (cruza a povoação e segue pela calçada paralela e a cota inferior da EN530, passando próximo da Capela da Ns. dos Aflitos)
    Teixelo (a via entra na povoação junto da Capela da Senhora da Ajuda, onde ainda subsiste um troço lajeado, cruza a EM1176 e continua pela rua de St. António; no sítio do Padrão existe um cipo anepígrafo com cruciformes, provavelmente um marco do couto do mosteiro de Tarouca e eventual reaproveitamento de um miliário; Alarcão, 1988a e 1998; Teixeira, 1998; Castro, 2013a)
    Bustelo (a via passa a poente da povoação junto do cemitério e continua sempre em calçada pela margem esquerda do rio Varosa)
    Ponte do Touro sobre o rio Varosa, Almofala (sem indícios romanos; reconstruída em 1839; daqui a via seguia pela calçada com 2 km que passa na elevação do Corgo do Altar até entroncar no CM 1169 próximo de Cascano, seguindo até à torre eólica onde segue à direita pelo estradão de terra)
    Fraga Gorda, Touro (cruza a povoação; vicus? no sítio das Duas Igrejas)
    • Ligação a Fráguas e Sátão: a via bifurcaria na Fraga Gorda, seguindo um ramo pelo Alto de Penedais, junto da quinta romana da Alagoa, possível mutatio, continuando próximo pelo sítio de S. Paio, a extinta aldeia medieval de S. Pelágio rumo à travessia do rio Paiva em Fráguas (onde cruza o Itinerário Viseu - Moimenta da Beira, podendo continuar para Sátão passando no povoado mineiro da Dorna em Queiriga (?).
    • Ligação a Viseu: outro ramo partia de Fraga Gorda rumo a Vila Cova-à-Coelheira pela margem direita do rio Covo, passando no sítio do Gafo, topónimo viário, onde cruza a ribeira de Mourisca, continuando depois para Teixelo e Qta. da Clara rumo à travessia do rio Paiva no Corgo do Bacelo, na base do Castro romanizado de S. Lourenço, continuando na outra margem por Covelo do Paiva e junto do sítio romano da Cumieira (possível mutatio onde apareceram moedas e uma ara anepígrafa, próximo da aldeia de Zonho, provavelmente a Osonia do Paroquial Suévico), seguindo o CM1162 por alturas de Arco, Salvador e Fonte Santa, onde inicia a descida para a travessia do rio Vouga em Almargem, onde conflui na via que vinha por Castro Daire descrita a seguir, e daqui a Viseu (?).
    • Ligação a Castro Daire: poderia existir um itinerário E-O que derivava da anterior em Teixelo, seguindo depois próximo do habitat de Chão de Ferreiros, Pouso das Pipas e Malhada (calçada; habitat), rumo à travessia do rio Paiva em Portela de Lá (villa? do Outeiro com vestígios em Missa e Parceiros), continuando por Mões (da aldeia continua pelo Sr. da Boa Morte em Vila Boa, junto do habitat de Rebolada) até Ribolhos, onde entronca na via proveniente de Viseu, cruzando depois o rio Paiva para Castro Daire (Vieira, 2004).

    Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
    A via para Viseu seguia para a travessia do rio Paiva em Castro Daire, onde confluía com as vias proveniente das travessias do rio Douro em Porto Antigo (por Cinfães) e Caldas de Aregos (por Cárquere), seguindo depois para a travessia do rio Vouga na Ponte de Almargem, ascendo depois pela magnífica Estrada Romana de Almargem rumo a Viseu. (Vaz, 1976, 1989; Teixeira, 1998; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004; Lourenço, 2007).

    Lamego (parte da base do castelo de Almacave pela rua Fafel e segue pela vertente nascente do monte da Carreira de Tiro, próximo do sítio romano da Fonte d'El-Rei, conflui no CM1081 junto do cemitério, descendo depois à Ponte de Lamelas para cruzar o rio Balsemão, continua pelo caminho de terra até confluir no CM1082 pouco antes da povoação de Quintela de Penude)
    Póvoa (margina o sítio romano da Póvoa, de onde será proveniente a inscrição funerária que apareceu no Cimal; a via sai do CM1082, cruza a povoação e segue entre o Alto de Montedufe e o Alto da Cruz da Camba, passando a poente do sítio romano do Paço em Meijinhos, onde apareceu a inscrição funerária de Cesea e a ara votiva dedicada ao Soli Sacrum, o «sol sagrado»)
    Bigorne (percorre depois o caminho do alto da Serra de Lazarim, hoje paralelo à A24, marginado o sítio romano de Parafita, cruza Ribabelide, segue o caminho pelo Alto da Fraga do Seixo que vai cruzar a A24 pouco antes da Igreja de Bigorne, conflui na EN2 ao km 121 e poucos metros depois desvia à direita pela calçada da Portelada onde cruza a ribeira do Mezio, continuando depois em calçada)
    Mezio (entra pela Capela da Sra. das Antas e segue por Rua e Cimo de Aldeia, talvez pela rua da Mocidade e rua de St. António, continuando para Castro Daire pelo caminho que percorre o dorso planáltico entre Colo do Pito e Moura Morta)
    Castro Daire (margina a Capela da Ns. da Ouvida, continua por Vila Pouca e Outeiro e desce ao rio Paiva pela rua 1º de Maio, rua Direita e rua 1º de Dezembro, contornando assim o importante castro romanizado dominava esta travessia)
    Travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga com possível origem romana, demolida em 1877, tendo aparecido aqui uma árula com inscrição)
    Ribolhos (da ponte ascende pela EN2 até próximo da Capela de S. Domingos, onde toma a chamada «Estrada Romana», subindo a meia-encosta paralela à EN2 por Estalagem, Quintãs, Cerca e Colmeia até reunir com a EN2, saindo depois pela rua da Ponte de Courinha, cruza a EN2 em Ribolinhos e segue pela Av. Central que atravessa as Termas do Carvalhal)
    • Inscrição de Lamas de Moledo: notável e rara inscrição votiva na chamada «língua lusitana» que foi gravada num penedo da aldeia de Lamas de Moledo por Rufinus e Tiro; tratar-se-ia de uma oferenda de animais a divindades protectoras dos povos da região, mas subsistem muitas dúvidas na sua interpretação; segundo Inês Vaz, é possível identificar os teónimos Crougeai Magareaicoi e Ioeva Caielobricoi e os povos Veaminicori e Patravioi; a proximidade fonética de Magareaicoi com topónimo Maga sugere que os Patravioi habitariam o castro do Outeiro da Maga e os Crougeai Caielobricoi poderá estar relacionado com a aldeia de Cela mais a sul ou com Caelobriga, povoado mencionado por Ptolomeu como fazendo parte do território dos Coilarni, mas são meras hipóteses; na área da aldeia deveria existir um vicus dado o aparecimento de outras inscrições, o epitáfio de Apinna e o epitáfio de Cabureina (vide Vaz, 1989; Miguel, 2013).
    Mamouros (segue a EM562 e o estradão pela margem direita do rio de Mel?)
    Arcas, Mões (sai da EN2 pela rua da Ponte das Arcas, onde cruza o rio de Mel; continua talvez pela EN2 e rua dos Carvalhos)
    Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, subindo por caminho carreteiro)
    Calde (cruza a povoação e desce a Póvoa de Calde)
    Travessia do rio Vouga em Almargem (300m a jusante da ponte actual?)
    Bigas (do rio Vouga ascende pela Calçada Romana de Almargem, continuando pela rua da Estrada Velha)
    Campo (referências a uma calçada em Campo indicia a passagem da via que continua pelo sopé do Castro de Sta. Luzia por Moure da Madalena; a calçada do Salgueiral e o "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira, junto à prisão parecem fora desta rota)
    Abraveses (segue pela rua da Estrada Velha, Qta. de Cimalha e Qta. da Corga, hoje urbanizadas, com vestígios de calçada junto da escola C+S)
    Viseu (VISSAIUM) (continua pela «Estrada Velha de Abraveses» até à Cava de Viriato, onde cruza a Av. da Bélgica e segue pela rua Capitão Salomão, rua Cava de Viriato, cruza o rio Pavia, rua Ponte de Pau, entrava no burgo pela Calçada de Viriato e pela antiga porta da cidade, onde existia necrópole, até ao Largo da Sé, antigo forum)
    • Variante Castro Daire a Viseu por S. Pedro do Sul: poderia existir uma variante Figueiredo de Alva, Ladreda (a poente, em Ucha, calçada para o Castro do Mau Vizinho/Castro dos Súmios/Castelo dos Mouros/Cafúrnea, onde apareceu uma ara votiva aos Bande Ocelensi, hoje no MNA e uma inscrição a Mate, Genius Defensoris), Monte Forneco, Cobertinha (Vila Maior), Modelos (por S. Félix; na Igreja de Pinho apareceu ara votiva ao Bande Alabaraico, CIL II 403, hoje em parte incerta), seguindo até à travessia do rio Vouga em S. Pedro do Sul, onde entronca nas vias provenientes de Cale e Talabriga rumo Viseu por Moselos.

    Mapa





























    Viseu (VISSAIUM) - Famalicão da Serra (Berecum?) - Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    A via romana que partindo de Viseu seguia na direcção da Serra da Estrela, designada por Via IV por Inês Vaz, está bem documentada pelos muitos miliários ao longo do seu percurso (pelo menos 10), seguindo por Mangualde e Abrunhosa-a-Velha e eventualmente pela robusta Calçada dos Galhardos acima de Folgosinho, atravessando a Serra da Estrela para Famalicão da Serra, onde há miliários e outros importantes vestígios romanos relacionados com o povoado de Barrelas, provável estação viária tipo mutatio; esta via foi integrada no Itinerário Braga - Mérida, mas a sua função principal seria a de ligar Mérida ao litoral Atlântico, seguindo de Viseu até à foz do rio Vouga, configurando uma eixo viário entre Augusta Emerita e o oppidum de Talabriga, estruturando o poder de Mérida no território da Lusitânia. (vide Vaz, 1976; Ruivo, Gomes e Tavares, 1985; 1996; Nóbrega, 2003).

    Viseu (VISSAIUM) (oppidum com forum no morro da Sé; a via partia do centro da cidade pela rua do Gonçalinho, antiga Decumanus e rua Simões Dias, passava a antiga porta da cidade e já extra-muros margina a necrópole da Capela de S. Miguel de Fetal, na m.p. zero, seguindo depois por Via Sacra, Sr. da Boa Passagem, Sta. Eugénia, Lavamãos, Olho Branco, Viso, Póvoa de Sobrinhos, Carreira de Tiro, Alto da Fragosela, Fragosela de Baixo e a sul de Prime, num percurso hoje difícil de discernir com a expansão da cidade e a construção da IP5/A25)
    Travessia do rio Dão (m.p. V; junto da confluência da ribeira de Sátão)
    Fagilde (m.p. VII; miliário anepígrafo apareceu integrado na parede de uma casa da aldeia e passou para o sítio da «Lameira do Monte»; indicaria 7 milhas a Viseu)
    Roda (m.p. VIII; miliário anepígrafo servia de coluna numa varanda de uma casa em ruínas e hoje está numa casa particular de Mesquitela; Gomes, 1992; indicaria 8 milhas a Viseu; continua pela rua da Ponte e depois do pontão sobre a ribeira de Frades segue à esquerda pela calçada do Largo do Olheirão até reunir com a estrada actual junto do marco da estrada real, seguindo depois recto à Igreja de S. Julião)
    Mangualde (m.p. X; nó viário onde cruza com a via N-S que seguia para a Bobadela, possivelmente junto do actual templo de S. Julião, Igreja Matriz de Mangualde)

    Qta. da Raposeira (mansio situada na base do povoado do Monte da Sra. do Castelo que poderia designar-se por Castellum Araocelensis em época romana conforme se lê na inscrição honorífica de S. Cosmado)

      Variante com travessia do Mondego em Poço Moirão (via principal?):
      Mangualde (da mansio na Raposeira segue pelo troço de calçada nas Qtas. da Fonte do Púcaro e Prazo; subsiste na zona o topónimo medieval «Albergaria»)
      Almeidinha (segue pela rua das Almas junto da Capela da Sra. do Campo até ao Cruzeiro, a cerca de 200m da villa da Moita da Oliveira, e atravessa a Serra da Baralha talvez por Tapada)
      Casal de Cima, Santiago de Cassurrães (possível miliário junto à Capela de S. Sebastião; a antiga via romana deveria cruzar a ribeira de Cassurrães pelo «Caminho Velho», actual rua da Calçada, sobe à Capela da Sra. de Cervães, cruza a EM1455 e continua pelo caminho de terra na base da escadaria, assinalado por umas alminhas que reutiliza um miliário, seguindo depois junto do casal? de Sta. Marinha, eventual tabernae, cruzando depois a serra talvez por um caminho desactivado pela vertente da sul da serra que passa no topónimo «Loureiros»)
      Abrunhosa-a-Velha (aqui existiam quatro miliários que foram transferidos para Viseu; dois estão desaparecidos, destes um era anepígrafo e outro era um miliário dedicado a Numeriano, enquanto os outros dois pertencem à CEADV, o miliário onde parece ler-se XX milhas e o miliário a Adriano da milha XVIII, o que corresponde à distância daqui a Viseu, com o nº 605)
      Travessia do rio Mondego em Poço Moirão (Barca Velha, onde há vestígios de uma ponte antiga; subsistem dúvidas sobre o local exacto de travessia; talvez bifurcasse nas seguintes vias)
      • Ligação a Folgosinho: cruza o Mondego junto da Qta. dos Padres, a «Ponte da Cabra», e segue pela linha de festo entre as ribeiras de S. Paio e do Paço, passando a sul de Ribamondego para cruzar a EN17 junto da Qta. da Pedra Alta, continuando pela Qta. dos Mortórios até Nabainhos (inscrição num penedo), onde inicia a subida à serra seguindo talvez por Freixo da Serra e Folgosinho (onde estaria a última mutatio antes de cruzar a serra)
      • Ligação a Gouveia: segue na outra margem pela Qta. do Mondego e próximo do casal agrícola do Risado Arcozelo (possível mutatio no povoado fortificado do Castelo; santuário rupestre «Penedo dos Mouros»), continua talvez por Nespereira (villa em São Pelágio, junto da via; Cadeiral Romano no Bairro de St. António) até Gouveia (ara votiva de Reburrus Talabi encontrada na Capela da Ns. da Alegria e hoje no Museu Municipal).

      Variante com travessia do Mondego na Ponte de Palhez:
      Mangualde (segue pela rua da Estação até ao km 14.1 e depois à esquerda pela rua da Ponte que passa junto da villa da Qta. da Calçada com vestígios da via até à ribeira de Almeidinha)
      Mesquitela (segue pela rua da Ponte, rua da Calçada Romana, rua Direita e rua da Ramalhinha/Qta. da Lavandeira)
      Mourilhe (magnífico troço de calçada com 50m junto da Capela de Ns. da Conceição ou de S. João)
      Contenças de Baixo (calçada no caminho para a ponte passa junto dos vestígios do povoado da Rechã)
      Travessia do Mondego junto à Ponte de Palhez (em alternativa descia por Póvoa de Cervães para cruzar o rio junto da Qta. do Moinho)
      Cativelos (a Ponte do Aljão e Ponte das Cantinas com calçada, poderão ter origem romana; calçada em Celas Alminhas-Dobreira; no entanto a via deveria passar na Capela da Sra. dos Verdes, marginando a villa do Monte Aljão, a «viam algiam» nas Inquirições de 1258)
      Vila Nova de Tázem (santuário rupestre na Qta. do Pé do Coelho; alguns troços de calçada junto dos habitats de Freixial/Safail e em Teixugueira-Parigueira poderão integrar esta via mas é hipotético)
      Nespereira? (onde conflui na variante por Poço Moirão descrita acima?)

    De Folgosinho a Famalicão da Serra, atravessando a Serra da Estrela:
    A partir de Folgosinho, a via seguia pela chamada Calçada dos Galhardos que começa na saída sul da aldeia junto do campo de futebol e segue por troço lajeado com cerca de 1 milha até à Portela, onde inflecte para nordeste pelo estradão que passa no marco geodésico dos Galhardos, continua pelo Alto de S. Domingos e Alto dos Carvalhos Juntos, importante nó viário onde afluía uma outra via proveniente de Linhares, descendo depois para cruzar o Mondego próximo de Videmonte rumo a Famalicão da Serra.
    • Variante cruzando o Mondego na Qta. da Taberna, em alternativa a via desviava no Alto dos Galhardos para Casal das Pias, junto do Alto da Cova do Cêpo, descendo depois por Casal Reigoso à Qta. da Taberna, onde cruzava o rio Mondego, rumando daqui pela Lomba de Saimão e Vale das Ferrarias até Famalicão da Serra (Alarcão, 1993; Ruivo e Carvalho, 1996).

    Famalicão da Serra (castellum Berecum?; povoado fortificado de Barrelas onde apareceram duas inscrições romanas, uma delas dedicada à divindade local Aelua pelos Castellani Berecenses, o que levou a propor o nome de Berecum ou Bereccum para este povoado, onde existiria uma estrutura viária tipo mutatio ou mesmo mansio, hipótese reforçada pelo achado de 5 miliários encontrados nas redondezas, miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiano da Tapada da Eira/Qta. da Tranginha (entretanto perdido em Lisboa), o miliário a Tácito da Qta. do Cadouço/Cadoiço (hoje no Museu do Carmo em Lisboa), o miliário a Tácito de Barrelas indicando a milha IV, o miliário a Constantino Magno achado a cerca de 1 km da via no sítio de Colerdordem ou Celordem, ambos hoje no Museu da Guarda, e o miliário a Tibério? que está na Capela de St. Antão (FE 189); a via romana continua em calçada pelo «Caminho do Convento» que passa junto do Convento Mato Grosso/Convento Bom Jesus que assenta num edifício romano, continuando pela Qta. do Sendão)

    Valhelhas (miliário a Constâncio Cloro e Galério Maximiniano achado em Galrado, na margem esquerda do rio Zêzere, passou para a igreja e hoje está na JF, assim como a ara funerária consagrado aos Deuses Manes; Brandão e Rodrigues, 1957; 50m a sul da JF, numa casa particular, existe um possível miliário anepígrafo servindo de base da caixa de correio; a via continua ao longo da margem esquerda do rio Zêzere por Várzea do Vale Formoso, próximo da villa do Prazo/Qta. da Granja)
    Lameiras (miliário anepígrafo e miliário a Tácito, AE 1965, 107, ambos no Castelo de Belmonte; neste último miliário Aurélio Belo interpretou a abreviatura final «II L. O.» como «2 m.p. a L(ancia) O(ppidana)», o que colocaria a sede desta civitas em Centum Cellae que fica a essa distância; Belo, 1960:41-44)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Gaia na Qta. do Galvão

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) (a interpretação das ruínas em torno da Torre Romana de Centum Cellae tem dividido os investigadores, mas as escavações mais recentes apontam para um núcleo de povoamento mais importante que uma simples villa (Alarcão, 1998), podendo corresponder a um vicus viário (Frade, 2002) ou mesmo o oppidum capital dos Lancienses Oppidani (Guerra, 2007a) ou dos Ocelenses; é muito provável a existência de uma mansio de apoio à via (Carvalho, 2010) que passa a cerca de 30m da face norte da torre)

    Mapa





























    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE) - Idanha-a-Velha (IGAEDIS) - Mérida (EMERITA)
    Este troço está bem definido pelos 5 miliários existentes ao longo do seu percurso para Idanha-a-Velha, mas só em dois deles é possível ler as milhas indicadas, no caso a milha XXII do miliário da Torre dos Namorados, tendo como caput via a mansio de Centum Cellae, reforçando assim a importância deste povoado romano no contexto da Cova da Beira, e o miliário de Águas que indica a milha VIII a Igaedis. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani, dos Lancienses Oppidani e dos Igaeditani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão, mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda com sede no castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador (Penamacor) marcando a divisão territorial entre estes e os Igaeditani com sede em Idanha-a-Velha, não existindo no entanto consenso sobre a localização do respectivo oppidum que oscila entre Centum Cellae, Vale da Póvoa e Sabugal. No vicus da Qta. de S. Domingos em Pousafoles do Bispo (Sabugal) apareceu uma inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES», remetendo para os Ocelenses mencionados por Plínio, havendo dúvidas se seria uma outra tribo Lanciense ou uma designação alternativa a Oppidani (FE 310.2; Belo, 1960; Alarcão, 2001b; P. Carvalho, 2006; Guerra, 2007a).

    Catraia da Torre (CENTUM CELLAE)
    Ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram dois miliários, um miliário a Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos depositados no Castelo de Belmonte)
    Belmonte (próximo da Igreja de Santiago existe um miliário a Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, passando próximo do sítios romanos do Muro/Qta. do Bouzieiro e da Fonte do Soldado, continuando depois paralela à Serra da Esperança; +- EN345)
    • Possível diverticulum para sudeste partindo de Centum Cellae ou da villa da Qta. da Fórnea rumo ao povoado da Ns. da Estrela em Inguias, existindo na Capela uma inscrição a Júpiter por Iulius Rufus, indiciando a existência de um vicus na divisória entre os concelhos de Belmonte e Sabugal, eventualmente no sítio da Tapada da Casa; aqui cruzava a ribeira de Inguias e seguia por S. Amaro, ribeira da Cal, Alto das Cruzes, Portela, Vale de Castelões e Serra da Opa em direcção ao Vale da Sra. da Póvoa ou ao Sabugal de encontro à via para Salamanca.
    Malpique (calçada passa a nascente junto da importante villa da Qta. da Fórnea a 5 milhas de Centum Cellae)
    Travessia da ribeira das Inguias no Sítio do Gagameio / Qta. da Ribeira
    Caria (possível mutatio; calçada com 40m em Fonte do Ruivo, na direcção E-W, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho, onde atravessa a ribeira de Caria)
    Peraboa (villa? na Qta. do Cameira; atravessa a Serra de St. António, passando próximo do castro romanizado da Tapada das Argolas ou «Vila Velha», descendo depois pelo Sítio da Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, hoje no MNA)
    • Possível diverticulum para sudeste pela calçada da Laje do Freixo para Monte do Bispo e Escarigo, até entroncar na via para Salamanca na travessia do ribeiro de Casteleiro.

    Capinha (vicus Talabara?) (vicus e provável mutatio situada no cruzamento com a via para Salamanca, ocupando a área em torno da arruinada Capela da Tapada de S. Pedro que reutiliza muito material romano; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio do Meidubrigense Hispanus na Qta. de S. Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico no caminho para Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia, assim como as duas inscrições retiradas da ponte, o epitáfio da Lanciense Oppidana Amoena e o epitáfio de Cabrula, todas recolhidas no Museu do Fundão; a designação Talabara para o vicus advém de uma inscrição rupestre onde alguns autores leram V(ico) (Tal)bara, hoje também no Museu do Fundão; da Fonte de Cima na aldeia, a via descia à ponte pela calçada da Capela de S. Marcos e pela calçada do Sítio das Lajens, entretanto já destruídas, cruza a ribeira e Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e continua por Vale de Paredes e Freixa)

    Quintas da Torre/Torre dos Namorados (vicus e provável mutatio atendendo ao miliário a Maximiano indicando XXII milhas e às várias epígrafes aqui encontradas e recolhidas no Museu do Fundão como a lápide de Lubaecus, a inscrição a Júpiter, a ara votiva a Bande Luguano, a ara da Qta. da Feijoeira, ara da Qta. de Antão Alves e ara de uma cluniense que apareceu na Qta. da Azinheira mas recolhida na Qta. de Matos Barrinhos)
    Pedrogão de S. Pedro (no sítio da Líria apareceu um cipo com dois cruciformes gravados, provável miliário, hoje no Museu de Penamacor; a via continua pelo caminho das «Calçadeirinhas», cruzando a ribeira das Taliscas a cerca de 500m montante da Ponte «Romana» sobre a ribeira das Taliscas, em risco de ruína que poderá ser uma construção já do período medieval)
    Bemposta (milha VIII a Igaedis; vicus?; o miliário da 4ª Tetrarquia de Maximiano, Maximino Daia, Constantino e Licínio, que apareceu numa casa em ruínas próximo de Águas e que hoje está numa casa particular da Aldeia de Santa Margarida (Henriques, 2015), deveria ser daqui pois indica a milha 8 a Igaedis que seria vencida na aldeia de Bemposta; conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de S. Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e a terceira é dedicada a Quangeius; villae em Nave de Baixo, Qta. da Meijoana e Represa)
    Medelim (na Capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira apenas se lê Reve ... pelo que seria dedicada à mesma divindade; estão todas no MTPJ; Ponte Romana? em ruínas; calçada dentro da povoação; a via seguia talvez paralela à EN332, próximo dos sítios romanos da Tapada da Senhora e Chãos da Malhada, do acampamento militar romano de Oliveira das Almas e da villa ou vicus de Vale de Cavalo, desviando da EN332 pouco depois para ir cruzar a ribeira de Moinhos no Pontão de Beiradas (?), seguindo depois pelo cemitério até Idanha)

    Idanha-a-Velha (IGAEDIS) (oppidum sede da civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte de mais de duas centenas de epígrafes conhecidas; existem pelo menos 6 miliários conhecidos no território Igaeditanense: um miliário Augusto de origem incerta (AE, 1967, 185) onde se lia «CX» que talvez indicasse a distância a Mérida de CXX milhas, o miliário também a Augusto de Alcafozes, atestando ambos a antiguidade da via e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto onde apenas se lê «milha I»; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha, o outro em Alcafozes e o último em Segura; ver também Rede viária de Igaedis)

    De Idanha-a-Velha a Mérida
    Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstruída na Idade Média com material da antiga ponte romana situada um pouco a montante que estaria em ruína)
    Alcafozes (3 miliários; miliário a Augusto onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», hoje no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; povoado no Cabeço dos Mouros; segue pelo estradão Barreiro Vermelho/Granja, onde atravessa a ribeira de Aravil, subindo a Toulões pelo Alto dos Frades)
    Toulões (talvez pela linha de festo que vai por Monte Velho e Abegões, cruza a EN240 no Alto da Barca, continuando depois pela linha de festo que separa as ribeiras de Sta. Marina e S. Domingos, passando no marco geodésico de Malhão e em Charcos até Segura; em alternativa poderia seguir pelo vale da Ribeira da Calçada até Segura)
    Segura (a via entrava na povoação junto do Calvário, monumento que integra uma ara romana, parecendo reconstrução de antigo santuário situado no outeiro oposto à vila, com vários possíveis miliários deitados na berma da estrada que passa na sua base; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na Capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo)
    Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (5 arcos; pela EN355 na fronteira Luso-Espanhola; arco central e tabuleiro reconstruídos)
    Piedras Albas (Estorninos)
    Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
    Alcántara (ver traçado)
    NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na chamada "Via de la Plata" que ligava Astorga a Cádiz no sentido N-S)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum)

    VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLXI

    Mapa

    Lisboa Alcácer



    Alcácer Évora












    Évora-Elvas








    Variante por Vila Viçosa


    ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)
    Item ab OLISIPONE
    EMERITAM

    AQUABONA
    CATOBRICA
    CAECILIANA
    MALATECA
    SALACIA
    EBORA
    AD ATRUM FLUMEM
    DIPONE
    EVANDRIANA
    EMERITA

    m.p. CLXI

    m.p. XII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXVI
    m.p. XII
    m.p. XLIIII
    m.p. VIIII
    m.p. XII
    m.p. XVII
    m.p. VIIII
    Itinerário Corrigido
         total m.p. CC

    Aquabona    XII
    Caetobriga  XII
    Malateca     XIV
    Caeciliana   VIII
    Salacia        XII
    Ebora          XL
    Ad Atrum    LXIIII
    Dipone        XII
    Evandriana XVII
    Emerita       VIIII
    Inicialmente o Itinerário XII de Antonino seguia a via romana entre Olisipo (Lisboa) e Salacia (Alcácer do Sal) passando por três mansiones de permeio Aquabona, Caetobriga, Caeciliana e Malateca, cuja localização tem suscitado algumas dúvidas, isto porque as distâncias intermédias indicadas no I.A. não são coerentes como o medido no terreno. Se a localização das duas primeiras estações não oferece qualquer dúvida, com Aquabona correspondendo à foz do rio Coina, a 12 milhas de Lisboa, e Caetobriga correspondendo à actual cidade de Setúbal, a 12 milhas de Coina, por outro lado as estações seguintes apresentam várias incoerências nas distâncias intermédias indicadas. De facto, o itinerário indica 46 milhas de Caetobriga a Salacia quando a distância real é de cerca de 35 milhas, diferença demasiado grande para ser justificada por uma rota alternativa, o que evidencia a existência de erros na transcrição deste itinerário efectuada na Idade Média. A solução para este problema está numa diferente interpretação do itinerário, corrigindo a sequência das estações para Caetobriga - Malateca - Caeciliana - Salacia. Desta forma, a primeira deveria situar-se junto da travessia da ribeira de Marateca situada a 14 milhas de Setúbal, sendo que o I.A. indica 26 milhas, o que corresponde à distância deste local à Coina enquanto a segunda, Caeciliana, estaria 8 milhas mais adiante junto da travessia da ribeira de S. Martinho na povoação de Palma, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» do MPAM, situada precisamente a 8 milhas de Marateca e a 12 de Alcácer do Sal, e portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A. O troço seguinte entre Salacia e Ebora seguia pela parte sul do concelho de Montemor-o-Novo por um percurso bastante seguro dado o elevado número de miliários conhecidos. A partir de Évora, a via seguia para Mérida, passando por três estações intermédias, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas mais adiante. (vide Bilou, 2000a; Almeida, 2000; Faria, 2002; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2008).

    Lisboa (OLISIPO) (o percurso inicial deste itinerário corresponde à travessia do rio Tejo entre o porto romano da Praça do Comércio e o Porto de Cacilhas, atendendo aos vestígios de cetárias descobertas no Largo Alfredo Dinis e do povoado na Qta. do Almaraz, seguindo depois a rota da EN10 até Coina, pontuada por vestígios romanos como a olaria da Qta. do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Qta. de S. João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também era possível cruzar o rio Tejo directamente a Aquabona, atracando no Porto da Romagem em Coina, através do braço do Tejo que penetra terra dentro até à foz do rio Coina; outros portos fluviais foram identificados próximo da Moita e de Alcochete, «Porto dos Cacos», mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse o itinerário principal para Mérida)

    Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII localizada nas proximidades da Capela da Ns. dos Remédios, antiga Ermida de S. Sebastião, e da Fonte da Talha, possivelmente a «Aqua Bona» inferida do topónimo; daqui a via seguia rumo a Caetobriga, localizada a 12 milhas, o que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal; também poderia existir uma via mais curta, per compendium, ligando directamente Coina a Marateca, evitando a passagem por Setúbal e consequente travessia da Serra da Arrábida.
    • Ligação per compendium de Coina a Marateca: a via seguia a norte de Palmela e do importante Povoado de Chibanes no Alto da Queimada, Serra do Louro (a Caepiana de Ptolomeu segundo Amílcar Guerra), seguindo por Carrasqueira, Olhos d'Água, Cascalheira, Palhota, Lau, Monte da Lentisqueira, actuais EM533-1, EM533 e CM1040, pela chamada «Estrada dos Espanhóis», referida por Mário Saa também como «Estrada Funda, dada a profundeza milenária do seu sulco», até atingir Marateca, percorrendo 22 milhas, ou seja menos 5 milhas do que o trajecto da via por Setúbal.
    • Itinerário XII de Coina a Setúbal, segue recto até Vendas de Azeitão, continua pelo Alto das Necessidades e Qta. da Calçada, seguindo ao longo da vertente oeste e sul da Serra de S. Luís, passando próximo dos sítios romanos da Cruz da Légua, Qta. do Esteval e Qta. do Rego de Água, descendo depois da EN10 pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem preservado entre o Grelhal e Casal das Figueiras, terminando na rua do «Caminho Romano», entrando em Setúbal pelo Bairro do Tróino.

    Setúbal (CAETOBRIGA) (mansio a 24 milhas de Olisipo e a 12 de Aquabona localizada no actual centro da cidade, atendendo aos importantes vestígios descobertos na Av. Luísa Todi; o povoado romano estendia-se ao longo da rua Direita do Tróino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Lg. da Misericórdia e Rua Antão Girão; a via continuava talvez pela Av. Bento Gonçalves, rua Camilo Castelo Branco, rua 4 Caminhos, Monte Belo, Azinhaga de Cruz de Peixe e Poço de Mouro, Padeiras, Algeruz, EM542-1 até entroncar na variante que vinha de Coina rumo a Marateca)

    Marateca (MALATECA) (mansio; esta estação viária deverá estar relacionada com a travessia da ribeira da Marateca próximo de Águas de Moura; a mansio ficaria defronte no chamado Castelo dos Mouros, junto do cemitério, onde há vestígios de estruturas romanas, possivelmente da própria mansio; a via seguiria depois aproximadamente a rota da EN5 rumo a Palma)

    CAECILIANA (estação viária tipo mansio situada a 8 milhas de Malateca e a 12 de Salacia correspondendo à actual aldeia de Palma, junto do ponto de travessia da ribeira de S. Martinho com o sugestivo topónimo de «Ponte da Pedra»; continua talvez pelo Monte do Alberge, Igreja do Monte de Vale de Reis e Igreja de S. Lourenço, ambas com vestígios romanos, inflectindo pouco depois para sudoeste pelo caminho que passa no Monte das Águas Pousadas até ao Bairro do Venâncio )

    Alcácer do Sal (SALACIA Imperatoria) (oppidum, sede de civitas, mansio e importante porto a 58 milhas de Lisboa; a via entrava na cidade pela Av. dos Clérigos e rua da Fábrica, passando junto do Convento de St. António, marginando a necrópole de S. Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; inscrição honorífica ao magistrado Cornelius Bocchus, CIL II 2479; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
    • Porto Marítimo de Alcácer do Sal: no estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com os entrepostos comerciais e centros de transformação da actividade piscícola em Tróia (Achale?), Portinho da Arrábida (Creiro), Outão (Praia da Comenda) e Setúbal, assim como os mais de 20 centros de produção de ânforas, como a Feitoria Fenícia de Abul, do Monte do Bugio e da Herdade do Pinheiro; nesta última, André Resende registou um cipo dedicado ao imperador Cómodo nas «ruínas de uma povoação» situada a 20 mil passos de Caetobriga e a 16 mil passos de Salacia; este cipo que Resende inclui na descrição da via romana de Lisboa a Évora, não seria uma miliário dado que apresenta uma inscrição de carácter honorífico, talvez colocada pelo habitantes do vicus portuário que aqui deveria existir, associado à indústria de fabrico de ânforas cujos fornos são ainda hoje visíveis; provável ligação à via principal que corria mais para o interior, assegurando o escoamento dos produtos por via fluvial. (CIL II 8; Resende, 1593:148-149).
    • Via fluvial pelo rio Sado (Callipus): o rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Monte da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, S. Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Monte da Qta. de D. Rodrigo (calçada, ligaria a Alcácer?), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de S. João dos Azinhais na Herdade de Arranas (ara a Júpiter) e em Passadeiras. O rio poderia ainda ser navegável para montante, passando na villa na Herdade da Qta. de Cima, seguindo provavelmente até Santa Margarida do Sado.

    Alcácer do Sal a Évora
    Depois de Alcácer, a via seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos, atravessando o concelho de Montemor-o-Novo até Valverde e daqui a Évora, contando-se 5 miliários atribuíveis a esta via (Bilou, 2000a; Carvalho, 2009). Para este troço o Itinerário XII de Antonino indica 44 milhas, no entanto o percurso proposto não ultrapassa as 40 milhas, sobrando portanto 4 milhas difíceis de justificar; será um erro do I.A. ou do trajecto escolhido? (2018)

    Alcácer do Sal (SALACIA) (sai da cidade rumo a nordeste pela Calçada da Fonte Nova e rua das Douradas, rua Rui Coelho e rua 5 de Outubro, marginando a necrópole do Bairro do Crespo na rua Miguel Bombarda e a villa? do Olival de Ns. d'Aires pela margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos, actual rota da EN253)
    Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (miliário anepígrafo; na margem esquerda fica a villa de Pedrões)
    Santa Susana (continua junto da villa ou vicus da Portagem, provável mutatio; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário a Caracala na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Remourinho, zona hoje submersa pela albufeira da barragem do Pego do Altar (CIL II 434; Resende, 1593: 149-150, Breval, 1726); continua na outra margem em Freixial pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscainha e Monte da Caeirinha)
    Foros do Pinheiro, S. Cristóvão (continua por Monte da Fonte da Pedra, Courela do Chaparral, Courela da Murta, Poço Novo, Venda do Mel, Alto do Outeiro Caído, Monte da Chaminé, Monte da Barbosa, Monte da Parreira e Monte das Canas)
    Monte da Prata, Casa Branca, Santiago do Escoural (miliário anepígrafo em 2 fragmentos [milha XVII?]; continua pelo Monte do Álamo, onde cruza a EN2; ara na Herdade da Igreja)
    Monte da Venda, S. Brissos (possível mutatio com dois fragmentos de um miliário anepígrafo [milha XV?]; outro miliário anepígrafo foi deslocado para a Capela de S. Brissos; continua pelo Monte da Courelinha e Monte Velho, onde cruza a ribeira de S. Brissos)
    Monte dos Andrades (miliário anepígrafo [milha XIII?]; daqui a Valverde já não há vestígios da via)
    Valverde (cruza a ribeira de Valverde na Herdade da Mitra, próximo do povoado proto-histórico Castelo do Giraldo e 600m depois, a 150m do desvio para a Anta Grande do Zambujeiro, existe um miliário anepígrafo fincado no solo junto da via, talvez in situ [milha VII?]; continua junto ao monumento comemorativo chamado "Pedra da Pinha", [milha VI?], a norte do Monte da Alfarrobeira, onde existe um miliário, [milha V?], cruza a ribeira da Viscossa e segue junto da Ermida de St. António, Qta. do Homem Morto e Qta. do Cruzeiro)
    Esparragosa (fuste de miliário anepígrafo 50m a poente do marco geodésico/moinho; continua até à rotunda do parque de campismo, onde conflui na via proveniente do Torrão, entrando na cidade pela Porta do Raimundo e seguindo pela rua do Raimundo, Praça do Giraldo, rua 5 de Outubro até à acrópole de Ebora).

    Évora (EBORA) (mansio a CXIII milhas de Olisipo e XLIV milhas de Salacia; o decumanus maximus seria a actual rua Vasco da Gama; Templo de Diana; muralha romana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro da C.M.)
    A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações ainda levantam muitas dúvidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (cerca de 75 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (14,4 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte ou da ribeira de Machede na variante sul, mas é duvidoso que estes pequenos cursos água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Évora Monte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que houvesse estações intermédias omitidas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes (Almeida et al., 2011) que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ter como caput via Mérida, a capital provincial, pelo teríamos de ler o itinerário no sentido inverso, ou seja as distãncias são indicadas a Mérida e não a Évora. A ser assim, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, hoje fazendo de fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et al., 2011). Atendendo aos dados disponíveis, o percurso a partir de Évora teria duas possíveis variantes, uma contornando a Serra da Ossa pelo norte e outra pelo sul, a primeira seguindo o corredor Évora-Estremoz e que teria uma estação em Évora Monte pois aí se achou um miliário (no sítio romano de S. Marcos), e a outra variante sul que seguia pelo vicus de Bencatel até Vila Viçosa, onde também se achou um miliário; ambas as variantes iam de encontro ao Itinerário XIV, o outro itinerário entre Lisboa e Mérida que vinha por Alter, confluindo um pouco antes de Elvas. A partir daqui não é claro se as vias seguiam o mesmo percurso até Mérida, ou se pelo contrário, esta via de Évora a Mérida seguia um percurso alternativo pela margem esquerda do Guadiana, hipótese apoiada no facto de a estação seguinte neste itinerário, Evandriana, não aparecer nos outros dois itinerários ligando Olisipo a Emerita. (vide Bilou, 2000a; Calado, 1993; Matatolo, 2001; Almeida, 2000; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2011).

    Évora a Estremoz
    Évora (sai da cidade pelo caminho rural da Qta. das Nogueiras; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira pode estar relacionada com esta via)
    Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela à linha férrea próximo da Qta. do Sande, Qta. da Retorta e Qta. da Lagardona em Garraia; no caminho de acesso ao Montinho da Piedade existem 4 possíveis miliários reaproveitados como suporte duma laje)
    Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo à linha férrea pelo Monte de Vale Figueirinha)
    Monte da Sousa da Sé (m.p. VI; um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo à linha férrea até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
    Monte do Freixo (m.p.VII; daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km)
    Castelo Ventoso (m.p. X; inscrição funerária no Monte da Machoqueira; continua pelo Monte do Almo)
    Monte da Venda, Azaruja (m.p. XII; provável mutatio dado que aqui existem 2 miliários anepígrafos partidos em 3 fragmentos além da placa funerária de Tullius Modestus, IRCP407, hoje no Museu de Évora; ara votiva a Salus na Igreja de S. Bento do Mato; continua por Monte da Torre?)
    Évora Monte (m.p. XIX; a pia baptismal da Igreja de Sta. Maria, antiga da Ns. da Conceição, reaproveita um miliário a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP674; no entanto o miliário será proveniente do sopé as proximidades do sítio romano junto da Ermida de S. Marcos, a cerca de 1 km a poente, onde poderia existir uma mansio a cerca de 19 milhas de Évora; a via passava assim na base ocidental do morro, seguindo talvez por Atafona e Roque até ao apeadeiro, continuando depois paralela à linha férrea, contornando o Outeiro Ruivo rumo à travessia da ribeira de Têra junto no Pego do Sino, antigo local de travessia onde há memória de ter existido uma ponte; daqui seguia talvez por Herdadinha, Monte das Freiras, Aldeias, Castelo, Folgado, Azenha da Estrada, Estalagem, Ermida de S. Lázaro e Ferrarias)
    Estremoz (m.p. XXX; oppidum romano? castro?; provável vicus marmorarius em torno da Capela da Sra. dos Mártires, a sul da cidade, associado a uma estrutura para contenção de água conhecida por «Tanque dos Mouros», ao km 145 da EN4; aqui poderia existir uma mutatio ou mansio dado que em 1784 apareceu num local próximo conhecido por «Horta do Agacha», um miliário talvez a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP675; também aqui apareceu um raro monumento votivo a Cibeles, a Mater Deum, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que poderia estar junto da via, IRCP440; Carneiro, 2011)
    • Ligação de Estremoz para norte: de Estremoz partiam vários caminhos para norte rumo ao Tejo cruzando os itinerários XIV e XV; a ligação a Ponte de Sor está descrita como derivação da Via XIV; a ligação a Abelterio (Alter do Chão) e Ammaia (S. Salvador da Aramenha) estão descritas na rede viária de Ammaia.
    • O miliário a Crispo, Licínio e Constantino II encontrado na necrópole de Silveirona , hoje no MNA (IRCP673), poderia ter sido deslocado desta via para Mérida, no entanto poderia antes assinalar uma via que partia de Estremoz para nordeste, talvez pelo caminho que passa a sudeste do Monte das Freiras por Silveirona e Monte da Coelha com longos troços de calçada rectilínea, continuando a poente de St. Estevão (baixo-relevo e silhares na igreja) pelo Monte da Cântara (do árabe "a ponte"), seguindo depois sempre recto entre as ribeiras dos Olivais e de Sousel até ao Monte da Albardeira, perto do qual deveria atravessar a ribeira de Sousel, seguindo depois por Fronteira até Alter do Chão (Carneiro, 2008).

    Estremoz a Elvas
    Estremoz (a via segue talvez pela actual Estrada Municipal por Mamporcão, S. Domingos de Ana Loura, passando nos topónimos viários 'Estalagem', 'Carris', 'Estalagem da Raposa' e 'Venda do Ferrador', até atingir a povoação de Orada onde cruza a ribeira de Alcaraviça, seguindo depois pelo caminho do cemitério que seguia junto do arruinado Monte da Presa, mas todo este troço foi destruído pela actividade agrícola, reaparecendo mais adiante como divisória entre os concelhos de Elvas e Monforte a sul da Serra de Aires, continuando por 5 km por um troço ainda bem preservado da via até ao Monte de Alcobaça)
    Herdade de Alcobaça (m.p. XLIII; dois miliários, um é dedicado a Caracala e está hoje no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, IRCP679, e o outro é um miliário a Diocleciano e Maximiano indicando 65 milhas a Mérida, IRCP670, hoje no MNA, indiciando que esta região estaria já em território Emeritense; a via cruza a casas do monte e segue por mais 5 km até Alcarapinha)
    Monte de Alcarapinha (m.p. XLVI; necrópole e fragmento de um miliário ilegível junto da esquina do monte reutilizado como marco divisório)

    Atalaia dos Sapateiros (m.p. XLVIII; na base do povoado deveria existir uma estação tipo mutatio ou mansio de apoio à via; no seu trajecto para Elvas a via margina as villae do Monte de S. Romão/Serra Branca, Carrão e Trinta Alferes, seguindo junto do Monte das Casas Velhas, Monte do Menino d'Ouro e Calçadinha, significativo topónimo viário que assinala a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas e local de confluência com a via proveniente de Alter do Chão por Monforte; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
    • Miliários: André de Resende refere dois miliários hoje desaparecidos «in agro Stermotiensi, non procul a pago Borbacena», ou seja «na região de Estremoz, não longe de Barbacena» que poderiam integrar este Itinerário XII, designadamente um miliário a Caracala (IRCP661), e o miliário a Heliogábalo (IRCP663), este com a inscrição completa, lendo na última linha «[Eb]ora m.p. XXII», ou seja 22 milhas a Évora (Resende, 1593:154-155); esta leitura é muito duvidosa porque as milhas indicadas são insuficientes para percorrer a distância entre Évora e Barbacena pelo que muitos autores como Emil Hübner considerou-a falsa; no entanto é possível que a indicação miliária esteja correcta, indicando não a distância a Évora mas à mansio de Ad Atrum Flumen presumivelmente localizada junto do rio Xévora, o que corresponde à distância deste local ao Monte de Alcobaça, onde aliás apareceu um miliário também com a contagem das milhas no sentido Mérida - Évora (2018).
    • Ligação a Campo Maior: é possível que do nó viário da Atalaia dos Sapateiros partisse uma via para nordeste rumo a Campo Maior de encontro aos Itinerários XIV e XV, seguindo talvez pelo Monte dos Trinta Alferes e a sul de S. Vicente pelo Monte do Ruivo, Monte do Lemos, Horta do Rangem (casal rústico), Torre da Sequeira, Alto da Azinheira e Caseta de Safardel, marginando no seu percuro os fundi da magnífica villa das Qta. das Longas a sul e da villa do Monte da Silveira a norte (referência a uma calçada), continua pelo Monte da Baloca e Monte do Rico rumo à travessia do rio Caia na Horta do Caia, passagem dominada pelo importante Castro de Segóvia, seguindo depois rumo a Campo Maior e de encontro às vias para Emerita Augusta.

    Elvas (m.p. LIV; a via seguia pelo Chafariz de El-Rei e Horta da Cabeça para depois contornar a elevação de Elvas pelo vertente norte, continuando por Horta do Moreno, junto da necrópole de Papulos, e Torre da Fonte Branca, onde apareceu duas aras de um santuário dedicado a Proserpina; a partir daqui o percurso é incerto pois depende do local onde se fazia as travessias dos rio Caia e Guadiana; admitindo a travessia deste último junto de Badajoz, a sul da confluência do rio Xévora, a via poderia seguir próximo da estrada actual rumo à travessia do rio Caia a sul do Monte das Caldeiras onde apareceu uma inscrição funerária de Festivus, e a norte da villa de Alfarófia , num local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte que é noticiada em 1926 já em ruína (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).

    AD ATRUM FLUMEM (mansio a 38 milhas de Mérida)
    Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», distava 38 milhas de Mérida, o que coloca esta mansio junto da confluência do rio Xévora/Gévora no Guadiana, junto a Badajoz; outra possibilidade seria cruzar o rio 6 km mais a norte, junto da actual povoação de Gévora, dado a aqui apareceu um miliário a Carino provavelmente da milha 37 (Almeida et al., 2011). A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com as vias XIV e XV, os outros dois itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita; por outro lado temos um miliário a Magnêncio indicando 16 milhas junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montigo, Badajoz), sítio que estaria na margem esquerda do rio em época romana, mas que hoje está na margem direita devido a importantes alterações do curso do Guadiana. Consequentemente deverá procurar-se as mansiones de Evandriana, a 9 milhas de Mérida e de Dipo, a 26 milhas, na margem esquerda do Guadiana, respectivamente nas imediações de Torremayor e Talavera la Real. (Gorges e Martín, 1999)

    Travessia do rio Guadiana (Anas)
    Badajoz (segue talvez pelo designado «Camiño Viejo» por Atalaya, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)
    DIPO (talvez em Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguia depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón)
    EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez na villa romana de La Floriana em Torremayor)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

      Variante sul Évora-Elvas por S. Miguel de Machede, Bencatel e Vila Viçosa (3 miliários)
      É possível uma variante partindo de Évora que seguia mais a sul passando em S. Miguel de Machede e Redondo e que ia entroncar na via principal já próximo de Elvas.
      Évora (saía da cidade pela medieval Porta de Machede e seguia talvez pela Qta. da Retorta, onde desviava para nascente pelo Bairro do Degebe, calçada da Qta. dos Altos e da Qta. Velha, atravessando o rio Degebe no sítio do "porto" onde há calçada; em alternativa, saía de Évora pela Qta. da Comenda, onde atravessava o Xarrama, seguia pela EN254 junto da Capela de Sta. Bárbara do Degebe e pela calçada da Qta. do Lobo, atravessando o rio Degebe no vau lajeado junto ao Monte de Mauriz e seguia pela calçada da Qta. das Rosas, reencontrando-se em Fonte Boa do Degebe; também é possível um desvio por Câmaras onde há calçada)
      Herdade da Fonte Boa do Degebe (segue para nordeste, passando próximo do marco geodésico das Pedras Brancas)
      Travessia da ribeira de Machede (seguiria próximo do Monte da Amendoeira e da villa do Monte da Barrosinha, onde André Carneiro achou um fragmento de um miliário anepígrafo que estava no caminho de acesso ao monte ao km 41 da EN254, entretanto desaparecido(!), seguindo depois próximo do sítio romano da Herdade da Morgada de onde provém uma placa funerária, FE 120, classificada como villa mas que poderia ser uma mutatio da via para Mérida, tendo Vasco Mantas localizado a mansio de Ad Atrum Flumen neste local, o que não parece viável à luz de estudos de Maria José Almeida; Mantas, 2012; MJ Almeida, 2000)
      S. Miguel de Machede (segue a norte da povoação pelo Monte do Taful, Monte do Almo e da Aldeia, onde existe um miliário anepígrafo)
      Travessia da ribeira da Pardiela (algures entre o Monte da Teixeira e os Foros do Queimado, pela EN254)
      Redondo (antigo albergue na Venda do Redondo; 500m adiante, ao Km 27 da EN254, toma o caminho à esquerda pelo estradão de terra que segue para o Monte do Hospital, passando assim a noroeste da vila; continua junto do fortim romano do Fortim Romano de Monte do Almo, localizado na pequena elevação junto ao monte, provável posto de controlo da via, no ponto de travessia da ribeira de S. Bento, continuando a direito para o Monte da Fonte da Cal, da Amendoeira, de Rial, atravessa a EN381 e segue para Horta da Velinha até entroncar na EN254 ao km13, seguindo por esta para Bencatel)
      Travessia da ribeira de Lucefecit (em Galvões?)
      Bencatel (vicus no sítio de «Vilares», na Herdade da Galharda de onde provém a inscrição dedicada a Fontano e Fontana que estava junto da Fonte Terrenha no sítio da «Azenha/ Aldeia das Freiras», CIL II 150, IRCP438; este povoado explorava as pedreiras romanas para extracção de mármore em Monte do Regoto, da Lagoa, d'El-Rei e Herdade da Vigária, esta destruída nos anos 70)
      Vila Viçosa (miliário a Constantino Magno achado nas redondezas, mas em sítio impreciso, IRCP676, hoje no Museu Arqueológico local que guarda também o miliário do Monte de Alcobaça)
      • Em Vila Viçosa, a via cruzava com uma outra vinda de Estremoz rumo à travessia do rio Guadiana em Juromenha, descrita no Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha.
      • A via poderia continuar por Terrugem (povoado no outeiro de St. António), passando nas proximidades do vicus do Monte da Nora, provável estação viária tipo mutatio hoje destruída pela construção da EN4 e trabalhos agrícolas, de encontro ao Itinerário XII no nó viário da Atalaia dos Sapateiros ou mais adiante no Chafariz de El-Rei, seguindo depois por Elvas rumo a Mérida.

      Diverticulum para Juromenha por Alandroal (vide Calado, 1993, e Calado e Matatolo, 2001)
      Poderia existir também uma variante que desviava da anterior nas proximidades de Redondo e seguia para leste rumo a Alandroal e Juromenha, servindo as explorações mineiras da região; esta via deveria passar próximo do Fortim Romano do Caladinho, atravessava a ribeira de Lucefecit junto do Moinho da Sra. da Fonte Santa/Monte da Estacaria ou a jusante na Ponte do Monte da Fonte dos Ouros (cronologia insegura) e depois por Fonte Velha para Alandroal (hoje EN373), passando nas proximidades de dois importantes locais de culto, o Santuário Rupestre da Rocha da Mina e Santuário de S. Miguel da Mota, este dedicado ao Deus Endovélico e cujo templo terá sido desmantelado para a construção da Capela (as muitas aras e estátuas recuperadas daqui foram levadas por Leite de Vasconcelos para o MNA, excepto uma que serve de altar na Igreja da Ns. da Boa Nova junto a Terena; o acesso faz-se a partir do Alandroal ao Km 5,6 da EN373, seguindo o estradão de terra que leva ao Monte de S. Miguel da Mota).

      Em Alandroal a via deveria passar próximo da villa da Tapada de Vilares (na Carta Arqueológica do Alandroal, Calado indica a azinhaga que atravessa a villa como possível via romana; ver Calado, 1993). A partir daqui é provável que derivasse uma via para Bencatel, uma ligação a Vila Viçosa (passando no vicus marmorarius designado outrora como «Vilares», compreendendo a ermida de S. Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e «Fonte da Moura», local onde apareceu um altar votiva de Canidius, IRCP375, hoje no Museu de Vila Viçosa) e para leste rumo ao rio Guadiana em Juromenha. Esta rede viária estaria muito ligada à exploração de mármores da região; uma outra via no sentido N-S servia também a actividade mineira oriunda pelo menos desde Capelins que ia atravessar a ribeira de Lucefecit junto do fortim romano do Outeiro dos Castelinhos (importante estrutura romana ao abandono!), seguindo por Rosário, Mina do Bugalho, S. Brás dos Matos e Juromenha (onde podia atravessar o Guadiana; povoado na Malhada das Mimosas; tessera hospitalis em bronze), seguindo um ramal para o vicus do Monte da Nora em Terrugem (passando entre os casais rústicos do Monte do Outeiro, da Aboboreira e da Queimada em Ciladas) e outro na direcção de Elvas, confluindo todas nos eixos principais rumo a Mérida.

    VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII

    Mapa







































    ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)
    Alio itinere ab
    OLISIPONE EMERITAM

    ARITIO PRAETORIO
    ABELTERIO
    MATUSARO
    AD SEPTEM ARAS
    BUDUA
    PLAGIARIA
    EMERITA

    m.p. CLIIII
    m.p. XXXVIII
    m.p. XXVIII
    m.p. XXIIII
    m.p. VIII
    m.p. XII
    m.p. VIII
    m.p. XXX
    Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita algumas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no I.A. Desde logo a distância entre Lisboa e a primeira estação indicada, Aritio Praetorio, nunca poderia ser de apenas 38 milhas como sugere uma leitura sequencial do itinerário, sendo mais provável que duas primeiras estações, Ierabriga e Scallabis, tenham sido omitidas no itinerário, dado que essas estações já são indicadas quer no Itinerário XVI quer no Itinerário XV. Assim a mansio de Aritio Praetorio estaria a 38 milhas não de Olisipo mas de Scallabis, o que coloca esta estação viária nas imediações da Herdade de Água Branca de Cima, onde há vestígios romanos, dado que este local fica a precisamente 38 milhas de Almeirim e a 28 milhas de Alter do Chão, estando portanto de acordo com as distâncias apresentadas no itinerário (vide Carta Arqueológica do Concelho de Abrantes). Inicialmente este itinerário seguia pela via romana de Olisipo a Bracara Augusta descrita no Itinerário XVI até Scallabis, hoje Santarém, cruzando aí o rio Tejo para Almeirim e seguindo depois pela margem esquerda atingia Alpiarça, onde inflectia para leste e subia ao planalto Alentejano passando pela estação de Aritio Praetorio rumo à travessia da ribeira de Sor que seria cruzada no ponte romana que dei o nome à povoação de Ponte de Sor; cruzada a ribeira a via seguia rumo a Abelterio, mansio hoje definitivamente localizada em Alter do Chão, atravessando pelo meio a magnífica Ponte Romana da Vila Formosa sobre a ribeira da Seda; a estação seguinte, Matusaro, localizada a 24 milhas de Alter do Chão poderia situar-se a sul de Arronches junto da travessia do rio Caia, e 8 milhas adiante atingia a estação de Ad Septem Aras que deverá situar-se a norte da aldeia de Ns. da Graça de Degolados; daqui a via seguia por Campo Maior com nova mutatio rumo à travessia do rio Xévora junto do qual se deverá localizar a mansio de Budua a 12 milhas de Ad Septem Aras e a 8 milhas de Plagiaria que deverá situar-se nas imediações de Novelda del Guadiana, provavelmente no sítio romano «El Pesquero», local que por sua vez dista cerca de 30 milhas de Mérida, acertando assim todas as distâncias indicadas no Itinerário XIV de Antonino desde o porto de Olisipo e a sua capital provincial. Ao longo desta rota que funciona como coluna vertebral da rede viária romana surgem vários diverticula ligando quer a norte rumo ao rio Tejo quer a sul de encontro à via romana que corria por Évora, Estremoz e Elvas também rumo a Mérida, o chamado Itinerário XII de Antonino (2018).

    Lisboa (OLISIPO)
    Alenquer (IERABRIGA a 30 milhas)
    Santarém (SCALLABIS a 32 milhas)

    Itinerário de Santarém a Ponte de Sor
    Santarém (partindo da Porta de Atamarma, demolida em 1865, descia pela «Calçada de Atamarma» a Ribeira de Santarém onde cruzava o rio Tejo e Vala Velha de Terrugem sobre a qual existiria segundo Francisco d'Hollanda uma «ponte de fundação romana» hoje desconhecida)
    Almeirim (a via romana margina o acampamento militar do Alto dos Cacos, situado na margem esquerda do Paúl do Vale de Peixes, continuando depois sob a actual EN118, percurso pontuada pelos miliário da Fábrica de Tomate, os 2 miliários de Goucharia e o miliário da Qta. da Goucha, seguindo depois pela Qta. dos Patudos)
    Alpiarça (m.p. II; acampamento militar romano do Alto de Castelo, controlando a via; em Alpiarça, a via abandonava a margem esquerda do rio Tejo e rumava para nascente rumo a Ponte de Sor penetrando no 'hinterland' Alentejano; a via percorre o caminho que acompanha a linha de festo a fim de evitar a travessia os vários cursos de água da região, seguindo pelos altos do Sartel, Ameixial, Sete Sobreiros, Canavial, Perna Seca, Santa Maria, Anafe, Caniceira e Aranhas, na divisão entre os concelhos de Chamusca e Abrantes, marginando depois as nascentes da ribeira de Ulme/ rio Alpiarça, até entroncar na via romana proveniente de Tomar junto da Lagoa do Junco, local onde vencia a milha 32)
      Miliários referidos por Resende: No século XVI André de Resende enumerou um total de 16 miliários ao longo deste trajecto até à «encruzilhada das Mestas» (Resende, 1593:151-170); apesar de apenas indicar a localização dos miliários na encruzilhada da «Venda das Mestas», é possível determinar os locais de implantação dos restantes atendendo à sequência com que são descritos:
    • m.p. XXIX: 4 miliários, um deles a Maximino, CIL II 439.
    • m.p. XXX: 3 miliários, um a Trajano, outro a Tácito, CIL II 4636=IRCP666, e um terceiro onde apenas leu «restitutor urbis», CIL II 4634=IRCP660a; este local corresponde ao alto de Aranhas de Cima.
    • m.p. XXXI: 3 miliários, um deles a Tácito, CIL II 4635=IRCP665.

    • Miliários deslocados: há vários fragmentos de miliários deslocados da via romana para servir de marcos divisórios:
    • Aranhas de Cima: miliário a 48m do marco divisório nº 30 do concelho.
    • Tojeiras de Cima: miliário junto do marco divisório nº 28 do concelho.
    • Foz: miliário na berma da rua da «Estrada Velha» para a Venda das Mestas, servindo de marcos divisórios; 100m adiante existe um outro fragmento e logo depois um terceiro fragmento.
    Lagoa do Junco (m.p. XXXII; Resende refere 2 miliários lendo num deles «co(n)s(ul) / IIII proco(n)s(ul) / refecit», CIL II 4637=IRCP678)
    Venda das Mestas (m.p. XXXIII; possível mutatio a meio caminho entre Poiso e Água Branca de Cima também designada por Cevo de Muge e Sete Azinheiras; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas" nas chamadas "Mestas"; Resende refere 4 miliários «junto à encruzilhada a que chamam Mestas», um deles a Maximino e Máximo)
    Alto da Abegoaria (m.p. XXXIV)
    Lagoa da Extrema do Copeiro/Barreiro (m.p. XXXV; possível mutatio a meio caminho, 3 milhas, entre Venda das Mestas e Água Branca de Cima; a via continua até ao geodésico de Vale do Zebro onde entronca na EN2, ao km 425, com a milha 37 a ser vencida próximo do km 426)

    ARITIO PRAETORIO m.p. XXXVIII
    A estação viária de Aritio Praetorio deveria situar-se nas proximidades do Monte de Água Branca dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas a Santarém e 28 milhas a Abelterio; todo o vale da Herdade de Água Branca de Cima apresenta vestígios romanos que deverão estar associados à função viária; no marco geodésico de Água Branca Mário Saa ainda viu vestígios de rodados na via, inflectindo aqui para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos que poderia ser um posto de controlo ou statione; a via continuava sob a EN2 pelo Alto do Padrãozinho, possível referência a um marco da estrada e entrava na cidade de Ponte de Sor pela estrada de Foros de Domingão.

    Ponte de Sor (m.p. XLV; no século XVI Bronseval refere uma pontem lapideum possivelmente romana da qual restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE 162)

    Itinerário de Ponte de Sor a Alter do Chão
    O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu percurso que inclui a passagem na monumental ponte de Vila Formosa (vide Pereira, 1912 e 1937; Saa, 1956; Alarcão, 2006a; Carneiro, 2008 e 2010); logo após Ponte de Sor temos um miliário a Probo talvez da milha 46, IRCP668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos no «Monte dos Casamentos», na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu; daqui seguia pelo «Vale da Rainha» e Monte de Cabeceiros, com um miliário anepígrafo talvez da milha 48, seguia depois junto do miliário de «Coutadas» onde apenas de lê CONSTA... e do miliário da «Torre das Vargens» onde apenas de lê as letras AV[…]CO, até à Capela da Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário a Tácito, IRCP666a, que está hoje em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; referência a outros possíveis miliários em «Vale do Contador» (?) e «Camoa» (?); continua pelo Monte do Freixial, onde apareceu uma coluna honorífica e possível miliário onde apenas se lê BONO R P rumo ao sítio romano da Fonte da Cruz, provável mutatio onde apareceu um miliário talvez a Maximiano, RP 6/95, e mais quatro fragmentos, num dos quais ainda se lia IMP CAE e um miliário anepígrafo junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, 500 m a montante da Fonte da Cruz; Frei Bernardo de Brito, transcrevendo André de Resende, faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» dedicado a Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», ou seja marcaria 96 milhas a Mérida, distância que corresponde a esta mutatio; daqui a via atravessava a herdade do Vale da Estrada, passava a norte do Alto de S. Marcos, junto de um sítio romano onde apareceu um miliário com inscrição talvez da milha 54, seguindo depois paralela à EN119 por Lameira, novo miliário, e pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário anepígrafo in situ talvez da milha 56.

    Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (a ponte romana melhor conservada do sul de Portugal com 6 arcos de volta perfeita e a única que ainda mantém o lajeado original da faixa de rodagem; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada/Selada, partido e talvez deslocado da milha 63 no Monte do Ensopado, outro no «sítio da Celada», o miliário em Vale Perlim/ Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via continuava na outra margem junto do sítio romano de Santa Luzia, possível mutatio, percorrendo depois terrenos da Herdade do Monte Redondo e marginando os sítios romanos da Casa de Alvalade e do Monte da Porra, seguindo depois pelo Alto do Vale da Pia, cruza o IC3 em Arribada das Colmeias, onde há vestígios de um troço lajeado, e segue pelo caminho público que delimita a Coudelaria de Alter Real; Carneiro, 2011)

    ABELTERIO m.p. LXVI
    mansio definitivamente localiza em Alter do Chão onde apareceu um miliário a Constâncio Cloro hoje numa casa particular (FE 374); a via continuava sob a actual EN369, passando junto da necrópole da rua da Misericórdia e não longe da importante villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol onde subsistem relevantes vestígios; seria o edifício da mansio?; calçada na Herdade da Torrejana.

    Itinerário de Alter do Chão a Assumar pela «Estrada do Alicerce»
    A via romana continuava para Arronches pela chamada «Estrada do Alicerce», deturpação do termo árabe «al-rasif», velho caminho que assenta sobre a via romana e ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e a sul de Arronches rumo a Degolados, perto da qual deverá ser situada a mansio da Ad Septem Aras, ainda hoje delimitando os concelhos de Alter do Chão, Crato, Monforte e Portalegre; em 1937, Félix Alves Pereira descreve o percurso pelos topónimos Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Monte da Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937); Mário Saa por sua vez indica um percurso por Chancelaria, Ribeiro do Freixo, Ronha, Bedanais, Caldeireiros e Monte Grande até Assumar (Saa, 1958). Recentes estudos de André Carneiro permitiram uma melhor definição do percurso e abre possibilidades para a sua valorização (Carneiro, 2004, 2011). Partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste sempre recto, passando a norte do Monte dos Tapadões, entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, até à Horta do Pote onde inflecte para nordeste pelo Monte do Carrão e Cascalheira, topónimos viários, passa na base do Alto de S. Martinho, cruza a ribeira da Navalha e segue rumo ao Monte da Chancelaria, daqui desce à ribeira do Freixo cruzando a linha férrea no sopé da elevação da Cabeça Alta, continua a sul do Monte da Silveira e do Monte da Chaminé, cruza o IP2 e continua pelo caminho que margina o sítio romano do Monte dos Escudeiros situado a sul do Monte do Alcaide, onde entronca na EM1099, seguindo por esta pelo Monte das Canas, onde há marcas de rodados, até à Fonte da Vila.

    Assumar (m.p. LXXXII; contorna a povoação pelo norte e continua pela «Estrada do Alicerce» que corresponde ao estradão em terra que segue paralela à linha férrea e que serve de linha divisória entre os concelhos de Monforte e Arronches, atingindo a milha 84 no cruzamento com o caminho de acesso ao Monte Joana Dias).

    Arronches (continua entre a Qta. do Carrefe, provável deturpação do topónimo viário «Arrecefe», e o Monte da Torre, marginando um sítio romano designado por «Estalagem», possivelmente associado a uma mutatio na milha 86, seguindo depois pela encruzilhada de Belmonte/Alto da Safra/Monte d'El-Rei, continuando pelo Monte da Tapada do Diogo, cruza a EN246 e segue rumo ao Porto das Escarninhas onde cruzava o rio Caia numa ponte da qual restam alguns silhares no leito do rio).

    MATUSARO m.p. XC
    Neste local a sul de Arronches, também conhecido por «Porto do Caia» ou «Porto das Escarninhas», a via romana cruzava o rio Caia na «Ponte Velha», existindo pouco antes vestígios de uma estação romana num local onde recentemente apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos viandantes, FE606, sugerindo uma possível localização da mansio neste local, mas os parcos vestígios e ausência de termas não permitem ainda uma localização definitiva (Carneiro, 2011, 2014).

    Itinerário de Matusaro a Ad Septem Aras
    A via romana continua próximo do Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco, Monte Folinhos e Monte de Revelhos, onde no caminho de acesso existe o fuste de um possível miliário como marco de propriedade; cruza a ribeira de Revelhos junto da arruinada Igreja de S. Bartolomeu, provável villa ou estação viária onde apareceu uma ara votiva a Libera, IRCP567; a via continua para leste marginando a norte o Monte da Calaça e Monte da Corredoura e a sul o Monte da Granja do Peral, onde existe outro possível miliário, continua pela base do Alto de Perdigão a norte do Monte dos Judeus, seguindo rumo ao Alto dos Morenos onde cruza a EN371, local situado na divisória concelhia, continuando pelo estradão até ao Posto Fiscal de Azeiteiros (Carneiro, 2011, 2014).

    AD SEPTEM ARAS m.p. XCVIII
    Designada literalmente como «junto das sete aras», esta estação viária a 32 milhas de Alter do Chão estaria localizada próximo da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados num local designado por «Posto Fiscal de Azeiteiros» onde existe um possível miliário; daqui partia um diverticulum para a mina romana do Monte Alto; a mansio deveria situar-se nas proximidades da aldeia de Degolados, dado o aparecimento de importantes vestígios romanos nas suas redondezas, tal como a ara de Valgius dedicada a Belona encontrada na extinta ermida de Santa Catarina na Herdade de Alentisca, zona hoje submersa pela Barragem do Caia (FE 207) e as lápides funerárias da Herdade do Almeida e das Terras da Aldeia, mas a sua localização precisa continua desconhecida.

    Itinerário de Ad Septem Aras a Budua
    No Posto Fiscal de Azeiteiros, a via deveria bifurcar em duas variantes rumo à estação seguinte Budua, localizada junto da actual Ermida de Nuestra Señora de Bótoa, uma passando no vicus de S. Pedro em Campo Maior e outra seguindo para a importante Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora que apesar de arruinada ainda apresenta impressionantes alicerces sem dúvida romanos que pressupõe um ponte com baste envergadura para vencer o antigo leito do rio que foi entretanto desviado. Ambas as variantes são pontuadas por vestígios romanos percorrendo sensivelmente a mesma distância a Budua, cerca de 12 milhas conforme indicado no I.A. (Carneiro, 2011).
    • Variante pela Ponte da Enxara
      Partindo do nó viário de Azeiteiros, segue pelo Monte do Marco Alto, Monte de Adães, Monte de Cevadais, passa a sul de Ouguela por Taqual, continua pela Tapada da Pombinha (epitáfio e estatueta de Marte em bronze, hoje no MNSR ) rumo à Ponte Romana da Ns. da Enxara sobre o rio Xévora em Ouguela, com vários sítios romanos nas proximidades da ponte como Malha-Pão, Enxara, Lapagueira e Defesinha (ara votiva a Dea Sancta) (Carneiro, 2011); depois de cruzar o Xévora, a via inflecte para sul de encontro à mansio de Budua (?).

    Itinerário XIV de Degolados a Campo Maior
    Derivando da anterior no Monte do Marco Alto, provável referência a um miliário, a via inflectia para sudeste pela Malhada dos Covões e marginando a importante villa do Monte das Argamassas.
    Campo Maior (m.p. CIII; vicus e mutatio junto da Ermida de S. Pedro dos Pastores, onde aparecerem muitos vestígios romanos entre os quais dois miliários, um miliário a Domiciano (?), regravado, onde se lê «EMERITE», hoje no Museu Municipal, FE 114, e um miliário a Severo Alexandre, actualmente desaparecido onde se leria 53 milhas a Mérida; FE 115; no entanto, atendendo a que distância entre Campo Maior e Mérida não ultrapassa as 43 milhas, é muito provável que a transcrição que chegou até nós esteja errada omitindo o numeral «X» inicial que daria «XLIII» milhas e não as «LIII» milhas referidas. Admitindo este acerto, a marcação miliária ajusta-se ao terreno, com a mutatio de S. Pedro a 5 milhas de Ad Septem Aras em Ns. Da Graça dos Degolados e a 7 milhas de Butua localizada junto da travessai do rio Xévora, ou seja perfazendo as 12 m.p. indicadas no Itinerário de Antonino).

    Itinerário XIV de Campo Maior a Budua: Do vicus viário de Campo Maior a via dirigia-se para nascente rumo à mansio de Budua, seguindo talvez sob a estrada actual pelo Alto da Defesa de S. Pedro, Monte da Cabeça Gorda, Cancelinha, Monte do Bicho, junto da m.p. CVI, passando assim a norte da villa do Monte do Muro (barragem ainda bem preservada); continua junto do Monte do Xévora e próximo da villa do Monte do Castro (onde existem 2 aras anepígrafas no pátio do monte), cruza a fronteira num local assinalado por um marco fronteiriço, possivelmente reutilizando um antigo miliário dado que neste local a via vencia a milha CIX (Carneiro, 2011).

    BUDUA (m.p. CX; localizada no sítio dos Casarões da Misericórdia onde existiam importantes vestígios de estruturas romanas, hoje destruídos por trabalhos agrícolas; daqui continua para a travessia do rio Xévora no «Rincón de Gila», junto da sua confluência com o rio Zapatón, m.p. CXI, seguindo depois junto da Ermida de Nuestra Señora de Bótoa na m.p. CXII, em direcção à mansio Plagiaria situada em La Novelda del Guadiana e perfazendo as 8 milhas indicadas no Itinerário de Antonino)
    PLAGIARIA (m.p. CXVIII; a mansio estaria no sítio romano de «El Pesquero» em La Novelda del Guadiana onde há o topónimo «calle de la Calzada»; daqui percorria 30 milhas até Mérida, seguindo hipoteticamente por Valdelacalzada, Puebla de la Calzada, Torremayor e La Garrovilla)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida, caput via a 148 milhas de Santarém)


    Derivações do Itinerário XIV
    Itinerário de Alter do Chão a Elvas por Monforte
    Seguramente que existia uma via romana entre Alter do Chão e Monforte seguindo em direcção à estação viária do Monte das Esquilas, podendo daqui continuar rumo a Elvas, interligando assim o Itinerário XIV com o Itinerário XII que corria mais a sul, entroncando com a via para Mérida no nó viário da Atalaia dos Sapateiros, ou mais adiante em Calçadinha já muito próximo de Elvas. Os possíveis itinerários são indicados a seguir (vide Carneiro, 2004, 2008 e 2011).

    Alter do Chão (segue por trajecto incerto até Alter Pedroso onde inflecte pela chamada «Estrada de S. Domingos», uma azinhaga com vários troços ainda em calçada que passa 500m a nordeste da importante villa da Qta. do Pião e a sudoeste da villa sob as ruínas da Igreja de S. Pedro, seguindo pela Horta da Fonte de Vide e pela vertente poente do marco geodésico do Monte das Ferrarias, junto da Tapada de Vaz)
    Cabeço de Vide (a oeste existe o fortim romano da Malhada das Penas talvez relacionado com o controlo da via; ao chegar à vila, a via entronca na rua de Santo Mártir; cortando à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao Balneário Romano das Termas da Sulfúrea, de onde será proveniente a inscrição às Ninfas que apareceu na Igreja de Santa Maria, CIL II 168, hoje desaparecida; no entanto a via seguia à esquerda para ir atravessar a ribeira de Vide junto da Qta. da Ponte, onde há notícia de sulcos de rodados no sítio de Arrociada, continuando na outra margem por Horta da Calçadinha, cruza a linha férrea e segue o caminho designado por Mário Saa como a «Estrada dos Castelhanos» em direcção ao Monte dos Merouços, passando junto dos vestígios de uma possível mutatio e marginando o fundus da importante villa da Horta da Torre; pouco depois cruza a ribeira do Carrascal junto do Monte da Fonte Santa, na base do povoado indígena do Castelo do Mau Vizinho, e continua pelo Monte da Caniceira, servindo a partir daqui de divisória entre os concelhos de Fronteira e Monforte, passando próximo do Monte do Fidalgo)
    Vaiamonte (continua a poente da povoação, contornando o povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há vestígios de assentamento militar romano, continuando por Monte da Cabecinha, ribeira do Pau, Monte da Matança e próximo na necrópole do Monte do Pombal, passando assim a poente da monumental Villa romana da Torre de Palma, hoje aberta ao público, onde apareceu uma ara a Marte; a via continua para sudeste rumo à travessia da ribeira Grande, no entanto não é seguro que a travessia na época romana se fizesse na Ponte Medieval da Vila que não apresenta sinais de romanidade)
    Monforte (o fortim de Beiçudos e o recinto-torre do Outeiro da Mina poderão estar relacionados com essas vias; seguia talvez por Monte das Ferreirinhas, Herdade dos Guerros, Horta da Palmeira, Monte do Passeiro)

    Monte das Esquilas (MATUSARO?) (num outeiro próximo Mário Saa achou uma rara ara consagrada aos Lares Viales, ou seja aos «Deuses Viários» que faria parte de um santuário junto da via romana, hoje no seu Museu do Ervedal; a forte possibilidade de existência de uma estação viária a cerca de 24 milhas de Alter do Chão sustentam a hipótese de situar aqui Matusaro; vide Encarnação, 1995; Mantas, 2010; no entanto a direcção da via NO-SE sugere a sua continuação para Elvas e não uma inflexão para leste rumo a Campo Maior, onde presumivelmente passaria o Itinerário XIV, uma volta desnecessária e que aumenta a distância para além do indicado no I.A.; 2018).
    • Itinerário de Esquilas a Elvas: a via continuava para sudeste seguindo inicialmente paralela à EN243 pelo Alto das Malhadinhas, cruzando a ribeira da Coutada (inscrição) rumo a Barbacena (placa funerária de Atilia na Herdade de Fontalva; FE592), continuando depois junto do Alto de Pena Clara, passando na Herdade dos Campos ou Monte de Genemigo, onde apareceu um miliário a Caracala (IRCP662), continuando pelo Monte dos Pequeninos e Monte das Armadas até ao cruzamento com a via XII junto do povoado da Atalaia dos Sapateiros.
    • Itinerário de Esquilas ao Monte de Alcobaça: das Esquilas também deveria partir uma via romana para sudoeste cruzando com o Itinerário XII no Monte de Alcobaça, atendendo ao miliário que apareceu junto do chafariz do Monte da Torre do Curvo, posteriormente levado para o Museu Municipal António Tomáz Pires em Elvas que entretanto encerrou (!); a via seguiria pelo Monte da Fonte Branca (tégula), Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro (controlo da via?) rumo ao Monte da Torre do Frade, onde cruza a ribeira da Colónia, continuando depois junto do Monte da Torre do Curvo onde apareceu um miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo (CIL II 441 = IRCP664) a 6 milhas do Monte das Esquilas; daqui continuava pelo Monte da Aldinha e Monte dos Pereiros, acompanhando a ribeira de Tira-Calças até ao Monte de Alcobaça, onde cruzava a via principal para Mérida; esta via que em grande parte divide os concelhos de Monforte e Elvas continuaria para sul pelo Alto do Alcaide, junto do Monte da Misericórdia, onde poderia bifurcar, seguindo um ramo pelo Monte da Atouguia e Monte do Montinho até Terrugem enquanto o outro ramo seguia pelo Monte da Rebola até ao vicus e provável mutatio do Monte da Nora em Terrugem, percorrendo em ambos os casos 12 milhas desde o Monte das Esquilas; o percurso é ladeado por dois recintos-torre, Monte da Misericórdia e Monte da Ordem, possivelmente relacionados com o controle militar da via.

    Itinerário de Ponte de Sor a Juromenha por Estremoz (Ribeiro, 2006)
    É possível a existência de um itinerário romano derivando do Itinerário XIV em Ponte de Sor e seguindo para sudeste rumo a Estremoz, onde cruzava com a Via XII Ebora-Emerita, continuando depois por Borba e Vila Viçosa rumo à travessia do rio Guadiana junto de Juromenha; inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila, junto da Capela de Ns. de Entre-Águas (vários materiais romanos reutilizados na sua construção como o epitáfio de Lobesa encastrada na parede, CIL II 165, e um possível miliário a servir de coluna; seria uma villa?), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), Poço das Grandezas (junto da via), Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da Capela da Defesa de Barros; em Maranhão, no sítio do Castelo, junto da villa de Bembelide, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, hoje no Museu de Avis, FE 206), continua por Vale da Telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano, continuando depois entre o Povoado de S. Bartolomeu e a villa da Torre do Álamo/Torre de Camões, margina a importante villa de Sta. Vitória do Ameixial e continua a sul da EN245 pelo caminho que margina os montes das Freiras, da Estrada, da Folgada, do Carraço/Venda da Porca e o Monte da Cerca até tocar a linha férrea, onde inflecte para sul, contornando o outeiro de Estremoz pelo poente até ao vicus da Sra. dos Mártires, onde deveria existir uma mutatio da Via XII; esta via poderia ter continuidade para sudeste passando por Borba (villa da Cerca; ara a Quangeius Turicaeco, FE 174), Vila Viçosa (rua da Carreira?), S. Romão de Ciladas, Forte do Conde e Juromenha, onde atravessava o Guadiana, rumo a Olivença.

    VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX

    Mapa




    ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Monte da Pedra (Fraxinum?) - Mérida (EMERITA)
    Item alio itinere ab
    OLISIPONE EMERITAM

    IERABRIGA
    SCALLABIN
    TUBUCCI
    FRAXINUM
    MONTOBRIGA
    AD SEPTEM ARAS
    PLAGIARIA
    EMERITA

    m.p. CCXX
    m.p. XXX
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXXII
    m.p. XXX
    m.p. XIIII
    m.p. XX
    m.p. XXX
    O percurso deste itinerário para Mérida continua envolto em dúvidas devido à problemática localização das suas estações intermédias. Na sua parte inicial o trajecto é comum ao Itinerário XVI entre Lisboa e Braga até Santarém onde cruzava o rio Tejo para Almeirim tal como o Itinerário XIV rumo a Mérida. Em algum ponto deste percurso os dois itinerários divergiam para se reencontrarem na estação Ad Septem Aras muito provavelmente localizada próximo da aldeia da Ns. da Graça dos Degolados, tendo como estações intermédias Tubucci, Fraxinum e Montobriga cujas localizações continuam duvidosas. Segundo as distâncias indicadas no I.A., este percurso seria 10 milhas mais longo que a via principal para Mérida que seguia por Ponte de Sor e Alter do Chão pelo que este itinerário deveria descrever um arco a norte ou a sul da via principal. Ao longo dos últimos séculos, vários autores tentaram definir um traçado quer a norte quer a sul da via principal sugerindo diferentes localizações para as repectivas estações intermédias de forma a acertar a marcação miliária, sem no entanto chegarem a uma solução satisfatória. Nesta demanda é crucial determinar a localização de Tubucci, a primeira estação indicada no itinerário que é determinante para a elaboração do restante percurso; André de Resende situou-a em Benavente, Mário Saa em Alvega, Jorge de Alarcão no Vale do Sorraia e Vasco Mantas próximo do Tramagal. No entanto todas estas propostas carecem de provas irrefutáveis e implicam percursos mais ou menos inviáveis até Ad Septem Aras. Se na variante sul temos uma sucessão de travessia de rios importantes, na variante norte pelo Vale do Tejo teria de enfrentar os sucessivos afluentes e uma topografia de constante sobe-e-desce, totalmente em desacordo com a norma da viação romana. A hipotética localização de Tubucci próximo do Tramagal tem por base as importantes ruínas na Quinta do Carvalhal, junto da confluência da ribeira de Alcolobre no rio Tejo, e do respectivo miliário encontrado a pouco distância na povoação do Crucifixo. No entanto este marco poderá estar antes relacionado com a ligação desta travessia do rio Tejo aos eixos viários para Mérida que seguiam mais a sul pelo planalto. Do mesmo modo, o miliário encontrado no Monte Galego não integraria o Itinerário XV como antes se pensava, podendo antes assinalar a ligação da travessia do rio Tejo junto de Aritium Vetus ao eixo para Mérida. Estando descartada a passagem da via pela margem esquerda do Tejo, há que procurar um outro traçado em altitude que possa não só evitar esses obstáculos no terreno como acertar o percurso com a indicação miliária presente no I.A.; após um trabalho de levantamento topográfico das diversas soluções foi possível determinar um percurso alternativo para o Itinerário XV que apesar de não ser absolutamente seguro, constitui uma solução prometedora para as várias incógnitas que este itinerário ainda apresenta; no essencial propoe-se uma nova localização de Tubucci junto do nó viário da Lagoa do Junco, ponto fulcral de toda a viação romana nesta região, onde o viandantes provenientes de Mérida escolhiam entre descer a Santarém rumo a Lisboa ou descer a Tancos rumo a Tomar, formando por isso o ponto de união do grande "T" deitado que constitui a espinha dorsal da viação em território nacional, suficientemente importante portanto para ali haver uma mansio como Tubucci (2018).

    Itinerário de Scallabis a Tubucci
    Como referido, o percurso inicial seria partilhado com o Itinerário XIV percorrendo a margem esquerda do rio Tejo até Alpiarça, onde inflectia para leste seguindo pela linha de festo que passa no Alto da Perna Seca até ao nó viário da Lagoa do Junco, possível localização da primeira mansio indicada no Itinerário XV.

    TUBUCCI m.p. XXXII
    Esta estação viária poderia situar-se junto do nó viário designado por Lagoa do Junco dado que este local está precisamente a 32 milhas a Santarém, ou seja está de acordo a distância indicada no Itinerário XV para esta estação viária. Por outro lado, deste local partiam outras vias importantes como a ligação a Tomar por Tancos e a ligação à travessia do Tejo em Tramagal, reforçando a sua importância como nó viário e justificando assim a existência de uma mansio até porque daqui partia também uma ligação a Tomar por Tancos; esta área de planalto conhecida por «Mestas» e «encruzilhada das Mestas» é referida por vários autores do século XVI como André de Resende, Francisco d'Holanda e Claude Bronseval, sendo local de passagem obrigatória para quem vinha de Mérida; admite-se assim que esta estação viária era comum aos dois itinerários XIV e XV para Mérida. A partir daqui os dois percursos divergiam, seguindo o Itinerário XIV para Alter do Chão, seguramente a principal via para Mérida por Alter do Chão, enquanto o Itinerário XV seguia hipoteticamente rumo ao Monte da Pedra passando por Bemposta.

    Itinerário de Tubucci a Fraxinum
    A via segue por Valeira rumo a Bemposta, continua depois junto do topónimo viário Vale da Venda pela linha de festo que passa a sul de São Facundo por Fonte do Santo e Alto de Colos, continua a norte doutro topónimo viário, Vale da Mua, por Alto dos Poços e Cruz das Cabeças (na m.p. XLV?), delimitando a partir daqui os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor pelos altos de Vale d'Água e da Pernelha, e depois entre os concelhos de Abrantes e Gavião atingindo o Alto dos Carris Brancos, nó viário de partia uma ligação a Aritium Vetus junto do rio Tejo; depois de cruzar a EN244 segue por Lamerancha e alturas de Vale da Vinha, cruza a ribeira de Margem junto do Monte da Machouqueira, seguindo depois por Polvorosas onde cruza a ribeira da Salgueira, continuando até Vale da Feiteira por via ainda preservada.
    Vale Feiteira (m.p. LXIII; segundo Mário Saa, a via seguia o «Caminho da Estalagem» para cruzar a ribeira de Sor em Porto do Manejo, na linha divisória entre os concelhos de Gavião e Crato)

    FRAXINUM m.p. LXIV
    Esta estação viária poderia situar-se no Monte da Pedra dado que esta povoação está a cerca de 32 milhas do nó viário das Mestas, presumível localização de Tubucci e a 44 milhas de Ns. da Graça dos Degolados, presumível localização de Ad Septem Aras, e portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A. A existência de uma mansio neste local estará relacionada com a travessia da ribeira de Sor em Porto do Manejo, onde Mário Saa assinala uma «estalagem» e «vestígios de via e de uma ponte» que terá sido destruída no século XX.
    • Ligação do Monte da Pedra a Ammaia por Alpalhão, derivando no Alto do Aguilhão, cruzava a ribeira de Vale de Magre e seguia pelo caminho na linha de festo que divide os concelhos do Crato e Nisa passando a norte do Monte da Granja, continuando depois junto do vicus do Monte de Biscaia, Alto da Safra da Azinheira, Vale do Castelo (a sudeste de Gáfete) e Alto da Mala rumo ao chamado «Castelo Velho», onde fazia a travessia da ribeira de Sor (junto da Capela da Sra. da Redonda) e daqui a Alpalhão (ao nó viário no vicus de Fraguil?), interligando à rede viária da civitas de Ammaia.

    Itinerário de Fraxinum a Montobriga por Vale do Peso
    Monte da Pedra (m.p. LXIV; Fraxinum; da ribeira de Sor a via continua por Sorinho, continua entre o Alto do Monte da Pedra e as Termas da Fadagosa até ao Alto do Aguilhão, onde Saa achou «fragmento de coluna, com alguns caracteres imperceptíveis», provável miliário, seguindo depois rumo a Vale do Peso pelo chamado «Caminho do Aguilhão» por Vale de Magro e Alto da Safra do Rebolo e daqui pelo «Caminho da Decaleira» que passa no monte homónimo onde vencia a m.p. LXIX)
    Vale do Peso (m.p. LXX; provável mutatio na Ermida de Sta. Eulália; daqui segue o caminho que passa no Monte de Setil e a sul do Monte Cem Dias, continua junto da villa do Monte das Braguinas, onde existe um capitel, colunas, silhares e uma estela funerária, IRCP 635, continua pelo Monte do Couto dos Algarves onde cruza a ribeira da Espadaneira, margina a villa de Mosteiros e segue por Couto dos Guerreiros até Veladas)
    Fortios (m.p. LXXVIII; possível mutatio situada a meia distância entre Fraxinum e Montobriga, cerca de 15 milhas, localizada no sítio romano do Monte das Veladas, possivelmente no cruzamento com a via Ammaia a Ebora; 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP633, e na arruinada igreja de S. Domingos, o epitáfio de Urso, FE 132)
    Portalegre (continua a poente de Fortios e Portalegre por Lagar Velho, Frangoneiro, Coutada das Freiras, Alto do Casqueiro e Qta. da Misericórdia, onde cruza a ribeira da Lixosa e o IP2 junto da Praça de Touros e segue pela Herdade dos Fajardos, Monte Abrunheira do Conde e do Monte da Abrunheira pelo Alto do Carvalhal)
    Urra (continua por Fadagosa e Azinhal rumo à travessia do rio Caia, presumível localização de estação Montobriga)
    • Variante de Fraxinum a Montobriga por Crato: também é possível que o Itinerário XV seguisse uma outra via romana que derivando no Monte da Pedra seguia pelo Crato rumo a Assumar pela «Estrada do Alicerce», conforme sugeriu Mário Saa e André Carneiro, obrigando a situar Montobriga em Assumar; independentemente de ser este o verdadeiro traçado do Itinerário XV, não há dúvida que este percurso já existia em época romana; derivando no Monte da Pedra, esta via rumava a sudeste passando próximo da villa em Fonte Santa e da necrópole da Herdade da Lage do Ouro, seguindo pelo «Caminho do Chamiço» que cruza a linha férrea e passa no geodésico homónimo, inflectindo depois para sudeste pelo Alto da Pedra do Rato, onde cruza a EM1022 que liga Vale do Peso a Aldeia da Mata, continua sempre cruzando a ribeira do Rôdo e a ribeira dos Canais, seguindo na direcção de Flor da Rosa, seguindo depois para o Crato; daqui descia à Ponte Romana-Medieval sobre a ribeira do Chocanol (reutiliza materiais romanos de uma ponte anterior), situada na base do Monte do Chocanol, presumível localização do vicus Camaloc(...) com base numa ara a Júpiter encontrada no caminho de acesso ao povoado colocada pelos Vicani Camalo[cani?, censis?]), continuando para a travessia da ribeira da seda por uma ponte reconstruída no século XVII eventualmente sobre fundações romanas, cruza a linha férrea e segue próximo da importante villa da Ganja e da respectiva necrópole 350m adiante, continuando para sudeste pela chamada «Estrada dos Louceiros» que segue paralela à linha férrea por Qta. de Marrocos, Alto da Abodaneira e Monte do Aguilhão até ao Alto de Chancelaria, importante nó viário onde entronca na «Calçada do Alicerce» e na via de Lisboa a Mérida.

    MONTOBRIGA m.p. XCIV
    A estação viária poderia situar-se pouco depois da travessia do rio Caia junto do sítio romano da Herdade da Falagueirinha, m.p. XCI, talvez adiante do Monte da Venda, dado que este local está a cerca de 30 milhas de Monte da Pedra e a cerca de 14 milhas de Degolados, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; a via continua a nordeste de Arronches por Nave do Grou, cruza a ribeira de Arronches talvez a sul de Mosteiros e continua junto da villa do Monte da Capela, Monte do Rebolo, villa do Monte de Martim Tavares, m.p. XCVIII, Monte da Figueira de Cima, Monte do Baloco e Sequeirinha, reunindo depois com a via principal para Mérida adiante do Monte da Calaça, local situado a 4 milhas de Degolados (2017).

    AD SEPTEM ARAS m.p. CVIII
    Esta mansio comum aos Itinerários XIV e XV situa-se nas proximidades da aldeia de Ns. da Graça dos Degolados conforme é justificado na descrição do Itinerário XIV; a partir daqui o I.A. indica uma distância de 20 milhas até Plagiaria o que está de acordo com o Itinerário XIV que indica 12 milhas a Budua e mais 8 milhas até Plagiaria perfazendo portanto também 20 milhas indicadas no Itinerário XV; desta forma os dois itinerários teriam um trajecto comum até Mérida; ver detalhes sobre este percurso na descrição do Itinerário XIV.

    PLAGIARIA (Novelda del Guadiana; mansio a 30 milhas de Emerita, situada no sítio romano «El Pesquero»)
    AUGUSTA EMERITA (Mérida; caput via)

    VIA XXII - Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI

    Mapa





    ITINERARIO XXII - Castro Marim (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA)
    Item ab BAESURIS
    per compendium
    PACE IULIA

    MYRTILIS
    PACE IULIA


    m.p. LXXVI
    m.p. XL
    m.p. XXXVI
    No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, indicando um total de 76 milhas até Beja, cerca de 121,6 km, o que corresponde aproximadamente à actual distância entre Castro Marim e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota muito mais longa que parece interligar as principais cidades romanas do litoral Algarvio e do Alentejo. Neste itinerário há apenas uma estação intermédia situada em Mértola, constituindo o mais importante porto fluvial no hinterland Alentejano pelo que é provável que a parte inicial do itinerário entre Castro Marim e Mértola se fizesse por via fluvial sabendo que em época romana já o Guadiana era percorrido por muitas embarcações relacionados com o intenso comércio como o Mediterrâneo. Acresce que as 40 milhas indicadas no itinerário (cerca de 64 km), correspondem exactamente à distância medida por via fluvial. Uma hipotética via terrestre marginando o rio apresenta-se de muita dificuldade dado o acidentado das suas margens e mesmo o povoamento romano observado parece mais ligado à actividade fluvial distribuindo-se ao longo das suas margens as villae portuárias como no caso do Montinho das Laranjeiras e várias fortificações romanas como o Cerro do Castelinho dos Mouros e o Castelo de Alcoutim. A partir de Mértola percorria as 36 milhas por via terrestre até Beja, mas o seu percurso continua hipotético embora subsistam alguns troços dispersos com possível cronologia romana. (vide Mantas, 1997a; Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Lopes, 2006)


    Hipotética Via Terrestre:
    Indicando os vestígios romanos ao longo do rio.
    Castro Marim (BAESURIS) (calçada com 50m na base do Castelo; segue para norte +- paralela à EN122)
    Ponte do Beliche em Junqueira (continua junto do povoado do Cerro dos Castelhanos; calçada?)
    Horta dos Quartos, Azinhal (possível alusão à milha IV desde Baesuris; topónimos viários Varanda, Fronteirinha e Calçada)
    Ponte das Choças (?)
    Odeleite (travessia da ribeira de Odeleite a vau? onde?)
    Ponte Romana? de Álamo (vestígios; villa e respectiva barragem no Barranco da Fornalha; estátua de Apolo; calçada? Nunes, 1985:32)
    Guerreiros do Rio (fortim)
    Montinho das Laranjeiras (villa aberta ao público)
    Vale de Condes (necrópole junto ao rio; villa ou vicus?)
    Alcoutim (povoado fortificado da Idade do Ferro romanizado no castelo)

    Mértola (MYRTILIS) (oppidum; núcleo romano na cave da CM; os materiais romanos encontrados na chamada Torre do Rio, hoje em ruínas, levaram alguns autores a colocarem a hipótese de aqui ter existido uma Ponte Romana, mas é muito improvável, atendendo a que Mértola era um importante entreposto fluvial não se justificando a construção de uma ponte pelo que os materiais romanos deverão ser oriundos de algum edifício na cidade; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como prova o epitáfio de Peregrinus, colono originário de Útica, hoje Zana na Tunísia)

    • Ligação às Minas de S. Domingos:
      Estrada romana que ligava o Porto de Mértola às minas S. Domingos, permitindo o escoamento do minério de cobre, podendo ter continuação para Serpa ou rumo à Bética. A via partia da margem esquerda do Guadiana em Além-rio (junto dos celeiros da EPAC junto do Guadiana) e rumava a nascente pela «Estrada Velha», troço calcetado que segue por 2,2 km até Casa Branca, junto do povoado pré-histórico do Cerro do Calcolítico e do topónimo viário Carrasqueira, continua sob a EN265, reaparecendo adiante da antiga Casa dos Cantoneiros, ao Km 65, continuando seguindo paralela à estrada actual até Minas de S. Domingos (calçada). A partir daqui a via poderia bifurcar, seguindo para Serpa ou seguindo por Corte do Pinto, rumo à travessia do rio Chança, talvez entre o Serro do Marco e a Passada da Vuelta Falsa (minas romanas), rumando depois para a Bética por Paymogo, trajecto descrito no Itinerário Beja - Serpa - Huelva.

    Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA)
    Mértola (a via partiria do Rossio do Carmo, junto do Museu da Basílica Paleocristã, onde se observaram vestígios de calçada e uma necrópole, seguindo depois pelo Cerro do Furadouro em direcção a Corte Gafo de Cima pela EN122 e EM510, passando no Monte do Vale Covo, onde poderia existir uma mutatio pois é mencionada como estação viária no «Roteiro Terrestre» do MPAM; uma variante seguia junto da necrópole da Achada de S. Sebastião continuando pela margem direita do rio Guadiana até ao Barranco de S. Brás, inflectindo depois pelo Vale de Évora até reunir com a via principal; Lopes, 2006)
    Corte Gafo de Cima (daqui seguia para a travessia da ribeira de Terges, existindo dois possíveis pontos de travessia, criando dois caminhos alternativos que se reencontram em Vale de Russins)
    • por Amendoeira da Serra, passando no Monte da Lapa e Alto de Vasco Martins para cruzar a ribeira de Terges entre Porto de Salvada e Monte do Pica Milho.
    • por Mosteiro, seguindo por Atalaia, Alto da Légua e Monte do Mosteiro, povoado romano onde poderia existir uma mutatio, atravessava a ribeira de Terges e seguia pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio.
    Vale de Russins/Rocins (continua talvez pelo Monte de Vale Loução de Baixo, Monte da Atalaia por estradão rectilíneo até ao Monte da Lagoa)
    Salvada (entra pelo cemitério e continua pela rota da EM511, passando próximo do Monte de Mértola)
    Beja (PAX IULIA) (chegava à cidade pelo Tanque dos Cavalos/Bairro de S. João, marginando a villa da Abóboda e entrava na antiga malha urbana pela Porta de Mértola, demolida em 1876 e posteriormente transladada para a Igreja da Ns. da Conceição onde ainda se encontra)

    Alternativa pela EN122: Alguns autores como Mário Saa, Vasco Mantas e mais recentemente Francisco Bilou fazem passar a via pela rota da EN122 por Algodor e Vale de Açor, indo cruzar a ribeira de Terges junto da ponte actual, continuando depois por Alfarrobeira, Marco Quebrado, seguindo depois a linha divisória entre freguesias próximo dos montes do Picamilho, Falcões, Misericórdia, continuando para Beja pelo caminho paralelo ao Barranco de Vale de Mértola que passa junto do monte homónimo (vide artigo).

    VIA XXI - Item de BAESURIS PACE IULIA m.p. CCLXVII

    Mapa


    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURIS) - Luz (BALSA) - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    Item de BAESURIS
    PACE IULIA

    BALSA
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. CCLXVII
    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    m.p. LX
    m.p. XXXV
    m.p. XLIIII
    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    O Itinerário XXI percorre o território do Algarve e Alentejo num percurso algo incoerente que apresenta dificuldades de interpretação ainda hoje não totalmente esclarecidas, mais parecendo um agrupamento de várias vias, indicando as principais mansiones nessas regiões do que propriamente uma via única interligando dois caput viae; sendo assim, o itinerário foi decomposto nas várias vias que interligavam os principais focos populacionais na época romana, sem a preocupação de concordar com o nexo sequencial aparente do Itinerário; o primeiro troço indicado corresponde à via romana que percorria o litoral Algarvio entre Baesuris, oppidum estrategicamente situado junto da foz do Guadiana e Ossonoba, capital regional na época romana, actual Faro; entre elas existia apenas uma mansio localizada na importante cidade de Balsa, ocupando hoje os terrenos da Qta. de Torre de Aires em Luz de Tavira; esta seria a principal via do Algarve à qual pertence o único miliário conhecido da região, encontrado em Bias do Sul, marcando X milhas Faro; a partir de Ossonoba, o itinerário inflectia para norte rumo a Arannis, estação a 60 milhas de Faro cuja localização tem oscilado entre a aldeia de Sta. Bárbara de Padrões no concelho de Castro Verde (Maia, 2000; Maia, 2006; Bernardes, 2006) e a vila do Garvão no concelho de Ourique (Ponte, 2010 e 2012), ambos povoados relevantes em época romana e localizados a uma distância aproximada da indicada no itinerário; a partir daqui o itinerário torna-se confuso porque a estação seguinte indicada é Salacia em Alcácer do Sal que nunca poderia estar a 35 milhas de Arannis (erro na distância? omissão de estações intermédias? outra «Salacia»?). A partir de Alcácer do Sal o itinerário seguia por 44 milhas até Ebora, via romana já referida Itinerário XII entre Lisboa e Mérida com a indicação da mesma distância. A partir de Évora o itinerário é novamente enigmático, indicando aparentemente um trajecto para Beja com três estações de permeio, Serpa, Fines e Arucci, percurso inverosímil atendendo a que existe uma via romana entre Évora e Beja pelo caminho mais curto comprovada no terreno (perfazendo 45 milhas).
    Perante este percurso inviável são muitas as propostas de acerto da sequência das estações de paragem e respectivas distâncias intermédias, com várias propostas para as enigmáticas mansiones de Arannis e Fines, mas apesar do crescente conhecimento sobre a rede viária a sul do Tejo, ainda não há uma explicação cabal para as incongruências do itinerário; no campo das hipóteses, é possível que este itinerário deva ser lido não como uma sequência de estações, mas cada estação separadamente, admitindo um erro na transcrição do itinerário feita em época Medieval que terá "forçado" o aspecto sequencial em vez de uma lista de troços independentes, por exemplo com a forma de uma estrela, com a capital do conventus Pacensis no seu centro; acresce que esta interpretação do itinerário tem paralelo no itinerário Lisboa - Mérida, no qual as estações da via a partir de Évora serem contadas a partir de Mérida, indicando uma «quebra» na sequência das estações; deste modo, o itinerário é apresentado por troços com as ligações mais prováveis entre os principais focos de povoamento na época romana que seria no fundo o intuito inicial deste itinerário:

    Mapa






    ITINERARIO XXI - Castro Marim (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL

    BAESURIS
    BALSA
    OSSONOBA

    m.p. XXIIII
    m.p. XVI
    O primeiro troço do Itinerário XXI ligava Baesuris, situada na foz do Rio Guadiana, a Ossonoba que corresponde ao centro da cidade de Faro, passando na mansio de Balsa, estação intermédia hoje definitivamente localizada na praia de Luz de Tavira, num sítio conhecido por Torre de Aires. O único miliário conhecido do Algarve pertence a esta via e foi encontrado in situ em Bias do Sul, marcando a décima milha contada a partir da Faro, a capital regional em época romana, certificando assim a passagem da via pelo litoral Algarvio; tanto este miliário como as distâncias indicadas pelo itinerário estão coerentes com as actuais distâncias no terreno. A partir de Faro, o itinerário rumava a norte na direcção de Beja (vide Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; Maia 2006).

    Sobre o Algarve Romano ver o excelente trabalho de Luís Fraga da Silva em www.geohistorica.net/arkeotavira.com e no seu blog Impronto; ver aqui os diversos museus com o espólio da região.
    Castro Marim (BAESURIS) (oppidum; na época romana Castro Marim seria uma ilha ou península com acesso terrestre pelo lado noroeste; a via poderia seguir a rota da EN125-6 por Horta de D. Maria, Ponte Esteveira, Sobral de Cima, desviando um pouco antes de S. Bartolomeu, ao Km 2, pelo caminho de terra que se dirige para a ponte ferroviária sobre o rio Seco em Vale de Boto, marginando neste percurso os sítios romanos de Fornalha e Sobral de Baixo, onde apareceu uma inscrição funerária de Euprepes, continuando depois paralela à linha férrea por Alcaria, Portela, onde atravessa a ribeira do Álamo, cruza a linha férrea e segue a EM1250 para Cruz do Morto, Bornacha, EN125, Buraco, EM1242 e Torrão; villa com produção de ânforas na Praia da Manta Rota)
    Cacela Velha (importante povoado romano abrangendo o forte, a igreja e ainda parte da Quinta do Muro; porto (?); continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Qta. de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a EN125 e a linha férrea, seguindo paralela à EN125 até se fundir nesta)
    Conceição (vestígios de uma provável mutatio junto da EN125 no sítio da Calçadinha, significativo topónimo viário onde toma o antigo caminho para a Ponte Romana?-Medieval de Almargem; daqui a via seguiria pelo caminho carreteiro por Mato Santo Espírito, Morgado, cruza a EN125 e segue pela rua Casa de Pau)
    Tavira (povoado romano no Cerro do Cavaco, dominando a travessia do rio Séqua/Gilão ; a via entrava na cidade talvez pelo Alto de S. Brás, junto da Ermida homónima e descia pelo Jardim da Alagoa até ao local da travessia do rio a vau, defronte da Estação Rodoviária, 130m a montante da chamada "Ponte Romana" que não apresenta qualquer sinal de romanidade pelo que deverá ser uma construção posterior (Fraga da Silva, 2005); na outra margem subia por Bela Fria ao Alto do Cano, seguindo depois pelo «Caminho do Concelho», estradão de terra que passa junto das Quintas de St. António de S. Pedro rumo a Pedras d'El Rei, havendo referência a um troço calcetado já próximo do aldeamento turístico, local onde existia uma villa e respectiva necrópole; espólio no Museu de Moncarapacho)

    Torre de Aires (BALSA), Luz de Tavira (cidade romana cujo núcleo urbano abrangia a Qta. das Antas e a Qta. de Torre de Aires; a via romana entrava na cidade pela calçada da Qta. do Arroio, seguindo recto até ao centro urbano, continuando depois a norte da colina do Pinheiro para o santuário da Fonte Santa em Livramento, onde conflui com a EN125, seguindo por esta por Arroteia e Alfandanga/Murteira rumo a Bias do Norte; duas inscrições tumulares provenientes da Fuzeta, estão hoje no Museu de Moncarapacho)
    Bias do Sul (em Canada do Sul, na foz da ribeira de Bias, apareceu in situ, o único miliário conhecido do Algarve, indicando a milha X contadas a partir de Faro que servia marco territorial, assinalando a fronteira entre as civitates de Balsa e Ossonoba, IRCP 660; está hoje no Museu de Olhão; continuava algures por Quatrim e Marim)
    Olhão (existiam cetárias no actual Porto de Pesca; a via marginava pelo norte a importante villa da Qta. do Marim e respectivo complexo industrial para produção de garum, onde apareceram 17 inscrições funerárias e uma das possíveis localizações da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena (Graen, 2007), desviando depois da EN125 pelo Alto de Piares e Casinha da Gala, segue depois por João de Ourém, passando a norte de Olhão e da villa de Torrejão Velho, cruza a ribeira de Bela-Mandil em Contenda e segue pelo Alto de Joinal, Vale de El-Rei e Areal Gordo, onde atravessava o rio Seco, a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta)

    Faro (OSSONOBA) (a chegada a faro é assinalada pela Ermida de S. Cristóvão situada no cruzamento com a estrada para Estoi, reforçado pelos vestígios da villa de Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha, e pela recente descoberta da necrópole de Rio Seco; seguia depois pela Estrada de S. Luís até à ermida homónima, onde inflectia pelo Mercado Municipal rumo à Capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole de Ossonoba que ocupa a área entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, e continuando pela rua do Bocage, entrava na Vila-Adentro pela Porta do Repouso até chegar ao forum no Largo da Sé; Bernardes, 2011)

    Variante norte pelo barrocal algarvio
    Esta variante da Via Baesuris a Ossonoba seguia mais a norte pelo Barrocal interligando uma série de povoados romanos e cruzando com as várias ligações N-S que seguiam para o Alentejo; derivava da via principal após a travessia do Gilão em Tavira e seguia talvez por Vale da Asseca (villa em Paúl, onde apareceu a inscrição de Salinianus, originário de Singilia Barba, cidade localizada a noroeste de Antequera) e Marco sob a actual EN270 até Sta. Catarina da Fonte do Bispo (marginando a villa de Paúl em Alcarias), continua por Montes e Lagares, Espartosa, Bengado (referência a dois troços de calçada, um paralelo à EN270 entre o Km 46 e 47 e outro junto do casal podem integrar esta via), Mesquita Alta, Fonte da Mesquita), São Brás de Alportel (cruza a via proveniente de Faro), continuando a sul da EN270, por Calçada, Fonte do Mouro, Fonte do Touro (calçada), cruza a EN270 e segue por Vilarinhos, Carrascal e Capela de S. Romão (onde apareceram duas inscrições funerárias, uma com o epitáfio de Licinia e outra com o epitáfio de Caecilia Marina, originária de Ossonoba), continuando por Poço Largo, Fonte de Apra, Torre de Apra (villa; capitéis e colunas no Museu de Loulé; ara votiva de Ophime/Trophime e ara votiva aos Lares(?) de Paccius Fronto, hoje no MNA), continua por Loulé (talvez a sul da cidade actual e por Lagoa de Momprolé, EN270), Boliqueime, seguindo daqui até à Ponte do Barão, onde entronca na via litoral descrita a seguir).

    VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI



    ITINERARIO XIII - Faro (OSSONOBA) - SALACIA (Vilamoura?)

    O Itinerário XIII (13) de Antonino indica apenas a distância entre os dois pontos, não mencionando qualquer estação intermédia. Seria lógico ver este itinerário como uma derivação do Itinerário XII Lisboa - Alcácer do Sal - Évora - Mérida rumo a Faro, atendendo a que estes itinerários aparecem em sequência e ao facto de Alcácer do Sal ser designada por Salacia na época romana. No entanto as 16 milhas indicadas são insuficientes para cobrir a distância entre essas cidades pelo que teríamos de admitir um erro na transcrição deste itinerário, hipoteticamente faltando um «C» inicial, o que daria CXVI milhas, o que equivale aos 185 km medidos entre Faro e Alcácer do Sal. Outra possibilidade seria existir uma outra povoação romana também designada por Salacia (como é o caso da mansio Salacia do Itinerário XVII Braga - Astorga) situada a 16 milhas de Faro, levando à hipótese de esta corresponder ao importante vicus portuário Cerro da Vila em Vilamoura, sabendo que o porto marítimo de Faro estava já assoreado em época romana. Sendo assim, descreve-se a seguir o itinerário Faro - Vilamoura e a possível continuação da via até Portimão designada por «Via Litoral».

    Faro (OSSONOBA) (partindo do forum no Largo da Sé, saía do núcleo urbano pela Porta da Vila, atravessava a necrópole de Lethes e seguia pela antiga rua da Carreira, hoje rua Conselheiro Bivar e rua Infante Dom Henrique, ou pelas paralelas, rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto, passando junto da necrópole do Largo S. Sebastião e da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, cruza a linha férrea e segue talvez paralela à EN125 pelo Alto do Calhau e Torre até Almansil e daqui rumava a Quarteira por Escanxinhas, Fonte Coberta, Almarjão, Fonte Santa e Almargem, servindo villae e complexos industriais de preparação de garum instalados ao longo da linha de costa entre Faro e Vilamoura como os sítios romanos de Salgados, Ludo, Porto das Vacas e Casas Velhas, o complexo industrial da Qta. do Lago, do qual restam as cetárias junto da foz da ribeira de S. Lourenço, assim como o importante sítio de Loulé Velho na Praia do Trafal, do qual pouca resta devido à erosão da costa pela acção do mar, e ainda o complexo industrial da Quarteira, hoje submerso a 8m de profundidade)

    Vilamoura (SALACIA) (vicus portuário do território de Ossonobense provavelmente com mansio e alfândega; ainda restam importantes vestígios deste povoado junto da marina, o sítio romano do Cerro da Vila, a «villa moura»; barragem no sítio Vale Tesnado revela o sistema de abastecimento de água ao povoado que ocupava uma extensa área; a urbanização turística destrui os antigos caminhos mas é provável que existisse uma via partido do vicus cruzando a antiga zona agrícola e a Qta. de Quarteira/«Estalagem da Cegonha» rumo à travessia da ribeira da Quarteira na Ponte Romana?-Medieval do Barão/Retorta onde reencontra a via que vinha de Faro por Almansil descrita a seguir)

    Via Litoral Faro - Portimão
    Inicialmente seguia até Almansil pelo percurso indicado acima.
    Almansil (continua a sul de Pereiras, cruza a EM527 e a EN396 e segue por Cascalheira e Bacelada, contornando Vilamoura pelo norte)
    Ponte Romana?-Medieval do Barão/Retorta (ponte com possível fundação romana junto da qual existia um importante sítio romano, o vicus ou villa da Retorta e respectiva necrópole cujo espólio está no Museu de Albufeira e no Museu de Loulé, em particular uma árula votiva; na outra margem, surge o sugestivo topónimo de Vale de Carro; continua sob a EN526 por Patã de Baixo, Lajeado e Brejos, passando junto do sítio romano de Cerros Altos/Poço do Barnabé, possível villa agrária de onde provém a ara a Silvanus hoje no Museu de Albufeira; nas imediações estaria a «Estalagem da Nora» referida no «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    Ferreiras (vestígios em Tomilhal e Ataboeira, indiciam a passagem a via)
    Guia (segue paralela e a sul da EN125; peso de lagar na Qta. do Coelho)
    Pêra
    Alcantarilha (calçada debaixo da ponte em betão com fundações romanas?; rua das Muralhas; acesso ao vicus? portuário de Armação de Pêra; segue talvez pelo lugar da Torre)
    Porches (EN125?)
    Lagoa (notícia do aparecimento em 2017 de um empedrado junto da «Nobel School» e da EN125; via?)
    Estômbar (por Corredoura, Passagem, junto à Qta. de S. Pedro e Calçada da Barca)
    • Portimão (PORTUS MAGNUS?) (a foz do rio Arade deverá corresponder ao Portus Magnus referido nas fontes clássicas; poderia existir uma travessia por barca, seguindo depois por Meixilhoeira rumo aos portos de Lagos e Alvor, servindo as importantes villa do Vale da Arrancada e villa da Qta. da Abicada (acesso parte da EN125 no apeadeiro).
    • Alvor (IPSA) (vicus portuário, provavelmente a Ipsa das fontes clássicas, com base numas moedas aqui encontradas com a legenda IPSES).
    • Lagos (Laccobriga?) (há vestígios de uma olaria e cetárias no centro urbano, mas o oppidum deverá corresponder aos vestígios romanos do Monte Molião, estrategicamente situado num pequeno outeiro com domínio visual sobre o porto marítimo; barragem romana em Fonte Coberta; villa? na Colina de S. Pedro)
    • Ligação de Lagos a Sagres, hipotética via passando talvez por Vale de Boi, servindo os vários sítios romanos de exploração dos recursos marinhos e agrícolas distribuídos ao longo da costa, como a villa da Praia da Luz (aberta ao público; na frente marítima), a villa de Burgau (vicus portuário?), a villa da Boca do Rio na foz da ribeira de Budens, as cetárias da Praia de Beliche e a villa da Praia de Salema, constituindo um verdadeiro pólo industrial para produção de garum e apoiado pelo centro oleiro para fabrico de ânforas na falésia da Praia do Martinhal em Sagres; no limite oeste situa-se o Cabo de São Vicente que deverá corresponder ao Promontorium Sacrum das fontes clássicas.

    Mapa





    Mapa





    ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - ARANNIS m.p. LX
    OSSONOBA
    ARANNIS
    SALACIA
    EBORA

    m.p. LX
    m.p. XXXV
    m.p. XLIIII
    A partir de Ossonoba o Itinerário XXI rumava a norte em direcção a Arannis percorrendo 60 milhas, ou seja cerca de 96 km. O itinerário sugere assim uma localização de Arannis no aro de Castro Verde, talvez em Sta. Bárbara de Padrões, onde se localizam importantes ruínas de um grande povoado romano e cuja distância a Faro no terreno concorda com a indicada no itinerário. Em alternativa Arannis poderia estar situada em Garvão, local onde de observam vestígios de um oppidum romano, embora neste caso não haja concordância com a distância indicada no itinerário; a rota pelo Garvão está descrita no sentido inverso no Itinerário Alcácer do Sal - Garvão - Faro. Para atingir a estação seguinte, Salacia, presumivelmente situada em Alcácer do Sal, o itinerário indica apenas 35 milhas, distância insuficiente para ligar estas povoações, motivando assim várias propostas de correcção do itinerário, seja através da introdução de uma estação intermédia situada a 35 milhas tanto de Arannis como de Salacia, eventualmente o povoado de Sarapia referido por Plínio, o que permitiria perfazer as cerca de 70 milhas que separam Garvão/Sta. Bárbara de Padrões de Alcácer do Sal. Deste modo, o troço seguinte entre Salacia e Ebora numa distância de 44 milhas, corresponderia à via entre Alcácer do Sal e Évora e seria assim comum ao Itinerário XII entre Lisboa e Mérida que também indica 44 milhas para este troço, o que está de acordo com a distância medida no terreno. Outra hipótese, ainda que menos provável, seria admitir um erro do copista medieval que teria trocado o nome de Sarapia por Salacia, pelo que as 44 milhas assinaladas no Itinerário para o troço Salacia-Ebora poderá ser de facto a distância entre Sarapia e Ebora; ambas as hipóteses apontam para uma localização de Sarapia nas proximidades de Peroguarda, mas ainda não se identificaram vestígios que pudessem corroborar esta hipótese apesar da sua privilegiada localização, aproximadamente equidistante do triângulo formado por Salacia, Ebora e Arannis e forte candidato a nó viário, embora haja outras possibilidades como Sta. Margarida do Sado ou Figueira dos Cavaleiros. Devido a estas incertezas este itinerário apresenta diversas possibilidades de ligação de Ossonoba a Arannis rumo a Alcácer e à capital regional em Beja. Partindo de Faro, a via teria que ultrapassar a Serra do Caldeirão, existindo três rotas possíveis, uma mais ocidental por Almansil, Loulé, Querença e Salir, uma central por S. Brás de Alportel, Querença e Salir, e uma oriental por Moncarapacho, Sta. Catarina da Fonte do Bispo, Mealha, S. Pedro de Solis e Sta. Bárbara de Padrões. (Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006).

    Faro a Salir por S. Brás de Alportel e Querença
    Faro (OSSONOBA) (inicialmente seguia a estrada para Balsa, derivando desta junto da ermida de S. Luís, junto do estádio, onde inflectia para norte rumo a Estoi pela Estrada da Penha, EM519; continua por Conceição, passando próximo dos Monte da Meia Légua e de Porto Carro)
    Estoi (importante villa Milreu; daqui a via seguia inicialmente pela rua Pé da Cruz e depois pelo caminho a meia-encosta ao longo da margem esquerda do rio Seco, contornando o Cerro da Bemposta pela vertente poente, passando junto da necrópole de Cancela rumo à travessia do rio Seco em Porto Velho)
    Machados (villa em Vale do Joio; do rio Seco sobe à EN2 que percorre durante 1,4 Km, saindo depois à direita pelo caminho de terra, conhecido por «Calçadinha» rumo a Hortas e Moinhos)
    S. Brás de Alportel (chega pela «Calçadinha» que desemboca na Igreja Matriz; depois atravessa a vila talvez pela Av. da Liberdade seguindo depois próximo de Alcaria, onde há necrópole, Cerro de Alportel, Juncais, Fontaínha e Corte, entra no concelho de Loulé por Almarjão, seguindo o caminho pela margem esquerda da Ribeira das Mercês até confluir na EN396, continuando pelo caminho à esquerda antes da ponte, seguindo para a travessia da ribeira das Mercês na Fonte da Esparrela, subindo depois por Taliscas e Portela)
    Querença (nó viário; a via continua a poente da povoação pela Azinhaga da Portela até à Nora de Pombal, onde toma o caminho de terra que cruza a rua da Eira junto do Monte dos Avós, continua pelo «Caminho do Borno», cruza a ribeira da Chapa e segue pela Portela de Vale de Alcaide para cruzar as Ribeiras da Salgada e do Sêco, continuando próximo do povoado de Palmeiros por Fonte Morena, Fonte do Ouro, CM 1102, junto do cemitério)
    Salir (necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS no Museu de Loulé)

    Variante Faro a Querença por Loulé
    Faro (OSSONOBA) (na parte inicial seguia o itinerário da via litoral até ao nó viário de Almansil onde reunia com esta via que teria origem no vicus portuário do Cerro da Vila em Vilamoura, passando por Fonte Santa e Escanxinhas, actual EM527-2)
    Almansil (cruza a EN125 e linha férrea, rumando a norte pelo Caminho de Boniches em Vale de Éguas, corta à esquerda pelo vale do Cerro do Môcho até Poço da Amoreira, continua por Quartos, possível topónimo viário, Estrada do Poço de Pau, continuando a poente do Cerro de Sta. Catarina e depois pelo caminho do Torrejão Velho pela margem esquerda da ribeira do Cadoiço que cruza na Ponte Romana?-Medieval dos Álamos (recentemente reabilitada, próximo do sítio romano da Fazenda do Cotovio; depois da ponte, continua pela rua São João de Brito até à cidade velha)
    Loulé (não há vestígios romanos na cidade excepto um ara votiva a Diana que apareceu na torre da Igreja Matriz de S. Clemente, CIL II 5136, de proveniência duvidosa e hoje no MNA)
    Querença (nó viário, onde conflui na via proveniente de Alportel)

    Variante de Faro a Sta. Bárbara de Padrões por Moncarapacho e Fonte do Bispo
    Este itinerário parte Ossonoba rumo ao Moncarapacho e Sta. Catarina da Fonte do Bispo, seguindo inicialmente a via litoral para Balsa até Quatrim, atravessando a ribeira de Marim a jusante da Ponte Velha de Quelfes, e depois pelo "caminho de que vae de quelfes pera porttugal" (Louro, 1929 p.60). No entanto, existiam também ligações a partir de Balsa, uma rumando directamente a Sta. Catarina e outra seguindo inicialmente a via para Ossonoba e depois inflectindo para norte próximo do sítio da Fonte Santa, seguindo pelo lugar de Gião rumo a Moncarapacho (EM1335), onde conflui na via proveniente de Ossonoba.

    Faro (inicialmente seguia a via para Balsa até Quatrim, inflectindo depois para norte por Laranjeiro e Lagoão, EN398)
    Moncarapacho (outra possível localização da Statio Sacra referida na Cosmographia do Anónimo de Ravena; vide Museu Paroquial de Moncarapacho com um importante acervo romano)
    Ponte Romana?-Medieval sobre a ribeira do Tronco (aqui começa o antigo caminho com vários troços de calçada intermitente com 1300 m seguindo por Poço do Concelho e pelo Vale da Serra na vertente poente do Cerro de S. Miguel)
    Foupana, Moncarapacho (cruza a ribeira de Arroio na Ponte da Torre)
    Sta. Catarina da Fonte do Bispo (calçada em Montes e Lagares ao longo do Ribeiro do Lagar rumo a Porto Carvalhoso, onde cruza a ribeira de Alportel)
    Travessia da ribeira de Fronteira no Corxo? (continua por Cabeça do Velho e Cerro Alto?)
    Travessia da ribeira de Odeleite no Cercado da Lagoa? (continua por Castelão e Feiteira?)
    Travessia da ribeira da Foupana em Estraga Mantens? (continua por Cerro da Ginêta e Monte da Valeira)
    Mealha, Cachopo (continua por Alcarias Pedro Guerreiro e atravessa a ribeira da Corte junto do Monte da Estrada)
    Moinho do Pereirão (onde se divide em duas possíveis variantes)
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por Semblana: a partir do Moinho do Pereirão poderia existir uma variante que cruzava o rio Vascão junto da ponte actual e seguia por Santa Cruz, Monte das Viúvas, Monte da Vinha, EM1170, Semblana (estação viária mencionada como Sembrana no «Roteiro Terrestre» do MPAM), Sra. da Graça dos Padrões (castellum dos Mestres) e daqui por Lombador até Sta. Bárbara de Padrões (Maia, 2006).
    • Variante a Sta. Bárbara de Padrões por S. Pedro de Solis: seguia por Pessegueiro e próximo do sítio romano de Curralinhos, possível mutatio junto à travessia da ribeira do Vascão nas poldras aí existentes, subindo ao Monte do Barranco, de onde poderia derivar uma outra via rumo a Mértola passando por Corcha, Lobato e paralela à EM1175, enquanto esta rota seguia por Castelejo rumo a S. Pedro de Solis (troços de calçada no caminho por Alcaria das Bichas, Minas do Barrigão, Miguenzes, ribeira de Carreiras e Caiada, ribeira de Oeiras, Rosa Gorda e Herdade da Espanca), em Sete (Septem?) cruza a ribeira homónima e segue até Sta. Bárbara de Padrões (Maia, 2006).
    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?; fortes sinais de um importante povoado romano, provavelmente um vicus, onde se achou um extraordinário depósito de lucernas votivas, sustentam a hipótese de localização da mansio ARANNIS da VIA XXI neste local até porque dista cerca de 60 milhas de Faro, conforme indicado para este troço pelo I.A.; a ausência de epígrafes na área não permite uma conclusão definitiva, sendo Garvão uma forte alternativa para a localização desta mansio)

    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Beja (PAX IULIA) m.p. XXXV
    Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?)
    Namorados (villa fortificada no Castelo dos Namorados)
    Travessia da ribeira de Cobres (entre Cabeças e Pereira?)
    Travessia da ribeira de Maria Delgada (junto do santuário romano do Alto de S. Pedro das Cabeças)
    Castro Verde (entra junto ao cemitério e segue por Portela, Monte Tacanho e cruza a ribeira de Terges junto da villa do Monte da Perdigoa; continua a poente da povoação de Entradas, passando no Monte das Fontes Bárbaras, cruza a ribeira Cinceira, Monte do Paraíso, Monte do Canal, Alto da Lapa, Alto da Malhada Nova, Alto da Lagoa, onde inflecte para o Monte da Charnequinha)
    Albernoa (segue a poente pelo CM1092 por Alto das Marzalonas, Alto de Linhares, Alto do Cerro, ribeira de Rascas e Balhamim)
    Santa Clara de Louredo (miliário da Tetrarquia, Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano, IRCP669, achado na Qta. de Sta. Clara de Louredo e hoje no Museu de Beja, B-125; inscrição funerária em Boavista; a via passaria junto da Herdade da Calçada, onde há vestígios da via e seguia depois recto a Beja pelo caminho de terra que cruza a linha férrea em frente do quartel do Regimento de Infantaria, junto da villa de Vale de Aguilhão, perto da qual apareceu o epitáfio de Maura, continuando depois pelo Monte Alegre, onde cruza o IP2, entrando na cidade pela chamada «Estrada da Calçada» e pelo Bairro do Alemão)
    Beja (PAX IULIA)

    ITINERARIO XXI - Sta. Bárbara de Padrões (Arannis?) - Évora (EBORA) m.p. LXXIX (35 + 44)
    Sta. Bárbara de Padrões (segue para Carregueiro, onde atravessa a ribeira dos Louriçais, passando na calçada junto da villa do Monte do Gavião, e pela calçada do Monte do Mau Ladrão no sentido E-W)
    Aljustrel (VIPASCA) (importante couto mineiro designado por Metallum Vipascensis; parte do espólio está na colecção do Museu Geológico de Lisboa, incluindo a famosa placa de bronze contendo o regime legal da exploração mineira; ver MuMA; seguia a rota da N2 por Corte Margarida, atravessando a ribeira do Roxo junto do «Castelo Velho», povoado da Idade do Ferro romanizado, continuando depois junto da villae de Alcarias 1 e 2 )
    Ervidel (villa da Herdade do Pomar;)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (Sarapia?) (passaria próximo da villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira, e na calçada do Monte da Serra)
    • Ligação a Évora, seguindo talvez por Alfundão e pelos vici de S. Romão em Alvito e de Foxem em Viana do Alentejo, rota romana descrita no âmbito das variantes da Via Évora - Beja.
    • Ligação a Alcácer do Sal (SALACIA), seguindo rumo à travessia da ribeira de Odivelas no Monte do Olival/Fortim de Casa Branca onde conflui no percurso descrito no Itinerário Alcácer do Sal - Beja, seguindo pelo Torrão rumo a Alcácer do Sal.

    Mapa

    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - FINES - ARUCCI - Serpa (SERPA) - Beja (PAX IULIA)

    EBORA
    SERPA
    FINES
    ARUCCI
    PACE IULIA

    m.p. XIII
    m.p. XX
    m.p. XXV
    m.p. XXX
    Este troço do Itinerário XXI é o que coloca mais questões devido à incerteza que rodeia a localização das estações intermédias. Depois de atravessar Évora, o itinerário indica a estação de Serpa que a ser situada na actual cidade de Serpa, nunca poderia estar somente a 13 milhas (20,8 km) de Évora como é indicado, além de que um percurso entre Serpa e Beja com duas estações de permeio é muito improvável atendendo à curta distância existente entre as duas cidades. Na impossibilidade de acertar as distâncias, podemos sempre admitir um erro na transcrição do itinerário, tanto nas milhas indicadas como na própria sequência de estações, mas isso não ajuda a esclarecer o problema e o Itinerário de Antonino até tem mostrado grande exactidão nos outros itinerários. Por isso é preciso tentar outras explicações. A 20 milhas de Serpa estaria a mansio Fines, também sem localização precisa, rumando depois à mansio de Arucci que deverá estar na origem do nome da actual povoação de Aroche do outro lado da fronteira e daqui rumava finalmente a Beja. Este traçado é pouco lógico e tem de haver um erro na interpretação deste itinerário. A interpretação deste enigmático itinerário continua assim a suscitar muitas incertezas sendo por isso apresentado por troços independentes, reflectindo os vestígios da via ainda observáveis no terreno sem a preocupação de inseri-los num grande percurso, nomeadamente a via de Évora a Beja, a via de Évora a Serpa e Moura por Portel e as ligações em torno de Moura rumo a Beja, Serpa, Fines e Arucci, ou seja de encontro às mansiones da Via Pax Iulia ab Hispalis que corria no sentido O-E rumo à província Bética.

    Tentativa de resolução

    ARUCCI em Moura?
    Moura tem sido tradicionalmente associada a Arucci com base na famosa inscrição dedicada a Agripina (CIL II 963), hoje no Museu de Moura.
    Inscrição de Moura
    [IV]LIAE AGRIPINA[E]
    [...] CAE[SA]RIS • AVG •
    GERMAN[I] [CI] •
    MATRI • AVG • N
    CIVITAS ARVCCITANA
    Esta associação foi proposta no século XVI pelo historiador Português André de Resende que leu na letra «N.» a palavra «N.(ova)», levando-o a considerar a existência de duas civitates, uma designada por Nova civitas Aruccitana correspondendo a Moura e, por oposição, uma mais antiga que lhe deu origem denominada Arucci Vetus. Hoje é claro que só existia uma Arucci visto que esta epígrafe é na realidade originária da Serra de Aroche em Espanha o que reforça a localização da civitas Aruccitana e da respectiva mansio em torno da Ermida de San Mamés em Llanos de la Belleza, a norte da actual povoação de Aroche (Resende, 1583: 171-172, Encarnação, 1998: 37-38).

    FINES em Moura ou em Messangil ?
    Considerando então Arucci localizada em Llanos de la Belleza, segundo o I.A., teríamos de posicionar a mansio Fines a 25 milhas para ocidente e a 20 milhas de Serpa, ora esta localização corresponde sensivelmente ao vicus da Fonte de S. Miguel de Fines em Corte de Messangil. No entanto, admitindo que rota seguia para Évora em vez de Beja, as 25 milhas posicionam Fines em Moura, onde há muitos vestígios romanos.

    Uma tentativa de acertar a sequência de estações: admitindo que a mansio Serpa mencionada no itinerário ficava na actual cidade de Serpa, a sequência lógica a partir de Évora seria, Ebora, Pax Iulia, Serpa, Fines e Arucci. Ora ao tentar ajustar as reais distâncias entre mansiones, o itinerário poderia assumir a forma seguinte:

    Itinerário original
    EBORA XLIIII
    SERPA XIII
    FINES XX
    ARUCCI XXV
    PACE IULIA XXX
    Distâncias Intermédias
    EBORA - SERPA XIII
    SERPA - FINES XX
    FINES - ARUCCI XXV
    ARUCCI - PACE IULIA XXX
    Distâncias actuais:
    (em milhas)

    Évora - Beja 50
    Beja - Serpa 18
    Serpa - Messangil 13
    Messangil - Aroche 25
    Beja - Messangil 31
    Beja - Moura 30
    Serpa - Moura 20
    Hipótese com FINES em Messangil
    EBORA - PACE IULIA L
    PACE IULIA - SERPA XX
    SERPA - FINES (Messangil) XIII
    FINES (Messangil) - ARUCCI XXV
    Hipótese com FINES em Moura
    EBORA - FINES (Moura) XLIIII
    FINES (Moura) - ARUCCI XXV
    FINES (Moura) - SERPA XX
    FINES (Moura) - PACE IULIA XXX
    SERPA no Ravennatis
    A Cosmographia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte lista de civitates: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia» (Ravennatis IV 43); admitindo que esta sequência corresponde a um itinerário entre o porto de Caditana e Pax Iulia, com passagem por Serpa mas omitindo Arucci e Fines, poderá indicar que existia uma via mais directa entre estes importantes povoados, desviando da rota definida no I.A. em Serpa, seguindo depois pelo caminho mais curto rumo a Onuba, hoje Huelva e descrito no Itinerário Beja - Huelva; no entanto, também é possível que Fines e Arucci tivessem sido apenas omitidas devido à menor importância destes oppida.

    FINES e ARUCCI no Ravennatis
    Em outra parte da mesma Cosmografia de Ravena são enumeradas as seguintes civitates da Bética que estavam sobre domínio de Hispalis, hoje Sevilha: Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria. (Rav. IV.44). Ora esta sequência está mais de acordo com o I.A., formando um itinerário que inclui Fines e Arucci, finalizando com Seria que deverá ser corrigido para Serpa admitindo o erro do copista medieval ao trocar a letra «P» pela letra «I».


    Évora Torrão








    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Torrão (Turris Arannis?)
    A via romana entre Évora e Torrão integra um grande itinerário que partindo de Évora se dirigia para o Algarve passando por Garvão. Esta via marginava a importante villa romana de Ns. de Tourega e cruzava a povoação de Alcáçovas e conta com 5 miliários a pontuar o seu percurso.

    Évora (EBORA) (a via sai da cidade pela Porta do Raimundo, derivando da via para Alcácer do Sal na rotunda do Parque de Campismo)
    • Também da Esparragosa derivava um antigo caminho que cruzava a ribeira de Peramanca em Alcamizes e seguia por Monte da Ponte, Monte do Escrivão (onde há vestígios de calçada) rumo a Ns. da Boa Fé.
    Cabida (no cruzamento do caminho com o acesso à Qta. do Pomarinho existe um fragmento de miliário [milha VI], cujo fuste epigráfico estava junto do caminho que deriva da EN380 para o Monte das Flores, entretanto transferido para o Convento dos Remédios; FE 469)
    Herdade do Barrocal (miliário anepígrafo tombado junto da via, a 1 milha do monte [milha VII a Évora?]; daqui seguia para a travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca, onde há vestígios de calçada na margem esquerda)
    N. Sra. da Tourega (fragmento do miliário a Maximino e Máximo junto da Igreja da Ns. da Assunção, no acesso à magnífica villa das Martas [milha VIII a Évora?]; Resende registrou uma inscrição funerária colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIII viro viarum curandarum», CIL II 112, hoje no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153; a via continua junto do topónimo viário Porto da Calçadinha, passa na Qta. de S. Jorge e Monte do Zambujeiro, onde apareceu o epitáfio de Mailoni)
    Monte dos Tabuleiros de Baixo (André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário a Maximiano, CIL II 433, indicando 12 milhas a Évora o que corresponde à distância no terreno; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas hoje estão ambos desaparecidos)
    Ponte Romana?-Medieval de Alcalainha/dos Ruivos (na confluência das ribeiras de S. Brissos e Peramanca, formando a ribeira das Alcáçovas, próximo do povoado proto-histórico do Monte da Ponte/Fonte ; a partir daqui o traçado da via é pouco claro, mas deveria passar 1 milha a norte da villa? do Monte dos Vilares, seguindo pelo Monte da Morgada, Vale dos Açougues de Baixo, Terrinha e Chão e Ares, entrando em Alcáçovas pelo caminho que margina a Ermida de S. Geraldo)
    Alcáçovas (cupa funerária em forma de barrica, CIL II 86, hoje no acervo do MNA)
    Torrão (Turris Arannis?)

    Mapa



















    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
    A via romana ligando Évora à capital do conventus pelo caminho mais curto, cerca de L milhas, é atestada pelos imensos vestígios ao longo do seu percurso, contando-se actualmente 16 miliários, na sua maioria anepígrafos (seriam pintados?), e alguns troços de calçada. Urge estabelecer medidas de protecção para esta via cujos vestígios estão ao abandono e sujeitos a progressivas destruições. A identificação do traçado da via está praticamente completa pelo que seria interessante promover a sua valorização turística; (Sillières, 1984; Bilou, 2000a).

    Évora (EBORA) (existe um miliário a Maximiano na Qta. da Manizola que poderá pertencer a esta via; sai pela Porta do Raimundo e segue pela Horta do Bispo, onde existia um troço de calçada (Pereira, 1948, p. 303), continuando pelo Bairro da Ns. do Carmo rumo à travessia da ribeira da Torregela junto à Herdade da Barbarrala Nova, onde há vestígios de lajeado no vau da ribeira)
    Monte das Flores (a via segue pela margem direita do rio Xarrama)
    Fontalva (4 miliários; o miliário de Fontalva 1 está tombado entre o rio Xarrama e o acesso ao Monte de Fontalva; o miliário de Fontalva 2 está in situ erecto e deveria indicar a milha VII a Évora; o miliário de Fontalva 3 é anepígrafo e assinalaria a mesma milha que o anterior; o miliário de Fontalva 4 está tombado no leito do rio, partido em 2 fragmentos)
    Porto de Zambujal do Conde (800m a jusante do miliário de Fontalva 4)
    Monte do Seixo (referência a um miliário; [milha VIII?])
    Porto da Magalhoa (referência a um miliário; [milha IX?]; o "Endovélico" refere 3 miliários entre o Monte da Magalhoa e o Monte da Zambujeira; um deles seria o miliário referenciado por Mário Saa como Marca do Diabo; milha X?)
    Torre/Solar da Camoeira (provável statione de onde provém o miliário a Maximino I e ao seu filho Máximo, IRCP664a, indicando a milha XI, entretanto transferido para a entrada dos serviços administrativos da antiga JAE em Évora)
    Travessia do rio Xarrama no Porto da Camoeira (existe um miliário talvez da milha XII tombado no leito do rio e algumas poldras parecem miliários reaproveitados; segue 200m paralela ao rio até à Azenha do Silveira onde existe calçada; continua pelo Porto da Calçadinha onde reaparece a calçada durante 300m até chegar a um miliário in situ talvez da milha XIII na Herdade da Ovelheira)
    Aguilhão, Torre de Coelheiros (a calçada continua por 1500 m, próximo do marco geodésico na divisão das Herdades da Falcoeira e Camoeira)
    Ponte Romana sobre a ribeira da Murteira ou do Aguilhão na Horta/Moinho do Vinagre (só vestígios; fuste e base de miliário anepígrafo na margem esquerda e a sua base no leito do rio; seria a milha XIV?)
    Aguiar (miliário numa casa particular; a via passaria a poente da povoação pelo Monte Lindim onde há calçada e um miliário ilegível que deveria indicar a milha XV; cruza a ribeira de Alpracá e segue por Serrado e Monte Ruivo)

    Ns. d'Aires (FOXEM), Viana do Alentejo (vicus e mansio? na milha XVII em torno do Santuário de Ns. de Aires; necrópole no Monte das Paredes, onde se acharam várias inscrições funerárias; inscrição honorífica BONO / REIP(ublicae) / NATO, IRCP413; 2 aras inseridas nas colunas do adro do santuário e vestígios do aqueduto na estrada de acesso ao santuário; 3 miliários junto do santuário: miliário a Crispo, IRCP672, indicando XVIIII milhas, ou seja 18 milhas a Évora o que corresponde à distância a Évora, e o miliário onde apenas se lê o numeral XVII, ou seja indicaria 17 milhas, IRCP680; daqui a via seguia por Hortas Velhas e Monte do Cavalete, passando a leste de Viana do Alentejo)

    Água de Peixe (passa a asfalto, no CM1004; mina de ferro; Mário Saa refere restos de calçada)
    Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (120 m; 20 arcos, só restam 3 dos pilares originais romanos; estela reutilizada no quinto pegão norte, do lado montante)
    • Ramal para SERPA por S. Cucufate: é possível que um ramal partindo de Vila Ruiva seguisse por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de S. Bartolomeu) em direcção a Vila de Frades (Vidigueira), passando junto da importante villa de S. Cucufate, continuando depois para sudeste pelo alto da Chucha (villa) para ir cruzar a ribeira de Odearce junto da villa do Monte da Cegonha, Pexem/Monte do Zambujal, Qta. de D. Pedro/Herdade da Fonte dos Frades (villa e epitáfio de Cosconius), Monte das Barbas de Lebre (sepultura), Monte do Lamarim (inscrição), Monte da Tagarria, Baleizão (marginando o grande povoado romanizado do Cerro Furado), seguindo de encontro à travessia do Guadiana no Vau de Guinapa, onde conflui na Via Beja - Sevilha.
    Vila Ruiva (possível fuste de miliário; barragem romana, em frente da Ermida da Ns. da Represa; a via seguiria próximo da villa do Monte da Panasqueira para cruzar a ribeira de Mac Abraão no Monte da Palheta, continuando pelo Monte da Azurria e Monte da Boavista)
    Cuba (vicus Cupa, com base num documento de 1257, situado talvez no Monte do Outeiro/Outeiro dos Moinhos/Moinhos do Taquenho, 1 km a leste da vila; a via segue junto à linha férrea pelo Monte da Torre do Pinto, passaria junto ao acampamento militar romano de Mata-Bodes, 800m a norte da villa do Monte do Meio, e seguia até Monte do Pombalinho e Qta. da Saúde)
    Beja (PAX IULIA) (passava junto da villa da Qta. da Fonte Figueira e da importante villa da Qta. de Suratesta, entrando na cidade pela Porta de Évora com o seu arco romano e calçada, na rua D. Dinis, seguindo para o forum da cidade na zona da actual Pr. da República)

    • Variante de Ns. d'Aires (FOXEM) a Beja (PAX IULIA) por Alvito : segundo recentes trabalhos de Jorge Feio («Carta Arqueológica do Alvito»), é possível que existisse uma variante entre Foxem e Pax Iulia, derivando da anterior no Monte do Cavalete e rumando em direcção a Alvito (EN257), onde se localiza o importante povoado romano de S. Romão (árula votiva aos Lares), possível localização da sede da civitas Mirietanorum referida numa inscrição de Vila Nova da Baronia, seguindo depois a EN258 pela chamada «Ponte da Pedra» sobre a ribeira de Odivelas (reconstrução de 1899 de uma ponte mais antiga, possivelmente com origem romana), continuando por Monte dos Lúzios (calçada), Monte do Azinhal (calçada) e Malhada dos Passarinhos até confluir com o caminho que vinha pela Ponte de Vila Ruiva, e juntas atravessam a ribeira de Mac Abraão junto do Monte da Palheta, onde voltavam a derivar, seguindo um ramo por Cuba rumo a Beja, enquanto o outro ramo seguia pelo Monte dos Assentes, Faro do Alentejo (vicus em Ladeiras ), continua pela Herdade das Pias e Monte da Torre do Pinto rumo a Beja (Feio, 2010), ou em alternativa por Monte da Boa Vista, Atouguia, Monte de Sta. Luzia e Ermida da Sra. da Saúde rumo a Beja (Saa, 1967).
    • Ramal de FOXEM a Marmelar: via medieval com possível origem romana, passando por Oriola (vicus), Santana da Serra, Alcaria da Serra até Marmelar, ligando assim a Via Évora - Beja à Via Évora - Serpa (Feio, 2010).

    Mapa















    ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) e Moura
    Via romana que de Évora rumava para sudeste rumo a Serpa e a Moura passando nas proximidades de Portel; logo à saída de Évora teria de atravessar o rio Xarrama, podendo fazê-lo junto do novo Aeródromo de Évora, atendendo à recente descoberta durante a sua construção de vestígios de calçada; em alternativa a travessia poderia ser a jusante, junto do Monte da Chaminé, numa ponte medieval com possível origem romana; mais a sul surgem possíveis fragmentos de miliários junto do Monte da Sitima, em S. Marcos da Abóbada podem assinalar a passagem da via; ver Carta Arqueológica do Concelho de Évora; (Bilou, 2000a)

    Évora (sai pela Horta do Bispo onde existia um troço de calçada (Pereira: 1948, 296-335), desvia no Monte da Barbarrala Nova pelas traseiras das instalações da EDIA)
    Ponte Antiga do Xarrama sobre o rio Xarrama (22 m, 3 arcos, 1 desabou; calçada debaixo do actual caminho)
    Monte da Chaminé (talvez siga a poente do monte pelos altos da Vigia e da Barroqueira; recentemente apareceram vestígios da via junto do Aeródromo de Évora)
    Sitima (provável miliário; 3 outros fragmentos junto do monte; inflecte para leste)
    Travessia da ribeira de Souséis (continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde inflecte para SE; 4 fragmentos de miliários anepígrafos no marco geodésico do Marco)
    S. Marcos da Abóbada, Torre de Coelheiros (importante villa romana que nunca foi escavada e continua ao abandono! continua a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando pelos limites da herdade da Torre do Lobo, a 4 km da sua torre medieval, onde foram identificados recentemente 2 miliários deslocados e mais 2 fragmentos junto ao casario; segue talvez pelo Alto do Seixo, Carrapateira, Alto do Casqueiro, Feijoas do Ramos e Poço da Estalagem, topónimo que remete para uma estação viária)
    Oriola (Auriola?) (vicus, povoado mineiro, localizado a sul de Oriola em torno ermida de S. Faraústo e da Igreja de Ns. da Assunção de Bonalbergue; na outra margem ficava a villa de Mosteiros, onde se achou uma estela funerária, FE 366; a via romana passaria a nordeste da actual vila, dado que André de Resende refere um terminus augustalis dedicado a Diocleciano e Maximiano marcando a divisão entre o território Eborense e Pacense que poderia estar no sítio do Marco, a cerca de 1 km a sudeste do Alto da Eira dos Pomares, precisamente na actual divisão entre os concelhos de Évora e Portel; a ser assim, a via poderia seguir por Marco, Atalaia/Alto do Outeirão, Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque)
    Portel (segundo Saa, a via passaria 3 km a sudoeste da povoação, bifurcando para Serpa e Moura)

    Ligação a Serpa: o caminho para Serpa é apenas hipotético, mas é muito provável que seguisse próximo de Vidigueira de encontro à via proveniente de Beja que atravessava o Guadiana próximo de Quintos.

    Ligação a Moura: o caminho para Moura continua incerto, mas é possível que seguisse por Vera Cruz (mosteiro visigótico) e Marmelar (necrópole; villa/vicus?) seguindo rumo à travessia do rio Guadiana no Cais do Fragal/Moinho da Barca, a jusante da foz do rio Ardila, seguindo depois um percurso paralelo à EN538 pela chamada «Estrada da Barca», passando no Monte do Ameixial e pela calçada de Mata Sete junto da Horta do Botas rumo a Moura.

    Vias secundárias de Évora a Reguengos de Monsaraz. (vide Carneiro, 2008)
    • Évora - Monsaraz por S. Manços: saindo de Évora pela porta de Moura e Chafariz del Rei, atravessava o Xarrama junto da Qta. da Luzerna seguindo depois a rota da EN256 para o Monte da Mesquita e Horta do Albardão a nordeste de S. Manços (a Igreja de S. Manços assenta sobre o mausoléu, ainda visível da villa do Álamo da Horta), Vale de Ferreiros, travessia do rio Degebe em Porto Calçado/Ponte do Albardão (vau lajeado, continuando pela calçada do Moinho da Ponte), na Vendinha (S. Vicente do Pigeiro), sai da EN256 e inflecte para nordeste rumo a Vilar de Barrada/Vila da Abegoria em Caridade e finalmente Reguengos de Monsaraz
    • Évora - Monsaraz por Ns. de Machede: este itinerário sai da cidade pela Qta. do Forno da Cal, rumo a Ns. de Machede (calçada em Vale Melhorado; villa no Monte da Fonte Coberta), atravessa a ribeira de Machede (possível miliário à saída da ponte), seguindo depois por S. Vicente de Valongo (possível fortificação romana no «Castelo Velho» na outra margem em Alcorovisca, anterior à construção do Castelo Real já na Idade Média), continuando por Montoito, Falcoeiras e S. Pedro de Corval (villa no Monte dos Pássaros) até Reguengos e daqui a Monsaraz (vestígios da via romana passando a nascente da povoação rumo ao rio Guadiana, seguindo pelo Convento da Ns. da Orada, Ermida de Sta. Catarina (fragmento de miliário no interior a servir de pilar ao altar-mor) e Ermida de S. Lázaro (Wolfram, 2011)).
    • Monsaraz - Moura pelo Castelo da Lousa: o percurso é desconhecido, mas é provável que seguisse para a travessia do rio Guadiana (por Campinho?) junto do Castelo da Lousa (freguesia da Luz, hoje tudo submerso pela Barragem do Alqueva), villa fortificada que controlava a passagem do rio (que poderia seguir também para Espanha por Santo Amador, onde apareceu o epitáfio de Modesta natural de Pax Iulia, e por S. Leonardo), apenas surgindo vestígios da via já a chegar a Moura, com vestígios de calçada ainda visíveis após a travessia do rio Ardila em Porto Mourão; a calçada segue durante um 1 km pela Qta. da Esperança, Qta. da Pardouqueira, Qta. de S. Lourenço e calçada de Forca, entrando na cidade pela Ponte Romana? sobre o rio Brenhas (1 arco), sobe à EN255 e segue para Rossio do Carmo em Moura.

    Mapa







    ITINERARIO XXI - Itinerários entre Moura e a Via Pax Iulia a Hispalis
    Desconhece-se o nome romano de Moura, mas os vestígios encontrados indiciam a existência de um aglomerado urbano secundário com relevância regional, articulando uma rede viária com ligações aos diversos povoados romanos a sul, nomeadamente Beja, Serpa e Aroche, todos inseridos no grande eixo viário que ligava Pax Iulia a Hispalis, ou seja de Beja a Sevilha; no renovado Museu Municipal de Moura está o miliário de Corte do Alho e outro importante espólio como a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. As duas necrópoles romanas de Moura, Bairro das Sete Casas e S. Sebastião, poderão indicar as saídas do povoado. Os itinerários propostos tentam uma leitura actualizada da obra de Fragoso Lima, com apontamentos de M. C. Lopes, mas subsistem muitas incertezas acerca do verdadeiro traçado das vias. (Fragoso de Lima, 1951, 1981, 1988; M. C. Lopes, 2000)

    de Moura a Beja
    Moura (seguia pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas, seguindo depois por Farelos e pela calçada da Ladeirinha Branca e pelos olivais de Bogas de Ouro e Farelos e junto da Capela da Ns. dos Prazeres)
    Travessia do rio Guadiana em Porto de Moura/Orada (mina)
    Pedrogão (cupa funerária no Monte das Fontes; villa em Horta do Cano; segue pelo Monte das Aldeias)
    Travessia da ribeira de Odearce em Moinhos das Aldeias Pequenas junto ao Alto da Rabadoa
    Monte da Rabadoa, Barbas de Lebre
    Horta do Bacelo
    Travessia das ribeiras da Cardeira e do Canal em N. Sra. das Neves
    Beja (PAX IULIA) (entrava pela Carreira dos Seguros)
    • Fragoso Lima fez passar esta via por Pisões onde há vestígios de calçada e uma ponte antiga sobre o ribeiro de Torrejais com provável origem romana, mas não parece integrar esta via.
    • Em alternativa, a via poderia seguir pelo Pisanto rumo a Brinches, seguindo aproximadamente a EN368 e EN265, passando talvez próximo da importante villa do Monte da Salsa (3 epígrafes funerárias entre outro vasto espólio, mas hoje destruída) para ir atravessar o rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão, Baleizão (no Monte do Torrejão apareceu o epitáfio da filha de Blossius Saturninus, originário da Colonia Iulia Neapolis, actual Tunísia que viveu em Balsa), cruza a ribeira da Cardeira em Porto Peles (vestígios de ponte antiga talvez romana) seguindo junto da Qta. da Mongeralda em Ns. das Neves rumo a Beja.

    de Moura a Aroche
    Moura (partia do centro da povoação pela rua de Arouche e seguia em calçada pela Qta. de Santa Justa e Encosta do Brenhas, Calçadinha e Coutada)
    Sobral da Adiça (Fragoso de Lima identificou fuste de coluna em mármore com letras, possível miliário, «na extrema da Coroada com o Motum» que poderá corresponder ao Cabeço Redondo na Herdade de Metum, fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas»; estes marcos indiciam a passagem da via entre a ribeira de Toutelga e a ribeira de S. Pedro, talvez por Atalaia da Casinha, Montes Juntos (estela e cupa funerárias), Herdade dos Borrazeiros (villa e respectiva necrópole), Monte da Coroada, Entre as Águas, Monte Metum, Horta da Carrasca (inscrição CIL II 93), servindo na sua passagem os sítios romanos de Monte Novo, Preguiça, Álamo e Touril), continua talvez pela Herdade da Negrita, cruza a fronteira e segue de encontro à via Beja-Sevilha que segue para Aroche (ARUCCI).
    • Fragoso Lima faz passar esta via por Santo Amador rumo ao miliário de Encinasola por Barrancos, mas esta rota parece seguir na direcção de Mérida e não de Arouche.

    de Moura a Messangil (Fines?)
    Moura (ruma a sul pela calçada de S. Lourenço e Atalaia Gorda; ara funerária na Herdade da Tapada)
    Herdade dos Machados (calçada com vários km)
    Pias (a via passaria a oriente nas proximidades das villa do Zambujeiro e da villa de Fonte da Pipa, topónimo viário onde aliás há vestígios de calçada)
    Corte do Alho, Vale de Vargo/Pias (miliário a Adriano indicando VIII milhas junto da villa do Corte do Alho indicando a distância a Moura ou à fronteira com a Bética; hoje está no Museu de Moura; árula a Mercúrio encontrada 2 km para oriente na villa do Poço das Sapateiras/Belmeque, hoje no MNA; continua pela villa da Herdade da Corte e Borralhos)
    Messangil, Vale de Vargo (Fines?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, entroncando assim na Via Beja-Sevilha)

    de Moura a Serpa (SERPA)
    Partindo de Moura, a via rumava a sudoeste seguindo aproximadamente a EN255 por S. Lourenço, desviando depois pelo Monte das Sesmarias, Monte Panasco, Monte da Torre (villa), onde cruzava o Barranco das Amoreiras, Monte Barroso (calçada), Monte da Torre e Atalaia Gorda (passando próximo villa da Casa dos Campinos), cruzava a ribeira de Enxoé e seguia talvez próximo do miliário do Monte da Chilra (delimitava esta propriedade do Monte dos Alpendres de Lagares e hoje num casa particular em Serpa), continuando depois nas proximidades das villae de Espicharrabo, Monte da Capela e Torre Velha, continuando depois talvez pela «Canada Velha» (400m em calçada) rumo a Serpa

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    ITINERARIO XXI - Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - FINES - ARUCCI - Sevilha (HISPALIS) - Huelva (Onuba)
    Sendo Pax Iulia a capital de Conventus deveria existir uma ligação pelo caminho mais curto a Colonia Iulia Romula Hispalis, actual Sevilha que era uma das principais cidades da província romana da Bética que corresponde grosso modo à actual Andaluzia, cruzando a via romana que ligava a foz do rio Guadiana a Mérida, a VIA XXIII «Item ab Ostium fluminis Anae Emeritam usque» do Itinerário de Antonino. Ver aqui uma descrição do Itinerário Huelva (Onuba) - Aroche (Arucci). Existem várias propostas de itinerário que variam consoante o ponto escolhido para travessia do rio Guadiana (vide Saa, 1967; Sillières, 1990; M. C. Lopes, 2000).

    Beja (PAX IULIA) (sai da cidade pela Porta de Mértola e Falcões pela rua Bento Jesus Caraça, marginando a villa da Qta. da Abóbada, continua pelo CM1045 pelo Bairro de S. João, Tanque dos Cavalos, Horta de Todos e Alcoforado, seguindo depois pelo CM1046)
    Padrão (alusão a miliário?; topónimos viários «Monte da Estrada» e «Monte da Ponte»; continua pelo Monte do Zambujeiro e ao longo da margem do Barranco da Azinheira/ de Quintos, passando próximo do Monte Alto)
    Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae, hoje no Museu de Évora; cruza a ribeira da Cardeira em Pisões e segue próximo da villa do Monte do Corte Piorno)
    Travessia do rio Guadiana no Vau da Guinapa (sobe as ladeiras do Guadiana e acompanha o Barranco da Amendoeira por Horta do Farrobo, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Qta. do Fidalgo)
    Serpa (SERPA) (mansio; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, hoje Zana na Tunísia; daqui a via continuaria para leste rumo à mansio Fines localizada em Messangil ou mais adiante, em Vila Verde de Ficalho, acompanhando o percurso da EN517 e marginando várias villae e casais, como Monte de Santa Justa, Cidade das Rosas, Horta da Alcaria, Maria da Guarda, Monte da Laje, Capela de St. Estevão e Monte Alto, Meirinho, Figueiras, Abóboda e Coelheiras, no entanto não se conhece o exacto trajecto)
    Messangil, Vale de Vargo (FINES?) (provável localização da mansio Fines na Fonte de São Miguel Fines, onde apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turubriga; segue por Ervancos?)
    Vila Verde de Ficalho (FINES?; villa no Jardim do Museu de Ficalho; povoado em torno da Igreja de S. Jorge; segue pelo Barranco de Penalva)
    Rosal de la Frontera (conflui com a via proveniente de Moura; ver o itinerário para Huelva aqui)
    Aroche (ARUCCI) (mansio localizada na Ermida de San Mamés, em Llanos de la Belleza; segue a margem esquerda do Rio Chanza por Cortijo de la Coronela, Casa de la Babosa, Casa de Duarte, Cabezo del Calar, Collado Hondo, Merendero, vereda de Sevilla e Casa del Capitán e Veredas)
    Almonaster la Real (segue por Era de la Cuesta, vertente norte del Cerro Sierra Morena, Barranco de la Parrita, Calabazares, Valdemuñoz, Arroyo de la Cabra, e pela estradas actuais N435 e HU-7103)
    Ermita de Santa Eulália, Almonaster la Real (mausoléu romano, possível localização da LAELIA de Ptolomeu; segue pela margem direita da ribeira de Sta. Eulália)
    Travessia do Rio Odiel em Pasada de la Llana (segue por Navalonguilla, Los Moscos, El Coto e Cecimbre)
    Campofrío (nó viário)
    • Ligação a Sevilha, rumando a SE até Santiponce (ITALICA) (magníficas ruínas da cidade) e depois para Sevilha (HISPALIS).
    • Ligação a Huelva, rumando a sul pelas Minas do Riotinto, território de URIUM (oppidum em Corta del Lago?), seguindo por Valverde del Camino, Beas, Trigueros até Huelva (ONUBA).

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    Beja (PAX IULIA) - Huelva (ONUBA) por Paymogo
    Poderia existir uma ligação mais directa entre Pax Iulia e Onuba, seguindo de encontro à via romana que ligava Mérida à foz do rio Guadiana mencionada no itinerário de Antonino como Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque. O percurso é apenas hipotético devido às incertezas ainda existentes e incluem uma travessia da actual fronteira luso-espanhola no rio Chança, nas proximidades das importantes explorações mineiras da região de Paymogo.

    Beja (PAX IULIA) (seria comum à Via Beja-Sevilha até Serpa)
    Serpa (SERPA) (de Serpa deveria rumar a SE aproximadamente pela EN265 pelo Monte do Peixoto)
    Santa Iria
    Travessia da ribeira de Limas
    Vales Mortos (antes da povoação segue o CM1096 na direcção SE, no antigo posto da Guarda Fiscal desce ao rio pela Fonte dos Contrabandistas)
    Travessia Rio Chança (talvez junto à Casa do Bertolo; fronteira luso-espanhola)
    Paymogo (minas romanas em Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla)
    Puebla de Gusmán (minas romanas)
    Huelva (ONUBA)

    Viae ab SALACIA

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    Mapa

    ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
    A via de ligação entre Alcácer e Beja passando pelo Torrão faria parte dos itinerários Lisboa-Beja-Sevilha e Lisboa-Beja-Algarve descritos no âmbito do Itinerário XXI de Antonino. Conhecem-se 3 miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Porto da Lama junto da travessia da ribeira de Sítimos, o miliários do Monte do Olival referido por Resende e o miliário de Valentiniano I e Valente que apareceu junto da villa da Fonte dos Cântaros em São Brissos, a 5 milhas de Beja. O percurso até Beja segue o caminho mais curto entre as duas cidades, assinalando os vestígios existentes relacionáveis com a via.

    Alcácer do Sal (SALACIA) (na parte inicial seguia pela margem direita da ribeira de Sítimos num percurso comum à via para Évora até ao Monte da Arcebispa, onde inflectia para sudeste)
    Porto da Lama, Santa Catarina de Sítimos (travessia da ribeira de Sítimos junto da villa romana do Monte da Lama, provável mutatio dado que na área do campo de aviação, hoje desactivado, apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano já cindido longitudinalmente e que está hoje deitado por terra na área das ruínas do depósito de água em Alcácer do Sal, IRCP671; Faria, 1986; a montante da ribeira há também vestígios de uma villa de Sta. Catarina de Sítimos, dentro da povoação; a partir daqui o percurso é hipotético, podendo seguir próximo do marco geodésico de Vale da Água, continuando por Bugiada, Monte da Boavista, Malhadas, Carvalhoso, Fonte Videiros, Monte do Vale de Arquinha e S. Fraústo)
    Torrão (Turris Aranis?) (vicus e provável mutatio situada num importante nó viário que articulava as vias provenientes de Salacia e Ebora com a vias rumo ao sul quer a Beja quer a Faro; há vestígios do vicus na área do Centro Escolar e em Fonte Santa, necrópoles no Penedo Minhoto e da Capela da Ns. do Torrão, conduta com 100 m, etc; a via entrava na povoação pela chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300m que conduz à antiga travessia do rio Xarrama, onde poderia existir uma ponte romana)
    • Variante de Torrão a Beja por Alvito, apesar dos parcos vestígios é provável que existisse uma via secundária que seguia na direcção do vicus de S. Romão (civitas Mirietanorum?) em Alvito e daqui a Beja; a via deveria seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para Vila Nova da Baronia, passando nos vestígios de Sobral das Barras e Herdade da Mina, seguindo depois por Alvito até Beja (Feio, 2010).
    • Em alternativa, a via poderia seguir directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, Capela de S. Bartolomeu, Velórios até Alvito.

    Torrão a Beja por Alfundão
    Torrão (seguia talvez pelo Monte de Vale Paraíso de Baixo, Monte da Fonte Longa, Monte das Soberanas de Baixo, Monte da Ervedosa, Monte das Faias para cruzar a ribeira de Odivelas junto do Monte do Olival)
    Odivelas, Ferreira do Alentejo (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival atestando a passagem da via a nascente de Odivelas por Monte Outeiro, Penique e Casa Branca, junto da fortim romano que deveria controlar a sua passagem, hoje limite do concelho, continuando depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, onde atravessava a ribeira de Alfundão, continuando por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão, passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco)
    Alfundão, Ferreira do Alentejo (a via segue pela rua da Estalagem, atravessava a povoação e cruza o Barranco da Aldeia numa ponte antiga com provável origem romana, prosseguindo pelo caminho da Coimeira/Alto de Beja, passando a norte do provável vicus de Vilar/Vila Verde/Alto do Pilar, junto do depósito de água, onde poderia existir uma mutatio; continua até cruzar o Barranco do Corvo e a EN387, nas proximidades da villa no Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE 295)
    Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste da povoação próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
    Beringel (a via passava a norte da povoação, cruzando o rio Galejo na Ponte Lisboa, hoje submersa pela barragem do Pisão, construção com provável origem romana onde foram reutilizados 2 cipos romanos, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa/Misericórdia, onde apareceu também uma ara a Júpiter)
    São Brissos (continua em calçada ao longo da margem esquerda da ribeira de Álamo, cruza o barranco na Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, perto da qual apareceu um miliário a Valentiniano I e Valente, hoje no Museu de Beja (nr. B-148), associado aos vestígios da villa da Fonte dos Cântaros, continuando pelo Monte da Diabrória, Monte de Arcediago e Lobeira da Horta, entrando na cidade de Beja pela Porta de Évora)
    Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; numa ara com o epitáfio de Nice lê-se VIATO[r, CIL II 59 = CIL II 5186; ver Museu de Beja)

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    ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Garvão (Arannis?) - Faro (OSSONOBA)
    Via ligando Alcácer do Sal ao Barlavento Algarvio, seguindo por Santa Margarida do Sado, Alvalade (notícia de umas «pedras cilíndricas com letras» na «Várzea de Alvalade» e na Herdade da Defesa, eventuais miliários), continuando por Garvão rumo ao Algarve (Carvalho, 2009; Feio, 2009; Ponte, 2012).

    Alcácer do Sal (SALACIA) (segue comum à via para Beja até ao Torrão, rumando daqui para sudoeste por alturas de Médico, Carrascais e Corte da Venda, rumo à travessia da ribeira de Odivelas junto da Herdade do Pinheiro/Porto Carvalhoso e segue pelo estradão que divide os distritos de Setúbal e Beja, passando junto dos sítios romanos de «Altura dos Pintos» e «Outeiro da Mina», hoje linha divisória entre concelhos )
    Santa Margarida do Sado (mutatio?; porto fluvial?; vestígios romanos em torno da Capela de Santa Margarida do Sado, junto da qual estão depositadas duas cupas funerárias e um pedestal, indiciam a existência de uma villa ou uma mutatio associada à travessia do rio Sado neste local rumo a Grândola ou Mirobriga; a via para Alvalade continua a nascente pelo Alto de Penedrão e Alto da Atalaia, cruza a ribeira da Figueira em Porto de Mouros e segue por Carregueira do Mato para cruzar a ribeira do Roxo na Herdade Grande, a nascente da Aldeia de Ermidas e da villa do Monte do Roxo)
    Alvalade (mutatio?; provável vicus viário na área do cemitério, associado à travessia do rio Sado e cruzamento com a via romana E-O com origem em Santiago do Cacém rumo a Beja e Mértola; cruzava o rio em Porto Ferreira e seguia pela margem esquerda do Sado pelo Alto do Pombal, Alto da Corredoura, topónimo viário, Alto do Carvalhal, EM1079-1, marginando os vestígios romanos ao longo do Sado do Monte da Corredoura, Monte da Retorta e Herdade da Defesa e que funcionava como estação viária ao tempo do «Roteiro Terrestre» do MPAM)
    S. Romão de Panóias (entra no distrito de Beja e continua pela EM1079-1 pelo Alto das Fornalhas, cruza a EM1079 e segue pelo Alto dos Peneireiros, servindo de divisória entre os concelhos de Ourique e Odemira; vários vestígios ao longo do Sado: epitáfio de Letondo no lugar de Courela, hoje no MNA, talvez relacionado com a villa de Torre Vã; estela funerária junto da estação CF de Montenegro; vicus da Horta de S. Romão; continua talvez por Monte da Crimeia, onde apareceu o epitáf